Conte Sua História de São Paulo: de véu, grinalda e flor de laranjeira

Ivani Dantas 

Ouvinte da CBN

Das lembranças que trago da infância quase nada se parece com os dias de hoje. Foi um tempo tão transformador que me parece razoável contá-lo no formato “ Era uma vez!…“.

Quando os códigos morais e éticos valiam igualmente para os mais e para os menos abastados, pessoas circulavam com a mesma elegância e dignidade pelas ruas, bondes e pelas largas avenidas de São Paulo. O trânsito de automóveis era de se contar nos dedos.  A vida corria lenta e os acontecimentos eram muito mais esmiuçados, o que muitas vezes era mesmo cuidar da vida alheia. 

As  Marocas (personagem fofoqueira das tirinhas de jornal), tinham um “cuidado especial” com as jovens casadoiras! O estado civil era notado não só pela aliança brilhando na mão esquerda, mas também pelas roupas, de colorido mais sutil, e comportamento mais contido.

Moças subiam ao altar de véu e grinalda, conduzidas, até a igreja, por um carro, decorado com rendas e rococós (corríamos ao portão para ver passar).  E, chegavam o altar, pelas mãos do pai, feliz ao som da marcha nupcial. A noiva, vestida de branco – pureza, véu, grinalda e flor de laranjeira.

Outros tempos! Os namoros e noivados eram vigiados pela família e… vizinhos. Casar uma filha era um bem disfarçado alívio! Teria, agora, um marido que dela cuidaria “para sempre”. 

O bairro, a paróquia, toda a vizinhança se punha a contar os meses que levaria para surgir o rebento… que algumas vezes chegava “prematuro”, mas muito parrudo…

Tudo tão distante, mas as recordações permanecem… 

Pois é,

Era uma vez…

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Ivani Dantas é personagem do Conte Sua História de São Paulo.  A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.  Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

2 comentários sobre “Conte Sua História de São Paulo: de véu, grinalda e flor de laranjeira

  1. Sou ouvinte da CBN desde que ela entrou no ar. Tenho 83 anos. Ouço a CBN quase todas as manhãs e aprecio seus jornalistas e comentaristas. Se assim não fosse, não seria ouvinte assídua. Venho notando que os radialistas estão, por vezes, adotando um clima de ironia com certos entrevistados, denotando muita parcialidade nos comentários… Hoje, dia 15 considero que Milton Jung elevou o tom de voz com o prefeito de Manaus, chegando quase a ser agressivo. Pegou mal, na minha opinião.

    • Obrigado pela sua observação. Certamente, elevei a voz na entrevista com o prefeito de Manaus. E o fiz porque não aceitarei que qualquer entrevistado tente ludibriar o ouvinte, usando de subterfúgios para enganar a opinião pública. É inaceitável que uma autoridade pública queira impor a defensores do meio ambiente a responsabilidade pelos crimes que ocorrem em Manaus, cidade em que as pessoas estão morrendo por falta de oxigênio. Aceitar calado a opinião dessa autoridade seria desrespeitoso com os ouvintes. Tanto é verdade que o próprio prefeito voltou atrás na sua opinião, mudou o tom de sua fala e passou a admitir a responsabilidade dos verdadeiros culpados por essa tragédia.

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