De pegadinha milionária

 

Olá,

 

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hoje é sábado, e faltam poucas horas para eu enviar meu texto para o Mílton postar aqui no blog.

 

Poderia começar dizendo que é difícil encontrar assunto e escrever semanalmente sem cansar o leitor com meu estilo, mas eu gosto tanto de escrever, de falar e de pensar, que não sei o que seria se mim, se não pudesse rabiscar meus sentimentos nesta página imaterial onde tenho escrito há tanto tempo.

 

Essa manhã, fui dar aulas num bairro bem distante do meu, e resolvi ir de carro. Tenho usado muito transporte público, mas tem vezes que me ofereço uma dirigida pela cidade. E essa “dirigida” saiu cara!

 

Logo depois que o prefeito atual desta cidade resolveu mexer na velocidade permitida nas ruas, por tudo o que é canto, e pintar e bordar, literalmente, sem um projeto de quem realmente sabe o que está fazendo – para isso vamos às Universidades e quebramos o pescoço de tanto estudar – e sem discussões públicas, coisas que eu imagino devam ser feitas quando se mexe no cotidiano e no hábito dos habitantes que pagamos o seu salário, diga-se de passagem. Tem placas de 30 até 70 Km/hora ziguezagueando por vias, ou pela mesmíssima via, e eu nem saberia descrever o caos que é dirigir hoje nesta cidade engessada. Virou a esquina? O radar te pegou, porque o limite de velocidade mudou! Há!

 

… mas nas duas primeiras vezes que usei o carro, logo depois da doideira instalada em cada via, a cada velocidade diferente – deve ser a diversidade que agora está na crista da onda – já levei duas multas.

 

Moro na Vila Andrade, e para chegar ao meu Hortifruti favorito, preciso pegar a Guilherme Dumont Villares. Desde que eu me mudei para este bairro, o limite de velocidade para veículos nessa avenida, assim como em tantas outras vias da mesma importância, era de sessenta quilômetros por hora.

 

Saí de casa toda faceira, com minhas sacolas floridas, e lá fui eu. Não ultrapassei os sessenta por hora, cuidadosa. Fui ao Hortifruti, passei momentos deliciosos comprando minhas frutas, legumes, boa carne e outras gostosuras que não dá para ficar sem, e na volta, na mesmíssima via pela qual tinha ido, voltei.

 

Pá! Na minha cara, no primeiro quarteirão, uma placa de limite de velocidade de 50 Km. Não! logo a seguir dois enormes radares gulosos, escandalosos e vergonhosos, miram e fotografam teu carro e a placa dele. E você recebe, logo a seguir, um aviso em casa, te informando de que foi pega pelo radar. Trouxa!.

 

Quer dizer que quem vai paga para ir e voltar? Nem uma plaquinha pequeninha para avisar quem vai, que a velocidade mudou? Num percurso de não mais de seis quilômetros a gente tem que ser assaltada assim, a vias armadas?

 

Valha-me Deus!

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Multar para arrecadar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rodovias e vias de São Paulo e Rio estão sendo usadas e abusadas pela indústria da multa. A Rio-Santos no trecho entre Paraty e Angra com 96 km tem 45 radares, que equivale a um radar a cada 2,2 km. Com velocidade máxima de 40 ou 60 km. E, multas de 86 a 576 reais. Em São Paulo se reduz a velocidade de grandes avenidas para 50 km e é anunciada para breve uma velocidade geral para as demais vias de 40 km.

 

O Ministério Público Federal tem agido na Rio-Santos para coibir abusos de excesso de controle e de variação de velocidade. Tem obtido sucesso momentâneo, mas não conseguiu padronizar e racionalizar o sistema de controle de tráfego. Na Assembleia Legislativa, as manifestações contra os excessos também não conseguiram aplacar a gana pelo dinheiro das multas.

 

Na capital paulista, os 11,5 milhões de habitantes também não se mexem e assimilam o que vai na cabeça de Haddad e seus auxiliares.

 

É o típico caso em que o Poder Público é causa e efeito do problema. Nas estradas é permissivo quanto à ocupação de beira de rodovia, onde são construídas casas e comércios junto as pistas. Na cidade, o automóvel antes priorizado vê seus já congestionados espaços ocupados pelas faixas de ônibus e ciclovias.

 

O cenário é preocupante, pois se usa o automóvel para arrecadar e se justifica pela vida a ser salva. Como se o motorista irresponsável possa ser constrangido pela multa.

 

Há prejuízos.Nas rodovias turísticas certamente motoristas pensarão duas vezes antes de sair para locais com radares a cada 2 km. Principalmente quando não há linhas aéreas. Nas cidades a redução do ritmo do transporte resultará em menor produção e produtividade.

 

Os aplicativos talvez sejam a solução. Nas rodovias, com clubes de compra para passagens aéreas. Nas cidades, para escolher e combinar o melhor candidato para a próxima eleição.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem deste post é do álbum de M.J.Ambriola, no Flickr

Associação Comercial vê a atual SP como a ideal. Você concorda?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em clara defesa de alguns comerciantes e proprietários de imóveis localizados em áreas com restrições, Alencar Burti, presidente da ACSP-Associação Comercial de SP e da FACESP-Federação das Associações Comerciais de SP, através de artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, sugere que a nova Lei do Zoneamento respeite a realidade atual de São Paulo, pois segundo ele esta é a verdadeira cidade e deve ser mantida.

 

Leia aqui o artigo assinado por Alencar Burti no Estadão

 

Manifestação um tanto parcial, se considerarmos o abrangente papel da ACSP através do tempo quando a entidade destacou-se nos momentos mais relevantes da história brasileira e paulista. Lutando sempre no sentido de romper, mudar e melhorar.

 

Burti, ao propor legalizar as ocupações em áreas desvirtuadas, segundo ele pelo tráfego, desconsidera que os comerciantes ilegais de então participaram da descaracterização tanto quanto a Companhia de Engenharia de Tráfego-CET, que, como sabemos, atua divorciada da cidade, em benefício somente do trânsito.

 

Até a fraca postura da Prefeitura em relação às Zonas Estritamente Residenciais-ZERs é temida por Burti, que é direto na proteção ao comércio:

 

“boa parte do comércio nesses lugares já está instalada e em pleno funcionamento. Proibi-lo causaria prejuízos aos comerciantes, que teriam de fechar as portas ou se reorganizar, buscar outro local que autorize o comércio. Isso não está nos planos do empreendedor, que já sofre as dificuldades de manter um negócio”

 

Burti sugere ainda que as ZERs contemplem espaço para farmácias, padarias, escritórios, etc. Justo esse que é o ponto mais vulnerável e agressivo da proposição. Os moradores das ZERs são categóricos em afirmar que não querem os corredores comerciais e esperam que se ponha fim ao atual sistema de degradação crônica.

 

A cidade de São Paulo oferece um complexo de shoppings, ruas especializadas, centros de convenção, hotéis, cinemas, teatros, bares, restaurantes, casas de show, estádios e tudo o mais. Será que precisamos ainda mais?

 

Ou devemos mudar conceitos e buscar mais qualidade. De vida e de cidadania?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: a encomenda do japonês

 

Por Marco Antonio Alcantara Fernandes

 

 

Entre os anos de 2001 e 2003, eu já fazia transporte executivo. Tinha um Omega azul marinho, placa DEP3333. Eu de terno, óculos escuros, num  bom estilo.

 

Estava voltando do Aeroporto de Guarulhos pela Avenida Tiradentes quando um amigo, que também faz esse serviço, me liga perguntando se poderia ir até Guarulhos na casa de um cliente dele que esquecera uma encomenda e não poderia embarcar por Congonhas sem ela.

 

Era um japonês, Dei meia volta e fui correndo à casa dele. Uma japonesa já me aguardava na porta com um pacote retangular e me entregou em mãos. O que tinha no pacote? Pelo estilo, parecia dinheiro, dólar ou similar.

 

O VIP me ligava a todo instante e o trânsito não auxiliava. E com muita pressão, tomei uma decisão: comecei a parar as motos no corredor da Tiradentes para ver se o motociclista aceitava trocar comigo.

 

Após algumas tentativas e parecendo um doído com minha proposta – ele me emprestava a moto e levava meu carro até Congonhas por um R$50,00 – eis que surge um filho de Deus. O rapaz ainda tentou me explicar as manhas da moto, mas a adrenalina estava forte para concentrar naquele assunto. Troquei números de celular e estava saindo quando, 50 metros à frente, vi que havia esquecido o dito pacote em cima do banco  do carro. Voltei ainda no contra fluxo, peguei o pacote e ele voltou insistir, queria me instruir sobre freio, marcha e outras coisa.

 

A moto era muito pequena. As rodas não estavam alinhadas. Uma mais à esquerda, outra mais à direita. O capacete não entrava todo na cabeça. Mesmo assim, lá fui eu: 1 metro e 89 de altura, 120 quilos, terno e gravata, no comando daquela pequena e abençoada moto.

 

Foi difícil. Mas cheguei e entreguei a encomenda. O VIP nem percebeu o movimento, me deu um cheque de R$ 100 chorado … e eu fiquei mais uns 45 minutos aguardando a chegada do abençoado motoqueiro. Dei-lhe R$50,00 e seguimos nossos caminhos.

 

Marco Antônio Alcantara Fernandes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br

Jovens que matam e morrem

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Aos dezesseis anos não vejo razão para que uma pessoa não responda pelo seu ato no caso de cometer um crime. Não estranhem que eu tenha me referido a uma pessoa ao defender a diminuição da idade penal. Recuso-me a chamar um bandido de menor,eis que isso visa somente ao desejo de quem pretende manter quem sabe muito bem o que é o bem e o mal. Não é justo que se aceite que,por exemplo,uma pessoa de dezesseis anos,ataque alguém e,conforme a circunstância,no afã de enfrentar o que vê como um inimigo capaz de reagir com violência,mate-o sem dó nem piedade. Ah,mas o criminoso foi um menor.

 

Durante muitíssimos anos fui locutor-apresentador de notícias na Rádio Guaíba. Irritava-me profundamente ser obrigado a taxar menores de18 anos com o politicamente correto “apreendido”. Por mim,sempre que esbarrava com essa expressão,bem que eu gostaria de dizer que um infrator com menos de 18 anos havia sido preso. Aliás,esta história do politicamente correto,usado hoje em dia em nosso país,na maioria dos casos,não passa de conversa para boi dormir.

 

Sinto-me à vontade para defender o meu ponto de vista,mesmo contra a opinião de sumidades.O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros,João Ricardo Costa,diz que falar em redução da maioridade é retrocesso. Como não poderia deixar de ser,a ex-ministra (gaúcha para mal dos pecados)Maria do Rosário,ex-ministra dos Direitos Humanos,provavelmente nunca foi assaltada em plena luz do dia por um infrator menor de 18 anos. Sugiro que ela dê uma chegadinha,à noite,no nosso Parque da Redenção. Os Estados Unidos é um bom e assustador exemplo para os delinquentes mirins:lá,a idade mínima para uma pessoa ir para a cadeia varia entre 6 e 12 anos. Os que não aceitam isso,deem uma lida na Zero Hora dessa quinta-feira para ver quais os países que estão a favor da maioridade para delinquentes menores de 18 anos.

 

Se me permitem,vou mudar da discussão sobre a idade penal para um assunto que já preencheu meus blogs muitas vezes,mas se repetem com mortal assiduidade:acidentes de trânsito especialmente quando ocorrem feriados prolongados em fins de semana. Nessa Páscoa,no mínimo,23 morreram nas estradas do Rio Grande do Sul. Vou citar o pior deles:quatro jovens perderam a vida em um carro que se desgovernou e bateu em uma árvore. Três deles tiveram os corpos carbonizados com o incêndio que se seguiu à colisão. Apenas um,arremessado para fora do automóvel,não foi velado em caixão lacrado. Eram jovens,cheios de vida,traídos provavelmente por aquaplanagem,porque estava chovendo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve o que pensa no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Pela preservação dos jornais de bairro

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se estou errado,me corrijam,mas não creio que todas as zonas de Porto Alegre possam se gabar de possuir um jornal. Algumas,é verdade, contam com um jornalzinho. Já onde moro,porém, circula um jornal com tiragem de 10 mil exemplares e matérias variadas e interessantes. Trata-se do Jornal Comunidade Zona Sul. Logo abaixo do título lê-se este slogan:Mais informação,cultura e lazer. Na edição que chegou às minhas mãos, gratuita por sinal,posta à disposição dos clientes de um dos supermercado da região,chamou minha atenção a manchete de capa do jornal da comunidade,que noticia a implantação de um binário formado pelas Avenidas Borges de Medeiros e Praia de Belas,obra que visa a melhorar o trânsito que está cada vez mais complicado no setor. Acerca de trânsito,podemos ler no Jornal da Comunidade uma notícia alviçareira. Reza a manchete da últimas página: Morte por atropelamento de ônibus diminuem 46,15% na Capital do Rio Grande do Sul. Lembro que a EPTC preocupa-se também com acidentes fatais envolvendo pedestres e motociclistas.

 

Não há,no entanto, jornal que vá em frente sem contar com comerciais. Afinal,a propaganda é a alma do negócio e, quando essa se faz presente em todas as páginas do Jornal da Comunidade Zona Sul,estamos diante de um veículo aprovado pelo comércio de uma vasta região da cidade.

 

Os raros leitores dos meus textos – se é que existem – devem estar se perguntando por que resolvi escrever sobre um jornal de Zona. Ocorre que fui comentarista de futebol e outros esportes,no Correio do Povo, na época em que o seu proprietário era o Dr.Breno Alcaraz Caldas,portanto,no auge desse jornal. As demissões de pessoal de todos os níveis, tornou-se uma obrigação. O periódico famoso entrou em crise e recordo como foi ficando difícil manter o Correio e a Folha da Tarde,que acabaram mudando de dono. Difícil deve ser também um veículo como o Comunidade Zona Sul,mesmo não se tratando de um jornal diário. Torço,por isso,para que os valentes irmãos Weirich,que imagino serem proprietários do veículo,sigam apoiados pelos comerciantes dos bairros que compõem a Zona Sul de Porto Alegre.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Leis para evitar tragédias têm de ser drásticas e rápidas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O incêndio da Boate Kiss ficou marcado por ter sido a maior tragédia a enlutar uma cidade brasileira,a gaúcha Santa Maria. O fogo,que matou e mutilou inúmeras pessoas,a maioria composta por jovens que imaginavam passar o sábado se divertindo,nunca será esquecido. Mãe e irmã de sócio da boate depuseram,recentemente,durante mais de três horas,a portas fechadas,na 1ª Vara do Júri,no Foro Central de Porto Alegre. O processo está em fase de instrução e tudo indica que ainda ouviremos fala dele por muito tempo. Era de se acreditar que o incêndio da Boate Kiss,entre outras coisas,servisse de dura lição às autoridades de todos os níveis,capazes de produzir leis que evitem a repetição do terrível acidente.

 

Eis,entretanto,que uma notícia divulgada pela mídia,referindo-se ao ocorrido,em Porto Alegre, na Stuttgart Danceteria, de Porto Alegre – suposta briga de gangues com troca de tiros – provocou a morte de um jovem e mais 17 feridos. Este tipo de ocorrência,dependendo da zona da capital e dos hábitos dos frequentadores de casas noturnas,não me causa espécie. Espanta-me,isso sim,que os proprietários da boate ainda não foram ouvidos sobre o tiroteio. Pior ainda,está aberta,desde 2012,graças a uma liminar.Foram várias as tentativas frustradas visando à proibição de sua abertura. A Stuttgart possui um processo numa Vara da Fazenda Pública,contra a prefeitura da Capital gaúcha,exigindo a liberação do local,desde 2010. Ainda não houve sentença nesse processo.A danceteria tem capacidade para 700 pessoas,mas o número de presentes,por sorte, era bem menor na hora da troca de tiros. É inadmissível que as leis que visam evitar tragédias como a da Boate Kiss não sejam mais drásticas e se arrastem durante anos. Repito o que escrevi faz pouco:as autoridades de todas espécies têm de fazer valer as leis em vigor,que pelo jeito não são levadas muito a sério.

 

Bem ao contrário agem as autoridades que cuidam do trânsito. Quem não quiser pagar caro por conduzir o seu veículo fora das leis deve ter ficado arrepiado ao tomar conhecimento de que as multas,agora,ficaram 900% mais caras. Era mesmo imprescindível que esta drástica providência fosse tomada. Basta olhar para o percentual do aumento para que se perceba que os motoristas têm de se dar conta do custo altíssimo das infrações mais graves e tratem de ser comportar corretamente,algo que muitos,principalmente os mais jovens,costumam não levar a sério. É possível que,com o aumento e o peso deste no bolso,os moços corram menos e deixem de representar 25% dos mortos em acidentes no ano de 2014. E prestem atenção,estou me referindo somente aos gaúchos. Conforme Diza Gonzaga,presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga,queixa-se,com razão,que campanhas pontuais,como essas que são feitas em vésperas de feriados prolongados. Sempre que falo em trânsito,lembro que é de pequenino que se torce o pepino. O trânsito deve ser matéria obrigatória nos colégios. Eu disse,OBRIGATÓRIA.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

SP: moradores com carro são conservadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A pesquisa Datafolha sobre o uso dos carros, publicada segunda-feira, mostra posição radical contra mudanças por parte dos proprietários de veículos. O pedágio urbano, uma das soluções apontadas por especialistas é a alternativa mais rechaçada. 80% são contra, embora apenas 5% tenham certeza que não haverá melhoria. Como se sabe é uma opção adotada por várias cidades com resultados satisfatórios. Ressalvando, contudo, que em condições de transporte público mais favorável que a nossa.

 

A extensão do atual sistema de rodízio para dois dias tem 65% dos usuários de carro contrários. E 56% da população em geral, com renda acima de 10 salários mínimos. Enquanto apenas 40% dos de baixa renda a desaprovam. Quanto maior o poder aquisitivo mais acentuada a reação. O rodízio estendido em um dia da semana é reprovado por 57% dos usuários de carros. É aprovado por 49% da população em geral.

 

Essas avaliações indicam conservadorismo dos paulistanos usuários de carro. Comportamento que deixa São Paulo atrás de grandes cidades da América. A Cidade do México, Santiago e Bogotá já possuem sistemas mais restritivos que os de São Paulo. Todas com dois dias de rodízio estendido. E, pelo que consta, não houve nenhuma revolta da população.

 

Ao que tudo indica aquela máxima de que o cidadão brasileiro se transfigura ao volante em personalidade e comportamento está se estendendo até aos momentos imaginários ou opinativos. É difícil entender esta posição, conservadora e imatura, tendo em vista que São Paulo já parou por várias vezes. Se o poder público, foi o responsável pelo desequilíbrio viário de hoje, todos temos a responsabilidade. O voto e o modus vivendi trouxeram as consequências de agora. É hora de encarar e não de refugar. Ou, parar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Nem os deuses do trânsito salvam

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sei que há quem se dá ao trabalho de ler o que escrevo no blog do Mílton. Não penso que sejam muitos esses abnegados.Tenho por eles (ou ele?),como não poderia deixar de ser,grande respeito. Por isso,afora outros cuidados,lembro que digito o texto nas terças-feiras,mas esse somente é postado nas quintas.Assim,sou obrigado,dependendo do assunto,a correr o risco de que ele fique defasado. Vou usar,no do dia 26,um subterfúgio. Isto é,morador que sou de Porto Alegre,só não sofro com o trânsito caótico dos dias de jogos da Copa do Mundo na Arena da Beira-Rio,porque fico acoitado – ou quase isso -em minha casa. Morador,que sou,da Zona Sul,sofro com a proibição de ir,pelas vias normais,ao Centro da cidade. Já as anormais,que aumentam o trajeto uma enormidade e não contribuem em nada com a velocidade do deslocamento,só podem ser utilizadas por quem tem necessidade de chegar,depois de gastar muito combustível e torrar a paciência,ao local de destino.

 

Nesta terça-feira,estou redigindo o meu texto e lendo na Zero Hora,jornal gaúcho,esta manchete: “PARA (TENTAR) EVITAR O CAOS NO TRÂNSITO”

 

Explica o matutino que,”depois dos congestionamentos no dia de Austrália x Holanda,a EPTC – Empresa Pública de Transportes – preparou ações para tentar aliviar a vida dos motoristas porto-alegrenses”. Afora essa providência,Prefeitura e Estado – leio na ZH – apenas para os seus servidores em Porto Alegre ,anunciou ponto facultativo. Tomo a liberdade de duvidar que essas e outras decisões tenham obtido o esperado efeito (ou seria o desesperado efeito)adotado pelas autoridades ditas competentes,visando a ter evitado,na quarta-feira,25/6,a repetição do caos. Tenho pena dos moradores de prédios,alguns luxuosos,situados nas proximidades do Beira-Rio:eles nunca imaginaram que bem à frente de suas residências,o que era um estádio clubista, viraria Arena.Lembro isso porque,nos dias de jogos da Copa, os proprietários de apartamentos,no local, têm de mostrar documento oficial comprovando que residem na área com entrada restrita. Oxalá,me engane,mas creio que somente os deuses do trânsito podem ter evitado um novo caos na Zona Sul de Porto Alegre,suas adjacências e as supostas vias de mobilidade para quem tem urgência de ir ao Centro Histórico desta cidade.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele). Desta vez, porém, dado o tema escrito, o editor (seu filho) antecipou a publicação em um dia e, pelo descrito na imprensa gaúcha, a expectativa de que haveria grande congestionamento nesta quarta-feira, antes do jogo da Argentina, estava correta.

No caminho da Copa

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Toda vez que,como se dizia antigamente,preciso dar tratos à bola a fim de encontrar assunto para este blog,antes de mais nada,passo os olhos pelos jornais. A expressão que usei acima não tem nada a ver,explico aos mais jovens,com a bola de futebol,objeto muito em moda nesta primeira metade de 2014 por força da Copa do Mundo. Não é,porém,por aí que vou começar o meu texto,não sem antes lembrar que o posto sempre ou quase sempre,nas terças-feiras. Alguns dos temas que elejo ficam,às vezes,sujeitos a chuvas e trovoadas,isto é,podem perder atualidade.

 

Chamou-me a atenção – e como! – nos jornais desta terça,a notícia de que a gasolina vai subir. Segundo a presidente da Petrobras,Graça Foster,o aumento se justifica,eis ser necessário o reajuste visando ajustar os preços internos aos do mercado externo. Será,entretanto,conforme a executiva,um aumento moderado. Acredite quem quiser na tal de moderação. Mesmo com o aumento da gasolina,graças a uma iniciativa governamental,veículos poderão ser comprados com financiamentos menos pesados. É fácil imaginar-se que o número de carros em circulação,depois de pequeno hiato,voltará a crescer e,por óbvio,a entupir as vias urbanas e as rodovias,as primeiras porque é nas cidades que os engarrafamentos tendem a ficar piores. Esse tipo de problema que as metrópoles enfrentam faz já muito tempo,está se estendendo agora até para cidades menores e não sofrerá solução de continuidade enquanto o transporte público não contribuir,de verdade,para que sirva, com qualidade, a maioria das pessoas. Estamos longe deste dia.Por enquanto, baderneiros de todo tipo estão tratando de incendiar coletivos,principalmente, no Rio e em Paulo.

 

Eu,particularmente,acredito tão pouco na melhoria do transporte público quanto na exigência da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – de que os voos,durante a Copa do Mundo,não sofram atrasos. A partir dessa terça-feira,empresas que não cumprirem a exigência receberão multas de R$ 12 mil a R$ 90 mil. Desculpem-me se me acham pessimista de carteirinha,mas também não creio que,aqui em Porto Alegre,a prefeitura conseguirá finalizar o viaduto da Pinheiro Borda e o corredor da Padre Cacique,antes do início da Copa.O prefeito Fortunatti garante que a data prevista para o término destas obras é 31 de maio. Faço votos que José Fortunatti possa cumprir o prometido.Ainda bem que a minha cidade sediará apenas cinco jogo do Mundial..

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).