A volta à escola e o desafio de proteger os sonhos e a esperança dos jovens do poder destruidor do coronavírus

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa 

Foto: Pixabay

 

A pandemia de COVID-19 tem promovido mudanças em todas as esferas — sociais, educacionais e econômicas — com consequências que ultrapassam os impactos provocados pela infecção. Recentemente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou que a pandemia pode aumentar os fatores de risco para suicídio, convocando ações efetivas para sua prevenção. Isso se torna urgente, uma vez que os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam o suicídio como a segunda causa de morte entre pessoas jovens.

Estudos iniciais sugerem que apesar de crianças e adolescentes serem menos propensos à infecção pelo coronavírus e permanecerem assintomáticos ou com sintomas mais leves da doença, sofrem diretamente seus impactos psicológicos, podendo apresentar ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), com consequências que podem se estender mesmo após o término do isolamento social.

Se por um lado as medidas de distanciamento tornaram-se necessárias, com evidências de eficácia na contenção da doença, reduzindo a propagação do vírus; por outro lado, têm sido associadas com piora nos sentimentos de solidão, desencadeando quadros de depressão e ansiedade. Isso se torna mais acentuado especialmente entre os jovens, tendo em vista a importância das interações sociais nessa fase da vida.

Diversos fatores são apontados como aqueles que impactam a saúde mental durante a pandemia, dentre os quais: incertezas em relação à doença, medidas rígidas de distanciamento social, perda de entes queridos e o fechamento prolongado das escolas.

Atualmente, a escola é considerada uma das principais instituições sociais, uma condição que começou a ser ocupada lá atrás, após a Idade Média. Até aquela época, o meio social, em seu conjunto, era o contexto educativo e todos os adultos eram responsáveis por promover a aprendizagem a partir das experiências pessoais. 

O desenvolvimento da industrialização trouxe mudanças significativas nos séculos XIX e XX, alterando o local de trabalho das residências para as fábricas. As casas passaram a ser locais privativos, com espaços individuais, como quartos e áreas de estudo, e o trabalho passou a fazer parte da vida pública, deslocado para lugares na cidade, exigindo nova organização urbana. 

Isso gerou mudanças na família, que não conseguia mais preparar as crianças para as novas exigências de trabalho, diferente de como era feito anteriormente, muitas vezes em ofícios transmitidos de pais para filhos. Além de preparar o indivíduo para o trabalho, a escola passou a ter uma função social, à medida que possibilitou o convívio com outros indivíduos, além dos familiares, favorecendo as interações e preparando para a vida em sociedade. 

Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, novas mudanças aconteceram, como o aumento no tempo de permanecia dos alunos no ambiente escolar.

Considerando a importância atual que a escola representa nos processos de socialização e o impacto do isolamento social na saúde mental de crianças e adolescentes, a OMS tem alertado aos governantes que analisem com cautela o período pelo qual as escolas permanecerão fechadas. 

Pensar em políticas públicas que envolvam crianças e adolescentes durante a pandemia exige maturidade dos governantes e da sociedade. Impõe afastamento de ideias simplistas, amadoras ou partidárias. Exige ponderação e decisão séria, tendo em vista os perigos desse vírus, que ainda conhecemos tão pouco, e suas consequências nas diversas esferas da vida. 

A COVID-19 já matou quase um milhão de pessoas. Paralelamente, os estudos mostram que a pandemia gerou um aumento de depressão e de TEPT em crianças e adolescentes, considerados fatores de risco para o suicídio.

Como tantos desafios já impostos pelo coronavírus, não parece haver uma resposta fácil sobre a abertura ou manutenção do fechamento das escolas. 

Pais, professores, governantes… somos todos responsáveis pela promoção do bem estar físico, psíquico e social de nossos jovens. Penso no poder devastador do coronavírus nas vidas e na saúde mental… e sem a presunção de propor uma solução definitiva, torço para que as medidas adotadas impeçam que o poder destruidor desse vírus atinja ainda mais os jovens, quer seja em sua saúde física quer seja em sua saúde mental, permitindo seus sonhos e esperanças.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Tonny Martins, presidente da IBM, fala da inteligência artificial no combate à Covid-19

 

 

“A penetração de tecnologia como elemento fundamental para a sociedade, tanto no comércio, na indústria, na educação, saúde e entretenimento, esse mundo mais híbrido é algo que veio para ficar” —Tonny Martins, IBM Brasil

 

Em 48 horas, 90% dos colaboradores estavam trabalhando remotamente, com segurança física e psicológica; em seguida, foi oferecida a estrutura necessária para que os parceiros de negócios trabalhassem com a mesma produtividade e capacidade; e, finalmente, houve a colaboração no amadurecimento dessas empresas diante da transformação digital que se acelerou durante a pandemia. Esses foram três aspectos destacados pelo presidente da IBM Brasil, Tonny Martins, na avaliação que fez sobre como a empresa agiu diante da crise sanitária e econômica, que se iniciou em março.

