A história do médico brasileiro que defendeu o “monopólio” do leite materno em favor da saúde dos bebês

 

C8Ai21mV4AEXyFv

Dr Cesar Victora, em foto da UFPEL

 

Os bebês alimentados apenas com leite materno até os seis meses têm risco de morrer por diarreia 14 vezes menor do que as demais crianças. A possibilidade de morte por infecções respiratórias cai 3,6 vezes. A mortalidade infantil aumenta se os recém-nascidos receberam, além do leite materno, água, chás ou sucos.

 

Foi a partir de dados como esses que o médico Cesar Victora convenceu a Organização Mundial de Saúde, seus colegas de medicina e, especialmente, mães e pais da importância do “monopólio do leite materno” até os seis meses de vida.

 

O estudos dele se iniciaram nos anos de 1980, no Rio Grande do Sul, e, nesta semana, foram reconhecidos com o Prêmio Gairdner 2017, o principal prêmio científico do Canadá, o que o coloca em uma lista de profissionais de saúde de onde saíram centenas de indicações para o prêmio Nobel.

 

Orgulhoso pelo prêmio mas sem ilusão. Assim, Victora, que é professor emérito da Universidade Federal de Pelotas, se apresentou em entrevista que foi ao ar nesta manhã, Jornal da CBN, direto da Colombia, onde participa de congresso que estuda a relação entre saúde pública e redução da desigualdade social. Ele não acredita na possibilidade de conquistar o Nobel de Medicina por que “eu não inventei nada, o leite materno sempre existiu”.

 

Na conversa que tivemos, Victora contou que, em breve, apresentará dados de pesquisa que se estende por 30 anos, para provar os benefícios do leite materno na vida adulta, também. Segundo ele, já é possível identificar nesses bebês, agora trintões, que a amamentação materna exclusiva até os seis meses trouxe ganhos intelectuais relevantes a essas pessoas.

 

As pesquisas desenvolvidas por ele, que levaram outros médicos pelo mundo a estudar essa área, também, colaboraram para o aumento da licença maternidade para as mulheres em boa parte do mundo.

 

Na entrevista, Victoria fez um alerta sobre a amamentação materna diante do desafio das mulheres que têm bebês e precisam trabalhar: “o mais importante da amamentação é que ela não é uma responsabilidade somente da mulher, é uma responsabilidade de toda a sociedade”.

 

Ouça a entrevista completa com o professor e doutor Cesar Victora, no Jornal da CBN:

 

É penta … a vacina que pode combater o vírus zika

 

20151229191218623090o

 

O fim do ano passado foi promissor no anúncio de ações de combate a dengue, doença que contaminava o noticiário, antes de surgir a suspeita que o aumento no número de casos de microcefalia no Brasil pudesse estar relacionado ao zika, outro vírus que tem como mensageiro do mal o mosquito Aedes aegypti.

 

Na disputa por este importante mercado – o de combate a dengue – laboratórios daqui e de fora vinham investindo muito dinheiro no desenvolvimento da vacina e de fábricas capazes de colocá-las rapidamente no mercado.

 

A estimativa da OMS é de que cerca de 400 milhões de pessoas são contagiadas a cada ano, em mais de 128 países, e perto de 40% da população corre o risco de contrair a doença, o que equivale a 3,9 bilhões de pessoas.

 

O Brasil é um dos principais alvos deste mercado: por aqui mais de 1,5 milhão de pessoas tiveram dengue e mais de 800 morreram em decorrência do vírus, só no ano passado.

 

Analistas calcularam, em 2015, que a vacina da dengue poderia gerar até € 1 bilhão – cerca de R$ 4 bilhões – em vendas por ano.

 

O Sanofi-Pasteur saiu na frente com uma vacina que exige a aplicação de três doses, a cada seis meses, e de alto custo, o que afastou a possibilidade de o Governo Federal distribuí-la na rede pública.

 

Com isto, o Instituto Butantan, em São Paulo, transformou-se na principal esperança de uma população que, incapaz de eliminar os focos do mosquito, aposta em uma blindagem contra os vírus.

 

Nessa segunda-feira, a instituição iniciou a terceira e última fase de testes clínicos da vacina, quando será aplicada em até 17 mil voluntários de todo o Brasil. Apesar de o período de testes ser de cinco anos, o infectologista David Uip, secretário de saúde do Estado de São Paulo, disse em entrevista que fiz no Jornal da CBN, que um comitê fará o acompanhamento do trabalho e pode autorizar sua distribuição bem antes deste prazo, desde que os resultados revelem segurança à saúde da população.

 

Aposta-se que até o ano que vem a vacina contra a dengue estará disponível e aí sim com distribuição na rede pública.

 

O Governo Federal anunciou que pretende investir R$ 300 milhões durante esta fase final da vacina de dengue. Um terço sai do orçamento do Ministério da Saúde e o restante de convênios que ainda estão sendo negociados. A experiência com liberação de verbas públicas, mesmo em situações de emergência, não é muito positiva, no Brasil, portanto, é bom ter comedimento com os números.

 

A vacina da dengue pode trazer de carona uma solução para o zika.

 

Ouça a entrevista completa com David Uip, no Jornal da CBN

 

Cientistas estudam uma maneira de colocar o vírus da zika em um “invólucro” do vírus da dengue e acrescentar à vacina já em desenvolvimento. O estudo está em estágio inicial, mas se tiver sucesso a vacina tetravalente – contra os quatro vírus da dengue – se transformará em pentavalente – incluindo o da zika.

 

O médico David Uip entende que “quem tem expertise para pesquisar uma vacina como essa tem competência para pesquisar a vacina da zika”. Ele, porém, parece mais otimista com duas outras vias de pesquisas:

 

  1. a criação de um soro que seria um anticorpo contra o zika; e para esta pesquisa o Governo Federal já prometeu investir R$ 8,5 mi
  2. o desenvolvimento de um medicamento que mata o zika

 

A grande vantagem dessas opções que estão em estudo é acabar com o risco de que mulheres grávidas que tenham contraído o vírus da zika transmitam para os fetos, o que seria a causa da má-formação, cegueira e até morte dessas crianças, segundo investigações que estão sendo realizadas por cientistas.

 

O Brasil confirmou mais de 500 casos de microcefalia desde o início do surto de zika, no início do ano, e investiga outros 3.900 casos suspeitos.

 

Depois do México, vacina contra dengue deve ser autorizada no Brasil, em janeiro

 

Fêmea do mosquito Aedes aegypti  Photo credit: James Gathany/Sanofi Pasteur

Fêmea do mosquito Aedes aegypti Photo credit: James Gathany/Sanofi Pasteur

 

A primeira vacina contra dengue foi aprovada, nesta quarta-feira, dia 9 de dezembro, no México, antecipando-se cerca de um mês da autorização prevista para o seu uso no Brasil.

 

Havia a expectativa de que o Brasil fosse o primeiro país a ter a vacina à disposição no mundo, a medida que os procedimentos estão adiantados, com a liberação comercial feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em outubro.

 

Ainda falta, porém, a concessão de registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que, calculam alguns especialistas, deve ocorrer em meados de janeiro próximo.

 

Assim como no México, após a concessão, será preciso decidir o preço da vacina, e ter a aprovação da bula e da embalagem para, então, começar a sua venda no mercado. Espera-se que até o meio do ano de 2016, os brasileiros tenham à disposição a vacina capaz de atacar os quatro tipos do vírus da dengue.

 

Médicos infectologistas chamam atenção para o fato de que as agências reguladoras, como é o caso da Anvisa, no Brasil, precisam mesmo ser rigorosas nos critérios técnicos e científicos para a liberação de medicamentos, especialmente como esta vacina que combate a dengue, uma novidade para a comunidade médica no mundo todo. Contudo, é preciso equilibrar o rigor das análises com a urgência do momento.

 

Atualmente, das 390 milhões de pessoas infectadas, por ano, 500 mil, desenvolvem a dengue hemorrágica, a forma mais severa da doença. A diminuição considerável neste número é o grande objetivo de todos os laboratórios que têm empenhado esforços no desenvolvimento da vacina.

 

Foi possível reduzir em 60,8% o número de casos da doença, de acordo com estudo desenvolvido e divulgado pela Sanofi Pasteur, que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe. No Brasil, 3.350 pessoas receberam as três doses da vacina, com intervalos de seis meses entre elas.

 

Um dos aspectos mais destacados pelos técnicos que participaram desses testes foi a redução de cerca de 80% de internação hospitalar provocada pela doença, o que impacta de forma positiva na qualidade de vida do paciente e nos custos dos sistemas público e privado de saúde.

 

Aqui no Brasil, o Instituto Butantan, assim como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também estão envolvidos em projetos de desenvolvimento de vacina contra a dengue. O Butantan, antecipando-se as autorizações necessárias para a fabricação da vacina, já vem construindo seu laboratório, na própria sede em São Paulo, com o objetivo de acelerar o prazo entre a liberação final da Anvisa e o tempo de chegada do produto ao mercado.

 

Ao mesmo tempo, assim como há grande expectativa de melhorias na saúde da população com a aplicação da vacina contra a dengue é preciso muito cuidado para que não se cometa alguns erros básicos.

 

Tem de se ter consciência de que o combate a dengue não se faz de uma só maneira, sendo necessário, entre outros fatores, o controle rígido dos focos do mosquito Aedes Aegypti e campanhas permanentes de informação à população. Portanto, a vacina não nos autoriza a baixar a guarda diante do Aedes Aegypti.

 

Como a vacina é aplicada em três doses é preciso garantir a adesão do público-alvo sob o risco de sua eficiência ser frustrada.

 

Uma confusão que deve ser evitada desde agora: a vacina é contra a dengue e não contra o mosquito Aedes Aegypti. Isto significa que a vacina não é capaz de prevenir contra doenças provocadas pelo zika vírus, também transmitido pelo Aedes Aegypti, que tem preocupado em demasia os brasileiros nos últimos meses, principalmente devido sua relação com a microcefalia e, agora, com a síndrome de Guillain-Barré.

Mundo Corporativo: Hilton Almeida, da OdontoClinic, fala da tendência no mercado odontológico

 

 

A maior tendência no mercado de odontologia é que o atendimento dos pacientes passe a ocorrer em grandes clínicas, ficando os consultórios para procedimento mais específicos: “para a população em geral, o dentista, a tendência, é que ele vá trabalhar em clínicas” avalia Hilton Almeida, sócio-diretor da OdontoClinic e CEO da OdontoImage. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Almeida fala das tendências no segmento e as oportunidades no consultório do seu dentista.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br, e os ouvintes-internautas podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa tem as colaborações de Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Foschi.

São Paulo, o mapa do barulho

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Falara

 

A proposta do levantamento de um mapa do ruído para a cidade teve um final infeliz. Além de vetada, teve justificativa injustificável. Haddad alegou que a dinâmica da cidade não permitiria tal trabalho. Como se o estudo das zonas, horários e decibéis fosse algo impossível de se realizar.

 

Menos mal que a Câmara Municipal reagiu. Faz agora a II Conferência Municipal sobre ruído, vibração e perturbação sonora. Iniciativa dos vereadores Andrea Matarazzo, Aurélio Nomura, Gilberto Natalini e Ricardo Young.

 

O tema é efetivamente perturbador, pois domina todo o território, na medida em que tanto nas áreas potenciais de barulho quanto nas silenciosas há necessidade de limites e controles. E só pode ser administrado on line. Isto é, no momento do crime.

 

A poluição sonora é crime ambiental, mas não há mecanismos eficazes de obediência. O Psiu não atua de noite, hora em que o potencial de desobediência é significativo. A Polícia, que tem a incumbência de vigiar e punir, tem coisas mais graves para atuar.

 

Na reunião de segunda-feira da Conferência foram citadas as dificuldades geradas pela várias legislações que não se conectam, e os efeitos maléficos da poluição sonora.

 

Despontaram como destaque de poluidores: os templos, os helicópteros e os sons em carros estacionados. Com os templos, uma tragédia e uma comédia. O vizinho não suportou a carga diária de decibéis. Perdeu o apetite e morreu. E filmando e gravando um ato religioso com o som nas alturas, o acusado negava o barulho.

 

Poderíamos acrescentar muitas outras situações. Desde os eventos corporativos que ocupam casas desocupadas sem estrutura para tal até as corriqueiras reuniões familiares que desrespeitam os vizinhos com decibéis bem acima do admitido.

 

O som, como tudo que é essencial, precisa ser controlado, e o grande mérito da reunião foi o debate de um tema tão importante e carente para São Paulo. Opinião que nos transmitiu uma autoridade em despoluição, Regina Monteiro, autora do “Cidade Limpa”, que bem poderia agora pautar a “Cidade Silenciosa”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Como trabalhar sentado está matando você

 

BEA

 

Já conversamos sobre meu hábito de apresentar o Jornal da CBN em pé, neste blog. Volto ao assunto, porém, para compartilhar com você algumas informações que acabo de ler no site ATTN, em sua editoria de saúde, que publicou o post com o título Why You Might Want a Standing Desk, algo como “Por que você tem de ter uma mesa para trabalhar em pé”.

 

Informa o texto que os americanos ficam sentados, em média, 9,3 horas por dia. Curiosamente, eles trabalham, em média, 9,4 horas por dia. Ou seja, ficam mais tempo sentados do que dormindo, por exemplo. Aqui no Brasil não conheço estatística sobre o tema, mas comece a se preocupar com a saúde se você fica mais de seis horas sentado durante o dia. Você tem 40% mais chances de morrer nos próximos 15 anos do que seu colega que só fica três horas por dia sentado. Além disso, você tem o dobro de chances de sofrer com doenças cardiovasculares.

 

Leia mais: “O que é melhor: trabalhar em pé ou sentado?” – texto publicado neste blog em fevereiro de 2014

 

O melhor remédio para curar esta “doença” é, primeiro, conscientizar-se do mal que está causando a você mesmo. Depois, seguir algumas recomendações, muitas das quais tratamos, com frequência, com o Márcio Atalla, no Bem Estar e Movimento, do Jornal da CBN: a cada hora de trabalho se levantar e caminhar no escritório; aproveitar melhor o período do almoço, preferindo um restaurante um pouco mais distante ou fazendo um passeio antes de sentar para comer e subir escadas em vez de pegar elevador.

 

A autora do texto, Laura Donovan, diz que na sede da ATTN, em Los Angeles, tem mesas para que quiser trabalhar em pé, assim como no estúdio da rádio CBN, a qual uso muito mais do que a cadeira que está à frente de um computador na bancada do jornal. Ou seja, a persistirem os sintomas você vai ter de me aguentar vivo por muito mais tempo.

 

Leia o texto completo, no link a seguir e, se possível, o faça em pé ou caminhando:

 

ATTN (leia aqui)

Mundo Corporativo: Thiago Pessoa, da Gympass, fala de atividade física e produtividade na empresa

&nbsp

&nbsp

Ao oferecer programa de qualidade de vida para os colaboradores, no qual eles têm a possibilidade de realizar atividades físicas, a empresa diminui a ociosidade, aumenta a assiduidade e ganha uma equipe muito mais saudável. Com isso, melhora a produtividade e reduz custos com planos de saúde, que, atualmente, são os responsáveis pelo maior gasto no Orçamento depois da folha de pagamento. De acordo com o empresário Thiago Pessoa, o trabalhador beneficiado por esse tipo de programa “consegue ser um colaborador mais feliz e tende a entregar mais resultados do que um colaborador menos feliz”. Thiago é diretor corporativo da Gympass, empresa que vende planos de atividade física que oferecem acesso a 2.600 academias credenciadas em 200 cidades brasileiras. A gestão de pessoas e a estratégia de atuação da empresa que dirige foram alguns dos assuntos da entrevista de Thiago Pessoa para o jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

&nbsp

O Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, às 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Paulo Chapchap, do Sírio Libanês fala de gestão hospitalar

 

 

Tecnologia e infraestrutura são fundamentais para que hospitais e serviços de saúde possam oferecer serviço qualificado a seus clientes, porém nenhum investimento nestas áreas terá o resultado alcançado se os funcionários, dos diferentes setores, não estiverem preparados para atender os pacientes e seus familiares. Diante disto, o treinamento dos seus 6.500 colaboradores, seja do departamento de limpeza e segurança seja do corpo clínico, é primordial na opinião do doutor Paulo Chapchap, superintendente de estratégia corporativa do Hospital Sírio Libanês, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Chapchap fala da estratégia que foi implementada no grupo para ampliação das dependências e modernização dos equipamentos disponíveis nas cinco unidades, em São Paulo e Brasília. Além disso, mostra como as instituições privadas podem colaborar no desenvolvimento do setor público, através de parcerias e troca de experiência.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. E os ouvintes-internautas participam com perguntas no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

O que é melhor: trabalhar em pé ou sentado?

 

Há quem não acredite quando conto que apresento em pé boa parte das três horas e meia do Jornal da CBN. Quem duvida é convidado a conferir minha postura pelas imagens do estúdio disponíveis no site da rádio. Por mais cansativo que possa parecer, sinto-me mais confortável nessa posição e percebo que consigo me comunicar melhor. O ar flui com mais facilidade, pois não falo com o diafragma pressionado; o movimento das pernas ajuda na circulação do sangue; sinto-me mais ativo, apesar de acordar de madrugada e trabalhar desde cedo; elimino boa parte da pressão sobre as costas que existe quando se está sentado, a medida que divido o peso sobre os dois pés; e, no conjunto da obra, o corpo ajuda a expressar melhor as mensagens. Para manter este costume, o estúdio da CBN tem dois computadores para o âncora, um sobre a bancada central, onde boa parte prefere ficar sentada, e outro em uma mesa elevada, e há um microfone “headset” ou “da Madonna”, como costumamos chamá-lo, que oferece ainda mais liberdade para quem apresenta o programa em pé.

 

Conto isso porque, nesta semana, li reportagem no britânico Financial Times sobre os efeitos de se trabalhar muito tempo sentado. O colunista Charles Wallace escreve que vários leitores identificam que as dores nas costas que sentem estão relacionadas as longas horas sentadas diante de um computador. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornalista, trabalhar sentado por longos períodos é o “novo fumar”, pois aumenta o risco de morte e doença, não importando quão ergonômica é sua cadeira ou mesa nem mesmo quão extensa é sua rotina de exercícios semanais. Os músculos das pernas e das costas ficam contraídos ao longo do tempo e o coração sofre com a falta de atividade. De acordo com o Marvin Dainoff, diretor do centro para a ciência comportamental da seguradora Liberty Mutual, ouvido pelo colunista, os trabalhadores que se levantam durante sua jornada de trabalho têm menos queixas sobre sua saúde.

 

Leia aqui a reportagem completa do Financial Times

 

Com base nos estudos apresentados sobre os efeitos negativos de se ficar longos períodos sentados no trabalho, leitores passaram a entender que o ideal então é ficar em pé o tempo todo. Nem tanto ao céu nem tanto a terra ou, adaptando o ditado a situação em debate, nem tanto sentado nem tanto em pé. Afinal, há muitos anos somos alertados pelos médicos sobre os perigos para os trabalhadores que permanecem em pé na maior parte de sua jornada. “Existem riscos para a parte inferior das costas e membros inferior”, lembra Karen Messing, que estudou o tema. Ela mesma apresenta a solução: “a proporção ideal é de aproximadamente 70% em pé e 30% sentado, alternando ao longo do dia”. Nunca calculei o tempo em que fico em pé na apresentação do Jornal da CBN mas imagino que minha proporção é de 90% para 10%, a não ser que esteja muito cansado (sabe aqueles dias em que fico assistindo aos jogos do Grêmio até depois da meia-noite?).

 

Na CBN, como citei no primeiro parágrafo, já temos à disposição mesas em alturas diferentes para atender aqueles que preferem ficar em pé e os que se mantém sentados. Nos Estados Unidos, escreve Wallace, empresas têm se dedicado a fabricar mesas com motores elétricos que elevam a plataforma e se adaptam a sua postura. Uma recomendação importante é que a tela do computador esteja um pouco acima do nível dos olhos e o teclado muito próximo da altura dos cotovelos. Para quem tem pouco tempo para se exercitar, existem empresas que incluem uma esteira diante da mesa que permite que a pessoa se mova em ritmo de caminhada lenta ao longo do dia. Eis aí uma boa sugestão para o nosso estúdio.