Adote um Vereador: do Carnaval ao lixo, dos parques à reciclagem, como deixar a cidade melhor?

 

 

 

Tudo começa com uma xícara de café que será acompanhada, ao longo da tarde, por várias outras. Na mesa do bar que funciona no Pateo do Collegio, local de fundação da cidade de São Paulo, tem espaço para suco, refrigerante e alguns comes em parceria com os bebes, também. Em torno da mesa recheada de xícaras, pires, pratos e copos um grupo disposto a falar muito sobre o que viu e o que quer para a cidade. São os integrantes do Adote um Vereador, que se encontram pessoalmente todo segundo sábado do mês.

 

A situação dos parques da cidade e a intenção da prefeitura em conceder a administração para a iniciativa privada foram dois dos assuntos conversados no encontro desse sábado, enquanto ainda se ouvia o som do trio elétrico que puxava um dos últimos blocos a desfilarem no centro, nesse Carnaval.

 

O Adote, como instituição — que, aliás, procuramos não ser —-, não tira posição a favor ou contra projetos ou ideias. É uma das nossas marcas, deixar que os integrantes pensem livremente sobre o assunto e quando há pontos em comuns podemos desenvolver alguma iniciativa. Os com viés liberal entendem que, a persistir o projeto da prefeitura, se pode ter parques mais bem cuidados; outros —- me pareceu a maioria dos que estavam sentados à mesa — preferem que a prefeitura assuma sua responsabilidade, aplique melhor o dinheiro de nossos impostos e se capacite para prestar o serviço que é público.

 

Falei de Carnaval e lembrei que, enquanto esperava por mais um café, alguém da mesa reclamou das interrupções na cidade devido aos blocos. Outro relatou que os banheiros químicos colocado à disposição dos foliões não tiveram a limpeza adequada. Houve quem chamou atenção para o fato de as subprefeituras terem destinado todos os seus funcionários para os 15 dias de festa, deixando de atender chamadas em áreas essenciais. Em tempo: a prefeitura diz que nenhum serviço de manutenção deixou de ser realizado no período.

 

A propósito: nesta segunda-feira, soube-se que 14 milhões de pessoas participaram do Carnaval de rua na capital paulista — um recorde para o qual a administração municipal terá de se atentar. Afinal, quanto maior a festa, maior a estrutura necessária. Qual o limite para São Paulo? Deixo a pergunta para pensarmos mais à frente, pois ainda faltam 348 dias para o próximo Carnaval e até lá teremos muitos outros problemas a resolver.

 

Em São Paulo, tudo tende a se agigantar. Do Carnaval aos problemas nas mais diversas áreas — haja vista o temporal das últimas horas que parou a cidade.

 

Quer outro exemplo —- esse lembrado no encontro de sábado? O lixo.

 

Em média, os paulistanos geram 18 mil toneladas de lixo, por dia. Só de resíduos domiciliares são coletadas quase 10 mil toneladas por dia. Números oficiais da prefeitura. A encrenca fica ainda maior quando se percebe que parte está espalhada pelas calçadas e ruas, pelos mais diversos motivos —- inclusive a falta de educação de alguns moradores. E outra boa parte poderia ser reaproveitada, pois é material reciclável.

 

Conforme a prefeitura “todo o município de São Paulo é contemplado pela coleta seletiva (ou diferenciada), seja pelas cooperativas ou pelas concessionárias — em algumas prefeituras regionais, a coleta é realizada por ambas”.

 

Quando vamos para a vida real, porém, quem sabe o que fazer com o material reciclável?
O que separar?
Quando a coleta passa lá em casa?
Foi, então, que surgiu a ideia de provocarmos os vereadores a pensarem sobre o tema e, quem sabe, destinarem parte da verba publicitária da capital para campanhas educativas que levem o tema às escolas, aos bairros, a cada uma das casas dos paulistanos. Eis aí um ponto em comum, sobre o qual escrevi alguns parágrafos acima.

