Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

“Amor a toda prova”: agrada muito, sem exageros nem canalhice

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Amor a Toda Prova”
Um filme de John Requa,Glenn Ficarra
Gênero: Comédia Romântica
País:USA

 

Um cara casado e muito bacana, após o pedido de divórcio de sua esposa se vê forçado a voltar ao mundo dos solteiros, arruma um amigo que vai ensiná-lo a conquistar mulheres e é claro que ele está fora de forma neste jogo…

 

Por que ver:

 

Uma comédia romântica mais que perfeita e com reviravoltas inesperadas e muito engraçadas…

 

Ele pode ser considerado uma comédia romântica? Hummm, sim! Um drama? Também… Steve Carell surpreende em sua atuação leve e dramática…

 

A falta de exageros e canalhices, comuns em comédias do tipo, agrada bastante e faz com que este filme mereça ser assistido mais de uma vez!

 

Como ver:

 

Acompanhado com seu parceiro(a), com amigos… Um filme bacana que não te fará passar vergonha!

 

Quando não ver:

 

Muito difícil esta…Hum, não tenho resposta! O filme é demais!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

 

 

Adote um Vereador: mande perguntas ao seu vereador e teste o interesse dele em atender ao cidadão

 

 

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Começamos com dois, fomos a cinco e agora dobramos a marca: atualmente, dez pessoas se comprometeram a acompanhar e fiscalizar o trabalho de vereadores em São Paulo. Outros tem enviado mensagens em busca de informações sobre como podem adotar um vereador e ajudar a controlar a ação no legislativo. Em texto recente, falamos sobre este tema. O interessante é perceber que a lista de “padrinhos” está aumentando gradativamente.

 

Veja aqui a lista completa de vereadores adotados em São Paulo: ainda faltam 45.

 

Hoje, queremos ajudar você a organizar melhor a sua atuação e vamos sugerir uma série de perguntas que devem ser enviadas aos vereadores para que eles exponham o que realmente pensam. Aproveite o e-mail do vereador, que está publicado no site da Câmara Municipal, e encaminhe esse questionário. Dessa maneira, além de conhecer melhor o parlamentar, você também poderá perceber qual o interesse que ele tem em manter uma relação transparente e respeitosa com o cidadão.

 

Nossa lista tem 10 perguntas, sendo a última aberta a temas do seu interesse. Tenha essa relação como um guia: o ideal é enviar todas as perguntas pois isto ajudará inclusive a comparar o perfil de um e outro vereador, mas sinta-se à vontade para incluir ou retirar questões. Aliás, se você perceber que falta mais alguma pergunta, compartilhe com a gente para colaborar com outros “padrinhos”.

 

Vamos as perguntas:

 

  1. Conte sua trajetória até se transformar em vereador.
  2. Quais serão as principais pautas para o ano de 2017?
  3. Qual o projeto de lei prioritário para o/a senhor/a?
  4. Como o/a senhor/a pensa em compor o gabinete? Qual o critério para a escolha dos funcionários? Eles estão relacionados a área em que você pretende atuar. Tem algum tipo de política de diversidade na escolha dos funcionários do gabinete?
  5. Qual o critério que o/a senhor/a vai usar para decidir como serão os gastos do seu gabinete?
  6. O/A senhor/a assinou alguma carta compromisso ou plano durante a campanha?
    Qual sua relação ou como pretende se relacionar com a prefeitura?
  7. Como o/a senhor/a pretende fiscalizar o trabalho da prefeitura?
  8. O/A senhor/a vai criar algum instrumento que facilite o acesso do cidadão as ações do seu mandato?
  9. Qual a sua opinião sobre (escolha um ou mais temas do seu interesse para saber o que o/a vereador/a pensa)

 

Se o vereador demorar para responder não deixe de informar no blog ou página do Facebook onde você atualiza as informações do seu trabalho. Assim que as respostas chegarem, coloque tudo lá na sua página e depois exercite o seu poder de análise: comente quais respostas que atenderam sua expectativa, diga quais você discorda do vereador e dê sugestões.

 

Seja cidadão! Adote um vereador – controle os políticos antes que os políticos controlem você.

Conte Sua História de São Paulo 463: a música na cidade e a história da Osesp

 

Por Ana Valéria Poles

 

 

Por volta da década de 1970, ainda estudante do Conservatório de Música de Tatuí, minha cidade natal, vínhamos a São Paulo em ônibus fretado para assistirmos aos concertos de grandes orquestras como as Sinfônicas de Leipig, e de Clevland, no Theatro Municipal.

 

Em uma das vezes, o professor Coelho, nosso diretor, fretou um ônibus para representar a “torcida organizada” do Conservatório, na participação do concerto de premiação, no Teatro Cultura Artística, dos famosos Concursos Jovens Solistas da OSESP, dos quais fui uma das solistas vencedoras.

 

Estudei em Viena por 6 anos e ao voltar, em 1988, ingressei no naipe de contrabaixos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a batuta do saudoso maestro Eleazar de Carvalho.

 

Àquela época, a OSESP ensaiava no Cine Copan, depois no Teatro do Colégio Caetano de Campos, no Teatro da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, por fim, no Memorial da América Latina. Chegamos a ensaiar no restaurante do Memorial, tal o desprestígio que a orquestra gozava, culminando com a morte do maestro Eleazar.

 

A OSESP foi reestruturada em 1997 e enquanto a Estação Júlio Prestes era transformada em uma sala de concertos, passamos a ensaiar no recém- reformado e reinaugurado Theatro São Pedro, ali na Barra Funda, na zona Oeste.

 

Finalmente, em julho de 1999, a nossa querida OSESP ganhou sua sede: a belíssima Sala São Paulo, uma das principais salas de concerto da América Latina!

 

Minha vida dedicada à música também teve passagens pelo Teatro Alfa Real, em Santo Amaro, os teatros do SESC, do MASP e do Ibirapuera, sem falar nos teatros de bairro, de colégio, faculdades e clubes. Apresentei-me com o Octobass, octeto de contrabaixos que fui uma das idealizadoras, em um antigo lixão transformado em praça: a Victor Civita, em Pinheiros.

 

Uma das melhores maneiras para se dar vida à cidade é justamente com música.

 

Ana Valéria Poles é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do nosso maestro: Claudio Antonio. E a narração é de Mílton Jung.

Conte Sua História de SP 463: o moço bonito do trólebus da Aclimação

 

Por Neusa Kihara
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

A linha de trólebus Machado de Assis/Cardoso de Almeida era bem tranquila. Perfeita,  pra mim que morava na Aclimação, trabalhava na Vila Buarque e estudava em Perdizes, ponto final do trajeto.O percurso começava na Vila Mariana e incluía também Liberdade, Centro velho e Pacaembu. Gostava de admirar os lugares  pela janela….

 

Como não havia trânsito, também não havia atraso, assim, em todas as viagens era possível encontrar sempre o mesmo motorista e quase sempre os mesmos passageiros.

 

No trólebus da tarde, o moço bonito sempre estava lá… às vezes, sentado bem próximo à porta, de modo que quem entrava tinha que,  forçosamente, encarar seu olhar… às vezes, estava de pé, conversando com um colega que descia logo no ponto seguinte, dizendo a ele: “até amanhã!”.

 

Com o tempo fui tomando coragem pra ficar mais perto, e o moço, que também era gentil, se oferecia para segurar minha pasta de livros e cadernos da faculdade.

 

Éramos ambos do interior, tentando a sorte em São Paulo: ele, já formado, trabalhava num banco da Rua Boa Vista; e eu estava começando meu curso superior. Aos poucos estendemos nossa amizade para passeios nos fins de semana: visitávamos a praça da Sé, a praça da República, a Liberdade, o Parque da Aclimação … sempre de trólebus.

 

Tudo era mais tranquilo do que hoje e os lugares seguros a ponto de permitir passeios de mãos dadas, com a paixão nos tornando alheios aos possíveis perigos.

 

O tempo passou, a cidade mudou, o banco transferiu o moço bonito para outra cidade; eu mudei de bairro, de trabalho e terminei meu curso. Passei a andar de metrô, sem paisagens para admirar pela janela…

 

Ainda lembro-me do moço simpático, cada vez que vejo o trólebus, agora reformado, sem as antigas cores amarela e laranja, mas que mantém seu trajeto entre as zonas Sul e Oeste  da cidade…

 

Vieram novos amores, vieram novas paixões. Ficou São Paulo.

 

Neusa Kihara é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung.

Qual o seu luxo para 2017?

 

Desde junho sumido por aqui, mas rápido o suficiente para conversar com a gente antes de o ano se encerrar, Ricardo Ojeda Marins, especializado no mercado de luxo, viagem e turismo, enviou mensagem aos caros e raros leitores do Blog, que compartilho com você:

 

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2016 foi um ano, no mínimo, dos mais polêmicos das últimas décadas.

 

No Brasil. No Mundo. Guerras, terrorismo, impeachment, Petróleo, prisões de empresários e políticos… Por aqui, apesar de vivermos em um país em que a corrupção impera e abrange números estratosféricos, este ano nos dá ao menos a sensação de que as coisas estão mudando. A tão famosa ESPERANÇA!

 

A ESPERANÇA de um país mais justo, um mundo mais tranquilo para vivermos, com paz, amor, respeito ao ser humano…

 

E por falar em ESPERANÇA … essa época do ano ouvimos de todos ao nosso redor promessas, pedidos, agradecimentos, sonhos, metas…

 

Qual o seu LUXO para 2017?

 

Para mim, é ter mais tempo livre, estar com as pessoas que gosto, dedicar-me ainda mais ao autoconhecimento… e o principal: sempre continuar na construção diária de ser uma pessoa melhor!

 

O maior LUXO é aquele que não pode ser comprado.

 

Que 2017 seja repleto de Saúde, Paz, Amor, Qualidade de Vida…e  seus SONHOS se realizem!

 

FELIZ ANO NOVO!

Suite francesa: irresistível!

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Suite Francesa”
Um filme de Saul Dibb
Gênero: Comédia Romântica
País:México

 

Lucile mora com sua sogra em um pequeno vilarejo. O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial. As duas esperam ansiosas o retorno de seu marido e neste inteirin sua cidade é tomada pelos alemães e são obrigadas a hospedar um militar de alta patente, o educado Bruno. Lucile tenta resistir mas os dois se entregam em uma relação intensa.

 

Por que ver:

 

Um filme de época tão excelente, mas tão mesmo, que ouso compará-lo ao Orgulho e Preconceito. Tá bom, não é tãooooo bom quanto mas é quase lá.

 

As atuações de Michelle Willians e Mathias Shoenaearts são primorosas…

 

Direção delicada e muito coerente com o roteiro.

 

Um filmaço para quem curte o tema Segunda Guerra.

 

O filme foi baseado em textos de uma judia que morreu em campo de concentração.

 

Como ver:

 

Com seu amor, com certeza…Um vinho Rosè geladinho para entrar no clima…

 

Quando não ver:

 

Com amigos e família em geral. Sei que a maioria das pessoas fica constrangida com cenas de sexo…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Monstruosidades jurídicas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Raimundo, 60 anos, está preso por não pagar pensão alimentícia reclamada pela ex-mulher. Não tem patrimônio, não tem emprego e não tem idade competitiva no mercado de trabalho.

 

O mecânico Carneleiro há 30 dias preso, sem sair da cela, com a mesma roupa, não consegue explicação exata da dívida da pensão alimentícia que o acusam. Não tem os direitos dos presos comuns.

 

A defensora pública Rita de Cassia Vieira Catharina, do RJ, acha que os filhos podem ver o pai preso com bons olhos.

 

Um paciente de São Paulo, dono de um patrimônio de R$ 40 milhões, a pedido da família, foi internado em um hospício por Ronaldo Laranjeira. O Dr Laranjeira é coordenador do programa “anticrack” do governo de SP, e está sendo investigado, pois não via o paciente há três anos quando o mandou ao hospício, e a família é suspeita de interesse pecuniário.

 

A boa notícia é que, se o meio é a mensagem, o programa Fantástico abre espaço pela segunda vez no ano para abordar o tema.

 

Em março, anunciava as mudanças na Lei da Pensão Alimentícia. Numa canetada, um retrocesso. Enquanto se esperava uma atualização devido às mudanças na sociedade, principalmente no papel da mulher no mercado de trabalho, eis que o regime fechado torna-se obrigatório, a conta bancária pode ser bloqueada e saqueada, e o crédito cortado.

 

Nesse segundo programa, em novembro, fica evidenciado o absurdo de encarcerar o devedor da Pensão Alimentícia, encerrando definitivamente as chances de ele cumprir financeiramente com as obrigações. Assim como a figura equilibrada e competente da Desembargadora Joeci Machado Camargo do PR. Ela mesma vítima de pai que descumpriu a lei da Pensão Alimentícia, mas não por isso, defensora da prisão. Defende a dissolução com responsabilidade sem a incongruência do encarceramento.

 

De outro lado, na pauta de “O médico e o louco”, o articulista da Folha, Hélio Schwartsman, ressalta a facilidade com que se pode enviar um suposto “louco” ao hospício. Se cumprir a lei atual, que é falha, a internação depende de um só laudo, mas corre-se o risco de nem isso ser cumprido, como no caso citado. O Dr. Laranjeira descumpriu o Código de Ética Médica, art. 37, ao efetuar a internação à força sem examinar o paciente.

 

Louvável a preocupação de Shwartsman com a lei n° 10.216/01, quando a qualifica de monstruosidade jurídica. Em seu tributo intitulamos nosso post de hoje.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: o Imortal voltou!

 

Atlético MG 1×3 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

 

Gremio x Cruzeiro

 

 

É difícil até de começar esta conversa com você, caro e raro leitor desta Avalanche! Estar nesta final da Copa do Brasil tem me provocado as mais diversas sensações.

 

Me vi na cabine do Morumbi narrando (e comemorando) o título da Copa de 2001, como lembrei em texto anterior. Também revisitei o Olímpico em seus escombros e senti a força daquela avalanche que marcou história.

 

Pensei no pai com quem costumava ir até lá assistir aos jogos do Grêmio desde um tempo em que os títulos estaduais eram nossa maior façanha. E como seria bom estar ao lado dele mais uma vez para vibrar nesta final. O telefonema dele hoje à tarde, antes da partida, foi um alento a saudade daqueles anos.

 

Revivi os tempos de guri em que vestia a camisa do Grêmio para assistir às aulas nos dias seguintes às vitórias. E a envergava nos ombros mesmo quando os resultados não eram assim tão bons.

 

Pude pensar nas vezes em que fiquei sentado ao lado da casamata na função de gandula (e pombo correio), levando ao time as instruções determinadas pelo padrinho Enio Andrade. Sem contar as vezes em que chorei sentado na arquibancada pelas frustrações de não ter um título.

 

Até aquela Batalha heróica dos Aflitos e a maneira como os guris aqui em casa comemoram um título que eles mal entendiam a importância vieram à memória nestas horas que antecederam o início da decisão.

 

Quando a bola começou a rolar e o time comandado por Renato se impôs no Mineirão, a ansiedade da final foi substituída pela certeza de que a Copa seria nossa. Que fique claro, ainda não o é … mas a personalidade de cada um dos 11 jogadores em campo superou qualquer temor, mesmo nos momentos mais difíceis – raros momentos em uma partida praticamente toda dominada pelo Grêmio.

 

A marcação perto da área do adversário, as roubadas de bola, a maneira como o time se movimentava para receber e passar, a elegância do drible e a velocidade do jogo nos davam a impressão da invencibilidade.

 

Foi então que Pedro Rocha fez um, perdeu outro e mais outro. E fez mais um, novamente. E tirou a camisa, como eu faria de euforia. Tomou amarelo. E fez falta, como nós todos faríamos, e tomou o vermelho. E chorou, como muitos de nós faríamos no lugar dele.

 

O guri que um dia o presidente gremista Romildo Bolzan definiu, em entrevista que fiz na ESPN, como sendo aquele que “sempre está lá”, da mesma forma que nos levou ao ápice também nos fez lembrar de um enorme mérito que temos: o da Imortalidade.

 

Com um a menos e a pressão da torcida, tomamos um gol e, imagino, que houve alguém gritando nos nossos ouvidos que acreditava na virada.  Mas aquilo tudo era apenas para comprovar o quanto somos capazes de superar adversidades. Era como se precisássemos passar por mais esta provação para que o Brasil inteiro compreendesse nossa resiliência.

 

E para que não houvesse dúvidas de que o Imortal estava de volta, Geromel e Everton completaram o placar que nos oferece uma vantagem importante para o último jogo, na Arena. 

 

Para a festa ficar completa ainda temos que encarar a batalha final e, não vamos esquecer, contra um time que contou histórias incríveis no futebol nos últimos anos. Portanto, por mais próximos da Copa que estejamos, ainda precisaremos entrar em campo quarta-feira que vem com a mesma raça e talento que vestimos no jogo desta noite.

 

Tenha certeza, será mais uma semana de muitas lembranças e emoções.