Adote um Vereador: um bate-papo sobre cidadania, tecnologia e política municipal

 

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Havia um ar de agitação no entorno da mesa que reúne os integrantes do Adote um Vereador, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, no sábado à tarde. Pouco a ver com o que aconteceria a alguns quilômetros dali, na avenida Paulista —- onde cidadãos se pronunciariam a favor da prisão para condenados em segunda instância —-, ou bem mais distante do que já se realizava em São Bernardo do Campo —- onde Lula, livre, falava para seu público.

 

Ali, diante de uma mesa que acumulava copos de suco, xícaras de café, pratos de alguma refeição já consumida e muita curiosidade, estávamos todos sentados por uma mesma ideia —- mesmo que nossas ideias nem sempre sejam as mesmas. É uma característica do Adote um Vereador desde seu início, em 2008, reunir pessoas que pensam de maneira diferente mas se aproximam quando o assunto é valorizar o papel do cidadão.

 

A convite da Silma e da Lucia, que circulam também pelos conselhos de segurança de bairros da região central, o vereador paulistano Caio Miranda do PSB esteve por lá para conversar de política municipal, processos legislativos e outras pautas que surgissem ao longo da conversa.

 

Os encontros mensais do Adote não costumam ter pauta nem decisão formal. São informais por convicção. A partir das duas da tarde —- até um pouco antes —-, a mesa vazia começa a ganhar a presença das pessoas. Puxa-se a mesa vizinha a medida que as cadeiras não têm mais espaço. Há sábados —- e os encontros sempre ocorrem no segundo do mês —- em que basta uma mesa pequena. No desse fim de semana, tivemos de arrastar mesa e cadeira para caber todo mundo.

 

Os “velhos” agitadores de sempre estavam por lá. Uma gente que se mexe no bairro em que mora ou nas causas que defende. No Adote tem cidadão que milita pela saúde, pelo meio ambiente, pela limpeza pública, pelo uso da tecnologia ou pela melhoria de vida do outro e da sua região. Tem que milita por tudo isso e ainda mais.

 

Na mesa do café do Pateo não se faz nada —- além de conversar de maneira entusiasmada ou indignada. O que se faz, se faz longe dali. Na associação de bairro e na associação comercial, no conselho de seguranças e no conselho de parques, nos mais diversos fóruns e reuniões que ocorrem em algum canto da cidade. Se faz na câmara municipal, assistindo às reuniões de comissões, as votações em plenário e às audiências públicas. Participa-se de outros encontros promovidos na Casa, também.

 

Ao vereador, coube-me apresentar o grupo e nossas motivações. Não deixei de contar o que fizemos no “verão passado”, vivido nos primeiros cinco anos do Adote, quando éramos muito mais, espalhados, diversos e fuçadores — a ponto de provocarmos algumas mudanças de comportamento no legislativo e alcançarmos algumas conquistas como a publicação dos gastos dos vereadores e as transmissões de audiências e reuniões das comissões, na internet —- , um avanço importante que mexeu com a atitude de parlamentares e aumentou o quorum.

 

Caio Miranda expressou surpresa ao descobrir que quando começamos há 11 anos era tudo mato —- claro que a expressão é exagerada, mas que tínhamos acesso restrito às informações da câmara municipal de São Paulo, não tenho dúvida! Falou de procedimentos que atrapalham o trabalho legislativo, como o excesso de projetos de lei apresentados — a maioria sem respaldo jurídico para ter seguimento na casa, mas que muitas vezes vão em frente, congestionam a pauta e geram custo.

 

Ouviu sugestões de alguns dos nossos, especialmente da necessidade de se abrir cada vez mais a Câmara para a tecnologia, que ajuda no controle do gasto, na fiscalização dos atos e na agilidade dos processos. O tema da tecnologia seguiu na conversa quando falamos de limpeza pública e o vereador disse que pretende propor uma espécie de “ubernizarção” da coleta, como forma de evitar que o lixo permaneça mais tempo do que necessário na calçada e se combata os “pontos viciados”, onde a demora na retirada do material incentiva outras pessoas a acumularem ainda mais lixo.

