Conte Sua História de SP 467: passei de ano com meu Arthur

Por Odnides Pereira 

Ouvinte da CBN

Nasci na Zona Norte da Capital em 21 de abril de 1959. E por aqui sempre morei. Quando estudante, frequentava a escola pública. Você haverá de saber que naquela época não existiam email, Facebook, WhatsApp, Twitter … nem mesmo computador.  Imagine o que foi se adaptar a essa nova escola. Meu neto,  Arthur, hoje com sete anos, mora comigo e minha esposa desde os dois anos de idade. Está no segundo ano fundamental do colégio Palavra Viva, aqui na Zona Norte.

Em 23 de março de 2020, ao levá-lo na escola, como faço todos os dias —- ou fazia —-, fomos avisados que as aulas estavam suspensas devido à pandemia. E o que acontecerá agora? Ninguém sabia dizer ainda.

As respostas a essa dúvida começaram a chegar no WhatsApp. 

Uma semana depois a mensagem recebida dizia que as atividades seriam virtuais e deveríamos esperar mais um ou dois dias pois ainda estavam concluindo o cadastramento dos alunos no Google Meet — Sala de Aula. 

Foi pelo WhatsApp também que fomos chamados na escola para buscarmos livros e cadernos a partir de um sistema de drive-thru organizado pela escola. Chegamos de carro, baixamos o vidro, um funcionário com máscara entregou uma caixa com todo o material do meu neto dentro e voltamos para dentro de casa.

Confesso, em um primeiro momento ficamos todos perdidos tal a transformação tecnológica em nosso entorno. Chegamos a ficar atrasados com as aulas por um semana —- algumas coisas que deveríamos fazer, nós perdemos. Os professores foram compreensivos e o conteúdo que havíamos deixado para trás foi recuperado.

Em casa nos adaptamos, também. Separamos uma mesa para todos os cadernos, livros e os demais materiais a serem usados na escola. Nas provas, Arthur dizia: — “Vô, vó, por favor, saiam daqui de perto, hoje tenho prova pra fazer.”. A gente obedecia.

As aulas virtuais foram de vento em popa. E nós começamos a aprender algumas coisas. Desde os primeiros dias observei o quanto os professores são pacientes e perseverantes. Nessa pandemia, eles estavam dentro da minha casa, viraram nossos parentes. Até sabíamos quando eles tinham algum problema familiar. E aproveitávamos para conversar pelo WhatsApp ou pelo próprio Google Meet nos intervalos de lanche.

Pela tecnologia e o esforço dos professores, foi possível ao meu neto ter recebido todo o conteúdo do ano, da mesma forma que se estivesse na escola. E, felizmente, encerramos o ano letivo. Meu neto Arthur, a vó dele e eu passamos de ano.

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 467 anos da nossa cidade. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br e curta outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca: o que você faria se tivesse o poder da invisibilidade?

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“Há marcas e empresas que imaginam ter um Anel de Giges. Que supõem que aquilo que se pratica do lado de dentro, ninguém vê do lado de fora Cada vez mais, é uma doce ilusão” — Jaime Troiano

Giges era um camponês que roubou o anel de um cadáver e descobriu que ao girá-lo no dedo tornava-se invisível. A partir de então passou a ter o poder de fazer tudo aquilo que bem entendia. A história que se passa no século VII a.c, contada por Heródoto, e aparece também em A República de Platão, nos impõe dilemas éticos profundos e já foi analisada por diversas dimensões. Aqui no Brasil, recentemente, o economista e professor Eduardo Giannetti lançou o livro “O anel de Giges: uma fantasia ética”, no qual diz:

“O anel da invisibilidade atiçou a fera da ambição desmedida e tornou visível o sonho de glória, proeminência e poder adormecido na alma do humilde pastor” 

Inspirados pelo texto, Jaime Troiano e Cecília Russo traçaram um paralelo entre a história de Giges e as marcas. A começar pela ideia de que a invisibilidade é cada vez mais impossível, especialmente diante das conexões digitais que vivemos. Há também uma pressão maior da opinião pública pela transparência dos atos de uma empresa e isso significa agir internamente da mesma forma com que se apresenta externamente:

“A maioria das marcas está consciente de que a invisibilidade não existe mais … mas talvez esses desejos escondidos, recônditos, de cometer um pequeno deslize no mercado, ainda que seja pequeno, e possa gerar bons resultados, devem estar nos sonhos de alguns gestores”, alerta Jaime.

Cecília cita uma das frases clássicas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para explicar o risco de se cair na tentação de Giges: marca não é tapume. E aproveita para deixar três sugestões aos gestores de marcas:

  1. Faça com que os quadrinhos pendurados nas paredes sobre princípios e valores da marca sejam mais do que palavras nas paredes; sejam praticados;
  2. Tenha certeza de que as mensagens que a empresa comunica da porta da rua para fora sejam conhecidas e internalizadas da porta da rua para dentro;
  3. Marcas não escondem aquilo de errado que acontece dentro da empresa, não escondem nada nem deixam ninguém invisível.

A discussão vale para você que lê este texto: o que você faria se tivesse por um instante o poder da invisibilidade?

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e pode ser ouvido em podcast.

Galeano, Piazzola, Blazquez e o grito sonoro do gol para homenagear Maradona

 

Eduardo Galeano, que me inspirou em post anterior, foi resgatado em crônica “O parto”, na qual conta o nascimento de Diego Maradona, no encerramento da edição do Jornal da CBN. Por criação de Paschoal Júnior, ouvimos o segundo e impressionante gol do “Diez” contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986, em três vozes: Roberto Hernandes Júnior, do México, Samuel Souza Santos , da Guaíba, e Osmar Santos, na Globo. Tudo sonorizado por Adios Nonino , de Astor Piazzolla Y Eladia Blazquez, com interpretação de Mariana Avena.

Sua Marca: diversidade em equipes de trabalho aumentará presença de mulheres negras na publicidade

 

“Vejo as marcas sempre como caudatárias do processo, elas chegam já quando já na sociedade esse sentimento latente”— Cecília Russo.

Na busca pela igualdade racial, existem dois movimentos visíveis neste momento na gestão de marcas: um que começa a aparecer nas mensagens publicadas pelas empresas e serviços, e outro que surge internamente nas equipes de trabalho das organizações. Apesar dessas constatações, dois estudos sobre diversidade mostram que a presença de negros na publicidade ainda avança lentamente. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo destacou um levantamento que a TroianoBranding realizou para Editora Abril no qual foram analisados os anúncios publicados na revista Claudia, a partir dos anos de 1960 até 2006. Nos primeiros anos, apenas 1% tinha a presença de mulheres negras, cenário que avançou pouco cinco décadas depois: só 3% das mulheres que apareciam na publicidade eram negras e geralmente representando cozinheiras e empregadas domésticas.

A agência de comunicação Heads, desde fevereiro de 2016, tem feito levantamentos anuais para medir a presença de mulheres negras nos anúncios veiculados em televisão. Apesar do avanço, os resultados registrados estão muito aquém da diversidade da população brasileira:

2016 — 1%

2017 — 4%

2018 — 16%

2018 — 16%

Ou seja, apesar do salto que houve de 2017 para 2018, a representatividade de negras na publicidade ainda é baixa:

“Estamos longe da representação mais igualitária que obedece o perfil da nossa população…” — Jaime Troiano

Uma ação que pode impactar nesses resultados é o interesse de empresas em contratar pessoas negras com a intenção de combater a desigualdade racial. Há algumas semanas, o Magazine Luiza e a Bayer decidiram abrir programas de trainee em que apenas negros podem se inscrever. Cecília Russo destacou em seu comentário a frase dita por Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”:

“A diversidade maior nos nossos quadros de liderança vai gerar resultados maiores. (…) Se tivéssemos mais representatividade de mulheres e negros – que é nossa questão mais sensível hoje – na liderança, teríamos ações mais efetivas. Isso geraria mais vendas e, em última instância, mais retorno aos acionistas”.

Para Cecília e Jaime, a questão racial é emergente — já bastante tardia. As marcas, porém, devem ter cuidado para não fazer desta promessa uma bandeira vazia, construindo um discurso que não se realiza na prática.

“(temos de buscar) essa combinação de justiça social, equidade e resultado — e lucratividade —- nesse universo capitalista”

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Mundo Corporativo: Júlio Monteiro, da Megamatte, fala de estratégias do setor de franquias para enfrentar a crise

 

“O franqueador que tampa os ouvidos para as contribuições dos franqueados, está fadado ao insucesso, está fadado a ter somente um pico de expansão e você vê aquilo depois desmoronando” — Júlio Monteiro, CEO da Megamatte

 

Julio Antonio Dias chegou de Portugal e foi morar com uma tia no Rio, nos anos de 1970. Tinha só 15 anos e passou a vender limão na feira. Criou uma casa de suco, virou sócio de quitanda, montou negócio em São Paulo e voltou ao Rio para inaugurar na Galeria Condor, no Largo do Machado a primeira loja da marca Megamatte, em 1994. Hoje, a rede de franquia está sob o comando do filho, o advogado Júlio Monteiro, responsável por cerca de 150 operações em diferentes cidades brasileiras. 

Pai e filho jamais devem ter imaginado que um dia assistiriam a todas suas lojas interromperem suas atividades de uma hora para outra, resultado da pandemia que chegou ao Brasil, em Março. Medidas de emergência tiveram de ser adotadas, a troca de informações foi agilizada  —- com a participação do CEO da franquia em conversas ao vivo pela internet —- e uma espécie de manual de salvação foi definido. No programa Mundo Corporativo, da CBN, Julio Monteiro falou de algumas das medidas adotadas para a rede de franquias se manter em pé, apesar da crise econômica e do medo que tomou conta de franqueados.

“No dia 20 de março, fiz uma live e chamei toda a rede de fornecedores, franqueados, esposas e falei o seguinte: essa é a nossa guerra, é a guerra do equilíbrio, vai ser menos um dia e a retomada começa hoje” 

Além de filtrar informações que fossem relevantes ao negócio, evitando um turbilhão de mensagens desconectadas nem sempre fiéis à verdade, Monteiro disse que a Rede Megamatte se uniu aos franqueados para renegociar os contratos de locação que têm um peso importante nos custos e resultados econômicos das lojas.

“No franchising é preciso ter uma simbiose: franqueado, franqueadora, consumidores e fornecedores. É dessa forma que você mantém o equilíbrio e eu acho que essa estratégia funcionou muito bem nas franqueadoras e nesse momento de pandemia”.

A avaliação de Júlio Monteiro é que a rede reagiu dentro da expectativa que tinha quando traçou as estratégias no início desta crise. As lojas que fecharam o fizeram por problemas anteriores a pandemia, disse o CEO. Ainda segundo ele, nesse período alguns franqueados ampliaram suas participações na rede, fazendo com que hoje mais de 40% desses investidores tenham ao menos duas operações.

“Quando você tem esse envolvimento de operadores e investidores de sua marca, o propósito alinhado a cultura da empresa e uma segurança da franqueadora para esses investidores isso cria, sim, um apetite de investimento”

Com gestores de empresas sendo demitidos de suas funções e profissionais afastados de seus empregos, o mercado de franquias surge como uma oportunidade de negócios aos empreendedores. Perguntado por uma ouvinte do Mundo Corporativo se isto não pode levar aventureiros ao mercado, Monteiro responde:

“Eu gosto das pessoas que buscam por necessidade, porque você vai ter um perfil de pessoas que querem trabalhar. O franchising é um investimento mas também é um lugar de trabalho; você estar no segmento de varejo requer muito envolvimento e participação, é dali que você vai tirar o seu sustento”.

Quanto as pessoas que pensam se vale a pena empreender em franquia, neste momento, Monteiro acredita que sim, mas  recomenda que a escolha não seja feita no calor da emoção: é preciso buscar informações completas, conversar com o franqueador e procurar os franqueados.

