Mundo Corporativo: Cláudia Pombal, da DaVita, diz que diversidade tem de estar na cultura da empresa

Imagem reproduzida da @DavIta, no Twitter

“Cultura vai muito além do que a gente bota numa parede, do que a gente faz no discurso. Cultura são os hábitos, são os costumes do dia a dia que nos levam a ter essa realidade”

Cláudia Pombal, DaVita

A diversidade no ambiente corporativo tem de ser legítima e genuína. Mais mulheres entre os colaboradores não é suficiente para que se tornem reais os benefícios que a pluralidade de visões pode trazer. É preciso que isso faça parte da cultura organizacional e tenha o engajamento dos líderes da empresa. É o que Cláudia Pombal, diretora de Recursos Humanos da DaVita Tratamento Renal, defendeu em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“A empresa tem de estimular que a mulher tenha esse protagonismo no ambiente de trabalho, bem como a mulher também tem de entender o seu valor e se colocar, também, nesse lugar. É uma combinação do ambiente ser favorável e a atitude das mulheres”.

A DaVita tem cerca de seis mil colaboradores e 70% são mulheres, muitas em postos de liderança — um facilitador nessa conta é o fato de atuar no setor da saúde em que as funções de enfermagem e auxiliar de enfermagem tradicionalmente são exercidas por mulheres. O grupo nasceu nos Estados Unidos há 20 anos e chegou ao Brasil em 2015, onde mantém 91 operações com presença em clínicas de diálise e hospitais. Por aqui, há um processo de expansão que se acelerou nos dois últimos anos, com 43 aquisições, em 2020 e 2021.

Para enfrentar a pandemia, a empresa teve de conviver com experiências diferentes ao mesmo tempo, pois se funcionários de áreas administrativas migraram para o trabalho remoto, os que atendem os pacientes tiveram de se manter na linha de frente. Houve maior demanda de serviços, o que obrigou a  DaVita a contratar em ritmo acelerado. Cláudia conta que em um dos períodos da pandemia, foram contratados 150 funcionários em apenas 15 dias. Uma das ações desenvolvidas pelo grupo foi a criação de auxílio psicológico para colaboradores e familiares.  Houve, ainda, maior preocupação com o engajamento das equipes, aprofundamento do olhar sobre as particularidades de cada uma das operações e um aprendizado intenso quanto a exigência de todos serem mais flexíveis, diante das mudanças de cenários.

“A pandemia veio para falar: tudo que você tem como crença é muito legal, te trouxe até aqui, mas não te leva para o próximo passo. Então, repensa e repensa rápido, e reconstrói muitas coisas no caminho”.

Cláudia é economista de formação e apesar de gostar muito de números se apaixonou mesmo foi por cuidar de pessoas e, por isso, logo cedo buscou conhecimento no setor de RH e foi convidada para atuar nesta área:

“Eu sou muito feliz e muito realizada. É um caminho incrível. Você aprende muito todo dia, é desafiada a lidar com gente e é algo que não tem fórmula, não tem receita”.

Assista à entrevista de Cláudia Pombal, ao Mundo Corporativo:

Colaboram com o programa: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo, 20 anos: o 5G será uma disrupção na internet das coisas médicas, diz Fernando Paiva

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“O 5g para o ecossistema de saúde, quando a gente pensa em monitoramento remoto, seja de paciente, vai ser totalmente transformador”. 

Fernando Paiva

Uma central de comando que monitora à distância a saúde dos moradores da cidade; que usa as câmeras em áreas públicas não apenas para alertar para riscos na segurança, mas que sejam capazes de identificar, através do reconhecimento facial, que os dados captados de uma pessoa demonstram desvios de padrão e enviem a ela a mensagem de que deve procurar atendimento médico. Ficção científica? No nosso imaginário, com certeza. No campo da tecnologia, nem tanto. Hoje, já existe inteligência suficiente para implantar um sistema semelhante a esse que foi descrito por Fernando Paiva, no programa Mundo Corporativo.

Como a tecnologia influenciará o atendimento aos pacientes e contribuirá com a qualidade de vida dos brasileiros foi o tema escolhido pelo Mundo Corporativo para a estreia desta temporada que marca os 20 anos do programa.

Fernando não é médico por formação. É engenheiro, estudou economia, e administração de empresas; é apaixonado pela tecnologia de informação — talvez resultado das aulas de programação que teve quando ainda estava com apenas 13 anos. Hoje, faz mestrado em internet das coisas na área médica (IoMT), na Faculdade de Medicina da USP:

“Cheguei a um momento da vida que eu gostaria de gerar mais impacto social, que traria realmente algum resultado na vida das pessoas. E a área da saúde é apaixonante porque você sabe que no final do dia, quando você vai dormir, aquele trabalho que você realizou, de maneira direta ou indireta, está salvando uma vida, contribuindo com a longevidade”.

Entusiasmado com a chegada da tecnologia 5G ao país, Fernando identifica uma série de oportunidades que devem surgir nesse mercado; e chama atenção dos empreendedores para a necessidade de se enxergar o ecossistema de saúde no Brasil para entender melhor a jornada do paciente, que se inicia muito antes dele passar por laboratórios, clínicas e hospitais:

“Essa jornada se inicia dentro e fora do ambiente da clínica hospitalar. Quando você está fazendo um tratamento preditivo ou um acompanhamento preventivo, você já está inserido no ecossistema de ‘health care’’.

Se a cidade que monitora a segurança da saúde das pessoas é realidade ainda distante dos nossos olhos, no Brasil – o que ainda exigirá um debate técnico e ético – , existem outras mudanças que logo poderão ser percebidas com a oferta do 5G. A começar pela velocidade e constância na transmissão de dados e informações que pode agilizar o atendimento do paciente ou otimizar a telemedicina, experiência que passou a fazer parte da vida dos pacientes durante a pandemia.  O ‘home care’ – que permite tratamento fora de uma unidade de saúde especializada e oferece ao paciente o conforto de estar em sua própria casa e ao lado da família – será um dos sistemas mais beneficiados. O paciente poderá ser monitorado em tempo real e intervenções poderão ser feitas muito mais rapidamente.

“O 5G será uma disrupção”

Para que empreendedores e investidores entendam melhor como a internet das coisas médicas pode se transformar em oportunidade, além de conhecer o ecossistema da saúde e a jornada do paciente, Fernando Paiva deixa as seguintes sugestões;

  • Faça um mergulho profundo em tecnologia, porque elas são muito dinâmicas e transformadoras. É preciso conhecer o hardware, o software e a infraestutura tecnológica; isso é fundamental para o empreendedor.
  • Se você tem uma base muito forte em tecnologia, busque um consultoria especializada em saúde, converse com médicos e profissionais de saúde; dialogue com o meio para ter um ‘banho de loja’;
  • O ecossistema de saúde brasileiro tem suas peculiaridades e é extremamente conservador; não basta ter bilhões de dólares na conta para convencer que a sua solução é a melhor: é preciso falar a linguagem do setor.

Assista à entrevista completa com Fernando Paiva no Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feira, às 11 horas da manhã, na canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site http://www.cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h15, no Jornal da CBN. E tem a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Janeiro Branco: a importância dos cuidados com a saúde mental

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

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Ao longo da história da humanidade, diferentes conceitos sobre o adoecimento mental conduziram a práticas desumanas que em muito contribuíram para os estigmas e preconceitos sofridos pelas pessoas que têm transtornos mentais.

Doentes mentais já foram considerados hereges; foram colocados em embarcações que vagavam à deriva por rios europeus; foram considerados perigosos e levados à prisão; já foram trancafiados em hospícios, excluídos do convívio social.

O avanço científico, especialmente o desenvolvimento das neurociências, permitiu novas compreensões e tratamentos dos transtornos mentais. Além disso, fenômenos sociais têm alertado sobre a necessidade de prevenção e promoção da saúde mental, conduzindo a estudos científicos que compreendam seus fatores de risco e proteção. 

A saúde mental de uma pessoa está relacionada ao seu bem-estar, ao autoconhecimento e a maneira como reage às situações de adversidades e conflitos, com o menor impacto sobre o seu funcionamento.

Alguns fatores de risco à saúde mental são apontados por estudiosos, como a experiência individual do estresse, a vulnerabilidade genética e fatores de risco ambientais, dentre os quais destacam-se: condições socioeconômicas desfavoráveis, como pobreza e falta de habitação segura, desemprego, baixa remuneração e violência.

Diante de tantos desafios e adversidades, o que permite que alguém se mantenha mentalmente saudável?

Ter esperança, satisfação em vários domínios da vida, autoaceitação, bons relacionamentos, maior capacidade de resiliência, maior tolerância à frustração, empatia, criatividade e espiritualidade são apontados nos estudos, como recursos e estratégias de enfrentamento mais positivas para o desenvolvimento da saúde mental. Esses recursos podem ser compreendidos como habilidades individuais para o enfrentamento, percepção de rede de apoio e engajamento social e autoconceito positivo.

Algumas atividades também estão relacionadas à redução do estresse, dos níveis de ansiedade e de depressão, tais como alimentação saudável, prática regular de atividade física, sono adequado, atividades de lazer, de relaxamento e de autocuidado.

Como cultivar essas práticas, quando há escassez de emprego, moradias inadequadas e tantas outras desigualdades sociais?

Cuidar da saúde mental não pode ser um modismo ou privilégio de alguns grupos sociais. É uma necessidade urgente e para todos, exigindo que programas preventivos sejam implementados, como políticas de saúde pública, tendo em vista o sofrimento que os transtornos mentais geram em pacientes e seus familiares e o elevado custo dos tratamentos.

Promover a saúde mental não é sinônimo de excluir das experiências de vida alguns sentimentos mais desagradáveis, como tristeza, raiva ou ansiedade. É colocar em prática ações preventivas que possam criar estratégias para que tais sentimentos sejam vividos, validados e superados sem o adoecimento emocional.

Cuidar da saúde mental não é uma ação individual. É coletiva, cuja responsabilidade recai sobre pessoas e organizações, sobre famílias, escolas, empresas e governantes. 

Somente é possível cuidar daquilo que se valoriza.

Mas qual é a medida de valor da nossa sociedade? Sucesso profissional? Dinheiro? Produtividade?

Enquanto houver negligência do autocuidado, privação dos momentos de lazer e aprendizagens que não priorizam o desenvolvimento de habilidades sociais, seremos levados à exaustão e nos manteremos adoecidos.

Que possamos criar uma cultura de saúde mental, como proposto pela campanha ‘Janeiro Branco’, não apenas como uma meta para esse mês, mas como uma cultura de saúde para o ano todo. 

Por um ano mais saudável, por um ano mais feliz!

Assista ao programa Dez Por Cento Mais sobre saúde mental, ao vivo,

nesta quarta-feira, dia 19 de janeiro, às 20 horas

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Observações de um sesamóide quebrado

Foto: Pexels

Um fratura nos minúsculos sesamóides, dois ossinhos tão ridículos quanto necessários do dedão, me proporcionou uma série de experiências baseadas em observações e agitou a semana que prometia ser de pasmaceira no noticiário e entediada no cotidiano. A começar pela prova de quanto o corpo humano pode ser frágil e o ser humano, dependente. 

Com a necessária imobilização do local fraturado, perde-se o movimento de uma das mãos e se restringe uma série de atividades para as quais damos pouca importância mas que podem se transformar em desafios que exigem malabarismo e súplicas de solidariedade. Tente amarrar o cadarço do sapato com uma só mão ou abotoar o punho da manga da camisa sem a mão do lado oposto – sim, eu sei, a humanidade tem coisas mais importantes com que se preocupar. 

Eu também, tenho. Trabalhar, por exemplo.

Por isso me espantaram dois dos profissionais de saúde que me atenderam nesses dias. O primeiro insistia que eu aceitasse o atestado médico me dispensando por uma semana. O outro, depois de saber que eu seguia dando expediente, concluiu: “então você é o dono”. Nem do meu nariz! Que, aliás, tentei coçar à noite e arranhei com a órtese de mão que estou “vestindo” em substituição ao gesso desproporcional que o hospital me obrigou a colocar por ser o procedimento mais barato.

Observei também a reação dos amigos e parentes diante do incidente. Foi reveladora de como temos dificuldades de encontrar a forma mais apropriada de solidariedade. Um, antes de eu terminar minha triste história – e eu só queria ter o direito de externalizar minha dor -, começou a falar dos acidentes que ele sofreu. Todos muito piores do que o meu. Sai da conversa arrasado: os casos dele eram insuperáveis. 

Teve o que exercitou a empatia, sempre recomendável nas relações humanas. Ao explicar que havia quebrado o sesamóide, ele logo se uniu a mim para dizer que é a “pior coisa que podia acontecer”. Ao deixar a conversa passei a cogitar a morte no próximo tombo que levar.

Um terceiro lamentou meu azar de ter caído quando faltavam apenas três degraus para chegar ao chão. Teria sido melhor que eu caísse da parte mais alta, então? 

Experiência pior foi o que os exames laboratoriais me proporcionaram. Nem tanto pelo exame em si, nem pelo atendimento recebido – todos os funcionários eram muito simpáticos. Enquanto esperava as imagens da tomografia computadorizada feita em equipamentos ultramodernos, me vi na posição de observador de um diálogo do período jurássico, protagonizado por dois clientes na sala de espera. 

Após a TV anunciar que o governo reduziria o tempo para a terceira dose da vacina contra Covid, o senhor, que parecia mais velho do que eu,  balbuciou algo para a moça, que parecia mais jovem do que eu. Foi a senha para o início de uma conversa que me faz saber que ambos tinham contraído a doença e tomado as duas doses da vacina. Daí pra frente foi uma sequência de absurdos. Ela reclamou que ninguém sabe o que está fazendo porque a orientação sobre número de doses e tempo de intervalo muda a todo momento: “eu vou esperar uns sete meses antes da terceira dose pra ver o que vai acontecer com quem tomou”. Ele contra-atacou: “conheço uma monte de gente que passou mal, eu não vou tomar o reforço. Até já peguei Covid!”.

No segundo episódio da conversa, os dois passaram a relatar sequelas deixadas pela doença. E o senhor, do alto de sua sabedoria, recomendou a ela um chá sei-lá-do-que que tem o mesmo “princípio ativo” de um remédio que está sendo desenvolvido na Alemanha para conter os males deixados pela Covid-19. A moça que havia revelado descrença na ciência que desenvolve vacinas, arregalou os olhos e, antes de se despedir, comentou: “se esse chá funciona mesmo, será uma revolução”. Pegou os exames, despediu-se e foi embora batendo firme os saltos no piso, levando a tiracolo a crença na sabedoria popular e o negacionismo à ciência.

Confesso meu desejo de ter intervindo na conversa ao menos para saber o nome do chá milagroso que resolve o que conhecemos por Covid longa. Preferi resguardar-me em minha própria ignorância. E resignei-me ao papel de observador, apesar de estar convencido de que se eu prestasse mais atenção na minha vida do que na dos outros, talvez tivesse percebido que havia um degrau no meio do caminho. E meus sesamóides estariam intactos.

Psiquiatra defende o uso da expressão automorte em lugar de suicídio, palavra que remete a ideia de crime

Foto de Daniel Reche no Pexels

Gol contra em Portugal não é gol contra. É autogolo. Palavra bem mais apropriada para explicar o ato de colocar a bola dentro das próprias redes. Ato jamais intencional, —- ao menos não em condições normais de pressão, temperatura e caráter. — como a expressão usada no Brasil pode dar a entender Foi o que pensou Carlos Francisco, torcedor do Boa Vista, de Portugal, quando leu texto em jornal lusitano do erro cometido por um dos zagueiros do time da cidade do Porto. Registre-se: torcedor por linhas tortas, já que admira o time português apenas pela camisa preta e branca que se assemelha com a do Botafogo do Rio, esse sim uma paixão. 

Carlos Francisco, além de gostar de futebol, é médico, psiquiatra. Depara com uma série de transtornos, desequilíbrios e fragilidades do ser humano.  Nos casos mais dramáticos, assiste pacientes com tendências a cometerem violências contra si mesmo, dispostos a deixar a vida como solução para dificuldades e sofrimentos pessoais. 

Chamamos isso de suicídio. Não apenas nós. As certificações médicas usam a expressão que, consta, foi registrada inicialmente em obra do médico inglês Thomas Browne, Religio Medici (1643), publicada em Londres. Foi ele quem criou em grego o neologismo  αυτοθόηος — autofónos, que se mata a si mesmo. Quando a obra foi traduzida para o inglês registrou-se a palavra suicide. 

Hoje, psiquiatras e profissionais de outras especialidades médicas e comportamentais, têm refletido sobre essa nomenclatura que remete a um ato criminoso — da mesma forma que homicídio, feminicídio, parricídio ou infanticídio. Dr. Carlos faz parte desse grupo e se inspirou no futebol português para defender o uso de expressão que considera mais adequada para identificar a ação que leva uma pessoa a atentar contra a própria vida: automorte

Na entrevista que Dr Luis Fernando Correia, Cássia Godoy e eu fizemos nesta manhã no quadro “Saúde em Foco”, no Jornal da CBN, o médico Carlos Francisco, mestre e doutor em psiquiatria pela Unicamp, e integrante da Associação Brasileira de Neuropsiquiatria, explicou que a troca de nomenclatura se justifica mesmo se levarmos em consideração as definições de suicídio publicadas na Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde. A CID —- lembra de já ter visto esta sigla em uma receita médica? —- é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo que contém cerca de 55 mil códigos únicos para as diversas causas de lesões, doenças e mortes. 

De acordo com Carlos Francisco, nas doenças que são relacionadas ao suicídio já se usa expressões como automutilação e autolesão. Um sinal de que é possível avançar no caminho de, em algum momento, adotar-se automorte em detrimento de suicídio, palavra estigmatizada e com uma caráter de criminalização:

“A gente tem de pensar no estigma terrível que é usar essa palavra Imagine alguém na família que teve uma pessoa que cometeu o suicídio: “ele é de uma família de um suicida”. Ou o próprio paciente que tentou se matar e não conseguiu consumar o ato: ele é potencialmente suicida. O paciente se sente como se fosse um criminoso”.

O prefixo ‘auto’, defendido pelo doutor Carlos Francisco, tem origem na palavra grega autos e também exprime a noção de próprio, de si próprio, por si próprio. Mais fácil assim de compreender mesmo no senso comum. Além disso, colabora com outro aspecto no tratamento da doença. O fato de se entender que a causa pode ser única, própria, individual, como chamou atenção, o  Dr Luis Fernando:

“Da mesma forma que não se deve generalizar o termo, também não se deve generalizar uma causa. Infelizmente, existe uma generalização da doença mental por trás da tentativa do suicídio ou da automorte”.

A banalização de debates sobre saúde mental pode limitar o diagnóstico de pacientes que sejam identificados com tendências de se matar. Faz esquecer que cada pessoa que cometeu ou tentou cometer o suicídio tem suas particularidades. Carlos Francisco ressalta ainda que, a despeito da discussão sobre o nome mais apropriado a se dar para este comportamento, o foco tem que ser o tratamento. E a principal instância de diagnóstico é a família. Nem medicina, nem psicologia, nem religião substituem a confiança afetiva que se tem com aqueles que nos cercam, desde, é lógico, que você conviva em uma ambiente favorável. Se a família consegue diagnosticar o problema é mais fácil encaminhar o paciente para o tratamento. 

Mudar o nome de uma doença em busca de torná-lo mais apropriado para a situação costuma ser processo demorado, mas não inédito. Um dos exemplos mais conhecidos da história da medicina é o do uso da expressão histeria, que podemos encontrar em textos que falam de Hipócrates e estudos psicanalíticos de Sigmund Freud —- apenas para ficarmos em dois dos grandes nomes da humanidade. Por acreditar-se que sua causa é resultado de disfunção uterina deu-se o nome grego hysterá que significa útero. Somente nos anos de 1990, a comunicada médica e a Organização Mundial da Saúde passaram a identificar a doença como transtornos dissociativos, tirando-lhe o caráter puramente feminino.

Ouça o Saúde em Foco, da CBN

Mundo Corporativo: a diversidade tem de estar no DNA da empresa, diz Manoela Mitchell, da Pipo Saúde

Manoela Mitchell, foto: divulgação

“Não adianta chamar para festa, tem que convidar para dançar. E eu acho que diversidade é muito sobre isso. Chamar para festa é a parte de contratação; convidar para dançar é a parte de manutenção dessas pessoas aqui dentro da empresa”.   

Manoela Mitchell, CEO Pipo Saúde

Única mulher em uma mesa de reuniões do fundo de investimento em que trabalhava, a economista Manoela Mitchell percebeu que mesmo tendo voz não havia ouvidos à sua disposição. No escritório, os colegas não escondiam o preconceito de gênero, e sempre se mostravam mais à vontade em dar atenção a alguém que se parecesse com eles. Apesar de o comportamento fazer parte daquele ambiente desde que chegou por lá, ainda muito jovem, as cenas ficaram mais explícitas a medida que Manoela amadureceu profissionalmente —- “quando fiquei mais velha”,  foi a expressão que usou na entrevista ao Mundo Corporativo; que me soou estranha considerando que ela tem apenas 29 anos.  

Lição aprendida, Manoela abandonou o mercado financeiro, uniu-se a Vinicius Corrêa, também economista, e Thiago Torres, desenvolvedor, e fundou a Pipo Saúde, uma corretora de benefícios que usa tecnologia e se apoia em dados para auxiliar o setor de recursos humanos das empresas na gestão de saúde dos colaboradores — consta que só no ano passado derrubou em 20% os custos de seus clientes com planos de saúde. Na empresa em que atua como CEO, Manoela assumiu a missão de ser uma indutora de ações em favor da diversidade no mercado de trabalho:  

“… mas eu tive um despertar muito mais verdadeiro, também, depois que eu me reconheci como pessoa LGBTQiA+. Então, como uma mulher lésbica, hoje casada com a minha esposa, eu acho que isso também passou a ser uma pauta muito mais importante na minha vida, né? Então, acho que esse levantamento dessa bandeira e a importância disso vieram há seis anos de maneira mais forte”. 

Atualmente, a Pipo Saúde tem 60% de profissionais mulheres; 40% são negros e pardos; 30% se identificam como LGBTQiA+; e 7% são trans. Não era assim lá no início, quando foi criada. Em 2019 … 

… curioso porque tudo que se ouve da história de Manoela Mitchell é tão recente quanto intenso … 

… eram de 10 a 12 pessoas trabalhando na startup, quase todas brancas, homens e heterossexuais. Assim que identificaram esse padrão, os fundadores assumiram o compromisso com a diversidade, conversaram com organizações que levam para o mercado de trabalho pessoas de grupos minorizados, montaram vagas dedicadas e criaram um modelo de processo seletivo para eliminar a influência do viés inconsciente: 

“No processo seletivo, eles não vão para esse lado da empatia com aquilo que eu sou. Fazemos perguntas mais neutras. Evitamos ver o currículo. Eu foco mais no questionário, nas perguntas e nas respostas. E a gente passou a contratar várias pessoas diversas, principalmente no começo de 2020”

E se é preciso convidar para dançar, como se diz no lema que já virou lugar-comum nas conversas sobre diversidade no Mundo Corporativo, a Pipo Saúde, ao chamar trans, pretos, pardos e outras pessoas com perfis diversos daqueles que costumam estar nas empresas, investiu em ações para que esses profissionais tivessem lugar de fala. Mas não só de fala. Até porque, como já contamos, Manoela Mitchell aprendeu lá no início da sua carreira, que não adianta dar voz, tem de oferecer a escuta, pois somente assim a empresa, seus gestores e colaboradores aprendem a tratar todos da melhor maneira possível. 

“Diversidade não é uma bandeira que se levanta. É uma coisa que passa a fazer parte do DNA da empresa. Só assim, você, de fato, cria uma empresa que vai ser diversa, que vai trabalhar essa pauta ao longo do tempo. Esse para mim é um ponto fundamental. Não dá para pensar: agora eu vou trabalhar para a diversidade; agora eu vou olhar para outra coisa. Eu tenho de olhar de maneira constante; e pensar em diversidade em vários momentos do funcionário dentro da empresa”

Tem muita pesquisa que ilustra com números as vantagens que as empresas têm do ponto de vista produtivo, criativo e financeiro quando criam ambientes inclusivos. Mas vamos ficar apenas com os resultados da Pipo Saúde para entender o quanto a diversidade pode oferecer de ganhos ao negócio. 

Em agosto deste ano, a empresa, que tem mais de 100 clientes empresariais, anunciou o aporte de R$ 100 milhões, liderado pela  Thrive Capital. Dizem os registros oficiais que esse foi o maior investimento em rodada séria A de qualquer healthtech e o maior já levantado por uma mulher no Brasil. Fui, então, saber o que significava isso e descubro que  “série A” é a rodada de investimento que foca startups que têm um modelo de negócios e um mercado de atuação bem definidos. O dinheiro chega para impulsionar a escala de produção, otimizar a distribuição de produtos e serviços e expandir a atuação da empresa no mercado. Um mês depois do depósito feito, a Pipo lançou um seguro de vida empresarial próprio. 

O investimento também servirá para ampliar o número de colaboradores da startup. Então, preparem-se, vem mais diversidade por aí.

Assista à entrevista completa com Manoela Mitchell, CEO da Pipo Saúde em que também falamos sobre tecnologia, inovação e gestão na área de saúde das empresas:

Neste capítulo, o Mundo Corporativo contou com a colaboração de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti

Livro traz evidências para você combater o negacionismo que desinforma e mata

Carlos Orsi e Natália Pasternak Foto: Instagram

O cético exige evidências robustas para corroborar um fato ou um achado científico. O negacionista nega os fatos e o achado científico sem oferecer evidências robustas. 

Bem mais do que um jogo de palavras, as duas frases que iniciam este texto estabelecem de forma definitiva o campo de ação de cada um desses comportamentos; e os coloca em lados extremamente opostos. Fazer essa diferença é fundamental porque há um enorme esforço de parcela da sociedade —- menos mal que não é tal parcela significativa —- em negar a verdade apenas porque ela não lhe convém; e chama isso de ceticismo. Não o é. Tem nome próprio: negacionismo. E negacionismo prejudica, deseduca, desinforma e mata. 

Exemplos não nos faltam nem exigem voltar ao tempo: quantos morreram porque não acreditaram na existência de que estávamos em uma pandemia; quantos foram mortos porque líderes políticos e gestores públicos negaram as evidências que a ciência havia encontrado desde o surgimento dos primeiros focos de contaminação pelo SarsCov-2; quantos lerão essa história lá na frente, quando nós não estaremos mais por aqui, e dirão que aquela suposta tragédia humana dos anos 2020 foi uma estratégia de governos dominadores em conspiração com laboratórios de ciência que teriam ficado de joelhos diante do império chinês que se estabelecia —- e não me peça para explicar a lógica desta frase porque ela só existe na mente de negacionistas.

Essa conversa que tenho com você agora, se iniciou hoje cedo na “Conversa de Primeira”, que faço todas as terças-feiras com uma cética que trava batalha diária contra o negacionismo. Cética e com orgulho como ressaltou a doutora Natália Pasternak, que não requer crachá nem apresentações; mas que faço questão de registrar ser  a primeira brasileira com nome inscrito no Comitê para a Investigação Cética, criada pelo astrônomo Carl Sagan, nos anos de 1970.  Ela está lançando com o jornalista científico (e marido) Carlos Orsi, o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” (Papirus 7 Mares)

“É um tema que a gente vem explorando há muito tempo por causa do nosso trabalho no Instituto Questão de Ciências. Principalmente por causa do negacionismo em ciência e que durante a pandemia a gente presenciou de camarote — vimos acontecer no Brasil de uma maneira que é difícil de acreditar.  Mas não apenas em ciências”.

Eis aí na explicação de Natália outro fato incontestável. O negacionismo ataca a verdade construída pela ciência, mas não se contenta em atuar apenas nessa área. Vai além. Vai para a história quando nega a existência do holocausto, a despeito da robustez de registros  e testemunhos. Uma teoria que se torna ainda mais absurda quando se tem a exposição da verdade diante dos nossos olhos em locais como o United States Holocaust Memorial Museum, em Washington DC, que, por coincidência ou não, foi visitado pela doutora Natália e a filha dela, nesta semana. Um programa que só a fez ratificar a ideia de que enfrentar o negacionismo é fundamental para evitarmos erros históricos que podem se transformar em novas tragédias humanas.

No livro, são identificados alguns aspectos que movem esses grupos a atrapalhar o desenvolvimento humano, com campanhas contrárias a vacinação ou rejeição à tese de que a ação do homem impacta o ambiente e leva ao aquecimento global. Para Natália e Carlos deve-se considerar o fato de que ao aceitar algumas dessas ideias, mesmo que tenham comprovação científica, precisamos necessariamente mudar nossos comportamentos —- algo nem sempre muito fácil. Em um dos capítulos, somos lembrados da negação aos malefícios do tabaco:

“Se eu aceito que tabaco dá câncer, eu tenho de parar de fumar. Se eu aceito que o aquecimento global é real e prejudica o meio ambiente, tenho de mudar meu estilo de vida. Para não mudar o meu comportamento, eu nego essa realidade porque é mais confortável”.

O negacionismo se constrói em diversas dimensões e inspirado por diferentes motivações — ideológicas, sem dúvida. Basicamente, é uma atitude de negar fatos estabelecidos ou consensos científicos, a despeito das evidências. E pode vir combinado com outros métodos, tais como o ilusionismo —- com o devido respeito aos profissionais da área. 

Foi isso, por exemplo, que assistimos na “batalha da cloroquina”, liderada pelo chefe supremo da nação. As crenças de que uma droga para a doença viral transmitida por mosquitos teria eficácia em tratamentos precoces da Covid-19 e sua distribuição em rede pública conteria o avanço da doença eram manipulações, alterações da realidade, para escamotear a incompetência de se gerir uma crise. Chamei isso de ilusionismo? A CPI da Covid, parece, preferir batizar de charlatanismo. Que seja!

Negar a eficácia da cloroquina, da hidroxicloroquina ou da ivermectina no tratamento da Covid-19 não é negacionismo? Não. É ceticismo! Porque céticos fazem questionamentos saudáveis, como nos ensina Natália Pasternak:

“(ceticismo) é exigir evidências para então aceitar um consenso ou um fato. Exigir evidências de que a cloroquina funciona para a Covid-19 é ceticismo. Opa, essa afirmação que você esta fazendo tem de ser baseada em evidências científicas. Onde estão as evidências, as provas? Me mostra as evidências que aí a gente pode conversar”.

Para saber como podemos colaborar com a ciência e o conhecimento combatendo os negacionistas, leia o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” e ouça a nossa conversa — minha e da Marcella Lourenzetto — com a doutora Natália Pasternak, no quadro “A Hora da Ciência”, do Jornal da CBN.

Como enfrentar o luto antecipado provocado pela Doença de Alzheimer

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Julianne Moore em foto-reprodução do filme ‘Para sempre Alice’

“Meus ontens estão desaparecendo e

meus amanhãs são incertos. Então, para que

eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente”

“Para sempre Alice”

            O livro “Para sempre Alice”, de Lisa Genova, conta a história de uma professora universitária que, no auge de sua carreira, começa a ter esquecimentos e a se equivocar em situações cotidianas, recebendo o diagnóstico de Doença de Alzheimer precoce, um dos subtipos de síndrome demencial.

            A síndrome demencial ou demência é caracterizada pela perda das funções cognitivas, como a atenção, a linguagem ou a memória, e pelas dificuldades significativas na realização de atividades da vida diária, como cuidar das finanças.

            Apesar de haver alguns subtipos de demência, a mais conhecida e mais frequente é a demência relacionada à Doença de Alzheimer, caracterizada pelo início insidioso e pelos lapsos de memória, com evolução progressiva das perdas cognitivas.

            Dentre as principais dificuldades cognitivas encontradas na Doença de Alzheimer, as falhas de memória são as mais frequentes, caracterizadas inicialmente por dificuldades em aprender uma nova informação, como usar um novo aparelho eletrônico, esquecimentos para fatos recentes e a tendência a um discurso mais repetitivo.

            No início da doença, há uma dificuldade em encontrar palavras, tomar decisões e realizar o planejamento e execução de atividades anteriormente realizadas com sucesso.

            A medida que a doença evolui, as perdas cognitivas se tornam mais acentuadas e as alterações de comportamento, que no início sugeriam uma perda de iniciativa ou falta de motivação, se tornam mais intensas, podendo ocasionar uma mudança significativa na personalidade do paciente.

Diante da característica progressiva e irreversível da Doença de Alzheimer, uma condição frequentemente experimentada é o luto antecipado, isto é, o luto que se vivencia antes mesmo da morte.

            A percepção de que se está perdendo a memória e, com isso, toda a sua história de vida, identidade e autonomia, leva inicialmente ao luto o próprio paciente, que se vê fragilizado e impotente diante dessa condição.

            Por outro lado, com a evolução da doença, familiares e cuidadores tentam se adaptar a uma perda anunciada, que envolve o enfrentamento da morte que virá e das várias perdas ao longo do processo, incluindo perdas sociais, econômicas, de sonhos e de companheirismo.

            O professor e neurocientista Ivan Izquierdo, um dos maiores pesquisadores sobre a memória, gostava de destacar que o modo como podemos conceber o tempo é a partir do conceito de memória. O futuro ainda não existe e o presente nos permite a aprendizagem. O passado, que também não mais existe, ainda é possível ser acessado sob a forma de memórias.

            Talvez, por isso, as perdas de memória nos amedrontem: porque escancaram a impermanência das coisas, de nós mesmos.

            Para os que sofrem com as perdas de memória impostas pelo processo demencial, a vida vai se perdendo pouco a pouco da própria mente, reafirmando, para todos nós, a necessidade de se viver intensamente o presente.

            Pode ser que a gente esqueça o dia e o ano. Pode ser que a gente nem mesmo se recorde de quem somos nós. Daí a necessidade de sermos tudo o que pudermos hoje. Como nos provoca a personagem do livro, “esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância”.

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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Prefeito do RJ admite voltar atrás se piorar cenário da Covid-19; cientista tem certeza

Tem de dar uma esperança e esta chega na forma de anúncio do fim das restrições sanitárias nas cidades e estados. É um pouco do tom do que fizeram o governador João Doria, de São Paulo, e o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, na semana passada. Os dois, aliás, têm travado, diríamos assim, uma batalha midiática em relação a avanços no combate a Covid-19. Um antecipa calendário de vacinação aqui e o outro corre a encurtar o prazo por lá. Eles agora disputam quem vai liberar geral antes — tudo com base no comitê de cientistas e médicos que os orientam, é o que sempre ressaltam.

Se São Paulo disse que pode mais gente dentro das lojas, o Rio contra-ataca com abertura das portas de boates. Se São Paulo já planeja evento teste, o Rio bota na mesa feriado festivo. E por aí vai. Cada gestor com a sua dose de esperança a oferecer, enquanto a dose de vacina chega a conta contas. Eis aqui um ponto sobre o qual nem um nem outro têm controle: quantas vacinas chegarão para ampliar a cobertura da população, depende do Governo Federal, que tem se atrapalhado na logística de compra, recebimento e entrega.

Além da vacina, tem a variante. Estamos na delta. E se deixarmos ela se espalhar de mais, chegaremos na épsilon, como chamou atenção a doutora Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz. Na entrevista, deste manhã, no Jornal da CBN, lembrou que o vírus, quanto mais se multiplica, mais variantes sofre. E nessa evolução, pode ficar mais transmissível e letal. Foi assim que a variante delta chegou aos diversos países e levou gestores internacionais às cordas mais uma vez.

Ouça a entrevista:

Aqui no Brasil, mesmo que digam que estão observando a performance da variante delta, nossos gestores têm preferido acreditar que o risco será menor. Temo —- e disse isso hoje no Jornal —- que a ideia de que a delta mata menos esteja levando os administradores e nós todos a baixarmos a guarda, acreditando que pegar Covid é tranquilo, o problema é ter de ir para o hospital. A despeito do risco que citei no parágrafo anterior — o de nos transformarmos em um criadouro de variantes —, ainda há o fato de muitas pessoas que contraíram o vírus, mesmo em formas mais leves, ficarem com sequelas.

Hoje, com um tom abaixo daquele usado no anúncio da semana passada, o prefeito Eduardo Paes admitiu ao Jornal da CBN que pode recuar das medidas de flexibilização conforme a situação se agrave, mesmo com o avanço da vacinação. Paes prevê que até 18 de agosto, a população com até 18 anos tenha recebido ao menos uma dose. Disse que foi com base nessa previsão que planejou as ações para a reabertura das atividades, inclusive festas e público nos estádios. 

“Se precisar voltar atrás, eu volto”, afirmou o prefeito.

Uma hora e meia depois, ouvimos a cientista, que rebateu:

“Não há dúvida que terá de voltar atrás”

Assista à entrevista do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no Jornal da CBN