500 anos para reconhecer a CACHAÇA como fonte de divisas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

bottle-254515_960_720

 

Analisando os estudos e propostas apresentados no Simpósio SENAC de Bebidas, realizado em São Paulo, no dia 28 de outubro, podemos a priori afirmar que as cervejas artesanais, os vinhos de altitude e as cachaças têm em comum falhas no varejo e falta de divulgação adequada.

 

A última etapa do processo exige habilitação no ponto de venda para que as cervejas, os vinhos e as cachaças possam ser apresentados ao consumidor com as características e benefícios que possuem. Fato, que como se sabe, não é peculiaridade das bebidas, pois o varejo como um todo peca por colocar no front com o cliente as pessoas menos gabaritadas das etapas de produção e comercialização dos produtos.

 

Ao mesmo tempo a comunicação precisa ser ampliada e melhorada, aproveitando da regionalidade das cervejas artesanais e dos vinhos de altitude, a exemplo do que faz o produtor de queijos da Serra da Canastra. A cachaça, por sua vez com 800 milhões de litros produzidos por ano, cuja capacidade instalada é de 1,2 bilhão de litros, exporta apenas 8 milhões de litros.

 

Entretanto, a boa notícia é que estas fraquezas estão sendo enfrentadas pela ABRACERVA, VINHO DE ALTITUDE e IBRAC, entidades com o propósito de valorizar respectivamente a cerveja artesanal, o vinho de altitude e a cachaça, conforme expuseram Carlo Lapoli, Eduardo Basetti e Carlos Lima.

 

Uma rápida análise SWOT destacará a cachaça como um PRODUTO BRASIL, genuíno e ímpar, cuja FORÇA e OPORTUNIDADE são evidentes. Para tanto, Carlos Lima, presidente do IBRAC Instituto Brasileiro da Cachaça, atesta que o México exportou 1 bilhão de dólares de tequila enquanto exportamos 15 milhões de dólares de cachaça.  O sucesso mexicano é em grande parte devido a estrutura do setor, formatado pelo Conselho Regulador da Tequila, que é a referência para o IBRAC desenvolver a cachaça.

 

Fundado em 2006 e representando 80% da produção brasileira de todos os tamanhos de empresa,  nos últimos cinco anos o IBRAC obteve valiosos reconhecimentos do produto brasileiro, informa Lima. Assinou o Acordo de Cooperação Mútua com a SWA SCOTCH WHISKY ASSOCIATION, entidade representativa do setor produtivo do Scotch Whisky. Ficou estabelecida a cooperação para a divulgação e controle da prática de operações comerciais saudáveis, promoção do consumo responsável e promoção e proteção das indicações geográficas da CACHAÇA e do SCOTCH WHISKY. Com os Estados Unidos houve o reconhecimento da cachaça como produto distinto do Brasil, assim como da Colômbia, do México e do Chile no mútuo com a Tequila e o Pisco, respectivamente. O Acordo com o MERCOSUL a ser estendido pelo mercado europeu será outro marco significativo para o desenvolvimento da cachaça.

 

caipirinha-3483439_960_720

 

No mercado interno, a inclusão do setor no Simples Nacional abriu um mercado extremamente diversificado permitindo que o comércio varejista, que hoje já conta com 1.400 produtores e 5 mil marcas, tenha ilimitada variedade de produtos de forma legal e que o setor produtivo das micro e pequenas se multiplique.

 

O conceito de “terroir”, que significa o conjunto de características que certa localização geográfica confere a um determinado produto, notadamente vinho e café –- de acordo com Jairo Martins da Silva em sua obra intitulada CACHAÇA –, não se aplica no caso da cachaça porque a versatilidade do produto vem das várias formas de processamento. Porém, a identificação da região poderá vir através da tradição de determinados processos locais, como é o caso de PARATY e SALINAS.

 

Ainda segundo Silva, é possível produzir cachaça de qualidade em qualquer região do Brasil, salvo os biomas protegidos da Amazônia e Pantanal que não devem ter tradição açucareira.

 

Se a cachaça excede como base na produção, faz o mesmo na degustação. Considerando a diversidade regional de produção aliada ao não envelhecimento, e ao envelhecimento em 30 diferentes madeiras, ela pode ser base para drinques. A começar pela CAIPIRINHA, há cem anos elaborada, provada e aprovada por todos que apreciam destilados. Além das frutas que compõem harmoniosas combinações, alguns bartenders estão recriando drinques clássicos com a cachaça como o Mojito, Dry Martini e a Margarita.

 

caipirinha-375972_960_720

 

A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais vendida no Brasil e corresponde a 72% do mercado de destilados, evidenciando que há consumo mas falta status. O IBRAC tem se movimentado neste sentido através de ações na área da formação da mão de obra qualificada, no que o SENAC desempenha importante papel. Há cursos básicos de cachaça, e específicos de sommelier de cachaça.

 

É hora de mostrar a garrafa ao invés de levar ao cliente o cálice servido.

 

A cachaça é o terceiro destilado consumido no mundo, mas a sua participação na exportação de produtos originados da cana de açúcar, que foi de 1,5 bilhão de dólares é inferior a 1%.

 

Grosso modo, podemos intuir que no mercado interno a cachaça tem consumo e não tem status; e no externo tem status e não tem consumo. Será?

 

Esta é uma aposta que o IBRAC está atuando para reverter o status no Brasil e a exportação no Exterior.

 

Veja aqui um exemplo do trabalho do IBRAC para vender lá fora a imagem da cachaça brasileira.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Assembleias aprovam projetos que aumentam custo do Estado

 

fm241586

 

Duas reportagens de O Globo que nos levam a pensar sobre o papel das Assembleias Legislativas e da necessidade de o cidadão acompanhar mais de perto o que acontece no legislativo estadual — e o municipal, também, apesar deste não ser o foco.

 

A primeira foi publicada com o título “Assembleias viram celeiros de leis que oneram cofres públicos e empresas”, no domingo, dia 13 de outubro:

A criatividade de deputados estaduais parece à prova dos rombos nas contas públicas e alheia à lenta recuperação da economia. Levantamento do GLOBO em assembleias de Rio, São Paulo e Minas Gerais e na Câmara do Distrito Federal encontrou dezenas de leis propostas desde 2017 que criam despesas para os já combalidos caixas estaduais sem atacar prioridades ou que geram excesso de regulação, elevando os custos das empresas e prejudicando o ambiente de negócios.

Leia a reportagem completa aqui

 

A segunda reportagem — que chamamos no jornalismo de suíte — foi publicada com o título “Especialistas afirmam que assembleias precisam aprimorar processos”, no dia 15 de outubro. Além do link lá embaixo, reproduzo algumas opiniões de especialistas porque a reportagem é acessível apenas para assinantes do Jornal:

A concepção de projetos nas assembleias legislativas do país precisa mudar para conter o ímpeto de deputados estaduais de criar leis que oneram cofres públicos ou interferem no ambiente de negócios sem atacar prioridades, dizem especialistas.

Para Carlos Ari Sundfeld, professor da escola de Direito da FGV, o descolamento da realidade de muitos projetos nas assembleias resulta, em boa parte, da centralização das principais decisões políticas em Brasília.

— A população, de modo geral, ignora o motivo de uma assembleia legislativa existir. Por lei, uma assembleia deveria discutir orçamento e fiscalizar a máquina pública estadual

Miro Teixeira, que foi deputado federal por 11 mandatos e hoje atua como consultor legislativo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), atribui parte do problema ao fato de, no Brasil, a mera apresentação de projetos ser usada equivocadamente como parâmetro de qualidade da atuação parlamentar.

A reportagem completa está aqui.

Observatório avalia desempenho dos vereadores de São Paulo

 

WhatsApp Image 2019-10-04 at 13.29.23

 

Um desafio das organizações sociais é a criação de critérios objetivos para monitorar a qualidade do trabalho legislativo, especialmente quando o foco é a cidade, ou seja, a câmara municipal e os vereadores. Em São Paulo, tenho assistido a esse esforço desde os primeiros rankings publicados pela ONG Voto Consciente —- que deixaram de ser realizados pela falta de concordância nos elementos que se deve levar em consideração no momento da avaliação.

 

Semana passada, foi a vez do Observatório Social do Brasil — São Paulo, que apresentou os primeiros dados levantados pelo projeto Monitoramento do Legislativo, criado pelos professores Humberto Dantas e Luciana Yeung. A metodologia desenvolvida pelo Observatório —- ou pelos observadores —- indica se o legislador cumpre sua função a partir de quatro eixos:

 

Promovedor, quando exerce seu papel de legislar

 

Cooperador, quando aprova temas de interesse da Prefeitura favoráveis à cidade

 

Fiscalizador, quando fiscaliza o Poder Executivo

 

Transparente, quando permite que o cidadão tenha atuação e proximidade com o parlamento.

 

O ideal é que o vereador atue bem nas quatro áreas, propondo leis, votando projetos de interesse da cidade, cobrando informações da prefeitura e oferecendo suas informações ao cidadão.

 

De forma geral, a Câmara de São Paulo, nos dois primeiros anos desta legislatura, teve melhor desempenho nas funções fiscalizadora e de transparência—- mesmo que não tendo atingido a área de excelência na pesquisa. O pior resultado ficou na execução de seu papel de promovedor, curiosamente a função talvez que o cidadão mais reconheça no vereador.

 

Unknown-9

 

Em 2018, 47% das propostas se enquadraram como sendo de baixo impacto, que são projetos que se referem a datas comemorativas, homenagens e nomes de rua. Um padrão nos legislativos municipais em todo o Brasil.

 

Poucas propostas tiveram como objetivo a transparência e o combate à corrupção, foi o que constatou o levantamento. Poucas mesmo: apenas 17 no caso de transparência, apenas 26, no combate à corrupção.

 

No somatório de projetos apresentados, independentemente da complexidade, houve uma queda pela metade no número de projetos apresentados entre o primeiro (1.638 projetos) e o segundo ano (885 projetos) do mandato. Uma explicação possível: no primeiro ano de legislatura, os vereadores, especialmente os novatos, apresentam uma quantidade enorme de projetos de lei que serão discutidos e votados (ou não) ao longo dos quatro anos —- o que levaria a redução no ritmo de proposições no restante do mandato.

 

A apresentação de dados na semana passada foi marcada por discussão com especialistas e interessados no tema, além de ter contado com a presença de apenas dois dos 55 vereadores de São Paulo: José Police Neto e Soninha Francine. E eis aqui mais uma coisa que não me surpreende em todo este tempo que acompanho a política municipal. Geralmente são sempre os mesmos parlamentares que aceitam participar dessas discussões sobre a qualificação do legislativo. É uma pena, pois a colaboração dos demais vereadores ajudaria e muito a melhorar o desempenho da Casa e, especialmente, a inspirar o cidadão no acompanhamento do trabalho legislativo — o que me parece não é do interesse da maioria deles.

 

Diante das discussões realizadas, o Observatório anuncia, em seu site, que decidiu complementar a apresentação com elementos de análise dos números levantados pela equipe mas que apresentará o estudo completo ainda neste mês e outubro.

 

Vale muito olhar com cuidado esse trabalho. Ano que vem, tem eleição municipal. E esses vereadores que aí estão vão correr atrás do seu voto. Será que eles merecem? Você decide.

Avalanche Tricolor: o gol do guri da Vila Maria

 

Grêmio 2×1 Ceará
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Ceara

Geromel comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sou suspeito para escrever. Sei que sou. Minha Avalanche do último fim-de-semana escancara ainda mais essa suspeição, especialmente diante do tema que pretendo dedicar esse post. O que importa, também, se sou ou não isento no que escrevo? Jamais neguei que essa coluna, mantida desde muito tempo, foi ocupada por um torcedor apaixonado em vez de um jornalista em busca do equilíbrio. Portanto, azar do que pensem.

 

Por torcedor apaixonado e gremista que sou, assim como todos os demais que compartilham comigo esse sentimento, como não se emocionar ao assistir ao primeiro gol desta noite em Caxias do Sul. Nem tanto pelo caminho que usamos para chegar ao gol —- apesar de torcer muito para que cobranças de escanteio, assim como as de falta, se transformem em nosso diferencial competitivo, principalmente nos jogos mais intricados desta e das demais competições da temporada.

 

Emocionei-me pelo protagonista do gol.

 

Geromel estava voltando à equipe. Vamos lembrar que ele ficou de fora da primeira decisão da Libertadores por uma lesão isolada em partida do Campeonato Brasileiro. Já estávamos ganhando o jogo com larga vantagem quando ele despachou a bola para frente e o músculo acusou o golpe. Uma dor que foi sentida na alma de cada gremista. E como nos fez falta.

 

Todos sabem que Geromel impõe respeito ao adversário, oferece segurança aos colegas de equipe e é a esperança do torcedor de que se tudo der errado, ele vai fazer o certo. É um dos jogadores mais simbólicos deste Grêmio que Renato construiu nos últimos três anos. É unanimidade nas arquibancadas da Arena. E hoje ainda entrou com a braçadeira de capitão — que lhe caiu muito bem.

 

Diante de tudo isso, vê-lo saltar mais alto que seus marcadores e desviar de cabeça para as redes me fez ainda mais feliz nesta noite. Porque não era apenas um gol de escanteio ou um gol para abrir o caminho da vitória. Era um gol do filho de Seu Valmir e da Dona Eliane. Do irmão do Ricardo. Do guri da Vila Maria. Um gol de Geromel. De GeroMito. 

O maior dos cuidados

O autor do texto a seguir já esteve com a gente em outras leituras. É estudante do Colégio Notre Dame, em Campinas, e também editor do jornal da escola. Nessa semana, publicou na seção Carta ao Leitor artigo no qual fala da relação de avós e netos, em virtude do Dia do Idoso. Tomo a liberdade de reproduzir o texto no blog:

Por Matheus Mascarenhas
Estudante e escritor

 

Ah! Mas como descrever férias. Linda palavra, linda mesmo. Alguns diriam que tal paroxítona se parece mais com um período de descanso do nosso regime semi-aberto diário. Não há como esconder minha felicidade pelas férias. Ela vem chorando por atenção, e no final, agradece por irmos embora. São magníficas as transformações que ela faz. São magníficas as experiências. E também são magníficos os dias contados, esperando pelo reinício das aulas. E, às vezes, esse periodozinho te marca, molda uma memória memorável. E isso aconteceu comigo, desta vez.

 

Há algo mais clichê do que passar um tempo das férias na casa dos avós? Não, eu acredito que não. Todo mundo dá sempre uma passadinha lá. Uns ficam semanas, outros ficam poucas horas. Não sei para vocês, mas a alegria de encontrar meus avós é imensurável. É amor, comida, diversão. Uma combinação adorável. Quem não tem na cabeça uma piada engraçada da sua avó, ou uma história de infância do seu avô. Para mim é ritual, é costume. Esse momento sempre existe. E por que estou gastando seu tempo, ao ler essas coisas tão lindas e bonitinhas? Não se acanhe, continue por aqui. Deve ser difícil ter que ler todo esse jornalzão, mas juro que cada texto vale a pena (​Merchan grátis). Enfim, leitor, voltando ao assunto. A minha intenção aqui é contar um pouco sobre alguns momentos de minhas férias, um tanto peculiares para mim.

 

Como já havia dito, fui passar os tais dias na casa de meus avós. Já velhinhos, fazia mais de 6 meses que eu não me dispunha a dormir por lá. A primeira tarde foi revigorante! Um bolo mais um sorvete. Depois um bom papo com meu avô e uma conversa um tanto divertida com minha avó. Parecia um hotel. Eu sob os cuidados de meus avós. Logo entardecia. Pedimos a tradicional pizza. E, tempos depois, nos preparamos para dormir. Me arranjei numa daquelas posições pensativas que você fica por minutos na cama. Já estava na Hipnagogia (o limite entre estar acordado e dormindo). De repente, eu ouço soluços altos seguidos por uma tosse eufórica. Vish! O que seria? (Nota: leitor, relaxe, não haverá sequer uma morte nesse texto). Fui direto ao quarto dos meus avós. Quando cheguei, vi uma situação desconfortável. Meu avô se debruçava, engasgado. Nada de mau aconteceu, busquei água e tudo se resolveu. Ufa! A partir daí, já não me sentia confortável em estar desatento no período da noite. A verdade era que eu estava com medo de alguma coisa séria acontecer. Nunca tinha passado por isso antes. Na manhã seguinte, levantei tranquilo, com a mente apagada, meio surda. Tomamos café e o dia se seguiu. No jantar, infelizmente, meu avô engasgou — de novo. Tivemos que repetir o protocolo. Nada de ruim aconteceu, felizmente. No dia seguinte fomos embora.

 

Passaram-se alguns dias e voltamos para lá. De forma impremeditada, meu avô machucou sua perna, arrancou a pele do local. Minha avó nada podia fazer, já que abaixar-se para tal tarefa seria uma atividade um tanto inadequada. Logo, tal tarefa foi imcumbida a mim. Fiz o curativo certinho. Passei o soro, a pomada, a gaze e a fita. Tudo ​ok!​ E esse ciclo se repetiu, e repetiu. Mais alguns problemas gritaram por ajuda. Às vezes a locomoção deles era debilitada, havia de se ajudar. Às vezes precisava-se pegar remédios em locais não apropriados. E tudo isso se consumava em um ciclo.

 

Notei que eu tinha me tornado um cuidador de meus avós, igual a como eles haviam feito, no meu nascimento e infância. Houve uma inversão de postos. Eu passava a cuidar deles. E isso me soava estranho. Mas, leitor, não se engane. Eu não passei perto, nem de longe, do que eles fizeram por mim, e do que ainda fazem. Parece estranho comparar algo físico com algo subjetivo. Eu considero que meus esforços físicos, ajudando eles no que quer que fosse a tarefa, perdiam o mérito, ao serem comparados com os cuidados e esforços subjetivos, afetivos, que meus avós me transmitiram. Através das longas conversas, a troca de experiências, os sorrisos, e abraços, os beijos, as piadas, o amor, nada disso se compara, e eu afirmo, NADA disso é comparável a outro tipo de cuidado.

 

Meus amigos, parece difícil e até mesmo chato, mas aproveitar seus avós ou quem quer que seja que você considera muito importante, é imprescindível. É necessário, é bom! É saudável. Você nunca terá tão bons cuidados. Nunca. O que não se pode ver é a real cura: o amor. O lindo amor. Então da próxima vez que você encontrar com esse tipo de pessoa que te faz feliz, abrace muito, muito mesmo! Beije-o! Pode ser que algum dia, você não possa mais fazer isso de novo.

 

Um abraço a todos vocês! Boa leitura!

Missa de 7º dia pelo falecimento de Milton Ferretti Jung

 

 

Convidamos parentes e amigos para as missas de sétimo dia do seu falecimento que serão realizadas em São Paulo e Porto Alegre.

 

 

___________________________________________________

Missa de 7º dia em São Paulo
Sábado, dia 03 de agosto, às 18 horas

 

 

Capela da Imaculada Conceição
Rua Paulo Sérgio de Macedo, 197
Bairro: Vila Sônia

 

 

imaculada

 

 

___________________________________________________

Missa de 7º dia em Porto Alegre
Domingo, dia 04 de agosto, às 10 horas

 

 

Paróquia Menino Deus
Praça Menino Deus, 18
Bairro: Menino Deus

 

 

unnamed

 

__________________________________________________

“Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação”

 

“Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particulamente no Brasil, está em muito mau estado”

Manuel Castells, sociólogo, teórico da comunicação e autor de “A Sociedade em Rede”, em entrevista à jornalista Paula Ferreira, em O Globo.

Adote um Vereador: na mesa do bar, um pouco de nossa história e lembranças

 

PHOTO-2019-06-08-16-05-10

Neste sábado, Adote de encontrou no Pateo

 

O sábado era de encontro do Adote um Vereador, em São Paulo. Desta vez, compromissos familiares me impediram de estar com a turma que se prontificou a aparecer no Pateo do Collegio, centro de São Paulo, mesmo com o frio de uma tarde de outono —- que costuma ser mais intenso lá no alto onde os jesuítas ergueram a primeira construção da cidade para abrigar os missionários. Foram para lá sabendo que havia muita conversa para colocar em dia. Claro que me refiro aos voluntários do Adote e não aos jesuítas — esses tinham outra missão quando chegaram por essas bandas, em 1554.

 

Apesar de não faltar assunto,  pouco soube do que foi discutido entre eles. Só recebi uma foto em que mostrava parte da turma brindando com copos servidos pela cerveja artesanal criada pela Bier & Wein, que homenageia a cidade e sua história. No rótulo da Paulistânia, nem poderia ser diferente, o Pateo do Collegio era o destaque. Da mesma marca, encontram-se lembranças do Ipiranga, Marco zero, Trem das Onze, Viaduto do Chá, Largo Do Café, entre outras. Longe de mim reservar esse espaço para falar de cerveja, mas foi o que eu vi na mesa, além das já tradicionais xícaras de cafés que nos acompanham todo segundo sábado do mês.

 

Aliás, se tem coisa que é tradicional são esses encontros. Creio que já contei a você, caro e raro leitor deste Blog, que eles começaram no primeiro ano do Adote, em 2008. Se você já sabia disso, perdão por repetir a história. Se a repito é porque acredito ser pertinente para a sequência do texto.

 

marceloramosadote1

Em 2010, no Centro Cultura, fomos visitados pelo agora deputado Marcelo Ramos (de camisa listrada)

 

Antes de escolhermos o Pateo, costumávamos nos ver no bar do Centro Cultural São Paulo, na avenida Vergueiro. Local sempre cheio, com centenas de pessoas que se encontravam para as mais diversas atividades. Era tanta gente que para o pessoal saber onde estava o Adote, havia quem levasse uma placa indicativa. Isso não impediu que recebêssemos todo tipo de visita, mesmo porque naquela época ainda havia muita curiosidade sobre o trabalho que realizávamos.

 

Acho que sequer nós tínhamos ideia sobre o que seríamos a partir daquele momento. Por isso, nos surpreendíamos com a presença de alguns visitantes. Uns chegavam até lá para ver se emplacavam suas ideias. Outros queriam ajudar. Muitos ficaram pelo caminho. Poucos resistiram até agora.

 

Por curiosidade e lembrança de Alecir Macedo, soldado desde nossas primeiras batalhas, vale registrar a presença de uma figura que atualmente é personagem de importante debate nacional. Em 20 de novembro de 2010, fomos encontrados em meio as mesas lotadas do Centro Cultural por um vereador de Manaus, que estava de passagem pela cidade. Ele queria entender o que pensávamos e qual a ideia que tínhamos do trabalho de um vereador.

 

Hoje não sou capaz de lembrar quais dicas que passamos e quais mensagens que ele nos deixou, mas a foto não deixa dúvidas: o papo foi bom. Quem estava conosco era o atual presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado federal Marcelo Ramos, do PR. Na época era vereador e acabara de ser eleito deputado estadual e estava de transição do PCdoB para o PSB. Ramos hoje tem em mãos a difícil tarefa de coordenar as discussões na comissão que receberá, nesta semana, o relatório da reforma que é considerada essencial para o futuro do Brasil.

 

Tenho dúvidas se nosso trabalho atualmente teria o reconhecimento de outras figuras políticas. Talvez seja um tema para discutirmos nos próximos encontros que espero ter condições de participar. Nem que seja para brindar com uma cerveja que presta homenagem à nossa cidade.

O patriarcalismo já era, escreve Jaime Pinsky

 

Jaime Pinsky, autor do texto que você lerá a seguir, é o diretor editorial da Editora Contexto, pela qual tive o privilégio de lançar dois de meus quatro livros — “Jornalismo de rádio” (2004) e “Comunicar para liderar” (2015), este último escrito em parceria com Leny Kyrillos. Historiador —  e como tal observador da história e do comportamento humano —, Pinsky publica seus textos no site www.jaimepinsky.com.br ,que merece estar  na sua lista de favoritos, caro e raro leitor deste meu blog.

 

Às vezes, tomo a liberdade de trazer para cá alguns de seus pensamentos com o objetivo de compartilhar com você o conhecimento que ele nos oferece. Só não o faço com mais freqüência para não abusar da boa vontade do autor. Hoje, não me contive. Assim que recebi seu artigo por e-mail, apressei-me em reproduzir aqui no blog, pois vejo nas palavras de Jaime Pinsky a explicação que jamais eu seria capaz de dar às pessoas para uma mudança que deveria ser evidente na sociedade moderna, mas que me parece ainda não tocou o coração e a mente de muita gente graúda: o papel do homem e da mulher na família.

 

Com título que deixa claro a que veio, Pinsky questiona o patriarcalismo que reinou por séculos, mas que não encontra mais espaço — ainda bem — nos tempos em que vivemos. Uma ideia que defendo em meu último livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, lançado pela BestSeller, do Grupo Editorial Record — desculpa aí, Pinsky.

 

Com a palavra Jaime Pinsky:

 

baby-22194_1920

 

Ser agricultor em regiões que hoje formam estados nacionais como Líbano ou Israel era muito diferente do que trabalhar a terra no antigo Egito, ou na região mesopotâmica hoje correspondente ao Iraque. A situação geográfica e o clima mais previsível da Palestina permitia o trabalho solitário de famílias camponesas, enquanto que o Nilo, de um lado e o Tigre e o Eufrates de outro tinham um regime de cheias e vazantes que obrigavam o agricultor a trabalhar coletivamente na construção de diques e canais para domar a natureza pródiga, mas agressiva. A construção de impérios na Mesopotâmia e no Egito tem, pois, muito (mas não só) a ver com as condições geográficas encontradas pelos seus habitantes. Não é uma determinação (mesmo porque não há como a Geografia determinar a História), mas um condicionamento. Nem todas as civilizações ao longo de grandes rios tiveram as características imperiais de Egito e Babilônia, mas esse tipo de organização política ocorreu em vários outros lugares como China e Índia, por exemplo. Mas não ocorreu em várias outras regiões onde também tínhamos (e temos) grandes rios e atividade agrícola (Amazonas, Mississipi, por exemplo, ou mesmo os rios europeus…).

 

Historiadores consequentes continuam dizendo que o ser humano atua em condições históricas concretas. Por mais que uma garota entre no curso de História por admirar, invejar e querer se tornar uma princesa medieval, isto nunca vai acontecer, mesmo por que a Idade Média ficou (felizmente) na poeira da História. Acabou. Ela tem um ideal anacrônico, viável apenas no mundo da fantasia, da mesma forma que o garotão, praticante de joguinhos eletrônicos, nunca vai poder se tornar um cavaleiro medieval. Anacronismo é isso.

 

Contudo, o anacronismo pode se manifestar de muitas outras maneiras. Um exemplo? Qualquer política preconceituosa com relação às mulheres. Não se trata de discutir questões morais, ou recorrer a textos bíblicos. Historicamente não faz sentido. Vejamos: o patriarca, o homem chefe de família era aquele que, entre outras funções, distribuía o serviço, as funções, os papeis de cada um da família. Era aquele que queria muitos filhos para que houvesse muitos braços (diziam que braços são dois e boca uma só). Era aquele que estabelecia regimes de trabalho, horário de dormir e de acordar, de comer e de rezar.

 

O processo de urbanização e a consequente criação de outras funções sociais de trabalho fez com que filhos e filhas ganhassem mais autonomia. Ao sair para o trabalho, eles não mais ficavam sob a tutela direta do patriarca. Ao ter seus horários definidos pelo patrão (ou patroa) a garota escapava do poder direto do patriarca. Ao perceber que na cidade uma criança precisava ser vestida, transportada, alimentada, medicada, educada e que isso custava muito caro, as mulheres passaram a tomar providências anticoncepcionais. Núcleos familiares com poucos, ou nenhum filho substituíram as grandes famílias e o poder esvaziado do patriarca já não tinha mais sobre quem se exercer, salvo como resquício simbólico de um tempo passado. As cidades tendem a matar o patriarcado.

 

Contudo, e bons autores tratam disso, o universo de valores muda mais lentamente do que o mundo da economia ou da política. Sem saber (ou até sabendo) que suas ideias são jurássicas muitos homens ainda querem ter sobre seus familiares uma ascendência que os tempos não justificam mais. E não apenas sobre as mulheres de sua família, mas sobre todas as mulheres. Homens que se sentem (ou se dizem) melhores do que elas dirigindo um carro ou uma empresa, um hospital ou um departamento universitário. Homens que ainda olham as mulheres com falsa condescendência, apoiados por instituições que reforçam o arcaísmo da discriminação, como a maioria das religiões mundiais (no catolicismo, em que as mulheres são apenas colaboradoras, não tendo direito a estabelecer vínculo direto entre a divindade e o fiel; entre os muçulmanos que “protegem” a mulher proibindo que sequer mostre seu rosto em público; entre os judeus ortodoxos que não permitem sequer que ela tome a iniciativa do divórcio quando a relação não caminha bem).

 

Cabe aos homens prestar mais atenção em suas atitudes individuais e sociais, ao preconceito cotidiano, às piadinhas de mau gosto, a atitudes que parecem, mas não são de companheiros com direitos iguais. Que tal compartilhar responsabilidades e não apenas “ajudar”? Afinal, alimentação da família, limpeza da casa, criação dos filhos, é responsabilidade do casal, ou não? E oportunidades profissionais, um direito dos dois, não é?

 

A era do patriarcalismo já era.

Nova fase do virtual quebra barreiras, atrai investimento e faz crescer a economia

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

280403-x-estrategias-eficientes-para-aumentar-as-vendas-no-ecommerce

 

Enquanto a Economia brasileira mantém os problemas estruturais e operacionais há anos, eis que o setor virtual, que crescia mas era tido de alto risco e grandes prejuízos, começa a reverter o quadro original.

 

Talvez por isso, a Natura, ao anunciar a compra da Avon, ressalta que a expectativa é que haja de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões resultantes da sinergia, que serão aplicados no aumento da presença nos canais digitais, mídias sociais e expansão geográfica das marcas — embora mantendo as 6,3 milhões de vendedoras e as 3.200 lojas.

 

Ao mesmo tempo, a Netshoes está sendo disputada por Magazine Luiza, B2W (Americanas.com, Shoptime, Submarino) e Centauro.

 

A Hi Platform, um dos players emblemáticos do setor virtual, como construtora de plataformas de relacionamento com o consumidor, espelha esta nova fase. Acaba de anunciar a compra da SamChat, empresa desenvolvedora de chat online para o atendimento ao cliente. Com isso, aumenta seu quadro de clientes e o tráfego de atendimento.

 

Com a nova aquisição, a Hi Platform se reforça para atender o mercado das empresas médias que estão introduzindo o omnichannel em suas operações e compõem um segmento potencial expressivo. Propõe-se, também, em ampliar a qualificação do serviço às grandes organizações que estão se reformulando para atender as demandas atuais dos novos consumidores.

 

Pela visão do CEO, Marcelo Pugliesi, a manutenção do crescimento, que no último ano ficou em 25%, deverá ocorrer através da inclusão de novos clientes e da performance dos atuais, chegando a uma taxa de 35%. Para esse desenvolvimento, Marcelo aposta ainda na qualidade e atualidade das ferramentas que a Hi Platform, líder de mercado, oferece.

 

É o caso do *Chatbot  usado por 20% de seus clientes, cujo sucesso deve-se ao resultado operacional atual com 70% de resolução e um custo por atendimento de R$ 0,30 contra R$ 2,50 da chamada telefônica.

*Chatbot é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador. CHAT conversa BOT robot.

Além da melhoria de outros canais, como *Chat e *FAQ, cuja evolução deverá levá-los para uma concentração no Chatbot. O telefone já reduziu em 50% a sua participação.

*Chat é um canal de conversação entre o cliente e o atendente da marca. CHAT conversa.

 

*FAQ reúne as respostas às perguntas mais comuns que os clientes fazem sobre os produtos, as formas de pagamento e entrega. F frequently A asked Q question. Perguntas mais frequentes

Segundo observamos, o ponto nevrálgico para o atendimento artificial surge quando, ao precisar resolver um problema, o cliente não consegue falar diretamente com alguém e tem de seguir uma trilha extensa de perguntas inócuas. Ao que Pugliesi enfatiza que é uma oportunidade para um bom Chat ou Chatbot se diferenciar dos demais.

 

Marcelo acredita também em determinados setores que podem encurtar a cadeia produtiva, colocando produtor e consumidor em linha direta. Por exemplo, seguros e imóveis.

 

Corroborando com Marcelo Pugliesi e sancionando Lavoisier no preceito de que nada se cria mas se transforma, a volta à origem do canal direto do produtor ao consumidor é no mínimo sedutora. O retorno ao passado não será um retrocesso. Talvez, um sucesso.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.