Geração 4.0 trará produção de volta para os países onde se consome moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

fashion-show-1746579_960_720

 

O pós-guerra na década de 1940 intensificou a indústria de confecção, que se desenvolveu dentro dos próprios mercados de consumo localizados nos países centrais. A seguir, os aumentos dos preços de locação e de mão de obra fizeram com que a produção de moda procurasse regiões de custos mais baixos.

 

Foi um movimento crescente, gerando uma nova geografia na industrialização das roupas. Surgiram alguns países periféricos ofertando mão de obra com salários abaixo da linha da pobreza. A ponto de despontar acusações, algumas comprovadas, outras não, de trabalho escravo.

 

A cadeia de confecção passou a desmembrar a produção das demais fases do processo de elaboração da moda: criação, desenvolvimento de produtos, marketing e comercialização. Paris, Milão, Londres e Nova York continuaram a ser os centros criadores de moda, mas a fabricação até hoje está concentrada na Ásia.

 

Na medida em que as regiões pobres se desenvolviam e demandavam salários maiores, surgiam novas zonas com mão de obra ofertada em níveis irrisórios. De outro lado, a tecnologia que avançava não encontrava nas roupas um produto que absorvesse seu custo.

 

Esse cenário que observamos há mais de 50 anos, entretanto, poderá finalmente vir a dar lugar a junção de toda a cadeia produtiva da moda. A produção voltando ao mercado onde será consumida. O trabalho escravo definitivamente seria extinto, não pelo aspecto social, mas porque o homem não mais o fará, pois este trabalho será executado pela Geração 4.0.

 

Isto significa que, se até então, as tecnologias isoladas não introduziram a cadeia da moda na era científica, seus recentes avanços e sua conexão poderão fazê-lo. A Geração 4.0 abrange, por exemplo, a robótica, o Big Data, a inteligência artificial, a automação, o comércio eletrônico, o omni-channel, a internet das coisas, as impressoras 3D, e as wearables.

 

Esse formidável conjunto irá melhorar a mais difícil das tarefas que é a Previsão de Vendas, fazendo com que as informações acionem um sistema produtivo assertivo e ágil. Reduzindo custos a ponto de poder estabelecer a produção junto ao mercado consumidor.

 

Esta é uma aposta certa, cuja incerteza é de quanto tempo precisaremos para realizá-la.

 

Leia também o artigo “Mais uma vez indústria têxtil é protagonista da Revolução Industrial”, de Renato Cunha.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
 

Ocimar Versolato, gênio na Moda e ingênuo no Varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Quem visitou uma das sete lojas Ocimar Versolato que compuseram sua derradeira escalada nos holofotes da moda entendeu bem as láureas que recebeu. As coleções expostas em São Paulo, Rio e Brasília, transmitiam o talento de Ocimar. Em adequada e sofisticada ambientação, se encontravam inigualáveis vestidos de festa, ou requintadas camisas masculinas.

 

Uma raridade e um luxo que não comportavam a existência de sete pontos de venda. Talvez dois no máximo.

 

E Versolato já tinha 11 anos de experiência, dos quais sete na França. Onde atingiu o topo que nenhum estilista brasileiro conseguiu alçar. Foi membro do seleto grupo Chambre Syndicale de La Haute Couture, entidade máxima da moda francesa. Ocupou o cargo de Diretor de Criação da casa LANVIN, a mais antiga da alta costura, onde teve uma atuação superlativa e inovadora, ao mesmo tempo em que exibia sua marca na Place Vandôme, depois de ser assistente de Gianne Versace e ter trabalhado com Hervé Lérger.

 

imagem.aspx

 

Sua competência na moda despertou a aproximação de outras personalidades em diversas áreas como Sebastião Salgado, que durante dez anos fotografou seus desfiles, e Cacá Diegues, que o contratou para os figurinos de Tieta do Agreste.
As atrizes e cantoras não ficaram alheias ao seu sucesso e por vezes seus modelos estavam presentes no Oscar ou nas paradas de sucesso. Com a diferença que não emprestava nem doava. Os modelos eram vendidos.

 

Ainda assim a concorrência que doava não perdoava. A ponto de ter um episódio novelesco com a cantora Ophelie Winter, a quem ele fora contratado para mudar a imagem dela. Da breguice, como estava sendo vista, para o chique. Winter virara atriz e teria apresentação em Cannes. O pessoal do Giorgio Armani enviou um vestido de presente. Ela recusou e informou que usaria Versolato, o que redundou em ameaça de nunca mais ser permitida a entrada dela nas lojas e eventos Armani. Ophelie cumpriu com o prometido. Armani nunca mais.

 

No Brasil, foi marca de automóvel, um modelo CITROEN Ocimar Versolato com apelo contemporâneo e fashionista. Sandra Habib aproximou Sergio, seu endinheirado marido, proprietário da holding dos automóveis Jaguar e Citroen, de Ocimar. Juntos constituíram uma empresa para produzir e comercializar moda feminina e masculina criada por Versolato. Coube ao casal a operação e finanças, cujo planejamento foi apresentado a Ocimar visando a abertura simultânea de sete lojas iniciais. De acordo com Ocimar*, a quantidade o assustou mas deixou que se executasse.

 

Inexplicável, pois o casal não era do ramo e o plano previa uma quantidade exagerada e inadequada de lojas. Ao mesmo tempo em que indicava inaugurações em sequência sem a maturação necessária e gradativa. O fechamento das lojas era inevitável e em pouco tempo, mesmo com a discordância de Ocimar, a operação foi encerrada.

 

A seguir, escreveu “Vestido em chamas” onde conta seus principais momentos, finalizando com uma premissa de vida:

“Obstáculos sempre existem, e nossa tarefa é não nos deixar abater e encontrar nos mesmos a força necessária para superá-los. Agora, se além da força, tivermos talento, tudo fica mais fácil.”

Tudo indica que a trajetória talentosa de Ocimar poderia ser mais fácil se o gênio não fosse tão genioso.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

*Livro
Versolato, Ocimar
Vestido em chamas/Ocimar Versolato- São Paulo
Aleph, 2005

Usar a moda ou ser usado pela moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

 

JAMES1

Reprodução de documentário Desacelerando a Moda, no GNT

 

Desde que há mais de um ano, os estilistas Raf Simons da DIOR, e Alber Elbaz da LANVIN deixaram seus cargos de Direção de Criação, alegando falta de tempo para apresentar produtos inovadores e de categoria devido a pressão exercida pela indústria do Fast Fashion, o tema ganhou importância no mundo da moda. Acompanhado, então, por olhares críticos da economia e da ecologia, devido ao alto volume de produtos de baixo preço e qualidade, envolvendo a preocupação do descartável, não-reciclável.

 

Ao mesmo tempo, grandes marcas lançadoras de tendências, pressionadas pela internet começaram a adotar o sistema “veja agora, compre agora”, permitindo que os consumidores ao assistir aos desfiles, antes restritos a seletos espectadores, pudessem comprar de imediato o que estavam vendo.

 

Embora controvertido, o sistema “veja agora, compre agora” já é adotado há mais de um ano por marcas como DIANE VON FURSTENBERG, TOM FORD, BURBERRY e TOMMY HILFIGER.

 

A verdade é que a ameaça do “veja agora, compre agora” é no sentido de reduzir o tempo de criação e empobrecer eventualmente os lançamentos. Enquanto o fast fashion efetivamente pode gerar uma poluição estética e real.

 

É o que o músico Alex James alerta em recente documentário no programa GNT Doc:

 

“Roupas baratas e não sustentáveis fazem parte de uma epidemia. Fazem-nos crer que pagar mais é exploração. Essa epidemia se chama fast fashion”.

 

JAMES

Reprodução de documentário Desacelerando a Moda, no GNT

 

Alex propõe, então, que se faça um esclarecimento geral para o perigo do consumismo exacerbado e prejudicial à estética e ao conforto da roupa, e benéfico à poluição geral. E acredita que se possa enveredar por um rumo melhor ao demonstrar as vantagens do bom produto.

 

Não acredito, pois se analisarmos o que ocorre em outras áreas, como a música brasileira, os recentes estilos populares predominam em detrimento da verdadeira MPB.

 

Afinal, o próprio Alex James dá o veredicto: vai valer o estilo de vida de cada um.

 

“Adoro roupa, adoro moda, o que vestimos diz muito sobre quem somos e quem queremos ser”.

 

E só de olhar, poderemos identificar se a preferência será usar a moda ou ser usado pela moda.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

 

Moda e carne

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

oskl-img-el-n42-008-1

desfile de moda em foto do site oficial da SPFW2017

 

Terminada a SPFW, procurava analisar o motivo pelo qual o setor de Moda nacional ainda não tinha conseguido destaque internacional em produtos e materiais que teria condições de liderar.

 

Até agora inúmeros esforços já foram realizados por estilistas, confeccionistas e entidades representativas e governamentais.

 

Outros ramos em condições naturais privilegiadas também têm encontrado dificuldades para atingir algum destaque no mercado global.

 

O café, por exemplo, com o maior volume disparado de produção mundial, não consegue até hoje um reconhecimento de qualidade. O futebol, com um plantel invejável de garotos de talento, viveu anos gloriosos, mas perdeu a hegemonia e a liderança.

 

O Agronegócio é uma exceção e o caminho que seguiu de resiliência e competência poderia ser o exemplo a ser espelhado. A qualidade mundialmente reconhecida é, ou era, atestada pelos mercados mais exigentes.

 

Essa linha de raciocínio sobre Moda foi interrompida na sexta-feira, diante das informações divulgadas pela “Carne Fraca”, pois escancaravam um rol de informações fortíssimas e espetaculares, misturando datas e números incompatíveis, bem como fraudes em composturas e misturas, deixando indagações cruciais.

 

Um pacote que poderia levar a explosão do setor de melhor desempenho nacional. Mesmo já tendo passado por maus momentos como o da febre aftosa e da vaca louca. Afinal, trata-se de um ambiente altamente competitivo e punitivo.

 

Ouvindo ontem de manhã o comentário de Sardenberg, gravado para o programa de Mílton Jung, “in loco”, pois falava de Santa Catarina, uma das regiões produtoras de carne de alta qualidade, surgiu uma esperança de tranquilidade, ultrapassando e neutralizando a “Carne Fraca”. Provavelmente um exagero, que torcemos, seja passageiro.

 

 

Esperamos que a Carne volte a ser forte e setores como o de Moda possam usá-la como inspiração.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A moda como ferramenta no processo de emancipação da mulher

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Calça

 

Em 1964, iniciei minha carreira profissional na então incipiente indústria da “roupa pronta para vestir” através da CORI – uma atuante confecção feminina. Deparei-me com um delicioso e instigante relatório: a Marplan, um dos maiores institutos de pesquisa de mercado da época, tinha sido contratada para investigar uma peça que surgia no guarda-roupa feminino, a calça comprida.

 

A pesquisa foi conclusiva.

 

Para as mulheres, a calça comprida era uma peça que combinava conforto com um aspecto muito importante. Era um símbolo da emancipação feminina que se esboçava e traria igualdade de condições visuais na disputa com os homens no mercado de trabalho.

 

Para os homens, a calça comprida era apreciada nas mulheres dos outros. Nas deles, nem tanto.

 

A CORI apostou tudo nas calças compridas, e se deu muito bem.

 

A conjugação das calças com os paletós, formando os terninhos, foi providencial. Deixou as mulheres nas condições estéticas masculinas para a luta a ser travada profissionalmente.

 

A trajetória da mulher até hoje na busca de igualdade de espaço e oportunidades na sociedade e no mercado de trabalho, como sabemos, continua. E diante de alguns fatores como o preconceito machista ou o econômico, ainda há distância significativa com relação aos homens. Entretanto, dados femininos favoráveis, como maior escolaridade e melhor índice de crescimento salarial, apontam para um futuro promissor na presença qualitativa da mulher na sociedade e na economia.

 

O problema é o ritmo desse processo, que para ser revertido mais rapidamente terá que se confrontar com a cultura machista existente. Que leva, por exemplo, a legislação da violência contra a mulher ser criada apenas por pressões internacionais da vítima Maria da Penha.

 

Ou, os privilégios trabalhistas, ou as vantagens das pensões alimentícias, que encontram uma justiça machista favorecendo o feminino.

 

É uma aposta. Cabe às mulheres refletir.

 

A nós, cabe cumprimentá-las pelas heroínas que sempre foram.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Quando proibir vira moda, a vítima é sempre a moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

concurso-miss-size-620

Miss Brasil Sataël Maria Rocha Abelha posa de maiô acompanhada de outras misses no último concurso antes da proibição de Jânio

 

 

Jânio Quadros, em 1961, de Brasília, com o intuito de moralizar, proibiu o uso de biquíni dentre tantas outras medidas.

 

Pery Cartola, em 2017, de São Bernardo do Campo, com a intenção de educar, proibiu decotes num Manual de Etiqueta tão controvertido quanto genérico.

 

Quadros em contencioso com o Congresso renunciou antes da ebulição das pitorescas proibições. Cartola após descuidada entrevista ao SPTV transformou as proibições em sugestões.

 

As mídias sociais e também as convencionais, como a VEJA e o FANTÁSTICO, absorveram o espetáculo e abriram espaço para Pery Cartola e as advindas repercussões.

 

Muito espaço e pouca análise.

 

Isentando o mérito intencional de Jânio e Pery, fica claro que lidar com o tema de moda mesclado com comportamento, etiqueta, elegância, civilidade e moda propriamente dita não é tarefa para leigos.

 

Se a intenção é orientar para que as pessoas estejam mais seguras e felizes com o modo de vestir, adequando o local com o próprio estilo de vida e refletindo o padrão profissional escolhido, é preciso transmitir o conhecimento existente sobre a moda.

 

O “Manual de Cartola” evidencia uma boa intenção totalmente perdida sob o aspecto técnico. Ora é um código de vestimenta profissional, ora é um apanhado de produção de moda, ora um almanaque com dicas como aquela da meia como extensão da calça, ou dos cuidados com babados e rendas.

 

Entretanto, o mais importante deste episódio de São Bernardo pode ser a sinalização da adequação de pessoas ao trabalho em uma Câmara de Vereadores, menos do que a impropriedade das respectivas maneiras delas se vestirem.

 

A Moda é tecnicamente uma forma das pessoas comunicarem seu estilo de vida, seu comportamento. Se há descompasso deste modus vivendi com o seu trabalho, o problema não está nas roupas, mas na escolha da profissão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Legado da Rio2016 nas artes e na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Gisele-Bündchen-e1470676505298

 

A abertura das Olimpíadas do Rio, espetáculo de apurada criatividade, entrará definitivamente para a nossa história de grandes eventos. Tema, cenografia, música, roteiro e vestuário foram impecáveis. Santos Dumont no ar tecnológico e Gisele Bündchen na passarela de Ipanema foram destaques à altura do show.

 

Gisele foi ainda agraciada com notas sobre a velocidade que imprimiu no desfile e o processo de criação do seu vestido. Se o andar foi mais lento, segundo Fernando Meirelles, o talento de moda foi superior.

 

“Gisele sabe exatamente o que fica bom nela, o que facilitou muito meu trabalho …”

 

“Ela esteve presente em todo o processo e me deu dicas importantes. Pensamos juntos. Ela fez alterações importantes. Parte do meu processo criativo foi escutar e ajustar o vestido para que ela ficasse satisfeita”.

 

Alexandre Herchcovitch ao site americano da revista VOGUE.

 

 

Maria Prata, jornalista de moda corporativa da CBN, entusiasmada pelo clima olímpico, saiu do escritório e entrou nos campos e nas quadras. Na sexta-feira, informou que para o futebol foram lançadas chuteiras cujo material repele a água que forma a lama. Na ginástica foi desenvolvido  tecido que estica pelos quatro lados, permitindo os movimentos sem limitações. Para o atletismo, surgiu um tecido com o frescor dos chicletes, com a função de diminuir a temperatura do corpo.

 

No restrito mundo da alta moda, a seleção brasileira de equitação na modalidade de saltos foi brindada pela aristocrática Hermès (centenária empresa que se iniciou como selaria), com a criação exclusiva de seus uniformes. Ralph Lauren e Lacoste fizeram o mesmo para americanos e franceses. Na natação, vários competidores estão usando enormes casacos de inverno.

 

 

A Nike, fornecedora de uniformes aos atletas brasileiros e mais 13 delegações, apresentou o tecido chamado de Aeroswift, fabricado em poliéster reciclado, com a função de diminuir o peso, e o processo Aeroblade aplicado em áreas especificas, reduzindo o atrito gerado nas roupas e, consequentemente, aumentando a velocidade – com isto a performance dos atletas poderá melhorar.

 

Segundo a empresa há quatro anos esta vantagem era obtida para tempos mais curtos, mas agora é possível manter o rendimento por distâncias mais longas.

 

Outra novidade da Nike é um sistema que impede o contato do suor com a pele.

 

Como vimos, as artes e a moda já têm legado da Rio 2016. Resta saber se o Rio terá o seu. Esperamos que tenha.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mercado de moda grande cresce, não aparece e dá espaço para o e-commerce

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

plussize.jpg

 

Pelos dados do IBGE, 60% da população brasileira estão acima do peso, mas o varejo de moda não reflete esta realidade. No cenário mercadológico atual, em que se mescla crise de consumo, evolução do e-commerce e pequenos empreendedores apostando em ações menores de nichos, certamente é um bom momento para ficar atento ao “plus size”. E, detectar o melhor caminho para atender esta procura.

 

A trajetória da americana LANE BRYANT, o maior negócio do setor nos Estados Unidos, com mais de 800 lojas, e “omni channel” efetivo pode dar alguma pista para o sucesso.

 

Fundada em 1901 por Lane Bryant Malsin , abriu em 1904 uma pequena loja de moda feminina na Quinta Avenida. Ali uma cliente pediu que ela criasse uma roupa apresentável e confortável para gestante, que pudesse ser usada em público.

 

Bryant lançou então seu revolucionário produto moldável com elástico, que serviu as clientes de classe média com sucesso, e possibilitou as mais pobres trabalhar vestidas com propriedade durante a gestação.

 

O “know how” adquirido por Bryant com estruturas especiais e atenta às consumidoras levou-a a criar modelos grandes.

 

Ao lado deste sucesso enfrentou muito preconceito. Não foi fácil convencer ao “New York Herald”, em 1911, a aceitar anúncio de gestante. E, em 2010, Lane Bryant acusou a FOX e ABC de proibir seu comercial de 30 segundos no “Dancing With the Stars” e “American Idol”, enquanto a “Victoria’s Secret” com lingerie similar foi ao ar sem censura.

 

Pedro Diniz, em artigo recente, lembra que na temporada de moda em Milão, , em 2010, o desfile de Elena Miró, destaque dos tamanhos grandes, foi excluído do evento.

 

No Brasil, há preconceito na indústria e no comércio, pois de acordo com reportagem de Anna Rangel da Folha, pesquisa do IBOPE indica que apenas 18% do varejo oferece tamanhos acima do 46, e de acordo com o SEBRAE 91% dos consumidores dizem que os vendedores não estão preparados para vender roupas de tamanhos grandes.

 

Na verdade, a busca do aspiracional louva o tipo longilíneo, o elegante padrão, e descarta o tipo gordo e os extremos em geral. Na produção e na comunicação.
É uma mentira. É só comparar as vitrines com os corredores dos Shoppings. Os manequins não correspondem às pessoas.

 

Essa alta dose de preconceito, a pouca variedade ofertada em reduzido número de pontos de venda, confrontados ao conforto e praticidade da internet tem gerado um crescimento de novos negócios “plus size” “on line”.

 

É a realidade do virtual.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Internet pressiona e SPFW adotará modelo “veja agora, compre agora”

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Moda

 

Na próxima SPFW, Paulo Borges introduzirá o sistema “see now, buy now“, seguindo os passos inovadores de marcas como Burberry, Diane Von Furstenberg, Tom Ford e Tommy Hilfiger.

 

Significa que estamos chegando ao fim de mais um ciclo da moda, que, ao romper , atende a nova geração de estilistas e consumidores, impulsionados pela comunicação “WWW”.

 

Deixamos para trás varias espirais da moda, do pós-guerra até hoje. A alta costura foi esmaecida pela industrialização, que por sua vez teve sua ruptura através da sistematização dos bureaux, encabeçados pela Promostyl, quando se estabeleceu um “prêt-à-porter” direcionado, que posteriormente foi colocado em segundo plano pela realidade do lifestyle.*

 

Voltamos agora à passarela para atender o desejo dos consumidores.

 

Através da contemporânea internet e das mídias sociais interativas que refletem o “I want what I want when I want”, ou seja, “eu quero o que eu quero quando eu quero”.

 

Em fevereiro de 2017, teremos o SPFW No. 42, sem relação com verão nem inverno, e as coleções desfiladas poderão ser vistas nos smarts e compradas na hora. E Paulo Borges poderá comemorar o pioneirismo, assim como, em 2001, a SPFW fez na transmissão ao vivo pela internet.

 

Não será tarefa fácil. E curioso é que a MODA que bem definimos como uma forma de comunicação se curve à comunicação e sua evolução, como que referendando Mc Luhan, ao ditar que “o meio é a mensagem”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

 

(quer saber mais, leia abaixo)

 

Continuar lendo

Polo Ralph Lauren volta a investir no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

4

 

Para os apaixonados por Polo Ralph Lauren, uma notícia excelente: a grife americana do designer Ralph Lauren volta ao Brasil e em grande estilo.

 

Inaugurada esta semana no Shooping Iguatemi São Paulo, a marca americana que tem o icônico cavalinho como símbolo oferece na nova loja brasileira sua coleção masculina da linha Polo, que inclui também acessórios, sapatos e ítens em couro. Seus luxuosos e muito bem decorados 260 metros quadrados mostram o extremo bom gosto de Lauren em suas lojas ao redor do mundo.

 

Ralph Lauren teve lojas próprias no Brasil durante anos e, desde 2001, todas foram fechadas, uma vez que a operação da marca por aqui era comandada por um grupo argentino e, com a crise na Argentina e as restrições para circulação de dólares, a empresa não pôde dar continuidade em sua gestão.

 

No ano passado, a grife comemorou sua volta ao país com a abertura de uma loja no Shopping Cidade Jardim, porém com suas coleções mais exclusivas e de edição limitada.

 

1

 

Ralph Lifshitz, nome de batismo de Ralph Lauren, iniciou sua carreira comercializando gravatas e hoje é dono de uma das marcas mais importantes do mercado do luxo, famoso por suas pólos, tendo o pônei como principal símbolo.

 

Ao retornar ao Brasil agora com a Polo Ralph Lauren, escolheu como espaço o tradicional Shopping Iguatemi, primeiro shopping de luxo da capital paulista, tendo como vizinha ilustre a joalheira Tiffany & Co.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.