50 debates para o Brasil: autonomia do Banco Central divide economistas sobre o melhor modelo para o país

A forma como o Banco Central exerce suas funções interfere diretamente na inflação, nos juros, no crédito e na estabilidade da economia brasileira. A discussão sobre ampliar sua autonomia, portanto, vai muito além de um tema técnico e afeta o cotidiano de toda a população. O preço dos produtos no supermercado é impactado por decisões tomadas na instituição, o custo do empréstimo que o empreendedor toma para ampliar o seu negócio, também. E jamais vamos esquecer que o Banco Central foi responsável pela criação, funcionamento e manutenção do PIX.

O assunto foi debatido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, que reuniu o professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, e o economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Desde 2021, a legislação brasileira garante mandatos fixos para a diretoria do Banco Central. Atualmente, o Congresso discute uma nova etapa desse processo: conceder também autonomia administrativa e financeira à instituição. A proposta reacende um debate sobre até que ponto o Banco Central deve atuar com maior distância das decisões do governo.

Para Belluzzo, a discussão não pode ser reduzida a uma oposição entre autonomia e interferência política. Segundo ele, política monetária e política fiscal são instrumentos que precisam atuar de forma coordenada. “São duas formas de gestão da economia e da riqueza que são interdependentes”, afirmou. Na avaliação do economista, a estabilidade depende dessa coordenação, especialmente em momentos de crise, quando bancos centrais precisam dispor de instrumentos para preservar o funcionamento da economia.

O professor também chamou atenção para a influência do cenário internacional. Em sua análise, um país com economia aberta sofre os efeitos dos fluxos globais de capitais e das diferenças entre taxas de juros, o que limita a capacidade de atuação de qualquer banco central. Por isso, defendeu que a autonomia da instituição deve ser analisada dentro desse contexto mais amplo.

Armínio Fraga concordou que política monetária e política fiscal precisam caminhar juntas, mas sustentou que a autonomia operacional do Banco Central é um mecanismo importante para proteger a economia dos efeitos da inflação e das pressões políticas de curto prazo. “A ideia de independência é uma concessão que se faz por lei para que o Banco Central administre a política monetária pensando no bem-estar da população”, afirmou.

Ao avaliar os resultados da legislação em vigor desde 2021, Fraga considerou que o modelo trouxe benefícios. Segundo ele, o Brasil enfrentou diferentes crises nesse período e conseguiu atravessá-las com menos impactos do que em momentos anteriores. Também destacou que a autonomia não significa ausência de controle. “Não é uma independência para o Banco Central fazer o que der na telha. É para ele cumprir a determinação que é feita por um governo eleito”, disse.

Embora tenham chegado a conclusões diferentes sobre a ampliação da autonomia da instituição, os dois economistas convergiram em um ponto: a política monetária não pode ser analisada isoladamente. O funcionamento do Banco Central depende da relação com a política fiscal, das condições econômicas do país e do ambiente financeiro internacional.

A intenção deste debate foi mostrar que a discussão sobre a autonomia do Banco Central não pertence apenas aos economistas. Ela ajuda a compreender como decisões tomadas pela autoridade monetária influenciam a inflação, o custo do crédito, a atividade econômica e a renda das famílias. Ao reunir visões distintas sobre o mesmo tema, o debate oferece elementos para que cada cidadão construa sua própria avaliação.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Sentimento de aceitação

Por Beatriz Breves

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Foto: Conan no Flickr

O sentimento de aceitação funciona como um fertilizante que se mistura à irrigação dos demais sentimentos. E não importa se são considerados prazerosos ou não, como o amor e o carinho ou o ódio e a inveja. Sentir aceitação é necessário para um sentimento poder germinar e se desenvolver, caso contrário, nenhum deles encontraria terreno emocional fértil para crescer.

Assim, quando um sentimento permanece ecoando na gente, sempre é interessante pensar qual o sentimento que está sendo irrigado com o de aceitação. Até porque, dependendo dos sentimentos que estiverem investidos com aceitação, seja em dupla, trio, etc., essa reflexão poderá servir de grande ajuda tanto na amplificação daqueles que estão nos dando bons frutos, quanto na transformação daqueles que estão nos dando maus frutos.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad

50 debates para o Brasil: fim da escala 6×1 envolve qualidade de vida, competitividade das empresas e crescimento econômico

A redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate público e expõe uma questão que vai além da legislação: como equilibrar qualidade de vida, competitividade das empresas e crescimento econômico. O tema abriu a série 50 Debates para o Brasil, promovida pelo Jornal da CBN, que reúne especialistas com visões diferentes sobre assuntos que devem ocupar espaço na campanha eleitoral.

