Rádio Sucupira: “fui vítima de um atentado ‘inescrupulento’ e traiçoeiro”

 

BemAmado

 

Se grandes homens cometem grandes erros, Odorico Paraguaçu já acredita que Deus se passou pra oposição. Sucupira continua inundada em escândalos, mas o prefeito sabe que tem companheiros leais, capazes de morrer por sua causa. Com a alma enxaguada e lavada na aflição, Odorico faz um apelo dramático.

 

A Rádio Sucupira, programa de humor político que encerra o Jornal da CBN às sextas-feiras, tem falas da novela O Bem Amado, cedidas pelo Acervo da TV Globo, texto de Dias Gomes e interpretação de Paulo Gracindo. Todo o resto, é material cedido pela vida real dos políticos brasileiros.

 

A edição é de Fábio Portugal e Claudio Antonio.
 

 

Taxistas terão de ir além do sorriso e da simpatia para se manterem vivos na cidade

 

 

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Passeie pelo Rio por três dias e fiquei bem impressionado com o atendimento que recebi da saída do aeroporto à porta do hotel. Funcionários simpáticos e atenciosos me receberam nos lugares que visitei. Foram poucos é verdade, mas diversificados. Rodei de táxis pela cidade e fui transportado por motoristas que fizeram questão de me dar informações sobre o Rio e os lugares pelos quais passamos. Um deles, assim que percebeu que eu havia descido em local errado fez questão de retornar para me levar mais adiante. Pediu desculpas, pois se soubesse que eu queria entrar na Arena Jeunesse teria me deixado mais à frente para facilitar. Em resumo, uma simpatia.

 

 

Para todos os cariocas com quem conversei, e fiz questão de compartilhar esta minha boa impressão, fui alertado que “antigamente” as coisas não eram assim, especialmente nos táxis. A mudança de comportamento teria sido o efeito Uber. Motoristas perceberam que teriam que incluir no seu cardápio sorriso e bom atendimento para competir com os aplicativos. No meu caso, funcionou, mesmo com a corrida saindo um pouco mais cara.

 

 

As mudanças, porém, terão de ir além do comportamento.

 

Ainda nesta semana, e já aqui em São Paulo, leio em “O Diário do Transporte” que os motoristas do Táxis Preto – que surgiu no fim de 2015 como alternativa de alto padrão ao Uber Black – tiveram de receber socorro extra da prefeitura pois não têm conseguido pagar as parcelas do alvará, que custa R$ 60 mil, valor que pode ser dividido em 60 prestações de R$ 1 mil. A administração municipal anunciou que o prazo de pagamento será ampliado e aqueles que desistirem de prestar o serviço poderão devolver a licença sem a obrigação de fazerem o pagamento integral, terão apenas de acertar os atrasados.

 

Na outra ponta do sistema, os jornais informam que o presidente executivo da startup 99, o americano Peter Fernandez, anda feliz da vida com os US$ 200 milhões que foram colocados na empresa por investidores (ou seja dinheiro privado): US$ 100 milhões da chinesa Didi Chuxing e US$ 100 milhões da japonesa SoftBank. Com muito mais dinheiro no caixa, Fernandez diz que será possível acelerar a missão da empresa de fazer o transporte ficar cada vez mais barato, rápido e seguro para os brasileiros.

 

Fico sabendo, no texto assinado pelo jornalista Alexandre Pelegi, que a prefeitura de São Paulo tira do seu caixa (ou seja dinheiro público) R$ 250 milhões por ano para os taxistas transportarem 1,5% das pessoas que são atendidas pelo transporte público, na capital. Pelegi compara: cada paulista que usa táxi recebe subsídio cinco vezes maior do que os que andam de ônibus.

 

Os números mostram que a concorrência entre os táxis e os carros que atendem pelos aplicativos é desleal. E digo isso não no sentido de revelar uma irregularidade. Pelo contrário. Digo pelo simples fato de que o dinheiro privado é muito mais abundante e rentável do que o dinheiro público.  Sorrisos e bom atendimento não serão suficientes para a sobrevivência da categoria. Taxistas e prefeituras terão de repensar a gestão do sistema, e, temo, ainda chegarão a conclusão – na marra ou por reflexão  – que o transporte individual tenha de ficar nas mãos dos empresários, cabendo à administração municipal a fiscalização rígida do serviço prestado.

 

Na ponta do lápis, faz muito mais sentido a prefeitura investir cada tostão em um sistema que atenda muito mais gente – ônibus, trem e metrô, por exemplo – do que desperdiçá-lo no transporte público individual, especialmente se o setor privado é capaz de oferecer o mesmo serviço, com mais carros  e por um custo menor.

 

Enquanto essa época não chega, seguirei chamando meu táxi na expectativa de ser atendido com sorriso, simpatia e segurança.

 

*na primeira versão deste texto, por engano deste blogueiro, o nome da startup 99 estava grafado errado. Corrigido, agora!

Lula e Temer são resultado de sistema político apodrecido, diz procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, à CBN

 

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“Pessoas vão ver nisso um cenário de terra arrasada, eu vejo um cenário de oportunidade para reconstrução …  Se nós não tivéssemos esse diagnóstico tão claro na nossa frente seria muito difícil olharmos para reformas”.

 

Herói para alguns e vilão para outros. Por função, apenas procurador da República. Deltan Dallagnol construiu sua história na coordenação da força-tarefa da Operação Lava Jato e conta parte dela em livro, lançado nesta terça-feira, em São Paulo. Diz que não é super-herói nem o Brasil precisa de um. Aliás, não acredita que seja esse o caminho para atacar o “sistema político apodrecido” – fenômeno que, segundo ele,  se manifesta tanto nas denúncias contra o ex-presidente Lula quanto na situação enfrentada agora pelo presidente Michel Temer:

 

Se não tratarmos a causa desse problema, nós continuaremos com esse problema. Vão mudar as lideranças, vão mudar os rostos, mas o problema vai continuar existindo”.

 

 

Em entrevista ao Jornal da CBN, na manhã desta terça-feira, Dallagnol puxou conversa para dois temas de sua preferência: o livro “A luta contra a corrupção – a lava jato e o futuro do país marcado pela impunidade” (Primeira Pessoa)  e as 10 medidas de combate a corrupção, encaminhadas ao Congresso Nacional com apoio popular e controvérsia política.

 

Tanto um assunto como o outro tratam diretamente sobre o que assistimos nesse momento no País: ontem, Lula foi denunciado mais uma vez por corrupção e lavagem de dinheiro: hoje, dois governadores do Distrito Federal foram presos; e, por um bom tempo, Michel Temer vai ter de dar explicações sobre suas conversas pouco republicanas com um empresário que se aproveitou da bandalheira política que impera no Brasil.

 

Mesmo acostumado em investigar tantas falcatruas, o procurador disse que  “os novos acontecimentos nos estarrecem”. E se mostra incomodado com o fato de os políticos irem a público apenas para negar o que fizeram.

 

“Ninguém vem a público para reconhecer os crimes e se afastar da vida pública, como em outros países. Todo mundo vem a público negar, negar, negar. A mensagem implícita é de desrespeito a todos nós, como se estivéssemos sendo feito de bobos”

 

A safadeza dos políticos brasileiros também pode ser combatida com política, pensa o procurador. Ao mesmo foi o que entendi nas suas palavras quando defendeu que se não gostamos das pessoas que estão no Congresso, em 2018 teremos oportunidade para colocar outras no lugar delas: que não estejam sendo investigadas e processadas por um crime.

 

Ouça a entrevista completa com o procurador da República Deltan Dallagnol: 

 

 

 

Arquivos de Joesley e CBN têm tempos diferentes; interrupções podem ser causadas por sensor de áudio

 

Um áudio paralisa a Nação. Assim tem sido desde que foi divulgada a gravação feita por Joesley Batista com Michel Temer, semana passada.  Não é uma conversa qualquer: fala-se da maneira como a política é feita no Brasil.

 

Um mega-empresário se encontra com o Presidente da República, fora de agenda oficial, entra na casa de forma sorrateira e com nome falso, e conta que mantinha dois juízes e um procurador na mão e silenciava um ex-deputado preso, com pagamentos mensais. O Presidente não esboça reação negativa. Ao contrário: dá sinais que concorda e incentiva – apesar das controvérsias que seus defensores impõem a estas interpretações.

 

A delação premiada da JBS vai muito além daqueles 30 e poucos minutos de gravação, mas a discussão tem se centrado na veracidade do áudio porque é assim que Michel Temer tem tentado derrubar as suspeitas que recaem sobre ele. O perito contratado pelo Presidente disse que a gravação não pode ser considerada autêntica: é imprestável (assim como também são as negociações entre empresários e políticos, digo eu).

 

Tem perito que fala em 50 pontos de edição, tem quem conte 14 e tem quem diga que nada dá para dizer.

 

O  arquivo de áudio em questão começa e se encerra com o som da programação da rádio CBN, uma forma que teria sido encontrada pelo empresário para deixar registrado o dia e o horário da conversa deles.

 

Hoje, a reportagem da CBN, após usar um software profissional de edição, comparou a gravação do empresário com a programação original da rádio e identificou que existe uma diferença de 6 minutos e 21 segundos.

 

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Ouça a reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho:

 

 

Em outro trabalho produzido pela CBN, profissionais de investigação e inteligência afirmaram que gravações feitas através de aparelhos com sensores de áudio ambiente podem provocar a impressão de que foram editadas. E afirmam que gravadores que entram em modo de espera diante da ausência de ruídos podem apresentar um áudio menor do que o tempo que durou uma conversa.

 

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Ouça a segunda reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho

 

 

Como fiz questão de ressaltar no Jornal da CBN, desta segunda-feira, ainda antes de termos o resultados dessas duas reportagens, somente perícia oficial e juramentada é capaz de resposta definitiva. E disse isso porque levantamento prévio, baseado em registros manuais de produção da CBN, apresentado ainda na sexta-feira passada, mostrava que o tempo do áudio da gravação era condizente com o tempo de intervalo entre os dois programas da rádio que aparecem no arquivo entregue por Joesley à Justiça. A apuração mais precisa e comparando os arquivos de áudio, agora, mostra o contrário. A contradição apenas reforça a necessidade de análise técnica e isenta para que se tire qualquer conclusão.

O pior é que “eles” acreditam que é assim mesmo que se faz política

 

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Foi Michel Temer, o primeiro: “não renunciarei”, “sei o que fiz e sei a correção de meus atos”, disse com cara de indignado durante pronunciamento oficial, no Palácio. Não tinha ouvido o áudio que Joesley Batista, da JBS, havia gravado na conversa que teve com ele no Palácio do Jaburu. Depois de ouvir, dizem, respirou aliviado:“a montanha pariu um rato”.

 

Em seguida, vieram alguns poucos ministros e somente os mais próximos, porque os demais se calaram.

 

Moreira Franco, fiel escudeiro, disse a Jorge Bastos Moreno, na CBN, que os fatos são manipulados e a interpretação não corresponde a verdade. Afirmou que o país não pode perder tempo e o povo brasileiro já está acostumado com o espetáculo que se produz em alguns fatos.

 

Eliseu Padilha, fiel como Moreira, falou a Miriam Leitão, que o Governo havia passado apenas por uma tempestade. Para ele, a divulgação do áudio dissipou a crise: “ele não tem todo esse comprometimento que foi num primeiro momento sinalizado”.

 

Para um e para os outros, o presidente receber um empresário às escondidas, faz parte das funções dele. Os dois falarem de falcatruas, como dar dinheiro a um ex-deputado, preso por corrupção, é ajuda humanitária. Ambos trocarem palavras de apoio quando o empresário confessa ter um procurador e dois juízes na mão, é próprio do exercício do cargo.

 

Temer, Moreira e Eliseu realmente acreditam que é assim que se faz política, aceitam a regra do jogo e a defendem sem pudor. Consideram tudo normal. Assim, quando as suspeitas são investigadas e a verdade apurada, é conspiração. Quando os jornalistas escancaram os fatos nas manchetes, querem audiência.

 

O pior neste cenário talvez seja o fato de que eles fazem desse comportamento sua própria verdade. Mais do que isso: reproduzem pensamento deles, de seus partidários e de grupos que, aparentemente, estão em espectro político oposto a eles, mas que atuam da mesma forma. Não assumem seus erros, porque não consideram errados os seus atos.

 

Ou seja, eles não têm conserto.

 

A nós, cabe encontrarmos outros “eles” que pensem e se comportem de forma oposta. Mas para isso, precisamos decidir antes se nós realmente somos diferentes deles.

Brasília ou House of Cards?

 

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Ainda estávamos tentando entender os novos/velhos acontecimentos da política brasileira, com as delações da JBS, e o perfil no Twitter do seriado “House of Cards”, já se aproveitava da situação.

 

Em bom e irônico português, postou ontem à noite:

 

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Hoje, foi a nossa vez de lembrar o seriado marcado por intrigas, violência e sacanagens na política, sob a batuta do personagem Frank Underwood. No Jornal da CBN, a turma da edição, produziu um clipe com as vozes que contaram as últimas horas, no Brasil:

 

“É de cair o queixo” e “vem mais por aí”, diz Lauro Jardim, que revelou informações das delações da JBS

 

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Foram três semanas de busca de informação, confirmação de fatos, checagem de dados, viagens para Brasília e muitos telefonemas. Pouco sono, também, especialmente nesse três dias que antecederam a revelação do caso que abalou a República, está prestes a derrubar um governo e já atingiu em cheio um Senador.

 

Como se percebe, foi intenso o trabalho do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, desde que soube pela primeira vez que os irmãos Batista, donos da JBS, tinham decidido contar a verdade sobre a relação deles com alguns dos homens mais poderosos do País.

 

Apesar de acompanhar passo a passo o processo que culminou com a homologação da delação premiada de Joesley e Wesley Batista, Jardim disse, em entrevista ao Jornal da CBN, que ficou perplexo, assim como o povo brasileiro, com o material que teve acesso, em primeira mão. “É de cair o queixo, muito impressionante”, comentou, antes de confirmar que muito mais vem aí.

 

Assim como chamou atenção dele e de seu adjunto, Guilherme Amado, que colaborou na investigação jornalística, eu, você e, imagino, toda torcida brasileira ficamos estarrecidos com o fato de, mesmo após as denúncias, prisões e condenações que assistimos na Operação Lava Jato, autoridades como o presidente da República Michel Temer (PMDB) e o presidente do PSDB – a esta altura ex-presidente -, senador Aécio Neves, continuassem exercitando práticas irregulares.

 

Os casos denunciados em gravação ocorreram em março, agora há pouco, sem pudor nem prevenção.

 

Aécio é acusado, por exemplo, de pedir R$ 2 milhões a Joesley para pagar as custas de seu advogado de defesa na Lava Jato. Ou seja, pediu dinheiro por fora para se defender da denúncia de ter recebido dinheiro sujo, no dia 24 de março.

 

Temer, após insistência de Joesley, o recebeu em casa e na conversa com o empresário tratou de uma mesada para calar a boca de Eduardo Cunha, na cadeia em Curitiba. “Tem que manter isso, viu?” – alertou o ainda presidente da República diante da possibilidade do dinheiro deixar de ser pago ao deputado cassado.

 

Ouça a entrevista com o jornalista Lauro Jardim, que foi ao ar no Jornal da CBN:

 

Entrevista: na ciência, respostas geram novas perguntas, diz médico sobre mutações no vírus da febre amarela

 

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O vírus da febre amarela que infectou e matou pessoas em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, é diferente daqueles que andavam antes no Brasil e mesmo em outros países. Pesquisadores da Fiocruz conseguiram identificar ao menos oito mutações no vírus atual, a partir do sequenciamento completo do genoma do micro-organismo, obtido em dois macacos bugios.

 

Maurício Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, disse, em entrevista ao Jornal da CBN, que as informações sobre a mutação são essenciais para entendermos o surto recente da doença, no Brasil.  Porém, ainda não é possível dizer se foram essas mutações as responsáveis por trazer de volta ao país o medo em relação a febre amarela.

 

Para ele o próximo passo é aumentar o estudo com amostras do Brasil inteiro para entender o que cada uma dessas mutações causou ao vírus. Nogueira lembra que na ciência cada nova informação gera novas perguntas.

 

No entanto, é taxativo: a vacina aplicada na população das regiões que sofrem o surto de febre amarela  segue sendo eficiente e a melhor maneira de impedir que outras pessoas sejam infectadas e até mesmo morram.

 

Entrevista: “Ou a Lava Jato vive dentro da lei ou está fora, vai perder, vai anular” , diz Luiz Flávio Gomes ao Jornal da CBN

 

 

A Lava Jato está na capa de mais um livro que chega às bancas. E este, literalmente, às bancas, pois a editora Astral Cultural distribui seus livros, de preferência, nas bancas de jornais da cidade, em lugar de deixá-los apenas nas livrarias. Nesse, em especial, a Lava Jato, que está no subtítulo, aparece com um complemento que explica boa parte do que pensa seu autor: “em favor da Lava Jato, dentro da lei”.

 

Dentro da lei, faz toda a diferença para o jurista Luiz Flávio Gomes que defende suas ideias no livro com a mesma contundência com que costuma se pronunciar em entrevistas, já que é fonte frequente nos programas de rádio e televisão. “Ou a Lava Jato vive dentro da lei ou está fora, vai perder, vai anular” disse durante a conversa que eu e Cássia Godoy tivemos com ele no estúdio do Jornal da CBN.

 

Um dos pontos considerados questionáveis pelo jurista é a forma como a condução coercitiva está sendo usada pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Ele lembra que o STF está prestes a tomar decisão sobre o assunto e, conforme, a posição dos ministros, uma parte da investigação pode sofrer prejuízos. Gomes entende que o rigor a lei é necessário pois “diante dos poderosos no poder, qualquer deslize pode ser prejudicial”. Ele teme que por atingir políticos e empresários relevantes no país, os questionamentos a decisões aumentem e sirvam para desmantelar a Operação.

 

Para que não fique dúvidas sobre o que pensa, Gomes enfatiza que “estamos diante de uma cleptocracia, de um governo de ladrões”. E “a eliminação de corruptos tem que ser implacável. Só assim vamos abrir espaço para a reconstrução de um Brasil saudável, mais justo e menos desigual”.

 

 

Em “O Jogo Sujo da Corrupção – pela implosão do sistema político-empresarial perverso. Em favor da Lava Jato, dentro da lei, e pela reconstrução do Brasil” , o autor também reforça a importância do papel do cidadão brasileiro que deve varrer os políticos comprovadamente corruptos que não forem abatidos pela Operação através do que chama de “voto faxina da cidadania ativa”, respeitando a democracia e suas instituições.

Entrevista: Matheus Leitão conta a história do Brasil, na busca pelo delator e torturadores dos pais dele

 

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Matheus Leitão em entrevista ao Jornal da CBN

 

 

Àquela altura, não havia mais o que fazer, a não ser perguntar sem rodeios

 

– Você entregou meus pais?

 

– Oh, quando eu caí… Eu sei qual o teu problema aqui. Eu já estava te esperando. Quando eu caí, eu caí com a imprensa completa. Não tinha como dizer “eu não sou do partido”. Essa é a primeira coisa

 

(trecho do livro Em nome dos pais)

 

 

Do diálogo acima participaram o jornalista Matheus Leitão e um senhor de 73 anos, Foedes dos Santos. A conversa foi em um sítio próximo a São João do Garrafão, no Espírito Santo. A história que reuniu os dois personagens havia acontecido em 1972, quando Marcelo Netto e Miriam Leitão, pais de Matheus e parceiros de Foedes, então integrante do PCdoB, foram presos e torturados pelo Regime Militar.

 

 

A pergunta que marcou essa conversa foi o que levou Matheus a iniciar a investigação que resultou no livro “Em nome dos pais” (Intrínseca) – um trabalho profundo, íntimo e emocionante no qual o autor buscou desvendar a história sofrida por Marcelo e Miriam e nos ajudou a entender um pouco mais sobre o período em que o Brasil esteve submetido à repressão da ditadura militar.

 

Ao ser entrevistado pelo Jornal da CBN, nesta quinta-feira, Matheus contou a maneira como reagiu diante das revelações obtidas através das várias entrevistas que realizou e documentos que conseguiu ter acesso. Pois além de buscar o delator de seus pais também localizou agentes que teriam participado das sessões de tortura.

 

Algumas respostas trouxeram sentimentos contraditórios, pois provocavam repulsa e alívio ao mesmo tempo. O que parece porém lhe incomodar muito mais são as não-respostas, por exemplo as que as Forças Armadas brasileiras se negam a dar, apesar da existência de registros que poderiam esclarecer muitos dos fatos em aberto.

 

Outro incomodo: se o delator, ao fim da conversa, pediu perdão, o Exército ainda não se desculpou dos crimes que cometeu.

 

Na conversa que tivemos, ao lado de Cássia Godoy, em que falamos também do atual momento político brasileiro e do futuro da Operação Lava Jato, Matheus teve oportunidade de falar, ao vivo, com a mãe, Miriam Leitão. Ambos protagonizaram um diálogo emocionante concluído por ela com a certeza que, apesar de tudo, a história que Matheus relata no livro teve um final feliz.

 

Ouça a entrevista completa com Matheus Leitão sobre o livro, sobre a busca da verdade e sobre a luta pela liberdade. Ao fim, o diálogo dele com sua mãe: