Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: respeite os três estágios de lançamento de marca

“Se você está pensando em lançar uma nova marca comece revelando ou demonstrando o que ela tem de característica mais essencial”

Jaime Troiano

Alberto Roberto foi dos personagens de maior sucesso de Chico Anysio e —- desculpe, senhoras e senhoras, mas precisarei apresentá-lo aos mais jovens que, por ventura, estejam lendo este texto —- fazia as vezes de um ator de televisão, pretensioso e metido a galã. Em meio a uma série de gafes linguísticas, se apresentava como sendo um ‘símbalo secsual’, apesar de seu talento bastante questionável

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso voltou aos anos de 1970 e resgatou a imagem do engraçadíssimo Alberto Roberto para ilustrar um erro comum que marcas tendem a cometer quando estão se lançando no mercado, que é  esquecer que existem estágios que precisam ser percorridos sob o risco de o consumidor não absorver a mensagem e a imagem daquela marca não se consolidar, como explica Cecília Russo:

“Marcas não podem fazer o papel de um Alberto Roberto. Ele simulava um prestígio e reconhecimento — que não tinha —- antes de passar por estágios de consolidação”

Que estágios são esses?

Pra falar dessas etapas, o Jaime recorre a outra fonte. Essa, ao contrário de Alberto Roberto, com prestígio consolidado e reconhecimento no mercado internacional: Joe Plummer, da Young & Rubican, que descreve os três estágios de desenvolvimento e reconhecimento de uma marca no mercado: 

  • 1º  A marca diz o que ela é;
  • 2º  A marca diz o que ela faz por você;
  • 3º  A marca diz o que ela significa em sua vida.

Para entender como funciona essa estratégia, vamos a alguns casos reais. 

O Nubank se apresentou ao público apoiado em uma característica essencial: a simplificação — “vou ser mais simples no jeito, nas cores, nos processos”, descreveu Cecília.

A marca Dove, desde o início, trabalhou o tema da hidratação e mantém até hoje esse elemento em uma gama muito grande de produtos, mas expandiu seu repertório de mensagens, porque já está consolidada.

A Tostine apareceu com um lema que se transformou em ícone da publicidade: “é mais fresquinho porque vende mais ou vende mais por que é mais fresquinho”. Começou sua comunicação com o estágio inicial que é o de trabalhar o atributo do produto. E, ao longo do tempo, ampliou esse sentido, sinalizando qualidade e prazer de comer.

“Evite a síndrome de Alberto Roberto. Comece apresentando a sua marca a partir de suas características e atributos, antes de criar uma linguagem mais simbólica e mais abrangente. que ninguém vai entender em um primeiro momento” 

Jaime Troiano

Entenda mais sobre este tema ouvindo o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN:

Mundo Corporativo: para que o negócio tenha a melhor entrega, Guilherme Lemos, do Grupo Rão, sugere ‘pensar grande e andar pequeno’

“Um dos principais conselhos para quem está começando é nunca dê um passo maior que a sua perna, porque se você quebrar você cai. Então, pense grande, pense alto, pense longo e ande pequenininho, para que você possa acertar, errar e corrigir”  Guilherme Lemos, Grupo Rão.

Foto: Divulgação

Foi seguindo os passos —- até então pequenos —- do irmão que o empresário Guilherme Lemos ajudou a construir uma rede pioneira no segmento de delivery de alimentos. Henrique, o mais velho, foi quem fundou o Grupo Rão,  no Rio de Janeiro, em 2013. Guilherme, o mais novo, aproximou-se do negócio como franqueado com uma unidade do SushiRão, seis meses depois. Em 2016, ocupou lugar na diretoria da empresa e, atualmente, é o CEO do grupo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, ele conta que o ponto de virada se deu quando eles descobriram qual era o seu verdadeiro negócio:

“A gente percebeu ao longo dos três primeiros anos que não éramos especialistas em comida japonesa, a gente dominava a ciência do delivery. E com isso dominado, era natural chegar a outros ramos de comida”.

Hoje, a entrega de comida em casa virou salvação para muitos empreendedores do ramo de bares e restaurantes, devido a pandemia. Guilherme lembra, porém, que bem antes das restrições sanitárias, os irmãos já entendiam que a interação humana diminuiria ou ficaria restrita a pequenos círculos por questões de custo, tempo, segurança e tecnologia:

“Essa pandemia não alterou certos hábitos, ela acelerou hábitos do delivery. O delivery já seria um canal super desenvolvido, só que essa pandemia, por motivos óbvios, obrigou que a gente acelerasse os processos”.

