Usar a moda ou ser usado pela moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

 

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Reprodução de documentário Desacelerando a Moda, no GNT

 

Desde que há mais de um ano, os estilistas Raf Simons da DIOR, e Alber Elbaz da LANVIN deixaram seus cargos de Direção de Criação, alegando falta de tempo para apresentar produtos inovadores e de categoria devido a pressão exercida pela indústria do Fast Fashion, o tema ganhou importância no mundo da moda. Acompanhado, então, por olhares críticos da economia e da ecologia, devido ao alto volume de produtos de baixo preço e qualidade, envolvendo a preocupação do descartável, não-reciclável.

 

Ao mesmo tempo, grandes marcas lançadoras de tendências, pressionadas pela internet começaram a adotar o sistema “veja agora, compre agora”, permitindo que os consumidores ao assistir aos desfiles, antes restritos a seletos espectadores, pudessem comprar de imediato o que estavam vendo.

 

Embora controvertido, o sistema “veja agora, compre agora” já é adotado há mais de um ano por marcas como DIANE VON FURSTENBERG, TOM FORD, BURBERRY e TOMMY HILFIGER.

 

A verdade é que a ameaça do “veja agora, compre agora” é no sentido de reduzir o tempo de criação e empobrecer eventualmente os lançamentos. Enquanto o fast fashion efetivamente pode gerar uma poluição estética e real.

 

É o que o músico Alex James alerta em recente documentário no programa GNT Doc:

 

“Roupas baratas e não sustentáveis fazem parte de uma epidemia. Fazem-nos crer que pagar mais é exploração. Essa epidemia se chama fast fashion”.

 

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Reprodução de documentário Desacelerando a Moda, no GNT

 

Alex propõe, então, que se faça um esclarecimento geral para o perigo do consumismo exacerbado e prejudicial à estética e ao conforto da roupa, e benéfico à poluição geral. E acredita que se possa enveredar por um rumo melhor ao demonstrar as vantagens do bom produto.

 

Não acredito, pois se analisarmos o que ocorre em outras áreas, como a música brasileira, os recentes estilos populares predominam em detrimento da verdadeira MPB.

 

Afinal, o próprio Alex James dá o veredicto: vai valer o estilo de vida de cada um.

 

“Adoro roupa, adoro moda, o que vestimos diz muito sobre quem somos e quem queremos ser”.

 

E só de olhar, poderemos identificar se a preferência será usar a moda ou ser usado pela moda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

 

Mundo Corporativo: Eva Hirsch diz por que somos resistentes às mudanças

 

 

“Quando a gente se agarra demais às certezas da gente, a gente não evolui, a gente não progride”. A afirmação é da coach Eva Hirsch que alerta para o risco de tomarmos decisões sem estarmos conscientes dos fatores que influenciam estas escolhas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Hirsch ressaltou que boa parte das decisões, na vida pessoal e profissional, contém erros sistemáticos.

 

Um dos vieses cognitivos que impactam nossas ações é o do status quo que, segundo Hirsch, é a base da nossa resistência às transformações: “ele nos faz enxergar as desvantagens de sair da posição atual ao invés de perceber os benefícios da mudança”. Na entrevista, a professora convidada da Fundação Dom Cabral também citou os vieses da confirmação, da similaridade, do ponto cego e da disponibilidade.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e no Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Juliana Causin.

Fim de cobrador de ônibus é exemplo para outros setores da economia

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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João Dória, no momento em que as pesquisas conferem a ele aprovação singular de 43%, anuncia o fechamento de 19 mil  cargos de cobrador, nas empresas de ônibus que têm a concessão do transporte público na cidade de São Paulo, até o final do mandato. Ficará somente a função de motorista, que hoje comporta 33 mil profissionais.

 

É um exemplo de administração que deveria ser estendido tanto ao setor público quanto ao privado.

 

Peter Drucker, mestre da Administração Moderna, enfatizava que as funções que não cumprem o objetivo do negócio devem ser tratadas como acessórias. Se a função precípua do ônibus é transportar passageiros, que seja cumprida pelo motorista.

 

A existência de cobradores de ônibus é tão atemporal quanto se constata que apenas 6% dos pagamentos são realizados em dinheiro.

 

Essa disfunção não é exclusiva do setor público, pois, por exemplo, o varejo tradicional ainda mantém a função de caixa como operação exclusiva. E todos sabem que o objetivo principal das lojas é vender. Da mesma forma como nos ônibus, nas lojas os recebimentos em espécie, em dinheiro, correspondem a aproximadamente 6%.

 

O agravante nas lojas é que a função de caixa departamentalizada origina filas num momento em que o comércio tem que lutar pela experiência de compra prazerosa para poder concorrer com a internet e obter seu diferencial de sobrevivência.

 

É louvável a agilidade de Dória antes que os motoristas robôs possam ser avanços reais para eliminação de todo o sistema atual.