 

“Nesse primeiro momento, nós trabalhamos com nossos clientes para checar o que nós chamamos de sinais vitais: a conectividade, a capacidade de se abrir para o mundo externo, escalabilidade da sua tecnologia —- do dia para a noite, o canal digital ficou entupido —-, ajudar esses clientes a terem uma operação resiliente que funcionasse de forma consistente e contínua foi nossa preocupação”

 

Na entrevista, falamos de tecnologia e de como a forma acelerada com que a digitalização atua nos diversos segmentos —- da educação à saúde, da indústria ao entretenimento —- está mudando o comportamento de empresas e pessoas. Para Tonny Martins, um dos esforços foi tornar os canais digitais mais próximos dos clientes:

“A tecnologia mais humanizada, mais personalizada, e mais próxima do indivíduo, você consegue, em escala, gerar um nível de eficiência nas relações e nas operações, nunca antes vista”

 

A IBM tem participado de uma série de projetos nas áreas de educação e saúde em parceria com outras empresas de tecnologia, startups e governos. Em um desses programas, ao lado da Cisco, cerca de 9.400 professores e mais de 160 mil estudantes foram beneficiados, com a redução dos entraves para as aulas online. Na área da saúde, entre outras ações, foram desenvolvidos o APP Enfermeiro Virtual e o Portal Corona BR, que já teria alcançado 20 milhões de pessoas.

 

Tonny Martins mostrou-se entusiasmado com os resultados do uso da inteligência artificial que ajudou a desenvolver mais rapidamente o conhecimento de médicos e pesquisadores sobre o Sars-Cov-2, permitindo estratégias eficazes para o combate à doença. Aliás, das tecnologias que passaram por um processo de aceleração desde o inicio da pandemia, uma das apostas do presidente da IBM Brasil é a inteligência artificial:

 

“Existe um estudo da IBM que mostra que o nível de penetração da Inteligência Artificial nas empresas no nosso dia a dia é só de 4% … hoje, você tem uso da Inteligência Artificial mais na parte do  atendimento, colaboração, automação do depósito, nas suas áreas de suporte; e a gente vai ver uma evolução exponencial dessa Inteligência Artificial, que a gente chama de empresa cognitiva na nossa vida, no nosso dia a dia”.

 

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo aqui no blog. Aproveite e se inscreva no canal da CBN no You Tube para ser informado sempre que um novo programa estiver sendo gravado. Acompanhe, também, o podcast do Mundo Corporativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Rafael Lucchesi, do SESI, defende novas relações de produção e trabalho, para superar a pandemia

 

 

 

“As sociedade que se adaptarem mais rápido a essas novas tendências, seguramente vão subir o elevador da produtividade; as suas empresas vão crescer; vão ganhar mercado e, é claro, a sociedade vai se desenvolver. É o que nós chamamos de um círculo virtuoso de desenvolvimento” — Rafael Lucchesi, SESI

A indústria brasileira precisa estar pronta para se adaptar às tendências de mercado que surgiram ou se aceleraram devido a pandemia do coronavírus. Se muitos setores sofreram com a queda de produtividade, também é preciso entender as oportunidades que se apresentam, como a descentralização da fabricação de algumas linhas de produto —- o que ficou evidente a partir das dificuldades de compra, venda e distribuição de equipamentos de saúde. Ao mesmo tempo, é necessário aproveitar as possibilidades que surgem com as transformações digitais e treinar os funcionários para esse novo momento.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, Rafael Lucchesi, diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria — SESI falou de temas que têm sido o foco das discussões do setor industrial brasileiro.

“Como tendência, seguramente nós vamos ter maiores cuidados com saúde, uma agenda maior de capacitação, de uso mais intensivo de tecnologia e, também, uma agenda voltada a novas ferramentas que têm ganho de produtividade e que vão impactar os resultados das empresas”.

O dirigente do SESI lembrou que o mundo vive a quarta revolução industrial, com digitalização, uso de inteligência artificial e de algoritmos, por exemplo. Soma-se a isso a produção industrial aditiva em que é possível fabricar produtos com o uso de impressoras 3D tornando desnecessário que a empresa mantenha uma grande manufatura, concentrada em uma determina região do mundo, substituindo esse modelo por uma estrutura industrial muito mais distribuída, criando uma cadeia de fornecedores próxima do seu mercado:

“Com três fotografias do seu pé, você poderá adquirir um tênis feito sob medida da mesma maneira que se faz com os atletas de alta performance, ajustado a sua biometria, e não em função de uma biometria padrão … com isso, a escala de produção será um fator menos relevante no futuro e muito mais a logística de produção distribuída. Isso vai mudar o ambiente de escritório e de chão de fábrica”.

A pandemia obrigou a indústria a acelerar esses processos que já estavam em andamento, segundo Rafael Lucchesi. A medida que as empresas têm mudado seu modelo operacional, o dirigente entende que essa transformação levará a uma revisão nos contratos de trabalho —- o que chama de modernização na relação de emprego. Apesar da reforma trabalhista, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, outras questões estarão na pauta:

“… seguramente há um consenso que une as lideranças empresariais e dos trabalhadores, que é estabelecer algo que permita que a sociedade gere mais emprego e mais renda … é preciso construir uma agenda de futuro para o Brasil”

O aumento da preocupação dos profissionais e seus familiares com as questões sanitárias, por causa da pandemia, além de um número crescente de afastamentos das funções, por doenças relacionadas ao trabalho, vão exigir um acompanhamento maior das empresas, de acordo com o dirigente. Isso traz outro desafio ao setor produtivo devido aos custos em relação a assistência médica dos profissionais:

“Esse é um problema grave porque é a inflação que mais cresce no Brasil e tem sido um dos maiores custos das empresas brasileiras, por isso o SESI com a CNI tem apoiado às empresas a estabelecerem um entendimento melhor nas negociações com os planos de saúde”.

Independentemente dos novos desafios que se se apresentam, ele chama atenção para o fato de a indústria ter de estar atenta a relação com seus colaboradores:

“As organizações mais produtivas são aquelas que melhor cuidam do principal talento das organizações, dos seus trabalhadores, dos seus colaboradores. Então, aquelas que vão melhor performar, serão seguramente as mais abertas ao diálogo daquilo que mais preocupa que são hoje as questões de cuidados à saúde”.

O Mundo Corporativo pode ser ouvido aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Diário de uma viajante mascarada

 

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Tower Bridge, Londres Foto: Pixabay

 

Eu a vi pela tela do celular. Ainda estava no saguão do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Nem mesmo as duas máscaras que vestia —- sim, eram duas —- ou a boina que cobria a cabeça e segurava parte dos longos e crespos cabelos que estavam trançados para diminuir a área de contágio me impediram de enxergar o sorriso que a acompanha por onde vai. E ela já foi a muitos lugares neste mundo. Sempre em busca de conhecimento e amigos. Nunca lhes faltaram — um ou outro —- e sempre que colocada à prova, ela demonstrou habilidade em conquistá-los.

 

Quando conversamos estava a algumas horas de embarcar  para Londres de onde havia retornado no início desta pandemia, assim que as aulas se encerraram. Com o ano letivo prestes a começar daqui um mês, preferiu voltar no primeiro voo disponível —- o risco de ter a viagem cancelada aumenta a medida que cresce o número de casos da Covid-19, no Brasil.

 

Saiu daqui com um pedido do tio e cumpriu o combinado assim que chegou à Inglaterra: descrever a experiência da travessia de um continente ao outro, em tempos de ….. (perdão, mas me nego a cair nesse lugar-comum) …. você sabe que tempos são esse, certo?

 

O relato que você, caro e raro leitor deste blog, vai ler a partir de agora é baseado na história que ouvi da minha viajante mascarada.

 

Em Guarulhos, deu de cara com cartazes pedindo o uso de máscaras e álcool em gel. Para os poucos passageiros e acompanhantes que circulavam pelos corredores largos do saguão do aeroporto, o distanciamento social era involuntário. O principal aeroporto brasileiro está superdimensionado para o cenário atual da aviação. Com capacidade para até 40 pousos e decolagens por hora, naquela noite havia apenas quatro voos programados.

 

A encrenca estaria por vir, a medida que as filas se fazem necessárias para parte do atendimento. A primeira foi no setor de check-in, obrigatório nas viagens internacionais. Foi ali que começou o exercício aeróbico que consistia em prender a respiração quanto mais próximas as pessoas tivessem e respirar aliviada sempre que havia respeito às marcações de piso e distanciamento.

 

Para despachar as malas, um sufoco. O aperto de pessoas e bagagens era constrangedor. Para atrapalhar, muitos não tinham preenchido o formulário exigido pelo Reino Unido no qual é obrigatório declarar por onde esteve e informar seus contatos. Os esquecidos ao menos tinham a facilidade de acessar o formulário on-line e salvar as informações no celular.

 

O distanciamento voltou a ser respeitado no controle de segurança e passaportes. Sabe como é que é, né! Tem segurança, tem lei, a gente respeita nem que seja na marra. Mesmo com a distância, o acesso foi rápido, provavelmente porque o aeroporto estava vazio. Respirar com tranquilidade ajudou na longa caminhada até o portão de embarque.

 

Foi a companhia aérea chamar os passageiros e aquela sensação de asfixia voltou. Seja pela ansiedade seja pela desatenção —- ou seria por falta de seguranças observando? —-, o distanciamento foi esquecido. Todos queriam entrar logo no avião e devem ter pensando que, sem cartão de embarque, o vírus não teria lugar no voo.

 

Ainda bem que nossa viajante pode soltar o ar logo em seguida, na passarela que dá acesso ao avião: sem que ninguém precisasse pedir por favor, os passageiros voltaram a se distanciar um dos outros, mesmo aqueles que estavam acompanhados. Vai entender essa gente!

 

O voo não estava lotado, talvez com 70 a 80% de sua capacidade. Os assentos, na medida do possível, foram alocados de forma a deixar um passageiro distante do outro. Era possível, porém, perceber que algumas pessoas que não estavam viajando juntas, sentaram lado a lado. A tripulação lembrou a todos de usarem máscaras, permitindo a retirada apenas para comer e beber.

 

Nossa viajante que partiu do Brasil com duas máscaras, com duas máscaras ficou até chegar a Londres. Preferiu uma dieta forçada, sem pão nem água, por mais de 11 horas e meia, a arriscar qualquer contágio. Assim que o avião aterrissou em solo britânico, talvez a mudança mais significativa e civilizada das jornadas aéreas: o desembarque foi realizado por fileiras, impedindo aquela aglomeração do corredor, com gente se esticando para pegar malas, mochilas e bugigangas nos bagageiros acima das poltronas.

 

O que não mudou foi a correria para ver quem chega antes na fila da imigração que sempre termina com os corredores parados na mesma fila da imigração. Os passageiros eram lembrados da obrigatoriedade do uso de máscara — obedecida por todos — e havia placas solicitando o distanciamento entre as pessoas — cumprido por poucos. Mesmo com os guichês abertos e o número de vôos bem abaixo do normal, além do exercício de respiração —- prende e solta, conforme o vizinho da fila se aprochegava —- foi necessário, exercitar a paciência porque o tempo de espera foi longo, como nos velhos tempos.

 

Entre um sufoco e outro, ainda com as duas máscaras e receio do que viria pela frente, minha viajante pôs o pé para fora do aeroporto, sorriu mais uma vez e constatou: “ao contrário do que dizem, o céu estava azul em Londres!”.

 

Obrigado por compartilhar essa experiência, Valentina! E jamais permita que as máscaras que usamos na vida tirem o sorriso do seu rosto, minha sobrinha. Com ele, mesmo à distância, sempre teremos a esperança de enxergar um horizonte mais azul — até no céu de Londres.

Antes de ir à farmácia comprar dexametasona para tratar Covid-19, ouça isso (e não vá)

 

 

Se estiver com pressa, não leia o texto; só clique no primeiro arquivo de áudio
 

 

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Foto: Pixabay


 

 

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, comemorou. O primeiro-ministro Boris Johnson, vibrou. E para a felicidade geral da nação, os cientistas da Universidade de Oxford estudaram os benefícios da primeira droga que, comprovadamente, reduz a mortalidade pela Covid-19 em pacientes graves. Doentes em situação grave, já internados e submetidos ao uso de ventiladores, ressalte-se, receberam o corticoide dexametasona: um em cada oito deles se salvou.
 

 

Corticoide é cortisona. E a gente já ouviu falar dele faz tempo. Minha avó com reumatismo, usava. A sua tia, também — possivelmente. É um potente anti-inflamatório e imunossupressor, resultado de um hormônio produzido pelo corpo humano nas glândulas suprarrenais que foi sintetizado em 1950. Ajuda no reumatismo e em mais um monte de outras doenças —- pelas notícias que chegam da Inglaterra ajuda até no combate à Covid-19.
 

 

Ah, é bom lembrar, que o uso da cortisona, ou do corticoide, ou do dexametasona — ou seja lá o nome que você quiser dar a essa droga —- pode causar atrofia da pele, diabete, osteoporose, glaucoma, hipertensão, ganho de peso, etc, etc, etc …
 

 

Ou seja, se usado na hora errada, na dose errada, no paciente errado ou prescrito por gente errada é claro que vai dar muito errado. Tão errado que o paciente vai morrer. E essa é a informação mais importante que você tem de colocar na cabeça neste momento em que estamos todos em busca de um milagre que nos permita voltar a viver com alguma liberdade e segurança.
 

 

A notícia que veio do Reino Unido não chega a ser novidade em hospitais brasileiros. O dexametasona, barato e acessível, já é diagnosticado por médicos no tratamento da Covid-19 nos casos mais graves —- e nunca esqueça disso, só nos casos mais graves. Porque se você acha que usando de forma preventiva vai se livrar do vírus, esqueça. Se acha que nos primeiros sintomas é só pegar a caixinha do remédio no armário da vó, não caia nesta tentação.
 

 

Hoje, no Jornal da CBN, o doutor Paulo Lotufo que assim como eu, você e toda a torcida brasileira, está a espera de que apareça uma solução efetiva para esta doença, fez um alerta importantíssimo seja para os riscos que o cidadão corre ao ouvir a palavra de políticos, populistas e desesperados, seja para aquele que ouve uma notícia é já sai correndo para a farmácia.
 

 

Antes de fazer isso, ouça (ou leia) o que ele nos disse. E não vá à farmácia:
 

 

“Eu sou obrigado a fazer uma advertência antes. A forma como foi feito pelo ministro da Saúde e pelo primeiro-ministro da Inglaterra tem um componente extremamente político interno. Foi uma das coisas mais lamentáveis que aconteceu na pandemia, que o país que é a pátria da saúde pública, que o Reino Unido —- só para ter uma ideia, a vacina surgiu no Reino Unido, a penicilina surgiu no Reino Unido, a ideia de saneamento básico é do Reino Unido, a contagem de mortes é no Reino Unido —- , lá eles bobearam, cometeram muitos erros e tiveram muitos casos e mortes em excesso. E agora eles estão pegando algumas notícias e dando a elas um destaque que para nós médicos não representa uma grande novidade.
 

 

O uso da dexametasona ou qualquer corticoide em casos graves é uma coisa que a gente já tem familiaridade há muito tempo, há décadas. O que ficou bom neste caso, nesta notícia, foi … e eu estou falando notícia … foi que está comprovado aparentemente para a Covid funciona e tem uma boa ação. Agora, eu falei notícia. Eles não liberaram ainda o artigo científico para que a gente faça uma análise mais detalhada.
 

 

Então, esse é um problema que nós temos hoje. Nós tivemos no início coisas terríveis como o presidente Trump lançando um remédio como se ele fosse um médico ou um cientista. E agora nós temos também o outro lado: algumas pessoas que pegam um dado científico e estão usando para melhorar a sua imagem perante o seu público.
 

 

Para a população, para o ouvintes, eu posso dizer o seguinte: para as pessoas que estão internadas e estado grave, esse medicamento auxilia e eu sei que em parte, parte dos médicos já estava utilizando ele fora das recomendações por causa do nosso conhecimento anterior. Agora, em termos práticos de quem está em casa, de quem está com um caso simples de Covid, em isolamento, não há porque usar o corticoide. O corticoide é um ótimo remédio na mão do médico. Saindo da mão do médico ele é muito ruim. Eu lembro os antigos devem lembrar do termo cortisona, que incha, que leva a diabetes, que leva a hipertensão. É disso que nós estamos falando. Estamos falando da cortisona. Ela é excelente no tratamento de algumas doenças mas utilizado sem controle, é muito ruim”.

Diante da seriedade do tema, também fomos escutar nosso especialista de plantão: o Dr Luis Fernando Correia, em Saúde em Foco — Especial Coronavírus. Ele disse que o dexametasona “só deve ser utilizado dentro do hospital”.
 

 

Ouça o comentário dele antes de ir à farmácia. E fique em casa:
 

 

Lojistas de Shopping pedem mais técnica e menos discriminação

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Escada rolante de shopping com alerta de distância (Reprodução TV Globo)

 

Uma jornada de trabalho de quatro horas numa cidade como São Paulo, onde a caminhada ao posto de trabalho exige tempo considerável, em conduções e condições extremas, não condiz com as boas práticas operacionais.

 

É o que o protocolo da Prefeitura a ser cumprido pelos Shopping Centers da cidade de São Paulo pelo covid19, incorre, segundo os lojistas que operam nestes locais. É uma falha técnica. Além de certa discriminação, em comparação com o tratamento dado a outros segmentos.

 

Nabil Sayuon, presidente da ALSHOP Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping, entrevistado no Bom Dia SP da TV Globo, ressaltou que ao espremer a jornada em tão pouco tempo, haverá congestionamento e o resultado será inverso ao que se procurou.

 

Um outro aspecto abordado por Sayuon foi a questão dos custos e dos cuidados sanitários envolvidos no cumprimento das minúcias de higienização, comparáveis a instalações hospitalares, enquanto outros setores, como o da construção civil, não teve o mesmo detalhamento nas exigências.

 

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Rodrido Bocardi entrevista Nail Sayoun (repordução TV Globo

 

Rodrigo Bocardi, o âncora do programa, usou a figura da ilha isolada para a metáfora com o Shopping Center para chamar a atenção pelo fato de os funcionários para chegarem a local de trabalho tão preciosamente higienizado terem que se subordinar a transportes congestionados.

 

Assista à reportagem completa do Bom Dia São Paulo

 

Até certo ponto poder-se-ia entender como consequência do maior aprimoramento dos equipamentos de Shopping Centers e respectivas lojas que se exigisse mais de ambos. Afinal, os Shoppings são formatos bem resolvidos e competentes, como peças comerciais e de lazer.

 

Entretanto, só pode estar havendo um especifico exagero no protocolo de um lado, e de outro; um descaso com a técnica na abordagem operacional. Não é admissível escapar à análise que não compensa economicamente incidir em todos os custos de um equipamento de Shopping Center para manter a operação disponível em apenas 1/3 do padrão de abertura.

 

É uma opção que insatisfaz o lojista, o shopping, o trabalhador e o consumidor. Ou seja, pior que isso é isso.

 

Esperemos que a reunião citada por Nabil Sayuon, já agendada com a Prefeitura, resulte em decisão técnica como boa prática operacional.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Já que não lava a boca, use água e sabão para lavar as mãos

 

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Imagem PIXABAY

 

Histeria, interesse político, coisa da China, gente mal intencionada e invenção da imprensa — são os culpados de sempre que estão na lista dos críticos que me escrevem diariamente por e-mail ou rede social. Uma gente incomodada com o noticiário sobre o coronavírus que não vê motivo para as medidas que estão sendo adotadas e param a economia —- há quem aposte, como o presidente Jair Bolsonaro, que um dia vamos descobrir que foram todos enganados “pelos governadores e pela imprensa”.

 

O que vai acontecer no futuro não sei, mas hoje o Mundo já registra 374.921 pessoas infectadas, 16.441 mortas e 100.927 recuperadas. Aqui no Brasil, nos aproximamos dos 2 mil casos e já temos 34 mortes, por enquanto apenas dois recuperados. Esta é a realidade. Se existe algum engano nesses números é que estão subestimados, pois muita gente está andando por aí com o SARSCoV2 a bordo e não aparece nas estatísticas. Ou porque encarou os sintomas como uma gripe ou sequer teve os sintomas —- o que não o impede de ser um transmissor do vírus.

 

Saiba que também estou assustado com as restrições que estamos enfrentando. Deixei negócios de lado, tive de suspender projetos e sigo no ar na CBN graças a tecnologia que me permite trabalhar de casa. Não pense que isso me consola, não. Apesar de estar trabalhando fico constrangido em saber que outros colegas têm de estar na redação. Por mais que as medidas preventivas estejam sendo adotadas gostaria que todos pudéssemos estar dentro de casa neste momento, sem exceção.

 

Além dos tradicionais discursos de que somos torcedores do quanto pior, melhor, há quem questione fazendo uso de estatísticas erradas e verdades distorcidas. Dizem que a gripe mata e infecta muito mais gente. Que o Brasil tem de se preocupar com o sarampo e a dengue, que são mais graves. E o coronavírus é apenas uma “gripezinha” — foi o que ouvimos do presidente e fizeram eco alguns dos empresários que o apoiam.

 

Conversei com o doutor Luis Fernando Correia, meu colega na CBN e comentarista do Saúde em Foco, para entender se poderíamos estar exagerando na ‘dose do remédio’.

 

Da conversa, tirei algumas conclusões que reproduzo a seguir.

 

É verdade —- e ele sempre disse isso, mesmo antes de sermos apresentados a esta pandemia —- que gripe, dengue e sarampo devem ser levados a sério. Tanto quanto é verdade que o novo coronavírus exige medidas restritivas, nunca antes vistas; que precisamos privilegiar o distanciamento social, nos confinarmos em casa e protegermos os idosos.

“Se alguém diz que ele (SARSCoV2) é menos letal do que o influenza (que causa a Gripe Sazonal) não está acompanhando os artigos científicos que estão sendo publicados diariamente”, comentou.

A Gripe Sazonal mata 0,1% dos pacientes infectados. O SARSCoV2 está bem acima disso. De acordo com reportagem publicada pelo El País, há dois dias, na Itália é de 8%, na Espanha 4%, na França 2% e na Coreia do Sul 1%. Na Alemanha, um caso que chama atenção de especialistas, a letalidade é menor, 0,36% — baixa em relação ao mundo e mesmo assim acima da letalidade da gripe. Lá na China, onde a epidemia apareceu pela primeira vez, calcula-se que 2,9% dos infectados em Wuhan, capital da província de Hubei, morreram.

 

Um aspecto que torna ainda mais assustadora esta pandemia é o fato de que o SARSCoV2 tem um preferência pelos velhos enquanto o Influenza ataca mais as crianças. Como os idosos, também são alvos os que têm doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, males digestivos ou respiratórios e câncer. Fato que tem levado Bolsonaro a dizer outra asneira: o cara não morre do coronavírus, ele morre porque tinha outras doenças e pegou coronavírus. Esquece que, apesar de ter outras doenças, o cara continuaria vivo se não tivesse sido infectado.

 

Outro erro ao querer minimizar os efeitos do SARSCoV2 usando como exemplo o Influenza: para este tem vacina — e, aliás, a campanha se iniciou nesta segunda-feira —; para o novo coronavírus, não.

 

Leia o que disse o Doutor Luis Fernando Correia:

“Ainda não temos uma vacina contra esse vírus. Apesar de ter o seu genoma já descrito, desde o início de Janeiro, e notícias tenham sido divulgadas da descoberta de vacinas, essas vacinas precisarão passar pelo processo de avaliação científica para que sua segurança e eficácia sejam descritas e, também, pelo processo de fabricação validado pelos órgãos reguladores mundiais (FDA/USA e EMEA/Europa). Isso nos deixa com uma previsão de que a vacina pode estar disponível em cerca de 12 a 18 meses, não antes disso”.

E os remédios que têm sido citados em reportagens?

“Não existe medicamento efetivo contra o novo Coronavírus. Alguns medicamentos … estão sendo testados, porém ainda são testes em laboratórios e precisam passar por testes em pacientes e também precisam ter sua eficácia validada científicamente”.

Dito isso, meu pedido a você que insiste em escrever fazendo ameaças a mim e a minha família, ofendendo meus colegas de jornalismo e usando dados mentirosos para justificar seu pensamento; a você que perde seu tempo enviando e-mails ou invadindo redes sociais para me criticar; a você que desacredita na ciência e no conhecimento: já que você não lava a boca com água e sabão — como minha mãe  sugeria a todos que proferissem impropérios — ao menos lave bem as mãos, siga a risca o protocolo respiratório, fique em casa e proteja os nossos idosos.

 

Em tempo: se o seu ódio ainda lhe permitir, ouça as conversar diárias que tenho com o  Dr Luis Fernando Correia, ao vivo, às 9h30 da manhã, no Jornal da CBN. Quem sabe um dia nós não conseguiremos convencê-lo de que você está sendo enganado por seus líderes e crenças.

Dai a Covid-19 o que é da Covid-19

 

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Infectologistas tem se esforçado para dar a dimensão apropriada aos números do Coronavírus, sem a intenção de passar pano na crise que eclodiu na China e se espalha por todos os continentes. A intenção é evitar pânico onde não cabe pânico.

 

Desde que os primeiros casos surgiram e começamos a acompanhar diariamente as informações sobre diagnósticos confirmados e mortes, tem um dado que me chama atenção: o de pessoas curadas; é muito alto.

 

No momento em que escrevo, o worldmeters.info, que atualiza os números do coronavírus, registra:

 

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Ou seja, a imensa maioria dos que contraíram o vírus passa bem.

 

Leve em consideração, também, que esses dados se referem apenas aqueles que foram a uma unidade de saúde, aqui ou na China, para saber se a indisposição que sentiam era Covid-19, nome que a OMS deu à doença provocada pelo vírus que circula.

 

Muitas pessoas provavelmente contraíram o vírus, sequer perceberam qualquer dos sinais da doença, ficaram em casa devido ao controle rígido imposto na China e, portanto, não aparecem na lista dos casos confirmados.

 

Essa realidade, aliás, põe em dúvida a taxa de mortalidade do novo coronavírus.

 

Inicialmente falou-se em 2% da população que contraiu o vírus. Esse índice é calculado com base nos que se sentiram mal, procuraram um agente de saúde e vieram a morrer. Ficará bem mais baixo, se colocar na conta a maioria que sentiu o nariz correndo, teve uma febre pouco expressiva e, portanto, ficou na dela sem registrar qualquer ocorrência.

 

 

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Outra situação que pode causar espanto, mas deve ser relativizada, que se refere ao Brasil.

 

Houve uma explosão de casos SUSPEITOS nos últimos dias. Lembra quando noticiávamos que o Ministério da Saúde investigava 10 ou 15, em todo o Brasil? Hoje, são 433 casos SUSPEITOS —- perdão pela caixa alta, mas é para deixar bem claro o que estamos falando. Confirmados, temos apenas dois e de brasileiros que estiveram no norte da Itália, principal foco de contaminação da Europa, neste momento. E, registre-se, os dois passam bem.

 

O crescimento de suspeitas é fácil de explicar.

 

Até uma ou duas semanas, se você chegasse no hospital com o nariz correndo, tosse e febre, o médico no máximo perguntaria se você esteve na China nos últimos dias. Em caso negativo, diagnosticaria gripe ou resfriado, transcreveria alguns daqueles tradicionais remédios que tomamos; e você sequer pegaria atestado para se afastar do trabalho — se é que você já não tivesse se medicado em casa.

 

Hoje, se surgem os sintomas e você esteve em algumas das dezenas de países onde o coronavírus apareceu —- e a lista passa de 50 —- ou teve contato com pessoas que viajaram para esses locais, você corre para o hospital e, por precaução, o médico o inclui entre os suspeitos. E assim fazemos este número crescer de forma exponencial.

 

Ainda hoje, em entrevista a rádio Gaúcha, o doutor Dráuzio Varela, disse que em geral o coronavírus tem gerado sintomas que não se diferem de gripes comuns. Lembrou que não há vítimas com menos de 10 anos e apenas dois a cada mil pacientes com até 40 anos, morrem. A mortalidade é maior entre pessoas acima dos 80 anos —- assim como ocorre com o vírus que provoca uma gripe comum.

 

Significa que estamos perdendo tempo com o coronavírus? Não. Lavar as mãos com cuidado e adotar etiquetas respiratórias, como espirrar no braço, evitam proliferação desse e de outros vírus. As pesquisas são importantes, o sequenciamento do seu DNA é fundamental e ter um vacina à disposição vai evitar muitas mortes —- assim como ocorre com a vacina da gripe que já faz parte da nossa rotina anual.

 

O que precisamos, porém, é lembrar a passagem bíblica que encontramos no evangelho de Mateus: dai a César o que é de César. Ou, neste caso, dai a Covid-19 o que é da Covid-19.

Enquanto a vacina não vem, lave bem as mãos e ajude a combater a Covid-19

 

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Máscaras desaparecem das farmácias e passageiros já desfilam no metrô de São Paulo com a boca encoberta. Os estoques de álcool em gel são insuficientes para o tamanho da procura. Clientes suspendem compras (?) da China. Viajantes recém-chegados recebem olhares desconfiados. Um espirro exagerado assusta os mais próximos —- os descolados arriscam uma piada de mal gosto.

 

As agências de viagens atendem clientes inseguros e dispostos a adiar as férias no exterior, enquanto eventos estão sendo reavaliados e até se fala em cancelamento dos Jogos Olímpicos no Japão.

 

O surgimento do novo coronavírus há pouco mais de dois meses, na China, têm causado mudanças de comportamento, sustos e estragos de todo tipo: os mais graves são humanitários, com a morte de mais de 2,8 mil pessoas. Tem gente perdendo dinheiro, também. Investidores, na bolsa. Empreendedores, no bolso.

 

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Arte Hospital Albert Einstein

 

Por outro lado, laboratórios, farmacêuticas, médicos e cientistas estão em uma corrida pelo medicamento mais eficiente —- algo que funcione mais do que chá de erva doce, recomendado em uma dessas mensagens que contaminam a internet com velocidade maior do que a do próprio vírus.

 

A todo momento, surge a informação de testes e estudos que avançam no sentido de encontrar a vacina capaz de conter a disseminação da Covid-19.

 

A Novavax, com base na experiência com outros coronavírus, incluindo MERS e SARS, diz que concluiu com êxito as etapas preliminares para desenvolver candidatos viáveis à vacina.

 

A Moderna, concorrente no campo da biotecnologia, alardeia que em tempo recorde lançou o primeiro lote de mRNA-1273, vacina que entrará na fase 1 de testes, nos Estados Unidos.

 

É de lá também —- os Estados Unidos — que vêm informações de que um médico brasileiro —- gaúcho de Bagé, para ser mais preciso —- é o responsável pelo ensaio clínico que testa o remédio considerado de maior potencial para curar a Covid-19. Conforme o portal G1, o doutor André Kalil lidera uma equipe de profissionais, no centro médico da Universidade do Nebraska, que vai testar a eficácia da droga Remdesivir, antiviral da farmacêutica Gilead Sciences, desenvolvido para tratar a doença do vírus Ebola e infecções do vírus Marburg.

 

Abril, maio ou junho. Conforme a fonte da informação e o atrevimento do cientista, mudam os prazos para uma ou outra droga estar pronta. O certo é que quem conseguir oferecer o medicamento mais cedo e com maior precisão colocará à mão no dinheiro que empresas e governos estão dispostos a pagar para conter o avanço da Covid-19.

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

Até aqui, gente bem conceituada aposta que o vírus veio para ficar. É o caso do chefe do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Harvard, Marc Lipsitch. Calcula que entre 40% e 70% da população serão infectadas pelo novo coronavírus — o que não significa que todos morreremos. A maioria talvez nem saiba que esteve contaminada e outros tantos sentirão um mal-estar que mais se parecerá com uma “gripe”.

 

A propósito, o governo anunciou hoje que vai antecipar a campanha de vacinação contra a gripe e a expectativa é que, desta vez, a adesão seja altíssima —- devido ao coronavírus e não à gripe, que a maioria, erroneamente, ainda acha que é coisa pouca.

 

Hoje, também, uma rede de laboratórios, o Grupo Dasa, informou que coloca, nesta sexta-feira, 28, à disposição de seus clientes, o serviço de Atendimento Domiciliar para coleta do exame de diagnóstico coronavírus. “Temos mais de 800 unidades espalhadas pelo país, com grande circulação de idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e câncer, que são grupos de risco. Para evitar a disseminação do vírus, disponibilizamos a coleta apenas via unidades hospitalares e Atendimento Domiciliar”, disse Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

 

É preciso ter pedido médico e indicação clínica: febre acompanhada de sintomas respiratórios (tosse, espirros, aperto no peito, dificuldade para respirar, falta de ar), ter viajado para países com a epidemia instalada, como a China (nos 14 dias anteriores, período de incubação do vírus) ou ter tido contato com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus.

 

Também tem de ter R$ 280,00 para pagar o exame.

 

 

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Arte: Hospital Albert Einstein

 

 

Diante desta “infodemia” — não me queira mal por usar a expressão, apenas repito o que ouvi o ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, dizer em entrevista aos colegas jornalistas, em Brasília —-, faço o que me cabe: lavar bem a mão com água e sabão, cobrir meus espirros com o braço e cancelar por ora a roda de chimarrão.

Pacto Global da ONU pode melhorar suas vendas e sua saúde

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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imagem Pixabay

 

No momento, a Sustentabilidade recebe no mundo inteiro avaliações mais agressivas, a favor ou contra, e o Brasil passa a ocupar uma incomoda posição pela corrupção, pela Amazônia, pelos indígenas e por uma desatenção geral com o meio ambiente.

 

Oportunamente, o CRA-SP, entidade que representa os Administradores profissionais, e desde 2017 é comprometido com o Pacto Global da ONU, chama seus membros para uma ação efetiva de apoio para este movimento criado por Kofi Annan em 2000, designado como Pacto Global.

 

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O Pacto Global está em 160 países e é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações de empresas nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. E no desenvolvimento de ações que contribuirão para o avanço dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, que reúnem os principais desafios da sociedade mundial.

 

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No CRA-SP está inserido no Centro de Excelência do Pacto Global, com a coordenação de Armando Dal Colletto, ex-professor da FGV, IBMEC e BSP, com estudos pelo MIT, Harvard, USP e FGV, sendo atualmente diretor do IPL – Institute of Performance & Leadership

 

O Prof. Dal Colletto nos informa que “as empresas podem atuar dentro dos princípios do Pacto independentemente de serem signatárias. As que desejarem assumir o compromisso, essas se afiliam pelo site do Pacto através de uma carta assinada pelo CEO e respondendo a uma série de questões”. A adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

Cabe ressaltar que as contribuições para a sustentabilidade não se restringem, por exemplo, às ações genéricas de eliminar embalagens, copos e canudos de plásticos. Trata-se de medidas na cadeia produtiva, em materiais e processos, na busca constante do equilíbrio ecológico.

A indústria da moda, por exemplo, segundo Stanley Jones da ONU-Meio Ambiente, produz impactos que vão desde o uso de agrotóxicos nas colheitas do algodão ao consumo excessivo de itens e acessórios. São descartadas 1/3 das roupas no primeiro ano de uso. Números espantosos, se considerarmos que a Moda como negócio está avaliada em 2,4 trilhões de dólares, e emprega mais de 75 milhões de pessoas, mas descarta 500 bilhões de dólares ao ano com roupas que vão direto para aterros e lixões sem passar por reciclagem.

Daniela Chiaretti, do Valor, em março, já reportava que a indústria da Moda polui mais que navios e aviões, respondendo por 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, sendo o segundo setor da economia que mais consome água, e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. Os oceanos recebem 500 mil toneladas de microfibras sintéticas por ano, e as pessoas consomem 60% a mais de peças do que há 15 anos.

 

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Mochila da linha sustentável de bolsas Prada (foto: divulgação)

 

Por isso, a Moda começa a agir, embora ainda reduzidamente. A H&M comercializa 95% de itens com algodão orgânico ou reciclado. A Ikea criou uma cortina cuja tecnologia ajuda a limpar a poluição de ambientes internos. A Prada lançou com sucesso mochilas feitas de plásticos recolhidos dos oceanos. A Adidas prevê renda de 1 bilhão de dólares em tênis desenvolvido com material natural. A Osklen lançou bolsas com escama do Pirarucu. A Carteira 2019 do ISE Índice de Sustentabilidade Empresarial BOVESPA já conta com expressivas empresas do varejo como a Renner, C&A, e Americanas.

 

As melhorias obtidas ao aderir ao Pacto podem vir dos processos como também da gradativa aceitação do mercado. Para obter os resultados a contratação de pessoal especializado pode ser um caminho mais rápido.

 

Recentemente fomos procurados pela Manancial Sustentabilidade Ambiental, através da fundadora e CEO, bióloga Angela Garcia, cuja plataforma está calcada em habilitar as empresas privadas e públicas nos 10 Princípios Universais e nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social. A carteira de clientes de Angela contempla dentre outras a Komatsu, Seara, JBS, Panco, Prefeitura de Indiaporã e Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste de São Paulo.

 

Em todos os eventos do mundo corporativo que participamos este ano, ficou evidenciada a preocupação ambiental das empresas. Entretanto, nem todas estão atreladas ao Pacto Global, que atribui uma vantagem competitiva às marcas, na medida que sua divulgação agrega valor em um mercado consumidor cada vez mais atento ao status da Sustentabilidade.

 

É hora de melhorar as vendas adotando o Pacto e usufruir os resultados com saúde.

 

Feliz 2020!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.