Mesmo ameaçadas pela desinformação, muitas empresas não investem na prevenção

Foto de Markus Winkler no Pexels

Falo de muita coisa, especialmente quando sou convidado. Falo particularmente de comunicação, porque foi neste conhecimento que construí carreira —  no início nas redações, e depois nos palcos e livrarias.  Costumam querer saber do jornalismo como anda, e falo dele com carinho e preocupação. Palestro também de pais e filhos ou de ética e cidadania, porque me atrevi a escrever sobre esses temas, mesmo que eu não deva ser referência para ninguém.

Seja qual for o assunto que estou falando, lá no meio do caminho peço licença, abro parênteses e inicio o discurso que virou missão: sobre desinformação. Poucas coisas — e coisas não faltam — têm exigido olhar tão atento de cada cidadão, porque esse fenômeno transformou-se inimigo da verdade, combatente da ciência e um vírus para nossa integridade. 

Muitos de nós achamos que a desinformação —- ou essa coisa que chamam, sob meu inócuo protesto, de fake news —- é problema dos outros. Especialmente se os outros forem políticos. “Eles que são brancos que se entendam”, falamos nós enquanto lavamos às mãos. Quem pensa assim tem parte da razão. É nesse campo que as mentiras se expressam com ataques mútuos que igualam lados opostos. É na política dos palácios e parlamentos que temos um solo fértil para criação de fatos falsos e mensagens produzidas para prejudicar o adversário.

Que fique claro, porém. Nem toda política se baseia na mentira nem toda a mentira é monopólio da política. A desinformação se disseminou como arma de destruição a ser usada em qualquer campo de batalha: no da política, sem dúvida; mas, também, em todo tipo de área em que haja competição. Hoje, mensagens falsas são usadas para prejudicar pessoas, instituições e empresas. Há uma indústria que forja informação conforme o desejo do cliente. Sem dó nem piedade. Matando e destruindo.

E antes de trazer alguns números para termos ideia da dimensão do estrago que a desinformação causa, faço aqui os meus parênteses para explicar a  ojeriza que tenho em chamar esse crime de fake news:

Se é fake não é news, se é falso não é notícia.

Vamos entender que notícia é produto que tem na sua origem a busca da verdade, mesmo que nem sempre sejamos capazes de contá-la com precisão. Na base da desinformação está a mentira, mesmo que para contá-la muitas vezes sejam usadas verdades. Isso faz uma baita diferença no produto final que será entregue às pessoas.

Essa indústria —- a da desinformação —- é altamente produtiva e capaz de causar prejuízos de US$ 78 bilhões, por ano, conforme estudo da Universidade Baltimore nos Estados Unidos 

Pesquisa do Instituto Locomotiva, aqui no Brasil, mostrou que 53% das pessoas receberam pelas redes sociais informações falsas relacionadas a vacinação contra Covid-19. O poder de convencimento é tal que 22,3% dos entrevistados estão certos de que a vacina provoca alterações no DNA. Se projetarmos esse percentual para a população brasileira chegamos ao número de 36,6 milhões de pessoas que acreditam nesta mentira. É uma gente que se nega à proteção. Mais suscetível à contaminação e mais propensa a contaminar. Uma gente que mata e morre porque faz da mentira uma verdade.

Em outro levantamento, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial identificou que 75% das grandes empresas foram ameaçadas por fake news (perdão, tento escapar deste palavrão, mas não consigo) —  por informações falsas criadas para prejudicar a reputação de suas marcas. Na consulta que a Aberje fez com os executivos de comunicação das principais empresas que atuam no Brasil descobriu-se que 67% deles consideram alto o risco da organização enfrentar uma grave crise de imagem por conta desse fenômeno. Apesar de a percepção de que as empresas podem ser alvo desse tipo de ataque, surpreende saber que 71% dos líderes consultados afirmam não ter um plano de contingência específico para enfrentar campanhas de desinformação. E 82% dos altos executivos jamais terem feito uma preparação para esse tipo de crise.

É como estar diante de um tsunami, assistindo ao recuo do mar e decidir ficar sentado na areia assistindo a um espetáculo que vai culminar em tragédia e destruição —- contra você e todos os seus. 

O combate a desinformação não é apenas tarefa de jornalistas — mesmo que o jornalismo sofra na credibilidade seus efeitos. Quem nunca viu aquele ex-presidente de topete laranja acusando o jornalismo investigativo de ser fake news, não é mesmo? O fato é que a sociedade precisa se organizar, criar mecanismos para melhor informar o cidadão. Para educar o cidadão. Serão necessárias ações pedagógicas para que os mais jovens percebam os indícios de fraude nas mensagens que circulam e compartilham; formação de uma consciência que demonstre às pessoas a responsabilidade que temos ao disseminarmos qualquer informação; e a elaboração de instrumentos dentro das empresas para que possam proteger sua reputação —  a começar pela preparação dos próprios líderes.

