Conte Sua História de São Paulo: a editora de livro que se transformou em apresentadora de live

May Parreira

Ouvinte da CBN

foto arquivo pessoal

Se alguém me dissesse, em abril de 2020, que eu faria monólogos ou entrevistas ao vivo na internet, eu responderia com uma gargalhada, que não dou faz tempo. Sempre quis estar a par do mundo digital, pelo menos o suficiente para acompanhar os netos, mas vencer a inibição das câmeras, ah, isso era impossível.  Só que não. 

Temos uma editora — a Ofício das Palavras —, e no fim de 2019 percebemos a necessidade de um incentivo, algo que nos fizesse sair da mesmice, da acomodação. Precisávamos inventar alguma coisa que chamasse novos talentos para nossos livros e oficinas. Nos inscrevemos  numa mentoria de Marketing Digital. Aprendemos como postar, quando, quantas vezes. E o ano começou com bastante trabalho, nosso trabalho. E começou a dar resultados. Mais pessoas engajadas, mais visitas ao site. 

Resolvi que daria as caras na rede todos os dias sob o risco de não ter ninguém do outro lado. Estranha sensação essa. Você olhar para uma espelho e falar sozinha, ser sua própria interlocutora, um misto de narciso e vergonha alheia.

As pessoas que vivem de selfies já foram bastante estudadas pela psicologia. Nada me resta dizer. Mas se tem de ser, que seja. Vamos com a cara e coragem.

Um dia, chamei uma amiga para entrar ao vivo. Ela estava na praia. Tinha acabado de sair do mar. No susto, topou! Conversamos como se estivéssemos no terraço de sua casa. Dia seguinte, outra amiga, e outra, e outra. 

Foi a força necessária para saber que sim, eu, May Parreira e Ferreira, paulista, 68 anos, quatro netos, três gatas e um pastor alemão, posso fazer ao vivo e em cores. E as presenças são sempre pra lá de especiais. Continuo não gostando de me assistir. Mas está tão gostoso receber os convidados. Tem sido tão animador, tenho me sentido tão bem acompanhada, que só posso agradecer. 

Um projeto, é tudo que precisamos na vida.

O que nos falta de contato físico está sendo compensado pela alegria, companheirismo e empatia entre todos os que vêm conversar ou participar. A espécie humana só chegou até aqui, só sobrevivemos, porque nos unimos. Foi por sermos gregários que conseguimos nos desenvolver. Foi o grupo em volta da fogueira que nos levou à roda e à eletricidade. A contação de histórias, boca a boca, virou ebook. Com amor e empatia. 

May Parreira e Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulos. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Andreia Roma, da Leader, explica como o RH se transformou de uma sala escura a setor estratégico

“Os RHs tiveram de transformar o seu 2020 olhando para eles, olhando para dentro de si e se transformando em profissionais mais humanos dentro do contexto RH”

Andreia Roma, CEO da Editora Leader

O setor de recursos humanos por muito tempo era a sala escura que ninguém queria entrar. Essa imagem mudou ao longo dos últimos 20 anos e, hoje, o RH é estratégico dentro das empresas. Uma transformação protagonizada por mulheres que encontraram nessa área o espaço para influenciar nos rumos das organizações. É assim que Andreia Roma, CEO da Editora Leader, enxerga a influência feminina no segmento que sempre foi o responsável por cuidar das pessoas. Andreia é coordenadora, ao lado de Tania Moura, do livro “Mulheres do RH — o poder feminino na gestão de pessoas”.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Andreia explica que o livro reúne a história de 31 mulheres que atuam com recursos humanos e a linha mestra que uniu esses textos foi a ideia de que por mais simples que possam parecer suas histórias, o fato de relatarem a experiência desenvolvida vai inspirar as mais jovens a seguir carreira neste setor.

“Elas conseguem conectar aprendizados, erros e acertos, ou seja, o que precisa ser mudado, o que precisa ser ajustado, tanto no quesito pessoal, como no profissional”

Essas mulheres do RH também têm papel significativo no combate à discriminação de gênero, destaca Andreia:

 Eu acho que não é parar e olhar para discriminação; é realmente ressignificar e falar o que é que eu vou fazer com este aprendizado; o que é que eu vou ensinar para jovens que vão vir através deste aprendizado; então a gente precisa começar a ensinar e aprender até mesmo com este momento difícil que existe dentro das organizações, relacionados à discriminação.

De acordo com a editora, um dos desafios enfrentados pelas empresas e as profissionais de RH, durante a pandemia, foi o distanciamento das equipes de trabalho e a realidade de cada uma dessas profissionais que tiveram de cuidar de gente das suas empresas sem se descuidar de suas famílias. A ideia de deixar a empresa fora do trabalho perde o sentido no instante em que muitos de nós tivemos de levar o trabalho para dentro da família, diante das restrições sanitárias que impactaram o mundo inteiro:

“A pandemia tem nos ensinado a pegar todos nossos certificados e colocá-los  no bolso. O RH começou a olhar para outros setores, entender que uma empresa é a união de muitas pessoas.”

Para Andreia Roma a crise provocada pelo coronavírus tornou as realizações ainda mais incertas, mas serviu para influenciar o comportamento dos profissionais desta área nas empresas:

“Esse futuro incerto pode trazer o olhar de muitas mulheres, trazendo este lado humanizado de profissionais que entenderam que ser o RH estratégico, hoje, nas organizações, passou a ser humano.”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site, no perfil do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar no Jornal da CBN, às 8h10 da manhã ou ais domingos. às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram como programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves

O livro “É proibido calar!” ganha arte e resumo no projeto reLeitura

Com arte, criação e produção de Renato Avanzi e sua equipe,“É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” foi apresentado na série reLeitura, com um resumo dos principais pontos abordados no livro que lancei em 2018. Falo da construção de uma relação saudável entre pais e filhos para que possamos criar um ambiente ético na sociedade. Assista ao vídeo, compre o livro agora e depois deixe a sua opinião aqui no Blog

A aventura na casa do vô que me levou à leitura

Foto: Pixabay

A casa de meu avô Romualdo, em Porto Alegre, era um mundo a ser explorado. Dois andares, salas e quartos grandes, jardim na frente, corredor largo ao lado e um quintal, com videira e galinheiro, que se estendia até uma pracinha de pedras britadas que servia para quarar a roupa da vó —- e se transformava em campo de batalha dos netos que se atreviam a quebrar a lei do silêncio que imperava no local. Sim, aquele era um mundo em que o silêncio era para ser conservado na medida do impossível.

Minha diversão era desbravar os quartos vazios do andar de cima. Em um deles havia morado minha bisavó e em outro, funcionava uma espécie de escritório do vô. Tinham alguns armários com porta de vidro que atiçavam a curiosidade de quem olhava de fora — lá dentro havia livros-caixa e caixas de papel velho. Minha curiosidade se voltava a uma coleção de livrinhos que só alcançava se puxasse uma cadeira para subir e me esticar até os andares mais altos do armário.

O medo de fazer barulho, de cair e de ser descoberto não era suficiente para impedir minha aventura. Lá de cima pegava um exemplar, botava a cadeira no lugar e corria para o quarto da bisavó, que tinha uma cadeira de balanço ideal para minha leitura. Meu companheiro de aventura era Tintim, o guri jornalista criado pelo belga Hergé. 

Para quem nasceu em uma família de jornalistas, provavelmente não foi o guri de topete que me inspirou a exercer a função quando grande. Mas foi ele quem me fez pegar gosto pelos livros, e com a cumplicidade de meu avô que, apesar de não gostar de barulho, bagunça e aventura dentro de casa, testemunhava de longe minha arte de criança sem reprimenda por saber que havia ali uma ótima causa: estava nascendo um leitor. 

