Preconceito com idoso começa pelo nome 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No início dos anos 80 nos Estados Unidos, pelo Stanford Research Institute, e na França, pela Rhodia, surgiram os primeiros trabalhos científicos segmentando as pessoas do mercado de consumo pelo comportamento. Surgiram tipologias denominadas de perfis psicográficos, conectando psicologia e demografia.  

 

O significado era que as pessoas não agiam apenas de acordo com a idade ou pelo poder aquisitivo que possuíam. O comportamento individual é que determinava o estilo de vida de cada uma. O significante era que o potencial de estilos de vida diferentes abria novas perspectivas na segmentação do mercado.

 

As empresas passaram a considerar o estilo de vida das pessoas para orientar serviços e produtos a serem ofertados. A idade não mais representava critério único para segmentação de mercado.

 

Entretanto, esse conceito de forma geral ficou claro apenas na relação de consumo, e até mesmo empresas cujos produtos respeitavam e respeitam esta segmentação, não seguiam e não seguem o mesmo conceito para o quadro de colaboradores.

 

Os critérios nas relações de trabalho levam em conta apenas a idade cronológica, e desconsideram a idade comportamental. Essa dissonância traz complicações evidentes para este grupo. 

 

Por isso, o preconceito com a idade ultrapassa a teoria comportamental, e coloca a idade no universo dos preconceitos com uma incomoda peculiaridade, pois a cor, a religião, a raça, a pobreza, etc. são definidas por si, enquanto a idade precisa ser relativizada com o estilo de vida para ser definida.

 

Precisa, mas não é.  

 

A começar pelo preconceito explicitado pelos próprios integrantes do grupo de idade cronológica avançada, que escondem a idade para evitar o preconceito. É o que Alexandre Kalache, em entrevista a Claudia Colucci na Folha, chama de idadismo.

 

Kalache, 74, graduado em medicina, doutor em saúde pública pela Universidade de Oxford, ex-diretor do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), é presidente da Centro Internacional da Longevidade Brasil, membro do conselho consultivo na OMS, no Fórum Econômico Mundial e na Associação Mundial de Demografia e Envelhecimento, adverte para o gerontocídio aos que na Covid-19, ao decidir pelo mais jovem no momento do recurso escasso optam pelo:

‘Deixa morrer! Já viveu muito! E daí? ’  

Certamente,  o tema dos “idosos” deverá ser mais um dentre aqueles que na onda do coronavírus terá mudanças acentuadas e aceleradas.

 

Mesmo porque não há como desconsiderar o novo mapa demográfico que se aproxima, quando o bônus se extinguirá; ao mesmo tempo em que comportamento deverá ser incluído e aposentadoria ser aposentada, junto com a palavra idoso.

 

Por que não?  

 

Michael Skapinker em artigo no Financial Times é o autor da ideia.

 

A aposentadoria precisa considerar a longevidade real junto com a relação vital para o homem com o trabalho.

 

A palavra idoso é mal definidora, pois restringe à idade um ser mais amplo. No esporte, temos:

 

SENIOR ou MASTER. 

 

Que tal?    

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung. 

 

 

Mundo Corporativo: “a pandemia acelerou o futuro”, diz César Gon, da CI&T

 

“Agora é momento de um grande darwinismo mercadológico, né, onde vai sobreviver, vai ganhar esse jogo, as empresas que forem inovadoras, mais rápidas, que lerem melhor essa mudança da sociedade e mudarem seus modelos de negócios e as suas práticas” —- César Gon, CI&T

Os escritórios da CI&T começaram sentir os efeitos da pandemia do coronavírus, na China. Medidas urgentes tiveram de ser adotadas para, em seguida, serem aplicadas na sede no Japão. E da mesma forma que a Covid-19 se espalhava, outros núcleos da empresa, na Europa e nas Américas, tiveram de mudar planos rapidamente. Especializada em trabalhar com transformação digital, modelos de gestão e liderança, a empresa não apenas implantou suas estratégias internamente como as levou para os clientes dos mais diversos portes.

