Morumbi em choque

De Pitta à Kassab, passando pelo Governo, a defesa de novo Minhocão


Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi, marca urbana das mais respeitadas do país, vê sua população mais tradicional em choque, e em rota de colisão com os trilhos aéreos do Metrô paulistano.

O monotrilho anunciado efetivamente coloca em risco a categoria e os atributos de sua marca, através da ameaça à qualidade de vida da região, cujos moradores planejam colocar em xeque o poder municipal e estadual, para reverter a demolição florestal e concreta que se anuncia. Justamente por parte dos políticos que tanto apoiaram e acabam de eleger. O futuro governador em entrevista à CBN afirmou que apóia e executará o projeto. Embora reportagem da Folha sinalize mudanças em várias Secretarias.

O atual governador ao lançar o edital da linha ouro disse: “Eventualmente o metrô aéreo pode afetar a paisagem de quem vai estar na beira da avenida, mas não é justificativa suficiente para deixar de fazer um metrô que vai custar um terço ou 40% em relação ao metrô que custaria duas vezes e meia a mais”.

Goldman apenas deixou de citar os alertas da própria companhia do Metrô, no estudo de impacto ambiental, que dentre outros itens já tínhamos destacado em artigo anterior:

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes.

Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

A tarefa de reversão que os moradores terão que executar não é das mais fáceis, pois a preservação de casas de alto padrão e de vigorosa área verde não é eleitoreira. Pelo contrário, pode parecer elitista e protecionista à cidadãos abastados pelo restante da população paulistana, se não enxergarem as vantagens da manutenção de área tão qualificada como visual e pulmão verde, essencial para toda a cidade. Aliás, região considerada como “área de preservação ambiental permanente” pelo poder municipal, e endossado por lei.

Foi um dos objetivos da reunião que aproximadamente 100 participantes de entidades representativas de moradores da região realizaram segunda-feira. Unindo especialidades jurídicas, técnicas econômicas e sociais através das entidades locais: a SMM Sociedade dos Moradores do Morumbi, a SAJM Sociedade amigos do Jardim Morumbi, a SAVIAH Sociedade amigos da Vila Inah, o CONSEG Morumbi e o Movimento Defenda São Paulo propõem uma abertura de negociação com Prefeitura e Governo de São Paulo. Almejam alertar para a questão ambiental, que acreditam pode ser preservada através de mudanças a serem realizadas.

De contato agendado com o líder do Prefeito, vereador José Police Neto PSDB, estarão a seguir buscando o atual e o futuro Governador, assim como o Ministério Público.

Que a técnica e a civilidade proposta pelas respectivas entidades enumeradas possam receber a mesma receptividade do poder público paulista, visando apenas o interesse público. Principalmente quando estão envolvidas gigantescas corporações, a começar pela estrangeira Bombardier, acirrada competidora da verde amarela Embraer.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

72 comentários sobre “Morumbi em choque

  1. Jão Vicente Ferraz Paione,comentário 22
    Se o SPFC tivesse alguma força não teria sido tão humilhado mundialmente como foi.
    Se recordarmos o que fizeram com as propostas do Morumbi é algo para os tempos de Nero e Caligula.
    Fritagem e deboche internacional.
    O monotrilho está servindo aos envolvidos, ou não ?

  2. Bruno Amadei Junior,comentário 23

    Prezado Bruno, companheiro de velhas lutas em defesa do Morumbi, é hora de ADOTE UM GOVERNADOR.
    Neste caso tem tudo a ver, pois aquelas 100 pessoas que estiveram reunidas na segunda eram quase todas eleitoras de Geraldo Alckmin .

    Parabéns pela sua colocação diante desta agressão ao meio ambiente do Morumbi.

  3. Alberto Aoki, comentário 24
    Fico na dúvida se o ilustre cidadão conhece o minhocão do Maluf ou o Fura Fila do Pita.
    Ou qualquer solução aérea para o tráfego.
    De outro lado por que esta pressa agora na área verde do Morumbi, sendo que nas outras áreas em que foi construido o Metrô este fator não foi considerado?

