Indignação tributária e política

 

Por Julio Tannus

 

De acordo com a Associação Comercial de São Paulo, através do “impostômetro”, nós brasileiros e brasileiras pagamos nos dois primeiros meses desse ano de 2017 a quantia de R$ 400 bilhões em impostos, incluindo governo federal, estaduais e municipais.

 

Se fizermos a projeção, com base nesse valor, para o ano de 2017 chegaremos a um total de R$ 2,4 trilhões!!!

 

A nossa imensa indignação é que a maior parte desse dinheiro paga por nós, ao invés de retornar com benefícios para a população brasileira, vai parar nas mãos de corruptos de nossa administração ou se perde na má administração, sem responsáveis técnicos capacitados e sim políticos e respectivos conchavos, na maioria das vezes visando a manutenção desse podre poder.

 

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário nos mostra que o Brasil é o pior país do mundo em se considerando o retorno oferecido ao serviço público.

 

Lembro-me que em visita a alguns países do norte europeu o que me impressionou muito é que não existe carreira política. Ou seja, o cidadão/cidadã se candidata e uma vez eleito permanece no poder com o compromisso de cumprir as promessas de campanha que o elegeu. Se isso não ocorrer, de acordo com a constituição local, fica sujeito a perda de mandato.

 

Assim penso que, entre outras mudanças, seria preciso acabar com a carreira política no Brasil.

 

O candidato a vereador, a deputado federal e estadual, a senador, e todos os outros cargos políticos, permaneceriam no poder apenas até o fim do mandato a que foi eleito. E na próxima eleição ficariam sujeito a avaliação de sua administração pela população.

 

Dentro deste contexto, penso também que seria importante acabar com as composições partidárias. Ou seja, cada partido político teria sua plataforma e uma vez seu candidato eleito não haveria composição partidária para sua manutenção no poder.

 

João Cruz Costa em seu livro “Uma Contribuição à História das Idéias no Brasil” (Editora José Olympio, 1954), diz que a questão institucional no Brasil remonta aos anos 1500. Em seu pensamento, o Brasil, desde sempre, se vê envolto nessa mesmice de “as instituições brasileiras não dão cabo de sua realidade”.

 

Em seu esforço de compreensão dessas dificuldades, conjectura se elas não seriam consequência das razões de nossa origem brasileira, ou seja, pelo fato da fundação de nossa nacionalidade ter sido cunhada sob a égide de fatores puramente mercadológicos.

 

Cita como exemplo a própria designação de nossa nacionalidade (Brasil, brasileiros, brasileiras), que, a seu ver, tem raízes em aspectos comerciais, a saber, o pau-brasil, de alto valor comercial à época de nossa fundação.

 

Essa realidade que nos conta Cruz Costa agudiza-se à medida que avançamos em nossa história. Ou por motivos internos de nossa própria existência, ou por fatores exógenos à nossa cultura.

 

No caso desta última, os intercâmbios culturais e comerciais, possibilitados pela rapidíssima evolução das comunicações, acentuaram a influência do “estrangeiro” no nosso dia-a-dia, contribuindo sobremaneira para nos afastar cada vez mais do “institucional”.

 

A noção de instituição, em seu significado prático de dar conta de nosso coletivo, nas suas mais variadas formas (Governo, Política, Trabalho, Segurança, Cidadania), continuou absolutamente enfraquecida até os dias de hoje.

 

Concluindo, e parafraseando Olavo Bilac, “não verás nenhum país como este! ”.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Só pressão popular pode mudar relação do IPTU com valor de imóveis

 

Por Julio Tannus

 

rua.jpeg

Postes sem conservação e iluminação financiada por moradores…e o IPTU, oh!

 

O prefeito eleito de São Paulo, João Dória Júnior, anuncia, entre outras medidas, que o valor do IPTU será aumentado de acordo com o índice de inflação.

 

Conforme a legislação vigente, os imóveis residenciais na cidade de São Paulo têm como uma das variáveis de atualização do IPTU seu valor de mercado.

 

E aqui cito meu caso como exemplo:

 

Passados 7 anos em minha nova residência no bairro de Higienópolis, me dou conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre a causa do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, nem para venda nem para locação.

 

A explicação que consegui apurar para tal aumento é que os imóveis da região foram muito valorizados.

 

E aí me pergunto: por que um órgão público quer se beneficiar da valorização de imóveis da região?  Não seria o caso de taxar a valorização apenas no caso de venda ou aluguel do imóvel?

 

E então reclamei, sobre meu descontentamento, para o atendente da Prefeitura:

 

–“o retorno obtido com o elevado aumento do IPTU é inexistente, ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas e cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação do bairro não tem tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança e outras deficiências, como a má conservação dos postes, e quanto a iluminação observa-se que os condomínios da região a reforçam para amenizar o problema da falta de luz. ”

 

Diante do exposto, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com um recurso na Prefeitura reivindicando providências para solucionar a disparatada situação.

 

Resultado: recurso indeferido.

 

À guisa de esclarecimento, exponho que de 2005 a 2016 o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 286,26% enquanto a inflação do período foi de 88,53% (IGP-M). Assim, pretendo voltar com a minha reivindicação  aos poderes competentes pois os imóveis do meu bairro, com a crise econômica vigente, se desvalorizaram e pela lógica o valor de meu IPTU deveria ser reduzido.

 

Inconformado com a situação, nesse ano de 2016, me dirigi à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo para que reconhecesse o problema e o solucionasse.

 

Resultado: um dos vereadores disse que só um movimento popular poderia dar fim ao impasse quanto ao valor do IPTU.

 

Assim, e tendo em vista a promessa do novo prefeito eleito de que o valor do IPTU será aumentado de acordo com o índice de inflação, proponho um movimento popular dirigido à Câmara dos Vereadores de São Paulo chamando a atenção para a relação custo-benefício absolutamente injusta, o qual poderá ser concretizado por um abaixo-assinado.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Quem te viu, quem te vê

 

Por Julio Tannus

 

16078805833_5a379a7f99_z

 

Em 1976, participando de um projeto sobre sistema viário em SP, cruzei com monsieur Werz, um suíço especialista nos assim chamados trólebus. Monsieur Werz era considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto e a Suíça detinha uma das mais avançadas tecnologias na fabricação de ônibus elétrico da época.

 

Fui encarregado de, juntamente com monsieur Werz, sobrevoar a cidade de São Paulo para que o especialista tivesse um primeiro contato com a cidade, na qual ele estava sendo contratado para auxiliar em um novo projeto de Trólebus Especiais, e do qual eu também participava.

 

Então, em uma tarde de sexta-feira embarcamos no helicóptero do governador e partimos para um sobrevôo sobre nossa capital paulista. Percorremos toda a área compreendida pelas marginais Pinheiros e Tietê, seguimos até a região do ABC e depois nas cercanias de Guarulhos, e por fim retornamos ao heliporto do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo.

 

Esperavam-nos uma dezena de jornalistas, repórteres e radialistas, todos ansiosos pelo diagnóstico do suíço. Sério e compenetrado, monsieur Werz dirigiu seu olhar para a pequena multidão e sentenciou: Pas de Solution!

 

Ou seja, na visão do especialista, há mais de 30 anos, sua primeira reação foi de que não tínhamos como resolver o enorme congestionamento através de soluções viárias de superfície: Não tem solução! ...

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Marketing para o Capital Humano

 

Por Julio Tannus

 

Unknown

 

Marketing, em sentido estrito, é o conjunto de técnicas e métodos destinados ao desenvolvimento das vendas, mediante quatro possibilidades: preço, distribuição, comunicação e produto (ou, os quatro p´s: preço, praça, promoção e produto). Em sentido amplo, é a concepção da política empresarial, na qual o desenvolvimento das vendas desempenha um papel predominante.

 

O marketing estuda as causas e os mecanismos que regem as relações de troca (bens, serviços ou ideias) e pretende que o resultado de uma relação seja uma transação satisfatória para todas as partes que participam no processo.

 

Marketing significa mais que vender, porque a venda é um processo de sentido único. O marketing é um processo com dois sentidos. A venda se apoia em ações de curto prazo. O marketing é uma atividade a médio e longo prazo. O objetivo final é assegurar a obtenção do maior benefício possível. No marketing são aplicados conhecimentos avançados a respeito da prospecção de mercados e a sondagem de opiniões.

 

O marketing é uma filosofia: uma postura mental, uma atitude, uma forma de conceber as relações de troca. É também uma técnica: um modo específico de executar uma relação de troca (ou seja, identificar, criar, desenvolver e servir a procura). O marketing pretende maximizar o consumo, a satisfação do consumidor, a escolha e a qualidade de vida.

 

O marketing tem uma área de atuação muito ampla, com conceitos específicos direcionados para cada atividade relacionada, por exemplo, o marketing cultural, o marketing político, o marketing de relacionamento, o marketing social, entre outros. O profissional de marketing é um investigador do mercado, um psicólogo, um sociólogo, um economista, um comunicador, um advogado, reunidos em uma só pessoa.

 

Em Administração de Empresas, Marketing é um conjunto de atividades que envolvem o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor, e de estratégias de comunicação e vendas que superem a concorrência.

 

Segundo Philip Kotler, marketing é também um processo social, no qual indivíduos ou grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos e serviços de valor com os outros.

 

Em marketing, o conceito de valor pode ser definido como todos os benefícios gerados para o cliente em razão do sacrifício feito por este na aquisição de um produto ou serviço. Oferecer ou agregar valor é um conceito diretamente relacionado com a satisfação do cliente, um dos principais objetivos do marketing. O conceito de marketing afirma que a tarefa mais importante da empresa é determinar quais são as necessidades e desejos dos consumidores e procurar adaptar a empresa para proporcionar a satisfação desses desejos.

 

Com o alcance proporcionado pela internet e a explosão de redes sociais, surgiu o conceito de Marketing 3.0, em que as empresas buscam uma aproximação com os consumidores e potenciais clientes, monitorando suas opiniões sobre os serviços ou produtos oferecidos pela empresa.

 

O marketing digital consiste em uma abordagem que utiliza a internet e outros meios digitais como instrumento para atingir os seus objetivos.

 

Desta forma, os consumidores têm papel fundamental na criação de novos produtos e serviços, adequados às reais necessidades do mercado.

 

O conceito de Marketing para o Capital Humano é uma associação de habilidades, métodos, políticas, técnicas e práticas definidas, com o objetivo de administrar os comportamentos internos e externos para potencializar o capital humano no interior das organizações e junto ao mercado.

 

Muitas vezes, é confundida com o setor de Recursos Humanos, porém RH é a técnica e os mecanismos que o profissional utiliza, e o marketing para o capital humano tem como objetivo a capacitação e consequente competência dos profissionais envolvidos no processo.

 

Com o conceito de Marketing para o Capital Humano, a missão do marketing passa a ser dos 4 P`S para os 5 P`S:

 

5Ps

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora) a ser lançado na 24ª. Bienal Internacional do Livro no Pavilhão Anhembi/SP em 28/8/2016 das 17:00 hs. às 20:00 hs.

Fragmentos de (in)justiça no Brasil

 

Por Julio Tannus

 

Uma (in)justiça:

 

Há alguns dias, fui chamado, como síndico, para atender à portaria. De repente, me vejo frente a um oficial de justiça e duas viaturas da Polícia Militar. Para minha surpresa, após comprovar a identidade do oficial, leio despacho de um juiz de direito determinando a retirada de bens móveis de um de nossos condôminos.

 

Por mais incrível que possa parecer, como não havia ninguém no apartamento, foi acionado um chaveiro para possibilitar o acesso ao mesmo. Presenciei toda a situação, permanecendo envolto nesse contexto desde às 13:00 até às 23:50 horas, juntamente com o oficial de justiça, sua assistente e policiais militares. Foram retirados: geladeira, forno de micro-ondas, fogão, televisores, computadores, impressora, poltronas e sofás.

 

Fui informado que havia um débito do proprietário no valor original de R$ 15mil que, acrescidos de multa e outras variáveis, atingiu a casa dos R$ 68mil.

 

E aí me pergunto: como os bens móveis retirados, uma vez já usados por um bom tempo, podem resgatar o valor pretendido? Como ficam os inúmeros devedores nesse país afora, devedores por várias razões – por exemplo, perda de emprego – diante desse precedente?

 

Outra (in)justiça:

 

Passados sete anos em minha nova residência, dou-me conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo.

 

A explicação que consegui apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aí me pergunto porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E então desfiei meu descontentamento para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. A vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar em outras deficiências.

 

Diante desse quadro, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com recurso na Prefeitura.

 

Resultado: indeferido.

 

Inconformado,dirigi-me à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo.

