Avalanche Tricolor: o Rei de Copas vence mais uma vez

 

Grêmio 1×0 Cruzeiro
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Barrios comemora o gol da vitória (reprodução SporTV)

 

 

(não me pergunte o motivo, mas este texto escrito logo após a partida de ontem à noite, não foi publicado; percebi a falha apenas agora e alertado por @seualgoz que toda semana me dá uma baita colher de chá postando meus textos no blog Imortal Tricolor; mesmo fora de hora, faço a publicação agora; perdão, caro e raro leitor desta Avalanche)

 

Um jogo de 180 minutos dizem quase todos ao se referir às decisões da Copa do Brasil. Ouvi da boca de um técnico e de outro, antes do jogo. Na dos comentaristas, também. No bate-papo de boteco, não poderia ser diferente. Têm razão todos eles se levarmos em consideração que só estaremos na final da Copa se obtivermos vantagem sobre o adversário no placar agregado, da primeira e da segunda partida.

 

O que poucos dizem é que para o Grêmio os jogos da Copa do Brasil não têm apenas 180 minutos; têm uma história a ser contada que se iniciou na primeira edição da competição e já nos fez campeão cinco vezes até agora. Cada vez que entramos em campo, somos o dono do cinturão, o lutador que é desafiado por todos seus adversários, o Rei de Copas a ser abatido. E por sabermos disso, nossa partida começa muito antes do apito inicial do árbitro. No caso de hoje, começou no fim de semana quando aceitamos levar a campo o time reserva para disputar o Campeonato Brasileiro mesmo jogando em casa e com chances de nos aproximarmos do líder.

 

Aqueles jogadores que encararam a falta de entrosamento e a desconfiança de parte dos torcedores foram fundamentais para permitir que os titulares focassem suas atenções à defesa do título, na noite desta quarta-feira. E se a maior parte de nós não percebeu isto, o goleador Barrios fez questão de demonstrar ao comemorar nosso único gol da partida abraçando um a um dos jogadores que estavam no banco. Um gol com a marca do Grêmio de Renato, que surgiu na roubada de bola, na transição veloz para o ataque, nos passes rápidos e precisos do meio de campo ao ataque e no oportunismo de nosso centroavante.

 

Saímos da primeira partida da semifinal com um gol de vantagem e sem levarmos nenhum, o que diante do regulamento da Copa do Brasil faz uma baita diferença, especialmente se levarmos em conta a forma como o Grêmio tem se comportado nas decisões fora de casa. Nada está resolvido, é verdade. Até porque teremos do outro lado um técnico que respeitamos, um time que também tem história e um estádio lotado de torcedores dispostos a chegar à final tanto quanto nós. Certamente a batalha será dura e o desafio enorme, mas nada que assuste um time consagrado com o título de Rei de Copas

 

Avalanche Tricolor: morre em Israel, o homem mais velho do mundo, “irmão-gêmeo do Grêmio”

 

Botafogo 1×0 Grêmio
Brasileiro – Nilton Santos/RJ

 

Diante da decisão gremista de não levar o Brasileiro como prioridade, preservando-se para a Copa do Brasil e a Libertadores, peço licença a você, caro e raro leitor, para abrir mão também de escrever a Avalanche deste domingo. Nesse caso, porém, você perceberá que o titular será substituído por um craque das letras (além de gremista, é lógico). Refiro-me a Airton Gontow que privilegiou este espaço – e desde já o agradeço por este carinho – com o texto que conta a incrível história de um judeu, sobrevivente dos campos de concentração, morto na sexta-feira, que descobriu, quase ao fim da vida, ser gremista ou um “irmão-gêmeo do Grêmio”, como o próprio Airton o identificou.

Por Airton Gontow

 

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Yisrael Kristal e a camisa do Imortal em sua homenagem (foto: Bernardo Kopstein Schanz)

 

Faleceu sexta-feira, 12 de agosto, em Israel, o “Homem Mais Velho do Mundo”. Sobrevivente do Holocausto, Yisrael Kristal completaria 114 anos dentro de um mês. Kristal ganhou o certificado da organização Guinness World Records após a morte do japonês Yasutaro Koide, aos 112 anos e 312 dias. “Todos têm o seu próprio destino, não há segredos”, disse ao receber o título.

 

De família judia ortodoxa, Kristal nasceu no vilarejo de Zarnow, na Polônia, em 15 de setembro de 1903. Aos 17 anos, mudou-se para Lodz, também na Polônia, onde sua família abriu uma fábrica de doces. Em 1940, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde perdeu a mulher e os dois filhos. Após ser resgatado com 37 quilos, mudou-se em 1950 para Israel. Casou-se novamente e passou a viver em Haifa, cidade ao Norte de Israel (a terceira maior do País), onde abriu uma confeitaria.

 

Não gostava muito, como acontece com muitos dos sobreviventes do Holocausto, de falar sobre o período passado nos campos. Mas declarou ao israelense Haretz: “Dois livros poderiam ser escritos sobre um só dia ali”. Sobre como prosseguiu após a grande tragédia, afirmou: “tudo o que nos resta é continuar trabalhando o mais duro que pudermos e reconstruir o que está perdido”.

 

No ano passado, Kristal comemorou, com 100 anos (um século!) de atraso, o seu Bar-Mitzvá, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto para a vida adulta, aos 13 anos. Não tinha vivenciado o importante rito de passagem devido à Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).

 

Apesar de atento ao mundo atual e de toda a tragédia vivida no passado, Yisrael era crítico do mundo moderno, especialmente da falta de atitude dos jovens. “O mundo piorou. Não gosto da permissividade. Tudo é permitido. Os jovens de antes não eram tão atrevidos como agora. Tinham que pensar sobre uma profissão e sobre como ganhar a vida. Viravam carpinteiros, alfaiates e agora tudo é feito com alta tecnologia. As coisas são fáceis, não exigem esforço e não há o trabalho manual que existia no passado”, disse ao jornal israelense.

 

Um fato curioso. Yisrael Kristal era “irmão-gêmeo” do Grêmio. A descoberta da coincidência das datas foi do jornalista gaúcho Léo Gerchmann. Ao ler as notícias sobre a “longevidade campeã” do senhor Yisrael, depois da morte de Yasutaro Koide, Gerchmann (autor de livros como “Somos Azuis, Pretos e Brancos”, ‘COLIGAY – Tricolor e de todas as cores” e “Viagem à Alma Tricolor em 7 Epopéias”) entrou em contato com Beto Carvalho, diretor de Marketing do Grêmio.

 

A equipe agiu rapidamente. Uma camiseta foi confeccionada e enviada para Israel, onde foi recebida pelo gaúcho Nelson Burd, que vive próximo a Haifa e foi de trem até a casa de Yisrael Kristal. Na época, escreveu Burd: “Foi emocionante. Ele ficou muito feliz. A filha dele, Shula, estava lá também. O Bernardo Kopstein Schanz fez as fotos. Yisrael Kristal não sabia que nós íamos até lá. A filha dele preferiu não contar, pois ele ficaria ansioso, na espera. Ele usa aparelho auditivo, precisou colocá-lo para falar com a gente…Ele ficou muito feliz, surpreso. Contamos sobre o Grêmio, a coincidência, tudo. Ele ficou radiante. A imortal coincidência o comoveu. Na verdade, a todos nós. Ele ria e chorava ao mesmo tempo. Dizia: ‘é o meu aniversário; é a minha data na camisa’”.

 

Assim como o Tricolor Gaúcho, Yisrael agora é Imortal. Kristal que não se quebra! Imortal para seus dois filhos, seus netos e bisnetos. E para todos que viram seu exemplo de vida e de superação.
O Guinness World Record ainda não informou quem será agora declarado “o homem mais velho do mundo”.

 

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade.

Avalanche Tricolor: os caça-fantasmas cumpriram sua missão

 

Grêmio 2×1 Godoy Cruz
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Pedro Rocha espanta assombração (foto reprodução SporTV)

 

Quiseram nos espantar com um tal fantasma das oitavas-de-final, que supostamente teria nos impedido de seguir à frente em Libertadores passadas. Soube dele em reportagem de jornal, rádio e TV, pois foi citado com frequência, mesmo diante da ressalva que o Grêmio levava vantagem pela vitória fora de casa. Nas redes sociais alguns dos nossos também se referiam ao dito-cujo quase como um antídoto ao favoritismo. E imagino que ao verem aquela bola mágica entrar pelo alto no nosso gol, ainda aos 14 minutos do primeiro tempo, mesmo os descrentes com as coisas do além lembraram do dito popular em castelhano “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

 

Um clube com 17 Libertadores nas costas, dois campeonatos conquistados, um elenco de causar inveja e ao lado de uma torcida entusiasmada, convenhamos, caro e raro leitor desta Avalanche, não seria um fantasminha qualquer que tiraria nossa tranqüilidade. Mesmo ele tendo arrumado um golzinho tão cedo. Quando digo “nossa tranquilidade” refiro-me a do nosso time, que em nenhum momento se precipitou e teve paciência para retomar a partida. Com a troca de passes precisa e veloz que nos caracteriza, o Grêmio colocou a bola no chão e foi abrindo os espaços para chegar ao gol do empate.

 

Luan desfilou pelo gramado com a bola nos pés, sem dar muitas chance de os marcadores chegarem perto, e quando chegavam tinham pouco sucesso em suas investidas. Nosso camisa 7 jogou como se fosse sua última vez. Protagonizou belas jogadas individuais e proporcionou a seus companheiros passes que abriam a defesa e criavam oportunidades de gol. Depois de já ter colocado uma bola no poste, forçando cobrança de escanteio, pelo lado esquerdo, foi para o direito, roubou a bola e mesmo sem ângulo chutou a gol, provocando a falha do goleiro.

 

Começava ali a operação caça-fantasma.

 

Se foi Luan quem iniciou a jogada do gol foi o endiabrado Pedro Rocha que a concluiu assim que recebeu o cruzamento de Barrios, dentro da área. O camisa 9 já havia escapado uma vez pela esquerda após passe de letra que o mesmo Barrios lhe havia feito bem no início da partida. Antes, também, meteu uma caneta no seu marcador na entrada da área, daquelas de deixar o fantasma envergonhado. Foi então com o pé esquerdo e em um só toque que Rocha marcou o gol de empate ainda no primeiro tempo. E repetiu a façanha no segundo, aliás em mais uma jogada com participação de Luan e Barrios.

 

Os gols da virada e a segurança com que a defesa atuou, espantando todo e qualquer perigo que aparecesse no meio do caminho, não deixavam dúvidas: a missão estava cumprida!

 

O Grêmio e nossos caça-fantasmas já estão nas quartas-de-final da Libertadores.

Avalanche Tricolor: um time cheio de alternativas

 

Grêmio 2×0 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Fernandinho, o goleador “alternativo”

 

Sei que já reclamei nesta Avalanche do neologismo futebolístico da temporada: chamar time reserva de alternativo. Foi bem no início do campeonato, quando o Grêmio colocou em campo uma escalação totalmente desfigurada, já pensando na maratona de competições que teria neste ano. Logo percebi que a expressão estava na boca de boa parte dos jornalistas esportivos e já havia contaminado o bate-papo do torcedor. Era o politicamente correto entrando em campo.

 

Hoje, enquanto assistia ao Grêmio desfilar talento na Arena, pensei melhor sobre o termo, talvez influenciado pelo fato de as duas equipes terem feito a mesma escolha: poupar alguns de seus jogadores principais visando a partida da Libertadores no meio da semana. Verdade que fomos menos econômicos do que eles. E a campanha na competição sul-americana explica a opção dos técnicos: nosso caminho é bem mais simples, apesar de nada ainda estar decidido. Podíamos arriscar um pouco mais.

 

E tínhamos alternativa.

 

Está aí aliás o que me fez mudar a opinião sobre o uso da expressão “time alternativo”. Só o tem, quem soube montar elenco. O resto tem time B. Ops, não quero que pareça provocação barata: o resto tem time reserva.

 

Se não, vejamos: Paulo Victor fez sua estreia em substituição a Marcelo Grohe com boas defesas desde os primeiros minutos de partida. Sempre que possível manteve a bola firme entre seus braços. Nas mais complicadas, mandou-a para longe, mesmo quando teve de se virar com os pés. E se virou bem. Não bastasse tudo isso, ainda defendeu pênalti com inteligência ao permanecer no centro da goleira no momento da cobrança. Mostrou-se excelente alternativa para o gol.

 

Na defesa, destaco os dois laterais.
Pela direita tem Léo Moura que joga com elegância e firmeza. Foi responsável pelo cruzamento de um dos gols que nos levaram a vitória ainda no início da partida. Substitui Edilson com a tranqüilidade que a longa jornada nos gramados lhe ofereceu. Não bastasse ser alternativa para o meio de campo como demonstrado no meio da semana.

 

Pela esquerda tem Marcelo Oliveira, titular até pouco tempo, campeão da Copa do Brasil em 2016, líder em campo e voluntarioso com a bola nos pés. Experiente para entrar e sair da equipe alternando-se na posição com Cortez, que é o atual titular pelo momento que vive.

 

No meio de campo, quem se atreve a chamar Maicon, nosso capitão, de reserva? Ele e Michel se alternam como volantes e mantém a mesma qualidade na marcação e saída de bola. Podem revezar com Arthur e Ramiro. Vê-los jogando juntos também é alternativa à disposição de Renato.

 

Já que citei Ramiro, vamos lembrar das multi-tarefas cumpridas pelo nosso meio-campo, que pode atuar em três funções diferentes, é dos que mais desarmam no time e marcou nove gols na temporada. Hoje, pode até descansar.

 

Lá na frente as alternativas são ainda mais curiosas. Tudo bem, Luan é insubstituível. É craque acima de qualquer suspeita. Mas na ausência dele, podemos montar times ofensivos da mesma maneira. Sem contar que alternamos os goleadores, também: Fernandinho, esse que dizem ser reserva no ataque, é o goleador do Brasileiro, com seis gols; Everton e Luan têm cinco cada um; Barrios, Ramiro e Michel têm quatro. Situação que explica termos a maior média de gols entre todos os times do Brasil nesta temporada: 1,9 por partida.

 

Diante dessas constatações passo a aceitar os que dizem que o Grêmio foi a campo com o time alternativo, desde que não usem a expressão como sinônimo de time reserva. Quando falarem do Grêmio, digam que é um time com muitas alternativas e uma delas é ser campeão de toda e qualquer competição que estiver disputando.Inclusive o Brasileiro (com todo respeito as outras alternativas).

Avalanche Tricolor: obrigado por mais este presente!

 

Atlético-GO 0x1 Grêmio
Brasileiro – Estádio Olímpico/Goiânia-GO

 

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No aniversário da gente os presentes dizem muito sobre nós mesmos. Ou sobre o que os amigos pensam da gente. O meu foi nesta semana, terça-feira, dia 1º de agosto, oportunidade em que a gentileza dos ouvintes da rádio foi enorme e entusiasmante. Dos mais próximos, que frequentam minha casa, livros não faltaram, o que é sempre um bom sinal. Ganhei garrafas de cerveja, de vinho e de café, também – muito apropriada para quem madrugada no trabalho. Os amigos da onça aproveitam para se divertir: um deles me entregou em mãos o CD do grupo Molejo. Coletânea com os clássicos do grupo. Diversão pura.

 

Foi, no entanto, na manhã desta quarta-feira, que me chegou o presente definitivo, aquele que toca diretamente seu coração: uma camisa do Grêmio, oficial e celeste. A mesma que vestia nosso time na noite em Goiânia. Essa já tem lugar garantido no memorial que mantenho em casa: uma parede com camisas emolduradas, das quais a mais significativa é uma de goleiro, autografada por Danrley. Tem a minha, com o número 13 em destaque, dos tempos em que era jogador de basquete do Grêmio. Nem todas as camisas que coleciono têm espaço entre os quadros, mas todas são devidamente armazenadas com o devido carinho e destaque.

 

A celeste com golas e barras da manga pretas, do uniforme número 2, vai para o memorial mesmo antes de qualquer título que se ganhe na temporada. Independentemente do que venha a acontecer – e tenho a expectativa de que muita coisa boa aconteça ainda -, o ano de 2017 está marcado pelo futebol de qualidade que chama atenção do Brasil. Aqui em São Paulo, não há um só torcedor que não me aborde para falar do desempenho gremista na temporada, mesmo aqueles que estão à nossa frente no Brasileiro. Elogios que recebo como se fossem um presente.

 

Esse futebol está sendo testando a cada semana que passa, pois somos reféns da maratona de jogos e do bom desempenho em todas as competições que disputamos. Manter o futebol qualificado no Brasileiro, na Copa do Brasil, na Libertadores – e hoje ainda me lembraram da Primeira Liga – é um desafio tremendo para Renato e seus jogadores. Fazer rodízio na escalação torna-se obrigatório e isso nos cobra um preço às vezes muito alto.

