“É proibido calar!” estará no Paraná e Rio Grande do Sul nesta semana

 

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As semanas têm passado em alta velocidade devido a série de viagens pelo Brasil para o lançamento de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Editora Best Seller). Terminei a semana passada no Rio de Janeiro após dois dias no Distrito Federal. Em um lugar e em outro, a conversa com os ouvintes e leitores foi revigorante. Além de reencontrar amigos e colegas de trabalho, tive contato com pessoas que acompanham o meu trabalho no rádio e esperam encontrar no livro uma parte daquilo que conheceram através dos meus comentários e entrevistas — minha torcida é que após lerem o livro preservem a imagem que tinham até então.

 

Nova semana se inicia e uma nova angústia aparece. Talvez nunca tenha dito isso a você, caro e raro leitor deste blog, mas a ansiedade em saber quem aceitou o convite de comparecer ao lançamento do livro consome o meu dia. Sempre tenho a impressão de que ninguém estará por lá — motivos não faltam, afinal todos nós temos uma quantidade gigantesca de compromissos na agenda. Ao mesmo tempo, fico com a esperança de que posso ser surpreendido com a presença de uma ou outra pessoa.

 

No Rio de Janeiro, quinta-feira passada, além de muita gente boa e generosa que esteve por lá, reencontrei um amigo de infância, que morava na mesma rua que a minha em Porto Alegre, foi meu aluno na escolinha de basquete do Grêmio, nos anos de 1980. “Sabe quem eu sou?”,  perguntou ele. Claro que minha memória não era capaz de voltar tanto tempo, até porque o cara, casado, com jeito de quem trabalhou duro na vida para montar sua rede de restaurantes, estava bem diferente daquele guri da Saldanha que eu conheci. “Sou o Ismael, irmão do Samuel” — frase que serviu de senha para liberar minhas lembranças e me emocionar. A imagem do guri da Saldanha voltou a mente e substituiu o cara, casado, com jeito de quem trabalhou duro na vida para montar sua rede de restaurantes. Passaram a ser a mesma pessoa.

 

Tomara seja capaz de encontrar velhos conhecidos em Curitiba, na terça-feira, dia 28, quando lançarei “‘É Proibido Calar!” na Livrarias Curitiba, no Shopping Palladium, às 19 horas. Ou quem sabe, encontre novos conhecidos, entusiasmados com a ideia do livro de que os pais, as mães e os adultos de referência das nossas crianças sejam responsáveis pela educação dos seus filhos — uma educação que precisa ser baseada em princípios e valores éticos.

 

Na sexta-feira, estarei em Porto Alegre. Na minha terra natal, serei o palestrante que encerrará o Congresso de Comunicação Legislativa para Câmara Municipais — convite que me fizeram pela participação que tenho no Adote um Vereador, um dos temas que tratei no “É proibido calar!”. Farei a palestra “Comunicar para liderar no legislativo”, baseada em meu livro anterior “Comunicar para liderar” que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

 

Seja em Curitiba seja em Porto Alegre, só tenho a dizer o que tenho dito em todos os lançamentos que fiz até agora de “É proíbido calar!”: não me deixem sós.

Vai lá: “É proibido calar!” será lançado em Brasília e no Rio de janeiro

 

 

A semana que começa será intensa: lançarei o livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Ed BestSeller)  em Brasília e no Rio de Janeiro. Duas oportunidades para conversar com leitores, ouvintes e amigos, como já havia ocorrido em São Paulo, na segunda-feira passada.  Assim como na capital paulista, a sessão de autógrafos também será precedida de um bate-papo com jornalistas convidados. Gosto da ideia do talk-show  pois serve como uma apresentação das ideias que estão no livro.

 

Uma das mensagens que compartilho com os leitores é a que está em destaque no vídeo que acompanha este post: os pais são responsáveis pela educação dos filhos e não devemos terceirizar esta responsabilidade.

 

Em Brasília, o encontro será na quarta-feira, dia 22, às 19 horas, na Livraria Cultura do CasaPark Shopping Center, e terei a companhia do Brunno Melo. No dia seguinte, dia 23, também às 19h, estarei no Rio de Janeiro, e a conversa será com o Frederico Goulart, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

 

Espero você por lá!

 

 

 

 

 

A Lei da Ficha Limpa e a candidatura de Lula

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

A candidatura do ex-presidente Lula homologada em convenção realizada neste sábado, é uma miragem. A sua mais singela cogitação esbarra em postulados elementares de Direito. Na prática, a expectativa de registrá-la orbita em torno de uma ficção. Por quê? Porque a Lei da Ficha Limpa é incisivamente clara: decisão colegiada reconhecendo a prática de crimes contra a administração pública e de lavagem ou ocultação de bens e valores torna inelegível o condenado. É exatamente o caso. Nunca antes na história desse país havia acontecido com um ex-chefe de Estado.

 

Diante das decisões proferidas pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Porto Alegre/RS), a pacífica jurisprudência do TSE assinala pela impossibilidade de concorrer.

 

Ressai daí que embora a tal candidatura venha sendo trombeteada por meses a fio mediante o uso sagaz de manifestações públicas, discursos parlamentares e redes sociais, a mesma não reúne os requisitos legais exigíveis.

 

Isso tudo somado à movimentação da engrenagem estatal (tribunais, servidores, serviços) em nome e função de uma candidatura que afronta normas e colide à interpretação pretoriana evidencia intolerância à organização do sistema. Porém, conforme recentemente reafirmado em bom tom pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quem estiver inelegível pela Lei da Ficha Limpa “está fora do jogo democrático”.

 

As vozes e vontades de uma parcela da população que brada de forma contrária, não encontram lastro para amparar uma pretensão que, em última análise, se configura ilegítima e agride a ordem jurídica.

 

Noutro giro, não obstante argumentos metajurídicos brotarem aqui e acolá, por vezes num providencial plantão judiciário de domingo, o certo é que o ex-mandatário está impedido de ser votado por conta da pena de 12 anos e um mês de reclusão que lhe foi imposta.

 

Ante a legislação vigente e jurisprudência dominante, preso ou solto, Lula está enquadrado como inelegível até 2026.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Reforços para as candidaturas femininas

 


Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

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São poucas as mulheres na política (foto:LuisMacedo/CâmaradeDeputados)

 

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a partir deste pleito, os partidos políticos deverão reservar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, para financiar as candidaturas femininas. Os ministros também estenderam o percentual para o estratégico tempo destinado à propaganda eleitoral de rádio e televisão.

 

Dessa forma, invocando o princípio da igualdade previsto na Constituição Federal, o TSE definiu que as agremiações não podem criar distinções em torno do rateio desses recursos baseadas exclusivamente no gênero, os quais deverão obedecer à proporção de candidaturas femininas e masculinas apresentadas.

 

Vejamos algumas motivações desse julgamento.

 

O regime de cotas estabelece que cada partido ou coligação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de vagas para candidaturas de cada sexo. Como noutros países que as adotaram, as cotas eleitorais foram instituídas no Brasil visando reduzir as dificuldades no lançamento de candidatas.

 

Importante mencionar, no entanto, que apesar das mulheres serem mais da metade da população (51,4%) e do eleitorado brasileiro (52%), portanto a maioria, a presença percentual feminina no Congresso Nacional é tímida. Comparado com os seus vizinhos latino-americanos, o Brasil apresenta a penúltima situação entre 20 países, à frente apenas do Haiti. Em termos globais, o cenário é ainda mais raquítico: o país está na 158ª posição entre as 188 nações catalogadas pela Inter Parliamentary Union (2014).

 

É óbvio que a insuficiência de recursos para as campanhas repercute diretamente na escassa efetividade das cotas. Afinal, de pouco adianta haver vagas reservadas sem que o aporte financeiro seja efetivado. Daí porque esta decisão do TSE amparada noutra que havia sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal ter o potencial de atenuar algumas causas da sub-representação parlamentar feminina.

 

Num sistema harmônico de regras, a proporção mínima do fundo partidário destinado às candidaturas de mulheres deve ser coerente com a quantidade de vagas a elas reservadas.

 

Assim, além de reforçar a proporcionalidade e atribuir mais eficácia às cotas, a manifestação do Tribunal Superior Eleitoral era necessária em razão de o Fundo Eleitoral ser constituído exclusivamente com recursos públicos (R$ 1,716 bi derivados do Orçamento Federal), sendo que 73,5% serão para os dez maiores partidos do país.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Qual o papel do jornalismo em meio aos boatos da era digital? 

 

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Se me permite, volto ao tempo para começar esta história. Novembro de 1889. Quem dava as cartas era a Monarquia — ao menos é o que acreditava. Dom Pedro II porém era bombardeado por muitas frentes.

 

Os fazendeiros não estavam contentes com o fato de terem de liberar seus escravos sem receber um só tostão. Os progressistas reclamavam que o processo foi muito demorado. Na Igreja, havia descontentamento — as decisões do papa só podiam ser adotadas se autorizadas pelo Rei. No campo militar, a popularidade da monarquia era ainda menor.

 

Apesar da pressão dos republicanos, porém, o alagoano marechal Deodoro da Fonseca, que comandava o Exército, não demonstrava disposição para sair de casa e encarar um golpe de Estado. Mantinha alguma simpatia com a monarquia — o que provavelmente lhe garantia regalias e convites para as festas mais importantes; e sofria de falta de ar —- o que lhe mantinha muitas vezes na cama, como naqueles dias que antecederam a Proclamação da República.

 

A incomodar Deodoro, porém, havia a possibilidade de um desafeto, dos tempos em que serviu no Rio Grande do Sul, Gaspar Silveira Martins, assumir o o cargo de presidente do Conselho de Ministros do Império. Silveira Martins era advogado e político, costumava chamar Deodoro de “Sargentão” e o atacava em discursos na tribuna — rusgas que teriam se iniciado quando Silveira Martins ganhou o coração da Baronesa do Triunfo, que dizem ter sido uma viúva muito bonita e paixão não correspondida de Deodoro — bem, mas isso não tem nada a ver com a nossa conversa.

 

Ao perceber que o Marechal relutava em sair para a luta, o major Sólon — meu conterrâneo, nascido em Porto Alegre, Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro — usou de sua rede de amigos e comparsas e espalhou boatos pelo Rio de Janeiro, de que a Guarda Nacional iria atacar unidades do exército e havia ordem de prisão contra Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant — um republicano de primeira hora. O boato correu solto por ruas, bares e clubes do Rio até chegar aos ouvidos do Marechal que, então, achou atrevimento de mais. “Viva a República!” —- teria dito após convocar os soldados a derrubar a Monarquia e voltar para casa.

 

Perdão se me estendi nesta introdução que versa sobre o passado diante de pergunta tão objetiva e atual. Quis mostrar, porém, que se hoje estamos em busca de soluções para conter a influência do que se denominou ‘fake news’ — e sou contra o termo por motivos que explico logo à frente —, é importante perceber que esse fenômeno não é recente e foi usado em diversos momentos da história, no Brasil e no Mundo. Espalhar boatos, mentir, distorcer fatos e rever versões para mobilizar pessoas contra ou a favor de um causa são artifícios antigos que até hoje fazem parte da nossa sociedade. A grande diferença é que, atualmente, temos ferramentas que permitem o crescimento exponencial dessas informações fraudulentas, aumentando seus efeitos.

 

Quando questiono o uso da expressão ‘fake news’ para informações fraudulentas, o faço para mostrar que ‘fake news’ é falso até no nome, porque seu produto pode ser tudo menos notícia (ou ‘news’). Notícia é resultado de trabalho jornalístico que tem como base a busca constante da verdade possível — e ao dizer ‘possível’ o faço porque nem sempre a verdade absoluta se revela em um primeiro momento. Há casos que começam a ser contados por um caminho e acabam se revelando diferente à medida que a apuração avança.

 

Exemplo: em 11 de setembro de 2001, um avião se choca em um prédio, o mais emblemático de Nova Iorque; às câmeras transmitem a cena para o mundo e as emissoras de rádio levam à informação aos ouvintes. Assim como fiz de um estúdio em São Paulo, milhares de jornalistas pelo mundo noticiavam um acidente aéreo com dimensão ainda impossível de se identificar, mas relevante por todas as circunstâncias que tínhamos até aquele momento. Éramos todos produtores de ‘fake news’ dada a verdade que se revelou em seguida? Não! Estávamos apenas relatando a verdade possível até então, porque aquela era uma história que se construía ao vivo. Em nenhum instante, até percebermos a verdade que se escondia naquela imagem, após a soma dos acontecimentos que se sucederam ao primeiro avião que se espatifou no prédio, publicou-se algo com a intenção de ludibriar o público.