 

Foi uma conversa saudável que tivemos, como sempre costuma ser.

 

Em particular, motivadora, pois confesso que esmoreço ao medir o resultado do Adote nesses últimos cinco ou seis anos. Mas quando deparo com a energia dessa turma e a crença de que se faz algo para melhorar a qualidade de nossa cidade, recarrego as forças para o próximo encontro, para o próximo ano.

Avalanche Tricolor: lição (fora) de casa

 

Chapecoense 0x1 Grêmio
Brasileiro — Arena Condá, Chapecó/SC

 

Gremio x Chapecoense

Luciano marca de bicicleta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em cinco jogos, cinco vitórias. Essa é a campanha do Grêmio desde que foi obrigado a se dedicar exclusivamente ao Campeonato Brasileiro. Nessas cinco rodadas, tinha um objetivo traçado, o qual está cada vez mais próximo, apesar de ainda não estar confirmado: voltar pela porta da frente a Libertadores. Para isso, precisa estar entre os quatro primeiros colocados até o fim do Brasileiro.

 

Sabia que para alcançar a meta precisaria recuperar os pontos deixados no meio do caminho quando ainda tinha foco em outras competições.  E passou a fazê-lo, jogo após jogo. O que interessava era a vitória. Algumas vieram com tranquilidade, outras com emoção e ainda houve as com sofrimento. Seja como for, fez a  lição de casa (e fora de casa, também) e contou com a ajuda de adversários diretos pela classificação que tropeçaram aqui e acolá. 

 

Desde o meio de semana, ocupa espaço no G4 e encerrou mais uma rodada com a posição consolidada. Terá jogos difíceis daqui até o fim do Campeonato e, por isso, essa sequência de vitórias foi importante, mesmo que na de hoje tenha resumido seu desempenho aos dois primeiros minutos de jogo — e que dois minutos incríveis foram aqueles. 

 

O gol de Luciano — que parece começa a se sentir mais à vontade na equipe — foi genial tanto quanto oportuno. Após a cobrança de escanteio e o cabeceio de David Braz, nosso atacante acertou uma bicicleta dentro da pequena área. Falo de o gol ter sido tão genial quanto oportuno porque desconstruiu com o ânimo e a energia do adversário, acostumado a pregar peças no Grêmio em outras épocas. Por exemplo, no primeiro turno, em casa, empatamos em 3 a 3. Lembra?

 

Do gol em diante, tive a impressão de que o Grêmio não via hora de a partida acabar —  como se já tivesse feito a lição (fora) de casa pedida pelo professor. Arriscou algumas jogadas no ataque, manteve a bola no pé enquanto pode e se esforçou para reduzir os danos lá atrás. Depois dos riscos que corremos na partida do meio da semana, quando também havíamos aberto a vantagem logo no início da partida, era bom não bobear. 

 

 

 

 

 

Avalanche Tricolor: foi sofrido mas foi gostoso

 

 

Grêmio 2×1 CSA
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x CSA

Everton deu passe para os dois gols Foto de LUCASEUBEL/GRÊMIOFBPA

 

Dias difíceis e ocupados esses últimos que vivi. Seja pelo excesso de compromissos, seja pela densidade do noticiário. Nesse escaninho —- o do noticiário —-, tivemos PEC para colocar a Previdência de estados e municípios no prumo, tivemos PECs para por a conta do estado brasileiro no rumo, tivemos leilões de petróleo para embolsar uma grana —- e entrou menos do que calculavam —- e tivemos votos para liberar geral —— ops, liberar aqueles que a Justiça disse que meteram a mão no nosso bolso e reservaram uma parte para contratar bons advogados que vão recorrer até o juízo final.

 

No escaninho dos compromissos, ocupado por causas bem mais nobres, vivenciei experiências incríveis, como falar para uma centena de jovens que estão entrando no mercado de trabalho ou pretendem fazer isso assim que a economia der uma melhorada —- o que fiz nessa quinta-feira, patrocinado pelo CIEE, em Goiânia. Ou falar com profissionais, gestores e empresas sobre a importância de se investir na diversidade, como fiz na quarta-feira na HSM Expo Management, a convite da CBN.

 

Coloque na agenda de compromissos —- e nesse caso nem tão ricos assim —- os transtornos proporcionados pelas companhias aéreas que chegam atrasadas para levar você a algum lugar e se atrasam ainda mais para entregar você naquele lugar. Foi assim no fim de semana passado quando estive em Porto Alegre. Foi assim na noite de quinta-feira quando estava em Goiânia. Por coincidência, com o patrocínio da mesma empresa aérea. Estaria na hora de repensar minha fidelidade?

 

Diante da agenda atribulada e das encrencas aéreas, apenas consegui me recuperar agora à noite quando lembrei que não havia cumprido com o compromisso de compartilhar minhas sensações e pensamentos com você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. Nosso Grêmio … melhor, o meu Grêmio havia jogado na noite passada e eu sequer havia aberto um post neste blog para exaltar nosso resultado.

 

Com os transtornos aéreos, fui levado a assistir à primeira parte do jogo de quinta-feira à noite na tela do meu celular. Até onde a prudência me permitiu, mantive o celular conectado a bordo. E tive o privilégio de assistir a um início de jogo arrebatador que culminou com o primeiro gol, após uma escapada veloz de Everton, um passe preciso dele e o arremate final de Diego Tardelli. Parecia o inicio de uma goleada, o que o tempo provou ser uma ilusão.

 

Após o piloto do voo usar de todas as estratégias para chegar à capital paulista antes de o aeroporto de Congonhas fechar —- o que nos obrigaria a aterrisar em Guarulhos, que representaria ao menos mais uma hora e meia de atraso para estar em casa —, voltei a acessar meu celular e conferir o que imaginava ser a goleada gremista. Foi quando descobri que havíamos passado por momentos de “sofrência” inimagináveis, se levarmos em consideração a superioridade técnica de nosso time em relação ao adversário.

 

Depois de sofrermos o empate em cobrança de falta quase no fim do jogo, Everton foi audacioso, mais uma vez. Partiu para cima do adversário, desvencilhou-se do marcador e cruzou uma bola traiçoeira para a área. Luciano forjou um cabeceio, mas quem acertou em cheio foi seu marcador que desviou a bola para dentro do gol.

 

Foi sofrido, mas foi gostoso. O jogo e a semana.

 

Ainda bem que já chegou o fim de semana.

Mundo Corporativo: Breno Paquelet ensina estratégias para negociar melhorias nas condições de trabalho

 

“Para avaliar o seu possível aumento é preciso analisar três aspectos principais: primeiro, merecimento; segundo, viabilidade; e, terceiro, e aí sim, convencimento dos tomadores de decisão” Breno Paquelet, consultor de negociação.

Sabe aquele reajuste de salário que você tem certeza que merece, mas morre de medo de pedir ao seu chefe? É possível abordá-lo para tratar do assunto sem causar constrangimento. E, claro, esteja preparado para ouvir um não. Breno Paquelet, consultor de negociação, falou do tema em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo. Ele alertou para o fato de que mesmo em um caso de negativa de aumento, o profissional pode tirar alguma vantagem dessa conversa:

“Uma derrota ou um fim em si mesmo, ali na negociação, é quando um não é seco e você não consegue extrair nada dele. Se um não vem com o seu entendimento de um compromisso que você precisa assumir, resultados que você deveria demonstrar, você aprende muito mais e pode voltar para uma segunda conversa uma segunda rodada com um entendimento muito melhor que você precisa fazer para você viabilizar o seu aumento”.

