Convite aos eleitos

Cezar Miola

Conselheiro do TCE-RS

 

Foto: Pixabay

 

Texto publicado originalmente no blog de Fausto Macedo/Estadão

Em quase 40 anos exercendo funções públicas, tenho convivido com a notável experiência de estar próximo do ambiente da gestão governamental, tendo começado, inclusive, no âmbito local, no Município, que é o “palco da vida”. E particularmente nas quase três décadas de atuação no Ministério Público de Contas e no Tribunal de Contas gaúcho, muito desse trabalho incluiu realizar auditorias, apontar irregularidades, emitir pareceres técnicos e jurídicos, recomendar, determinar, sancionar. E orientar, porque essa é uma função muito presente nos órgãos de controle.

Mas, a poucos dias do importantíssimo processo de escolha dos novos administradores e dos vereadores de mais de 5,5 mil municípios brasileiros, considero que a hora seja mais própria a um convite, quiçá um desafio. Que esses novos gestores e representantes dos mais de 200 milhões de brasileiros façam dos próximos quatro anos o exercício diário de ações em defesa da educação e do bem-estar das nossas crianças e jovens. Creches para aquelas de zero a três anos, as quais, ao longo desse período, já deverão ingressar na pré-escola; quanto às que hoje iniciam o ensino fundamental, que concluam essa etapa, e assim sucessivamente. Numa perspectiva de longo prazo, um quadriênio pode parecer pouco, mas poderá ser determinante para a vida de muitos brasileiros. Hoje, temos mais de 6,5 milhões de crianças de até 3 anos fora das creches; 1,5 milhão com idade entre 4 e 17 – faixa na qual o ensino é obrigatório – não estão na escola. De igual modo, cabe ressaltar que a pandemia trouxe efeitos deletérios em termos de mais abandono e evasão. São números impressionantes, mas que podem impactar menos se distribuídos pela grande federação: cada uma das mais de 5 mil células desse todo cuidando da sua parte, empregando verbas próprias e aquelas do Fundeb, além do necessário apoio da União, conforme prevê a Constituição da República.

Ainda na linha propositiva, emerge uma respeitosa reflexão: a possibilidade de se reforçar esses aportes com uma fonte adicional, ou seja, parte dos valores alocados nas emendas parlamentares ao projeto de lei orçamentária. Veja-se: conforme dados do Portal da Transparência, de janeiro de 2018 a outubro de 2020 houve o empenhamento de R$ 47 bilhões em emendas. Desse total, foram pagos R$ 24 bilhões. Embora a exigência (legítima, diga-se) de se reservar parte específica às ações e serviços públicos de saúde, o certo é que, no período, apenas 1,2% deste último total se destinou à educação básica. Nesse quadro, respeitada a legitimidade democrática, parece haver espaço para um precioso incremento de recursos, que ajudariam a concretizar a prioridade que todos defendemos para a educação. Um exemplo de aplicação: investimentos imediatos na inclusão digital, instrumento cada vez mais essencial no processo pedagógico, em benefício de escolas, professores e alunos.

Em outra dimensão, há de se olhar, igualmente, para aspectos como os da gestão e da eficiência. Em inúmeros municípios brasileiros, de diferentes regiões, encontramos evidências que nos permitem assegurar: sabemos como alcançar bons resultados; cabe ter a humildade e o compromisso de adotá-las. Não há soluções mágicas, mas se pode aproveitar o que comprovadamente tem dado certo, inclusive em locais cujas condições socioeconômicas são desfavoráveis. A propósito, veja-se o estudo “Educação que faz a diferença”, elaborado em parceria entre o Instituto Rui Barbosa (IRB) e o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), disponível neste link.

Não se ignoram os desafios da covid-19, que está longe de ser vencida, mas o convite, a conclamação, o desafio, são para que façamos dos próximos quatro anos o tempo em que, investindo nas pessoas, desde os primeiros anos, construiremos a base para um futuro promissor, menos desigual e de perspectivas para todos os brasileiros, independente da renda das suas famílias ou da cidade onde nasceram. E se os sucessores dos agora eleitos seguirem pela mesma trilha, assegurando todos os meios imprescindíveis, irá se construindo um alentador processo virtuoso.

Mas também se tenha presente que o desempenho positivo não se dá por fatores isolados. Ele só é factível num cenário dialógico entre gestores, profissionais da educação e famílias, todos comprometidos com a responsabilidade educacional, que se traduz na universalização do acesso, na equidade e na qualidade.

Aos que desejarem percorrer tal caminho, posso assegurar: em todos os Estados brasileiros haverá um Tribunal de Contas aliado para ajudar a concretizar esses objetivos.

Texto publicado originalmente no blog de Fausto Macedo/Estadão

*Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul e presidente do Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB)

Mundo Corporativo: Fabiana Fragiácomo, do Instituto Ayrton Senna, fala de marketing relacionado à causa

 

“Esse momento que a gente está tendo é uma janela de oportunidade para um despertar das empresa e da sociedade” —- Fabiana Fragiácomo, Instituto Ayrton Senna

A chegada de uma nova geração nas empresas e no mercado consumidor, além da própria aceleração impulsionada pelos riscos que a pandemia gerou às pessoas e às empresas, fortaleceram a ideia de se trabalhar com marketing relacionado à causa. A opinião é de Fabiana Fragiácomo, head de comunicação e marketing do Instituto Ayrton Senna, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN. 

“Houve um mudança geracional. Essa última geração que entra no mercado de trabalho, que entra no mercado consumidor é uma geração ligada no propósito, que também veio com uma escassez. Veio com uma abundância de tecnologia e escassez de recursos…”

A executiva entende que a pandemia sensibilizou empresas e empresários, e um dos dados que ilustram essa realidade foi o fato de que nunca antes houve tantas doações em dinheiro ou equipamentos feitas no país, como nesse período. O desafio para ele é fazer com que essa transformação seja perene:

“O que a gente está vendo é um gatilho de mudança. E eu acho que acabou com essa pandemia escancarando algo que já sabíamos que eram problemas. Então, o problema da educação não era um problema novo. O problema da fome não é um problema novo. O problema da crise climática muito menos”.

O marketing relacionado à causa pode ser um instrumento usado pelas mais diversas empresas, independentemente do tamanho e da área de atuação. O importante é que líderes e colaboradores estejam identificados às causas que falem com eles para que as ações sejam feitas de forma genuína e tenham o alcance desejado.

O Instituto Ayrton Senna é um centro de inovação que  desenvolve programas e pesquisas na área da educação e mapeia empresas que têm o foco no ativismo e estão em busca de um propósito para desenvolver projetos em parceria.

O conhecimento adquirido a partir de pesquisas realizadas com universidades internacionais é aproveitado na criação de programas que trabalham no desenvolvimento de alunos, com o treinamento de equipes técnicas da área de educação, em estados e municípios. O Instituto tem dado ênfase a formação de competências socioemocionais, criatividade e pensamento crítico: 

“Só o desenvolvimento dessas habilidades dará conta das incertezas que o mundo está apresentando, porque o conteúdo muda. O conteúdo está mudando o tempo todo. A tecnologia está mudando o tempo todo. O que não vai mudar é a sua capacidade; a sua estrutura psicológica e emocional de lidar com tantas mudança em um velocidade tão grande”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. A gravação do programa pode ser assistida, ao vivo, no site da CBN, pelo canal da CBN no Youtube e no Facebook. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Como apresentar uma aula pelo rádio e ganhar a audiência do seu aluno

O rádio é transformado em sala de aula na pandemia (Foto: Pixabay)

 

Tem em Osório, no Rio Grande do Sul; tem em Pindamonhangaba, em São Paulo; tem em Mulungu; no Ceará; e tem também em Ruy Barbosa, na Bahia. Tem aula sendo apresentada no rádio em várias partes do Brasil, desde que as escolas fecharam devido ao risco de contaminação dos alunos com a pandemia.

Sem a tecnologia mais avançada à disposição, sem sinal de internet na região e sem celulares na mão, alunos recebem o conteúdo possível sintonizando emissoras locais ou comunitárias. Prefeituras, professores e gestores de educação tiveram de se adaptar diante das carências de cada região. Com o material didático e uma dose grande de resiliência os alunos tentam absorver o conhecimento através de um veículo no qual a maioria só ouvia música.

Com a preocupação de reduzir o prejuízo no aprendizado desses jovens —- e mesmo de adultos que se alfabetizam no EJA —-, o Núcleo de Estudos de Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) elaborou um guia para que os professores tirem proveito dos recursos que o rádio oferece.

São 10 dicas que podem ajudar o professor, beneficiar os alunos e fornecer a você, que imagina um dia trabalhar com o veículo, na área da educação ou não, um conhecimento básico sobre como transmitir da melhor forma a mensagem pelo rádio. São dicas para situação de emergência, porque o rádio pode ser ainda mais bem explorado. Mas deixemos esses outros recursos para quando a situação se acalmar.

O guia leva a assinatura dos professores Luiz Artur Ferraretto, doutor em comunicação e dos maiores entusiastas do rádio que conheço, e Fernando Morgado, mestre em economia criativa. O trabalho se inicia inspirado por frase de Edgar Roquette-Pinto, pai da radiodifusão brasileira, criador da primeira emissora no Brasil:

“Ensine quem souber, o que souber, a quem não souber”

Com “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de Covid-19”, o NER trata de elementos que estão ao alcance dos educadores, e não cai na tentação de querer ensinar o professor a dar aula, mesmo que algumas das dicas a seguir sejam muito úteis para o dia a dia na escola —- quando isso se tornar possível novamente.

O trabalho completo vale a pena ser baixado. O arquivo está disponível no site do Núcleo de Ensino de Rádio. A seguir, um resumo de cada passo e a minha recomendação: faça essa caminhada junto com o seu aluno:

1 — Conheça como funciona o rádio

“Do final do século passado até a atualidade, o rádio não mudou e, ao mesmo tempo, mudou muito”. Muitas mudanças no campo da tecnologia e transmissão do sinal; e a perseverança na ideia de que a relação apresentador e ouvinte ou professor e aluno se baseia em um diálogo que se altera “entre uma espécie de palestra e algo próximo de bate-papo”. Nessa conversa, um desafio para quem precisa da atenção do aluno “o caráter sonoro da mensagem permite que o ouvinte realize outra atividade em paralelo à escuta”.

2 — Não tenha medo de falar ao microfone

Todo mundo estranha quando ouve sua voz pela primeira vez em uma gravação. Não se preocupe. É apenas a falta de costume de ouvir a si mesmo. Seus alunos já o conhecem pela voz e vocabulário que usa. O NER chama atenção para que ninguém se intimide por não ter aquilo que se consagrou no passado como voz de locutor de rádio: “falar claramente é muito mais importante do que possuir um vozeirão”. 

Outra sugestão que entendo ser relevante. Sua fala vai além da sua voz, inclui gestos, expressões e postura, portanto “se na sala de aula e no dia a dia você gesticula, faça o mesmo ao falar em rádio”. A palavra ganha vida.

3 — Não fale sozinho

Formem duplas ou trios de professores, assim o que seria um monólogo vira conversa e a mensagem chega mais agradável ao ouvinte. Um recurso pode ser a entrevista com pessoas que ajudem a ilustrar a temática abordada.

4 — Bata papo com a turma

“Como fazem os comunicadores, vocês precisam fingir que conversam com o seu público, criando uma espécie de bate-papo imaginário com alunas e alunos” e para que isso funcione é preciso conhecer bem o público para o qual se destina o conteúdo.

5 — Explore o ambiente dos alunos

Como já dito, no rádio você disputa a atenção do ouvinte com outros estímulos que estão à sua volta. Entre no cotidiano do seu aluno. Use expressões tais como: “você que está escutando a gente em sua casa, cuidando do irmãozinho menor enquanto a mãe foi para o trabalho …” etc

6 — Vá direto ao assunto

A mensagem no rádio é altamente fugaz ou volátil, lembra o guia. Então, vá direto ao assunto, descrevendo-o com começo, meio e fim. Se me permitem os autores do texto, dou meu pitaco: “seja simples, direto e objetivo” — é o mantra da boa comunicação.

7 — Ensine em módulos

A transmissão no rádio é a simulação de uma conversa. Não se trata de um bate-papo de mesa de bar. Precisa ser uma comunicação planejada, não necessariamente escrita —- recomenda-se que não o seja. Faça um roteiro dos temas e separe o conteúdo em blocos de 5 a 10 minutos, crie novos estímulos e volte ao assunto em seguida para manter a atenção do aluno.

 

8 —  Pare e pense

A cada passo é necessário analisar o que foi realizado e quais os resultados obtidos. Faça uma autoavaliação do lado de quem emitiu o conteúdo.

9 — Seja redundante

Com bom senso, é claro. No começo da aula explique o que será tratado e, no meio do caminho, retome alguns pontos de forma resumida. Sempre que tiver alguma informação que precisa ficar na memória do ouvinte, não se reprima: repita a sentença.

10 — Comece tudo de novo

A cada novo programa como a cada nova aula, saiba que você vai precisar recomeçar. Se os passos anteriores foram dados com sensates, o recomeça será apenas uma consequência, ensina o guia.

Bom programa, ótima aula e se cuide!

Mundo Corporativo: Tonny Martins, presidente da IBM, fala da inteligência artificial no combate à Covid-19

 

 

“A penetração de tecnologia como elemento fundamental para a sociedade, tanto no comércio, na indústria, na educação, saúde e entretenimento, esse mundo mais híbrido é algo que veio para ficar” —Tonny Martins, IBM Brasil

 

Em 48 horas, 90% dos colaboradores estavam trabalhando remotamente, com segurança física e psicológica; em seguida, foi oferecida a estrutura necessária para que os parceiros de negócios trabalhassem com a mesma produtividade e capacidade; e, finalmente, houve a colaboração no amadurecimento dessas empresas diante da transformação digital que se acelerou durante a pandemia. Esses foram três aspectos destacados pelo presidente da IBM Brasil, Tonny Martins, na avaliação que fez sobre como a empresa agiu diante da crise sanitária e econômica, que se iniciou em março.

 

“Nesse primeiro momento, nós trabalhamos com nossos clientes para checar o que nós chamamos de sinais vitais: a conectividade, a capacidade de se abrir para o mundo externo, escalabilidade da sua tecnologia —- do dia para a noite, o canal digital ficou entupido —-, ajudar esses clientes a terem uma operação resiliente que funcionasse de forma consistente e contínua foi nossa preocupação”

 

Na entrevista, falamos de tecnologia e de como a forma acelerada com que a digitalização atua nos diversos segmentos —- da educação à saúde, da indústria ao entretenimento —- está mudando o comportamento de empresas e pessoas. Para Tonny Martins, um dos esforços foi tornar os canais digitais mais próximos dos clientes:

“A tecnologia mais humanizada, mais personalizada, e mais próxima do indivíduo, você consegue, em escala, gerar um nível de eficiência nas relações e nas operações, nunca antes vista”

 

A IBM tem participado de uma série de projetos nas áreas de educação e saúde em parceria com outras empresas de tecnologia, startups e governos. Em um desses programas, ao lado da Cisco, cerca de 9.400 professores e mais de 160 mil estudantes foram beneficiados, com a redução dos entraves para as aulas online. Na área da saúde, entre outras ações, foram desenvolvidos o APP Enfermeiro Virtual e o Portal Corona BR, que já teria alcançado 20 milhões de pessoas.

 

Tonny Martins mostrou-se entusiasmado com os resultados do uso da inteligência artificial que ajudou a desenvolver mais rapidamente o conhecimento de médicos e pesquisadores sobre o Sars-Cov-2, permitindo estratégias eficazes para o combate à doença. Aliás, das tecnologias que passaram por um processo de aceleração desde o inicio da pandemia, uma das apostas do presidente da IBM Brasil é a inteligência artificial:

 

“Existe um estudo da IBM que mostra que o nível de penetração da Inteligência Artificial nas empresas no nosso dia a dia é só de 4% … hoje, você tem uso da Inteligência Artificial mais na parte do  atendimento, colaboração, automação do depósito, nas suas áreas de suporte; e a gente vai ver uma evolução exponencial dessa Inteligência Artificial, que a gente chama de empresa cognitiva na nossa vida, no nosso dia a dia”.

 

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo aqui no blog. Aproveite e se inscreva no canal da CBN no You Tube para ser informado sempre que um novo programa estiver sendo gravado. Acompanhe, também, o podcast do Mundo Corporativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

Como economistas que ganharam Nobel encontram respostas para combater a pobreza

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer

 

O momento mundial em que os movimentos políticos refletem posições direitistas e os números apontam para o crescimento das diferenças socioeconômicas, onde os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, o Nobel premiou a Economia do Desenvolvimento. E obteve excepcional difusão — inclusive neste espaço, pois na segunda-feira passada, Mílton Jung conversou com Miriam Leitão, e na quarta-feira entrevistou a Diretora do Laboratório de Ação Contra a Pobreza J-PAL para a América Latina do MIT, Paula Pedro, sobre essa premiação.

