500 anos para reconhecer a CACHAÇA como fonte de divisas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Analisando os estudos e propostas apresentados no Simpósio SENAC de Bebidas, realizado em São Paulo, no dia 28 de outubro, podemos a priori afirmar que as cervejas artesanais, os vinhos de altitude e as cachaças têm em comum falhas no varejo e falta de divulgação adequada.

 

A última etapa do processo exige habilitação no ponto de venda para que as cervejas, os vinhos e as cachaças possam ser apresentados ao consumidor com as características e benefícios que possuem. Fato, que como se sabe, não é peculiaridade das bebidas, pois o varejo como um todo peca por colocar no front com o cliente as pessoas menos gabaritadas das etapas de produção e comercialização dos produtos.

 

Ao mesmo tempo a comunicação precisa ser ampliada e melhorada, aproveitando da regionalidade das cervejas artesanais e dos vinhos de altitude, a exemplo do que faz o produtor de queijos da Serra da Canastra. A cachaça, por sua vez com 800 milhões de litros produzidos por ano, cuja capacidade instalada é de 1,2 bilhão de litros, exporta apenas 8 milhões de litros.

 

Entretanto, a boa notícia é que estas fraquezas estão sendo enfrentadas pela ABRACERVA, VINHO DE ALTITUDE e IBRAC, entidades com o propósito de valorizar respectivamente a cerveja artesanal, o vinho de altitude e a cachaça, conforme expuseram Carlo Lapoli, Eduardo Basetti e Carlos Lima.

 

Uma rápida análise SWOT destacará a cachaça como um PRODUTO BRASIL, genuíno e ímpar, cuja FORÇA e OPORTUNIDADE são evidentes. Para tanto, Carlos Lima, presidente do IBRAC Instituto Brasileiro da Cachaça, atesta que o México exportou 1 bilhão de dólares de tequila enquanto exportamos 15 milhões de dólares de cachaça.  O sucesso mexicano é em grande parte devido a estrutura do setor, formatado pelo Conselho Regulador da Tequila, que é a referência para o IBRAC desenvolver a cachaça.

 

Fundado em 2006 e representando 80% da produção brasileira de todos os tamanhos de empresa,  nos últimos cinco anos o IBRAC obteve valiosos reconhecimentos do produto brasileiro, informa Lima. Assinou o Acordo de Cooperação Mútua com a SWA SCOTCH WHISKY ASSOCIATION, entidade representativa do setor produtivo do Scotch Whisky. Ficou estabelecida a cooperação para a divulgação e controle da prática de operações comerciais saudáveis, promoção do consumo responsável e promoção e proteção das indicações geográficas da CACHAÇA e do SCOTCH WHISKY. Com os Estados Unidos houve o reconhecimento da cachaça como produto distinto do Brasil, assim como da Colômbia, do México e do Chile no mútuo com a Tequila e o Pisco, respectivamente. O Acordo com o MERCOSUL a ser estendido pelo mercado europeu será outro marco significativo para o desenvolvimento da cachaça.

 

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No mercado interno, a inclusão do setor no Simples Nacional abriu um mercado extremamente diversificado permitindo que o comércio varejista, que hoje já conta com 1.400 produtores e 5 mil marcas, tenha ilimitada variedade de produtos de forma legal e que o setor produtivo das micro e pequenas se multiplique.

 

O conceito de “terroir”, que significa o conjunto de características que certa localização geográfica confere a um determinado produto, notadamente vinho e café –- de acordo com Jairo Martins da Silva em sua obra intitulada CACHAÇA –, não se aplica no caso da cachaça porque a versatilidade do produto vem das várias formas de processamento. Porém, a identificação da região poderá vir através da tradição de determinados processos locais, como é o caso de PARATY e SALINAS.

 

Ainda segundo Silva, é possível produzir cachaça de qualidade em qualquer região do Brasil, salvo os biomas protegidos da Amazônia e Pantanal que não devem ter tradição açucareira.

