“A pessoa que fala é responsável por fazer o outro se sentir bem ou mal.”
A comunicação está no centro das relações de trabalho e influencia diretamente decisões, clima organizacional e saúde mental das equipes. Em ambientes pressionados por resultados e mudanças tecnológicas, a forma como líderes e profissionais se expressam pode fortalecer vínculos ou gerar ruídos que afetam o desempenho. Esse foi o tema da entrevista com Juliana Algodoal no programa Mundo Corporativo, da CBN.
Ao longo da conversa, Juliana destacou que a comunicação vai além da clareza. Envolve intenção, emoção e contexto. “Se uma pessoa que está na liderança não se preocupa em ter clareza na forma de falar e garantir a intenção, na emoção da voz que ela exprime, a pessoa que escuta pode interpretar de diversas formas”, afirmou.
Comunicação, percepção e responsabilidade
A autora do livro Inteligência Humana e Comunicativa: Potencialize sua voz (ed Memorável) chama atenção para um ponto sensível: quem fala precisa assumir a responsabilidade pelo efeito da mensagem. Isso inclui ajustar tom de voz, escolha de palavras e até o ritmo da fala. “Eu é que tenho que me preocupar em ter clareza na forma de falar para você se sentir bem ou mal”, disse.
Esse cuidado se torna ainda mais relevante em posições de liderança. A ausência de alinhamento entre o que se diz e como se diz pode gerar interpretações equivocadas e conflitos internos. Segundo Juliana, muitos problemas nas empresas começam na falta de clareza e na ausência de verificação do entendimento.
Ela também aponta que ouvir faz parte do processo. “A percepção que eu tenho quando eu escuto alguma coisa, ela é a partir da minha história de vida”, explicou, ao destacar que comunicação é sempre uma via de mão dupla.
Feedback: um ponto de tensão — e de desenvolvimento
Entre as situações mais desafiadoras no ambiente corporativo está o feedback. “Feedback sempre, porque as pessoas têm a imagem de que feedback é ruim e isso não é verdade”, afirmou.
Juliana apresentou três caminhos práticos para tornar esse processo mais produtivo:
- começar por um ponto positivo, abordar o que precisa melhorar e encerrar com apoio;
- entender a expectativa de quem pede o retorno;
- ou tratar primeiro o ponto mais crítico e finalizar com reforço positivo.
A ideia é que a forma como o feedback termina influencia a forma como ele será recebido. “Se você termina com feedback positivo, a pessoa sai assim: ‘Ah, não tá tão ruim’. Deixa eu ver o que eu tenho que fazer agora”, explicou.
Para quem recebe críticas, a recomendação é ativa: perguntar, pedir exemplos e filtrar o que faz sentido. “Eu sou favorável de que as perguntas abertas fazem uma boa conversa”, disse.
O silêncio que atrapalha e o que ajuda
O silêncio também ganhou destaque na entrevista. Quando usado como ausência de liderança, ele desorienta equipes. “O líder que faz silêncio ele não lidera, ele não inspira, ele não leva o time para frente”, afirmou.
Por outro lado, há um silêncio produtivo: aquele que permite reflexão antes da resposta. “Espera, internaliza, pensa: o que é de verdade que essa pessoa tá me perguntando?”, orientou.
Esse equilíbrio entre falar e escutar, segundo Juliana, é essencial para melhorar a qualidade das interações.
A entrevista também abordou o impacto das mudanças no mundo do trabalho. Com o avanço da tecnologia, cresce a necessidade de fortalecer habilidades humanas. “A inteligência artificial cresceu, a empresa tá percebendo que ela tem que investir mais em comunicação. Por quê? Porque o relacionamento humano tá se tornando mais importante”, afirmou.
Nesse cenário, comunicação deixa de ser um complemento e passa a ser competência central.
Juliana resume esse movimento com uma provocação simples: “Todos nós podemos melhorar, basta querer e escolher um primeiro passo”.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.