 

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Na noite desta quarta-feira, mesmo contra a equipe de pior desempenho na competição, tivemos dificuldade para impor o futebol que nos dá destaque no Brasil. Renato se redobrou ao lado do gramado e no vestiário para tirar dos jogadores à disposição o melhor possível. A mudança de postura do time no segundo tempo teve claramente o olhar do técnico, seja pela conversa seja pelas mudanças. Uma delas crucial: a entrada de Léo Moura em uma espécie de articulador no meio de campo. Não foram necessários muitos minutos para ele mostrar que era só o que nos faltava para garantir os três pontos: alguém para passar e entregar a bola como se oferecesse um presente aos seus colegas.

 

Léo cumpriu o seu papel com maestria e encontrou Lincoln, que também havia entrado no segundo tempo, no único espaço livre dentro da área congestionada pelo adversário. O resto ficou por conta do futebol que estamos acostumados a assistir neste temporada: a chegada de vários dos nossos jogadores, inclusive os volantes, em condições de marcar o gol. No caso, o gol de Michel.

 

Vitória que considerei mais um presente nesta semana de aniversário!

Avalanche Tricolor: coisa de torcedor!

 

Grêmio 1×1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A camisa 7 que Renato vestia, na partida deste fim de domingo, tinha o nome de Paulo Sant’Ana. Na braçadeira preta que estava no braço esquerdo do técnico e de todos os demais jogadores gremistas havia o rosto dele ilustrado. Era uma das homenagens que o time fazia ao jornalista e torcedor declarado do Grêmio, morto em 19 de julho.

 

Logo que percebi as menções, lembrei-me de algumas histórias que vivenciei com Sant’Ana. Ele sempre trabalhou na empresa que era a principal concorrente daquela em que meu pai, também jornalista e gremista declarado, atuava. Ele era da RBS e o pai da Caldas Junior. Na última vez que vi Sant’Ana, os dois estavam internados no mesmo hospital, e ele foi visitar o pai no quarto, quando contou que era o único paciente com autorização implícita para fumar no hospital.

 

Havia entre eles respeito e divergências, nada que os afastasse; mas o suficiente para protagonizar momentos curiosos, como em 1975, do qual participei, também, apesar de estar com apenas 12 anos. O Grêmio era treinado por Ênio Andrade, meu padrinho por adoção, e tinha no ataque um dos meus maiores ídolos: o ponteiro esquerdo Loivo, batizado pelo pai como o Coração de Leão.

 

Loivo ganhou o meu coração quando entrei com ele de mãos dadas no gramado antes de uma partida no estádio Olímpico. A cena inesquecível me impedia imaginar um dia o Grêmio sem aquele batalhador que vestia a camisa 11. No entanto, havíamos contratado Nenê que era mais jovem, tinha estilo de jogo diferente, entrava ao longo da partida e se tornava uma ameaça ao meu ídolo.

 

Na crônica esportiva, Sant’Ana defendia a escalação de Nenê. O pai preferia Loivo. Ênio Andrade, também, e passou a ser criticado pelo jornalista com frequência. Santa’Ana costumava tocar alto sua corneta quando não gostava de alguma coisa no Grêmio – nestes momentos era mais torcedor do que jornalista.

 

Houve uma partida no Olímpico, e não vou lembrar o adversário, na qual o Grêmio somente venceu depois da entrada de Nenê que fez o gol da vitória. No momento em que deixávamos o estádio, eu e meu pai, fomos abordados por Sant’Ana, no Largo dos Campeões. Sem se fazer de rogado, o jornalista se atirou aos meus pés e de joelhos, sob olhar de todos os demais torcedores que deixavam o jogo, berrava: “ouça sempre o seu pai, ele é o maior pai do mundo, mas quando for de futebol ouça a mim, por favor, ouça a mim” – repetiu várias vezes.

 

A cena me deixou chocado, eu ainda era um guri de calça curta e sem capacidade de entender o que levaria um homem maduro como ele tomar aquela atitude diante de uma criança. Claro que havia algo de espetaculoso, mas entendi com o tempo que tinha muito a ver com a personalidade histriônica de Santa’Ana e a paixão que mantinha pelo Grêmio, a mesma que eu e pai cultivamos até os dias de hoje.

 

Torcedores têm dessas coisas – e Sant’Ana era um. Às vezes nos apaixonamos por um. Às vezes nos incomodamos com outro. E num caso ou noutro somos passionais. Tomamos atitudes nem sempre lógicas. Como torcedor – e aprendi isto com o pai -, sempre preferi torcer a favor de todos, mesmo quando percebo que alguns não mereceriam estar vestindo nossa camisa. Nesses casos, torço o nariz, esbravejo entre quatro paredes mas jamais seria capaz de vaiar um dos nossos ou fazer campanha pela sua saída.

 

Confesso que não acompanhava os comentários de Sant’Ana nos últimos tempos, mas imagino que ele estivesse satisfeito com o que Renato vinha conquistando no comando do Grêmio, não bastasse ser um amigo do treinador. A qualidade do futebol jogado pelo nosso time é indiscutível, mesmo que tenhamos perdido alguns pontos que farão falta no Brasileiro. Os dois que deixamos de somar hoje, por exemplo. A partida era do Grêmio, fomos melhores, e tivemos mais chances e até pênalti a nosso favor não sinalizado. Infelizmente, faltou mais um gol.

 

Mesmo assim, só consigo encontrar um motivo a lamentar na partida de hoje: a ausência de Sant’Ana.

 

Avalanche Tricolor: um time que não se ilude com o talento e sempre disposto a lutar

 

Atlético PR (0) 2×3 (4) Grêmio
Copa do Brasil – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

 

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Everton e Pedro Rocha marcaram para o Grêmio (reprodução SportTV)

 

 

Fomos forjados no sofrimento. Nascemos precisando quebrar a hegemonia regional do adversário; tivemos de nos transformar para ganhar dimensão nacional, e assim que a alcançamos fomos buscar a América e o Mundo. Quando tudo parecia conquistado, descobrimos que sofrer era preciso: recomeçamos nossa saga para registrar na história uma batalha nos Aflitos.

 

Como torcedor criado nessas condições, aprendi a respeitar cada resultado e ser comedido nas comemorações. É verdade, uma vitória me deixa feliz e uma goleada, extasiado. Porém, jamais iludido. Por isso, a classificação à semifinal da Copa do Brasil somente foi uma certeza após o jogo desta noite, mesmo que tenha sido larga a vantagem da primeira partida.

 

Se eu como torcedor tenho essa percepção, Renato, que além de torcer como nós é um estrategista (e gênio), tem certeza. Portanto, soube conter a excitação dos seus jogadores, colocou a cabeça da turma no lugar e os convenceu de que nada estaria garantido antes do apito final.

 

A forma como o Grêmio jogou, mesmo com mudanças em cinco posições, mostrou a seriedade com que este confronto foi encarado. Havia inteligência no passe e na posse de bola. Nem mesmo o gol tomado nos primeiros 15 minutos tirou o time do seu foco. A velocidade na movimentação e o talento no drible se sobrepuseram à vontade e ao desespero do adversário que corria atrás de um feito histórico.

 

O 7×2 final – conquistado nos dois jogos destas quartas-de-final – esteve à altura da qualidade deste time que sabe jogar bola como poucos no Brasil e, ao mesmo tempo, tem maturidade suficiente para não se iludir com seu talento. Aprendemos na vida e nos gramados que nada vem de graça, precisamos jogar muito e lutar, jogar mais ainda e lutar ainda mais, se quisermos ser campeões. E nós queremos!

Avalanche Tricolor: de olho na Copa do Brasil, Grêmio empata no Brasileiro

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/São Paulo SP

 

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Pedro Rocha comemora mais um gol pelo Grêmio (reprodução  Canal Premiere)

 

 

Vivo em São Paulo desde 1991. Cheguei a trabalho, fiz carreira, casei, construí família e em um exercício de futuro é por aqui que me vejo nos próximos longos anos que pretendo viver. Minhas raízes com o Sul nunca serão esquecidas, mas, depois do pai e dos irmãos, é o Grêmio o que mais me identifica com o Rio Grande. A maioria dos que me conhecem aqui sabe para quem torço, aproveita-se disso para provocar sempre que jogamos contra times paulistas e caçoar quando o resultado permite. Típico do futebol.

 

Neste ano, a tarefa dos caros e raros amigos que mantenho na cidade tem sido árdua, mesmo que, por coincidência, tenhamos perdido mais pontos para os times daqui do que de outros Estados, neste Campeonato. O jogo jogado pelo Grêmio, além de encantar nossa torcida e os cronistas, tem ganhado a admiração dos adversários. Os elogios são frequentes; as referências, constantes; e boa parte prefere não me desafiar para apostas – talvez devesse, pois costumo não ter muita sorte em palpites (meus resultados no CartolaFC que o digam).

 

Hoje, voltamos a jogar bem e impor o futebol moderno que tem chamado atenção de todos. A bola passava de pé em pé, com precisão e velocidade. O deslocamento do meio de campo para frente era muito bem feito e as chances de gol começaram a aparecer aos poucos. 

 

Abrimos o placar antes da marca dos 20 minutos do primeiro tempo, o que tem sido padrão no time de Renato. Um gol resultado da boa articulação, posicionamento e marcação: a bola foi roubada por Geromel, lá na defesa, que conseguiu em apenas um toque colocar Pedro Rocha em disparada pelo lado esquerdo. Nosso atacante foi veloz e talentoso para se livrar de um marcador com um drible para dentro da área e bater forte.

 

Houve novas oportunidades e se mantivéssemos o mesmo ritmo a possibilidade de ampliar o placar ainda no primeiro tempo era grande. O Grêmio não marcou e teve de suportar um adversário pressionado pela tabela e empurrado pela torcida. Mesmo assim, os riscos eram poucos até o gol de empate. Bem que tentamos voltar a jogar e os minutos finais deram sinais que se tivéssemos insistido com o nosso jogo um pouco mais cedo, haveria a possibilidade de sairmos com os três pontos.

 

Em condições normais de pressão e temperatura, o empate fora da casa, seria festejado. Renato e seu time, porém, nos acostumaram mal e nos deixaram pretensiosos diante da possibilidade de vencer sempre – mesmo em um campeonato que não está entre nossas prioridades. 

 

Que saibamos dar o verdadeiro valor para este ponto ganho em São Paulo e voltemos logo nossas atenções para Copa da qual somos Rei. Quinta-feira tem decisão!

 

 

Avalanche Tricolor: dá muito prazer assistir ao Grêmio em campo

 

Vitória 1×3 Grêmio
Brasileiro – Barradão-Vitória/BA

 

 

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Fernandinho, o 21 ou o 12º, fez o primeiro gol

 

 

Frio, muito frio aqui em São Paulo. Mesmo para quem tem o Rio Grande como referência. Às quatro da manhã, acordei com oito graus e lá fora o vento fazia com que a sensação térmica tornasse a coisa ainda pior. Vontade de ficar na cama.

 

Sei que você, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem nada a ver com isso, mas o dia de trabalho também não foi fácil. A linha telefônica caiu durante a entrevista mais importante, o crédito do entrevistado estava errado e o repórter que entraria ao vivo teve problemas técnicos.  

 

A colega mais próxima nos projetos que realizo na área de comunicação baixou hospital, o que por si só seria motivos de muita preocupação. O projeto agendado para amanhã, inadiável, no qual dividiríamos o palco, se transformou em duplo desafio com a ausência dela. Responsabilidade redobrada.

 

As tarefas do dia não se encaixam na agenda. É mais trabalho do que horas, mais demanda do que paciência. Parece que a gente não vai dar conta do recado. E sei que você também deve encarar coisas deste tipo.

 

Aí vem o Grêmio jogar. Descobre-se que Geromel está fora do time porque não passou bem, antes da partida. E ao ouvir o nome de Geromel me dou conta que não atualizei a escalação do meu time no CartolaFC. E, claro, ele estava escalado (Geromel sempre está escalado no Reina del Sur) assim como outros tantos que devem se ausentar na rodada deste meio de semana.  

 

A impressão é que o melhor a fazer nesta quarta-feira é dormir cedo para ver se passa logo. Só que a bola começa a rolar no Barradão e o Grêmio está em campo. Toca bola pra cá, passa um jogador pra lá, surge uma chance de gol e o dia que parecia perdido começa a ganhar cor. Tricolor.

 

Em apenas oito minutos, Fernandinho, que não é titular mas joga como tal, sai em velocidade, recebe falta, cobra falta e ….. que golaço deste jogador que carrega a camisa 21 nas costas. Se tem alguém que merece o título de décimo-segundo titular este alguém é Fernandinho. 

 

Aliás, foi o próprio Fernandinho quem participou de mais uma daquelas jogadas encantadoras proporcionadas pelo time de Renato. Se no jogo passado, o terceiro gol marcado por Everton chamou atenção dos cronistas esportivos pelo Brasil, pode colocar o segundo da partida de hoje na mesma lista.

 

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Maicon fez passe genial e preciso para Pedro Rocha, que  recebeu a bola dentro da área, no que no passado chamávamos de ponto futuro. Rocha virou e encontrou Fernandinho que se aproximava. E ele teve tranqüilidade para dar um presente a Arthur, que marcou seu segundo gol com a camisa do Grêmio.

 

No segundo tempo até houve pressão. E era natural que isso acontecesse. Tomamos um gol, sem perder a tranquilidade. Sinal de maturidade. E foi com essa personalidade que chegamos ao ataque adversário  e sacramentamos o placar com um chute forte e colocado de Ramiro.

 

Só mesmo o Grêmio pra me deixar tranquilo nesta quarta-feira de tantos percalços. Obrigado, Renato!.

 

 

Avalanche Tricolor: o susto que sempre me lembra a história de um campeão

 

Grêmio 3×1 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton faz o terceiro do Grêmio, em imagem reproduzida do canal Premier

 

 

Teimo em lembrar da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981, sempre que deparo com o adversário da tarde desse domingo. Era guri ainda, iniciando a vida universitária, e fui um dos 98.421 torcedores que contaram a história da maior lotação jamais assistida no estádio Olímpico. Fui ao jogo com meu pai e com ele tomamos um tremendo susto ao nos vermos diante daquele time do interior paulista, ainda pouco conhecido da gente, atrevido o suficiente para encarar nossa história e torcida.

 

Depois de termos vencido por 3×2 fora de casa, na primeira partida da semifinal, imaginávamos que a decisão do título estaria logo ali. Ledo engano: teríamos muito a sofrer, pois mesmo com estádio superlotado não foi nada fácil sustentar a derrota de 1×0 desde os 20 minutos do primeiro tempo.

 

Tenho nítida e em preto e branco a imagem da minha caminhada ao lado do pai, descendo as escadarias do Olímpico, ao fim do jogo. Eu parecia mais abatido do que deveria, pois estávamos na final, mas me incomodava ter chegado lá com uma derrota em casa e ainda para enfrentar o mais temido dos adversário daquele campeonato. Meu pai tentava me mostrar que o tropeço havia sido calculado e a estratégia para conquistar o título nacional inédito já estava traçada pelo parceiro de uísque dele e meu padrinho por adoção, Ênio Andrade, nosso técnico naquela campanha.

 

O pai tinha razão, como você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve muito bem lembrar: o Grêmio foi campeão.

 

Neste domingo, repassei todas aquelas cenas em conversa com a turma aqui de casa, a qual revi depois de duas semanas de férias. O papo foi antes de a partida se iniciar e cheguei a comentar que desde aquele jogo sempre vejo a Ponte Preta como um convidado inconveniente, disposto a estragar a festa. Nem sei se é o que a estatística nos prova, mas é a sensação que tenho – legado do susto que tomei em 1981.

 

Curiosamente, hoje muita gente fala que o Grêmio tem capacidade de ser campeão brasileiro novamente, mesmo que a Libertadores e a Copa do Brasil sejam prioridades na temporada, e se tenha permitido que o líder da competição abrisse distância de até 10 pontos ganhos. Essa condição impõe respeito e medo nos adversários e a maioria deles já entendeu que dentro da Arena o melhor a fazer é travar o jogo e reforçar a defesa – tipo de esquema difícil de encarar dadas as características gremistas. Não é por acaso que vamos ao Maracanã ou à Ilha do Urubu e saímos de lá com uma vitória, e ao retornarmos para casa suamos na busca do resultado.

 

A defesa bem montada, jogadores abnegados na marcação, um time disposto a parar a partida o máximo possível e um atacante perigoso fez do jogo deste domingo um desafio muito maior do que poderíamos esperar – e muito mais chato. Faltavam espaço para tocar a bola e velocidade para fugir dos marcadores. Não bastasse isso fomos traídos em uma escapada de contra-ataque e um gol contra, que serviu para reforçar o susto do passado, ainda no primeiro tempo.

 

O intervalo foi providencial e muito bem aproveitado por Renato que fez o time entender que se tentasse jogar o seu jogo, acreditasse no seu talento e tocasse a bola mais à frente do que ao lado teria chances de mudar o cenário da partida. E foi o que assistimos já nos primeiros movimentos do segundo tempo. Aos 11 minutos, Barrios fez um; aos 23, fez dois; e aos 42, Everton confirmou a vitória – no mais bonito de todos eles. Gols que dizem muito sobre o Grêmio de 2017, que aposta em talentos individuais para construir uma obra coletiva.

 

Que o susto que a Ponte nos pregou no primeiro tempo de hoje nos leve ao mesmo destino daquele de 1981.