Texto escrito para o projeto Clubinho da Vanguardinha, criado pela Livraria Vanguarda, de Pelotas (RS), para inspirar a leitura das crianças.

Avalanche Tricolor: para quem merece fazer parte desta história

Universidad Católica 2×0 Grêmio

Libertadores 

Geromel espanta a bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Pouco antes de a partida desta noite começar, procurava um livro escrito por um gremistão de quatro costados — Léo Gerchmann — e deparei com o de um gremistão tresloucado: “Grêmio — nada pode ser maior”, de Eduardo Bueno — que de tão louco que é, foi capaz de lançar um livro inteiro recheado de paixão pelo Imortal Tricolor no mesmo ano que disputaríamos a Segunda Divisão. Parecia antever que naquele 2005 venceríamos a maior batalha de todos os tempos, a dos Aflitos.

Logo nas primeiras páginas, Peninha, dizia a que vinha. Deixava claro que o livro estava sendo escrito para gente como nós:

“…pra quem gosta de ganhar e não se conforma em perder, mesmo quando perde. E que, quando perde, sabe saborear a grandeza de uma derrota vendida caro, pois tem certeza de que o time não desistiu antes de lutar até o último minuto. …. para aqueles que sabem que não está morto quem peleia. …para que não só vibrou mas entendeu por que a Alemanha ganhou as copas de 1954 e 1974 e a Grécia levantou a Eurocopa de 2004. E, é claro, para quem não duvida que o Uruguai de 1950 foi um dos maiores campeões da história do Maracanã — e do mundo!”

“Essas outras cores e nomes, no entanto, só interessam como metáfora. O que importa é o Grêmio, Grêmio que o dicionário define como “conjunto de pessoas unidas em torno de um objetivo”. Grêmio de futebol —- e futebol de verdade, sem firula, sem vergonha sem frescura. Grêmio porto-alegrense mas que poderia ser, e foi e é, de Liverpool, de Montevideo, de Saint Louis, de Medellín, de Tóquio, da Vacaria, do Alegreta, de Bagé, de Pelotas, de Cacimbinhas, de Canela, … dos quintos dos infernos, de onde Judas perdeu as chuteiras (e o jogo, pois na hora H quis fazer uma embaixada por 30 dinheiros). Grêmio Fênix, que nunca foi Íbis, Grêmio galo de rinha. Grêmio charrua e minuano, com doses cavalares de bravura”.

Ao assistir ao Grêmio em campo no Chile, pensei no silêncio da minha desolação : haveria algum jogador gremista naquele gramado capacitado a ler esse livro? Só consegui pensar em Vanderlei e Geromel.

Que em breve, Renato recupere nosso time e o faça, novamente, merecedor da escrita de todos os gremistas.

“A tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa”

 

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Foto: Pixabay

 

Chegou em minhas mãos, nesse fim de semana, presente de uma amiga querida, o livro “Dentro de mim — reflexões sobre autoconhecimento, amorosidade e transformação interior” (Intervidas). Foi escrito por José Carlos de Lucca, juiz de direito, dedicado a prática do espiritismo e um dos fundadores do Grupo Espírita Esperança.

 

Com texto claro, escrito de forma direta e iluminado, não precisei de muitas horas para avançar de um capítulo ao outro. Ainda não cheguei ao fim. O farei, com certeza, nos próximos dias. Faço, agora, um intervalo na leitura, porém, para dividir com você o que encontrei logo no início de “Dentro de mim”. De Lucca escreve texto com o título “Vai Passar’. É de 2019 e traz ensinamentos para todos nós que atravessamos com tristeza este 2020.

 

No artigo, há a reprodução do trecho de um texto de outro autor, Caio Fernando Abreu—- este bem mais próximo de mim, por jornalista e conterrâneo que é, e por ter marcado toda nossa geração com seus artigos que tratavam de temas até então não-convencionais, tais como sexo, medo e solitude. Caio morreu jovem, com 47 anos, em 1996.

