Avalanche Tricolor: dá muito prazer assistir ao Grêmio em campo

 

Vitória 1×3 Grêmio
Brasileiro – Barradão-Vitória/BA

 

 

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Fernandinho, o 21 ou o 12º, fez o primeiro gol

 

 

Frio, muito frio aqui em São Paulo. Mesmo para quem tem o Rio Grande como referência. Às quatro da manhã, acordei com oito graus e lá fora o vento fazia com que a sensação térmica tornasse a coisa ainda pior. Vontade de ficar na cama.

 

Sei que você, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem nada a ver com isso, mas o dia de trabalho também não foi fácil. A linha telefônica caiu durante a entrevista mais importante, o crédito do entrevistado estava errado e o repórter que entraria ao vivo teve problemas técnicos.  

 

A colega mais próxima nos projetos que realizo na área de comunicação baixou hospital, o que por si só seria motivos de muita preocupação. O projeto agendado para amanhã, inadiável, no qual dividiríamos o palco, se transformou em duplo desafio com a ausência dela. Responsabilidade redobrada.

 

As tarefas do dia não se encaixam na agenda. É mais trabalho do que horas, mais demanda do que paciência. Parece que a gente não vai dar conta do recado. E sei que você também deve encarar coisas deste tipo.

 

Aí vem o Grêmio jogar. Descobre-se que Geromel está fora do time porque não passou bem, antes da partida. E ao ouvir o nome de Geromel me dou conta que não atualizei a escalação do meu time no CartolaFC. E, claro, ele estava escalado (Geromel sempre está escalado no Reina del Sur) assim como outros tantos que devem se ausentar na rodada deste meio de semana.  

 

A impressão é que o melhor a fazer nesta quarta-feira é dormir cedo para ver se passa logo. Só que a bola começa a rolar no Barradão e o Grêmio está em campo. Toca bola pra cá, passa um jogador pra lá, surge uma chance de gol e o dia que parecia perdido começa a ganhar cor. Tricolor.

 

Em apenas oito minutos, Fernandinho, que não é titular mas joga como tal, sai em velocidade, recebe falta, cobra falta e ….. que golaço deste jogador que carrega a camisa 21 nas costas. Se tem alguém que merece o título de décimo-segundo titular este alguém é Fernandinho. 

 

Aliás, foi o próprio Fernandinho quem participou de mais uma daquelas jogadas encantadoras proporcionadas pelo time de Renato. Se no jogo passado, o terceiro gol marcado por Everton chamou atenção dos cronistas esportivos pelo Brasil, pode colocar o segundo da partida de hoje na mesma lista.

 

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Maicon fez passe genial e preciso para Pedro Rocha, que  recebeu a bola dentro da área, no que no passado chamávamos de ponto futuro. Rocha virou e encontrou Fernandinho que se aproximava. E ele teve tranqüilidade para dar um presente a Arthur, que marcou seu segundo gol com a camisa do Grêmio.

 

No segundo tempo até houve pressão. E era natural que isso acontecesse. Tomamos um gol, sem perder a tranquilidade. Sinal de maturidade. E foi com essa personalidade que chegamos ao ataque adversário  e sacramentamos o placar com um chute forte e colocado de Ramiro.

 

Só mesmo o Grêmio pra me deixar tranquilo nesta quarta-feira de tantos percalços. Obrigado, Renato!.

 

 

Avalanche Tricolor: o susto que sempre me lembra a história de um campeão

 

Grêmio 3×1 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton faz o terceiro do Grêmio, em imagem reproduzida do canal Premier

 

 

Teimo em lembrar da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981, sempre que deparo com o adversário da tarde desse domingo. Era guri ainda, iniciando a vida universitária, e fui um dos 98.421 torcedores que contaram a história da maior lotação jamais assistida no estádio Olímpico. Fui ao jogo com meu pai e com ele tomamos um tremendo susto ao nos vermos diante daquele time do interior paulista, ainda pouco conhecido da gente, atrevido o suficiente para encarar nossa história e torcida.

 

Depois de termos vencido por 3×2 fora de casa, na primeira partida da semifinal, imaginávamos que a decisão do título estaria logo ali. Ledo engano: teríamos muito a sofrer, pois mesmo com estádio superlotado não foi nada fácil sustentar a derrota de 1×0 desde os 20 minutos do primeiro tempo.