 

César Gon, CEO e fundador da CI&T, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, diz que a pandemia obrigou a aceleração de processos que vinham sendo planejados para o longo prazo:

“A pandemia acelera esse futuro. Isso coloca em xeque a estrutura clássica e hierárquica das grandes empresas. Para você reagir a esse nível de mudanças, de incerteza, você precisa contar com um nível de colaboração, de cocriação que não conversa com empresas sisudas, empresas hierárquicas”

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, César Gon explica que encarar transformações foi algo que teve de fazer desde que iniciou a CI&T, em 1995. Inclusive, no seu papel como líder, função na qual, conta, era muito bom, enquanto o que funcionava era o sistema de comando e controle. Em determinado momento, porém, viu-se um líder anacrônico e percebeu que ou mudava seu comportamento ou um novo líder teria de assumir o posto:

“Essa mudança não é simples. É muito fácil saber o que não fazer, mas o que fazer no lugar? Se eu não sou o sabe tudo da sala, qual vai ser a minha contribuição”.

Uma das metodologias que usam na empresa é a Lean Digital que reúne dois universos aparentemente distintos mas que se complementam: o do uso intensivo de tecnologia, com criação e disrupção; e o do aprendizado constante, humildade do líder e disciplina.

“Acho que essa pandemia gera uma reflexão individual, qual o meu papel, qual o nosso papel como cidadãos, como indivíduos, mas também isso vai para o mundo corporativo, porque afinal de contas qual é o propósito desta empresa, precisa ser um agente positivo, um agente que vai deixar o mundo um pouco melhor em alguma perspectiva”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

A Web está na Moda e poderá surpreender as previsões do FMI

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto: Pixabay

 

O FMI prevê que o PIB dos países avançados apresente, em 2020, uma queda de 8%, e os emergentes de 3%, com exceção da China crescendo 1%. Para o Brasil a queda deverá ser histórica: 9,1%.

 

Em 2021, haverá aumento de 4,8% e 5,9% entre desenvolvidos e emergentes, enquanto o Brasil irá apresentar acréscimo de 3,6% e a China 8,2%.

 

Esse cenário reflete, de acordo com o relatório do FMI, o modo como o evento covid-19 foi tratado pelos países:

“Pela primeira vez, projeta-se que todas as regiões experimentem um desempenho negativo (do PIB) em 2020. No entanto, existem diferenças substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia das estratégias de contenção”.

Um olhar recente para a China e identificamos que lá foi realizada uma SEMANA DE MODA pela web, e os resultados superaram juntas as SEMANAS DE MODA DE PARIS, MILÃO E NOVA YORK.

 

Assim como ontem se encerrou a FEIRA de Negócios virtual MADE IN CHINA, com 3 milhões de expositores e 2,8 bilhões de produtos.

 

Enquanto isso, aqui, no mundo físico, estávamos em abril com 1.212 eventos realizados, número 30% a mais do que o previsto, e tivemos que adiar 900, dos quais 380 foram reprogramados para os próximos meses.

 

Neste contexto, é evidente a oportunidade que surgirá a partir da abertura do comércio e serviços no mundo físico para operações via web, diante da nova realidade pós-Covid-19 em função de protocolos e receios decorrentes para ações que gerem presença de público.

 

Dentro deste quadro os agentes deste setor começam a se preparar, e se movimentam para construir sistemas virtuais e híbridos.

 

É o caso do empreendedor Antonio Mesquita, da SÖKS tsr, experiente em inovação, tendo sido um dos pioneiros nas plataformas virtuais para Shopping Centers, quando teve a possibilidade de efetivar alguns Market Places. Hoje, está direcionando a SÖKS para a elaboração de Projetos de Feiras e Congressos através da web. Produto que será edificado com a Bossa Nova Productions, da Cristina Lages, especializada em comercialização de Feiras e Congressos. A tecnologia será fornecida pela INTEGRA GLOBAL BUSINESS NETWORK, através da plataforma da EXPO BUSINESS, dirigida por Aquiles Gonzalez.

 

A INTEGRA, fundada em 2007, é uma empresa com foco em criar startups inovadoras como a EXPO BUSINESS. Aquiles, um dos sócios, atesta o crescimento do setor de feiras digitais a partir da Covid.

 

Ressalta também as vantagens comparativas quando é registrado um movimento de visitação de 3 a 5 vezes maior nas feiras digitais do que nas realizadas de forma convencional.

 

Lembra também que a possibilidade de gameficação e de realidade aumentada são pontos diferenciais atraentes e modernos.

