O microfone merece respeito

 

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O diabo sabe mais por velho do que por diabo —- o ditado que ouvi muitas vezes de meu pai, uso sem parcimônia, especialmente nesses tempos em que os colegas de redação já têm idade para serem meus filhos e a turma, às vezes, fica a espera de uma palavra mais madura e experiente —- o que não significa que seja apropriada. Mesmo que eu me entenda ainda como um jovem, disposto a novidades e desafios, sei da responsabilidade que é conviver com duas ou três gerações que vieram depois de mim.

 

O passar dos anos nos ensina nem que seja pela dor. Cometemos erros, tomamos puxão de orelha e passamos constrangimento; mas tudo isso pode ser pedagógico, se soubermos observar as situações enfrentadas e nos esforçarmos para mudar de comportamento.

 

Lembro de duas situações constrangedoras que vivenciei na apresentação de programas de rádio que me serviram de lição, as duas quando estive à frente do CBN São Paulo.

 

A primeira foi em 2007, durante entrevista com autoridade municipal que insistia em negar os fatos e os números que revelavam a precariedade do serviço prestado pela cidade. Fiquei incomodado com as respostas e fui agressivo nas perguntas. Perdi o controle da entrevista, bati boca com o entrevistado e fui punido pela crítica implacável da maior parte dos ouvintes.

 

Anos depois, estava diante de candidato ao governo de São Paulo, representante de um partido sem noção nem argumentos. Fiz perguntas que entendi pertinentes, que buscavam esclarecer as críticas que o político fazia a seus adversários e escancarar a sua falta de lógica e conhecimento. Mesmo que insistindo em algumas questões, jamais levantei a voz ou me excedi. Minha postura tirou o candidato do sério. Sentido-se acuado, reagiu como um animal: partiu para o ataque; levantou-se da cadeira; apontou o dedo em minha direção; ofendeu-me e, acredito até hoje, não foi às vias de fato porque me mantive impassível, sereno e sentado. A maior parte das mensagens que chegou a rádio foi de solidariedade e apoio a minha postura.

 

Na marra. Fazendo. Errando. Corrigindo. Pedindo desculpas. Eu aprendi. E das muitas coisas que aprendi uma delas é que na posição de jornalista —- especialmente diante de um microfone, em que nossa voz, opinião e comportamento são transmitidos em tempo real —- temos responsabilidade dobrada.

 

É preciso respeito ao entrevistado, sem ser subserviente; é preciso ser firme na busca da verdade, sem ser violento; temos obrigação de questionar, duvidar e cobrar; e quanto mais argumentos, dados e fatos tivermos em mãos, para contrapor, melhor. Gritar e ofender, jamais —- mesmo que seu entrevistado haja desta maneira. Se errar, peça desculpas. Seja humilde. Humildade não é vergonha, é virtude.

 

Entrevista não é boxe. É xadrez. Pede inteligência, sensibilidade e perspicácia. Jamais força e estupidez. Não tem lugar para a arrogância. É preciso senso de justiça, também. Deixar a entrevista encerrar para proferir uma crítica ao entrevistado é desonesto. Ele tem de ter o direito ao contraditório. Toda vez que criticar algo ou alguém, meça o peso de sua palavra e seja sincero, bem sincero, consigo mesmo: você teria coragem de fazer aquela crítica se estivesse diante da pessoa? Se não, não a faça longe dela. É covardia.

 

O microfone merece respeito. Porque é através dele que nos relacionamos com o cidadão — seja um entrevistado seja um colega seja um ouvinte. Respeitar o microfone é respeitar seu público e sua profissão.

 

Tem gente que nem por velho nem por diabo aprende a lição.

Sempre fiz questão de mostrar que usava o celular

 

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A convite da jornalista Rosana Hermann escrevi texto que foi publicado, com a devida edição, no livro “Celular, doce lar” (Editora Sextante). O livro está a seu alcance a alguns cliques no próprio celular. O meu texto, reproduzo a seguir:

 

Sempre fiz questão de mostrar que usava o celular. Jamais o contrário. Uma relação que começou com um Gradiente operado pela BCP, em 1998. Por curioso que seja, na época já antecipava o que viria ocorrer tantos anos depois: o celular era meu único telefone. Não havia linha fixa no apartamento que tomei emprestado por alguns meses até a casa nova ficar pronta.

 

A evolução dos celulares foi veloz e na velocidade com que se desenvolvia, eu tentava acompanhá-los. E se eu corria atrás deles já era um sinal de que minha estratégia de relacionamento era marcada por conflitos de interesse. Eu querendo usá-los e eles tentando provar o contrário.

 

Apesar disso, a coisa ainda ia bem enquanto sua única serventia era conversar com outras pessoas. O problema começou mesmo quando outras possibilidades surgiram, especialmente a de se divertir com jogos eletrônicos. O olhar para a tela foi se intensificando e meu propósito de convivência com os celulares foi ficando distante. Cada vez mais distante.

 

Olhava uma vez, olhava duas, três, quatro, dez … com o carro em movimento era uma tentação; no congestionamento, a salvação. Não saia de casa sem ele e dentro de casa o levava no bolso de uma sala para outra.

 

A perdição foi quando descobri o Candy Crush. Apaixonei-me pelos docinhos e brigadeiros que explodiam conforme a combinação de cores. E a cada etapa encerrada um nova tentação surgia. Gula!

 

O susto foi descobrir que seria possível passar as fases mais rapidamente, bastava comprar alguns ítens. Registre seu cartão de crédito e a próxima meta estará logo ali! Simples assim!

 

Foi quando, então, duas forças internas se encontraram: o desejo de jogar e vencer sempre e o terror de gastar dinheiro à toa. Aquele foi um momento decisivo. Um divisor de águas na minha relação com o celular. Ou eu ou ele? Quem manda em quem? Vai encarar!?

 

Não pense que meu desejo de jogar arrefeceu. Joguei Candy Crush em lugares e momentos inusitados. Durante palestra, a espera do sinal abrir, apresentando o programa de rádio, no banheiro – aí também é um clássico, né -, na academia, na sala de aula, na reunião de trabalho … incrível, até assistindo aos jogos do Grêmio me deparei dedilhando os doces e tentando superar as etapas mais difíceis.

 

Joguei e jogo muito Candy Crush até hoje – parei de fazê-lo em algumas situações de perigo, é verdade. Mas posso dizer orgulhosamente que jamais, em momento algum, gastei um só tostão neste joguinho e já passei da fase 1960.

 

Eu venci! Ou melhor quem venceu foi minha “pão-durice”. Insuperável! Se me nego a jogar moedinha na Fontana di Trevi, imagine despejar dinheiro em um joguinho eletrônico.

Modos e modas para o varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Modos e modas” é o blog da jornalista Deise Sabbag, um dos ícones da mídia de moda nos anos 1980. Escreveu o primeiro livro de moda — A Moda dos anos 80 –, idealizou e criou o Todamoda — o pioneiro caderno exclusivo de moda no Shopping News, jornal de grande circulação aos domingos em SP –, editou o Todamoda Profissional, de circulação nacional, dirigido aos profissionais da área, e lançou edições diárias nos eventos de moda. Deise me procurou para uma entrevista a ser publicada no Modos e Modas na próxima semana. Atendi prazerosamente. E o resultado publico abaixo:

 

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Análise da situação atual do varejo

 

DS Internet ajuda ou prejudica?

 

CM — A internet é necessária, e hoje esta condição é facilmente demonstrável pelas marcas de varejo de sucesso que estão no mercado. Ou começaram com loja física e adotaram também a internet. Ou iniciaram na internet e posteriormente foram para o mundo físico. O OMNICHANEL que é a denominação do sistema que envolve todos os canais possíveis de aglutinação para uma marca de varejo, é condição obrigatória para atender as demandas dos consumidores atuais. Nos mercados contemporâneos de países desenvolvidos como o norte-americano e o asiático, não há mais a preocupação em identificar de onde vem o consumidor, pois o foco está em atendê-lo na forma e na condição em que ele o desejar. É oportuno registrar que esta nova exigência ao lojista facilitou muito ao consumidor e dificultou extraordinariamente a operação e o entendimento para o varejo físico, pois a internet ilude quanto a custos e expertise, afinal os custos são iguais e a expertise é diferente.

 

DS Desemprego – falta recursos e vontade para comprar?

 

CM — Recursos e vontade para comprar são efeitos e não causas. Afinal a lição de casa não está sendo feita. Ou seja, há erros primários gritantes nas operações, que se corrigidos poderiam gerar recursos e há também falta de percepção do comportamento atual dos consumidores, que, se identificados, motivariam a compra. Por exemplo, o atendimento ainda é um aspecto essencial no contexto do varejo e que carece em muitas lojas físicas. Outro exemplo é a miopia quanto ao propósito que o consumidor atual imprime à compra, elevando o rol de expectativas ao produto e serviço que deseja adquirir. É imprescindível obter medidas como o grau de satisfação dos clientes que a marca atende. Antigamente se difundia que um consumidor bem atendido propagava para uma ou duas pessoas o bom atendimento, mas o mal atendido difundia para 10 pessoas. Hoje, a difusão do mal atendimento vai além de 220 pessoas, graças a mídia social. Outro fator é o alto custo de obtenção de um novo cliente em relação ao custo de manutenção do cliente. Enfim, depois de medir a eficiência e eficácia operacional interna, fica mais fácil saber o quanto o mercado estagnado está refletindo no negócio e então cogitar de novas medidas estratégicas e operacionais.

 

DS Inverno curto e ameno precipitou liquidações de inverno?

 

CM — O inverno para o nosso país tropical é a estação que o setor de moda, por exemplo, precisa tratar com mais cautela. Pode ser o regulador do resultado anual ao contaminar o lucro do verão.Há aqui um grave efeito provocado pela predatória antecipação das coleções, a despeito de infrutíferas tentativas de padronizar o calendário. Hipótese efetivada apenas nos anos 60 através da Promostyl, quando coordenou cores, formas e calendário. Hoje a exigência é para abastecimentos semanais, coleções “cápsulas” eventuais, atentas às previsões climáticas. Por sinal, mais confiáveis a cada ano. O alongamento da venda de inverno decorrente da antecipação do lançamento diminui o resultado e aumenta o preço, por isso as quatro estações do ano precisam ser consideradas, mas não podem ser rigidamente determinantes. Agilidade e atualidade serão a competência a ser buscada.

 

DS Política de preços em desacordo com o poder aquisitivo brasileiro. Caminhos para contornar essa fase?

 

CM — A política de preços está refletindo as falhas estratégicas e operacionais das empresas que estão oferecendo produtos e serviços incompatíveis com o poder aquisitivo do seu público-alvo. É preciso considerar que o sistema foi alterado, concorrentes novos vieram de outros segmentos, concorrentes tradicionais de grande porte se fortaleceram, os custos subiram, os consumidores demandam novas exigências e diferentes desejos. A marca que quiser permanecer precisa se adequar e acompanhar tanta mudança. De forma específica, por exemplo, diferenciar dos grandes players, redesenhar o calendário, abastecer semanalmente, não aprofundar as grades, pesquisar constantemente a satisfação dos clientes, treinar a equipe, renegociar contratos de locação, eliminar lojas que estão abaixo do padrão. E, de forma geral seguir pelo menos alguns princípios de Vicente Falconi, guru de Abílio Diniz e Jorge Paulo Lemon:

 

– Liderar é bater metas
– Sem medição não há gestão
– Problema é a diferença entre a situação atual e a meta
– 3 a 5 metas para cada chefia
– Alta rotatividade é inaceitável
– Desculpas são patéticas

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Palavras do presidente têm efeito mais letal sobre a vida humana do que videogames

 

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Cena de CSGO (gamerview.com.br)

 

Donald Trump adora um videogame. Especialmente se for para transformá-lo em bode expiatório. Sem nunca ter saído do palanque, segue com seu discurso de ódio, ataca minorias e desrespeita o contraditório. Nos atos e nas omissões, incentiva o culto às armas e critica o uso de jogos eletrônicos, como voltou a fazer nesta semana após deparar com mais dois ataques a tiros, que levaram a morte 31 pessoas, no Texas e em Ohio. Para Trump, “os videogames desumanizam as pessoas” e são parte da culpa dos tiroteios em massa.

 

O discurso de Trump está décadas atrasado. Essa discussão já foi superada, ao menos do ponto de vista da ciência. Mas como estamos vivendo uma era de ascensão dos obscurantistas —- o Brasil que o diga —-, a retórica contra os games volta a todo instante. Foi assim em março deste ano quando ficamos chocados com o assassinato de estudantes em uma escola, em Suzano, Grande São Paulo.

 

Pedro Doria, em Vida Digital, no Jornal da CBN, terça-feira, falou do assunto em seu comentário. Lembrou que a relação entre atos de violência e videogame data dos anos de 1990 com o surgimento de jogos do modelo “first-person shooter” ou “tiro em primeira pessoa” —- em que o jogador controla um personagem pelo cenário, carregando armas e lançadores de projéteis. Dois ícones desse tipo de jogo foram o Wolfenstein 3D, criado em 1992, e o Doom, em 1993 .

 

Para entender porque se começou a refletir sobre o risco desses videogames é preciso lembrar que os anos de 1990 terminaram com a primeira grande tragédia em escola. Foi o massacre que matou 12 alunos e um professor na Columbine High School, em Columbine, no estado americano do Colorado, em abril de 1999.

 

 

O debate na época foi importante como outros tantos são essenciais atualmente, afinal ainda precisamos entender muito da relação humana com os avanços tecnológicos. E a cultura do videogame já se estabelecia especialmente entre os mais jovens, no fim do século passado. No entanto, desde lá, inúmeros estudos já derrubaram a tese que se mantém na cabeça ultrapassada de gente como Trump —- e como tem gente que pensa como ele!

 

Em seu comentário, Pedro Doria lembra de dois estudos que mostram, primeiro, que jovens envolvidos em tiroteios em massa costumam estar 20% menos envolvidos com videogames do que a média das pessoas da mesma faixa etária. Ou seja, seus filhos ou suas filhas devem jogar muito mais videogame do que esses assassinos —- nem por isso são agressivos ou revelam desejo de matar o próximo.

 

Em outra pesquisa, identificou-se que os níveis de emoção, adrenalina e agressividade aumentam enquanto a pessoa está jogando —- aspectos que não permanecem por muito tempo após o jogo ser desligado. De outro lado, identificou-se que o foco total na cena durante o jogo reduz as capacidades de planejamento e organização necessárias para a realização de ataques em massa. Ou seja, nem a turma sai da frente do game disposta a matar o primeiro que aparecer nem com disposição para preparar um ataque mais tarde.

 

Pesquisadores da Alemanha, foram além e, em 2017, publicaram a primeira investigação dos efeitos de longo prazo da violência nos videogames sobre a agressividade. Os pesquisados jogaram o GTA, que está na categoria dos violentos, o The Sims 3, considerado não-violento, ou simplesmente não jogaram nada, durante dois meses —- e quem jogou, jogou por muito tempo seguido. As evidências são amplamente contrárias a tese de Donald Trump.

“Em conjunto, os resultados do presente estudo mostram que uma extensa intervenção no jogo ao longo de 2 meses não revelou quaisquer alterações específicas na agressão, empatia, competências interpessoais, impulsividade, depressão, ansiedade ou funções de controle executivo; nem em comparação com um grupo de controle ativo que jogou um videogame não violento nem com um grupo de controle passivo”

Se quiser conferir, o estudo está publicado na revista Nature

 

Trump ajudaria muito o debate contra a violência se começasse a medir o peso de suas palavras, que têm efeito mais letal sobre a vida humana do que videogames.

 

Em maio, após demonizar imigrantes ilegais e chamá-los de “bandidos” e “animais”, perguntou à plateia que o assistia em comício, na Flórida: “Como você para essas pessoas? Você não pode”. Alguém na multidão, gritou: “Atire neles”.  Trump  sorriu enquanto o público aplaudia esse absurdo. Por isso não surpreende que manifestos racistas publicados na internet, como o feito por Patrick Crusius, um dos responsáveis pelo massacre de El Paso, usem retórica semelhante a do presidente.

 

 

Mundo Corporativo: Alê Prates ensina como preparar equipes engajadas

 

 

“Se a gente pudesse definir engajamento em uma palavra, eu definiria como liberdade, faço porque quero, não preciso de uma força externa para fazer algo, faço porque estou livre e por ser livre eu coloco o meu melhor em jogo” – Alexandre Prates, educador executivo.

Um dos desafios dos líderes nas empresas é construir equipes com profissionais engajados em seus projetos e tarefas. De acordo com o consultor Alê Prates, existem três aspectos que sustentam esse engajamento: a participação efetiva, a frequência e o método. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, ele explica como esses aspectos se revelam no dia a dia dos escritórios:

“É um engano dizer ‘eu fiz o melhor possível’, a gente precisa fazer o que precisa ser feito, ou seja, ter um método, saber qual é o começo, o meio e o fim do que eu preciso fazer”.

Alê Prates ensina que o engajamento só existe quando a iniciativa parte do próprio profissional, do contrário o que temos são equipes comprometidas, que só fazem algo porque existe uma força externa a impulsioná-las —- e isso faz uma tremenda diferença no resultado final.
 

 

Autor do livro “Não negocie com a preguiça — a prática do engajamento para o pleno desempenho” (Editora Best Seller), Prates reconhece que muitas vezes deixamos que a preguiça vença, pois é muito mais sedutora e está sempre pronta a nos oferecer algo prazeiroso:

“Todas as vezes que você pode fazer, você sabe fazer mas você não faz — isso é a preguiça”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) ou pelo Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

“Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação”

 

“Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particulamente no Brasil, está em muito mau estado”

Manuel Castells, sociólogo, teórico da comunicação e autor de “A Sociedade em Rede”, em entrevista à jornalista Paula Ferreira, em O Globo.

Sua Marca: a responsabilidade social das marcas ao criar tendências de comportamento

 

 

São as marcas que impõem comportamentos à sociedade ou o comportamento surge na sociedade e influencia as marcas? Para Cecília Russo e Jaime Troiano, comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, existe um efeito de retroalimentação quase que reproduzindo o dilema que ficou famoso na publicidade: Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

 

Apesar disso, também é inegável que, por exemplo, os padrões estéticos com os quais as marcas trabalham costumam surgir nas classes mais altas da sociedade e são impostos as demais camadas da pirâmide social — um movimento que se identifica quando se estuda a influência que as marcas têm no comportamento das pessoas, diz Jaime Troiano.

 

Diante dessa realidade, alerta Cecília Russo, as marcas precisam desenvolver uma responsabilidade social respeitando as características e desejos dos diversos públicos, sem perder o seu caráter aspiracional. No passado, tinha-se o sabonete Lux que usava como bordão “o sabonete das estrelas”, com a intenção de tornar acessível a todas as mulheres a sensação de beleza e luxo das artistas de televisão e cinema.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a apresentação de Mílton Jung.

Filas no caixa prejudicam experiência do consumidor e fragilizam propósito da loja

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Nas lojas da Apple não existem caixas e o próprio vendedor faz a cobrança

 

Experiência de Compra e Propósito são efetivamente as demandas principais do varejo pós-NRF — somadas ao arsenal tecnológico que se intensifica. Foi o que, entre outras coisas, a Cecilia Andreucci lembrou no programa Mundo Corporativo, da CBN, há uma semana.

 

Entretanto, diante de tanto avanço, é injustificável que o varejo físico atual dependente crescentemente das datas comemorativas; e,  disputando o mercado cada vez mais com os players virtuais, ainda deixe o seu cliente em grandes filas de caixa. Situação que inviabiliza tanto a Experiência de Compra quanto o Propósito da empresa.

 

Supondo na realidade física que a Experiência de Compra tenha sido boa para o consumidor até o atendimento do vendedor. A seguir ele espera na fila do caixa e depois estará diante de uma outra pessoa, que não é de vendas e não tem nada a ver com o processo da Experiência de Compras.

 

Supondo ainda que a caixa tenha sido gentil com ele, olhando-o ao receber o pagamento e agradecendo a compra, e até sorrindo. Ainda assim ficará claro que o sistema foi interrompido. De propósito e sem Propósito.

 

A Teoria das Filas —  sim, existe uma teoria matemática no ramo da Pesquisa Operacional — demonstra que as filas surgem pelo desequilíbrio entre o número de vendedores, de caixas e do fluxo de clientes.

 

A prática das filas ensina que para resolver esse desequilíbrio nas lojas em que há vendedores, eles devem exercer a função de caixa, também. Nas lojas onde não há vendedores é preciso colocar os caixas-vendedores em quantidade suficiente.

 

As lojas que começaram a perceber essa necessidade e identificaram a facilidade – afinal hoje os sistemas de pagamento são automatizados – de atribuir ao vendedor a função de caixa, estarão possibilitando o processo da Experiência de Compra. De propósito, para também possibilitar que o Propósito do cliente bem atendido possa ser real.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

A Moda e o desapego da nova geração

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

Acredito que as chuvas que se apresentam em todo o país em tons mais fortes do que os habituais possam abrir um espaço maior para a questão da sustentabilidade.

 

Nesse aspecto o setor de Moda, conceitualmente e operacionalmente dentro das tendências comportamentais e mercadológicas, vem sinalizando novidades. Parece que voltamos ao passado, com um toque promissor.

 

A reutilização das roupas é uma prática antiga. Antes do consumismo, surgido na segunda metade do século passado, premidos pela escassez, o reuso e o reparo das roupas eram comuns. As roupas usadas eram até mesmo penhoradas ou serviam como moeda de troca. Na obra “O casaco de Marx: roupas, memória, dor”, Marx penhorava seu casaco e o retirava no inverno — ou quando tinha que ir à Biblioteca do Museu Britânico.

 

No século XVIII, surgiram as primeiras lojas do mercado de roupas usadas, que se estenderam à periferia das cidades no século XIX, quando até 1860, aproximadamente, ocorreram resistências ao usado, em virtude da falta de higiene. Fazendo com que se distinguisse o novo do usado, embora essa divisão não impedisse a expansão desse mercado, que só veio a perder com o surgimento da industrialização.

 

Hoje, esse mercado aluga roupas de festas e roupas de luxo.

 

De acordo com pesquisa acadêmica em Juiz de Fora* com lojas de locação de roupas de festa:

 

A motivação para o aluguel de roupas envolve a questão do preço, da exclusividade, da moda e da deterioração dos artigos novos com o tempo e que, apesar de ainda haver restrições ao aluguel, relacionadas à questão da falta de higiene e da energia negativa, trata-se de um tipo de comércio em expansão.

 

A pesquisa cita a contribuição da RIO 92 para a reutilização das roupas, quando lançou a política dos 3Rs, Reciclagem, Reutilização e Redução. Entretanto, a Moda, como a maioria, não reagiu a contento. Porém, depois de massificada, segmentada, restrita a nichos, customizada e, provavelmente, massivamente customizada, encontrará uma nova geração que tem muito a dizer e mudar — como opção de vida e como estilo de viver. Usufruir o presente e respeitar o futuro, ao preservar os recursos.  Estudos já demonstram que esses jovens preferem o Uber a ter um carro, alugar Bike a possuir uma, comprar cartões de jogos virtuais a ter os jogos. E optam por “ficar” a “namorar”.

 

A McKinsey, de acordo com artigo do Mercado & Consumo, de Luiz Alberto Marinho, prevê que o negócio de venda e aluguel de vestuário usado, baseado no Fenômeno da Posse Transitória, poderá ultrapassar o Fast Fashion.

 

É provável.

 

A Rent the Runway, de aluguel de roupas on-line, inaugurada em 2009, possui mais de 9 milhões de associados e fatura US$ 100 milhões anuais.

 

A esse cenário podemos acrescentar o sistema de prestações para adquirir o uso de roupas novas, sem a posse. Ou trocar roupas usadas por usadas, ou por novas — como a BROWNS está se preparando.

 

É bom lembrar que as mídias sociais expõem os jovens com mais frequência e aceleram o obsoletismo das roupas.

 

Para quem é da Moda que tal pegar o desapego da nova geração?

 

Boa sorte!

 

A Prática do Aluguel de Roupas – Ciro Vale IFSMG, Tania Maciel UFRJ, Claudio Cavas UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Depois da NRF 2019, saiba quais são os temas que vão transformar o varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Loja automatizada do reabastecimento à finalização da compra é apresentada na NRF 2019

 

Eugenio Foganholo, da MIXXER Desenvolvimento Empresarial, no seu 23º ano seguido de NRF, atendendo nossa solicitação, apresentou os pontos mais presentes e significativos do National Retail Federation Big Show 2019, maior evento mundial de varejo, realizado em Nova York:

 

– Omnichannel com destaque para o click&collect, compra on line e retirada na loja física;
– Big data e Inteligência artificial para identificar clientes e seu estilo& desejos.

Ao mesmo tempo, Foganholo identificou a irrelevância dos temas inerentes ao Governo. Nenhuma abordagem nele, o que o leva a concluir que não se perde tempo em temas nos quais não se possa influenciar.

 

Marcos Gouvêa de Souza da MS&Malls na sua 35ª NRF destacou:

 

– Os Estados Unido começam a perceber a disrupção que vem da China;
– A tecnologia para servir e diferenciar e até para controlar e processar;
– O PDV Ponto de Venda dá lugar ao PDX Ponto de Tudo;
– Inovação, Velocidade e Gente, sempre;
– Além da transformação do Varejo. Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Reconhecimento Facial e Íris, Inteligência Artificial e a Voz reconfigurarão o Mercado;
– A visão macro do mercado. De exuberante à preocupante, na dose certa;
– A voz é o próximo movimento a falar mais alto;
– Causa e Propósito continuadamente redefinidos e valorizados.

 

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“Quando você coloca mulheres em qualquer equação, há um retorno sobre a igualdade”

 

 

Dentre a grande quantidade de notícias disponíveis na mídia sobre a NRF deste ano, destacamos também alguns pontos.

 

Pela primeira vez se abriu um espaço exclusivo para as mulheres, The Girl’s Lounge — sede de discussões sobre tópicos na intersecção de varejo, gênero e tecnologia.

 

A Forrester Research através de Sucharita Kodali apresentou o “Estado de Inovação do Varejo 2019” e expôs as áreas que deverão receber os maiores investimentos:

 

– Personalização da compra e a privacidade dos dados;
– Celular é ferramenta para aprimorar a experiência de compra;
– Não ignore a inovação omnichannel;

 

Jeremy King da Walmart, expôs os avanços daquela que é a terceira empresa do mundo em investimento na área de tecnologia e a primeira do varejo dentre as dez primeiras:

 

“O cliente pode receber em casa tudo o que compra no Walmart, retirar em qualquer loja as compras feitas online e, em um futuro próximo, será possível ter uma geladeira que avisa à rede quando um produto acabou e, com a sua autorização, um funcionário entra na casa e coloca o item na geladeira”.

 

O futuro chegará com releitura do passado.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung