Entrevista: Matheus Leitão conta a história do Brasil, na busca pelo delator e torturadores dos pais dele

 

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Matheus Leitão em entrevista ao Jornal da CBN

 

 

Àquela altura, não havia mais o que fazer, a não ser perguntar sem rodeios

 

– Você entregou meus pais?

 

– Oh, quando eu caí… Eu sei qual o teu problema aqui. Eu já estava te esperando. Quando eu caí, eu caí com a imprensa completa. Não tinha como dizer “eu não sou do partido”. Essa é a primeira coisa

 

(trecho do livro Em nome dos pais)

 

 

Do diálogo acima participaram o jornalista Matheus Leitão e um senhor de 73 anos, Foedes dos Santos. A conversa foi em um sítio próximo a São João do Garrafão, no Espírito Santo. A história que reuniu os dois personagens havia acontecido em 1972, quando Marcelo Netto e Miriam Leitão, pais de Matheus e parceiros de Foedes, então integrante do PCdoB, foram presos e torturados pelo Regime Militar.

 

 

A pergunta que marcou essa conversa foi o que levou Matheus a iniciar a investigação que resultou no livro “Em nome dos pais” (Intrínseca) – um trabalho profundo, íntimo e emocionante no qual o autor buscou desvendar a história sofrida por Marcelo e Miriam e nos ajudou a entender um pouco mais sobre o período em que o Brasil esteve submetido à repressão da ditadura militar.

 

Ao ser entrevistado pelo Jornal da CBN, nesta quinta-feira, Matheus contou a maneira como reagiu diante das revelações obtidas através das várias entrevistas que realizou e documentos que conseguiu ter acesso. Pois além de buscar o delator de seus pais também localizou agentes que teriam participado das sessões de tortura.

 

Algumas respostas trouxeram sentimentos contraditórios, pois provocavam repulsa e alívio ao mesmo tempo. O que parece porém lhe incomodar muito mais são as não-respostas, por exemplo as que as Forças Armadas brasileiras se negam a dar, apesar da existência de registros que poderiam esclarecer muitos dos fatos em aberto.

 

Outro incomodo: se o delator, ao fim da conversa, pediu perdão, o Exército ainda não se desculpou dos crimes que cometeu.

 

Na conversa que tivemos, ao lado de Cássia Godoy, em que falamos também do atual momento político brasileiro e do futuro da Operação Lava Jato, Matheus teve oportunidade de falar, ao vivo, com a mãe, Miriam Leitão. Ambos protagonizaram um diálogo emocionante concluído por ela com a certeza que, apesar de tudo, a história que Matheus relata no livro teve um final feliz.

 

Ouça a entrevista completa com Matheus Leitão sobre o livro, sobre a busca da verdade e sobre a luta pela liberdade. Ao fim, o diálogo dele com sua mãe:

 

Mundo Corporativo: só mandar não basta, tem de convencer, diz Eduardo Ferraz, consultor de gestão de pessoas

 

 

“Diariamente, a gente tem de convencer alguém sobre alguma coisa, seja da capacidade técnica que a gente tem na empresa, seja da necessidade ganhar um aumento de salário, por exemplo, ou de ser promovido; em casa a gente tem de convencer a esposa, o marido, o filho, os parentes sobre uma viagem ou onde vai almoçar no fim de semana; quando a gente vai lidar com o sócio, a gente está em uma pequena empresa, você tem o tempo inteiro de estar convencendo o sócio, e quem é chefe pode estar pensando: mas eu mando, eu sou chefe. Só mandar não funciona, muito melhor do que comandar ou exigir, você precisa convencer os seus subordinados a melhorar o desempenho. Então, na prática, a gente passa quase todos os dias tentando convencer ou precisando convencer alguém sobre algo”. Constatada essa realidade, o consultor Eduardo Ferraz tem se dedicado a ajudar pessoas a desenvolverem seu potencial de convencimento, tema sobre o qual foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Ferraz diz que é preciso conhecer as características estruturais mais marcantes da nossa personalidade e usá-las ao máximo, assim como temos de ser capazes de ajustar o que está faltando por meio do acabamento para aumentar nosso poder de persuasão. Com base em ensinamentos de James Heckman, o consultor em gestão de pessoas calcula que de 70% a 80% da nossa personalidade é estrutural e o restante, acabamento: “o prédio não muda de lugar, mas você pode mudar o acabamento”. Ele é autor do livro “Gente que convence – como potencializar seus talentos, ideais, serviços e produtos” (Planeta Estratégia).

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, no site e na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Luiza Silvestrini e Débora Gonçalves.

De museu particular a viagens exclusivas, livros sugerem turismo de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ir ao Louvre é programa da maioria dos turistas que vai a Paris. Só no ano passado, o museu recebeu mais de 7,3 milhões de visitantes. É o mais visitado do mundo. Pense agora na possibilidade de conhecer as obras de arte que fazem parte desse museu de uma maneira bem particular: fora do horário de expediente. Esse é um programa para poucos e privilegiados. Um luxo.

 

E são luxos como esse passeio privado no Louvre que fazem parte das experiências que se destacam em uma série de cinco livros com os melhores destinos do mundo, lançada recentemente na Preview da SP-Arte/2017, o Luxury Travel Book 2017.

 

Além da programação em Paris, você encontrará nos livros produzidos pela PrimeTour, agência de viagens com foco no turismo de luxo, outras atrações incríveis como um exclusivo concerto de piano na Basílica de San Marco, um roteiro de balão sobre os exóticos templos de Myanmar e um show de dança privativo na Tailândia.

 

Entre as atrações sugeridas, você é convidado ainda para um piquenique no topo de uma montanha, o prazer de se hospedar em um quarto em um castelo medieval, uma nova massagem no mais exclusivo spa ou uma rede à sombra em praia particular.

 

São vivências totalmente personalizadas – exatamente o tipo de exclusividade que busca o viajante que movimenta o turismo de luxo no mundo. Jornadas por paisagens únicas. A descoberta de um segredo guardado para poucos. Retiros silenciosos ou viagens de aventura. Acessos privilegiados e vantagens exclusivas. Serviço discreto e ágil. Equipe especializada selecionada. Conforto e entretenimento de alta categoria.

 

No mundo atual, tempo é o nosso bem mais raro. Luxo a ser alcançado por muitos. Hoje o consumidor contemporâneo de alto poder aquisitivo entrega à sua agência de viagens todos os seus desejos, anseios, curiosidades, sonhos…o desafio das agências é cada vez mais não apenas atender, mas entender e encantar esses clientes tão exigentes. O relacionamento com o cliente é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses e desejos individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível.

 

Os livros ajudam nessa tarefa. Estão reunidos em um box e foram segmentados nas categorias Art&Culture, Love, Happiness, Body&Soul e Trend&Cool.

 

Aproveite e sonhe com o seu próximo destino!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e colabora com o Blog do Mílton Jung.

Entrevista: Sérgio Abranches diz que partidos perderam a conexão com a sociedade

 

 

Os partidos políticos estão dominados por grupos  que já não têm muita conexão com a sociedade. Esse processo de crise na democracia representativa ocorre no mundo inteiro, porém, no Brasil, a situação se agravou porque esse processo está ligado à corrupção.

 

Assim, o colega Sérgio Abranches, comentarista do quadro EcoPolítica, do Jornal da CBN, explica  o que estamos assistindo neste momento no país, especialmente agora que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito contra algumas, ou melhor, muitas das principais figuras da elite política brasileira.

 

Abranches, que também é cientista político e sociólogo, esteve ao vivo no estúdio do Jornal da CBN, nessa manhã de quarta-feira, quando falou do lançamento de seu novo livro: “A era do imprevisto – A grande transição do século XXI”, um ensaio sobre as transformações e os rumos da sociedade contemporânea.

 

Para ele, a imprevisibilidade, sobre a qual se refere no livro, está relacionada ao fato de os velhos modos de governar, produzir e conviver estarem exauridos e o novo modelo que pode surgir ainda não está maduro para oferecer soluções as angustias e estresses atuais:  “nada mais e previsível, o mundo não é linear e a gente precisa lidar com este solo móvel; é como andar em uma prancha sobre o líquido, você tem de buscar o equilíbrio”.

 

Mesmo diante do desconhecido, Abranches revela-se otimista quanto ao que vai ocorrer, por exemplo, no Brasil, a partir do tsunami que arrastou para o mesmo ambiente políticos e partidos de todas as matizes: “podemos fazer uma renovação na política brasileira, já nas próximas eleições”.

 

 

De tuíte em tuíte, Moreno conta a história do Brasil de Dilma e de mais algumas figurinhas

 

 

MORENO

 

 

01/08/2010 — Reflexão: aqui eu escrevo tanta bobagem. O que prova que a imbecilidade não tem limites, apesar dos 140 toques

 

 

Tá lá no novo livro do Moreno! A confissão é dele. No mesmo tom de graça e leveza que dá em todas as conversas que mantém com seu público: no rádio – há pouco tempo assumiu o comando do Moreno no Rádio na CBN; no jornal – onde se iniciou há mais de 40 anos sem sequer saber datilografar suas reportagens; no blog – com o qual mantém paixão avassaladora;  ou no Twitter – que foi transformado em “Ascensão e Queda de Dilma Roussef”, graças aos competentes serviços prestados pelas colegas jornalistas Flávia Aguiar e Mariana Alvim.

 

Foram as duas que copilaram tuítes publicados no perfil @RadiodoMoreno, no período de junho de 2010 a agosto de 2016, e os transformaram no livro que traz informações e opiniões trabalhadas por ele ao longo deste tempo – muitas publicadas com exclusividade como a da carta redigida pelo então vice-presidente Michel Temer a então presidente Dilma Roussef.

 

 

A presidente é a figura central do livro, mas você encontrará outras figuras não menos interessantes da história recente do Brasil. Todos aqueles que mandaram e desmandaram, assim como os que pagaram ou seguem sendo devedores da Nação são contemplados por Moreno e sua sagacidade.

 

 

Lê-se muito sobre Eduardo Cunha que, aliás, era assíduo leitor dos tuítes de Moreno. Se não o ex-deputado, com certeza  os advogados dele faziam leitura minuciosa e copiavam várias palavras escritas pelo jornalista para argumentar ações na Justiça. São 17 processos conta Moreno que, a propósito, estão parados, pois Cunha segue na cadeia.

 

 

05/05/2016 — CUNHA NÃO É MAIS PRESIDENTE DA CÂMARA NEM DEPUTADO! 

 

 

Moreno falou sobre esta relação conflituosa com Cunha na entrevista que tive oportunidade de levar ao ar, nesta segunda-feira, no Jornal da CBN. Falamos dele e de crime organizado – e qualquer semelhança é mera coincidência.

 

 

Mas falamos de coisas mais importantes, também.  Dilma Roussef , principalmente. Até porque foi a ex-presidente o tema principal do livro.

 

 

Moreno se refere a ela  com um carinho próprio e lamenta pela enrascada que Dilma se meteu: “era boa gente mas não sabia administrar”.  Ele tem a convicção que o maior crime que a ex-presidente cometeu foi ter sido seduzida pela reeleição em lugar de devolver o bastão ao ex-presidente Lula:  “o PT não queria que Dilma se reelegesse”.

 

 

14/04/2016 — Cerca de 115 milhões votaram e 100 milhões elegeram a atual Câmara. Logo, nenhuma decisão pode ser considerada golpe. 

 

A entrevista completa com Jorge Bastos Moreno, ao Jornal da CBN, você ouve aqui, mas antes de clicar neste link quero que saiba que, de todos os tuítes republicados no livro “Ascensão e Queda de Dilma Roussef” só o que abre este post não faz o menor sentido.

 

 

Todos os demais nos ajudam a entender melhor a história do Brasil de Dilma.

Mundo Corporativo – Nova Geração: Joana Cortez, da Orgânica People, ajuda você a encarar a ‘nova economia’

 

 

“Mais do que ter todos os aspectos técnicos que a vaga precisa, ele precisa ter uma atitude da nova economia, e a atitude envolve muito isso que eu falei: determinação, ter jogo de cintura, ter humildade muitas vezes e em muitos momentos, ter proatividade e ter paixão”. A sugestão é de Joana Cortez, especializada em recrutamento de pessoal, que foi entrevistada pelo jornalista Milton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Líder da Orgânica People, um braço da Orgânica Aceleradora, Cortez apresenta outras dicas para os profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho e pretendem aproveitar as oportunidades oferecidas pelas empresas que investem no que conhecemos por nova economia.

 

A Joana Cortez prometeu em entrevista ao Mundo Corporativo publicar uma lista com livros que considera serem essenciais para quem pretende se reinventar no cenário dinâmico da nova economia. Segundo ela, são obras que tratam de temas diversos como empreendedorismo criativo, empreendedorismo digital, mudança de hábitos, inteligência emocional, entre outros.

 

Vamos as sugestões:

 

Livros em português

 

– Organizações Exponenciais – Autor: Michael S. Malone e Salim Ismail
– A Startup Enxuta – Autor: Eric Ries
– De zero a um – Autor: Peter Thiel
– O lado difícil das situações difíceis – Autor: Ben Horowitz
– Empresas feitas para vencer – Autor: Jim Collins
– Empreendedorismo Criativo – Autor: Mariana Castro
– Os 7 Hábitos das pessoas altamente eficazes – Autor: Stephen R. Covey
– O poder do hábito – Autor: Charles Duhigg
– Comece por você – Autor: Reid Hoffman e Ben Casnocha
– Faça Acontecer – Sherryl Sandberg

 

Livros interessantes em inglês

 

– The Start-up J Curve: The six steps to entrepreneurial Success – Autor: Howard Love
– The EQ Edge. Emotional Intelligence and your success – Autor: Steven J. Stein

 

O Mundo Corporativo, no último sábado do mês, é dedicado às novas gerações e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. Aos sábados é reproduzido no Jornal da CBN, a partir das 8h10.

Entrevista: “Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista

 

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“Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista Fábio Zanini, em entrevista ao Jornal da CBN.

 

O editor de Poder da ‘Folha de S. Paulo’ e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Londres lançou este ano o livro ‘Euforia e Fracasso do Brasil Grande’ (Editora Contexto).

 

Zanini descreve a forma como as empreiteiras, e não somente a Odebrecht, expandiram suas ações por países da África e da América do Sul impulsionadas pelos interesses geopolíticos do Governo Lula.

 

Que fique claro, fazer com que empresas brasileiras atuem fora das nossas fronteiras com incentivo do Governo Federal é política a ser considerada, pois fortalece a nossa economia, também. O problema é que junto com as empreiteiras foram, também, as práticas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato.

 

Ouça a entrevista completa de Fábio Zanini:

 

A retórica de Donald Trump: exagerada, colorida e fácil, até uma criança entende

 

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Era muito cedo ainda quando analistas tentavam explicar a vitória de Donald Trump na corrida presidencial dos Estados Unidos. Dos muitos aspectos que ouvi nas entrevistas que rodaram na CBN ou circularam por outros meios e tive acesso, quero me ater a um que considero fundamental: a comunicação.

 

Há três meses, o cientista político e especialista em comunicação Martin Medhurst, da Baylor University, no Texas, já havia analisado a retórica do novo presidente americano, repetindo estudo que realiza há mais de 40 anos: “sua linguagem é muito colorida, é fácil ouvi-lo” – isso não significa, reforço eu, que tenhamos que gostar do que ele diz, mesmo porque Trump não fala para mim ou para você. Fala para o americano mediano, medíocre. E aqui não vai crítica, apenas uma constatação.

 

Trump não usa sintaxe ou pontuação regular, prefere frases curtas e vocabulário mais restrito: “até mesmo uma criança pode entender”, lembra Medhurst.

 

Passa portanto no teste da linguagem simples, desenvolvido pelo jornalista Todd Bishop do The New York Times, sobre o qual trato no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto,2015), co-escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

 

Para avaliar a qualidade do discurso, Bishop criou quatro índices:

 

  1. Índice de palavras duras – é assim considerada qualquer palavra que tiver mais de três sílabas, ou seja, todas as polissílabas. São difíceis de articular e exigem atenção muito maior do ouvinte. Quanto menos palavras duras você usar na sua fala, melhor.

  2. Índice de frases curtas – o cérebro é preguiçoso e só entende aquilo que pode assimilar rapidamente. Frases com orações subordinas, apostos e muitas conjunções só funcionam na escrita. Quanto mais curtas forem as frases mais fácil de se fazer entender.

  3. Índice de densidade léxica – indica a facilidade ou dificuldade em ler um texto.

  4. Índice de legibilidade – sugere a quantidade de anos de escolaridade que um leitor teoricamente requer para compreender o discurso.

Trump é useiro e vezeiro em utilizar essa estratégia: repete slogans como letras de música pop, martela o ouvido das pessoas até impregnar na mente delas algumas expressões como “construir paredes” e “fazer a América grande novamente”, ensina Medhurst.

 

Usa a hipérbole como estratégia de guerra. Exagera nos exemplos e grifa ideias com ênfase suficiente para entorpecer sua mente, fala de maneira dramática, sem medo de errar. Aliás, o erro é proposital. “Um pouco de hipérbole nunca dói”, escreveu no livro “A arte da negociação”, publicado aqui no Brasil pela Campus, em 1987.

 

Seus exageros ultrapassam qualquer limite da responsabilidade, pois é capaz de despejar palavras e suspeitas contra seus adversários sem perdão: por exemplo, disse que Obama poderia ser o fundador do ISIS, e colocou em dúvida a origem americana do atual presidente.

 

Acusação e difamação que, cuidadosamente, vem seguidas de expressões como “não sei bem se é isso”, “talvez”, “quem sabe” ou “é o que costumam dizer” – lembra muito aquele seu amigo que compartilha posts com denúncia, mas tenta se defender escrevendo que “não sei se é verdade, mas ….”.

 

A propósito, como comunicação é tema que há muito é estudado pelos americanos, foi de um analista ouvido pela americana CNN, na madrugada dessa quarta-feira, e lembrado por Dan Stulbach, no nossa bate-papo no Hora de Experiente, do Jornal da CBN, o paralelo traçado entre três presidentes dos Estados Unidos:

 

“JFK entendeu como ninguém a retórica da televisão, Obama a da internet e Trump a das redes sociais”.

 

Tem razão, Trump sabe como poucos fazer o discurso que “faz acontecer” nas redes: é polêmico, usa frases de efeito, cria vilões, transforma-se em vilão, agride se necessário; apaga tudo e começa de novo, como se nada tivesse dito.

 

O discurso da vitória, que ouvimos logo cedo, assim que se iniciava o Jornal da CBN, já revelava um personagem diferente do que conhecemos na campanha eleitoral. Trump falou com respeito de Hillary e chamou os Estados Unidos a se unirem, novamente. Fez o papel conciliador. Talvez já se preparando para sua nova versão: a de presidente dos Estados Unidos.

 

Diante das incertezas, fiquemos com uma frase do próprio Trump escrita no livro “Arte da Negociação”:

 

“Sempre entro num negócio esperando pelo pior. Se você espera pelo pior, o melhor virá por si mesmo”.

Lemann e Diniz, conceitos e preceitos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Atrás das diferenças de estilo de Jorge Paulo Lemann e Abílio Diniz há muitas semelhanças no modo de encarar os negócios.

 

É o que se pode depreender através do trabalho da jornalista Cristiane Corrêa, apresentado nos livros de sua autoria sobre a trajetória empresarial de Lemann e Diniz.

 

“Sonho Grande”, lançado em 2013, e “Abílio”, neste ano, ambos pela “Primeira Pessoa”, são duas obras essenciais para colocar a tarefa que eles realizaram, além do devido e adequado destaque já obtido, à disposição de todos com as informações e detalhes que foram construídas.

 

Os pontos de convergência entre empreendedores tão gabaritados em principio os avalizam tecnicamente.

 

Duas das frases mais usadas por Abílio Diniz refletem preceitos que considera relevantes e que também estão na cartilha de João Paulo Lemann:

 

“Ele não sabia que era impossível, e foi lá e fez”.
“Se você não tem competência para criar, tenha ao menos coragem para copiar”.

 

A escolha do consultor norte americano Jim Collins, professor de Stanford e especialista no tema da durabilidade das empresas, é o ponto mais forte de identidade entre Lemann e Diniz. Ambos sempre recorreram a Collins nos momentos mais acentuados dos respectivos negócios.

 

Curioso é que Jim Collins, autor do prefácio de “Sonho Grande”, apresenta 10 principais lições que aprendeu com Lemann. Nada mau para quem se vê como professor.

“No final das contas, sou um professor” Lemann se auto introduz no livro.

Criativo é o texto de José Salibi Neto da HSM ao comparar, no prefácio de “Abílio”, Diniz com Tony Stark no papel de o “Homem de Ferro”. Com a ressalva de que falta apenas criar outros Abílios, como Stark.

 

Há, entretanto, um aspecto com Lemann que fica sem explicação, que é a questão dos investidores do Garantia que perderam dinheiro, como Raul Boesel, ficando por conta do risco de aplicação.

 

Quanto a Abílio, gastar junto com Jean Charles Naouri R$ 500 milhões em bancas de advocacia para reverter contrato assinado, pode ter sido a primeira aparição do “Homem de Ferro”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Comunicar para liderar é destaque na estreia de O Inédito Viável na internet

 

 

O consultor Emerson Wesley Dias é autor do livro “O Inédito Viável” que se transformou em programa na internet. Tive a oportunidade de participar da estreia do canal dele no You Tube quando falei sobre comunicação, carreira, negócio, jornalismo e cidadania. A base da nossa conversa com o livro “Comunicar para liderar” que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.