Avalanche Tricolor: que faça uma ótima viagem!

 

 

 

Grêmio 1×3 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Luan

Luan aproveitou partida para ajustar a passada rumo a Libertadores

 

 

É quarta. É na Colômbia. É contra o Barcelona. É para lá que se volta o pensamento de todo o gremista que se preza. O time embarca na madrugada dessa segunda-feira para a cidade onde começa decidir a vaga à final da Libertadores da América.

 

 

E se alguém esticar o olho com desconfiança para o que pode nos acontecer lá fora, impactado pela tarde deste domingo, que me perdoe: tá na hora de rever os seus conceitos. Como dizia Tio Ernesto, que já foi personagem desta Avalanche outras vezes, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

 

 

Você acredita mesmo que algum jogador entrará cabisbaixo na Colômbia porque os reservas perderam aqui no Brasileiro?

 

 

Gente, os caras estão babando pelo título sul-americano, acordam e dormem pensando na possibilidade de chegar ao Mundial mais uma vez (título que muita gente grande por aí não tem, não é mesmo?). Trocam facilmente o placar de hoje, que terá lugar reservado apenas para as estatísticas, pela possibilidade de conquistarem um lugar na história do clube.

 

 

Nesta temporada, desperdicei pouco tempo para discutir as escolhas de Renato e comissão técnica na escalação de titulares, reservas ou alternativos. E prometo que não irei além de algumas linhas. Sei que tem gente que só fala disso e busca aí a explicação para este ou aquele resultado nas competições disputadas até agora. E já sabe até quem atacar se alguma frustração surgir.

 

 

Vamos pensar juntos, caro e raro leitor desta Avalanche.

 

 

Só em uma competição nós estamos pagando o preço por alternar o time: é o Brasileiro. Mesmo assim, sempre estivemos entre os quatro primeiros colocados e ocupando por boa parte do tempo a vice-liderança. Sem contar que alguns dos pontos que nos separam do líder foram perdidos quando os titulares estavam escalados.

 

 

Abrir mão de titulares não foi o motivo que nos tirou da Copa do Brasil, por exemplo. Essa Copa jogamos com que havia de melhor, ao menos com o que tínhamos de inteiro até a semi-final, quando perdemos para aquele que seria o campeão da competição.

 

 

Na Libertadores, exceção daquele jogo muito bem calculado na fase de grupos, contra o Guaraní do Paraguai, estivemos com nossos principais jogadores e somos o único time brasileiro, vou repetir, somos o único time do Brasil com chance de ser campeão. Todos esses outros que estão por aí se engalfinhando no Brasileiro ou nem se classificaram para a Libertadores ou ficaram pelo caminho.

 

 

Contra o Barcelona, o time vai com o que tiver de melhor. Renato escalará o supra-sumo do seu grupo. Terá inclusive Luan e Michel, que aproveitaram a partida deste domingo para ganhar ritmo e se preparar para o meio de semana. E ele arrancará 110% de cada um dos seus jogadores, pois é para isso que estamos jogando a temporada de 2017. É isso que sonhamos conquistar neste ano, mais uma vez. É isso que nossos jogadores sonharão em conquistar enquanto dormem no avião a caminho da Colômbia.

 

 

Na mala que está sendo preparada para a viagem não haverá espaço para choramingo, mimimi e rabugice de torcedor. Nossa bagagem, além do melhor futebol que já apresentamos neste ano, só tem lugar para o sonho e o desejo de cada um de nós gremistas.

 

 

Que o Grêmio faça uma ótima viagem a caminho do nosso sonho!

Avalanche Tricolor: Luan voltou!

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians SP/SP

 

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Bom te ver em campo 

 

Imagino que muitos de nós queríamos sentir o gosto da vitória, nesta noite, em São Paulo. Seria a confirmação de que o time começa a retomar o rumo, uma pressão maior sobre o adversário direto ao título e a manutenção da vice-liderança. 

 

Mas vou lhe dizer uma coisa, caro e raro leitor desta Avalanche, com toda a minha sinceridade. Independentemente do placar final da partida de hoje – e o empate está de bom tamanho, tudo levado em consideração -, eu tinha um só desejo e esse se realizou no momento em que o time entrou em campo. Ver Luan de volta. E Luan voltou.

 

A perna ainda está presa e o ritmo não é o mesmo de quando sofreu a lesão e teve de ficar afastado do Grêmio. Mas se vê claramente que ao tocar na bola, Luan modifica a forma de o time jogar.  Ela chega certa no pé do companheiro, faz um traçado diferente, driblando a burocracia e permitindo mais agilidade no ataque. Os espaços aparecem e os jogadores se aproximam. Tira a carga das costas – ou dos pés – de Arthur que tem com quem dividir o domínio da bola e pode se movimentar com mais liberdade em campo.
 

 

Para quem tem a Libertadores como obsessão e a final da Copa está a apenas dois jogos, ter o time reformatado é fundamental. E Luan é quem põe o Grêmio no eixo como mostram as estatísticas: o aproveitamento chega a 79% quando ele está jogando. Vai ficar melhor ainda até a semana que vem quando teremos pela frente a primeira decisão da semifinal.

 

Jogamos melhor do que o adversário, ficamos mais com a bola no pé, demonstramos uma consistência impressionante na defesa e provocamos os lances de maior perigo no ataque. Não foi suficiente para vencer. Mas neste treino de luxo que o Grêmio fez para Libertadores, repito o que disse no início desta Avalanche, o mais importante era ver Luan em campo. E Luan voltou.

Avalanche Tricolor: uma vitória para espantar o bode

 

 

Coritiba 0x1 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira-Curitiba/PR

 

 

RAMIRO

Ramiro comemora (reprodução SporTV)

 

 

Um domingo estranho esse que eu tive. Para descrevê-lo, a palavra que me vem a cabeça é marrento. O céu esteve nublado desde muito cedo, aqui em São Paulo. Havia um chuvisco sem graça e os termômetros mal chegavam aos 19 graus, depois de uma sequência de dias com temperaturas que bateram a casa dos 35. Pouco convidativo para passeios na cidade. Esconder-se dentro de casa era o que de melhor eu tinha para fazer.

 

 
Não bastasse isso, ainda era o domingo que marcava o início do famigerado horário de verão. Desculpe-me se você é daqueles que curte a mudança no relógio e tem chance de aproveitar o “dia mais comprido”. Eu odeio. Com compromissos profissionais diários que me obrigam a acordar às 4 da manhã, essa mudança costuma causar-me transtornos, especialmente na primeira semana. Por força da mente, desde o sábado já vinha curtindo um bode ao lembrar que na segunda teria de madrugar mais cedo do que de costume. Confesso que isso influenciou meu ânimo. E estragou boa parte do fim de semana. Um dia aprendo a curar essa preocupação.

 

 
Para deixar a coisa ainda mais estranha, o Grêmio somente entraria em campo no fim do domingo e fora de casa, coisa que neste segundo turno do Brasileiro não tem sido nada convidativo ao torcedor. Cheguei a me animar ao ver que Renato escalaria o time quase completo e imaginei um desempenho mais próximo daquilo que queremos ver na Libertadores, apesar da ausência de Luan. Lego engano.

 

 
Se o domingo começou chato, o jogo estava mais chato ainda, em Curitiba. O frio e a chuva também estavam lá para completar o cenário. No primeiro tempo, quase não conseguíamos ficar com a bola no pé. E se com ela no pé, nas últimas partidas, chegamos pouco ao gol, sem ela a distância parecia ainda maior. Exceção a alguns escanteios e a cabeçada de Geromel, tivemos pouco motivos para levantar do sofá.

 

 
Veio o segundo tempo e o desespero do adversário quase rebaixado fez aumentar a pressão. A bola rondava nossa área e a defesa despachava do jeito que dava. Ainda bem que o pouco que passou pelos nossos zagueiros ficava nas mãos de Marcelo Grohe. Do meio de campo para frente havia um esforço para trocar passes, recuperar o domínio do jogo e tentar chegar ao ataque. Nada muito inspirador, apesar de uma melhora aparente em relação ao primeiro tempo.

 

 
Renato fez as mudança de praxe. Trocou Arroyo por Everton; Barrios por Beto da Silva e, quando o empate parecia a melhor coisa que poderia acontecer neste domingo, colocou Jael em lugar de Fernandinho. E de onde menos se esperava foi que saiu a jogada para o gol redentor. Em uma contra-ataque liderado pelo atacante que acabara de entrar, aos trancos e barrancos, a bola sobrou livre para Ramiro, que em um chute forte e alto, marcou aos 46 minutos do segundo tempo.

