Mundo Corporativo: Nelmara Arbex fala de sustentabilidade e reputação

 

 

 

 

“Uma forma muito boa de você simplificar este conceito é imaginar que sustentabilidade pode ser resumido como a busca de qualidade de vida para muitos, por muito tempo. Sustentabilidade tem dentro dela, da palavra, o conceito de tempo. É uma coisa que se mantém com o tempo” — Nelmara Arbex, Boston College

Há algum tempo, sustentabilidade foi conceito relacionado apenas a questões ambientais, porém desde os anos 1940, quando a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já havia a ideia de as empresas também deveriam assumir a responsabilidade na manutenção da qualidade de vida das pessoas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Nelmara Arbex, CEO da Arbex & Cia e professora do Boston College, falou de como a reputação das empresas está relacionada a forma como as corporações têm atuado na agenda da sustentabilidade:

“Como que a empresa ajuda a encarar os problemas que a sociedade tem como críticas? Esse comprometimento — não só falar, mas agir — para resolver problemas que a sociedade tem faz parte da construção da reputação”

Arbex também alertou que os líderes são fundamentais na construção do capital reputacional de uma organização”

“Se você estiver em uma posição para tomar uma decisão de negócios e você precisa de um parâmetro para saber quão sustentável sua decisão está sendo, você deveria pensar se esta decisão busca a melhoria de qualidade de vida de muitos e por muito tempo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao. ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento no canal da CBN no You Tube ou em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Vitor Magnani dá dicas para quem quer abrir uma startup

 

 

“O que tem de diferente das startups para as empresas mais tradicionais é o foco no problema, não necessariamente em replicar o modelo que já existe para obter lucro. Então, um dos erros é esse, você não ter esse foco para dar os primeiros passos nessa startup” —- Victor Magnani, ABO2O

Dedicar-se integralmente no negócio e identificar com clareza qual o problema que pretende solucionar são ações fundamentais para quem pretende lançar uma startup. Além disso, é preciso ter uma rede de relacionamento capaz de agregar bons sócios e colaboradores, montar um time complementar e buscar os mentores corretos. Essas são algumas das muitas dicas que Vitor Magnani, da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), apresentou em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Magnani atuou no iFood e, hoje, está na Loggi, duas empresas que têm as características próprias da nova economia. Recentemente, escreveu o livro “O mundo (quase) secreto das startups — guia prático para criar uma empresa de sucesso” em parceria com a jornalista Caroline Marino. Ele é professor da FIA, ESPM e IED, e especialista em inovação:

“Inovação é combinar, seja assunto seja conhecimento —- um advogado, por exemplo, precisa sair do seu círculo de advocacia e absorver outros conhecimentos para quem sabe propor algo novo. É diferente de disrupção que é passar de um paradigma para outro —- por exemplo, nós não tínhamos serviço privado e individual de passageiros nas cidades e hoje essas empresas trazem uma mudança cultural”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Hermínio Bernardo, Bianca Klirklevisque e Débora Gonçalves.

O poder feminino nos negócios

 

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Nos dias 1º e 2 de outubro, no Teatro Santander em São Paulo, tivemos o 10º Fórum de Franquias e Negócios do Grupo Bittencourt & GS. Evento que se alinha a uma série recente de formatos corporativos com o propósito de difundir conhecimento em tempo real.

 

Uma linha comum em todos estes eventos é a exposição da absorção em grande escala da tecnologia voltada para o atendimento na relação empresa—cliente. Ao mesmo tempo, surgiu um novo foco no cliente como centro do sistema, e atenção especial às pessoas que o atendem.

 

Destacamos “O Poder Feminino nos Negócios” que teve apresentações de Renata Moraes da Kopenhagen, com “Rótulos nunca me serviram”, e Chieko Aoki, com “Qualidade, elegância e amor para servir”.

 

Renata, herdeira e Vice-Presidente do Grupo CRM, que possui as marcas Kopenhagen, Brasil Cacau, Lindt, Kop Koffee e SoulBox, subiu ao palco para afirmar que a diversidade de gênero no mercado de trabalho não pode ser ignorada. Dados recentes da ONU indicam que o Brasil levará 108 anos para diminuir a diversidade de gênero e 202 anos para chegar na paridade entre homens e mulheres. O único caminho para melhorar essa posição é esquecer os rótulos.

 

Enfatiza que devemos começar estimulando as meninas à liderança, evitando chamá-las de “queridas, lindas, doces” enquanto chamamos os meninos de “campeões”. Quando elas não conseguem atingir resultado são estimuladas a descansar, mas os meninos, a continuar. Não podemos permanecer assim. As meninas são capazes.

 

Renata está segura que a lucratividade que o Grupo CRM tem obtido é devida a desconsideração de rótulos, pois “rótulos não definem quem você é ou quem você pode ser”.

 

No Grupo CRM, 60% das posições são ocupadas por mulheres. “E 65% no C–Level. São gerentes, coordenadoras e diretoras engajadas como eu”, arremata Renata.

 

A abertura da academia SoulBox para incentivar a luta esportiva entre as mulheres transmite a busca do rejuvenescimento e permanência, propósito do Grupo CRM, e segundo Renata “Nasce muito protagonista da própria história”.

 

Chieko Aoki, fundadora da Rede Blue Tree Hotels, subiu ao palco com o peculiar carisma. Expôs que ao vender a Rede Caesar Park Hotels decidiu criar uma rede hoteleira que reunisse a excelência americana, a qualidade europeia, a espiritualidade japonesa e a hospitalidade brasileira.

 

Estabeleceu a alma Blue Tree com o Bem-Receber, Bem-Servir, Bem-Cuidar, definindo como reegra de ouro: encantar a todos, meta é meta, prazo é prazo, não justificar, gestão de resultados — com um toque de Vicente Falconi.

 

Ressaltou que o negócio de hospedagem vai além de hotelaria, não é somente cuidar de prédio ou de lençol, pois é principalmente cuidar de pessoas para as pessoas. Sistematizando este conceito com três premissas:

     

  • Os colaboradores precisam ser cuidados para cuidarem bem dos clientes
  • Cuidar não se ensina, precisamos ser bem cuidados para entender o Bem Cuidar
  • Precisamos tocar seus corações para que façam com o coração

 

Esse circuito emocional, Aoki designa como alma da Blue Tree.

 

Cita dois casos:

 

O dos pesados edredons que estavam impedindo a mão de obra feminina de realizar a contento o trabalho. Manteve as mulheres e dispensou os edredons. Fato inclusive copiado por todos.

 

Louvou também o funcionário que teve a percepção do estado de saúde do hóspede que veio pedir medicamento. Ao invés de dar o remédio solicitado, o levou ao hospital. Felizmente. Porque foi operado no mesmo dia.

 

A Rede Blue Tree cresceu mais de 50% no último ano. A receita de Chieko Aoki é o Bem Cuidar, porque segundo ela, o Bem Cuidar Faz Bem: para os colaboradores, para os clientes, para a sociedade e para a nossa alma.

 

Que assim seja!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.Milto

Mundo Corporativo: empresas têm de criar espaço para a colaboração de seus profissionais, diz Alexandre Marins

 

“Eu quero uma carreira onde eu tenha um espaço onde eu possa exercer aquilo que eu acredito em conjunto com outras pessoas. Então as empresas tem de ter uma clareza de seu propósito para que as pessoas consigam ter um grau de identificação e engajamento” – Alexandre Marins, LHH

A chegada de novas tecnologias e de uma geração mais questionadora tem transformado o ambiente de trabalho e obrigado as empresas e seus líderes a mudarem comportamentos. Os profissionais querem ter voz, dar ideais e serem mais colaborativos, de acordo com Alexandre Marins, diretor de desenvolvimento de talentos da consultoria LHH.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, o consultor alertou para o fato de que as empresas falam muito em inovação mas ainda mantém algumas práticas que provocam sérios problemas na qualidade de vida de seus colaboradores:

“Essa questão do homem não poder falar da sua vulnerabilidade, traz uma angústia interna muito grande, uma solidão. Então, a gente vê que os cargos de alta liderança seguem sendo solitários e as pessoas não conseguem falar sobre isso, e pessoas se deprimindo porque elas olham para aquilo e não vêem uma saída, sabem a sensação de que amanhã vou ter de dar conta de novo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter pelo perfil @CBNoficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Correia, Isabela Ares e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: empresas buscam líderes adaptados à transformação digital

 

 

“É esperado que o executivo consiga decidir com velocidade e tomando riscos necessários, mesmo sem ter todas as respostas, mas também é esperado que esse executivo tenha ponderação e consiga analisar os dados para ver se aquela decisão vale a pena ou não” Flávia Leão, Russel Reynolds

 

As empresas têm novas demandas provocadas pela velocidade que a tecnologia impõe e seus gestores têm de estar preparados para essas transformações. Portanto, devem desenvolver uma liderança ágil e entender que áreas como recursos humanos e logística, por exemplo, não podem prescindir do conhecimento tecnológico. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corportivo, da CBN, a consultora Flávia Leão falou o que as empresas esperam dos líderes que assumem em meio a enorme transformação digital que vivemos:

 

“Não se espera que o executivo tenha um conhecimento técnico, mas sim que o executivo saiba reconhecer quais são as soluções que vão transformar o negócio dele e que consigam fazer uma análise crítica disso. E trazer para a empresa aquilo que funciona. Então você tem de estar muito próximo das tecnologias para saber o que vai me trazer mais eficiência, o que vai me trazer mais velocidade e não tem mais a possibilidade de deixar esse assunto para o profissional de TI”.

 

Leão é head de liderança e sucessão para a América Latina da Russel Reynolds, consultoria de recrutamento e desenvolvimento de altos executivos. Para ela, as pessoas mais flexíveis e curiosas devem ter maior facilidade em se adaptar nesse momento do que aquelas que têm perfil mais rígido e apegado aos seus conhecimentos técnicos:

 

“… não existe uma coisa que é “nasci líder”. Algumas pessoas têm características que facilitam e outras terão que trabalhar mais, mas mesmo assim elas podem fazer um papel tão bom quanto”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter @CBNoficial e na página do Facebook da CBN. A entrevista vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN ou domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Rafael Furugen, Debora Gonçalves, Bianca Vendramini e Guilherme Dogo.

Campeões da consultoria

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Vicente Falconi, o mais eminente consultor brasileiro da atualidade, deixará até o fim do ano a empresa que fundou — o Instituto de Desenvolvimento Gerencial. A consultoria foi fundada por ele e José Martins Godoy, com quem dividiu por longo tempo a direção. Cabia a Godoy a administração e a Falconi a parte técnica. Aos 77 anos, Falconi sairá da operação e venderá suas ações em obediência a norma por ele criada com o intuito de abrir espaço aos novos talentos.

 

 

A trajetória do INDG foi significativa e basta citar que Jorge Paulo Lemann e Abílio Diniz colocam Falconi como um dos responsáveis pelo sucesso que ambos alcançaram.

 

 

Com Lemann, a história começou pelas mãos da secretária nacional da Economia Dorothéa Werneck, muito preocupada na época com a defasagem da indústria brasileira. Ao receber Marcel Telles, que foi solicitar autorização para aumento de preço, ela perguntou como estava a qualidade-total na Brahma e ouviu que a cerveja estava boa. A ministra explicou que não era essa a questão e sugeriu que Marcel procurasse Falconi. Por educação, Marcel procurou Falconi. Se conectaram. Estava iniciada a relação do INDG com aquele que se tornaria o mais proeminente grupo empresarial brasileiro.

 

 

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A saga de Falconi está bem contada no livro de Cristiane Correa: “Vicente Falconi o que importa é o resultado”. Uma história que se mistura a saga brasileira corporativa e burocrática ao citar casos significativos de empresas e governos. Fica aqui um convite à leitura, e segue abaixo alguns flashes da obra de Vicente Falconi.

 

 

Assista à entrevista da jornalista Cristiane Correa sobre o livro que foi ao ar no programa Mundo Corporativo.

 

 

O professor Falconi, acadêmico rigoroso, era ao mesmo tempo discípulo da simplicidade.

 

 

Cartesiano, ele tinha um método simples para obter resultado:

“É entrar em uma empresa e buscar números, fatos e dados. Sem “achar” nada”.

Seguindo essa linha, absorveu dos japoneses a forma dos 5S e do americano William Edwards Deming  e do romeno Joseph Moses Juran o PDCA, a base da qualidade-total que alavancou o Japão. Completava seu sistema com a introdução de metas. E com método e metas ,conseguiu extraordinários resultados.

O 5 S:
— Senso de utilização: separando o útil do inútil, separando o desnecessário
— Senso de arrumação: ordenação do ambiente de trabalho
— Senso de limpeza: manutenção do local de trabalho limpo
— Senso de saúde e segurança: ambiente favorável a execução do trabalho
— Senso de autodisciplina: garantir o uso de todos os sensos

O PDCA
–- Plan, Do, Control, Action, ou seja, planejar, executar, controlar e agir corretivamente. A ciência deste processo está na repetição e disciplina

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ALGUNS PRINCÍPIOS DE FALCONI

— Sem medição não há gestão
— 3 a 5 metas para cada chefia
— Problema é a diferença entre a situação atual e a meta
— Liderar é bater metas
— Desculpas são patéticas
— Alta rotatividade é inaceitável

Esse sistema levou ao sucesso grande contingente de organizações sob o seu comando.

 

 

Curiosamente, em relação a INDG a operação não permaneceu em céu de brigadeiro. E se pegarmos os casos McKinsey e Michael Porter, identificaremos um padrão inesperado, pois todos estes campeões da consultoria tiveram dificuldade em aplicar neles próprios os remédios que receitaram e executaram com sucesso em seus clientes.

 

 

McKinsey teve problemas como CEO da Marshall Field, empresa têxtil. Michael Porter ao lado do sucesso como expert em Estratégia fechou, em 2002 a consultoria Monitor, fundada em 1983.

 

 

A fala de McKinsey é emblemática:

“Nunca antes, em toda a minha vida, soube como era muito mais difícil tomar decisões empresariais próprias do que aconselhar os outros a respeito do que fazer”

Ficamos então com as questões:

 

 

Quem ensina precisa saber fazer para si mesmo?
Falconi, McKinsey e Porter são padrão ou exceção na execução?

 

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Joana Cortez diz como a neurociência ajuda na formação dos novos líderes

 

 

“O que é esperado do líder é que ele consiga desenvolver as pessoas; e para você desenvolver as pessoas, entender como funciona o cérebro é fundamental” — Joana Cortez, consultora da Fellipelli

As novas exigências do mercado de trabalho têm desafiado líderes e colaboradores. Para tornar essa relação mais saudável e produtiva, o uso da neurociência é um dos caminhos que empresas e gestores têm percorrido. Por isso, o Mundo Corporativo foi entrevistar Joana Cortez, consultora em desenvolvimento humano da Fellipelli, que trabalha com avaliação e desenvolvimento de pessoas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Cortez listou alguns dos benefícios que as ferramentas de neurociência podem trazer aos profissionais das mais diversas áreas:

“A segurança emocional é tão importante para o profissional assim como entender o papel dele na empresa”

Para os novos líderes, a consultora identifica três habilidades essenciais:

  1. Autoconhecimento —- todos sabem onde estão seus pontos mais fortes e mais fracos, mas é preciso olhar para sim mesmo, entender seu comportamento e se comprometer com a transformação.

  2. Escuta ativa —- tem de saber escutar o outro, ouvir suas ideias, frustrações e sugestões.

  3. Saber desenvolver a ideia —- não importa de onde vem a ideia, é preciso se dedicar a desenvolvê-la e, para isso, não ter medo de contratar gente melhor do que ele.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nas páginas do Facebook e do Instagram (@CBNOficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22h30. E fica à disposição na lista de podcast.

Fé e ideologia não serão capazes de conter os efeitos do aquecimento global

 

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Duas pessoas morreram em ônibus soterrado na Niemeyer. Foto: Bárbara Souza/CBN

 

Acordei logo cedo com a voz de uma autoridade carioca no rádio oferecendo aos ouvintes a garantia de que a prefeitura do Rio estava preparada para enfrentar as dificuldades impostas pela tormenta que havia atingido a cidade na noite anterior. Seiscentos homens estavam nas ruas para atender a população, as equipes da noite foram reforçadas por aqueles que estavam encerrando o expediente, alertas foram emitidos com base no monitoramento dos radares do clima e sirenes tocaram em áreas de risco.

 

Suas palavras não eram coerentes, porém, com a descrição que repórteres faziam ao vivo ou com as fotos e vídeos que já circulavam na internet. O lobby de um hotel era comparado a um navio naufragando, o barro ocupava o salão de uma academia de ginástica, um homem era levado pela correnteza ao som de gritos de moradoras que gravavam a cena, ruas e avenidas estavam tomadas pela água e pessoas buscavam proteção de maneira improvisada —- a maior parte contando mais com a sorte do que com qualquer apoio oficial.

 

A impressão era que um furacão havia passado pela cidade e deixado seu rastro por todos os cantos. Os técnicos fizeram questão de esclarecer que os furacões estão no topo de uma escala que vai do grau 0 ao 12 e registram velocidade de 118 quilômetros por hora ou mais. O que aconteceu no Rio foi uma tempestade, que está no grau 10, e se caracteriza por ventos de 89 a 102 quilômetros por hora.

 

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Chuva colocou Rio de Janeiro em estágio de crise. Foto: Reprodução/TV Globo

 

Ao morador do Vidigal e da Rocinha, duas das áreas mais devastadas pela tormenta, tanto faz o nome oficial daquilo que eles assistiram e sofreram ao longo da noite e madrugada. Para eles e para os demais cariocas —- mesmo aqueles protegidos em prédios mais altos ou em suas casas em bairros mais bem estruturados — foi um caos. Um desespero sem fim.

 

O Rio já encontrou seis pessoas mortas desde o início do temporal — duas delas soterradas, quando tentavam voltar para a casa, na avenida Niemeyer. A terra deslizou na carona de uma árvore centenária que despencou morro abaixo até atingir o ônibus onde estavam os dois passageiros e um motorista —- esse conseguiu escapar com vida. Por sorte. Ou por Deus, como até os descrentes costumam dizer.

 

É com a sorte — e talvez com Deus —- que devemos contar enquanto os administradores das nossas cidades não são capazes de investir na mudança estrutural necessária para os novos tempos. Cruzamos os dedos para que no momento da tormenta já tenhamos chegado a um lugar minimamente seguro. E oxalá nossos parentes e amigos mais próximos também tenham conseguido.

 

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Uma pessoa morreu no Vidigal Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Um mínimo de interesse nos estudos do clima nos faria entender que não sobreviveremos por muito tempo enquanto acreditarmos que nosso destino será traçado pelo acaso. Sorte e azar não são elementos a se ponderar quando cientistas comprovam que a temperatura global aumenta a níveis sem precedentes — 16 dos 17 anos mais quentes registrados aconteceram neste século e nos últimos 40 anos, a temperatura media global esteve acima da média do século 20.

A medida que as temperaturas globais aumentam, eventos climáticos extremos se repetem com mais frequência, com mais custo e com mais destruição. Sabe aquelas chuvas que acontecem uma a cada mil anos? Foram registradas seis vezes, em 2016, nos Estados Unidos —- esse mesmo país que é comandado por um presidente que questiona o aquecimento global. Cidades litorâneas —- como o Rio —- estão muito mais expostas agora aos efeitos das marés altas do que estiveram em todos os tempos. Nos últimos 50 anos, aumentaram de 364% para 925% as inundações, nas três costas dos Estados Unidos.

 

As medidas paliativas e as palavras vazias não serão suficientes para conter as tragédias que tendem a se repetir a cada ano. Ambientes urbanos como o da cidade do Rio, que tem uma geografia a desafiar administradores, ou a de São Paulo, com sua extensão territorial inimaginável, não podem se dar ao luxo de esperar mais tempo até iniciarem de forma inteligente e planejada ações que mitiguem os impactos provocados pelo clima.

 

Repensar a forma de ocupação do solo, criar áreas para absorção da águas das chuvas, ampliar a quantidade de árvores para diminuir o efeito das ilhas de calor, deslocar famílias dos pontos de alto risco, reurbanizar favelas, recuperar córregos, riachos e rios, rever os modelos de transporte e reduzir a emissão de carbono são algumas soluções já há muito conhecidas e, por mais complexa que seja a implantação destas medidas, quanto mais tempo demorarmos para atuar piores serão os efeitos sobre a qualidade de vida do cidadão.

 

E para o nosso azar — perdão, uso a expressão apenas por força do hábito —- o que vemos avançar no Brasil, em lugar de politicas públicas que adaptam as cidades para esse novo tempo, é o discurso de políticos negacionistas ambientais. Uma gente cega pela sua fé e ideologia, incapaz de compreender que as evidências científicas são contundentes. Retumbantes. Destruidoras, se levarmos em consideração o que aconteceu no Rio nas últimas horas.

 

A persistirem os sintomas, a análise mais crua e certeira — tanto quanto mal-educada —- que ouvimos foi a de um cidadão carioca, voltando para a casa em meio ao temporal, aparentemente bêbado, que se intrometeu na cobertura ao vivo de uma repórter da Globonews para decretar: —- “Tá todo mundo f….., essa m…. aqui”

Mundo Corporativo: RH é papel dos líderes, alerta Cláudia Lourenço

 

 

“Não tem como fazer RH somente com os profissionais da área através das suas ferramentas e programas; recursos humanos é o papel de cada líder que recebe cada colaborador todo o dia, que olha no olho, que eventualmente sabe como ele está se sentindo, se ele está contribuindo bem ou se ele está com algum problema” — Claudia Lourenço, diretora de RH da Europ Assistant Brasil

 

Propor ações que promovam o desenvolvimento profissional dos colaboradores e engajar os líderes nestes programas são alguns dos desafios da área de recursos humanos tratados por Cláudia Lourenço, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Lourenço é diretora de RH da Europ Assistant Brasil e foi considerada uma das executivas de RH mais admiradas do Brasil.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas no site, na página do Facebook e no Instagram da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Isabela Medeiros.

Mundo Corporativo: esteja atento para o que os novos líderes têm a ensinar

 

 

“Acho que a gente tem de preparar os nossos jovens, mas tem de saber entender as demandas que estão chegando, a gente está em um mundo acelerado, onde as transformações cada vez mais acontecem aos nossos olhos muitas vezes sem que a gente perceba. Então, temos que estar atentos a isso” —- Pedro Salomão, Radio Ibiza

 

Para ser um líder eficiente e pronto para os novos desafios é preciso estar atento ao que os jovens tem a nos ensinar e estar preparado para revelar a eles os caminhos possíveis na carreira. Conectar gerações tem sido uma das tarefas de Pedro Salomão, empreendedor e criador da Radio Ibiza, entrevistado por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Autor do livro “Lyderez, o exercício da liderança para conectar gerações”, Salomão provoca as pessoas a olharem de maneira diferente para o mercado de trabalho

 

“Eu gosto de trabalhar a ideia de que um dos caminhos para sermos bons líderes — e nós somos líderes e liderados o tempo inteiro — é inverter aquela lógica de viver pelo resultado … Eu acho que quando a gente aprende a se encantar pelo processo — que é mais longo, mais duradouro, tem caminhos mais tortuosos — do que pelo próprio resultado, a gente consegue ter um entendimento maior do macro. E a gente consegue ressignificar algumas coisas”

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN, no perfil @CBNOficial do Instagram e na página da Rádio CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30, em horário alternativo. Você encontra o programa também na lista de podcast da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo o Guilherme Dogo, o Rafael Furugen, a Débora Gonçalves e a Isabella Medeiros.