Conte Sua História de São Paulo: cruzei o Viaduto do Chá no meu fusquinha

 

Por Vadir Morelo
Ouvinte da CBN

 

 

 

Ainda hoje, nos meus mais de 60 anos, um dos meus programas prediletos é andar pelo centro. Apeio no metrô Vergueiro, dou uma olhada no Centro Cultural, desço a Av. da Liberdade, caindo para a lateral, passo por dentro do Bairro Japonês. Chego na Catedral, entro — um momento de paz, rezo um pouco. E vou para praça ver o que está rolando. Quando tenho sorte encontro um músico dos mil instrumentos simultâneos ou aquela gente que engole objetos e depois, credo, devolve. Presto atenção nos trombadinhas, dou algumas esmolas, e vou para o Pateo do Collegio rever um pouco da história da cidade.

 


Continuo pela zona bancária, relembro de alguns trabalhos de office-boy que fiz nos anos de 1960. Embora já grandinho, fazia questão de sair com a turminha de serviços de rua. Com 20 anos, recém-chegado da roça, bem caipira, bem mais que hoje, precisava aprender rapidamente a malandragem paulistana.

 


No Viaduto do Chá relembro que vivi uma das minhas maiores emoções e olha que já foram tantas as vividas por aqui. Foi quando consegui comprar meu primeiro carrinho, um Fusquinha 67. Aos poucos fui me aventurando até conseguir atingir o centro da cidade e atravessando pelo Viaduto do Chá, vendo aquela multidão caminhando ao meu lado e imaginar que eu que tanto tinha andado naquele trecho, desviando dos carros, estava ali agora, em situação inversa, dentro de um fusca todinho meu. Foi muita emoção. Uma sensação de vitória, mesmo sabendo que a luta havia apenas começado …

 


Sigo caminhando, agora pelo Teatro Municipal, Barão de Itapetininga — como era chique e linda aquela Barão. Praça da República, que saudades. Sabem que eu ja até dormi nos bancos daquela praça. Só tinha trem até 11 e meia da noite. E se perdesse esse trem só amanhã de manhã.

Dobro a Ipiranga, entro na São João e vou ao Bar Brahma. Tomo um chopp. Nos bons tempos, tomava três. Volto para a Vieira de Carvalho, Largo do Arouche outro que era lindo. Lembro das massas do Gato que Ri, das batidas na calçada no boteco Pingão. Sigo pela Rua Aurora entro numa loja de artigos antigos, vejo capas de LPs do Ray Coniff, Cely Campello e, às vezes compro, um gibi do Cavaleiro Negro ou do Roy Roger.

 


Vou até o Bar Léo na mesma rua, saio do regime e peço um bife a parmigiana, Sigo até a Estação Júlio Prestes pego o “nosso” trem e volto para a nossa Osasco — deixando para trás a saudade dos meus passeios no centro de São Paulo.

 

Vadir Morelo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

2 comentários sobre “Conte Sua História de São Paulo: cruzei o Viaduto do Chá no meu fusquinha

  1. O Sr. Milton Jung com apoio do Sr. Cláudio Antonio, sempre fazem o “Conte Sua História de São Paulo” ficar espetacular. A minha já foi contada em 2013, enviei um complemento anos depois mas acho que não foi visto, porém só de ter sido escolhido em 2013, na minha opinião, fui eternizado. Agradeço a CBN por nos proporcionar esse programa tão legal e emocionante.

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