 

Atrevo-me a publicar a seguir parte do primeiro capítulo de “Dentro de mim”, sem pedir licença ao autor, mas por desconfiar de que se pedisse a licença seria concedida, por útil que sua mensagem pode ser a todos que estão compartilhando das mesmas dores:

 

….

 

Tudo passa!

 

Não há mal que perdure para sempre. Não há dor que se eternize. Não há treva que resista à luz. Todo mal é passageiro, toda dor é temporária. Por essa razão, o suicídio é uma “solução” definitiva para um problema temporário: uma dose excessiva e inócua para uma dor que, com o passar do tempo, encontraria naturalmente o seu fim. O suicídio, porém, não soluciona a dificuldade que nos sufoca: ao contrário, agrava-a.

 

Melhor pensar que o problema de hoje está de passagem. Mais dia, menos dia, ele será apenas uma lembrança na história de sua vida, assim como hoje você se recorda de outras tantas adversidades já superadas.

 

Quantas vezes você imaginou que não teria forças para seguir adiante, e as forças brotaram das suas entranhas mais secretas e o conduziram à vitória? Quantas vezes você pensou que era chegado o fim, mas tudo não passou de um recomeço que o levou a situações melhores? Quantas vezes você acreditou que seu problema não tinha mais solução, e, inesperadamente, a solução surgiu de onde menos se esperava?

 

Maria de Nazaré, a Mãe Espiritual de todos nós, afirma que todo mal é passageiro, e somente o Reino de Deus tem força suficiente para nunca passar. Então, no momento da aflição, não devemos olhar para o abismo nos chamando para a derrota. É hora de olharmos para o céu, de onde viemos, e abrirmos a nossa mente e o coração para a poderosa força da vida que Deus soprou em cada um de nós no momento que nos criou!

 

À medida que nos entregamos à experiência de sentir a força da vida em nós, somos preenchidos de paz, serenidade e confiança em nossas possibilidades de superarmos as adversidades. A força divina dentro da gente começa a mudar o cenário da vida lá fora! O poeta Caio Fernando Abreu chamou essa força divina de “impulso vital”e mostrou, com rara sensibilidade, como ela pode fazer nossa vida seguir adiante, apesar das nuvens sombrias que pairam sobre nós.

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim — nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”

Todo mal um dia passará, indiscutivelmente. Deixemos que esse impulso vital nos leve adiante e nos tire do abismo da derrota, das águas fundas da nossa tristeza, da janela de um edifício…

 

Aguente firme, a tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa. Depois, o sol seca a nossa alma enregelada. O Reino de Deus, de onde brota o impulso vital, está pronto para crescer em cada um de nós, e o Reino não está longe nem fora, está dentro de mim, está dentro de você! Pacientemente, permita-me esse movimento de Deus em sua vida, a partir do seu coração.

 

Vai passar!

 

Compre aqui o livro “Dentro de Mim”, de José Carlos de Lucca

Sua Marca: seis frases e um livro que ajudam você a entender o branding

 

 

 

No início deste ano, um livro com 20 frases que se transformaram em mantras do branding foram reunidas em livro com as participações de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

As frases têm um sentido muito forte na educação porque sintetizam o conhecimento a ser transmitido e tornam mais acessível a ideia que nossos especialistas em branding querem ensinar aos ouvintes e leitores.

 

No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles destacaram seis das 20 frases que estão disponíveis no livro que você pode baixar de graça no site http://www.troianobranding.com.

 

 

  1. Branding é verbo e precisa de ações — ing traz o sentido de gerúndio, de continuidade; marca não é apenas um logo, precisa ser alimentada, ter história.
  1. Estamos obesos de informação e anoréxico de insights — o que não faltam são informações, porém entre a informação e aquilo gerar conhecimento, gerar ideia, precisa passar por um processo de depuração, e para a gestão de marcas é preciso fazer essa transformação, ter o insight.
  1. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho — marcas precisam mudar, evoluir, olhar para frente, isso não significa jogar fora tudo o que têm de bom; é preciso, sim, mudar, mas antes saber do que não se pode abrir mão.
  1. Comunicação não é retrato — a comunicação das marcas precisa ser inspiradora: inspirar pessoas a terem, fazerem e serem aquilo que ainda não são. 
  1. Marca não é tapume — marca não esconde o que a empresa é; ela tem de revelar aquilo que a empresa é e faz de dentro para fora.
  1. Marca é uma nova forma de tribalização — as relações primárias que temos com amigos e famílias foram se fragmentando devido ao tempo e outras razões; passamos a viver de forma mais individualizada, mas temos desejos de ter laços mais sólidos com menos pessoas e mais profundamente. Algumas marcas geram essa ideia de tribo da qual você faz parte.

 

 

Ouça o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ou coloque entre os favoritos no seu agregador de podcast:

 

Podcast: “Leituras de cabeceira” tem as dicas de livro que estou lendo, já li, vou ler e recomendo a leitura

 

 

 
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“Leituras de Cabeceira” é o podcast produzido pela Gabi Iannaccone que nos convida a falar de livros que estamos lendo, queremos ler e recomendamos ler. Convidado, fui lá e dei meus palpites:

O que estou lendo (estava até gravar):

 

“Ciência no Cotidiano — Viva a Razão, Abaixo a Ignorância!” de Natalia Pasternak e Carlos Orsi (Contexto)

 

O que li:

 

“Escravidão” de Laurentino Gomes (Globo Livros)

 

“Azul, pretos e brancos”, Léo Gerchmann, (L&PM)

 

O que vou (re)ler:

 

“Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (Companhia das Letras)

 

O que recomendo ler:

 

“A Regra do jogo”, do jornalista Cláudio Abramo (Companhia das Letras)

 

“A imprensa e o caos na ortografia”, Marcos de Castro (Record)

 

“Caderno H”, Mário Quintana (Objetiva)

Pra saber os motivos de um e outro, ouça o “Leituras de Cabeceira”:

 

Aqui tem o meu episódio.

 

Se não quiser perder tempo comigo, entre por aqui e ouça quanta gente boa fez sugestões no podcast da Gabi.

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA

Expressividade: uma relação sem fim

 

Hoje publico o último episódio desta série com textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, que foi comemorado em 16 de abril, quando iniciei a publicação dos textos. Para ler o capítulo completo, acesse o link no pé deste post. Eles estão em ordem decrescente:

 

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ESTAS FONOAUDIÓLOGAS INCRÍVEIS E SUAS MARAVILHOSAS LIÇÕES!(2)

 

 

Na era pós-Glorinha de minha vida, descobri que este mercado, além de dominado pelas mulheres, tinha muita gente bem preparada que atuava com “amor, persistência e sensibilidade” —- palavras consideradas mágicas pela protagonista do livro “O que é ser fonoaudióloga – memórias profissionais de Glorinha Beuttenmüller”. Encontrei profissionais familiarizados com as características específicas do jornalismo ou daqueles que usam a voz como ganha-pão. Eram pessoas que não cuidavam apenas da fala, mas da alma, também. Muitas vezes as sessões eram ocupadas para contar casos pessoais ou histórias da redação, mais do que discutir diretamente o que deveria fazer para corrigir este ou aquele problema na comunicação. Mesmo porque as dificuldades na fala, algumas vezes, estão ligadas a questões emocionais.

 

É fundamental que a fonoaudióloga tenha excelente ouvido, capaz não apenas de perceber pequenos detalhes do som que emitimos, mas auscultar nossos sentimentos. Uma das experiências que tive em fonoaudiologia me mostra esta verdade de maneira mais crua. Por motivos que não saberia avaliar claramente quais foram, a relação que mantive com uma profissional contratada pela emissora de televisão em que eu ainda trabalhava foi das mais ruidosas. Não era exatamente pelo fato de ela fumar entre uma sessão e outra —- o que sempre pareceu uma contradição, mas o que eu tinha a ver com isso? Talvez tenha sido as inúmeras proibições que me foram impostas: “não beba, não fale, não …. e mais não”. Certo mesmo é que algo aconteceu — ou deixou de acontecer — entre nós que me levou a transformar cada sessão fonoaudiológica em uma avaliação da empresa. Parecia-me que todo encontro seria decisivo para meu futuro naquele emprego. Novamente somatizei na garganta a insegurança profissional e, impreterivelmente, na véspera de cada atendimento, minha voz sumia. Como o tratamento não flui fui recomendado a procurar uma profissional que não estivesse ligada à empresa e pudesse me receber com mais frequência. Foi daí que parti para minha terceira experiência.

 

Não sei quanto deste artigo poderá ser útil a você que lê neste momento. No entanto, se servir para que pelo menos uma fonoaudióloga pare para repensar seu comportamento sempre que estiver atendendo um empregado da empresa da qual ela é contratada, estarei realizado. Preste atenção se sua imagem —- e escrevo especificamente para as fonoaudiólogas —- não está sendo confundida com a do chefe do departamento ou diretor da fábrica; se sua postura naquela sala, sentada diante de um funcionário, não está muito mais parecida com a do patrão. Faça-o entender que o trabalho que está sendo realizado naquele momento, não é benefício da empresa, mas dele próprio.

Seja parceira do seu paciente.

Como já disse, estava na hora de encarar a terceira fonoaudióloga da minha vida. Na verdade, a terceira e a quarta, porque no mesmo consultório trabalhei com duas profissionais que não atuavam em emissoras de rádio e televisão, mas com conhecimento profundo do uso da voz no jornalismo. Passei por avaliações minuciosa a partir da aplicação de métodos de análise acústica e espctográfica, pela primeira vez. Aprendi exercícios para relaxar as cordas vocais e aquecer a garganta antes de iniciar uma locução. Alguns já conhecia e, para os novos, fui apresentado. Coisas como fazer sons semelhantes a mantras ou abrir e fechar a boca articulando exageradamente as vogais, que quando feitos dentro do carro a caminho da redação provocavam, nos mais próximos, estranhos olhares. Azar dos bisbilhoteiros. Soubessem eles os benefícios que sentia a cada movimento, fariam o mesmo, e, chegando ao trabalho, poderiam conversar com colegas em um tom “aveludado”, mais sedutor.

 

Mais importante, contudo, não foram os exames e exercícios, mas a liberdade que ganhei. Até começar esta etapa com as novas fonoaudiologia tudo era proibido. Eu seguia à risca a recomendação de não falar ao telefone, fechar a boca em locais barulhentos, ficar quieto dentro do carro da emissora, eliminar bebida gelada de meu cardápio, entre outras restrições. E nada resolvia. Perda de tempo, porque assim que me ensinaram que era possível fazer quaisquer dessas atividades —- convenhamos, algumas prazeirosas —- desde que com moderação, o tratamento passou a dar resultados positivos.

 

Falar sob estresse é parte da rotina de um jornalista de rádio e televisão. As restrições a que estava submetido, no entanto, aumentavam esta pressão psicológica, atingindo o ponto mais sensível de um profissional da voz — a própria. Pesquisas mostram a relação entre distúrbios da voz e a dificuldade para lidar com situações de estresse. Minha experiência pessoal serve bem para ilustrar estes estudos.

Ao abrir mão das restrições impostas, mas confiando minha palavra na moderação de meus atos, consegui atingir um ponto de equilíbrio.

Desde aquele momento, tornei-me grato às fonoaudiólogas. Entendi sua importância no processo de comunicação e passei a lamentar a falta das mesmas na maioria das redações brasileiras, principalmente as de rádio. É inacreditável que um veículo que tenha no som sua principal característica, tão pouca atenção dê à capacidade vocal de seus profissionais. É verdade que houve avanços neste processo. A locução radiofônica também ganhou tom coloquial e a forma de apresentar passou a ser vista com a mesma importância que o conteúdo. Há emissoras de rádio, como a CBN, em que os locutores obrigatoriamente são jornalistas. Não bastando mais ter um vozeirão. É preciso entender a notícia para transmiti-la com correção. Ao mesmo tempo, exige-se que este jornalista tenha recursos vocais, como articulação dos sons precisa e sem exageros e modulação e intensidade da voz coerentes como o que está sendo noticiado. Fatores que garantem o interesse do ouvinte, informam de maneira precisa e transmitem credibilidade. Apesar disso, você dificilmente verá uma fonoaudióloga com o crachá de uma emissora de rádio, a não ser que seja de visitante.

 

Minhas relação com as fonoaudiólogas nunca mais se encerrou. Fui e voltei aos consultórios tantas vezes entendi ser necessário. Lá estive para resolver problemas circunstanciais de rouquidão e, também, para encontrar o tom certo nesta ou naquela forma de transmissão. Em alguns casos para aumentar a velocidade da locução de notícias. Em outros, para ganhar confiança na apresentação dos programas. Procurei até mesmo para achar a nota certa no grito de gol. Não foi sempre que saí de uma sessão com o problema resolvido. Até hoje busco um recurso melhor para determinadas situações. O que apenas reforça a minha tese de que estas profissionais deveriam estar integradas ao corpo funcional das empresas de comunicação, assim como estão locutores, repórteres, redatores e editores — o que, faça-se justiça, já ocorre em algumas emissoras de televisão no Brasil, como é o caso da TV Globo.

 

Não estranhe o fato de ter citado apenas o nome de uma fonoaudióloga ao longo deste trabalho. Não é esquecimento ou injustiça deste que escreve. Primeiro, não é meu objetivo fazer críticas pessoais. Segundo, cada uma das profissionais das quais fui paciente vai encontrar —- se é que me darão o prazer da leitura —- um ponto aqui e outro acolá que deixarão evidente a importância dela na minha formação. Identifiquei apenas Glorinha Beuttenmüller por ser a pioneira na terapia da voz nos meios de comunicação.

 

Glorinha se aproximou de uma redação de telejornal no início da década de 1970. Sérgio Chapellin, já citado em capítulos anteriores, estava completamente rouco. Consta que o problema seria resultado da pressão psicológica provocada por ter de substituir na apresentação um dos maiores nomes do rádio e da televisão brasileiros, Heron Domingues, que se consagrou como locutor do “Repórter Esso” e depois se transferiu, como era comum, para a televisão. Já tendo sido aluno de Glorinha na Rádio MEC — onde a fonoaudióloga ministrou cursos de dicção, entre 1964 e 1973, curiosamente para profissionais liberais e não para radialistas —, Chapellin confiou sua recuperação na terapia desenvolvida por ela. O tratamento foi bem-sucedido e marcou o nascimento de uma nova atividade dentro das redações.

 

Esta história já tem 30 anos, período em que a relação entre fonoaudiólogas e jornalistas amadureceu. No princípio, eram os problemas vocais que levavam os profissionais de comunicação ao consultório. Queriam resolver distúrbios na maioria das vezes provocados pelo uso inadequado da voz. Hoje, estas mulheres incríveis —- homens, também —- e suas técnicas maravilhosas não apenas curam, mas apuram um padrão de qualidade, com enfoque no corpo não apenas na voz. Estimulam o desenvolvimento de um estilo próprio, respeitam a característica de cada indivíduo. Natural e espontâneo, o jornalista ganha expressividade e transmite credibilidade.

 

Para ler todos os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”,clique aqui. Estão publicados na ordem decrescente.