Avalanche Tricolor: verdades escancaradas

 

Atlético PR 0x2 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

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Funcionei em três versões neste fim de semana, nesta passagem pelo Rio de Janeiro que se estenderá até segunda-feira. Antes de chegar aqui, já tínhamos a cobertura política de um país estarrecido com a verdade escancarada por um grupo de delatores, chefiado por Joesley Batista. Um noticiário com várias nuances, revelações, traições e a realidade pura e crua de como agem poderosos e homens públicos, no Brasil.

 

O Rio foi meu destino na sexta-feira para assistir de perto às finais do MSI2017, o Mundialito de Lol – League of Legends. Apesar da ausência de brasileiros nesta rodada, os times europeus e asiáticos conseguiram trazer bom público à Arena Jeunesse, que teve seus quase 10 mil lugares ocupados, especialmente na batalha final. Desde o início da competição havia uma verdade escrita: a superioridade dos sul-coreanos. Verdade confirmada para delírio dos torcedores que fizeram uma bela festa por aqui com o título da SKT.

 

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E foi do Rio que assisti, neste domingo, ainda de dentro da Arena Jeunesse, e pela tela do meu celular, ao Grêmio, na Arena da Baixada, em Curitiba. Um time que vem jogando futebol de verdade pela maneira como se posiciona em campo, troca passes com precisão e se desloca para desorientar o adversário.

 

Antes mesmo do gol, Luan desfilava no gramado com a elegância que tem caracterizado seu jeito de jogar bola. Conseguia se safar dos marcadores com toques sutis e malabarismos imperceptíveis, suficientes para avançar em direção ao ataque. Foi premiado ao receber a bola dentro da área e marcar o primeiro da vitória gremista.

 

Ramiro também se mostrava superior. Fazia ótima companhia a Luan. Misturava talento e raça, categoria e qualidade técnica. No primeiro gol já havia feito a assistência para Barrios, que não conseguiu manter a bola e deixou para Luan. No segundo, recebeu de Luan e procurou novamente Barrios: desta vez, não escapou e ele matou o jogo.

 

Verdade que a expulsão de Marcelo Grohe tirou a tranquilidade dos gremistas, pois abriu-se espaço para o adversário atacar. Mas também é verdade que o sistema defensivo demonstrou a segurança que precisávamos para conter a pressão. E com isso, o Grêmio marca sua segunda vitória em dois jogos seguidos por dois a zero, no Campeonato Brasileiro.

 

Nas três versões em que funcionei neste fim de semana havia verdades escancaradas: no Lol e no futebol, principalmente; já na política, apesar de descobrirmos algumas verdades, ainda tem muita mentira para ser desmascarada.

Avalanche Tricolor: em noite de tensão, o Campeão de Copas sai muito bem na foto

 

Grêmio 3×1 Fluminense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Em uma noite na qual a República estremeceu com as denúncias da Família Batista, assistir ao Grêmio foi um desafio. Com olhos na tela da TV, que transmitia o futebol, e ouvidos colados na cobertura da CBN, que me atualizava da crise política, escrever ao fim de uma vitória como essa é quase impossível.

 

Diante da emoção que o futebol nos proporcionou com uma vitória na Copa e da tensão que as denúncias da JBS geraram, preferi contar nossa façanha através de imagens.

 

Aqui, o autor do primeiro gol, do Grêmio: o Craque!

 

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Em seguida, o autor do gol da virada: o Goleador!

 

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Agora, ele de novo: o Matador!

 

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E pra fechar, o Campeão de Copas!

 

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As imagens deste post forma produzidas pelo Twitter do @Grêmio

 

Avalanche Tricolor: os detalhes que levaram o Grêmio a vencer na estreia

 

 

Grêmio 2×0 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Detalhes dos gols de Ramiro, reprodução da SPORTV

 

Diz o ditado que é no detalhe que mora o Diabo. Como não tenho medo dele, foi pra lá que resolvi olhar na partida de estreia do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. E que baita partida, hein, amigo! 

 

O primeiro detalhe que percebi é daqueles que poucos falarão na crônica do jogo, mas para mim faz uma tremenda diferença. Aliás, é uma das coisas que mais me incomodam nos times de futebol: insiste-se em tocar a bola para trás quando o objetivo do jogo é se aproximar do gol.

 

Pense comigo: se no campo temos de conquistar espaço, avançar sobre o território inimigo para alcançarmos a meta adversária, a primeira opção de um jogador que está com a bola tem de ser encontrar um colega que esteja mais à frente. Parece óbvio, mas não é. Geralmente, como esse companheiro está mais bem marcado, por medo, desiste-se de arriscar um passe que nos colocaria avante. Volta-se a bola e se começa tudo de novo.

 

Desde os primeiros minutos, a começar por Arthur, e passando por Michel, Ramiro e Luan, o time do Grêmio mostrou que queria jogar para frente. A qualidade do passe de alguns de nossos jogadores ajudou muito nesta decisão. O deslocamento do companheiro de time para receber à frente, também. E não tenho dúvida em dizer que isso foi resultado dos dias bem aproveitados de treino.

 

Foi este detalhe que permitiu que se chegasse tantas vezes e com muitos jogadores na cara do gol, mas outros tantos seguiram me ajudando a contar a história do jogo.

 

Foi por um triz, por exemplo, que Luan não abriu o placar logo no início da partida, ao receber belo passe e ficar cara a cara com o goleiro. Se ele tivesse prestado atenção em outro detalhe, o gol teria sido marcado por Lucas Barrios que estava livre do seu lado direito.

 

Mais um detalhe desses que fico prestando atenção durante a partida: em um dos muitos ataques que desperdiçamos no primeiro tempo, Ramiro, ao chutar a gol e ver a bola ser desviada de cabeça, comentou com seus companheiros que “hoje parece que nada dá certo”. Um lamento que se revelou na leitura labial que fiz (ou seria apenas licença poética deste torcedor?). Ainda bem que Ramiro estava enganado. E ele próprio provou isso para a gente no fim do primeiro tempo (e no segundo, também).

 

Um lançamento de Michel do outro lado do campo encontrou Léo Moura disparado no ataque. Nosso lateral teve de usar de toda sua velocidade para alcançar a bola que, por um detalhe, não saiu pela linha de fundo. Cruzou e proporcionou um bombardeio no gol adversário: foram três chutes à queima roupa até Ramiro, o Incrível, fulminar no fundo do poço.

 

A volta do segundo tempo tem sido sempre preocupante pra gente, é quando costumamos dormir no ponto e permitimos a reação do adversário. Bem que eles tentaram chegar ao nosso gol, mas não tiveram sucesso. Por muito pouco, aliás, pois, logo após a volta, o atacante deles se livrou de todos os marcadores dentro da área e estava pronto para empatar. Só tinha um detalhe, aliás, um baita detalhe: Kannemann não desiste nunca e mesmo tendo sido driblado na primeira vez, se jogou a tempo de desviar a bola para longe.

 

Em seguida, retomamos a bola, voltamos a dominar o jogo, fazer passes ofensivos, nos deslocarmos por um lado e outro. Nossos alas apareciam à frente e eram bem recebidos pelos atacantes. Nossos atacantes trocavam bola entre eles em busca de espaço. E o risco de cedermos o resultado diminuía a medida que o tempo avançava.

 

Foi Ramiro, o Incrível, que mais uma vez apareceu para resolver a partida, após boa movimetação do time pelo lado direito. Ele recebeu a bola pelo alto e na entrada da área. Dominou-a e chutou com força, como sempre chuta. Para cair dentro do gol, a bola bateu antes em Luan, subiu e foi parar no fundo das redes. Bateu na mão, reclamaram os adversários. E só se descobriu que eles tinham razão depois que a televisão mostrou o lance detalhadamente.