 

Enquanto isso não acontece, a própria turma do Adote indicou dois caminhos para quem busca informações sobre coleta seletiva em São Paulo:

o site da prefeitura 

 

No qual é informado que “o Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo tem como objetivo promover a reciclagem de papel, plástico, vidro e metais. Após recolhidos, esses resíduos são encaminhados para as cooperativas e para as centrais mecanizadas de triagem, onde serão separados e comercializados pelas cooperativas”. Além de trazer outras dicas importantes.

 

o APP Limpa Rápido, também da prefeitura 

 

Com a o aplicativo é possível saber se o caminhão da coleta seletiva passa na sua rua. Quando não passa, se existe algum PEV — Ponto de Entrega Voluntária ou Ecoponto mais próximo. E tem canal de reclamação.

Aos colegas que se encontraram nesse sábado, deixo uma sugestão. Um desafio. Espécie de lição de casa.

 

Já que o assunto nos interessou, a ponto de consumir tanto tempo e xícaras de café, vamos separar o material reciclável na nossa própria residência —- se você já faz isso, parabéns.

 

Em seguida, lembre-se de mandar um recadinho para o seu vereador perguntando o que ele pode fazer para aumentar a coleta seletiva na cidade. Quem sabe no próximo Carnaval, teremos menos lixo nas ruas e muitos mais reciclável coletado.

De política, de costumes e de tragédias: marchinhas finalistas falam do Brasil

 

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Tanto faz como tanto fez. Seja lá quem estiver no poder, será alvo das marchinhas e músicas do Carnaval brasileiro. Foi assim na Ditadura de Getúlio e foi na Ditadura Militar. Foi com Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Não seria diferente com Bolsonoro. E, claro, seu governo e seus ministros, assim como suas frases e expressões, mexeram com a criatividade de compositores como se percebeu na série de sugestões enviadas pelos ouvintes para o 6º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval do Jornal da CBN. Outros temas nacionais também mobilizaram a produção musical, como a tragédia provocada pela Vale.

 

Com uma centena de músicas inscritas, muita letra debochada e ritmos misturados, chegamos às cinco indicadas para o voto popular. Curta a letra, aumente o som e vote no site www.cbn.com.br até quinta-feira às 11h59 da noite. A campeoníssima será conhecida na sexta-feira, durante o Jornal da CBN:

 

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OS PASSA-PANO
Dudu Pinheiro

 

 

Eu tô passado, indignado, horrorizado, assustado, tô bolado não é
possível tá demais!

 

Com tanta treta não escuto uma panela ser batida na janela do
vizinho aqui de trás

 

É que tem gente que anda tão acomodada
Fingindo que não tem nada acontecendo de anormal

 

É um tal de passar pano na cabeça, no laranja, na ministra da goiaba nesse bando sem noção

 

Essa galera do passado vive passando vergonha já passaram do
limite dando só passo pra trás

 

Mas não vai passar batido, não!
Eu não passo pano!

 

Se liga no recado:
Não passarão!

 

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AI, MOURÃO!
Os Marcheiros

 

 

Ai Mourão aí Mourão
Não faz assim
Que eu te dou meu coração

 

Aí aí aí aí aí
É uma tortura essa paixão
Mas tem gente com ciúme
Esse amor
ainda vai dar confusão

 

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TALQUEY, TALQUEY (A CULPA É DO PT)
Marília Passos e Isis Passos

 

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de artistas
Essa mamata ai acabar
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de esquerdistas
“Vamo acabá com isso daííí”
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

Nossa bandeira jamais será vermelha
Quem garantiu foi Jesus na goiabeira
Chegou a hora da nossa oração
Partiu igreja com a arma na mão

 

Bandido bom é bandido morto
Sou cidadão de bem porque eu sou cristão
Melhor JAIR procurando o que fazer
Vou acabar com a Lei Rouanet

 

Traz a Damares
Traz o Mourão
Que traz seu filho pra mamar no tetão
Prepara o suco de laranja pro Queiróz

 

Que traz um dinheirinho para todos nós

 

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ASSIM NÃO VALE
Rodrigo Soares

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Fiz minha casa no alto de uma montanha
Imaginado ar puro, sombra e água fresca
Mas um dia me chegou um testa de ferro
E minha vida virou de ponta cabeça

 

É ferro, é ferro, é ferro
É ferro, é ferro que interessa
Dinheiro, riqueza
Emprego e desenvolvimento à beça

 

E todo dia da minha janela eu via
Muito buraco e a poeira que subia
Muito barulho e a montanha que encolhia
Água sujando e minha casa que tremia

 

Mas temos celular
Temos um carro e internet para acessar
E ainda vamos ter dinheiro para gastar
E avião para podermos viajar

 

Então aconteceu naquele dia
Rompeu aquilo que não se rompia
E a cidade viveu muita agonia
Muita tristeza, muita dor

 

É lama, é lama, é lama
É lama em todo o lado,
Embaixo e em cima
E o emprego e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

E o emprego, e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
E ainda fazer com que ela espalhe

 

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TODA COR, TODO AMOR
Tereza Miguel

 

 

Eu visto toda cor, toda cor que eu quiser
E não faz diferença se eu sou homem ou mulher
Eu sou uma pessoa total e poderosa
Por isso eu visto azul, por isso eu visto rosa

 

O amor não tem só duas cores
Mas todas as cores do olhar
O medo de amar cega os olhos
De quem não quer enxergar

 

Vote agora no site www.cbn.com.br

Fé e ideologia não serão capazes de conter os efeitos do aquecimento global

 

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Duas pessoas morreram em ônibus soterrado na Niemeyer. Foto: Bárbara Souza/CBN

 

Acordei logo cedo com a voz de uma autoridade carioca no rádio oferecendo aos ouvintes a garantia de que a prefeitura do Rio estava preparada para enfrentar as dificuldades impostas pela tormenta que havia atingido a cidade na noite anterior. Seiscentos homens estavam nas ruas para atender a população, as equipes da noite foram reforçadas por aqueles que estavam encerrando o expediente, alertas foram emitidos com base no monitoramento dos radares do clima e sirenes tocaram em áreas de risco.

 

Suas palavras não eram coerentes, porém, com a descrição que repórteres faziam ao vivo ou com as fotos e vídeos que já circulavam na internet. O lobby de um hotel era comparado a um navio naufragando, o barro ocupava o salão de uma academia de ginástica, um homem era levado pela correnteza ao som de gritos de moradoras que gravavam a cena, ruas e avenidas estavam tomadas pela água e pessoas buscavam proteção de maneira improvisada —- a maior parte contando mais com a sorte do que com qualquer apoio oficial.

 

A impressão era que um furacão havia passado pela cidade e deixado seu rastro por todos os cantos. Os técnicos fizeram questão de esclarecer que os furacões estão no topo de uma escala que vai do grau 0 ao 12 e registram velocidade de 118 quilômetros por hora ou mais. O que aconteceu no Rio foi uma tempestade, que está no grau 10, e se caracteriza por ventos de 89 a 102 quilômetros por hora.

 

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Chuva colocou Rio de Janeiro em estágio de crise. Foto: Reprodução/TV Globo

 

Ao morador do Vidigal e da Rocinha, duas das áreas mais devastadas pela tormenta, tanto faz o nome oficial daquilo que eles assistiram e sofreram ao longo da noite e madrugada. Para eles e para os demais cariocas —- mesmo aqueles protegidos em prédios mais altos ou em suas casas em bairros mais bem estruturados — foi um caos. Um desespero sem fim.

 

O Rio já encontrou seis pessoas mortas desde o início do temporal — duas delas soterradas, quando tentavam voltar para a casa, na avenida Niemeyer. A terra deslizou na carona de uma árvore centenária que despencou morro abaixo até atingir o ônibus onde estavam os dois passageiros e um motorista —- esse conseguiu escapar com vida. Por sorte. Ou por Deus, como até os descrentes costumam dizer.

 

É com a sorte — e talvez com Deus —- que devemos contar enquanto os administradores das nossas cidades não são capazes de investir na mudança estrutural necessária para os novos tempos. Cruzamos os dedos para que no momento da tormenta já tenhamos chegado a um lugar minimamente seguro. E oxalá nossos parentes e amigos mais próximos também tenham conseguido.

 

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Uma pessoa morreu no Vidigal Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Um mínimo de interesse nos estudos do clima nos faria entender que não sobreviveremos por muito tempo enquanto acreditarmos que nosso destino será traçado pelo acaso. Sorte e azar não são elementos a se ponderar quando cientistas comprovam que a temperatura global aumenta a níveis sem precedentes — 16 dos 17 anos mais quentes registrados aconteceram neste século e nos últimos 40 anos, a temperatura media global esteve acima da média do século 20.

A medida que as temperaturas globais aumentam, eventos climáticos extremos se repetem com mais frequência, com mais custo e com mais destruição. Sabe aquelas chuvas que acontecem uma a cada mil anos? Foram registradas seis vezes, em 2016, nos Estados Unidos —- esse mesmo país que é comandado por um presidente que questiona o aquecimento global. Cidades litorâneas —- como o Rio —- estão muito mais expostas agora aos efeitos das marés altas do que estiveram em todos os tempos. Nos últimos 50 anos, aumentaram de 364% para 925% as inundações, nas três costas dos Estados Unidos.

 

As medidas paliativas e as palavras vazias não serão suficientes para conter as tragédias que tendem a se repetir a cada ano. Ambientes urbanos como o da cidade do Rio, que tem uma geografia a desafiar administradores, ou a de São Paulo, com sua extensão territorial inimaginável, não podem se dar ao luxo de esperar mais tempo até iniciarem de forma inteligente e planejada ações que mitiguem os impactos provocados pelo clima.

 

Repensar a forma de ocupação do solo, criar áreas para absorção da águas das chuvas, ampliar a quantidade de árvores para diminuir o efeito das ilhas de calor, deslocar famílias dos pontos de alto risco, reurbanizar favelas, recuperar córregos, riachos e rios, rever os modelos de transporte e reduzir a emissão de carbono são algumas soluções já há muito conhecidas e, por mais complexa que seja a implantação destas medidas, quanto mais tempo demorarmos para atuar piores serão os efeitos sobre a qualidade de vida do cidadão.

 

E para o nosso azar — perdão, uso a expressão apenas por força do hábito —- o que vemos avançar no Brasil, em lugar de politicas públicas que adaptam as cidades para esse novo tempo, é o discurso de políticos negacionistas ambientais. Uma gente cega pela sua fé e ideologia, incapaz de compreender que as evidências científicas são contundentes. Retumbantes. Destruidoras, se levarmos em consideração o que aconteceu no Rio nas últimas horas.

 

A persistirem os sintomas, a análise mais crua e certeira — tanto quanto mal-educada —- que ouvimos foi a de um cidadão carioca, voltando para a casa em meio ao temporal, aparentemente bêbado, que se intrometeu na cobertura ao vivo de uma repórter da Globonews para decretar: —- “Tá todo mundo f….., essa m…. aqui”

Acabou a mamata!

 

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Acompanhei o noticiário de revesgueio nestes últimos 20 e poucos dias em que estive de férias. Olhando meio de lado, enviesado, sem me aprofundar muito, tendo a atenção chamada apenas para uma coisa aqui e outra acolá. Era de descanso que eu precisava, depois de um ano intenso como foi 2018.

 

Descansei da maneira que mais gosto: conhecendo lugares e ao lado da família. Desta vez, fomos longe para fazer amigos. Conhecemos o Japão, um sonho de criança —- no caso das crianças aqui de casa, que, aliás, de criança não têm mais nada.

 

Descansei cansando-me de andar. Está registrado no aplicativo do celular que foram 191.552 passos e mais de 133 quilômetros percorridos a pé, em 14 dias. São estatísticas suficientes para deixar o Márcio Atalla sorrindo de satisfação. Bem verdade que esse é um cansaço diferente, sem a pressão do relógio, sem o estresse da meta a ser alcançada e sem a necessidade de provar nada para ninguém — essas coisas que o mundo corporativo (e comunicativo) nos cobra diariamente.

 

Fui para o Japão sob a recomendação de que deveria ter muito cuidado com a gentileza que os japoneses dedicam aos visitantes. É coisa de nos deixar chocado, disseram alguns amigos com quem conversei antes da partida. Envergonhado, falaram outros. O professor Clóvis Barros Filho chama de shinsetsu e escreveu livro recente no qual fala de o poder da gentileza —- foi um dos livros que li nessas férias, outra coisa que gosto de fazer. Diante da falta de amabilidade no nosso cotidiano, em que a regra que vale é “farinha pouca, meu pirão primeiro”, assistir ao comportamento oriental nem chocou nem envergonhou, me ensinou. E ensinou muito.

 

Já fazia referência a forma de os japoneses se portarem, em minhas palestras sobre o livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, desde o ano passado. O exemplo que uso é o do hábito deles limparem o espaço público que ocupam. Assistimos a isso na Copa do Mundo, em 2014, e na Olimpíada do Rio, em 2016. Lembro que a cena de turistas japoneses com sacos de plástico em mãos e recolhendo o lixo que deixaram cair no chão sempre provoca por aqui uma onda de elogios. Em seguida, criticamos nosso comportamento, a falta de educação e os políticos que não se dão respeito. Em lugar de iniciarmos a mudança individualmente, em casa ou na família, repetindo o gesto no nosso cotidiano, damos continuidade a prática do descaso e do desrespeito, porque o Brasil não tem jeito —- é a nossa desculpa. Se o Brasil não tem jeito que os brasileiros deem um jeito no Brasil. Aprendamos com os japoneses.

 

Uma das mensagens mais impactantes que encontrei nas muitas caminhadas estava em placa ao pé de um dos monumentos, no Parque do Memorial da Paz, em Hiroshima — cidade que em seis de agosto de 1945 foi palco da maior tragédia atômica que o homem poderia ter construído: “Superando o ódio, perseguindo a harmonia e a prosperidade e desejando ardentemente uma longa e genuína paz no mundo”. Pense nos resultados que poderíamos alcançar se aplicarmos essa ideia na nossa vida. Comprometo-me a tentar. E você?

 

Tudo posto e com o sabor do melhor tempura que já comi na minha vida ainda na boca— encontrado em um pequeno restaurante, o Tendon Makino, em Quioto —, confesso que foi difícil de acreditar que havia acabado a mamata. Por favor, entenda bem o contexto em que a expressão está sendo usada. Nada a ver com arranjos, marmeladas e achegos ou ganho desonesto, vantagens indevidas e propina, como aparecem nos dicionários oficiais. Digo mamata no sentido figurado, de dias livres, de diversão e de relaxamento.

 

Nesta segunda-feira, depois de duas xícaras de café preto para acordar e um omelete para manter a energia, a realidade se impôs: tive de colocar o crachá no pescoço e me apresentar na firma. Gosto — e muito — do trabalho que realizo. Tenho prazer em levantar da cama para apresentar o Jornal da CBN. Mesmo que ainda seja madrugada, cumprimento o guarda da rua, saúdo o porteiro do prédio da empresa, gesticulo a cabeça para as poucas pessoas que esperam o elevador e converso com os ouvintes com um sorriso no rosto —- ao menos quando o clima permite. Desta vez, porém, voltar ao trabalho foi um pouco mais difícil, porque ainda estou na ressaca das férias, devido ao fuso horário e, principalmente, a tudo que vivenciei.

 

Ao mesmo tempo, 35 anos de trabalho me ensinaram que a máquina não para de girar — especialmente se estivermos falando em jornalismo, que tem como matéria-prima a notícia. O ouvinte não quer saber se você ainda está sob o ritmo das férias ou se naquele dia alguma coisa o tirou do sério. Assim que o microfone abre, tudo tem de voltar a ser como antes. Apuração dos fatos, precisão no relato, equilíbrio na abordagem, justiça na análise, cuidado para não errar e humildade para admitir o erro.

 

Não tem jeito. Às cinco para às seis da manhã, o luminoso com a expressão “No ar” acendeu dentro do estúdio e a mensagem que li foi muito clara: acabou a mamata. Ao menos a minha, porque, conforme as notícias que li na seqüência, já soube que a mamata continua pra muita gente importante que anda solta por aí — e aqui, mamata, sim, naquele sentido mais conhecido da palavra.

O desafio do novo mundo que os brasileiros encontrarão na NRF 2019

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As delegações brasileiras sempre foram destaque no maior evento mundial de varejo — a NRF Retail’s Big Show. A National Retail Federation Big Show 2019, que ocorrerá de 13 a 15 deste mês, em Nova York, vai propiciar, além das costumeiras novidades para o setor, tendências que poderão chocar o momento desses empresários e agentes do varejo nacional.

 

De acordo com os insights demonstrados nas prévias dos temas a serem apresentados, tópicos de cunho ambientalista, inclusivo, colaborativo, globalizante e de diversidade, que estavam nos esforços periféricos das empresas, passam agora ao centro das atenções.

 

É a questão de GENTE, que fica como parte principal da força transformadora que estará por vir.

 

Como sabemos, o momento em que o Brasil vive espelha uma outra conotação, em que a globalização, o ambientalismo, a diversidade não são pautas prioritárias.

 

Ao mesmo tempo, o grupo brasileiro composto por empresários, executivos e demais agentes de primeira linha do setor de varejo, em sua maioria, pertence aos que apoiaram e votaram no pessoal que ocupa o poder hoje — as reações do mercado financeiro ao crescimento da candidatura de Bolsonaro retrataram a preferência da classe dominante. E esse grupo pertence a ela.

 

Tal cenário merece ser acompanhado para verificar se efetivamente a ênfase nos aspectos propostos será confirmada e qual será a absorção pelo contingente brasileiro.

 

Hoje, ninguém desconsidera o fato de as empresas serem organismos vivos, que necessitam manter relação de troca de energia com o meio ambiente. Dessa forma, será que teremos empresários com suas lojas apoiando a diversidade, a inclusão e o ambientalismo apenas comercialmente — e pessoalmente serem contra? Ou vão encarar a concorrência em benefício da ideologia própria?

 

O fenômeno Trump pode ter gerado para o varejo americano a pauta acentuada na globalização, diversidade, etc. Mas, e o Fenômeno Bolsonaro?

 

Aguardemos.

 

Carlos Magno Gibrail, consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A pressa ainda é inimiga da perfeição?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Poucos se importaram com a pressa com que as árvores foram cortadas ….

 

Aparentemente, a pressa nas cerimonias oficiais de posse do governador eleito de São Paulo não afetou as solenidades. Tanto na Assembleia Legislativa, no Ibirapuera, como no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Entretanto, se no aspecto operacional e protocolar não houve falhas, há uma tônica de velocidade e mudanças a ser considerada, como característica da personalidade de João Doria.

 

Na campanha à Prefeitura, garantiu que cumpriria o mandato e a sua administração não imprimiria o estilo do político, mas, de gestor. Em 15 meses, descumpriu o prazo e o estilo. Adotou a dinâmica convencional do político e se candidatou ao governo do Estado de São Paulo.

 

Ao ganhar a eleição, teve o aval dos eleitores, que tecnicamente aprovaram a transformação. Daí a decisão de dar prioridade a ida à posse do novo presidente, estar de acordo com o perfil estabelecido e aprovado — e nada mais a declarar: é um político e vitorioso.

 

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… até o fogo aparecer e os Bombeiros, apressados, surgirem para acabar com o incêndio.

 

A não ser um pequeno episódio na quadra da “Revolta dos Eucaliptos”, distante 200m do Palácio. Na antevéspera da posse, o corte de árvores avançou até a noite e também na calçada, onde deixaram troncos e galhos — ao mesmo tempo em que repórteres mostravam os preparativos, sem nenhum deles ter percebido o trecho com o impedimento da calçada. As reportagens envolviam apenas o Palácio, sem o entorno. Talvez por pressa.

 

Na véspera, começou um incêndio no mato deixado impunemente pela empresa executora do corte de árvores e o Corpo de Bombeiros teve que intervir. No local, os bombeiros me informaram que o chamado de socorro foi feito pelos moradores.

 

O pessoal do Palácio ignora o entorno. Talvez por pressa em executar as tarefas internas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Venha participar do debate que comemora os 10 anos do Adote um Vereador

 

Reforço aqui convite para participação no debate em comemoração aos 10 anos do Adote um Vereador, que será neste sábado, dia 24:

 

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O Adote um Vereador é uma ideia lançada há 10 anos logo após uma eleição municipal — oportunidade em que eu apresentava o CBN SP e percebi que boa parte do eleitor não se via representado naqueles 55 vereadores recém eleitos por São Paulo. Meu esforço foi mostrar a todos que somos responsáveis por eles e precisamos acompanhar de perto o trabalho que é realizado nas câmaras municipais.

 

Tivemos avanços e retrocessos. Ganhamos adeptos e perdemos muita gente pelo caminho. Algumas sementes ficaram espalhadas por aí — e é sempre uma alegria quando vemos que alguém, em algum lugar qualquer, acredita nessa nossa ideia.

 

Costumam me perguntar se somos uma ONG ou coisa que o valha. Digo sempre que somos uma NONG — uma não organização não governamental —, pois não temos uma ordem jurídica instituída, não temos uma constituição, não temos um estatuto e não temos verba. O que temos é uma ideia que insistimos em espalhar seja através de ações individuais de cada cidadão que se integra ao Adote seja através de textos e palestras que realizo.

 

Para marcar os 10 anos do Adote um Vereador, vamos nos reunir no dia 24 de novembro, sábado, das 10h às 12h, no auditório principal do Pateo do Collegio, na Praça do Collegio, número 2, centro de São Paulo, para promover uma mesa redonda na qual o tema central é “Por que política?”.

 

Cada um dos convidados terá 10 minutos iniciais para apresentar sua ideia e seu projeto sobre o assunto e depois partimos para a conversa entre todos.

 

A entrada é franca.

 

Participam do evento como convidados especiais:

 

Dr José Vicente — Reitor da Faculdade Zumbi do Palmares, e fundador da ONG Afrobras, mestre em administração e doutor em educação, sociólogo

 

Eduardo Muffarej —- Idealizador do Renova BR, que surgiu com o objetivo de preparar novas lideranças para entrar para a política

 

Caci Amaral — Membro do colegiado da Rede Nossa São Paulo e da coordenação da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de SP, também integra o grupo de trabalho de democracia participativa da Nossa São Paulo.

 

Maria Cecília Milioni Ferraiol — professora e coordenadora do EJA no Colégio Santa Maria, que implantou o Adote um Vereador com seus alunos.

 

Para que esta ideia permaneça por mais 10, 20 anos, é fundamental que outras pessoas nos ajudem participando ou divulgando este trabalho.

 

Portanto, o que pedimos hoje a você é que aceite nosso convite e faça sua inscrição (é de graça) na nossa página no Facebook. Se você puder, espalhe essa notícia para os seus amigos nas redes sociais copiando o link do evento (https://www.facebook.com/AdoteUmVereador/) ou do site do Adote um Vereador (https://www.adoteumvereadorsp.com.br).

 

Todo apoio será muito bem-vindo!

Ajude a divulgar o debate que marcará os 10 anos do Adote um Vereador, em São Paulo

 

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O Adote um Vereador é uma ideia lançada há 10 anos logo após uma eleição municipal — oportunidade em que eu apresentava o CBN SP e percebi que boa parte do eleitor não se via representado naqueles 55 vereadores recém eleitos por São Paulo. Meu esforço foi mostrar a todos que somos responsáveis por eles e precisamos acompanhar de perto o trabalho que é realizado nas câmaras municipais.

 

Tivemos avanços e retrocessos. Ganhamos adeptos e perdemos muita gente pelo caminho. Algumas sementes ficaram espalhadas por aí — e é sempre uma alegria quando vemos que alguém, em algum lugar qualquer, acredita nessa nossa ideia.

 

Costumam me perguntar se somos uma ONG ou coisa que o valha. Digo sempre que somos uma NONG — uma não organização não governamental —, pois não temos uma ordem jurídica instituída, não temos uma constituição, não temos um estatuto e não temos verba. O que temos é uma ideia que insistimos em espalhar seja através de ações individuais de cada cidadão que se integra ao Adote seja através de textos e palestras que realizo.

 

Para marcar os 10 anos do Adote um Vereador, vamos nos reunir no dia 24 de novembro, sábado, das 10h às 12h, no auditório principal do Pateo do Collegio, na Praça do Collegio, número 2, centro de São Paulo, para promover uma mesa redonda na qual o tema central é “Por que política?”.

 

Cada um dos convidados terá 10 minutos iniciais para apresentar sua ideia e seu projeto sobre o assunto e depois partimos para a conversa entre todos.

 

A entrada é franca.

 

Participam do evento como convidados especiais:

 

Dr José Vicente — Reitor da Faculdade Zumbi do Palmares, e fundador da ONG Afrobras, mestre em administração e doutor em educação, sociólogo

 

Eduardo Muffarej —- Idealizador do Renova BR, que surgiu com o objetivo de preparar novas lideranças para entrar para a política

 

Caci Amaral — Membro do colegiado da Rede Nossa São Paulo e da coordenação da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de SP, também integra o grupo de trabalho de democracia participativa da Nossa São Paulo.

 

Maria Cecília Milioni Ferraiol — professora e coordenadora do EJA no Colégio Santa Maria, que implantou o Adote um Vereador com seus alunos.

 

Gabriel Azevedo (a confirmar) —- bacharel em comunicação social, professor de direito constitucional, vereador em BH, e fundador da “Turma do Chapéu”, movimento de rede para incentivo da participação dos jovens na política.

 

Para que esta ideia permaneça por mais 10, 20 anos, é fundamental que outras pessoas nos ajudem participando ou divulgando este trabalho.

 

Portanto, o que pedimos hoje a você é que aceite nosso convite e faça sua inscrição (é de graça) na nossa página no Facebook. Se você puder, espalhe essa notícia para os seus amigos nas redes sociais copiando o link do evento (https://www.facebook.com/AdoteUmVereador/) ou do site do Adote um Vereador (https://www.adoteumvereadorsp.com.br).

 

Todo apoio será muito bem-vindo!

Exercício para o cérebro e inspiração para desenvolver senso crítico

 

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Colocar o relógio de cabeça para baixo, escovar os dentes com a mão invertida e tomar banho de olhos fechados. Pode parecer meio estranho — e é mesmo —, mas são exercícios que cientistas propõem para reduzirmos a incidência de Alzheimer e outras formas de demência.

 

A proposta, apresentada pelo Dr Luis Fernando Correia, no quadro Saúde em Foco, dessa quarta-feira, no Jornal da CBN, é desenvolvermos atividades do cotidiano de forma diversa das que estamos acostumados e, por consequência, estimularmos regiões e circuitos cerebrais diferentes do cérebro. Ou seja, conseguiremos manter as conexões entre essas áreas de neurônios —- que não costumam ser exercitadas — funcionando a pleno vapor.

 

 

Veja outras mudanças sugeridas:

 

— Modifique sua rotina matinal; comece por trocar a ordem das atividades que realiza assim que acorda, como tomar banho, vestir a roupa, tomar café e arrumar a bolsa ou mala de trabalho.

 

— Quando reunir a família para uma refeição, troque as posições na mesa; isso mudará seu ponto de vista daquele ambiente.

 

— Procure ler em voz alta ou mesmo escutar alguém lendo para você, isso faz com que circuitos cerebrais diferentes sejam ativados.

 

Correia conseguiu com essas sugestões ao menos estimular os ouvintes do Jornal da CBN, que compartilharam algumas mudanças que já fizeram nos seus hábitos. Tem quem trocou o mouse de lado; tem quem passou a tocar instrumentos musicais com a mão invertida; tem quem goste de caminhar ou correr de costas; tem de tudo um pouco.

 

Diante da intolerância que registramos em comentários e discussões políticas, penso que poderíamos ampliar esse exercício para o campo do pensamento.

 

Por exemplo, antes de elogiar a fala ou a atitude de algum politico que você admira, imagine o que você pensaria se aquilo fosse feito por um adversário político. Da mesma maneira, antes de criticar o comportamento de um adversário político, imagine como você reagiria se fosse do político que você admira.

 

Se feito com honestidade, esse exercício aumentaria nosso senso crítico e tolerância com os que pensam e agem diferentes de nós. Vamos tentar?