Paquelet é autor do livro “Pare de ganhar mal —- manual de negociação para aumentar seu salário e sua qualidade de vida” (Editora Sextante). Ele ressalta que a negociação precisa levar em consideração não apenas um reajuste salarial, porque esse nem sempre é possível, mas a possibilidade de se obter algum outro benefício ou vantagem que impacte na melhoria das condições de trabalho, na infraestrutura oferecida pela empresa ou na qualidade de vida.

 

Uma das sugestões do consultor é que antes de iniciar o processo de negociação, o profissional analise sua performance, identifique suas fortalezas e fragilidades:

“Quanto mais honesta for a sua auto-análise, mais chances de a sua estratégia ser bem sucedida, se você negar os seus problemas, negar a realidade você terá uma visão totalmente distorcida do que pode obter e com certeza vai ser uma estratégia furada”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Gabriela Varela, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: paraíso de muito amor!

 

Por Célio Conrado Rodrigues
Ouvinte CBN

Texto publicado no livro “O Poema que não escrevi”

 

 

 
Mais uma vez,
do jeito que eu sei,
quero só agradecer
pelo abraço sincero
que eu e milhões talvez,
na aurora de nossas vidas…
recebemos de você.

 

Mais uma vez,
tal como um filho adotivo,
trago mil motivos no peito,
para externar todo o meu respeito
a essa mãe tão linda
que um dia,
sem perguntar porque,
estendeu a sua mão
e nos fez feliz prá valer.

 

 
Obrigado, minha São Paulo,
tudo o que falo é pouco
para mostrar com palavras,
minha gratidão tão cara,
por tudo que temos,
por tudo que somos…
nesse paraíso de bem querer.

 

 
Obrigado, São Paulo…
você é mais, você é dez.
uma mistura tão bonita,
um coração tão forte,
o norte de nossas vidas
e no silêncio de sua bondade…
nos mostrou a realidade da vida.

 

 
Muitas vezes você sofre,
sujam e emporcalham as suas ruas,
suas águas, prédios e praças
e você acima do bem e do mal,
tal como a própria vida,
suporta tudo calada…
na esperança que o amanhã será melhor.

 

 
Obrigado, São Paulo…
por ontem, por hoje e sempre,
pela diversidade possível,
por tudo que sonhamos,
pelas tantas oportunidades,
pela sua eterna bondade…
nesse paraíso de muito amor!
 

 

 
Célio Conrado Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
 
 

O microfone merece respeito

 

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O diabo sabe mais por velho do que por diabo —- o ditado que ouvi muitas vezes de meu pai, uso sem parcimônia, especialmente nesses tempos em que os colegas de redação já têm idade para serem meus filhos e a turma, às vezes, fica a espera de uma palavra mais madura e experiente —- o que não significa que seja apropriada. Mesmo que eu me entenda ainda como um jovem, disposto a novidades e desafios, sei da responsabilidade que é conviver com duas ou três gerações que vieram depois de mim.

 

O passar dos anos nos ensina nem que seja pela dor. Cometemos erros, tomamos puxão de orelha e passamos constrangimento; mas tudo isso pode ser pedagógico, se soubermos observar as situações enfrentadas e nos esforçarmos para mudar de comportamento.

 

Lembro de duas situações constrangedoras que vivenciei na apresentação de programas de rádio que me serviram de lição, as duas quando estive à frente do CBN São Paulo.

 

A primeira foi em 2007, durante entrevista com autoridade municipal que insistia em negar os fatos e os números que revelavam a precariedade do serviço prestado pela cidade. Fiquei incomodado com as respostas e fui agressivo nas perguntas. Perdi o controle da entrevista, bati boca com o entrevistado e fui punido pela crítica implacável da maior parte dos ouvintes.

 

Anos depois, estava diante de candidato ao governo de São Paulo, representante de um partido sem noção nem argumentos. Fiz perguntas que entendi pertinentes, que buscavam esclarecer as críticas que o político fazia a seus adversários e escancarar a sua falta de lógica e conhecimento. Mesmo que insistindo em algumas questões, jamais levantei a voz ou me excedi. Minha postura tirou o candidato do sério. Sentido-se acuado, reagiu como um animal: partiu para o ataque; levantou-se da cadeira; apontou o dedo em minha direção; ofendeu-me e, acredito até hoje, não foi às vias de fato porque me mantive impassível, sereno e sentado. A maior parte das mensagens que chegou a rádio foi de solidariedade e apoio a minha postura.