 

Tenho nítida e em preto e branco a imagem da minha caminhada ao lado do pai, descendo as escadarias do Olímpico, ao fim do jogo. Eu parecia mais abatido do que deveria, pois estávamos na final, mas me incomodava ter chegado lá com uma derrota em casa e ainda para enfrentar o mais temido dos adversário daquele campeonato. Meu pai tentava me mostrar que o tropeço havia sido calculado e a estratégia para conquistar o título nacional inédito já estava traçada pelo parceiro de uísque dele e meu padrinho por adoção, Ênio Andrade, nosso técnico naquela campanha.

 

O pai tinha razão, como você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve muito bem lembrar: o Grêmio foi campeão.

 

Neste domingo, repassei todas aquelas cenas em conversa com a turma aqui de casa, a qual revi depois de duas semanas de férias. O papo foi antes de a partida se iniciar e cheguei a comentar que desde aquele jogo sempre vejo a Ponte Preta como um convidado inconveniente, disposto a estragar a festa. Nem sei se é o que a estatística nos prova, mas é a sensação que tenho – legado do susto que tomei em 1981.

 

Curiosamente, hoje muita gente fala que o Grêmio tem capacidade de ser campeão brasileiro novamente, mesmo que a Libertadores e a Copa do Brasil sejam prioridades na temporada, e se tenha permitido que o líder da competição abrisse distância de até 10 pontos ganhos. Essa condição impõe respeito e medo nos adversários e a maioria deles já entendeu que dentro da Arena o melhor a fazer é travar o jogo e reforçar a defesa – tipo de esquema difícil de encarar dadas as características gremistas. Não é por acaso que vamos ao Maracanã ou à Ilha do Urubu e saímos de lá com uma vitória, e ao retornarmos para casa suamos na busca do resultado.

 

A defesa bem montada, jogadores abnegados na marcação, um time disposto a parar a partida o máximo possível e um atacante perigoso fez do jogo deste domingo um desafio muito maior do que poderíamos esperar – e muito mais chato. Faltavam espaço para tocar a bola e velocidade para fugir dos marcadores. Não bastasse isso fomos traídos em uma escapada de contra-ataque e um gol contra, que serviu para reforçar o susto do passado, ainda no primeiro tempo.

 

O intervalo foi providencial e muito bem aproveitado por Renato que fez o time entender que se tentasse jogar o seu jogo, acreditasse no seu talento e tocasse a bola mais à frente do que ao lado teria chances de mudar o cenário da partida. E foi o que assistimos já nos primeiros movimentos do segundo tempo. Aos 11 minutos, Barrios fez um; aos 23, fez dois; e aos 42, Everton confirmou a vitória – no mais bonito de todos eles. Gols que dizem muito sobre o Grêmio de 2017, que aposta em talentos individuais para construir uma obra coletiva.

 

Que o susto que a Ponte nos pregou no primeiro tempo de hoje nos leve ao mesmo destino daquele de 1981.

Avalanche Tricolor: saúde, Grêmio!

 

 

Flamengo 0x1 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Urubu-RJ/RJ

 

 

capa

Foi no Grêmio.net que li sobre o jogo

 

 

Estratégias precisam ser bem desenhadas e o esboço se inicia com análise dos recursos que se tem em mãos, as condições que serão encontradas no seu caminho e, claro, levando em consideração o adversário. Renato fez isso com maestria, nesta noite de quinta-feira, pelo que pude entender não apenas no resultado final da partida, mas nos lances disponíveis na internet e nos textos escritos pós-jogo – especialmente o publicado no Grêmio.net.

 

 

Sim, pelo que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter percebido, não assisti ao jogo disputado no Rio de Janeiro, infelizmente. Durante todas estas férias que passo fora do Brasil, encontrei formas de aproveitar ao máximo os dias de descanso com a família, sem me desconectar do Grêmio. Assisti a jogos pelo celular, pelo computador, em aplicativos oficiais e canais nem tão oficiais assim. Agenda estrategicamente desenhada para estar com o Grêmio onde o Grêmio estivesse.

 

 

Desta vez, porém, meu plano de jogo falhou. Na véspera da primeira etapa da minha viagem de volta ao Brasil, marquei um jantar com pessoas muito queridas e acolhedoras. O único problema é que o horário do encontro coincidia com a partida do Grêmio, no Rio – fui traído pelo fuso horário. Seria deselegante desmarcar, sem contar o constrangimento que causaria. Já que minha agenda estratégica havia falhado, restava-me depositar toda a confiança na de Renato e na força do nosso time – e convenhamos, estávamos em ótimas mãos e pés.

 

 

Como bem mostrou o Grêmio, a gente precisa se adaptar as condições da partida. Não dá pra atacar? Vamos defender bem. Não dá pra dar show? Chutemos a bola pra longe. Foi o que fiz.  E da mesma maneira que  Luan foi  capaz de escapar com a bola entre as pernas de um de seus marcadores, sair da pressão de dois adversários e, mesmo espremido na área, encontrar o raro caminho do gol, também dei meus dribles nos convivas e encontrei espaço durante o jantar para conferir a tela do celular a espera dos alertas do jogo. 

 

 

começa o jogo

 

 

O primeiro deles apenas anunciou o início da partida, sem mais nada a acrescentar; o segundo, demorou para aparecer e meu consolo era que se nada surgia ao menos estávamos empatando. Foi, então, que, aos 25 minutos do primeiro tempo, quase gritei gol diante do garçom que me servia mais uma taça de vinho:

 

 

Goool

 

 

Dali pra frente, tudo que queria, além de seguir o bom papo que levava com os companheiros de mesa é que nada mais surgisse na minha tela, pois sinalizaria que teríamos garantido os três pontos. Da taça de vinho ao prato principal, passando pela entrada e salada, nada acontecia no meu celular.

 

Quando a sobremesa estava sendo servida, chegou o aviso final e a certeza que o Grêmio seguia firme e forte no Campeonato Brasileiro, apesar dos tropeços nas três últimas rodadas.

 

 

Final

 

 

Aliás, eis aqui algo a se pensar: mesmo sem pontuar três partidas seguidas, privilegiando a Libertadores e a Copa do Brasil, jogando fora de casa e contra um dos mais fortes times do campeonato ainda assim estamos vivos na competição, e somos o vice-líder do Brasileiro.

 

 

Haja estratégia, Renato!

 

 

Pedi para servirem mais uma rodada de vinho e convidei a todos para o brinde final: agradeci a recepção que tive, a forma carinhosa como minha família foi tratada e, no silêncio do meu pensamento, a vitória do Grêmio, também.

 

 

Cheers!

Avalanche Tricolor: assim é pra acabar de vez com minhas chances no Cartola

 

 

Grêmio 0x2 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Vai dizer que você não apostaria neles, também?

 

 

 

 

Havia seis jogadores e o técnico do Grêmio no meu Cartola para a rodada deste fim de semana. A dominância tricolor é um padrão no Reina del Sur*, time que criei para disputar a Liga Hora de Expediente CBN – brincadeira que engajou mais de 4 mil ouvintes de um dos quadros do programa que apresento na rádio CBN.

 

 

No momento de escalar um lateral, analiso as possibilidade da longa lista disponível e teimo em pensar, ou melhor, em torcer para que as opções gremistas tenham melhor desempenho na rodada seguinte. O mesmo critério (o do torcedor) uso na avaliação de quem será o volante, o meio de campo, o atacante, o goleiro e …. bem, o zagueiro é sempre o Geromel e não tem discussão.

 

 

A dificuldade de me desapegar do tricolor, porém, tem me cobrado um preço caro no fantasy game.

 

 

Bons jogos e vitórias não são suficientes para que o craque escalado pontue bem. Às vezes, seu desempenho chama atenção em campo, mas dois ou três passes errados – que podem representar um percentual mínimo diante da quantidade de passes certos -, faltas cometidas e o cartão amarelo, injustamente aplicado pelo árbitro, são suficientes para reduzir a pontuação dele. Ou o seu atacante escalado em lugar de fazer o gol prefere deixar seus companheiros mais bem colocados. E logo aqueles companheiros que você deixou de escalar.

 

 

Sim, porque tem uma curiosidade nas minhas escolhas: quando percebo que tem muito jogador do Grêmio na formação do Reina del Sur, disfarço, faço de conta que vou equilibrar as forças e usar a lógica acima da emoção; substituo um da defesa, escalo outro no meio de campo, e mudo o companheiro do nosso atacante. Geralmente essas substituições são um desastre, pois retiro aquele gremista que acaba tendo melhor pontuação na rodada. Menos o Geromel, é lógico. Esse não sai nunca do time.

 

 

Impus a mim mesmo algumas regras no momento de escalar minha equipe no Cartola.

 

 

Regra número 1: nunca, jamais e em momento algum ponho no meu time alguém que vá jogar contra o Grêmio. Aí, não! Pelo amor de Deus! É desapego demais pra minha cabeça.

 

 

Regra número 2: sempre escalo o Geromel.

 

 

Regra número 3: na dúvida, escalo o jogador do Grêmio na posição.

 

 

Regra número 4: se sobrou dinheiro, convoco o Renato para técnico.

 

 

Não recomendo a você que siga minhas regras, especialmente se tem a pretensão de aparecer com destaque no Cartola. Minha pontuação até aqui, mesmo levando em consideração o bom desempenho que o Grêmio vinha obtendo no Campeonato Brasileiro, é lastimável. Se os líderes da nossa Liga Hora de Expediente CBN já estão na casa dos 800 pontos, eu “malemal” passei dos 550 e ocupava até a última rodada o 1.925º lugar entre 4.188 participantes – com tendência de baixa, haja vista os resultados parciais desta décima-segunda rodada do Brasileiro.

 

 

Por falar nesta rodada do Brasileiro: mesmo que escalar vários gremistas no Reina del Sur seja um padrão deste técnico fajuto de fantasy game, você há de convir que dado o desempenho, até então, dos dois times que se encaravam nessa tarde, na Arena, havia uma certa lógica na presença de seis jogadores e do treinador do Grêmio na minha formação. Imagino até que muita gente deve ter me acompanhado nesta aposta. E, assim como eu, se frustrado com o resultado alcançado em campo (menos com o Geromel, claro!).

 

 

*Antes que algum gaiato queira saber: Reina del Sur é homenagem a Kate del Castillo, musa de novela produzida em parceria de americanos e espanhóis, sobre uma mulher que comanda o narcotráfico, na Colômbia. Dá pra assistir no Netflix, mas cuidado: vicia!

Avalanche Tricolor: risco calculado

 

 

Palmeiras 1×0 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu

 

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Grêmio e torcida têm suas prioridades na temporada

 

Nem tanto pelo histórico no Pacaembu, muito mais pelas escolhas feitas. Perder na tarde deste sábado, em São Paulo, era o risco calculado, diante do verdadeiro desafio que temos na temporada. O time escalado era mais qualificado do que aquele que colocamos em campo bem no começo do campeonato, quando também buscávamos outros objetivos e perdemos. Porém, da mesma maneira que antes, o placar de agora se justifica pelo que almejamos amanhã – mais precisamente, terça-feira, na Libertadores.

 

Dia desses, em entrevista ao jornalista Cléber Grabauska, da Rádio Gaúcha, fui perguntado sobre qual deveria ser a prioridade do Grêmio a medida que está tão bem no Campeonato Brasileiro (estamos em segundo), encaminhando classificação na Copa do Brasil (quase na semifinal) e em plena forma na Libertadores (temos a melhor campanha). Respondi que para mim, torcedor nada enrustido, o sonho é a tríplice coroa. Falei sabendo da impossibilidade da tarefa, afinal as competições nesta temporada estão intercaladas e mais longas, exigindo esforço desumano dos jogadores. 

 

Se tivessem me perguntado sobre quem escalar neste sábado, claro que adoraria ver os titulares em campo, até porque a partida era em São Paulo, onde moro e todo revés gremista é comemorado em dobro pelos amigos, colegas e vizinhos – todos torcedores adversários. Quero ganhar sempre, quero ganhar de todos e de qualquer maneira.

 


Como escrevi dois parágrafos acima, porém, eu falo como torcedor; e como tal, tenho o direito de me deslumbrar com o impossível. Renato, que torcedor também o é, tem a responsabilidade de pensar como estrategista, ao lado da comissão técnica, e baseado nos relatórios de desempenho e performance dos jogadores que fazem parte do plantel. Nosso técnico tem consciência que o grupo mesmo reforçado precisa ser revezado, o que torna impraticável a manutenção da qualidade do futebol que tem encantando críticos. O jeito intenso, de velocidade, com passe preciso e domínio da bola exige esforço e jogadores em momento técnico precioso. Nenhum time do Brasil conseguiria manter esse desempenho de alto nível com tantas mudanças de jogadores na equipe escalada.

 

Pagamos nosso preço nesta décima primeira rodada do Brasileiro, assim como já havíamos feito na terceira rodada, também jogando fora de casa. Porém, dependendo do que trouxermos da Argentina, contra o Godoy Cruz, terça-feira, o placar deste sábado pode entrar no balanço final como lucro. Até porque para ser campeão da Libertadores vale qualquer sacrifício.

Avalanche Tricolor: orgulho, humildade e sabedoria ajudarão a encarar as prioridades

 

 

Grêmio 0x1 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Edilson em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioOficial

 

 

Estouravam foguetes e gritavam a vitória quando eu estava chegando à zona norte de São Paulo. Era lá que encontraria um dos meus filhos que, horas antes, havia conquistado bom resultado no cenário do esporte eletrônico – ainda bem, pois assim tive motivos para comemorar neste fim de semana. A distância entre minha casa e o local em que o time dele vive rendeu mais do que os 45 minutos do segundo tempo, o que me dividiu a atenção neste fim de tarde de domingo: parte do jogo na TV, outra no rádio – aliás, que saudades me deu de Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antonio Ranzolin e, claro, das narrações que ouvia do pai na Guaíba de Porto Alegre.

 

A comemoração da torcida adversária, que ecoava no início da noite, às margens da Rodovia Dutra, sinalizava a importância que esta dava ao jogo e o respeito que tem pelo Grêmio. Respeito que construímos até aqui com o futebol qualificado e intenso imposto a cada partida, mas que não apareceu com a mesma eficiência neste domingo.

 

As maiores chances de levarmos vantagem no placar surgiram no primeiro tempo, mas, curiosamente, a maior de todas veio exatamente no segundo, quando desperdiçamos pênalti. E se sequer fomos capazes de empatar com um pênalti a nosso favor, que o resultado sirva de ensinamento para as próximas partidas. Tenho certeza que será, pois temos um grupo maduro para absorver derrotas, aprender com elas e dar a volta por cima.

 

Primeiro de tudo, tirar da cabeça esta história de final atencipada. Nada se decidiu hoje à tarde, por mais que a vitória caísse muito bem para encararmos a maratona de competições que temos pela frente. Só de Brasileiro são mais 28 rodadas e 84 pontos a serem disputados. Acreditar que o campeonato lá no fim do ano será o mesmo desta primeira parte e não considerar os tropeços naturais que ocorrem no meio do caminho, é esquecer as temporadas passadas disputadas em pontos corridos.

 

Segundo, nada que ocorreu neste domingo deve ou pode impactar nossos objetivos. Nesta semana temos Copa do Brasil e logo ali vamos disputar a Libertadores, e sabemos bem que esta é a nossa prioridade. Portanto, cabeça erguida, orgulho com o que fizemos até agora, humildade para identificar as fraquezas e sabedoria para melhorarmos a cada jogo. Renato haverá de saber fazer tudo isso.

Avalanche Tricolor: o Grêmio não espera acontecer

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Rocha faz aos 10min do primeiro (reprodução SporTV)

 

 

Um aos 10 do primeiro tempo. Outro aos 40 do segundo. E entre um gol e outro aquela velha preocupação de que alguma coisa poderia dar errado. Sei lá, de repente um atacante que passou pelo nosso time sem nunca fazer nada, desencanta contra nós. Ou o outro que pouco fez quando esteve do outro lado, resolve fazer exatamente contra a gente. Quem sabe um chute sem noção desvia no nosso zagueiro, bate no travessão, volta, rebate nas costas do goleiro e entra no nosso gol. E lá se vão os três pontos que tanto queremos.

 

Estamos sempre a espera de uma desgraça, como se não confiássemos naquilo que assistimos jogo após jogo: um time respeitado Brasil à fora, enaltecido por comentaristas (claro que tem as exceções até para confirmarem a regra), que joga bonito, sabe passar e tocar a bola de pé em pé, se movimenta com velocidade, busca o gol o tempo todo e ainda é capaz de marcar com intensidade e se sustentar com uma defesa consistente, mesmo que nem todos os titulares estejam em condições de jogar.

 

Situação curiosa essa que vivemos, pois temos um time de futuro mas seguimos analisando-o com a ótica do passado. Desconfiamos do nosso próprio sucesso e, mesmo que tenhamos orgulho do que estamos vendo, ficamos com aquela estranha sensação: até quando tudo isso vai dar certo? Talvez seja resquício de um passado recente, reflexo do último título que queríamos conquistar mas desperdiçamos ainda na semifinal, logo no início desta temporada. Como se não tivéssemos vencido há alguns meses a Copa do Brasil.

 

O esbravejar de Renato ao lado do campo talvez dê razão a esses torcedores. Ele próprio não permite que o time acredite na sua superioridade. Quer ver o Grêmio jogando boa parte da partida como se estivesse precisando do resultado, sem tirar o pé, sem reduzir o ritmo, em alta velocidade e em alta intensidade. Melhor que seja assim, dessa forma não baixamos a guarda nunca, pois a maratona é longa e não dá para relaxar.

 

 

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Fernandinho faz o segundo aos 40 da etapa final (reprodução SporTV)

 

 

Os resultados do Brasileiro – na Libertadores e na Copa do Brasil também tem sido assim –  demonstram, porém, que estamos mais preocupados do que deveríamos. Enquanto esperava o segundo gol, capaz de espantar qualquer risco de desperdiçarmos os três pontos em casa, na noite desta quinta-feira, consultei os arquivos da competição e confirmei o que tenho pensado há algum tempo:

 

Em oito de nove rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio marcou gols no primeiro tempo. Em cinco partidas, bastaram 20 minutos para estarmos na frente. Em quatro delas, antes dos 10 minutos já tínhamos a vantagem.  Apenas em uma, quando escalamos o terceiro time, fazer o gol cedo e antes do nosso adversário não foi suficiente para sairmos vitoriosos. 

 

Ou seja,  o Grêmio não espera acontecer.

O seu técnico já leu “Moneyball”?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Campeonato Brasileiro mal começou e é visível a importância do acerto nas contratações de jogadores. Nem sempre o maior investimento é o melhor resultado. E, hoje, vemos que os times na ponta da tabela são os que menos gastaram em aquisições. Ao mesmo tempo também é de fácil observação nestes casos o excesso de prática sem análise, ou seja, confiar apenas na experiência de especialistas.

 

Há cinco anos, Daniel Kahneman, Nobel de Economia, ensinava que a decisão correta deve ser tomada rápida e devagar, isto é, com prática e teoria.*

 

(leia, também, meu artigo: O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas)

 

A partir dessa premissa, Michael Lewis, economista e historiador, através do best-seller “Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo” revolucionou o beisebol, aplicando a estatística para a contratação de jogadores. Num dos relatos, Lewis aponta a análise incorreta na avaliação de um jogador, quando a velocidade embora excepcional tivesse que estar conjugada a outros golpes.

 

 

Esta semana, Michael Lewis está nas páginas amarelas de Veja, onde fala sobre os limites da mente, ao comentar seu recente lançamento “O Projeto Desfazer”, do qual espera que as pessoas possam entender as diferenças entre o julgamento de um analista de dados e o julgamento intuitivo.

 

Mas o que me levou a trazer Michael Lewis para a pauta de hoje foi a seguinte fala:

 

“O médico lista os sintomas e o algoritmo diz qual deve ser a doença. Eu não sei se as análises de Moneyball afetaram o futebol brasileiro, mas imagino que hoje seja muito menos provável que a avaliação dos jogadores e das estratégias seja feita por uma única pessoa que se autodenomina especialista do que por meio de análise criteriosa de estatísticas sobre o desempenho dos atletas”.

 

Que todos perguntem aos técnicos dos seus times se já leram Moneyball, e se concordam com Lewis. Ao Rogério Ceni, além dessas questões indagaria se o algoritmo de Lucão é favorável.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

Avalanche Tricolor: sem jamais perder a magia

 

Cruzeiro 3×3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão/Belo Horizonte-MG

 

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Ramiro marcou o 3º do Grêmio (reprodução SporTV)

 

Haverá gremista se lamentando porque cedemos o empate e desperdiçamos a oportunidade de terminar a oitava rodada como líder do Campeonato Brasileiro.

 

Eu não!

 

Ouvi Ramiro,no fim da partida, choramingando ao repórter que tinha lhe feito uma pergunta qualquer. Queria ter terminado o jogo com a vitória. E entendo a insatisfação de um jogador que lutou mais de 90 minutos em busca do gol: fez o dele, permitiu que os outros fizessem os seus e esteve presente em boa parte das jogada de ataque. Suou e jogou muito para merecer a vitória.

 

Assim como Ramiro, jogaram demais: Michel, Arthur, Everton, Pedro Rocha e Luan – apenas para citar aqueles que estão na nossa linha de frente. A turma lá de atrás também redobrou-se para sustentar o resultado, diante de uma equipe necessitada de pontos e empurrada pela sua torcida. Foi esse somatório que nos fez jogar sempre na frente do placar, mesmo fora de casa. Infelizmente não foi suficiente, cedemos o empate, e nossos jogadores devem estar incomodados com isso.

 

Insisto: eu não!

 

Independentemente do que chegamos a ter em mãos por alguns momentos desta segunda-feira – a vitória e a liderança do Campeonato -, fizemos hoje no Mineirão um baita jogo de futebol. Uma partida de orgulhar o torcedor pela maneira como o time se comportou em campo, pelo talento com que alguns dos nossos jogadores demonstraram, pelo toque de bola preciso e com categoria apresentado especialmente no nosso meio de campo.

 

O prazer de ver o Grêmio jogar a bola que está jogando sob o comando de Renato não me dá o direito de reclamar do resultado. Estaria, sim, desconfortável se saíssemos com um daqueles empates alcançados com futebol retranqueiro e sofrido. Ao contrário, quem assistiu ao Grêmio nesta noite, teve a convicção de que somos um time para disputar o título. E o título está em disputa, mesmo porque ainda é cedo para qualquer definição.

 

O Grêmio poderia terminar a rodada líder, é verdade; não o fez, mas a encerrou na disputa da liderança. Tem muitos jogos pela frente e adversários diretos já nas próximas partidas. Está maduro, bem formado, com jogadores importantes voltando aos poucos e encantando por onde passa. Temos de ter consciência que para alcançarmos a conquista maior é preciso capacidade de superar reveses e entender placares adversos, sem jamais perder a magia.

 

 

 

Avalanche Tricolor: o time de “4 volantes” que dribla a lógica do futebol

 

Fluminense 0x2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

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Edílson fez o primeiro de falta (reprodução Premier)

 

O  Grêmio dribla a lógica do futebol e dá um nó na cabeça dos cronistas esportivos. Há dois jogos é acusado de jogar com quatro volantes, solução encontrada por Renato para suprir a ausência de Barrios no comando do ataque. E com quatro volantes, para a maioria dos críticos coisa de gente que prefere a retranca e não gosta de criatividade, somou seis pontos no Campeonato Brasileiro, três deles nesta noite de quinta-feira quando jogava fora de casa. Ok, você me dirá que o Rio é a casa do Renato e o Maracanã, palco preferido do Grêmio, e eu vou concordar*. Mas, tecnicamente falando, jogar lá e jogar fora de casa.

 

O que me espanta é alguém ainda entender que Ramiro, por exemplo, é volante. Ele até é volante quando a gente precisa, mas sabe jogar muito bem quando se posiciona mais próximo da área do adversário ou ao cair pelo lado direito revezando com o lateral – no caso de hoje com Edílson.

 

Arthur também entra na conta dos nossos volantes, porque deve ter sido assim inscrito nas planilhas oficiais em algum momento. Hoje, esteve por duas vezes diante do gol, prestes a marcar, e manteve a bola nos pés, articulando no meio de campo, por quase toda a partida. Sim, quando o Grêmio é atacado, ele volta para marcar, fecha na frente da área, rouba a bola e retoma sua função de articulador. Porque assim é o time do Grêmio: solidário, compacto e guerreiro para impedir ameaças do adversário; trocador de passe, ágil no toque de bola, rápido se necessário e matador quando ameaça o adversário.

 

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Luan fez o segundo de falta (reprodução Premier)

 

Pra complicar ainda mais as ideias: venceu na noite de hoje, como disse um jogador do outro time ao fim da partida, com duas bolas paradas. Tem razão no que diz; perde a razão na maneira como diz. Dá a entender que isso é demérito ou lance de sorte. Ledo engano. As faltas foram resultado da troca de passes veloz e da busca do drible. E as cobranças, resultado de muito treino e categoria. Na força, Edílson fez a bola dançar entre a barreira e o goleiro, no primeiro gol. Na sutileza, Luan acariciou a bola com o peito do pé e  a fez deslizar pela rede sem qualquer chance para o goleiro.

 

Com “quatro volantes” e “dois gols de bola parada”, Renato faz no comando da equipe o mesmo que fazia quando comandava nosso ataque: deixa o adversário desnorteado, e os críticos, também.

 

Em tempo: o Grêmio Show encantou em campo e foi acompanhado por nossa torcida que cantou mais alto, no Maracanã.