Conte Sua História de SP: desde o meu cortiço no Tremembé

 

Osnir G. Santa Rosa
Ouvinte da rádio CBN

 


 

 

Em 1943, ano em que nasci, sem outra opção, meus pais mudaram para o distante, frio e bucólico bairro do Tremembé. Era um cortiço. Minha mãe, que era a caçula de sua grande família, sempre tratada com carinho, chorava todos os dias. Chorava por estar distante de seus pais, de seus irmãos e seus sobrinhos. E chorava pela situação degradante então vivida.

 

Por muitos anos se comentava nas reuniões dominicais das famílias que eu gostava de ficar pelado e assim comecei a engatinhar na Av Nova Cantareira, uns mil e duzentos metros antes de chegar na famosíssima Fazendinha. Não sei se você sabe, mas na Fazendinha, por décadas e décadas funcionou uma padaria.

 

Morar em cortiço é, simplesmente, horrível. Uma vez minha tia foi nos visitar levando seus filhos, meus primos-irmãos, como se diz. Moravam nas imediações, bem junto a um ribeirão fato que lhes trazia enormes transtornos.

 

Eu e meu irmão subimos nas costas dos primos; eu na do mais velho e ele na do mais novo e fomos circular em volta do cortiço. Pois ambos caíram dentro de um fétido córrego ao tentar pular sobre ele com a gente nas costas. Houve um pânico geral. Depois gargalhadas. Só não riam as duas mães ao verem seus rebentos negros de lama poluída e vermes brancos querendo penetrar na pele.

 

Felizmente, não demorou tanto para meu pai conseguir uma casa nas proximidades. Casa que ficava inserida no meio da mata-atlântica, do lado oposto e perto de onde hoje está o Hospital da Polícia Militar de São Paulo.

 

Ali nós conseguíamos pinhões e jabuticabas. Aqueles no inverno; e estas no começo dos verões. Às vezes, ouvíamos tiros de fuzis vindos do estande da Força Pública. Às vezes, víamos grupos de alunos oficiais fazendo treinamento físico pela Nova Cantareira.

 

Em 1953, portanto dez anos depois de ir para o Tremembé, meus país conseguiram comprar um imóvel no extremo oeste da capital e saímos daquela chácara, onde passei os melhores anos de minha vida.

 

Osnir Geraldo Santa Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também sua história da cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: persuasão é essencial para o sucesso das vendas, diz Laila Vanetti

 

 

“A base da persuasão está na construção da sua credibilidade e autoridade, que deve ocorrer de maneira paulatina, pouco a pouco e ao logo de toda sua vida”. Para a linguista Laila Vanetti, a persuasão é ferramenta essencial para o sucesso nas negociações com clientes e parceiros de negócio. Diz que a persuasão é que leva o outro a ação (e a compra). Vanetti recomenda que os profissionais se dediquem a desenvolver estratégias de comunicação, elaborando um discurso lógico e conectado às necessidades e características do seu interlocutor. Segundo ela, para uma comunicação de resultado é preciso que as pessoas percebam que “ali está a essência e a missão da sua vida”.

 

Laila Vanetti, especialista em argumentação, percussão e retórica, foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

O impacto da tecnologia e do populismo na produção jornalística

 

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Dia desses, convocado pela CBN para ancorar programa que comemorava os 26 anos da emissora, tive a oportunidade de conversar com algumas figuras que admiro muito no jornalismo. Reunimos no estúdio em São Paulo e Rio de Janeiro, e colocamos por telefone, comentaristas da rádio além de convidados. Sejam os da casa, sejam os de fora, todos foram motivados a falar sobre o rádio e o jornalismo, momento em que tratamos do impacto que a tecnologia e o populismo têm provocado no desenvolvimento do nosso trabalho.

 

Se você visitar os links que ofereço ao fim deste texto, terá a chance de ouvir o bate-papo com Arthur Xexeo, Renata Loprete, Luis Gustavo Medina, Pedro Doria, Zuenir Ventura, Eugênio Bucci e Thiago Barbosa. Cada um a seu tipo contou histórias relacionadas ao rádio, tenha este a forma do radinho de pilha, que acompanha o Xexeo em suas tarefas caseiras, tenha o desenho das caixas de sons mais modernas com capacidade de conectar todos os equipamentos, usadas pelo Doria.

 

Quero, porém, dedicar esta nossa conversa, caro e raro leitor deste blog, para tema que tem preocupado jornalistas e deveria estar na pauta de todo o cidadão interessado no fortalecimento da democracia: a profusão de notícias falsas, estas que correm mais rápido do que rastilho de pólvora, como dizíamos antigamente. Consta que muito mais rápido do que notícia verdadeira, como nos explicou Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP.

 

Embrulhado em nome novo – fake news -, a velha prática de inventar histórias para prejudicar desafeto ou promover amigo se potencializa nas redes sociais pela agilidade que esta nos proporciona, permitindo sua multiplicação apenas com um clique no botão de compartilhar ou com o acionamento de robôs que espalham o fato para computadores e celulares em todo o mundo – ou para regiões previamente estabelecidas, onde se pretende impactar a opinião pública.

 

Para dar o nome certo a esse fenômeno, Bucci recorre a outro mestre da comunicação e, tanto quanto ele, preocupado com a ética nas relações humanas: o professor Carlos Eduardo Lins da Silva. Para que ninguém tenha dúvida do que estamos falando, eles preferem transgredir a tradução natural do temo em inglês fake news. Em lugar de notícia falsa, usam notícia fraudulenta. E isso faz uma baita diferença.

 

 

A notícia errada é como uma peça estragada na linha de produção que surge de uma falha na sua execução. Pode ocorrer pela qualidade do material usado, pela manufatura, pelo descuido ou irresponsabilidade do profissional que realiza o trabalho. Causa prejuízos a quem consome e a quem fabrica.

 

A notícia fraudulenta é a peça que foi estragada com a intenção de boicotar alguém. É ato proposital. Erro baseado na má-fé de quem o executa. Que surge de autor desconhecido, escondido por mecanismos automáticos e uso de tecnologia e, por isso, prejudica apenas seu alvo.

 

Como jornalista, e jornalista de rádio, veículo que pressupõe a agilidade e velocidade na informação, o risco de publicarmos uma informação errada é imenso. Já aconteceu e, infelizmente, acontecerá outras vezes. Está lá no meu livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), publicado em 2004, que nosso desafio é equilibrar agilidade e precisão na apuração dos fatos. Todas as vezes que abrimos mão da precisão em nome da agilidade, pagamos com o que há de mais caro na carreira do jornalista (e do jornalismo): a credibilidade. Por longo tempo, o rádio, pressionado pela ascensão da televisão, trabalhava com a ideia que o ouvinte queria a notícia em primeira mão. Demorou para perceber que o desejo dele era ter a notícia certa em primeira mão.

 

Reduzir os riscos de erro na cobertura jornalística é o desafio que se impõe e para tal é preciso respeitar a hierarquia do saber – conceito trabalhado por Zuenir Ventura em conversa que já havíamos tido há cerca de um ano na CBN. O jornalista é aquele que procura ouvir quem sabe mais do que ele, que sabe usar o saber do outro para esclarecer os fatos e apurar a verdade. Nossa busca constante é pela verdade possível, a verdade que somos capazes de construir naquele instante em que o caso é relatado. A verdade absoluta apenas o tempo nos oferecerá.

 

Se não vejamos: quando o primeiro avião se chocou no prédio do WTC em Nova Iorque, em 2001, noticiamos um acidente aéreo. Estávamos mentindo? Não. Contávamos a verdade daquele momento. Assim que um segundo avião se chocou na torre, um terceiro despencou sob o pentágono e um quarto caiu na Pensilvânia, outras verdades passaram a se revelar ao longo do dia.

 

 

Em meio a pressão oferecida pela revolução tecnológica que mudou comportamentos e quintuplicou o número de mensagens recebidas por uma cidadão, nos últimos 30 anos, e os interesses de grupos políticos dispostos a distorcer a verdade em busca do poder, o jornalismo tem obrigação de resistir e seguir o seu curso. Intensificar a checagem dos fatos, aprofundar a apuração e proporcionar o contato de posições divergentes, promovendo o diálogo entre os diversos atores de uma mesma cena.

 

 

Encerro essa nossa conversa lembrando frase dita por Eugênio Bucci no início de sua participação no programa da CBN:

 

“O jornalismo não pode faltar na sociedade democrática … e a maior ameaça para o jornalismo é o populismo”

………………………………………

 

Ouça a seguir, o Jornal da CBN especial, em comemoração aos 26 anos da rádio CBN:

 

 

 

 

Mundo Corporativo: “cliente não presta, você tem de ter parceiros”, diz empresário Marcos Scaldelai

 

 

“Na minha vida nunca existiu cliente. Eu sempre fui atrás de parceiros, porque quem é cliente não presta, você tem de ter parceiro e parceiro é aquele que vai construir junto com você”. A afirmação é de Marcos Scaldelai entrevistado de Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele lançou, neste ano, o livro “Vendedor Falcão – visão, velocidade e garra para vencer”, no qual defende a ideia de que o negociador tem de ser agressivo e consistente para ter resultados positivos com os seus parceiros. Porém deve-se levar em consideração que a negociação precisa ser um jogo de ganha-ganha, na qual as duas partes saiam satisfeitas.

 

Marcos Scaldelai é empresário, palestrante e escritor. Até recentemente foi presidente da Bombril e tem se dedicado a levar a experiência desenvolvida ao longo de sua carreira como líder e vendedor às mais diversas empresas no Brasil.

 

O programa Mundo Corporativo é gravado, às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão ao vivo no site na página da CBN no Facebook. Vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo a Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

#CBN26anos – A minha história do rádio

 

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Sou do rádio desde muito pequeno. Aventurei-me no jornal, escrevi em revista, editei, reportei e ancorei em televisão, e atuei na internet. Mas aí já era profissional do jornalismo. E como tal somos de todas as mídias. Temos de ser de todas as mídias para sobreviver. Foi o rádio, porém, que influenciou minha vida desde criança.


 

Lá em casa, em Porto Alegre, o aparelho ficava sobre o balcão, na sala de jantar. A mãe costumava levantar o som sempre que o pai fosse falar. Sim, meu pai é radialista e jornalista, também – como o caro e raro leitor deste blog deve saber. Ao menos o foi até que a falta de sensibilidade dos gestores de rádio o fez ir para casa e aposentar seu talento. Além de narrador de futebol, Milton Ferretti Jung, o pai, foi locutor de notícias. Mais do que isso: foi o melhor locutor de notícias do Rio Grande do Sul. Apresentou por anos o Correspondente Renner, síntese noticiosa da rádio Guaíba, na época uma potência.

 

Sempre que o noticiário estava para começar, era a oportunidade de a mãe por ordem na casa. Para calar a bagunça dos filhos e a “brigalhada” dos irmãos, ela levantava o som do rádio e alertava a todos: “se continuarem gritando, o pai vai ouvir e quando chegar em casa vocês vão se ver com ele!”.

 

Silêncio total na sala. Vai que o pai ouve.

 

Crescemos imaginando que o ouvinte podia ser ouvido pelo radialista. Houve um momento, não sei quando, em que percebemos que aquela interação não era possível, mas entendemos também que tudo que a mãe precisava era de alguns minutos de paz para ouvir o pai falando. Nós também queríamos saber o que o pai tinha pra contar: ele sempre trazia as notícias mais importantes do Brasil e do Mundo. Dava um baita orgulho saber que era o nosso pai que estava ali contando todas aquelas coisas importantes para o Mundo e para o Brasil. Sem exagero. Não tinha internet, mas nas ondas médias e curtas, a Guaíba às vezes era ouvida das partes mais distantes do planeta.

 

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Nem havia crescido muito quando conheci o estúdio de uma emissora de rádio. O pai fazia questão de nos levar à Guaíba, especialmente nos fins de semana. Acho que era para dar uma folga para mãe. Às vezes, enquanto ele lia o noticiário, os colegas nos distraíam proporcionando jogos de futebol no corredor da rádio, onde a bola era feita de papel das laudas de notícias embrulhadas aos montes por durex.

 

Demorou pouco para o pai cometer um sacrilégio: abrir a porta do estúdio da rádio e me permitir sentar ao lado dele, durante a locução do Correspondente Renner. Naquela época, o estúdio era lugar sagrado. Só os Deuses da Voz tinham o direito de permanecer lá dentro. Eu sequer para anjo servia. Mas fazia enorme esforço para não decepcioná-lo. Ficava ao lado dele em silêncio, total silêncio. Mal respirava durante os 10 minutos de duração do Correspondente. Ver o pai com os cotovelos sobre a mesa do estúdio e as mãos colocadas em formato de concha, enquanto pronunciava com precisão e expressividade cada palavra, me emocionava.

 

Havia dias em que o pai me deixava visitar a redação do jornal Correio do Povo, que ficava no andar de baixo, do mesmo prédio da rádio, onde meu tio trabalhava com editor-fechador da edição de domingo. Era ele quem tinha de atualizar as últimas informações e acompanhar o jornal rodando nas esteiras antes de começar a ser distribuído por todo o estado do Rio Grande do Sul. Tio Tito Tajes me deixava dedilhar nas máquinas de datilografia, pedia para recolher as notícias que chegavam na sala de teletipos – espécies de computadores da Idade da Pedra – e me levava a passear entre as rotativas do jornal. Foi lá naquela redação que conheci Mário Quintana, o poeta.

 

Era lindo, mas era o rádio que me fascinava.

 

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Meu primeiro estágio em jornalismo foi na Guaíba, por obra do meu pai, claro. De lá sai para trabalhar em outras mídias e retornei ao rádio quando já havia desembarcado, em São Paulo, há algum tempo. Vim para trabalhar em TV e foi na redação da TV que conheci Heródoto Barbeiro que, ao saber de meu passado e desejo, me convidou para apresentar programa na CBN, onde permanecerei até segunda ordem.

 

Tantos anos depois, descobri que minha mãe tinha razão quando nos mandava calar porque o pai podia ouvir. Era como se ela estivesse prevendo o que viria a acontecer. Hoje, os jornalistas de rádio trabalham com os ouvidos (e os olhos) bem abertos porque o ouvinte fala o tempo todo. Fala no e-mail, fala no WhatsApp, fala no Facebook e fala no Twitter. Ainda fala por carta. Fala quando encontra você na rua, no shopping, na Igreja, onde quer que você esteja.

 

Ai de você que não ouça o que ele pensa. Pode se livrar de algumas chateações, mas, tenha certeza, estará desperdiçando ótimas oportunidades de se desenvolver na carreira e realizar jornalismo qualificado, que atenda as demandas do cidadão. Sem contar que esses ouvintes que “falam” são, atualmente, fontes importantes de informação, que não podem ser desdenhadas.

 

Quanto ao pai, segue em Porto Alegre. Respeitado por aqueles que conheceram seu trabalho. Na memória dos que cresceram ouvindo os jogos de futebol e as notícias do dia. E na história dos que se preocupam em estudar a trajetória do rádio brasileiro.

 

Como disse lá no início, sou do rádio desde pequeno. E o pai tem tudo a ver com isso. Obrigado, pai!

Conte Sua História de São Paulo: para comemorar o aniversário do bairro do Limão

 

Mercedes Darós
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Cheguei aqui em São Paulo no ano de 1969, na antiga rodoviária, bem cedo. Tomei um táxi para o bairro do Limão. Para chegar lá, passei pela ponte sobre o rio Tietê. Os terrenos laterais da Marginal eram um charco imenso, ouvia-se os grilos, os sapos e vagalumes, pareciam estrelas.

 

Vim pra cá para trabalhar no Colégio Padre Moye e fiquei até 2015, na maior alegria e realização. Adoro o campo da educação. Servi 23 anos no cargo de direção do colégio, que é de minha congregação religiosa. Todos daqui e arredores me conhecem como a Irmã Mercedes, do Colégio Padre Moye. Sempre abri portas e coração à população e recebi da Câmara Municipal o título de Cidadã Paulistana, que muito me honrou. Ganhei igualmente o Título de Cidadã Limoense.

 

Fui percebendo a falta de identidade dos moradores daqui e retomei a comemoração do aniversário do Limão, que é celebrado no dia 1º de outubro, a fim de criar estima, valorização e agregar as lideranças; pois historicamente, nosso bairro sempre foi considerado o “escoadouro da Zona Norte”, um lugar de passagem. Criamos então, com voluntários, a comissão “Pró Limão”. Assim, com pequenas ações, olhamos para o bem comum de todos. Não temos estatuto nem somos uma associação registrada. Damos presença, solidariedade às agremiações existentes.

 

Nossa Comissão Pró Limão assumiu zelar pela ordem e limpeza da Praça do Largo do Limão, tão descuidada. À noite eu vou, pois moro mais perto, e para não dar muito na vista, vou, tiro o lixo, folhas, galhos e plantamos mais pés de Limão, como árvore símbolo do Bairro, que lhe deu o nome.

 

Por curioso que seja temos aqui o bairro do Limão, o Jardim das Laranjeiras e a Rua das Tangerinas, chácaras cítricas, dos inícios… Mas em contra partida temos a Avenida Nossa Senhora do Ó e a Casa Verde… coitado de nosso bairro, tudo misturado.

 

Quando nosso bairro completou 80 anos foi demais… conseguimos pela primeira vez trazer a Câmara Municipal para fora dos muros do Viaduto Jacareí, com uma sessão solene, no bairro do Limão, no Colégio Padre Moye.
Neste ano, o Limão completa seus 96 anos.

 

Irmã Mercedes Darós é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também histórias da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo – Nova Geração: Eduardo LHotellier diz como a falta de experiência pode jogar a seu favor

 

 

“A falta de experiência por um lado é bom em alguns casos porque como você não sabe o que fazer tem de inventar uma maneira nova e muitas vezes a maneira nova que você inventa é melhor que a tradicional, mas também você comete muitos erros, então não tem jeito: é cometendo erro e aprendendo com ele”. A opinião é de Eduardo LHotellier, que aos 24 anos lançou a GetNinjas, uma das startups de maior sucesso no Brasil, desenvolvida para conectar prestadores de serviço – de pedreiro a chef de cozinha – a clientes através de plataforma tecnológica. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN, LHotellier, que está com 30 anos, apresenta estratégias que podem ser usadas por empreendedores que estão abrindo suas empresas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 horas, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Generosidade multiplica minha satisfação pelo Comunique-se em “empreendedorismo”

 

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Felipe Andreoli (apresentador), Natalia Viana (Agência Pública), Peter Fernandez (99), eu e Serginho Groisman (apresentador)

 

Há quem apresente o Prêmio Comunique-se como o Oscar do Jornalismo. Foi assim que os organizadores o auto-intitularam lá no início, há 15 anos. É assim que muitos dos meus colegas de profissão se referem a ele. Hoje cedo, no Jornal da CBN, ouvi Arnaldo Jabor fazer esta referência quando enalteceu o prêmio pelo fato dele celebrar uma das maiores conquistas da democracia: o jornalismo livre. Esse jornalismo que incomoda da direita à esquerda. Que não é poupado pelos que estão no poder, os que querem assumi-lo e, às vezes, até mesmo pelos que se sentem subjugados por ele (pelo poder, lógico).

 

Exageros à parte, o Comunique-se transformou-se em um prêmio relevante para os profissionais da comunicação tendo seus vencedores superado três etapas de votação. Neste ano, foram mais de 600 mil eleitores no total, a maior parte jornalistas, estudantes e gente ligada ao segmento.

 

 

Ao longo do tempo, estive no palco como finalista por inúmeras vezes e conquistei o troféu de Melhor Âncora de Rádio, em 2009 e 2014. Na noite de terça-feira, ao lado das repórteres Maria Desidério (Exame) e Vivian Codogno (Estadão) fomos finalistas da categoria jornalismo de empreendedorismo, criada nesta edição para destacar os profissionais que fazem a cobertura do tema através de reportagens, entrevista e edição em TV, rádio, jornal, revista ou internet. A diretora da Agência Pública, Natalia Viana, venceu a categoria “jornalista empreendedora”.

 

Muito em função do trabalho que realizo no programa Mundo Corporativo, e pela própria popularidade que a rádio CBN nos oferece, venci a recém-criada categoria, o que me fez, aos mais de 50 anos, sentir-me como um pioneiro. Fiquei especialmente feliz porque há algum tempo tenho me dedicado a olhar o campo do empreendedorismo de forma especial. Lá mesmo na rádio, estive à frente do CBN Young Professional e agora sou parceiro de Thiago Barbosa no CBN Professional, produzido exclusivamente em podcast, em parceira com a HSM Educação Corporativa.

 

Faz parte deste trabalho voltado ao empreendedorismo, o livro “Comunicar para liderar”, escrito em co-autoria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e lançado pela editora Contexto, em 2015. Nele falamos da importância em se desenvolver a capacidade da comunicação quando se pretende comandar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira. Parte do sucesso dos empreendedores está relacionada a forma como interagem com seus diferentes públicos, desde sócios, parceiros de negócios até clientes e a própria mídia.

 

Cobrir o tema do empreendedorismo e das corporações também nos oferece um tremendo desafio pois caminhamos por uma linha tênue que jamais pode ser ultrapassada. Temos de tratar de empresas, de negócios e de profissionais, sempre com o viés jornalístico sem permitir que interesses comerciais influenciem a cobertura.

 

Nessa área, costumamos ter na mídia impressa profissionais especializados fazendo trabalho de excelência e com muito apuro, e tive ao meu lado como finalista dois belos exemplos – a Mariana e a Vivian. Na mídia eletrônica, por muito tempo surgiram programas com tendência comercial que deixavam de lado os critérios jornalísticos. O Mundo Corporativo, criado há 15 anos, tem a intenção de apresentar o conhecimento e a experiência de líderes empresariais e do empreendedorismo, de gestores, consultores e coachs com atuação nas mais diversas áreas da economia. Uma cobertura pautada pelo interesse público e com foco no desenvolvimento profissional.

 

No caso específico do empreendedorismo, o Brasil sempre foi um campo fértil, na maioria das vezes, porém, proveniente de uma ação voluntariosa de pessoas que, sem encontrar espaço no mercado de trabalho, partiam para negócios próprios. Gente que, por falta de conhecimento e dificuldades estruturais, abrem empresas e lançam negócios insustentáveis. Esse cenário tem sido alterado com o surgimento de personagens e casos de sucesso que empreendem com profissionalismo, investem na inovação e transformam a sociedade.

 

Minha colega Miriam Leitão, na conversa que tivemos logo cedo no Jornal da CBN, lembrou que o empreendedorismo “libera a criatividade do povo brasileiro, ocupa um espaço importante e privatiza a economia brasileira”. Ela salientou que a prática resulta em empresas que nascem por conta própria, se financiam com fundos na maior parte das vezes privados, disponíveis no mercado: “isso é que atualiza e moderniza a economia brasileira”.

 

 

Usar o jornalismo para incentivar o empreendedorismo é uma boa forma de fazer parte deste processo de desenvolvimento no país, sem jamais perder a independência, o equilíbrio e o olhar crítico sobre os fatos.

 

Minha satisfação em receber o Comunique-se na categoria “cobertura em empreendedorismo” se multiplicou a partir das várias mensagens recebidas, nesta quarta-feira, de ouvintes pelo Twitter, Facebook, WhatsApp e e-mail. É o maior incentivo que eu poderia ter. E sou muito grato pela generosidade de todos.

Conte Sua História de SP: na terra em que “benção” é “bom dia”

 

Por Izaura Costa do Prado
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Sou de Paripiranga, estado da Bahia. De lá fui para Aracaju, em Sergipe, mas o grande passo foi vir para  São Paulo, mesmo sem ter, até então, parente algum morando aqui. Eu queria conhecer a cidade sobre a qual tinha lido na cartilha escolar,  onde o personagem paulistano dizia:

 

– Bom dia, titio!

 

Fiquei admirada pois na minha terra, em vez de bom dia titio, dizíamos:

 

– Sua benção, tio!

 

Na década de 1950, a cidade já era agitada e os bondes circulavam cheios de trabalhadores. Assim que cheguei, mesmo sem experiência, consegui emprego como aprendiz de costureira na Rua Prates, região da José Paulino. Trabalhei no mesmo local por 17 anos. Fazia horas extras, economizava tudo o que podia e mesmo sem os benefícios do vale-transporte, cesta básica ou tíquete refeição – na época não existia nada disso – consegui guardar o dinheiro suficiente para dar entrada no imóvel que moro até hoje, no bairro da Casa Verde.

 

Era um terreno com dois cômodos inacabados mas pelo menos era meu canto. Alguns anos depois conheci meu marido, me casei e tenho uma filha que teve a oportunidade que não tive: concluir o ensino superior.

 

Ela diz que a melhor decisão que tomei na vida foi vir para São Paulo, diz ter sido um ato de coragem pois cidade grande pode assustar. É verdade, mas quando a gente é nova nem pensa nisso.

 

Aqui era e ainda é a cidade das realizações para quem se dispõe a trabalhar duro e lutar em busca dos objetivos. Os problemas podem ser grandes mas a cidade é  maior que todos eles.

 

Izaura Costa do Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: “tire a barriga do balcão”, ensina Antonio Nasraui, do Rei do Mate

 

 

O dono do negócio não tem de estar com a barriga no balcão, como se costuma dizer popularmente, mas à frente dele, olhando o que está acontecendo na sua loja, com o olhar do consumidor. A recomendação é de Antonio Carlos Nasraui que ocupa o cargo de CEO do Rei do Mate, que se iniciou com o pai dele em uma loja popular, no centro de São Paulo, e atualmente é uma franquia com cerca de 330 pontos de venda, espalhados pelo Brasil. Ele foi entrevistado por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da radio CBN.

 

Com base na experiência que adquiriu desde que assistia ao pai na primeira loja montada na avenida São João, Nasraui lembra aos franqueados que é nos detalhes que se percebe a qualidade do produto e do serviço oferecidos. Uma lâmpada queimada ou lâmpadas com coloração diferentes transmitem mensagem de desleixo. Um pano de limpeza esquecido em cima da geladeira, também: “passa um dia, passam dois, de repente essas coisas viram paisagem, passam a fazer parte da imagem da loja”.

 

Outra lição que aprendeu com o tempo: se o cliente pagou por um copo de café ou de chá e não bebeu tudo, alguma coisa errada tem; ou o sabor não estava bom ou a temperatura não estava correta. É preciso atenção. E Nasraui faz questão de transmitir esse conhecimento a toda rede de franqueados pois sabe que são ensinamentos que ajudam no sucesso de uma loja: “O meu franqueado é o maior patrimônio, eu preciso fazer ele ganhar dinheiro, ele precisa estar feliz porque ele é que vai vender o meu negócio para outros franqueados”

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Participam do programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.