Time grande cai sim, viu Inter?

 

Prometi que publicaria dois textos mostrando pontos de vista diferentes em relação ao Internacional, rebaixado à Segunda Divisão, nesse domingo. O primeiro foi do José Renato Santiago, com o título “A queda do Imortal Colorado”, que você pode ler correndo a página para baixo. Agora, o outro lado: o gremista e jornalista Airton Gontow manda o seu recado. Aproveite e compartilhe:

 

Por Airton Gontow

 

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Chega de falácia!

 

Chega de frases de marketing!

 

O Inter, que não ganhou diversas competições, não é “Campeão de Tudo”!

 

O Inter, que pintou o mundo de vermelho, como um belo entardecer, não é mais campeão do mundo que o Santos, de Pelé, Pepe e Coutinho ou o Flamengo de Zico, Júnior e Adílio.

 

Não, o Mundial do Inter não vale mais que o do Grêmio, “porque o Mundial não era Fifa”.

 

Em 83, Renato Gaúcho, Hugo de Leon, Mário Sérgio e Paulo Cesar Caju desmentiram Yuri Gagarin e mostraram que a Terra não é só Azul, mas Azul, Branca e Preta.

 

Há centenas de matérias, como na decisão da Libertadores de 1980 entre Inter e Nacional, com dirigentes, jogadores e torcedores colorados falando sobre seu sonho de ser campeão do mundo no final do ano, em Tóquio.

 

Aliás, foi um castigo do destino que o pior dia da tua história tenha caído exatamente na data em que nós, gremistas, festejamos os 33 anos da conquista do nosso maior título, que tanto procuras deslegitimar.

 

Time grande cai sim!
E tu és grande, Inter!
És o maior campeão gaúcho!
És tri campeão brasileiro, o único invicto!
És campeão da Copa Sul-Americana, a Segunda Divisão da América!
És bicampeão da Libertadores!
És um campeão mundial!

 

Tu tiveste Falcão!
Tiveste Carpergiani.
Tiveste Manga e Tesourinha.
Claro que és grande!

 

Saiba, caro rival Colorado, que time grande cai até mesmo impulsionado pela própria grandeza. Quando tudo dá errado, para o grande é na maioria das vezes até mais difícil reverter a queda. Como um caminhão (ou um trator) desgovernado ladeira abaixo.

 

Um dia, passado o choque de realidade, tu voltarás ao teu lugar de Direito (sem trocadilho, claro, com tuas ações no STJD).

 

Triste, né, que teus fanáticos torcedores tenham recebido o choque de realidade de forma tão doída?

 

Era tão óbvio!

 

Se um time que tem sete títulos nacionais, como o Grêmio, cai, porque um time que conquistou quatro títulos nacionais não cairia um dia?

 

Se cai para a Segundona uma equipe que tem um moderno estádio para 60 mil pessoas, a Arena (para muitos o mais belo do País) porque um time com um velho e belo estádio restaurado, com 50 mil lugares, não poderia ir para a Segunda Divisão, também?

 

Se o tricolor gaúcho, sexto colocado no ranking das maiores do País, já foi para a divisão de Acesso, porque o Colorado, com seus torcedores, que formam a nona torcida do País, não iria um dia cair para a segunda divisão, também?

 

Se os azuis, que em 2017 disputarão sua 17ª. Libertadores – a Primeira Divisão da América – desce para a Segundona, porque os vermelhos, que sonham em um dia jogar sua 12ª. Libertadores, não iriam cair um dia?

 

Se o Clube com a terceira posição em número de sócios do País já conheceu o inferno da Segunda Divisão, porque o quarto colocado em quantidade de associados não amargaria também a divisão de baixo do Campeonato Brasileiro?

 

O time que formou, desde gurizinho, o mais famoso jogador de futebol brasileiro das últimas décadas, Ronaldinho Gaúcho, já caiu!

 

O primeiro colocado no Ranking da CBF já caiu!

 

Então, quem é que acreditava de fato que um Clube que não conquista um Brasileiro desde 79 e uma Copa do Brasil desde 92 ficaria eternamente na Primeira Divisão do Campeonato Nacional?

 

– Elementar meu caro Carvalho, quer dizer, Watson!

 

Para os colorados, um alento: se o Inter mereceu descer, desta vez, vocês não mereciam essa queda, tamanha as demonstrações de amor e fidelidade. Não, vocês não mereciam, mesmo com a vossa arrogância da última década. Afinal, ela é de direito dos torcedores vitoriosos. Mas não dos dirigentes que comandam um clube.
Mal vejo a hora de começar 2017.

 

Como sempre na história da rivalidade gaúcha, a “secação” estará em campo em todos os jogos. Afinal, torcemos tanto pelas vitórias do nosso time quanto pelas derrotas do maior adversário.

 

No ano que vem, nós gremistas estaremos de olho na tv para que o Inter não consiga retornar à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Já os colorados estarão torcendo, desesperadamente, para que o Grêmio não chegue à sua terceira Libertadores e ao seu segundo Mundial.

 

A queda do ‘Imortal’ Colorado

 

O caro e raro leitor deste blog há de considerar estranho. Acostumado que está em ler minhas Avalanches apaixonadas pelo Grêmio, depara-se com um post dedicado ao Internacional, e logo após o seu rebaixamento à Segunda Divisão. Desde domingo, tenho recebido uma série de colaborações de leitores, ouvintes e amigos que curtem o futebol como eu. Decidi, então, escolher dois deles para representar os dois grupos majoritários desses escrevinhadores: os que torcem para o Inter e os que torcem contra o Inter.

 

O primeiro deles é de José Renato Santiago, autor do site Memória Futebol, que conta sua admiração pelo colorado; o segundo, que será publicado em seguida, é do Airton Gontow, gremista de quatro costados.

 

Vamos a eles:

 

Por José Renato Santiago
Do site www.memoriafutebol.com.br

 

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

 

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.
Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

 

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

 

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

 

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno. Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11. Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols). Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

 

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

 

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

 

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar. Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

 

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

 

O Internacional jogava demais.

 

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

 

A vitória colorada, no entanto, significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

 

Creio que até mesmo para muitos colorados nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

 

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

 

Também por conta disso, que entre as cinco equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, – além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também – sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

 

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, às quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

 

Uma pena.

Avalanche Tricolor: o Domingo da Alegria!

 

Grêmio 0x1 Botafogo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Alegria na torcida do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Domingo é dia de ir à missa. E isso já contei muitas vezes pra você, caro e raro leitor desta Avalanche. Hábito que aprendi com minha mãe, a quem perdi muito mais cedo do que devia, e abandonei com o passar do tempo. Faz alguns anos retomei a caminhada e isto tem me feito bem em todos os sentidos.

 

Aqui em São Paulo, fui morar próximo de uma capela, que fica bem na esquina de casa. Após algum tempo frequentando o local, descobri que entre os padres que se revezavam nas missas diárias estava José Bortolini, um intelectual religioso e autor de dezenas de livros. Soube por ele próprio que éramos conterrâneos. Eu, nascido em Porto Alegre. Ele, em Bento Gonçalves. Ambos, torcedores do Grêmio.

 

Santa coincidência.

 

Sei que já escrevi nesta Avalanche sobre Padre José e também deixei claro que procuro ao máximo não misturar religião e futebol. Acho que Ele tem coisas mais importantes para resolver.

 

Para o campo e para a bola, existem deuses próprios. Mundanos. Travessos e sempre prontos a se divertirem com nossas angústias. Irônicos ao se depararem com a soberba. Injustos, quando estão manipulando contra o meu time. Implacáveis, algumas vezes.

 

Padre José não acredita nesses deuses, mas adora assistir aos jogos de futebol. Quarta-feira passada acordou dois dos seus mais próximos companheiros de caminhada – acostumados a irem para a cama cedo – e os fez vibrar com o Grêmio Penta da Copa do Brasil.

 

Apesar do meu cuidado para que religião e futebol fiquem cada um em seu campo, confesso que, neste domingo, fui a Igreja com a esperança de encontrar o Padre José. E, Graças a Deus, ops … E, graças a escala das missas, lá estava ele na porta para receber os fiéis. Trocamos olhares cúmplices e não soubemos esconder o sorriso maroto de quem conquistou um título de expressão nacional depois de 15 anos.

 

Padre José vestia túnica branca e estola rosa, uma espécie de vermelho esmaecido. Cumprimentou-me e entramos na Igreja para mais uma missa dominical. Antes, porém, cochichou-me no ouvido: não esquece, hoje é o Domingo da Alegria.

 

Sinceramente, até agora não sei se ele se referia ao fato de ser o Terceiro Domingo do advento, tempo de os católicos se alegrarem na preparação e pela espera do ‘Prometido’, ou se suas palavras estavam apenas antecipando o que viria acontecer ao fim desta última rodada do Campeonato Brasileiro.

 

Seja o que for, o domingo foi de muita alegria (ao menos para a maioria de nós)!

Avalanche Tricolor: calma, gente, quarta-feira está chegando!

 

Santa Cruz 5×1 Grêmio
Brasileiro – Arruda/Recife-PE

 

Escrevo esta Avalanche e ouço foguetes estourando ao longe. Estou em São Paulo. Já é noite. E por aqui tem time e torcedores com muitos motivos para comemorar. Fizeram por merecer.

 

Soube por amigos que em Porto Alegre alguns foguetes foram ouvidos, também. Assim que a tarde se encerrou. Lá, porém, não me parece que havia motivos suficientes para festa. Respiram por aparelhos ainda.

 

Independentemente do que as torcidas, sejam das cores que forem, estejam a celebrar, eu não tenho nada a ver com isso. Meus olhos se voltam para o azul do Grêmio que hoje voltou a cumprir tabela no Campeonato Brasileiro.

 

Por coincidência, fomos cumprir tabela no Recife exatamente no fim de semana em que comemoramos 11 anos da Batalha dos Aflitos. Foi ali pertinho e um dia antes, 26 de novembro, que colocamos no cenário mundial a disputa da Segunda Divisão do futebol brasileiro. Sim, porque sendo na Série B só mesmo uma vitória alcançada da forma que alcançamos merece entrar para a enciclopédia do futebol.

 

Ok, melhor não falar dessas coisas de Série B, de Segunda Divisão, de rebaixamento, neste momento. Alguém haverá de pensar que é apenas provocação de minha parte; e você, caro e raro leitor desta Avalanche, sabe que sou adepto da ideia de que cada um cuida dos seus problemas.

 

No Recife, desta vez, usamos time reserva. E até vínhamos tendo uma boa performance. Chegamos a fazer gol logo no primeiro tempo, o que daria um outra cara à partida. Pena que colocaram um estágio como bandeirinha para atrapalhar.

 

Dali pra frente, foi o estrago que se viu. Chegamos a marcar um gol, resultado do talento de Miller que driblou a defesa e ficou sozinho na cara do goleiro. Mas foi só o que se fez. O resto … esquece!

 

E esquece mesmo porque afinal o que nos interessa está logo ali, na quarta-feira, na Arena, em Porto Alegre. É quando vamos concretizar um sonho que estamos alimentando há 15 anos: a reconquista da Copa do Brasil!

Avalanche Tricolor: um passeio no parque com direito a muita diversão

 

 

Grêmio 3×0 América MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Festa na Arena em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

 

Dois gols no primeiro tempo, um no segundo. Alguns bons lances de ataque, toque de bola interessante e uma ou outra jogada que poderia ter levado a uma vitória ainda mais tranquila.

 

 

A partida deste domingo foi quase um passeio no parque.

 

 

Com todos os jogadores reservas e poucos riscos a correr, voltamos a vencer no Campeonato Brasileiro e nos mantivemos na disputa por uma vaga na Libertadores.

 

 

Foi bom até para tirar o peso das costas de alguns jogadores que ainda nos devem um temporada melhor como Fred, que fez o primeiro gol, Negueba, que marcou o segundo, e Miller, autor do terceiro.

 

 

As disparadas de Iago pela direita foram boas de ver, e ofereceram a esperança de que possa haver ali um lateral mais eficiente na frente. Everton foi o Everton que conhecemos no ataque. Guilherme, também. E confesso que torço muito para que ele ganhe o direito de comemorar um gol neste ano.

 

 

Gostei ainda de ver o menino sul-africano Ty e sua agilidade com a bola no pé, apesar de ter entrado apenas no segundo tempo. Que sejam apenas os primeiros passos de uma longa carreira no time titular.

 

 

Depois de cinco jogos sem vitória e a alguns dias da Grande Decisão, o Grêmio ofereceu ao seu torcedor um domingo divertido. Aliás, vi muita gente dando gargalhada na arquibancada … e não era só pelos gols que marcamos em Porto Alegre.

 

 

Fala a verdade: fizemos por merecer estes momentos de tranquilidade até porque as próximas duas semanas serão nitroglicerina pura.

 

 

Que venha a Copa!

Avalanche Tricolor: era clássico, mas não era Copa

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/SP

 

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O Grêmio tá de olho mesmo é na Copa  (foto LUCAS UEBEL/GremioFBPA)

 

Esqueci não! É falta de tempo mesmo. Assim respondi a alguns amigos que, como você, caro e raro leitor deste blog, percebeu a demora na publicação desta Avalanche.

 

A quinta-feira foi gorda e me afastou do Morumbi, apesar de morar tão próximo do estádio. Já a sexta foi rica e corrida. E mal consegui sentar para escrever.

 

Nosso cotidiano tem sido tomado por compromissos. E precisamos privilegiar uns em detrimento de outros. Aprendi no tempo que a ideia do ser humano multitarefa é lenda urbana. Foi criada por gestores dispostos a nos impor cada vez mais trabalho.

 

Por mais que consigamos realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, tenha certeza que apenas uma delas será feita com afinco e precisão. As demais correm no piloto automático.

 

Isso não quer dizer que deixei de assistir ao Grêmio neste que é um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

 

Independentemente da situação que as duas equipes estejam na competição, ver os tricolores gaúcho e paulista frente à frente é sempre esperança de bom jogo e lembrança de grandes conquistas. Para provar isso, ouvi o locutor da televisão informar que partidas entre os dois clubes não terminam em 0x 0 faz um catatau de anos. E o jogo de ontem manteve a escrita com o 1a1 final.

 

Em deslocamento de uma cidade a outra, aqui na região de São Paulo, assisti ao jogo pela tela do meu celular e diante do que vi, sempre que a conexão permitiu, o resultado pode ser explicado de maneira simples: um time jogou no primeiro tempo e o outro, no segundo. Além disso, fomos de uma precisão singular: um chute no gol, um chute dentro do gol.

 

Claro que tem outros aspectos que precisam ser levados em consideração.

 

Por mais que os dois pontinhos que deixamos de ganhar fossem importantes para nos colocar na zona de classificação da Libertadores, imagino o quanto tem sido difícil convencer jogadores – e a própria torcida – de que existe alguma coisa a ser conquistada além da Copa do Brasil.

 

Pede-se empenho no Brasileiro e na cabeça do cara vem a imagem da partida final da Copa do Brasil. Exige-se um esforço extra para recuperar a bola e aparece o temor de uma lesão capaz de afastá-lo da decisão. Quer-se uma vaga na Libertadores e o jogador logo pensa que está prestes a conquistá-la por outro caminho e com direito a levar a taça.

 

Como lembrei: até podemos fazer várias tarefas ao mesmo tempo, mas tendemos a priorizar apenas uma. E essa uma, no caso do Grêmio, você sabe bem qual é.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

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Brasileiro – Arena Grêmio

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Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

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O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

Avalanche Tricolor: clássico de muita disputa e pouco futebol

 

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Torcedores a espera do Gre-Nal em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se você não é da terra, dificilmente será capaz de entender o sentimento que move os gaúchos em um domingo de Gre-nal. Esse clássico extrapola os interesses do futebol, vale mais do que três pontos na tabela e talvez um título não seja capaz de superar o desejo da vitória.

 

Já assisti ao meu time vencer uma partida final por 3 a 1, na casa do adversário, e apesar de o resultado não ser suficiente para o título, comemorarmos como se a conquista do jogo fosse maior do que a do campeonato. Do outro lado, a festa foi constrangida, sem graça. O contrário também deve ter ocorrido, mas prefiro não lembrar coisa ruim.

 

O resultado do Gre-nal define a segunda-feira, a semana, às vezes a temporada que se segue. Pergunte a eles se já esqueceram do 5 a 0?

 

Quando era guri, fingia uma dor qualquer para não ir a aula no dia seguinte em caso de derrota. E quando não havia a conivência da mãe, vestia a camisa tricolor e tomava um copo de leite quente misturado a uma dose extra de coragem para encarar os colegas encarnados. Aí deles, porém, se a vitória fosse minha. O dia começaria cedo com direito a homenagem já na porta da escola. E seria longo, capaz de durar até o próximo clássico.

 

Estou mais velho e vivido do que naqueles tempos de guri em Porto Alegre; e a distância do Rio Grande reduz o impacto do resultado. Mas, acredite, o Gre-nal ainda importa muito.

 

Hoje cedo, como sempre faço aos domingos, fui à Igreja perto de casa, onde a missa das 9 da manhã é rezada por um padre gremista – e isso, como já expliquei nesta Avalanche, é apenas uma feliz coincidência.

 

Padre José sabe que temos coisas mais importantes durante o ato religioso, mas é incapaz de se despedir sem uma palavra de graça: “é hoje”, disse-me de forma simpática. E imagino que a expressão foi ouvida em todo o Rio Grande, a cada troca de cumprimento na padaria, no passeio na Redenção ou a caminho da Arena.

 

“É hoje” significa muita coisa. É quando vamos vencer ou vamos derrotar. É quando, com certeza, vamos sofrer. É quando vamos viver emoção que não se encontra igual em nenhuma outra partida de futebol pelo mundo – e deixemos que os torcedores de outros clássicos pensem igual de suas disputas. Mas este é o nosso clássico a disputar.

 

“É hoje” tem a capacidade de resumir tudo que pensamos sobre o Gre-nal. E dá o clima deste jogo de características singulares no futebol brasileiro.

 

Mexe a tal ponto com os ânimos que o torcedor comemora até recorde de público, como na festa feita pelos gremistas diante da informação de que havia 53.287 pessoas assistindo ao jogo, o maior número já registrado na curta história da Arena.

 

É este ambiente que fez o gringo Kannemann se transformar em jogador de rugby ao se atirar na grama para disputar com as mãos a bola que sequer estava em jogo, e provocar a agressão do adversário. Mesmo motivo que o levou a se jogar como pode para impedir o contra-ataque que poderia ter sido fatal, quase ao fim da partida.

 

É esta sensação que nos faz vibrar (sem que isso signifique comemorar) ao assistir a cena de pugilismo travada no campo e provocada por Edílson. Soca-se o ar e depois bate uma baita vergonha, pois se percebe que nada daquilo é justificável. É uma sensação animal que toma conta da pessoa e tem de ser contida.

 

O “É hoje” de hoje só não foi capaz de levar as equipes a fazerem um jogo mais bem jogado. Apesar de a bola ter rolado muito e por boa parte do tempo, foi mal rolada e isso deixou os times muito parecidos em campo, um prejuízo para nós que estamos mais bem arrumados e ainda disputando vaga para a Libertadores.

 

PS: diante do pouco futebol jogado, o melhor do clássico foi o pedido de casamento de um torcedor gremista para a colorada que estava ao seu lado na área destina à torcida mista. É a prova de que apesar de todas as provocações e indignações, a convivência é possível e muito bem-vinda. Imagino que o casal ao sair de casa se olhou e disse um ao outro:”é hoje” – cada um com o seu significado!

Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

 

 

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Brasileiro – Vila Belmiro SP/SP

 

 

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Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA


 

 

Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
 

 

O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
 

 

Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
 

 

E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
 

 

Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
 

 

Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
 

 

O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído – e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
 

 

Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
 

 

Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
 

 

Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.