O primeiro encontro discutiu a proposta de extinguir a escala 6×1, modelo em que o trabalhador descansa um dia após seis dias consecutivos de trabalho. Participaram do debate o professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit, José Dari Krein, favorável à mudança, e Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defendeu a manutenção da legislação atual, com ajustes negociados entre trabalhadores e empregadores.

Para José Dari Krein, a redução da jornada responde a uma transformação necessária nas relações de trabalho. Segundo ele, embora o desemprego tenha diminuído, muitos trabalhadores continuam enfrentando baixos salários, jornadas extensas e dificuldade para planejar o futuro. “Não basta só gerar empregos, é preciso gerar empregos que permitam às pessoas viver, preservar a saúde, qualificar-se e contribuir para a construção de um futuro diferente para o nosso país”, afirmou.

O pesquisador destacou que a medida teria impacto especialmente sobre trabalhadores de menor renda, jovens, mulheres e população negra, além de contribuir para enfrentar o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais. Na avaliação dele, reduzir o tempo de trabalho é também uma forma de diminuir desigualdades e ampliar as oportunidades de estudo, convivência familiar e descanso.

Alexandre Furlan concordou que a discussão sobre melhores condições de trabalho é legítima, mas argumentou que uma mudança constitucional pode produzir efeitos negativos se não for precedida por estudos técnicos mais amplos. “O objetivo da discussão é legítimo. O que ocorre é que os efeitos dessas medidas precisam ser avaliados com base em evidências e em análise técnica”, disse.

Ao responder sobre produtividade, ponto central do debate, Krein lembrou que a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais, prevista na Constituição de 1988, não provocou os problemas econômicos que muitos previam na época. Para ele, há espaço para uma nova redução e as empresas tendem a adaptar seus processos. O professor também defendeu que produtividade não deve ser medida apenas pela produção gerada, mas também pela remuneração e pelas condições oferecidas aos trabalhadores.

Furlan apresentou uma avaliação diferente. Segundo ele, o Brasil ocupa uma posição baixa nos rankings internacionais de produtividade e reduzir a jornada antes de aumentar a eficiência pode elevar custos, pressionar preços e estimular a informalidade. “Produtividade precisa ser aumentada. A redução sustentável da jornada deve ser consequência do aumento da produtividade e não um ponto de partida para isso”, afirmou.

O representante da CNI também ressaltou que diferentes setores enfrentam realidades distintas. Citou exemplos como siderúrgicas, indústrias de transformação, pequenos restaurantes, padarias e salões de beleza para defender que uma regra única pode gerar dificuldades operacionais e financeiras, especialmente para micro e pequenas empresas.

O debate evidenciou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve mais do que o número de dias trabalhados. Ela reúne questões relacionadas à saúde, renda, produtividade, competitividade, organização da economia e papel da negociação entre empresas e trabalhadores.

A principal marca deste primeiro debate foi mostrar que decisões sobre jornada de trabalho exigem equilíbrio entre direitos sociais e impactos econômicos. Ao apresentar argumentos sustentados por perspectivas diferentes, a discussão amplia as informações disponíveis para que o ouvinte forme sua própria avaliação.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

O Senhorio e a Força: a contradição absoluta entre dois reinos

Por Caio Luizetto]

Biblia

Há uma tensão dramática e silenciosa que atravessa as Escrituras: a colisão inevitável entre o Reino proposto por Jesus e os reinos estruturados pelo mundo. Essa dinâmica não se resume a uma disputa territorial ou política, mas, sim, a uma subversão radical do próprio conceito de poder. No centro dessa contradição repousa uma ambiguidade filosófica profunda sobre o que significa, verdadeiramente, exercer a soberania. Existe o senhor de fato e existe o senhor de direito; e o abismo que separa essas duas condições é o que define a linha entre a ilusão da força e a permanência da verdade.

O senhorio de fato é aquele compreendido e reverenciado pelos impérios humanos. Representado historicamente por figuras como César ou Pilatos, ele opera na camada imediata e visível da realidade. É o poder que se impõe pelo monopólio da força bruta, pelo controle das leis, da economia e do medo. No entanto, a lógica do texto bíblico expõe, sutilmente, a fragilidade intrínseca desse domínio factual. O senhor de fato depende inteiramente das circunstâncias, das espadas que o defendem e do tempo, que inevitavelmente o corrói. É uma soberania emprestada, um teatro de autoridade que Pilatos descobriu ser impotente quando confrontado por Alguém que não se dobrava ao seu poder de vida e morte.