 

Na marra. Fazendo. Errando. Corrigindo. Pedindo desculpas. Eu aprendi. E das muitas coisas que aprendi uma delas é que na posição de jornalista —- especialmente diante de um microfone, em que nossa voz, opinião e comportamento são transmitidos em tempo real —- temos responsabilidade dobrada.

 

É preciso respeito ao entrevistado, sem ser subserviente; é preciso ser firme na busca da verdade, sem ser violento; temos obrigação de questionar, duvidar e cobrar; e quanto mais argumentos, dados e fatos tivermos em mãos, para contrapor, melhor. Gritar e ofender, jamais —- mesmo que seu entrevistado haja desta maneira. Se errar, peça desculpas. Seja humilde. Humildade não é vergonha, é virtude.

 

Entrevista não é boxe. É xadrez. Pede inteligência, sensibilidade e perspicácia. Jamais força e estupidez. Não tem lugar para a arrogância. É preciso senso de justiça, também. Deixar a entrevista encerrar para proferir uma crítica ao entrevistado é desonesto. Ele tem de ter o direito ao contraditório. Toda vez que criticar algo ou alguém, meça o peso de sua palavra e seja sincero, bem sincero, consigo mesmo: você teria coragem de fazer aquela crítica se estivesse diante da pessoa? Se não, não a faça longe dela. É covardia.

 

O microfone merece respeito. Porque é através dele que nos relacionamos com o cidadão — seja um entrevistado seja um colega seja um ouvinte. Respeitar o microfone é respeitar seu público e sua profissão.

 

Tem gente que nem por velho nem por diabo aprende a lição.

500 anos para reconhecer a CACHAÇA como fonte de divisas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Analisando os estudos e propostas apresentados no Simpósio SENAC de Bebidas, realizado em São Paulo, no dia 28 de outubro, podemos a priori afirmar que as cervejas artesanais, os vinhos de altitude e as cachaças têm em comum falhas no varejo e falta de divulgação adequada.

 

A última etapa do processo exige habilitação no ponto de venda para que as cervejas, os vinhos e as cachaças possam ser apresentados ao consumidor com as características e benefícios que possuem. Fato, que como se sabe, não é peculiaridade das bebidas, pois o varejo como um todo peca por colocar no front com o cliente as pessoas menos gabaritadas das etapas de produção e comercialização dos produtos.

 

Ao mesmo tempo a comunicação precisa ser ampliada e melhorada, aproveitando da regionalidade das cervejas artesanais e dos vinhos de altitude, a exemplo do que faz o produtor de queijos da Serra da Canastra. A cachaça, por sua vez com 800 milhões de litros produzidos por ano, cuja capacidade instalada é de 1,2 bilhão de litros, exporta apenas 8 milhões de litros.

 

Entretanto, a boa notícia é que estas fraquezas estão sendo enfrentadas pela ABRACERVA, VINHO DE ALTITUDE e IBRAC, entidades com o propósito de valorizar respectivamente a cerveja artesanal, o vinho de altitude e a cachaça, conforme expuseram Carlo Lapoli, Eduardo Basetti e Carlos Lima.

 

Uma rápida análise SWOT destacará a cachaça como um PRODUTO BRASIL, genuíno e ímpar, cuja FORÇA e OPORTUNIDADE são evidentes. Para tanto, Carlos Lima, presidente do IBRAC Instituto Brasileiro da Cachaça, atesta que o México exportou 1 bilhão de dólares de tequila enquanto exportamos 15 milhões de dólares de cachaça.  O sucesso mexicano é em grande parte devido a estrutura do setor, formatado pelo Conselho Regulador da Tequila, que é a referência para o IBRAC desenvolver a cachaça.

 

Fundado em 2006 e representando 80% da produção brasileira de todos os tamanhos de empresa,  nos últimos cinco anos o IBRAC obteve valiosos reconhecimentos do produto brasileiro, informa Lima. Assinou o Acordo de Cooperação Mútua com a SWA SCOTCH WHISKY ASSOCIATION, entidade representativa do setor produtivo do Scotch Whisky. Ficou estabelecida a cooperação para a divulgação e controle da prática de operações comerciais saudáveis, promoção do consumo responsável e promoção e proteção das indicações geográficas da CACHAÇA e do SCOTCH WHISKY. Com os Estados Unidos houve o reconhecimento da cachaça como produto distinto do Brasil, assim como da Colômbia, do México e do Chile no mútuo com a Tequila e o Pisco, respectivamente. O Acordo com o MERCOSUL a ser estendido pelo mercado europeu será outro marco significativo para o desenvolvimento da cachaça.

 

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No mercado interno, a inclusão do setor no Simples Nacional abriu um mercado extremamente diversificado permitindo que o comércio varejista, que hoje já conta com 1.400 produtores e 5 mil marcas, tenha ilimitada variedade de produtos de forma legal e que o setor produtivo das micro e pequenas se multiplique.

 

O conceito de “terroir”, que significa o conjunto de características que certa localização geográfica confere a um determinado produto, notadamente vinho e café –- de acordo com Jairo Martins da Silva em sua obra intitulada CACHAÇA –, não se aplica no caso da cachaça porque a versatilidade do produto vem das várias formas de processamento. Porém, a identificação da região poderá vir através da tradição de determinados processos locais, como é o caso de PARATY e SALINAS.

 

Ainda segundo Silva, é possível produzir cachaça de qualidade em qualquer região do Brasil, salvo os biomas protegidos da Amazônia e Pantanal que não devem ter tradição açucareira.

 

Se a cachaça excede como base na produção, faz o mesmo na degustação. Considerando a diversidade regional de produção aliada ao não envelhecimento, e ao envelhecimento em 30 diferentes madeiras, ela pode ser base para drinques. A começar pela CAIPIRINHA, há cem anos elaborada, provada e aprovada por todos que apreciam destilados. Além das frutas que compõem harmoniosas combinações, alguns bartenders estão recriando drinques clássicos com a cachaça como o Mojito, Dry Martini e a Margarita.

 

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A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais vendida no Brasil e corresponde a 72% do mercado de destilados, evidenciando que há consumo mas falta status. O IBRAC tem se movimentado neste sentido através de ações na área da formação da mão de obra qualificada, no que o SENAC desempenha importante papel. Há cursos básicos de cachaça, e específicos de sommelier de cachaça.

 

É hora de mostrar a garrafa ao invés de levar ao cliente o cálice servido.

 

A cachaça é o terceiro destilado consumido no mundo, mas a sua participação na exportação de produtos originados da cana de açúcar, que foi de 1,5 bilhão de dólares é inferior a 1%.

 

Grosso modo, podemos intuir que no mercado interno a cachaça tem consumo e não tem status; e no externo tem status e não tem consumo. Será?

 

Esta é uma aposta que o IBRAC está atuando para reverter o status no Brasil e a exportação no Exterior.

 

Veja aqui um exemplo do trabalho do IBRAC para vender lá fora a imagem da cachaça brasileira.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: te mete com eles!

 

Grêmio 2×0 Inter
Brasileiro —- Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

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Pepê, Rômulo, Geromel e Matheus em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O domingo estava apenas começando e o movimento no entorno da Igreja do Menino Deus era grande. Tinham fiéis a caminho da missa das 10 e uma gurizada acompanhada por pais, tios e avós que seguiam na direção da Escola São Francisco, que fica logo atrás e onde, pelo que percebi, haveria alguma competição esportiva. O guri mais à minha frente estava de mãos dadas com o pai e a mãe, com toda a parafernália de um promissor craque. Em seguida vinham os avós que ouviam o neto falando alto provavelmente do que pretendia fazer assim que a bola começasse a rolar. “Te mete com ele!”, ouvi a vó dizer para o vô, em tom de orgulho e com um sotaque típico da terra.

 

“Te mete com ele!” soa espanhol e quando dito no ritmo desgarrado da fala do gaúcho se revela um alerta para que os atrevidos fiquem à distância. É uma demonstração de confiança no outro. Mas pode ser entendido também como um desafio: pode vir que ele está pronto para encarar qualquer bronca.

 

Fui à missa, enquanto a família ficou no portão de ferro da escola. Mas a voz da vó ficou nos meus ouvidos. “Te mete com ele!” me acompanhou no churrasco com a família, na casa da Saldanha, e no caminho para o aeroporto, de onde partiria de volta a São Paulo. Permaneceu na minha cabeça mesmo diante da frustração provocada pela companhia aérea que levou para o Salgado Filho um avião com 50 lugares a menos do que o previsto e atrasou o vôo por mais de uma hora e 15, desacomodando alguns passageiros e incomodando a todos.

 

Frustrou-me porque havia programado o desembarque em São Paulo a tempo de chegar em casa e assistir ao Gre-Nal na televisão —— antes que você pergunte, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, meu compromisso na CBN me impediria de ir ao jogo na Arena no fim do domingo, mesmo estando em Porto Alegre. Com o atraso, passei a maior parte do jogo no ar e somente quando o avião tocou a pista de Congonhas pude conferir o gol de Geromel, marcado de cabeça ainda no primeiro tempo. Disseram, também, que ao lado de Kannemann, o nosso Mito colocou o ataque adversário no bolso e fez com que Paulo Victor assisti-se à partida de graça. Te mete com ele, logo pensei enquanto puxava a bagagem.

 

Não demorou muito para perceber pela narração esportiva que o Grêmio dominava o Gre-Nal a ponto de levar o goleiro deles a cometer o suicídio em campo.

 

Soube ainda pelos comentaristas que àquela altura Matheus Henrique já havia colocado a bola embaixo do braço e comandado a vitória, sem errar passe, se desvencilhando da marcação dura e deixando seus companheiros em condições de gol. Te mete com ele, balbuciei comigo mesmo, fazendo com que o passageiro que estava à minha frente olhasse para trás na tentativa de entender o que eu dizia.

 

O Grêmio ainda faria o segundo gol assim que Pepê, em sua primeira jogada, alucinava seus marcadores e encontrava Rômulo, que também entrara no segundo tempo, chegando para marcar um golaço em pleno Gre-Nal. Logo ele, tão criticado, tão sofrido nesses últimos tempos. Te mete com ele, agora! — falei sorrindo com a motorista de táxi que me levava para casa. E não entendeu coisa nenhuma.

 

Quando cheguei ao meu destino, o jogo já havia acabado. A alegria estava no meu rosto. E a imagem daquele guri acompanhado pelos pais e avós a caminho do futebol se mantinha na minha cabeça. Ele era Geromel, se preparando para bater bola nos campinhos da Vila Maria; era Matheus Henrique, desfilando talento aos sete anos na várzea, em Paradas de Taipas; era Rômulo, correndo descalço atrás da bola, em Picos; era cada um daqueles jogadores que um dia sonharam jogar futebol e vestiram a camisa do Grêmio neste domingo de Gre-Nal.

 

Te mete como eles!

Mundo Corporativo: Orlando Merluzzi diz como melhorar o clima entre os colegas na empresa

 

 

“As empresas que têm sucesso, têm um bom clima organizacional. Há três elementos que sustentam um bom clima organizacional: o respeito, a ética e a confiança” Orlando Merluzzi, MA8 Management Consulting Group

Assédio moral, bullying e falta de confiança são alguns dos problemas que apareceram com maior frequência no ambiente de trabalho, segundo pesquisa realizada com 1.287 profissionais que atuam aqui no Brasil. De acordo com os dados publicados pela MA8 Management Consulting Group, 62% dos colaboradores já sofreram assédio moral no local de trabalho, 44% disseram que foram vítimas de bullying e apenas 32% confiam nos seus colegas.

 

No Mundo Corporativo, da CBN, o jornalista Mílton Jung entrevistou o CEO da MA8, Orlando Merluzzi que falou do desafio que os gestores de empresas e departamentos de recursos humanos têm pela frente na tentativa de melhorar o clima organizacional, levando em consideração o cenário identificado na terceira edição desta pesquisa:

“Um ambiente ruim faz com que boa parte das pessoas se sintam mal, se as pessoas se sentem mal no ambiente para onde elas vão? Na primeira oportunidade, elas vão tentar sair. É aquele momento em que os currículos estão voando pelo mercado”.

Para Merluzzi, um ambiente com um bom clima organizacional é muito mais susceptível ao sucesso e um sucesso que se mantém ao longo do tempo. O papel dos líderes é fundamental e uma das competências necessárias para que transformação ocorra é a comunicação:

“O clima organizacional é construído no dia a dia. É como a reputação. Pra isso há um processo de gestão de comunicação. Comunicação aberta, franca, transparente. Difundindo e compartilhando conhecimento. Isso traz confiança”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: se ele falou, tá falado!

 

 

 

 

Vasco 1×3 Grêmio
Brasileiro — Estádio de São Januário, RJ

 

 

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Renato em destaque na foto do GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

 

Tem quem não goste dele. Acham que fala de mais. Marrento, costumam chamá-lo. Um falastrão, criticam outros. Há quem entenda nas palavras dele à imprensa recados apenas para animar seus jogadores no vestiário.

 

 

Digam o que quiserem, Renato é genial.

 

 

Na noite desta quarta-feira, mais uma vez ele mostrou o que alguns dizem ser a “estrela” de Renato. Para mim, é visão de jogo mesmo. Atrevido, tanto quanto era como jogador, mexeu no time ainda no primeiro tempo, antes da primeira meia hora de partida. E quando o fez foi para substituir um marcador por um atacante. Sabia que precisava de mais intensidade lá na frente se realmente quisesse fazer valer sua promessa da semana passada de que o Grêmio estará na Libertadores 2020.

 

 

Trocou Michel por Pepê e o guri maluquinho correspondeu — como, aliás, tem feito uma partida atrás da outra, inclusive contra esse mesmo adversário, no primeiro turno, quando marcou os dois gols da nossa vitória. Depois de forte pressão gremista, aproveitou um chute de fora da área para empatar o jogo.

 

 

O intervalo ainda não havia chegado e Renato já estava fazendo sua segunda substituição. Perdeu Thaciano machucado. Sua escolha foi por outro guri, Darlan — que teve personalidade para colocar a bola embaixo do pé, organizar o meio de campo e trocar passes com seus companheiros. Que baita jogador, disse um dos comentaristas da televisão.

 

 

Mal iniciado o segundo tempo, a escolha de Renato mais uma vez correspondeu. Foi  Darlan quem desarmou o adversário no meio do campo e deu início à jogada do segundo gol, marcado por Everton — o endiabrado Everton.

 

 

O Grêmio de Renato, mesmo tendo sido escalado sem sete dos jogadores considerados titulares — alguns fora por suspensão e outros por lesão — e saído atrás no placar, não apenas virou a partida e ampliou a diferença com um gol de pênalti, sofrido e marcado por Luciano, como, também, dominou o jogo. Fez de São Januário sua casa. 

 

 

Ao fim da partida, o Grêmio já aparecia na quinta posição do Campeonato Brasileiro. Mesmo que possa haver alguma mudança com os resultados dessa quinta-feira, o justo e o certo é que Renato está cumprindo com sua palavra. Ele garantiu que o Grêmio estará na Libertadores novamente. E se ele falou, tá falado!