Digital cast: o desafio de comunicar na era digital

Entrevistar me dá prazer. Ser entrevistado, ansiedade.Tive de cumprir esse papel — o de ansioso — diante do convite do Rodrigo Portes e do Carlos Eduardo Boechat, que apresentam o podcast Digital Cast. No fim, sempre é uma boa oportunidade para testar como está nossa perspicácia para encontrar a resposta certa para as perguntas incisivas.

O foco da série de 15 podcasts é a transformação digital e a indústria 4.0. Como pouco entendo de uma coisa e de outra – a não ser por ouvir falar —, nossa conversa de pouco mais de uma hora navegou mesmo pela comunicação. É disso que vivo. É por isso que sou apaixonado. E se tem uma habilidade que devemos desenvolver para sobrevivermos ao ritmo frenético a que foram expostos nossas pensamento, processos e relações é a comunicação.

Aproveite!

Mundo Corporativo: Fernando Torelly, CEO do HCor, defende que empresas promovam a saúde de seus trabalhadores

“Revogamos o organograma e implantamos o funcionograma —- como as coisas tem de funcionar” 

Fernando Torelly, CEO do HCor

Quase dois anos acompanhando o pai internado quando ainda era adolescente, no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, foram determinantes para a carreira do economista Fernando Torelly. Recém-formado em Ciências Econômicas na PUC do Rio Grande do Sul, teve oportunidade de trabalhar na tradicional siderúrgica Zivi-Hércules, fundada em 1931, e, atualmente, com seus produtos em 90 países. Apesar de a vaga ser bastante atrativa, as visitas frequentes ao hospital influenciaram sua decisão de aceitar outro convite que havia recebido na mesma época, para ser o chefe de treinamento e recrutamento do Hospital das Clínicas. 

Já tendo passado por hospitais de excelência, como o Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e o Sírio Libanês, em São Paulo, Fernando Torelly assumiu a superintendência corporativa do Hospital do Coração —- HCor, às vésperas do início da pandemia, em janeiro de 2020. Um desafio que, segundo ele, se diferenciou de todos os demais que enfrentou ao longo da carreira. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, o executivo conta que a Covid-19 impactou a saúde de uma quantidade enorme de funcionários e profissionais dentro do próprio hospital:

“Sempre pensamos na indústria aeronáutica como a mais segura porque piloto e tripulação estão dentro do avião e eles próprios é que fazem o checklist de todos os controles. A pandemia colocou os profissionais de saúde dentro do seu próprio avião. Os protocolos de controle passaram a ser uma obsessão”.

Além da necessidade de reestruturar o atendimento dos pacientes —- com ou sem Covid-19 —, foram adotadas medidas para proteger os funcionários e seus familiares. Diante do receio de levarem o vírus para casa, os colaboradores puderam ficar em quartos de hotéis alugados pelo HCor. Com o apoio da instituição também trocaram o transporte coletivo pelo individual —- táxis e transporte por aplicativo. Outra preocupação foi com o suporte emocional para que os trabalhadores tivessem condições de exercer suas funções.

O processo de comunicação dentro da instituição teve de ser melhorado ao longo da pandemia, de acordo com Torelly. A prática era de fazer com que a informação seguisse uma hierarquia, sendo passada primeiro para gerentes e supervisores até chegar aos funcionários na frente de trabalho. Em alguns casos, isso levava a demora de até dois dias para que os novos procedimentos fossem adotados. Na pandemia, não se podia perder tempo:

“O processo de comunicação e hierarquia foi completamente modificado no hospital. Nós passamos a fazer duas reuniões com 200 pessoas, ao dia, com todas as lideranças para que pudéssemos atualizar todo o andamento da evolução da Covid … Tivemos de fortalecer a decisão de quem estava na ponta do atendimento do paciente”.

Para o executivo não é mais possível abrir mão desse modelo de comunicação, porque esse é o novo jeito de as organizações trabalharem. E um modelo que não se restringe a administração hospitalar. Tem de estar presente em todas os ambientes. Perguntado sobre que ensinamentos a experiência de liderar uma instituição da dimensão do Hospital do Coração podem ser levados para outras corporações, Torelly diz não ter dúvidas:

“A revolução dos processos de comunicação não hierárquicos, onde você conversa com todos os níveis, online e realtime. E a preocupação de transformar o ambiente de trabalho em um ambiente mais acolhedor e estimulador para o profissional fazer o seu melhor trabalho”. 