  4. Armando Italo, comentário 26
    Existe apenas uma diferença, que é em relação ao porte e importância das empresas envolvidas.
    Naquele caso não havia nem BOMBARDIER nem os colossos nacionais da construção civil operando.
    Fato este que ao invés e assustar deverá estimular.
    David e Golias serve bem para ilustração e motivação.

  5. COMENTÁRIO 53
    CARLOS,
    PRIMEIRO, PARABÉNS POR INTERAGIR COM TODOS.
    Acredito sim que o maior interesse na obra(trecho 3 do monotrilho) seja do SPFC. Tal obra facilitará o acesso ao Estádio. O SPFC tem muita força política sim, não junto à CBF ou à União, mas junto à PMSP e ao Estado.
    Além disso, foi anunciado que vão construir um estacionamento na Estação Morumbi do Monotrilho, (local da maior área expropriada e que conta com áreas públicas lindeiras, compreendida entre a Giovanni Gronchi, Alfredo Aschar e João Saad). Ora, este estacionamento vai atender ao Estádio, principalmente. Estádio Particular, certo. Quando alguma empresa elabora qualquer empreendimento deve atender a demanda com vagas e acesso além de efetivar compensações…para aprovação e licença. Por que o SPFC não constrói um estacionamento na área do Clube… ou compra casas vazias junto à Giovanni e Av. Jules Rimet: para efetivar o Estacionamento… certamente terão lucro no futuro. Por que terão que desapropriar áreas para esta finalidade…:Assim, além de contra a construção do monotrilho, somos também contra a construção de um prédio de estacionamento em área pública e;ou exproprianda…neste caso o alegado interesse público é igual a interesse do SPFC…e lembro que para se justificar a desapropriação o interesse público deve ser claramente especificado (finalidade)…
    Saliento, sou tricolor fanático, portanto meu comentário nada tem a ver com paixões clubísticas..
    Um abraço e destaco meu apoio e auxílio a todas as ações da sociedade civil contrárias ao projeto do Monotrilho e prédio de Estacionamento.

  6. Jão Vicente Ferraz Paione,comentário 61
    Hoje, madrugada de´domingo o Prefeito Kassab no programa Business de Jão Dória, culpou as administrações anteriores pelo problema do trânsito.
    Falou das anteriores há cinquenta anos.E disse que o Serra fez muito.
    Como vemos não dá para ouvir calado.Se não bastasse isso falou que a grande preocupação com a cidade de São Paulo deve ser com as áreas verdes.
    É muita enganação.

  7. O Metrô começou a ser implantado em São Paulo em 1970 (sua primeira linha ficou pronta em 1975): passaram-se 40 anos e não foi feito um PLANEJAMENTO INTEGRADO que levasse em conta as necessidades de transportes da cidade como um todo e os impactos que cada trecho poderia causar. Por outro lado, durante esses 40 anos O PODER PÚBLICO AUTORIZOU MUITAS CONSTRUÇÕES que hoje quer demolir. Como pode agora o governo querer desapropriá-las se foram autorizadas por ele? Onde está a responsabilidade dos nossos gestores públicos? Que gestão é essa que prejudica os cidadãos? Nos países adiantados, os proprietários de seus terrenos só podem construir depois que o poder público faz TODAS as melhorias necessárias. Depois que se coloca o asfalto, já foi colocada a água, o esgoto, a luz, o telefone, enfim, tudo que é necessário. Ninguém fica destruindo um trabalho para fazer outro, porque houve PLANEJAMENTO. Se em 40 anos o Metró e o Poder Público não foram capazes de planejar, a população não pode sofrer as consequências. O Morumbi quer, sim, o Metrô, mas o subterrâneo. Por que outros bairros estão ganhando o Metrô subterrâneo e o Morumbi, que tem o pouco de verde que resta a São Paulo, tem que aguentar um Monotrilho? Quem teve essa brilhante idéia? Qual é o nome do responsável por esse Projetinho de Quinta Categoria? Quem vai \"ganhar\" com isso? Certamente a população não é. Nem as pessoas de Paraisópolis serão beneficiadas, porque lá tem muitas pessoas que sabem que esta não é a melhor solução. Projetos como esse, aprovados às escondidas, só podem resultas em ganho fácil para uns e prejuízo para outros. Não moro em parte a ser afetada e não tenho interesse pessoal na defesa de um Metrô subterrâneo. Mas, como cidadã, não posso compactuar com projeto tão mal feito, com ausência total de planejamento. O poder público precisa ser competente, fazer obras que sejam eternas, buscar soluções que sejam duradouras e não eleitoreiras. Se tiver que ser gasto o dobro do valor para se fazer o metrô subterrâneo, que se gaste, mas que o valor da obra não seja \"superfaturado\" porque é com isso que não se pode gastar. Qualquer obra sai caro quando o dinheiro é desviado e é isso que o poder público não pode deixar acontecer. Qualquer obra elevada vai prejudicar o meio ambiente do Morumbi, que já está sendo agredido por várias construtoras que \"vendem\" o verde e o destroem logo a seguir (para replantá-lo sabe-se lá onde e quando). O poder público precisa parar de autorizar o desmate do Morumbi. As construtoras precisam parar de querer vender o verde e destruí-lo ao mesmo tempo. Há muitos locais ainda para se construir que não sejam \"dentro\" de áreas preservadas, como o Parque Burle Marx, que foi \"invadido\" por construtoras que venderam apartamentos praticamente dentro do parque. Há inclusive um hotel cuja obra foi embargada, mas o monstro está lá. Quanto dinheiro rola para essas aprovações de projetos que acabam depois ficando impedidos de serem concluídos e só são concluídos por meio do pagamento de mais propinas. Uma vergonha.

  8. O Metrô começou a ser implantado em São Paulo em 1970 (sua primeira linha ficou pronta em 1975): passaram-se 40 anos e não foi feito um PLANEJAMENTO INTEGRADO que levasse em conta as necessidades de transportes da cidade como um todo e os impactos que cada trecho poderia causar. Por outro lado, durante esses 40 anos O PODER PÚBLICO AUTORIZOU MUITAS CONSTRUÇÕES que hoje quer demolir. Como pode agora o governo querer desapropriá-las se foram autorizadas por ele? Onde está a responsabilidade dos nossos gestores públicos? Que gestão é essa que prejudica os cidadãos? Nos países adiantados, os proprietários de seus terrenos só podem construir depois que o poder público faz TODAS as melhorias necessárias. Depois que se coloca o asfalto, já foi colocada a água, o esgoto, a luz, o telefone, enfim, tudo que é necessário. Ninguém fica destruindo um trabalho para fazer outro, porque houve PLANEJAMENTO. Se em 40 anos o Metró e o Poder Público não foram capazes de planejar, a população não pode sofrer as consequências. O Morumbi quer, sim, o Metrô, mas o subterrâneo. Por que outros bairros estão ganhando o Metrô subterrâneo e o Morumbi, que tem o pouco de verde que resta a São Paulo, tem que aguentar um Monotrilho? Quem teve essa brilhante idéia? Qual é o nome do responsável por esse Projetinho de Quinta Categoria? Quem vai \\"ganhar\\" com isso? Certamente a população não é. Nem as pessoas de Paraisópolis serão beneficiadas, porque lá tem muitas pessoas que sabem que esta não é a melhor solução. Projetos como esse, aprovados às escondidas, só podem resultas em ganho fácil para uns e prejuízo para outros. Não moro em parte a ser afetada e não tenho interesse pessoal na defesa de um Metrô subterrâneo. Mas, como cidadã, não posso compactuar com projeto tão mal feito, com ausência total de planejamento. O poder público precisa ser competente, fazer obras que sejam eternas, buscar soluções que sejam duradouras e não eleitoreiras. Se tiver que ser gasto o dobro do valor para se fazer o metrô subterrâneo, que se gaste, mas que o valor da obra não seja \\"superfaturado\\" porque é com isso que não se pode gastar. Qualquer obra sai caro quando o dinheiro é desviado e é isso que o poder público não pode deixar acontecer. Qualquer obra elevada vai prejudicar o meio ambiente do Morumbi, que já está sendo agredido por várias construtoras que \\"vendem\\" o verde e o destroem logo a seguir (para replantá-lo sabe-se lá onde e quando). O poder público precisa parar de autorizar o desmate do Morumbi. As construtoras precisam parar de querer vender o verde e destruí-lo ao mesmo tempo. Há muitos locais ainda para se construir que não sejam \\"dentro\\" de áreas preservadas, como o Parque Burle Marx, que foi \\"invadido\\" por construtoras que venderam apartamentos praticamente dentro do parque. Há inclusive um hotel cuja obra foi embargada, mas o monstro está lá. Quanto dinheiro rola para essas aprovações de projetos que acabam depois ficando impedidos de serem concluídos e só são concluídos por meio do pagamento de mais propinas. Uma vergonha.