 

 
Quase corri junto com Ramiro na comemoração do gol, pois aquele gol, naquele momento e com aquele sofrimento era a única coisa capaz de me tirar o bode deste domingo de primavera com cara de inverno e horário de verão. 

Avalanche Tricolor: vamos com fé!

 

Grêmio 0x1 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Imagem do Santuário, em São Leopoldo no RS

 

A quinta-feira iniciou-se com o sino da Igreja, aqui ao lado, tocando mais forte e fora do horário normal. Anuncia, já sob o forte sol desta primavera, que os católicos vivemos data especial, pois, neste 12 de outubro, comemoram-se três séculos desde o surgimento da imagem da santa negra nas águas do Rio Paraíba. Aquela que ficou conhecida por Nossa Senhora Aparecida. Soube pelas notícias do rádio (é, caro e raro leitor desta Avalanche, ainda ligo o meu radinho logo cedo, mesmo quando estou de folga), que milhares de romeiros já se aglomeram na Basílica, em Aparecida, interior de São Paulo. Outros tantos viajantes estão parados em congestionamentos nas rodovias – uma parte a caminho da Santa e o restante doidos para aproveitar o santo feriado.

 

Curiosamente e com todo o respeito, se acordei com Nossa Senhora em mente, fui dormir com a imagem de outro santo … perdão, porque ao pé da letra ele ainda não pode ser considerado santo, pois está a espera do longo processo de beatificação que se desenrola lá no Vaticano. Apesar dos trâmites terem se iniciado em 1953 é possível que ainda tenhamos pela frente muita tarefa burocrática e minuciosa até a beatificação do Padre Reus. Paciência!

 

Sim, foi Padre Reus quem apareceu na minha mente, ontem, quase meia-noite, quando já havia se encerrado a partida do Grêmio por mais uma rodada deste, também, interminável, Campeonato Brasileiro. Aproveitando-me do fato de o feriado de Nossa Senhora ser motivo de folga para mim no dia seguinte, fiquei sentado no sofá até mais tarde e pensando sobre o que havíamos acabado de assistir em campo.

 

A primeira impressão era de angústia por causas mal resolvidas como aquele toque de bola incapaz de entrar na defesa adversária e abrir espaço para nossos atacantes terem alguma chance verdadeira de gol. Houve apreensão, também, após ver o nosso melhor jogador na atualidade – e me refiro aos que estão disponíveis para jogar – dividir uma bola no meio de campo e cair no gramado contorcendo-se de dor. Substituído em seguida, Arthur saiu manquitolando e deixou dúvida na cabeça do torcedor: aquele dedão dolorido seria suficiente para afastá-lo do jogo que realmente nos interessa? Que os Deuses do Futebol o mantenha firme e forte para a decisão.

 

No turbilhão de emoções e sentimentos que um jogo de futebol – especialmente quando somos derrotados – provoca, houve um momento da minha reflexão em que surgiu um alívio. Afinal, aquele resultado ruim talvez eliminasse de vez quaisquer resquícios de sonho e possibilidades de ficarmos com o título do Brasileiro. Ou seja, acabaria pressão e passaríamos a encarar cada uma dessas partidas restantes como treinos de luxo para algo realmente importante.

 

Nosso histórico recente não tem sido animador. Os gols escassearam, nos distanciamos das vitórias, perdemos posição, jogadores cruciais seguem com problemas físicos, Douglas que seria uma esperança não volta este ano, Pedro Rocha não volta nunca mais e Luan, o insubstituível, está sendo preservado: terá ritmo de jogo para a decisão?

 

Ei, calma lá: sobre quais resultados estou falando?

 

Porque naquilo que nós gostamos, vai tudo bem obrigado! Aliás, só nós vamos bem, aqui no Brasil, como único representante do País na semifinal da Libertadores. Mas quem somos nós? Aquele time que luta como ninguém, encanta até mesmo o adversário e está a quatro jogos do título sul-americano? Ou somos o time que caiu para quarto lugar no Brasileiro, sem inspiração, sem brilho e sem desejo?

