A ampliação dos serviços de coleta seletiva e recolhimento de lixo nas favelas de São Paulo está ameaçada devido a parecer jurídico que permanece sobre a escrivaninha do secretário municipal de Serviços, Dimas Ramalho, como se fosse a espada de Dâmocles. O documento foi assinado pelo Secretário de Justiça do Estado, Luis Antônio Marrey, quando ocupava a pasta jurídica do município, em 2005. Ele considerou a negociação com as concessionárias ilegal, atendendo pedido do então prefeito José Serra que buscava argumentos para cancelar o contrato de 20 anos, no valor de R$ 10 bilhões, assinado com as empresas Ecourbis e Loga, no fim da gestão Martha Suplicy.
Na época, Serra dizia que o contrato disfarçado de concessão – é malfeito, caro, todo torto, e que exige a taxa de lixo. Chegou a pagar um estudo realizado pela FGV para provar a majoração nas tarifas. Hoje, a administração Kassab está com o aditamento do contrato pronto, prevendo desconto de 17% nas tarifas, mas o secretário Dimas teme arrumar dor de cabeça mais tarde se fechar o acordo sem antes conseguir derrubar o legado de Serra-Marrey.
Só para constar e sem comparações: Dâmocles vivia na corte de Siracusa, no século IV A.C. Era amigo do rei, tinha inveja pelas delícias do trono. O rei, para mostrar-lhe o preço que se paga pelo poder, ofereceu-lhe um requintado banquete, deixando suspensa sobre a cabeça de Dâmocles uma espada que pendia ameaçadoramente do teto, presa apenas por um único fio.