 

A área econômica que abrange a pobreza aliada a presença da segunda mulher premiada acumular o fato de ser a pessoa mais jovem a receber o Nobel explicam em parte a extraordinária repercussão que obteve. A outra parte é devido ao sucesso do trabalho realizado para indicar as melhores práticas na diminuição da pobreza, através de métodos de medições de campo, que se convencionou denominar de economia do desenvolvimento.

 

Se nos países mais pobres nos últimos 20 anos o PIB per capita dobrou, a mortalidade infantil caiu pela metade e 80% das crianças frequentam a escola, em contrapartida, ainda 700 milhões de pessoas vivem com rendimento abaixo do suportável, cinco milhões de crianças morrem antes dos cinco anos de idade, e metade das crianças do mundo saem da escola sem alfabetização suficiente e aritmética necessária.

 

Com perguntas simples no campo experimental projetado, focando em grupos ou individualmente, esses economistas desvendaram informações suficientes para melhorar a aplicação dos recursos escassos existentes.

 

Por exemplo, num estudo de campo se descobriu que a redução de alunos por professor não teve mudança no resultado dos estudantes. Entretanto, se a contratação do professor era por período ao invés de permanente o resultado mudou para melhor.

 

Ao focar atenção nos alunos fracos houve significativa melhora nos resultados, e este método foi aplicado em mais de 100 mil escolas na Índia.

 

A inadequação entre os currículos e o ensino que não correspondem às necessidades dos alunos foi um dos fatores geradores do absenteísmo de alunos e professores.

 

Na área da saúde, um medicamento de desparasitação para infecções parasitárias foi oferecido de graça e 75% dos pais aplicaram em seus filhos. Quando se cobrou 1 dólar apenas 18% o fizeram. Foram feitos experimentos similares que obtiveram a mesma resposta, concluindo-se que as pessoas pobres não respondem ao preventivo na saúde.

 

Através de pesquisa na vacinação, se descobriu que a qualidade do serviço e a disponibilidade contribuem para a baixa atenção das pessoas pobres à saúde. Ao disponibilizar equipes volantes e atenciosas em um experimento de campo a taxa de vacinação subiu de 6% para 18%. Subiu para 39% quando ofereceram um saco de lentilha para vacinarem os filhos. Como se vê, surge aqui um problema pois 61% ficam sem vacina.

 

Em virtude do viés presente, que faz as pessoas pobres postergarem investimento para o futuro em função de racionalidade limitada, a OMS recomendou a distribuição gratuita a mais de 800 milhões de crianças em idade escolar do medicamento de desparasitação.

 

Em uma pesquisa sobre benefícios para o uso de fertilizantes se identificou que se tornam mais eficazes quando distribuídos de forma temporária, pois os de forma permanente vão perdendo eficácia.

 

Enfim, vale ressaltar que parte dessas pesquisas de campo podem ser aplicadas em outras regiões, o que confere ao sistema da economia do desenvolvimento um aspecto político importante. Ao mesmo tempo os investimentos futuros nessa área da economia do desenvolvimento deverão considerar a pesquisa de campo como uma importante ferramenta.

 

Como disse Miriam Leitão: “o comitê acertou em cheio na escolha desse prêmio”

 

Salve aos laureados:

Abhijit Banerjee, 57, MIT
Esther Duflo, 46, MIT
Michael Kremer, 54, Harvard

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

É proibido calar: mudanças tecnológicas exigem diálogo e aprendizado com nossos filhos

 

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A imagem de uma batalha de League of Legends costuma abrir uma das minhas palestras sobre ética e cidadania —- temas do meu último livro “É proibido calar!”. É a maneira que encontro de demonstrar a necessidade de os pais se interessarem pela realidade vivenciada por seus filhos, conhecerem o mundo que eles experimentam e reduzir o distanciamento que permeia muitas das relações familiares. Aposto na ideia de que ao fazermos esse movimento, encontraremos pontos em comum e aumentamos as possibilidades de desenvolvermos uma convivência saudável e pautada na compreensão.

 

Há cerca de uma semana, estive no Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, onde conversei com pais, professores e alguns estudantes. Aproveitei uma das imagens captadas durante o encontro, na qual a tela de fundo é a cena de uma das competições internacionais de LoL realizadas no Brasil, para provocar a turma que me acompanha no Twitter e no Instagram:

 

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Algumas boas reflexões chegaram nesses três dias.

 

A Evelyn Batista (@evelym_watson_batista), no Instagram, escreveu que “acredita que a tecnologia hoje tem muito mais espaço na rotina de nossos filhos, inclusive para as escolhas profissionais deles. Com isto nossas relações estão cada vez mais distantes”.

 

Penso que é inevitável que eles acompanhem de forma intensa a transformação digital —- nós mesmos fazemos isso, haja vista a maneira como acessamos nossos celulares. O esforço tem de ser o de potencializar as relações afetivas que se constroem no cotidiano para que a distância que a Evelyn identifica não se intensifique. Precisamos valorizar a conversa do dia-a-dia, os momentos de proximidade — como o almoço ou o jantar — e, se necessário, provocar encontros mais frequentes nos quais a conversa não seja interrompida por um alerta na tela do celular.

 

Delci Lima (@delcilima12) conta que tem uma menina de 13 anos que vive em mundo virtual como todas as outras crianças da idade dela e nós, pais, em um mundo real: “É um bom paralelo para uma discussão sobre Educação”

 

Em um dos trechos de “É proibido calar!” chamo atenção que é preciso cuidado quando dividimos o mundo em virtual e real:

“Mesmo que a fonte seja virtual, nada mais real do que o sentimento que toca o coração desses jovens”.

Quero dizer que talvez nós é que tenhamos ainda um modelo mental no qual real e virtual estão separados e, pior, em contraposição, quando de verdade se fundem em um só; e nossas vidas e relações tenham de saber conviver nesses “mundos paralelos”.

 

No Twitter, o Evandro Junior (@jemj10) publicou que “esses princípios devem permear qualquer atividade. Sem a observância da #educação #ética e #cidadania o profissional não se completa, poderá ter sucesso, mas nunca será admirado”.

 

Essa ideia, com a qual concordo, me remete a algumas das entrevistas que tenho realizado no programa Mundo Corporativo, em que temos insistido que o novo líder não pode ser medido apenas pelas metas que alcança ou resultados financeiros da empresa —- seu comportamento diante de colaboradores, parceiros de negócio e clientes é o diferencial competitivo a ser valorizado.

 

Ao menos dois dos participantes dessa saudável discussão lembraram de que um dos meus filhos está envolvido no mercado de esportes eletrônicos e esse seria o motivo de o Lol estar no roteiro de minha palestra.

 

O Antonio Santos Jr (@ajunioranalista) escreveu no Twitter que “…você como pai o incentiva, se o incentiva é porque é algo bom para ele. Partindo dessa premissa há várias narrativas que podem ser tomadas em educação, ética e cidadania”.

 

Já o Samuel(@sbtorre) comentou:

“Seria por que um de seus filhos é gamer profissional e lidar com a educação dos filhos em um ambiente de mudança tecnológica e cultural tão significativa exige uma posição de diálogo e aprendizado, um dos motes do seu livro?”

Samuel está certíssimo — exceção ao fato dele ter identificado meu filho como um gamer, quando na realidade é gestor de uma das organizações de e-Sports no Brasil, depois de ter iniciado carreira como técnico e estrategista de Lol.

 

Independentemente da função que exerça, o ambiente para o qual ele se dedica —- e meu filho mais velho tem desenvolvido alguns trabalhos também nesse segmento —- , exigiu de minha parte e de minha mulher um entendimento maior sobre o assunto para que a falta de informação (ou seja, nossa ignorância) não se transformasse em barreira para o desenvolvimento dele. Para que o preconceito, fruto do desconhecimento, não prejudicasse nossa relação com os filhos. Graças ao diálogo que construímos, aprendemos e crescemos juntos.

 

Dito isso, além de agradecer a todos os que participaram desta conversa virtual, parabenizo o Samuel que vai receber em casa um exemplar do livro “É proibido calar!”. Espero que goste!

“Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação”

 

“Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particulamente no Brasil, está em muito mau estado”

Manuel Castells, sociólogo, teórico da comunicação e autor de “A Sociedade em Rede”, em entrevista à jornalista Paula Ferreira, em O Globo.

Mundo Corporativo: empresas precisam entender vantagens de contratar jovens pela lei do Aprendiz, diz Casagrande

 

 

“Todas as empresa que iniciam o programa, que gostam, não param mais, porque aqueles que já o fizeram, não encara mais como um problema, encara como uma solução no mundo do RH, no mundo do trabalho“ —- Humberto Casagrande, CIEE

O Brasil tem atualmente cerca de 420 mil pessoas beneficiadas pela Lei de Aprendizagem, que determina que empresas com 100 ou mais funcionários destinem de 5% a 15% das vagas a jovens de 14 a 24 anos. Humberto Casagrande, superintendente-geral do CIEE, calcula que se todas as empresas cumprissem a lei, o país teria 1,1 milhão de jovens aprendizes.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Casagrande apresentou dados de pesquisa do Instituto Datafolha, com jovens que participam do programa Jovem Aprendiz, de responsabilidade do Centro de Integração Empresa Escola.

“É um programa transformador, porque o jovem neste momento da vida, ele tem pouca noção do mundo do trabalho, tem poucas perspectivas, normalmente não tem oportunidades, então está disponível para cosias que não são muito boas —- ele encontra uma razão muito forte no seu dia-a-dia, conhece como funciona uma empresa, a dinâmica de uma empresa, como a dinâmica empresarial se desenvolve e tem contato com instrutores para ter orientação de vida e de caráter —- as pesquisas que fazemos mostram que é transformador na vida do jovem fazer este programa, só lamentamos não termos mais vagas”.

Conforme pesquisa, 53% dos jovens seguem trabalhando depois do programa e 25% deles são contratados na própria empresa, que têm a oportunidade de formar seus quadros gerenciais do futuro. Além disso, lembra Casagrande, as empresas renovam suas ideias a partir da inserção de pessoas mais jovens, aumentando a diversidade geracional.

 

Os candidatos do Programa Jovem Aprendiz, do CIEE, participam de cursos de capacitação que focam noções de cidadania, relacionamento no mundo do trabalho e desenvolvimento de sua personalidade.

“Existem muitas oportunidades para aprender, estudar e melhorar. O mundo será daqueles que se capacitarem, tiverem visão de negócio. E entenderem que é possível. A autoestima deve ser elevada e todos nós podemos conseguir as coisas e chegar lá”

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e na conta @CBNoficial do Twitter. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22 horas, em horário alternativo.

A imagem da educação que realmente interessa ao Brasil

 

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Cantei o hino em datas comemorativas, na escola que estudei em Porto Alegre. Perfilei-me diante da bandeira, em abertura de eventos esportivos. Repito o gesto até hoje nas atividades oficiais. Migrei da Ditadura para a Democracia sempre respeitando nosso hino, nossa bandeira e nosso brasão. E se o fiz não é porque fui obrigado ou filmado.

 

Também não agi com patriotismo devido às aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, as quais, essas sim, fui obrigado a frequentar porque estavam no currículo escolar. Imagino que os professores até se esforçaram para me ensinar alguma coisa, mas sequer o nome deles sou capaz de lembrar.

 

Perdão, professor de EMC e OSPB!

 

O sentimento patriótico que construí tem muito a ver com valores e pensamentos que aprendi em casa. Quem conhece meu trabalho, sabe da importância que dou à educação, uma responsabilidade dos pais ou dos adultos de referência das crianças, já que nem todas têm o privilégio de nascer em uma família estruturada.

 

A escola também foi importante, sem patriotadas. Oferecendo-me informação e liberdade para refletir. Permitindo o questionamento. Abrindo espaço para o contraditório. Ensinando-me a respeitar os que pensam de forma diversa.

 

Ao longo do tempo, desenvolvi uma ideia do que representa este sentimento que identificamos como patriotismo —- e o descrevi da seguinte maneira no livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”:

 

“Patriotismo não é coisa pouca. É o orgulho que temos pelas coisas da nossa terra, pelos símbolos que nos unem. E os nossos símbolos, com todo o respeito, são muito mais do que a bandeira, o brasão e o hino. São os nossos atos e características, a nossa cultura, a nossa história. A educação e a escolaridade que oferecemos. A ética que nos move é símbolo dessa união, também. De amor. De patriotismo”

 

Foi esse sentimento de patriotismo que aflorou logo cedo, nesta terça-feira, quando fui provocado a falar sobre a “carta” — da qual você já deve ter ouvido falar — enviada pelo Ministério da Educação aos alunos da rede pública e privada, escrita com um texto ufanista e conceitos subjetivos, com pedido impróprio e assinado de forma ilegal. Para o desastre ser completo, só faltaram erros gramaticais — o que não me surpreenderia depois de ouvir o ministro Ricardo Vélez chamar a todos nós de “cidadões”, em sua primeira fala pública ao assumir o cargo.

 

Para lembrar: o documento pedia a leitura da carta a todos os alunos, seguida do canto do hino nacional diante da bandeira brasileira, e a gravação em vídeo, por celular, a ser enviada ao MEC.

 

Sei da existência de legislação de 1971, acrescida de um parágrafo, em 2009, que obriga a execução do hino nacional brasileiro ao menos uma vez por semana, nas escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio. Ou seja, o texto era desnecessário nesse caso. Mas, tudo bem, vamos levar em consideração que vivemos em um país de leis que pegam e outras que não pegam.

 

Agora, gravar crianças cantando o hino, sem autorização, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Que fique claro, a proibição não se deve ao fato delas estarem cantando o hino. Poderiam estar na sala de aula estudando ou correndo na praça atrás da bola tanto quanto poderiam estar usando drogas ou batendo em outras crianças. O ECA garante o direito à preservação da imagem da criança. Ponto.

 

Usar lema de campanha eleitoral —- a “carta” vinha acompanhada da mensagem “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, que marcou a campanha do presidente Jair Bolsonaro — também é proibido. É ilegal.

 

Ao longo da tarde, o Governo recuou. Incluiu o pedido de autorização para gravação e retirou o lema de campanha —- dando razão aos que reclamaram da “carta” e deixando aqueles que criticaram às críticas com a brocha (ou o twitte) na mão.

 

É provável que alguns diretores de escolas resolvam sacar seus celulares, gravem as imagens da meninada perfilada, com mão no peito e cantando o hino, e depois saiam atrás dos pais para receber a autorização necessária.

 

O arsenal de imagens consideradas patrióticas que o Governo terá em mãos será usado da maneira que interessar ao ministro —- ou ficará armazenado no seu computador. Faça o quem entender. Desde que tenha a autorização para tal.

 

Mas já que é adepto de produções cinematográficas, recomendo que o ministro se dedique também a revelar o filme da educação brasileira que, anualmente, é registrado nos exames de larga escala e avaliações externas, tais como o SAEB — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e o ENEM — Exame Nacional de Ensino Médio.

 

Essas, sim, são as imagens da educação que interessam ao Brasil.

Mundo Corporativo: Carlos Souza, da Udacity, sugere que você invista em carreiras ligadas a tecnologia de ponta

 

 

“O profissional hoje qualquer que seja a sua senhoridade, qualquer que seja o seu ramo de trabalho, se ele não está sabendo nada de inteligência artificial ou ciência de dados, alguma dessas áreas, está perdendo uma grande oportunidade de se diferenciar e garantir o seu futuro” — Carlos Souza, Udacity

 

Em um cenário em que cerca de 12 milhões de pessoas estão desempregadas, muitas empresas estão em busca de profissionais, aqui mesmo no Brasil. Calcula-se que existam 100 mil postos de trabalho em aberto a espera de trabalhadores capacitados a atuar com tecnologia de ponta. Carlos Souza, diretor-geral da Udacity para América Latina, foi entrevistado sobre as oportunidades que existem no mercado, pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Souza diz que, atualmente, existem apenas 22 mil especialistas preparados para desenvolver sistemas baseados em inteligência artificial, no mundo, e a demanda é de 2 milhões de profissionais com essa especialidade até 2020. Para o dirigente da Udacity, que atua no segmento de educação profissional, as transformações ocorrem de forma exponencial e, portanto, é preciso desenvolver o conceito de “lifelonger learner” que, em bom português, significa a disposição de aprender continuamente.

 

“A simples crença na capacidade de desenvolverem suas habilidades é um fator determinante para que a pessoa consiga ter sucesso e aprenda essa nova habilidade; ou seja, a gente estimular os nossos estudantes, que eles, sim, podem aprender o que quer que eles queiram é fundamental para que o estudante aprenda ao longo da vida toda”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br, np perfil da CBN no Facebook e no Instagram (@CBNoficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Isabela Medeiros.