 

Tenho fé em Renato e creio que ele e sua comissão estejam cuidando de cada detalhe. Ao fim da partida, não escondeu que muitos jogadores entraram para jogar o Brasileiro mas não param de pensar na Libertadores. E sem foco no que se faz, é claro que o resultado não aparece.

 

Sim, tenho fé em Renato, mas lembrei-me mesmo foi de Padre Reus. Ess padre que chegou da Baviera e se estabeleceu em São Leopoldo. Lá fez suas obras e descreveu suas visões. Passou a ser considerado milagreiro por fiéis e hoje tem seus restos mortais enterrados no Santuário Sagrado Coração de Jesus, principal ponto turístico da cidade gaúcha. Estive lá ao lado do meu pai na última vez em que fui ao Rio Grande do Sul. Ele é devoto de Reus e mantém em sua mão uma imagem do Padre sempre que assiste aos jogos do Grêmio. Quando somos atacados, aperta mais forte como se querendo lembrar ao nosso santo que está na hora dele intervir. Sempre que o gol sai, agradece com um beijo na imagem.

 

Já falei ao caro e raro leitor desta Avalanche que costumo não misturar religião e futebol. Cada coisa com sua crença, ou melhor, cada crença com sua coisa. Mas diante da proximidade da semifinal na Libertadores e dos tropeços recentes no Brasileiro, foi a lembrança do Padre Reus quem apaziguou minha mente na noite passada. Independentemente do futebol e jogadores recuperados, sei que a imagem dele estará acompanhando o pai no dia 25 de outubro.

 

Vamos com fé, pai!

Avalanche Tricolor: uma vitória importante para a Libertadores

 

Grêmio 1×0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

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Beto da Silva faz o primeiro gol dele no Grêmio (reprodução SporTV)

 

 

O Grêmio joga para a Libertadores. E por isso é importante que vença no Brasileiro, mesmo que o faça com placares apertados e sofridos. Pode parecer estranho como são estranhas muitas das coisas que escrevo nesta Avalanche. Mas é real.

 

Desde o desconserto sofrido pelo time com a venda de Pedro Rocha e as lesões de alguns jogadores importantes, especialmente Luan – uma exceção no futebol brasileiro -, Renato tem enfrentado o desafio de fazer com que a equipe volte a jogar o futebol de qualidade que deslumbrou a crônica e entusiasmou nossa torcida. No entanto, alcançar a excelência do futebol que apresentamos até agora há pouco exige muito entrosamento, jogadores posicionados corretamente em campo e confiança entre os companheiros.

 

O passe preciso que foi uma das nossas marcas não depende apenas de quem o executa, mas de quem se movimenta para receber. E nossa diferença até então era que o executor (ou o passador)  ao ter a bola sob seu domínio sabia que dois colegas estariam prontos para dar sequência à jogada. Havia opção. Havia entrosamento. Havia confiança. Recebia e passava com velocidade, entendia o movimento do parceiro de um lado e de outro. Às vezes, a passagem de um deles era por trás dos zagueiros em condições de chutar a gol. E a bola chegava até lá.

 

Hoje ensaiamos alguns desses lances na primeira parte do jogo, mas após um, dois, três erros todos preferem ser mais conservadores. E o conservadorismo inibe a criatividade, torna o jogo óbvio e facilita a vida do adversário que tem como único objetivo desarmar. As mudanças no Grêmio, a necessidade de adaptar jogadores  e reposicioná-los em campo, desconsertou o time e, assim como os bons jogos, os bons resultados rarearam.

 

A discussão no Campeonato Brasileiro não é mais se devemos jogar com titulares, reservas ou alternativos. Sequer se almejamos ou não o título da competição (registre-se: se ainda for possível, eu quero). O Grêmio joga o Brasileiro para remontar o time para a Libertadores, dentro e fora de campo. Os lesionados ganham tempo para se restabelecerem enquanto Renato testa jogadores e formações. E nessa fase de teste fora de época – mas necessária – os tropeços acontecem, o futebol fica escasso e a bola não rola mais com a mesma certeza.

 

Exceção aos primeiros momentos do segundo tempo, o Grêmio dominou a partida dessa tarde de domingo, correu poucos riscos, ficou com a bola no pé, tentou chegar ao gol, mas a falta de entrosamento e o conservadorismo atrapalharam a execução. Não me surpreende que um time que já havia feito 99 gols na temporada tenha tido tanta dificuldade para alcançar a marca dos 100 gols. Alcançamos, respiramos e ganhamos tempo.

