Adote um Vereador: “o eleitor esquece em quem votou e os eleitos esquecem por que foram escolhidos”

“O eleitor esquece em quem votou e os eleitos esquecem por que foram escolhidos”

A frase é de Edson Vismosa, presidente do Instituto ETCO, em artigo escrito para a Bússola, boletim informativo da agência de comunicação FSB, e está sintonizada com o que pensamos no Adote um Vereador, desde que esta ideia surgiu, em 2008.

No fim de semana, virtualmente, voltamos a nos encontrar para troca de percepções sobre o resultado da eleição administrativa, na qual foram conhecidos os 55 vereadores da cidade de São Paulo.

Já conversamos com você sobre a renovação no parlamento paulistano: 40% dos eleitos não ocupavam cargo no legislativo no mandato em vigor. Além de o índice estar muito próximo do que costuma ocorrer nas eleições municipais, também não significa que possamos falar em renovação da casa legislativa. Alguns dos eleitos já tinham ocupado uma cadeira na Câmara Municipal em legislaturas anteriores.

Independentemente dessas figuras carimbadas que retornaram após um período “sabático” e do fato de que outros eleitos são ligados a famílias de políticos paulistanos, o começo de uma legislatura sempre desperta interesse e curiosidade do cidadão —- do cidadão engajado, claro, que é uma minoria no Brasil. A maior parte age como Vismosa descreve na frase que destacamos na abertura deste texto.

O advogado que já ocupou o cargo de secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo vai além na sua preocupação quanto aos parlamentares eleitos — e não apenas na capital paulista:

“E, para piorar, se constata o avanço da ação de organizações criminosas que vão deixando as chamadas “franjas” da sociedade e procuram não só influenciar as decisões políticas mas exercê-las diretamente, dominando territórios, se financiando com o mercado ilegal e procurando assumir o poder político.

Essas eleições municipais demonstraram, como nenhuma outra, a luta política exercida de modo violento por milícias e organizações criminosas para garantir a eleição de seus cooptados.

Temos assim outros candidatos a “donos do poder”, que se entrelaçam, ameaçando o Estado Democrático de Direito e influenciando nossos destinos sem qualquer preocupação com valores e princípios da cidadania. O ideal republicano fica distante, a defesa do interesse nacional parece uma utopia, e a garantia de privilégios é o objetivo”

A renovação meia-boca que o eleitor proporcionou; a conivência de parlamentares com o Executivo, esteja na mão de quem estiver; e o avanço do crime organizado em cargos de poder —- como relata Vismosa — tornam ainda maior o desafio dos cidadãos interessados em transformar o ambiente urbano em lugares mais justos e generosos. 

O grande risco é que após cada eleição, a percepção de que não temos força suficiente para mudar o cenário político, afaste ainda o cidadão, e crie um vazio que será ocupado por quem sobrepõe o interesse pessoal à causa pública.

A nos esperançar estão as palavras de renovação de entusiasmo dos integrantes do Adote um Vereador, sábado passado. Eram poucos os reunidos no cenário virtual, mas muitos os desejos de uma vida melhor para a nossa cidade.

Um comentário sobre “Adote um Vereador: “o eleitor esquece em quem votou e os eleitos esquecem por que foram escolhidos”

  1. Sabe Milton, nós brasileiros, temos um grave problema: Somos um povo sem memoria e um povo sem história.
    Eu lembro em quem votei nas duas últimas eleições para vereador. Na ultima o candidato não foi eleito, e na penultima, acredite o candidato se elegeu e nesta ultima concorreu a prefeitura e não ganhou. Posso dizer que ele traiu meu voto à época. Outros ja fizeram isso também.
    Perceba que “Todos” falam em lutar por educação, mas ninguem briga pela volta de disciplinas como OSPB e Educação moral e cívica. Estas disciplinas norteavam os estudantes sobre politica.
    Talvez eu seja uma exceção, mas fazendo um Brain Storm, aos meus 42 anos, lembro de muitos detalhes que marcaram minha infancia na escola, e as campanhas politicas também. Lembro de cada série do pré até o 8° ano. Eu estava na 6a série quando a Luiza Erundina foi eleita prefeita. Não entrarei em detalhes para não gerar polemica, pois não é este o foco.
    Enfim, para sermos um povo como história, temos que preservar a memória, com imparcialidade sem protecionismo.
    Eu voto na escola onde estudei, onde passei boa tarde da minha vida onde angariei valores, e guardo na memória com muito carinho todos os momentos que vivi, os professores que passaram por esta jornada educacional e serei eternamente grato a cada um deles. Gostaria de poder reve-los, mas hoje creio ser quase que impossível. Tenho órgulho de poder voltar ao lugar que me deu vida academica, sonhos amigos, e quando nos encontramos lá ai fica mais alegre ainda. Lembramos com saudade, e até choramos ao vermos a escola nos dias de hoje.
    Mais ainda, inspirado em muitas das suas ponderações como jornalista e profissional, gostaria de montar um time de ex alunos na escola para doarmos parte do nosso tempo com alunos para inspira-los a serem pessoas melhores. a sonharem em fazerem o melhor. Até tentei fazer isso, mas a falta de interesse do poder publico, e da secretária municipal de educação falaram mais alto. Entendem que deve-se seguir conteúdo mediocre. Sem nenhum demérito aos atuai professores, dos quais tem meu respeito e admiração por serem guerreiros Mas comparados aos professores da minha época fico compena pelo semblante tristem cansado, sem esperança. Na minha época, não tinhamos celular, internet, e pesquisas tinham que ser feitas na biblioteca. Assistir filmes para trabalhos academicos, eram eventos. Chegavamos mais cedo para poder jogar ping pong. Os professores eram respeitados e admirados pelos alunos.
    Voltando ao foco, os futuros legisladores, se algum dia tiverem acesso a este “desabafo” e tiverem interesse, quem sabe podem despertar a nova geração que esta por vir.
    Obrigado.

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