 

Para a EXPO BUSINESS os negócios aumentaram 200% com a pandemia, o que é um bom sinal para a expectativa econômica futura. E indica que os chineses são um bom exemplo a seguir neste caso de absorção ao digital.

 

A Economia, como se sabe, é em parte definida pela expectativa, e também pelas práticas que podem propiciar eficácia no uso dos recursos escassos. Aqui cabe ressaltar que a despesa para realizar um evento digital é infinitamente menor. Ao mesmo tempo a velocidade de execução é infinitamente maior.

 

Se a digitalização se disseminar para outros setores da Economia, e temos uma cultura propícia a essa ligação sinalizada pela preferência aos celulares, poderemos surpreender a recuperação econômica, na medida em que custos se reduzam e operações se acelerem.

 

Vamos torcer para que o FMI esteja errado.

 

Bem-vindos Söks, Bossa Nova e Expo Business.

 

Que venham muitos outros.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Cinco dicas para as suas vendas não ficarem escondidas atrás da máscara

 

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Foto: Pixabay

 

Sorriso, o primeiro passo para um atendimento de excelência, não mais será possível. Com os novos protocolos para o comércio físico, o uso da máscara impede a tradicional ferramenta de abertura do processo de venda, que é um natural sorriso ao recepcionar um cliente potencial.

 

Essa, dentre outras mudanças, são desafios apresentados às equipes de vendas, justamente no momento em que as características do atendimento presencial precisam se distinguir do virtual para poder encantar o cliente.

 

Com essa percepção, a SKS CX Customer & Checker Software analisou e desenvolveu algumas recomendações para adaptar o atendimento às circunstancias da Covid-19 -a partir da expertise de Avaliação de Satisfação que possui, iniciada em 1988, pela sua CEO, Stella Kochen.

 

Chamando-as de “dicas”, Stella elaborou cinco premissas, cuja primeira é a questão do sorriso pelo olhar.

“A equipe de vendas tem que aprender a sorrir com os olhos. Parece impossível ou maluquice? Longe disso. Com as máscaras – essenciais para a proteção – é necessário encontrar outras formas de expressar nossa cordialidade, solidariedade e vontade de atender com excelência o consumidor. Olhar nos olhos do cliente é a chave desse processo. E digo que esse é um comportamento que deveria se consolidar mesmo após a Covid-19”

A segunda dica da Stella é começar o atendimento com uma frase não comercial. Muito menos falando do vírus.

“O momento da compra é, muitas vezes, o momento da descontração; de dar um presente (a nós e aos outros), de ter um pequeno luxo. Com a pandemia esse momento fica truncado e comprometido. É aí que o atendente entra: trazendo um pouco de leveza e delicadeza que esse momento pede”.

A agilidade como sinônimo de segurança é a terceira premissa. Mas é preciso tomar cuidado para não ser ríspido.

“É necessário identificar a necessidade do consumidor e ‘ler’ qual é o grau de urgência que ele tem … Estoque organizado e memorizado pode ser fundamental”.

A quarta dica é a venda adicional em outros canais e, convenhamos, já é hora de assimilar que o omnichannel é uma realidade. Não há ameaça e sim conexão convergente.

“Aproveite e informe que há outros canais disponíveis para aquisição de outros itens. Muitos clientes não vão querer ficar muito tempo dentro da loja”.

A quinta dica é administrar a espera do cliente. A loja pode estar com fila de espera

“Mantenha sempre um profissional informando qual é o ‘status’ do tempo de espera; providencie água e café (com o rigor sanitário); agradeça a paciência. Esse é o momento de fidelizar esse cliente com profunda empatia”.

Essas premissas certamente contribuirão para a eficácia do atendimento. É importante ressaltar que os custos de forma geral estarão aumentando acentuadamente, gerados pelas condições protocolares de prevenção.

 

Há e haverá necessidade de metas fortes de produtividade de todos os agentes econômicos. As equipes de vendas terão que se envolver com índices de Conversão, de Peças por Atendimento, e de Tíquete Médio, como nunca.

 

É melhor aprender a sorrir com os olhos.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção são as armas para a Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No momento em que alguns especialistas em motivação e autoajuda focam a crise como se fosse algo em que alguns mais competentes estão indo bem enquanto outros estão fechando seus negócios, é conveniente não se precipitar no julgamento.