 

Às lojas a ameaça está mais perto, é a velocidade de progressão da internet.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: “a tomada de decisão é sempre do ser humano”, diz Vicente Mazinetti sobre a indústria 4.0

 

 

“Virtual é mais barato, existem dados que as empresas gastam 170 dias por ano fazendo protótipos; e testando produtos. Virtualmente você consegue simular, diminuir a quantidade de protótipos”. Para Vicente Mazinetti, gerente de pré-vendas da Siemens, essa é uma das vantagens em investir no conceito da indústria 4.0, tema da entrevista que concedeu ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele explica que esse modelo de indústria vai além da ideia de substituir um operador por um robô, é preciso implantar inteligência nos processos: “a virtualização é a chave de tudo, então a origem de um produto deve ser virtual”.

 

Mazinetti entende que os profissionais e empresas têm de estar preparados para esta que é considerada a quarta revolução industrial, sem temer a chegada dos processos de automação e virtualização: “a tomada de decisão é sempre do ser humano, a execução, o manuseio desta tecnologia, o bom uso é do ser humano”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, pelo site e pela página da CBN no Facebook, toda quarta-feira, 11 horas da manhã. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e, em horário alternativo, às 11 da noite de domingo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Debora Gonçalves e Rafael Furugen.

A fórmula de Galló

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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fachada de unidade da Lojas Renner, em foto do site verazaffari.com.br

 

Um executivo que comanda há mais de 20 anos uma empresa centenária, líder do mercado de varejo, que na crise aumenta o número de lojas, o quadro de funcionários e o lucro, certamente tem muito a dizer.

 

Foi o que Mílton Jung foi buscar na recente entrevista realizada no Jornal da CBN, quando conversou com José Galló, o presidente da RENNER.

 

 

Entre receitas, análises e sugestões, destaco aqui alguns pontos:

 

As 120 horas de treinamento ano por pessoa, a agilidade em acompanhar as tendências da moda, oferecendo oito coleções por ano entremeadas de minicoleções, e a atenção nos processos e despesas, são a receita para o sucesso alcançado.

 

Sem demissões e com foco na crise de um mercado oligopolizado entre cinco grandes cadeias, que correspondem a 13% do total da demanda, era preciso buscar a diferenciação dentro do Marketing Mix – Produto, Processo, Pessoas – para usufruir de forma positiva daquele momento. E isso foi feito com categoria, atestada pelo resultado obtido.

 

Agora, diante do “milagre” da economia, quando a inflação de quase 12% chega perto de 4%, o trabalhador que obteve 7 a 8% no dissídio terá um ganho real, que deverá impulsionar o mercado.

 

Resta apenas acompanhar o desenrolar político nacional. A operação Lava Jato precisará acelerar.

 

Adiante, será preciso remover a “medieval” legislação trabalhista que gera 2,5 milhões de reclamações, enquanto nos Estados Unidos são 75 mil e no Japão sete mil ao ano. Ao mesmo tempo em que o varejo tem picos de demanda, que poderá ser atendido pelo trabalho temporário. Esse iria reduzir os preços finais. Além de dar emprego a jovens e aposentados.

 

E, para quem não ouviu a entrevista, também é uma boa acessá-la.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: “resistência num momento de perdas é muito importante” aconselha Pierre Moreau

 

 

“Você ser uma pessoa organizada e você eleger de forma adequada a sua despesa, é muito importante porque essas pequenas medidas que você toma na sua vida pessoal, acabam interferindo quando você vai investir”. A afirmação é de Pierre Moreau, professor do Insper e sócio da Casa do Saber, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Moreau é um dos organizadores do livro “Fora da Curva – o segredo dos grandes investidores do Brasil e o que você pode aprender com eles”.

 

Diante de desafios profissionais que temos de enfrentar e de crises que venham a ocorrer, Moreau aconselha: “resistência num momento de perder é muito importante”.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e, em horário alternativo, aos domingos, às 11 da noite. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Debora Gonçalves.

Entrevista: José Galló, da Renner, fala em “milagre” da economia e critica regras trabalhistas medievais

 

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O presidente da Renner, José Galló, considera “quase um milagre” a redução da inflação e dos juros, nos últimos meses, e enxerga sinais de retomada na economia com consolidação em 2018. Entrevistado no Jornal da CBN, o executivo que está há mais de 20 anos à frente do grupo líder no varejo brasileiro criticou o que chamou de “regras trabalhistas medievais” e diz que não é coincidência o fato de se ter mais de 50 milhões de pessoas contratadas de maneira ilegal: “ninguém quer tirar o direito de ninguém, mas há certos tópicos da legislação que incentivam a ilegalidade”.

 

 

A possibilidade de o Governo Federal elevar tributos para corrigir o buraco nas contas públicas é vista com preocupação pelo executivo. Galló entende que seria mais produtivo se o Governo aplicasse o que ele chama de “regra dos 20%”: toda auditoria mostra que existem pagamentos indevidos e um percentual de fraude que pode ser eliminado.

 

Em relação a Operação Lava Jato, Galló defende o aprofundamento das investigações mesmo que isso cause instabilidade política.

 

Na entrevista completa que você ouve a seguir, José Galló também explica como funciona o processo de criação e fabricação das roupas  e a necessidade de redes com as características da Renner  atualizar com maior frequência as coleções oferecidas aos clientes:

 

 

 

 

 

Mundo Corporativo – Nova Geração: Joana Cortez, da Orgânica People, ajuda você a encarar a ‘nova economia’

 

 

“Mais do que ter todos os aspectos técnicos que a vaga precisa, ele precisa ter uma atitude da nova economia, e a atitude envolve muito isso que eu falei: determinação, ter jogo de cintura, ter humildade muitas vezes e em muitos momentos, ter proatividade e ter paixão”. A sugestão é de Joana Cortez, especializada em recrutamento de pessoal, que foi entrevistada pelo jornalista Milton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Líder da Orgânica People, um braço da Orgânica Aceleradora, Cortez apresenta outras dicas para os profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho e pretendem aproveitar as oportunidades oferecidas pelas empresas que investem no que conhecemos por nova economia.

 

A Joana Cortez prometeu em entrevista ao Mundo Corporativo publicar uma lista com livros que considera serem essenciais para quem pretende se reinventar no cenário dinâmico da nova economia. Segundo ela, são obras que tratam de temas diversos como empreendedorismo criativo, empreendedorismo digital, mudança de hábitos, inteligência emocional, entre outros.

 

Vamos as sugestões:

 

Livros em português

 

– Organizações Exponenciais – Autor: Michael S. Malone e Salim Ismail
– A Startup Enxuta – Autor: Eric Ries
– De zero a um – Autor: Peter Thiel
– O lado difícil das situações difíceis – Autor: Ben Horowitz
– Empresas feitas para vencer – Autor: Jim Collins
– Empreendedorismo Criativo – Autor: Mariana Castro
– Os 7 Hábitos das pessoas altamente eficazes – Autor: Stephen R. Covey
– O poder do hábito – Autor: Charles Duhigg
– Comece por você – Autor: Reid Hoffman e Ben Casnocha
– Faça Acontecer – Sherryl Sandberg

 

Livros interessantes em inglês

 

– The Start-up J Curve: The six steps to entrepreneurial Success – Autor: Howard Love
– The EQ Edge. Emotional Intelligence and your success – Autor: Steven J. Stein

 

O Mundo Corporativo, no último sábado do mês, é dedicado às novas gerações e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. Aos sábados é reproduzido no Jornal da CBN, a partir das 8h10.

Mundo Corporativo: “decidimos com o coração do cérebro” diz consultor Humberto Pandolpho Jr.

 

 

“Não adianta querer explicar todas as decisões dentro de cada um de nós, mas em geral 85% dessas decisões são claramente emocionais … decidimos as compras com o coração do cérebro”. A afirmação é do consultor Humberto Pandolpho Jr, do Banco de Pontos Fidelidade, feita em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Pandolpho diz que entender como essas decisões ocorrem é fundamental para as empresas e para o seu negócio: “lembre que tudo que acontece está em função de você levar o consumidor para uma situação agradável, satisfação, uma experiência que seja muito boa naquele lugar que você está”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

A necessária discussão sobre as bagagens aéreas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em boa hora o juiz José Henrique Prescendo, a pedido do Ministério Público Federal, suspendeu a resolução da ANAC sobre a cobrança de bagagens despachadas, possibilitando o debate vigoroso que temos assistido entre as partes envolvidas.

 

O princípio em decompor os preços dos serviços é salutar e imprime clareza ao sistema. Entretanto, se ontem valesse a nova regulamentação certamente teríamos prejuízos operacionais e financeiros à parte mais importante desta relação: o consumidor.

 

O passageiro que tivesse optado pela bagagem de mão teria pagado o valor cheio do tíquete, sem o desconto pela não utilização do serviço de despacho.

 

O passageiro que tivesse despachado a bagagem teria pagado o valor do despacho dobrado, pois o tíquete já incluía o serviço.

 

Estas são apenas algumas das consequências das novas normas, baseadas em pressupostos da ANAC.

 

Argumentar que a maiorias dos países adotam a cobrança é inaceitável, pois temos oferta em regime oligopolizado e até para algumas rotas, monopolizado.

 

Sabe-se que empresas estrangeiras de baixo preço vão além, cobrando pela marcação de assentos, embarque prioritário, check-in no aeroporto, correção de nome, fura fila no raios-X, e até mesmo pelo peso da pessoa. Trata-se, porém de mercados mais competitivos e de culturas diferentes.

 

O fato de nenhuma das companhias nacionais ter baixado o preço da passagem é significativo, pois contraria a lógica da formação de preço e comprova que a esperada competição considerada pela ANAC não virá naturalmente.

 

Hoje, a capacidade de armazenamento das malas de mão nos bagageiros acima dos passageiros, e a demora em ordená-las nos voos lotados, são problemas não solucionados.

 

Se considerarmos um voo lotado dentro da proposta da ANAC, certamente não haverá espaço suficiente para a bagagem de mão, o que exigirá transferir a excedente ao compartimento de carga. Os passageiros que se submeteram a espera maior para acomodação terão que arcar com mais este acréscimo.

 

As viagens aéreas, antes um luxo, mas pouco acessíveis, se tornaram mais populares, mas sem luxo.

 

Até agora um avanço.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.