 

Se a cachaça excede como base na produção, faz o mesmo na degustação. Considerando a diversidade regional de produção aliada ao não envelhecimento, e ao envelhecimento em 30 diferentes madeiras, ela pode ser base para drinques. A começar pela CAIPIRINHA, há cem anos elaborada, provada e aprovada por todos que apreciam destilados. Além das frutas que compõem harmoniosas combinações, alguns bartenders estão recriando drinques clássicos com a cachaça como o Mojito, Dry Martini e a Margarita.

 

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A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais vendida no Brasil e corresponde a 72% do mercado de destilados, evidenciando que há consumo mas falta status. O IBRAC tem se movimentado neste sentido através de ações na área da formação da mão de obra qualificada, no que o SENAC desempenha importante papel. Há cursos básicos de cachaça, e específicos de sommelier de cachaça.

 

É hora de mostrar a garrafa ao invés de levar ao cliente o cálice servido.

 

A cachaça é o terceiro destilado consumido no mundo, mas a sua participação na exportação de produtos originados da cana de açúcar, que foi de 1,5 bilhão de dólares é inferior a 1%.

 

Grosso modo, podemos intuir que no mercado interno a cachaça tem consumo e não tem status; e no externo tem status e não tem consumo. Será?

 

Esta é uma aposta que o IBRAC está atuando para reverter o status no Brasil e a exportação no Exterior.

 

Veja aqui um exemplo do trabalho do IBRAC para vender lá fora a imagem da cachaça brasileira.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: para uma comunicação eficiente, respeite seu público e entenda o poder da palavra

 

 

“A palavra tem o poder de construir e destruir. Se existe uma frase que nos marca muito na história da humanidade é “pense antes de proferir”. Este pensamento precisa ser realmente estratégico com o coração que nós queremos atingir.” Diogo Arrais, professor

A comunicação pode ser transformadora na sua carreira e, portanto, precisa ser mais bem exercitada no cotidiano. O uso correto da palavra, que vai muito além do respeito às regras gramaticais —- apesar desse domínio também ser importante ——, aproxima pessoas, cria relacionamentos e gera negócios. No programa Mundo Corporativo da CBN, o jornalista Mílton Jung entrevistou o professor de língua portuguesa Diogo Arrais, fundador do Arrais Língua Portuguesa, que se dedica ao tema há mais de uma década:

“Do que adianta todo o domínio da norma gramatical se, ora, eu não tenho o respeito nem o conhecimento do meu público-alvo. De fato será um grande fracasso”

Conhecer o público-alvo é um dos caminhos propostos por Arrais para que se tenha uma comunicação eficiente. Ele vai além. Sugere que você respeite seu interlocutor, planeje o conteúdo, desenvolva a criatividade, tenha muito carinho e dedicação à língua portuguesa:

“Pense sempre que a sua plateia e o seu ouvinte não são pessoas tão especialistas e que não querem tanto a sua presença ali. O encantamento parte do pressuposto de que aquelas pessoas vão ter realmente um susto muito positivo com a sua educação, com a sua elegância, com o domínio sobre o palco e principalmente o domínio sobre a palavra.”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, ao vivo, no Twitter @CBNoficial e na página do Facebook da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; no domingo, às 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast.

A responsabilidade de ter na mesa um troféu com o nome da Ir. Dorothy Stang

 

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“Quando enterramos o corpo da Irmã Dorothy,
em fevereiro de 2005, repetimos
muitas vezes que ‘não estamos
enterrando Irmã Dorothy,
mas sim, estamos plantando’.
Ela é uma semente que vai dar muitos frutos.
Queremos celebrar estes frutos
e as novas sementes que
estes frutos estão lançando”
Dom Erwim Krautles, Bispo Emérito do Xingu (PA)

 

Sexta-feira passada, em Goiânia, fui um dos homenageados no Prêmio de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com a Menção Honrosa Ir. Dorothy Stang. De acordo com o informe da comissão de comunicação da CNBB, a escolha levou em consideração o trabalho que realizo no rádio:

 

“Sua competência profissional aliada a uma sensibilidade cidadã tem um impacto positivo na audiência e colaborado com a formação de valores humanos, critério definido pelos bispos para a escolha de comunicadores”.

