Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

Avalanche Tricolor: não é pra tudo isso

 

Grêmio 1×1 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Kannemann está de volta, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Teve empate e frustração de torcedor, nesta noite de domingo, em Porto Alegre.

 

Teve coisa boa, também.

 

Particularmente, gostei muito de ver a troca de passe pelo lado direito com Miller Bolaños, Léo Moura, Ramiro, Everton e quem mais aparecesse. Foi assim que quase abrimos o placar. Se o gol não saiu por ali, ao menos o ensaio das jogadas me pareceu interessante. E pode render um bom caldo a medida que o entrosamento aumentar.

 

Gostei mais ainda de ver que Kannemann está em plena forma: praticamente não perdeu uma só jogada na defesa. E escrevo “praticamente” porque às vezes sou traído pela memória. Ganhou na bola e no grito, quando preciso. Com Geromel ao lado, formam a defesa ideal.

 

Sigo apostando que o talento de Miller será nosso ponto de desequilíbrio nesta temporada. Hoje, todas as boas jogadas passavam pelos pés dele e mesmo tendo de recuar um pouco mais do que de costume, esteve presente nos lances de gol. E no lance do gol, também. Pena ter usado o braço para ajeitar a bola, pois a cena se sobrepôs a bela jogada com a participação de Lincoln.

 

Aliás, dos que entraram no segundo tempo, ando doido pra ver o guri Ty Sandows jogar por um pouco mais de tempo. Mesmo em condições adversas, ele demonstra um talento e tanto. Hoje, na primeira jogada possível, dominou e chutou com muita precisão, obrigando o goleiro a uma bela defesa.

 

Como disse, porém, além de coisas boas, a partida deste domingo teve frustração, também. E não estou aqui me referindo a Maicon que tirou o pé em uma jogada lá no nosso ataque e de lá a bola passou pelo nosso meio de campo, chegou a nossa lateral, cruzou a nossa área, bateu e rebateu e foi parar dentro do nosso gol.

 

Frustrou-me ver que alguns torcedores têm memória curta e pouca paciência. Vaiar o capitão como fizeram é esquecer sua importância para o time e os serviços prestados até aqui. Sei que muitas vezes reclamamos por reclamar, precisamos encontrar bode expiatório para as coisas que não saíram como imaginávamos e já havia uma irritação do torcedor provocada pelas seguidas trapalhadas do árbitro. De repente, perde-se a bola no ataque e tomamos o gol de empate … é bronca na certa.

 

Mas não era pra tudo isso, como, aliás, bem disse Maicon ao fim da partida.

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, há de convir que foi muita briga pra pouca coisa. Transformar aquele momento em crise, é desperdiçar energia em algo pequeno diante dos desafios que temos pela frente nesta temporada e para os quais teremos de contar com todo o grupo mobilizado, unido e apoiado pela torcida.

Avalanche Tricolor: humildade, resiliência e um gol de craque

 

Grêmio 1×0 Passo Fundo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Ramiro comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

Ramiro chegou dentro de um pacote de compras que o Grêmio fez em viagem a Serra Gaúcha, nas férias de verão de 2012. Fazia parte de parceria entre o clube e o Juventude de Caxias do Sul. Com ele, vieram Paulinho, Alex Telles, Bressan e Follmann.

 

Dos colegas de viagem, Bressan segue ao lado dele, após ir e voltar. Está no banco e só sai de lá por acaso. Paulinho durou pouco e foi rodar pelo interior do Brasil. Alex Telles após bela temporada na lateral esquerda foi vendido para o exterior. E Follmam sobreviveu à tragédia da Chapecoense.

 

Resiliente, Ramiro foi titular, foi reserva, foi operado e foi descartado – não necessariamente nesta ordem. Jogou mais atrás como volante, quando preciso cobriu a lateral direita, passou a atuar um pouco mais à frente e agora se apresenta até para fazer gols.

 

Foi no ano passado, com a volta de Renato, que Ramiro ganhou nova chance entre os titulares. O Grêmio buscava ainda um substituto para Giuliano que havia saído no meio da temporada.

 

De repente, nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, uma bola foi lançada para a entrada da área, do lado direito, e ele de primeira, pelo alto e de forma certeira enfiou a bola no fundo do poço, marcando o gol que abriu caminho à classificação. Um lance definitivo para Ramiro.

 

Desde aquele gol, em setembro do ano passado, Ramiro superou as críticas, ganhou a admiração dos torcedores e passou a ter lugar certo no time.

 

Na vitória dessa tarde, na Arena, foi dele o gol que desmontou com a retranca do adversário. Ramiro já havia aparecido uma ou duas vezes com chance de marcar, surpreendendo os zagueiros (e alguns comentaristas). No fim do primeiro tempo, voltou a correr na diagonal em direção ao gol e, pelo alto, recebeu passe de Everton para completar de calcanhar.

 

Fosse qualquer outro jogador por aí, ouviríamos o grito de “golaço”, coisa de craque e outros salamaleques que costumam reservar para alguns. Mas foi Ramiro, guri ainda de 23 anos, que chegou do interior do Rio Grande do Sul, nasceu em Gramado, tem cara de humilde e jeito de batalhador. E parece que ele não se importa com isso.

 

Que continue assim, sendo apenas o nosso Ramiro, o Lutador!

Avalanche Tricolor: eu aposto!

 

Flamengo 2×0 Grêmio
1a Liga – Mané Garricha/Brasília

 

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Miller Bolaños pode ser a solução (foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA FLICKR)

 

Vamos combinar: você não levou este jogo de hoje muito a sério. Só mesmo meu amigo Juca Kfouri, para esquentar a partida desta noite, em Brasilia. No comentário feito no Jornal da CBN logo cedo, deixou no ar uma aposta: vitória do Grêmio ou empate eram meus; vitória do Flamengo, era dele. Estava de brincadeira, é lógico, pois assim como eu, você e toda a torcida do Flamengo sabíamos, a tal 1a Liga ainda não pegou. E parece que não vai pegar, pois os próprios clubes que a criaram estão revendo sua realização. Nossa aposta não valeria um tostão furado.

 

O Grêmio levou o time reserva para a capital federal. Perdão, o politicamente correto prefere chamar de time alternativo. Time e técnico alternativos. Nem mesmo Renato viajou. Preferiu permanecer em Porto Alegre trabalhando com os titulares e preparando a equipe para domingo quando enfrentaremos o Passo Fundo, na Arena.

 

Sabemos que nestes dois primeiros meses da temporada o foco é o Campeonato Gaúcho. Afinal, tá mais do que na hora de voltarmos a ganhar a competição estadual. A 1a. Liga, sem trocadilho, está em 2o. plano. Portanto, não dava para esperar nada muito melhor do que assistimos.

 

Tudo bem, a defesa poderia estar um pouco mais arrumada, a marcação na entrada da área mais firme, nossos zagueiros e goleiro mais seguros. A turma do meio para a frente bem que ajudaria se acertasse mais passes. Sem contar a falta de entrosamento que superava todo o esforço do pessoal para chegar ao gol adversário. Até criamos algum perigo, mas insuficiente para a vitória ou mesmo o empate, resultados que me levariam a vencer a aposta (fria) feita pelo Juca.

 

O que não estava nas nossas previsões, nem na minha nem nas do Juca, era o incidente que haveria de ocorrer durante os treinos em Porto Alegre: a lesão que deixará o maestro Douglas afastado do gramado por seis meses. Essa sim não é brincadeira. Nosso 10 foi genial na conquista da Copa do Brasil e seria essencial para o Gaúcho e a Libertadores. Não existe à disposição no futebol brasileiro jogador com o talento e a experiência dele.

 

A solução dependerá da criatividade de Renato e da audácia da diretoria em buscar alguém capaz de substituir Douglas. Ou então contarmos com aquelas peças que o destino nos reserva. Diante da perda do Maestro, da preocupação da comissão técnica e do lamento da torcida, quem sabe não descobriremos em casa o novo protagonista para comandar a equipe dentro de campo: Miller Bolaños.

 

Da mesma forma que o destino ofereceu a ele a oportunidade de marcar o gol do título da Copa do Brasil, no fim do ano passado – em um dos poucos bons momentos do equatoriano na temporada -, por que não pensar que a história lhe oferece uma missão especial neste primeiro semestre de 2017?

 

Em Miller Bolaños, eu aposto!

Avalanche Tricolor: no esporte eletrônico, os motivos para sorrir nesta segunda-feira

 

Caxias 2×1 Grêmio
Gaúcho – Caixas do Sul

 

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Muita gente acordou de ressaca nesta segunda-feira. Lá na redação, teve colega que mal dormiu na noite passada pois esticou o domingo até a madrugada para assistir ao Super Bowl e a incrível virada do Patriots sob o comando de Tom Brady. Depois de amargar uma surra no primeiro e em boa parte do segundo tempo, com um placar que chegou a 28 a 3 para o Falcons, o time do “Giselo” – referência a esposa, gaúcha por sinal – empatou no tempo normal e venceu por 34 a 28 em inédita prorrogação na final da NFL, a liga de futebol americano. Lembrou o nosso Imortal.

 

Lá no Rio Grande do Sul, imagino, que além da noite mal dormida boa parte dos torcedores do futebol acordou de cabeça inchada, afinal a dupla Grenal se estropiou contra os times do interior. Verdade que alguns perderam o sono já no sábado, pois a derrota os deixou beirando a Segunda Divisão (do Campeonato Gaúcho, registre-se). Nada que vá durar muito tempo, como diziam no ano passado. Lembra?

 

De minha parte, não temos muito a reclamar. Apesar do tropeço na Serra, a vitória da estreia nos mantém entre os quatro primeiros, nesta segunda rodada Claro que esperávamos um pouco mais do time que começou batendo um bolão no Gaúcho, repetindo o desempenho que nos deu o título da Copa do Brasil, no ano passado. Ao mesmo tempo, se puxarmos da memória, vamos perceber que também no ano passado os jogos fora de casa eram de tirar o sono.

 

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Não sei quanto a Renato, mas eu gostei de ver que Miller entrou no finalzinho da partida e marcou um gol, pois ratifica o que tenho lido na imprensa e nos textos em redes sociais publicados por jornalistas que acompanham os treinos de início de temporada: o atacante venezuelano está em franca recuperação e tem tido performances mais próximas daquelas que o levaram a ser contratado, em 2016.

 

Assisti ao jogo do Grêmio de revesgueio, pois quando cheguei em casa tínhamos acabado de levar o primeiro gol, em cobrança de pênalti. Não que eu tivesse fazendo pouco caso da partida pelo Gaúcho – já registrei na primeira Avalanche deste ano a saudade que estava do estadual e em especial do título deste campeonato.

 

Acontece que há três semanas, e isso vai se repetir ao longo da temporada, minhas atenções estão voltadas também para outro tipo de esporte que a maioria de vocês – os caros e raros leitores desta Avalanche – deve torcer o nariz: o esporte eletrônico. Recentemente falei sobre o tema aqui no blog, pois meu filho mais novo assumiu o comando técnico de uma das principais equipes de League of Legends – Lol, no cenário nacional, e tem partidas disputadas sábados ou domingos.

 

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Ontem, experimentei torcer no local dos jogos, um gigantesco estúdio na zona Oeste de São Paulo, de onde são feitas as transmissões que podem ser assistidas na SportTV e nos canais de internet. Fiquei impressionado com a estrutura montada para que as imagens cheguem com qualidade aos telespectadores e internautas. Incrível também é a “infra” à disposição das equipes formadas por cinco atletas, treinador, estrategista, psicólogo e outros quetais típicos das organizações esportivas. A tecnologia é bastante sofisticada para que o esporte possa ser praticado de forma qualificada e atenda as expectativas da audiência. E a impressão que tive é que os organizadores, no caso a Riot Games Brasil, conseguem oferecer essa experiência aos fãs do Lol.

 

Tecnologia à parte, quando a bola começa a rolar na tela, ou melhor, quando os campeões começam a percorrer o mapa a ser conquistado, a pressão sobre os atletas, a necessidade de estratégias bem construídas e a apreensão do torcedor se equivalem a de outros esportes.

