“Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários”, diz Papa Francisco

 

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A homilia do Papa Francisco, em uma Praça São Pedro, no Vaticano, vazia, foi uma das mais simbólicas imagens que assistimos nestes dias de confinamento e distanciamento social. Falou isolado, mas falou para milhões de pessoas que receberam suas palavras pelos meios de comunicação tradicionais e por centenas de canais na internet.

 

Publico o texto, que pode ser encontrado na página oficial do Vaticano, assim como o áudio com a leitura gravada, em português, por Christian Müller Jung. Reserve 12 minutos do seu dia, ouça a mensagem e reflita

 

 

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro… E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

 

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»

 

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida.

É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho.

Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

 

Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

 

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).

Louco pra correr pro abraço!

 

Por Christian Müller Jung

 

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Fui instigado a escrever algumas linhas pelo meu irmão Mílton. Não tenho o hábito de escrever quando estou em casa, normalmente arrumo tempo no trabalho na espera entre uma agenda e outra. A questão é que neste momento precisamos ficar em casa!

 

Gosto de estar por aqui, porém a determinação de não sair parece criar uma áurea nebulosa que não me permite relaxar. Faço o de sempre. Atividades que normalmente fazemos quando moramos em uma casa: retoco a pintura, lixo alguma parede, conserto o degrau da escada, rejunto o piso de basalto do pátio … pequenos ajustes para preencher o tempo, ocupar a cabeça e disfarçar o peso das informações.

 

Cada toque de mensagem no celular nesses dias tem sido um novo susto, que vem acompanhado de mais uma medida do Governo; mais um áudio de um médico qualquer que jamais ouvimos falar, mas que fala pelos cotovelos; mais um vídeo com o Marcos Mion e aquele visual de quem brigou com o barbeiro.

 

Claro que o problema não é visual, mas o conteúdo do vídeo: um alerta catastrófico do que poderemos vivenciar em alguns dias se as medidas que estão sendo tomadas não forem observadas com seriedade pela população. Como se diz aqui no sul: “me caiu os butiá do bolso“!

 

Lembro sempre como seria bom se tivesse mantido a terapia. A gente fraqueja. Mas como tudo na vida sempre tem o lado bom.

 

Nunca achei que a falta de uma abraço fosse tão significante. Sinto falta de tudo, de tudo aquilo que até poucos dias estava ao meu alcance e eu passava sem dar muita atenção: o passeio das pessoas, as bicicletas se enfileirando entre os carros e os malabaristas nos semáforos. Aliás, como será que tá essa gente que vive sempre nessa corda banda da vida!

 

Do meu pátio, consigo enxergar toda a metade do prédio que construíram faz pouco tempo aqui na frente de casa. São apartamentos bonitos e bem caros, diferentes da realidade da minha rua quando fui apresentado a ela, há 52 anos. Quase não tenho mais os vizinhos de antigamente uns entregaram os terrenos em troca de uma boa oferta em dinheiro, outros entregaram os pontos e já partiram desta para uma melhor. E lá do pátio, tentando me distrair com rejunte do piso, olho pra cima, vejo alguém na janela ou na sacada e sinto uma baita vontade de gritar.

 

Um grito de afeto que fica engasgado. Não sei o que essa gente que não me conhece iria pensar, mas independentemente da minha angústia ou loucura, tenho me sentido pronto para vivenciar cada detalhe, cada pequena criatura que queira tão somente dividir o espaço nesse planeta, só pelo simples fato de estar viva.

 

E lá vai mais uma dupla de sabiás tomar banho no prato d’água da minha Golden Retriever. Ela não se importa. Sem sequer dar um latido, divide o pote que muitas vezes fica seco pela bagunça que os pássaros fazem. Talvez saiba lidar melhor com essas coisas para as quais deveríamos dar mais atenção sem que tivéssemos que ficar enclausurados para reconhecer: o poder das pequenas coisas do dia a dia.

 

Dizem que a gente aprende no amor ou na dor. A vida tem disso. Nos apronta algumas para nos ensinar o valor de algo tão simples como o direito de sair à rua só para ver alguém sorrindo!

