Celular ao volante não é legal: apoio do ministro e tecnologia que identifica motoristas com sono

 

people-2572172_960_720

 

A campanha “Celular ao volante não é legal!” ganhou o apoio informal do ministro da Defesa Raul Jungmann. Ele foi entrevistado sobre o uso das Forças Armadas no combate à violência no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, no Jornal da CBN. Perguntei sobre o fato de um dos principais traficantes do país estar em prisão de segurança máxima mas, mesmo assim, ser capaz de comandar as ações de seu bando, na Rocinha. Jungmann defendeu medida que impeça o uso de celular dentro das prisões. Ao tratar do assunto, abriu um parênteses e comentou que apoiava a ideia que acabara de ouvir na CBN quando, em bate-papo com Cássia Godoy, eu chamava atenção para a necessidade de abandonarmos o celular enquanto estivermos dirigindo. Foi informal, foi voluntário, mas é sempre importante saber que o recado que transmitimos na rádio chega aos ouvidos de autoridades. Que alcance os motoristas, também.

 

Desde a semana passada temos recebido várias colaborações sobre medidas adotadas para mudar o hábito de motoristas e amenizar o impacto dessa distração. O Guilherme Muniz, da revista AutoEsporte, falou da função Driving Mode, que passa a fazer parte do iPhone com o novo sistema operacional iOs11. Quando a função está acionada, o celular não recebe notificações na tela, diminuindo os estímulos de distração do motorista. Têm ainda as tecnologias que clonam no painel digital do carro aplicativos dos celular, reduzindo a necessidade de o motorista tirar os olhos da pista.

 

 

Soube ainda que a Ford também tem apostado na tecnologia para manter os motoristas mais atentos, especialmente aqueles que dirigem com sono. O cansaço é causa de um em cada cinco acidentes de trânsito. Os modelos Fusion e Edge têm câmeras que avaliam o nível de atenção e fadiga do motorista. Se o carro começou a balançar de mais dentro da faixa de rolamento, sinal de alerta. Não por acaso, além de um alarme, aparece no painel o símbolo de uma xícara de café. Trocou de faixa com freqüência sem dar a seta, o volante treme e se não houver reação do motorista, o equipamento mesmo trata de corrigir a direção.

 

 

Mais uma colher de chá – ou de café – para os motoristas cansados. Nos modelos Fusion e Focus, pelo comando de voz do sistema de conectividade SYNC 3, basta o motorista pedir: “quero um café”. O carro automaticamente identifica cafeterias próximas e guia o motorista até o local. Se disser “quero parar”, também receberá o caminho mais curto onde possa descansar.

 

 

Caso você conheça outras experiências que ajudem os motoristas a reduzirem o nível de distração, conte para a gente. Vai ser bem legal!

Dá pra ser feliz trabalhando?

 

building-1210022_960_720

 

A busca do emprego é uma constante, especialmente diante da crise que se enfrenta no Brasil. Estar empregado, porém, não é garantia de felicidade. O ambiente corporativo é alvo de uma quantidade impressionante de críticas. Foi, por exemplo, o item preferido dos internautas que participaram de enquete, proposta pelo Jornal da CBN, através do Twitter, no sábado, que queria saber o que as pessoas mudariam se tivessem este poder:

 

 

 

Mesmo levando em consideração que tratamos aqui apenas de uma enquete e não pesquisa qualitativa, é fácil entender esse desejo. O clima organizacional tem desafiado gestores de todas as espécies pela incapacidade da maioria deles de equilibrar o bem estar de seus funcionários e os resultados almejados pela empresa. A insatisfação está evidente nas conversas que temos com profissionais, independentemente do crachá que pesa em seu pescoço.

 

No meu TweetDeck, mantenho coluna de busca com o termo “mundo corporativo”. Toda mensagem escrita no Twitter com essas duas palavras aparece em destaque para mim. Falar mal do chefe, das regras e das relações é das mensagens mais comuns postadas na rede.

 

Nesta semana, está no ar, entrevista que realizei com Facundo Guerra, empresário do setor de diversão e entretenimento (se é que posso caracterizá-lo assim), com forte atuação na noite paulistana. Ele foi nosso convidado na série de podcast CBN Professional, que realizamos em parceria com a HSM Educação Corporativa.

 

Aos 43 anos, Facundo formou-se em engenharia, foi em busca de pós-graduação, trabalhou como empregado, ganhou destaque nas empresas que passou, e com o destaque veio o dinheiro. Ser bem remunerado, no entanto, não foi suficiente para atender seus desejos. Diz ter vivido 30 anos do mundo corporativo em apenas 10, intensidade que não veio acompanhada de felicidade:

 

“É o principal problema quando você trabalha no mundo corporativo: o produto é a tua carreira”

 

 

Hoje é empreendedor, dono de casas de balada, bares e restaurantes, em São Paulo. Em breve será também escritor, pois pretende lançar livro para contar suas experiências e logo vai produzir série na televisão. Em 10 anos já abriu 15 negócios, o que deixa claro que não era a intensidade do trabalho que o incomodava no mundo corporativo.

 

Mesmo satisfeito, Facundo não se ilude. Sabe das dificuldades enfrentadas por quem encara o negócio próprio. Ele tem noção da responsabilidade que assumiu diante dos outros, seja os funcionários e suas famílias que dependem do sucesso do negócio dele, sejam os parceiros com quem se relaciona, sejam os clientes a quem tem de atender com excelência (que não apenas estão mais exigentes como fazem questão de amplificar o que pensam nas redes sociais).

 

Ao menos no caso dele, se a vida como empreendedor não é mais fácil, é mais feliz:

 

“Hoje eu tenho uma vida que eu manipulo o mundo a minha volta”

 

 

O que você pode fazer para tornar sua vida mais feliz no mundo corporativo?

#ViUmTrampo dá publicidade a vagas de emprego oferecidas na porta do comércio

 

INSTA

 

Ideias simples podem trazer soluções simples. Foi o que fez o publicitário José Celso de Oliveira ao abrir no Instagram o perfil “Vi Um Trampo” com o objetivo de dar visibilidade às vagas de emprego oferecidas pelo comércio.

 

As pessoas são convidadas a fotografar os anúncios colocados geralmente na porta de uma loja, barbearia, cabeleireiro, restaurante e outros estabelecimentos comerciais. Todo conteúdo postado no Instagram com a hashtag #viumtrampo ou recebido no e-mail viumtrampo@gmail.com é compartilhado no perfil. Quando fotografar, é importante incluir o nome da cidade, da empresa e da rua na legenda. Assim, o anúncio que antes ficava restrito às pessoas que passam em frente ao local, ganham publicidade na rede social.

 

thumbnail_viumtrampo-01.jpg

 

Na quarta-feira passada, havia comentado do projeto na CBN Rio, onde centenas de pessoas se aglomeraram na porta de um shopping em busca de emprego. E na quinta, falei no Jornal da CBN, em São Paulo, logo após a informação de que o número de pessoas desocupadas é de 13,3 milhões, no Brasil.

 

Hoje são pouco mais de 110 postagem ou oportunidades de empregos que podemos encontrar em #ViUmTrampo. A medida que o perfil é divulgado aumenta o número de seguidores. Se até quinta-feira passada eram 1.500, nesta segunda já são mais de 1.900 – e espero que este número aumente a medida que estejamos falando do assunto.

 

“A ideia é alcançar o maior número de pessoas seguindo e enviando vagas para tentar fazer essa plaquinha realmente encontrar alguém que precise”, diz José Celso em mensagem que me enviou por e-mail, há uma semana.

 

Veja agora, compre agora: é Moda?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Osklen

foto divulgação Osklen @fotosite

 

A SPFW que está nas passarelas esta semana é a segunda edição com um novo calendário e o sistema “veja agora, compre agora”. Mudanças que buscaram um alinhamento com os grandes desfiles de Milão, Paris e New York, que atendiam às novas formas de comunicação. Não para se igualar, mas para atualizar as marcas.

 

Com o objetivo de acompanhar a evolução dos meios digitais e neutralizar a crise no setor de moda, Paulo Borges decidiu pela mudança. Agora, de acordo com a entrevista concedida a Pedro Diniz na Folha,  está se preparando para após o término do evento atual identificar nos resultados se o novo sistema corresponde aos desejos do mercado e, portanto, se continuará.

 

Borges afirma que uma minoria de marcas, de um lado, e a imprensa, de outro, levam a uma nova avaliação. Alguns empresários querem descontinuar a forma atual, enquanto parte da mídia, que antes criticava o fato de a moda desfilada ser extremamente conceitual e não aplicável, está apontando agora um excesso comercial. Sem criatividade.

 

Ao que tudo indica este cenário é típico do processo de mudança quando os mais ágeis e adaptáveis continuarão o desenvolvimento do novo sistema. Enquanto os demais conservarão o status quo formando nichos ou mesmo saindo da competição.

 

Neste contexto é bom lembrar que as coleções sem relação direta com verão e inverno, atendendo a estilos de vida e com abastecimento  feito em no máximo uma semana, são exigências de um consumidor atrelado ao mundo digital. Geração “www” que atende ao “eu quero o que eu quero quando eu quero”.

 

É o novo varejo.

 

É Moda!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em administração organização e recursos humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: saiba como transformar sua ideia em um negócio, com Tallis Gomes, da Singu e ex-Easy Taxi

 

 

“Ninguém está nem aí para ideia. Meu avô costumava dizer que ideia vale 10 centavos a bacia. É uma grande verdade. O difícil é a gente executar alguma coisa, ter um produto “entregável” que as pessoas pagariam por ele”

 

Se você concorda ou não com essa afirmação cabe a você decidir. Mas leve em consideração que o autor dessa frase é empreendedor desde os 14 anos e já conseguiu levar uma das suas empresas a dezenas de países em pouco tempo. É Tallis Gomes criador do Easy Taxi, um dos primeiros aplicativos no mundo a conectar taxistas e passageiros. Hoje, ele está à frente de outro negócio, lançou o Singu, uma espécie de marketplace de serviços de beleza.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Tallis me contou histórias da sua trajetória como empreendedor, de erros e acertos cometidos, da forma como lançou no mercado o Easy Táxi, e falou do momento certo de passar o negócio à frente. Ele está lançando o livro “Nada Easy – o passo a passo de como combinei gestao, inovacao e criatividade para levar minha empresa a 35 paises em quatro anos”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site da rádio CBN e pela página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN ou aos domingos, 11 horas da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Reforma eleitoral: acertos e erros

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

 

O Congresso Nacional votará mudanças nas regras eleitorais. Sim, mais uma vez. Já virou rotina. Alguns dos tantos itens propostos podem ser avaliados e minimamente projetados. Vejamos alguns deles.

 

Data das convenções – As convenções para escolha dos candidatos, de presidente a vereador, e as deliberações em torno de coligações, deverão ser realizadas entre 1º e 20 de julho. A reforma anterior, de 2015, estabeleceu que as convenções ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. A antecipação é útil e facilitará o julgamento dos registros pela Justiça Eleitoral. Basta lembrar que em 2017 o Tribunal Superior Eleitoral segue julgando recursos de alguns candidatos eleitos em 2016 com o registro pendente.

 

Propaganda eleitoral – Passa a ser permitida a partir do dia 1º de agosto. Quinze dias a mais de campanha são importantes para candidatos sem mandato frente aqueles que disputam a reeleição. Também viabiliza que temas importantes ou polêmicos possam ser mais (e melhor) debatidos.

 

Propaganda em bens particulares – Passa a ser possível exibir a propaganda eleitoral que não exceder a 1m² (um metro quadrado), ampliando o limite de meio metro quadrado hoje tolerado. Fica eliminada a restrição de materiais apenas em adesivo ou papel, o que permitirá a retomada de pequenos painéis, banners e muros.

 

Propaganda paga na internet – Atualmente proibida, será tolerada até o limite de 5% (cinco por cento) do teto de gastos estabelecido para o cargo em disputa. Trata-se de uma necessária adequação da lei à modernidade.

 

Restrição às pesquisas eleitorais – Fica vedada a divulgação de pesquisas eleitorais, por qualquer meio de comunicação, a partir do domingo anterior à data da eleição (que ocorre no domingo seguinte). Os melhores estudos na matéria sugerem quinze dias. Mas uma semana, diante de recentes erros grosseiros por alguns institutos e do condicionamento emocional que estabelecem aos eleitores que “não querem perder o voto”, já é um passo elogiável.

 

Sobre os erros e casuísmos contidos nas propostas, os mesmos podem ser classificados entre ostensivos ou sutis e medonhos ou abjetos. O certo é que todos se caracterizam pela inadequação. Acompanhe alguns.

 

Permitir que o candidato a presidente ou a governador concorra simultaneamente a deputado, vamos combinar, é um artifício que confundirá ou indignará o eleitor.

 

Ampliar o prazo de filiação partidária para nove meses é pisotear na reforma anterior ocorrida em 2015 que, a exemplo de outros países estáveis e democráticos, fixou-a em seis meses.

 

Introduzir o telemarketing na propaganda eleitoral (inclusive aos sábados) equivale pedir aquele eleitor perturbado no seu sossego que vote nulo ou se abstenha.

 

Por fim, tramar outra janela para troca de partido em dezembro quando já há uma estabelecida para o ano da eleição é uma manobra que apenas vitaminará o limbo vivenciado pelo sistema e pelos próprios parlamentares.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Desvendando fantasmas

 

 

Por Christian Müller Jung

  

 

ghosts-572038_960_720

  

 

Quando tinha cinco de anos de vida, minha cama ficava voltada para porta do quarto. De lá podia ver a mureta que separava a escada que dava acesso ao corredor. Muitas das vezes em que de sobressalto acordava com um barulho ou tão somente para virar de lado, olhava rapidamente para aquela direção e via um vulto que descia.

  

 

Em algumas datas o formato era evidente: no Natal o Papai Noel e na Páscoa, logicamente, algo parecido com o coelho que viria depositar a tão esperada cesta com os ovos. Evidentemente que no despertar noturno, até a pupila fazer a movimentação necessária para suprir a falta de luz, aqueles fantasmas tinham o formato da minha imaginação. Assustadora na maioria das vezes, como são esses medos de dormir com a luz apagada. Poderia ser o tal “velho do saco” ou sei lá o que mais que passa por essas nossas cabeças infantis e muito criativa na época. Nem bicho papão e ninguém embaixo da cama: simplesmente um assustador vulto na escada.

  

 

Hoje, com 50 anos e ainda morando na mesma casa, agora ocupando o quarto do casal e, ao mesmo tempo, me vendo ali onde meus pais dormiam, os tais fantasmas já não me assombram quando abro os olhos durante a madrugada. Eles me aparecem quando fecho os olhos. Justo agora quando eu é quem os assustaria porque sei, conheço cada gemido do material que sustenta das paredes ao teto da casa.

  

 

É engraçado como o nosso cérebro funciona dando luz à imaginação, indiferentemente da idade. Somos tão absorvidos pelo susto que mesmo quando já temos consciência de que os vultos que eu via na infância não me levariam para um lugar desconhecido, ainda assim me surgem fantasmas.

  

 

A diferença é que agora eles se parecem muito mais reais e pertinentes com as minhas perspectivas diante da idade que tenho. São em forma de sucesso profissional que não vem na proporção como imaginei, de salário muito distante do que preciso, de relação mais racional sobre o tempo que me resta e do tanto que ainda tenho para absorver.

  

 

Pode ser do filho que se distancia porque vai seguindo o seu próprio caminho, pode ser pela minha filha que cresce e convive com uma paralisia e nunca se distanciará. Pode ser somente pelo tempo. A angustiante tarefa de ser adulto, como também é a de ser adolescente e de ser criança.

  

 

Fantasmas que hoje tem o formato desse paradigma que é a existência. Da forma como a gente imaginou que um dia seria o nosso “futuro”. Desse mesmo vulto inexistente que eu enxergava da cama do quarto e ainda teme em tentar me frear ou me direcionar ao desconhecido.

  

 

A verdade é que todos os dias quando abrimos os olhos temos tão somente duas opções a tomar: ou deixamos que eles nos levem para o buraco infinito da falta de explicação; ou criamos nós mesmos o formato que queremos que eles se transformem.

  

 

Não! Eu conheço bem a minha casa.
Aviso aos fantasmas.
Eu ainda tenho muito para lhes assustar!

  

 

Christian Müller Jung é cerimonialista, palestrante e meu irmão (não necessariamente nesta ordem)

“Minha meta sempre foi vencer Wimbledon”, diz Marcelo Melo, ao Jornal da CBN

 

MARCELO MELO1

 

Nos Estados Unidos, Marcelo Melo treina em quadra pública. Dependesse delas aqui no Brasil, não teria chegado ao título de campeão de duplas em Wimbledon. Há poucas disponíveis no país nem sempre com a estrutura necessária e muitas surgiram apenas nos últimos tempos. Verdade que se hoje ele for bater bola em uma delas, em Belo Horizonte, onde nasceu, não vai conseguir: Melo é o novo ídolo do tênis brasileiro e, provavelmente, será parado por seus fãs em busca de autógrafo, selfies e um bom papo sobre a carreira dele.

 

Hoje, no Jornal da CBN, conversei com Melo sobre esta situação do tênis brasileiro. Falamos, também, do início da carreira incentivado pela família, a relação com seu irmão Daniel, que é o treinador dele desde 2007, e o título de Wimbledon, conquistado ao lado do polonês Lukasz Kubot. A conquista de um título e de um sonho, como ele próprio descreveu a vitória, na Inglaterra.

 

Conte Sua História de SP: quando economista vira comunista

 

Ademar dos Santos Seródio nasceu em 1944 em São Paulo. Entrar para a faculdade foi uma conquista valorizada pela família com direito a festa e tudo. Mas uma vizinha não entendeu muito bem o que ele iria fazer nos bancos da academia.

 

Ouça o depoimento de Valdemar Seródio sonorizado por Claudio Antonio

Eu morei numa vila, uma dessas casas de vila de antigamente. Tive uma vida, não posso chamar de pobre, mas uma vida comum, de como hoje todo mundo vive na periferia. Apesar de ser Brás, naquela época, um bairro boêmio, a maioria das pessoas trabalhavam em tecelagem, minha avó era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Minha tia era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Meu tio era motorista de praça, tinha um ponto na Praça da Sé. E minha mãe era prespontadeira de calçados. Então tive uma infância muito legal, mas muito simples, muito comum. O que me fez também aprender a ter humildade, a respeitar os outros, a coisa que eu aprendi mais na minha vida. É isso, nada de excepcional aconteceu. Eu morava numa vila e tinha uma vizinha, isso é gozado, eu vou contar, o apelido dela era “grã-fininha” porque ela andava com o nariz em pé. O marido dela era escrevente de um cartório. E ela nem me deixava falar com os filhos dela porque ela achava que a gente era segunda classe. Eu entrei na faculdade e minha mãe fez uma festa, aí ela cismou que eu tinha casar com a filha dela. Porque naquele tempo, inclusive tinha uma vizinha que falou para a minha mãe: “Pô, mas você fez a festa por que?” “Porque ele entrou na faculdade.” “Mas o que ele vai ser?” “Economista.” “Comunista? Você é louca?” E era assim. A simplicidade do lugar de vez quando tinha um que destoava. E era uma amiga da minha mulher, eu conheci a minha mulher lá naquela casa. Era amiga da menina, da Maria José, que era filha dessa “grã-fininha”. E o pai da Maria José me adorava, ele me achava o máximo. E a Ivani, minha mulher, era do Ipiranga, ia na casa dela fim de semana, acabei conhecendo. Eu conheci a minha mulher ela tinha onze anos, mas eu não namorava ela, claro. Quando ela fez catorze eu comecei a namorar.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, às 10h30 da manhã, no CBN São Paulo.