O Comércio não pode parar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Estamos diante de um fenômeno global latente. De um lado, alguns líderes políticos mundiais estão se distanciando da ciência, ao desconsiderar o efeito das mudanças climáticas, e mais recentemente ao negar o risco do coronavírus. Ao mesmo tempo há uma polarização política e econômica nos movimentos sociais extremos de direita e de esquerda.

 

Entretanto, descasos do conhecimento científico não impediram que severas medidas de prevenção estejam em vigor no mundo inteiro para enfrentar o SARS-CoV-2.

 

O cenário brasileiro não é diferente e o varejo, um dos mais importantes segmentos da nossa Economia, está cumprindo quarentena compulsória de 15 dias. Método indicado para a saúde e temerário para a economia, se houver necessidade de prolongamento e não ocorrer assistência governamental com recursos financeiros.

 

Por isso, o IDV — Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, que reúne as 70 maiores empresas do setor, empregando 750 mil pessoas em 30 mil estabelecimentos e 200 centros de distribuição, com faturamento de R$ 345 bi, após videoconferência realizada ontem, sugeriu:

— O governo irrigue fortemente a economia, e atenda estados e municípios para permitir a prorrogação de impostos e taxas por 120 dias;

 

— As empresas concedam férias individuais e coletivas, licença remunerada, utilização de banco de horas, redução de salários e outras medidas;

 

— As autoridades liderem, unidas as ações para a saúde e a economia para evitar uma profunda recessão

 

— O Governo retome imediatamente as atividades assim que haja possibilidade no aspecto da saúde da população

Cabe ressaltar que dentro desse segmento identificamos que os supermercados não estão preparados para atender demandas de entregas a domicílio e delivery de pedidos via e-commerce. Nas cidades onde estão os centros de difusão do vírus, como São Paulo, devido a concentração populacional, há prazos de duas semanas, ou até interrupções de entregas.

 

É incompreensível que a exaustiva “omnicanalidade” não comparece na hora da verdade. No que tange a perda de oportunidade, o papel mais constrangedor cabe aos Shopping Centers. No momento em que são obrigados a fechar as portas físicas não dispõem das portas virtuais.

 

A ABRASCE, entidade que os representa, se tivesse os Market Places de cada empreendedor, poderia estar em campanha certa, no momento certo para divulgar a alternativa certa. Mas, estava estudando uma forma de não se comprometer com os inquilinos e até agora não concluiu o acordo inicialmente acertado com a ALSHOP, que representa os lojistas de Shopping.

 

O desafio para o varejo de Shopping de como atuar com as portas fechadas, agora ficou fácil de enxergar. O primeiro passo é se preparar para o delivery e para o e-commerce e as redes sociais. A partir de aí testar outros modelos de como chegar ao consumidor, inclusive considerando que virão outros comportamentos de compra.

 

É hora de priorizar as 24hs de atendimento. O comércio não pode parar.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Os consumidores são os novos vendedores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Moda feminina foi um dos destaques na pesquisa Foto: PIXABAY

 

Oportunamente, tendo em vista o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, comemorado no domingo, a Hi Platform, empresa especializada no mercado de e-commerce, fez uma pesquisa de satisfação com os consumidores nos 69 segmentos em que atuam os 760 e-commerces que atende.

 

Com o nome de “Estudo de Satisfação do E-consumidor 2019”, o levantamento considerou o período de janeiro a dezembro, e  usou a metodologia do NPS Net Promoter Score.

 

O NPS mede a satisfação do cliente a partir da pergunta “ de uma escala de 0 a 10 quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a outra pessoa? ”.

De 0 a 6 ficam os Detratores.

 

De 7 a 8 os Neutros

 

De 9 a 10 os Promotores.

O escore é estabelecido diante do cálculo do percentual de Promotores (P) e Detratores (D) da marca que é aplicado na fórmula P – D/Número de respondentes.

As empresas são classificadas em escalas, de maneira que na escala entre -100 a 0 fica a zona Crítica, entre 1 e 50 a zona de Aperfeiçoamento, entre 51 e 75 a zona de Qualidade, e entre 76 e 100 a zona de excelência.

O destaque positivo ficou com o setor de Moda Feminina, seguido por Calçados e Cosméticos, enquanto que Viagens, Seguros, Moda Masculina e Artigos para festa estão na zona de Aperfeiçoamento.

