Manifesto pela preservação das Zonas Exclusivamente Residenciais em SP

 

Incentivado pelo artigo escrito pelo colunista Carlos Magno Gibrail, na quarta-feira, neste bLog, com o título “O que a falta de água tem a ver com o Plano Diretor”, aproveito para reproduzir o manifesto pela manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais no Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, a ser discutidona Câmara Municipal. O texto já tem a assinatura de cerca de 40 entidades.

 

Leia, reflita e apóie (se considerar importante):

 

Ao ensejo da elaboração do novo Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, as sociedades, associações e entidades representativas das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZER, que este subscrevem, apresentam suas razões para a manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZERs, seja como elementos de excelência urbanística no campo do planejamento urbano, seja como elementos essenciais derivados desses projetos do espaço urbano, de qualidade inegável na prestação de serviços ambientais no ecossistema urbano, promovendo equilíbrio ambiental e redução dos impactos urbano-ambientais nocivos, promovidos pelo padrão mercantil de ocupação e de expansão da mancha urbana.

 

Nesse sentido, se destaca a importância do conceito urbanístico inerente às áreas exclusivamente residenciais, de estreita relação com o meio ambiente, cuja natureza jurídica figura no âmbito do direito difuso, conforme já definido no próprio texto do atual Plano Diretor Estratégico (Lei 13.430/02).

 

Por sua vez, a Lei 13.885/04, na sua Parte II, nos Planos Regionais Estratégicos, trata como política pública protetiva e preservacionista manter e promover os bairros com características exclusivamente residenciais. O atual Plano Diretor dispõe sobre a preservação e a proteção das áreas estritamente residenciais e das áreas verdes significativas e a manutenção do zoneamento restritivo dos bairros estritamente residenciais, que devem ser mantidas.

 

Dessa forma, resta claro que as Zonas Exclusivamente Residenciais integram a política pública de planejamento urbano do Município de São Paulo. Essas áreas estão incorporadas no patrimônio jurídico da cidade e de cada cidadão, de interesse público urbanístico e ambiental, com tal relevância para a sustentabilidade urbana–ambiental do território que seu tratamento na revisão do planejamento urbano somente poderá se dar através da criação de novos instrumentos normativos para assegurar ainda sua maior proteção e defesa, como a criação de Áreas de Amortecimento dos Perímetros das ZERs e a revisão das Zonas de Centralidade Linear a fim de aumentar do grau de restrição no uso e ocupação, pois alguns desses corredores, principalmente aqueles localizados no miolo das ZERs são altamente impactantes, promovendo, ao contrário da desejada preservação, a degradação desses espaços especialmente protegidos e seus benefícios urbanos e ambientais em prejuízo da coletividade.

 


Pelo Princípio da Não-Regressão, os avanços urbanísticos ambientais conquistados no passado não serão destituídos ou negados pela geração atual. A Proibição do Retrocesso é um princípio constitucional implícito que se impõe ao legislador em nome da garantia constitucional dos direitos adquiridos, do princípio constitucional da segurança jurídica, do princípio da dignidade da pessoa humana e, finalmente, em nome do princípio de efetividade máxima dos direitos fundamentais, nos termos do art. 5o, parágrafo 1o, da
Constituição Federal.

 

Nessas zonas, o padrão restritivo de uso e ocupação do solo e a massa verde conjugada com as áreas permeáveis, permitem:
a) maior dissipação do calor,
b) o aumento da umidade relativa do ar;
c) o sistema de drenagem de águas pluviais, o que auxilia na redução de inundações e recarga dos lenções freáticos;
d) refrigeração urbana e regulação climática;
e) a retenção dos poluentes do ar pela massa arbórea

 

Nesse sentido, requeremos a inserção no projeto substitutivo dos seguintes textos abaixo elencados, extraídos da atual Lei 13.430/2002 e do PL 0688/2013, adaptados para inclusão, e outros pedidos:

 

O atual art. 156, §2o, incisos I e II e §3o, inciso II do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, reconhecem a excelência dos Bairros Residenciais e impõe a sua preservação. Abaixo, o texto adaptado para inserção
no PL 0688/2012:

 

As zonas exclusivamente residenciais são áreas que contam com excepcionais condições de urbanização e objetiva-se nelas:

 

I – controle do processo de adensamento construtivo e de saturação viária, por meio da contenção, no seu entorno, do atual padrão de verticalização, assim como a revisão de usos geradores de tráfego;
II – preservação e proteção das áreas exclusivamente residenciais e das áreas verdes significativas;
III – manutenção do zoneamento restritivo nos bairros exclusivamente residenciais, com definição precisa dos corredores de comércio e serviços;
No atual texto do PL 0688/2013, consta o artigo 26 que deve ser mantido integralmente, caput e parágrafo único, este renumerado como parágrafo primeiro, acrescentando-se o parágrafo segundo para inclusão dos mapas e
quadros das Zonas Exclusivamente Residenciais, como segue: Das Zonas Exclusivamente Residenciais

 

Art. ___ – As Zonas Exclusivamente Residenciais – ZER, são porções do território
destinadas exclusivamente ao uso residencial de habitações unifamiliares e
multifamiliares, com densidades demográficas e construtivas baixas, médias e altas, tipologias diferenciadas, níveis de ruído compatíveis com o uso exclusivamente residencial e com vias de tráfego leve e local.

 

Parágrafo primeiro – Nas ZER de baixa densidade ficam estabelecidos os seguintes coeficientes de aproveitamento:

 

I – coeficiente de aproveitamento mínimo igual a 0,05 (meio décimo);
II – coeficiente de aproveitamento básico iguala 1,0 (um);
III – coeficiente de aproveitamento máximo igual a 1,0 (um).

 

Parágrafo segundo – os perímetros das Zonas Exclusivamente Residenciais de Baixa Densidade – ZER1 corresponderão às atuais ZER1, constantes nos mapas (tais) e quadros (tais) que fazem parte integrante desta lei, obrigando sua integral manutenção na revisão da lei de uso e ocupação do solo, podendo serem acrescidos novos perímetros.

 

No atual texto da Lei 13.430/2002, no artigo 83, que trata das diretrizes para a política de circulação viária e de transportes, requeremos a manutenção do inciso IV, exatamente como reproduzido abaixo, como forma de evitar a degradação das Zonas Exclusivamente Residenciais:

 

IV – a restrição do trânsito de passagem em áreas residenciais.

 

No atual texto da Lei 13.430/2002, o artigo 164, parágrafo 1o, inciso V, trata de diretrizes para garantir a adequada regulamentação das interfaces e parâmetros no entorno das Zonas Exclusivamente Residenciais. Nesse sentido, requeremos a inserção no PL 0688/2013 do seguinte texto adaptado:

 

Art.___: A Lei de Uso e Ocupação do Solo e os Planos Regionais deverão regulamentar as interfaces no entorno das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZER, através de dispositivos que garantam a adequada transição de intensidade de usos, volumetrias, gabaritos e outros parâmetros, que se farão gradativamente, criando uma zona de amortecimento.

 

No atual texto do PL 0688/2013, consta o artigo 253, o qual se requer alterações para garantir a proteção integral das Zonas Exclusivamente Residenciais, como atualmente prevista na norma. Considerando aceitas as propostas acima, requer que o projeto substitutivo exclua o inciso I do artigo 253 contido no atual PL 0688/2013, passando a ter a seguinte redação:

 

Art. 253 Projeto de lei de revisão da legislação reguladora que disciplina o parcelamento, uso e ocupação do solo deverá ser encaminhado à Câmara Municipal no prazo de 1(um) ano após a entrada em vigor desta lei.

 

Parágrafo primeiro – Até que seja feita a revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei no 13.885, de 2004), os perímetros das zonas especiais definidas por esta lei terão as seguintes correspondências:

 

(EXCLUIR) I – as Zonas Exclusivamente Residenciais (ZER) corresponderão às atuais zonas exclusivamente residenciais (ZER),
(…)

 

Parágrafo segundo – Até que seja feita a revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei no 13.885, de 2004) aplicam-se na ZER, ZEPEC, ZPA, ZRA e ZEDE, os parâmetros urbanísticos e demais características de aproveitamento, dimensionamento e ocupação dos lotes dispostas no Quadro 04 dos Livros de I a XXXI da Parte II da Lei 13.885/2004 para as ZER, ZEPEC, ZEPAM e ZPI.

