Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a importância da arquitetura na construção da marca

prédio da IBM em Milão, Itália

“Os espaços das empresas precisam, ainda mais do que antes, reforçar sua identidade, suas promessas, seu propósito”

Cecília Russo

A retomada dos espaços físicos e corporativos, após longo período de reclusão e distanciamento, provocado pela pandemia da Covid-19, traz de volta a necessidade de se ter ambientes apropriados e confortáveis para seus colaboradores e clientes, tanto quanto sintonizados com os valores que a marca busca projetar. Cecília Russo e Jaime Troiano chamaram atenção para o cuidado que se deve ter ao projetar uma sede, um escritório ou uma loja. Esses ambientes precisam ser pensados dentro da estratégia de comunicação da marca. 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime recorreu ao ditado, em latim, “facies est especulum animae”, que significa, em português, “a face é o espelho da alma”. E explicou:

“A face é a aparência, o estilo visual, a arquitetura do espaço. A alma é a marca e os seus significados. Uma precisa estar espelhada na  outra” 

Jaime Troiano

Para ilustrar o tema, Cecília trouxe observação feita em sua viagem à Milão, onde deparou com prédio da IBM, na badalada região da Porta Nuova, projetado pelo arquiteto Michele de Lucchi. Um espetáculo, segundo ela, que abusa da madeira para abraçar o prédio em contraste com a tecnologia: 

“Quando a gente pensa em tecnologia em geral, pensa em materiais mais frios, mais metálicos. Quando a gente pensa em madeira vem essa coisa do aconchego, de uma cor mais quente, né de um material. E isso revela o que já falamos dessa tendência do ‘tech’ com o ‘touch’ e espelha muito o que uma marca quer contar”.

Cecília Russo

Jaime encontra em sua experiência profissional o exemplo para o tema que tratamos no Sua Marca. A Preçolândia é uma rede de lojas que vende todo tipo de utilidades domésticas, e para resumir a alma do negócio, ele e sua equipe usaram a frase “sua melhor casa, todos os dias”. Foi a partir daí que a arquitetura das lojas obedeceu a esse posicionamento:

“Mas qual não foi nossa supresa: o próprio escritório administrativo deles, que fica aqui na zona oeste em São Paulo, teve sua decoração e arquitetura redesenhadas. Por quê? Os colaboradores da empresa, que são seus maiores embaixadores,  precisam viver esse mesmo clima do posicionamento”.

Jaime Troiano

Você ouve o comentário completo do Jaime e da Cecíla, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no arquivo a seguir. E para aprofundar no assunto, aproveite para ler o artigo “Arquitetura: o habitat da marca”, assinado pelo Jaime e pela arquiteta Luciana Aliperti, que está publicado no livro  Brandintelligence, lançado em 2017.

Mundo Corporativo: em estratégia ESG, Heineken proporciona conta de luz mais barata ao consumidor, explica Mauro Homem

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“Sustentabilidade não é sobre o seu tamanho ou sobre sua capacidade de investimento; é muito mais sobre a sua intenção e o quanto o genuíno você está indo nessa direção”

Mauro Homem, Heineken

As empresas têm percebido que não alcançarão o sucesso que esperam sem terem relevância significativa nas áreas ambiental, social e de governança. A despeito de seu tamanho ou finalidade, cada uma cria sua própria estratégia para expressar esse compromisso, adaptando-a a seus processos de produção e ao segmento que representa. A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, por exemplo, definiu três  blocos de atuação e, um deles, está diretamente ligado ao impacto que os produtos que leva ao mercado tem na saúde do consumidor. Assim, está entre suas prioridades desenvolver campanhas pelo consumo equilibrado e responsável de álcool. 

Na estreia da série Mundo Corporativo ESG —- em que destacaremos nos próximos meses ações em favor da governança ambiental, social e corporativa —, Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken, explicou como o tema evoluiu ao longo dos anos dentro da empresa, deixando de focar apenas nas questões ambientais:

“A gente sabe que uma empresa que produz cerveja naturalmente tem que lidar com questões relacionadas ao consumo de álcool. Isso é uma grande preocupação; e a Heineken é vanguardista nessas discussões de consumo equilibrado. Ainda mais agora, desde o advento da Heineken 0.0 e do portfólio  de menor teor alcoólico, também”.

Na área social, o foco está na diversidade e inclusão com incentivo para a maior participação de mulheres e negros, em especial em postos de liderança. Além das quatro paredes, a Heineken também age no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade, através do Instituto Heineken Brasil. São três os públicos atendidos: os ambulantes. os catadores de material reciclável e os jovens.

“No caso dos jovens em posição de vulnerabilidade, temos dois grandes olhares: o primeiro, é a relação saudável e equilibrada com o álcool, para que esse jovem não vá para o consumo nocivo; e o segundo é a geração de empregos”.

Do ponto de vista ambiental, que faz parte do tripé estratégico da cervejaria, o impacto começa dentro da própria empresa, com implantação de sistemas mais eficientes de gestão hídrica, por exemplo. Em outro programa que se iniciou com bares e restaurantes e agora se estende ao cliente final, a Heineken criou uma plataforma que conecta geradores de energia limpa e os consumidores, oferecendo energia mais barata. Isso mesmo que você leu: ao se cadastrar no programa, além de consumir energia renovável, o custo da sua conta de luz vai diminuir. 

Mauro explica que a geração distribuída é mais eficiente por ter menos perda técnica, e uma incidência de impostos diferenciada, podendo gerar redução de 15 a 20% no valor da  conta de luz para os consumidores. O cadastro, de graça, deve ser feito no site Heineken Energia Verde. Infelizmente, nem todas as concessionárias de energia elétrica permitem essa substituição por fontes renováveis. Mas, já podem se beneficiar do programa, os moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, algumas cidades do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo —- neste caso apenas nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.

“O potencial é enorme. Nossa ambição e chegar em pelo menos 50% de todos os nossos bares e restaurantes, quase um milhão de pontos de venda no Brasil. E é um volume muito grande de clientes, também. Mas poderíamos chegar a pelo menos 50% até 2030”

A transformação que as empresas tiveram de encarar diante do conceito ESG — sigla de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — provocou mudanças na forma de os profissionais atuarem, gerou novos desafios e abriu oportunidades. O próprio Mauro viu sua carreira ser influenciada por essa nova visão, quando a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental. Ele fez gestão ambiental na USP, em Piracicaba, interior de São Paulo  —- em lugar de seguir a trilha mais consolidada da engenharia ou direito, como imaginavam pessoas próximas. Buscou outras formações na área de administração e iniciou-se na carreira profissional, na Danone. Lá atuou pela primeira vez na área ambiental e, depois, foi cuidar de relações governamentais.

A sustentabilidade —- já com essa visão mais ampla em que o social e a governança se alinhavam às preocupações ambientais —- voltou à carreira de Mauro na Heineken, para onde se transferiu há quatro anos. Antes da vice-presidência que ocupa, atuou com a comunicação corporativa:

“Eu acho que os profissionais precisam buscar cada vez mais essa conexão com os problemas do mundo exterior e traduzir isso em oportunidades também por um ambiente corporativo. Então, acho que é nesse sentido que os profissionais têm tido cada vez mais oportunidades. É nisso que eu vejo as carreiras mais próximas na área de sustentabilidade, também”.

Assista ao primeiro episódio da série Mundo Corporativo ESG com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: como se todos os dias fossem domingo

Por Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

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Ela chegou de mansinho, sorrateiramente, sem fazer alarde, com um tanto de timidez, devo confessar. Diferentemente dessas que espontaneamente se aproximam esfuziantes e nos envolvem tornando-se logo íntima. Não tenho na memória a data exata dessa aproximação, sei que estava às vésperas de me tornar um sexagenário, na inconsciente expectativa de que em algum momento o calendário frio da existência acusaria a lenta metamorfose pela qual é destinada a quem consegue galgar os degraus desta vida terrena. O tempo da nossa passagem nesse plano, assim como conhecemos, tem o seu preço, o envelhecimento do corpo, não que o envelhecimento seja um castigo, talvez um prêmio por algo inexplicável, ou a certeza da fragilidade do ser, desafiando a saúde e a vitalidade.

Assim, a tal visita, agindo como uma síndrome matreira, invisível a olho nu, evasiva a um Raio X e, mesmo entregue à sorte de uma Ressonância Magnética, foi se aproximando e ganhando espaço sem uma causa aparente que pudesse definir sua chegada, causando medo e incertezas. Aos poucos, foi me envolvendo e ganhando terreno. Mexeu com o meu cognitivo. 

Agora, senhora de si, incomoda o meu físico, perturba o meu psicológico, por vezes deixa-me trôpego, trêmulo, limitando os meus movimentos, por mais simples que sejam.

Provavelmente, quero crer, foi num momento no qual a minha vida passava por um processo de transição, com a chegada na terceira idade, a tão aguardada aposentadoria e a expectativa de uma nova fase para curtir a vida. 

Embora ainda me sinta produtivo, quis as circunstâncias que as minhas atividades profissionais diminuíssem pouco a pouco. Pegou de jeito o meu estado emocional, sem que eu tivesse chance de escapar, por mais que desejasse. 

Fragilizado, não tive forças de reagir à invasão da qual estava me submetendo. Sequer sabia quem estava ocupando o espaço da minha intimidade. Hoje, refém dessa visita, percebo que ela, embora plenamente presente em minha vida, torna solitários alguns dos meus momentos. Limita as minhas atividades, usurpa a minha autonomia, já não sou dono dos meus passos, muito menos das minhas idas e vindas. Os caminhos se tornaram árduos e as distâncias se ampliaram. 

Mesmo assim, difícil fazer entender aos que me cercam, tenho lá minhas limitações, quero que respeitem minhas lágrimas, não que questionem o meu silêncio, por mais que tento exaustivamente explicar que não escolhi esta companhia, tampouco aponto culpados. Bem sei o quanto é difícil expulsá-la, cabe a mim, somente a mim, seguir e caminhar com ela, mesmo que a passos lentos e claudicantes e viver um dia de cada vez, viver com intensidade e alegria, como se todos os dias fossem domingo, domingo no Parkinson de diversões. 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: simples, sem culpa e celebrando o Dia das Mães

Reprodução da campanha do Dia das Mães do Boticário

“Parece que o Ibope das mães cresceu no pós-pandemia”

Jaime Troiano

A sensação de normalidade, após dois anos de pandemia, fez explodir o desejo de filhos comemorarem o Dia das Mães. É o que mostra pesquisa recente, feita pela Behup para a Globo, em que a quantidade daqueles que disseram que pretendem celebrar a data pulou para 71%, neste ano — em 2021, eram 65%, e em 2020, 60%. Estar à mesa ao lado da mãe, seja em casa seja em restaurante; ver presencialmente a mãe nesse domingo; estar ao lado dela assistindo à televisão foram alguns dos desejos expressos pelas pessoas ouvidas na pesquisa — em percentuais bem acima daqueles encontrados nos dois anos anteriores.

Mudou o comportamento, mudaram as marcas — é o que perceberam Cecília Russo e Jaime Troiano ao analisar a forma como algumas delas se comunicaram com os diversos públicos nestas semanas que antecederam o Dia das Mães. Seria errado dizer que esse novo olhar começou agora. A imagem de mãe — da mulher em geral — vem se transformando com o passar dos anos. Seja como for, neste 2022, as marcas deixaram isso bastante evidente:

“Pensando nas marcas, vejo algo bem interessante de se observar que é o
caminho que algumas delas estão adotando de abrir uma discussão para liberar as mães dos estereótipos, da imagem da super mulher ou da mulher perfeita”.

Cecília Russo.

Jaime e Cecília destacaram, em especial, três campanhas para ilustrar as mudanças que estão ocorrendo no branding. A primeira é a do Boticário, que trabalha com o conceito de “maternidade sem julgamentos”, em resposta a pressão que as mães sofrem de todas as partes — amplificadas pelo digital, nos grupos de WhatsApp ou nas redes sociais — que faz aumentar o sentimento de culpa que assombra as mães: 

“Parece  que as mães sempre se sentem culpadas por algo que imaginam que estejam devendo. Sentem-se culpadas porque não ficaram com os filhos as horas que gostariam, sentem-se culpadas porque não puderam acompanhar a apresentação do filho na escola, ou ainda porque não chegaram a tempo de por filho para dormir. Costumo dizer que nasce uma mãe e nasce a culpa junta, já vem como um chip instalado”.

Cecília Russo.

Embalada pela música ‘Simples Assim’, cantada por Ivete Sangalo, a Hering investiu em um sentimento dos mais universais e atemporais relacionados à maternidade, apresentando-se com o tema “se um filho é feliz, toda mãe é simplesmente mais feliz”. Ao destacar a simplicidade, a marca está em sintonia com o momento e com sua essência, a medida que é fabricante de roupas e produtos que expressam simplicidade.

A Renner, seguindo a tendência que apareceu na pesquisa de comportamento do consumidor, levou para sua campanha o moto “celebre cada minuto”:

“Com essa campanha, a Renner estimula a convivência e a cumplicidade entre mães e filhos”. 

Jaime Troiano

Ouça a análise completa sobre as campanhas publicitárias no Dia das Mães e outros dados da pesquisa sobre comportamento do consumidor nesta data, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização do Paschoal Júnior:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manhã.

Mundo Corporativo: Beatriz Sairafi, da Accenture, mostra as vantagens que a chegada da geração 50+ traz às empresas e aos jovens

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“A liderança é a primeira que precisa abrir as portas. Não adianta a gente fazer isso num cantinho da organização. Tem que ter de fato apoio e,  muitas vezes, você começa com um grupo de pessoas apoiando e depois os outros se contagiam e a agenda avança” 

Beatriz Sairafi, Accenture

Um administrador, com 63 anos, que fez toda sua carreira na área ambiental e, desde 2017, estava fora do mercado de trabalho. Uma advogada que, aos 54, já havia dedicado parte de sua vida profissional a uma multinacional e estava desempregada há dois anos. Dois exemplos de pessoas que, mesmo estando desempregadas e tendo passado dos 50 anos, tiveram talento e conhecimento reconhecidos pelo programa de diversidade geracional implantado pela Accenture, no Brasil. Os dois, assim como cerca de 130 colaboradores com mais de 50 anos, foram contratados durante a pandemia. Ao apostar na maturidade profissional, a empresa de consultoria e tecnologia, de atuação global, deu segmento às políticas afirmativas que começaram há 15 anos, e já abriram as portas para mulheres, deficientes, negros e pessoas LGBTQIA+. 

Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, explicou que a decisão de investir na diversidade surgiu quando se percebeu que eram diversos, também, os públicos com os quais a empresa trabalhava:

“Nós atendemos e trabalhamos com vários segmentos de clientes, no setor financeiro, de consumo, de varejo, de saúde, de  recursos naturais. Imagina a diversidade de clientes que o nosso negócio atende. E para isso eu preciso ter de fato pessoas diversas. Se eu não tiver pessoas que realmente tem uma especialidade diferente da outra, a gente não vai conseguir fazer o melhor pelos nossos clientes”. 

A despeito de Beatriz ser do setor de Recursos Humanos, ela explica que a agenda de transformação das empresas não depende do RH, tem de ser uma agenda dos líderes porque, além de fazer parte de um planejamento de longo prazo, é necessário uma mudança ampla na cultura corporativa e isso só acontecerá diante de gestores humanizados e engajados nas mudanças. Esse movimento não se resume a abrir vagas, exige ambientes apropriados, profissionais abertos ao novo e diverso e uma comunicação efetiva entre os setores: 

“Somos uma organização em que 60% são milênios, 20% são ‘centênios’. E a gente falou: ‘puxa vida, será que o grupo mais jovem vai apoiar’.  Nossa. super apoiou e teve muito orgulho de fazer parte de uma jornada de transformação para o mercado e não só para nós”.

E, convenhamos, não haveria porque não apoiar. Profissionais conscientes tendem a perceber rapidamente as vantagens que a convivência geracional proporciona para toda a equipe de trabalho:

“Muitas vezes falta uma experiência técnica, mas a maturidade emocional e as competências pessoais; já terem vivido e passando por tanta coisa, faz com que em uma situação que parece urgente, a pessoa fala: ‘não, calma!’. Isso traz maturidade emocional e uma perspectiva de vida, uma experiência complementar aos jovens. É uma troca muito rica, onde todos têm aprendido um com o outro. E a gente ainda tem muito a explorar essa relação”.

O programa de incentivo aos profissionais 50+ seguiu modelo semelhante aos implantados em anos anteriores para outros segmentos: começa pelo recrutamento; identificação de líderes influenciadores, que são chamados de sponsors (ou patrocinadores);  formação de comitês com pessoas que se voluntariam a trabalhar com o tema; diálogo permanente para ouvir as necessidades; capacitação dos profissionais contratados; e, finalmente, aplicação de métricas para identificar de forma precisa os resultados alcançados. 

Para Beatriz, entender as demandas dos públicos que se pretende alcançar é fundamental para que se tenha o engajamento dos colaboradores:

“Então, a gente percebe que o índice de engajamento cresce muito quando as pessoas simplesmente podem ser quem elas são, porque não dá para você contribuir com o seu melhor e dar o seu melhor também para a empresa, com as suas ideias, com o seu talento, com toda a sua bagagem, se você tiver que entrar no script. Se você tiver que não falar algumas coisas porque pode ser mal interpretado”. 

Engajamento que fica evidente na fala de nossa entrevistada quando provocada a tratar da atuação dela dentro da empresa, onde consegue, a partir de seu trabalho, alcançar seus propósitos. Dentre eles, o interesse em fazer a diferença e construir um mundo melhor:

“A gente tem uma responsabilidade muito grande de mudar o nosso entorno. Acho que esse essa é uma missão minha mas de RH como um todo”.

Para entender como é possível levar essa discussão e implantar programas em favor da diversidade dentro da empresa em que você atua, vale a pena assistir à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Beatriz Sairafi, da Accenture:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: da ave grande ao rio dos bagres

Carlos Pañella

Ouvinte da CBN

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Tinha cinco anos quando o caminhão de mudança encostou na escura rua Parazinho — ares bem diferentes do interior. Armstrong e Aldrin estavam por pisar na Lua e Ho Chi Min por deixar o mundo. Na minha angústia, fixei a vista no Mickey estampado na lataria do ford baú. 

O bairro era Jaçanã, nome dado pelos índios a uma ave grande, mas ninguém a via mais por ali. Por pouco perdemos o trem de Adoniran. Não passava mais, nem “amanhã de manhã”. Foi aí que tive meu primeiro caminho suave. 

Logo mudamos para o Tucuruvi, “gafanhoto verde” do tupi. Só soube disso depois de grande; e a figura do gafanhoto no bolso do avental do grupo escolar agora faz todo o sentido. 

Descartado o inseto, mudaram o bolso, agora com um desenho de vulcão. Explicaram que era uma homenagem a um advogado e jornalista curioso tragado por uma fenda do italiano Vesúvio. Meus irmãos e eu brincávamos nas argilas da rua Bonita, onde ainda se via os antigos trilhos. Hoje, abaixo do berço do trem roda o metrô. 

Remudamos  — mudança era com a gente mesmo! — para o Mandaqui. Olha o tupi aí: “rio dos bagres” que já não havia, fora engolido pelo asfalto. Tempos de namoros na cidade. Nunca vou me esquecer dos trólebus, com a traseira encurvada e os janelões que abriam verticalmente por duas “borboletas” pressionadas, deixando o vento bater no rosto. 

Fazia educação física no Tremembé — “terreno alagado” para os tupiniquins. Quando conheci o bairro, felizmente já estava seco. 

Saí da Zona Norte para o Centro só quando casei. Trabalhava em São Bernardo à noite e tentava dormir de dia. Durma-se com um barulho desses!

Passei a vida dizendo a mim mesmo que um dia voltaria a viver no interior, mas fui crescendo, assim como a metrópole, sempre em construção, aos trancos e barrancos. 

E quem não ama a Pauliceia?!?

Vou ficando por aqui, preso por essa mãe e irmã. A essa cidade-imã.

Carlos Pañella é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade, no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: “Posicionem-se”, é o que Renata Spallicci, da Apsen, pede às mulheres

Foto: divulgação

“A gente passou a viver o que eu gosto de chamar de flow corporativo, que é quando a coisa de fato entra nas veias dos colaboradores, quando realmente as pessoas passam a acreditar  no planejamento, a visão de futuro”

Renata Spallicci, Apsen

De estagiária a vice-presidente. A frase que acompanha parte do material de divulgação do livro mais recente de Renata Spallicci, mesmo que precisa, diz pouco sobre a história desta executiva. Esconde que a trajetória dela foi na empresa da família — o que poderia diminuir os méritos de sua carreira profissional — tão pouco deixa explícito que o estágio final dessa jornada, até aqui, somente se deu porque ela liderou o “sonho grande” de, em cinco anos, dobrar de tamanho a Apsen Farmacêutica. Sonho sonhado e alcançado, em 2020, quando o laboratório passou a faturar R$ 1 bilhão.

A Apsen foi criada pelos avós, Mario e Irene Spallicci, em um laboratório no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em 1969. Atualmente está sob o comando do pai, Renato, que foi quem a convidou para ser estagiária na empresa. Na entrevista ao Mundo Corporativo, Renata conta que ao se apresentar para o trabalho — “fui ali toda bem vestida” – em lugar da sonhada mesa de escritório com seu nome em um placa, recebeu crachá de funcionária do almoxarifado, onde começou carregando caixas, recebendo e distribuindo produtos. 

Levantar peso não chegava a ser um desafio impossível para a moça que tem no fisiculturismo uma de suas paixões. Ela, porém tinha clareza de que seu desenvolvimento profissional dependeria muito mais dos estudos e da busca do conhecimento do que propriamente dos laços de família. Passou por processos de coaching, mentoria e mastermind; e é formada em engenharia química, pós-graduada em administração e com MBA para CEOs pela FGV.  Hoje, Renata Spallici é vice-presidente executiva da Apsen.

A meta  de elevar o faturamento da empresa passou pela construção de um planejamento que, segundo Renata, tem como etapas iniciais “a visão clara de futuro” e a necessidade de se levar essa visão de forma organizada e com objetivos estratégicos para cada uma das áreas envolvidas, até alcançar os objetivos individuais. A autora do livro “Sucesso é o resultado de times apaixonados” ressalta a importância de contar com o engajamento dos colaboradores nesse processo de desenvolvimento. 

“O primeiro passo foi conquistar as pessoas e plugar o sonho individual do colaborador no sonho corporativo … Falando assim parece simples, mas é um trabalho árduo, é um trabalho de muita consistência, porque você tem que conversar e repactuar as conversas ao longo de muito tempo, exige  uma mudança de cultura”.

Em um dos vários trabalhos que realiza fora da empresa, Renata se dedica a mentoria de mulheres, no programa Winning Woman EY, no qual prepara lideranças femininas, muitas das quais atuando em empresas familiares como ela. Chama atenção para a importância dessas mulheres se fortalecerem tendo voz ativa e perdendo o medo de errar:

“Muitas delas são fundadoras, têm um talento específico, desenvolveram algum produto incrível .. mas eu percebo que têm dificuldade de sentar na cadeira delas e assumir o papel e as responsabilidades. Então, uma das coisas que eu trabalho muito com a com as minhas mentorandas é justamente isso: posicionem-se!”.

Para que o crescimento profissional se realize, Renata recomenda que sejamos capazes de atuar dentro da empresa com o “senso de dono”,  o que pode ser lido como mais um jargão corporativo, desses que repetimos sem entender seu sentido. Não para esta executiva, escritora, fisiculturista e rainha de bateria —- sim, Renata também desfila no carnaval paulistano.  Para ela, é fundamental que se entenda que “se a gente quer crescer, tem que ser empreendedor dentro do negócio do qual a gente participa”.

Assista agora à entrevista completa com Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, ao Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: as caminhadas de um barriga-verde na capital dos paulistas

Julio Cesar Refosco

Ouvinte da CBN

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Fui paulistano. Engraçado dizer isso! É que morei em São Paulo por uns dois anos apenas, suficientes para me apaixonar. Depois voltei para Santa Cataria, onde nasci. Aliás, Santa esta que parecia não fazer parte da geografia do paulistano. Quando cheguei à capital, em 1987, para o estágio no Instituto Florestal, cuja sede era na Cantareira, me chamavam de gaúcho. Expliquei que era barriga-verde. Continuei sendo gaúcho para eles.

Morei perto do Hospital do Câncer, na Liberdade. E para chegar à Cantareira levava mais de uma hora entre metro e ônibus. No início gostava desse trajeto:  passava por lugares pitorescos, citados em letras de músicas como o Jaçanã da famosa “Trem das Onze”. As referências musicais são tão marcantes que certo dia fui conhecer a esquina da Ipiranga com a São João; em outro, passeie pela rua Augusta e imaginei como seria descer aquilo a 120 por hora.

Caminhando e andando, percebi que nem tudo eram flores.  Havia contradições, problemas, exclusão, marginalidade, concentração de renda e problemas urbanos quase insolúveis, que faziam parte da complexidade desse lugar.

Dividia um apartamento com dois artistas, meu irmão que é músico e um amigo artista plástico. Com tais companhias, é claro, aproveitamos muito às noites e os programas que a cidade oferecia, sobretudo ali no Centro Cultural São Paulo, que ficava a poucas quadras de casa, na Rua Vergueiro e tinha uma programação de primeira ordem, a preços bem acessíveis. 

Uma daquelas noites bem aproveitadas ficou na memória. Chegando em casa, após umas cervejas, adormeci em sono incomodado pelos ruídos da cidade incansável, seu trânsito, suas sirenes. O que a princípio parecia sonho, aos poucos foi se mostrando realidade pois, da minha cama ouvia uma movimentação de vozes que entrava pela janela. Me levantei sonolento e fui para a varanda de onde observei uma cena inusitada, tanto que pensei que ainda estava sonhando.

Um objeto luminoso muito grande pairava no céu, movendo lentamente suas luzes flamejantes. Na minha racionalidade sonolenta fiquei pasmo. A cena era quase uma pintura e demorei um tempo até perceber, dentre as luzes e cores que do objeto radiavam, que se tratava de um balão. A confusão toda com gente correndo, sirenes tocando, era porque o balão estava descendo sobre uma casa próxima. No fim das contas, alguém no telhado da casa conseguiu pegar o balão e resolver o problema sem grandes consequências.

Hoje, ainda vou a São Paulo a trabalho ou lazer; e sempre aproveito a cidade. Nas últimas vezes que estive por aí , fui com minha mulher e meus filhos para eles conhecerem este lugar tão interessante, que reúne gente de todos os cantos, característica que torna a cidade um retrato demográfico do Brasil. Retrato do qual, como catarinense, fui protagonista. Catarinense, tá. E não gaúcho!

Julio Cesar Refosco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. E ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: Ana Carolina Souza, da Nêmesis, alerta para cuidado com os jovens em um novo ambiente de trabalho

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“Hoje em dia, a diferença no ambiente de trabalho depende justamente dessa vivência, dessa experiência. Quanto mais você experimenta cenários, contextos, convive com pessoas diferentes, mais repertório você ganha”

Ana Carolina Souza, Nêmesis

 O ambiente de trabalho é uma escola, que oferece profundos conhecimentos socioemocionais, que deixou de ser frequentada por quase dois anos, devido a pandemia. Essa realidade imposta pela crise sanitária impactou principalmente a formação dos profissionais jovens que deixaram de “assistir” a seus colegas mais maduros no exercício da função, de compartilhar situações diversas e de se experimentarem a partir dessas diferenças.

É o que concluí da entrevista com a neurocientista Ana Carolina Souza ao Mundo Corporativo quando falamos das perdas e lições que a pandemia propiciou, a medida que levou ao fechamento dos escritórios e “empurrou” os trabalhadores para o modelo remoto ou à distância. Não que essas modalidades fossem uma novidade, mas a urgência do momento fez com que a maioria de nós fossemos levados a esse cenário sem qualquer preparo.

“Você imagina uma sala de aula onde a gente passa informação e as pessoas recebem essa informação, e até novas memórias a partir disso, mas grande parte do nosso aprendizado é implícita, é natural, no convívio. Conforme eu vejo o seu comportamento, eu vejo como você fala, como você reage, eu vou aprendendo também. Então, esse distanciamento compromete essa troca”. 

Além do prejuízo no aprendizado, a combinação de distanciamento do local de trabalho, falta de convivência com colegas e os riscos à vida, acelerou problemas de saúde nos profissionais, tais como estresse, ansiedade, depressão e burnout. A saúde mental dos trabalhadores foi atingida em cheio e se transformou em mais um desafio para os gestores e líderes de equipes, alerta Ana Carolina. Para a sócia-fundadora da Nêmesis, consultoria de pesquisa e educação corporativa, as empresas precisam recriar ambientes de segurança psicológica, que permitam a troca de informação, o relacionamento informal e o crescimento de seus profissionais sob o risco de desperdiçarem talentos:

“O jovem que acabou de entrar nessa organização ainda não tem autonomia. Não consegue fazer o trabalho sozinho, ainda não tem total compreensão da relevância da contribuição que ele traz pra essa equipe. E ele também não conhece tanto as pessoas, não tem tanto entrosamento. Isso vai gerar um comprometimento que é principalmente sobre a questão do bem-estar desse grupo, que são os futuros talentos Nós corremos o risco de fazermos com que esse talentos cresçam na empresa tendo perdido suas habilidades socioemocionais”

O uso da neurociência beneficia a adaptação e preparação dos jovens no ambiente de trabalho, de acordo com Ana Carolina. Por muito tempo, inteligência emocional era capacidade desenvolvida ao acaso, pelas experiências vivenciadas, e atualmente é possível através de treinamentos avançar nesse conhecimento:

“Os treinamentos  têm que ter uma característica de criação de experiência de vivência, quase que uma tutoria”

Para aprender um pouco mais sobre o conhecimento que os estudos da neurociência oferecerem no clima corporativo, na formação cultura e no desenvolvimento das habilidades socioemocionais assista à entrevista completa com Ana Carolina Souza, sócio-fundadora da Nêmesis:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: das coisas da cidade ao nome de Bartira

Por Vitor Santos

Ouvinte da CBN

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A primeira vez que visitei o Centro Histórico da cidade de São Paulo, tinha cinco anos. Guardei poucas recordações. O local que não esqueci foi o Viaduto do Chá. 

Da segunda vez, já era adolescente. Viajei 17 km em um ônibus da Viação Penha/São Miguel. Era uma linha tradicional, que ligava o bairro mais antigo da cidade, São Miguel,  ao Parque Dom Pedro. Quando desembarquei, fiquei alguns minutos admirando o entorno do parque, e os muitos prédios altos, que eram possíveis de serem avistados. Respirei fundo, ainda que tímido e assustado com o movimento grande naquele horário. Dei alguns passos, foi quando percebi que estava atravessando a 25 de Março. Depois subi a General Carneiro, passei por baixo do viaduto Boa Vista e cheguei no Pateo do Collegio. Em seguida, passeei pela Praça da Sé, visitei a Catedral, fui pela Rua Direita, cheguei no Viaduto do Chá, avistei o Teatro Municipal. Observei as árvores e os monumentos da Praça Ramos de Azevedo.  A curiosidade era enorme, para saber o que tinha no fim da Barão de Itapetininga. Deparei com o coreto da Praça da República.

Percebi que a partir daquele dia, não viveria mais longe da pauliceia. Arrumei emprego, na Avenida da Liberdade, número 61. Era uma empresa que trabalhava com instalação e manutenção de telefones. Era a grande oportunidade que tinha de conhecer melhor São Paulo.

Na hora do almoço era comum ficar no entorno do Teatro Municipal. Visitei o antigo prédio do Estadão, na Major Quedinho — lá também ficava a Rádio Eldorado. 

Depois, trabalhei alguns anos no prédio do Top Center, na Goodyear, onde conheci muitos artistas, dentre eles Wilson Simonal, que tinha uma loja no mesmo prédio. Fui para a Philips no Brasil, na esquina da Paulista com a Bela Cintra. Mais tarde fui ao encontro do Tribunal de Justiça, em um estágio que durou mais de 30 anos,.

De todos os cantos, meu preferido é o café do Pateo do Collegio, ao lado de ruínas da antiga parede construída de taipa de pilão, onde posso ler um livro e vivenciar a história. Ali sou capaz de ouvir os tambores dos índios; contar os peixes pescados por Tibiriçá — o senhor dos campos de Piratininga. Descobrir como o português José Ramalho desembarcou em Santos, subiu o Caminho da Serra do Mar, chegou em Santo André da Borda do Campo, conquistou o cacique, e em seguida a sua filha, Bartira, índia bonita, com quem teve vários filhos. De quem descendem inúmeras das mais tradicionais famílias paulistas. 

Vitor Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.