Conte Sua História de São Paulo: o barco que eu construí na minha casa

 

Por Eduardo Coelho Pinto de Almeida
Ouvinte da CBN

 

 

Em 1948, eu tinha 12 anos, morava na Simão Alvares, em Pinheiros, uma travessa da Teodoro Sampaio, onde passava o bonde número 29/Pinheiros. Os trilhos vinham em fila dupla, uma de ida e outra de volta, desde a praça Ramos de Azevedo até a Rua Fradique Coutinho. Dessa esquina em diante, até o largo de Pinheiros só havia trilho para um bonde, tanto para ir quanto para voltar. Quando um bonde
ia descer até o largo, ligava uma luz no poste indicando que já havia um
bonde lá e não poderia entrar outro.

 

Nessa ocasião, estava sendo construído um grande numero de prédios de 3 ou 4 andares, nos terrenos que tinham sido ocupados pela Hípica Paulista, que havia se mudado para a Rua Quintana, no Brooklim. Quando eu estava voltando da escola, encontrei junto às obras uma grande quantidade de retalhos de madeira jogados fora pelos carpinteiros.

 

Eu havia visto na vitrine da loja Elite, da praça da República, em frente à minha escola, a Caetano de Campos, um barco tipo Sandolin, todo feito de sarrafos de madeira e recoberto com lona.  Peguei uma quantidade que julguei necessária e pus mãos à obra, por muitas semanas. Até que terminei a estrutura, que, modéstia à parte, ficou bonita, principalmente para um garoto de 12 anos de idade.

 

Uma noite, o Dr. Francisco Samarro Neto, dentista, que tinha o consultório ao lado do de meu pai, na Praça Ramos de Azevedo, foi jogar buraco em minha casa e vendo o esqueleto do barco admirou-se e perguntou: O que falta agora? Eu expliquei que faltava cobrir com lona, mas que nunca seria feito pois custava muito caro.  Mais tarde o Dr Samarro falou: — amanhã, quando você sair da escola dê uma passadinha no meu consultório.

 

Quando eu cheguei lá, ele disse: — gostei muito do barco que você está
fazendo; tome este dinheiro que é o que você falou que custaria a lona e
termine seu barco.

 

Era dia 13 de Agosto, sexta-feira, de um ano bissexto, 1948. E eu pensei: “estes adultos não entendem nada sobre dias de azar; o dia mais feliz da minha vida, uma sexta-feira, 13, de ano bissexto, e eles dizem que é dia de azar!”

 

Esse barco teve muitas histórias, mas está eu conto em outra oportunidade.

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: se capotar é preciso, aprenda como com Amyr Klink e Armando Oliveira

 

“…. nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente”, Amyr Klink

 

“… é justamente neste momento de crise que a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto”, Armando Oliveira

Prática e teoria. Jornadas e processos. Experiência e conhecimento. Um pouco de cada um e tudo isso reunido, resultou em um encontro que até então parecia impossível: o mestre em projetos de TI Armando Oliveira, que na sala de aula motiva seus alunos ilustrando os ensinamentos de sua área com situações do cotidiano, e o navegador Amyr Klink, que não esconde o constrangimento em usar sua história como referência para a vida dos outros —- não que não tenha noção da dimensão de seus feitos, mas a timidez o impede de pensar que possa ser um guia para quem pretende superar desafios nas mais diversas áreas.

 

Armando e Amyr foram os convidados do programa Mundo Corporativo para falar, entre outros temas, de como enfrentar este momento no qual as restrições impostas pela pandemia têm deixado muitas pessoas isoladas e negócios paralisados. Recentemente, Armando lançou o livro “Capotar é preciso” (Companhia das Letras), escrito a partir de longas conversar que manteve com o navegador. Eles não se conheciam, e quando Amyr foi procurado pelo professor de projetos de TI, imaginava que seria um bate-papo rápido com alguém curioso por suas histórias. Surpreendeu-se com o que ouviu e também aprendeu.

“Eu acho engraçado ser convidado para palestras sobre, por exemplo, planejamento, organização e gestão de negócios, porque eu sou muito desorganizado, mas nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente. Eu vou as raias da loucura pra tentar cercar todos os problemas, mitigar falhas, essas coisas” Amyr Klink

Curiosidade pelas histórias do navegador, é claro que Armando Oliveira tinha, mas com um objetivo bem claro: conhecer a experiência de Amyr Klink era a oportunidade de ganhar mais repertório para as aulas de projeto, na faculdade:

“Eu usava exemplos e analogias de como seria o mundo dos projetos a partir de cases acadêmicos, e passava a impressão de que estivesse querendo ensinar a profissão aos alunos: não vou ensinar o engenheiro a erguer um prédio ou o Amyr Klink a navegar. Quando busquei o exemplo dele, os alunos ficavam muito mais abertos de ouvir essas experiências E isso começou a facilitar os ensinamentos que a gente queria que eles entendessem: a parte de gestão dos projetos e não a parte técnica. E quando a gente conversa sobre os projetos do Amyr, que lida com as emoções extremas, isso facilita o aprendizado”.

O título do livro, Capotar é preciso, é baseado no conhecimento que Amyr Klink obteve no primeiro projeto de travessia do Atlântico Sul, em 1984, quando estudava formas de superar o desafio em um barco a remo e acreditava que a chave do sucesso seria criar uma embarcação que não capotasse. Graças a intervenção do engenheiro José Carlos Belfort Furia, da USP, descobriu que sua visão estava errada. O professor  recomendou que “ele abraçasse esse problema, dormisse com esse problema, em busca de uma solução”.  Mudou o projeto e o restante da história se conhecesse muito bem.

“Eu nunca esqueci esta historia de abraçar os problemas: Tem gente que acha uma espécie de pessimismo ficar estudando as razões do fracasso. Em vez de acreditar que o universo conspira a seu favor, essas coisas, eu penso totalmente diferente. Eu penso que o universo conspira contra, e eu gosto de descobrir os problemas e construir uma solução”.

Uma das preocupações de Amyr Klink durante essa pandemia é que devido as restrições para navegação, teve de deixar o “paratiizinho” — como chama carinhosamente a embarcação  que já realizou 25 travessia em 30 anos, atracado nas Ilhas Falkland —- ele teme encontrar dificuldades para negociar a retirada do barco do território que está sob domínio britânico, já que “o Brasil não está bem na foto”.

 

Sobre a travessia que enfrentamos com as crises provocadas pela pandemia, Amyr diz que o mais difícil neste momento é a falta de rumo. Lembra que nas suas jornadas em alto mar, ele tem noção de quando será a partida e qual é o seu destino. Tem um ponto chegada. Nesta pandemia, diz, ninguém sabe qual é.

 

Já Armando busca forças para superar as dificuldades do momento com uma lição que aprendeu com o próprio navegador:

“O Amyr em uma conversa até recente, comentou que o tempo que ele cometeu as maiores burradas de projeto foi o tempo em que ele tinha excesso de patrocínio, condições propícia à vontade. Foi o tempo que eles mais desperdiçaram os recursos e acharam as soluções piores possíveis. E, ao contrário, quando ele foi forçado a passar por algumas situações em que ele tinha poucos recursos e poucos apoios foi quando ele tinha as soluções mais interessantes. Eu fui pego em cheio por essa questão da pandemia e é justamente quando temos de ter equilíbrio emocional para saber como sair disso aí. Nesse momento é preciso se planejar rápido, e a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto. Não vejo fórmula mágica: só muito trabalho e pensando em alternativas”

PS: em virtude de problemas de áudio na gravação em vídeo pela internet, algumas respostas de Amyr Klink foram regravadas, portanto, é possível que ao assistir ao vídeo você encontra respostas diferentes daqueles que foram reproduzidas no programa em áudio. O conteúdo é bom das duas maneiras, portanto minha recomendação: ouça os dois e aprenda duplamente.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: seis frases e um livro que ajudam você a entender o branding

 

 

 

No início deste ano, um livro com 20 frases que se transformaram em mantras do branding foram reunidas em livro com as participações de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

As frases têm um sentido muito forte na educação porque sintetizam o conhecimento a ser transmitido e tornam mais acessível a ideia que nossos especialistas em branding querem ensinar aos ouvintes e leitores.

 

No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles destacaram seis das 20 frases que estão disponíveis no livro que você pode baixar de graça no site http://www.troianobranding.com.

 

 

  1. Branding é verbo e precisa de ações — ing traz o sentido de gerúndio, de continuidade; marca não é apenas um logo, precisa ser alimentada, ter história.
  1. Estamos obesos de informação e anoréxico de insights — o que não faltam são informações, porém entre a informação e aquilo gerar conhecimento, gerar ideia, precisa passar por um processo de depuração, e para a gestão de marcas é preciso fazer essa transformação, ter o insight.
  1. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho — marcas precisam mudar, evoluir, olhar para frente, isso não significa jogar fora tudo o que têm de bom; é preciso, sim, mudar, mas antes saber do que não se pode abrir mão.
  1. Comunicação não é retrato — a comunicação das marcas precisa ser inspiradora: inspirar pessoas a terem, fazerem e serem aquilo que ainda não são. 
  1. Marca não é tapume — marca não esconde o que a empresa é; ela tem de revelar aquilo que a empresa é e faz de dentro para fora.
  1. Marca é uma nova forma de tribalização — as relações primárias que temos com amigos e famílias foram se fragmentando devido ao tempo e outras razões; passamos a viver de forma mais individualizada, mas temos desejos de ter laços mais sólidos com menos pessoas e mais profundamente. Algumas marcas geram essa ideia de tribo da qual você faz parte.

 

 

Ouça o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ou coloque entre os favoritos no seu agregador de podcast:

 

Conte Sua História de São Paulo: os pássaros da floresta da Nove de Julho

 

Por Fábio Caramuru
Ouvinte da CBN

 

 

Meu nome é Fábio Caramuru, sou pianista e parabenizo toda a equipe da CBN pelo trabalho (mais sobre mim no site http://www.fabiocaramuru.com.br ).

 


Quando eu era criança, com cinco ou seis anos de idade, morava lá perto da Avenida Nove de Julho. E a avenida era muito movimentada, difícil de atravessar

 

Eu me recordo de alguns detalhes interessantes: a primeira coisa que me vem na cabeça é esse Colégio Assunção, que ficava na Avenida Nove de Julho com a Alameda Lorena, em frente da escola onde eu estudava –- até hoje o Assunção está lá, tem aquela capelinha. E há agora um supermercado em parte do terreno, no qual havia uma floresta que era uma coisa impressionante.

 

Não sei se essa floresta era de eucaliptos – tenho quase certeza de que era – tinha ficus, uma série de árvores; e aquilo ficava em frente, pegava toda aquela fachada da Avenida Nove de Julho, uma imensidão de árvores.

 

Você passa hoje lá e não consegue entender por que tem aquilo tudo construído. Lembro que no fim da tarde uma coisa que me chamava muito a atenção era aquele canto dos passarinhos se recolhendo, aqueles pardais, aquela algazarra, aquele barulho. Era uma coisa muito bucólica pra São Paulo: uma floresta em plena Avenida Nove de Julho.

 

Eu me recordo dessa passagem e lembro de ouvir os pássaros no fim da tarde quando começava a escurecer. Lembro também que no trajeto quando a gente cruzava a Alameda Lorena e chegava na Rua Pamplona que era toda de paralelepípedos e tinha o bonde: bonde subindo, bonde descendo.

 

Era incrível aquela São Paulo que vivi!!!

 

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para contar outras capítulos da nossa cidade, escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
 

Mundo Corporativo: “a pandemia acelerou o futuro”, diz César Gon, da CI&T

 

“Agora é momento de um grande darwinismo mercadológico, né, onde vai sobreviver, vai ganhar esse jogo, as empresas que forem inovadoras, mais rápidas, que lerem melhor essa mudança da sociedade e mudarem seus modelos de negócios e as suas práticas” —- César Gon, CI&T

Os escritórios da CI&T começaram sentir os efeitos da pandemia do coronavírus, na China. Medidas urgentes tiveram de ser adotadas para, em seguida, serem aplicadas na sede no Japão. E da mesma forma que a Covid-19 se espalhava, outros núcleos da empresa, na Europa e nas Américas, tiveram de mudar planos rapidamente. Especializada em trabalhar com transformação digital, modelos de gestão e liderança, a empresa não apenas implantou suas estratégias internamente como as levou para os clientes dos mais diversos portes.

 

César Gon, CEO e fundador da CI&T, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, diz que a pandemia obrigou a aceleração de processos que vinham sendo planejados para o longo prazo:

“A pandemia acelera esse futuro. Isso coloca em xeque a estrutura clássica e hierárquica das grandes empresas. Para você reagir a esse nível de mudanças, de incerteza, você precisa contar com um nível de colaboração, de cocriação que não conversa com empresas sisudas, empresas hierárquicas”

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, César Gon explica que encarar transformações foi algo que teve de fazer desde que iniciou a CI&T, em 1995. Inclusive, no seu papel como líder, função na qual, conta, era muito bom, enquanto o que funcionava era o sistema de comando e controle. Em determinado momento, porém, viu-se um líder anacrônico e percebeu que ou mudava seu comportamento ou um novo líder teria de assumir o posto:

“Essa mudança não é simples. É muito fácil saber o que não fazer, mas o que fazer no lugar? Se eu não sou o sabe tudo da sala, qual vai ser a minha contribuição”.

Uma das metodologias que usam na empresa é a Lean Digital que reúne dois universos aparentemente distintos mas que se complementam: o do uso intensivo de tecnologia, com criação e disrupção; e o do aprendizado constante, humildade do líder e disciplina.

“Acho que essa pandemia gera uma reflexão individual, qual o meu papel, qual o nosso papel como cidadãos, como indivíduos, mas também isso vai para o mundo corporativo, porque afinal de contas qual é o propósito desta empresa, precisa ser um agente positivo, um agente que vai deixar o mundo um pouco melhor em alguma perspectiva”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

Sua Marca: previna-se com estas cinco dicas de branding

 



“A nossa vacina talvez demore, mas para as marcas já temos uma à disposição, há muito tempo e está acessível: é o branding” —- Cecília Russo

O risco de empresas, produtos e serviços terem suas marcas atingidas pelas diversas crises que surgiram com a pandemia é enorme. Uma das formas de mantê-las protegidas é a aplicação correta de instrumentos de branding que já estão disponíveis há bastante tempo.

 

De acordo com Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, a “vacina das marcas” é composta por algumas doses de atividades e cuidados que estão acessíveis a todos —- apesar de muitos gestores esquecerem de tomá-las.

 

Cinco doses de branding:

 

  1. Conheça o seu cliente — saber quem está ao seu lado permite customizar melhor essa sua oferta;

  2.  

  3. Mantenha-se firme no posicionamento da sua marca —- não desvie do seu caminho apenas porque o concorrente está fazendo uma gracinha ou porque é mais rentável (neste caso, a longo prazo a perda pode ser grande);

  4.  

  5. Não há marca forte que resista a produto ruim;

  6.  

  7. Pratique dentro da empresa aquilo que você fala da porta da rua para fora;

  8.  

  9. Cuide todo santo dia dos seus pontos de contato com o cliente.

Use o branding com sabedoria, recomendam JaimeTroiano e Cecília Russo.

 

O Sua Marca Vau Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: da primeira carteira assinada à aposentadoria

 

Por Marcio de Jesus Donda
Ouvinte da CBN

 

Tenho 61 anos, moro na Vila Amália, zona Norte. Em cinco de janeiro, agora, completei 25 anos da minha terceira passagem como morador de São Paulo.

 

A primeira  foi em dezembro de 1977. Estava com 19 anos e desembarquei na antiga rodoviária Júlio Prestes. Nasci em Mirassol, interior paulista, e cresci em Poloni —- duas cidades próximas de São José do Rio Preto.

 

São Paulo me assustava, mas tive de vir para cá trabalhar e pagar minha faculdade. O primeiro ano foi muito difícil, parecia jamais me acostumar com a cidade. Trabalhava no antigo banco COMIND, no setor de processamento, no período da madrugada —- era na avenida Angélica. E fazia faculdade pela manhã na Campos Salles, lá na Lapa.

 

Quando os anos 80 chegaram já havia me adaptado à cidade. Mas em 83 fui transferido para o Recife, e de lá para Belém — quando o banco foi liquidado pelo Governo Sarney, em fins de 85.

 

Voltei para Poloni para ser comerciante. Não deu certo. E retornei a São Paulo. Minha segunda vez na cidade não durou mais de um mês. Logo consegui emprego no Bandeirantes para seguir novamente a Belém. Lá casei com uma paraense e tivemos três filhos: Márcio Filho, Julyana e Matheus.

 

A terceira e última vez que vim para São Paulo foi depois de um ano desempregado. Peguei a família e fomos embora de Belém. Aqui meu filhos cresceram e casaram. Apesar de continuar trabalhando, já estou aposentado há quase três anos. Ou seja, aqui tive meu primeiro emprego com carteira assinada. E aqui chegou a minha aposentadoria.

 

A cidade que me assustou no início, hoje não me vejo longe dela.

 

Marcio de Jesus Donda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

 

Mundo Corporativo: empresas estão preocupadas com a saúde mental de seus colaboradores, diz Gustavo Tavares

 

“Isso mostra também o caminho que as empresas estão levando agora no século XXI. Não é só o desempenho a qualquer custo, não é só o resultado e depois a gente vê o que acontece. É, também, garantir que essa jornada seja uma jornada caminhada com todo mundo da melhor maneira possível, o tempo todo” — Gustavo Tavares, Top Employers Institute

Com os riscos impostos pela pandemia, com as crises humanitária, sanitária e econômica, a pressão sobre os colaboradores das empresas aumenta. Muitos de nós estamos trabalhando em cenários diferentes, tivemos de migrar para o home office e nos adaptar muito rapidamente a novos modelos de trabalho e negócio. O impacto na saúde metal dos colaboradores foi intenso e as empresas precisam estar atentas a essas mudanças.

 

De acordo com Gustavo Tavares, gerente-geral do Top Employers Institute para as Américas, já é possível identificar situações de estresse, esgotamento mental, ansiedade e até mesmo consumo mais frequente de bebida e cigarro. Em alguns momentos até mesmo de aumento da violência doméstica. Diante disso, empresas têm adotado uma série de ações preocupadas com a saúde mental de seus colaboradores. Segundo Gustavo, 62% das empresas brasileiras certificadas pelo instituto disponibilizavam aos seus profissionais algum tipo de suporte psicoterapêutico com níveis crônicos de estresse, no início deste ano:

“O que mudou agora é que os modelos que tinham sido adotados (de home office) não eram para essa situação de hoje. As empresas tinham estruturas preparadas mas não para todo mundo ao mesmo tempo nem os cinco dias da semana. Sobre esgotamento mental tratavam muito mais da pressão do trabalho diferente desta que se soma a pressão social e familiar”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Gustavo chamou atenção para o fato de que a produtividade no home office chega a ser 44% maior do que no escritório. Em casa, o profissional perde a interação com os outros colegas, reduz o tempo de almoço e esquece de fazer pausas durante o trabalho. Um conjunto de fatores que vai impactar na saúde do colaborador, com disparos de ansiedade e estresse.

 

Algumas empresas têm produzido manuais de conduta e alertas eletrônicos para lembrar o colaborador a parar a tarefa, beber água, caminhar um pouco e respeitar a hora do almoço. Além disso, têm investido na interação com seus profissionais:

“Não tenha medo de comunicar, garanta que todas as informações que precisam ser passadas para os seus colaboradores estejam sendo passadas. E é importante a gente garantir isso para que todo mundo esteja na mesma página, e todo mundo esteja absolutamente confortável na relação com a empresa neste momento tão específicos que estamos vivendo na nossa vida”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

A boa entrevista que eu não fiz porque o omelete não virou

 

 

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Foto: Pixabay

 

 

Jornalista gosta de bom entrevistado. Gente que esclarece. Fala claro. Diz o que pensa. Ajuda o outro. Faz do fato, notícia. Gera aspas (sim, mesmo no rádio ainda usamos esta jargão do impresso). Um ou outro desses aspectos —- todos juntos é o ideal — faz uma boa entrevista. Ficar de fora dela ou não ter sequer a oportunidade de fazê-la, sempre frustra. Foi o sentimento que tive nesta sexta-feira.

 

 

O dia já não começou bem. De madrugada, ao acordar, o calendário da cozinha informou ser hoje o 90º dia de isolamento em casa — por mais que a turma daqui tenha me facilitado as coisas, o ritmo da redação e o contato com outras pessoas, diversas e diferentes, faz bem à alma.

 

 

Na sequência, a máquina de café quebrou e o omelete não virou. A regra é clara: quando essas coisas acontecem, liga para a firma, avisa que não vai dar e volta para cama. Eu não entendi o recado. Insisti.

 

 

O programa começou e logo descobri que o “moço da internet” não estava a fim de trabalhar, também. O sinal da rádio era entregue aqui em casa, mas não tinha ninguém para levar o meu para lá. Falava e interrompia. Voltava e caía. Troquei do cabo para o sem cabo, do sem cabo para o 4G, do 4G para o sinal de fumaça. E nada de a coisa funcionar como o encomendado (e pago).

 

 

Daí minha frustração. Hoje, tinha tudo para fazer uma boa entrevista, mas a telecomunicação não ajudou.

 

 

Nosso convidado no Jornal era o Dr Atila Iamarino; o rapaz da ciência que fala no YouTube e no Twitter e por lá atende por @oatila. Ele é biólogo por formação, doutor em microbiologia, tem pós-doutorado pela USP e pela Yale University. Para ser melhor: sabe traduzir tudo isso que aprendeu falando a língua da gente. Pelo conjunto da obra faz sucesso há algum tempo na internet —- não aquela que pifou aqui em casa, mas aquela outra que permite que informações circulem em grande volume e frequência e da qual conseguimos tirar muita coisa que presta. As do Atila prestam. Têm credibilidade.

 

 

O chamo de Atila, assim, pelo primeiro nome, sem a pompa do doutor e do senhor, como pedem os bons modos do jornalismo. Não apenas por ele ser jovem — nasceu no ano em que eu estreava no jornalismo profissional —, mas porque é assim que todos o chamam por aí. E foi dessa maneira que conquistou admiradores —- e detratores.

 

 

Sim, é impossível ser um sucesso no mundo virtual sem que o ódio dos medíocres se expresse. Eu escrevi ódio e medíocres. Não tem nada a ver com aquelas pessoas que discordam das ideias, identificam fragilidades nos argumentos, apresentam pensamentos lógicos e contrapõem com a gentileza dos civilizados, fazendo o bom debate. Esses serão sempre bem-vidos à conversa, pois permitem que, a partir da reflexão, sejamos provocados a pensar ainda mais e a recuar, se entendermos que erramos na forma ou no conteúdo. Perdão se usei o plural na frase anterior — é força do hábito. Não tive a intenção de me comparar à capacidade de doutores e professores em argumentar. Sou só jornalista. Sem direito à extensão do curso.

 

 

Dito isso, vamos retornar ao episódio que se iniciou sem café nem omelete. Para a entrevista recebi um ótimo material da produção. Coisa de primeira. Muito mais do que precisaria. Suficiente para me dar segurança na conversa. Tinha tudo para dar certo. E até que começou certo.

 

 

Às vésperas de alcançarmos a marca de 1 milhão de infectados e termos nos aproximado em alta velocidade dos 48 mil mortos, quis logo entender o que é a estabilização da Covid-19, no Brasil, que havia ouvido na fala oficial do General que usa crachá de ministro interino e no comentário da OMS. Com a sabedoria de doutor e a transparência do Atila, ele explicou. Simples, direto e objetivo, seguindo o que assumi como sendo meu mantra da boa comunicação.

 

 

Entusiasmado, esperei o Atila responder à Cássia Godoy e engatei uma segunda pergunta. Explica aí por que o vírus está deixando o Norte, invadindo o interior e crescendo no Sul? O omelete não virou. Ops, a resposta não chegou. Não chegou para mim que estava apresentando o programa de casa. Menos mal que foi até os ouvintes que acompanhavam o Jornal no rádio. Minha internet —- com todos os sinais das operadoras que prestam o serviço — desapareceu. E com ela, eu.

 

 

Da entrevista não ouvi mais nada. Desconecta um cabo aqui. Conta até 30. Desconecta o outro ali. Conta de novo. Zera o sistema. Desliga o computador. Religa o celular. O que é que está acontecendo? É o upload que não sobe. É o download que não desce. É o Mílton que enlouquece.

 

 

A Cássia seguiu em frente em voo solo — com toda autoridade. E o Atila atendeu a expectativa do ouvinte — dele também não tinha dúvida. A mim restaram a frustração de ficar de fora de uma boa entrevista. E o consolo de Bocelli e Geromel, que se enroscaram nas minhas pernas, subiram na mesa e ronronaram no microfone para me acalmar.

 

 

Lição aprendida: se a máquina do café quebrar, o omelete não virar, a internet pifar e a boa entrevista frustrar, que ao menos tenhamos bons companheiros ao lado para nos consolar.

 

 

PS: a entrevista da Cássia com o Atila você ouve na sequência. Vale a pena!

 

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevista Atila Iamarino sobre o estádio da pandemia no Brasil

Sua marca: a etnografia digital ajuda a entender o comportamento do consumidor, durante a pandemia

 

“Se você quer mesmo que sua marca seja um sucesso, não deixe de acompanhar seus clientes e consumidores, mesmo nesta nova fase com as restrições da pandemia” — Jaime Troiano

O distanciamento entre marcas e clientes provocado pela pandemia da Covid-19 não deve ser uma barreira na avaliação do comportamento do consumidor. Mesmo que à primeira vista o efeito seja muito ruim, é preciso aprender com a necessidade imposta pela crise sanitária. Explorar as informações que circulam nas redes sociais e investir em tecnologia são dois dos caminhos possíveis de serem explorados neste momento, segundo Cecília Russo e Jaime Troiano. Em conversa com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles falaram sobre o uso da etnografia digital.

“Através do MOBE — uma ferramenta que leva este nome porque une o MOBILE e o ETHNOGRAPHY —, a gente dialoga com o consumidor durante alguns dias, troca informações e pede para que ele grave vídeos falando de suas mais diversas situações, o que nos ajuda na análise de comportamento.” — Cecília Russo

A plataforma que permite ao gestor avaliar seu cliente já vinha sendo usada antes da pandemia, e ganhou maior relevância diante das restrições atuais. Segundo Jaime Troiano, o MOBE tem um amparo conceitual e metodológico que o sustenta e, portanto, mesmo após a pandemia seguirá sendo usado:

“Bem, nós já tínhamos começado a fazer isso antes. A pandemia apenas acelerou. É um conceito novo de observação que vai continuar sendo muito útil. Agora, não vamos dispensar a convivência e as observações de caráter pessoal: ambientes de compra, fuçando na casa do consumidor, ouvindo conversas alheias nos lugares públicos”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.