Sarampo mata e mata porque as pessoas não tomam vacina

 

vacina-2-álbum-saraiva-1200x825

 

Abro o portal G1 para ler a cobertura da Copa do Mundo e antes mesmo de correr os olhos sobre a análise dos jogos que definiram as quartas-de-final com Brasil e Bélgica tenho a atenção desviada para a notícia de que o sarampo volta a assustar: os estados do Amazonas e Roraima estão com surto da doença — foram confirmados mais de 460 casos, informa o Ministério da Saúde.

 

Quando era menino, ainda lá em Porto Alegre, lembro da preocupação da minha mãe em relação a doença. Um colega de sala de aula ou um amigo da vizinhança que aparecesse com as pintas no rosto eram suficientes para aumentar a preocupação entre os pais. Se lembro bem, contraí a doença, mas fui prontamente medicado e me livrei de um baita problema —- ouvíamos falar de pessoas que tinham ficado cegas e outras que morreram porque não estavam protegidas ou não haviam tomado as providências necessárias.

 

Estou falando de fatos que apavoravam os pais nos anos de 1960 quando a vacina ainda não era disseminada como hoje. Ela existe desde 1963 — coincidentemente ano em que nasci. Avançamos muito no tratamento e temos informação e rede de saúde suficientes para atender todas as crianças com um ano de idade — período em que se deve tomar a primeira dose da vacina; a segunda deve ser aplicada com 2 anos e 1 mês de vida.

 

Em 2016, o Brasil recebeu certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana de Saúde. Coincidência ou não, um ano depois registrou-se o menor índice de cobertura em 16 anos. Apenas 70,69% das crianças receberam a vacina tetra viral, que previne o sarampo, a caxumba, a rubéola e a catapora. Aliás, em 2017, todas as vacinas do calendário infantil estão abaixo da meta de 95% — é o que leio em outra reportagem da editoria Bem Estar, do G1.

 

Sexta-feira passada no quadro Saúde em Foco, o doutor Luis Fernando Correia respondeu a perguntas de ouvintes sobre o sarampo, no Jornal da CBN. Ele alertou para o fato de essa ser uma doença viral, transmitida com extrema facilidade. O vírus é transmitido quando a pessoa entra em contato com secreções do paciente contaminado — pode ocorrer através de tosses, espirros ou gotículas de saliva que se espalham pelo ar:

 

“Se alguém entrar na sala expelindo essas gotículas, 90% das pessoas que estiverem na mesma sala vão pegar essa doença”.

 

Correia diz que voltamos a falar do sarampo porque as pessoas deixaram de se vacinar, seja porque passaram a considerar a doença menos preocupante, já que não se tinha mais notícias dos riscos, seja por “ideias malucas” de pessoas que fazem campanha contra a vacinação.

 

Uma dessas ideias, mais do que maluca, era criminosa: o médico britânico Andrew Wakefield forjou pesquisa científica, publicada na revista Lancet, em 1998, que relacionava a vacina do sarampo com o autismo. Descobriu-se que pouco tempo antes de publicar o estudo, ele havia patenteado uma outra vacina que concorria com aquela que era aplicada na época. Wakefield perdeu a licença de pesquisador e médico. História que está contada no livro Outra Sintonia, de John Donvan e Karen Zucker, já lançado no Brasil.

 

_97023706_outrasintonia

 

“ … é uma doença que mata e mata porque as pessoas não se vacinam” — alerta Luis Fernando Correia.

 

De acordo com análises da Fundação Oswaldo Cruz — Fiocruz, o vírus que circula no estado de Roraima é importado da Venezuela. Antes que se imagine que a solução seja bloquear a entrada de refugiados venezuelanos na região, lembre-se que na Europa o número de casos de sarampo aumentou 400%, segundo a Organização Mundial de Saúde — com maior incidência na Romênia, Itália e Ucrânia. Ocorrências que aumentaram porque se baixou a guarda contra a doença.

 

Em vez de querer impedir a migração de pessoas — forçada ou voluntária — ajude a conscientizar as famílias para a necessidade de todas as crianças se vacinarem. Caso você vá viajar para áreas em que o vírus esteja circulando, recomenda-se que tome outra dose da vacina, mesmo que já tenha sido vacinado anteriormente.

 

Quanto a Brasil e Bélgica na Copa do Mundo… bem, sobre isso tenho certeza que você tem informação suficiente.

 

Ouça aqui o podcast Saúde em Foco, de Luis Fernando Correia, sobre sarampo.

 

 

2 comentários sobre “Sarampo mata e mata porque as pessoas não tomam vacina

  1. Pingback: ‘Sarampo mata e mata porque as pessoas não tomam vacina.’ — Mílton Jung | MariaLDario's Blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s