 

Buscava-se a verdade.

 

Eis aí o papel do jornalista em um ambiente no qual os fatos e versões se sucedem e são construídos pelas mais diversas fontes; em um momento, em que as pessoas recebem, por dia, um volume de informação cinco vezes maior do que há 30 anos; e em um cenário no qual essas mensagens são transmitidas em altíssima velocidade e nós temos cada vez menos tempo para gerenciar esse conhecimento — ou para refletir sobre esse conhecimento.

 

Buscar a verdade exige apuração, construção de uma rede confiável de fontes, curiosidade para descobrir os fatos que compõem a história, desconfiança para não ser vítima de versões fraudulentas, observação atenta ao ocorrido e humildade para não ser refém do erro.

 

Nessa busca, leve-se em consideração, também, o que aprendi com Zuenir Ventura, jornalista e escritor de mão cheia: “jornalismo é apuração, investigação, é usar o saber do outro (…) no jornalismo você estuda. Quando você faz uma matéria tem uma hierarquia do saber, você se informa sobre a matéria, procura ouvir quem sabe mais do que você” — disse-me ele em uma entrevista na rádio CBN.

 

O jornalismo feito com liberdade é o melhor antídoto para as informações falsas produzidas propositalmente com o objetivo de atacar pessoas ou instituições. Isso não significa que não cometemos erros. O jornalismo e os jornalistas erram, sim, mas têm a responsabilidade de assumir seus erros e pagam por eles. Identificada a falha, corrigem, pedem desculpas e conforme o prejuízo que tenham cometido podem ser acionados na Justiça.

 

É preciso que se entenda, também, que a produção de informações fraudulentas é uma covardia contra o cidadão — mesmo que essas surjam para confirmar sua visão de mundo, um dos motivos para essas mensagens ganharem dimensão muito rapidamente.

 

Na parte final do filme “The Post”, de Steven Spielberg, a atriz Meryl Streep, no papel de Kay Graham, a proprietária do ‘The Washington Post’, conversa com Tom Hanks, que faz as vezes do editor-chefe Ben Brandlee. No diálogo, Kay reproduz frase do marido dela, Philip Grahan, que comandava o jornal até a sua morte: “Notícias são os primeiros rascunhos da história”.

 

Os produtores de informações fraudulentas têm como objetivo escrever histórias falsas; os jornalistas têm como missão rascunhar a história até onde for possível em busca de sua versão final — a verdade. Isso faz uma baita diferença na vida do cidadão e da democracia.

 

Em resposta a Beatriz Lima, estudante de jornalismo, que realiza monografia sobre o tema “fake news”.

Zoologicamente falando

 

 

Quando um garoto de 12 anos pensa o que pensa — e você lê a seguir o que ele está pensando — é sinal que temos esperança na mudança. Valeu por compartilhar com a gente!

 

 

Por Matheus Nucci Mascarenhas
Colégio Notre Dame de Campinas, 7º ano

 

 

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Era o último dia de aula, uma sexta-feira enobrecedora, ensolarada e quente. Todos afobados, cansados e atordoados pelas longos conteúdos do ano, o costume do fim das aulas. Nesse dia, particularmente especial a mim, houve uma tarefa, criada pelos professores, com intuito de desviar seus alunos do prosaico: um debate. O incrível e controverso debate. O tema escolhido pelo docente foi este: “É correto existir zoológicos, ou não?”. Assim nós pudemos escolher o lado que achávamos correto. De repente, uma classe unida por fortes laços de amizade e interesses, dividiu-se em duas partes: os contrários e os favoráveis. Na realidade não eram somente os contrários e os a favores, mas sim extremamente opositores, ou extremamente defensores do tema.

 

 

Naquele momento, refleti um pouco sobre isso, mas agora, desenvolvo melhor meu raciocínio e vos digo, por quê? Por quê, sempre que um assunto envolve alguma decisão ou opinião, a divisão é feita através de pólos? Isso me incomoda. Por que sempre há de ter uma tão grande divisão? E vejo que isso não acontece somente na escola. Porque as opiniões políticas também são sempre assim. É um absurdo a maneira como é comum que qualquer um, que ouve um comentário de outro, rotule essa pessoa em algum dos pólos opinativos, somente por ouvir um comentário fraco, cujo autor nem havia ainda adicionado sua correta nem completa opinião. Ou seja: é uma conclusão precipitada e injusta sobre o discurso feito pelo locutor

 

 

Parece que sempre há a vontade insaciável do ser humano de enquadrar alguém em algum posicionamento, mesmo sem haver indícios de polarização, tanto na fala, quanto no comportamento da pessoa, que acaba sendo vítima de um processo invisível de aprisionamento a algum polo opinativo — mesmo que quem tenha projetado tal preconceito não tivesse essa intenção.

 

 

Ou você é de esquerda, ou, de direita! Ou você é “petralha”, ou é “coxinha”! Ou é fanático, ou é ateu! Ou é um carnívoro sem redenção, ou é um vegano que protege até os insetos peçonhentos. Parem com isso, não há a mínima necessidade de exercer esse antagonismo.

 

 

Fracamente, as ideias extremistas defendidas por pessoas que se dizem pertencentes aos pólos opinativos são igualmente incoerentes, e pressupõem a imediata suposição de que aquele que pensa diferente está errado. Além de não terem bases sólidas de argumentação, esses radicais em geral não têm a capacidade reflexiva necessária para construir fundamentos pertinentes que confirmem suas ideologias.

 

 

Tomemos como exemplo os atuais gurus políticos dos extremos. Ambos os líderes têm seus graves problemas, mas ambos são considerados “santos” por seus seguidores mais fiéis, que se deixam levar pela ingenuidade, formando uma imagem deturpada do ex-presidente Lula, ou do senador Bolsonaro. Os próceres dos extremos. Do outro lado, muitos os veem como demônios, como ameaças terríveis, consideram-os endiabrados. Mas algo não está certo. Por que os classificamos como santos ou demônios?

 

 

O fato é que esses personagens brasileiros não são nem capetas, nem anjos, são apenas pessoas, políticos que, apesar de divergentes, carregam consigo simbologias e anseios das pessoas comuns. O que os conecta é que representam o radicalismo, são extremos.

 

 

Já dizia Gregório Duvivier, escritor e humorista, em suas crônicas do Estadão, o mundo da razão não é preto nem branco, mas sim cinza, pois cinza é o meio termo e o meio termo é a razão. Um exemplo prático é que no cérebro humano, a razão cerebral se concentra em um local chamado de massa cinzenta, que é da cor cinza, mostrando que até o local onde fica o bom senso no nosso cérebro detém a cor cinza.

 

 

Não é preto nem branco, a razão das pessoas não é preta e branca, retomando, mas sim cinza, com tons diferentes de cinza, quanto maior a mudança da coloração cinza original, mais desvirtuada e próxima a leviandade essa pessoa estará. Lula e Bolsonaro estão presentes na escala de cinza mas não no cinza original, estando classificados em escalas mais claras ou escuras de cinza (à modê de cada um).

 

 

Na realidade, não existem extremos pólos opinativos políticos, dados por um representante, mas dados pelos seguidores dos representantes, que, geralmente, transformam esse dogmas em supostos pensamentos, esquerdistas ou direitistas. Seus líderes somente, em sua maioria, denominam-se nesses polos políticos para criar uma marca, legado e característica para ser seguida, se não seu propósito político não é frisado e comentado pelo povo.

 

 

Percebemos que nenhum polo fabulados pelos seguidores é corretos. Pense, onde é melhor viver? No polo Sul, ou, polo Norte? Ainda por cima no pólo Sul e Norte idealizados pelos pelos seguidores dos próceres. Definitivamente em nenhum desses lugares! Onde devemos viver mesmo é na linha do Equador, na “cinzenta” linha do equador, onde as ideias boas e coerentes que estavam presentes em cada polo fabulado, são trazidas a vigor.

 

 

Leitor não sei se você percebeu, mas, as ideias favoráveis dos polos em conjunto podem ser a chave para salvar nosso querido país. A união faz a força, a extrema divisão faz a inanição brasileira.

 

 

Termino o texto relembrando a fatídica cena de gritos desesperados, desesperados por atenção e querendo, exaltados, mostrar o sentido e afirmar a veracidade de sua opinião. Enfim uma sala de aula antes unida, acaba ardendo no calor da briga por uma simples opinião zoologicamente certa ou errada, dependendo de seus insensatos pontos de vista extremistas. Até mesmo zoológicos podem causar polarização, acredite.

 

 

“Num mundo quase sempre governado pela corrupção e arrogância pode ser difícil se manter firme nos princípios literários e filosóficos.” Olivia Caliban

Aprendendo a viver com a longevidade alheia

 

 

Eram 4h30 da manhã, ainda com a ressaca do fim de semana, a espera do café preto e do omelete, que sempre me acompanham logo cedo, quando recebi uma dose extra de vitalidade. Estava lendo O Globo e, em uma sequência de reportagens, encontrei exemplos de longevidade incríveis que nos animam tanto quanto nos desafiam.

 

O primeiro talvez você estranhe. É de um cara com apenas 36 anos. Mas não é um cara qualquer. É Roger Federer que ao vencer Marin Cilic, um croata de 29 anos, em uma disputada final do Australian Open, conquistou seu 20º Grand Slam.

 

Historicamente, esportistas de alta performance exigem de mais do seu físico e param diante da impossibilidade do corpo suportar o esforço ao qual são submetidos. Para atletas de alto rendimento, o suíço estaria próximo de encerrar a carreira, mas graças a um calendário bem organizado e uma preparação eficiente, é bem provável que o teremos por mais algum tempo nas quadras. Assim como ele, a tendência é que veremos o mesmo fenômeno em outras modalidades esportivas. E sua estratégia bem poderia se adaptar aos nossos planos de vida e carreira.

 

Logo após o caderno de esportes, deparo-me com o Segundo Caderno. E a reportagem principal, de duas páginas, tem em destaque Clint Eastwood, que se prepara para o lançamento de seu mais novo longa metragem, “15h17 – Trem para Paris”. Eastwood está com 87 anos, o que não o impede de ser inovador na forma de contar essa história real.

 

Escalou para os papéis principais os mesmos três amigos que, em férias na Europa, foram responsáveis por render um terrorista, evitando um massacre, em 21 de agosto de 2015, dentro de um trem que fazia o trajeto Amsterdã-Paris. Ao repórter Eduardo Graça disse que extrapolou o limite de até onde pode-se levar a realidade para um thriller de ficção. Muitos já teriam parado, outros tantos se conservado. Octagenário, o cineasta americano se mostra renovado.

 

O terceiro caso a me chamar atenção aparece em forma de nota na coluna de Ancelmo Gois. Fala da atriz Cora Zobaran, de 88 anos, que será destaque na revista Vogue, de fevereiro. Aos 55, fez curso de teatro para superar a depressão, iniciou carreira e, desde 2009, é estrela em campanha de supermercado, no Rio.

 

De todos os exemplos de longevidade que encontrei, nesta edição de O Globo, a dela talvez seja a mais efetiva para os dias atuais e mais próximas de todos nós: “Estou começando a aprender a viver. Só faço o que eu quero, como apenas o que gosto, ando somente com quem me apraz. E não mantenho conversa comprida com pessoa negativa”. Vou tentar!

Mundo Corporativo: esqueça a ideia que você é multitarefa e melhore o sua perfomance no trabalho

 

 

Quando as pessoas trazem mais foco para as atividades do dia-a-dia, conseguem aumentar sua performance. “Hoje as pessoas se autointitulam multitarefas. Dizem: ‘sou capaz de fazer quinze coisas ao mesmo tempo’. Mas não. Somos capazes de parar e começar coisas diferentes muito rápido, mas o ser humano não faz duas coisas ao mesmo tempo”. O alerta é do consultor de empresas e professor da FGV Luciano Salamacha, que falou sobre algumas mudanças de comportamento que podem aumentar o seu desempenho no trabalho.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Salamacha contou sobre o método stakehand, que aplica a neurociência como matriz para o aperfeiçoamento da carreira e negócios.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.