 

Na antiga Lei Municipal 8.001/73, contava-se com dispositivo que garantia a aplicabilidade das cláusulas contratuais mais restritivas registradas nos loteamentos aprovados pela Prefeitura, e, mesmo considerando que tal dispositivo foi inserido com outro texto no artigo 247 da Lei 13.885/2004, requer que o referido texto abaixo transcrito seja reproduzido como parte integrante do projeto substitutivo do PL 0688/2013, eis que as restrições contratuais devem prevalecer em todo o território da cidade.

 

Art. ___. As restrições convencionais de loteamentos aprovados pela Prefeitura, estabelecidas em instrumento público registrado no Cartório de Registro de Imóveis, referentes a dimensionamento de lotes, recuos, taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, altura e número de pavimentos das edificações, deverão ser atendidas quando mais restritivas que as disposições desta lei.

 

É essencial reiterar que as Zonas Exclusivamente Residenciais sejam mantidas tal como estão, impedindo a incidência de qualquer sobreposição de índices urbanísticos menos restritivos criados por outros instrumentos, como por exemplo, nos eixos de transformação, e assegurando ainda a revisão das atuais Zonas de Centralidade Linear nos perímetros das ZERs a fim de torná-las mais restritivas.

 

Nesse sentido, sugerimos a seguinte redação para novo artigo o qual requer seja incorporado ao texto do projeto substitutivo em construção:

 

Art.____: Nos perímetros das Zonas Exclusivamente Residenciais (ZERs), incluído os corredores de comércio e serviços, não incidirão quaisquer índices urbanísticos com parâmetros de intensidade de usos, volumetrias, gabaritos, e outros, menos restritivos daqueles atualmente aplicados nessas áreas.

 

Ante todo o exposto, as entidades que assinam este documento, cujo rol segue em ordem alfabética, requerem que todas as propostas sejam totalmente contempladas no projeto substitutivo ao Projeto de Lei 0688/2013:

 

Amigos da Praça João Afonso de Souza Castellano
Associação Amigos do Jardim Olímpia – ASSAJO
Associação Amigos do Jardim Victória Régia
Associação Amigos do Panamby
Associação Amigos e Moradores da Previdência Alta – SAMPA
Associação de Moradores da Rua Prof. José Horácio Meireles Teixeira e Circunvizinhanças
Associação de Moradores e Amigos da Vila Mariana – AMA-VM
Associação de Moradores do Jardim Christie – AMJC
Associação dos Amigos do Alto de Pinheiros – SAAP
Associação dos Amigos do Bairro City Caxingui – AABCC
Associação dos Amigos do Bairro do Alto da Boa Vista – SABABV
Associação dos Amigos do Jardim das Bandeiras – AAJB
Associação dos Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança- ASSAMPALBA
Associação dos Moradores da Chácara Monte Alegre — SACMA
Associação dos Moradores da Granja Julieta e Imediações – AMOGRANJI
Associação dos Moradores do Jardim da Saúde – AMJS
Associação dos Moradores do Jardim Rolinópolis
Associação dos Moradores dos Jardins Petrópolis e dos Estados – SAJAPE
Associação dos Moradores e Amigos da City Vila Inah e do Jardim Leonor – SAVIAH – MORUMBI
Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia – SOJAL
Associação dos Moradores e Amigos do Parque Previdência – AMAPAR
Associação dos Moradores e Amigos do Sumaré – SOMASU
Associação dos Moradores e Amigos do Sumarézinho, Vila Madalena e Região — AMADÁ
Associação Morumbi Melhor
Associação Preserva São Paulo
AME Jardins
Comunidade e Cidadania – CIRANDA
Comunidade Janauba Tanhaçu
Movimento Amigos da Rua Critius
Movimento Amigos do Real Parque
Movimento pela Preservação do Campo Belo – MOVIBELO
Sociedade Amigos da Cidade Jardim – SACJ
Sociedade Amigos da Praça “Euclides Parente Ramos” — SAPEPAR
Sociedade Amigos da Vila Alexandria – SAMAVA
Sociedade Amigos do Jardim América, Europa, Paulista e Paulistano – SAJEP
Sociedade Amigos do Jardim Londrina – SAJAL
Sociedade Amigos do Planalto Paulista – SAPP
Sociedade Amigos do Residencial Parque Continental – SARPAC
Sociedade de Moradores e Amigos da Vila Cruzeiro e Entorno – SOMAVIC
Sociedade dos Moradores do Morumbi – SMM
Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária – SMB
SOS Árvores do Panamby
Vila Madá Viva
Viva Pacaembu por São Paulo — VIVAPAC