 

Não vejo a hora de correr para o abraço!

 

Christian Müller Jung é publicitário, mestre de cerimônia e meu irmão

Quais os efeitos que uma pandemia pode ter sobre nós?

 

Por Simone Domingues

 

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Ilustração: PIXABAY

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”
                                                                                                          José Saramago

Muito além dos efeitos epidemiológicos amplamente divulgados e sobre a saúde das pessoas, há um outro conjunto de consequências que perpassam as mentes dos que vivem esse momento. Na obra de ficção “Ensaio sobre a cegueira” (1995), José Saramago nos apresenta uma epidemia de cegueira inexplicável e analisa profundamente os efeitos psicológicos e comportamentais que a mesma desencadeia nas personagens do livro. Diante do caos da epidemia, destaca-se o lado humano mais sombrio, na luta pela sobrevivência; porém, por outro lado, a ausência da visão permite captar, através dos outros sentidos, inesperadas sutilezas advindas das relações sociais e afetivas. Como que antevendo os dias atuais, Saramago antecipa no seu livro as consequências psíquicas provocadas pela pandemia de coronavírus: o caos e o temor do desconhecido deflagrando comportamentos inesperados. Inesperados, mas não necessariamente ruins ou negativos.

 

A percepção do caos fez surgir uma forma de emoção coletiva, um misto de medo e ansiedade. Medo do perigo imediato de contaminação, fazendo com que adotemos medidas protetivas razoáveis, como lavar as mãos ou não abraçar os amigos. Ansiedade, gerada pela sensação de tensão e apreensão de que algo ruim possa acontecer e que foge ao nosso controle, removendo do nosso horizonte as certezas quanto a um futuro calculado dentro dos nossos projetos de vida. De certo modo, as conquistas obtidas com os avanços científicos e tecnológicos, especialmente no campo da medicina, promoveram uma sensação de segurança para as nossas fragilidades, especialmente relacionadas ao adoecimento.

Luc Ferry, filósofo francês contemporâneo, alerta para um tema atual, o transumanismo, cujas crenças de que os avanços tecnológicos e científicos, incluindo a própria medicina, conduziriam à perfeição infinita do ser humano, obtida, por exemplo, com a capacidade de recombinar o DNA.

Diante desta perspectiva, havia uma certa sensação de vitória sobre a natureza, decorrente da capacidade da nossa razão resolver todos os nossos problemas. Tal sensação é abruptamente destroçada quando um pequenino vírus se espalha pelo mundo em uma velocidade assustadora, desafiando governos e a própria ciência, que não responde ao desafio na mesma medida e rapidez com que ele se apresenta.

 

Embora as pandemias sejam recorrentes, como a peste negra, que dizimou no século XIV quase um terço da população e a gripe espanhola, ocorrida em 1918, que contaminou mais de 500 milhões de pessoas, é possível que os reflexos psíquicos hoje sejam muito diferentes. Na primeira havia uma interpretação mística dos fatos e, na segunda, uma guerra devastadora já vinha causando ampla destruição humana. A pandemia do coronavírus nos surpreende em nosso apogeu como humanidade tecnológica e da informação. Talvez por isso o medo e ansiedade por ela provocados sejam ainda maiores. Nós sabemos tudo, em tempo real, com gráficos e informações atualizadas a cada hora, mas ainda não sabemos qual será o desfecho exato ao final deste ciclo. Ao mesmo tempo, parece haver uma tolerância maior com os cancelamentos ou situações adiadas, os imprevistos…talvez pela percepção de que não nos atinge individualmente, mas a todos.

 

As mudanças nos comportamentos tornaram-se bruscas e imediatas. Como se adequar ao novo formato de trabalho? Home Office até meses atrás soava como privilégio. Mães terem mais tempo para ficarem com seus filhos em casa? Isso seriam férias…Ter tempo para ler aquele livro ou ver aquela série que você tanto queria… De repente nos vemos todos em casa, num isolamento social que visa nos proteger, mas que também remete a forma inédita de solidariedade – a de não propagar a infecção.

 

Muitas destas adaptações vão na contramão do individualismo racional que o desenvolvimento e a globalização geraram. Estarmos reclusos hoje, sem poder ir ou vir, reflete um cuidado com o outro. Estamos descobrindo novas formas para agir, tentando salvar a nós mesmos e aos que nos rodeiam. Essa reclusão acende reflexões e possivelmente nos prepara para novos valores, novas atitudes.

Como reagiremos? Resgatando o individualismo primitivo e egoísta que busca tão somente a sobrevivência imediata, nos transformando em consumidores de máscaras, álcool-gel, remédios e alimentos? Ou será que o racionalismo das últimas décadas terá nos deixando um legado positivo, que aproveitaremos daqui em diante? Não por uma ilusória onipotência, mas de uma forma mais equilibrada em que conciliaremos todas as conquistas da razão e da tecnologia em sintonia com nossos afetos.

Esse enorme desafio global está exigindo de nós um novo repertório de comportamentos, nos proporcionando uma forma de empatia, permitindo um (re)encontro com esta coisa que está dentro de nós e que não tem nome, essa coisa que somos. Talvez assim possamos enxergar novas possibilidades, a partir da cegueira que nos atingia.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O desafio do coronavírus exige responsabilidade social, respeito à ciência e estatura política

 

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ilustração: PIXABAY

 

Esta segunda-feira sequer terminou mas já pode ser vista como um dia muito estranho na vida do brasileiro; assim como têm sido estranhos os últimos dias pelo Mundo, que, dê joelhos, assiste à disseminação de um vírus que surgiu, até onde se sabe, em 17 de novembro, em uma província chinesa e, às vésperas de completar quatro meses, se espalha pelos continentes, contamina mais de 167 mil pessoas e matou cerca de 6 mil e 400.

 

Aqui no Brasil, somos mais de 200 infectados —- e seremos muito mais em poucos dias. Mesmo porque outros tanto já devem estar passeando com o novo coronavírus sem saber e colocando em risco a vida especialmente dos mais idosos.

 

Nestes dias estranhos, escolas param, serviços são suspensos, empresas deixam de produzir, o dinheiro não circula e a economia despenca … fronteiras são fechadas e voos são restritos … estender à mão ao outro é proibido, beijar e abraçar nem pensar.

 

Ouça as recomendações feitas pelo presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr Clóvis Arns da Cunha, em entrevista ao Jornal da CBN

 

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Da mesma forma que o coronavírus se expressa, falam alto autoridades médicas e cientistas orientando a população, dando a dimensão exata dos perigos que corremos, mostrando os caminhos da prevenção, pesquisando soluções nos laboratórios e fazendo projeções da estrutura necessária para atender os afetados mais graves.

 

Falam alto também autoridades políticas, adotando medidas que estejam ao seu alcance; algumas exageradas, outras que negligenciam o conhecimento. Muita coisa com resultado positivo — ainda bem.

 

Ouça o que disse o secretário nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, logo cedo ao Jornal da CBN:

 

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Lamentavelmente, nem todos têm a consciência que deveriam ter: falam em coisa do demônio, conspiração internacional, fantasia da mídia …. Tem cidadão que desdenha o perigo. Um fugiu dos médicos para não fazer o teste de coronavírus, no Distrito Federal; e um outro correu do hospital ao saber que o exame deu positivo para Covid-19, em Belo Horizonte. Nos condomínios, há os que criticam as restrições de acesso às áreas sociais. E muitos, mas muitos mesmo, ainda não entenderam o desafio que nos ronda.

 

O Presidente agiu com irresponsabilidade —- como chefe da Nação teria de dar o exemplo, evitar presença em público e respeitar ordens médicas: não fez uma coisa nem outra.

 

Colocou seu interesse político acima do da Nação ao incentivar que as pessoas fossem às ruas, em aglomerações, e para defender causas antidemocráticas.

 

Cometeu crime de responsabilidade sanitária. Demonstrou sua estatura para comandar o Brasil diante da crise que estamos vivendo.

Enquanto a vacina não vem, lave bem as mãos e ajude a combater a Covid-19

 

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Máscaras desaparecem das farmácias e passageiros já desfilam no metrô de São Paulo com a boca encoberta. Os estoques de álcool em gel são insuficientes para o tamanho da procura. Clientes suspendem compras (?) da China. Viajantes recém-chegados recebem olhares desconfiados. Um espirro exagerado assusta os mais próximos —- os descolados arriscam uma piada de mal gosto.

 

As agências de viagens atendem clientes inseguros e dispostos a adiar as férias no exterior, enquanto eventos estão sendo reavaliados e até se fala em cancelamento dos Jogos Olímpicos no Japão.

 

O surgimento do novo coronavírus há pouco mais de dois meses, na China, têm causado mudanças de comportamento, sustos e estragos de todo tipo: os mais graves são humanitários, com a morte de mais de 2,8 mil pessoas. Tem gente perdendo dinheiro, também. Investidores, na bolsa. Empreendedores, no bolso.

 

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Arte Hospital Albert Einstein

 

Por outro lado, laboratórios, farmacêuticas, médicos e cientistas estão em uma corrida pelo medicamento mais eficiente —- algo que funcione mais do que chá de erva doce, recomendado em uma dessas mensagens que contaminam a internet com velocidade maior do que a do próprio vírus.

 

A todo momento, surge a informação de testes e estudos que avançam no sentido de encontrar a vacina capaz de conter a disseminação da Covid-19.

 

A Novavax, com base na experiência com outros coronavírus, incluindo MERS e SARS, diz que concluiu com êxito as etapas preliminares para desenvolver candidatos viáveis à vacina.

 

A Moderna, concorrente no campo da biotecnologia, alardeia que em tempo recorde lançou o primeiro lote de mRNA-1273, vacina que entrará na fase 1 de testes, nos Estados Unidos.

 

É de lá também —- os Estados Unidos — que vêm informações de que um médico brasileiro —- gaúcho de Bagé, para ser mais preciso —- é o responsável pelo ensaio clínico que testa o remédio considerado de maior potencial para curar a Covid-19. Conforme o portal G1, o doutor André Kalil lidera uma equipe de profissionais, no centro médico da Universidade do Nebraska, que vai testar a eficácia da droga Remdesivir, antiviral da farmacêutica Gilead Sciences, desenvolvido para tratar a doença do vírus Ebola e infecções do vírus Marburg.

 

Abril, maio ou junho. Conforme a fonte da informação e o atrevimento do cientista, mudam os prazos para uma ou outra droga estar pronta. O certo é que quem conseguir oferecer o medicamento mais cedo e com maior precisão colocará à mão no dinheiro que empresas e governos estão dispostos a pagar para conter o avanço da Covid-19.

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

Até aqui, gente bem conceituada aposta que o vírus veio para ficar. É o caso do chefe do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Harvard, Marc Lipsitch. Calcula que entre 40% e 70% da população serão infectadas pelo novo coronavírus — o que não significa que todos morreremos. A maioria talvez nem saiba que esteve contaminada e outros tantos sentirão um mal-estar que mais se parecerá com uma “gripe”.

 

A propósito, o governo anunciou hoje que vai antecipar a campanha de vacinação contra a gripe e a expectativa é que, desta vez, a adesão seja altíssima —- devido ao coronavírus e não à gripe, que a maioria, erroneamente, ainda acha que é coisa pouca.

 

Hoje, também, uma rede de laboratórios, o Grupo Dasa, informou que coloca, nesta sexta-feira, 28, à disposição de seus clientes, o serviço de Atendimento Domiciliar para coleta do exame de diagnóstico coronavírus. “Temos mais de 800 unidades espalhadas pelo país, com grande circulação de idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e câncer, que são grupos de risco. Para evitar a disseminação do vírus, disponibilizamos a coleta apenas via unidades hospitalares e Atendimento Domiciliar”, disse Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

 

É preciso ter pedido médico e indicação clínica: febre acompanhada de sintomas respiratórios (tosse, espirros, aperto no peito, dificuldade para respirar, falta de ar), ter viajado para países com a epidemia instalada, como a China (nos 14 dias anteriores, período de incubação do vírus) ou ter tido contato com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus.

 

Também tem de ter R$ 280,00 para pagar o exame.

 

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

 

Diante desta “infodemia” — não me queira mal por usar a expressão, apenas repito o que ouvi o ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, dizer em entrevista aos colegas jornalistas, em Brasília —-, faço o que me cabe: lavar bem a mão com água e sabão, cobrir meus espirros com o braço e cancelar por ora a roda de chimarrão.

Sua Marca: o que você fará com um dia a mais de 2020?

 

“O que os consumidores esperam é que as empresas façam alguma coisa a mais por eles” —- Jaime Troiano

2020 é bissexesto e, portanto, todos teremos um dia a mais este ano. A questão é saber o que podemos fazer com este dia extra. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo, lembraram de oportunidades que empresas terão no dia 29 de fevereiro, que será em um sábado.

 

Uma das dicas é usar esse dia para convidar seus colaboradores a refletirem sobre o trabalho que realizam e a relação com seus colegas, com parceiros de negócios e com seus consumidores. É também uma chance a mais de oferecer algo para os clientes: um cabeleireiro dar um tratamento especial ou um restaurante dar uma sobremesa a mais aos frequentadores. O importante, é usar esse dia para surpreender as pessoas com as quais você se relaciona pessoal ou profissionalmente.

“Ter um dia a mais é mais uma chance de reforçar o seu valor junto aquelas pessoas que estão com você nos outros 365 dias” —- Cecília Russo

Jaime Troiano alerta, porém, que é importante criar ações que estejam dentro do seu repertório de ideias, sem fugir daquilo que você é ou representa, e criar de maneira inteligente.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e tem os comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo. O programa vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Foto-ouvinte: o trabalhador informal

 

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O trabalhador no meio da avenida e os clientes no carro. O movimento na cidade e o calor do versão. As construções que se estendem pelas calçadas e a bandeira do Brasil.

 

Todos elementos que chamaram atenção de Marcos Paulo Dias, ouvinte da CBN e colaborador do blog desde sempre, ao passar na avenida Marechal Tito, em São Miguel Paulista, zona leste da capital — especialmente após ouvir no rádio que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, o número de trabalhadores por conta própria cresceu  4, 1%, em média, entre 2018 e 2019. Hoje são 24,2 milhões.

 

NRF 2020: o que se confirmou no maior evento de varejo do mundo

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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A visão geral da NRF 2020, recém realizada em New York, onde estiveram 40 mil agentes de 100 países representando 16 mil varejistas, indica que as expectativas foram correspondidas.

 

 

Vejamos, portanto, alguns destaques do que ocorreu em cada uma das grandes tendências previstas — as quais já havíamos identificado em artigo anterior.

 

 

CONNECTED COMMERCE

A omnicanalidade tem na Nordstrom bom exemplo da dinâmica entre os canais de vendas e a flexibilidade que apresentam. Erik Nordstrom, co-presidente, em sua fala disse que não concorda quando é perguntado sobre as vendas online e físicas. Metade das vendas tem um componente online e sobre um terço das vendas online estão envolvidas experiências na loja física.

 

 

Embora ainda haja consumidores que pensem em canais, Erik sabe que não existe mais separação. A diferença ainda fica com a experiência que se pode oferecer na loja física, como experimentar sapatos tomando drinks no bar que está na flagship de New York. É lá que também se vende mais online — assim como nas lojas novas, a internet também corresponde ao sucesso da loja física.

 

 

A Nordstrom segundo Erik, continua, na conceituação e ação como uma loja de descobertas, quer na física quer no online.

CUSTOMER CENTRICITY

 

 

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Mike Hanrahan, CEO do Walmart’s Intelligent Retail Lab. disse que enquanto a maioria da indústria está começando a desenvolver tecnologias como a Inteligencia Artificial e as correspondentes aplicações para o varejo, a Walmart está delineando a frente ao colocar nas lojas um laboratório inteligente para rapidamente aprender a desenvolver produtos, ferrramentas e serviços pertinentes a operação de varejo. É uma fábrica de inteligência artificial que estudará e aprenderá a fazer coisas, e então entregará para toda a cadeia melhorias na vida dos consumidores, dos associados e na administração do negócio Walmart.

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO

A reutililação e reciclagem de produtos incluindo o setor do vestuário, adequando o tradicional setor de aluguel de roupas para festas e expandindo-o, agregando roupas para todas as ocasiões e criando sistemas de mensalidades para fornecimento contínuo, são tendências fortes.

 

 

Jennifer Hyman, CEO da Rent the Runway, inovou diante de problemas de entrega ao usar total transparência com os consumidores e adotando a “logística reversa”.

 

 

Tom Szaky, CEO da TerraCycle disse que: “tudo pode ser reciclado, é apenas uma questão de saber se é lucrativo fazê-lo. Um item infinitamente durável é infinitamente lucrativo”.

 

 

Phil Graves, Head de Desenvolvimento da Patagonia, disse que “desde 2017 mantivemos mais de 130 mil itens usados sendo aproveitados e demos a eles uma segunda vida. Como marca, gostamos de controlar toda a experiência do cliente e garantir que ela seja de primeira qualidade”.

PESSOAS

 

 

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‘O futuro do varejo e como a tecnologia pode ajudar a transformação da indústria”, foi o tema da abertura do evento, no domingo 12 de janeiro, protagonizada pelo CEO da MICROSOFT, Satya Nadella.

 

 

Diante dos massivos investimentos tecnológicos que foram feitos na indústria do varejo, que é grande geradora de dados, ou seja, 49 terabytes por hora, o que fazer com tanta informação? Perguntou Nadella.

 

 

“Como uma indústria, o varejo deve usar, para conhecer os consumidores e empoderar os empregados, uma cadeia inteligente de informações e reinventar modelos de negócios”. Respondeu Nadella.

 

 

E continua: “a chave crucial para o sucesso na nova década será dar informações aos funcionários para que possam atingir melhores ROI ao incrementar as taxas de conversão em 15% e aumentar as taxas de satisfação em 10%” … O varejista tem o maior ativo que é a informação do comportamento do consumidor em termos de intenção comercial”

PROPÓSITO

Na programação de domingo, um dos destaques foi o painel com Heather Deeth Manager of Ethical Buying da Lush Cosmetics e Jennifer Gootman VP de Corporate Social Responsibility da West Elm — duas marcas que abraçaram o conceito de responsabilidade social e ambiental, buscando mão de obra artesanal e produtos dirigidos a estilos de vida.

 

 

Lush, com 900 lojas e uma significativa presença digital, é totalmente verticalizada no Canadá com fazendas no Arizona, na Guatemala, no Peru e em Uganda. Deeth afirmou categoricamente que estão criando uma revolução nos cosméticos para salvar o planeta, e todos deverão participar.

 

 

Em termos de sustentabilidade como parte do negócio, ela acredita que a Lush é afortunada pois com seis princípios imbatíveis vencerão. — a saber: contra os testes em animais, cosméticos frescos com datas especificadas, compras éticas, 100% de materiais naturais na composição dos produtos, foco no feito a mão, e embalagens naturais.

 

 

Gootman valoriza o investimento da West Elm em artesãos e no uso de algodão e madeiras certificadas, assim como o Fair Trade Certified, recebido em 2014 pioneiramente como varejista.

Em suma, acredito que podemos resumir do todo exposto, que o varejo ao reafirmar a posição de extrema importância econômica está alerta a necessária absorção da tecnologia, e ciente que ela tem que servir as PESSOAS. Para isso, a cartilha da ONU em seu Pacto Global é essencial. É hora de sintonizar as áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio-Ambiente e Anticorrupção.

 

 

Cabe registrar que as informações acima foram extraídas de um grande volume de material expresso em transcrições em texto das palestras, e de vídeos disponibilizados através de newsletters oficiais da NRF.