A comunicação entre hospital, profissionais de saúde e pacientes é outro aspecto que o executivo chama atenção. Para ele, ainda é preciso evoluir muito nesse sentido e usar da tecnologia disponível para que as informações circulem de forma mais rápida e transparente. Torelly lembra que o paciente muitas vezes está ansioso porque ele quer saber o que está acontecendo e como o tratamento está evoluindo. Uma forma de resolver essa questão é permitir que, através de plataformas digitais que os hospitais já mantém, os pacientes tenham acesso a todos os procedimentos realizados.

Das estratégias corporativas no hospital para aquelas que precisam ser adotadas por todas as demais empresas, Fernando Torelly destaca a importância de as organizações cuidarem muito mais da saúde dos seus colaboradores. Lembra que a doença que mais cresce no mundo é o burnout — “a depressão relacionada ao trabalho”: 

“Eu sou um ativista da transformação dos ambientes organizacionais em locais que trabalhem para gerar saúde aos seus funcionários e não o adoecimento físico e psíquico … Nós vamos nos envergonhar daqui uns 5 ou 10 anos da maneira como cuidamos da saúde dos nossos profissionais.”

Em lugar de entregar um cartão de plano de saúde para o funcionário e fazê-lo buscar atendimento em diversos lugares, as empresas têm de incentivar o cuidado com a atenção primária, com a identificação de médicos de referência e trabalhar a prevenção e a promoção da saúde. 

Assista à entrevista completa com Fernando Torelly, superintende executivo e CEO do Hospital do Coração, em São Paulo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nos canais da rádio, no YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. E está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Eu estou aqui, diga-me como você sente!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagine a seguinte situação: Você telefona para um conhecido e, ao atender, ele diz que não consegue te escutar. Você insiste em perguntar: “tá me ouvindo agora?“. Ele diz: ´´Alô? Alô? Não escuto nada!“. Você aumenta a voz e se dá conta de que não adianta. Ele não te ouve. Na impossibilidade de comunicar o que você gostaria de maneira eficiente, clara, você encerra a chamada.

Algo semelhante vai ocorrer quando há a invalidação das emoções.

A invalidação emocional ocorre quando alguém comunica sua emoção, o que está sentindo e somos incapazes de compreender. Para quem comunica, fica a impressão de que sua mensagem foi errada ou inapropriada.

Ainda muito precocemente ensinamos as crianças a lidarem com as suas emoções. A família desempenha um papel significativo nesse processo, estimulando a criança a expressar o que lhe é importante. O modo como se sente, as suas convicções e suas preferências são levadas em conta. Por outro lado, ambientes invalidantes tendem a não responder às comunicações feitas pela criança ou exigem que ela não expresse suas emoções, especialmente quando se tratam de emoções negativas.

Isso pode contribuir para que haja uma dificuldade em alterar ou regular condições emocionais, que rapidamente se acentuam e passam a ser percebidas como tensões praticamente insuportáveis, difíceis de serem toleradas e para as quais se busca, frequentemente, tentativas disfuncionais de regulação, como o consumo demasiado de bebidas alcóolicas.

Engana-se quem pensa que a invalidação acontece apenas na infância, quando os pais dizem à criança que não chore porque o que ela sente não é nada demais ou quando simplesmente ignoram seu choro.

Dizer a um adolescente que sua tristeza não se justifica, afinal ele tem tudo o que necessita para ser feliz. Dizer a alguém que o que lhe aconteceu não é tão grave assim, afinal isso nem é tão ruim quanto parece. Pedir a alguém que se levante e faça suas coisas porque depressão é coisa de fraco. Isso tudo contribui para dizer para essas pessoas que seus sentimentos não são válidos, não são legítimos.

Imagino que muitos de nós já dissemos palavras, até mesmo positivas, na esperança de que pudessem levar alento e encorajamento para as pessoas. Mas não é apenas sobre o que se fala. É sobre o que se ouve e como isso repercute num momento de fragilidade, de vulnerabilidade emocional.

Quando dizemos a alguém que não deveria se sentir desse jeito, talvez desejássemos dizer que não gostaríamos que essa pessoa estivesse passando pela dita situação, que gostaríamos que o mundo fosse mais gentil com ela, que a vida fosse mais leve. Mas ao falarmos que ela não deveria se sentir assim, estamos mencionando que seus sentimentos não fazem sentido, que a maneira como se sente deveria ser outra, fazendo, mesmo que sem perceber, um julgamento.

Validação é conferir verdade àquilo que se sente.

É respeitar e compreender o que o outro está sentindo e ajudá-lo a elaborar e superar esse momento.

É simplesmente dizer: estou aqui. Me diga como se sente. Posso compreender. Se tiver algo que eu possa fazer para que você se sinta melhor, por favor me diga.

Alô? Pode continuar… eu consigo te ouvir claramente.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Rádio não é só uma mídia, é o jeito de comunicar

Imagem de 6568315 por Pixabay

“Não há espaço melhor para a construção de relacionamento de um com os outros do que no território da voz”

Transparência é fundamental nessa nossa conversa, caro e cada vez mais raro leitor deste blog. Por isso, saiba que vou falar do que assisti há uma semana no canal Dez Por Cento Mais, no Youtube, que é produzido e apresentado pela minha mulher, Abigail Costa, e pela minha colaboradora de blog, doutora Simone Domingues. Na busca de explicações sobre o comportamento do cidadão diante da pandemia, elas convidaram o antropólogo Michel Alcoforado, de quem sou admirador. Ou seja, minha fala aqui deve ser considerada totalmente parcial nos elogios e afagos.

Pouco me importa, também. Até porque tenho convicção de que se você tirar uma hora da sua semana para assistir ao que as duas levam ao ar, ao vivo, toda quarta-feira, às oito da noite, vai ficar admirado e muito bem informado. O canal é dedicado ao comportamento humano e à saúde mental. 

Na discussão sobre como estamos agindo na pandemia e como agiremos depois dela, provoquei Michel Alcoforado a falar sobre o consumo de informação no rádio. Ouvi muito mais do que poderia desejar.

“A medida que estamos mais dentro de casa, a voz  que acompanha a gente, a voz do rádio, ajuda a gente a construir contexto. O que é muito importante para esse mundo descontextualizado.”

Michel trouxe a própria experiência com o rádio, com o qual acorda todas as manhãs e o acessa através da assistente de voz, que o acompanha pelos cantos da casa. Como boa parte de nós, mais dentro de casa do que fora, por força da pandemia, os dias tendem a ser todos iguais. Mas nosso antropólogo lembra que ao ouvir o Sérgio Abranches, às oito da manhã, sabe que é terça; o Cortella, às sete, é quarta; e o Hora de Expediente, o faz perceber que já são nove da manhã.

É um hábito que começou no século passado, lembra Michel. O rádio marcava a passagem do tempo da avó dele —- das nossas avós e de nossos pais, também. Ela sabia que quando um programa terminava, estava na hora de servir o almoço;  quando se iniciava outro, era a vez do jantar; e havia um que ela não gostava muito, que alertava para o fato de que era tempo de ir para cama.

“A gente tem o rádio de novo marcando essa posição. O rádio sobretudo ganha uma dimensão muito importante, porque a gente já vinha falando tempos atrás sobre a dimensão que a voz tem. E cada vez mais os aplicativos e gadgets das nossas casas vão ser orientados pela onipresença da voz”

Das coisas boas que ouvi Michel Alcoforado dizer foi que o rádio não é só uma mídia, é o jeito de comunicar. Mesmo que esteja sendo reproduzido também no Youtube ou no Globoplay —- como é o caso do Jornal da CBN —-, por mais que seja imagem, não é um programa de TV. É o rádio com sua lógica de construção de comunicação em um outro formato de mídia.

“O áudio como aconchego tem crescido pra caramba. O que acontece é que a tela só lida com um sentido nosso, com a visão, não nos dá um despertar de sentidos. Não consegue. Não é a toa que o filme precisa de um sonoplasta. O audio trabalha com pedaços do nosso campo cognitivo que a tela não é capaz de alcançar”. 

Por vantagens que tenha, o rádio também encara os desafios das demais mídias que é o da pulverização de meios e mensagens —- já conversei várias vezes com você neste blog sobre o volume de informações que somos submetidos todos os dias e o quanto isso reduz nossa capacidade de assimilar o conteúdo, e de apurar nossa sensibilidade para as fontes mais confiáveis. Michel Alcoforado trata do tema a partir da definição de um antropólogo americano Gregory Bateson que diz que informação é todo o dado que gera diferença. Isso significa que talvez estejamos produzido muito dado e pouca informação. Ou notícia.

“Se você não está gerando diferença, você não está informando”.

Como ser diferente no radiojornalismo se toda notícia parece igual? Você entra no portal G1, depois pula para o UOL e navega em qualquer outro site de notícia disponível na sua tela deparando-se com conteúdo muito semelhante. Michel Alcoforado dá a dica —- que você pode ouvir na íntegra e com as devidas referências que a modéstia me impede de reproduzir, no vídeo publicado neste post. Ele fala algo que me move há muitos anos no rádio e que se perdeu no tempo pela forma padronizada como se relata os fatos ocorridos. Ao contrário da matemática, na subjetividade das emoções um mais um não é dois. Portanto, não basta seguir a fórmula correta, aprendida no livro da faculdade, de preencher as lacunas para atender a técnica do lead ou da hierarquia dos dados. Nem o português mais castiço salva essa equação – ao contrário, tende a causar estranheza. 

Michel lembra, por exemplo, a importância que a informação de trânsito tem na programação de rádio, a ponto de as emissoras —- cada vez em menor número —- investirem na cobertura a partir do helicóptero. A observação do tráfego em uma avenida pelo repórter aéreo por si só pode não fazer diferença; mesmo porque o ouvinte que está na região talvez até já saiba mais através do mapa digital que o guia no painel do carro.  Por outro lado, conforme a leitura que o repórter faz, provoca-se empatia, o ouvinte se identifica com a história, enxerga-se como personagem. E protagonista que se vê, experimenta aquele momento conduzido pela voz do jornalista.

Entretenimento é a palavra que Michel Alcoforado usa para definir a forma como devemos conversar com o ouvinte. É preciso saber entreter sua audiência:

“É muito mais do que saber que a Marginal está parada. Eu já sei que Marginal está parada. O que me interessa é como você me conta que a Marginal está parada. É isso que gera diferença”.

Como fazer diferente o mesmo todos os dias é outro dos desafios que precisamos encarar no comando de um programa ou no relato das notícias no rádio. Explorando a imaginação do ouvinte, diz Michel:

“A gente enquanto humano precisa explorar cada vez mais os nossos sentidos … O áudio permite que a gente exercite um ponto fundamental da nossa existência que é a imaginação. E aí você pode usar todos os sinônimos desse negócio que chamo de imaginação: fantasia; o desejo pode ser também uma forma desse lado da imaginação. Mas não há como a gente ser humano sem a capacidade de imaginar. E só nós humanos temos capacidade de imaginar. O áudio abre essa chance para a gente imaginar”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais com a entrevista completa de Michel Alcoforado.

O discurso do ex-chanceler

Ernesto Araújo em depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

O ex-ministro Ernesto Araújo virou meme, na CPI da Covid. Logo ele que fez fama explorando a velocidade e eloquência das mensagens por rede social. Nenhum de seus inimigos — e fez muitos na passagem pelo Itamaraty — escapava dos disparos verborrágicos, aplaudidos por seguidores mais fiéis e impulsionados por robôs programados. 

Diante dos senadores, falou fino. Estava irreconhecível. A propósito, nem mesmo ele se reconheceu quando exposto a textos e declarações desastrosas dos tempos em que ocupava sala no Itamaraty. Nem 30 minutos havia transcorrido de seu depoimento e já ouvira um dos senadores lhe chamando de mentiroso.

Ao contrário das frases histriônicas e ofensas que marcaram seu “reinado”,  foi reticente nas respostas e claudicante nas afirmações. Revelou insegurança e medo. Abusou de barreiras verbais enquanto buscava as palavras mais apropriadas para a circunstância. Um recurso comum àqueles que não estão certos do discurso que fazem. Que revela a falta de repertório e vocabulário.

A barreira verbal, me explica a doutora, colega e amiga Leny Kyrillos, ocorre de diversas formas. Há os que repetem expressões —— verdade, tipo, né —-; há os que esticam vogais ou consoantes, gerando um ruído que atrapalha a comunicação. Há os que conseguem transforma-lá em silêncio, gerando a ideia de reflexão —- o que é positivo.

Ao substituir o silêncio entre as palavras pelo ruído, Ernesto Araújo desperdiçou o direito à reflexão e transmitiu hesitação.

Para o ouvinte, isso torna a fala enfadonha, confusa e ainda mais demorada, gerando a perda de paciência. Testes feitos com discursos semelhantes em que, em lugar do silêncio, produzia-se o som de vogais estendidas, passaram a noção de que neste segundo caso o intervalo entre as palavras eram muito maior. 

Nesses tempos de internet: a hesitação gera  mais do que impaciência e ruídos. É matéria-prima para memes. Nas redes sociais, circularam posts, vídeos, áudios e montagens com destaques aos piores momentos de Araújo. No senso comum, tendemos a dizer que, por medo, ele gaguejou, o que nos remete a ideia errada de que as pessoas que sofrem de disfemia ou disfluência são inseguras.  

Pessoas com transtorno de fluência não são necessariamente inseguras — podemos até dizer que são tão seguras ou não quanto qualquer outra. Ao contrário de Ernesto Araújo, o gago sabe o que dizer, mas tem dificuldade neurobiológica para ajustar o tempo da fala e a duração dos sons —- fator que pode ser corrigido de diversas maneiras.

Lembre-mo-nos de Nelson Gonçalves, ícone da música brasileira, um gago de sucesso estrondoso. Ou do Príncipe Albert que alçado a rei, George VI, superou sua gagueira para convocar o Reino Unido às armas, na Segunda Grande Guerra —- história bem contada no premiado filme ‘O Discurso do Rei’.

Nelson Gonçalves, George VI assim como tantos outros gagos ilustres que conhecemos ao longo da história têm ou tiveram uma disfunção da fala. Ernesto Araújo tem uma disfunção moral —- e para isso não tem solução.

Em tempo:

Ouça o comentário de Leny Kyrillos, que foi ao ar dia 21 de maio, no CBN Brasil

Rituais para ser um líder comunicador

Foto de Thirdman no Pexels

Medo do desemprego, dúvida sobre a possibilidade de ascender na carreira e poucas perspectivas de melhoria financeira têm abalado o otimismo dos colaboradores das empresas no Brasil, segundo estudo realizado pelo LinkedIn. O Índice de Confiança do Trabalhador que mediu a disposição no último trimestre de 2020 ficou em 58 pontos contra os 64 registrados no penúltimo trimestre do ano passado. Para resgatar a confiança dessas equipes de trabalho, além da sinalização de recuperação do país —- que foge do nosso controle —-, é preciso investir em uma das competências mais exigidas dos líderes nos tempos atuais: a comunicação.

É preciso expressar de forma clara ao colaborador a importância dele para a empresa e qual é a visão desta empresa em relação ao projeto de trabalho que ele está envolvido. Em resumo: o profissional tem de ser reconhecido para se sentir pertencente ao grupo. Sem isso, não haverá engajamento. Para que se construa esse relacionamento, a comunicação é essencial, devendo ser realizada de forma transparente, com argumentos consistentes e demonstrando que está acessível — verdadeiramente acessível —- a ouvir e responder as demandas que surgirem.

Acolher o outro e saber transmitir as mensagens que tornarão esse colaborador comprometido com o propósito e as metas da empresa são tarefas do líder comunicador —- essa figura cada vez mais necessária na dinâmica da empresa. 

Na tarde dessa quarta-feira, dediquei-me a conversar com líderes de um grupo empresarial preocupado na criação de uma cultura comunicacional e, em determinado momento, fui provocado a pensar em alguns rituais para o líder estabelecer uma comunicação efetiva com sua equipe. Não titubeei em destacar que o primeiro passo para que um profissional se transforma em um líder comunicador é saber ouvir o outro. Como lembra o consultor Thomas Brieu, entrevistado no programa Mundo Corporativo, em agosto de 2020, precisamos praticar a escutatória — palavra cunhada por Rubens Fonseca em texto no qual nos alerta:

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.

No livro Comunicar para Liderar, que escrevi ao lado da fonoaudióloga Leny Kyrillos, trouxemos nove passos para que se percorra o caminho por um diálogo qualificado:

1. Reaprender a ouvir

2. Ouvir étão importante quanto falar

3. Exercitar a paciência

4. Saber perguntar

5. Não demonstrar pressa

6. Atenção na linguagem não verbal

7. Identificar as necessidades do outro

8. Buscar pontos em comum

9. Criar vínculos que fortaleçam as relações

Caso você se sinta à vontade, compartilhe com a gente bons e maus exemplos de comunicação que você já vivenciou em sua carreira. 

Mundo Corporativo: Armando Lourenzo da EYU sugere investimento em comunicação para reduzir distâncias do trabalho remoto

Foto de Julia M Cameron no Pexels

“Tem duas competências que são chaves: a accountability é uma; a capacidade de aprendizado contínuo e ágil é outra. Então a gente precisa se atualizar constantemente. A gente tem de ter prontidão para aprender.”

Armando Lourenzo, EYU

Ao assumir o cargo de liderança você descobre que para alcançar as metas propostas pela empresa dependerá das outras pessoas. Diante dessa realidade, muitos profissionais acabam centralizando as ações, acreditando que com o controle nas mãos a performance vai melhorar e os resultados serão alcançados. Ledo engano, pensa Armando Lourenzo, diretor da EYU no Brasil e América Latina, entrevistado do programa Mundo Corporativo da CBN. Para ele, ao agir dessa maneira, deixa-se de oferecer experiências aos colaboradores, e o líder não cumpre uma de suas funções: agregar valor às pessoas.

“Existe um mantra na sociedade de que ‘eu trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado; eu não concordo com isso, eu acho que a gente tem de tratar as pessoas como elas gostariam de ser tratadas. Aí é você praticar a empatia. É você se colocar não no lugar da outra pessoas, mas entender como ela funciona”

Autor do livro ‘Liderança na prática — como liderar pela primeira vez’, Armando ensina que ter conhecimentos técnicos, tanto do próprio negócio como da função que exerce, são importantes mas não, suficientes:

“Para liderar equipes é crucial desenvolver soft skills. Assumir um cargo de liderança pela primeira vez será, provavelmente uma das fases mais desafiadoras da sua vida profissional”.

Imagine esse desafio sendo assumido em um cenário totalmente incerto e complexo como este imposto pela pandemia. Ao líder —- novato na função ou não —- as exigências são ainda maiores. Na EY, tradicional no setor de consultoria e auditoria, os 300 mil colaboradores foram trabalhar remotamente, em março de 2020. Segundo Armando Lourenzo, o braço acadêmico da instituição ofereceu programas de desenvolvimento pessoal para melhorar a produtividade do trabalho à distância,  para resolução de problemas complexos e liderança remota:

“Você tem uma serie de aspectos que estão mudando. A gente está passando por um processo de transformação digital, com uma economia compartilhada, as pessoas querem mais flexibilidade no trabalho, as pessoas querem mais qualidade de vida. O ambiente é totalmente diferente. Se você tiver uma postura de chefe como no século passado, na década de 50,  não consegue sobreviver nos dias de hoje”

Algumas sugestões que podem tornar o ambiente virtual mais produtivo e saudável, com base na experiência da EY são:

  1. Gestão de emails, com seleção apenas daqueles que realmente devem ser respondidos;
  2. Estabelecimento claro dos meios de comunicação por onde serão feitos os contatos
  3. Agilidade no feedback, para impedir que ‘fantasmas’ apareçam na comunicação interna dos colaboradores —- o que antes era resolvido no bate-papo de corredor agora pode demorar e se transformar em uma crise em pouco tempo.

Armando Lourenzo chama atenção em especial para os problemas de comunicação que devem ser atacados firmemente. Da mesma forma que é importante fazer cursos de oratória, aprender a se expressar e desenvolver a capacidade de se apresentar por meios virtuais, o diretor da EYU recomenda que se aprenda a escutar:

“Talvez seja o mais relevante a aprender. Muitas vezes, em uma reunião, todo mundo está falando e tem uma pessoa que observa a todos. É ela quem tende a fazer a pergunta que vai mudar por completo o rumo da reunião”. 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e nas páginas da CBN no Facebook  e no Youtube. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Ricardo Neves diz que líderes tem de usar a comunicação para dar sentido aos negócios e exemplo às pessoas

Angela Merket foto: arquivo

“O líder é aquele que sabe conversar, o líder é aquele que sabe influenciar socialmente. A arte da liderança é a comunicação”

Ricardo Oliveira Neves, consultor

De Wilson Churchill a Angela Merkel. De Steve Jobs a Laurence Fink. Todos são líderes, cada um a seu jeito e ao seu tempo, que ajudam a entender o conceito que sustenta a nova ordem dentro das empresas: a da liderança por propósito ou a da criação de sentido e significado que possam ser valiosos para o indivíduo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Ricardo Oliveira Neves, consultor de estratégias, comunicação e marketing, falou de modelos de liderança essenciais para as empresas se adaptarem às transformações do século 21, em que vivemos uma complexidade exponencial. 

Autor do livro “Sensemaking: liderança por propósito”, Ricardo lembra que essa complexidade que gera incerteza e abala estruturas, não se resume a pandemia —- começa bem antes. Passa por uma série de outras mudanças que ocorrem há algum tempo como a do clima, as que têm colocado em xeque instituições democráticas e as que expressam ainda mais a  desigualdade social.

Ricardo diz que hoje existe uma caixa de ferramentas de comunicação que precisa ser aberta pelos líderes para que se afaste de vez o modelo de comando e controle, baseado na ‘Arte da Guerra’, que pautou as corporações por muitos anos:

“É preciso se libertar de uma mentalidade que é a do comando-controle, que ainda predomina nas grandes organizações, aquela do eu mando e você obedece. A diferença é que o líder agora passa a ser um facilitador de entendimento do que está acontecendo … tem de ajudar as pessoas a sair dessa zona de terror.”

Para ele a comunicação tem de ser baseada em quatro Cs: calma, coragem, conversa e colaboração. São elementos, por exemplo, que aparecem em Churchill que liderou os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Que são encontrados no primeiro discurso dele à nação quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, notabilizado pela frase: “eu só tenho a oferecer sangue, suor e lágrima”.  

De Merkel, primeira-ministra da Alemanha, onde Ricardo vive atualmente, o consultor destaca a condução que ela está tendo na crise provocada pelo coronavírus e lembra o discurso que fez às vésperas do Natal alertando às famílias para o risco de insistirem em se reunirem em confraternizações: teve coragem e clareza. A premier alemã também usa muito bem o que Ricardo chama de autocomunicação:

“Merkel é mestra disso. Lembra as pessoas de uma maneira sutil a usar máscara. Ela tem um ritual com a máscara, em público, que está sempre lembrando a todos desta necessidade”.

A autocomunicação também era praticada por Steve Jobs, de acordo com o consultor, o que explica o fato de a empresa ter, em lugar de clientes, fãs, porque se identificavam com o líder da Apple e seus produtos. Outro exemplo de comunicação eficiente e capaz de enfrentar a complexidade exponencial, segundo Ricardo, é a estratégia de Larry Flink, CEO da BlackRock, líder mundial em gestão de investimentos. Ele publica, todo ano, uma carta aberta aos clientes em que apresenta sua visão dos negócios de forma transparente. Flink é uma das principais vozes no mercado de capitais a defender o capitalismo consciente, mais preocupado com as questões sociais, ambientais e de governança.

“Propósito é uma coisa, sim, tangível que a liderança tem que aprender a falar, para quando ela vai conversar com seus pares e com a sociedade como um todo. Não existe mais a empresa que só por ter lucro tem licença para sobreviver”

Para Ricardo, o recado que todos precisam entender é que há necessidade de se encontrar propósitos individuais, e conscientes dessa mentalidade buscar nas empresas uma sintonia desses objetivos. O colaborador que acredita que ter segurança no emprego é vender a alma para o diabo vai se surpreender, porque em algum momento o diabo vai cobrar o preço que pediu na assinatura do contrato.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. Colaboram com o programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubioti.

15 dicas para quem quer participar do Clubhouse

Desculpe-me pela insistência. Volto a falar de ClubHouse porque a rede que privilegia a fala está dando o que falar. Não bastasse ter sido convidado para uma das salas, com o tema Mentoria da Comunicação, voltarei a ocupar o espaço no próximo sábado, ao lado da minha amiga Leny Kyrillos. Comunicação será, mais uma vez, o tema da conversa. Desta vez, baseada no livro que escrevi com a Leny, Comunicar para Liderar. É de 2015. De antes, bem antes da pandemia, e, ao mesmo tempo, muito atual. Quem vai abrir a sala “Comunicar e liderar” para falarmos é Erika Baruco, especialista nas duas áreas: comunicação e liderança.

Da experiência de décadas no rádio — que tem o som como principal instrumento — à participação única no ClubHouse, reuni algum conhecimento que pode nos ajudar nesta nova rede social. No mínimo, evitar alguns tropeços. Para não pensar que o que escrevo a seguir é coisa de marinheiro de primeira viagem (ah, agora virou coaching de ClubHouse, né?!?), informo aos navegantes que conversei com algumas pessoas que entendem do assunto e, também, já participaram do clube.

Bons costumes no Clubhouse:

  1. Ter um moderador(a)
  2. Ter um tema definido
  3. Identificar previamente os pontos de fala de cada integrante
  4. Na abertura, cada integrante se apresentar com no máximo duas frases
  5. Ao fazer uma pergunta, encaminhá-la para um dos integrantes
  6. Enquanto um fala, os outros fecham o microfone
  7. Falar sabendo que outros querem falar
  8. Invista no conteúdo
  9. Frases, palavras e citações importantes devem ser repetidas para que o ouvinte absorva a informação
  10. Importante ilustrar com histórias 
  11. Incluir os ouvintes na conversa, sempre
  12. Ao passar a palavra para um ouvinte, antecipar quem será o próximo
  13. Ao responder o ouvinte, citar o nome dele ao fim da fala para que tenha a oportunidade de réplica
  14. Anunciar o encerramento da sala, 15 minutos antes e selecionar quem fará as últimas perguntas
  15. Ser simples, direto e objetivo