A “Revolta dos Eucaliptos” gera caos e indagações urbanas, no Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Um eucalipto de 38 metros e 50 anos, ao ser desbastado a pedido dos moradores do condomínio horizontal que o abrigava, causou transtorno, quando parte do seu tronco ao ser removido tombou o guindaste e a carreta que o transportaria — além de atingir a rede de alta tensão.

 

Caos suficiente para atrair as TVs, as rádios e os helicópteros. Afinal, o porte da árvore, as dúvidas quanto a derrubada e o erro operacional contribuíram para a espetacularização ocorrida. Inclusive a proximidade ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Visitando o local durante a operação, iniciada na quarta-feira, ouvimos dos moradores que lideraram o pedido à Regional do Butantã os motivos:

 

“Estávamos correndo risco com os galhos que poderiam cair nas crianças”

“Um galho destruiu meu telhado”

“Frequentemente tenho despesa com a limpeza do telhado cheio de folhas”

“A árvore é um para raio intenso, atraindo enorme quantidade de raios”

“Os raios que atraem se espalham pelas árvores vizinhas menores causando a morte delas”

“Não dá para regar as árvores vizinhas, tal a quantidade de água que absorve”

“Este porte de árvore não é condizente com o urbano”

 

É importante ressaltar o clima beligerante que observamos dos moradores em contenda com o Eucalipto. Talvez o momento agressivo que vivemos deva ser considerado, mais do que as recentes chuvas.

 

O histórico do local em termos de preservação já vinha demonstrando uma certa animosidade.

 

É o 14º lote da Rua Comissário Gastão Moutinho, originalmente ocupado por uma residência que foi vendida e demolida para o lançamento de 12 casas. Como a urbanização original não permitia tal adensamento, houve embargo por ação da entidade representativa dos moradores do Morumbi — bairro onde “habita” o Eucalipto. Houve um processo rápido em função do apoio da mídia, principalmente da TV Globo e do Estadão. Foram então construídas apenas seis casas, no formato de condomínio, cujos moradores, tempo depois solicitaram a derrubada do Eucalipto, alegando infestação de cupim.

 

A regional do Butantã enviou equipe para o corte. Com o apoio da rádio CBN, uma ação da entidade dos moradores do Morumbi conseguiu a retratação do engenheiro agrônomo que tinha assinado a autorização do corte da árvore. E a equipe foi dispensada. E os cupins não apareceram.

 

Surge agora, década e meia depois, essa autorização para a derrubada, expedida pela Regional e gerada pela solicitação dos condôminos, possibilitando uma série de interpretações e reflexões — dependentes da orientação social, cultural e comportamental de cada cidadão.

 

De nossa parte é clara a responsabilidade de quem procura uma região com as características do Morumbiem mantê-las. Não é lógico usufruir dos benefícios das árvores sem dar a elas a contra partida.

 

E para quem acredita que as árvores também têm alma, é bom saber que, com a reação do Eucalipto, os moradores foram castigados por 24 horas com barulho, lama e falta de energia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Em Botucatu, um exemplo de agricultura sustentável

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

((vídeo produzido pelo canal do Projeto Orgânico Simples! no You Tube))

 

A cidade de Botucatu, há 44 anos, recebia os irmãos Joaquim e Pedro Shmidt e os amigos de infância Jorge Blaich e Mario Bertalot, com o propósito de transformar as terras ali recém-adquiridas num processo de refertilização e apaziguação da agressividade humana com o solo.

 

A “Estância Demétrio”, fundada por eles, e origem do bairro, que foi a primeira fazenda biodinâmica brasileira, se caracterizava por um solo arenoso que exprimia as feridas causadas pelo manejo agropecuário tradicional com as queimadas anuais, as geadas e as secas.

 

Vale registrar que a Agricultura Biodinâmica é uma forma alternativa de Agricultura Orgânica, que inclui conhecimentos e métodos químicos, geológicos, astronômicos e espirituais. Foi conceituada pelo alemão Rudolf Steiner na década de 1920.

 

A Biodinâmica tem recebido um crescente aumento de seguidores, como produtores e consumidores no ritmo dos produtos orgânicos. Ao mesmo tempo que há críticas de comunidades científicas a respeito das influencias intangíveis que absorve.

 

O núcleo original de Botucatu logo chegou a ter 30 hectares de verduras e 20 de ervas medicinais com mais de 100 funcionários. Posteriormente, juntou-se ao vizinho “Sítio Bahia” e se concentrou mais na produção de leite e no feito de cultivar trigo em solo originalmente castigado. Hoje abriga:

 

– “Escola Aitiara” de Pedagogia Waldorf promovendo integração social aos seus 300 alunos;
– A “Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica” que realiza pesquisas e cursos, prestando consultoria para produtores rurais.
– A “Associação Instituto Biodinâmico” credenciadora nacional e internacional com mais de 3000 produtores certificados.
– O “ Instituto Elo de Economia Associativa” que ministra curso de pós-graduação lato sensu de Agricultura Biológico-Dinâmica em parceria com a Universidade de Uberaba MG.
– A “Associação Nascentes” que cuida de preservação ambiental e recuperação dos aquíferos da região, além da coleta do lixo da região.

 

Diante de tantas credenciais, a cidade de Botucatu recebeu há uma semana o “XXXIII Encontro Latino Americano & XIII Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica”, quando, durante quatro dias, o tema foi “Caminhos e encontros para um organismo agrícola e social”. Ou seja, a preservação e evolução do solo dentro de um sistema orgânico e social, de forma a desenvolver uma convivência construtiva e realizadora para todos os agentes.

 

Segundo Ricardo Corrêa, produtor rural local e comerciante pela WHEAT Bio Padaria, a proposição do evento foi alcançada, tendo havido muita troca de conhecimento e prática nos quesitos técnicos, culturais e sociais.

 

Ontem, diante das declarações do provável futuro ministro da agricultura Antonio Nabhan Garcia de desmatar na Amazônia Legal –- uma área que corresponde a 59% do território brasileiro –, desde que 80% da floresta fique preservada, a comparação imediata e a disparidade entre os conceitos do evento de Botucatu e os de Antonio Garcia afloram inevitavelmente.

 

Ricardo Corrêa, do time que aposta na recuperação do solo sem destruição de matas, acredita no modelo da Mata Atlântica para a Amazônia, cuja preservação está em parte com as grandes corporações que precisam de imagem e participam do processo de manutenção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Barulhos urbanos e o silêncio do sabiá

 

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Os barulhos urbanos podem ser diversos dependendo a região na qual você mora. Aqui perto de casa, tem vizinho barulhento, que ouve rádio mais alto do que necessário. Só não reclamo porque ele ainda ouve rádio. Pior é o outro que educa os filhos aos berros e é correspondido por eles, que respondem até perderem a voz.

 

O de melhor lembrança é o do grito das crianças na escola que fica logo na esquina de casa. Na hora da saída, uma outra melodia se destaca: a medida que os pais chegam, a funcionária chama o nome dos alunos no alto-falante. E esse som vem até aqui e teimo em ouvi-la chamando o nome dos meus dois meninos, que estudaram lá até o fim do ensino médio.

 

O som da Igreja no fim da rua também é marcante. Todas às vezes que, ao meio-dia e às seis da tarde, o sino replica, tenho a impressão que vivo em uma pequena cidade. Gosto, também, de ouvir ao fundo o som da Ave Maria cantada pelos fiéis nos horários da missa.

 

Assustador é o som da sirene do carro fúnebre que insiste em me avisar que a morte está passando. O cemitério, que anda movimentando nos últimos dias, está a algumas quadras daqui e a sirene mais se parece com um lamento interminável.

 

Na madrugada, além do rapaz que mora perto e estaciona o carro ouvindo suas músicas preferidas em alto e bom som, só me incomoda mesmo a chegada das caçambas. Sei lá que tanta obra e reforma fazem meus vizinhos. Mais difícil de entender é como a tecnologia desenvolvida do jeito que está não inventaram caminhões, caçambas e correntes menos barulhentas. O badalar do ferro em outro ferro tira o sono de qualquer um. A consolar apenas o fato que a maioria das entregas ocorre quando já estou praticamente levantando da cama para trabalhar na madrugada.

 

Nenhum barulho, porém, é mais desconfortável do que o da serra elétrica. Nem tanto pela frequência com que o som atinge nossos ouvidos, mas pelo que representa. Sexta passada, minha casa foi invadida por este barulho e logo percebi que era obra de uma equipe contratada para “limpar” o que restava de terreno arborizado na minha rua.

 

Eles chegaram rápido e com a mesma rapidez fizeram as serras soarem nos meus ouvidos. Enquanto isso, levantavam uma placa anunciando que estava em processo uma operação de “manejo de vegetação arbórea” – que, se realizada de verdade, nada mais é do que cortar árvores aqui e plantar outras em sei lá qual lugar.

 

Será que se eu perguntasse, eles me diriam em que endereço poderei respirar o ar puro das árvores que não farão parte mais da minha vizinhança? Onde será que poderia visitar as falecidas?

 

A serra elétrica já parou de gritar nos meus ouvidos, mas assim que se calou percebi, no rastro das árvores derrubadas, que levou junto o canto do sabiá. Daquelas dezenas de sabiás que batiam asa na frente de casa e assoviavam ainda de madrugada em busca de uma namorada.

 

E esse provavelmente será o barulho urbano que me perseguirá para o resto dos tempos na casa em que moro: o silêncio dos sabiás.

Se o varejo ouvisse mais Warren Buffet evitaria prejuízo ao ambiente urbano

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Top of Mind 2017 o meio ambiente não se destacou. À indagação qual a marca vinculada a preservação do meio ambiente, 66% dos pesquisados não citaram nenhuma.

 

É uma realidade evidente que mostra que a maioria dos brasileiros não se detém na ecologia. E a relação entre a preservação ambiental e a exploração econômica fica desequilibrada.

 

Neste cenário, o Morumbi é um bom exemplo. O Morumbi é o bairro paulistano que possui a maior área verde da cidade, ao mesmo tempo em que abriga alguns ícones da capital. A fundação Eng. Oscar Americano, Hospital Albert Einstein, Hospital São Luis, Casa da Fazenda, Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, Clube Paineiras, Estádio do Morumbi e o Palácio dos Bandeirantes.

 

A Avenida Morumbi, sua principal artéria, vem há anos sendo cobiçada por comerciantes e construtoras, em contenda com uma pequena população ambientalista, que mesmo sem o apoio da Prefeitura vem sempre lutando. De qualquer forma até hoje se conseguiu que a atividade comercial se aglutinasse apenas nas proximidades da Ponte do Morumbi.

 

Entretanto, nesta semana, deverá inaugurar mais uma loja do grupo RaiaDrogasil, maior rede de farmácias do país, nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, no cruzamento da Av. Morumbi com a Av. Dr. Alberto Penteado. Com uma arquitetura absolutamente inadequada ao entorno.

 

O grupo certamente não acredita nas premissas de Warren Buffett, que assegura que o formato do varejo atual está morto. Para o investidor americano que acumula riqueza de US$ 70 BI, as grandes cadeias terão que rever estratégias e dar atenção à internet. Suas projeções sobre as dificuldades da Sears e Kmart se efetivaram e seus relatos sobre o fechamento de centenas de lojas dos grandes varejistas americanos, como Wal-Mart, Macy’s, JC Penney, apontam para esquemas vitoriosos como o da Amazon.

 

Se Warren Buffett estiver certo e esperamos que esteja, o e-commerce, quem diria, além de conforto pessoal trará benefício extra ao meio ambiente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o consumo verde, entre o que pensa e o que faz o brasileiro

 

 

O brasileiro tem enorme desejo de ser um consumidor consciente, mantendo hábitos saudáveis ao meio ambiente e escolhendo produtos ecologicamente corretos, porém na prática este engajamento não aparece. Essa foi uma das constatações de pesquisa apresentada por Jaime Troiano e Cecília Russo no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da rádio CBN.

 

Cerca de 30% das pessoas disseram que compram regularmente produtos orgânicos e ao menos 60% dos entrevistados responderam que fazem reciclagem de boa parte do que consomem dentro de casa. Os indicadores econômicos e outros dados sobre coleta de material reciclável e hábitos de consumo mostram, porém, que a realidade é bem diferente.

 

Diante dos dados da pesquisa, Russo chama atenção para a oportunidade que as marcas têm de desenvolver campanhas de comunicação e projetos pedagógicos para ajudar esse consumidor a concretizar seu desejo. Troiano lembra ensinamento já conhecido daqueles que acompanham o programa: “o consumidor diz o que pensa e faz o que sente”

Parque do Caxingui: devastação não desanima o cidadão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As árvores que ocupavam o espaço destinado à obra dos edifícios da Cury construtora já não existem mais. Tratores e serras elétricas se incumbiram eficientemente da tarefa de devastar mais um pedaço de natureza da cidade.
O cidadão que não esmoreceu ante a ameaça de destruição, agora de posse da realidade da destruição efetivada, marcou posição na quarta-feira, da semana passada, e nesta segunda-feira com manifestações públicas. Ao mesmo tempo acionou o Ministério Público Estadual e recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

Daí a Promotora de Justiça Teresa de Almeida Prado Franceschi e da Analista da Promotoria I Natalia Rosa Pelicciari ajuizaram ação civil pública contra o Munícipio de São Paulo, Monterey Incorporadora SPE Limitada e Guaira Materiais de Construção e Administração Ltda. Com o objetivo de apurar os danos causados em meio ambiente protegido. E,impedir que a devastação continue em outras partes da área.

 

De outro lado, a causa acolheu o reforço do vereador Gilberto Natalini do PV, e ex-secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da atual Administração. Natalini, quando secretário, procurou cassar a licença do empreendimento, mas a municipalidade julgou que não tinha direito legal para tanto. Natalini em agosto saiu da equipe de João Doria por suspeitar de compensações ambientais efetivadas de forma irregular.

 

Gilberto Natalini mantendo o apoio à causa entrou com Ação Popular, com pedido de liminar.

 

A expectativa é que as liminares encaminhadas possam ter a mesma eficiência e rapidez que os tratores e moto serras tiveram ao derrubar árvores e destruir nascentes.

 

A esperança é que se possa recuperar através de novo plantio a exuberância da mata perdida.

 

A dúvida é que se o dito popular “A justiça tarda, mas não falha” ainda vale no combalido Brasil de hoje.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Parque do Caxingui sucumbe a prefeitos e justiça: só resta o cidadão!

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Área onde deveria ser o parque linear

 

 

Uma área de 36 mil metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, contendo bioma de Mata Atlântica e nascentes da Bacia Hidrográfica do Caxingui, está liberada para a construção de cinco edifícios residenciais de 25 andares.

 

 

A autorização foi dada pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 16ª Vara da Fazenda Pública. Para o desgosto dos moradores que defenderam a criação do Parque Linear do Caxingui com o intuito de preservar um pouco de mata verde dentro da cidade. E regozijo da Cury Construtora, braço da Cyrela. Parceira da atual administração municipal.

 

 

Essas terras foram classificadas como ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental, através do Zoneamento de 2016 conjuntamente com a criação do projeto Parque Linear do Caxingui. Entretanto, no fim daquele ano, no último dia de sua gestão, Fernando Haddad, conflitando com laudo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deferiu solicitação da Cury Construtora para edificação de cinco torres de 25 andares. Como proprietária de parte desta área e tendo doado à Prefeitura outro tanto, argumentava que o empreendimento não afetaria o verde existente.

 

 

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Como ficaria com os prédios construídos 

 

 

A administração Doria manteve a aprovação, gerando uma série de investigações sobre irregularidades em todo esse processo. Levadas ao Ministério Público, através do promotor Marcos Stefani, o empreendimento é objeto de ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente contra a Prefeitura. Não houve liminar ainda porque a construtora garantiu à juíza Rodovalho que não iniciaria a obra até que houvesse decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.

 

 

Surpreendentemente, a Juíza Rodovalho, sustentando que não há irregularidades aparentes no processo de aprovação do alvará que justifique o seu impedimento, liberou o início da construção. Ou, por enquanto, da destruição.

 

 

As máquinas já começaram a derrubar as árvores.

 

 

Fato que levou as entidades de moradores e ambientalistas, através do Movimento Parque Linear Caxingui a realizar hoje um ATO CONTRA A DESTRUIÇÃO DA MATA DO PARQUE DO CAXINGUI.

 

 

A jornalista Ana Aragão, uma das lideranças deste Movimento, juntamente com Lucila Knesse, e as entidades Associação Morumbi Melhor, Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária e Sociedade dos Moradores do Butantã City, já perceberam que nesta tramitação, onde o interesse privado oprime o público, é preciso de mobilização para atrair cidadãos conscientes que contribuam para a defesa do progresso sem retrocesso.

 

 

Em resposta

 

(publicado em 15/10, 11h03)

 

Diante da mobilização de cidadãos que discordam da forma como o Parque do Caxingui está sendo ocupado – parte deles expôs aqui neste blog sua opinião -, o prefeito regional do Butantã Paulo Vitor Sapienza procurou lideranças do movimento. Em mensagem enviada a Wilson Donnini, diretor do Grupo 1 de jornais, inclusive do JORNAL DO BUTANTÃ, disse que está à disposição para uma reunião com objetivo de resolver esta questão. O pedido para que o encontro se realizasse foi feito pelo próprio prefeito João Doria. Aproveito para externar minha admiração a todos que se manifestaram neste blog demonstrando um espírito de cidadania exemplar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Lamentável, diz Embaixador da UE sobre Trump sair do Acordo de Paris

 

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Donald Trump foi o centro das atenções no Jornal da CBN. Verdade seja dita, não fomos nada original ao fazer isso. Todo site de notícia que você abrisse nesta manhã de sexta-feira, daqui ou do estrangeiro, tinha a cabeleira do Trump em destaque, geralmente abaixo de uma manchete escandalosa sobre a decisão adotada por ele de tirar os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris.

 

Kennedy Alencar, em A Política Como Ela É, lembrou que “pessoas poderosas costumam achar que podem fazer tudo sem limites”.

 

Arthur Xexeo e Carlos Heitor Cony, em Liberdade de Expressão, concordaram que o anúncio foi um tiro no pé.

 

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Os meninos do Hora de Expediente, Dan Stulbach, Teco e Zé Godoy, fecharam questão, com apoio da maioria dos ouvintes que falou pela redes sociais: Trump foi o Gongo da Semana.

 

De minha parte, o ato falho ao chamar o Acordo de Paris de Acordo de Paz, cometido em um momento qualquer do programa, permitiu-me pensar sobre esta comparação. Afinal, é mais do que sabido que, no futuro, se Trump não fizer  estripulias ainda maiores na Casa Branca, as guerras entre países serão na busca de recursos naturais. A água, principalmente.

 

Aliás, Trump é um cara curioso. No comando dos Estados Unidos, ele é um risco permanente que pode acabar com o mundo em uma só tacada, provocando uma guerra nuclear, ou de forma parcelada, com a destruição do meio ambiente.

 

Apesar do susto diante do anúncio feito pelo presidente americano, prefiro ficar com a opinião do embaixador da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho, que prevê reações contrárias dentro do próprio país, com governadores de alguns estados americanos perseverando nas medidas para reduzir o aquecimento global.

 

Conversei com Cravinho logo no início do Jornal da CBN para ter uma ideia da repercussão  nos países da União Europeia frente ao anúncio de Donald Trump. Reproduzo aqui a conversa com o embaixador, que considerou lamentável o recuo dos Estados Unidos, depois das longas negociações que culminaram com o Acordo do Clima de Paris, em 2015. Lamentável, mas não definitivo.

 

Pra entender porque  Cravinho acredita que nem tudo está perdido, ouça a entrevista:

 

Moradores de Bento Rodrigues querem garantir o direito à vizinhança

 

Fotos produzidas pelo Senado

Bento Rodrigues destruida pela negligência Foto: RogérioAlves/TV Senado

 

Bento Rodrigues já havia completado 317 anos quando a negligência de uma empresa que explora a região causou o maior desastre ambiental do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Apesar dos mais de três séculos de vida, o subdistrito de Mariana com cerca de 600 moradores somente foi apresentado para a maioria dos brasileiros após a Samarco despejar toneladas e mais toneladas de lama sobre casas e pessoas.

 

A Tragédia de Mariana foi em cinco de novembro de 2015 e mesmo com o passar do tempo a empresa não só é incapaz de impedir que a lama siga escorrendo como também não tem demonstrado competência para solucionar o drama das famílias.

 

Hoje cedo, na programação da CBN, ouvi mais uma reportagem com os moradores do antigo Bento. Gente de voz humilde que teve sua história atolada no descaso da Samarco e agora tenta a reconstrução da sua vida.

 

Um dos habitantes pedia que a empresa respeitasse a arquitetura do povoado e reconstituísse o ambiente em que viviam, mantendo a mesma divisão territorial.

 

O que os moradores pedem é que a casa do Zé seja construída ao lado da casa do Pedro e esta construída ao lado da casa do João, como era no Velho Bento. Que a venda da Maria esteja no quarteirão seguinte e a Igreja um pouco mais à frente. Os vizinhos querem continuar vizinhos, não perder seus laços. Querem o direito de poder sentar na calçada e receber os parentes que moravam em frente, como sempre foi.

 

Desde o início desta tragédia, a Samarco, assim como a Vale e a BHP, que são as donas da empresa enlameada, têm revelado incompetência para gerenciar a crise. Erraram no trabalho de preservação, erraram na contenção, erraram na comunicação, erraram no atendimento dos cidadãos e parece que vão continuar errando.

 

Ao acompanhar a reportagem que foi ao ar na CBN, fiquei imaginando a oportunidade que a empresa e seus controladores estão desperdiçando. Já que causaram este drama humano e ambiental, deveriam ser corajosos e criativos na oferta de solução.

 

Respeitando o espaço de cada família e mantendo o mesmo desenho urbano, poderiam investir nas mais avançadas tecnologias ambientais, transformando o Novo Bento em um exemplo para o mundo.

 

Começariam pela escolha do material de construção, privilegiando os de baixo impacto ao meio ambiente.

 

No meu cenário ideal, as casas teriam telhados cobertos por placas fotovoltaicas e produziriam a própria energia. Todos os dejetos e resíduos orgânicos seriam coletados por tubulação e transferidos para uma usina que transformaria este material em biogás para uso residencial. Resíduos sólidos seriam reciclados. E a água, reaproveitada.

 

Diante do custo mais elevado desta reconstrução, a Samarco poderia mobilizar empresas que desenvolvem esses sistemas e equipamentos, que fariam de Bento Rodrigues vitrine dessa tecnologia verde.

 

Um delírio da minha parte, sem dúvida, pois a empresa não estaria cumprindo sequer o mínimo que se comprometeu como contratar mão de obra local para execução dos serviços de manutenção e reconstrução de áreas atingidas, como reclamou dia desses o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Junior.

 

Que ao menos devolva o direito à vizinhança para o Seu Zé, o Seu Pedro e o Seu João de Bento.

Sete meses da Tragédia de Mariana, e daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tragédia de Mariana em foto do Greenpeace Brasil no Flickr

 

Cinco de junho é o Dia Internacional do Meio Ambiente cujo propósito é divulgar e conscientizar a importância da preservação dos recursos naturais. Portanto, há três dias o mundo deveria ter se ligado a questão ambiental. O Brasil também.

 

No dia Cinco de Novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, uma barragem da Samarco, da Vale do Rio Doce, se rompeu, vazando lama de minério que inundou vilas e cidades. A devastação foi total, destruir e matou o que encontrou pela frente. Minas Gerais e Espírito Santo ainda hoje e por tempo ainda não determinado pagam caro pela irresponsabilidade de poucos.

 

Vinte dias após essa tragédia, os deputados mineiros aprovaram (57 a 9) projeto de lei comandado pelo governador Fernando Pimentel do PT que acelerava as licenças ambientais.

 

Há cinco meses, entrou em vigor o Programa das Nações Unidas que propõe os OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Entre tantos, o combate ao desmatamento, ao aquecimento global, à degradação ambiental, ao uso excessivo de agrotóxicos, ao uso criminoso do solo, das florestas, das águas e demais recursos naturais.

 

Também há cinco meses, o senador Romero Jucá do PMDB/RR apresentou projeto no sentido de liberar o licenciamento ambiental de grandes obras dos setores de transporte, energia e telecomunicações; de se sujeitar à audiência pública, além de especificar e reduzir prazos. É o projeto de lei 654/2015 apresentado dentro do pacote “Agenda Brasil” de Renan Calheiros do PMDB/AL para enfrentar a crise econômica e está há um mês em fase de análise e votação no Congresso.

 

Ao mesmo tempo, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda Constitucional do senador Arcir Gurcacz do PDT/RO, que determina que a apresentação de estudo prévio de impacto ambiental é suficiente para que se autorize a execução da obra, sem possibilidade de suspensão ou cancelamento. Ou seja, essa PEC acaba com o licenciamento.

 

E daí? Éramos felizes e não sabíamos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.