O certo, o verdadeiro e o belo

Por José Carlos Teixeira Moreira

Photo by Ron Lach on Pexels.com

De um tempo para cá as empresas começaram a dar valor ao Valor. Por muito tempo confundiram Valor com preço. Grandes perdas resultaram dessa confusão. O preço eu posso definir mas o valor que tenho só posso pressupor. O único autorizado a dizer do meu Valor é o cliente. A mim só cabe fazer o certo, o verdadeiro e o belo.

Perceber e sentir o Valor é de responsabilidade do meu cliente, daquele que me coloquei a servir. Quando me deparo com gestores treinando seus vendedores a vender valor fico imaginando o enrosco que criam para as suas equipes comerciais.

Valor é uma percepção individual que alimenta e conduz a pessoa a materializar suas expectativas esperançosas. Só gente é capaz de perceber Valor.

Quando algo tem Valor, o preço daquilo perde importância, passa a ser menos determinante. Construir Valor é confiar que tudo que for feito, no foco do cliente, da maneira certa, correta em termos de ciência, verdadeira e ética em relação ao bem comum e esteticamente impecável, lindo mesmo, como a natureza se mostra, tocará a alma de um ser humano saudável em qualquer cultura.

Essa tríade – certo, verdadeiro e belo – comanda todas as iniciativas das Empresas Válidas, aquelas que sabem que o lucro é a justa paga que lhe conferem em reconhecimento ao bem que propiciam para o todo da Sociedade.

Um país se transforma em Nação através de empreendimentos válidos. Líderes desses empreendimentos ficam conhecidos como executivos estadistas e ganham o mundo como verdadeiros testemunhos de Valor.

José Carlos Texeiria Moreira é fundador e presidente da Escola Instituto de Marketing Industrial e escreve a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que não pode faltar em 2022

“Em 2022, há coisas que as empresas certamente continuarão a fazer com suas marcas e procedimento. E há outras que precisam ser melhoradas” 

Jaime Troiano

Com o ano iniciado, e os aprendizados de 2021 ainda em mente, as marcas tem de estar prontas para o que vem por aí, independentemente das surpresas que a ômicron, a política e a economia – não necessariamente nesta ordem – nos proporcionarem. Jaime Troiano e Cecília Russo, no primeiro programa do ano, listaram cinco coisas que não podem faltar em 2022.

1. Prepare o seu Plano B

É preciso pensar já no seu plano B. Nos dois anos de COVID, descobriu-se que muitas empresas e marcas estavam despreparadas, seja para sobreviver na crise sanitária seja para aproveitar a retomada da economia. Foi evidente o estrangulamento nos serviços oferecidos quando os consumidores correram atrás de coisas que tinham deixado de fazer durante a pandemia. Faltaram produtos e os serviços ficaram lotados. O planejamento da sua marca já está pronto para o que der e vier?

2. Clareza nas mensagens e desafios

Empresários e gestores têm de sentar com suas equipes  e conversa de forma transparente e clara sobre os desafios de 2022. É preciso que todos estejam na mesma sintonia porque nada será muito fácil daqui para frente. E se a comunicação não estiver ajustada, tenha uma certeza: “vai dar ruim”.

3. Engajamento dos colaboradores

Ninguém vende bem o que não comprou. Se os colaboradores ou funcionários não estiverem convictos do valor e da relevância da marca, dificilmente a empresa estará engajada para ter força no mercado.

4. A busca do propósito

Não contrate pessoas que não acreditam no propósito e nos valores da empresa e da marca. Não contrate apenas quem espera pelo holerite. Não contrate quem vai remar contra. O pessoal do RH sabe bem como escolhe o perfil dos colaboradores que somam à marca.

5. Digital e pessoal

Este será o ano em que, tudo que aprendemos com o universo digital, vai se consolidar de uma vez por todas. Mas é também o ano em que as pessoas vão querer “tirar o atraso” de todos os laços pessoais que ficaram hibernando em 2020 e 2021

“Preparem-se para ativar, tanto quanto possível, seus canais pessoais de contato com o mercado”

Cecília Russo

Leia também ‘verdades reveladas’ e ‘verdades a serem consideradas’ em texto do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso publicado em 25 de dezembro.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: uma viagem ao passado abordo do ‘Papa-filas’

Por Fernando Ceravolo Filho

Ouvinte da CBN

Recorte do Correio Paulistano de março de 1956 (Site São Paulo in foco)

A viagem seria de mais ou menos 12 horas. Voltaria para a casa, na praia, em Santa Catarina, cerca de 800 quilômetros distantes. Entrou no ônibus e se sentou nos bancos de trás. No horário, partiu o carro com todos mudos. O som do ar condicionado ligado e o do motor era o que se ouvia. Todos se preparavam para enfrentar as próximas horas com os seus pensamentos. 

Ele com os seus. Que logo o levaram à imagem de menino de cinco, seis anos, seguindo de ônibus para o centro de São Paulo com a mãe, e estático ao ver parar no ponto um “Papa-Filas”, com o cavalo mecânico puxando o carro de passageiros. Imponente e enorme aos seus pequenos e curiosos olhos:

— Mãe, como é grande! Por que”Papa-Filas”?

— Porque acaba com a fila de espera no ponto.

— Ah, então ele engole as pessoas.

— Sim, querido. Mas esse aí não vai para o nosso destino. 

— Que pena, queria ser engolido por ele.

Frustração compensada na viagem de volta. Lá estava ele dentro do Papa-Filas. Maravilhado com o espaço e como o motorista conduzia aquela cobra enorme, virando a sua cabeça à frente do seu corpo reto nas curvas da cidade. 

O Papa-Filas surgiu nos Estados Unidos, na Segunda Guerra Mundial. Primeiro, transportava funcionários da General Motors. Depois, foi a vez das tropas subirem abordo. Chegou ao Brasil na segunda metade da década de 1950 para dar conta do aumento da demanda dos passageiros e substituir os bondes. Não durou muito tempo, pois logo se mostrou pesado e lento para rodar na cidade. O suficiente para mexer com a imaginação do menino que agora, já grande, seguia para seu novo destino, Santa Catarina.

Fernando Ceravolo Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma ediçao especial do Conte Sua História de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: aquele não foi um verão qualquer

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

Foto do ouvinte Luis Fernando Gallo

Foi numa tarde, lembro muito bem, quase final de Verão quando a vi pela primeira vez, meus olhos brilharam e o meu coração acelerou, linda a segui com olhos atentos descendo a Rua Cristiano Viana, no Bairro de Pinheiros, e quando por mim passou desafiou o vigor dos meus 21 anos. Encantando fiquei com a beleza da moça e a segui sem pudor, entortei o pescoço, entornei as ideias, admirei o seu jeitinho, acompanhei seus passos, fiz dos meus desejos um alvoroço. Não, não podia perdê-la de vista, minha cabeça era só emoção, um quê de cobiça, acabara a razão. Até pensei, aí meu Deus, é coisa para tratar-se com o analista.

Que sorte a minha, entrou no edifício, na mesma empresa na qual eu trabalhava, a extinta Fudap, não perdi tempo, fui constatar o que tão bela menina faria naquele local. Bisbilhotei mesmo e sem nenhum remorso acreditei que não faria mal, com a idade que tinha sentia-me o tal. Nesta primeira abordagem nada apurei, mas pressentia que um desafio estava por vir.  Acreditei na minha sorte mais uma vez quando soube que seria mais uma colega de trabalho, bom começo, pensei, já é um bom atalho. Não poderia perder a concentração. Marquei território, mas com discrição desta vez não agiria só pelo coração. A conquista merecia uma estratégia e um elaborado plano de ação. 

Não seria fácil, entendi que outros fariam marcação cerrada na belezura, então tinha que provar que seria capaz de conquistar tão meiga criatura, demonstrei simpatia, cortejei, me dediquei sem hesitar, suei, transpirei, me inspirei.  Mas a moça o que tinha de formosura tinha também de linha dura. Não, não a perderia sem insistir com afinco, faria o impossível e até me entortaria todo assim como faz o contorcionista, confesso acreditei que tudo aquilo era amor à primeira vista.

 Os dias passando numa rapidez desenfreada desde aquele início de fevereiro, eu ainda prudente, pouco avançara. Outras estações passaram, mais um Verão por vir. Sentia-me tal quais as folhas no Outono soltas, a vagar pelas ruas. Faltou-me o aconchego e o calor no Inverno, agora a Primavera anunciando renovação e eu só na intenção. O natal chegando, um presente o meu coração pedia. Na certa sabia que nutria por ela uma paixão secreta. Secreta então foi a chave da questão. Verdade que alguém a tirara no sorteio do amigo oculto, assim como oculto eu me manteria. Eu seria o falso amigo secreto na brincadeira de então.  Rotineiramente depositava os meus bilhetinhos na caixinha e bem sei que todos ela recebia, pois respostas vinham em profusão, um tanto de ingenuidade nas mensagens, outro tanto de emoção. Simples papeizinhos com recadinhos singelos proporcionaram por algum tempo um envolvente elo.

Na noite da entrega dos embrulhos secretos, na festa de confraternização, os presentes foram trocados e os amigos revelados. Ela não me tirara, eu tampouco ela. Pensei então em enfrentar o perigo, criei coragem e revelei que fora eu o falso amigo. Com um lindo e envolvente sorriso ela confessou, bem que desconfiava, tinha plena certeza de quem fora o autor de tal proeza.       Uma fresta se abrira, ajudara a aproximação, oportunidade escancarada chance conquistada. Daí para um convite para sairmos foi muito suave. Cinema amanhã, um lanche quem sabe ou um simples passeio pela cidade.

O dia seguinte para passar foi uma eternidade. As tarefas rotineiras não me rendiam e eu precavido para ninguém desconfiar de tamanha euforia. A jornada se finda, muito a fazer na noite que prometia. O pensamento um turbilhão, tantas coisas a pensar, incertezas em demasia, só não antecipara que a minha vida mudaria.                                 

Era 21 de dezembro (de 1977) início da estação, primeira noite daquele Verão, não de um Verão qualquer como o tempo provaria. Uma chuvinha teimosa a cair sobre as ruas paulistana, e só ela precavida portava a sombrinha agora comigo dividida. Uma vez mais sorte minha. Oportunidade para caminharmos juntinhos na calçada, segurando o braço dela, driblando as poças d’água e protegidos por uma umbrela. Um sanduiche partilhado, um suco, um copo e dois canudos, um beijo ainda tímido e moderado foi o começo de tudo. Um filminho para descontrair sem ousadia para evitar um bofete, em cartaz no Cine Gazeta, da Avenida Paulista, uma película emblemática, “Aeroporto 77”.

 Não recordo o que assisti se é que vi. Também nada sei do avião, se caiu ou em qual destino aportou, a única certeza é que o meu coração desde então decolou, continua a viajar, já são quarenta e dois Verões e até hoje não pousou.

SAMUEL DE LEONARDO é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma edição especial do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca: ecos da pandemia

lecafedeflore (reprodução

“O branding precisa ser alimentado do conhecimento humano, do que as pessoas pensam, sentem, do que ocorre ao nosso redor”

Jaime Troiano

Era junho de 2020, quando bares e cafés de Paris reabriram, na crença de que poderíamos voltar a vivenciar o que perdemos durante a pandemia. O Café de Flore, que já teve entre seus clientes Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, voltou a colocar as mesas na calçada do Boulevard Saint-Germain, inspirando parisienses e outros passantes a ocuparem os espaços abertos. Cena que se repetiu por toda a cidade. Jaime Troiano não estava por lá — bem que gostaria —, o que não o impediu de exercitar sua imaginação para compreender o sentimento que movia aquelas pessoas, após  tantos meses de reclusão e de o medo de ser contaminado pelo coronavírus ainda estar no ar.

A imagem que se espalhou pelo mundo motivou Jaime escrever “A resiliência do desejo ou  partiu Paris!”, um dois capítulos do livro “Ecos na pandemia – impressões sobre como nós, as empresas e as marcas temos nos comportado no novo normal” (CLAeditora), no qual ensaia pensamentos sobre como fomos impactados por essa tragédia sanitária e quais as sequelas que deixará no comportamento humano. 

“As pessoas ficaram maravilhadas com aquilo … parece que era uma descarga de emoções e vontade não realizada que foram se acumulando, explodindo, meio como que elas quisessem tirar o atraso”.

E as marcas com isso? Têm tudo a ver porque, como insistimos em falar em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, o branding trata de gente, de seus pensamentos e atitudes, e das mais diversas dimensões da nossa existência. Para Jaime, as marcas que sempre se comportaram bem durante a pandemia, serão as primeiras a serem procuradas e compradas. 

“Não espere que depois de nós saímos do tal túnel que nós estamos atravessando, as marcas venham a ter outro papel em nossa vida. Não, nada disso! O branding não terá um novo normal. O branding e nós, provavelmente, vamos sim viver o ‘novo velho normal’.”

Dos textos que estão publicados em “Ecos na pandemia”, Cecília Russo destaca “Por trás do Dilema das Redes”, que analisa o documentário de sucesso na Netflix que trás uma denúncia de quanto às redes sociais moldam e controlam nossas vidas. Concordando com o autor —- não o do seriado, mas o do artigo —, Cecília entende que o consumidor não é uma vítima indefesa:

“O branding nos ensina o oposto. Quem controla o mercado, o que vai ser comprado, se aquilo vai ter sucesso, somos nós, os indivíduos, os consumidores. O que fica como mensagem é: o que opera a mente, a alma dos consumidores, na verdade, somos nós mesmos. Não tem algoritmo. Não tem nada disso. E acho que a gente —- no branding — tem que pensar em como vai continuar trazendo coisas que tenham relevância às pessoas. Nós não somos controladores”. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior

Sua Marca: riscos e benefícios em resgatar personagens ilustres da publicidade

“Há muitas décadas personagens vêm sendo criados para ajudar marcas a se posicionar e criar vínculos com pessoas, segue sendo um recurso valioso mas é preciso saber usá-lo para que seja aliado e não inimigo”

Jaime Troiano

Quando a Galinha Azul aparecer na sua televisão é possível que seus filhos a confundam com a Galinha Pintadinha, mas você, certamente, vai ter sua memória refrescada com aquela personagens que fez sucesso nos anos de 1980 e 1990. Em tempo: é possível que seu filho nem veja a Galinha Azul na televisão, vai deparar com ela na tela do celular —- mais um sinal das mudanças de comportamento e referências. Aliás, mais um grande desafio, também, aos criadores e desenvolvedores de marcas que resgatam essas figuras icônicas e precisam remodelá-las para conquistar os novos públicos.

No caso da Galinha Azul, a Maggi resgata seu desenho e oferece ao público no modelo 3D e com traços mais modernos. Para a empresa, a “pop star” —- é assim que o Jaime se referiu à moça — é muito mais do que uma personagem, “é um ícone que desperta consumidores uma memória afetiva cheia de carinho”, explicou Samara Ferrara, gerente de marketing da Maggi, em entrevista ao Meio e Mensagem.

“Claro, ela volta repaginada, numa versão 3D, mas segue tendo sua função básica inalterada, que é a de criar vínculos mais emocionais com as pessoas, indo além do caráter mais tangível dos produtos Maggi”

Jaime Troiano

Ao falar da Galinha Azul, meus colegas de quadro logo lembraram de outros personagens: o Chester, da marca Cheetos; o Zé Gotinha, das campanhas de vacinação; e o Lequetreque, o frango da Sadia. Nossos ouvintes, também. E o primeiro nome que surgiu no e-mail marcasdesucesso@cbn.com.br foi o do Sujismundo, criado por Ruy Perotti, que se transformou em ícone da campanha “povo desenvolvido é povo limpo”, que foi usado até para convencer as pessoas a tomarem vacina.

“O personagem traz um sinal de reconhecimento forte para a marca proprietária; as pessoas fazem uma associação imediata ao ver o personagem. Ouvimos consumidores falando: olha lá o frango da Sadia! Podem nem saber o nome do personagem mas fazem a relação correta com a marca que usa o personagem”

Cecília Russo

Apenas criar mascotes, modernizar seu desenho e torná-lo público, não é suficiente. Jaime e Cecília alertam os criadores de marcas para o risco de usarem essa estratégia de forma excessiva:

“O risco de as marcas usarem personagens é elas se tornarem reféns dessas criações, ou até do personagem ser mais protagonista do que a marca e abafá-la, isso não pode acontecer. Por isso, é importante saber dosar seu uso, estudando onde vale a pena e onde é dispensável usá-lo”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Sucesso e relembre alguns dos personagens da publicidade que ganham “voz” na edição feita pelo Paschoal Júnior — que é fã da Galinha Azul tanto quando da Galinha Pintadinha. Sim, o Paschoal é um cara bastante diverso (e criativo):

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: respeite os três estágios de lançamento de marca

“Se você está pensando em lançar uma nova marca comece revelando ou demonstrando o que ela tem de característica mais essencial”

Jaime Troiano

Alberto Roberto foi dos personagens de maior sucesso de Chico Anysio e —- desculpe, senhoras e senhoras, mas precisarei apresentá-lo aos mais jovens que, por ventura, estejam lendo este texto —- fazia as vezes de um ator de televisão, pretensioso e metido a galã. Em meio a uma série de gafes linguísticas, se apresentava como sendo um ‘símbalo secsual’, apesar de seu talento bastante questionável

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso voltou aos anos de 1970 e resgatou a imagem do engraçadíssimo Alberto Roberto para ilustrar um erro comum que marcas tendem a cometer quando estão se lançando no mercado, que é  esquecer que existem estágios que precisam ser percorridos sob o risco de o consumidor não absorver a mensagem e a imagem daquela marca não se consolidar, como explica Cecília Russo:

“Marcas não podem fazer o papel de um Alberto Roberto. Ele simulava um prestígio e reconhecimento — que não tinha —- antes de passar por estágios de consolidação”

Que estágios são esses?

Pra falar dessas etapas, o Jaime recorre a outra fonte. Essa, ao contrário de Alberto Roberto, com prestígio consolidado e reconhecimento no mercado internacional: Joe Plummer, da Young & Rubican, que descreve os três estágios de desenvolvimento e reconhecimento de uma marca no mercado: 

  • 1º  A marca diz o que ela é;
  • 2º  A marca diz o que ela faz por você;
  • 3º  A marca diz o que ela significa em sua vida.

Para entender como funciona essa estratégia, vamos a alguns casos reais. 

O Nubank se apresentou ao público apoiado em uma característica essencial: a simplificação — “vou ser mais simples no jeito, nas cores, nos processos”, descreveu Cecília.

A marca Dove, desde o início, trabalhou o tema da hidratação e mantém até hoje esse elemento em uma gama muito grande de produtos, mas expandiu seu repertório de mensagens, porque já está consolidada.

A Tostine apareceu com um lema que se transformou em ícone da publicidade: “é mais fresquinho porque vende mais ou vende mais por que é mais fresquinho”. Começou sua comunicação com o estágio inicial que é o de trabalhar o atributo do produto. E, ao longo do tempo, ampliou esse sentido, sinalizando qualidade e prazer de comer.

“Evite a síndrome de Alberto Roberto. Comece apresentando a sua marca a partir de suas características e atributos, antes de criar uma linguagem mais simbólica e mais abrangente. que ninguém vai entender em um primeiro momento” 

Jaime Troiano

Entenda mais sobre este tema ouvindo o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN:

Mundo Corporativo: para que o negócio tenha a melhor entrega, Guilherme Lemos, do Grupo Rão, sugere ‘pensar grande e andar pequeno’

“Um dos principais conselhos para quem está começando é nunca dê um passo maior que a sua perna, porque se você quebrar você cai. Então, pense grande, pense alto, pense longo e ande pequenininho, para que você possa acertar, errar e corrigir”  Guilherme Lemos, Grupo Rão.

Foto: Divulgação

Foi seguindo os passos —- até então pequenos —- do irmão que o empresário Guilherme Lemos ajudou a construir uma rede pioneira no segmento de delivery de alimentos. Henrique, o mais velho, foi quem fundou o Grupo Rão,  no Rio de Janeiro, em 2013. Guilherme, o mais novo, aproximou-se do negócio como franqueado com uma unidade do SushiRão, seis meses depois. Em 2016, ocupou lugar na diretoria da empresa e, atualmente, é o CEO do grupo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, ele conta que o ponto de virada se deu quando eles descobriram qual era o seu verdadeiro negócio:

“A gente percebeu ao longo dos três primeiros anos que não éramos especialistas em comida japonesa, a gente dominava a ciência do delivery. E com isso dominado, era natural chegar a outros ramos de comida”.

Hoje, a entrega de comida em casa virou salvação para muitos empreendedores do ramo de bares e restaurantes, devido a pandemia. Guilherme lembra, porém, que bem antes das restrições sanitárias, os irmãos já entendiam que a interação humana diminuiria ou ficaria restrita a pequenos círculos por questões de custo, tempo, segurança e tecnologia:

“Essa pandemia não alterou certos hábitos, ela acelerou hábitos do delivery. O delivery já seria um canal super desenvolvido, só que essa pandemia, por motivos óbvios, obrigou que a gente acelerasse os processos”.

Ao contrário da maioria dos concorrentes, o grupo investe na entrega de alimentos feita por funcionários próprios, evitando o uso de aplicativos que se tornaram comuns nos últimos anos. Aliás, a precisão na entrega é um dos pilares do sucesso do negócio, descritos por Guilherme:

  1. Preço justo
  2. Proximidade com o cliente
  3. Entrega rápida
  4. Produto de qualidade

Para quem imagina empreender no setor, uma das lições aprendidas pelo grupo Rão é que a entrega tende a ser de bastante qualidade quando feita em um raio de até 12 quilômetros do ponto em que está a cozinha:

“A pessoa que está com fome, não pensa assim: “vou ficar com fome daqui uma hora e meia. Estou com fome agora. Vou pedir minha comida agora e quero que o motoboy entregue agora’”.

A rapidez na entrega não deve influenciar na qualidade do produto e no seu custo, porque tudo tem de ser devidamente medido, ensina Guilherme, que vê como um dos principais erros dos empreendedores não saberem fazer contas:

“Tem de ser nos centavos. Na gramatura. Meu sashimi tem de ter 10 gramas. Para 10 gramas, custa um valor. Se o sushiman cortar 12 gramas, entrega para o cliente 20% a mais do que deveria ter feito pela ficha técnica. Eu deixo de ganhar”.

Com todos esses cuidados, o Grupo Rão, recém-chegado a São Paulo, já tem mais de 100 unidades, no Brasil, e três funcionando em cidades de Portugal. Nos planos de Guilherme está a ideia de retornar aos Estados Unidos, onde o irmão mais velho chegou a levar uma das franquias, e entrar na Espanha. Além disso, estão investindo em tecnologia, desenvolvimento de moeda digital própria, novo sistema de pagamento e centro de distribuição. A meta é fechar o ano com faturamento de R$ 300 milhões e abrir mais 50 unidades. As franquias respondem por cerca de 85% do negócio.

Diante dos desafios que surgem, Guilherme aproveita-se do que aprendeu com os erros cometidos —- “a gente sempre errou pequeno, nunca comprometemos a empresa”  —-, e de uma lição que nunca esquece, ensinada por Edu Lyra, fundador e CEO da ONG Gerando Falcões”:

“É preciso ter coragem para empreender. Nós não conhecemos nenhum outro caminho que não seja o empreendedorismo. Vai fazendo. Vai construindo. Tem uma lema que diz que ‘nasceu perfeito, nasceu tarde’. Erre pequeno. Mas faça. O sucesso é inatural, se ficar parado, você não vai atingir o sucesso. Faça acontecer. Tem um mundo para fazer coisas. Como diz o Edu Lyra: ‘vai que dá’”.

Assista à entrevista completa com Guilherme Lemos, CEO do Grupo Rão:

Você pode assistir ao Mundo Corporativo, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e nos canais da CBN no Youtube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno teixeira, Natacha Mazaro e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: o Tetra é nosso, os guris do Grêmio!

Grêmio 1×1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Ferreirinha comemora o gol do título em foto de Lucas Uebel/Grêmio GBPA

Havia um guri no gol, de sorriso largo e braços ainda maiores, que conhece o Gre-Nal como a palma de sua luva —- Brenno fez sua estreia no Grêmio em um clássico, e até hoje não perdeu nenhum. Havia um guri na zaga em lugar de Kannemann: Ruan, que segue a passos largos o futebol maduro de seu companheiro de área, Geromel. Outro guri ocupou a lateral para substituir Rafinha, expulso ainda no primeiro tempo. E Vanderson cumpriu sua função com a seriedade de um veterano e a velocidade de guri que é.

No meio de campo, havia um guri, Matheus Henrique, que sustentado por um craque, Maicon, e um leão de volante, Thiago Santos, pode soltar seu talento com a bola no pé, distribuir o jogo e aparecer dentro da área para impor perigo ao adversário. Foi ele quem soube escapar da marcação na intermediária gremista, deixar seu adversário estatelado no chão e avançar à fronteira inimiga no início da jogada  do gol do título, ainda no primeiro tempo da partida.

No ataque não faltavam guris. Havia Léo Pereira, desde o início, e Ricardinho e Pepê (sim, não esqueça que o nosso atacante que ruma agora à Europa tem apenas 24 anos), que entraram no segundo tempo para dar desespero nos marcadores. 

Havia o maior de todos os guris: o gigante de 1,71 metro de altura, Aldemir dos Santos Ferreira, o Ferreirinha. Com 23 anos, nosso ponta esquerda encanta o torcedor e enlouquece o sofredor.

Foi ele quem recebeu a bola final daquela jogada iniciada por Matheus e distribuída por Diego Souza —- o goleador que aos 35 anos bota a bola na rede e dança como se fosse um menino. Foram dele, Ferreirinha, os dribles que o deixaram na cara da goleira, as gingas que desnortearam seus marcadores, a bola roubada na defesa e a vibração pelo desarme para a lateral, que tiraram o adversário do sério.

Já disse e repito, Ferreirinha é o futebol jogado com prazer:

“Raro atacante que dribla sem vergonha. Que irrita o marcador com seu talento. Que joga pra frente, em direção ao gol. E invariavelmente consegue chegar ao seu destino”. 

Havia guri no gol, na defesa, no meio de campo e no ataque. Havia guri se desdobrando para salvar nossos vacilos, endiabrando o zagueiro, desarmando o atacante e dominando o jogo com talento e muita garra. Havia Brenno, Vanderson, Ruan, Matheus Henrique, Léo Pereira, Ricardinho, Pepê e Ferreirinha. 

E em cada um desses guris, havia um pouco de mim. Do meu prazer de ser gremista. Das lágrimas que derramei no vestiário do Olímpico no passado. Do choro de alegria naquela vitória de 1977. Da felicidade de uma conquista comemorada. Do quadragésimo título estadual, do tetra Gaúcho, de sete anos sem perder um clássico em casa e de um domínio que —- guris que hoje vestem a camisa do Grêmio não têm ideia — eu nunca havia assistido na época em que eu era realmente um guri lá no Sul.

Obrigado, Grêmio e sua gurizada por me darem a alegria de comemorar mais um título ao lado dos meus guris, aqui em São Paulo.

‘Passaporte contra Covid’ vai demorar a desembarcar no Brasil; a prioridade é outra

Foto de Anna Shvets no Pexels

Sair do Brasil para aquilo que chamavam de ir ao estrangeiro, mesmo que a passeio, nunca foi um projeto de vida enquanto morei no Rio Grande do Sul. Talvez pela formação classe média, econômica e comedida, que tive de meus pais, atravessar a fronteira para o Uruguai e a Argentina me bastava. E dadas as características dos pampas convenhamos não havia nada de estranho naquelas viagens. Isso explica em parte o fato de meu primeiro passaporte somente ter sido emitido depois de chegar a São Paulo, em 1991. Na companhia de minha mulher, e por inspiração dela, passei a viajar para o exterior com mais frequência. Hoje, os passaportes de capa verde se acumulam em uma das gavetas de casa, todos devidamente carimbados pelos guardas de fronteiras.

Há quem passe a vida sem nunca ter expedido um passaporte. Há quem sonhe em ter os diplomáticos que facilitam acessos e fugas quando a coisa aperta por aqui. De várias partes do Brasil, cidadãos se aventuraram nos Estados Unidos, muitos de forma ilegal, na esperança de obter o GreenCard, uma espécie de passaporte para se sonhar o sonho americano.  Enquanto não chega —- e provavelmente nunca chegará —-, vejo alguma conhecidos se satisfazerem em não terem o seu passaporte brasileiro bloqueado na fronteira.

Veio a União Europeia e seu passaporte azul transformou-se em sonho de consumo. Muitos brasileiros passaram a escavar seu passado e a escarafunchar no tronco da árvore genealógica para encontrar algum parentesco perdido por aquelas bandas. Alguns se excedem na busca e encontram na ilegalidade o caminho para atravessar as fronteiras pela fila VIP da alfândega. Pagam um saco de dinheiro estrangeiro para conseguirem certidões de parentes que nunca existiram e para se hospedarem por alguns dias em burgos italianos ou vilarejos lusitanos e serem encontrados pela polícia local, que certifica a sua suposta vivência no país.

Nem verde nem azul, o passaporte que se transformará em objeto de desejo de brasileiros e companhia ilimitada será o imunológico. A instituição que que representa o transporte aéreo internacional, a IATA, está testando um sistema de compartilhamento de informações que oferecerá uma espécie de passe livre para viajantes que enfrentam hoje uma série de barreiras para seguirem em suas atividades devido as proibições impostas por governos que tentam evitar a disseminação da Covid-19.

O Travel Pass Initiative —- que também atenderá pelo singelo nome de FREECOVID — reunirá informações sobre os passageiros: se realizou teste de Covid-19, qual a procedência deste teste, se tem certificado de vacinação contra a doença e se tudo isso está nos conformes —- ou seja, se atende as regras impostas pelo países de destino. Com os dados cruzados e identificados, bastará apresentar o APP no celular para seguir viagem.

Antes de fazer as malas, lamento informar que, se os sintomas persistirem, ainda vai demorar para o “passaporte contra Covid” beneficiar os brasileiros. A política negacionista do Governo Bolsonaro nos deixou mal na foto lá fora. Não bastasse isso, em lugar de combater a doença e garantir vacina para todos, a prioridade agora no País é pela busca de um outro passaporte, o que livra corruptos da prisão. E para consegui-lo é só passar no guichê do STF, da Câmara ou do Palácio do Planalto — órgãos, cada um ao seu modo, que estão emitindo esses passaportes.