 

É preciso entender que há segmentos da economia com real problema. Por exemplo, os serviços de cuidados pessoais foram paralisados totalmente, e o renascimento independe de vontade própria.

 

Evidentemente que o varejo que vende produtos semiduráveis e duráveis e não se digitalizou está pagando o preço da miopia de marketing.

 

Entretanto, vale agora, agir racionalmente.

 

Dentro deste prisma vemos um caminho a seguir através dos elementos que compõem o Pacto Global da ONU, que propõe atuação nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção — o que equivale dizer que as corporações precisam assimilar o Homem e dar a ele a centralidade.

 

São 10 Princípios Universais:

  • Princípio 1 e 2, RESPEITAR e ASSEGURAR os Direitos Humanos
  • Princípio 3, APOIAR a Liberdade de Associação e o Direito a Negociação Coletiva
  • Princípio 4 e 5, ELIMINAR e ERRADICAR todas as formas de Trabalho Forçado e Infantil
  • Princípio 6, ESTIMULAR práticas que eliminem discriminação no emprego
  • Princípio 7, 8 e 9, ASSUMIR, DESENVOLVER e INCENTIVAR práticas proativas para os desafios ambientais
  • Princípio 10, COMBATER a Corrupção em todas as suas formas

São Princípios criados em 2.000 por Kofi Annan e hoje presentes em 160 países, incluindo o Brasil, mas, como se constata, a sua aplicação ainda é restrita a uma pequena parcela de empresas. O que se destaca é que essas corporações têm colhido os frutos da observância do Pacto Global. Não pela preferência dos consumidores, pois ainda não há conscientização universal suficiente, mas pela efetividade dos resultados operacionais. Afinal, a aplicação dos Princípios gera a sustentabilidade ampla, além da flora, da fauna e de todos os recursos naturais, centraliza o ser humano onde sempre deveria estar.

 

O cenário agora vivenciado pela ação do corona vírus está acelerando mudanças que viriam em ritmo mais lento, como a digitalização, hoje obrigatória para o varejo.

 

No âmbito das relações humanas e ambientais a aplicação do Pacto Global é indubitavelmente uma oportunidade para o significado das empresas e suas marcas. O ritmo lento imprimido até então para a inclusão das corporações na ação sustentável deverá se modificar, ganhando impulso. Embora poucos, já temos bons exemplos, além dos primeiros ícones como Natura, e dentro de setor dos mais problemáticos, que é o segmento do vestuário.

 

A Malwee através de seu CEO Guilherme Weege informa que a sua empresa está entre as 20 melhores do mundo em Sustentabilidade, possuindo até linha de montagem em presídios. A Marisol, segundo Fernando Lucena, Diretor, mudou o tratamento “consumidor” para “usuário” tendo em vista a economia circular.

O tema tende a se alastrar positivamente. Por isso estaremos em LIVE a convite da bióloga Angela Garcia da Manancial Sustentabilidade, hoje às 21 hs no @angelapegarcia

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A “linha certa” para o setor do vestuário pós-Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Imagem Pixabay

Ao lado de inúmeras projeções e sugestões para enfrentar os desafios pós-Covid-19, destacamos a preocupação em criar empregos.

 

A empregabilidade nacional que já vinha com taxas desconcertantes teve acentuada queda; e a priorização na criação de empregos é absolutamente essencial para a volta à normalidade econômica e social do país.

 

Nesse contexto, há uma combinação de fatores que levam necessariamente ao setor de vestuário como um dos segmentos mais estratégicos para o processo de melhoria da taxa de emprego.

 

Primeiramente, é obrigatório registrar que a indústria do vestuário é intensiva de mão de obra. Depois da indústria da construção civil é a que mais absorve trabalhadores. E, mais importante, é a primeira no capital investido para cada posto de trabalho. Ou seja, o capital empregado para criar um emprego no vestuário é o menor entre todos os outros.

 

A indústria brasileira de confecção de roupas perdeu competitividade para a Ásia. Sofremos eliminações em todos os parques industriais de produção de roupas. Das costureiras externas individuais, das costureiras externas de grupos, dos grandes confeccionistas até as grandes corporações industriais.

 

O cenário negativo para a indústria nacional ainda se acentuou pela moda ter enveredado para o fast fashion, tão propício ao produto descartável — com prejuízo da qualidade de mão de obra e com o estrago feito no meio ambiente, pelas características da execução e do uso.

 

Entretanto, no cenário de hoje, o fast fashion perdeu o protagonismo, assim como a Ásia começou a gerar incerteza para o negócio da moda brasileira, pela convulsão política, sanitária e econômica — afinal, o dólar com instabilidade de picos de até 50% é inadministrável.

 

Coincidentemente, a Manancial Sustentabilidade Ambiental, que tinha nos procurado em dezembro para apresentar trabalhos na área de habilitação de empresas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social da ONU, através da CEO, bióloga Angela Garcia, veio agora demonstrar um Projeto denominado de “Projeto Linha Certa”.

 

O “Linha Certa” objetiva criar soluções de mão de obra feminina para a indústria de confecção nos presídios femininos, cumprindo vários dos Princípios e Objetivos da ONU.

 

A meta da Manancial é entregar para as confecções uma alternativa para exercer uma relação de ganha-ganha com todos os envolvidos no processo.

 

Resolverá a produção das peças, dará uma profissão e uma remuneração para as presidiárias, além da redução das penas.

 

No rol das especulações sobre as resultantes do vírus, há uma tendência a esperar o aumento da humanização nas relações sociais, e talvez uma empatia mais presente.

 

Esse é um Projeto que acolhe perfeitamente esta melhora nas relações humanas.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A necessidade de se analisar a Covid-19 através de número relativos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Quarta-feira, 20 de maio de 2020  —  as mídias tradicionais e sociais informaram que o Brasil atingiu mais de 1.000 mortes em 24 horas pela primeira vez, perfazendo um total de 18.859 óbitos, dos quais  5.147 em São Paulo, o epicentro da Covid-19

 

Esses números absolutos não expressam a relatividade necessária para situar a posição do Brasil no Mundo; e a de São Paulo na correlação com os demais estados brasileiros.

 

Minimamente a correlação serve para posicionar no contexto geral o que se está analisando, e também para a tomada de decisões.

 

Pelo Google, encontramos a fonte da Wikipédia que contém a tabela com os dados a que nos referimos, onde no contexto mundial podemos observar que o número absoluto de “casos confirmados” nos dá apenas o ranking de países sem a comparação entre eles de forma qualitativa.

 

A correlação dos “casos confirmados” com os “casos confirmados a cada 1 milhão de pessoas” faz sentido muito maior ao introduzir a correlação com a população. Verifica-se que no ranking dos números absolutos o Brasil é o terceiro, enquanto na correlação com um milhão de pessoas a posição é bem diferente.

 

Fonte Wikipedia (20/05)

 

No universo Brasil, vemos que o Estado de São Paulo tem o maior número de “confirmados”, mas quando olhamos para os “confirmados” correlacionados com a população, a posição fica bem distante do primeiro lugar, ocupado pelo Amapá.

 

Observamos também que as “mortes”, como não estão correlacionadas com a população, perdem o efeito comparativo e qualificativo.

 


Fonte Wikipedia (20/05)

 

Hoje (21/05), coincidentemente no Portal G1 da GLOBO foi publicada uma reportagem em que este índice de mortalidade foi correlacionado com 100 mil habitantes, comparação que tirou São Paulo do grupo de 20 cidades mais afetadas. Bem diferente da posição no ranking de números absolutos. 

Esperamos que a informação do G1 expondo correlações seja um cuidado a ser continuado, pois como vimos há muitas interações que podem mudar o entendimento. 

 

Por exemplo, a Europa está de olho na Suécia, que optou por deixar a cargo da responsabilidade da população o controle da Covid-19, e estão acompanhando utilizando vários fatores como expostos no gráfico abaixo, reproduzido do jornal Folha de São Paulo, edição de 20/05:

 

 

Podemos notar que todos os itens apresentados, e que podem ajudar na análise estão expressos em porcentagens e taxas.

 

Bem, o resultado final para a Suécia virá apenas depois que a Covid-19 for controlada. Por ora, a Itália chama a atenção pela gastronomia. São os menos obesos e há concentração de idosos.

 

Gostaríamos que até a saída do vírus os economistas e demógrafos entrassem em campo para ajudar os editores. 

 

Enquanto isso, de acordo com o UOL, poderemos ter novidades vindas do Rio Grande do Sul, através da cientista política Leany Lemos, Secretária de Planejamento, que tem feito análises de cenários para a Covid-19 focando diferentes regiões gaúchas.  Conhecimento, experiência, dados e planejamento: ela acredita que poderá em breve apresentar resultados.

 

Até lá, para manter-se atualizado sobre a Covid-19 vale acessar o site Our World in Data:

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Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

É hora do setor imobiliário apresentar o seu Propósito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Parque da Luz em foto de Renata Carvalho

 

De acordo com alguns professores da FAU-USP, a cidade de São Paulo está prestes a mais uma vez ser vítima dos interesses do setor imobiliário, em função de propostas apresentadas na Câmara Municipal.

 

Através do site LabCidade da FAU-USP, as professoras Raquel Rolnik, Paula Freire e o aluno Pedro Mendonça analisaram o PL 225/2020 do vereador Eduardo Tuma-PSDB, e o PL 217/2020 do vereador Police Neto-PSD, que propuseram “Ações Emergenciais” e “Plano Emergencial de Ativação Econômica” no intuito de enfrentar as consequências do Covid-19.

 

O texto do LabCidade sinaliza que tanto o Plano Diretor Estratégico de 2014 quanto a Lei de Zoneamento de 2016 poderão sofrer alterações, nos mesmos moldes do pretendido em 2018, além de uma tentativa de redução de 50% de desconto na Outorga Onerosa. Arquitetos e moradores impediram naquela ocasião o que seria uma verdadeira “Black Friday” para o mercado imobiliário. E um desastre pois o Plano e o Zoneamento são o mínimo a ser cumprido, pois não são um modelo exemplar de preservação de qualidade de vida.

 

A matéria ressalta a oportunidade perdida do momento de Convid-19, propício para se apresentar medidas que facilitem o acesso da população à moradia, e não se amplie a concentração construtiva nem as áreas das habitações, favorecendo classes menos abastadas.

 

Como agravante, uma das origens dos recursos para o atendimento das emergências decorrentes do vírus, tem vindo do Fundurb-Fundo de Desenvolvimento Urbano, que recebe os rendimentos da Outorga Onerosa do Direito de Construir, onde se propõe agora a redução de 50% e a suspensão do pagamento antecipado.

 

Há também na matéria, minuciosa especificação de alterações inseridas nas propostas para beneficiar o setor construtivo.

O vereador Police Neto reagiu e nominou a crítica da FAU como meia verdade, citando entre outras a questão do Fundurb, em que os recursos absorvidos pelo Convid-19 não serão reduzidos como relatado, tendo em vista que a utilização se deu do volume já arrecadado. Ao mesmo tempo argumentou que os benefícios pleiteados como isenções, reduções e postergações sobre os impostos tem como objetivo acelerar a retomada da indústria da construção civil, que afinal de contas é a maior empregadora de mão de obra.Neto discute também a questão das mudanças no Plano Diretor e no Zoneamento, que segundo ele se trata de ações provisórias e não leva em conta a dinâmica inexorável da cidade.

Enfim, este conflito de posições a respeito da urbanização de São Paulo, é um excelente pretexto para introduzirmos um importante aspecto do mundo corporativo, que é a busca do Propósito dos negócios, das marcas e dos setores de atividade.

 

Nos tempos atuais, e já há tempos, o Propósito tem sido tema dos mais evidenciados e enunciados. Neste contexto o consumidor é colocado na centralidade de tudo, para que se defina a razão de ser de atividades, empresas, marcas, produtos e serviços.

 

No foco das previsões do futuro pós Covid-19 há convergência no aspecto de que as mudanças que ocorreriam em anos estarão acontecendo dentro em pouco.

 

Neste sentido parece que é hora de definir o Propósito da indústria de construção civil. Afinal de contas, diferentemente de outros setores da economia, não se tem conhecimento que o setor esteja tão preocupado com os preceitos de centralidade no consumidor, incluindo aí a sustentabilidade, visto em boa parte das empresas modernas.

 

Aproveitamos então para sugerir que a centralidade esteja no consumidor e na cidade que habitam.

 

E plagiando os vereadores: que façamos “Ações Emergenciais” através de um “Plano Emergencial de Ativação Econômica Sustentável”

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O princípio do fim: no Morumbi é permitido degradar

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Terreno na Avenida Morumbi próximo a rua Leonor Quadros (foto de CMG)

 

Em 2016, na reunião a respeito do zoneamento da cidade, atendendo o Plano Diretor, a Prefeitura em cumprimento da lei reuniu os moradores e proprietários de imóveis da região do Morumbi, em São Paulo, para decidir os parâmetros para o zoneamento da área.

 

Com marcante atuação,  especificamente de proprietários de grandes áreas situadas na Avenida Morumbi, e por meio de agressivas sustentações, tiveram satisfeitas suas proposições. O objetivo deles era ter seus interesses comerciais atendidos, bem distantes dos desejos de moradores, cuja meta era a preservação do meio ambiente.

 

A alegação básica dos proprietários apontava para o fato de que ninguém mais queria morar na Av. Morumbi, e eles não tinham como comercializar os terrenos dos quais eram os donos.

 

Cabe lembrar que nesta avenida está situada a maior mansão do município. Nela também moram personalidades ilustres da cidade, a começar pelo Governador do Estado, assim como banqueiros e empresários renomados.  E não se tem notícia de que eles estejam mudando de endereço.

Historicamente, a Av. Morumbi abriga a Casa da Fazenda, um símbolo da cidade que remete a origem da plantação de chá, no século XIX; a Capela do Morumbi, que fazia parte da fazenda que deu origem ao nome do bairro; a Fundação Oscar Americano com museu e rico acervo de arte, além do local da residência projetada por Oscar Niemayer e Burle Marx para Francisco Matarazzo Pignatari. Baby Pignatari, como ficou conhecido aqui no Brasil, nasceu em Nápoles, na Itália, foi influente industrial de cobre, prata e aviões Paulistinha, que morou com a princesa Ira Von Fürstenberg, após raptá-la, protagonizando um pitoresco caso do jet set internacional.

Os proprietários dos grandes terrenos da Avenida Morumbi também alegaram tráfego intenso de veículos e excesso de linhas de ônibus que deixam a área em comunicação com toda a cidade. Fatores que, somados ao meio ambiente preservado, tornam a avenida uma mina de ouro para os primeiros empreendimentos imobiliários que ali se instalassem.

 

A sequência do processo que atendeu aos proprietários dos grandes terrenos fez com que a Av. Morumbi passasse a ser categorizada no zoneamento como ZCOR Corredor Comercial  —  chegando a ZCOR3 em vários trechos. Os moradores que vieram para a Avenida Morumbi em busca das características originais de urbanização passaram a correr o risco da descaracterização ambiental. Avenida degradada e probabilidade de contaminação das áreas próximas.

 

Foi o que começou a acontecer a partir de 2018. Iniciaram-se as derrubadas da flora — até com aspectos surpreendentes. No dia da posse do Governador João Doria, por exemplo, um terreno, a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes, recebeu multa por tráfego de toras de parte das 100 árvores cortadas e depositadas em cima da calçada. Veja bem, multa da CET e não da Secretaria do Meio Ambiente. Atente também que nenhum dos convidados percebeu o desmatamento, apenas o fiscal de trânsito.

 

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Árvores que foram cortadas para “limpar” terreno na avenida (foto de CGM)

 

A propósito, este terreno devastado completamente pela derrubada de todas as árvores  até hoje está absolutamente vazio e sem indício de operação. As placas de “autorização” para o “desmatamento” foram retiradas e o solo, agora sem sustentação, ameaça a casa vizinha.

 

Hoje, já podemos concretamente, sem trocadilho, vislumbrar na ZC  Zona de Centralidade definida pelo novo Zoneamento, situada na esquina da Morumbi com a avenida Comendador Adibo Ares, um robusto canteiro de obras preparando para a elevação de torres de moradias de alto padrão. Em sentido amplo. Preço e altura, o que contradiz e ao mesmo tempo reafirma a alegação de que ninguém quer morar na Av. Morumbi por causa do trânsito.

 

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Obra na Avenida Morumbi com a avenida Adibo Ares (foto de CMG)

 

Neste momento, ao longo da Av. Morumbi, outros terrenos de porte em trechos absolutamente residenciais, estão também sendo preparados para grandes construções, cuja operação se inicia com o corte de todas as árvores. É uma estranha equação, pois esses empreendimentos irão oferecer as vantagens existentes de infraestrutura e do meio ambiente da Av. Morumbi, mas começam por destruir o meio ambiente.

 

Até quando vamos atender aos interesses de empresários do mercado imobiliário?
Até as próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Velocidade é a alma do negócio

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto Pixabay

 

Todos sabemos que a velocidade é essencial para competir, e o Corona vírus que nos ataca agora acionou a corrida para a sobrevivência, da vida e dos negócios.

 

Vamos aos negócios.

 

Magalu, o maior Shopping Center virtual do Brasil, diante do desafio do Sars-Cov-2, decidiu propiciar aos micros, pequenos varejistas e autônomos, que pudessem vender via e-commerce para evitar consequências desastrosas da paralisação obrigatória.

 

Em cinco dias, fez o que estava planejado para cinco meses, e ofereceu ao mercado varejista físico, composto de 5 milhões de empresas, as quais apenas 1% tem venda digital, a alternativa da venda virtual.

 

Para tanto, o risco da instabilidade do sistema foi considerado, porém a expertise da companhia e a oportunidade de disponibilizar para os Microempreendedores Individuais MEI com faturamento de até R$ 81 mil, e no Simples, com faturamento até R$ 5 milhões, e para pessoas físicas, foi fundamental para acelerar o processo.

 

Ao parceiro pessoa jurídica, o Magalu oferece vender seu estoque para os 20 milhões de clientes existentes no e-commerce e nas mais de 1000 lojas físicas da empresa.

 

As pessoas físicas poderão vender através do Facebook, Instagram, WhatsApp e de lojas virtuais próprias criadas pelo sistema para os 20 milhões de clientes, ofertando 7 milhões de produtos de 15 mil vendedores do Market Place Magalu. Além de poder vender porta a porta assim que findar as restrições de locomoção.

 

De outro lado, o mundo dos call centers ficou congestionado pelas empresas em busca da ampliação de seus canais de atendimento. A Sercom, por exemplo, fundada em 1993, com 6.400 funcionários, 12 milhões de interações mensais, passou a receber diariamente de 12 a 15 propostas de novos clientes. Essa era a média padrão mensal. Estes novos clientes são empresas que em função da quarentena precisam responder ao atendimento de seus consumidores de forma remota.

 

Para atender a nova demanda dentro das atuais circunstancias, a Sercom teve que ajustar seu quadro de colaboradores ao trabalho externo gradativamente em suas residências, além de acentuar o sistema de “Smart Chat”. Esta ferramenta permite a comunicação via SMS, WhatsApp e Telefone, além de possibilitar o “Chatbot” que é a utilização de robôs com alternativa de atendimento humano quando houver necessidade. É um método que amplia por quatro a atuação de atendimento de cada operador, e possibilita a intervenção da supervisão para direcionar a melhor forma de resposta.

 

Ao mesmo tempo, o Grupo Sercom desenvolveu recentemente uma plataforma para Plano de Saúde Sênior de atendimento remoto para gerontologia via WhatsApp, com objetivo de dar velocidade às solicitações dos beneficiários, e evitar congestionamentos, em momento no qual a eficácia é fundamental. Ferramenta essencial para enfrentar a demanda atual.

 

No setor de tecnologia digital, a Hi Platform, plataforma de relacionamento com o consumidor, nos primeiros cinco dias de recolhimento teve mais de 500 pedidos de chat para atendimento remoto. As empresas buscam habilitar seus agentes de atendimento para o trabalho home office.

 

A tecnologia do Chat possibilita aos operadores atenderem de casa pelo servidor da empresa, inclusive com a transferência entre eles e os departamentos. E pela integração ao WhatsApp permite que o número do APP seja divulgado, evitando o telefone.

 

Para atender ao necessário aumento de disponibilização dos canais de atendimento em virtude da crescente demanda a Hi Platform sugere que sejam usados chats bots plugados nos canais digitais para dúvidas frequentes e para automatizar processos. E estão disponíveis.

 

Toda essa movimentação para buscar corresponder a nova demanda deverá causar inovações e melhorias, que deverão permanecer, e certamente quando o vírus sair de cena deveremos estar preparados para um crescimento qualificado e veloz.

 

É uma aposta e tanto.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.