 

Perdão se exagero nos detalhes, mas quero encerrar esta Avalanche apenas lembrando mais um: o Campeonato só começou agora e já estamos no G4, de novo.

Avalanche Tricolor: no deserto, líder e prejudicado

 

 

Deportes Iquique/Germano Delfino 2×1 Grêmio
Libertadores – Zorros del Desierto/Calama CHI

 

 

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Barrios marca em jogada ensaiada, na reprodução da FoxSport

 

 

O jogo foi no deserto de Calama. E o deserto é seco. Como era seco o campo, onde a bola mal rolava. Secou também o futebol do Grêmio, nesta noite, no Chile, especialmente após a intervenção do árbitro.

 

 

No mano a mano, enquanto éramos nós contra eles, fomos melhor.

 

 

E melhor chegamos ao gol, após cobrança de falta bem ensaiada: o cruzamento encontrou Kanemann no primeiro pau que, de cabeça, desviou para o outro lado, onde estava Barrios, o goleador. E goleador está lá para fazer o que Barrios faz. Marcado, acossado … tanto faz. Ele chuta a gol. E marca. Foi o quinto nas três últimas partidas.

 

 

Um pouco antes do gol, foi o mesmo Barrios que se colocou à frente dos zagueiros para cabecear no travessão. Um pouco à frente. O suficiente para estar impedido, o auxiliar perceber e o juiz parar a jogada. Estava certo o árbitro, desta vez. Em todas as outras jogadas cruciais, ele errou. E errou todas contra nós. Nenhuma para o adversário. Um típico árbitro ruim só para um lado.

 

 

Do pênalti, se desse jogo perigoso teríamos aceitado. Deu pênalti, permitiu a reação do adversário e tirou o Grêmio do sério. Não bastasse, usou o cartão amarelo para impedir a marcação forte do nosso time. Nos obrigou a entrar com mais cuidado contra uma equipe que sabe jogar com a bola no pé.

 

 

A secura do futebol gremista só acabou quando Arthur entrou no meio de campo. O menino fez a bola rodar para cá e para lá. Virou o jogo, encontrou colegas livres de um lado e de outro. Aproximou-se de Barrios e buscou o gol. Confesso, me fez pensar que se estivesse no time desde o início talvez tivéssemos reagido melhor aos erros do árbitro. E à marcação do adversário.

 

 

Agora é esperar que na rodada final volte a confiança no futebol que gostamos de jogar, com marcação alta, movimentação intensa, troca de passe rápida e velocidade em direção ao gol. Esperar que o árbitro se limite a arbitrar. E a Arthur seja dada a oportunidade de jogar.

 

 

Em tempo. Antes de começar com mimimi, lebre-se: o Grêmio é líder na Libertadores.

Avalanche Tricolor: Barrios começa a construir sua história no Grêmio

 

Grêmio 4×1 Guaraní-PAR
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Intensidade. Eis uma palavra que está na moda no futebol. Raramente deixa de ser dita pelos jornalistas esportivos nas transmissões no rádio e na televisão. Costuma ilustrar o futebol jogado com marcação forte sobre o adversário, troca de passe rápida, velocidade no ataque e chutes a gol.

 

Poucas coisas foram tão intensas quanto o jogo jogado no primeiro tempo desta noite, na Arena. Em 10 minutos, já havíamos sofrido sufoco, retomado a bola, marcado um gol e perdido um dos nossos principais destaques por lesão. O que se seguiu não foi diferente: em pouco mais de 45 minutos, foram quatro gols, um pênalti perdido e uma expulsão. 

 

No segundo tempo, o ritmo diminuiu e a técnica despencou, mas não faltou intensidade: ao menos não faltou para Barrios, nosso camisa 18. Se o time já não tocava tão bem a bola e o adversário tinha dificuldade para jogar, nosso atacante desencantou de vez.

 

O argentino, naturalizado paraguaio, travestido de gremista tinha feito o primeiro lá no início da partida, após receber a bola na pequena área e desviá-la para o gol. Não demorou muito para marcar o segundo: Barrios estava novamente presente dentro da área e concluiu uma jogada da qual já havia participado em sua origem. 

 

Quando pouco coisa parecia acontecer em campo, no segundo tempo, Barrios surgiu novamente. Recebeu mais um presente nas costas dos zagueiros, olhou para a goleira e não perdoou: estufou as redes pela terceira vez na mesma partida.

 

O atacante que vem se chegando aos poucos no time titular, esperando com paciência suas oportunidades, já é o autor de seis gols na temporada em 12 partidas que disputou e começa a ser protagonista da história até aqui vitoriosa do Grêmio na Libertadores, no papel que mais queremos que ele represente: o de Matador.

 

Bem-vindo, Barrios!

 

 

Avalanche Tricolor: “nos pênaltis, ora bolas!”

 

 

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Barrios marca o gol do Grêmio, reprodução de imagem da SPORTV

 

Porto Alegre foi onde estive nesses últimos dias, após uma rápida estada em Gramado, interior do Rio Grande do Sul. Cheguei de lá na noite deste domingo quando o Grêmio já estava em campo decidindo uma vaga à final do Campeonato Gaúcho.

 

Estar com a família, relembrar histórias das quais fomos protagonistas juntos, entender como cada um de nós chegou até aqui e perceber que fomos feitos de alegrias e tristezas, sendo que ambos sentimentos deixaram suas marcas, tornaram esses dias intensos ao lado de minha irmã e meu irmão, e junto com minha cunhada e sobrinhos.

 

Rever o pai, então, é sempre uma sensação única. Gosto de abraçá-lo fortemente para agradecer pela sua presença entre nós e, em especial, para deixar nele a certeza de que tudo que vivemos até aqui valeu a pena, independentemente do que tenhamos enfrentado no passado.

 

Até porque naquele passado, filhos e pais nem sempre se abraçavam e se beijavam com o desejo que esta relação sempre mereceu. Sei lá, parece que rolava uma timidez, uma vergonha sem explicação de dizer o quanto te amo. Coisa de adolescente, talvez.

 

Verdade que o pai sempre se esforçou para mostrar isso para mim. Eu só não entendia.

 

Quando eu chegava tarde em casa, ele me esperava acordado, fumando um cigarro atrás do outro, sempre imaginando que o pior poderia ter acontecido. Sobrava bronca pra todo mundo. Eu achava desnecessário e desconfortável. Hoje percebo tudo isso com maior nitidez: era apenas amor.

 

Ao lado dos campos de futebol e das quadras de basquete, onde tive o prazer de representar o Grêmio por anos a fio, ele sofria desesperadamente, esbravejava contra o juiz e dizia palavrões desajeitados. Tiveram cenas hilárias, como o dia em que correu atrás do árbitro, cansado de tanto vê-lo apitar contra nós. Que vergonha! Vergonha, nada! Era apenas amor.

 

Naqueles tempos, abraços intensos e desavergonhados só mesmo quando assistíamos aos jogos do Grêmio. Eram momentos em que parecíamos ter a mesma idade. Socávamos as cadeiras azuis do Olímpico a cada lance desperdiçado. Saltávamos efusivamente para comemorar nossos gols. Os títulos mereciam celebração especial que se iniciava no estádio, seguia com a gente pelas escadarias até o vestiário e se estendia pelo caminho de volta a nossa casa, que ficava bem pertinho dali.

 

Diante do revés, ele voltava a ser meu pai. Pois era quem sabia me consolar, usando às vezes a razão outras apenas a ilusão para explicar os motivos de uma derrota. Nem sempre havia coerência na justificativa, mas ele insistia naquela história para não ver seu filho triste. Era mais um sinal de seu amor.

 

Hoje, voltei para São Paulo e, depois de um abraço bem apertado, deixei o pai lá em Porto Alegre antes de a partida se iniciar. Precisávamos vencer para estar na decisão. Nem que fosse nos pênaltis. Repetimos os feitos (ou defeitos) do primeiro jogo da semifinal quando saímos na frente e não foi necessário muito esforço do adversário no ataque para entregarmos o empate. Jogamos fora a possibilidade de classificação em pênaltis mal cobrados.

 

Estivesse aqui ao meu lado, em São Paulo, arrisco dizer que o pai encontraria uma desculpa qualquer para não me ver abatido com a desclassificação. Talvez tentasse me convencer que mais importante é conquistar a Libertadores.

 

Eu sei, pai, mas nós sempre queremos ganhar todos os títulos que disputamos.

 

Quem sabe, me lembraria que somos os atuais campeões da Copa do Brasil, o Rei de Copas, título nacional de muito mais destaque do que um regional.

 

Você tem razão, pai, mas eu ando com saudades de um título gaúcho. E você, também.

 

Ora bolas, mas só perdemos nos pênaltis! – tentaria uma última cartada.

 

É, ele é assim mesmo: para me consolar, o pai não desiste nunca. É amor, eu sei!

Avalanche Tricolor: Renato dribla mais uma vez a lógica

 

Guaraní-PAR 1×1 Grêmio
Libertadores – Defensores del Chaco/Assunção

 

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Pedro Rocha marca o gol de empate, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Confesso desde este primeiro parágrafo que não assistí a um só lance do empate gremista, nessa quinta-feira, no Paraguai. Fui surpreendido com a antecipação do horário da partida, previsto inicialmente para o fim da noite, e não havia como modificar a agenda de compromisso profissional previamente assumido.

 

Estou em Gramado, de volta à minha terra, onde apresentei a palestra magna do 32º Encontro Internacional de Audiologia, ao lado da colega de trabalho Leny Kyrillos. E enquanto estava no palco, o Grêmio entrava em campo em Assunção.

 

O celular foi minha fonte de informação. E por ele soube da escalação “alternativa” escolhida por Renato – imagino que após discussão com a comissão técnica e a própria diretoria. Colocar um time de reservas na Libertadores é jogada arrojada demais para ser decidida por apenas uma pessoa, mesmo que esta seja Renato, alguém que já deu provas de quantas loucuras é capaz de fazer para conquistar a vitória.

 

Mesmo com um histórico de arrojo e coragem, ainda há quem duvide da capacidade de nosso técnico. Ao encerrar minha palestra, procurei um táxi, e o motorista vestia a camisa do Grêmio(coincidência?). Ele estava incomodado. Tínhamos perdido um jogador expulso e o adversário havia marcado seu gol.

 

“Estamos perdendo!?” – comentei para que ele percebesse que falávamos a mesma língua e torcíamos pelo mesmo time.

 

“O Renato pediu, né!” – foi a resposta que ouvi em tom de descrença devido a decisão de entrarmos na partida com apenas dois titulares.

 

Quase caí na conversa dele. Ainda bem que minha mulher, que acompanha o futebol por força do casamento e apenas de revesgueio, interveio:

 

“Mas não é domingo que tem jogo importante?”

 

Tinha toda razão, por mais contraditório que pudesse parecer.

 

Pela lógica, Renato colocaria os titulares na Libertadores – o que poderia ser mais importante do que isso? -, e o que resistisse em pé, ele escalaria no domingo quando jogaremos pelo Campeonato Gaúcho. Mas Renato construiu sua história driblando a lógica.

 

Fosse lógico, Renato, acuado na lateral e de costas, jamais chutaria aquela bola para o alto e em direção a área, permitindo que César, de cabeça, nos levasse ao gol da Libertadores, em 1983. Nem arriscaria atropelar e contorcer o bando de alemães que o cercava no caminho para o gol que nos deu o Mundial, naquele mesmo ano.

 

Desta vez, sem pudor, preferiu poupar os titulares, confiando que um revés agora seria facilmente recuperado no jogo de volta, no segundo turno da fase de classificação da Libertadores. Resguardou-os para o desafio de domingo quando precisaremos vencer o Novo Hamburgo para nos mantermos na caminhada ao título do Campeonato Gaúcho.

 

Fez o cálculo certo e foi premiado com mais um gol decisivo de Pedro Rocha – aquele guri que está sempre arriscando -, que nos garantiu o empate, nos deixou na liderança do grupo da Libertadores e nos ofereceu ainda mais entusiasmo para vencermos a disputa, no domingo, pelo Campeonato Gaúcho.

 

Como disse o presidente Romildon Bolzan: “nossa prioridade é ganhar títulos”. E o Grêmio jogou com inteligência e audácia suficientes para se capacitar a vencer tanto um título como o outro.

Avalanche Tricolor: ah, tá! pensou que seria fácil?

 

 

Grêmio 1×1 Nova Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

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Ah, tá! Vai dizer que você pensou que seria fácil? 2×0 na primeira,  5×0 na segunda, e vaga na final garantida? Essas coisas acontecem de vez em quando, e já aconteceu com a gente nas quartas-de-final. Não se repetiria assim tão facilmente. Só porque era Páscoa, iríamos nos deliciar com doces, bacalhau e vinho?

 

 

Leve em consideração ainda que o adversário deste domingo tá com a bola toda. Fez um baita campeonato até aqui. Está bem organizado. Está motivado e dedicado, enquanto nós temos de ficar com um olho no peixe e outro no gato. No caso, um no Gaúcho e outro na Libertadores.

 

 

Claro que o empate não se deu por causa disso. Ou melhor, em parte se deu. Afinal, o adversário fez por merecer. E, ainda sob o impacto do segundo tempo, diria que mereceu até mais do que isso. Fechou-se bem e soube aproveitar os poucos espaços que surgiram até marcar o gol de empate. Depois, desperdiçou as boas chances que criou.

 

 

De nossa parte, o empate se deu porque tivemos dificuldade para acelerar a bola e trocá-la em meio a marcação fechada; abrir buracos na defesa adversária com dribles e chutar com mais precisão.

 

 

Fazer o quê, já foi!

 

 

Resta agora sentar a cabeça no lugar, entender os “apagões” das duas últimas partidas, organizar-se defensivamente e acelerar a bola ofensivamente. Renato e Espinosa sabem fazer isso.

 

 

E não vamos perder tempo com mimimi, querendo apontar o dedo para este ou aquele culpado. Entrar na onda dos inimigos de plantão. Não é hora disso. Até porque não dá tempo de ficar lambendo as feridas: tem Libertadores logo ali (na quinta-feira). E assim que encararmos nossa batalha lá fora, temos de voltar e superar o melhor time do campeonato até aqui, na casa dele (domingo que vem).

 

 

Ah, tá! Vai dizer que você acha tudo isso muito complicado? Que é, é … mas desde quando a gente se mixou pra esses desafios?  Pegar osso duro é nosso destino e transformá-lo em filé de primeira, nossa missão.

 

 

A mesa está posta: vitória lá fora na quinta; vitória lá fora no domingo. Esse é o nosso cardápio.

Avalanche Tricolor: avassalador e assustador

 

 

Grêmio 3×2 Iquique
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Comemoração do terceiro gol, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Avassalador … assim foi o Grêmio no primeiro tempo nesta partida pela Libertadores.

 

Mesmo com o adversário ensaiando pressão no começo do jogo, revelando-se bom tocador de bola e animado pela liderança invicta no campeonato nacional, o Grêmio não deu bola para os chilenos.

 

Teve personalidade para retomar a bola a partir de uma marcação forte e impondo muita velocidade na partida – sem correria, apenas trocando passes com rapidez; tocando e saindo para receber; tocando e lançando para seus atacantes que corriam à frente; tocando e fazendo gols.

 

Pedro Rocha teve suas chances e não aproveitou. Luan, sim. A primeira foi para calibrar o pé. A segunda, para abrir o placar. E a terceira, para mostrar quem mandava no jogo. E o Grêmio não dava sinais de estar satisfeito: seguiu veloz, com passes precisos e chegando ao ataque. Chamou o pênalti e Miller deixou sua marca. Quase fez mais um e mais outro.

 

E aí veio o segundo tempo … assustador.

 

A primeira atrasada de bola com a cabeça, que quase pegou Marcelo fora do gol, dava sinais de que alguma coisa havia mudado. Fomos desatentos, o adversário ganhou espaço no campo e passamos a ceder a bola de graça. Tomamos um e tomamos dois até acordar para a partida e nos lembrarmos que o jogo era de Libertadores.

 

Dali pra frente, o talento que nos diferenciou no primeiro tempo teve de ser substituído pela garra e força. Abrimos mão do toque de bola pela bola despachada. Do jogo de excelência passamos a fazer o não jogo. Foi preciso catimba e tarimba para resistir até o fim à frente no placar.

 

Ao fim e ao cabo, encerramos a rodada líderes e invictos, com muitos motivos para acreditar que o time tem competência para chegar ao topo nesta Libertadores. Só não precisávamos passar tanto susto, não é mesmo!?

 

Avalanche Tricolor: o criador não curte a criatura mas, sabe como é, jogo é jogo

 

 

Grêmio 1×0 America MG
Primeira Liga – Arena Grêmio

 

 

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Arthur foi destaque na vitória de hoje, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A Primeira Liga é competição curiosa. Fizemos parte da criação dela mas nunca curtimos muita a criatura. Desde sempre temos colocado time de segunda mão em campo, sinalizando a pouca importância que damos para o torneio. Com o desejo de se reconquistar um Campeonato Gaúcho e tendo a Libertadores como marca maior na temporada, não podemos mesmo desperdiçar esforços nessa disputa.

 

Apesar disso, quando se entra em campo, sejam quem forem os 11 escalados, todos vestem a camisa do Grêmio. E se a camisa do Grêmio está em campo, queremos vencer. Especialmente quando jogamos em casa, como no início desta noite de quarta-feira.

 

Além disso, o time de hoje tinha muita gente legal para conferir e os esboços de boas jogadas que desenhamos em parte da partida mostraram que, mais bem afinado, O Grêmio poderia ter tido boa performance e uma vitória mais tranquila, mesmo sem a presença de titulares em campo.

 

Até porque, convenhamos, nossos reservas contaram com Bruno Rodriguez, Arthur, Fernandinho, Gastón Fernandez, Everton e Lucas Barrios – todos em condições de se encaixar no time titular quando for preciso e se sair muito bem.

 

Da lista acima, chamou-me a atenção a segurança e qualidade técnica do jovem Arthur, atuando como volante. Nossa escola na posição parece não ter fim.

 

Gostei também de Barrios. Até gostei mais hoje dele do que na partida anterior quando marcou seu primeiro gol. Sempre que pega a bola busca alguém para dar a assistência. Às vezes até gostaria que ele fosse mais fominha do que solidário.

 

E teve o Everton que já não é nenhuma novidade pra gente. Poucos insistem tanto quanto ele. Talvez até por isso nos chame atenção pela quantidade de gols que desperdiça. Mas não desiste. E hoje foi premiado ao colocar a bola de chapa longe do alcance do goleiro e marcar um golaço – o único da nossa vitória.

 

O domínio do jogo somente foi ameaçado no minuto final quando abrimos mão de manter a bola no pé e recuamos de forma perigosa. A sinalização de pênalti para o adversário e o risco de empatarmos seria preço muito caro a pagar em partida que fomos bem superiores.

 

A briga nos acréscimos foi totalmente desnecessária. Por desatenção, imagino eu, não devolvemos a bola ao adversário como era de se esperar diante do fair play. Porém, serviu para nos mostrar que mesmo não dando muita bola para a Primeira Liga, como diria o filósofo do boteco: jogo é jogo. E ninguém quer perder.