Mundo Corporativo: se capotar é preciso, aprenda como com Amyr Klink e Armando Oliveira

 

“…. nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente”, Amyr Klink

 

“… é justamente neste momento de crise que a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto”, Armando Oliveira

Prática e teoria. Jornadas e processos. Experiência e conhecimento. Um pouco de cada um e tudo isso reunido, resultou em um encontro que até então parecia impossível: o mestre em projetos de TI Armando Oliveira, que na sala de aula motiva seus alunos ilustrando os ensinamentos de sua área com situações do cotidiano, e o navegador Amyr Klink, que não esconde o constrangimento em usar sua história como referência para a vida dos outros —- não que não tenha noção da dimensão de seus feitos, mas a timidez o impede de pensar que possa ser um guia para quem pretende superar desafios nas mais diversas áreas.

 

Armando e Amyr foram os convidados do programa Mundo Corporativo para falar, entre outros temas, de como enfrentar este momento no qual as restrições impostas pela pandemia têm deixado muitas pessoas isoladas e negócios paralisados. Recentemente, Armando lançou o livro “Capotar é preciso” (Companhia das Letras), escrito a partir de longas conversar que manteve com o navegador. Eles não se conheciam, e quando Amyr foi procurado pelo professor de projetos de TI, imaginava que seria um bate-papo rápido com alguém curioso por suas histórias. Surpreendeu-se com o que ouviu e também aprendeu.

“Eu acho engraçado ser convidado para palestras sobre, por exemplo, planejamento, organização e gestão de negócios, porque eu sou muito desorganizado, mas nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente. Eu vou as raias da loucura pra tentar cercar todos os problemas, mitigar falhas, essas coisas” Amyr Klink

Curiosidade pelas histórias do navegador, é claro que Armando Oliveira tinha, mas com um objetivo bem claro: conhecer a experiência de Amyr Klink era a oportunidade de ganhar mais repertório para as aulas de projeto, na faculdade:

“Eu usava exemplos e analogias de como seria o mundo dos projetos a partir de cases acadêmicos, e passava a impressão de que estivesse querendo ensinar a profissão aos alunos: não vou ensinar o engenheiro a erguer um prédio ou o Amyr Klink a navegar. Quando busquei o exemplo dele, os alunos ficavam muito mais abertos de ouvir essas experiências E isso começou a facilitar os ensinamentos que a gente queria que eles entendessem: a parte de gestão dos projetos e não a parte técnica. E quando a gente conversa sobre os projetos do Amyr, que lida com as emoções extremas, isso facilita o aprendizado”.

O título do livro, Capotar é preciso, é baseado no conhecimento que Amyr Klink obteve no primeiro projeto de travessia do Atlântico Sul, em 1984, quando estudava formas de superar o desafio em um barco a remo e acreditava que a chave do sucesso seria criar uma embarcação que não capotasse. Graças a intervenção do engenheiro José Carlos Belfort Furia, da USP, descobriu que sua visão estava errada. O professor  recomendou que “ele abraçasse esse problema, dormisse com esse problema, em busca de uma solução”.  Mudou o projeto e o restante da história se conhecesse muito bem.

“Eu nunca esqueci esta historia de abraçar os problemas: Tem gente que acha uma espécie de pessimismo ficar estudando as razões do fracasso. Em vez de acreditar que o universo conspira a seu favor, essas coisas, eu penso totalmente diferente. Eu penso que o universo conspira contra, e eu gosto de descobrir os problemas e construir uma solução”.

Uma das preocupações de Amyr Klink durante essa pandemia é que devido as restrições para navegação, teve de deixar o “paratiizinho” — como chama carinhosamente a embarcação  que já realizou 25 travessia em 30 anos, atracado nas Ilhas Falkland —- ele teme encontrar dificuldades para negociar a retirada do barco do território que está sob domínio britânico, já que “o Brasil não está bem na foto”.

 

Sobre a travessia que enfrentamos com as crises provocadas pela pandemia, Amyr diz que o mais difícil neste momento é a falta de rumo. Lembra que nas suas jornadas em alto mar, ele tem noção de quando será a partida e qual é o seu destino. Tem um ponto chegada. Nesta pandemia, diz, ninguém sabe qual é.

 

Já Armando busca forças para superar as dificuldades do momento com uma lição que aprendeu com o próprio navegador:

“O Amyr em uma conversa até recente, comentou que o tempo que ele cometeu as maiores burradas de projeto foi o tempo em que ele tinha excesso de patrocínio, condições propícia à vontade. Foi o tempo que eles mais desperdiçaram os recursos e acharam as soluções piores possíveis. E, ao contrário, quando ele foi forçado a passar por algumas situações em que ele tinha poucos recursos e poucos apoios foi quando ele tinha as soluções mais interessantes. Eu fui pego em cheio por essa questão da pandemia e é justamente quando temos de ter equilíbrio emocional para saber como sair disso aí. Nesse momento é preciso se planejar rápido, e a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto. Não vejo fórmula mágica: só muito trabalho e pensando em alternativas”

PS: em virtude de problemas de áudio na gravação em vídeo pela internet, algumas respostas de Amyr Klink foram regravadas, portanto, é possível que ao assistir ao vídeo você encontra respostas diferentes daqueles que foram reproduzidas no programa em áudio. O conteúdo é bom das duas maneiras, portanto minha recomendação: ouça os dois e aprenda duplamente.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: “a pandemia acelerou o futuro”, diz César Gon, da CI&T

 

“Agora é momento de um grande darwinismo mercadológico, né, onde vai sobreviver, vai ganhar esse jogo, as empresas que forem inovadoras, mais rápidas, que lerem melhor essa mudança da sociedade e mudarem seus modelos de negócios e as suas práticas” —- César Gon, CI&T

Os escritórios da CI&T começaram sentir os efeitos da pandemia do coronavírus, na China. Medidas urgentes tiveram de ser adotadas para, em seguida, serem aplicadas na sede no Japão. E da mesma forma que a Covid-19 se espalhava, outros núcleos da empresa, na Europa e nas Américas, tiveram de mudar planos rapidamente. Especializada em trabalhar com transformação digital, modelos de gestão e liderança, a empresa não apenas implantou suas estratégias internamente como as levou para os clientes dos mais diversos portes.

 

César Gon, CEO e fundador da CI&T, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, diz que a pandemia obrigou a aceleração de processos que vinham sendo planejados para o longo prazo:

“A pandemia acelera esse futuro. Isso coloca em xeque a estrutura clássica e hierárquica das grandes empresas. Para você reagir a esse nível de mudanças, de incerteza, você precisa contar com um nível de colaboração, de cocriação que não conversa com empresas sisudas, empresas hierárquicas”

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, César Gon explica que encarar transformações foi algo que teve de fazer desde que iniciou a CI&T, em 1995. Inclusive, no seu papel como líder, função na qual, conta, era muito bom, enquanto o que funcionava era o sistema de comando e controle. Em determinado momento, porém, viu-se um líder anacrônico e percebeu que ou mudava seu comportamento ou um novo líder teria de assumir o posto:

“Essa mudança não é simples. É muito fácil saber o que não fazer, mas o que fazer no lugar? Se eu não sou o sabe tudo da sala, qual vai ser a minha contribuição”.

Uma das metodologias que usam na empresa é a Lean Digital que reúne dois universos aparentemente distintos mas que se complementam: o do uso intensivo de tecnologia, com criação e disrupção; e o do aprendizado constante, humildade do líder e disciplina.

“Acho que essa pandemia gera uma reflexão individual, qual o meu papel, qual o nosso papel como cidadãos, como indivíduos, mas também isso vai para o mundo corporativo, porque afinal de contas qual é o propósito desta empresa, precisa ser um agente positivo, um agente que vai deixar o mundo um pouco melhor em alguma perspectiva”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

Mundo Corporativo: Luiza Trajano fala da transformação digital e do varejo pós-Covid

 

 

“A gente nunca acreditou que a loja física ia morrer, o que a gente acredita é que ela muda de papel” — Luiza Trajano, Mundo Corporativo

Agilidade na busca de solução, assistência aos colaboradores, compartilhamento de conhecimento com os parceiros de negócio e solidariedade a micros, pequenos e médios empreendedores. Esse é um resumo das ações adotadas pelo Grupo Magazine Luiza diante das dificuldades impostas pela pandemia, a necessidade de manter fechadas 1.100 lojas em todo o Brasil, colocar toda equipe administrativa em home office e perceber que a transformação digital seria a única saída para o varejo.

 

 

Para definir a intensidade da mudança provocada pela Covid-19 nos negócios e na vida das pessoas, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza, disse que é como se o grupo tivesse vivido 50 semanas em cinco dias. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Trajano falou de como encarou este desafio:

“O que eu estou tentando fazer é aprender cada dia e viver cada momento. Porque ninguém sabe … E tentar diminuir o desemprego, tentar fazer as empresas sobreviverem; porque saúde é o que importa, mas o emprego dá dignidade para as pessoas e diminui o desnível social”

Como o comércio eletrônico, através da plataforma Magalu, já estava consolidado, o fechamento das lojas físicas pela quarentena imposta nas cidades brasileiras foi mais facilmente absorvido pelo grupo de varejo. Luiza Trajano disse que a preocupação foi tornar a plataforma também acessível a outros varejistas que não tinham operações digitais —- especialmente autônomos, pequenos e médios empresários. Segundo ela, uma série de medidas foi adotada permitindo a entrada de 160 mil pessoas que puderam vender seus produtos e cerca de 30 mil que se tornaram vendedores dos produtos da Magalu. Além disso, todos tiveram oportunidade de receber treinamento e se preparar para se adaptar para as mudanças.

” … mas o que eu estou falando para os pequenos e para os grandes, é que o digital é uma plataforma; procura a associação da sua cidade, procura o marketplace, ele não vai atrapalhar a loja física, mas era difícil porque as pessoas têm medo, as pessoas não acreditam, as pessoas estão muito bem no físico, e acham que isso não é verdade, mas a pandemia fez isso, né, em 10 dias todo mundo teve de entrar no digital”

Sobre o futuro dos shoppings e das lojas físicas, Luiza Trajano mantém a ideia que defende desde o início de sua carreira como varejista: acredita de que as lojas continuarão tendo seu espaço e necessidade, apenas com funções diferentes. Hoje, por exemplo, as lojas da Magazine Luiza também são centro de distribuição que tornam mais ágil a venda eletrônica.

“Se você não tiver o físico, você não forma a cultura”

No Mundo Corporativo, Luiza Trajano comentou das campanhas que o grupo desenvolve em defesa da mulher, uma missão assumida por ela não apenas na empresa que lidera, mas à frente do “Mulheres pelo Brasil”, que já atua em todo o país.

 

 
A entrevista completa você assiste no canal da CBN no You Tube e pode ouvir em podcast. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Alan Martins e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Procurador Geral do Trabalho fala de mudanças nas relações trabalhista e busca da conciliação

 

 

“Pólos opostos que habitualmente não se unem estão compreendendo que um ou outro pode desaparecer, pode desaparecer o empregador e pode desaparecer o empregado, então a gente precisa enfrentar o problema com a visão da conciliação” Alberto Balazeiro

As relações de trabalho sofreram forte impacto com regras sendo mudadas e medidas sendo adotadas para contornar a crise econômica que surge como consequência da pandemia provocada pelo coronavírus. A redução de salário, a suspensão temporária de contratos, antecipação de férias e a necessidade de profissionais exercerem suas funções de casa, sem um período de adaptação, foram apenas algumas das transformações ocorridas nesses últimos três meses.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, o procurador geral do Trabalho, Alberto Bastos Balazeiro, falou dos desafios que empregados e empregadores enfrentam neste momento:

“A pandemia impôs na nossa dinâmica uma série de realidades que não havia sido imaginada. E nesse cenário de grandes incertezas, o surgimento de mídias provisórias e de legislação excepcional nos preocupam muito. Esperamos que seja uma passagem, uma transição”

Em entrevista a Mílton Jung, Balazeiro explicou algumas das regras que estão em vigor com as medidas provisórias 927 e 936, aprovadas para prevenir as demissões em massa e ajudar empresas a se manterem financeiramente saudáveis

 

Ainda neste semana, o Ministério Público do Trabalhou informou que foram recebidas 19.045 denúncias de irregularidades trabalhistas relativas à Covid-19; e foram abertos 3.905 inquéritos civis para apurar violações sobre o tema. Um dos eixos estratégicos do MPT é a busca de conciliação e debates:

“A gente precisa construir consenso neste momento, não é momento de radicalismo, não há nessa relação de empregado e empregador inimigos, muito menos as instituições de um lado e de outro. As instituições estão interessadas em manter uma linha de equilíbrio, de interlocução e de conciliação”.

A migração para o trabalho à distância, nos modelos de home office e teletrabalho, é outro motivo de preocupação, segundo o Procurador Geral. De acordo com a nova lei, o empregador pode adotar esses modelos a qualquer momento, desde que notifique a equipe no prazo de 48 horas. E as empresas têm de estar atentas às condições com que este profissional vai exercer sua função em casa.

“A fiscalização do cumprimento dessas normas, está sendo feita: estamos atento”, diz Balazeiro.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Debora Gonçalves e Alan Martins.

Mundo Corporativo: é hora de refletir nosso conceito de sucesso, diz Dario Neto do Capitalismo Consciente

 

“A gente está vivendo um momento da história onde é importante ser mais, fazer melhor e ter menos” — Dario Neto

A Covid-19 é a pior crise já vivida neste século e levou empresas a acelerarem transformações que estavam em curso, não apenas da digitalização dos canais de venda, mas também das agendas de consciência dos negócios. A opinião é de Dario Neto, diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, que falou sobre os impactos que as crises humanitária, sanitária e econômica, vividas a partir do aparecimento do novo coronavírus, terão na forma de se liderar organizações e se pensar as empresas.

“A melhor maneira de fazer o bem é fazendo o bem. Então, nesse momento, compaixão e empatia, por mais que pareçam um contraponto às necessidades e à escassez que nos ronda, é aquilo que vai diferenciar os negócios, que vai prosperar mais ou menos depois desse momento”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Dario Neto explicou que o conceito do capitalismo consciente surge a partir da indignação do professor indiano Raj Sisodia que assistia a empresas americanas investirem mais em publicidade e marketing do que o PIB da Índia.

 

Sisodia se juntou a Jaf Shereth e David Wolf — e mais tarde recebeu o apoio de John Mackey, CEO da Whole Foods —- em estudo acadêmico que identificou que era possível manter alta reputação e fidelidade dos clientes investindo menos em marketing e lucrando a partir de quatro pilares: propósito maior, cultura consciente, liderança consciente e orientação para stakeholders.

 

O Instituto faz o mapeamento de boas práticas que estão sendo desenvolvidas pelas empresas e analisa projetos para a retomada das atividades e a recuperação econômica após a pandemia. Há organizações, por exemplo, que decidiram proteger seus fornecedores e toda a cadeia produtiva estendendo os prazos de pagamento. Com o mesmo objetivo, manter empresas e empregos, o próprio Instituto tem procurado investidores e empresários para ajudarem na sustentabilidade de uma linha de crédito — CoVida-20 — que facilita o financiamento de empresas, especialmente àquelas que não têm as garantias exigidas pelo sistema bancário, com juros de até 0,5% ao mês.

“Criamos um fundo de socorro, já ligado aos pilares do capitalismo consciente e a demanda foi de quase R$ 30 milhões … O desafio é muito grande … O protagonismo através da economia solidária pode ajudar muita gente”

A despeito da sensação de medo e escassez que impera, Dario Neto lembra que estudos mostram que empresas que revelavam “amor e cuidado em toda sua cadeia de valor, decolaram”, após a crise de 2008. Segundo ele, das 500 maiores empresas, listadas pela Fortune, 57% nasceram em períodos de exceção.

“É um processo que vai levar anos. É uma oportunidade muito especial que nós estamos tendo para refletir o que é sucesso para a gente e para a sociedade. Com um PIB projetado que vai retrair talvez 5, 7 pontos, a gente tem um caminho que é talvez pensar de como é que a gente volta a como é que as coisas eram antes o mais rápido possível — e isso vai deixar a gente angustiado — ou a gente tem um caminho que é o de ter a clareza de que o jeito que a gente viveu e consumia, estava levando o planeta para o fim … se sucesso para a gente continuar sendo consumir então a gente não vai mudar esse jogo, né”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Priscila Gubioti e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: César Souza fala da transformação do papel do CEO na empresa diante da pandemia

 

 

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“O momento é de colaboração, o momento é de solidariedade, o momento é de construir o futuro; a gente viu que empresa vazia não funciona, mais do que nunca está claro que são as pessoas o patrimônio maior das empresas”— César Souza, Grupo Empreenda

A busca de soluções inovadoras para enfrentar a crise provocada pela pandemia do coronavírus motivou um grupo de empresários a criar o #MovimentoVamosViraroJogo, lançado há duas semanas e que já conta com a adesão de 389 empresas dos mais diversos portes. O compromisso que assumem é o de compartilhar soluções que tenham sido encontradas em cinco áreas de atuação: modelos de negócio, soluções financeiras, relacionamento com os clientes, impacto na sociedade e gestão das pessoas.

 

Para um dos criadores do movimento, César Souza, do Grupo Empreenda, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, a intenção é que ao menos cinco boas práticas de cada setor sejam selecionadas e sirvam de referência para que outras empresas também possam se reerguer dessa crise:

“A história contemporânea será divida entre o ACV e o ADV, antes do Covid e depois do Covid; esses três meses foram muito intensos, muitas empresas estão sofrendo, mas algumas olham para o futuro …. a gente não pode dirigir uma empresa olhando para o retrovisor”.

 

Para César Souza, os CEOs estão enfrentando uma enorme e rápida transformação no seu papel diante das empresas e equipes que comandam. De Chief Executive Officer —- ou seja, de executor das estratégias da empresa —- viraram Chief Emergency Officer, a medida que precisaram atuar em situação de emergência. Passadas as primeiras semanas, eles assumiram a função de Chief Equilibrist Officer, para contornar problemas com fornecedores, legais, tributários e financeiros:

“Agora, até a sigla muda, porque os CEOs terão de ser os CROs, Chief Reivent Officer, eles terão de reinventar a empresa, esse é o trabalho mais importante e a missão mais nobre deles”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, na rádio CBN. O programa é apresentado por Mílton Jung e tem a participação de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Alan Martins e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: como pequenos e micro empresários podem sobreviver à crise do coronavírus

 

“Esse micro e pequeno empresário faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia, é muito difícil viver sem ele. O comércio eletrônico vai ajudar e vai substituir muito, mas essa relação pessoal de compra e venda, este é um ato do ser humano. Diria ao micro e pequeno empresário que ele é o mais importante tecido de sustentação deste país”.

A dificuldade de acesso a crédito e qualquer outro tipo de ajuda financeira nesta crise provocada pelo coronavírus tem se transformado em um dos maiores desafios de micro, pequenos e médios empresários. O adiamento para o recolhimento de impostos — tais como Simples, ICMS e ISS — e as regras que permitem renegociação salarial e outras alternativas para evitar a demissão de empregados são insuficientes para muitos desses empreendedores.

 

Por outro lado, especialmente no setor de varejo, alguns foram ágeis para se adaptar às restrições e levar seus produtos para o comércio eletrônico ou desenvolver sistemas de entrega domiciliar. Algumas das maiores plataformas de vendas pela internet também criaram ambientes mais acessíveis e estratégias para transformar o pequeno comerciante em representante de produtos e serviços oferecidos nesses marketplaces —- como é o caso a Magalu.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, avaliou o cenário atual de micro, pequenas e médias empresas, após dois meses desde que a pandemia do coronavírus atingiu os negócios no Brasil. Com base em pesquisas realizadas pela instituição a cada 15 dias, a previsão é que ao menos 25% dessas empresas tenham de fechar por falta de condições financeiras.

 

“Os bancos estão terríveis”, disse o dirigente ao comentar a resistência das instituições bancárias em emprestar dinheiro para os pequenos empreendedores. Ele lembra, porém, que o Sebrae fez parceria com a Caixa — e outros bancos — para permitir o acesso facilitado ao crédito e tem fundos próprios para viabilizar essas operações:

“O Fampe é o Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas. Quando um empreendimento não tem todas as garantis necessárias, o Fampe, de forma complementar, garante até 80% de uma operação de crédito, dependendo do porte empresarial de quem solicita e da modalidade de financiamento”.

A migração para o ambiente digital foi o aspecto mais positivo que se pode perceber ao longo dessa crise, segundo o presidente do Sebrae:

“Nesses 60 dias de crise, o aumento ao nosso atendimento de digitalização, do atendimento não presencial e das soluções dadas foi uma coisa surpreendente. Algumas empresas — muito pouco percentual — chegaram a crescer o faturamento; outras acharam o caminho através do e-commerce e do digital de poder, na verdade, se sustentar”.

Para saber quais são as regras tributárias em vigor, assim como as possibilidades de linhas de crédito ou de renegociação trabalhista com seus funcionários, Carlos Melles sugere que os empreendedores visitem o site do Sebraeonde encontrarão uma série de informações e manuais que podem ser úteis neste momento em que o objetivo é persistir a espera do fim da pandemia e da reabertura dos negócios.

 

O programa Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazaro e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: “quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional”, diz Ricardo Wagner, da Microsoft

 

“Quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional. Por pensar assim você perde uma grande oportunidade de mercado” — Ricardo Wagner, Microsoft

É preciso enxergar a questão da deficiência de maneira diferente e perceber que o problema não está na pessoa mas no ambiente ou nas ferramentas à disposição. É o que defende Ricardo Wagner, líder de acessibilidade da Microsoft, que foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. A conversa foi gravada pouco antes do início da pandemia do Sars-Cov-2 no Brasil e o tema é bastante pertinente se considerarmos que uma das ideias que se tem desta crise é que as empresas terão de se reinventar e criar novas relações no ambiente de trabalho.

“A melhor forma de você criar inclusão: contrate pessoas com deficiência. Aí você vai falar assim: “mas eu não estou preparado”. Justamente, por você não estar preparado. Entre você achar o que é certo para funcionar para a pessoa, se você tiver o colaborador dentro do ambiente que possa te dizer como isso funciona mais rápido, provavelmente você vai buscar a inovação em coisas que você nem imaginava”.

Calcula-se que existam 1,3 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo e cerca de 46 milhões, no Brasil. Para Wagner, as empresas estão desperdiçando talento, criatividade e oportunidades, porque quando se desenvolve um ferramenta acessível, está se criando uma solução para todas as pessoas:

“O assunto acessibilidade é extremamente relevante no mundo de negócios. Quem pensa, por exemplo, criar um ambientes de trabalho para atrair talentos, tem de pensar que todos os talentos tem habilidades e eventualmente deficiências: como que você cria um ambiente de trabalho inclusivo onde todos sintam-se em um ambiente em possam participar, entregar o melhor dela. Ou pensar em um produto que se oferece: como que você garante que a experiência de compra ou mesmo o produto que você vende, ele seja inclusivo e a pessoa que vai comprar, eventualmente uma pessoa com deficiência, ela também pode participar economicamente e ter a experiência do seu produto e sua marca?”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen, Artur Ferreira, Gabriel Damião e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Daniel Castanho fala das vantagens para as empresas que se comprometeram a não demitir

 

“A empresa está tomando conta do que há de mais nobre, que é o trabalho do seu funcionário” — Daniel Castanho, empresário

Um manifesto apresentado a 40 empresários brasileiros transformou-se em um movimento com adesão de mais de 4.500 empresas que se comprometeram a não demitir nenhum funcionário até o dia 1º de junho, apesar das dificuldades econômicas provocadas pelo novo coronavírus. O empresário Daniel Castanho, um dos criadores do “Não demita”, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN, calcula que 2 milhões de empregos foram garantidos neste período.

 

Esta edição do Mundo Corporativo foi gravada de casa — seguindo as recomendações de isolamento social — com vídeo captado por uma câmera de Iphone e áudio por um aparelho TieLine.

 

Castanho é o presidente do conselho de administração e um dos fundadores do grupo Ânima Educação, que reúne 12 instituições educacionais, mais de 118 mil alunos e cerca de 8 mil educadores. Ele conta que assim como muitas pessoas, assustadas com os riscos que a pandemia poderia gerar, correram aos supermercados para fazer estoques de uma grande variedade de produtos, donos de empresas e executivos imaginaram que seria necessário demitir profissionais para manter suas empresas saudáveis, em um primeiro momento. Porém, foi possível mostrar que a manutenção dos empregos, era um compromisso ético e moral que as empresas deveriam assumir:

“… se você demitir alguém agora, a pessoa não vai ter nem a possibilidade de mandar o seu currículo, nem de sair de casa, então é o momento do empresário não demitir”

No início do movimento, alguns empresário alegaram que não teriam condições de assumir o compromisso de não demitir, porém, mudaram de ideia a partir do instante em que perceberam que seus concorrentes estavam dispostos a manter seus profissionais. Em seguida, viram o impacto positivo que a medida gerava entre seus colaboradores e clientes:

“O movimento gera comprometimento dos funcionários e valorização por parte dos consumidores”

Com base em experiência desenvolvida no comando da Ânima Educação, empresa da qual foi um dos fundadores, Castanho recomenda que os empresários sejam muito transparentes com seus colaboradores. Em 2009 e 2013, por exemplo, o grupo adquiriu instituições de educação que estavam com os salários atrasados e dificuldades financeiras, e decidiu chamar todos os professores e funcionários e abrir os números, o faturamento, a dívida, o tamanho da folha de pagamento:

“Você tem de entender todo mundo como empreendedor, são todos seus sócios naquele momento, são empreendedores arriscando com o CNPJ do outro; então olhe para todo mundo que trabalha na sua empresa como seu sócio e fale com eles como nós vamos reinventar essa empresa com um novo formato e tudo mais … “

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Fábio Costa, da Salesforce, fala de oportunidade de carreira em tecnologia

 

“Qualquer pessoa pode ter acesso a tecnologia porque a parte difícil passa a ser feita pela máquina; o que você precisa entender é qual o problema de negócio, que sempre é um problema humano, que você quer resolver, para poder explicar para a máquina como resolver este problema” — Fábio Costa, Salesforce

A demanda por pessoas qualificadas em tecnologia vai permanecer após ser superada a crise provocada pelo coronavírus. Assim, na medida do possível, buscar conhecimento nesta área pode ser uma boa alternativa para quem foi obrigado a ficar mais tempo em casa, para cumprir o distanciamento, ou quem viu sua carreira ameaçada pelo fechamento de negócios, neste momento.

 

Antes dessa crise, levantamento feito pelo Linkedin sobre as 15 profissões mais promissoras de 2020, a maioria estava, direta ou indiretamente, ligada à tecnologia e a empresas do setor de internet e serviços ao cliente. A profissão de “desenvolvedor de plataforma Salesforce” ocupava a 13a posição.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Fábio Costa, gerente geral da Salesforce no Brasil, falou da oportunidade de desenvolvimento na carreira através da plataforma de ensino Trailhead, que pode ser acessada de graça, por quem busca certificação e conhecimento profissional especializado nas ferramentas criadas pela empresa:

“Essa qualificação não é mais tão difícil quanto foi há anos atrás, 10 anos atrás, 20 anos atrás, as coisas no mundo da tecnologia mudaram bastante, então nós temos hoje um acesso mais democrático ao mercado de tecnologia para quem está interessado em ingressar nesta jornada”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo. O programa teve as colaborações de Gabriela Varela, Artur Ferreira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.