Mundo Corporativo: Guilherme Bara discute inclusão e carreira nas empresas

Guilherme Bara, consultor de diversidade e compliance
Bara no estúdio de podcast do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Para mim, o meu maior desafio foi eu me aceitar.”

Contratar pessoas com deficiência não garante que elas terão oportunidades de desenvolvimento e chegarão a posições de liderança. Para avançar, as empresas precisam rever práticas de seleção, preparar gestores e acompanhar quem recebe promoções e participa de treinamentos. O tema foi assunto de entrevista com Guilherme Bara, consultor e palestrante em diversidade, inclusão e compliance, no Mundo Corporativo, da CBN.

Bara ficou cego aos 15 anos, em consequência de uma retinose pigmentar, doença que provoca a perda progressiva da visão. Antes de se identificar como uma pessoa com deficiência, tentou esconder as dificuldades e evitava recursos como a bengala e o braille. A mudança veio quando percebeu que aceitar sua condição e buscar recursos lhe daria mais autonomia.

“Na hora que eu venci esse processo, a minha vida decolou tanto no aspecto profissional, afetivo, pessoal”, contou.

Para Bara, reconhecer os obstáculos é necessário, mas a conversa precisa ajudar gestores e equipes a saber como agir. Dúvidas práticas podem aparecer já na entrevista de emprego: como perguntar sobre deficiência, como oferecer suporte e quais adaptações podem ser necessárias no trabalho.

“Dificuldade é contexto, não é foco”, afirmou. Ele defende que as empresas deem orientações concretas e abram espaço para o diálogo. “Pergunte mais e deduza menos”, resumiu. A entrevista pode abordar as competências do candidato e, depois, perguntar se ele precisa de algum suporte ou recurso de acessibilidade.

O mesmo cuidado vale para quem já está na empresa. Uma organização pode observar se pessoas com deficiência participam de treinamentos, integram bancos de talentos e são promovidas. Esses indicadores ajudam a localizar barreiras e a definir ações. Segundo Bara, não basta medir a presença de profissionais com deficiência: é preciso olhar para as oportunidades oferecidas a eles.

A representatividade em cargos de liderança também foi um critério que ele considerou ao escolher onde trabalhar. Para Bara, ver pessoas com deficiência em posições de decisão sinaliza que há caminhos de crescimento. “O problema é você não ter possibilidade de crescimento de carreira em função da deficiência.”

Gestores também precisam estar abertos a aprender

O receio de cometer erros pode levar gestores a evitar conversas ou oportunidades de inclusão. Bara observa que erros acontecem dentro e fora do trabalho. O ponto decisivo, segundo ele, é a disposição para aprender e corrigir a rota.

“Você não precisa estar pronto para incluir, você precisa estar aberto para incluir”, disse. Para criar esse ambiente, recomenda conversas sem julgamento e condições para que as pessoas expressem suas necessidades. Uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, pode precisar de uma tela maior; uma pessoa com deficiência auditiva pode precisar que as câmeras sejam ligadas em reuniões por vídeo.

A entrevista também abordou diversidade de gerações. Bara mencionou programas de mentoria que aproximam profissionais mais jovens e mais velhos para a troca de experiências. Em vez de tratar as diferenças como disputa, propôs olhar para o que cada grupo pode oferecer à equipe.

Para profissionais com deficiência que estão começando a carreira, sua orientação é falar sobre desafios e sugerir soluções, respeitando o tempo de cada pessoa para abordar a própria deficiência. “Fica à vontade, fala dos seus desafios, sugere solução, mas faz isso querendo construir ponte”, afirmou.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: a aposta na imortalidade tem preço

Flamengo 3×1 Grêmio

Brasileiro — Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Flamengo x Grêmio
Amuzu marca cobrando falta FOTO: Giancarlo Santorum/GRÊMIO FBPA

Escrevo antes de saber o resultado do clássico paulista entre São Paulo e Corinthians, disputado no encharcado campo da Vila Belmiro, em Santos, que pode impactar ainda mais a tabela do Campeonato Brasileiro. A despeito do que aconteça por lá, o fato é que, depois de uma semana perfeita, o Grêmio se depara com uma sequência de más notícias. Todos os seus adversários diretos venceram nesta rodada, tornando ainda mais difícil o desafio de escapar daquela zona que você sabe qual é e que me nego a chamar pelo nome próprio.

De verdade, não há muito a lamentar. Tudo o que aconteceu estava previsto. Só imaginou o contrário quem é louco da cabeça ou doente do pé — que me perdoe Dorival Caymmi por aproveitar esse belo refrão de “O Samba da Minha Terra” para uma causa tão pouco nobre quanto o futebol mal jogado.

Desde a rodada anterior, o Grêmio dava sinais de que iria ao Rio de Janeiro sem nenhuma pretensão. Amarelou seus dois principais protagonistas, Weverton e Carlos Vinícius, priorizando a Copa do Brasil e as próximas rodadas do Brasileiro. Hoje, deixou no banco alguns de seus principais destaques na temporada, como Wallace, nosso melhor zagueiro na atualidade. E escalou um time sem nenhuma pretensão contra a melhor equipe da competição.

Foi assustador o que assistimos na etapa inicial. Sem muito esforço, o Flamengo chegou com facilidade ao nosso gol. Menos mal que conseguiu marcar apenas três vezes. No primeiro tempo.

Na volta para a etapa final, com algumas mudanças para dar um mínimo de consistência à equipe, contamos com a complacência do adversário, que diminuiu o ritmo e permitiu que o Grêmio ficasse mais tempo com a bola nos pés. Isso nos proporcionou um único instante de satisfação: o gol de falta de Amuzu. Cobrança perfeita. No ângulo. Quem sabe não tenhamos descoberto mais um talento nas bolas paradas?

Fizemos uma escolha. O Grêmio fez uma escolha. Aceitou a ideia de que perderia naturalmente a partida desta noite. Desistiu de tentar a sorte — triste para quem se acostumou com um time que nunca desiste. Apostou que seria possível buscar uma vaga na final da Copa do Brasil, mesmo com os riscos que corre no Campeonato Brasileiro.

O Grêmio beira a irresponsabilidade quando troca a disputa de hoje pela promessa de uma imortalidade passada. A história pode inspirar, mas não entra em campo nem corrige escolhas. No sábado, contra o Atlético Mineiro, o time terá a chance de mostrar que a aposta valeu. Depois, no Brasileiro, não haverá espaço para novo erro. A imortalidade, desta vez, terá de provar que ainda sabe jogar no presente.

Medo, pânico, fobia e pavor

Por Beatriz Breves

placa alerta trem pare olhe escute

Costumo dizer: infeliz aquele que não sente medo. É justamente uma dosagem adequada desse sentimento que nos permite ter cautela até ao atravessar uma rua. Sem um mínimo de medo, poderíamos colocar os pés no asfalto sem considerar o movimento dos automóveis, arriscando-nos a ser atropelados.

O medo é um sentimento natural que nos protege diante de um eventual perigo. Ele nos leva a parar, observar e avaliar a situação antes de prosseguir. Entretanto, dependendo de sua intensidade, pode dificultar nossos movimentos e até nos paralisar.

Embora não existam fronteiras nítidas entre medo, pânico, fobia e pavor na experiência de quem os sente, podemos reconhecer diferenças quanto à intensidade, ao foco da ameaça e à maneira como se manifestam.

Na fobia, o medo está voltado para algo específico, como um animal, um objeto ou uma situação. Sua intensidade pode ser tão grande que a pessoa passa a evitar aquilo que teme, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente.

No pânico, o medo pode ser intenso e avassalador. Uma crise de pânico pode vir acompanhada de sensações físicas e de uma percepção de perigo iminente. Nem sempre a pessoa consegue identificar claramente o que desencadeou essa experiência.

Já o pavor, na minha experiência subjetiva, situa-se entre o medo e o terror: seria mais intenso que o primeiro e menos intenso que o segundo. Surge quando nos sentimos ameaçados, desprotegidos e indefesos, podendo nos paralisar e vir acompanhado de angústia e ansiedade. Pode ocorrer tanto diante de uma ameaça específica quanto quando não conseguimos reconhecer claramente a origem do que sentimos.

Se uma dosagem adequada de medo nos ajuda a cuidar da vida, sua intensidade excessiva pode restringir nossa maneira de viver. Por isso, compreender o que sentimos também implica perceber quando o medo nos protege e quando limita nossos caminhos.

Para isso, é importante reconhecer a quais outros sentimentos o medo se associa. Quando acompanhado de confiança em nós mesmos, pode nos ajudar a reconhecer o perigo e a agir com cautela. Já quando se associa ao sentimento de onipotência, podemos desconsiderar seus sinais de alerta, acreditando que nada nos atingirá e, assim, ficar desprotegidos.

Enfim, reconhecer nossas vulnerabilidades e fortalecer a confiança em nós mesmos não significa deixar de sentir medo, mas também compreender os sentimentos que o acompanham e, assim, encontrar condições para caminhar com mais cautela e segurança na vida.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Uma hora a vida nos alcança

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Horizontes
Foto de Eduardo Amorim no Flickr

“Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo.”
João Guimarães Rosa

Em 1990, durante uma viagem de trem entre Manchester e Londres, uma jovem teve uma ideia que mudaria completamente sua vida. O trem estava atrasado e, sem uma caneta à mão, ela passou o tempo imaginando a história de um garoto que cresceu sem saber que era bruxo, até descobrir que pertencia a um mundo mágico. A jovem se chamava Joanne Rowling, e aquele personagem se tornaria conhecido mundialmente como Harry Potter.

Nos sete anos que se seguiram àquela viagem, até a publicação do primeiro livro, em 1997, muita coisa aconteceu. Rowling perdeu a mãe, enfrentou o fim de um casamento, tornou-se mãe solo e passou por dificuldades financeiras importantes. Continuou escrevendo, apesar das adversidades, e recebeu diversas recusas de editoras antes de conseguir publicar seu livro.

É curioso pensar que, durante aqueles anos, ela não tinha como imaginar o que estava por vir. Possivelmente tinha sonhos, fazia planos e desejava que seu trabalho fosse reconhecido. Enquanto tentava encontrar seu caminho, a vida lhe apresentava dificuldades e possibilidades que ela não poderia antecipar.

A trajetória de Rowling me fez lembrar de uma frase que costumo repetir e na qual acredito profundamente: uma hora a vida nos alcança.

Gosto de pensar que, enquanto seguimos nossos caminhos, a vida também acontece, trazendo encontros, oportunidades e acontecimentos que não planejamos e que, por vezes, mudam completamente o rumo da nossa história.

Não se trata de um otimismo ingênuo, daqueles que nos fazem acreditar que tudo vai dar certo ou que, depois de muito sofrimento, a vida necessariamente nos recompensará. Afinal, as coisas ruins também nos alcançam, geralmente sem aviso e sem que possamos fazer algo para evitá-las.

Por mais que façamos planos e nos esforcemos para construir a vida que desejamos, existe uma parte importante do que vivemos que não está sob nosso controle. E isso não precisa ser, necessariamente, uma má notícia.

Desde cedo, somos incentivados a estabelecer objetivos: estudar, escolher uma profissão, construir uma carreira, encontrar alguém para compartilhar a vida, formar uma família, adquirir estabilidade financeira… E fazemos bem em ter projetos. Eles nos mobilizam, orientam nossas escolhas e dão sentido à nossa vida. O problema talvez comece quando estabelecemos prazos para realizar nossos desejos, como se houvesse uma idade certa para cada conquista e uma sequência que a vida fosse obrigada a seguir.

E, quando as coisas não acontecem no tempo que imaginamos, podemos sentir que estamos ficando para trás. Mas quem disse que existe um tempo certo para cada coisa acontecer?

Basta olhar para trás para perceber quantas coisas importantes surgiram sem que pudéssemos antecipá-las: pessoas que hoje ocupam um lugar fundamental em nossa vida e que, alguns anos atrás, sequer conhecíamos; amizades inesperadas; relações afetivas que começaram por acaso; encontros que modificaram nossa maneira de pensar ou de compreender o mundo.

O mesmo acontece na vida profissional. Podemos passar anos imaginando uma carreira e, de repente, receber um convite, descobrir um interesse ou encontrar uma oportunidade que não havíamos considerado.

Por vezes, uma mudança de direção acaba nos conduzindo a experiências que não teríamos vivido de outra maneira.

Isso não significa que toda dificuldade esconda uma oportunidade ou que as perdas precisem trazer algum aprendizado. Há acontecimentos simplesmente dolorosos, diante dos quais precisamos de tempo para nos reorganizar. Nem mesmo nesses momentos conseguimos antecipar tudo o que ainda está por vir.

O futuro também é feito de pessoas que ainda não conhecemos, lugares onde nunca estivemos e possibilidades que sequer aprendemos a imaginar. E, quem sabe, de versões de nós mesmos que ainda não tivemos a chance de descobrir.

Guimarães Rosa nos lembra que aprender a viver é o próprio viver. E talvez seja justamente assim: não aprendemos primeiro para depois enfrentar a vida. Vamos aprendendo enquanto ela acontece, com aquilo que escolhemos e com o que não estava nos nossos planos.

Afinal, não sabemos o que vamos encontrar na próxima estação.

E, às vezes, quando menos esperamos, a vida nos alcança.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

A vida floresce onde parece impossível

Por Caio Luizetto

árvore no viaduto
O verde surge no viaduto Foto: Cátia Toffoletto

Se até em um rochedo — nas pedras forjadas pelas intempéries da existência — pode florescer uma pequena flor, por que seria em nós que as coisas não poderiam mudar?

É exatamente na fratura da pedra que a vida desmente a lógica do impossível. Onde os olhos comuns enxergam apenas aridez e condenação, a semente encontra uma fresta mínima para ancorar sua teimosia. As intempéries batem com o mesmo peso tanto na rocha quanto na pétala; o vento traz a poeira, a tempestade castiga, mas a simbiose poética do inusitado acontece. O rochedo, marcado pelas eras, acaba por emprestar sua própria solidez para sustentar a delicadeza que brota dele: o encontro perfeito entre o que resiste por rigidez e o que sobrevive por maleabilidade.

Há uma mecânica quase sagrada nessa insistência. Assim como dizem que a abelha não deveria voar pela física de suas asas, na rocha fria a vida também não deveria nascer. Mas a vida não pede licença à dureza mineral para existir. Ela não espera as condições ideais, o adubo farto ou a calmaria das estações; ela simplesmente desobedece ao improvável, surpreende e faz o novo aparecer. Essa é a verdadeira magia.

A vida é dura, imprevisível e tantas vezes nos castiga, mas jamais supera a nossa capacidade de resiliência. Jamais anula a força de brotar em meio ao terreno mais árido, mesmo quando estamos longe de qualquer terra fértil. No fim, para aqueles que creem, não é o solo quem determina a flor, mas a fé — o princípio vivo e indomável que quebra a pedra de dentro para fora.

Caio Luizetto é teólogo e cientista da religião, pós-graduado em Missão Integral em contexto urbano. Sua produção aborda as relações entre fé, dor, sentido e maturidade espiritual na vida contemporânea. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: o Grêmio voltou a acreditar no Grêmio

Grêmio 2 x 0 Atlético-MG
Copa do Brasil — Arena do Grêmio, Porto Alegre

Gremio x Atletico-MG
Carlos Vinícius comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.


O Grêmio é só “Weverton e Carlos Vinícius, Weverton e Carlos Vinícius”. Foi o que disse Renan Lodi, logo depois de ver seu time perder por 2 a 0 o jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil. Se levar essa ideia para a partida de volta, sairá derrotado mais uma vez.

Sim, temos Weverton e Carlos Vinícius como destaques. Sem dúvida! O primeiro nos salva das maiores enrascadas em que nos metemos nesta temporada. O outro encontra gols naquilo que eu chamaria de futebol da escassez — com licença aos teóricos da economia.

Reduzir o Grêmio a esses dois nomes é não entender o que acontece lá pelas bandas de Humaitá. Em uma temporada de desempenho medíocre e resultados aquém do desejado, o time chegou à terceira vitória seguida no intervalo de uma semana: uma fora de casa e duas diante da sua torcida.

Os riscos que ainda corremos nesta temporada — e seguem sendo enormes —, em vez de arrefecer os ânimos, mobilizaram o torcedor como poucas vezes vi. A festa nas arquibancadas da Arena, nesta noite de domingo, foi algo que eu nunca havia presenciado.

O torcedor já tinha feito a diferença no Couto Pereira, em Curitiba, e na Arena, no meio da semana. As duas vitórias nos permitiram respirar no Campeonato Brasileiro e chegar com confiança à semifinal da Copa do Brasil.

Sei que já vivemos jornadas memoráveis. Algumas tive o prazer de acompanhar, tanto no Olímpico Monumental quanto na Arena. Desta vez, além dos cantos inspiradores, criou-se no estádio um clima impressionante de mobilização. Antes mesmo de a bola rolar, a torcida preparou uma recepção apoteótica: fogos, música, luzes, bandeirão e um mosaico com troféus e a mensagem “Rei de Copas”.

Sinergia é a palavra. A festa monumental das arquibancadas se refletiu em campo.

Weverton segue entre os melhores goleiros do país, e Carlos Vinícius, entre os principais goleadores do Brasil. Mas havia muito mais. Basta lembrar que nenhum dos dois participou do segundo gol, logo no início do segundo tempo. João Pedro e Enamorado tabelaram pela direita. Do cruzamento, Noriega apareceu no meio da área e completou para as redes.

Aliás, precisamos olhar com carinho para nosso volante “samurai”. Noriega, nipo-peruano, tem se destacado nas últimas partidas pela bravura. Interceptou chutes que tinham como destino certo as nossas redes e desarmou adversários com precisão. Hoje, ainda marcou o gol que pode nos levar à final da Copa do Brasil.

A defesa com três zagueiros tem se mostrado mais firme, com destaque para Wallace e para a recuperação de Balbuena. Até João Pedro, que já era considerado carta fora do baralho, foi resgatado. Ainda no primeiro tempo, salvou um gol em cima da linha.

Estou entusiasmado com alguns desempenhos individuais — e haveria outros a citar nesta Avalanche. Mas preciso me ater ao que realmente está fazendo a diferença em campo: um time abnegado, consciente de suas restrições e disposto a fazer o possível para alcançar os objetivos que ainda lhe restam.

Entre Weverton e Carlos Vinícius existe um time. Um time que conhece os próprios limites, luta para superá-los e voltou a acreditar em si mesmo.

O Grêmio voltou a acreditar no Grêmio.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando uma marca vira verbo, entra na vida das pessoas

Xerox
Foto de Brian Evans Flickr

Uma marca chega a um lugar raro quando seu nome passa a designar uma ação ou até uma categoria de produto. “Dar um Google” e “xerocar” são exemplos de como nomes comerciais podem entrar no vocabulário cotidiano. O tema foi discutido por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

Esse movimento mostra que a marca deixou de ser apenas uma opção na prateleira. Ela se tornou uma referência rápida para as pessoas. Ao dizer “vou dar um Google”, por exemplo, alguém pode estar falando simplesmente que vai pesquisar, mesmo que use outra ferramenta para fazer isso.

Cecília Russo explica que a marca passa a fazer parte da cultura e da linguagem de modo espontâneo. “A marca sai da prateleira e entra na linguagem cotidiana”, afirma. É um reconhecimento poderoso: os próprios consumidores repetem o nome, sem que a empresa precise pagar por cada menção.

Mas ser conhecida não é o mesmo que ser referência. Quando o nome de uma marca passa a representar uma atividade, cria um atalho mental: em vez de descrever o que pretende fazer, a pessoa usa aquele nome para expressar a ação. Essa posição pode trazer vantagem competitiva, mas também exige cuidado. A marca precisa preservar sua identidade e continuar entregando qualidade e confiança. Caso contrário, o nome pode virar sinônimo genérico enquanto o consumidor escolhe um concorrente.

Para Jaime Troiano, outras marcas podem aprender com esse fenômeno sem precisar se tornar verbos. “As marcas mais fortes não ocupam apenas um espaço na memória, elas ocupam um espaço na vida das pessoas”, diz. Isso depende de oferecer uma solução simples, reconhecível e consistente — algo que as pessoas associem àquela marca e considerem relevante.

Repetir o nome em campanhas, por si só, não constrói esse vínculo. A empresa precisa sustentar com suas atitudes e entregas o significado que deseja ocupar. Cada decisão do gestor contribui para a relação da marca com o público e para o lugar que ela conquista no mercado.

Poucas marcas chegam a nomear uma ação ou uma categoria. Ainda assim, buscar esse nível de relevância pode orientar o trabalho: alinhar o que a marca oferece, comunica e entrega. E, mesmo depois de alcançar um lugar de destaque, é preciso continuar alimentando a preferência das pessoas.

A marca do Sua Marca

Uma marca se fortalece quando deixa de ser apenas lembrada e passa a fazer parte da linguagem, dos hábitos e da vida das pessoas. Conquistar esse espaço é um começo: mantê-lo exige consistência, qualidade e atenção contínua ao que o público valoriza.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: fui com meu pai na Galeria Pagé

Mario Pais

Ouvinte da CBN

Galeria Pagé
Galeria Pagé Foto: Luis Petrini Flickr

Nasci na Santa Casa em 1968, mas São Paulo já estava acordada havia muito tempo. Naquele dia, segundo meu pai, estudantes do Mackenzie ocupavam a Rua Maria Antônia. A cidade aprendia cedo que protesto também faz parte do seu idioma.

Cresci em Taboão da Serra, mas São Paulo sempre deu um jeito de me criar. Aos sete anos, meu pai — motorista de ônibus da Santa Cecília — decidiu que era dia de folga e de futuro. Fomos à Galeria Pagé comprar meu primeiro videogame. O trânsito travou no Viaduto do Chá e descemos do ônibus ali mesmo, suspensos sobre a cidade. Nunca esqueci a cena: uma multidão frenética, barulho, pressa, vida. Para ele, era só mais um dia. Para mim, foi o momento em que São Paulo se apresentou.

Com 11 anos, comecei a trabalhar como entregador de pão na região dos Jardins. A padaria ficava na Rua Cunha Gago. Hoje, a Panificadora San Siro está na Rua Artur de Azevedo — o melhor pão italiano de São Paulo.

Virei office boy na Avenida 9 de Julho esquina com a João Cachoeira, e aprendi a cidade andando: Paulista, Trianon, Pamplona, o centro antigo, os cartórios em volta do Fórum João Mendes. São Paulo não se ensina — se percorre. E eu percorri.

Nos intervalos, havia cinema no Iguatemi — Superman na tela grande — sessões da meia-noite às sextas e fliperama no Call Center quando sobrava tempo. Comi feijoada no Bolinha, admirei o prédio da Dacon, estudei Turismo na UNIP da Paulista. Fiz amigos de todas as zonas, porque São Paulo mistura gente antes de misturar ideias.

Na universidade, a recompensa era a Vila Madalena: cheia, barulhenta, generosa. Bares que começavam a noite e terminavam histórias. A semana só fazia sentido quando chegava a sexta-feira.

Trabalhei em um hotel no Itaim Bibi, depois na São Luiz, vendendo passagens da Transbrasil. Morei no Bixiga, atravessei fronteiras e, em 2000, mudei para os Estados Unidos. Mas São Paulo não se muda da gente.

Em 2016, voltei e fui morar novamente na Vila Madalena. Vivi ali durante a Copa do Mundo de 2018 — um sonho coletivo — e cruzava a cidade todos os dias de trem e metrô até a Vila Olímpia.

No primeiro encontro com minha mulher, fomos ao Belvedere do Trianon. A cidade lá embaixo, nós dois acima do tempo. O primeiro beijo a gente nunca esquece — e São Paulo estava olhando.

Voltei aos Estados Unidos ainda em 2018. Hoje moro fora, mas a cidade continua aqui dentro. Minha filha alugou um apartamento na Paulista, na mesma quadra onde estudei. Quando volto de férias, não visito São Paulo — eu a reencontro.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mario Pais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio.Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: ao pai, com paixão

Grêmio 2 x 0 Athletico-PR
Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre

Gremio x Athletico
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pai,

Hoje era dia de comemorar teu aniversário. Se ainda estivesses entre nós, estaríamos festejando teus 91 anos de vida. O destino te levou daqui, mas quero acreditar que, onde quer que estejas, nesta noite de quinta-feira, deste um jeito de ficar ao meu lado.

Antes mesmo de a partida começar, vi uma frase estendida no fundo do gramado. Era uma daquelas que tu dirias quando a bravura precisa falar mais alto: “Tem de deixar a alma em campo.” Tive certeza de que eras tu ali, mandando um recado. Fortalecendo-me para a batalha que estava prestes a começar.

A vitória era fundamental para quem ainda tinha alguma pretensão de evitar mais um desastre na nossa história. Precisávamos daqueles três pontos como poucas vezes precisamos nos últimos tempos.

E, como nos velhos tempos, senti tua presença ao meu lado, sentado comigo na arquibancada — travestida de sofá de casa. Seguravas minha mão quando a sofrência tomava conta do meu coração. Diante do risco de um gol do adversário, lá vinha teu vozeirão lembrar um de nossos ditos gaúchos: “Não tá morto quem peleia, guri.”

No primeiro gol, o de Marlon, mal consegui ver a bola chegar às redes. Abracei o Gregório, teu neto, gremista forjado de tanto ouvir nossas histórias. Era ele que estava comigo — assim como tu sempre estiveste ao longo da vida. Sem a certeza de que seria possível, mas sem jamais desistir.

Por curioso que pareça — e tu deves ter percebido —, à medida que a esperança da vitória crescia, aumentava também o temor de vê-la escapar. Em vez de me tranquilizar, eu sofria. Mesmo vendo o time jogar muito melhor do que havia jogado em boa parte da temporada, só acreditaria no triunfo quando o juiz apitasse o fim da partida.

Então veio o segundo gol, com Balbuena. Um cruzamento na área. Um zagueiro no ataque brigando pela bola. A defesa bloqueou a primeira tentativa. Mas, se não deu na primeira, que fosse na segunda. E, se alguém estivesse pela frente, que a bola desviasse para as redes.

Éramos nós dois outra vez. Abraçados, acolhendo a alegria um do outro. Minha cabeça no teu peito, ouvindo teu coração. E tu enxugando minhas lágrimas de emoção.

Enquanto o Grêmio deixava a alma em campo, tu reservavas a tua para estar comigo nesta noite em que nos afastamos, ao menos por enquanto, daquela zona que tu sabes qual é. Nada está resolvido. Sabemos disso. Ainda temos cinco batalhas pela frente, sem contar a Copa do Brasil.

Mas aprendi contigo que, por mais que a ansiedade esteja no nosso DNA, precisamos aproveitar as pequenas conquistas que a vida nos oferece. E que bom poder comemorar esta vitória ao teu lado. Um presente de aniversário, pai. Para ti, para mim e para todos os gremistas.

Hoje, o Grêmio deixou a alma em campo. E tu, mais uma vez, deixaste a tua aqui comigo, porque tu és Imortal.

Feliz aniversário, pai.

Mundo Corporativo: Beatriz Joaquim Ribeiro, da Diamante, explica como empresas podem atuar com as comunidades

Beatriz Joaquim Ribeiro Diamante Energia
Beatriz Joaquim Ribeiro no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“O social hoje precisa sim de grandes parceiros, mas precisa também dessa escuta ativa, desse planejamento para entregar um resultado concreto, não uma coisa abstrata.”

Mais de 50% das mulheres atendidas pelo programa Mulheres Empreendedoras são mães solo, não concluíram o ensino médio e vivem com um salário mínimo. A iniciativa oferece cinco meses de capacitação e apoio para que elas possam buscar autonomia financeira e ingressar no mercado de trabalho. A relevância de as empresas desenvolverem programas como este foi um dos temas da entrevista com Beatriz Joaquim Ribeiro, gerente de responsabilidade social e governança da Diamante Geração de Energia, ao Mundo Corporativo, da CBN.

A Diamante Geração de Energia produz eletricidade em usinas termelétricas a carvão e atua no Sul e no Nordeste. A empresa opera o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, em Santa Catarina, e a usina Energia Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Segundo Beatriz, a companhia tem capacidade instalada de 1,82 gigawatt e, com a cadeia produtiva do carvão, movimenta cerca de R$ 6 bilhões na economia catarinense.

Projetos sociais começam pela escuta

Por atuar em duas regiões tão distantes do país — Santa Catarina e Ceará –, a empresa procura conhecer as necessidades de cada território antes de definir projetos. Para isso, conversa com lideranças e instituições locais e faz diagnósticos sobre o perfil das comunidades.

“Os desafios do Sul são completamente diferentes dos desafios do Nordeste”, afirma. Por isso, as iniciativas precisam respeitar as características de cada região e ser planejadas com quem conhece a realidade local.

O programa Mulheres Empreendedoras nasceu da busca por caminhos para ampliar a autonomia financeira de mulheres em situação de vulnerabilidade ou que tiveram direitos violados. A empresa reuniu prefeituras, serviços de assistência social e Polícia Civil para desenhar a iniciativa.

A formação inclui cursos, apoio psicológico e atividades voltadas ao empreendedorismo. O transporte também foi incorporado ao programa depois que parceiros apontaram que a falta de recursos dificultava a presença das participantes nas aulas. Ao fim do percurso, segundo Beatriz, sete em cada dez mulheres ingressam no mercado de trabalho.

Para o sucesso do programa, o acompanhamento das alunas é feito diariamente. A equipe procura entender por que elas faltam e quais condições podem ajudá-las a permanecer no curso. “É muito mais que um programa de capacitação”, diz Beatriz. Ela descreve a iniciativa também como um processo de autoconhecimento e de fortalecimento da confiança para buscar trabalho.

Relação com a comunidade e licença social

Uma ex-aluna da primeira turma, que tinha dificuldade para falar em público, identificou-se com as aulas de educação financeira. Depois de se capacitar, passou a dar cursos profissionalizantes nessa área e apresentou uma proposta para ensinar outras participantes.

Para Beatriz, empresas interessadas em desenvolver ações sociais devem começar com uma pessoa de referência para conversar com a comunidade, conhecer dados locais e estabelecer parcerias. A contribuição pode incluir recursos financeiros, voluntariado ou mão de obra. “Cada empresa conhece a sua realidade até onde ela pode atuar”, afirma.

A gerente também chama atenção para a relação entre a empresa e as pessoas que vivem no entorno. Na avaliação dela, essa relação influencia a reputação da organização e a forma como suas atividades são recebidas.

Beatriz define licença social como o apoio da comunidade à atuação da empresa naquela região. Para construir esse vínculo, afirma, é preciso entender as atividades da companhia, ouvir os moradores e manter diálogo com instituições locais.

Uma trajetória ligada à usina

A história de Beatriz com a região também passa pela empresa. Nascida em Tubarão, ela conta que a família paterna veio do Rio Grande do Sul para trabalhar na usina. O avô chegou como terceirizado; depois, outros familiares também se mudaram para a região. “Eu sou um grande exemplo disso, né? Os meus pais vieram por causa da usina”, diz.

Formada em Direito, Beatriz trabalhava com execução fiscal e área tributária quando surgiu uma vaga ligada a projetos sociais incentivados. Ela começou nessa frente e, com o tempo, passou a atuar também no desenvolvimento local e no diálogo com as comunidades.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.