Sobre o sentimento de mãe

Por Beatriz Breves

Foto de Ann Bugaichuk on Pexels.com

Sentir mãe é experimentar uma constante fonte de inspiração. E não estou falando da maternidade enquanto genética ou mesmo da maternidade escolhida, mas de um sentimento visceral, aquele que emerge de nossas entranhas e faz nascer e renascer.

De fato, falar do sentimento de mãe é falar do que é genuíno em nossa origem, visto que o primeiro instante de nossa existência, aquele que gera o fruto que servirá de base para o que iremos nos tornar, é vibrado no interior de uma fêmea. Interior que, independentemente de ser humano ou animal, se faz encantado e encantador.

Falar do sentimento de mãe é dizer a maestria de um sentimento que, apesar do medo, se realiza na entrega da doação.

Sendo na permanência, o sentimento de mãe, mesmo transitando nas frestas do mistério, gradualmente, vai se revelando por meio de uma força que se autoperpetua chamada VIDA.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Avalanche Tricolor: vitória para afastar a zica

Deportivo Riestra 0x3 Grêmio
Sul-Americana — Estádio Nuevo Gasómetro, Buenos Aires, ARG

Deportivo Riestra x Grêmio
Carlos Vinícius comemora gol de pênalti. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Zica é daquelas palavras curiosas que surgem no vocabulário popular com sentidos opostos. Na maior parte das vezes, aparece como sinônimo de urucubaca, uma energia negativa que tentamos afastar batendo três vezes na madeira. É possível encontrar a expressão associada ao azar, à má sorte, na maioria dos dicionários brasileiros, como o Michaelis. Mais raro nos registros oficiais, porém comum nas conversas de rua, é o uso da palavra para definir algo muito bom, marcante, de alta qualidade: “esse jogo foi zica” ou “ideia muito zica” são exemplos que encontrei no Priberam.

Na partida desta noite, na Argentina, os opostos se encontraram para alegria do torcedor gremista.

Foram jogadores zica, como Gabriel Mec e Amuzu, que nos ajudaram a nos livrar da maior das zicas que nos acompanhavam nesta temporada: ficamos 104 dias sem vencer fora de casa. O três a zero que nos leva à liderança temporária do Grupo F da Sul-Americana foi apenas a terceira vitória longe de Porto Alegre desde o início do ano.

Luis Castro repetiu a escalação com três zagueiros, mas colocou apenas um volante à frente deles. Esperava que William conseguisse suprir a ausência de mais um marcador no meio e chegasse à frente. Se não alcançou êxito com nosso capitão, foi recompensado pelo desempenho de Mec, que parece ter assumido de vez a posição de titular. O guri foi zica: driblou adversários, distribuiu o jogo e cavou faltas.

Caído pela esquerda e sempre cortando para dentro em direção ao gol, Amuzu foi zica também. Voltou muito bem da lesão. Mais uma vez, foi o atacante mais perigoso. Fez o segundo gol ao completar uma belíssima triangulação com Carlos Vinicius e Mec. Antes, já havia sido dele o drible dentro da área que provocou o pênalti no primeiro tempo. Lance que nos livrou de outra zica: Carlos Vinicius, que havia errado três cobranças na partida da semana passada e vinha de dois gols anulados, impôs-se com personalidade e confiança. Marcou seu décimo quarto gol na temporada.

O terceiro gol também foi bonito. E teve mérito inicial de Pavón, que já foi zica no mau sentido e, com um esforço brutal, improvisado na lateral, conseguiu reverter essa imagem. Ele cobrou a falta que explodiu na barreira e deixou a bola pronta para o contra-ataque adversário. Foi o próprio Pavón quem apareceu para marcar e, de carrinho, impedir a ação ofensiva. Com a bola recuperada, tabelou, chegou à linha de fundo e cruzou para Braithwaite. O dinamarquês fez um golaço, o primeiro desde a parada de nove meses por lesão. Outra zica da qual nos livramos nesta noite.

Entre trancos e barrancos, Luis Castro segue no desafio de reconstruir o time. Nas últimas oito partidas, a equipe não sofreu gols em sete. Isso não significa que os problemas defensivos estejam resolvidos. Há muito posicionamento para ser ajustado. Ganhamos fora de casa, finalmente, mas sem nenhuma ilusão de que o resultado se repetirá automaticamente nas demais competições. Ainda é preciso melhorar muito. Alguns jogadores zicas, porém, me dão esperança de que podemos encontrar um caminho com menos zicas pela frente. A começar domingo quando vamos enfrentar o time do Zico.

Quando o ouvinte é o personagem, o rádio cresce e a entrevista esclarece

No rádio, às vezes, uma pergunta vale mais do que uma resposta longa e cheia de números.

Hoje, ao entrevistar Régis Dudena, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, sobre o Desenrola 2.0, escolhi começar a conversa criando um personagem. Um brasileiro que ganha cerca de oito mil reais, tem parte da renda comprometida com consignado, está enrolado no cartão de crédito, no cheque especial e atrasou contas da loja onde costuma comprar.

Era um personagem fictício apenas no nome. Porque, na prática, ele representa milhares de pessoas que estavam ouvindo o rádio naquele instante. Aliás, milhões de brasileiros sufocados por dívidas e que podem se beneficiar das regras anunciadas pelo Governo Federal.

Sempre gostei desse tipo de entrevista. Ela transforma um assunto técnico em uma conversa possível. Sai o economês. Entra a vida real.

Quando o ouvinte consegue se enxergar dentro da pergunta, ele entende melhor a resposta. A entrevista deixa de ser apenas uma prestação de serviço e passa a cumprir uma das funções mais bonitas do rádio: criar companhia, identificação e acolhimento.

O rádio tem essa força. Ele fala com milhões, mas preserva a sensação de conversa individual. Como se cada pergunta fosse feita da mesa da cozinha, do volante do carro ou no caminho para o trabalho.

Talvez por isso eu goste tanto do rádio e dessas entrevistas. Elas nos lembram que comunicação não é despejar informação. É construir pontes para que a mensagem faça sentido na vida de alguém.

Quanto à entrevista com o secretário do Ministério da Fazenda, Régis Dudena, que teve o mérito de ser didático nas respostas e ajudar o ouvinte a ficar mais bem informado, você pode acompanhar o vídeo disponível neste post.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a brasilidade vira estratégia 

Foto de Bia Santana on Pexels.com

As marcas brasileiras estão redescobrindo o valor de contar suas próprias histórias. Um tema que já foi motivo de conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e foi retomado recentemente, a partir de pesquisa que Jaime Troiano e Cecília Russo estão desenvolvendo. O resultado final ainda não está pronto, mas nossos comentaristas anteciparam algumas das ideias que apareceram até o momento.

O movimento de brasilidade não surgiu por acaso. Ele parte da percepção de que cresce o interesse por elementos culturais, artísticos e até esportivos que nascem no Brasil e ajudam a formar identidade. Ao mesmo tempo, uma análise de mercado mostra que empresas nacionais passaram a incorporar esses traços no jeito de se comunicar.

Jaime Troiano resume essa mudança ao afirmar que “é um movimento de aproveitar elementos da cultura, da vida brasileira, no branding de nossas marcas” . Branding, aqui, pode ser entendido como o conjunto de ações que constroem a imagem e a personalidade de uma marca.

Durante décadas, o caminho foi outro. O próprio Troiano lembra que o marketing brasileiro seguiu um padrão “mimético”, ou seja, baseado na cópia de referências estrangeiras, sobretudo americanas. A virada acontece quando esse padrão passa a conviver com outro movimento, mais autoral, que valoriza o que nasce no país.

Na prática, isso significa equilibrar influências externas com características locais. É o que ele descreve como uma busca por algo mais “profético”, que nasce das próprias raízes e projeta um futuro com identidade própria.

Os exemplos ajudam a entender. Marcas como Farm e Hering constroem ambientes e narrativas que remetem imediatamente ao Brasil. Não é apenas estética. É linguagem, clima, repertório cultural. Uma loja, nesse caso, funciona quase como um território simbólico.

Cecília Russo reforça que esse caminho não é isolado. “É nossa e de muitas empresas que estão trilhando esse caminho”, afirma . Ela cita a Havaianas como um caso emblemático. A marca conseguiu transformar um produto simples em um símbolo reconhecido globalmente, associado ao estilo de vida brasileiro.

Cecília amplia o olhar ao lembrar que esse processo tem raízes históricas. Movimentos como a Semana de Arte de 1922, a Tropicália e a Bossa Nova já buscavam afirmar uma identidade nacional diante de influências externas. As marcas seguem essa mesma trilha, como reflexo do comportamento da sociedade.

Outros exemplos aparecem nesse cenário: Melissa, com linguagem urbana e tropical; Dengo, que explora o cacau e a natureza; Ypê, que carrega no nome e na comunicação referências diretas ao país; e até o Itaú, cuja origem do nome em tupi-guarani reforça esse vínculo.

O resultado é uma mudança de postura. Em vez de esconder a origem, as marcas passam a evidenciá-la. Em vez de copiar, reinterpretam. Em vez de seguir padrões prontos, constroem repertórios próprios.

A marca do Sua Marca

Valorizar a própria cultura não significa rejeitar o que vem de fora, reforça Jaime Troiano. O aprendizado está no equilíbrio: usar referências globais sem abrir mão da identidade local. Marcas que conseguem fazer isso deixam de ser genéricas e passam a ser reconhecidas com mais clareza.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O eleitor busca candidato independente mas vota na polarização, analisa Felipe Nunes, da Quaest

A pesquisa Genial/Quaest mais recente, feita em dez estados, que mediu a opinião do eleitor para as disputas estaduais trouxe um dado curioso. Mesmo com a polarização forte na disputa nacional, o eleitor demonstra cansaço desse ambiente dividido.

Segundo Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, que entrevistamos hoje pela manhã, no Jornal da CBN, há uma preferência por governadores mais independentes, menos ideológicos e focados nos problemas locais. Um desejo que nem sempre se transforma em voto.

Tenho a impressão de que essa dissociação entre o que o eleitor diz ao pesquisador e o que decide na urna tem a ver com uma frase muito usada pelo meu colega e especialista em branding Jaime Troiano: o consumidor diz o que pensa e faz o que sente.

O entrevistado garante que vai escolher um produto mais saudável ou mais sustentável. Na hora da decisão, porém, leva para casa aquilo que desperta desejo, hábito ou confiança. Diante do entrevistador, a pessoa defende o consumo de produtos que respeitam o meio ambiente; na gôndola, leva aquele que cabe no bolso, a despeito dos ingredientes usados.

Ao ouvir Felipe Nunes não resisti à comparação. Quando exposto a pergunta se prefere um candidato ao governo do seu estado mais lulista, independente ou bolsonarista, a maioria fica na coluna do meio. Foi assim em São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas, Paraná e Pará. 

A pergunta que fica é: será que é isso que ele fará?

A política tem uma particularidade que a diferencia do consumo. No supermercado, a prateleira está cheia de opções. Na eleição, o cardápio é limitado. Quem escolhe o que está disponível não é o eleitor — são os partidos, explica Nunes E, até aqui, eles seguem oferecendo opções fortemente alinhadas aos polos tradicionais.

Esse desencontro entre desejo e oferta cria um ruído interessante. O eleitor declara preferência por um caminho mais moderado, mas pode não encontrar uma alternativa viável que represente essa escolha. Diante disso, tende a voltar ao conhecido. Não necessariamente por convicção, mas por falta de opção.

Há também o fator emoção, que não pode ser subestimado. A identidade política, o sentimento de pertencimento, a rejeição ao adversário, tudo isso pesa na decisão final. Muito mais do que a resposta racional dada ao pesquisador.

Na política, a metáfora ganha outra dimensão. O eleitor pode afirmar que quer equilíbrio, mas, diante da urna, pode ser guiado por lealdades, medos ou expectativas que não aparecem com a mesma clareza na pesquisa.

No fim das contas, a frase que nasceu no marketing parece dialogar bem com o cenário eleitoral: o eleitor diz o que pensa. Resta saber o que ele vai sentir na hora de votar.

E, principalmente, se haverá, de fato, uma opção que permita transformar esse desejo em escolha real.

Avalanche Tricolor: um ponto fora de casa e algumas fatias de torta

Athletico-PR 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada, Curitiba PR

Athletico-PR x Grêmio
Gabriel Mec em jogada de ataque. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um ponto ganho ou dois perdidos? Para quem ainda busca estabilidade na temporada, ponto fora de casa deve sempre ser comemorado. Sobretudo diante de um adversário que tem sido imbatível quando está frente à sua torcida. A maioria dos que passam por lá sai de bolso vazio. Não tem o que festejar.

A lamentar, o fato de não sabermos, mais uma vez, usar a nosso favor a superioridade numérica. A expulsão de um dos jogadores adversários poderia ter sido mais bem aproveitada. Luis Castro preferiu ser conservador e manter a principal novidade na escalação: três zagueiros. Ao menos conseguiu conter a força ofensiva do time da casa. Não arrisco dizer que foi esse o motivo que nos impediu de vencer.

Em um raro momento da minha jornada de torcedor, não pude assistir à partida de hoje. Uma amiga querida estava aniversariando, e estar ao lado dela para comemorar esse momento me parecia mais apropriado. Entre conversas divertidas, companhia de amigos e comida de qualidade, fiquei de olho nas atualizações que piscavam na tela do celular. Teria sido a ansiedade que me levou a comer tantas tortas, quitutes e docinhos?

Sem assistir à partida, contentei-me com os melhores momentos quando cheguei em casa. Mas esse resumo do jogo nem sempre está à altura do desempenho de uma equipe. Tanto esconde falhas como pode omitir momentos de qualidade. Fui ler alguns comentários em redes sociais e reportagens. Pouco ajudou. A incerteza sobre a performance gremista nesta noite de sábado ficou mais confusa que o nosso meio de campo sem Arthur.

Consta que Tetê fez sua melhor apresentação desde que retornou à equipe. Por outro lado, houve quem reforçasse as críticas ao nosso atacante. De minha parte, quero crer que ele ainda desencantará e se tornará um jogador decisivo na temporada. Lembre-se: meus níveis de glicose e insulina estão altos neste momento — a torta de chocolate estava deliciosa.

Por mais que ainda estejamos perseguindo três pontos fora de casa, voltar a Porto Alegre com o empate nos mantém praticamente na mesma posição da tabela. Pode ser que seja apenas reflexo da minha felicidade por ter estado com colegas e amigos — e por não ter visto o jogo jogado por nosso time —, mas vou dormir com a sensação de que o ponto conquistado tem seu valor e merece ser comemorado. Entre a mesa cheia e o placar vazio, fico com a sensação de que o empate encontrou seu lugar.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o consumo atravessa fronteiras e amplia identidades

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As marcas deixaram de caber em um território. Basta observar um movimento que já faz parte da sua, da minha rotina: compramos de fora, estudamos fora, investimos fora — e, muitas vezes, sem sequer perceber de onde vem aquilo que consumimos. Um desafio aos gestores de marca, como alertaram Jaime Troiano e Cecília Russo na conversa que tivemos neste sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Outro dia, navegando por um site de compras, me dei conta de que aquele produto que parecia tão próximo vinha, na verdade, de outro continente. Não era exceção. É regra. Como resumiu Cecília Russo: “o consumo hoje não tem mais um endereço único”. A frase parece simples, mas carrega uma mudança profunda. O endereço deixou de ser geográfico e passou a ser simbólico.

Entramos em uma loja física no Brasil e levamos para casa algo produzido na Ásia. Abrimos um aplicativo e encontramos a etiqueta “compra internacional” com a mesma naturalidade de quem escolhe entre tamanhos e cores. A origem já não é o fator decisivo. É o desejo que fala mais alto.

Esse movimento vai além do carrinho de compras. Está nos jovens que buscam intercâmbio ainda no ensino médio. Está nas famílias que reorganizam a vida para estudar fora. Está nas plataformas que conectam estudantes a universidades estrangeiras. Nesses casos, não se compra apenas um serviço. Compra-se um projeto de vida.

Há também o dinheiro que atravessa fronteiras. Contas em dólar, investimentos fora do país, novas formas de proteger o patrimônio. Você haverá de lembrar quando uma viagem ao exterior exigia uma visita à casa de câmbio e nos obrigava a levar um maço de dinheiro estrangeiro na bolsa. Cecília sintetiza bem: essas empresas “vendem mais do que uma conta. Elas vendem tranquilidade, segurança, a ideia de expansão”. No fundo, vendem a sensação de que o mundo ficou maior.

Jaime Troiano ajuda a entender o que está por trás desse comportamento. Ele fala de algo que não aparece na etiqueta do produto. “Há um sentimento por trás de que eu não tenho limites, que o mundo é todo meu”. É quase um jogo de conquista. Quem já brincou de War entende a metáfora.

A curiosidade também entra em cena. Experimentar o novo. Sair do conhecido. Testar sabores, culturas, experiências. Nem todos se jogam com a mesma intensidade, mas a possibilidade está aberta. E isso já muda a relação com as marcas.

Há ainda um elemento silencioso: o desejo de pertencer. Consumir algo que vem de longe pode sinalizar a entrada em um grupo mais restrito. Lembro do que significava jogar basquete com um tênis All Star cano longo nos meus tempos de adolescente. Ter um daqueles pares de tênis dava a impressão de que jogávamos muito mais do que realmente éramos capazes. Para comprá-los, precisávamos da colaboração de algum conhecido que viajasse aos Estados Unidos. Eu tive de me contentar com um Charrua, comprado na fronteira do Rio Grande do Sul — mais acessível.

Como em toda escolha, existe o cálculo. Preço, oportunidade, proteção do dinheiro. “Há sempre alguma coisa ligada à ideia de fazer um bom negócio”, lembra Jaime. O racional acompanha o emocional. Caminham juntos.

No meio desse cenário amplo, uma pergunta se impõe: se tudo pode vir de qualquer lugar, o que mantém a relação entre marca e consumidor?

A marca do Sua Marca

Quando o consumo atravessa fronteiras, a confiança precisa ser o ponto de ancoragem. Produtos circulam, serviços se deslocam, experiências se multiplicam. O que permanece é a segurança de que aquela escolha vale a pena.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: uma greve no caminho do meu primeiro dia de trabalho

Fatima Novais

Ouvinte da CBN

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Em 1978, aos 16 anos, cursando o último ano do colegial, iniciei o que seria minha carreira no sistema bancário. Feliz da vida, dia 13 de setembro de 1978, recebi orientações para ir sozinha de ônibus para o centro da cidade. Primeiro dia de trabalho. Imagine a alegria.

Desci no Largo do Paissandu e entrei na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos — pedi proteção para aquele que seria o primeiro dia de muitos anos de trabalho. Caminhei até a rua Boa Vista, que era o centro financeiro e histórico de São Paulo. 

Assim que cheguei, algo totalmente inesperado aconteceu. Jovem, ingênua, pouco informada, ainda sem o hábito de ler os jornais, fui surpreendida. Era dia de greve dos bancários. Pessoas com bandeiras em mãos. Gritos de protesto. A cavalaria na rua. Policias com cacetetes em punho. Tentavam acertar quem passasse pela frente.

Chorando, em um local que ainda não conhecia. Morrendo de medo de perder meu emprego, sem ao menos ter começado. Foi quando por sorte — dessas que só São Paulo para proporcionar — encontrei um anjo. Daquelas pessoas que cruzam nossa vida quando mais precisamos — quero crer que foi obra daquela ida a Igreja. Pedi uma ajuda. Precisava de uma orientação do que fazer. Não havia celular para ligar para casa, falar com os pais. 

O anjo, que conhecia bem a região, me indicou um caminho que estava livre e permitia entrar no banco, pelos fundos, em uma portaria na 25 de Março. 

Com essa ajuda fugi dos riscos daquele confronto e me abriguei no prédio onde haveria de iniciar meu primeiro emprego, contratada para ser conferente de dados. Eu tinha de verificar as informações em listagens imensas emitidas pelos computadores.Algo impensável para os dias de hoje mas que deu início a construção de uma história de quase 48 anos no mercado de trabalho, em São Paulo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatima Novais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros cap[itulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: fonoaudióloga Juliana Algodoal alerta que a forma de falar impacta saúde e resultados

Mundo Corporativo com Juliana Algodoal
Juliana Algodoal em entrevista no estúdio da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A pessoa que fala é responsável por fazer o outro se sentir bem ou mal.”

A comunicação está no centro das relações de trabalho e influencia diretamente decisões, clima organizacional e saúde mental das equipes. Em ambientes pressionados por resultados e mudanças tecnológicas, a forma como líderes e profissionais se expressam pode fortalecer vínculos ou gerar ruídos que afetam o desempenho. Esse foi o tema da entrevista com Juliana Algodoal no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao longo da conversa, Juliana destacou que a comunicação vai além da clareza. Envolve intenção, emoção e contexto. “Se uma pessoa que está na liderança não se preocupa em ter clareza na forma de falar e garantir a intenção, na emoção da voz que ela exprime, a pessoa que escuta pode interpretar de diversas formas”, afirmou.

Comunicação, percepção e responsabilidade

A autora do livro Inteligência Humana e Comunicativa: Potencialize sua voz (ed Memorável) chama atenção para um ponto sensível: quem fala precisa assumir a responsabilidade pelo efeito da mensagem. Isso inclui ajustar tom de voz, escolha de palavras e até o ritmo da fala. “Eu é que tenho que me preocupar em ter clareza na forma de falar para você se sentir bem ou mal”, disse.

Esse cuidado se torna ainda mais relevante em posições de liderança. A ausência de alinhamento entre o que se diz e como se diz pode gerar interpretações equivocadas e conflitos internos. Segundo Juliana, muitos problemas nas empresas começam na falta de clareza e na ausência de verificação do entendimento.

Ela também aponta que ouvir faz parte do processo. “A percepção que eu tenho quando eu escuto alguma coisa, ela é a partir da minha história de vida”, explicou, ao destacar que comunicação é sempre uma via de mão dupla.

Feedback: ponto de tensão e de desenvolvimento

Entre as situações mais desafiadoras no ambiente corporativo está o feedback. “Feedback sempre, porque as pessoas têm a imagem de que feedback é ruim e isso não é verdade”, afirmou.

Juliana apresentou três caminhos práticos para tornar esse processo mais produtivo:

  • começar por um ponto positivo, abordar o que precisa melhorar e encerrar com apoio;
  • entender a expectativa de quem pede o retorno;
  • ou tratar primeiro o ponto mais crítico e finalizar com reforço positivo.

A ideia é que a forma como o feedback termina influencia a forma como ele será recebido. “Se você termina com feedback positivo, a pessoa sai assim: ‘Ah, não tá tão ruim’. Deixa eu ver o que eu tenho que fazer agora”, explicou.

Para quem recebe críticas, a recomendação é ativa: perguntar, pedir exemplos e filtrar o que faz sentido. “Eu sou favorável de que as perguntas abertas fazem uma boa conversa”, disse.

O silêncio que atrapalha e o que ajuda

O silêncio também ganhou destaque na entrevista. Quando usado como ausência de liderança, ele desorienta equipes. “O líder que faz silêncio ele não lidera, ele não inspira, ele não leva o time para frente”, afirmou.

Por outro lado, há um silêncio produtivo: aquele que permite reflexão antes da resposta. “Espera, internaliza, pensa: o que é de verdade que essa pessoa tá me perguntando?”, orientou.

Esse equilíbrio entre falar e escutar, segundo Juliana, é essencial para melhorar a qualidade das interações.

A entrevista também abordou o impacto das mudanças no mundo do trabalho. Com o avanço da tecnologia, cresce a necessidade de fortalecer habilidades humanas. “A inteligência artificial cresceu, a empresa tá percebendo que ela tem que investir mais em comunicação. Por quê? Porque o relacionamento humano tá se tornando mais importante”, afirmou.

Nesse cenário, comunicação deixa de ser um complemento e passa a ser competência central.

Juliana resume esse movimento com uma provocação simples: “Todos nós podemos melhorar, basta querer e escolher um primeiro passo”.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.