 

Dedico-me ao jornalismo há 35 anos e ter o nome selecionado para esse prêmio me deixa, é claro, lisonjeado, mesmo que nunca consiga enxergar de forma evidente os resultados desse trabalho na transformação da sociedade —- e talvez seja melhor assim, caso contrário corre-se o risco de a soberba se sobrepor a causa.

 

Os outros profissionais que receberam a menção honrosa foram Wagner Moura, ator e diretor de Cinema; Sandra Annenberg, jornalista da TV Globo; Vinicius Sassini, jornalista de O Globo; os digital influencers Iara e Eduardo, “caçadores de bons exemplos” e, em homenagem póstuma, o jornalista Ricardo Boechat.

 

Havia sido informado do prêmio dias antes quando, então, a pedido dos organizadores gravei vídeo para agradecer a escolha do meu nome ao lado de outros colegas da mídia e do cinema —- que foi reproduzido durante a cerimônia.

 

Fiz questão de gravar a saudação no Pateo do Collegio, onde surgiu a cidade de São Paulo, no século 16. Foi lá que os jesuítas iniciaram o povoado que se transformaria nesta megalópole. Sempre considerei simbólico que, ao contrário da maior parte das cidades, São Paulo surgiu no entorno de uma escola e não de uma fortaleza.

 

Escolher como cenário o local da primeira escola de São Paulo foi a forma de expressar minha gratidão por ter em mãos um troféu com o nome da Irmã Dorothy que encontrou na defesa dos homens e das mulheres mais simples deste país a maneira de revelar sua missão cristã. Deu a vida por essa causa.

 

Na sua caminhada, Irmã Dorothy foi uma das fundadoras da primeira escola de formação de professores na Transamazônica, a Brasil Grande —- nome que por si só demonstrava o quanto ela e seus companheiros acreditavam que através da educação poderíamos nos desenvolver como nação.

 

Assim, fui ao Pateo do Collegio para lembrar que todos que trabalhamos com comunicação social não podemos jamais perder a noção de que temos também uma missão educadora quando buscamos a verdade, apuramos os fatos, ouvimos o contraditório e questionamos a autoridade estabelecida.

 

Além de agradecer pela gentileza da CNBB, fiz questão de, em vídeo, registrar minha crença que pela educação e com trabalho podemos ajudar a construir um Brasil mais justo, mais ético e mais generoso. Um Brasil grande, como sonhou Irmã Dorothy Stang.

“Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação”

 

“Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particulamente no Brasil, está em muito mau estado”

Manuel Castells, sociólogo, teórico da comunicação e autor de “A Sociedade em Rede”, em entrevista à jornalista Paula Ferreira, em O Globo.

Mundo Corporativo: sem confiança não tem venda, diz Ciro Bottini

 

 

“Sem confiança não tem nada. Você pode ser muito bom, um conhecedor técnico do produto, maravilhoso, se não transmitir confiança não vende, não fecha negócio. E a confiança a gente transmiti no olhar, nas palavras, no gestual, tem de transmitir confiança” —- Ciro Bottini, apresentador

Confiança nunca faltou ao comunicador Ciro Bottini. Ao menos é a ideia que se tem depois de mais de meia hora conversando com ele sobre a carreira e técnicas de vendas. Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Bottini contou curiosidades vivenciadas ao longo de 24 anos como apresentador do canal de vendas Shoptime. Atualmente, ele também realiza palestras para equipes de vendedores e outros profissionais, mesmo porque entende que todos, em algum momento, temos de saber vender alguma coisa:

“Todo mundo vende; tudo na vida é venda; e todo mundo é vendedor. Somos todos vendedores. Essa é a minha frase, lema: somos todos vendedores. Não é só o vendedor que vende, não. O engenheiro vende, o arquiteto vende, o médico vende, o contador vende. O diretor da empresa vende”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNOficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Debora Gonçalves e Izabela Ares.