Ao contrário da maioria dos concorrentes, o grupo investe na entrega de alimentos feita por funcionários próprios, evitando o uso de aplicativos que se tornaram comuns nos últimos anos. Aliás, a precisão na entrega é um dos pilares do sucesso do negócio, descritos por Guilherme:

  1. Preço justo
  2. Proximidade com o cliente
  3. Entrega rápida
  4. Produto de qualidade

Para quem imagina empreender no setor, uma das lições aprendidas pelo grupo Rão é que a entrega tende a ser de bastante qualidade quando feita em um raio de até 12 quilômetros do ponto em que está a cozinha:

“A pessoa que está com fome, não pensa assim: “vou ficar com fome daqui uma hora e meia. Estou com fome agora. Vou pedir minha comida agora e quero que o motoboy entregue agora’”.

A rapidez na entrega não deve influenciar na qualidade do produto e no seu custo, porque tudo tem de ser devidamente medido, ensina Guilherme, que vê como um dos principais erros dos empreendedores não saberem fazer contas:

“Tem de ser nos centavos. Na gramatura. Meu sashimi tem de ter 10 gramas. Para 10 gramas, custa um valor. Se o sushiman cortar 12 gramas, entrega para o cliente 20% a mais do que deveria ter feito pela ficha técnica. Eu deixo de ganhar”.

Com todos esses cuidados, o Grupo Rão, recém-chegado a São Paulo, já tem mais de 100 unidades, no Brasil, e três funcionando em cidades de Portugal. Nos planos de Guilherme está a ideia de retornar aos Estados Unidos, onde o irmão mais velho chegou a levar uma das franquias, e entrar na Espanha. Além disso, estão investindo em tecnologia, desenvolvimento de moeda digital própria, novo sistema de pagamento e centro de distribuição. A meta é fechar o ano com faturamento de R$ 300 milhões e abrir mais 50 unidades. As franquias respondem por cerca de 85% do negócio.

Diante dos desafios que surgem, Guilherme aproveita-se do que aprendeu com os erros cometidos —- “a gente sempre errou pequeno, nunca comprometemos a empresa”  —-, e de uma lição que nunca esquece, ensinada por Edu Lyra, fundador e CEO da ONG Gerando Falcões”:

“É preciso ter coragem para empreender. Nós não conhecemos nenhum outro caminho que não seja o empreendedorismo. Vai fazendo. Vai construindo. Tem uma lema que diz que ‘nasceu perfeito, nasceu tarde’. Erre pequeno. Mas faça. O sucesso é inatural, se ficar parado, você não vai atingir o sucesso. Faça acontecer. Tem um mundo para fazer coisas. Como diz o Edu Lyra: ‘vai que dá’”.

Assista à entrevista completa com Guilherme Lemos, CEO do Grupo Rão:

Você pode assistir ao Mundo Corporativo, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e nos canais da CBN no Youtube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno teixeira, Natacha Mazaro e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: o Tetra é nosso, os guris do Grêmio!

Grêmio 1×1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Ferreirinha comemora o gol do título em foto de Lucas Uebel/Grêmio GBPA

Havia um guri no gol, de sorriso largo e braços ainda maiores, que conhece o Gre-Nal como a palma de sua luva —- Brenno fez sua estreia no Grêmio em um clássico, e até hoje não perdeu nenhum. Havia um guri na zaga em lugar de Kannemann: Ruan, que segue a passos largos o futebol maduro de seu companheiro de área, Geromel. Outro guri ocupou a lateral para substituir Rafinha, expulso ainda no primeiro tempo. E Vanderson cumpriu sua função com a seriedade de um veterano e a velocidade de guri que é.

No meio de campo, havia um guri, Matheus Henrique, que sustentado por um craque, Maicon, e um leão de volante, Thiago Santos, pode soltar seu talento com a bola no pé, distribuir o jogo e aparecer dentro da área para impor perigo ao adversário. Foi ele quem soube escapar da marcação na intermediária gremista, deixar seu adversário estatelado no chão e avançar à fronteira inimiga no início da jogada  do gol do título, ainda no primeiro tempo da partida.

No ataque não faltavam guris. Havia Léo Pereira, desde o início, e Ricardinho e Pepê (sim, não esqueça que o nosso atacante que ruma agora à Europa tem apenas 24 anos), que entraram no segundo tempo para dar desespero nos marcadores. 

Havia o maior de todos os guris: o gigante de 1,71 metro de altura, Aldemir dos Santos Ferreira, o Ferreirinha. Com 23 anos, nosso ponta esquerda encanta o torcedor e enlouquece o sofredor.

Foi ele quem recebeu a bola final daquela jogada iniciada por Matheus e distribuída por Diego Souza —- o goleador que aos 35 anos bota a bola na rede e dança como se fosse um menino. Foram dele, Ferreirinha, os dribles que o deixaram na cara da goleira, as gingas que desnortearam seus marcadores, a bola roubada na defesa e a vibração pelo desarme para a lateral, que tiraram o adversário do sério.

Já disse e repito, Ferreirinha é o futebol jogado com prazer:

“Raro atacante que dribla sem vergonha. Que irrita o marcador com seu talento. Que joga pra frente, em direção ao gol. E invariavelmente consegue chegar ao seu destino”. 

Havia guri no gol, na defesa, no meio de campo e no ataque. Havia guri se desdobrando para salvar nossos vacilos, endiabrando o zagueiro, desarmando o atacante e dominando o jogo com talento e muita garra. Havia Brenno, Vanderson, Ruan, Matheus Henrique, Léo Pereira, Ricardinho, Pepê e Ferreirinha. 

E em cada um desses guris, havia um pouco de mim. Do meu prazer de ser gremista. Das lágrimas que derramei no vestiário do Olímpico no passado. Do choro de alegria naquela vitória de 1977. Da felicidade de uma conquista comemorada. Do quadragésimo título estadual, do tetra Gaúcho, de sete anos sem perder um clássico em casa e de um domínio que —- guris que hoje vestem a camisa do Grêmio não têm ideia — eu nunca havia assistido na época em que eu era realmente um guri lá no Sul.

Obrigado, Grêmio e sua gurizada por me darem a alegria de comemorar mais um título ao lado dos meus guris, aqui em São Paulo.

‘Passaporte contra Covid’ vai demorar a desembarcar no Brasil; a prioridade é outra

Foto de Anna Shvets no Pexels

Sair do Brasil para aquilo que chamavam de ir ao estrangeiro, mesmo que a passeio, nunca foi um projeto de vida enquanto morei no Rio Grande do Sul. Talvez pela formação classe média, econômica e comedida, que tive de meus pais, atravessar a fronteira para o Uruguai e a Argentina me bastava. E dadas as características dos pampas convenhamos não havia nada de estranho naquelas viagens. Isso explica em parte o fato de meu primeiro passaporte somente ter sido emitido depois de chegar a São Paulo, em 1991. Na companhia de minha mulher, e por inspiração dela, passei a viajar para o exterior com mais frequência. Hoje, os passaportes de capa verde se acumulam em uma das gavetas de casa, todos devidamente carimbados pelos guardas de fronteiras.

Há quem passe a vida sem nunca ter expedido um passaporte. Há quem sonhe em ter os diplomáticos que facilitam acessos e fugas quando a coisa aperta por aqui. De várias partes do Brasil, cidadãos se aventuraram nos Estados Unidos, muitos de forma ilegal, na esperança de obter o GreenCard, uma espécie de passaporte para se sonhar o sonho americano.  Enquanto não chega —- e provavelmente nunca chegará —-, vejo alguma conhecidos se satisfazerem em não terem o seu passaporte brasileiro bloqueado na fronteira.

Veio a União Europeia e seu passaporte azul transformou-se em sonho de consumo. Muitos brasileiros passaram a escavar seu passado e a escarafunchar no tronco da árvore genealógica para encontrar algum parentesco perdido por aquelas bandas. Alguns se excedem na busca e encontram na ilegalidade o caminho para atravessar as fronteiras pela fila VIP da alfândega. Pagam um saco de dinheiro estrangeiro para conseguirem certidões de parentes que nunca existiram e para se hospedarem por alguns dias em burgos italianos ou vilarejos lusitanos e serem encontrados pela polícia local, que certifica a sua suposta vivência no país.

Nem verde nem azul, o passaporte que se transformará em objeto de desejo de brasileiros e companhia ilimitada será o imunológico. A instituição que que representa o transporte aéreo internacional, a IATA, está testando um sistema de compartilhamento de informações que oferecerá uma espécie de passe livre para viajantes que enfrentam hoje uma série de barreiras para seguirem em suas atividades devido as proibições impostas por governos que tentam evitar a disseminação da Covid-19.

O Travel Pass Initiative —- que também atenderá pelo singelo nome de FREECOVID — reunirá informações sobre os passageiros: se realizou teste de Covid-19, qual a procedência deste teste, se tem certificado de vacinação contra a doença e se tudo isso está nos conformes —- ou seja, se atende as regras impostas pelo países de destino. Com os dados cruzados e identificados, bastará apresentar o APP no celular para seguir viagem.

Antes de fazer as malas, lamento informar que, se os sintomas persistirem, ainda vai demorar para o “passaporte contra Covid” beneficiar os brasileiros. A política negacionista do Governo Bolsonaro nos deixou mal na foto lá fora. Não bastasse isso, em lugar de combater a doença e garantir vacina para todos, a prioridade agora no País é pela busca de um outro passaporte, o que livra corruptos da prisão. E para consegui-lo é só passar no guichê do STF, da Câmara ou do Palácio do Planalto — órgãos, cada um ao seu modo, que estão emitindo esses passaportes.

Mundo Corporativo: Marco Ornellas diz por que a nova ordem nas empresas é a desordem

Foto de Julia M Cameron no Pexels

A desordem traz um pouco a sensação de que as coisas podem ser diferentes, eu posso fazer diferente; é aí que eu começo a trabalhar o ‘como vou fazer para ser melhor’ e ‘como vou construir um mundo melhor’” 

Marco Ornellas, consultor

As empresas precisam de um novo desenho organizacional para enfrentar a complexidade e o caos que imperam neste momento de pandemia. Não apenas neste momento, pondera o consultor Marco Ornellas, entrevistado do programa Mundo Corporativo. Dedicado a cuidar de desenvolvimento organizacional, Marco lembra que as transformações veem ocorrendo há algum tempo, especialmente com a inserção da tecnologia nos processos de trabalho:

“A complexidade e o caos sempre fizeram parte de alguma forma da nossa vida, hoje de forma mais intensa. A pandemia fez acelerar os processos. Os contatos, os relacionamentos, e as formas de comprar e de trabalhar, tudo isso foi alterado e confirmou o surgimento de uma nova ordem”

A nova ordem é a desordem, diz o psicólogo por formação e professor por dedicação. Foi essa discussão que o inspirou a escrever o livro “Uma nova desordem organizacional”. Marco identifica três grandes movimentos que devem ser feitos pelos profissionais de uma maneira geral:

  1. Desapegar  … de ideias, de objetos, de coisas velhas; as coisas não têm mais valor. O que vale é o que somos;
  2. Se doar … devemos nos entregar às coisas que fazemos e isso tudo precisa fazer sentido para mim. Se doe para o outro, se doe nas relações, se doe para o seu entorno;
  3. Descobrir … com as mãos e com os pés, andar por caminhos que não estou andando, por redes que não vimos, por lugares desconhecidos

A nova ordem organizacional é responsabilidade de todos dentro da organização, segundo Marco Ornellas:

“Todo mundo vai ter de cuidar dessas questões. As organizações do jeito que estão estruturadas não vão sobreviver dessa maneira, precisarão se reorganizar —- é preciso um novo desenho organizacional. Novos modelos de trabalho, de relacionamento, de gestão e de interface. Em um primeiro momento todo mundo é responsável por fazer um novo desenho organizacional olhando para fora e para o futuro, que está aí, presente na nossa realidade”

Com a pandemia, muitas empresas começaram a rever o modelo de trabalho. Algumas já entregaram seus escritórios porque vão investir no trabalho remoto. Outras mantém espaços menores e seus colaboradores que ocupavam o local cinco vezes por semana talvez só voltem a se encontrar uma única vez. Para Marco Ornellas é preciso buscar uma forma flexível de trabalho, investir na troca de experiência entre os diversos setores e transformar o escritório em uma espécie de co-working. 

Para o consultor, não haverá espaço para empresas que mantém departamentos competindo entre si, que não revelam suas vulnerabilidades para não perderem espaço para outros setores:

“Temos um novo desenho do trabalho, uma nova relação da liderança dos colaboradores. De alguma forma, eu preciso trabalhar com mais autonomia e mais liberdade. Muitas áreas vão se integrar com outras. Por exemplo, os departamentos de recursos humanos e de tecnologia da informação”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, às 11 hora, no canal da CBN no Youtube, no site da emissora e na página do Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e pode ser ouvido em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e o Rafael Furugen.

Sem emoção, aos empresários!

                   

Por Augusto Licks

Foto de Foto de RF._.studio no Pexels

Ouço com tristeza que Porto Alegre, onde vivi minha juventude, está praticamente em colapso, a exemplo de outras cidades brasileiras. Um hospital já recorre a contêiner para armazenar cadáveres, e me pergunto se haverá valas coletivas em cemitérios? A que ponto chegamos. 

Ao longo de 2020, procurei escrever artigos úteis sobre a necessidade de a população exagerar medidas de proteção, e de o poder público acelerar planejamento antecipando-se a etapas mais críticas. Infelizmente muitos nunca jogaram xadrez, ficam esperando as coisas acontecerem. Tivemos tímidas campanhas de conscientização, graças a meios de comunicação, esses que alguns atacam enquanto espalham mentiras por redes sociais. 

Observei que após a comoção dos primeiros óbitos a explosão de casos acabou anestesiando a percepção popular, tornando as vítimas anônimas a cada nova estatística diária. Fiz “Lives” para estender palavra útil a confinados e confinadas. Gravei trilha musical para o poema “Canção Póstuma” de Cecília Meirelles recitado por Zezé Motta em homenagem às vitimas de uma categoria profissional, advogados(as), um esforço para resgatar do anonimato dos números a memória de seres humanos.

Constatei como aquilo que identificamos como “mal” se esconde e se banaliza na tragédia, como nos ensinou Hannah Arendt. Indaguei se crimes praticados na pandemia terão algum tribunal futuro a lhes fazer justiça, à la Nuremberg. Detalhei como e porque se desenvolveu o escândalo de Watergate para reforçar a importância de ainda termos imprensa livre e sem censura. Discerni a política entre exercício de poder e convencimento eleitoral, à luz de princípios que são éticos e universais e valores que nem sempre são. Denunciei a distorção massiva de fatos e conceitos por redes sociais que visam a confundir inocentes, levando muitos a se apegarem a crendices. 

Como orientar provou ser insuficiente, sugeri campanhas para assustar a população, como foi nos EUA contra o tabagismo, não custaria tentar. Alertei para o inevitável efeito-verão dos criminosos que “não querem nem saber”, “não estão ouvindo nada”, e mentem que se deve confiar em Deus e não na ciência, atitude  nada cristã, reprovada pontualmente pelo Cardeal Odilo Scherer.

O perspicaz Comandante do Exército, General Edson Pujol, proclamou que estamos em guerra, e que os profissionais de saúde são nossa linha de frente. O governo federal não concordou, em nada se empenhou para um plano eficaz de combate nessa guerra, pelo contrário, negou a gravidade.

Se é estratégia eleitoral, seu único efeito para 2022 será prolongar a pandemia inibindo manifestações de protesto. Mas não adianta tratar isso como questão política, é mais além, é institucional, estrutural, cultural, é urgência de guerra.

Essa subestimação negacionista foi e ainda é exemplo “que vem de cima”. Talvez explique porque para alguns a ficha só caia “quando o raio cair em casa”. Outro dia, após sobreviver à Covid-19, um moderado radialista retornou ao trabalho com um tom bem diferente: cobrou do poder público ações repressoras contra os que se aglomeram, incluindo uso de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, coisas que policiais às vezes utilizam em manifestações.

Fica a pergunta: por que a polícia não reprime tais atos, se representam ameaça a muitas vidas? Alguém alegou que “não adianta colocar lá meia dúzia de policiais diante de milhares”. Pois então que não se coloque meia-dúzia, e sim um contingente. Ah, mas a polícia não dispõe de suficientes soldados? Ora, que entrem então em ação as Forças Armadas, afinal elas existem para nos defender de inimigos. Assim mesmo, reprimir ajudaria mas não resolveria.

A pandemia nos ensinou que a sociedade prioriza mais a economia do que a vida humana. É compreensível a preocupação de trabalhadores e empresas com consequências do distanciamento social. Home office e serviços de entrega não são alternativas para todos. É imperioso que o poder público ofereça auxílio-socorro aos que necessitam, só que isso acaba tornando-se insustentável. 

Origina-se daí a tese de se “flexibilizar”, mas desde meados de 2020 já prevíamos seu efeito de onda: cada flexibilização causa expansão da pandemia, que obriga a retomar restrições. Agora talvez nem tenhamos escolha: se não pararmos, os hospitais seguirão lotados, gente já morre em filas de espera. Ainda assim, nem um “lockdown” resolveria, apenas retardaria as consequências. 

Esperamos meses e meses por vacinas, única esperança contra todo esse mal. Laboratórios mundiais dedicaram esforço sem precedentes, com prazo para “antes de antes”. O governo federal não se empenhou pela mesma causa, foi meramente protocolar, preferiu investir em medicamentos duvidosos, e perdeu chance de garantir doses da vacina que acabou sendo a mais eficaz de todas. Restaram os esforços heróicos do Instituto Butantã e da Fundação Oswaldo Cruz, que lamentavelmente viraram objetos de rinha eleitoral entre o Presidente da República e o Governador de São Paulo.

O Ministério da Saúde, em vez de médico tem um militar paraquedista, e da ativa. Assim mesmo, a logística conduzida por aquela pasta, convenhamos, não é nem de longe a logística de uma guerra. Falta pressa, lucidez e senso de emergência, e sobra então para a ANVISA a batata quente de ter que dar todo tipo de explicação para se esquivar diante da urgência de se acelerar a vacinação.

O Brasil precisa de socorro, S.O.S. !  Como socorrer, como atacar a causa e não apenas maquiar as consequências devastadoras ? Tecnicamente falando, talvez seja mais simples do que se imagina. Depende de entendimento para uma decisão administrativa e que não deveria ser política. Chegou a ser reivindicada mas, tímida, não prosperou. Agora, deveria ser retomada e com urgência, mesmo que demande emenda constitucional, pois é o caminho tecnicamente lógico: a aquisição de vacinas pelo setor privado

É que contra todos argumentos normalmente sensatos, a velocidade da pandemia faz da atual vacinação pública uma peneira para tapar sol. Barreiras legais existentes à aquisição empresarial não se justificam mais nessa calamidade. É semelhante à chantagem que sofrem estados e municípios quando tentam agir diante do imobilismo federal, só que é ainda mais grave pois na prática funciona como obstrução à livre iniciativa. 

É inevitável a discussão sobre estado versus iniciativa privada: economia não pode parar, estado não tem dinheiro e/ou é incompetente para vacinar. Não seria então a iniciativa privada mais eficiente ?  Ora, a economia só não vai parar se as empresas não pararem, e para isso precisam urgentemente imunizar seus funcionários, não existe mágica. 

Conclusão: na prática, Ministério da Saúde e ANVISA estão freando a economia. Deveriam autorizar, e logo, a vacinação empresarial, facilitando em vez de dificultar. Já se esperou tempo demais, e não se pode ficar à mercê dessa embromação que é o Plano Nacional de Vacinação. Alguém irá gritar “ah, mas aí os ricos vão comprar tudo e os pobres ficarão sem”. Claro que não, é só garantir estoques, questão de orçamento, matemática, cálculo, planejamento, estabelecer condições, será que nossos governantes não entendem dessas coisas ? 

Está na hora de o empresariado ser menos contemplativo e assumir seu protagonismo, saindo em defesa de seus lucros, dos empregos que proporcionam e dos salários de seus funcionários. Parar as atividades temporariamente talvez seja inevitável a essa altura, e servirá apenas para ganhar-se tempo. O caminho é um só: vacinar para poder retomar atividades, em vez de flexibilizar sem vacina. E vacina tem ! Estados e municípios empobrecidos podem ter dificuldades, mas a iniciativa privada não, outro dia pagou-se 1 milhão de reais para um jogador de futebol entrar em campo

Então, empresários, vão deixar as coisas assim como estão e assistir omissos? O que esperam ganhar com uma economia que nesse andar da carruagem continuará amarrada? O que esperam para retomar negociações com o governo? Que ao menos se associem aos esforços de vacinação dos estados e municípios.

Augusto Licks é jornalista e músico

Conte Sua História de São Paulo: tudo bem ficar de pijama

Lidia Amorim

Ouvinte da CBN

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Nasci em São Paulo, na infância fui para o interior e adulta retornei para estudar e trabalhar. Casei, fui mãe e para encurtar distâncias entre casa, creche e trabalho voltei ao interior. Fui viver em São Carlos.

Por um ano estive em uma indústria nada adaptada ao teletrabalho, que nos foi imposto pela pandemia. A jornada nos últimos meses estava exaustiva, com mais de dez horas de trabalho e reuniões atrás de reuniões. Foi então que resolvi arriscar, para manter a sanidade mental e encontrar conforto na vida pessoal. 

O ‘tiro no escuro’ foi certeiro. Encontrei na nova empresa um ambiente mais progressista e trabalhar em casa virou um conforto. Além de jornada mais flexível deparei com gestores confiantes, que entendem que a produtividade está estritamente relacionada ao bem estar social. 

Com duas semanas de empresa, ainda em período de experiência, descobriram o meu hobbie e me incentivaram a escrever um texto para o evento virtual de fim de ano da diretoria, com cerca de 200 pessoas assistindo online. 

Foi quando escrevi algo como: 

“A vida parecia bem mais simples quando não exigia longas presenças com nós mesmos ou com as pessoas de nossa casa ..

“Alguns especialistas insistem em nos ensinar a simular no trabalho remoto o mesmo comportamento de trabalhar em escritório. Se arrumar, se isolar em um cômodo da casa, comer comidas saudáveis, se exercitar, alongar…”

“E para as pessoas reais? Como a gente! Que precisa cozinhar o próprio almoço; que sente falta de conversar e rir com os colegas”  

“O padrão deveria ser feito para quem não é sempre perfeito; que precisar retomar a concentração mil vezes por dia, na casa barulhenta; que dá o seu melhor mesmo nas quedas do sinal da internet ou da falta de energia”

“Tudo bem ficar de pijama! Estamos todos na mesma, tentando sobreviver a um período fora do contexto. E são as pessoas de verdade que fazem do negócio, extraordinário; feito para servir gente”

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Lídia Amorim é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung@cbn.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 467: dos passeios fotográficos ao olhar afiado no Skype

Por Claudio Lobo

Ouvinte da CBN

As ruas de São Paulo são o nosso cenário. Somos sete amigos apaixonados por fotografia. Nossos encontros são frequentes. Alguns do grupo se reúnem semanalmente para fotografar São Paulo. Quem vê as imagens que captamos logo percebe que somos adeptos ao estilo “street photography” —- fotografia de rua, já que estamos aqui conversando em paulistanês. Imagine manter esse estilo com a Covid-19 nos mandando para dentro de casa. Impossível, né. 

Algumas semanas de susto e pandemia foram necessárias para encontrarmos novos caminhos. A saída foram encontros promovidos pelo Skype. Desde nove de maio de 2020 nos reunimos todos os sábados das duas às cinco da tarde para apreciarmos e discutirmos fotografia.

No início tivemos alguns tropeços nessa caminhada digital. Com o tempo aprendemos a usar o Skype, como falar, compartilhar as fotos e resolvemos problemas de atraso de áudio e imagem. 

André, Aretusa, Eduardo, Maria Luiza, Norma, Rose e eu somos fotógrafos amadores — amador avançado — e decidimos trocar experiências. Cada um apresenta duas imagens para o debate. Os colegas sugerem melhorias aqui, um retoque ali, falamos de técnicas a serem usadas, recursos que podemos lançar mão. Também conversamos de livros fotográficos; fazemos a leitura de fotos de profissionais renomados —- uma espécie de engenharia reversa, identificando e desmontando a foto de modo a aprender com eles. 

Os encontros sempre remotos são regados de aprendizado, generosidade, companheirismo e muita, muita diversão. Agora, estamos como a fábula do lenhador que enquanto não está cortando lenha, está afiando o machado. Quando tudo se acalmar, voltaremos a nos encontrar presencialmente e sairemos às ruas para seguir nosso passeio fotografando São Paulo e sua gente.

Claudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Liguem suas câmeras, desliguem seus microfones, vamos dar início à solenidade e sejam bem-vindos ao novo mundo

Por Christian Müller Jung

Evento virtual do Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Pelo celular, cerimônia oficial é transmitida pela internet, respeitando protocolos de saúde (foto: Christian M. Jung)


Em Atenção ao protocolo, desta vez é o Respiratório”, artigo que escrevi em 11 de março de 2020 — data em que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde —- já abordava as regras que impactariam nosso cotidiano e viriam a se transformar em uma obrigação para quem vive em sociedade. As autoridades de saúde alertavam para a  maneira correta com que deveríamos agir para reduzir o impacto do que chamávamos de novo coronavírus — que agora, mais íntimo, a ponto de entrar em nossas casas e contaminar nossa família, atende pelo nome de Covid-19.


Passados um ano desde a primeira morte registrada na China e dez meses desde aquele artigo, os protocolos não mudaram, foram reafirmados: limpeza frequente das mãos, uso  constante de máscaras, distanciamento social —- aglomeração é crime, festas devem ser evitadas e preservar a vida é obrigação, protegendo especialmente os idosos e com saúde fragilizada.


Ainda que estejamos assistindo ao aumento na velocidade com que o vírus se dissemina e o registro de mortes se assemelhe ao pico alcançado em agosto do ano passado, a notícia de que vacinas estão prestes a serem aprovadas no Brasil é muito bem-vinda —- isso não muda a necessidade de mantermos os protocolos. Fora brigas políticas e birras infantis que colocam em xeque a capacidade da sociedade científica, ainda teremos de assistir à discussão que nos inclui e não nos cabe. Aliás só nos atinge. 


Questionar quem trabalha com a ciência é como discordar do diagnóstico do seu médico. É decidir que comer tomate à exaustão vai aplacar o impacto do seu câncer de próstata, em lugar de se submeter à quimioterapia. É tomar decisões que atendam as suas crenças, a despeito do que dizem pesquisadores e doutores que dedicaram a vida e a carreira aos estudos com a intenção de prolongar o seu tempo de existência no planeta Terra —- que não é plano, registre-se.


Tem muita gente tocando tambor pra louco —- como dizem aqui nos meus costados — e proferindo teorias negacionistas que em nada ajudam a reduzir a sobrecarga que tem esgotado os profissionais de saúde. E dê-lhe praia e dê-lhe festas, como se nada do que assistimos no mundo fosse verdade.


Ainda bem que em meio a esta pandemia, quando imaginamos que a humanidade vai se afundar e se esforça para sextavar uma roda que girava livre e solta, temos bons exemplos: seres humanos que estão mais preocupados em realmente achar uma solução, sem temer que a vacina vai transformá-los em jacaré.


Dito isso, voltemos aos protocolos e aos eventos que fazem parte do mercado ao qual estamos inseridos, nós mestres de cerimônia e produtores. E vamos pensar no que podemos aprender em meio a essa onda negativa que fez com que muitos profissionais tivessem de encerrar suas atividades, fechar as portas e, com muita tristeza, até suas próprias vidas —- sim,  infelizmente tivemos pessoas que chegaram a esse ponto. \


Em meio ao caos estabelecido, nos vimos obrigados a destravar sistemas tecnológicos que, convenhamos, já estavam à nossa disposição, mas que  ainda não tinham sido incorporados ao nosso cotidiano. Aprendemos a desvendar os protocolos da área de forma empírica — testando, errando e acertando —- porque a comunicação é necessária e a disseminação da informação imprescindível.


Em uma função na qual o respeito ao protocolo do cerimonial é primordial, logo absorvemos os protocolos de higiene ou respiratórios, como caracterizei em artigo anterior. Em seguida, os profissionais do setor tiveram de desvendar os protocolos de rede —- dessa teia que nos interliga.

Como ensina o Wikipedia:

“…. o protocolo (em ciência da computação) é uma convenção que controla e possibilita uma conexão, comunicação, transferência de dados entre dois sistemas computacionais. De maneira simples, um protocolo pode ser definido como “as regras que governam” a sintaxe, semântica e sincronização da comunicação”

Nesse ponto que queria chegar.

Empurrados pelo caos, descobrimos em lives, videoconferências, cerimônias online tanto quanto em plataformas como o Zoom, Google Meet e Skype que, mesmo impedidos da mantermos a presença física, teríamos como acessar as pessoas de forma virtual. Entendemos o que é ter qualidade na conexão de internet, em casa ou no trabalho; que, independentemente da infraestrutura oferecida, o “delay” (prefiro chamar mesmo de atraso) faz parte do diálogo; que ao nos conectarmos de casa ou de nossos escritórios com o mundo devemos nos esforçar para criar um ambiente harmônico; que nosso olhar tem de mirar a lente da webcam e não a tela do computador; que nosso equipamento —- computador, notebook, celular ou câmera —- deve estar na mesma altura do nosso rosto, evitando que pescoço, nariz ou testa fale mais alto do que nosso conteúdo.


São detalhes e informações que já estavam à disposição, muitos até conheciam, mas que por falta de necessidade e diante de tantas outras preocupações pertinentes à época, preferimos deixar para depois  aprender —- “quando precisar, meu filho me explica”, pensamos .


Fomos empurrados em direção a um penhasco não para nos espatifarmos pela falta de oportunidade, mas pela necessidade de continuarmos, de seguirmos trilhando esse universo das solenidades, dos eventos, do aprendizado com o outro e da necessidade que temos de nos enxergarmos como cidadãos do mundo.

Enquanto ainda enfrentamos esse período triste que não nos permite o contato físico e o olhar instigante dos que participam de cerimônias, congressos e convenções, agregamos essas tecnologias que a partir de agora estarão presentes em praticamente todos os eventos, aproximando ainda mais as pessoas, mesmo que elas permaneçam em seus locais de origem, distantes umas das outras.

Apesar da expectativa —- e desejo —- de que voltaremos a nos encontrar e nos reunirmos em um mesmo espaço, essa infraestrutura que foi agregada às atividades permanecerá, facilitando o comparecimento daqueles que têm dificuldades para se deslocar, seja pelo acúmulo de compromissos na agenda seja pela carência de recursos financeiros.


Sendo assim, o que antes se iniciava com um “senhoras e senhores, bom dia …” agora se transformou em “senhoras e senhores, liguem suas câmeras, desliguem seus microfones, vamos dar início à solenidade e sejam bem-vindos ao novo mundo”. 

Christian Müller Jung é publicitário, cerimonialista, Mestre de Cerimônia do Palácio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, colaborador do Blog do Mílton Jung, gremista e meu irmão.

Avalanche Tricolor: Vanderson, Alisson e Churín foram as boas notícias deste domingo

Grêmio 2×1 Atlético GO

Brasileiro — Arena Grêmio

Vanderson rumo ao ataque em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Foi o último jogo do ano no Campeonato Brasileiro, mas não o último do Grêmio. 2020, que já vai tarde, só termina para nós quarta-feira na decisão da vaga à final da Copa do Brasil. A presença em tantas competições simultâneas tem cobrado um preço alto do elenco —- algo nem sempre bem compreendido pelos torcedores que querem a mesma excelência de futebol todas às vezes que o time entra em campo.

Na noite deste domingo, exceções a Vanderlei no gol e a Darlan na frente da área, todos os demais jogadores saíram do banco de reservas —- verdade que alguns em condições de estar no time titular,  como é o caso de Alisson, que retornou aos gramados depois de dois meses recuperando-se de lesão. Pelo que mostrou nesta primeira partida, volta com a mesma intensidade e qualidade de jogo de quando teve de parar. Será uma alternativa para a decisão.

Graças a ele e seus companheiros, a partida desta noite foi um ótimo programa dominical.

Na lateral direita foi muito bom assistir ao desempenho de outro guri gremista: Vanderson, de apenas 19 anos. Demonstrou personalidade na parceria com Alisson. Chegou fácil ao ataque e não teve medo de ir a linha de fundo. Foi assim que, em cruzamento forte e na pequena área, provocou o gol contra que abriu o placar. Soube-se por ele próprio que essa é uma das suas características, inclusive elogiada por Renato nos dias que antecederam a partida. 

Vanderson de Oliveira Campos nasceu em Rondonópolis e foi para o interior de São Paulo, onde o Grêmio o descobriu e o levou para Porto Alegre. No início deste ano foi vice-campeão da Copa São Paulo e, ao longo da temporada, chamou atenção da comissão técnica nos times de base e aspirantes. É a quarta opção para a lateral, mas pode furar essa fila. Antes precisará ser lapidado por Renato e companhia —- como já foram tantos outros guris que passaram pelas mãos do técnico e se transformaram em patrimônio gremista.

Lá na frente, além do próprio Alisson, destacaram-se Pinares e Churín, especialmente porque foram produtivos quando mais se precisou deles. Logo depois do gol do empate, quando o time estava caindo de rendimento, após mais uma investida de Vanderson pela direita, Pinares passou a bola pelo alto e por trás dos marcadores, e Churín —- como se espera de um atacante — bateu forte e sem deixar a bola cair no gramado. 

O resultado mantém o Grêmio na disputa das primeiras colocações e invicto há 11 jogos pelo Campeonato Brasileiro, encerrando sua participação em 2020 na competição.