Avalanche Tricolor: ninguém foi capaz

Atlético MG 3 x1 Grêmio

Brasileiro — Mineirão/Belo Horizonte-MG

Foto de LUCAS UEBEL/GRêmio FBPA

Pra que você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, não tire conclusões precipitadas. Eu, assim como toda a torcida gremista, não ficamos satisfeito com o desempenho do time no Mineirão —- nem Renato e seus jogadores ficaram, é claro. Jogamos contra o líder, não por acaso o único dos primeiros colocados dedicado apenas ao Brasileiro, que conta com um jogador iluminado, e cometemos falhas que, se evitadas, poderiam ter tornado a disputa mais equilibrada, mesmo levando em consideração que o jogo do sábado à noite foi jogado entre duas decisões importantes da Libertadores —- a primeira, já ganhamos, na quarta-feira e você sabe de quem.

Dito isso, vamos ao tema principal desta Avalanche.

As cornetas enrustidas que estavam enfiadas no saco desde quarta à noite não precisaram mais de 10 minutos de jogo para soarem forte na janelas das redes sociais. 

A primeira vítima: Paulo Victor —- goleiro que com resiliência e humildade suporta a reserva de um time que já comandou por temporadas e pelo qual conquistou títulos com defesas importantes. Tem consciência de que não fez um bom último ano e Vanderlei merece ser o titular. Foi colocado em campo, ontem, tendo a sua frente uma zaga reserva e sem a mesma qualidade daquela que admiramos com Geromel e Kannemann — que, convenhamos, facilita a vida de qualquer goleiro. 

Com pouco tempo de jogo, Paulo Victor assistiu a três de seus colegas cercarem o goleador do adversário pegar a bola, se livrar da marcação e chutar com força no gol — ninguém foi capaz de travar aquele chute. Ainda evitou que a bola chegasse às redes com uma defesa que, se não fosse atrás da linha do gol, como se confirmou em seguida, era merecedora de aplausos.  

Bastaram as cornetas tocarem nas redes sociais para meus colegas jornalistas esportivos começarem a repercutir e especular erros que, claramente, não ocorreram por parte do nosso goleiro. Aliás, justiça seja feita, todos os comentaristas, na emissora em que assisti ao jogo, foram afirmativos ao dar mérito para Keno e eximir Paulo Victor de responsabilidade.

Não adiantou: as cornetas seguiram em busca de um bode expiatório. E a televisão seguiu a dar voz aos insensatos como se a voz do povo fosse realmente a voz de Deus —- confesso: o velho ditado não se faz mais presente na minha biblioteca. Tive a impressão de que a insistência das críticas levou alguns dos comentaristas a ficarem mais reticentes quanto a Paulo Victor.

Mal iniciado o segundo tempo, o mesmo Keno fez 2 a 0 em uma bola que desviou na defesa e saiu do alcance goleiro. As cornetas soaram ainda mais alto e se voltaram para a lateral do gramado: a culpa é de Renato. Uma das mensagens reproduzidas na transmissão foi de alguém que identificou o que fazia diferença no placar: de um lado um time bem treinado e de outro um time que não sabia o que fazer em campo, comandado por um incapaz. Fora Renato! (se há um mérito nos corneteiros é que eles não desistem nunca).

Que o adversário estava e está jogando um futebol mais bem qualificado do que o nosso, é inegável. Seu treinador tem talento, algumas das peças de seu time são especiais, Keno está vivendo momento que sequer ele acredita e o time tem condições plenas de se preparar durante toda a semana para o adversário seguinte — não precisa poupar gente extasiada e lesionada e recorrer a reservas. Sequer Copa do Brasil tem para jogar, pois foi desclassificado lá no início. Nada disso é levado em consideração.

Ninguém foi capaz de ponderar que no meio da semana, o “time mal treinado” de Renato ganhou do seu principal adversário com uma apresentação de excelência, marcando forte e jogando bonito quando a bola era trocada de pé em pé. 

Ninguém foi capaz de lembrar que aquele time do meio da semana passada —- com alguns reforços — terá de voltar ao gramado já na terça-feira pela Libertadores em jogo que se for vencido e dependendo a combinação de resultado garantirá com antecipação vaga à próxima fase da competição (curioso em saber onde os corneteiros irão enfiar o instrumento se isso ocorrer).

Ninguém foi capaz de lembrar que este é um ano atípico na preparação dos clubes devido a interrupção da temporada e uma retomada titubeante dos campeonatos, com jogadores expostos a riscos e um esforço descomunal para dar conta do recado de mais de uma competição ao mesmo tempo.

Exigir coerência de torcedores, me parece ilusão. Querer calar cornetas, é calar uma instituição do futebol. Renato e o time sabem disso. O que poderíamos fazer apenas é contrapor com fatos e opinião equilibrada essas reações insanas em lugar de termos medo de corneteiros de rede social e queremos navegar na onda populista (putz, bem que essa última frase caberia em um outro texto na editoria de política, não?).

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: ninguém foi capaz

  1. Perdoo por ser torcedor apaixonado. Todos sabemos que, Grêmio e Galo, reformularam seus times.
    Há pouco começamos o Brasileirão. Atingimos 32% das rodadas. E os times estão sendo ajustados, ainda. O Grêmio, antes do jogo de sábado, não vinha muito bem. Muito longe daquele ataque poderoso. Perdeu muito de sua força. Há bem pouco tempo o Galo ainda adquiria reforços. Os últimos goleiro Everson e Sasha jogaram poucas partidas. Desse modo, não acho exatas as desculpas apresentadas pelo Renato e pelo blogueiro de uma possível vantagem o fato do Galo não estar na Taça Brasil e na Libertadores, e assim, dispor de tempo para maior treinamento. Apenas há duas semanas não se jogou, no Brasileiro, às quartas e domingos.
    Ainda, me lembro do Grêmio portentoso, jogando Libertadores, Taça Brasil e Brasileiro, com excelente desempenho, mas com bons times alternativos, o quê agora não se vê.
    Admita-se, com mais sinceridade, o bom esquema de jogo sendo implantado no Galo, assim como foi, no último vice-campeão brasileiro. O diferencial, Renato, reconheça-se, a competência do técnico gringo.
    Um torcedor também apaixonado pelo Galo.

  2. Antônio — nesta Avalanche só tenho olhar para meu Grêmio, esteja bem ou esteja mal, estou com o Grêmio. É quase como meu cantinho de lamentos e comemorações. Nada que escrevi desmerece a qualidade construída pelo Atlético MG que contratou bem e tem no comando um técnico diferenciado — o que, aliás, digo no texto. O que busquei nas minhas palavras foi consolo para o futebol mal jogado daquele jogo.

    • Sr. Mílton.
      Já sabia de sua paixão. Tenho a minha também. Não sabia que usava também seu blog para extravasar aquilo que, nós apaixonados por seu clubes, comemoramos ou sofremos : a alegria e a lamentação.
      Respeito-o.
      Mas reafirmo nossa grande noite, aquela ! Sem desvalorização.

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