Sua Marca: duas dicas de livros sobre marcas, mídias e comportamento

 

” … a gente tem de ter essas ferramentas, o investigativo, essa capacidade de pensar, e aí o que a gente lê é muito alimento para tudo isso” —- Cecília Russo

O papel da leitura na gestão de marcas e desenvolvimento de carreira é fundamental a medida que temos a necessidade de desenvolver o olhar crítico sobre as coisas, o que nos permite aprofundar a análise e buscar soluções para os desafios do negócio. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com o jornalista Mílton Jung, na rádio CBN., e trouxeram duas indicações de livros que ajudam a refletir sobre a função das marcas na sociedade.

 

Um dos livros é “O fim da Idade Média e o Início da Idade Mídia”, de Walter Longo, publicado pela Alta Books, que discute o universo de informação no qual vivemos nos tempos atuais. Para Jaime Troiano, o livro alerta para o fato de que se temos uma quantidade enorme de dados à disposição é preciso estar preparado para extrair o que realmente nos interessa, fazendo deles uma ferramenta de desenvolvimento do seu negócio.

“O Big Data não é Big Ideia”

O outro livro é “A Era Do Ressentimento. Uma Agenda Para O Contemporâneo”, de Luis Felipe Pondé, publicado pela Leya Editora. Dentre tantas áreas da vida humana que o filósofo analisa em seu livro, Cecília Russo destaca um dos trechos do livro que se refere ao mundo das marcas:

“As marcas, portanto, deverão cumprir cada vez mais o papel de dizer o que é essencial como valor (e fazer esse valor valer, uma vez que seus produtos são confiáveis naquilo que ela diz representar) e separar o joio do trigo na vida dos contemporâneos desesperados por sentido que os prenda em vínculos incerto e dolorosos” (pag.104)

Ou seja, diz Russo, é a tese que os profissionais de branding defendem há algum tempo sobre o compromisso que as marcas têm de serem confiáveis, de dizerem, expressarem e agirem naquilo que acreditam ser, de forma genuína, verdadeira.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher! 3

 

Hoje, você lê a terceira é última parte de capítulo que Leny Kyrillos e eu dedicamos à liderança feminina, no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto). As duas primeiras estão disponíveis também neste blog:

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

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ilustração de PIXABAY

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!”

 

E aqui para ler a segunda parte deste capítulo

 

 

Das mulheres, hoje, espera-se a persistência nas diferenças em lugar da cópia de comportamento. Para cometer os mesmos erros que os homens, eles já são insuperáveis. Elas precisam valorizar as qualidades que as caracterizam e se adaptar às situações que precisam ser enfrentadas. As discussões sobre políticas corporativas, por exemplo, são odiadas por boa parte das mulheres, segundo Kathryn Heath, que realizou uma pesquisa para saber do que elas gostam e não gostam nas reuniões de negócio. Na vida, lidamos com vários fatos impertinentes e nem por isso desistimos de seguir em frente. Então, o desconforto diante dos debates em torno das políticas corporativas não pode prejudicar sua carreira.

 

Para ser a primeira mulher a ocupar a sala de editor-chefe em 172 anos de história da The Economist, a mais tradicional revista de economia de língua inglesa, Zanny Minton Beddoes teve de vencer 12 homens que concorriam à vaga. Imagina quanta política ela teve de fazer para chegar lá? Ou você pensa que o histórico dela no FMI e o conhecimento que absorveu em Harvard e Oxford seriam suficientes para vencer a acirrada disputa? Lógico que influenciaram, o conhecimento na área é fundamental, mas sem um bom lobby o cargo estaria, novamente, sob a batuta masculina. Ou seja, da mesma forma que dizem não admirar essa prática, as mulheres sabem da necessidade de se sobrepor a essa disputa e podem aplicar algumas estratégias.

FAÇA VOCÊ MESMO

 

Para as mulheres sobreviverem à política corporativa, segundo Heath:

 

  1. Encontre um agente – assim como jogadores de futebol, ter alguém que “venda seu passe” dentro da empresa, ressalte suas qualidades e defenda seu nome nas discussões internas elimina o constrangimento da autopromoção. O agente também leva vantagens, pois transmite a imagem de alguém altruísta, capaz de trabalhar pelo sucesso de outro.

  2.  

  3. Planeje os cenários – tenha como base o tripé: personalidades, motivações e variáveis. Identifique quem são as pessoas com as quais terá de se reunir, antecipando-se à forma como cada um pode reagir às suas propostas; acrescente as motivações para analisar e comparar o que acredita que cada pessoa espera realizar; e estude as variáveis relevantes que possam influenciar as pessoas enquanto a reunião se desenvolve.

  4.  

  5. Transforme seu mentor em patrocinador – o mentor é uma espécie de conselheiro na carreira, e o patrocinador é quem vai levá-la à frente. Por considerar difícil para as mulheres encontrarem patrocinadores, Heath sugere que se use a proximidade e confiança do mentor para fazê-lo advogar em sua defesa. Porém, não se engane, mentores podem oferecer excelente apoio profissional e emocional; mas, se não estiverem em posição politicamente confortável dentro da empresa, talvez não sirvam para ser um patrocinador da sua carreira.

  6.  

  7. Faça política mais impessoal – mulheres que enxergam a política como um jogo no qual se ganha e se perde são mais resilientes e têm respostas mais inteligentes durante o embate. A discussão não é a favor ou contra uma pessoa, é por ideias e projetos. Para despersonalizar a política, no momento de maior tensão, em que há risco de perda de controle,desvie o olhar de seu oponente, isso ajuda a manter a calma e evita o impulso de partir para o ataque. Contato visual é importante, mas, nesse caso, pode prejudicar você.

  8.  

Uma negociação bem-sucedida nos leva a atingir nossos objetivos e a fazer com que as pessoas continuem nos admirando. Portanto, entre nesses embates sabendo que existem ao menos duas verdades: aquela relacionada ao seu ponto de vista e a do ponto de vista do seu interlocutor. A verdade absoluta é praticamente inalcançável, e saber disso vai ajudar as mulheres a compreenderem melhor o que está em jogo no momento. No mínimo, fará ouvir seu interlocutor, o que é fundamental para que o diálogo se desenvolva e a comunicação seja eficiente. Outro aspecto a ser levado em consideração é que as mulheres aumentam suas chances em uma negociação se passam a imagem de pessoas agradáveis e demonstram preocupação com o outro. Têm de manter o perfil feminino. Em resumo: têm de ser mulher de verdade!

 

A comunicação é privilegiada se, além das palavras e estratégias, soubermos usar a postura a nosso favor. Amy Cuddy, psicóloga da Universidade de Harvard, ensinou que o corpo molda quem somos e podemos nos transformar a partir dele, com efeitos fisiológicos comprovados, desde que atentos ao nosso comportamento e assumindo posições que transmitam confiança. Diante de discussões internas, precisamos reforçar os sinais que caracterizam os líderes, tais como entusiasmo e autoridade.

 

As mulheres já são craques quando o assunto é empatia e simpatia; pesquisas mostram que, apesar de terem a mesma pontuação que os homens no quesito quociente emocional, ganham quando se trata de empatia e simpatia. Então, deve-se investir mais na busca dos fatores que englobam poder e credibilidade. Há gestos que podem ser evitados e movimentos a serem ressaltados, muitos dos quais convenientes para homens e mulheres; alguns, no entanto, que se referem especialmente a elas.

 

Você já deve ter percebido que as mulheres tendem a inclinar a cabeça para o lado quando estão interessadas em um assunto, movimento que pode ser entendido como de atenção ao interlocutor, mas também como de submissão. Para evitar a mensagem ambígua e buscar autoridade, prefira manter a cabeça em posição neutra. Os tornozelos cruzados ao conversarem de pé é outro gesto comum entre as mulheres que pode transmitir a sensação de timidez, quando na realidade essa posição é consequência do uso de sapatos com salto alto. A postura ereta, os ombros para trás, a cabeça erguida e os pés descruzados ampliam o espaço e geram confiança.

 

Lembre-se: as pessoas são frequentemente mais influenciadas pela forma como se sentem em relação a você do que pelo que você está dizendo. Por isso, considere ganhar aquela conversa já no aperto de mão: com firmeza, sem ser agressivo e mantendo contato visual. Sorria, pois o sorriso tem um efeito poderoso sobre as pessoas, estimulando seu próprio bem-estar e transmitindo confiança. Através da ressonância magnética funcional, pesquisadores da Universidade de Duke provaram que o cérebro é mais ativo quando se lembra de pessoas que sorriem

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!”

 

E aqui para ler a segunda parte deste capítulo

 

Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher! 2

 

Hoje, você tem à disposição a segunda parte do capítulo que Leny Kyrillos e eu dedicamos à liderança feminina, no livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto). É a sequência do texto que reproduzimos nesse domingo, Dia Internacional da Mulher. A terceira parte, você lê amanhã, neste blog:

 

…..

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de de mulher!”

 

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Ilustração de PIXABAY

 

 

Veja que nem sequer entramos na questão da maternidade, que nos oferecerá mais uma gama de preconceitos a impedir o desenvolvimento das mulheres na carreira profissional. Mães são vistas como menos comprometidas com o trabalho do que mulheres que ainda não tiveram filhos; enquanto os pais são avaliados como mais comprometidos com o trabalho do que os homens que não tiveram filhos. A lógica: mulheres têm de cuidar dos filhos e trabalhar; os homens têm de trabalhar para sustentá-los. Isso posto em dinheiro, torna o cenário ainda mais cruel.

 

Michelle Budig, professora de Sociologia da Universidade de Massachusetts, analisou os salários entre 1979 e 2006, nos Estados Unidos, e comprovou que os homens com filhos têm um “bônus de paternidade” de 6%. Já as mulheres pagam uma “pena de maternidade”, com perdas de 4% em seus ganhos para cada criança que tiverem. É verdade que os homens trabalham mais quando têm filhos, porém Budig descobriu que fatores que podem impactar os vencimentos, como experiência, educação, horas trabalhadas e renda familiar, implicam em apenas 16% desses ganhos para os pais e um terço das perdas para as mães. A maior parte do “bônus de paternidade” e da “pena de maternidade” vem da discriminação. Da maneira como os empregadores pensam e agem no seu cotidiano.

 

Em outro trabalho, no qual foram enviados a centenas de empregadores currículos falsos, que sinalizavam se candidatos eram homens ou mulheres e se tinham filhos, a pesquisadora Shelley Correll, da Universidade de Stanford, constatou que as mães tinham metade da chance de serem chamadas para uma entrevista do que os pais.

Curiosamente, na lista de preferência dos selecionadores, pais eram mais desejados do que mulheres sem filhos, que eram mais desejadas do que homens sem filhos, que eram mais desejados do que as mães.

 

Essa realidade exige mudança de postura dos novos líderes. Nem que seja por pragmatismo: é preciso entender que, se as mulheres perdem não conseguindo elevar-se na hierarquia, a empresa perde mais ainda. A começar por impedir que ideias qualificadas mudem processos e comportamentos, além de abrir mão de características essenciais às empresas modernas: capacidade de ensinar, interagir, educar, relacionar-se e trabalhar em equipe. Características para as quais as mulheres são muito mais incentivadas em sua formação do que os homens, lembra Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza. A empresária entende que é preciso assumir a feminilidade em cargos de chefia e mostrar que é possível ser tão ou mais competente, sem adotar os padrões convencionais de administração feitos por homens e para homens.

 

Pesquisas mostram que, quando se trata de ter habilidades para liderança, embora os homens sejam mais confiantes, as mulheres são mais competentes. Sandberg e seu colega de análise, Grant, garantem que “startups lideradas por mulheres são mais propensas a ter sucesso; empresas inovadoras com mais mulheres no comando são mais rentáveis; e empresas com mais diversidade de gênero têm mais receita, clientes, participação no mercado e lucros”. Ou seja, ao abrir mão do seu preconceito, além de se tornar uma pessoa melhor, você ainda vai ganhar dinheiro com isso. Essa ideia, somada à visão da opinião pública em relação à capacidade de liderar das mulheres, demonstrada na pesquisa da Pew Research Research Center, pode, porém, ainda não ser suficiente para a transformação de que necessitamos.

 

A revolução feminina no ambiente de trabalho exigirá mudança nos métodos e na comunicação também. É preciso que se criem estratégias que provoquem a participação das mulheres, gerando condições para que elas se apresentem e tragam sua capacidade de comando. Sandberg propõe que se privilegie ideias em vez de seus criadores, permitindo que, por exemplo, projetos de inovação sejam apresentados anonimamente para que a questão de gênero não influencie as opiniões dos selecionadores. Como isso é possível apenas em algumas etapas, lembra da solução adotada por Mazzara, do The Shield, que proibiu interrupções enquanto qualquer pessoa falasse nas reuniões. Resultado: o trabalho de toda a equipe ficou mais eficiente. Devemos privilegiar a fala feminina dentro das empresas e em suas diversas situações de diálogo.

 

A comunicação é importante nessa quebra de paradigma, com os líderes assumindo um novo discurso dentro das empresas. Para entender como o poder da linguagem é capaz de mudar o comportamento, conheça a experiência do professor Robert Cialdini, da Universidade do Estado do Arizona, um dos maiores especialistas em persuasão do mundo. O desafio dele era convencer os visitantes do Parque Nacional da Floresta Petrificada (Petrified Forest National Park) a não tirar pedaços da madeira das árvores que estão no local. Primeiro, colocou-se um aviso: “Muitas pessoas roubam a madeira petrificada do parque, mudando as condições da floresta”. Após algum tempo, percebeu-se que a taxa de roubo ficou em 5%. Criou-se outro anúncio: “Sua herança está sendo vandalizada; o roubo de madeira petrificada a cada dia resulta na perda de 14 toneladas por ano; a maior parte tirada em pequenos pedaços”. Surpresa: a taxa subiu para 8%. Os visitantes extraíram do alerta a mensagem de que todos roubam pedaços de madeira, ou seja, era algo comum de acontecer. O objetivo somente foi alcançado quando a mensagem se tornou clara e objetiva: “Por favor, não remova a madeira deste parque”. Os roubos despencaram para 1,67%.

 

Na escola de Administração da Universidade da Pensilvânia, Adam Grant apresentou dados nas salas de aula e promoveu discussões públicas para resolver o problema da baixa representatividade das mulheres em cargos de liderança, mas bastaram cinco meses para perceber que não houve alteração no percentual de alunas do MBA que se candidataram a uma posição de destaque no campus. No ano seguinte, trabalhou com os mesmos dados, mas acrescentou uma mensagem: “Eu não quero nunca mais ver isso acontecer novamente”. Houve aumento de 65% no número de estudantes do sexo feminino interessadas em assumir papel de líder. As mensagens impositivas funcionaram mais do que as descritivas.

Sempre que se isola a mensagem de que a maioria das pessoas reconhece a existência do preconceito ou que demonstra que a prática é frequente, sinaliza-se que tal comportamento é normal. Todo mundo faz isso! O mundo é assim! São mensagens ambíguas, que geram conformidade, segundo Cialdini. Para ele, as intervenções persuasivas devem empregar informações e técnicas que marginalizem em vez de normalizarem a conduta indesejável. Os pesquisadores sugerem que se explicite a desaprovação. Os novos líderes têm de assumir esta postura: o preconceito é inaceitável, vamos acabar com essa praga!

Por curiosidade: a Cori, empresa de confecção, encomendou uma pesquisa para saber qual a imagem da calça comprida feminina no contexto do consumo, em 1962, época da implantação da indústria da moda no Brasil. O produto não era muito bem-visto pelos conservadores. Mulher que se prestava só usava saia! – diziam. A Marplan, empresa que realizou o estudo, descobriu que as mulheres aprovavam a calça comprida por ser confortável e, acima de tudo, indumentária indispensável para enfrentar seu concorrente no mercado de trabalho: o homem. O tempo fez com que o terninho ganhasse espaço no guarda-roupa feminino, e as mulheres, no comando das empresas e dos países. Atualmente, as que estão nos altos escalões podem até se dar ao luxo de voltar às saias.

 

Acesse aqui para ler a primeira parte de “Comunicar para liderar: isso é coisa de de mulher!”

Comunicar para liderar: isso é coisa de mulher!

 

Em 2015, com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, publicamos o livro “Comunicar para liderar” (Editora Contexto), no qual falamos da liderança feminina, entre outros assuntos. Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, reproduzo, a partir de hoje, neste blog e em meu perfil do Linkedin, alguns trechos do texto com informações que nos ajudam a pensar como devemos agir para que a mulher tenha relevância, também, nas decisões corporativas:

 

Por Leny Kyrillos e Mílton Jung

 

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Ilustração PIXABAY

 

É coisa de mulher, sim! E é bom que os homens saibam disso! Afinal, a promessa de igualdade de gênero está mais próxima quando o assunto é liderança. Ok, sem muito entusiasmo! Está, ao menos, muito mais próxima do que no fim do século passado – o que nem faz tanto tempo assim, convenhamos. Em 1995, só nomes masculinos apareciam no topo da lista de comando das 500 maiores empresas americanas listadas pela revista Fortune. Duas décadas depois, já havia 26 mulheres ocupando o cargo de CEO nessa privilegiada seleção de empresas. Mary Barra, na GM, Meg Whitman, da HP, Ginni Rometty, na IBM, foram algumas das que chegaram ao topo e nos ilustram a mudança que está em curso. Também nos revelam que o sucesso delas ainda é motivo de surpresa para muitos de nós, como se a presença de mulheres em cargos de liderança fosse algo exótico.

 

A mudança existe, mas é ainda pouco expressiva se levarmos em consideração que as mulheres representam apenas 5,2% dos CEOs Fortune500. Ao olhar as estatísticas no Brasil, percebemos que a presença delas é ainda menor, pois somente 3,4% dos CEOs são mulheres, de acordo com o Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Alguns especialistas entendem que a tendência é que essa transformação se aprofunde nos próximos anos considerando a quebra de paradigma provocada especialmente pelas empresas de tecnologia: setor inovador, pouco contaminado pelas práticas gerenciais (e masculinizadas) do passado, o qual estaria se mostrando mais adepto à diversidade. No entanto, dados recentes mostram que a proporção de mulheres em empresas de software e computação caiu de 34%, em 1990, para 27%, em 2011, no Vale do Silício. Além disso, das empresas de alta tecnologia criadas em 2004, apenas 1% foi fundada por mulheres.

A nos proporcionar boas perspectivas em relação à ascensão feminina nas empresas está a opinião pública mais favorável às mulheres. Um relatório do Pew Research Center, publicado em 2015, mostra que a maioria dos americanos acredita que as mulheres são tão capazes de serem bons líderes quanto os homens. Em qualidades relacionadas à liderança, tais como inteligência e poder de inovação, a percepção é de que homens e mulheres não se diferenciam. Quando as características analisadas são honestidade, justiça, compaixão e adesão a compromissos, as mulheres levam vantagem.

O olhar positivo para a liderança feminina, porém, ainda encontra resistência no ambiente corporativo, provavelmente porque o preconceito está enraizado de tal forma que não somos capazes de nos livrar dos estereótipos por mais que tentemos nos convencer do contrário. Na hora da escolha, o moço alto, com voz forte, de preferência de terno e gravata leva a melhor. É isso mesmo… a altura faz diferença também: 30% dos CEOs Fortune500 tinham 1,87 m ou mais, foi o que descobriu Malcolm Gladwell, em seu livro Blink, de 2005. Mas nosso assunto aqui não é estatura física. É capacidade de liderar. E as mulheres já provaram que a têm de sobra, mesmo diante de todas as barreiras, inclusive internas.

 

As mensagens negativas emitidas no decorrer dos tempos intimidam seu comportamento. Um discurso que começa dentro de casa, onde se mostra que isso é coisa de menina e aquilo de menino, que impõe a elas as tarefas domésticas, o cuidado das crianças, a necessidade de serem meigas e delicadas. São as moças que lavam a louça, enquanto aos moços cabe a limpeza do carro… E se estende à sala de aula, à relação com os outros e ao esporte: “Joga como um homem!”. Em todos os espaços, os estereótipos são reforçados. Esse discurso é absorvido e transferido para o mercado de trabalho, em que são oferecidos cargos que não costumam elevá-las ao comando da empresa. Quase a totalidade dos CEOs das maiores empresas mundiais, hoje, tem cargo de operação antes de chegar ao posto mais alto, e mais da metade das mulheres estão ocupando os cargos funcionais: diretorias financeiras, jurídicas e de recursos humanos, por exemplo.

As mulheres nascem, crescem e aprendem que é errado falar sem rodeios, ter iniciativa e ser mais poderosas do que os homens, diz Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook. Para ganhar poder, é fundamental se livrar dessas barreiras internas, ensina, baseada em sua própria experiência.

No escritório, os estereótipos são tão fortes que até a “má fama” de que as mulheres são tagarelas desaparece em virtude da opressão masculina. Anos atrás, quando o produtor do seriado de TV The Shield (fora do ar desde 2008), Glen Mazzara, percebeu que duas jovens escritoras estavam em silêncio durante reunião em que se discutiam os argumentos para o roteiro, pediu para elas falarem mais. O que viu a seguir foi a cena que se repete na maior parte das salas de reunião e discussão das empresas: sempre que elas começavam a falar, eram interrompidas, apesar de apresentarem boas ideias.

Em outro cenário, um banco internacional, a contribuição dos funcionários para a melhoria dos processos se refletia em avaliações de desempenho positivas no decorrer do tempo; sugestões de mesma qualidade apresentadas pelas funcionárias não melhoraram a percepção do desempenho delas. Os dois casos foram descritos por Sandberg em série de artigos escritos com Adam Grant, da Universidade da Pensilvânia, no The New York Times, no início de 2015.

Em apoio à tese, a publicação apresentou pesquisas de comportamento relacionando liderança e gênero. Em um dos estudos, Victoria L. Brescoll, psicóloga da Universidade de Yale, analisou o comportamento dos senadores americanos e descobriu que os homens considerados mais poderosos – baseado em tempo de legislatura e posição de liderança – discursavam mais do que os do “baixo clero”; em relação às mulheres essa diferença não foi encontrada. Na mesma linha de pesquisa, Brescoll pediu para que homens e mulheres avaliassem a competência de CEOs a partir da frequência com que expressavam suas opiniões. Independentemente do sexo de quem julgou, os homens que falaram mais do que seus pares foram premiados ao receberem conceitos 10% maiores; as mulheres foram punidas com conceitos 14% menores. O que é poder para eles é perdição para elas. Mulheres protegendo-se com o silêncio não é sinal de paranoia, é sinal de sobrevivência. E isso precisa mudar!

 

Obs1: Atualmente Meg Whitman é CEO da Quibi; e atualmente 23 mulheres estão no comando de empresas que fazem parte da lista Fortune500

 

Guia Salarial destaca que empresas estão em busca de profissionais que saibam se comunicar

 

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A comunicação surge em destaque mais uma vez como competência a ser desenvolvida pelos profissionais que buscam desenvolvimento na carreira e espaço no mercado de trabalho. Agora, foi no Guia Salarial da Robert Half, empresa de recrutamento fundada em 1948, nos Estados Unidos, e com atuação no Brasil há 13 anos.

 

O Guia é fonte de informação sobre remuneração, tendência de recrutamento, e de profissões e habilidades mais demandadas nas áreas de finanças, contabilidade, tecnologia, jurídico, recursos humanos, marketing e vendas, e cargos de alta gestão.

Ao apresentar o resultado do levantamento feito nos mercados em que atua, a Robert Half faz uma lista de cinco a dez habilidades que as empresas mais valorizam na busca de profissionais. De oito segmentos analisados, a comunicação se destacou em cinco deles. E por curioso que seja: muitas vezes em funções que nós não imaginaríamos que a comunicação fosse fazer muita diferença.

Veja, por exemplo, o caso dos profissionais da área de Finanças e Contabilidade — um pessoal que costumamos identificar como ligado a dados, números e estatísticas. A boa comunicação é a segunda das oito habilidades mais demandadas, de acordo com o Guia. E, certamente, é fundamental para que se atenda uma outra exigência que está na lista: a capacidade de influenciar. Não basta ser Contábil, Fiscal ou Tesoureiro, a visão tem de ser macro e o profissional tem de estar pronto para desenvolver olhar crítico na apuração de dados e gerar informações qualitativas com velocidade e com potencial para ajudar a empresa nas tomadas de decisão.

 

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Finanças e Contabilidade/Fonte Robert Half 2020

 

Ainda de olho nos resultados do guia, na área do Mercado Financeiro, boa comunicação volta a aparecer atrás apenas da habilidade de transformar o tecnológico em ação digital. O mesmo ocorre no setor de Seguros, um ambiente muito conservador, mas que, pouco a pouco, se reinventa.

 

Sabe aquele turma da Engenharia? E engenheiros não nos faltam, apesar de boa parte estar fora da área de formação. Em uma lista de dez habilidades procuradas pelas empresas, é necessário, por exemplo, bom relacionamento pessoal, conhecimento do negócio, flexibilidade e, claro, ser um bom comunicador. O mesmo acontece com o setor de Tecnologia em que se destacam posições como de Gerente de TI, Desenvolvedor, Cientista de Dados, Segurança da Informação e Chief Technology Officer (CTO).

 

Para quem ainda tem dúvidas sobre a importância da comunicação, lembro frase de Biz Stone, um dos fundadores do Twitter:

“A comunicação equivale a acender uma tocha na caverna escura”

A boa notícia para quem atua nesses setores — e talvez se assuste ao saber que precisará desenvolver habilidade para qual não se sinta capacitado —  é que comunicação se aprende com treinamento, leitura apropriada, muita observação, escuta ativa e prática constante.

 

Aproveite e conheça o livro “Comunicar para liderar” que escrevi com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto.

 

Sua Marca: lembre-se que tem um presente de Natal esperando você

 

Sua Marca Livro

No fim de semana, a gente já havia contado para você que o nosso presente de Natal este ano era um livro (e-book), de graça, sobre gestão de marcas, escrito por Jaime Troiano e Cecília Russo. Nesta segunda-feira, quando o Natal está logo ali, volto a lembrá-lo desse presente e aproveito para reproduzir o prefácio que escrevi para meus colegas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. Sei que um texto que tem diabo no título pode não ser muito apropriado quando falamos de Natal, mas você haverá de entender os motivos que me levaram a cita-lo. A propósito, no fim do texto, tem o link para você baixar e aproveitar nosso presente de Natal.

“O DIABO SABE MAIS POR VELHO DO QUE POR DIABO”

 

Um passeio pelos escritórios de empresas no Brasil e um tempo para a boa conversa com alguns de seus colaboradores são suficientes para enten- dermos que muita gente está descontente. Nem preciso ir muito longe, basta estar atento às mensagens que recebo diariamente na rádio CBN quando o assunto é o mundo corporativo e suas variantes. É evidente que a falta de respeito com as pessoas ainda persiste e a gestão por pressão, cobrança e castigo resiste a todo o conhecimento desenvolvido de que ambientes saudáveis tendem a produzir mais e melhor. Uma agravante é que hoje esse desrespeito começa ser visto como um sinal de que o líder não é ético ao agir, e isso pode contaminar as relações internas e externas da empresa e da marca.

 

Se há uma forma de corrigir essa distorção, não tenho dúvida de que co- meça pela comunicação eficiente. De todas as competências necessárias para liderar empresas, grupos de trabalho e a sua própria carreira, a comu- nicação é a mais necessária, haja vista o resultado de diversas pesquisas de comportamento e os critérios que recrutadores usam na contratação de profissionais. A comunicação é a principal habilidade não técnica exi- gida pelas empresas, pois o colaborador que não souber se comunicar de maneira assertiva e respeitando o outro está fadado ao fracasso.

 

Começo esta nossa conversa pela comunicação porque é o conhecimento para o qual me dedico há quase 35 anos – a serem completados agora em 2020. E também porque aprendi com meu pai, jornalista de mão-cheia, que o “diabo sabe mais por velho do que por diabo” e, portanto, sinto-me mais à vontade de abordar o tema da comunicação em lugar de me ema- ranhar na área do Branding, na qual Cecília Russo Troiano e Jaime Troiano já fazem suas diabruras há bastante tempo e saberão destrinchar com ex- celência nas próximas páginas.

 

Há quatro passos básicos para você encarar com eficiência qualquer pro- cesso de comunicação que deparar, quer seja uma entrevista de empre- go, uma reunião de trabalho, uma entrevista a jornalistas, uma palestra aberta ao público ou mesmo uma DR em casa – não tem jeito, em algum momento teremos de enfrentá-la. Essas regras valem também para quem pretende escrever um livro.
Vamos a elas:

1. Somente entre em uma conversa se tiver certeza da mensagem que pretende transmitir, portanto planeje seu discurso, selecione as informa- ções mais importantes e dê uma hierarquia a elas, para saber quando e em que ordem usá-las.
2. Tenha em mãos todos os dados que possam ser necessários, tais como números, frequência e quantidade – conforme o assunto – sem esquecer de dar a esses suas reais dimensões e ilustrá-los de maneira que seu inter- locutor enxergue o que você está dizendo.
3. É essencial falar a língua do seu público, eliminando jargões de sua área e adaptando o vocabulário à realidade do outro para gerar empatia.
4. E, finalmente, conte uma história – somos muito mais propensos a prestarmos atenção em narrativas que tenham lógica e sejam humaniza- das do que a conceitos científicos.

Neste livro, Jaime Troiano e Cecília Russo nos convidam a uma conversa sobre gestão de marcas e enquanto caminhamos ao lado deles, em cada um dos capítulos, vamos perceber o cuidado que têm em fazer deste um passeio agradável em que histórias, conhecimento e experiência se mis- turam – muito parecido com o que já nos acostumamos a ouvir no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quadro que levamos ao ar todos os sábados, às 7h55, no Jornal da CBN e está disponível também em podcast.

 

Os casos que vivenciaram na construção de algumas das marcas mais co- nhecidas e valorizadas do Brasil estarão descritos a seguir e nos ajudam a visualizar a inteligência que os autores desenvolveram ao longo de suas vidas profissionais – ricas e diversas, pois se formaram em distintas áreas, como a psicologia, a sociologia e a engenharia química, além de terem se especializado em tantos outros temas, tais como consumer insights, pes- quisa, antropologia, filosofia e comportamento do consumidor.

 

Quando percebem que é difícil de se desvencilhar de expressões típicas das áreas em que atuam, têm o cuidado de nos oferecer ao pé do capítulo uma interessante Brandpedia, na qual traduzem de maneira mais clara o termo aplicado, e nos deixam mais confortáveis para seguir a caminhada ao lado deles.

 

Nada mais tem a cara e a criatividade do Jaime e da Cecília, porém, do que as frases que pautam as histórias e o conhecimento a serem desenvolvidos. Quan- do leio que “marca não é tapume” ou que “o consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente”, ou qualquer uma das 20 frases que abrem cada um dos capí- tulos, é como se revivesse nossas conversas no estúdio de gravação – mesmo as que ocorrem fora do ar.

 

Repetidas à exaustão desde 2014, quando começamos a apresentar juntos o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, essas frases que poderiam ser apenas “lugar-comum” transformaram-se em lições de Branding, que jamais podem ser esquecidas por todos que têm de cuidar da sua marca – seja um empresário ou um empreendedor controlando o seu próprio negócio, seja um jovem aven- tureiro ou um unicórnio no mundo das startups, seja o vendedor de pipoca na esquina da escola ou alguém que costura para fora.

 

A comunicação eficiente é a marca que faz deste livro um sucesso.

 


Baixe aqui o livro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — 2020 em 20 ideias

 

Sua Marca: um livro de graça é o nosso presente de Natal

 

 

“Frases marcam muito e ajudam as pessoas a amplificar um conceito; às vezes, você guarda um conceito a partir de uma frase de alguém” — Cecília Russo

A partir de 20 frases que marcaram as nossas conversas ao longo desse último ano, Jaime Troiano e Cecília Russo produziram um livro que nos ajuda a entender alguns dos principais conceitos da gestão de marcas. “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso 2020 em 20 ideias” está disponível no formado e-book e de graça para os ouvintes da CBN.

  

 

Ao longo dos três anos em que o quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso está no ar, nas edições de sábado do Jornal da CBN, os ouvintes depararam com uma série de frases e histórias contadas por Jaime Troiano e Cecília Russo. Uma das primeiras frases que foram ao ar, repetida à exaustão, é a que alerta para o fato de que “marca não é tapume” —- e com isso Jaime e Cecília chamam atenção para o risco de gestores acreditarem que o branding pode esconder as mazelas de uma empresa, produto ou serviço.
 

 

Sua Marca Livro

  

 

“Marca sem propósito é marca sem alma”, “nunca jogue o bebê fora, junto com a água do banho” e tantas outras frases com as quais os ouvintes já se familiarizaram são a inspiração para 20 artigos que ajudam empresários e empreendedores —- independentemente do tamanho que tenham — a planejar melhor a construção de sua marca. Todos os capítulos trazem também um Brandpedia, que explica as expressões técnicas usadas na gestão de marca e torna mais simples os conceitos trabalhados.

  

 

Aproveite este presente de Natal do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Acesse o link e baixe o e-book. Depois, compartilhe com a gente a sua impressão e envie perguntas para marcasdesucesso@cbn.com.br ou para milton@cbn.com.br

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. O programa também está disponível, em vídeo, no canal da CBN no You Tube e em podcast.

É proibido calar: mudanças tecnológicas exigem diálogo e aprendizado com nossos filhos

 

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A imagem de uma batalha de League of Legends costuma abrir uma das minhas palestras sobre ética e cidadania —- temas do meu último livro “É proibido calar!”. É a maneira que encontro de demonstrar a necessidade de os pais se interessarem pela realidade vivenciada por seus filhos, conhecerem o mundo que eles experimentam e reduzir o distanciamento que permeia muitas das relações familiares. Aposto na ideia de que ao fazermos esse movimento, encontraremos pontos em comum e aumentamos as possibilidades de desenvolvermos uma convivência saudável e pautada na compreensão.

 

Há cerca de uma semana, estive no Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, onde conversei com pais, professores e alguns estudantes. Aproveitei uma das imagens captadas durante o encontro, na qual a tela de fundo é a cena de uma das competições internacionais de LoL realizadas no Brasil, para provocar a turma que me acompanha no Twitter e no Instagram:

 

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Algumas boas reflexões chegaram nesses três dias.

 

A Evelyn Batista (@evelym_watson_batista), no Instagram, escreveu que “acredita que a tecnologia hoje tem muito mais espaço na rotina de nossos filhos, inclusive para as escolhas profissionais deles. Com isto nossas relações estão cada vez mais distantes”.

 

Penso que é inevitável que eles acompanhem de forma intensa a transformação digital —- nós mesmos fazemos isso, haja vista a maneira como acessamos nossos celulares. O esforço tem de ser o de potencializar as relações afetivas que se constroem no cotidiano para que a distância que a Evelyn identifica não se intensifique. Precisamos valorizar a conversa do dia-a-dia, os momentos de proximidade — como o almoço ou o jantar — e, se necessário, provocar encontros mais frequentes nos quais a conversa não seja interrompida por um alerta na tela do celular.

 

Delci Lima (@delcilima12) conta que tem uma menina de 13 anos que vive em mundo virtual como todas as outras crianças da idade dela e nós, pais, em um mundo real: “É um bom paralelo para uma discussão sobre Educação”

 

Em um dos trechos de “É proibido calar!” chamo atenção que é preciso cuidado quando dividimos o mundo em virtual e real:

“Mesmo que a fonte seja virtual, nada mais real do que o sentimento que toca o coração desses jovens”.

Quero dizer que talvez nós é que tenhamos ainda um modelo mental no qual real e virtual estão separados e, pior, em contraposição, quando de verdade se fundem em um só; e nossas vidas e relações tenham de saber conviver nesses “mundos paralelos”.

 

No Twitter, o Evandro Junior (@jemj10) publicou que “esses princípios devem permear qualquer atividade. Sem a observância da #educação #ética e #cidadania o profissional não se completa, poderá ter sucesso, mas nunca será admirado”.

 

Essa ideia, com a qual concordo, me remete a algumas das entrevistas que tenho realizado no programa Mundo Corporativo, em que temos insistido que o novo líder não pode ser medido apenas pelas metas que alcança ou resultados financeiros da empresa —- seu comportamento diante de colaboradores, parceiros de negócio e clientes é o diferencial competitivo a ser valorizado.

 

Ao menos dois dos participantes dessa saudável discussão lembraram de que um dos meus filhos está envolvido no mercado de esportes eletrônicos e esse seria o motivo de o Lol estar no roteiro de minha palestra.

 

O Antonio Santos Jr (@ajunioranalista) escreveu no Twitter que “…você como pai o incentiva, se o incentiva é porque é algo bom para ele. Partindo dessa premissa há várias narrativas que podem ser tomadas em educação, ética e cidadania”.

 

Já o Samuel(@sbtorre) comentou:

“Seria por que um de seus filhos é gamer profissional e lidar com a educação dos filhos em um ambiente de mudança tecnológica e cultural tão significativa exige uma posição de diálogo e aprendizado, um dos motes do seu livro?”

Samuel está certíssimo — exceção ao fato dele ter identificado meu filho como um gamer, quando na realidade é gestor de uma das organizações de e-Sports no Brasil, depois de ter iniciado carreira como técnico e estrategista de Lol.

 

Independentemente da função que exerça, o ambiente para o qual ele se dedica —- e meu filho mais velho tem desenvolvido alguns trabalhos também nesse segmento —- , exigiu de minha parte e de minha mulher um entendimento maior sobre o assunto para que a falta de informação (ou seja, nossa ignorância) não se transformasse em barreira para o desenvolvimento dele. Para que o preconceito, fruto do desconhecimento, não prejudicasse nossa relação com os filhos. Graças ao diálogo que construímos, aprendemos e crescemos juntos.

 

Dito isso, além de agradecer a todos os que participaram desta conversa virtual, parabenizo o Samuel que vai receber em casa um exemplar do livro “É proibido calar!”. Espero que goste!

Avalanche Tricolor: uma ótima leitura e as boas notícias de sábado

 

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Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre, RS

 

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Que o cara entendia do riscado, eu já havia ouvido falar —- dele próprio quando o entrevistei em um dos programas que apresento na CBN, o Mundo Corporativo. Que era o verdadeiro craque da família mas que não seguiu carreira, soube nesse sábado enquanto aguardava na fila para pedir-lhe um autógrafo. Era o que um dos mais próximos de mim contava entusiasmado: o Geromel bom de bola era ele —- só não lembro bem se jogava na mesma posição ou de lateral. Mas jogava muito, falava com entonação capaz de me fazer acreditar no que dizia.

 

Estávamos falando de Ricardo Geromel, 32 anos, empreendedor e escritor, que pelo sobrenome tem parentesco que carece de apresentações, especialmente a você caro e raro leitor desta Avalanche. Ele era o destino da fila que se estendia do salão da Livraria da Vila até o corredor do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Estava lançando o livro “O poder da China” (Editora Gente).

 

Com escritório sediado em Xangai, Ricardo é um entusiasmado com os avanços que a China implementou nos últimos anos, transformando-se de “fábrica” do mundo em fabricante de bilionários, além de uma das maiores criadoras de startup do oriente ao ocidente.

 

Para ter ideia, havia 64 bilionários chineses em 2010. Oito anos depois, já eram 372. A cada 3,8 dias nasce um novo unicórnio no país —- são aquelas empresas de capital fechado com valor de mercado de US$ 1 bilhão ou mais. E tudo isso impactando a vida das pessoas em seu cotidiano, pois, em cerca de 30 anos, a China tirou 850 milhões de pessoas da situação de pobreza. Tem porque se entusiasmar, não é mesmo?

 

Se quiser outros motivos, leia o livro —- ou ouça a entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo. Eu já avancei alguns capítulos apenas neste fim de semana e recomendo (se é que vale alguma coisa a minha recomendação).

 

Mas vamos voltar a esta Avalanche.

 

Sou resistente a essas histórias que já foram contadas nas mais variadas famílias do futebol brasileiro. Sempre haverá alguém para garantir que Dondinho, pai de Pelé, é quem jogava muito. Teria feito cinco gols de cabeça em uma só partida de futebol. Sem contar os que descrevem as habilidade de Zoca, irmão do Rei, que aliás jogou ao lado dele no Santos.

 

Edu, por sua vez, tinha futebol refinado, dribles curtos e desconcertantes, passes e lançamentos precisos —- o que parece ser verdade, mas não o suficiente para torná-lo maior do que Zico, o irmão mais moço. A não ser nas palavras da turma que sempre gosta de uma boa história para puxar papo.

 

Diante de tudo isso, ouvi os elogios ao futebol que Ricardo Geromel jogou no passado e coloquei na conta dos contadores de história. Prefiro admirá-lo por aquilo que ele é do que por aquilo que poderia ter sido. Até porque duvido muito que alguém pudesse ser maior do que Geromel, o Pedro —- zagueiro que trouxe uma nova maneira de jogar dentro da área, tem uma ótima leitura de jogo e forma, ao lado de Kannemann, uma das maiores duplas de zaga que já passaram pela história do Grêmio.

 

Abracei Geromel, o Ricardo, o cumprimentei pelo livro que lançava, recebi orgulhoso o autógrafo dele, e voltei para casa para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Do sofá, vi o meu time tentar o gol de várias maneiras sem sucesso e terminar mais uma partida contra o Corinthians no zero a zero.

 

Jogo que não foi de todo perdido, pois tivemos ao menos duas boas notícias para quem entra em campo no Brasileiro mas tem a cabeça na semifinal da Libertadores: Léo Moura está de volta e Maicon desfila talento com a bola no pé — leio nas estatísticas de que de 111 passes que deu, errou apenas três.

 

A terceira boa notícia, tive lá na livraria mesmo: Geromel, o Pedro, não jogaria logo mais à noite, mas está prestes a voltar ao time titular depois da lesão que o tirou da primeira semifinal da Libertadores. Que o Ricardo faria diferença se tivesse seguido em sua carreira como jogador, deixo por conta dos amigos de infância que o viram jogar. Mas que o Pedro faz uma baita falta para a gente, ah, isso eu garanto!

Sempre fiz questão de mostrar que usava o celular

 

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A convite da jornalista Rosana Hermann escrevi texto que foi publicado, com a devida edição, no livro “Celular, doce lar” (Editora Sextante). O livro está a seu alcance a alguns cliques no próprio celular. O meu texto, reproduzo a seguir:

 

Sempre fiz questão de mostrar que usava o celular. Jamais o contrário. Uma relação que começou com um Gradiente operado pela BCP, em 1998. Por curioso que seja, na época já antecipava o que viria ocorrer tantos anos depois: o celular era meu único telefone. Não havia linha fixa no apartamento que tomei emprestado por alguns meses até a casa nova ficar pronta.

 

A evolução dos celulares foi veloz e na velocidade com que se desenvolvia, eu tentava acompanhá-los. E se eu corria atrás deles já era um sinal de que minha estratégia de relacionamento era marcada por conflitos de interesse. Eu querendo usá-los e eles tentando provar o contrário.

 

Apesar disso, a coisa ainda ia bem enquanto sua única serventia era conversar com outras pessoas. O problema começou mesmo quando outras possibilidades surgiram, especialmente a de se divertir com jogos eletrônicos. O olhar para a tela foi se intensificando e meu propósito de convivência com os celulares foi ficando distante. Cada vez mais distante.

 

Olhava uma vez, olhava duas, três, quatro, dez … com o carro em movimento era uma tentação; no congestionamento, a salvação. Não saia de casa sem ele e dentro de casa o levava no bolso de uma sala para outra.

 

A perdição foi quando descobri o Candy Crush. Apaixonei-me pelos docinhos e brigadeiros que explodiam conforme a combinação de cores. E a cada etapa encerrada um nova tentação surgia. Gula!

 

O susto foi descobrir que seria possível passar as fases mais rapidamente, bastava comprar alguns ítens. Registre seu cartão de crédito e a próxima meta estará logo ali! Simples assim!

 

Foi quando, então, duas forças internas se encontraram: o desejo de jogar e vencer sempre e o terror de gastar dinheiro à toa. Aquele foi um momento decisivo. Um divisor de águas na minha relação com o celular. Ou eu ou ele? Quem manda em quem? Vai encarar!?

 

Não pense que meu desejo de jogar arrefeceu. Joguei Candy Crush em lugares e momentos inusitados. Durante palestra, a espera do sinal abrir, apresentando o programa de rádio, no banheiro – aí também é um clássico, né -, na academia, na sala de aula, na reunião de trabalho … incrível, até assistindo aos jogos do Grêmio me deparei dedilhando os doces e tentando superar as etapas mais difíceis.

 

Joguei e jogo muito Candy Crush até hoje – parei de fazê-lo em algumas situações de perigo, é verdade. Mas posso dizer orgulhosamente que jamais, em momento algum, gastei um só tostão neste joguinho e já passei da fase 1960.

 

Eu venci! Ou melhor quem venceu foi minha “pão-durice”. Insuperável! Se me nego a jogar moedinha na Fontana di Trevi, imagine despejar dinheiro em um joguinho eletrônico.