Conte Sua História de São Paulo: a milagre de Fátima na Vila Jaguara

 

Por Osnir G. Santa Rosa
Ouvinte da CBN

 

 

 
Em 1952, minha família estava morando numa casa alugada, enfiada no seio da Mata Atlântica, no bucólico bairro do Tremembé. Para as crianças, como eu, ali era o paraíso uma vez que tinha muitos pés de jaboticaba e outras frutas como pinhão, goiaba .. Achamos, certa vez, um enorme pé de pera willians que alguém havia plantado uns 40 anos atrás. Vivíamos, também, junto a passarinhos, galinhas, patos, cachorros e porcos. Assim, mesmo pobres, não faltava o que fazer para se divertir.

 

Meu pai era chofer de praça. Uma noite ao chegar em casa ele contou para minha mãe que havia servido o grande ídolo do Palmeiras, Caieiras. E que ele estava sofrendo muito com seu filho acometido de forte mal que hoje sabemos ser alergia, mas, naquele tempo, não se ouvia essa palavra. Minha mãe era muito religiosa, um tanto mística, devota fervorosa de Nossa Senhora Aparecida. Imediatamente, disse para meu pai: — Por você não disse pra ele pedir um milagre para Nossa Senhora Aparecida? Meu pai: — Puxa, é mesmo. Ele mora no caminho que eu faço todos os dias. Vou tentar dizer isso pra ele.

 

Alguns dias depois, ao chegar em casa, meu pai deu a notícia para minha mãe de que havia sugerido para o Caieiras aquela ideia de ele fazer uma promessa; e que ele gostou tanto que decidiu contratar os serviços de táxi para levar sua mulher e o garoto para Aparecida. Mamãe, sempre esperta, falou, então: — Olha, Lindo, como vai sobrar uma vaga no carro será que ele me deixaria ir também. Gostaria tanto de ver de perto Nossa Senhora Aparecida.

 

Claro que Caieiras não se opôs e foram todos visitar a Padroeira do Brasil. Chegando lá, conta minha mãe, que ao ver tanta gente pedindo milagres que decidiu, ela também, pedir o seu. E qual era o seu? Ter uma casa própria.

 

Passadas duas semanas, apareceu uma pessoa de origem nordestina no ponto de táxi do meu pai oferecendo um terreno com uma casinha em Vila Jaguara, extremo oeste da capital. Era tão longe que nem os motoristas de táxi sabiam dessa vila. Contando para minha mãe esse fato ela imediatamente viu ali a mão da Virgem. E disse, vamos lá conhecer. Se tiver luz, água e escola para os meninos vamos fazer o máximo de esforços pra comprar. E assim, em 1953, deixamos o Tremembé, depois de darem uma ajeitada na casinha em que chovia mais dentro do que fora. E é de onde escrevo este texto. Onde sofremos muito, e muito rimos e brincamos. Alto de Vila Jaguara, junto ao quilômetro 12 da rodovia que mal acabara de ser inaugurada, a Anhanguera.

 

Em tempo: meu pai chegou ver o filho de Caieiras já moço, mas não ficou sabendo se houve ou não o milagre.
 

 

Osnir Geraldo Santa Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

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