6 comentários sobre “Manifesto pela preservação das Zonas Exclusivamente Residenciais em SP

  1. Milton

    Moradores da Vila Olimpia, Itaim Bibi, Vila Nova Conceição estão apreensivos.
    Na Avenida Santo Amaro onde corta estes bairros, vários predios e projetos de novos lançamentos estão sendo construido e a serem construídos
    Esta importante via, corredor de onibus, encontra-se constantemente congestionada em qualquer hora do dia.
    Imagine então quando todos estes lançamentos forem concluídos e outros que virão o caos que será formado?
    Além dos inumeros lançamentos e empreendimentos em andamento nesta avenida, no interior dos bairros acima citados outros lançamentos estão sendo realizados e outros que virão
    O transito nas ruas destes bairros também já se encontra caótico!
    Assim vem acontecendo por toda a cidade
    Lançamentos de predios comerciais e residenciais.
    Se continuar “essa liberdade” a favor das construtoras e incorporadoras São Paulo vai entrar em colapso!
    Além da destruição e interferencia nos lençóis freáticos, meio ambiente, desmatamento de terrenos centenarios onde nestes existem diversificação de vegetação natural e frutífera!
    Aumento do adensamento populacional, de veículos, poluição sonora e ambiental.
    Sem esquecer da sujeira que máquinas, grandes e pesados veículos fazem pelas ruas, barulhos durante a noite e de madrugada por não ser permitido carga e descarga de materiais nas obras durante o horario comercial.
    Qual a solução viável para o paulistano poder viver na sua cidade com um mínimo de qualidade de vida e respeito?

  2. Caro Milton,

    Obrigado pela divulgação do Manifesto pela Preservação das Zonas Residenciais neste importante espaço de informação e cidadania ! Comunico que ao longo do dia de hoje chegamos a 48 entidades signatárias .

    • Sérgio,

      Aqui estaremos sempre abertos para estas discussões. E, neste caso, agradeça o sempre atento Carlos Magno Gibrail provocador do tema no Blog.

  3. Não podemos permitr que em troca de GRANA as autoridades aprovem planos e projetos que não analizam a qualidade de vida , a preservação da minima area averde que restou na cidade para alguns empresarios gananciosaos e sem escruplos se beneficiem e facumulem mais e mais dinheiro em sus contas bancarisas, não sei para que pois por mais que desejem não poderam consumir em tão pequeno espaço de tempo que e a vida humana!!!

  4. A preservação das ZERs não é um mero capricho; é uma questão de sustentabilidade e de salubridade da cidade. Essas zonas que contêm massas verdes que ajudam a neutralizar os efeitos das “ilhas de calor” criadas pela poluição, pela impermeabilização do solo e pelo aglomerado das edificações. Não fossem elas, seriam ainda mais devastadores e frequentes os temporais, as inundações e a proliferação de doenças decorrentes do aumento das temperaturas e da poluição, como a dengue e as doenças respiratórias que afetam, sobretudo, crianças e idosos.

  5. Enquadramento : Zoneamentos urbanos e ambientais

    É fundamental que o Plano Diretor Estratégico preveja claramente, ou seja, que contenha diretrizes, a possibilitar a implantação em áreas residenciais, ou seja, em suas bordas, principalmente em vias coletoras próximas a eixos de transporte de massa, de centralidades lineares de uso misto, a existência de comercio e serviços de conveniência, ambos de baixa densidade, compatíveis com o uso residencial.
    Os efeitos colaterais positivos desta medida incluem, além da melhoria da mobilidade na cidade e maior oportunidade de integração social, alterações positivas no microclima regional, pela diminuição dos veículos na rua, e estímulo à caminhada e à utilização de bicicletas, com menor emissão de poluentes na atmosfera.
    Também não se pode deixar de citar que estas centralidades de comercio e serviços, por induzirem a ocupação das ruas pelos habitantes da região durante grande parte do dia, melhoram sensivelmente a segurança do entorno.

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