Uma proposta para tornar o debate público mais humanizado

 

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Foto: Pixabay

 

“Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Mais vivo do que nunca, o dito popular traduz parte da verdade que assistimos na sociedade brasileira, expressa de forma histérica nas redes sociais —- e não apenas nas redes sociais.

 

Nesta semana, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, em conferência realizada em Salt Lake City, comentou sobre os efeitos perversos que comentários em redes sociais podem provocar nas pessoas — especialmente na forma como essas mídias estão moldando as crianças.

 

Obama diz não ler as reações às falas dele nos meios de comunicação tradicionais ou nas redes sociais, porque entende que foram planejadas para alimentar a ansiedade (“designed to feed possible anxiety”). E ao tratar do tema, fez questão de ressaltar que sua posição não se relaciona apenas a comentários tóxicos: os elogios podem fazer as pessoas pensarem que estão fazendo tudo certo, quando talvez não estejam.

 

Entendo que Obama se refira a arquitetura digital que tende a retroalimentar determinados comportamentos concentrando pessoas de grupos com o mesmo viés em torno de seus perfis — e privilegiando a opinião dos mais expressivos nas redes, não necessariamente da opinião pública.

 

 

TED@BCG - October 3, 2018 at Princess of Wales Theatre, Toronto, Ontario, Canada

 

Ao mesmo tempo, deparo com a fala de Julia Dhar, especialista em debate público, em apresentação no TED Talks, que já tem mais de 2 milhões de visualizações. Ela nos oferece pontos importantes para a reflexão, em tempos de intensa discussão, quando todos gritam e ninguém tem razão — como nos lembra o ditado popular que abre este post.

 

Apresenta em sua fala e se dedica a desenvolver em sua atividade profissional, a ideia de transformar o bate-boca em bate-papo, sem que percamos a noção de que estamos diante de um debate de ideias.

 

Defende argumentos e contra-argumentos. Avanços e recuos. Aceitação e oposição. É uma admiradora das discussões, desde que produtivas —- o que somente será possível se algumas técnicas forem aplicadas e mudanças de comportamento, aceitos.

 

Para não cairmos na armadilha que as discussões acaloradas e, muitas vezes, sem qualquer respeito ao contraditório nos proporcionam —- levando muitas pessoas a preferirem o silêncio —, Julian Dhar convida o cidadão a seguir regras aparentemente simples.

 

Sugere primeiro que se crie uma realidade compartilhada, que significa encontrar pontos em comuns, mesmo que mínimos. É preciso “envolvimento com a ideia oposta, de modo direto e respeitoso”. Isso exige que saibamos ouvir a voz de quem argumenta de forma contrária, de quem não pensa como eu. Segundo a pesquisadora Juliana Schroeder, da Universidade Berkeley, esse exercício humaniza as pessoas: facilita o envolvimento com o que pessoa tem a dizer.

 

Em seguida, Julian Dhar pede que se separe a ideia em discussão da identidade do interlocutor: “atacar a identidade da pessoa que argumenta é irrelevante, porque não foi escolha dela”. Sugere que se lide com a melhor visão da ideia, mais clara e menos pessoal.

 

Finalmente, alerta que nos apegamos às nossas ideias de maneira a acreditar que são realmente nossas e que, por extensão, somos delas. Ou seja, ao aceitarmos que somos proprietários daquela ideia também nos transformamos em propriedade dela e, assim, fica muito mais difícil nos desapegarmos. Para não sermos reféns dessa situação, Julian Dhar sugere que sejamos capazes de desenvolver o que chama de “humildade da incerteza” ou a possibilidade de estarmos errados: “é essa humildade que nos faz tomar decisões melhores”.

 

Em resumo:

  1. Crie uma realidade compartilhada — concorde com algo

  2. Separe as ideias da identidade

  3. Abrace a humildade da incerteza

 

Segundo Julian Dhar, os princípios do debate podem transformar a maneira como falamos uns com os outros; nos levar a parar de falar e começar a ouvir; parar de rejeitar e começar a persuadir; parar de nos fechar e começar a abrir nossa mente.

 

Ela propõe que ao mediarmos debates ou entrevistas façamos a seguinte pergunta: “sobre o que você mudou de ideia e por quê?”.  Antes de levarmos à frente essa proposta, quem sabe não está mais do que na hora de perguntarmos a nós mesmos: “sobre o que eu mudei de ideia e por quê?”.

 

Se jamais mudei, eis aí um problema a ser resolvido.

Paciente com ELA transforma código morse em comunicação inclusiva

 

 

 

“Não existe qualidade de vida sem uma boa comunicação”. Assim que deparei com essa frase, logo percebi que a partir dela encontraria mais uma daquelas experiências geniais proporcionadas pelo ser humano.

 

Expectativa devidamente atendida.

 

A frase foi ponto de partida da iniciativa adotada por Paulo Santarém, de 60 anos, dentista por profissão e diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica — aquela doença do físico Stephen Hawking que causa a “morte”dos neurônios que mandam informações aos músculos

 

Foi há 11 anos que Santarém descobriu que perderia todos os movimentos do corpo, exceto na região dos olhos. Em lugar de apenas esperar o avanço da doença, desafiou a família — a mulher, Maysa, e as duas filhas — a aprender o código morse, conhecimento que ele havia obtido na época em que foi telegrafista — dizem que era dos bons. Adaptou a comunicação que surgiu no ano de 1835 e transformou a sequência de pontos e traços em piscadas de olhos.

 

Piscada fraca significa ponto; piscada forte, traço (veja no vídeo).

 

Fácil não foi. Mas Santarém não parece ser um daqueles caras que se entrega com facilidade. Haja vista a forma como encarou a doença. Mulher e filhas aprenderam a lição e hoje ajudam enfermeiras e cuidadores a também se comunicarem com Paulo. Elas divulgam a solução para outras pessoas que enfrentam essa dificuldade e na maior parte das vezes não têm como adquirir aparelhos caros que captam o movimento ocular e sintetizam a voz.

 

Quem me apresentou essa história foi a Daniela Santarém, uma das filhas do Paulo, que é bióloga e se dedica a explicar a importância deste modelo de comunicação inclusiva para os pacientes que são diagnosticados com ELA. Daniela e Paulo gravaram um vídeo, publicado no You Tube, que nos ajuda a entender como funciona esse método. Foi ela quem me contou, também, que o pai se atualiza sobre as notícias pelo rádio que está no quarto da casa dele, em Tietê (SP): “a CBN é sua rádio favorita”, escreveu.

 

Aproveitando a lição da Daniela e do Paulo, se para ter qualidade de vida é preciso uma boa comunicação, para se comunicar melhor é preciso boa informação, também.

 

Que a gente continue atendendo a expectativa da família Santarém —- e das demais famílias de ouvintes da CBN.

 

Comunicar para liderar foi destaque em Felicidade iLTDA

 

 

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A experiência de ser entrevistado nem sempre me deixa à vontade. Fui treinado para entrevistar pessoas. Quando se está do outro lado, sempre fica a apreensão de que seu desempenho poderia ser melhor. A resposta não foi tão clara quanto gostaria. Talvez tenha desperdiçado a oportunidade de contar algo mais produtivo para as pessoas. Dia desses tive de encarar esse desafio a convite de João Paulo Pacífico, empreendedor, inspirador e apresentador do programa Felicidade iLTDa, na Rádio Globo.

 

Verdade que a tarefa de ser entrevistado foi facilitada pela forma simpática e tranquila com que o Pacífico fez a mediação. Além de o fato de estar sentado à mesa com uma colega super competente e minha grande amiga: a Leny Kyrillos, com quem escrevi o livro “Comunicar para liderar” (Contexto). Ao lado dela, a conversa sempre se torna agradável e produtiva.

 

Falamos de comunicação e liderança, contamos curiosidades de nossas carreiras —- como o motivo que me levou a deixar o esporte pelo jornalismo — e apresentamos dicas para ajudar os profissionais a se relacionarem melhor com seus colegas, parceiros de negócios e clientes.

 

O programa —- como o próprio nome nos induz a pensar — é sobre felicidade no trabalho e se propõe a tratar de assuntos que mostrem como as empresas podem contribuir para um futuro melhor. Foi o que me fez lembrar do poder da palavra na comunicação e o cuidado que devemos ter ao nos dirigirmos às outras pessoas, especialmente quando estamos diante da necessidade de avaliar o seu comportamento ou o seu desempenho profissional:

 

“… uma palavra bem dita, muda e transforma a vida do outro; assim como a palavra mal dita, fere”.

 

Esse poder é ainda maior quando se aprende — como disse Leny Kyrillos — que a comunicação contagia e constrói imagens. A propósito, ao ser provocada a identificar os  pecados na comunicação dos líderes, Leny ressaltou que o mais grave deles é a falta de autenticidade:

 

“(a pessoa) se sente cobrada e pressionada por uma série de coisas e começa a acreditar que ela precisa desempenhar um papel que não é o dela, e muitas vezes perde sua essência”.

 

Espero ter sido autêntico na conversa com a Leny e com o João Paulo Pacífico — mesmo quando fui levado a contar uma piada em um dos quadros propostos pela produção do programa.

 

Ouça  muitas outras dicas e curiosidades no podcast de Felicitade iLTDA.

 

Sua Marca: o que você deve aprender com as marcas mais valiosas do mundo

 

 

 

As características que colocam grandes empresas entre as marcas mais valiosas do mundo estão ao alcance de pequenos e médios empreendedores, também.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo basearam-se nos critérios usados para a formação do ranking “Best Global Brands”, realizado pela consultoria InterBrand, para identificar as lições que todos os gestores de marca podem implantar em seus negócios.

 

Vamos começar por entender os três critérios da Interbrand para chegar ao valor das marcas:

 

1. Performance financeira;
2. O quanto é importante para a tomada de decisão do cliente;
3. Força da marca para criar fidelidade

 

Com isso, as cinco marcas mais valiosas do mundo, em 2018, foram:

 

1. Apple
2. Google
3. Amazon
4. Microsoft
5. Coca Cola

 

E o que aprender com essa empresas? Jaime Troiano e Cecília Russo destacam cinco lições:

 

1. Consistência
2. Inovação
3. Comunicação
4. Produto ou serviço de qualidade
5. Respeito ao cliente

 

Ser consiste e ao mesmo tempo ser inovador pode parecer um contra-senso, mas não são, explica Jaime Troiano:

 

“As marcas devem ter compromissos com as origens e preservar o essencial na busca do novo”

 

Quanto a comunicação, Cecília Russo lembra que marcas fores são as que trazem mensagens contínuas e usam todos os canais disponíveis para isso:

 

“Não dá para ser uma marca calada”

 

É preciso entender, ainda, que marcas fortes não resistem a produtos ou serviços medíocres nem a desrespeito ao cliente seja na entrega, na forma de se relacionar, no pós-venda e, inclusive, na solução a possíveis problemas que surjam.

 

Levados em consideração todos esses aspectos, o pequeno e médio empreendedor vai provocar nos consumidores e clientes o sentimento que move o valor de todas as grandes marcas: a confiança.