Da sala de casa para o Mundo: Jornal da CBN começa a ser apresentado em “home office”

 

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Chegou a hora de se recolher. A partir desta segunda-feira, transformo minha mesa de trabalho em casa em estúdio avançado da CBN. A rádio tem seguido as orientações dos órgão de saúde, buscado proteger seus profissionais, desde a primeira hora. Gestores, editores, redatores, alguns produtores e quem mais puder exercer sua função de casa, está fazendo. A ordem é reduzir ao máximo a circulação de pessoas na redação e oferecer todo apoio para aqueles que precisam estar de corpo presente. Tem uma turma como os operadores de áudio e técnicos de som que se compara com médicos e bombeiros — sem eles, seria o fim. Que sejam reconhecidos!

 

Dos programas da CBN, somente o Jornal da CBN ainda não havia entrado no sistema de emergência devido a complexidade para levá-lo ao ar por quatro horas e para toda rede CBN Brasil. Porém, estarmos todos dentro do estúdio, ao mesmo tempo, desde cedo, era um risco à operação. Qualquer caso suspeito de coronavírus, levaria todos para casa e inviabilizaria o Jornal.

 

A partir de agora, apresento de casa e contaremos com o apoio presencial e essencial da Cássia Godoy — que se dedica ao Jornal da CBN e ao CBN Brasil. Decisão que protege a mim, a ela e a todos os demais que ainda precisam circular pela redação.

 

Aqui em casa, improvisamos um estúdio com equipamento de primeira, que faz parte da infraestrutura da CBN, uma mesa de som TieLine, conectada a rede de fibra da internet que leva o som até a central técnica da CBN, na avenida Jornalista Roberto Marinho, em São Paulo — além de microfone e fone apropriados. O equipamento está instalado na minha mesa de trabalho, onde tenho o computador que permitirá o acesso ao iNews, um software no qual são publicadas reportagens, edições e textos redigidos por nossos jornalistas — a maioria já trabalhando de suas casas. O WhatsApp será uma das formas de comunicação entre o Guilherme Dogo, que é o produtor no estúdio, a Cássia e eu.

 

Apresentar o programa de casa me exigirá atenção redobrada porque terei em minha volta mais estímulos do que costumo ter no estúdio da CBN. Minha família também está por aqui, todos em suas estações de trabalho no sistema de “home office”. Ah, tem Bocelli e Geromel, meus gatos, que costumam acordar de madrugada ao meu lado e tendem a dormir sobre a mesa em que trabalho durante o dia — que agora servirá de mesa de estúdio.

 

É estranho mas não inusitado. Em meus primeiros anos de rádio, nos anos de 1980, tive uma experiência curiosa. Na época, trabalhava na rádio Guaíba de Porto Alegre e fazia minha primeira participação, logo depois das seis da manhã, com informações do aeroporto Salgado Filho. Diante da necessidade de reduzir custos, a rádio combinou que eu continuaria atualizando as notícias do aeroporto — condições para voar, voos atrasados, lotação dos aviões entre outros assuntos —, mas diretamente de casa.

 

Era fim de madrugada quando acordava e ligava para os balcões das companhias aéreas — Varig, Vasp e Transbrasil —, para a torre de controle e para o telefone do ponto de táxi que ficava em frente ao aeroporto. Os motoristas descreviam o movimento de passageiros e informavam a temperatura registrada pelo termômetro de rua. Com esse arsenal de informações, me preparava para entrar no ar na Guaíba.

 

Encerrava meus boletins informando a temperatura na cabeceira da pista, uma forma que encontrei para dar um pouco mais de realidade aos fatos, quando de verdade eu estava falando, ao vivo, da cabeceira da minha cama. Registre-se que
em nenhum momento, no bate-papo com o âncora do Jornal, dizia que estava no aeroporto para não perder a confiança do ouvinte assim como não comentava que estava em casa  — algumas vezes fui traído pelo nosso cachorro de estimação, que latia “diretamente do pátio”.

 

Se no ar tudo transcorria normalmente e a prestação de serviço atendia a expectativa do público, lá na minha casa, em Porto Alegre, eu me tornei um estorvo para meu irmão. Imagine que nós dividíamos um quarto e, portanto, todos os dias, às seis da manhã, ele era acordado aos berros por minhas notícias sobre saídas e chegadas de aviões e, claro, a temperatura na cabeceira da pista. Foi difícil para ele e constrangedor para mim, mas nada que estragasse nosso companheirismo, mantido até os dias de hoje.

 

Nessa segunda-feira, vou repetir essa experiência, com uma diferença e tanto: em lugar de cinco minutos de boletim caseiro, apresentarei um programa de quatro horas. Conto com a tolerância dos meninos, da esposa e dos gatos, afinal eles sabem que todo desconforto e privações de agora tem um objetivo muito maior: cuidarmos uns dos outros e preservarmos a saúde de todos.

5 comentários sobre “Da sala de casa para o Mundo: Jornal da CBN começa a ser apresentado em “home office”

  1. Caro Mílton
    Que essas dificuldades sejam passageiras e que nos tornem mais humanos, solidários e altruístas. Muito em breve, quando voltarmos a “normalidade”, talvez sejamos melhores cidadãos do mundo.
    Um grande abraço, de quem eventualmente atendia alunos e fazia reuniões de trabalho da consultoria pela Internet, por comodidade e agora as faço por necessidade. Tristeza total! Beijos a Cassia, a você e a todos os seus.

  2. Milton, melhor assim, quem sabe não será oportunidade para a criação de novos métodos.
    Aproveito a oportunidade para observar que os dados estatísticos não estão considerando a relatividade, e é importante saber a relação entre as ocorrências e a população.

  3. Pingback: Da sala de casa para o Mundo: Jornal da CBN começa a ser apresentado em “home office” — Mílton Jung | CURIOSIDADES NA INTERNET

  4. Pingback: No rebobinar da memória, lembranças de meu cotidiano matinal no rádio | Mílton Jung

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