  9. Carlos,

    Nos muitos temperos de minha personalidade, tem: observar tudo, ser sincero e nunca negar elogios a quem mereça.

    È coro em todo mundo dizer que, pessoas abastadas financeiramente e famosas, conseguem tudo com influencia e todos os artifícios conhecidos. Seu artigo e os comentários nos mostra cidadãos moradores de um bairro de elite, lutando democraticamente para manter o conforto de suas moradias e preservação da natureza em seu entorno. O coro poderia ser bem maior, mas não se pode deixar de acreditar que, tende a crescer. Portando, seu artigo me é mais uma lição das muitas que tenho lendo o que vc escreve. Parabéns!

    Com. 61: Está aí nosso grande problema: Nossos governantes não interagem!

  10. Eliana B.Chumer,comentário 63
    Ainda bem que temos coisas para comemorar como a entrevista de Russell Mittermeier publicada nas páginas amarelas da VEJA que está nas bancas, cujo título homenageia o Brasil : “RUMO À POTÊNCIA VERDE”.
    O desrespeito à cidade de São Paulo com este monotrilho no MORUMBI é irracional e inaceitável.
    Serra está se autointitulando um ambientalista,embora usou saia justíssima com os representantes do agro negócio em Santa Catarina, ao ser arguido sobre o projeto do Aldo.
    Voltaremos ao tema onda verde na próxima quarta. Apesar do aborto que está transformando a campanha presidencial em discussão nada coerente com uma nação laica.

  11. Beto, comentário 65

    Gostaria de saber as seguintes respostas do Serra e do Kassab

    1.Por que até agora para toda a cidade sempre se optou pelo METRÔ subterrâneo e, para o MORUMBI, onde há casas de alto padrão a serem demolidas ou a serem desvalorizadas, a solução é o monotrilho? Estes proprietários ao comprarem suas casas acreditaram na postulação municipal de estrita Z1 e pagam um dos mais altos IPTU residenciais da cidade.

    2.Por que não está sendo considerado o aspecto ambiental para a cidade, pois a área verde a ser destruida serve não só ao bairro do Morumbi mas também a toda a cidade.

    3. Por que não se está considerando o eleitorado do PSDB DEM do bairro do MORUMBI, que é intensa e extensamente cativo de Serra, Alckimin,Kassab,Covas,Fernando Henrique,etc ?

    Beto, abraço

  12. Carlos,

    Quando comentei seu primeiro artigo sobre o assunto com um amigo, recebi uma resposta:

    -Ih meu, quem decide quem mora ou não mora onde, são as construtoras. Não duvido que já exista um projeto de um novo “Morumbi”!

  13. Beto,comentário 68
    Seu amigo tem razão analisando a maioria atual dos moradores da cidade de São Paulo, que preferem apartamentos com numero de quartos e não com áreas condizentes, manipulados provavelmente pela propaganda das construtoras..
    Casas e apartamentos antigos são mais coerentes, mas parece que não estão nas preferências do consumidor paulistano de hoje.

  14. Engraçado, para a construção da Linha 5 ninguém fez alarde algum, porquê estão fazendo agora? Mesma coisa da estação Angélica….

    Os caras não querem que desvalorizem a área deles e pra isso “jogam” pra areas devalorizadas que acabarão por nunca se valorizar.

    Deveriamos é fazer uma revolta e dar uma lição nesses aproveitadores, não quer que desvalorize o deles para desvalorizar o dos outros, vamos começar a fazer umas revoltas na Paulista, Jardins, Morumbi pra aprenderem que a população não se resume só a eles….

  15. Pingback: O Minhocão do hexa | Mílton Jung

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