 

Ao remontar o time, Renato deu chances a Christian, que não aguentou o tranco da primeira partida; Patrick, que tem de ganhar personalidade em campo; Jean Pyerre, que para mim foi uma grata surpresa; Jael, que está a espera de uma bola no pé; e Beto da Silva, que se revelou um oportunista.

 

Luiz Humberto Silva da Silva, o Beto da Silva, 20 anos, que cresceu em Porto Alegre, foi se destacar em Lima, passou pela Holanda e retornou ao Grêmio, soube aproveitar a única oportunidade de gol que surgiu naquele último quarto de partida. Uma bola que resultou do chute forte de Everton, amortecido nos braços do zagueiro adversário – o que foi desconsiderado pelo árbitro – e sobrou para ele dentro da pequena área. Do jeito que dava, enquanto o restante do time reclamava pênalti, Beto da Silva desviou a bola para dentro do gol. Ela entrou devagar, quase que desistindo no meio do caminho. Mas entrou. Era o gol que ele precisava. Que o Grêmio necessitava.

 

Escalar o que tivermos de melhor à disposição, encaixar novamente o time, apostar no surgimento de substitutos  – como é o caso de Beto da Silva  – capazes de ocupar a vaga deixada por titulares -,  e vencer todo e qualquer desafio, seja por quantos gols for, é o melhor que temos a fazer.

 

É no Campeonato Brasileiro que vamos encontrar força, entrosamento e confiança para ganharmos a Libertadores. 

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa?

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

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Jogadores discutem com auxiliar (reprodução Premier)

 

Vamos discutir se foi pênalti ou não o escorregão de Edílson, já nos acréscimos?

 

Fosse eu, não marcaria. Claro que não! A começar pelo fato de que eu jamais me atreveria a entrar em campo para arbitrar uma partida de futebol. Tenho coisa melhor pra fazer na vida. E claro que não porque afinal sou gremista e minha visão sempre estará influenciada pela emoção que emana do coração. Sem pipocar, assinalaria o tiro de meta. E aí de quem viesse reclamar! Seria recebido com o cartão vermelho na mão.

 

Vai que o lance fosse do outro lado do campo? A favor do Grêmio e já nos acréscimos? Você daria pênalti? Eu, com certeza. E o consideraria indiscutível. Sairia de campo sem entender porque tanta polêmica. Todo mundo viu!? “O lateral deles escorregou e bateu no pé do nosso atacante. Até não queria fazer a falta. Uma fatalidade. Mas claro que foi pênalti para o meu Grêmio”, teria dito.

 

Sendo assim e diante da minha parcialidade o melhor a fazer nesta Avalanche, caro e raro leitor, é deixar esta “brigalhada” sobre se foi ou não pênalti para os entendidos (e como os temos no futebol brasileiro).

 

Talvez seja mais produtivo para o restante do campeonato e, especialmente, para aquilo que mais nos interessa nesta temporada – ser campeão da Libertadores – buscar respostas para o fato de termos mais uma vez jogado com a bola no pé e sob nosso domínio a maior parte do jogo e não termos conseguido transformar isso em gol.

 

Depois daquele 5×0 no início de setembro, já jogamos cinco partidas e marcamos apenas um gol. Tudo bem, foi o gol mais importante que tínhamos de ter marcado nesta temporada, pois nos deixou ainda mais próximo desta obsessão que temos pela Libertadores. Jamais trocaria aquele gol marcado de cabeça por Barrios, quarta passada, por qualquer outro que deixamos de assinalar neste Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

 

Aliás, sobre gols que deixamos de marcar, mais uma curiosidade: nas últimas nove partidas fizemos apenas em duas. Tudo bem, fizemos naquela mais importante que tínhamos de ter feito etcetera e tal …. Mas talvez seja um bom assunto para nos fazer pensar.

 

Eu disse pensar e não reclamar como tenho visto muitos dos nossos por aí.

 

Nosso time tem o melhor ataque do Campeonato Brasileiro com 40 gols, cinco a mais do que o líder e quatro a mais do que o segundo ataque com melhor desempenho. Joga o futebol mais bonito desta competição, mesmo que a tenhamos deixado em segundo plano em várias rodadas. Faz um jogo interessante, a despeito de marcar gols ou não.