 

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Um Feliz e Santo Natal: “na escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro …”

 

 

Na mensagem do Papa Francisco, antecipando o Dia Mundial da Paz, que se comemora em 1º de janeiro, a comunicação aparece como instrumento de aproximação, e para que esse diálogo ocorra na plenitude a escuta se faz necessária —- a ponto de aparecer em três momentos no  texto do Sumo Pontífice.

 

Com o desejo de um Feliz e Santo Natal a todos, deixo aqui um dos muitos trechos de reflexão que encontramos na escrita de Francisco.

“… O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações. De fato, só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade para além das ideologias e das diferentes opiniões. A paz é uma construção que “deve ser continuamente construída” (GS, n. 78),[5] um caminho que percorremos juntos procurando sempre o bem comum e nos comprometendo a manter a palavra dada e a respeitar o direito. Na escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro, até ao ponto de reconhecer no inimigo o rosto de um irmão …”

Leia na íntegra a mensagem do Sumo Pontífice

Avalanche Tricolor: com todo o respeito e com o talento dos guris

 

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x Cruzeiro

Pepê e Ferreira, a nova geração em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia pouco a ganhar na partida desta noite, em Porto Alegre. Nosso destino já estava traçado quando entramos na Arena. Em 2020, mais uma vez estaremos na Libertadores da América — a 12ª vez no século e a 20ª na história — e, novamente, pela porta da frente. Os três pontos diante de um adversário desesperado eram previstos. E, provavelmente, viriam com naturalidade. Sem muito esforço. Com calma, toque de bola — mesmo que alguns desses toques sem a precisão com a qual nos acostumamos — e um pouco de pressão, alcançaríamos a vitória.

 

O destino porém quis nos mandar um recado. Um feliz recado. Mostrar que mais importante do que a vitória era comemorar o futuro do Grêmio que se apresentava em campo.

 

Renato já havia iniciado a partida com um dos nossos talentos emergentes, Pepê, que está com 22 anos e fez uma temporada incrível com gols em momentos decisivos. Um atacante que está pronto para ser titular ao lado ou —- dependendo o que acontecer — no lugar de Everton, o “veterano” de 23 anos, considerado o melhor jogador em atividade no Brasil.

 

Nosso guri Pepê foi quem deu a arrancada para a vitória, levando a bola pelo lado esquerdo e enxergando um companheiro livre do outro lado da área. Quem apareceu por lá foi Ferreira, ou Ferreirinha, ou Aldemir Ferreira —- seu nome ainda será melhor escolhido no ano que vem —- que entrou no segundo tempo e demorou pouco para ratificar sua fama de goleador, construída nos times de base: aos 21 anos marcou seu primeiro gol com a camisa profissional do Grêmio. Ainda deu drible, chapéu e nova dinâmica a um ataque que estava acomodado frente à apatia do adversário.

 

O mesmo Pepê nos encaminhou à vitória definitiva ao driblar, cair e voltar a driblar marcadores desnorteados com sua velocidade. Ele passou por quatro até ser derrubado dentro da área e conquistar o direito de cobrar o pênalti e se estabelecer como um dos principais goleadores da temporada, mesmo ainda não tendo ganhado o crachá de titular.

 

Além de Pepê e Ferreira, ainda tivemos o privilégio de assistir aos primeiros passos de Isaque, também com 22 anos, e rever Patrick, com 21 e jeito de moleque. Todos esses jovens comandados no meio de campo por outro que amadureceu mais cedo do que eles, mas divide a mesma idade: Matheus Henrique apesar de jogar como um “senhor volante”, não esqueça, caro e raro leitor desta Avalanche, tem apenas 22 anos.

 

O futuro do Grêmio se apresentou na Arena nesta noite de quinta-feira. E ouviu das arquibancadas uma mensagem bastante positiva quando nossos torcedores, no segundo tempo, aplaudiram a entrada de Pedro Rocha no time adversário e, ao fim, gritaram o nome de Edílson —  a mensagem de que aqueles que se dedicarem à camisa tricolor serão respeitados para todo e sempre.