A entrevista completa com o CEO da Megamatte Julio Monteiro você assiste no vídeo acima ou pode baixar em seu podcast. O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo, no Canal da CBN no You Tube, às quartas-feiras, 11 horas. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Julian Prado, Jéssica Bernardo, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Pandemia acelera burocracia que libera vacinas, no Brasil

Imagem:Pixabay

 

Se muita gente estagnou diante da pandemia, também é verdade que a situação de emergência e a necessidade de superar as restrições impostas pela Covid-19 acelerou inúmeros processos. Você deve ter percebido isso na sua dinâmica de trabalho, na relação com seus parceiros de negócio e mesmo no seu cotidiano em casa. Quanta gente que jamais havia se encorajado em comprar pela internet agora até esqueceu o caminho do shoppping? 

No Mundo Corporativo, tenho entrevistado gestores e consultores dos diversos setores da economia que identificaram, por exemplo, que a transformação digital avançou “em cinco dias 50 semanas” — foi a expressão usada por Luiza Trajano, do Grupo Magazine Luiza. Hoje, no Jornal da CBN, percebi que o mesmo ocorre com a burocracia. 

Por favor, ao ler a palavra burocracia não a receba de mal-grado: a burocracia é necessária para administração de empresas e realização de determinados trabalhos — sem essa, muitos dos processos se perderiam no tempo e no espaço. 

De volta à minha percepção. Deu-se a partir da entrevista que a Marcella Lourenzetto e eu fizemos com o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes. A Anvisa é a agência de vigilância sanitária responsável por uma série de procedimentos que permitem a produção e a venda de remédios e afins, no Brasil. Sem o certificado da agência talvez você não tenha acesso àquela droga que pode salvar sua vida, que já está à venda lá nos Estados Unidos, por exemplo.

Diante da pressa que estamos —- necessária, diga-se —- por uma vacina que nos proteja do Sars-Cov-2, a Anvisa já havia publicado resolução, no inicio da pandemia, na qual a meta para análise de medicamentos que pudessem ser usados na defesa da saúde da população fosse de no máximo 60 dias. O procedimento legal em vigor dá a agência até um ano para que a resposta seja apresentada. 

Agora, com o avanço das pesquisas em torno de uma vacina anti-Covid-19 e a urgência por uma solução, a Anvisa decidiu aceitar que a documentação científica, que comprove a eficiência de um medicamento, seja enviada mesmo que os testes não tenham sido concluídos. A ideia não é atropelar etapas; é aumentar a velocidade da análise, explicou o dirigente. 

Antes a agência só recebia o pedido de análise dos laboratórios ao fim de todos os testes; agora, aceita receber os documentos preliminares para avaliar as informações e ter agilidade no instante em que a pesquisa estiver concluída. Decidiu abrir o guichê mais cedo para que os laboratórios entreguem seus trabalhos antes de concluídos. 

Dois dias após o anúncio, o primeiro pedido foi protocolado pela AstraZeneca que trabalha em parceria com a Universidade de Oxford no desenvolvimento de uma das vacinas —- neste caso, testada aqui no Brasil sob os cuidados da Fiocruz. A Sinovac, que desenvolve a Coronavac, testada em São Paulo pelo Instituto Butantan, ainda não fez o pedido, mas já demonstrou interesse em encaminhar a documentação disponível.

“A gente colocou na  resolução que foi publicada depois da situação de pandemia  uma meta para nós de 60 dias; então já reduziu-se significativamente considerando um ano que é o prazo legal. Mas a gente acredita que com esse procedimento específico de submissão contÍnua a gente pode reduzir ainda mais esse tempo” — Gustavo Mendes, Anvisa

Isso significa que a vacina, seja ela qual for, já estará disponível no dia 15 de dezembro, como chegou a afirmar o governador de São Paulo, João Doria, entusiasmado em ganhar a corrida contra o Governo Federal? Não. Nenhuma garantia existe para que esse calendário político seja cumprido. Aliás, a maior aposta é de que não se terá a vacina para aplicar nos agentes de saúde antes de janeiro. A ver (e torcer para que os apostadores estejam enganados).

O importante e o que quero destacar aqui é a necessidade de aprendermos com o momento em que estamos vivendo. A Anvisa e sua burocracia se mobilizaram para acelerar processos sem abrir mão da segurança técnica e sanitária que necessitamos ter —- é o que diz. Segurança, qualidade e eficácia ainda são necessários se realmente queremos uma droga que salve vidas e não nos cause mais desafios. O mesmo ocorre em  processos de outros aspectos da nossa vida. A velocidade não pode prejudicar o resultado.

Passada a pandemia, deve-se avaliar se aprendemos a fazer este trabalho com maior rapidez ou se só é possível fazê-lo em casos isolados. Há o risco de com o ritmo acelerado, estressarmos o sistema de análise e provocarmos falhas de avaliação em outras drogas. Por outro lado, podemos descobrir que não é necessário usar o prazo de um ano, previsto em lei, nos demais casos, certificando remédios e vacinas que podem salvar vidas de pessoas que, muitas vezes, têm de importar o produto ou trazê-lo como “contrabando” para o país porque a nossa burocracia —- aí sim com sua conotação negativa —- emperra o desenvolvimento.

 

Sua Marca: IBGE é importante instrumento para o branding

 

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“Branding não resiste se não estiver alinhado com a realidade demográfica da cidade” — Jaime Troiano

A pior cisa que uma marca pode fazer é não para fora e entender as características das pessoas a quem ela se dirige. Existem muitas lentes para serem usadas que permitem essa visão mais apurada, desde observações pessoas, orientadas por sensibilidade e atenção até pesquisas que se aprofundam nos hábitos, comportamentos e crenças de seus consumidores. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram um desses instrumentos que são os dados públicos e muito bem coletados do IBGE — o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

A título de exemplo, é possível identificar que entre 1970 e 2020, a participação de crianças abaixo de 12 anos no Estado de São Paulo caiu pela metade: eram 30% da população e hoje são 15%. Cenário semelhante ao que se encontra quando se calcula a taxa de fecundidade da população brasileira —- representada pelo número médio de filhos que as mulheres têm no período reprodutivo. Conforme o censo de 1970, esse índice era de 5,8 filhos por mulher, em média; em 2010, esse número despencou: 1,9 filho por mulher.

“Imagine como aumenta a concentração de renda familiar em torno de um número menor de crianças; assim, a variedade de coisas que uma criança passa a consumir é bem maior do que quanto a família tem vários filhos” —- Cecília Russo

Ficando apenas na questão de faixa etária, outro dado que se extrai das pesquisas do IBGE é que o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu muito ao longo das décadas e a expectativa de vida, também:

“Por isso cresceram ofertas para a pessoas que estão na maturidade, serviços especiais e instituições que recebem pessoas com mais de 60 anos …. veja como a rede Prevent Senior surgiu e cresceu por se dedicar a esse público” — Jaime Troiano

Entender a demografia da região em que se atua é fundamental para a realização de uma estratégia eficiente de branding, concluem os dois comentaristas. O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

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Conversa de Primeira: o rádio e a rádio na vida de nossos comentaristas

Foi um dia de festa, reminiscências, boas histórias e tropicões este 1º de outubro em que a rádio CBN completou 29 anos. No Jornal da CBN, tive a oportunidade de comandar duas mesas de conversa que reuniu, virtualmente, todos os nossos comentaristas das faixas das 7h e das 8 h da manhã.

Em Conversa de Primeira, o rádio foi o foco do nosso bate-papo com Pedro Doria, Marcelo Lins, Mário Sérgio Cortella, Walter Fanganiello Maierovitch e Artur Xexéo. Nessa roda, exceção a Doria e Lins, que chegaram mais recentemente ao programa, os outros três, quatro se eu me incluir, são velhos conhecidos do ouvinte.

O Xexéo começou no Liberdade de Expressão com Carlos Heitor Cony e apresentação de Heródoto Barbeiro; hoje faz a Crônica de Sexta, com olhar mais voltado à cultura, sem deixar de observar todo e qualquer outro tema que mexa com o cotidiano das pessoas.

O Cortella já se apresentou em diversos formatos e espaços da programação. Atualmente, temos o privilégio de contar com ele em duas versões: diariamente no Academia CBN e às quartas-feiras, no Meio do Caminho. Pessoalmente, tenho a lembrança de ter sido ele meu primeiro entrevistado, ao vivo, na TV Globo, quando chegava em São Paulo, em 1991.

Maierovitch esteve comigo na época em que apresentei o CBN SP e pela maneira como era capaz de traduzir o juridiquês foi ganhando espaço na programação. Na época do Mensalão e com as sessões do STF transmitidas ao vivo para o Brasil, fez inserções diárias no Jornal da CBN. Atualmente, é nosso colega no Justiça e Cidadania, às quintas-feiras ou a qualquer momento em edição extraordinária. Velho companheiro de guerra, nos conhecemos no Portal do Terra, onde dividíamos bancada do primeiro “telejornal” da internet brasileira.

Marcelo Lins e Pedro Doria, os mais novos, em tempo de casa, além de flamenguistas e cariocas, dão diversidade nos temas do Conversa de Primeira. Um com o olhar voltado para o mundo e o outro com a visão direcionada à tecnologia.

O resultado de nossa Conversa de Primeira de hoje, você ouve aqui:

Em tempo: os tropicões que me referi lá no alto do texto se devem as histórias que fomos levados a contar sobre gafes e falhas no nosso dia a dia, no Estúdio CBN, programa em que participei na tarde desta quinta-feira.

Conte Sua História de São Paulo: o Jacarandá da Bahia na sala de casa, no Cambuci

Adalberto Pedromônico

Ouvinte da CBN

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Estávamos por volta de 1958. Eu aos 13 anos, meus irmãos, todos os seis, mais velhos. Morávamos na Rua Backer, 361, no Cambuci, num sobrado de três andares, que meu pai, o bem humorado e popular Migué, alugara, aproveitando uma boa fase. Ele já não residia com a família, pois encontrara uma cabrocha mais alinhada aos seus apetites. 

Apesar da separação, certo dia, trouxe um presente para a família: um jogo de sala de jantar com mesa, oito cadeiras, buffet e cristaleira. Peças de marcenaria dignas de figurar em uma sala de gente rica — coisa que não éramos. Todo orgulhoso, Migué fez as apresentações, frisando tratarem-se de móveis construídos em Jacaranda da Bahia. Não me era compreensível todo aquele orgulho, uma vez que faltava mesmo era o que por em cima da mesa. Sempre recomendava os devidos cuidados com os móveis.

Já desde 1956, meu irmão Angelo, o Lilo, juntara-se a amigos do bairro, com o propósito de criarem um grupo de teatro amador que pudesse preencher essa lacuna que se sentia na comunidade. Conhecíamos vários grupos da Mooca, do Brás, do Ipiranga, de Santana … do Cambuci não se tinha notícia. Além de dispor de palcos em pequenos salões paroquiais, clubes, São Paulo exibia um número grande de teatros, entre eles o João Caetano, o Paulo Eiró e o Arthur Azevedo. Destacava-se o Teatro São Paulo, na Liberdade, beirando a rua da Glória, hoje ocupado pela Av. 23 de Maio.

Estávamos ensaiando uma peça de Amaral Gurgel, o drama “Os Transviados”, que exigia um grande esmero na montagem cênica e tínhamos reservado o Teatro São Paulo para a estreia. A ação se passava em dois ambientes, um tribunal do júri, e o salão principal da residência da família. Na semana da estreia, conseguimos montar o tribunal e parte da sala: faltavam algumas peças fundamentais como a mesa de jantar, buffet e cristaleira.

A única solução visível era transferir o Jacaranda da Bahia para o teatro, tendo o cuidado de obter a concordância de Dona Angelina, minha mãe. Claro que estávamos apostando que papai não viesse naquele domingo. Mas, veio. Como tirar os móveis sem que ele visse? Convidei-o a ir até a cozinha para me ajudar a consertar um velho relógio Patec Corona que pertencera ao pai dele. E eu havia ganhado de presente.

Enquanto representava minha cena na cozinha, meu irmão e amigos retiravam a mobília da sala e a carregavam em um Chevrolet. Dali zarparam para o teatro. Passada meia hora, Patec vistoriado, Migué saiu da cozinha e se deparou com a sala vazia.  Senti ímpetos de me esconder em algum buraco que não achei e só fiquei observando meu pai trocando de cor várias vezes, feito um lagarto de São Roque. Ainda tentei uma desculpa, mas sem sucesso.

Tudo o que me ocorreu, foi sair em disparada até a Rua da Independência e pegar um bonde rumo à Praça João Mendes, descendo às portas do Teatro São Paulo, a poucas horas da estreia do espetáculo salvo pelo seu contra-regra: eu ….

Adalberto Miguel Pedromônico é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou inscreva-se no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: as dicas de Pedro Superti para alavancar vendas sem baixar preços, mesmo na pandemia

“Se durante muito tempo você queria parecer grande, agora a onda é parecer pequeno” — Pedro Superti, empreendedor

Os negócios vão mal, as vendas caíram e a crise impactou sua vida. A primeira reação é baixar o preço do produto que vende ou serviço que oferece para atrair os clientes. Um erro crasso, segundo Pedro Superti, empreendedor e especialista em marketing de diferenciação, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN: 

“Em lugar de baixar o preço que você já vende, pense como você pode criar uma nova opção que não existia até ontem, e esta opção ter um preço diferenciado”

Para Superti, ao aceitar somente baixar preço, o empreendedor desvaloriza seu negócio, enfraquece a marca e corre o risco de perder seus antigos clientes que se sentirão ludibriados por terem pago mais caro.  Imagine um restaurante que tem como prato principal o macarrão no menu. Em lugar de reduzir o preço deste prato, crie uma outra opção mais barata, mais simples e menor. Com isso, você pode inclusive atrair um novo cliente que, ao longo do tempo, pode passar a consumir os pratos tradicionais da casa, sugere Superti.

A ideia do marketing de diferenciação é descobrir como ser original, único e diferente das outras opções que existem no mercado. Para isso, Superti recomenda que o empreendedor busque coisas de sua história, elementos internos que podem ser levados para o produto ou serviço, que façam com que as pessoas batam o olho e logo identifiquem a sua imagem, a sua marca. 

Dois casos que ilustram o pensamento de Superti que ocorreram diante das restrições impostas pela pandemia. Um é de um desempregado que foi passar a quarentena com o avô e as histórias de vida que ouviu dele deram origem a uma franquia que vende caldo de cana com entrega a domicílio:

“… a grande sacada é que, neste caso, o consumidor não somente consome a bebida. Ele se conecta às suas memórias de infância”.

O outro exemplo é o do dono de uma cafeteria que viu as vendas do capuccino, especialidade da casa, cairem. Ele criou um produto no qual o cliente leva para casa um coração de chocolate para ser dissolvido no leite quente e solta o pó de capuccino.

“Tenha personalidade, a gente não aguenta mais negócios que não têm alma, não têm cara; um pessoa com personalidade tem uma características constante. Na tentativa de ser profissional, muitas marcas se tornam genéricas, tentam agradar a todos e não agradam ninguém”.

Se é para ter personalidade, Superti lembra da importância de se sair do modo automático em que mais nos parecemos com máquinas processando coisas, vendendo produtos e serviços: empresas vendem coisas, marcas vendem valores. 

Nos trabalhos que realiza com diversas empresas pelo Brasil, ele também aconselha: se você oferece serviço, venda produtos; se você oferece produto, venda serviços. Ou seja, misture produtos e serviços. Uma academia não deve se restringir a vender serviço — matrículas para seus alunos —- tem de oferecer produtos tais como suplementos, equipamentos para atividade física e roupas, aumentando o ticket médio de seus clientes.

“Se o que você está fazendo está alinhado com algo que você acredita muito, isso abre uma caixa de pandora com infinitas possibilidades que a gente por explorar”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da rádio, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e fica à disposição em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Natália Motta, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscilla Gubiotti.