Avalanche Tricolor: a Copa vai começar, ainda bem!

 

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Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

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Geromel, o Mito, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Trabalhei com esporte em alguns momentos da minha carreira profissional, especialmente no início, na primeira parte dos anos de 1980 quando fui repórter de campo —- como chamamos essa turma que fica atrás do gol e correndo atrás de jogador ao fim da partida. Na época estava na rádio Guaíba, em Porto Alegre.

 

Já em 1990, fui produtor de programa de esportes da rádio Gaúcha, durante a Copa da Itália. De Porto Alegre, marcava e gravava entrevistas, redigia textos e preparava o roteiro que o âncora apresentava aos ouvintes. Fiquei apenas no mês do Mundial e cheguei a fazer alguns jogos do Campeonato Gaúcho até receber convite para trabalhar com uma produtora de vídeo que me fez viajar por boa parte das cidades do Rio Grande do Sul — e aí o assunto não era mais futebol.

 

Em São Paulo, no início dos anos 2000, graças a Juca Kfouri e a RedeTV! tive a oportunidade de narrar jogos de futebol — da Champions League, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil — além de algumas partidas de tênis. Foi uma experiência e tanto: imagine que transmiti a final da Copa do Brasil de 2001, entre Corinthians e Grêmio, na qual fomos campeões, sob o comando de Tite.

 

Quando pensei que a cobertura esportiva se resumiria a bate-papos nos programas de rádio e TV que apresentei em diferentes emissoras aqui na capital paulista, o Portal Terra me ofereceu uma chance única: cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Diretamente da Cidade do Cabo apresentei programa que movimentava repórteres pelo país e trocava opinião com comentaristas e internautas. Foi emocionante.

 

O clima que envolve uma Copa do Mundo é contagiante. Turistas de todas as partes se encontram, se fantasiam e se divertem. Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter vivenciado parte dessa sensação durante o Mundial aqui no Brasil — mesmo que a maioria de nós prefira deixar para lá o que aconteceu naquela competição e continue a pagar a conta dos gastos mal feitos.

 

A Copa vai começar novamente, nessa quinta-feira, e independentemente do mau humor de alguns brasileiros — há quem diga que não são apenas alguns —, estou bastante entusiasmado com o que veremos nos gramados. A história dessa competição nos dá certeza de que atos heróicos estão para acontecer a qualquer momento. São jogadores, muitos dos quais jamais ouvimos falar, que superam dores e decepções, que se tornam heróis e algozes, que alegram e frustram, que estão a beira de cair no ostracismo da mesma maneira que podem se transformar em ícones de uma nação.

 

Cada Mundial é um capítulo à parte do futebol. Cada seleção tem seu próprio desafio. Cada jogador, uma expectativa diferente. Para uns estar em campo é a vitória; para outros só a vitória interessa. Há os que se satisfarão se tiverem a chance de perfilar ao lado de seus colegas na foto antes do jogo. Há os que só terão a alegria confirmada quando registrarem um selfie agarrado na taça de campeão.

 

Gosto de Copa e desta vez no papel de admirador do futebol me programarei para assistir aos principais jogos na TV. Vou parar para ver o Brasil de Tite. E, evidentemente, vou dedicar uma torcida especial para Geromel, que sonho ver saindo do banco de reservas para decidir um jogo complicado da nossa seleção. Sim, porque mesmo que eu goste de Copa e torça para o Brasil, a camisa que visto continuará sendo a mesma: a do Grêmio.

 

Aliás, o Grêmio é um dos motivos pelos quais não via hora desta Copa na Rússia começar. Estávamos precisando urgentemente de uma longa parada para colocar as coisas no lugar, respirar fundo, recuperar condicionamento físico, curar lesões e dores e voltar a jogar o futebol mais bonito do Brasil que, sem dúvida, não foi esse que mostramos na noite desta quarta-feira.

 

A Copa vai começar, ainda bem.

Avalanche Tricolor: um futebol que vai deixar saudades

 

Grêmio 1×0 América-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

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Eram 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. Havia uma lateral a nosso favor — daqueles lances que na maior parte das vezes é marcado pela burocracia de um arremesso com a mão para alguém que esteja mais próximo e sem marcação. Cortez arremessou a bola para Thaciano, que havia escapado por trás dos zagueiros ao lado da grande área. Nosso atacante dominou e devolveu a bola para Cortez, que passou para Cícero, que recuou para Luan, que viu Cortez correndo entre os zagueiros em direção ao gol. Nosso lateral voltou a receber a bola pelo alto e de cabeça procurou Jael. O marcador foi mais rápido e fez o corte, mas Arthur recuperou em seguida, passou para Everton e nosso atacante chutou para a defesa parcial do goleiro adversário (veja o lance acima).

 

Como disse, tudo aconteceu aos 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. O lance talvez apareça no resumo do jogo que as emissoras de televisão costumam mostrar nos programas esportivos — caso contrário corre o risco de ficar esquecido diante do gol que marcamos aos 32 do primeiro tempo, que por sinal foi uma pintura: Cícero, que estava no campo de defesa, foi capaz de ver a disparada de Everton e com um lançamento preciso o colocou dentro da área em condições de empurrar a bola para dentro do gol.

 

O gol foi realmente belíssimo, mas preferi destacar o lance descrito no primeiro parágrafo desta Avalanche — e destacado no vídeo que ilustra este post — porque vejo nele muito do que é o Grêmio dos tempos atuais — do que é o Grêmio de Renato: jogadores que impõem uma dinâmica muito veloz de troca de posições, que passam a bola com confiança e têm coragem de arriscar jogadas de efeito, sem medo de errar.

 

Nem sempre tudo isso se realiza em gol, mas confesso minha felicidade em ver meu time jogando dessa maneira, valorizando a posse de bola e a tratando com o talento que somente os grandes times do futebol mundial são capazes de fazer. Houve outros tantos momentos interessantes na partida, como o drible de Everton na lateral de campo, aos 33 do segundo tempo, quando girou no ar, trocou a bola de um pé para o outro e deixou seu marcador caído no gramado.

 

Mais importante ainda é saber que esses não são lances raros de serem vistos nas partidas jogadas pelo Grêmio, mesmo quando o resultado não é o que desejamos. Digo tudo isso para registrar aqui, caro e raro leitor desta Avalanche, que independentemente da posição que estejamos até a parada do Campeonato Brasileiro — que acontecerá no meio dessa semana que se inicia —, terei de encontrar algo para conter minha ansiedade em ver novamente o Grêmio em campo. A competição nem parou para a Copa do Mundo e eu, confesso, já estou com saudades.

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

Grêmio 0x2 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Avalanche Tricolor: o futebol tem dessas coisas

 

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Brasileiro – Arena Fonte Nova/Salvador-BA

 

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Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O futebol tem dessas coisas.

 

Fizemos jogos incríveis nesta temporada e saímos lamentando a falta de gol, o empate injusto, o erro do árbitro ou o campo maltratado. Desperdiçamos pontos e perdemos a oportunidade de estar no topo da tabela.

 

Na tarde em que tivemos o pior desempenho do ano, esquecemos de trocar passe no ataque, perdemos o controle do jogo — chegamos a tropeçar na bola, coisa rara neste time — e efetuamos chutes distorcidos, saímos do gramado com uma vitória de 2 a 0 e na vice-liderança da competição.

 

Verdade que os dois gols que fizemos foram resultado daquilo que temos de melhor: a velocidade com que se trabalha a bola e com que se escapa da marcação.

 

No primeiro, Everton foi talentoso para driblar e preciso ao encontrar Ramiro no meio da área, onde sofreu o pênalti. Por curioso, só fizemos o gol depois de Maicon errar a cobrança — outra raridade nestes últimos tempos.

 

No segundo, Everton, o “imparável” voltou a funcionar com uma escapada que deixou marcadores estatelados no chão. Depois foi uma corrida para ver quem conseguia empurrar a bola para dentro. Entre Pepê e Thaciano, ficou com esse último a tarefa de decidir o jogo.

 

Fora esses lances, pouca coisa se tirou da partida. Para não ser injusto, destacou-se a defesa que pressionada em boa parte do jogo soube afastar os perigos que se avizinhavam.

 

Torcedores devem estar a se perguntar: é melhor jogar bem e empatar ou jogar mal e ganhar os três pontos? A quem ainda tem essa dúvida, minha resposta: jogar o melhor futebol do Brasil como vínhamos fazendo até aqui e ganhar. Essa é a nossa missão e voltaremos a cumpri-la assim que as principais peças estiverem em forma novamente. Porque jogar bem e não conseguir o resultado até acontece — o futebol tem dessas coisas. Agora, jogar mal e vencer, é muito mais difícil — apesar de que o futebol, como vimos hoje, também apronta dessas. Ainda bem que dessa vez foi a nosso favor.

Avalanche Tricolor: crise? que crise?

 

Grêmio 0x0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton contra três marcadores em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sem crise. Sem gols, também. Mas sem crise. E se alguém pensa na possibilidade de que uma possa se instalar, está muito enganado. O Grêmio é campeão Gaúcho e da Recopa Sul-Americana. Está classificado às quartas-de-final da Copa do Brasil, segue firme e forte na Libertadores e se mantém na luta pelo Brasileiro

 

Mas está em oitavo? Sim, está mesmo. E pode ficar em nono, dependendo a combinação de resultados. Para quem só enxerga futebol pelo buraco da fechadura pode parecer um problema. Mas é preciso olhar de maneira mais ampla.

 

Começa que a distância para o topo da tabela é pequena — e pode mudar em duas ou três rodadas no máximo. Ao contrário de anos anteriores, ninguém disparou na liderança, apesar de haver times com campanhas consistentes — alguns inclusive com campanha dedicada ao Brasileiro, diferentemente do Grêmio.

 

O mais importante é que a falta de gols nas últimas partidas, que tanto incomoda o time e os torcedores, não ocorre pela falta de futebol —- a bola segue rolando de pé em pé a maior parte do jogo e com passes precisos acima da média dos adversários. A quantidade de finalizações também é significativa, mesmo estando abaixo do esperado pelo tempo que mantemos o controle da partida.

 

As lesões, principalmente no ataque, tiraram opções de Renato que, neste momento, está com jogadores de características semelhantes para colocar dentro da área. Sem essa variação, o adversário se fecha, e os caminhos para chegar ao gol ficam limitados. À medida que os machucados retornarem, os gols voltarão, também.

 

O curioso nesse empate de quarta-feira foi perceber que se antes a retranca era o antídoto usado por times que ocupavam a zona de rebaixamento, agora passou a sê-lo daqueles que estão no topo da tabela. Ou seja, a fórmula encontrada para parar o futebol bem jogado do Grêmio é impedir que se jogue futebol.

 

Se você estiver apostando em crise, não perca seu tempo. O futebol de qualidade haverá de perseverar.

 

Avalanche Tricolor: uma vitória com o talento de Everton, o “imparável”

 

Ceará 0x1 Grêmio
Brasileiro – Arena Castelão/Fortaleza CE


 

 

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Everton em mais uma escapada, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas — e endereçado a Thonny Anderson, o menino que em um minuto e meio fez aquilo que vínhamos tendo dificuldade para fazer durante esta e as duas últimas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

 

Aos 35 minutos do segundo tempo, de cabeça, Thonny fez o único e necessário gol nesta vitória sobre mais um adversário que enfrentamos que estava na zona de rebaixamento — os dois times anteriores, para os quais desperdiçamos quatro pontos dos seis disputados, também estiveram ou estão por lá.

 

Peço desculpas a Thonny Anderson porque o lógico seria escrever esta Avalanche sobre ele, que aos 20 anos, emprestado ao Grêmio, tem sido colocado à prova desde o Campeonato Gaúcho. Cotado para sair jogando na partida deste domingo, havia quem o desafiasse a mostrar seu talento, pois estaria devendo o futebol que prometeu nas suas primeiras aparições.

 

Lamento, Thonny, mas meu coração pede para escrever sobre outro jogador — aquele que protagonizou a jogada que permitiu que você fizesse o gol. 

 

Foi Everton quem, no fim do ano passado, me proporcionou a lembrança mais emocionante do futebol nos últimos tempos. Eu estava ali, ao lado dele, em Al Ain, quando nosso atacante entrou na área, cortou para a direita e marcou o gol, já na prorrogação, que nos colocou na final do Mundial de Clubes.

 

Aquele gol parece ter feito nosso atacante desencantar. Parece ter provado a ele próprio o quanto era capaz de fazer com a camisa do Grêmio.

 

Até ali, Everton ameaçava dribles, arriscava alguns chutes e até decidia partidas, mas sempre deixava a ideia de que mais desperdiçava oportunidades do que as aproveitava. Era o jogador que entrava no segundo tempo quando o time não encontrava solução.

 

Hoje, com apenas 22 anos, Everton está muito mais maduro e preciso, sem perder o desejo de ser moleque, que lhe faz acreditar em todas as jogadas, mesmo com a marcação dobrada. Quando recebe a bola, não se satisfaz com o passe para o lado ou o lance burocrático. Quer mais. Olha para frente. Arrisca o drible e consegue passar pelos marcadores.

 

É duramente marcado, empurrado, acossado, mas resiste a todos os algozes. Ele não desiste. Não para nunca. Hoje, sofreu dois pênaltis. No primeiro, o pé foi puxado pela mão do zagueiro, mas o árbitro titubeou e voltou atrás. No segundo, foi derrubado em cima da linha, e o árbitro marcou fora.

 

Quando muitos já temiam mais dois pontos perdidos, a bola foi espantada da nossa área, em uma cobrança de escanteio, e encontrou Everton na nossa intermediária. Ele tocou a bola para a frente, cruzou o meio de campo, atropelou sem dó o marcador e seguiu conduzindo-a em velocidade impressionante.  Ao entrar na área, havia outro zagueiro para pressioná-lo. Everton não se incomodou. Tocou a bola pelo alto e na cabeça de Thonny. Deu de presente ao outro menino do nosso ataque o gol da vitória.

 

Everton comemorou o gol de Thonny apontado o dedo para o céu, enquanto todos nós, inclusive o autor do gol, apontávamos o dedo para ele — o “imparável” Everton.

Avalanche Tricolor: tá difícil, chama o Luan

 

Grêmio 1×0 Defensor
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Luan comemora único gol da partida em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dias estranhos vivemos nesta semana.

 

A paralisação do setor de transportes de carga mexeu no cotidiano dos brasileiros. Os caminhões deixaram de entregar as mercadorias, interromperam o tráfego nas estradas e prejudicaram o trânsito nas cidades.

 

O alimento deixou de chegar aos armazéns e o pouco que chegou teve preços majorados. O combustível ficou escasso e as filas de motoristas nos postos são enormes — imagem que só perde em escândalo para o preço cobrado na bomba.

 

Sem abastecerem, os ônibus diminuem o número de viagens e os passageiros ficam mais tempo no ponto. O serviço de lixo é suspenso, a rota da polícia é reduzida e as ambulâncias correm o risco de não sair dos hospitais. Os aviões voam com restrições e os correios desistem de prestar o serviço.

 

O governo não tem de onde tirar dinheiro porque gasta muito e gasta mal. Quando poderia melhorar o gasto, chafurdou na lama da corrupção. A Petrobras também foi destroçada por corruptos e gente de má-fé, e na reconstrução impôs regras de preço que pressionam o bolso de quem já está com dificuldade — o dólar sobe, o preço do barril sobe e a conta chega na bomba de combustível.

 

O cidadão está cansado de pagar a conta dos desmandos e mesmo sentido no seu dia as dificuldades impostas pela crise no abastecimento sinaliza apoio a reclamação dos caminhoneiros. Esses reclamam com razão porque ficam sem manobra para negociar preço, os custos aumentam e o frete não compensa. Por trás deles, escondidos na boleia, estão empresários, donos de enorme frotas de caminhão, que, sem direito à greve, empurram os motoristas para a frente das manifestações.

 

No cenário político, aproveitadores reagem, populistas gritam e extremistas ocupam espaço com discursos baseados em ideias mentirosas e fraudulentas. Há os que sequer sabem fazer conta, os que têm medo de por a cabeça para fora e os sem-noção, que agem como se nada estivesse ocorrendo a sua volta. Poucos buscam o equilíbrio da fala e o meio-termo nas ações.

 

E o que tudo isso tem a ver com o tema central dessa coluna, autodenominada Avalanche Tricolor?

 

Foi esse caos que me tomou o tempo nessas últimas 48 horas, me impediu de escrever a Avalanche logo após o jogo como costumo fazer desde 2008, e de agradecer a Luan por seu talento e precisão nos chutes.

 

Quando todos os caminhos estavam fechados e a bola teimava em desviar nos buracos do gramado mal-cuidado — Renato tem razão em reclamar —, nosso camisa 7 chamou a responsabilidade para si, usou de sua autoridade com a bola no pé e encontrou uma solução para resolver de vez nossos problemas em campo. Assim, o Grêmio encerra a primeira fase líder invicto de seu grupo e com a segunda melhor campanha da Libertadores.

 

Luan para presidente!

Avalanche Tricolor: é o preço da fama

 

 

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Brasileiro – Vila Capanema/Curitiba-PR

 

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Luan sofre na marcação em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

‘O Grêmio é o time a ser batido neste ano’ — ouvi de um dos jogadores do time adversário de hoje, na transmissão pela TV. A frase se repete jogo após jogo. Tem sido assim ao fim de todas as partidas do Grêmio independentemente da competição que e sstejamos disputando. É quase um mantra dos adversários. É como se jogassem uma competição à parte — tem o campeonato que estão disputando e tem o jogo contra o Grêmio.

 

O adversário abre mão de jogar bola e se satisfaz se conseguir impedir que o Grêmio jogue, mesmo que a bola esteja sob nosso domínio na maior parte do tempo — como aliás voltou a ocorrer hoje. É tão surreal o comportamento dos rivais que quando conseguem tomar a bola mal sabem o que fazer com ela — já havíamos assistido a algo semelhante quando disputamos o clássico na Arena, há uma semana.

 

Eles não tem culpa. Não adianta reclamar.

 

É o preço da fama e do futebol bem jogado que nos levou ao título do Gaúcho, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Recopa Sul-Americana e do vice do Mundial. Da mesma maneira que Renato soube preparar a equipe para levantar todos esses troféus, terá de organizá-la para driblar essa situação que se repetirá rodada após rodada. Terá de encontrar no elenco — e fica a torcida que todos se recuperem em breve — soluções para mudar o cenário da partida sempre que deparar com essas circunstâncias.

 

O importante é ter paciência e saber que os pontos desperdiçados contra dois adversário da parte de baixo da tabela — ficamos apenas com dois pontos dos seis disputados contra equipes da Zona de Rebaixamento, nas duas últimas rodadas — por enquanto podem ser recuperados ao longo da competição. Especialmente quando estivermos diante dos adversários diretos — aqueles que entram no campeonato para vencer. 

 

E como temos um time mais propício aos grandes jogos que venha logo a quarta-feira quando teremos Libertadores.

Avalanche Tricolor: o futebol foi justo com o Grêmio

 

Monagas 1×2 Grêmio
Libertadores – Venezuela

 

 

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O gol da justiça em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio foi a Venezuela em busca dos três pontos e jogou o necessário para trazer para casa a liderança do grupo A, na Libertadores. Entrou em campo com com a defesa titular, o meio de campo — que teve o reforço de Ramiro – e o ataque alternativos 

 

Cícero que costuma jogar boa parte das partidas, geralmente no segundo tempo, foi escalado. Alisson, nossa espécie de 12o titular, também — mas com pouco minutos de jogo sentiu lesão na perna e teve de ser substituído.

 

Renato montou a equipe de forma calculada. Sabia que o time não poderia render o mesmo que vem rendendo nas partidas em que jogam todos os titulares — mas tinha consciência que os 11 escalados estavam aptos a superar o adversário.

 

E fomos melhores durante praticamente 90 minutos de jogo. Dominamos a partida, anulamos as jogadas de ataque, ocupamos o meio de campo e tocamos bola com a precisão que o gramado permitia — aliás, um gramado muito aquém do que se deve exigir no futebol profissional.

 

Se no primeiro tempo arriscamos uma ou outra jogada na frente, no segundo, a pressão aumentou, especialmente pela esquerda. Curiosamente, foi do outro lado direito que surgiu o gol, após Ramiro arriscar de fora da área e pegar a defesa de surpresa.

 

Com a vitória parcial, a intenção era deixar o tempo passar reduzindo ao máximo os riscos lá atrás.

 

O adversário realmente fez muito pouco para merecer o empate. Na primeira vez que chegou ao nosso gol, Grohe fez o que sabe fazer — defendeu de maneira espetacular. Na segunda, quando o ponteiro já girava nos acréscimos, a injustiça: Kannemann tentou tirar a bola e marcou contra.

 

O empate nos deixaria em segundo no grupo e em função da tabela dificilmente conseguiríamos chegar à liderança na última rodada, mesmo com um vitória na Arena. Parecia que o futebol nos pregaria mais uma peça, cometendo uma injustiça contra o time mais qualificado do grupo e que se mostrava muito superior ao adversário.

 

Sabemos bem que o futebol tem dessas coisas. Nem sempre o melhor vence. A bola que você chuta bate no travessão, o passe final é desviado por um buraco no campo e o drible que deixaria o atacante na cara do gol é desperdiçado. De repente, um descuido aqui e um tropeço ali e o gol adversário se realiza. O futebol está cheio de injustiça e por muitas vezes já fomos vítimas desses eventos.

 

Quando parecia que nada mais restava fazer, além de lamentar o empate, lançamos a bola para dentro da pequena área e Cícero que estava prestes a dominá-la foi derrubado. Entre o empurrão sofrido e o pênalti assinalado foram milésimos de segundos — tempo suficiente para me passar pela cabeça as injustiças cometidas contra o Grêmio pelo árbitro do fim de semana passado, que não marcou ao menos duas penalidades a nosso favor.

 

Desta vez foi diferente — o juiz estava bem colocado e não titubeou. Pênalti marcado quando o relógio estava fechando o tempo extra. Confesso que, mesmo assim, as injustiças de outros tempos voltaram a me atormentar.

 

Quando vi Jailson pronto para a cobrança cheguei a pensar quanto as circunstâncias de um jogo podem ser injustas com um jogador como ele, que vem tentando reconquistar o lugar no time.

 

Errar em um momento tão decisivo não me surpreenderia. É muita pressão e emoção — pois o Grêmio acabara de levar um gol e aquele seria o último e definitivo lance da partida.

 

Jailson teve personalidade, bateu forte e distante do goleiro — fez o gol que colocaria o Grêmio em primeiro lugar no grupo A e nos deixaria próximo da melhor campanha de todos os demais times que disputam a Libertadores.

 

O futebol que já nos ofereceu tantas injustiças desta vez foi justo!

Avalanche Tricolor: o empate no Gre-Nal

 

 

Grêmio 0x0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Luan supera a marcação, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Não foi o massacre que alguns dos nossos anunciaram ao fim da partida. Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra.

 

 

No Gre-nal da tarde de sábado, que marcou o início da rodada do Campeonato Brasileiro, dominamos toda a partida e a bola rodou entre os pés gremistas por quase 70% do jogo. Chutamos mais a gol, cobramos muito mais escanteio, roubamos mais a bola e, provavelmente na única estatística que perdemos para o adversário, erramos menos passes.

 

 

Se quiser incluir aí nos seus números, também tivemos muito mais pênaltis não-marcados — fala-se em dois, mas podem ter sido três os lances em que o árbitro não enxergou a irregularidade. Nem ele nem o amigo dele que fica assistindo à partida na linha de fundo. Se pudesse voltar ao tempo, certamente teria me preparado para atuar nessa função — já imaginou, assistir a todos os jogos pertinho do gol, não pagar ingresso, não fazer nada e ainda ganhar uma grana para isso?

 

 

Apesar da supremacia gremista, o gol não saiu. Encontramos um adversário com 11 jogadores na marcação. Às vezes 12, como no primeiro tempo, quando Maicon enfiou a bola entre os marcadores e encontrou Cortez dentro da área e de frente para o gol — o árbitro fez o que os marcadores não tinham conseguido. Às vezes 13, como na tentativa de cruzamento de Madson, no segundo tempo, em que a bola foi parar no escanteio depois de desviar no braço do marcador — neste lance nem o juiz nem seu amigo viram nada.

 

 

Saímos de campo com sabor de derrota, como disse Luan logo após o jogo — pouco depois de ter sido agredido por um adversário que estava no banco de reservas e entrou em campo apenas para causar confusão, e não foi punido nem teve seu nome registrado na súmula pelo árbitro.

 

 

Saímos de campo descontentes, como disse Maicon ao analisar o sentimento do único time disposto e em condições de jogar bola. Descontentes porque também era o único time em campo capaz de fazer aquilo que o técnico do adversário havia desejado em entrevista antes do jogo: um futebol bonito.

 

 

O Grêmio jogou o futebol bonito que o caracteriza porque só sabemos jogar assim. Mas o futebol nem sempre privilegia os melhores — é dos poucos esportes que permite que os medíocres perseverem. E sorriam ao fim da partida, mesmo depois de terem sido completamente dominados e massacrados taticamente.

 

 
Ops, perdão! Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra. Hoje, os caras tinham mesmo que comemorar! Empataram com o melhor time do Brasil.