Em contrapartida, o senhorio de direito manifesta-se na contramão dessa simetria. Quando Jesus afirma a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo, ele não está situando sua soberania em uma dimensão mística ou distante, mas, sim, definindo a sua natureza. O senhor de direito possui uma realeza inata e invisível que não carece de exércitos para se sustentar, pois não deriva da coerção, mas da própria essência da existência e da verdade. É a autoridade que permanece intacta mesmo quando o rei se encontra despido, açoitado e pregado a uma cruz. Enquanto os tiranos precisam do mundo para ser senhores, o senhorio de direito se exerce pela mera presença, esvaziando a autoridade moral de quem governa apenas pela força.

Essa contradição de métodos inverte completamente a pirâmide do poder humano. Nos reinos do mundo, a grandeza é medida por quantos indivíduos se consegue subjugar e governar; no outro Reino, a soberania máxima é alcançada por meio do serviço e da entrega voluntária. Ao expor a falência do senhorio de fato, essa perspectiva nos convida a uma lucidez cortante: um império pode possuir o controle prático da história, mas continuará sem direito algum sobre o coração, a mente e a eternidade humana. No grande tabuleiro da existência, os senhores de fato passam como poeira, enquanto o senhorio de direito permanece gravado naquilo que a força bruta jamais será capaz de alcançar.

Caio Luizetto é teólogo e cientista da religião, pós-graduado em Missão Integral em contexto urbano. Sua produção aborda as relações entre fé, dor, sentido e maturidade espiritual na vida contemporânea. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Arquitetura hostil: a exclusão planejada dos mais vulneráveis

Por Ciro Férrer Herbster Albuquerque

Bancos na praça são para promover o encontro, a permanência e a convivência

A arquitetura hostil, também denominada arquitetura defensiva, reúne estratégias projetuais e elementos físicos incorporados ao espaço urbano com o objetivo de restringir determinados usos e afastar grupos considerados indesejados no espaço público. 

Em vez de promover acolhimento, convivência e permanência, esse tipo de intervenção utiliza o desenho da cidade como instrumento de controle, condicionando quem pode permanecer, descansar ou circular em determinados espaços.

Sob a perspectiva do geógrafo Milton Santos, o espaço urbano resulta da interação permanente entre os fixos e os fluxos. Os fixos correspondem aos elementos materiais da cidade, como edifícios, praças, calçadas, mobiliário urbano, vias e equipamentos públicos. Os fluxos representam a circulação de pessoas, informações, mercadorias e serviços que dão vida a esses lugares. 

Quando os fixos são concebidos para restringir determinados usos, também passam a controlar os fluxos, influenciando quem pode transitar, permanecer e exercer plenamente o direito à cidade.

Essa lógica torna-se evidente na arquitetura hostil. Bancos divididos por barras metálicas, superfícies inclinadas sob marquises, grades pontiagudas, blocos de concreto instalados em áreas de permanência e obstáculos distribuídos ao longo das calçadas são exemplos de fixos urbanos que limitam os fluxos cotidianos.

Embora frequentemente justificados por razões de segurança ou ordenamento urbano, esses dispositivos produzem uma seleção silenciosa dos usuários do espaço público, restringindo a presença daqueles considerados inconvenientes ou economicamente “improdutivos”.

As pessoas em situação de rua, hoje estimadadas entre 365 mil a 389 mil no Brasil, são as mais diretamente atingidas por essas intervenções. Seus efeitos, porém, alcançam um conjunto muito mais amplo da população. Pessoas idosas, com deficiência e mobiliade reduzida, além de gestantes e crianças, também encontram dificuldades para caminhar, descansar e utilizar os espaços urbanos com autonomia e segurança. 

Dessa maneira, a arquitetura hostil transforma elementos que deveriam promover o encontro, a permanência e a convivência — como um simples banco de praça — em barreiras físicas e simbólicas que restringem a acessibilidade e dificultam o direito de ir e vir

Esse direito, embora formalmente assegurado há 38 anos, torna-se um privilégio cada vez mais distante da experiência cotidiana dos grupos vulnerabilizados.

No caso das pessoas idosas, que hoje representam cerca de 16,6% dos brasileiros, essa realidade é ainda mais preocupante. O envelhecimento, especialmente nas idades mais avançadas, pode estar associado à redução da velocidade da marcha, ao aumento do tempo de resposta diante de obstáculos, à necessidade de pausas durante os deslocamentos, à diminuição da acuidade visual e ao maior risco de quedas, sobretudo entre pessoas sedentárias. 

Essas mudanças, por si sós, não comprometem a autonomia nem a independência. Tornam, entretanto, os indivíduos mais suscetíveis às barreiras impostas por ambientes urbanos pouco acessíveis e inadequadamente desenhados. 

A partir do momento em que a cidade oferece bancos desconfortáveis, calçadas repletas de obstáculos e espaços concebidos para desencorajar a permanência, os deslocamentos a pé tornam-se mais difíceis e inseguros. 

Como consequência, os moradores tendem a caminhar menos, permanecer mais tempo em casa e recorrer com maior frequência ao transporte motorizado, mesmo para percursos curtos. Os fixos urbanos passam a interromper os fluxos cotidianos dessas pessoas, restringindo sua independência, reduzindo as oportunidades de interação social e desencorajando a ocupação dos espaços públicos.

Essa dinâmica evidencia que o espaço urbano não é neutro. As escolhas projetuais influenciam diretamente a forma como os diferentes grupos vivenciam a cidade. Quando os fixos são planejados para excluir, os fluxos tornam-se seletivos, favorecendo determinados usuários em detrimento de outros. O resultado é uma cidade menos diversa, menos acessível e menos democrática — realidade presente na maior parte dos municípios brasileiros. 

O direito de circular, permanecer e participar da vida urbana deixa de ser uma condição universal para transformar-se em um privilégio condicionado às características do corpo, à condição social e à capacidade funcional de cada indivíduo.

Enfrentar a arquitetura hostil exige repensar os elementos que estruturam o espaço urbano para que os fixos deixem de atuar como mecanismos de exclusão e passem a favorecer fluxos mais diversos, seguros e inclusivos. 

Para as atuais e futuras pessoas idosas, isso significa preservar a independência, ampliar o acesso aos serviços públicos, fortalecer os vínculos sociais e participar ativamente da vida comunitária

Assim, o direito à cidade deixa de depender apenas da garantia legal e passa a exigir uma ambiência urbana capaz de promover mais saúde, autonomia e dignidade ao longo da vida de cada cidadão.

Ciro Férrer Herbster Albuquerque é mestre em Arquitetura, Urbanismo e Design pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e coordenador da Comissão de Normatização, Fiscalização e Cadastro no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa em Fortaleza, Ceará. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que as marcas voltam a investir em lojas físicas

O crescimento do comércio digital não eliminou a importância do contato presencial. Pelo contrário: quanto mais a tecnologia avança, maior parece ser o valor das experiências que aproximam pessoas e marcas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

Durante muito tempo, acreditou-se que o varejo físico perderia espaço para os aplicativos e para o comércio eletrônico. A realidade, porém, mostra um movimento diferente. Empresas que nasceram na internet passaram a abrir lojas, criar espaços de convivência e investir em experiências presenciais. A explicação está naquilo que a tecnologia ainda não consegue reproduzir plenamente: a emoção.

Para Cecília Russo, a eficiência do ambiente digital não é suficiente para construir vínculos duradouros. “O algoritmo consegue entregar o produto, mas ele não entrega o encantamento.” Ela lembra que uma loja pode oferecer muito mais do que um ponto de venda. O consumidor pode tocar os produtos, sentir aromas, tomar um café e criar uma lembrança positiva daquela experiência.

Esse processo está ligado ao branding sensorial, estratégia que procura estimular diferentes sentidos para fortalecer a relação entre consumidor e marca. Como resume Cecília, “quanto mais sentidos uma marca for capaz de ativar, mais memória ela deixa”. Quando essa memória é positiva, aumentam as chances de o cliente retornar.

Isso não significa abandonar o ambiente digital. A proposta é integrar os diferentes canais de relacionamento. O conceito de omnicanalidade descreve exatamente essa presença em múltiplos espaços, permitindo que o consumidor escolha como deseja interagir com a empresa, seja pelo celular, pelas redes sociais, por aplicativos ou em uma loja física.

Jaime Troiano observa que esse investimento não pode ser analisado apenas pelos resultados financeiros imediatos de uma unidade comercial. A experiência presencial produz efeitos que alcançam toda a percepção da marca. “Quando você entra em um ambiente planejado, por exemplo, com um cheiro específico, um atendimento humano, sua percepção sobre o valor da marca sobe instantaneamente.”