 

Resultado: um dos vereadores sugere que só um movimento popular poderia eventualmente solucionar essa situação.

 

Para concluir: de 2005 a 2015, o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 186%. Assim, pretendo voltar com essa situação nos poderes competentes, uma vez que os imóveis no meu bairro se desvalorizaram e pela lógica meu valor de IPTU deveria ser reduzido.

 

Será que vou conseguir uma redução?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Não tenho nada contra os ciclistas, mas …

 

Por Julio Tannus

 

Eu questiono radicalmente a forma como foram implantadas as ciclovias, por várias razões. Entre outras, adianto aqui algumas delas:

 

1) Qual o público efetivamente apto e disposto a utilizá-las? Foi realizada uma sondagem de opinião? E uma pesquisa de origem-destino?
Não se tem a mínima informação!

 

2) Quais as prioridades de investimento concernentes à cidade de São Paulo?
Todos nós conhecemos as péssimas condições das vias públicas, da iluminação de nossas ruas e avenidas, da falta de tratamento da vegetação. Os motociclistas nos xingam, nos agridem, quebram nossos espelhos retrovisores, e o poder municipal fecha os olhos a essa catastrófica situação.

 

3) Qual o estudo/ planejamento que definiu as ciclovias como viável?
Foi puro exercício do poder municipal sobre nós. Maquiavel que o diga!

 

4) Quais estudos a Prefeitura já elaborou para melhorar nossa locomoção pela cidade?
Ampliação extensiva da rede metroviária? Desenvolvimento de micro pólos urbanos para diminuir os deslocamentos diários e rotineiros? Implantação de um novo sistema de trólebus com tecnologia atual? Implantação de um serviço de locação de veículos movidos a energia elétrica, nos moldes que está sendo concretizado na cidade de Paris!

 

Não tenho nada contra os ciclistas mas a forma de administrar é totalmente incompatível com um sistema que se diz democrático.

 

Se essa situação continuar assim “vou-me embora pro passado”!!!

 

Leia sobre este mesmo tema:

E as ciclovias!?

 


E as ciclovias!? Vão bem obrigado (por enquanto)

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

E as ciclovias!?

 

Por Julio Tannus

 

Ciclovia_Fotor

Trabalhei desde 1975 com o sistema de transportes na cidade de São Paulo: SISTRAN – Sistema de Transportes para a cidade de SP, no governo Olavo Setúbal na Prefeitura e Paulo Egídio Martins no Estado. Participei de projetos no Metrô e coordenei projeto para um novo sistema de trólebus. No governo Franco Montoro (governador) e Mário Covas (prefeito) atuei no projeto Participação e Descentralização.

 

Tudo engavetado!

 

Mudam-se os personagens e a peça é outra! O que é preciso mudar é essa estrutura política infame!

 

Lutei ferozmente, enquanto presidente e fundador da Sociedade Amigos da Região da Praça-do-Pôr-do-Sol para um novo Plano Diretor para a cidade de São Paulo, no governo Marta Suplicy: só faltou sair tiros, não fosse a intervenção da polícia, pois em uma das reuniões descobriu-se que o lobby imobiliário havia “comprado” alguns participantes para que votassem a favor de seus interesses.

 

Falando das ciclovias: essa medida é totalmente irresponsável, pois não há nenhum controle sobre as bicicletas, não se tem qualquer registro de quem é o proprietário, de quem está dirigindo, e assim por diante. Afora a questão da (in)segurança: se somos assaltados dentro de nossos carros, o que dirá em cima de uma bicicleta!

 

E há quem a defenda, citando como referêcia algumas cidades europeias. Amsterdã, por exemplo, é uma cidade totalmente plana, com uma população incomparavelmente menor e socialmente diferente da nossa.

 

E as ciclovias foram construídas nesse período totalmente atípico de falta de chuva.

 

Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman sobre os dias atuais, quando, na visão dele, a experiência e a maturidade não têm mais vez: “aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado não funciona mais”.

 


Julio Tannus é Consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

A margem de erro de pesquisas eleitorais

 


Por Julio Tannus

 

As pesquisas eleitorais assumem importância fundamental no processo de eleições. Não somente balizam os candidatos para orientarem seus trabalhos de convencimento de eleitores, mas também podem orientar e influenciar o eleitor durante o processo eleitoral. São instrumentos de prospecção e de condução do processo. Por isso, as autoridades que ordenam o processo de eleições fazem exigências como o registro de pesquisas, a nomeação de um responsável técnico e a declaração da margem de erro. Sendo assim, na apresentação do resultado de pesquisas de intenção de voto, as empresas de pesquisa declaram que a margem de erro é tantos por cento, para cima ou para baixo, com tal porcentagem de confiança.

 

Isto posto, afirmamos que:

 

1. a amostragem conduzida pelo IBOPE/Datafolha/outras empresas não é probabilística, ela se baseia no esquema de cotas, ou seja, nem todo eleitor tem a probabilidade de responder a pesquisa, como ocorre na amostra probabilística;

 

2. o esquema de cotas é usado, em que pese o reconhecimento das “vantagens” de um esquema probabilístico, por questões de tempo de execução e pela dificuldade de uma amostra probabilística nos tempos atuais;

 

3. somente o uso correto de amostragem probabilística possibilita a determinação e uso da margem de erro.

 

A amostragem por cotas, largamente usada em pesquisas de opinião e em pesquisas de mercado, não pode ser considerada alternativa válida à amostragem probabilística se considerada a inclusão da margem de erro. Problemas de presteza na execução e de orçamento não servem como justificativa.

 

As margens de erro declaradas, como afirmam o IBOPE/Datafolha/outras empresas, são baseadas em fórmulas de amostragem aleatória simples. Mas as margens de erro não se aplicam à amostragem por cotas ou a qualquer método de amostragem não probabilística.

 

Não há uma justificativa matemática, logicamente correta. Infelizmente, somos obrigados a dizer que as justificativas apresentadas são, em si mesmas, falsas, pois não tem anteparo técnico.

 

Outro aspecto à consideração diz respeito à questão do acerto e erro das prévias eleitorais. Já citei, em outros momentos, o texto escrito, em 1896 (século XIX) por Gustave LeBon “The Crowd” – que dizia algo assim: :

sejam quais forem os indivíduos componentes, sejam ou não semelhantes seu modo de vida, suas ocupações, seu caráter ou sua inteligência, o fato de terem sido transformados em multidão confere-lhes a posse de uma espécie de cérebro coletivo, que os faz sentir, pensar e agir de modo completamente diverso do que cada um dos indivíduos sentiria, pensaria ou agiria em um estado de isolamento. Há certas ideias e sentimentos que não surgem e não se transformam em atos exceto no caso de indivíduos formarem uma multidão…

O fenômeno multidão aqui considerado por LeBon refere-se a situação de aglomeração com a presença física dos indivíduos. Assim, o ato de sair à rua, como ocorre nos dias de eleição, efetivamente introduz um caráter de multidão. É esse caráter que descarta a ideia absoluta de prévia na pesquisa eleitoral, pois não se pode contar com algo que ainda não se constituiu.

 

Fica evidente a função da pesquisa eleitoral não como uma ação que visa antecipar resultados, mas sim como balizamento para a Opinião Pública, permitindo o acompanhamento do processo eleitoral pelo seu principal ator: o cidadão.

 

Ou seja, as prévias eleitorais não acertam ou erram, mas sim são tecnicamente bem feitas ou mal feitas.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

As vantagens de ter 60 anos (ou mais)

 

De passagem pelo blog, nosso comentarista Julio Tannus, recomendou a leitura de texto que encontrou na rede, gostou e adaptou para nós, o qual se refere aos benefícios da velhice. Ele disse que o original circula como sendo de autor desconhecido. Se você conhecê-lo, nos avise. De qualquer forma, é uma boa reflexão para um país que está envelhecendo em alta velocidade como demonstram as estatísticas mais recentes:

 

As vantagens de ter 60 anos (ou mais). Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo … Eu não me censuro por comer biscoitos, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava. Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante. Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou ficar no computador até as quatro horas da manhã e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60, e se eu, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido … Eu vou chorar muito. Se eu quiser, vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles também vão envelhecer. Eu sei que sou às vezes esquecido, mas há algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode seu coração não se quebrar quando você perde um ente tão querido, ou quando uma criança sofre ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito. Sou grato por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e minha barba branca, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem brancos. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, eu gosto de ser velho. Eu gosto da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E, se me apetecer, vou comer sobremesa todos os dias. Que nossa amizade nunca se separe porque é direta do coração!

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung