Mundo Corporativo: André Machado, da AsQ, explica como deixar líderes longe da empresa ajuda na criatividade

“… ele tem de ter uma gestão muito mais participativa, trazer os objetivos, discutir com a equipe, usar a tecnologia que está super a favor da gente para coletar as ideias” —- André Machado, AsQ

Profissionais com facilidade de adaptação, resilientes diante dos desafios que tendem a surgir com maior frequência e que saibam proteger sua vida pessoal para que não seja impactada pela profissional —- a medida que ambas passam a dividir o mesmo espaço com o sistema de home office. Essas são algumas das características de colaboradores que têm se destacado ao longo desta pandemia, na opinião de  André Machado, CEO da AsQ, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Especializada em gestão de saúde privada, a AsQ foi lançada em agosto do ano passado, no auge da pandemia, após gestores e executivos perceberem a oportunidade de negócio que havia naquele momento crucial para operadoras de planos de saúde, empresas e seus beneficiários. Além de desenhar seus escritórios para a nova realidade e manter muitos funcionários trabalhando à distância, André conta que a partir da troca de experiências da equipe, criou-se um sistema que passou a ser chamado de “ócio criativo”:

“A gente criou uma tarde, uma manhã,  um turno do dia da semana, em que o gerente não está disponível para o trabalho, mas terá de fazer algo que estimule a oxigenação, a criatividade … ele não está disponível para a gente, para as pessoas da empresa”

Segundo André, a estratégia atende a dois aspectos: a formação de novos líderes, pois o gerente é obrigado a delegar autoridade a pessoas de sua equipe; e a busca de soluções que surgem a partir do instante em que o gestor é estimulado a desestressar.

Além de equipes bem preparadas, o CEO da AsQ cita o fato de que a empresa está baseada na tecnologia, com pessoal dedicado a inovação e aberto a troca de informação com os parceiros de negócio. Uma das novidades que estão sendo trabalhadas, a partir do compartilhamento de conhecimento, é a de tecnologia vestível que propiciará uma experiência melhor para as pessoas, diz André.

“Tem pouquíssimas pessoas que querem voltar para o escritório e como eu presto serviço de saúde, tenho de trabalhar muito para dentro de casa, então eu mantenho o apoio ao colaborador para que ele tenha uma sustentação psicológica e de saúde para se manter nesta lógica do trabalho”.

Quanto ao papel dos líderes, André Machado identifica a necessidade deles encontrarem novas formas de administrar suas equipes:

“… o gestor tem de estar muito envolvido nisso, em querer servir; e esse trabalho à distancia, eu acho, deixou isso muito mais forte; ele tem de estar muito mais disposto a isso”

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo ou pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “o melhor líder é o melhor ser humano”, diz a consultora Luciane Botto

“Um líder cada vez mais, além de pensar em resultado, tem de pensar nas pessoas. E conseguir fazer este equilíbrio entre o resultado, a técnica, a ferramenta, o processo, as pessoas … conseguir trazer o time junto é o que cada vez mais a gente precisa dentro das nossas organizações”

Luciane Botto, consultora

A alta competitividade dentro das organizações, a busca incessante de resultados e a insegurança quanto aos cenários que se desenham nesta pandemia potencializam os desafios impostos aos líderes. É preciso coragem e sensibilidade para as tomadas de decisão, além de consciência do impacto que seus atos terão sobre as pessoas com as quais tem relação. Para a consultora Luciane Botto, que se dedica ao desenvolvimento de lideranças e realiza consultoria organizacional, quanto mais nos desenvolvemos como seres humanos íntegros, responsáveis e autênticos, mais efeitos tendemos a nos tornar como líderes e mais plenamente seremos capazes de viver nossas vidas.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN., Luciane falou da necessidade de os profissionais trabalharem com o conceito de liderança integral:

“Um líder cada vez mais, além de pensar em resultado, tem de pensar nas pessoas. E conseguir fazer este equilíbrio entre resultado, a técnica, a ferramenta, o processo, as pessoas, conseguir trazer o time junto é o que cada vez mais a gente precisa dentro das nossas organizações”.

Em “Liderança Integral — a evolução do ser humano e das organizações”(Editora Vozes), Luciane e seus colegas José Vicente Cordeiro e Paulo Cruz Filho, identificam cinco atitudes para quem pretende exercer na plenitude o seu papel de líder:

  • Propósito — “.. a razão pela qual algo é feito ou criado, ou para a qual algo existe.”
  • Accountability —  “… assumir sua responsabilidade pelos resultados produzidos em sua organização e na sua vida.”
  • Integridade — “… dar o máximo de nós mesmos pelas nossas causas, mas sem ir contra os nossos valores pessoais e os das organizações.”
  • Humildade — “reconhecer que aquilo que vemos lá fora não são fatos absolutos e, sim, nossas interpretações do que acontece no mundo”….portanto devemos “permanecer abertos às interpretações dos outros acerca do que está acontecendo.”
  • Veracidade  — “…ser sincero consigo mesmo e com os outros.”

O exercício dessas atitudes permite que se identifique forte conexão da equipe de trabalho e se melhore o ambiente da organização, mesmo com alguns setores da economia mantendo seus profissionais atuando à distância, desde o início da pandemia. Líderes incapazes de exercerem esse papel tendem a ser responsáveis pela criação de empresas tóxicas, segundo Luciane. Estudo da Harvard Business School com mais de 60 mil funcionários mostra que o ambiente ruim desanima as equipes e afetam os resultados. Quando o gestor é muito grosseiro, diz a consultora, 80% das pessoas se sentem descomprometidas, 38% reduzem a qualidade do trabalho e 25% transferem essa frustração ao cliente.

“Se o melhor líder é o melhor ser humano, ele tem de estar preocupado não só em ser um excelente gestor, mas também ser um colega que compartilha informação, que está disposto a ensinar, a aprender, a dar o seu melhor, a muitas vezes pedir ajuda, a ter humildade suficiente para falar que não tem todas as respostas, que não é o super-herói”

O programa Mundo Corporativo é apresentado pelo jornalista Mílton Jung, pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no Canal da CBN no Youtube e no Facebook, e é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. O Mundo Corporativo tem a colaboração de Débora Gonçalves, Juliana Prado, Bruno Teixeira e Rafael Teixeira.

Sua Marca: o William, a tecnologia e a experiência do consumidor

“Não vamos gerenciar marcas sem tecnologia mas também não vamos gerenciar marcas apenas com ela”, Cecília Russo 

O William atende clientes em uma loja especializada em produtos para animais de estimação, em São Paulo. Em lugar de fechar vendas, cria relacionamentos. Faz abordagem cuidadosa, é gentil na conversa e evita ser intruso na jornada de compra do consumidor.  Ele aparece nesta história por dois motivos: o primeiro é que Willian ilustra bem o tema que tratamos no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo. Falamos de o risco de as marcas ficaram muito parecida a medida que todas passam a ter à disposição as mesmas ferramentas e soluções tecnológicas. 

“Há empresas que acreditam que o digital e a tecnologia são capazes de resolver tudo. Doce ilusão. Por mais apaixonados que sejamos por tecnologia, seres humanos querem o cheiro, o toque, o olhar”, Jaime Troiano

A Apple é uma empresa de tecnologia mas o que conquista seus clientes, que agem como fãs da marca, é a experiência que oferece. O desenvolvimento tecnológico de seus produtos é para onde o sentimento de paixão se volta, mas o que a Apple entrega é o design, as cores, o ambiente da loja e um sentimento de pertencimento.

No Brasil, um bom exemplo é o caso Magazine Luiza que se transformou na maior plataforma nacional de comércio eletrônico sem abrir mão de sua personalidade, muito marcada pela essência de sua dona, Luiza Trajano —- a alma que a marca emana está inspirada na figura dela. 

“A tecnologia é, como se diria em matemática, condição necessária mas não suficiente. Ou seja, não podemos abrir mão dela, mas apenas a tecnologia sozinha não criará marcas fortes e diferenciadas”, Cecília Russo

Sem contar que o mal uso da tecnologia pode trazer uma série de transtornos na relação do cliente e da marca. Quem nunca teve um experiência negativa porque o ‘sistema’ estava fora do ar? Para piorar: na maior parte das vezes em que isso acontece, as pessoas estão tão reféns da tecnologia, que perdem o rumo de como deve agir com o seu consumidor. 

A propósito: disse que o William, nosso personagem aparecia nesta história por dois motivos. O primeiro porque, mesmo tendo todo aparato tecnológico à disposição, é a forma como atende o cliente que o diferencia. O segundo é que o William é ouvinte da CBN.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: Giovanni Cerri, do HC, fala de inteligência artificial e oportunidades para startups na saúde

 

“A saúde é o mercado que mais cresce e que a população mais necessita, então existem grandes oportunidades tanto na área de saúde pública como na área de saúde privada para desenvolver startups e desenvolver soluções; ‘w por isso que nós temos percebido grande interesse de investidores e grande interesse de empreendedores” — Giovanni Cerri 

Uma plataforma que reúne dados de pacientes com Covid-19 e será estendida para centralização das informações de pessoas em busca de atendimento hospitalar. O avanço sem volta do uso da telemedicina para consultas médicas. E a melhoria da gestão hospitalar com o uso da inteligência artificial. Essas são algumas das transformações digitais que o setor de saúde assistiu desde o início da pandemia, de acordo com o médico Giovanni Guido Cerri, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Giovanni Cerri é presidente do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia (InRad), de São Paulo, e presidente da Comissão de Inovação (InovaHC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ele conta que ainda antes da crise sanitária que paralisou boa parte das atividades no mundo, já era possível identificar interesse das instituições de saúde em abrir as portas para startups e empreendedores que acreditam na inovação:

“O HC é muito complexo e por isso nós chamamos os empreendedores da área da saúde para traze soluções para esse problemas do dia a dia: comunicação do paciente, o monitoramento, o usoda a inteligência artificial — tudo isso ajuda a dar mais acesso ao cidadão, melhora a jornada do paciente, ajuda a indústria nacional e reduz o Custo Brasil na saúde”

O Distrito InovaHC, por exemplo, é um hub de inovação que reúne pessoas, empresas e ideias que levam ao desenvolvimento de produtos e serviços, baseados na tecnologia, para criar, testar e expor soluções de saúde. De acordo com Guilherme Cerri, em um ano cerca de 120 conexões foram realizadas entre empreendedores, aceleradores e organizações da área de saude:

“A introdução da tecnologia no sistema de saude é um grande desafio .. É muito importante criar a cultura do empreendedorismo”

Experiência desenvolvida a partir da pandemia foi a plataforma RadVid-19 de inteligência artificial para diagnóstico da Covid-19 que tem ajudado médios e instituições de saúde a otimizarem diagnóstico e tratamento contra a doença. A solução foi criada pelo Instituto de Radiologia da USP e pelo InovaHC que informam ter havido, desde sua criação, mais de 28 mil acessos e foram cadastrados mais de 14 mil exames de imagens enviados por radiologogistas de 12 estados, com média de 70% de resultados positivos para a Covid-19”

“Tecnologia da transformação digital democratiza e facilita muito o acesso à saúde e torna o custo muito menor”

As oportunidade para empreendedores e startups se expandem com a criação de centros de inovação anexados a instituições de saúde, que podem ser usados como laboratórios para se testar e ideias  e soluções. Além disso, esse trabalho compartilhado permite acesso a aceleradoras e investidores.

“Nós temos que estimular o desenvolvimento de soluções de tecnologia customizados ao mercado brasileiro, que vai permitir um acesso maior e um custo menor, eu acho que isso vai fazer a grande trabsformacao da saude no país”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O programa está disponível, também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Izabela Ares, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e da Débora Gonçalves.

TV Conmebol mostra que onde entra o futebol sai a ordem

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração do teste de padrão da TV no passado

 

A transmissão dos jogos de terça-feira pela Taça Libertadores da América, lembrou as improvisações dos primórdios da televisão — principalmente no quesito de atender o consumidor. Encantar, nem pensar.

Houve falhas ou foi a aplicação de técnica ultrapassada para provocar a compra, que interromperam por várias vezes a transmissão abruptamente?Modelos de degustação televisiva? Trailler?

O inusitado é que nos mercados de consumo tradicionais quando há diversificação na oferta, a qualidade, os custos e a distribuição ficam melhores devido à concorrência. Além de mais baratos. No futebol aparece uma quantidade maior de oferta e tudo fica confuso. 

De outro lado, como ficam os assinantes que compraram o pacote anterior que incluía os jogos da Libertadores, e agora terão de comprar o novo pacote?

A TV, aos 70 anos, mostrou através da transmissão Conmebol, que onde entra o futebol sai a ordem.

A experiência tem demonstrado que esse que é o maior esporte entre tantos  é, também, o mais confuso. É sempre um dos mais retrógados em termos de evolução e mudanças necessárias, a despeito da paixão exercida pelos títulos, camisas e cores no futebol. Um fenômeno inexplicável.

Recentemente, a adoção da tecnologia para ajudar os árbitros, o VAR, foi a mais demorada e discutida. Demora que pelo menos deveria ter propiciado a definição do melhor sistema e do mais completo equipamento. Não foi o que aconteceu. Ou os equipamentos adquiridos não tem qualidade suficiente ou os árbitros incumbidos de operá-los não tem habilitação necessária.

Não são raras as demoras excessivas para a tomada de decisão, bem como decisões erradas e solicitações descabidas para lances não protocolares.

Outro aspecto é o sistema adotado, pois, enquanto a maioria dos esportes entrega para os jogadores, como no tênis, o controle das solicitações para a intervenção da tecnologia, ou para os técnicos, como no voleibol, no futebol a chamada para a utilização é dos árbitros. A maioria desses esportes consegue fazer do recurso eletrônico mais uma atração das transmissões. O futebol americano abre a conversa dos árbitros para os torcedores, o que acrescenta ainda um toque de honestidade e marketing.

Enfim, o futebol é um mercado em que há grande oferta de jogadores, há consumidores efetivos e potenciais de forma crescente, mas carece de gestores. Talvez pela atração do jogo como jogo e não como negócio.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

Para além das promessas

 

Cezar Miola
conselheiro do Tribunal de Contas do RS

 

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São Paulo, foto: Pixabay

 

Comícios inflamados, abraços, panfletos: em tempos de Covid-19, esse cenário de muitas campanhas se revela impensável. Mas há outro ponto que merece ser revisitado neste 2020 de eleições municipais: a (pouca) atenção que se dedica ao plano de governo, mesmo que, há tempo, seja obrigatória sua apresentação à Justiça Eleitoral.

Embora não haja previsão expressa quanto aos seus requisitos, esse documento não pode ser visto como mera formalidade. Deverá ser consistente, baseado na realidade e nas competências locais, em evidências e nas condições financeiras do Município (até para que propostas demagógicas não levem o eleitor ao engano). É preciso, pois, dar-lhe relevância e significado.

Por isso, no caso, não bastará dizer que educação e saúde serão priorizadas no contexto da pandemia. Será preciso explicitar, por exemplo: metas, estratégias, indicadores para a oferta de ensino com qualidade e igualdade; qual o compromisso com os planos de carreira; como será garantida a merenda; que instrumentos tecnológicos serão utilizados. Aliás, um bom exercício é retomar o que disseram, há 4 anos, os ora candidatos à reeleição.

 

Nesse quadro, os Tribunais de Contas, tendo presente que o planejamento é “determinante para o setor público” (art. 174 da CF), podem prestar grande contribuição à sociedade, avaliando se as leis orçamentárias que vierem a ser aprovadas, desde o plano plurianual, contemplam as metas definidas no processo eleitoral.

 

A propósito, no Município de São Paulo, em 2008, foi aprovada emenda à Lei Orgânica pela qual, no início do mandato, o Prefeito deve apresentar um Programa de Metas para o quadriênio, com mecanismos de monitoramento e de transparência. Trata-se de uma medida cujos conceitos mereceriam ser avaliados por outros entes da federação.

 

É importante que cidadãos, entidades e instituições, sobretudo as Câmaras de Vereadores, valorizem o plano submetido ao escrutínio popular, a fim de que este não se limite a uma carta de intenções. Amplamente divulgado, antes e depois das eleições, pode também representar um valioso instrumento a serviço do compliance.

 

Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, em texto originalmente escrito par ao jornal Zero Hora e publicado neste blog com autorização do autor

Mundo Corporativo: diálogo e empatia ajudam a corrigir erros na pandemia, ensina Fabile Migon, da Zoop

 

 

“A gente bota todo foco em empatia. Empatia é a nossa chave para cuidar e saber como as pessoas podem e devem lidar nesse momento que a gente esta vivendo” — Fabile Migon, Zoop

Para os profissionais responsáveis por cuidar dos colaboradores dentro das empresas, a necessidade de manter um relacionamento à distância se transformou em mais um enorme desafio nesta pandemia. Mesmo em setores em que a tecnologia é a base do negócio, como no caso da Zoop, uma plataforma de serviços financeiros e meios de pagamento, a adaptação exigiu esforço redobrado. No caso de Fabile Migon, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, havia outro complicador: ela havia assumido a vice-presidência de Gente e Cultura da empresa cerca de dois meses antes de as atividades serem paralisadas no escritórios e todos os colaboradores terem de trabalhar em casa.

“(Quando) você vive este estresse, você vive esta ansiedade, você tem dois pólos:: pegar essa adrenalina; e vamos fazer acontecer; e aquilo te dá gás, te dá energia, te dá foco, motivação e brilho nos olhos e segue em frente; ou você pega esse estresse e paralisa: medo, receio, ansiedade”

Para Fabile Migon, um das estratégias que deram certo na empresa foi a de manter as mesmas características que os colaboradores reconheciam na Zoop: ser humana, divertida e leve com os colaboradores. Uma das ideias foi dar seguimento a programas realizados dentro do escritório como o de as equipes tomarem café da manhã juntos para conversar sobre os mais variados temas, desde que não estivessem relacionados ao trabalho nem a pandemia. Para isso foi criado o programa #cafécomgente em que os profissionais se conectam online e falam de séries, livros e assuntos que podem trazer mais humanidade para o ambiente de trabalho.

 

As reuniões do CEO com os colaboradores aumentaram de frequência para que houvesse maior transparência sobre os cenários que a empresa estava enfrentando. Além disso, foi criado um atendimento terapêutico exclusivo, em que os funcionários podiam ligar a qualquer momento para falar de suas ansiedades e preocupações.

“Então, o diálogo, a comunicação, a proximidade, a empatia faz com que a gente vá corrigindo coisas ao longo do caminho e não deixe para corrigir lá na frente; a ponto de ‘meu Deus, as coisas já aconteceram e a gente não foi corrigindo’. Então, é humanidade mesmo. É você estar próximo das suas pessoas que é o maior ativo que a gente tem”.

O Mundo Corporativo é apresentado pelo jornalista Mílton Jung e vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Tathiane Deândhela sugere que você assuma o controle de suas decisões para encarar essa crise

 

“Onde a gente coloca nossa energia, onde a gente coloca o nosso foco, vai determinar também aquilo que a gente realiza” —- Tathiane Deândhela, consultora

Assumir o controle de suas decisões, identificar os caminhos a seguir e eliminar os ladrões do tempo são algumas medidas que precisam ser adotadas neste momento em que a pandemia paralisa negócios, reduz o faturamento e, em muitos casos, elimina empregos. A consultora Tathiane Deândhela, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, tem se dedicado a conversar com empresários e profissionais das mais diversas áreas na tentativa de mostrar que existem saídas para esta crise.

“E o que que eu percebo; muitas vezes quando as pessoas estão focadas nos danos, focadas naquilo que não podem controlar de alguma maneira, a pessoa suga a energia de tal forma que não tem disposição, que não tem vitalidade para fazer acontecer”.

Focar a energia nas tarefas realmente importantes é o que Tathiane chama de blindagem mental que precisa ser realizada para que os resultados apareçam. Em conversa com Mílton Jung, a autora do livro “Faça o tempo enriquecer você”(Editora Gente) lembrou ensinamentos de Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco que sofreu a crueldade dos campos de concentração:

“Uma fala que muito me marcou, foi quando ele disse assim, a gente tem a liberdade de escolher o que a gente quer mesmo em meio ao caos; a gente tem liberdade de fazer escolhas sobre o que eu quero sentir, como eu quero reagir a essas circunstâncias”.

Especialista em produtividade e gestão do tempo, a consultora disse que com o trabalho em casa, forçado pela pandemia, um dos principais ladrões do tempo foi eliminado que é o deslocamento no trânsito. Além disso, conversas paralelas que costumam ocorrer no local de trabalho também deixaram de existir, momentaneamente. Por outro lado, novos ladrões podem surgir com o homeoffice se o profissional não organizar suas tarefas e não planejar sua agenda, considerando os compromissos de trabalho e os familiares.

“Tão importante quanto definir o que a gente vai fazer ao longo do nosso dia ou o que que merece o nosso foco, ou que merece a nossa atenção, é a gente entender também o que é que a gente tem que abrir mão. Isso aqui não é importante agora, isso aqui não é prioridade. Tirar as coisas do caminho porque nós temos 24 horas e não dá para fazer tudo”

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: o legado americano na gestão de marcas

 

 

 

“Não é exagero dizer que sem eles talvez não estivéssemos fazendo o que estamos fazemos hoje. Nós aprendemos muito com eles.” — Jaime Troiano

O que se aprendeu sobre gestão de marcas ao longo dos tempos deve-se muito a pensadores e especialistas americanos, seja pelos ensinamentos e técnicas que desenvolveram seja pela forma como aplicaram nas mais diversas áreas. Aproveitando que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi ao ar no dia 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram as muitas contribuições de profissionais como Philip Kotler, David Aaker e Donald Schultz. 

 ‘Eles entenderam que branding é uma coisa que tem que se profissionalizar’ — Cecília Russo

Um dos métodos lembrados por Jaime é o do uso de imagens para entender o que o consumidor pensa sobre a marca em lugar de apenas perguntar para ele a sua opinião —- hoje disseminado pelo mundo, que surgiu nos Estados Unidos. Já Cecília destaca a maneira como essa visão do branding se expressa na organização de eventos artísticos e esportivos:

“Esses eventos vão além do seu caráter esportivo, por exemplo, são grandes espaços para as marcas se posicionarem, lançarem campanhas e envolverem os torcedores”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: se capotar é preciso, aprenda como com Amyr Klink e Armando Oliveira

 

“…. nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente”, Amyr Klink

 

“… é justamente neste momento de crise que a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto”, Armando Oliveira

Prática e teoria. Jornadas e processos. Experiência e conhecimento. Um pouco de cada um e tudo isso reunido, resultou em um encontro que até então parecia impossível: o mestre em projetos de TI Armando Oliveira, que na sala de aula motiva seus alunos ilustrando os ensinamentos de sua área com situações do cotidiano, e o navegador Amyr Klink, que não esconde o constrangimento em usar sua história como referência para a vida dos outros —- não que não tenha noção da dimensão de seus feitos, mas a timidez o impede de pensar que possa ser um guia para quem pretende superar desafios nas mais diversas áreas.

 

Armando e Amyr foram os convidados do programa Mundo Corporativo para falar, entre outros temas, de como enfrentar este momento no qual as restrições impostas pela pandemia têm deixado muitas pessoas isoladas e negócios paralisados. Recentemente, Armando lançou o livro “Capotar é preciso” (Companhia das Letras), escrito a partir de longas conversar que manteve com o navegador. Eles não se conheciam, e quando Amyr foi procurado pelo professor de projetos de TI, imaginava que seria um bate-papo rápido com alguém curioso por suas histórias. Surpreendeu-se com o que ouviu e também aprendeu.

“Eu acho engraçado ser convidado para palestras sobre, por exemplo, planejamento, organização e gestão de negócios, porque eu sou muito desorganizado, mas nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente. Eu vou as raias da loucura pra tentar cercar todos os problemas, mitigar falhas, essas coisas” Amyr Klink

Curiosidade pelas histórias do navegador, é claro que Armando Oliveira tinha, mas com um objetivo bem claro: conhecer a experiência de Amyr Klink era a oportunidade de ganhar mais repertório para as aulas de projeto, na faculdade:

“Eu usava exemplos e analogias de como seria o mundo dos projetos a partir de cases acadêmicos, e passava a impressão de que estivesse querendo ensinar a profissão aos alunos: não vou ensinar o engenheiro a erguer um prédio ou o Amyr Klink a navegar. Quando busquei o exemplo dele, os alunos ficavam muito mais abertos de ouvir essas experiências E isso começou a facilitar os ensinamentos que a gente queria que eles entendessem: a parte de gestão dos projetos e não a parte técnica. E quando a gente conversa sobre os projetos do Amyr, que lida com as emoções extremas, isso facilita o aprendizado”.

O título do livro, Capotar é preciso, é baseado no conhecimento que Amyr Klink obteve no primeiro projeto de travessia do Atlântico Sul, em 1984, quando estudava formas de superar o desafio em um barco a remo e acreditava que a chave do sucesso seria criar uma embarcação que não capotasse. Graças a intervenção do engenheiro José Carlos Belfort Furia, da USP, descobriu que sua visão estava errada. O professor  recomendou que “ele abraçasse esse problema, dormisse com esse problema, em busca de uma solução”.  Mudou o projeto e o restante da história se conhecesse muito bem.

“Eu nunca esqueci esta historia de abraçar os problemas: Tem gente que acha uma espécie de pessimismo ficar estudando as razões do fracasso. Em vez de acreditar que o universo conspira a seu favor, essas coisas, eu penso totalmente diferente. Eu penso que o universo conspira contra, e eu gosto de descobrir os problemas e construir uma solução”.

Uma das preocupações de Amyr Klink durante essa pandemia é que devido as restrições para navegação, teve de deixar o “paratiizinho” — como chama carinhosamente a embarcação  que já realizou 25 travessia em 30 anos, atracado nas Ilhas Falkland —- ele teme encontrar dificuldades para negociar a retirada do barco do território que está sob domínio britânico, já que “o Brasil não está bem na foto”.

 

Sobre a travessia que enfrentamos com as crises provocadas pela pandemia, Amyr diz que o mais difícil neste momento é a falta de rumo. Lembra que nas suas jornadas em alto mar, ele tem noção de quando será a partida e qual é o seu destino. Tem um ponto chegada. Nesta pandemia, diz, ninguém sabe qual é.

 

Já Armando busca forças para superar as dificuldades do momento com uma lição que aprendeu com o próprio navegador:

“O Amyr em uma conversa até recente, comentou que o tempo que ele cometeu as maiores burradas de projeto foi o tempo em que ele tinha excesso de patrocínio, condições propícia à vontade. Foi o tempo que eles mais desperdiçaram os recursos e acharam as soluções piores possíveis. E, ao contrário, quando ele foi forçado a passar por algumas situações em que ele tinha poucos recursos e poucos apoios foi quando ele tinha as soluções mais interessantes. Eu fui pego em cheio por essa questão da pandemia e é justamente quando temos de ter equilíbrio emocional para saber como sair disso aí. Nesse momento é preciso se planejar rápido, e a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto. Não vejo fórmula mágica: só muito trabalho e pensando em alternativas”

PS: em virtude de problemas de áudio na gravação em vídeo pela internet, algumas respostas de Amyr Klink foram regravadas, portanto, é possível que ao assistir ao vídeo você encontra respostas diferentes daqueles que foram reproduzidas no programa em áudio. O conteúdo é bom das duas maneiras, portanto minha recomendação: ouça os dois e aprenda duplamente.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.