 

Imagine, então, a emoção do pai-torcedor. Sofri como nunca, mesmo ainda titubeando em algumas regras do Lol. Incomodei-me com os comentaristas nas críticas ao meu time, mesmo que feitas com justiça. Torci os dedos para que o ataque adversário falhasse. E comemorei os abates, torres e dragões conquistados. Ao fim e ao cabo, festejei a primeira vitória da Keyd Stars, por 2 a 0, sobre a Operation Kino, no CBlol2017 – o circuito nacional. Especialmente a última da série, que lembrou muito o estilo Imortal do Tricolor, com uma recuperação incrível quando muitos já teriam entregado os pontos.

 

Assim, mesmo de ressaca pelo Super Bowl e de cabeça inchada pelo Gaúcho, encontrei ótimos motivos para sorrir, nesta segunda-feira.

Avalanche Tricolor: saudade do meu Campeonato Gaúcho

 

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Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ypiranga

Luan em uma disputa típica do Gaúcho,na foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

 

Diga o que quiser. Pense o que pensar. Pode desmerecer. Não tem problema. Eu vou entender, mas nada será capaz de me tirar do peito esta saudade que sinto do Campeonato Gaúcho. Uma baita de uma saudade, como diria lá no meu Rio Grande.

 

Conheci o Gauchão quando este aumentativo era dispensável. Bastava-nos chamá-lo de Campeonato Gaúcho. Era ainda a competição mais importante que disputávamos nos anos de 1970. Assistia a todos os jogos no Olímpico, que ficava do lado de casa. Ou então viajava para o interior seguindo os passos gremistas. Muitas vezes passos enlameados em estádios acanhados e arquibancadas de madeira.

 

Tive o privilégio de acompanhar o Grêmio por todo o interior do Rio Grande levado de carona pela equipe de esportes da rádio Guaíba, onde meu pai trabalhou por cerca de 50 anos. Na maior parte das vezes ficava em pé, atrás dos postos ocupados pelo narrador e comentarista da emissora, nas cabines de rádio. Algumas eram tão pequenas que mal cabiam os profissionais, os equipamentos e este torcedor fanático.

 

Da mesma forma que a lama, o frio era uma das marcas da competição. Houve até um histórico jogo na neve, em Bento Gonçalves, lá pelos anos de 1980. E se alguém me perguntar qual o momento mais marcante como torcedor gremista, não vou titubear: o título Gaúcho de 1977. Foi o primeiro que pude comemorar ao lado e abraçado com o meu pai nas cadeiras do Olímpico.

 

Desde lá, nossas ambições foram além das fronteiras do Rio Grande. Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial entraram no nosso cardápio. E ganhamos todos eles, queiram ou não os mercenários da Fifa.

 

O Gaúcho ficou menor, mas segue muito perto do coração de cada um dos torcedores. Por isso, foi muito legal ligar a televisão nesta quinta-feira à noite para assistir à estreia gremista na temporada 2017.

 

O jogo foi na Arena que tem mais cara de Copa do Brasil e Libertadores do que Gaúcho. Mas tinha muita chuva para nos lembrar do passado e um adversário tradicional, lá do norte do Estado na divisa com Santa Catarina. Teve jogadas duras, chutões para o alto, excesso de força e reclamações – o suficiente para matar a saudade.

 

Teve também o talento que fez do Grêmio penta campeão da Copa do Brasil no ano passado. Geromel, Luan, Douglas, Marcelo Grohe … marcação alta, volume de jogo, troca de passe precisa e muita movimentação.

 

O primeiro gol foi contra e resultado de uma blitz que resultou de sete cobranças de escanteio em pouco mais de meia hora de partida. O segundo saiu dos pés do redivivo Fernandinho após outra pressão imposta no segundo tempo.

 

Que venham novas vitórias, a classificação às próximas fases e o título do Campeonato Gaúcho. Até porque desse também estou com uma baita de uma saudade.

Time grande cai sim, viu Inter?

 

Prometi que publicaria dois textos mostrando pontos de vista diferentes em relação ao Internacional, rebaixado à Segunda Divisão, nesse domingo. O primeiro foi do José Renato Santiago, com o título “A queda do Imortal Colorado”, que você pode ler correndo a página para baixo. Agora, o outro lado: o gremista e jornalista Airton Gontow manda o seu recado. Aproveite e compartilhe:

 

Por Airton Gontow

 

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Chega de falácia!

 

Chega de frases de marketing!

 

O Inter, que não ganhou diversas competições, não é “Campeão de Tudo”!

 

O Inter, que pintou o mundo de vermelho, como um belo entardecer, não é mais campeão do mundo que o Santos, de Pelé, Pepe e Coutinho ou o Flamengo de Zico, Júnior e Adílio.

 

Não, o Mundial do Inter não vale mais que o do Grêmio, “porque o Mundial não era Fifa”.

 

Em 83, Renato Gaúcho, Hugo de Leon, Mário Sérgio e Paulo Cesar Caju desmentiram Yuri Gagarin e mostraram que a Terra não é só Azul, mas Azul, Branca e Preta.

 

Há centenas de matérias, como na decisão da Libertadores de 1980 entre Inter e Nacional, com dirigentes, jogadores e torcedores colorados falando sobre seu sonho de ser campeão do mundo no final do ano, em Tóquio.

 

Aliás, foi um castigo do destino que o pior dia da tua história tenha caído exatamente na data em que nós, gremistas, festejamos os 33 anos da conquista do nosso maior título, que tanto procuras deslegitimar.

 

Time grande cai sim!
E tu és grande, Inter!
És o maior campeão gaúcho!
És tri campeão brasileiro, o único invicto!
És campeão da Copa Sul-Americana, a Segunda Divisão da América!
És bicampeão da Libertadores!
És um campeão mundial!

 

Tu tiveste Falcão!
Tiveste Carpergiani.
Tiveste Manga e Tesourinha.
Claro que és grande!

 

Saiba, caro rival Colorado, que time grande cai até mesmo impulsionado pela própria grandeza. Quando tudo dá errado, para o grande é na maioria das vezes até mais difícil reverter a queda. Como um caminhão (ou um trator) desgovernado ladeira abaixo.

 

Um dia, passado o choque de realidade, tu voltarás ao teu lugar de Direito (sem trocadilho, claro, com tuas ações no STJD).

 

Triste, né, que teus fanáticos torcedores tenham recebido o choque de realidade de forma tão doída?

 

Era tão óbvio!

 

Se um time que tem sete títulos nacionais, como o Grêmio, cai, porque um time que conquistou quatro títulos nacionais não cairia um dia?

 

Se cai para a Segundona uma equipe que tem um moderno estádio para 60 mil pessoas, a Arena (para muitos o mais belo do País) porque um time com um velho e belo estádio restaurado, com 50 mil lugares, não poderia ir para a Segunda Divisão, também?

 

Se o tricolor gaúcho, sexto colocado no ranking das maiores do País, já foi para a divisão de Acesso, porque o Colorado, com seus torcedores, que formam a nona torcida do País, não iria um dia cair para a segunda divisão, também?

 

Se os azuis, que em 2017 disputarão sua 17ª. Libertadores – a Primeira Divisão da América – desce para a Segundona, porque os vermelhos, que sonham em um dia jogar sua 12ª. Libertadores, não iriam cair um dia?

 

Se o Clube com a terceira posição em número de sócios do País já conheceu o inferno da Segunda Divisão, porque o quarto colocado em quantidade de associados não amargaria também a divisão de baixo do Campeonato Brasileiro?

 

O time que formou, desde gurizinho, o mais famoso jogador de futebol brasileiro das últimas décadas, Ronaldinho Gaúcho, já caiu!

 

O primeiro colocado no Ranking da CBF já caiu!

 

Então, quem é que acreditava de fato que um Clube que não conquista um Brasileiro desde 79 e uma Copa do Brasil desde 92 ficaria eternamente na Primeira Divisão do Campeonato Nacional?

 

– Elementar meu caro Carvalho, quer dizer, Watson!

 

Para os colorados, um alento: se o Inter mereceu descer, desta vez, vocês não mereciam essa queda, tamanha as demonstrações de amor e fidelidade. Não, vocês não mereciam, mesmo com a vossa arrogância da última década. Afinal, ela é de direito dos torcedores vitoriosos. Mas não dos dirigentes que comandam um clube.
Mal vejo a hora de começar 2017.

 

Como sempre na história da rivalidade gaúcha, a “secação” estará em campo em todos os jogos. Afinal, torcemos tanto pelas vitórias do nosso time quanto pelas derrotas do maior adversário.

 

No ano que vem, nós gremistas estaremos de olho na tv para que o Inter não consiga retornar à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Já os colorados estarão torcendo, desesperadamente, para que o Grêmio não chegue à sua terceira Libertadores e ao seu segundo Mundial.

 

A queda do ‘Imortal’ Colorado

 

O caro e raro leitor deste blog há de considerar estranho. Acostumado que está em ler minhas Avalanches apaixonadas pelo Grêmio, depara-se com um post dedicado ao Internacional, e logo após o seu rebaixamento à Segunda Divisão. Desde domingo, tenho recebido uma série de colaborações de leitores, ouvintes e amigos que curtem o futebol como eu. Decidi, então, escolher dois deles para representar os dois grupos majoritários desses escrevinhadores: os que torcem para o Inter e os que torcem contra o Inter.

 

O primeiro deles é de José Renato Santiago, autor do site Memória Futebol, que conta sua admiração pelo colorado; o segundo, que será publicado em seguida, é do Airton Gontow, gremista de quatro costados.

 

Vamos a eles:

 

Por José Renato Santiago
Do site www.memoriafutebol.com.br

 

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

 

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.
Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

 

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

 

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

 

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno. Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11. Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols). Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

 

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

 

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

 

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar. Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

 

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

 

O Internacional jogava demais.

 

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

 

A vitória colorada, no entanto, significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

 

Creio que até mesmo para muitos colorados nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

 

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

 

Também por conta disso, que entre as cinco equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, – além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também – sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

 

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, às quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

 

Uma pena.

Avalanche Tricolor: o Domingo da Alegria!

 

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Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Alegria na torcida do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Domingo é dia de ir à missa. E isso já contei muitas vezes pra você, caro e raro leitor desta Avalanche. Hábito que aprendi com minha mãe, a quem perdi muito mais cedo do que devia, e abandonei com o passar do tempo. Faz alguns anos retomei a caminhada e isto tem me feito bem em todos os sentidos.

 

Aqui em São Paulo, fui morar próximo de uma capela, que fica bem na esquina de casa. Após algum tempo frequentando o local, descobri que entre os padres que se revezavam nas missas diárias estava José Bortolini, um intelectual religioso e autor de dezenas de livros. Soube por ele próprio que éramos conterrâneos. Eu, nascido em Porto Alegre. Ele, em Bento Gonçalves. Ambos, torcedores do Grêmio.

 

Santa coincidência.

 

Sei que já escrevi nesta Avalanche sobre Padre José e também deixei claro que procuro ao máximo não misturar religião e futebol. Acho que Ele tem coisas mais importantes para resolver.

 

Para o campo e para a bola, existem deuses próprios. Mundanos. Travessos e sempre prontos a se divertirem com nossas angústias. Irônicos ao se depararem com a soberba. Injustos, quando estão manipulando contra o meu time. Implacáveis, algumas vezes.

 

Padre José não acredita nesses deuses, mas adora assistir aos jogos de futebol. Quarta-feira passada acordou dois dos seus mais próximos companheiros de caminhada – acostumados a irem para a cama cedo – e os fez vibrar com o Grêmio Penta da Copa do Brasil.

 

Apesar do meu cuidado para que religião e futebol fiquem cada um em seu campo, confesso que, neste domingo, fui a Igreja com a esperança de encontrar o Padre José. E, Graças a Deus, ops … E, graças a escala das missas, lá estava ele na porta para receber os fiéis. Trocamos olhares cúmplices e não soubemos esconder o sorriso maroto de quem conquistou um título de expressão nacional depois de 15 anos.

 

Padre José vestia túnica branca e estola rosa, uma espécie de vermelho esmaecido. Cumprimentou-me e entramos na Igreja para mais uma missa dominical. Antes, porém, cochichou-me no ouvido: não esquece, hoje é o Domingo da Alegria.

 

Sinceramente, até agora não sei se ele se referia ao fato de ser o Terceiro Domingo do advento, tempo de os católicos se alegrarem na preparação e pela espera do ‘Prometido’, ou se suas palavras estavam apenas antecipando o que viria acontecer ao fim desta última rodada do Campeonato Brasileiro.

 

Seja o que for, o domingo foi de muita alegria (ao menos para a maioria de nós)!

Avalanche Tricolor: Papai, ganhamos!

 

Por Gregório Jung

 

 

Papai, ganhamos. Estou escrevendo antes do jogo este texto sem receio de dar azar para o nosso time, pois confio nos Imortais que jogarão.

 

Papai, ganhamos. Foram muitos anos, vendo você vidrado na frente da TV, se virando com seus compromissos para acomodar tempo porque “hoje tem jogo do Grêmio”.

 

Não cresci no Menino Deus, posso contar em uma mão as vezes que fui ao Olímpico e em um dedo as minhas visitas à Arena. Vivi muito do futebol através de você. Nunca entendia muito bem o fanatismo, apesar de sempre ter gostado de ouvir as histórias, mas sempre me considerei gremista.

 

Papai, ganhamos. Foi de uns anos para cá que comecei a entender o que move as pessoas para o esporte, me apaixonar pelas jogadas e aprender assim como você faz para aprender League of Legends, que eu adoro explicar para você.

 

Papai, ganhamos. Você narrou o último título nacional do Imortal e hoje comemorou como nunca essa vitória que é mais que merecida. O Vovô está em Porto Alegre, mas com certeza deve estar sentindo a mesma coisa.

 

Papai, ganhamos. Via os jogos esporadicamente, de canto de olho: “como está o Grêmio?”, perguntava para mostrar que você não estava assistindo sozinho. Sofria junto, mesmo de trás da tela do computador.

 

A última vez que lembro ter torcido como nunca foi na Batalha dos Aflitos. E que jogo!

 

Não entendia muito bem o que acontecia, mas via por você o que o Grêmio estava passando, sofria sem saber ao certo por quê, mas se você estava sofrendo era porque valia a pena.

 

Papai, ganhamos. Não peguei o Grêmio Copero, o Grêmio Campeão Mundial, o Grêmio de Tite, de Danrlei, de Ronaldinho Gaúcho, de Renato Gaúcho (jogador), de Yura, de Tarciso.

 

Peguei o Grêmio Vencedor da Série B do Campeonato Brasileiro, título que falo com orgulho.

 

Peguei o Grêmio de Anderson, de Galatto, de Mano Menezes, de Tcheco, de Kléber Gladiador, de Pará, de Barcos, de Victor, de Róger, de Marcelo Grohe, de Geromel, de Douglas, de Luan.  Todos os que citei na segunda lista foram porque marcaram para mim os jogos do Grêmio, são os meus craques.

 

Papai, ganhamos. Novas amizades que fiz nessa minha fase da vida me ensinaram a amar ainda mais o esporte, me ensinaram o que é cadenciar o jogo, me ensinaram nomes de jogadores que eu nunca saberia sozinho, me ensinaram tudo e muito mais para que eu pudesse entender uma fração do que você sente ao ver o nosso Grêmio entrar em campo.

 

Papai, ganhamos. O Vovô tinha um grito de gol sem igual, um grito que você fez no gol de Marcelinho Paraíba, em 2001, um grito que eu fiz quando narrei o Brasil nas Olimpíadas, neste 2016. Um grito que passou por três gerações: o mesmo número de gols no “Gol Gol Gol” do Vovô.

 

Posso não ter narrado um jogo do Grêmio (ainda) ao fazer esse grito, mas ele foi uma homenagem que fiz para os dois Milton Jung que marcaram e marcam a minha vida.

 

Papai, te amo.