 

O que mudou nessa última leva de jogos foi a ausência de Pedro Rocha por um lado, de Luan por todo o campo e, na maior parte das rodadas, de Barrios dentro da área. E isso, evidentemente, faz muita diferença em uma equipe de futebol por mais equilibrado que possa parecer o seu elenco.

 

Com o ímpeto de Rocha não podemos mais contar, infelizmente. Com o talento de Luan e o oportunismo de Barrios, porém, basta ter um pouco de paciência. Logo e no momento em que mais precisarmos, daqui um mês, na semifinal da Libertadores, ambos estarão firmes e fortes de volta a equipe. E os espaços se abrirão para que eles e seus colegas cheguem ao gol que está escasso nessas últimas partidas.

 

Sem contar que ouvi falar da possibilidade de Douglas e seus passes incríveis estarem disponíveis em breve, o que abre novas opções de escalação. Seja bem-vindo, Douglas!

 

Com a equipe recuperada, nossos talentos em campo e focado apenas no principal objetivo desta temporada, os gols tendem a voltar com mais facilidade e assim não precisaremos ficar na dependência da decisão de um árbitro e seus auxiliares.

Avalanche Tricolor: ‘Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra’

 

 

Grêmio 1×0 Botafogo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Neste 20 de Setembro havia três brasileiros disputando a Libertadores da América. Apenas um deles sobreviveu em campo na luta pelo título: o único que é Imortal. Diante de mais este feito, só me resta cantar, daqui de Belo Horizonte, onde me encontro nesta noite, para que todos ouçam por toda a América:

 

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

 

 

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

 

 

 

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Avalanche Tricolor: véspera de pouco, dia de muito ou vice e versa

 

Grêmio 0x1 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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“Dia de muito, véspera de pouco” era ditado que ouvia muito da boca de minha mãe quando ainda era pequeno. Confesso, já não lembro mais em que momentos da minha infância a tal frase tinha serventia. Ficou na memória. E como todas as coisas na minha memória são passíveis de confusão. Troco nome de amigos assim como mudo frases populares e seu sentido. Essa em especial sempre me soou invertida e, na vida adulta, sempre foi usada para consolar-me naqueles dias em que nada costuma dar certo ou imaginamos que não tenha dado certo. Quem souber da sua origem que me ajude.

 

Há quem a use para alertar-nos da necessidade de equilibrarmos nossos bens e sentimentos, impedindo assim a euforia da vitória ou o desalento da derrota. Euforia e vitória andam de mãos dadas e geram ilusões que tendem a nos levar ao mesmo resultado lá na frente: ruim. Estão aí para provar que a busca tem de ser pelo caminho da mediação entre a excitação e a infelicidade.

 

Já ouvi quem repetisse o dito popular como forma de condenar o desperdício que cometemos nas épocas de fartura. Chamar nossa atenção para a necessidade de guardamos o que ganhamos hoje para o período das vacas magras. Como que querendo dizer que é preciso economizar agora para não faltar amanhã. Mas nesse caso, o ditado não teria de ser outro? Véspera de muito, dia de nada?

 

Sei lá! Só sei que foi a primeira frase que me veio a cabeça quando percebi que o Grêmio repetiria, neste domingo à tarde, o desempenho das últimas partidas quando apesar de ser o dono da bola, faltou-lhe capacidade de furar o bloqueio adversário. Comandou a partida e entregou os pontos. Teve muita bola no pé e pouca criação. Dominou o jogo mas não transformou essa supremacia em gols.

 

Que esta véspera de decisão da Libertadores, com pouca inspiração e nenhum gol, se transforme em um dia – no caso, uma quarta-feira –  de  futebol bem jogado e muita alegria para todos nós gremistas.

Avalanche Tricolor: as marcas do futebol gremista, na Libertadores

 

Botafogo 0x0 Grêmio
Libertadores – Estádio Nilton Santos RJ

 

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Arthur deixa a sua marca (reprodução SporTV)

 

Personalidade e maturidade foram marcas do futebol gremista na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Típicas de um time copeiro, experiente em competições sul-americanas e consciente do seu potencial. Não por acaso estamos em nossa décima-sétima Libertadores, já fomos quatro vezes à final e buscamos o Tri.

 

O Grêmio de Renato soube reduzir os riscos contra um adversário empurrado por sua entusiasmada e confiante torcida, que acabara de vir de uma vitória em clássico, no Campeonato Brasileiro. Sabia da pressão que poderia sofrer e soube trabalhar diante deste desafio.

 

Fez questão de ficar com a bola no pé e trocar passes sem precipitação, com precisão – esta que, aliás, é outra de nossas marcas, desde a temporada passada. Jogou com inteligência, tendo Arthur mais uma vez demonstrado talento acima da média na condução da bola.

 

Marcou com firmeza, expondo-se pouco ao perigo e contando com a experiência de jogadores como Kannemann, Edílson, Leo Moura e Fernandinho. 

 

Soube aproveitar o talento de seus jogadores, mesmo sem ter em campo dois de seus melhores: Geromel e Luan.

 

Nosso zagueiro mitológico mais uma vez foi substituído pela segurança de Bressan.

 

Já Luan não tem substituto em solo brasileiro, portanto não havia como esperar que alguém reproduzisse suas qualidades.

 

Nada está decidido, mas a decisão será na Arena, com a torcida a se somar aos nossos talentos. Sem contar que Renato terá de volta – é o que se espera – Geromel e Luan, marcas importantes desta equipe.

 

Por mais difícil que seja o confronto da próxima quarta-feira ou por mais que empate com gols seja favorável ao adversário, o Grêmio está firme e forte a caminho de deixar mais uma marca na Taça Libertadores.

 

 

Avalanche Tricolor: que o futebol de talento prevaleça

 

 

Vasco 1×0 Grêmio
Brasileiro – São Januário RJ/RJ

 

 

Gremio

(imagem de arquivo)


 

 

Era futebol, era o Grêmio e era no Rio de Janeiro. Mas ainda era sábado, era em São Januário e no Brasileiro. E assim como eu, imagino que você, caro e raro leitor gremista desta Avalanche, – talvez parte de nosso time, também – estávamos com a cabeça a 10 quilômetros dali. É no Nilton Santos, lá no Rio mas na quarta-feira, que nossa temporada de futebol bem jogado pode ser validada. É lá que sinalizaremos o quanto o jeito de tocar na bola, trocar de posição e surpreender o adversário valeram a pena neste ano. E devem ser mantidos.
 

 

O futebol tem dessas coisas. Por mais que um time seja reverenciado pelo tipo de jogo implantado, pela genialidade de seu esquema tático e pelo poder de solução que alguns de seus talentos individuais oferecem, se não tiver um título para ilustrar todas essas qualidades, provavelmente terá sua história esquecida. Lembraremos nós, ao menos uns e outros de nós, o ano em que Renato conseguiu dar um padrão de jogo capaz de espantar críticos no Brasil, que Luan jogava o futebol mais bonito do país, que tivemos o ataque mais vigoroso e equilibrado da temporada. E sempre haveremos de ouvir um “mas ….”. Estaremos sempre condenados a esta conjunção adversativa.
 

 

Não bastasse ser uma obsessão desta torcida que descobriu ainda na década de 1980 que conquistar a América nos colocaria acima de qualquer vitória nacional do arqui-adversário, a Libertadores tem função ainda maior nesta temporada, especialmente após o desperdício dos títulos Gaúcho e da Copa do Brasil. Será o certificado que o Grêmio busca para corroborar suas escolhas seja na forma de jogar, seja na de reter talentos, seja na de contratar reforços, seja na de se comportar em campo e fora dele.
 

 

Longe de mim desmerecer nossas qualidades reveladas até aqui, independentemente do que venha a acontecer. Você que me acompanha neste espaço sabe do quanto tenho me deslumbrado com alguns dos momentos vividos em campo pelo Grêmio. Mesmo em alguns jogos nos quais o resultado não era o esperado, sinto orgulho de torcer por este time – como se já não bastasse o orgulho que tenho de ser gremista. Mas … e lá vem a conjunção adversativa mais uma vez … o futebol é ingrato. Exige vitória após vitória. Reivindica títulos, a qualquer preço. Precisa de uma faixa no peito e uma taça no armário para ser lembrado.
 

 

O futebol de talento merece este título. E o Grêmio haverá de provar isso na quarta-feira, no Nilton Santos, na Libertadores.