O conceito de branding sensorial, desenvolvido por estudiosos como Martin Lindstrom, de acordo com Jaime, explica por que elementos como aroma, textura, iluminação e atendimento influenciam diretamente o valor percebido pelos consumidores. “No digital, a briga é por preço; no físico, a briga por prestígio, experiência e memória.”

Esse princípio também vale para pequenos negócios. Humanizar o relacionamento não depende necessariamente de uma loja. Um bilhete escrito à mão, uma embalagem preparada com cuidado ou um encontro com clientes podem transmitir atenção e criar conexões que dificilmente surgem apenas na tela do celular.

Ao longo da conversa, Jaime resume o desafio das empresas nos próximos anos em uma única palavra: “figital”, união entre físico e digital. A ideia é combinar a rapidez proporcionada pela tecnologia com a proximidade do relacionamento humano. Como ele afirma, “as pessoas estão exaustas de falar só com robôs e navegar em feeds infinitos. Elas querem encontros.”

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário é que tecnologia e contato humano não competem entre si. As marcas mais preparadas para o futuro serão aquelas capazes de unir eficiência digital com experiências presenciais que despertem emoções, fortaleçam a confiança e construam relações duradouras.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: a esperança do torcedor que ignora a realidade

Mirassol 2×1 Grêmio
Brasileiro – Campos Maia, Mirassol (SP)

Brasileirão - Mirassol x Grêmio - 17/07/2026
Carlos Vinícius marca o único gol do Grêmio. Foto: Rapha Marques / Grêmio FBPA

Os quatro melhores jogadores do Grêmio no primeiro semestre deste ano foram Viery, Arthur, Gabriel Mec e Carlos Vinícius.

Viery já está na Itália, onde defenderá a Fiorentina na temporada europeia que começa agora. Em troca, o Grêmio arrecadará R$ 108 milhões — a terceira maior venda de um zagueiro brasileiro da história. Na noite desta sexta-feira, em Mirassol, Luis Castro precisou recorrer a Kannemann que, infelizmente, já não consegue entregar o futebol que o transformou em um dos grandes ídolos da torcida gremista.

Arthur havia retornado para realizar o sonho de vestir novamente a camisa tricolor. O contrato de empréstimo com a Juventus terminou em junho. O volante aceitava abrir mão de valores que tinha a receber do clube italiano para permanecer no Brasil, mas pedia um contrato de cerca de R$ 100 milhões por três temporadas. O Grêmio preferiu não seguir adiante. Desde então, o time não encontrou quem cumpra a função de conduzir a bola e organizar, ainda que minimamente, o meio de campo. Hoje, vimos o retorno de Villasanti ao time titular, depois de quase 11 meses afastado por lesão.

Gabriel Mec estreou na equipe principal no ano passado e conquistou espaço entre os titulares nesta temporada. Disputou 30 partidas, marcou três gols e deu duas assistências. O Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, quer contratá-lo por R$ 70 milhões. O jogador ainda não aceitou a proposta porque o país segue em guerra com a Rússia. Em conversa com jornalistas nesta semana, a direção gremista admitiu que o meia deseja sair. Pela atuação desta noite, ficou a impressão de que ele já começou a partir.

Carlos Vinícius é quem faz os gols do Grêmio. Contra o Mirassol, marcou o décimo dele neste Campeonato Brasileiro. Ainda assim, não atingiu as metas que garantiriam a renovação automática de seu contrato: ser convocado para a Copa do Mundo e participar de 70% dos jogos da equipe. A direção afirma que só pretende renovar se o atacante aceitar o teto salarial estabelecido pelo clube. Sim, pode piorar!

Olhando para esse cenário, fica difícil entender de onde surgiu a minha confiança de que o Grêmio voltaria da pausa da Copa do Mundo jogando um futebol minimamente competitivo. A resposta talvez seja simples: a esperança do torcedor costuma ignorar aquilo que a realidade escancara. Enquanto o elenco perdia seus principais jogadores — ou já convivia com a perspectiva de perdê-los —, eu insistia em acreditar que o time sairia mais forte. Não era análise. Era apenas a velha e conhecida alucinação que acompanha quem torce.

