Podcast: comunicação como fator de liderança

 

Screen Shot 2020-05-15 at 19.36.17

 

No BaruCast, podcast da especialista em comunicação corporativa Erika Barusco, tive oportunidade de falar sobre a importância da comunicação como fator de liderança, baseado no que escrevi no livro “Comunicar para liderar”, ao lado da amiga e fonoaudióloga Leny Kyrillos:

 

…..

 

Mílton, para ir direto ao assunto, comunicar é um fator decisivo para liderar?

 

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação? Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

 

E o que envolve exatamente as competências de uma comunicação de liderança?

 

Consciência do desafio que enfrenta; conhecimento sobre o tema que vai tratar; compreensão sobre seus próprios limites — humildade para saber que eles existem; é preciso ainda exercitar a escuta, abrindo não apenas seu ouvido mas a sua mente para absorver o pensamento do outro e identificar suas necessidades ou restrições; somente assim será possível encontrar pontos em comuns que façam da comunicação uma ponte de aproximação de interesses e desejos. O líder comunicador sabe criar vínculos para fortalecer uma relação.

 

….

 

O bate-papo completo você ouve, no Barucast, clicando aqui

 

 

Vai passar e pessoas sempre serão essenciais

 

Por Christian Müller Jung

 

public-speaking-3926344_960_720

Foto: Pixabay

 


Texto escrito originalmente para o site Coletiva.net

 

Quando a notícia sobre a pandemia da COVID-19 chegou ao Brasil, escrevi artigo sobre os impactos no mercado de eventos — foquei o olhar na área em que mais atuo: o cerimonial público. Refleti sobre a mudança do comportamento nas solenidades e o emprego do protocolo respiratório.

 

Não tinha a mínima ideia, naquele momento, assim como a maioria da população, o quanto essa pandemia impactaria não apenas o meu setor, mas toda a nossa vida —- e, provavelmente, toda a dinâmica da sociedade no futuro.

 

A Covid-19 é um mistério para os médicos e cientistas. Sua influência no comportamento humano é uma dúvida para todos nós. Ao mesmo tempo em que priorizamos a saúde e a sobrevivência diante dos riscos que o vírus nos impõe, um vazio se apresenta no horizonte.

 

A empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, que liderou a transformação digital da empresa nos últimos anos, iniciativa que permitiu que a sua rede de varejo sobrevivesse à crise e fortalecesse parceiros de negócios, micro e pequena empresários, é uma das primeiras a alertar: “ninguém sabe o que realmente vai acontecer no pós-Covid-19. Quem disser quer sabe, escreva um livro porque se acertar, vai ganhar muito dinheiro”.

 

No setor em que atuo, assistimos ao cancelamento de todos os eventos presenciais, esvaziando a agenda de trabalho da maior parte dos profissionais — a minha, inclusive —-, e atingindo nossa principal fonte de renda. Em poucos dias, o caos estava estabelecido.

 

A necessidade de se reinventar transformou-se em questão de sobrevivência tanto quanto uma barreira para muitos de nós que atuamos há anos nesse segmento. Uns não sabiam fazer além do que já faziam; outros não desenvolveram as habilidade exigidas nesse novo cenário; e todos —- ou quase todos —-, mesmo aqueles que acreditavam estarem prontos para as mudanças, não encontrávamos oportunidade de trabalho.

Agenda sem evento é como cabeça vazia: oficina do diabo. Na mesma velocidade em que o vírus contaminava as pessoas, uma avalanche de informações predizendo o futuro se espalhava entre profissionais do setor de cerimonial. Muitos apontando para o fim das atividades presenciais —- mensagem que potencializava a sensação de medo que a pandemia por si só já provocava em cada um de nós pelos riscos à saúde.

A previsão de que a função exercida por vários dos profissionais que conheço estava em extinção colocava em xeque tudo que se aprendeu até hoje —- a percepção é de que a experiência acumulada ao longo da jornada teria perdido seu valor.

 

Uma onda de novas formas digitais para realização de eventos nos atingiu. Além de exigir investimento pesado em infra-estrutura tecnológica —- computador de ponta, placa de vídeo poderosa, câmera e microfone de qualidade, espaço em casa adequado e sinal de internet eficiente e estável —, o profissional acostumado às solenidades analógicas, trocou o calor proporcionado pela presença do público por uma sala fria e distante; e o olhar antes voltado às pessoas na plateia e no palco, fixou-se em uma câmera à sua frente.

 

Como uma cura para uma doença, ainda que fosse um propósito para um novo mercado de trabalho, a quantidade de informações reescrevendo o futuro, muitas delas repetitivas e sem consistência e outras tantas apenas para preencher o conteúdo vazio de uma live, criaram um cenário apocalíptico. E quanto mais informações e previsões, mais excluídos parecíamos deste novo mundo dos eventos.

 

Com que autoridade deram um ponto final à nossa história —- e profissão?

Quem é capaz de acreditar na ideia de que pessoas não mais precisarão de outras pessoas? Que eventos presenciais deixarão de existir? Que estamos dispostos a abrir mão da troca de experiência, conhecimento e networking proporcionados por seminários? Que ninguém mais deseja celebrar com seus pares uma formatura ou a conclusão de um período da vida? Você realmente acredita que a política só se fará no palanque eletrônico?

Sinceramente, a despeito da mudança de comportamento que teremos, especialmente em relação a proteção à saúde, não me ocorre que deixaremos de ter uma vida presencial e os eventos, na forma como tínhamos até o início deste ano, nunca mais se realizarão. Creio que, a partir do momento em que os países se estabilizarem e tivermos acesso a uma vacina ou alguma outra forma efetiva de controle da doença, o mercado voltará à ativa.

 

Pode demorar, precisaremos ser resistentes e ter fôlego para suportar essa passagem. Da mesma maneira que precisaremos nos adaptar como já fizemos tantas outras vezes na história da humanidade. Atente-se para o tanto que você aprendeu em tão pouco tempo isolado dentro de casa. E o quanto se descobriu produtivo em atividades às quais talvez jamais se imaginou capaz de realizar.

 

Podemos, sim, realizar eventos conectados com o mundo! Nossa experiência e o conteúdo desenvolvido até aqui serão necessários para este novo momento —- seja ele qual for. A bagagem acumulada nessa viagem não será um peso no caminho que teremos de percorrer. Nela está a riqueza do repertório que nos trouxe até aqui.

Os tropeços diante do microfone, o sistema de som falhando, o vídeo que não roda, os textos modificados em cima da hora, o roteiro sendo adaptado às circunstâncias e a plateia nem sempre disposta a ouvir o conteúdo preparado pela organização. Tudo isso foram desafios que você já venceu. E motivos para encorajá-lo a seguir em frente sem medo de ser engolido por essa garganta gigante que se chama evolução.

Sinceramente meus amigos que tão bem representam o nosso setor de eventos, por mais que o mundo virtual seja uma ferramenta produtiva de multiplicação da informação, nunca substituirá por completo o real. Em diversas outras atividades já vimos que esses dois mundos se complementam.

 

Nesses meses de pressão psicológica com bombardeio de mensagens negativas, não nos deixemos contaminar por prognósticos que — convenhamos —- se baseiam em suposições, sem nenhuma garantia do que nos aguarda ali na esquina ou no próximo evento. A incerteza que nos cerca não dá a ninguém a autoridade para decretar o fim de uma atividade.

 

Vamos aproveitar este momento para aprender um pouco mais, desenvolver habilidades que se não nos ajudarem profissionalmente nos elevem como seres humanos. Lembre-se: se tem uma coisa que jamais vai mudar no mundo dos eventos é que ele continuará sendo feito por pessoas.

 

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias

Podcast: de sutilezas

 

b4ff5904d03f2feea26a69b709be5b4dd39cddff

 

A conversa foi pré-Pandemia. E foi generosa. Recebi Paula Caubianco sem ter ideia até onde iria o nosso papo. Que assunto a interessava. E o que dizer sobre esses assuntos. O resultado está no MOMENTOCAST, que foi assim apresentado pela Paula a quem tive o prazer de conhecer:

Só de lembrar o dia que gravei esse episódio eu já fico emocionada… agitada. Eu fui muito ousada! Era manhã do dia foi 20 de fevereiro de 2020, quando eu saí da Mooca ( bairro na zona leste – onde eu moro) seguindo em direção à Marginal Pinheiros: eu tinha um grande encontro!… já era costume ouvir a rádio CBN no carro … mas aquele dia guardava um motivo especial. Eu fui ouvindo o Milton Jung, a Cássia Godoy e até o Dan Stubach noticiarem, com grande pesar, a morte ocorrida no dia anterior, do genial José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão… o pai do terror brasileiro. Ele partiu aos 83 anos de idade… que perda irreparável…

 

Eu estava super ansiosa, mas ouvir as homenagens contando a trajetória e o estilo próprio do Zé do Caixão… foi me trazendo um alento… a sua irreverência me deu um ânimo extra: de certa forma, ele me dizia… Paula é preciso ter coragem para se conquistar o que se quer… vá e faça. Depois de 50 minutos lá estava eu… no saguão daquele edifício moderno… pegando minha credencial para subir até o andar da CBN… eu tinha uma hora marcada com o Milton Jung – e ele já me aguardava.

 

A maior satisfação que tenho em conceber e produzir o MOMENTOCAST é poder conversar sobre sutilezas com pessoas que admiro, respeito, e que sinto, que de alguma forma estão dispostas a compartilhar algum conteúdo de valor.

 

Convidei o Milton com minha cara e coragem, e recebi um saudoso sim! Nesse dia, minha palavra era ousadia. E a do Milton, sem dúvida alguma, generosidade! Espero que você goste desse episódio, nele eu compartilho com você o que ouvi e aprendi com esse grande ser humano que é o Milton Jung… e você, qual é a tua palavra?

 

Me conta sua experiência com o momentocast enviando um audio pelo link disponível no descritivo desse episódio. Assine o momentocast gratuitamente pelo seu spotify, deezer, apple podcasts, google podcasts e nos principais agregadores de áudio. Ou se preferir acesse anchor.fm/momentocast. Depois compartilhe esse episódio com seus amigos e familiAres, quanto mais gente escutar… melhor.

 

Interaja com o MOMENTOCAST nas redes sociais utilizando a hashtag #momentocasters e vamos acompanhar que palavras andam te definindo nesses tempos. Quando eu agradeci o MIlton por toda a generosidade em aceitar meu convite e me receber mesmo sem me conhecer… ele me disse: eu sei exatamente o que é estar no seu lugar… não se preocupe, só faça sempre um bom trabalho. E assim… eu venho seguindo… Obrigada por seu tempo, e até.


Ouça outros episódios e coloque o MOMENTOCAST entre os seus favoritos

À desesperança dos jovens, temos nossa capacidade de sonhar

 

Por Simone Domingues
(@simonedominguespsicologa)

 

portrait-3096017_960_720

Imagem: PIXABAY

 

“Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã…
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar…”
Gonzaguinha

 

Outro dia numa conversa com minhas filhas adolescentes, lancei a seguinte pergunta: “vocês acham que os adolescentes estão mais desesperançosos com o futuro?”. Acreditando que falariam sobre como se sentem ou percebem seus amigos diante desta quarentena, confesso que a resposta me causou certa surpresa:

 

“A nossa geração é marcada pela desesperança. Desde que somos crianças, ouvimos que quando formos adultas, não haverá comida para todos os habitantes da terra, que faltará água potável para bebermos, que o homem está destruindo o planeta e não há outro para vivermos… como ter esperanças em meio a tanta tragédia anunciada?”

 

Fiquei pensando na responsabilidade que temos com as gerações mais novas. Logo os jovens, que representam em si a capacidade poética da esperança, sendo endurecidos com as nossas previsões apocalípticas.

 

Então não devemos comunicar às crianças e adolescentes sobre o que acontece no mundo?

 

Comunicar é muito diferente de catastrofizar. Comunicar é a troca de informações. E troca pressupõe que falo e permito que o outro também se manifeste, com suas dúvidas, seu ponto de vista, suas possibilidades para solucionar problemas.

 

Como adultos, podemos auxiliar os adolescentes com um ambiente seguro, conversas sinceras e um incentivo enorme à sua capacidade de sonhar. E não seria isso a esperança? Acreditar naquilo que se deseja alcançar?

 

Santo Agostinho nos ensinou:

 

“A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA

No Brasil, “bloqueio total” é mais eficiente que “lockdown”

 

8ea76952-c06d-4636-b3e6-98c64bf9e8c7.jpg.640x360_q75_box-0,0,800,450_crop_detail

Bloqueio total foi imposto em quatro cidades no Maranhão (Divulgação / Agência São Luís)

 

O 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Lembrei a data logo que iniciei a apresentação do Jornal da CBN, nesta terça-feira. Para que o dia criado pelo Unesco fizesse algum sentido, tomei cuidado em ler “bloqueio total” todas às vezes que o redator usou “lockdown” para identificar as medidas restritivas que se iniciavam em quatro cidades do Maranhão, incluindo a capital. Era o mínimo que podia fazer para não estragar a festa dedicada ao idioma de Camões.

 

Intriga-me desde o início desta pandemia a preferência que se tem dado nos textos jornalísticos e na fala de autoridades a expressão “lockdown” — que na origem era usada para o ato de manter os presos confinados nas celas enquanto se buscava restaurar a ordem no presídio durante rebelião. Passou a ser aplicada em diversas situações de emergência nas quais as pessoas devem permanecer em casa para preservar sua segurança — e se aproximou ainda mais da gente quando o Sar-Cov-2 desembarcou em nossas bandas.

 

Por coincidência, sobre a mesa que apresento o Jornal da CBN aqui em casa, estou com um dos livros que reencontrei na tentativa de reorganizar a biblioteca durante este confinamento que já dura 46 dias —- tarefa mal-acabada. “A Imprensa e o caos na ortografia — com um pequeno dicionário de batatadas da imprensa” (Editora Record), foi escrito pelo jornalista Marcos de Castro, em 1998. O livro reúne uma série de textos nos quais o autor descreve sua implicância com a maneira descuidada com que tratamos a língua portuguesa —- especialmente nós jornalistas. O livro é coisa fina, “caviar e salmão do Mar do Norte”, apenas para repetir a maneira como ele define um texto refinado. Deveria ser servido a todos que trabalhamos nas redações.

 

Um dos capítulos é dedicado ao uso do termo americano “slow motion” para identificar o que em bom português tinha nome e sobrenome: câmera lenta.

 

Escreve Marcos de Castro:

“É preciso ser muito colonizado culturalmente para desprezar uma expressão tão nossa, já integrada no tempo em nosso modo de dizer, em nosso modo de ser. É preciso ser muito macaquito”.

O incômodo do autor se dá pela barreira que o estrangeirismo cria entre quem diz e quem ouve:

“…é evidente que usar o que é nosso, ‘câmera lenta’, facilita muito para a comunicação com o telespectador ou com o leitor, de espírito evidentemente mais receptivo a uma expressão familiar do que ao pedantismo de slow motion.”

Para Marcos de Castro, o uso da palavra estrangeira diante de uma versão brasileira, conhecida e de fácil entendimento, prejudica a comunicação.

 

Se tem uma arma que se deve usar para combater o atual coronavírus é a comunicação eficiente. Deixar claro às pessoas o risco que corremos, o desafio que a comunidade médica e científica enfrenta e as dificuldades que as autoridades públicas têm para administrar essa crise. Informar, sem barreiras, a importância de lavar bem as mãos, evitar colocá-las no rosto, tossir e espirrar no antebraço, ficar em casa se possível e manter o distanciamento social.

 

Nos estados e nas cidades em que a situação é ainda mais grave, é preciso dizer de maneira simples, direta e objetiva que a circulação de pessoas e carros será proibida, com permissão apenas para os trabalhos essenciais, a busca de ajuda médica e a compra de comida e remédio. Ou seja, em lugar de “lockdown” dizer em bom português que o bloqueio é total.

Expressividade: sorrir dá significado à mensagem

 

Leia mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

smile-191626_960_720

foto: Pixabay

 

O VALOR DE UM SORRISO

“Sorria!
Seu sorriso deixa outras pessoas felizes e
Também faz você feliz.
Um sorriso vale mais que mil palavras”

O texto acima, poesia de gosto duvidoso, foi parar pendurado no espelho lateral de meu carro em um sinal fechado de São Paulo. Estava dentro de um saquinho de plástico acompanhado de chicletes e balas. Tudo por R$ 1,00. Convenhamos que por este preço e com tantos produtos sendo oferecidos, não dava mesmo para querer um Machado de Assis. Seja como for, o papel amarelo com o texto impresso ficou guardado no bolso da calça porque me chamou atenção o fato de o autor anônimo ter substituído “imagem” por “sorriso” no ditado popular.

 

Não sei se vale mil palavras, mas sorrir é outra forma de expressar sentimento e, portanto, se comunicar. Foi-se o tempo do apresentador carrancudo ser sinônimo de credibilidade. Atualmente, cara fechada é traduzida por medo, mau humor ou burrice. Desculpe-me pela expressão, mas é isso mesmo. Quando você cruza com alguém que costumeiramente está com o semblante cerrado e lábios apertados, desconfie da inteligência dele.

 

Durante a apresentação da notícia ou em uma palestra, sorrir no momento certo dá significado ao texto. Em alguns momentos, revela concordância com o fato relatado. Se irônico, o sorriso ganha a força de um editorial. Feito com naturalidade e no momento certo pode, inclusive, provocar a cumplicidade do público. Caso contrário, gera oposição. Por favor, não exagere. Ninguém precisa ficar espalhando sorrisos a torto e a direito. Dar uma boa gaitada somente se for em família ou no encontro de amigos e, mesmo assim, se a piada tiver qualidade, se não vai parecer falso.

 

O bom humor também é importante porque, além de quebrar algumas resistências, comuns quando se fala em ou para o público, ajuda as pessoas a perceber melhor a mensagem que está sendo transmitida. Não se arrisque, no entanto, a contar piadas se esta não é sua praia. Muitas vezes, com o objetivo de tornar o ambiente mais agradável, o comunicador tenta uma brincadeira que soa de mau gosto. Tire a temperatura da audiência, verifique qual o tom correto da notícia, antes de tentar a sorte. Sensibilidade é a palavra-chave.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

Expressividade: é preciso coerência entre a palavra, o corpo e a voz

 

Leia mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

emotions-371238_1280 2

Foto: Pixabay

 

SOBRANCELHA EDITORIAL

“É um absurdo aqueles estilosos âncoras sul-americanos que comentam a notícia e emitem opiniões. Isso não é jornalismo. Não se deve nunca fazer gestos dramáticos ao anunciar um fato. Os sentimento têm que ficar absolutamente de fora”

A crítica ao modelo de âncora que existe no telejornalismo brasileiro é de um dos mais carismáticos jornalistas da televisão americana, Bernard Shaw, que, por sinal, iniciou sua carreira em uma emissora de rádio, em Chicago. Durante 20 anos como profissional da CNN, Shaw participou das principais coberturas políticas nos Estados Unidos em reportagens, entrevistas e mediando debates eleitorais. Em 16 de janeiro de 1991, era um dos três repórteres da CNN que atraíra a audiência de mais de 1 bilhão de telespectadores com a cobertura da primeira noite do ataque das forças aliadas, na “Operação Tempestade no Deserto”, em Bagdá, no Iraque, Antes de se transformar em âncora da CNN, Shaw foi chefe do escritório da ABC News na América Latina e correspondente da CBS News.

 

O formato defendido por Bernard Shaw foi consagrado por Walter Cronkite, na década de 1960. O âncora era uma das personalidades mais respeitadas pela sociedade americana e fez da cobertura da Guerra do Vietnã um capitulo na história do telejornalismo internacional. Sua oposição explícita à guerra foi decisiva para o repúdio generalizado que se verificou nos anos 70. Uma das mais marcantes passagens da carreira de Cronkite foi em um dos raros momentos em que deixou de lado a postura de “âncora americano”, defendida por Shaw, ao declarar publicamente sua inconformidade com a presença dos Estados Unidos no Vietña, logo após voltar do campo de batalha, em 1969:

“… fica cada vez mais claro para mim que a única saída racional será negociar, não como vitorioso, mas como um povo honrado que jurou defender a democracia e fez o melhor possível”

O mais impressionante no poder de persuasão de Walter Cronkite não estava nas palavras, mas nos gestos. A expressão facial tinha significado. Expresava uma opinião, sim —- por mais que âncoras americanos defendam a tese de que não é este seu papel. Cronkite abusava do que Bernard Shaw definiu, em entrevista à jornalista Maria Cristina Poli, reproduzida pelo programa Vitrine, da TV Cultura, como “sobrancelha editorial”.

 

Bernard Shaw, que soube usar como poucos a tal sobrancelha, chamava atenção para um detalhe sobre os olhos capaz de revelar sentimentos. Mais do que isso, opinião. Levante as sobrancelhas logo após uma reportagem com um político negando qualquer envolvimento naquele famoso caso de corrupção, e o telespectador não terá dúvida: você coloca a palavra do político em dúvida. Guardadas as devidas proporções, a combinação da sobrancelha com os olhos no momento certo pode representar tanto quanto um editorial de um jornal impresso. Imagine unir a isto os movimentos do corpo e a palavra. É a expressividade que diante da câmera de vídeo ganha vida.

 

O psicólogo e professor americano Albert Mehrabian demonstra em pesquisa que 55% da transmissão da mensagem do orador para o receptor se dá através do corpo, gesto e expressão facial; 38% dependem da intensidade, tonalidade e outras características da voz; e apenas 7%, da palavra. Percentuais assim postos, leve em consideração o fato de que a maioria das entrevistas apresentadas nos telejornais, assim como as notícias lidas pelos apresentadores, é feita em plano fechado. E vamos compreender a responsabilidade que o rosto tem na comunicação. Nele se encontram informações e sentimento. De tristeza à alegria, de dor à satisfação, de ódio ao amor. Nesta composição, sobrancelhas e olhos se somam ao movimento da boca e dos lábios.

 

Os chineses desde muitos séculos avaliavam a personalidade dos indivíduos através da face. No mundo ocidental, o entendimento de que as relações interpessoais são mais influenciadas por canais de comunicação não-verbais do que verbais, apesar de mais recente, já vem do início do século passado. No entanto, manter a harmonia entre o que se diz e o que se expressa é uma tarefa que exige apuro técnico. Você quer transmitir tranquilidade mas não pára de morder os lábios. Quer demonstrar concentração, mas os olhos estão distantes e voltados para cima. Pensa em agradar a amiga que lhe deu aquele vestido duas vezes maior do que seu número, e retribui com um sorriso sem graça.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Expressividade: respirar melhor ajuda a comunicar melhor

 

Aqui vai a sétima parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

sunrise-3848628_1280 2

Foto: Pixabay

 

UMA PAUSA PARA RESPIRAR

 

Não, não estou convidando você para fechar o livro, sair à rua e respeitar um pouco de ar puro. Se quiser aproveitar a desculpa, fique à vontade. Mas, por favor, volte em seguida para esta leitura. O título, logo aí em cima, é para reforçar a ideia de que a pausa na locução, entre tantas outras mensagens implícitas, serve para respirar. Ao retomar o fôlego, garantimos a expressividade da fala. Mantemos o controle da ação.

 

A voz pode ser entendida como resultado do ar que circula no sistema respiratório. A sua produção ocorre na laringe, onde se encontram as pregas vocais — juro que prefiro a expressão “cordas vocais”, além de mais sonora parece-me mais significativa, mas não me atrevo mudar, mesmo porque sou minoria neste livro. Quando o ar é inspirado e entra nos pulmões as pregas se afastam. Ao falar, o ar sai dos pulmões fazendo-as vibrar e se transforma em ondas que ganham ressonância na boca, nariz e faringe. A articulação deste som ocorre pela ação da língua, dos lábios, mandíbulas e palato. Chega aos ouvidos do interlocutor completando o processo de comunicação. Assim, o ar é percebido como som e, portanto, quanto melhor a respiração, melhor a possibilidade de se comunicar corretamente.

 

O jornalista Heródoto Barbeiro, em seu livro “Falar para liderar —- uma manual de media training”, revela conhecimento de causa, fruto de sua competência na arte de comunicar e de seu comportamento influenciado pelo zen-budismo, ao escrever:

“Tem coisa que a gente pensa que já nasce sabendo e por isso não admite que alguém nos ensine. Entre elas está o respirar, o comer e o sorrir. Você vai dizer que se não soubesse respirar e comer já teria morrido, mais ou menos alguma coisa parafraseando Descartes: “respiro, logo existo”. Não é bem assim”.

A lista das coisas que acreditamos saber mas temos muito a aprender é bem maior, sem dúvida. Você não tem certeza de que sabe pensar? E ter relações sexuais? Temos muito, ainda, a entender com os orientais. Fiquemos, por agora, com o tema respirar.

 

A ciência Yogue, há mais de 3 mil anos, proclama que a vida é respiração. Não apenas porque a morte é resultado certo em pouco minutos se ficarmos sem ar, ao contrário da ausência de comida, água ou sono. Os Yogues, de sabedoria avançada e profunda, aos desenvolverem uma percepção extra-sensorial ficaram admirados pelo fenômeno da respiração. Compreenderam que para respirar conscientemente é preciso determinação e concentração. Feito assim, conectamos corpo e mente e encontramos o equilíbrio necessário na busca pela qualidade de vida.

 

Há muitos anos, profissionais, que têm na voz ferramenta de trabalho, são orientados a respirar com o diafragma. Nas primeiras tentativas que fiz para falar em voz alta e usar este tipo de respiração tinha a sensação de estar me preparando para a dança do ventre. Com o passar do tempos entendi bem a diferença entre os dois movimentos e preferi ficar apenas com o primeiro. Hoje, apesar de não ser um especialista no assunto, arrisco outras formas de respiração: pausada, circular, abdominal, diafragmática ou completa, dependendo da necessidade. Já aprendi que este ato vai muito além da absorção do oxigênio e eliminação do gás carbônico. Em meio ao trânsito, antes de uma apresentação ou quando não estou relaxado para dormir, muitas vezes expirar e inspirar profundamente são suficientes para encontrar um ponto de equilíbrio.

 

Observe sua respiração. Se estiver curta e rápida, sua mente estará trabalhando de forma agitada, nervosa. Se for irregular, você deve estar perturbado ou ansioso. Mas se sua respiração for suave, é sinal de tranquilidade. Aceite-a como está e ela mudará, como tudo na vida muda. Tudo surge e passa, e observando a respiração por um período, você tomará consciência disso. Controle seu ritmo respiratório e você controlará sua mente.

 

Aprender as técnicas de respiração é importante para combater a ansiedade que influencia na forma de se expressar pela fala. O nervosismo leva a pessoa a falar muito e rapidamente, dois aspectos que podem ser desastrosos na comunicação. Portanto, se houver limite de tempo para sua mensagem, não apresse o discurso, preferia uma versão menor e mais direta. Se a informação tiver de ser transmitida em um momento de estresse e emoção, não esqueça: foque na respiração, controle-a, se necessário for, e isto vai se refletir, até mesmo, na qualidade da sua voz.

 

Outras orientações você encontra na fonoaudióloga mais próxima de sua casa.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso clicando aqui

Expressividade: a importância da ênfase certa na palavra certa

 

 

Aqui está a quarta parte do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, publicado no livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. Trago esse texto para o Blog em homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz (16/04):

woodtype-846089_960_720

Foto: Pixabay

 

 

NO BANCO DOS RÉUS

 

 

“Ele não tem uma voz confiável”. Quantas vezes você já ouviu essa frase. É quase um julgamento final. Sem direito à apelação. Do som emitido, define-se a personalidade. Logo que começamos a falar, nossa imagem passa a ser construída no imaginário do interlocutor. Fala mole? É inseguro. Fala alto? É autoritário. Não para de falar? É uma “mala”. Para não sermos condenados nos primeiros minutos de jogo, é preciso cuidado na forma de se expressar. E poucas coisas são tão importantes na busca da confiabilidade através da fala do que a ênfase que funciona como um grifo na palavra.

 

 

Minha primeira experiência como apresentador de telejornal foi na TV Cultura de São Paulo. Na redação conheci uma das melhores vozes femininas da televisão brasileira, Valéria Grillo. Logo notei que antes de ir ao ar, ela pegava a caneta e começava a rabiscar todo o texto datilografado no papel (houve uma época era que os textos eram escritos em uma tal máquina de datilografia, espécie de computado da “Era das Trevas”, em que bastava apertar as letras do teclado para as palavras saírem impressas no papel. Você talvez ainda encontre algumas destas máquinas em antiquários). Aprendi com minha colega de redação que cada risco tinha um significado diferente. Alguns alertavam para o fim do período. Outros para a vírgula que vinha em frente. Um que parecia uma sequência de pequenas ondas sublinhava os nomes próprios. Os mais fortes pediam uma ênfase especial para a palavra. Não era nada simples, porque não bastava copiar os hieróglifos na minha lauda. Era preciso antes saber qual a palavra a ser valorizada.

A inflexão tem de ser dada nas palavras-chave do texto. Naquelas que são importantes para o entendimento do discurso e, portanto, devem chamar atenção do receptor.

Exatamente aquilo que fazia o locutor do Correspondente Renner quando o preço dos produtos aumentava. Não se pode esquecer que enquanto falamos, uma série de outros fatores disputam com a gente a atenção do ouvinte. Se ele está em casa, é a comida no fogão, o vizinho que fala alto ou as crianças que brincam no pátio. Se está no carro, tem o sinal de trânsito, o anúncio no cartaz, o menino fazendo malabarismo para pedir dinheiro ou a moça bonita que atravessa a rua. Lá se foi nossa mensagem ouvido abaixo, sem sequer ser percebida por quem de direito.

 

 

Quando se quer chamar atenção para alguma palavra escrita, usa-se o negrito, o itálico ou o sublinhado. Na palavra falada também temos ferramentas apropriadas. Para ênfase deve-se usar a articulação de forma mais precisa, diminuir a velocidade da fala e reforçar a intensidade. O prolongamento da palavra, o grifo usado em algumas situações, não costuma atingir o resultado pretendido. Apenas aumenta o tempo da locução — alguém já disse que tempo é dinheiro? —-, retira a finalidade da entonação e passa a sensação de que o texto está arrastado.

Quem tem o domínio da voz, subverte a ordem. Muda a intenção do discurso apenas na escolha da palavra a ser enfatizada. Quem não o tem, promove estragos na comunicação.

Políticos e executivos de grandes empresas costumam encomendar discursos às suas assessorias. Se não houver extrema afinidade entre quem escreve e quem lê, o prejuízo pode ser enorme. Recomenda-se que, ao receber um texto escrito por terceiros, leia-se antes acompanhado do seu autor, para que mudanças de tom e ênfases inapropriadas não levem a erros de interpretação. Neste mesmo texto que você lê agora em cada palavra, vírgula, ponto e contraponto há uma intenção que talvez seja percebida apenas por este escrevinhador. Uma sonoridade para quem escreve, mas que pode ser absolutamente sem sentido para quem o lê.

 

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora você tem acesso clicando aqui