 

Foram também computados pelo levantamento os reviews, ou seja, as avaliações efetivadas pelos consumidores para produtos adquiridos, atendimento, entrega e processo de compra desde a escolha do produto até a efetivação da compra.

 

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Cosméticos também aparecem com boa performance Foto: PIXABAY

 

Para quem há 20 anos ouviu muito a contragosto que jamais se compraria Moda pela internet, é no mínimo satisfatório identificar que a Moda está na zona de Excelência em termos de satisfação do consumidor de e-commerce. Ao mesmo tempo é importante ao pessoal da Moda masculina observar a diferença entre as notas obtidas com a Moda feminina, porque em princípio as roupas masculinas têm menos variáveis.

 

Foram 2,7 milhões de avaliações. Cosméticos, Calçados e Moda feminina ficaram com o destaque.

 

Outro item mensurado foi relativo a elogios e críticas, quando surpreendentemente houve predominância quase absoluta de elogios.

 

A pesquisa incluiu a medição das interações com perguntas e respostas entre consumidores e marcas, somando 820 mil comunicações, onde Cosméticos, Móveis e Colchões, e Moda Feminina lideraram.

 

Para Fernando Shine especialista em experiência do consumidor em e-commerce da HiPlatform e responsável pelo levantamento ressaltou que:

“Os consumidores são os novos vendedores. E a troca de informações não só soluciona dúvidas para um ou para outro, como cria feedbacks que, na maioria das vezes, esclarece dúvidas de outros consumidores. Isso gera credibilidade e cumplicidade dentro do ambiente digital”

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A Moda perde espaço

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em pé: Vera Fiori, Deise Sabbag, Maria Aparecida Saad, Eleny Kronka, Regina Di Marco e Cristine Yufon.
Sentado: Grazia Lodi, Margarete Abussamra, Meg Guida e Maria Helena Pena.

 

 

 

Há dias, visualizando a foto acima, em “Modos e Modas”,  do blog da jornalista Deise Sabbag, foi convidativo fazer uma reflexão a respeito do momento atual da Moda.

 

Para começar, tenho dúvida, se hoje teríamos esse contingente de fashionistas de mídia — mesmo porque não temos mais a quantidade de veículos especializados em moda aí representados — e  tal  qualidade de jornalistas e veículos de Moda. Em tempo: naquela época poderíamos ter mais um ou dois grupos como o retratado.

 

A busca da explicação pelo fato, menos por saudosismo e mais por preciosismo técnico, vale a pena, pois a perda de espaço da Moda tem trazido prejuízos econômicos, sociais e culturais.

A Moda evoluiu intensamente  na segunda metade do século passado, em termos de acompanhamento dos novos comportamentos dos consumidores, dos formatos de distribuição, na formação de profissionais de nível médio e superior, ficando aquém apenas na confecção, onde sempre encontrou regiões com mão de obra abaixo da linha de pobreza.

Entretanto, a transformação dos meios de comunicação e a disrupção nos veículos tradicionais, em conjunto com a proliferação de propostas distanciadas da qualidade mínima, convergindo com discursos do próprio meio da Moda louvando o “laissez faire”, desorganizou todo o sistema.
Se, na época da foto da Deise, alguém listasse as 10 principais fashionistas, não iria aparecer ninguém que não fosse expert em Moda. Faça isso hoje, no Google, buscando brasileiras —- vai aparecer pouca gente que, efetivamente, seja fashionista.

 

É bem verdade que na esfera internacional aparecerão assumidades como Chiara Ferragni, Anna Wintour, Anna Dello Russo, Kristina Bazan, Aime Song, Giovanna Battaglia e Christine Centenera. Porém, todas com o respaldo de revistas de moda de expressão, entre as quais a Vogue predomina.

Tecnicamente, a Moda é uma forma de comunicação e, como tal, possui uma linguagem, que serve para quem usa e para quem produz. E precisa ser apreendida. Afinal, seres com inteligência precisam usá-la para evoluir sempre, e o caminho é a aprendizagem. Isto vale para a música, para a gastronomia, para a arte, etc.

Na medida em que se propaga que nada disso importa e que a roupa é um mero apetrecho para não ficar nu, aí viramos todos neandertais. E passamos a agir como primatas da moda e do mundo. O que é confirmado pelos dados atuais.
Sob o aspecto econômico e sustentável, o vestuário polui mais que os aviões e os navios. O setor produz a enormidade de 2,4 trilhões de dólares, que corresponde a 3% do PIB mundial, que de acordo com o FMI, para 2020, será de 80 trilhões de dólares. E este PIB da Moda é maior que os PIBs do Brasil, Itália, Rússia, Canadá, Coreia, Espanha, México e Indonésia.

Desse imenso montante, 33% das roupas são usadas por apenas um ano, e a média mundial é usar cada peça sete vezes, onde 500 bilhões de dólares vão para o lixo.

Na questão do comportamento em que a chance de expressar a personalidade e o estilo através da roupa deveria ser bem aproveitada, estão acionando o modo errado, que é copiar ao invés de criar. Tanto de estilistas quanto de consumidores. Porque antes é preciso estudar Moda. Para pelo menos copiar certo. E divulgar.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Marcas que fazem a coisa certa

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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USPS foi a marca mais confiável nos EUA foto: Pixabay

 

Ao ouvir o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN, quando apresentaram o resultado da pesquisa de satisfação das marcas no mercado americano da “Morning Consult”, automaticamente associei  a conceitos elaborados em “Posicionamento – a batalha pela sua mente”, de Al Ries e Jack Trout, desenvolvidos na década de 1980, que revolucionaram o conhecimento de Marketing.

 

Antes vamos a explicação de Cecília Russo sobre a pesquisa e a seguir a reprodução das 25 primeiras marcas:

“Quanto você acredita que esta marca faz a coisa certa? ” —- foi a pergunta que a Morning Consult fez aos consumidores para descobrir quais as mais confiáveis, nos Estados Unidos. Os pesquisados podiam responder “muito”, “pouco”, “não muito”, “não faz nada” e “não sei”. Para saber a opinião sobre cerca de 2 mil marcas, a consultoria ouviu em média 16.700 pessoas por marca, resultando no maior estudo do gênero já realizado.

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Na teoria de Ries e Trout:

– É melhor ser o primeiro no mercado, do que ser o melhor. É uma batalha de percepção, e de ocupar espaço original na mente do consumidor.

 

– Os líderes de categorias dificilmente perdem a posição, e isto pode ser constatado na comparação das marcas com 50 anos de mercado.

 

– É uma luta entre categorias mais do que de marcas.

Analisando a pesquisa, Troiano e Cecília chamam a atenção pela tradição do serviço postal, que naturalmente ocupa a primeira posição, correspondendo ao pioneirismo e ao currículo da marca, envolvido na história da nação americana. Evidenciam também o fato das contemporâneas marcas virtuais encabeçarem a seguir as primeiras posições. O que reafirma os princípios do pioneirismo e suas vantagens, de acordo com Ries e Trout.

 

Nesse aspecto, quem, há vinte anos, vivenciou as pioneiras atividades das empresas virtuais testemunhou a incredulidade da maioria dos agentes do mercado a respeito de sua continuidade.

 

Será importante que a descrença com o novo daquela época sirva de lição às gerações futuras, para poderem discernir e aproveitar novas categorias de negócios que certamente virão.

 

A durabilidade das marcas fica clara se atentarmos na tabela das 25 onde predominam ícones do mercado americano com 50 anos ou mais.

 

Nas marcas criadas por categorias específicas, podemos destacar, por exemplo, a Crest, “combate a cárie”; FedEx, “entrega de pacotes em 24hs”; Netflix, “streaming de preço acessível”.

 

Enfim, vale o recado de Jaime e Cecília, que é fundamental para a marca entregar o que se promete, para obter a confiança, moeda valiosa de troca.

 

Vale também ouvi-los.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Shoppings brasileiros têm números expressivos em 2019 e apresentam suas credenciais para 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um setor da economia que recebe mensalmente 2,4 vezes a população do país – 502 milhões de visitantes/mês – inegavelmente é um agente econômico importante. Pois bem, estamos falando dos Shopping Centers, que através da ABRASCE, entidade que os representa, relata os dados econômicos positivos de 2019, e expressa otimismo em relação a 2020.

 

Com o crescimento de 7,9% das vendas, perfazendo R$ 192 bilhões, demonstra força, refletida de forma fragmentada em outros índices:

 

— os 502 milhões de visitantes correspondem ao crescimento de 2,5%;

 

— aumento de 2,4% no número de Shopping Centers,

 

— aumento de 2,7% na ABL,

 

— aumento de 2,5% nas salas de cinema,

 

— aumento de 1,6% na criação de empregos,

 

— aumento de 0,6% no número de lojas.

 

Os números totais também são expressivos:

 

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A esta evolução, as datas marcantes apresentaram índices de aumento acima da curva, ou seja, Black Friday, 19,7%, dia das crianças 9,9% e dia das mães 9,7%.

 

O papel de ponto de entretenimento, convergência e conveniência desempenhado pelos Shopping Centers tem nos cinemas a expressão evidente desta configuração, pois abriga 77% de todas as salas do país.

 

Não é por acaso que os executivos de grandes empreendimentos do setor, se expressaram de forma seguramente positiva, no relatório da ABRASCE. Além dos dados favoráveis registrados, todos têm apostas fortes em ações inovadoras.

 

Marcos Carvalho, da Ancar Ivanhoe, está apostando na gamificação, nos aplicativos, no delivery e na realidade aumentada, para manter conectada a sua cadeia de Shopping Centers com novas demandas que já despontam. Aproveitando o fator localização privilegiada instalará em mais de 12 unidades, pontos físicos para a retirada de pedidos do e-commerce dos seus clientes, os lojistas. Para isto “iFood” e Delivery Center estarão atendendo todas as demandas.

 

Leandro Lopes, da Aliansce Sonae, ressalta a instalação de fazendas urbanas Be Green nos empreendimentos do Grupo, para a produção de hortaliças frescas sem uso de agrotóxicos. Água e tecnologia 4G para o controle da operação são suficientes. A presença do mundo virtual foi evidenciada pela parceria com o “IFood”, que continuará incrementando os serviços de entrega dos lojistas partindo dos hubs criados. Para acompanhar as tendências que virão no varejo foi feita a união com a Fábrica de Startups.

 

Vander Giordano, da Multiplan, acredita que a SUSTENTABILIDADE será o conceito que ditará as regras de consumo daqui para a frente. Por isso, no ano passado foram instaladas usinas fotovoltaicas gerando 100% da energia para o Shopping Village Mall. Reduzindo a conta de energia e a emissão de poluentes — equivalentes ao plantio de 16.720 árvores/ano ou, em 25 anos, a emissão de 227 mil toneladas de gás carbônico. Ao mesmo tempo, os investimentos na Delivery Center, operação que conecta o físico com o virtual, terá a função de facilitar a “omnicanalidade” dos lojistas.

 

É promissor observar que este gigantesco negócio dos Shopping Centers, que deixou passar ao largo o e-commerce dos Market Places, figurando só agora como coadjuvante, está vislumbrando a SUSTENTABILIDADE como uma oportunidade.

 

E é uma oportunidade única, porque envolve a tarefa de preservar, além de ganhar.

 

O Planeta agradecerá!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Soluções de sustentabilidade que devem servir de inspiração ao varejo no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Compra online tem sido opção sustentável para o consumidor (Foto: Pixabay)

 

A sustentabilidade, convenhamos, ainda não é um tema majoritário em termos de mercado. Embora nas áreas política e econômica seja tema obrigatório, a ponto da reunião do Fórum Econômico de Davos ter sido centrada na discussão sobre o meio ambiente. Por isso, para as corporações que atuam em contato com o mercado e são inovadoras, é conveniente prestar atenção em seus desdobramentos.

 

Foi o que se identificou na NRF 2020, em Nova York, que como se sabe é um significativo evento do varejo. Várias marcas de diversos segmentos testemunharam o sucesso de sistemas de comercialização, que objetivando melhorias e acessibilidade aos consumidores tem trazido resultados excepcionais — para os clientes, para a empresa e para o meio ambiente.

 

Em recentes abordagens, tivemos a oportunidade de relatar o papel da sustentabilidade em geral e particularmente no evento de Nova York. Vamos agora especificar alguns casos que podem servir de inspiração para o mercado brasileiro.

 

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thredUP é a maior vendedora online de produtos usados do mundo (Foto: @emilywonderee)

 

Exemplo, a “thredUP” ilustra a aceitação do modelo dos antigos brechós, mas é absolutamente contemporânea, pois atende aos requisitos da sustentabilidade dentro do mercado do vestuário, onde 33% dos produtos novos são descartados no primeiro ano de uso. Um mercado de 2,4 trilhões de dólares, que ocupa 70 milhões de pessoas, e leva ao lixo 500 bilhões de dólares.

 

A “thredUP” é o maior vendedor online de produtos usados do mundo, inserindo 15 mil novos artigos de moda feminina e infantil diariamente. Os descontos podem chegar a 90% sobre o preço original. E estamos falando de marcas como Armani, Chanel, Gap, The Limited, Guess, Calvin Klein, Ann Taylor, Marc Jacobs, Banana Republic, etc.

A “Rent the Runway” começou com aluguel de vestidos de festa e hoje atende as seguintes ocasiões: casamento, noivado, gala, dia dos namorados, noite, trabalho, fim de semana, e férias. Com toda a linha de produtos de moda, inclusive uma específica de produtos sustentáveis, utiliza 400 estilistas para a criação. Tem três sistemas de pagamento: por US$ 30, loca uma peça; por US$ 69, quatro peças com troca mensal; e US$ 80, quatro peças com troca a qualquer momento, sem custo de frete. Possui 100 mil clientes. Recentemente, de acordo com a informação de Jennifer Hyman, CEO, foi fechado acordo com o W Hotel para que o hóspede ao fazer reserva possa utilizar a locação de roupas, que estarão no closet quando chegar, por US$69 o look com quatro peças.

A parceria entre diferentes operações foi evidenciada no evento, como uma ação de sucesso. A “Kohl’s”, loja que está a pelo menos 20km da maioria das casas dos americanos tem acordado com a Amazon para o serviço de entregas, efetivando uma sinergia entre as duas empresas, e aumentando o fluxo nas suas lojas. Michelle Gass, CEO, entende que estamos em uma época em que você tem que pensar de maneira diferente: “as regras mudaram, mas quais são as regras?” Daí a parceria com a Amazon vai sinalizar uma cultura amigável para a sua organização — que tem 1.200 lojas e produtos de moda, joalheria e artigos para o lar –, além da melhoria do resultado.

 

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Produtos oferecidos no site da Rebag (foto: divulgação)

 

O consumidor que busca artigos de luxo e novidades no setor de bolsas e acessórios encontra na “Rebag” uma possibilidade. O sistema consiste em permitir após a primeira compra, decorrido seis meses, efetuar a compra seguinte com um crédito de 70% do valor da compra anterior. Os produtos estão em impecável aparência e abrangem uma extensa relação de marcas de luxo. A saber: Hermès, Burberry, Prada, Louis Vuitton, Christian Dior, Louboutin, Gucci, Marc Jacobs, Givenchy, Fendi, Chanel, Bottega Veneta, etc.

A “IKEA”, indústria e comércio de móveis, é um dos casos mais completos de foco na sustentabilidade. A marca que está oferecendo locação de móveis por assinatura e obtendo bons resultados, tem a preocupação ambiental em todas as etapas e em todos os segmentos em que atua. Como a inovação das lojas “pocket” na cidade de New York, apresentando seus produtos em pequenos locais específicos, onde podem ser adquiridos.

Enfim, enquanto aguardamos a nova geração aumentar a sua presença no mercado consumidor, torcemos para que se acelere o processo de amadurecimento da população, que ainda se mantem indiferente à sustentabilidade.

 

Quem sabe as recentes chuvas que castigaram várias cidades brasileiras e inundaram São Paulo, nesta segunda-feira, não consigam transmitir a noção de que impermeabilizar cidades não é sustentável, e o que não é sustentável não vale a pena?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O grande ausente da NRF 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O varejo avança em retrospectiva e em perspectiva.Identifica e começa a corrigir erros do passado quando colocava no atendimento final pessoas em início de carreira e despreparadas. Ao mesmo tempo cria novas ferramentas para abordagem com o cliente usando tecnologia de ponta para municiar os vendedores no atendimento.

 

Tanto o preparo no atendimento não se contesta mais, como o sistema do omnichannel é considerado essencial para permanecer no jogo.

 

Curiosamente, o desenvolvimento no mundo digital e deste no mercado deram ao varejo físico um papel relevante e diferenciado, que para ser cumprido são necessárias habilidades humanas e condições tecnológicas.

 

Satya Nadella da Microsoft acentuou a disponibilidade tecnológica quando afirmou:

“A chave crucial para o sucesso na nova década será dar informações aos funcionários para que possam atingir melhores ROI ao incrementar as taxas de conversão em 15% e aumentar as taxas de satisfação em 10%”.

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A Starbucks para acentuar o atendimento dos vendedores e aproximar a relação deles com os consumidores dispensa a digitação dos pedidos, possibilitando o olho no olho ao disponibilizar um sistema de registro pela voz.

 

Wal-Mart terá laboratórios nas lojas físicas que indicarão desejos e tendências dos consumidores, in loco e online.

 

A Universal Standard criou um sistema de tamanhos para roupas que facilita a vendedora no delicado aspecto dos extremos. Lá não importa o tamanho da consumidora. Atende a todos e a todas, com direito durante um ano a trocas, em casos de aumentos e diminuições.

 

Enfim, são muitos os exemplos de novas ferramentas para ajudar o pessoal do atendimento.

 

Entretanto, não se enfatiza tanto o aspecto do controle. Para a medição da satisfação dos clientes efetivamente há farta tecnologia, mas os holofotes estão mais direcionados para a sua disponibilidade do que para o controle da execução.

 

A grande ausência para um evento do porte da NRF 2020, onde se destacaram as PESSOAS, foi o COMPRADOR MISTERIOSO.

 

Considero a velha e boa técnica do COMPRADOR MISTERIOSO como o “handmade” da pesquisa de satisfação. É o tipo de pesquisa que efetivamente confere o protocolo total do atendimento proposto pela marca. É também de eficácia inigualável se usada como motivação da equipe, ao se abrir os dados e instalar um sistema de premiação.

 

Pela prática exercida nessa área, não consigo imaginar organizações gigantes, com 1 mil, 2 mil, 20 mil, 30 mil lojas, cujos CEOs não tenham ao menos curiosidade para saber como o protocolo de atendimento está sendo cumprido.

 

O varejo levou meio século para perceber que não dá para colocar na última fase da cadeia produtiva funcionários despreparados. Esperamos que não leve mais meio século para municiar os vendedores com tecnologia e acompanhamento operacional.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Cinco tendências da NRF 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

O NRF Retail’s Big Show é o maior evento de varejo do mundo. Esta semana um número significativo de players brasileiros estará se dirigindo para Nova York a fim de se inteirar do que ocorre de mais importante no setor. Ao mesmo tempo deverão identificar os temas que deverão se concretizar no futuro próximo.

 

Há tempos que as delegações brasileiras são destaque pelo número de empreendedores e executivos da área que comparecem ao evento. Em presença, só temos ficado atrás dos americanos.

 

Então, quem é do ramo e não irá, e não quiser ficar para trás, é melhor se informar de tudo que se passou no evento.

 

O Boletim MERCADO & CONSUMO do Grupo Gouvea de Souza já deu a partida com o artigo do seu titular, Marcos Gouvea: “Cinco tendências que a NRF vai apresentar” – onde aposta nos tópicos Connected Commerce, Customer Centricity, Novos Modelos de Negócio, Pessoas e Propósito.

CONNECTED COMMERCE: O conceito de OMNICHANNEL abriga também os meios de pagamento, e a personalização do relacionamento com os clientes, que ficarão online de forma permanente.

 

CUSTOMER CENTRICITY: A centralidade no cliente deverá se ampliar, tanto para lojas como para shoppings, onde o redesenho do produto atenderá as demandas especificas deste cliente.

 

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO: Alguns novos modelos que já surgiram deverão se acentuar, como o Showfields, espaço coletivo abrigando marcas diferentes. O Recommerce, venda de produtos usados, e a locação de roupas.

 

PESSOAS: No momento em que a tecnologia aumenta seu uso as PESSOAS tendem a protagonizar cada vez mais as operações físicas. O empoderamento das equipes de loja será um novo desafio.

 

PROPÓSITO: O papel tradicional do varejo em intermediar a venda de produtos e serviços começa a ter novas demandas. Tais como posicionamentos bem definidos, propósitos altruístas, autenticidade, transparência e responsabilidade socioambientais.

Entre as cinco mudanças destacadas por Gouvea, gostaria de acentuar o PROPÓSITO, principalmente no que se refere a questão socioambiental. O Brasil pela extensão territorial e pelos recursos naturais de flora e fauna onde se encontram biomas extraordinários, oferece excelente oportunidade no que tange a sua preservação e aproveitamento. Por exemplo, a indústria da moda além de desperdiçar roupas sem reciclar, poderia contribuir tanto na redução das perdas quanto no aproveitamento de novas fontes de abastecimento de matérias primas — como a escama do pirarucu já explorada por fashionistas como a Osklen na fabricação de bolsas.

 

Marcos Gouvea diz que muitas empresas já estão engajadas, embora sem o espírito holístico recomendável. Do nosso ponto de vista as lojas e os shoppings têm rara oportunidade de entrar agora neste processo assumindo o Pacto Global da ONU, que é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

 

Para se integrar no Pacto Global um dos caminhos é pelo CRA SP, endereçando carta assinada pelo CEO aos cuidados do Prof. Dal Colleto, e a adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

A Consultoria especializada, como a MANANCIAL Sustentabilidade Ambiental, da bióloga Angela Garcia, é uma alternativa direta para a obtenção do direito de usar etiquetas e demais indicadores de integração ao Pacto Global, e atender perante o novo mercado o PROPÓSITO ora demandado.

 

Se você não vai a Nova York que tal contatar já o CRA SP e contratar uma consultoria?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Na disputa de dirigentes do varejo, o foco tem de estar nos números

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A ALSHOP, fundada há 25 anos, tradicionalmente tem divulgado o desempenho das vendas natalinas logo após o Natal. Nesse 2019 não foi diferente. Entretanto, a mídia em geral deu um espaço inédito para reportagens com os dados da ALSHOP, que apresentaram crescimento nominal de 9,5% nas vendas em relação a 2018.

 

O fato gerou reação negativa imediata da Ablos, entidade criada em abril com o propósito de representar os lojistas satélites de shoppings. Tito Bessa, fundador e presidente da Ablos – Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, atacou a ALSHOP e seu presidente, de acordo com matérias nos principais jornais:

“A notícia da Alshop é falsa, é Fake News, o Nabil não consegue provar os dados, não tem base técnica, não fez pesquisa”.

De acordo com reportagem na Folha, de Joana Pruna e Paula Soprana, Bessa também afirmou que entrará na justiça.

 

Ao fundar a Ablos, Bessa ressaltou que havia necessidade de uma entidade que representasse o segmento das lojas satélites, e, portanto, o seu foco seria as lojas de até 180 m2. Considerava que a Alshop, ao incluir as megalojas e as lojas âncoras com as lojas satélites, não legitimava a representatividade das pequenas lojas. Pois, elas não teriam a força das maiores.

 

Dentro desse contexto ao tomar conhecimento dos dados publicados com os números da Alshop, a Ablos, deveria apresentar os dados do segmento que pretende representar, que de acordo com Bessa já tinha números iniciais pesquisados internamente, que mostrariam que 70% das lojas empataram ou pioraram o resultado comparativo com 2018; e 30% obtiveram pequeno crescimento. Não foi o que ocorreu. A Ablos preferiu desmentir os dados da Alshop, que correspondem a todos os segmentos, ou seja, âncoras, megalojas e satélites, em vez de terminar a sua pesquisa e apresentar o resultado do setor que se propõe representar — a entidade diz ter, atualmente, 90 associados.

 

Parece que o método que vivenciamos no caso do incêndio da Amazônia está fazendo escola, quando o Governo em vez de apresentar números se limitou a desmentir os técnicos e acusar ONGs e até ator de Holywood.

 

Cremos que para o bem do varejo o melhor método é aquele de manter o foco nos números, e que sejam apresentados os resultados comparativos do Natal das lojas satélites, que parece, é o que interessa aos associados da Ablos, e a todos os demais lojistas — assim como ao mercado consumidor.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Pacto Global da ONU pode melhorar suas vendas e sua saúde

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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No momento, a Sustentabilidade recebe no mundo inteiro avaliações mais agressivas, a favor ou contra, e o Brasil passa a ocupar uma incomoda posição pela corrupção, pela Amazônia, pelos indígenas e por uma desatenção geral com o meio ambiente.

 

Oportunamente, o CRA-SP, entidade que representa os Administradores profissionais, e desde 2017 é comprometido com o Pacto Global da ONU, chama seus membros para uma ação efetiva de apoio para este movimento criado por Kofi Annan em 2000, designado como Pacto Global.

 

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O Pacto Global está em 160 países e é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações de empresas nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. E no desenvolvimento de ações que contribuirão para o avanço dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, que reúnem os principais desafios da sociedade mundial.

 

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No CRA-SP está inserido no Centro de Excelência do Pacto Global, com a coordenação de Armando Dal Colletto, ex-professor da FGV, IBMEC e BSP, com estudos pelo MIT, Harvard, USP e FGV, sendo atualmente diretor do IPL – Institute of Performance & Leadership

 

O Prof. Dal Colletto nos informa que “as empresas podem atuar dentro dos princípios do Pacto independentemente de serem signatárias. As que desejarem assumir o compromisso, essas se afiliam pelo site do Pacto através de uma carta assinada pelo CEO e respondendo a uma série de questões”. A adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

Cabe ressaltar que as contribuições para a sustentabilidade não se restringem, por exemplo, às ações genéricas de eliminar embalagens, copos e canudos de plásticos. Trata-se de medidas na cadeia produtiva, em materiais e processos, na busca constante do equilíbrio ecológico.

A indústria da moda, por exemplo, segundo Stanley Jones da ONU-Meio Ambiente, produz impactos que vão desde o uso de agrotóxicos nas colheitas do algodão ao consumo excessivo de itens e acessórios. São descartadas 1/3 das roupas no primeiro ano de uso. Números espantosos, se considerarmos que a Moda como negócio está avaliada em 2,4 trilhões de dólares, e emprega mais de 75 milhões de pessoas, mas descarta 500 bilhões de dólares ao ano com roupas que vão direto para aterros e lixões sem passar por reciclagem.

Daniela Chiaretti, do Valor, em março, já reportava que a indústria da Moda polui mais que navios e aviões, respondendo por 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, sendo o segundo setor da economia que mais consome água, e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. Os oceanos recebem 500 mil toneladas de microfibras sintéticas por ano, e as pessoas consomem 60% a mais de peças do que há 15 anos.

 

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Mochila da linha sustentável de bolsas Prada (foto: divulgação)

 

Por isso, a Moda começa a agir, embora ainda reduzidamente. A H&M comercializa 95% de itens com algodão orgânico ou reciclado. A Ikea criou uma cortina cuja tecnologia ajuda a limpar a poluição de ambientes internos. A Prada lançou com sucesso mochilas feitas de plásticos recolhidos dos oceanos. A Adidas prevê renda de 1 bilhão de dólares em tênis desenvolvido com material natural. A Osklen lançou bolsas com escama do Pirarucu. A Carteira 2019 do ISE Índice de Sustentabilidade Empresarial BOVESPA já conta com expressivas empresas do varejo como a Renner, C&A, e Americanas.

 

As melhorias obtidas ao aderir ao Pacto podem vir dos processos como também da gradativa aceitação do mercado. Para obter os resultados a contratação de pessoal especializado pode ser um caminho mais rápido.

 

Recentemente fomos procurados pela Manancial Sustentabilidade Ambiental, através da fundadora e CEO, bióloga Angela Garcia, cuja plataforma está calcada em habilitar as empresas privadas e públicas nos 10 Princípios Universais e nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social. A carteira de clientes de Angela contempla dentre outras a Komatsu, Seara, JBS, Panco, Prefeitura de Indiaporã e Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste de São Paulo.

 

Em todos os eventos do mundo corporativo que participamos este ano, ficou evidenciada a preocupação ambiental das empresas. Entretanto, nem todas estão atreladas ao Pacto Global, que atribui uma vantagem competitiva às marcas, na medida que sua divulgação agrega valor em um mercado consumidor cada vez mais atento ao status da Sustentabilidade.

 

É hora de melhorar as vendas adotando o Pacto e usufruir os resultados com saúde.

 

Feliz 2020!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.