Conte Sua História de São Paulo: a casa mal-assombrada da Bela Vista

Iorli Marli Bezerra Pivato

Ouvinte da CBN

Door Lock
Foto: Gustavo Maximo/Flickr

Minha história de São Paulo começa em 1948, quando eu tinha 6 anos, e mudei da casa da minha avó, na Rua Cruzeiro do Sul, para uma casa “mal-assombrada” na Rua Santo Antônio, 104, no bairro da Bela Vista.

No local havia acabado de acontecer um crime que abalou a cidade de São Paulo. Um jovem químico professor da USP, Paulo Ferreira de Camargo, havia matado a mãe e as duas irmãs e jogado os corpos em um poço no quintal da casa. Quando os corpos foram descobertos, ele se matou no banheiro.  Um dos bombeiros que participaram das escavações, sem proteção, morreu por infecção cadavérica.

Todos esses fatos e o exagero da imprensa em criar reportagens sensacionalistas, deram a ideia de que o local era amaldiçoado, mal assombrado, tornando o imóvel desvalorizado. 

Minha mãe viu ali uma oportunidade de negócio, alugou o imóvel, montou seu salão de beleza e relocou quartos e salas fazendo uma espécie de pensão.

Tenho boas lembranças daquela época, da ingenuidade da criança que se divertia observando curiosa os quartos dos inquilinos pelas fechaduras das portas, quando voltava do jardim da Infância, na Cruzada Pró-Infância, na Praça da República. 

Lembro das brincadeiras com os tubos de lança-perfume, comprados por meu avô, para a festa de carnaval, na avenida 9 de Julho, onde o cordão passava cantando “Nega Maluca”, de Linda Batista.

Lembro da curiosidade sobre o teatro de alumínio, instalado em 1952 na Praça da Bandeira, onde a companhia de teatro de Nicete Bruno se apresentava e usava os serviços do salão de beleza da minha mãe.

Lembro da festa do quadricentenário de São Paulo, dos papéis picados sendo jogados do alto dos prédios.

Vivemos na casa muito felizes, até 1954, quando foi demolida. Mudamos então para o bairro da Vila Rosa, perto do Horto Florestal, mas não abandonamos o Centro. Trabalhamos no Largo do Arouche, na Praça Patriarca, na Praça da República, mas aí são outras histórias.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Iorli Marli Bezerra Pivato é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Luciana Ramos, da Cashin, explica por que reconhecer o desempenho pode aumentar vendas e reter talentos

Luciana Ramos, da Cashin
Luciana Ramos no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“O salário hoje já não é mais suficiente, o mundo mudou.”

Programas estruturados de incentivo podem elevar o faturamento entre 22% e 25%, segundo dados observados pela Cashin em empresas que mantêm ações recorrentes de reconhecimento. Para Luciana Ramos, CEO e cofundadora da plataforma, o cenário revela uma mudança na forma como organizações procuram engajar profissionais e parceiros comerciais. O tema foi discutido em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

A ideia que deu origem à Cashin nasceu da experiência de Luciana Ramos e de Nanny Gordon no varejo. Ao migrarem para o mercado digital, identificaram uma necessidade comum em diferentes segmentos: criar mecanismos para estimular equipes de vendas e profissionais terceirizados de forma organizada e em conformidade com a legislação trabalhista.

Hoje, a plataforma reúne cerca de 300 mil usuários, atende mais de 300 empresas e movimenta entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões por ano em programas de incentivo. Em vez de receber um prêmio previamente definido pela empresa, o participante acumula pontos que podem ser convertidos em dinheiro, produtos, cartões ou outras opções de resgate.

Reconhecimento vai além do salário

Para Luciana Ramos, as transformações no mercado de trabalho tornaram insuficiente a lógica de que o salário, por si só, garante o comprometimento das pessoas.

“O salário hoje já não é mais suficiente, o mundo mudou. As gerações estão mudando.”

Ela observa que o reconhecimento precisa estar associado a objetivos claros e fazer parte da cultura da empresa.

“Você quer que eu fique na sua empresa? Eu preciso dos estímulos de 5 anos de casa, 10 anos de casa.”

Na avaliação da executiva, a revisão da legislação trabalhista em 2017 e 2018 trouxe mais segurança para que empresas adotem programas recorrentes de incentivo, desde que respeitem critérios objetivos e mantenham transparência sobre as regras.

Simplicidade e liberdade de escolha

Na entrevista, Luciana chama atenção para um erro frequente: criar campanhas complexas ou oferecer prêmios que não correspondem às necessidades dos participantes.

Ela lembra o caso de uma empresa que premiou funcionários com viagens para a Disney. Embora a iniciativa tenha sido comemorada inicialmente, o resultado surpreendeu.

“Em janeiro 94% (dos funcionários) foi no RH para perguntar se podia transformar em dinheiro.”

Segundo ela, a experiência mostrou que permitir ao profissional escolher como utilizar sua recompensa costuma gerar maior satisfação.

“Nada mais nobre do que deixar o funcionário escolher.”

Outro problema recorrente é a comunicação deficiente das campanhas.

“O erro clássico é ou não comunicar muito bem a campanha, não falar sobre a campanha, não divulgar essa campanha.”

Na visão da executiva, programas simples tendem a produzir melhores resultados.

“O simples é o melhor.”

Dados ajudam a desenhar campanhas mais eficientes

Além da gestão dos pagamentos, a Cashin utiliza informações acumuladas ao longo dos anos para orientar empresas sobre formatos de campanhas, indicadores e métricas de desempenho. A inteligência artificial passou a integrar esse processo, permitindo comparar resultados entre diferentes segmentos e sugerir modelos de incentivo mais adequados.

Segundo Luciana, os melhores resultados aparecem quando os programas deixam de ser ações isoladas e passam a fazer parte da rotina da organização.

“Quando existe um programa anual, semestral e etc., a gente percebe também um aumento.”

A empresa também desenvolveu projetos fora do ambiente corporativo tradicional. Um dos exemplos envolve cerca de 3 mil catadores de materiais recicláveis ligados à Plastic Bank. Por meio da plataforma, eles recebem bonificações pelo plástico retirado do oceano. Em alguns casos, o trabalho começou antes mesmo da inclusão financeira dessas pessoas.

“Muitos deles nem tinham CPF.”

Escutar antes de reconhecer

Ao falar sobre liderança, Luciana afirma que a principal lição aprendida ao longo da carreira foi envolver as pessoas nas decisões.

“A lição mais valiosa é escutar as pessoas e trazê-las para dentro do processo de decisão.”

Na própria Cashin, práticas de reconhecimento incluem premiações por feedbacks entre colegas, participação em iniciativas internas e metas alcançadas. Para ela, reconhecer resultados não significa apenas conceder recompensas financeiras, mas demonstrar que a contribuição de cada pessoa foi percebida.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

A IA pode substituir o psicoterapeuta?


Por Beatriz Breves

óculos, celular no app do chatgpt, inteligência artificial
Foto de Matheus Bertelli on Pexels.com

A pergunta parece simples, mas toca em uma das questões mais profundas do nosso tempo. À medida que a inteligência artificial se torna mais sofisticada, cresce também a impressão de que ela poderia substituir atividades que, até pouco tempo, eram consideradas exclusivamente humanas.

A IA já consegue identificar padrões de linguagem, reconhecer emoções expressas no discurso, formular hipóteses interpretativas e até conduzir diálogos que, muitas vezes, parecem acolhedores e reflexivos. Está disponível a qualquer hora, responde sem julgamento aparente, possui acesso instantâneo a uma quantidade imensa de informações e não sofre os limites do cansaço ou da distração.

Diante disso, a pergunta que surge naturalmente é: seria possível substituir o psicoterapeuta por uma inteligência artificial?

A resposta exige compreender que a psicoterapia não se reduz a conselhos, interpretações ou à organização racional dos pensamentos. Ela é, antes de tudo, uma experiência de encontro. Um espaço relacional no qual uma pessoa pode entrar em contato consigo mesma por meio da presença de outra pessoa.

O que a IA já é capaz de fazer

Cabe aqui uma observação. A qualidade de um processo terapêutico não depende apenas da abordagem utilizada, mas também da formação, da experiência e da capacidade de escuta de quem o conduz. Existem profissionais altamente qualificados e pessoas que, após formações muito breves, oferecem atendimento clínico sem a preparação necessária para lidar com a complexidade do sofrimento humano.

Nesses casos, é possível que uma inteligência artificial, alimentada por um amplo conjunto de conhecimentos psicológicos e disponível continuamente, ofereça reflexões mais consistentes do que aquelas produzidas por profissionais insuficientemente preparados. Isso, porém, não diminui a importância da psicoterapia. Ao contrário, evidencia o quanto a formação, a supervisão clínica, a experiência pessoal de análise e o treinamento contínuo são fundamentais para o exercício responsável da profissão.

Digo isso porque a mudança terapêutica não ocorre apenas porque alguém recebe informações sobre seus problemas. Ela acontece porque determinados aspectos da experiência humana só se tornam acessíveis dentro de uma relação. É no encontro com o outro que percebemos padrões que, sozinhos, não enxergamos, reconhecemos sentimentos que evitávamos sentir e construímos novas formas de compreender nossa própria história.

O psicoterapeuta escuta não apenas o que é dito, mas também aquilo que se manifesta nas pausas, nas repetições, nas contradições, nos silêncios e nos afetos. Muitas vezes, a transformação não resulta de uma fala brilhante, mas da experiência de ser acolhido, compreendido e reconhecido por outro ser humano.

De fato, na psicoterapia, o próprio psicoterapeuta torna-se um instrumento de compreensão do outro, pois, na relação terapêutica, tudo aquilo que sente pode constituir um dado importante para compreender a comunicação que está sendo estabelecida. Daí a necessidade de anos de estudo, supervisão, psicoterapia e treinamento.

Às vezes, uma narrativa aparentemente tranquila desperta tristeza; outras vezes, um relato de sofrimento provoca estranhamento ou até uma sensação inesperada de leveza. Há momentos em que o paciente sorri enquanto comunica algo doloroso ou chora ao falar de algo que parece não lhe causar sofrimento. Tudo isso comunica.

Os afetos que emergem no terapeuta não são, necessariamente, respostas pessoais; muitas vezes, fazem parte da própria dinâmica relacional que se estabelece no encontro terapêutico. Por isso, a formação e a experiência pessoal de psicoterapia são fundamentais. Ao conhecer melhor seus próprios conflitos, limites e sensibilidades, o terapeuta torna-se mais capaz de distinguir aquilo que lhe pertence daquilo que emerge da relação com o paciente. Assim, pode envolver-se profundamente com o sofrimento do outro sem confundir-se com ele, transformando sua própria experiência emocional em um instrumento a serviço da compreensão e do cuidado.

O que acontece em uma relação terapêutica

A relação terapêutica é construída ao longo do tempo. Ela envolve confiança, vínculo, frustrações, descobertas, resistências e transformações. Não se trata apenas de um processo cognitivo, mas de uma experiência humana compartilhada. Em muitos casos, é justamente essa experiência relacional que promove mudanças profundas.

Isso não significa que a inteligência artificial não tenha valor. Ao contrário. Ela pode oferecer informações, auxiliar na organização de pensamentos, estimular reflexões, sugerir perspectivas diferentes e funcionar como um recurso acessível para quem busca compreender melhor a si mesmo. Em muitos contextos, pode representar um importante instrumento de apoio emocional e de ampliação do acesso ao conhecimento psicológico.

Entretanto, existe uma diferença fundamental. A inteligência artificial pode processar informações sobre a experiência humana, mas não possui experiência humana. Não sente medo, amor, perda, esperança ou sofrimento. Não atravessa conflitos existenciais. Não se transforma a partir do encontro com o outro.

É justamente nessa dimensão que a psicoterapia encontra uma de suas bases mais importantes. O psicoterapeuta não é apenas alguém que compreende teoricamente o sofrimento. É alguém que também participa da condição humana. Sua escuta é atravessada pela própria experiência de viver, sofrer, desejar, perder e transformar-se.

Talvez a questão mais importante não seja saber se a IA pode substituir o psicoterapeuta, mas compreender como ela pode contribuir para o cuidado psicológico. Ela pode tornar-se uma ferramenta valiosa de apoio, reflexão e autoconhecimento. Pode complementar processos terapêuticos e ajudar muitas pessoas a iniciar uma jornada de compreensão de si mesmas.

A psicoterapia, porém, em seu sentido mais profundo, continua sendo uma experiência humana. Uma experiência construída no vínculo, na presença, na confiança e na possibilidade de um ser humano encontrar a si mesmo por meio do encontro com outro.

Por mais sofisticada que seja uma tecnologia, ela ainda não ocupa o lugar de uma presença humana genuína. Talvez isso nos lembre de algo essencial: existem experiências cuja força não está apenas na informação que recebemos, mas na relação que nos transforma.

Na psicoterapia, a mudança não nasce apenas do que é dito, mas do que é sentido. É preciso sentir para mudar. O silêncio, a hesitação, um sentimento que surge sem nome, um afeto que atravessa a relação e encontra acolhimento: tudo isso comunica. E é justamente nessa linguagem dos afetos que a presença humana continua sendo insubstituível.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad