Carros estarão mais atentos em motoristas distraídos

 

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Celular ao volante é ilegal, perigoso e pode matar. Distrai o motorista e motoristas distraídos são responsáveis por 80% dos acidentes de trânsito e 17% dos acidentes fatais, nos Estados Unidos. Nada disso, porém, tem sido suficiente para convencer os motoristas a abandonarem o hábito de enviar texto, consultar informações e conversar com outras pessoas pelo smartphone enquanto dirigem. Sem muita esperança de mudar o comportamento do ser humano, cientistas investem na mudança do comportamento dos carros.

 

Reportagem da Wired, sugerida pelo Thássius Veloso, comentarista de tecnologia da CBN, editor do TechTudo, da globo.com (além de ouvinte do Jornal da CBN), mostra que a aposta agora é no uso da inteligência artificial. Pesquisadores desenvolvem software que emitirá alerta sempre que identificar que o motorista está distraído. Poderá chegar ao ponto de assumir a condução do próprio veículo.

 

Os sistemas testados detectam movimentos da cabeça e das mãos, podem fazer rastreamento ocular e “enxergar” quando o motorista desvia a visão da estrada, e combinam todas essas informações com a velocidade, localização e forma de condução do carro. O uso de algoritmo e a troca de informações do próprio sistema, em redes automatizadas e inteligentes, tornarão a identificação cada vez mais precisa sabendo diferenciar quando ele apenas consultou uma informação no painel ou está realmente desatento.

 

Os cientistas entrevistados pela Wired dizem que se o carro cada vez mais entende o que está em seu entorno – a partir do desenvolvimento de veículos autônomos que ainda estão em estágio inicial – passará a entender, também, do que acontece dentro dele.

 

Leia aqui a reportagem completa da Wired:

 

WANNA STOP DISTRACTED DRIVING? MAKE CARS THAT WATCH THEIR HUMANS

Avalanche Tricolor: ‘Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra’

 

 

Grêmio 1×0 Botafogo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Neste 20 de Setembro havia três brasileiros disputando a Libertadores da América. Apenas um deles sobreviveu em campo na luta pelo título: o único que é Imortal. Diante de mais este feito, só me resta cantar, daqui de Belo Horizonte, onde me encontro nesta noite, para que todos ouçam por toda a América:

 

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

 

 

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

 

 

 

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

A Guerra da Guararapes: ação do MPT leva maior fábrica de confecção do mundo a deixar o Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Protesto contra ação do MPT  em São José do Seridó, no RN (Foto: Divulgação/ Governo do RN)

 

Em 2010, o Grupo Guararapes tinha na cidade de Estremoz, divisa com Natal RN, a maior fábrica de roupas do mundo. Eram 20 mil funcionários. Sob o aspecto governamental esta grandiosidade, em contraponto com a pobreza da região castigada pela seca, mostrou que a criação de unidades fabris de produção de roupas era uma boa e, talvez, única solução para absorver mão de obra local.

 

Assimilando essa posição e anexando-a a necessidade do crescimento e da agilidade que o Grupo que dirigia estava exigindo, Flavio Rocha convenceu o Governo do Estado a criar o projeto que viria se chamar PRÓ-SERTÃO.

 

Implantado em 2013, o sistema PRÓ-SERTÃO para Flávio Rocha era a realização de um sonho originado ao visitar a ZARA, quando o fast-fashion começava a dar as cartas. Na Galícia, a ZARA operava um processo de produção ágil o suficiente para fabricar a tempo as novidades da moda.

 

Do sonho, o “Galícia Potiguar”, conforme vislumbrava Flávio, veio o sucesso com a adesão de cidades, marcas importantes como a Hering e pequenos empreendedores que formavam um robusto parque industrial de faccionistas.

 

Entretanto, um enorme contratempo, que já se delineava desde 2010, surgiu em julho deste ano. O MPT – Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Norte, através do Grupo de Procuradores do Trabalho, vinculados à CONAFRET – Coordenadoria Nacional de Combate a Fraudes, cobra da Guararapes R$ 37,7 milhões de indenização. Valor correspondente a parte do lucro obtido com o trabalho das facções, em uma ação baseada na suposição da existência de subordinação estrutural e responsabilidade estrutural da empresa na operação das facções.

 

Essa ação, encabeçada, como todas as anteriores, pela promotora Ileana Mousinho, exige a contratação direta de todos os empregados das facções, elevação dos preços pagos, abastecimento garantido, etc.

 

A empresa que congrega, além da fábrica, as LOJAS RIACHUELO, devido a multas e indenizações impetradas pela Dra. Ileana de R$ 41 milhões e acordadas em R$ 6 milhões, reduziu a participação de mão de obra local de 60% para apenas 20%. Na fabricação, tem expandido suas operações fora de nossas fronteiras, na China e Paraguai.

 

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Centenas de pessoas se reuniram em Seridó do RN contra ação do MPT (Foto: Divulgação)

 

Essa compulsória migração de mão de obra reflete provavelmente o atraso de nossa legislação trabalhista. Entretanto, há aqui algo a investigar, quando o principal executivo do Grupo acusa ser vítima de perseguição. Em recente manifesto dirigido à promotora Ileana Mousinho, Flavio Rocha pede:

 

“O nosso setor tem o potencial de transformar a realidade socioeconômica do Rio Grande do Norte. Basta que a Sra. deixe o ódio de lado e nos deixe trabalhar”.

 

É oportuno observar a difícil tarefa de estabelecer deveres e direitos, pois se não houver equilíbrio o direito defendido poderá tornar-se desnecessário pela extinção do propósito.

 

As costureiras domiciliares, que tanto serviram à periferia carente, que não podia sair de forma convencional para o trabalho, devido a obrigações com parentes idosos ou doentes, foram extintas pela exigência formal.

 

As oficinas externas, se passarem a responsabilidade das contratações de mão de obra e as demais obrigações empresariais aos contratantes, também serão extintas.

 

Quem irá contratá-las?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

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Celular ao volante não é legal!

 

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Você e eu já participamos de inúmeras campanhas com pedidos de basta a questões que se tornam insuportáveis. Abaixo a Ditadura, Diretas Já, a campanha da fome, contra a corrupção ou pelo fim da impunidade: uma ou outra, certamente, mereceram um mínimo de atenção de nossa parte. No passado vestíamos a camisa, saíamos em passeata, erguíamos bandeiras e colávamos adesivo no vidro do carro. Hoje a tecnologia facilitou nosso engajamento: pode ser um post replicado na rede social preferida ou uma hashtag que nos acompanhe durante todo o dia no Twitter. Um simples “like” costuma já ser suficiente para apaziguar nosso ímpeto revolucionário. Clicou no botão, compartilhou, fez um selfie. Fiz minha parte. Alívio na consciência.

 

Desta vez, sou eu que quero convidá-lo a “levantar uma bandeira” ou, simplesmente, dar um “joinha”, já vai me deixar feliz. Caro e raro leitor deste blog, quero propor a você que abra mão de um vício que se espalhou pela sociedade moderna e tende a se agravar: o uso do telefone celular.

 

Calma lá. Não será preciso jogar o seu fora. Vai que nem tenha terminado de pagar as prestações! Nem seria louco de pedir que você desligasse o telefone durante um dia inteiro. Imagine o trauma? Por 24 horas, você não saber o que seus amigos estão fazendo nas redes sociais (sim, porque boa parte daquelas coisas legais que eles mostram, só fazem na rede) ? Ou, eliminar sua interação com aqueles grupinhos legais do WhatsApp? A humanidade se desintegraria. Nossas famílias, com certeza.

 

Meu pedido é apenas que você deixe de acessar o celular enquanto estiver dirigindo.

 

(Opa, você não tem carro e só anda de transporte público ou usa táxi e serviços de compartilhamento? Então, fique tranquilo. Você não precisa entrar nesta campanha, mas antes de desistir do texto “dá um joinha”, coloca entre seus favoritos e compartilha para os seus amigos nas redes sociais.)

 

A ideia surgiu há algum tempo após perceber que parte das mensagens que recebemos no WhatsApp da CBN é enviada por motoristas que se deslocam pela cidade e resolvem contar o que encontram no seu caminho. Um baita perigo!

 

Fácil de entender que se estão escrevendo enquanto conduzem um carro (ônibus, moto, bicicleta e caminhão, também), correm risco; sem contar que cometem irregularidade de trânsito: o código brasileiro impede que sua atenção, ao volante, seja desviada para outras atividades tais como assistir a vídeo, consultar informações na tela do celular, falar ao telefone ou fumar (sim porque o código exige que você use as duas mãos para dirigir e somente solte o volante para a troca de marcha).

 

Nos Estados Unidos, após décadas de recuo nos acidentes de trânsito, o aumento no número de casos tem chamado atenção de autoridades, nos últimos dois anos. Pesquisas não são suficientes ainda para identificar a verdadeira causa deste fenômeno, mas levando em consideração que a fiscalização é a mesma, o processo de educação dos motoristas, também, o sistema viário apenas avançou e a segurança dos carros aumentou, desconfia-se que a resposta esteja no uso do celular que mudou o comportamento dos motoristas ao volante. Foi o que me contou nesta segunda-feira, o secretário municipal de Transportes, em São Paulo, Sérgio Aveleda, bastante preocupado com este fenômeno na segurança de trânsito.

 

A solução para este drama, é bem provável, será encontrada na própria tecnologia que conectará o seu aparelho automaticamente ao sistema do carro, o impedirá de acessar o telefone, limitando-o ao comando de voz. Mais à frente, a interferência humana também será reduzida com a maior participação de carros “sem motorista” na frota urbana, carros que “não bebem”, “não falam ao celular”, “identificam pedestres com precisão”, “não trocam de faixa sem sinalizar” e “se distanciam de bicicletas” – estas coisas que a maioria de nós esquece de fazer quando está ao volante.

 

Como ainda dependemos do avanço da tecnologia, façamos o que está ao nosso alcance, reforçando a fiscalização e realizando campanhas permanentes de conscientização no trânsito.

 

No Jornal da CBN, nosso convite para que o ouvinte fale conosco pelo WhatsApp, Twitter ou e-mail virá sempre acompanhado do alerta para que não leiam nem postem mensagem enquanto estiverem dirigindo. Deixem para opinar, sugerir ou reclamar quando chegarem ao destino ou peçam para quem estiver ao lado que envie a mensagem.

 

Taí a nossa campanha: diga não ao celular, enquanto estiver dirigindo! Celular ao volante, não é legal!

Avalanche Tricolor: véspera de pouco, dia de muito ou vice e versa

 

Grêmio 0x1 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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“Dia de muito, véspera de pouco” era ditado que ouvia muito da boca de minha mãe quando ainda era pequeno. Confesso, já não lembro mais em que momentos da minha infância a tal frase tinha serventia. Ficou na memória. E como todas as coisas na minha memória são passíveis de confusão. Troco nome de amigos assim como mudo frases populares e seu sentido. Essa em especial sempre me soou invertida e, na vida adulta, sempre foi usada para consolar-me naqueles dias em que nada costuma dar certo ou imaginamos que não tenha dado certo. Quem souber da sua origem que me ajude.

 

Há quem a use para alertar-nos da necessidade de equilibrarmos nossos bens e sentimentos, impedindo assim a euforia da vitória ou o desalento da derrota. Euforia e vitória andam de mãos dadas e geram ilusões que tendem a nos levar ao mesmo resultado lá na frente: ruim. Estão aí para provar que a busca tem de ser pelo caminho da mediação entre a excitação e a infelicidade.

 

Já ouvi quem repetisse o dito popular como forma de condenar o desperdício que cometemos nas épocas de fartura. Chamar nossa atenção para a necessidade de guardamos o que ganhamos hoje para o período das vacas magras. Como que querendo dizer que é preciso economizar agora para não faltar amanhã. Mas nesse caso, o ditado não teria de ser outro? Véspera de muito, dia de nada?

 

Sei lá! Só sei que foi a primeira frase que me veio a cabeça quando percebi que o Grêmio repetiria, neste domingo à tarde, o desempenho das últimas partidas quando apesar de ser o dono da bola, faltou-lhe capacidade de furar o bloqueio adversário. Comandou a partida e entregou os pontos. Teve muita bola no pé e pouca criação. Dominou o jogo mas não transformou essa supremacia em gols.

 

Que esta véspera de decisão da Libertadores, com pouca inspiração e nenhum gol, se transforme em um dia – no caso, uma quarta-feira –  de  futebol bem jogado e muita alegria para todos nós gremistas.

Conte Sua História de SP: quando a italiana descobre que o não é um sim

 

Ariella Segre
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Hoje, lembrei de um episódio que aconteceu comigo há muito tempo, logo que cheguei em São Paulo. Sou italiana e vim para cá há 50 anos. Acreditava que entendia perfeitamente o português, não teria o que temer.

 

Pois é … um dia entrei em uma linda loja na rua Augusta. Não lembro bem o que fui comprar. Mas pedi alguma coisa. A princípio, o vendedor meu ouviu com a máxima atenção. E assim que encerrei o pedido, ele disse: – pois, não! Virou as costas e foi embora para o interior da loja. Sem entender aquela reação e suas palavras, fiquei muito chateada e decidi fazer o mesmo, só que no sentido contrário. Virei as costas e fui-me embora.

 

De repente, o vendedor ressurgiu ofegante. E foi me alcançar quando eu já estava na calçada. Nas mãos, ele carregava o produto que eu havia pedido. Entendendo menos ainda, perguntei a ele por que afinal ele havia me respondido com um “não” tão seco, se tinha o produto a oferecer. Foi então, graças a explicação do vendedor, que descobri que no Brasil “pois não”não era não, era sim …

 

Ariella Segre é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar a sua história, também. Escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: “tire a barriga do balcão”, ensina Antonio Nasraui, do Rei do Mate

 

 

O dono do negócio não tem de estar com a barriga no balcão, como se costuma dizer popularmente, mas à frente dele, olhando o que está acontecendo na sua loja, com o olhar do consumidor. A recomendação é de Antonio Carlos Nasraui que ocupa o cargo de CEO do Rei do Mate, que se iniciou com o pai dele em uma loja popular, no centro de São Paulo, e atualmente é uma franquia com cerca de 330 pontos de venda, espalhados pelo Brasil. Ele foi entrevistado por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da radio CBN.

 

Com base na experiência que adquiriu desde que assistia ao pai na primeira loja montada na avenida São João, Nasraui lembra aos franqueados que é nos detalhes que se percebe a qualidade do produto e do serviço oferecidos. Uma lâmpada queimada ou lâmpadas com coloração diferentes transmitem mensagem de desleixo. Um pano de limpeza esquecido em cima da geladeira, também: “passa um dia, passam dois, de repente essas coisas viram paisagem, passam a fazer parte da imagem da loja”.

 

Outra lição que aprendeu com o tempo: se o cliente pagou por um copo de café ou de chá e não bebeu tudo, alguma coisa errada tem; ou o sabor não estava bom ou a temperatura não estava correta. É preciso atenção. E Nasraui faz questão de transmitir esse conhecimento a toda rede de franqueados pois sabe que são ensinamentos que ajudam no sucesso de uma loja: “O meu franqueado é o maior patrimônio, eu preciso fazer ele ganhar dinheiro, ele precisa estar feliz porque ele é que vai vender o meu negócio para outros franqueados”

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Participam do programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: as marcas do futebol gremista, na Libertadores

 

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Libertadores – Estádio Nilton Santos RJ

 

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Arthur deixa a sua marca (reprodução SporTV)

 

Personalidade e maturidade foram marcas do futebol gremista na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Típicas de um time copeiro, experiente em competições sul-americanas e consciente do seu potencial. Não por acaso estamos em nossa décima-sétima Libertadores, já fomos quatro vezes à final e buscamos o Tri.

 

O Grêmio de Renato soube reduzir os riscos contra um adversário empurrado por sua entusiasmada e confiante torcida, que acabara de vir de uma vitória em clássico, no Campeonato Brasileiro. Sabia da pressão que poderia sofrer e soube trabalhar diante deste desafio.

 

Fez questão de ficar com a bola no pé e trocar passes sem precipitação, com precisão – esta que, aliás, é outra de nossas marcas, desde a temporada passada. Jogou com inteligência, tendo Arthur mais uma vez demonstrado talento acima da média na condução da bola.

 

Marcou com firmeza, expondo-se pouco ao perigo e contando com a experiência de jogadores como Kannemann, Edílson, Leo Moura e Fernandinho. 

 

Soube aproveitar o talento de seus jogadores, mesmo sem ter em campo dois de seus melhores: Geromel e Luan.

 

Nosso zagueiro mitológico mais uma vez foi substituído pela segurança de Bressan.

 

Já Luan não tem substituto em solo brasileiro, portanto não havia como esperar que alguém reproduzisse suas qualidades.

 

Nada está decidido, mas a decisão será na Arena, com a torcida a se somar aos nossos talentos. Sem contar que Renato terá de volta – é o que se espera – Geromel e Luan, marcas importantes desta equipe.

 

Por mais difícil que seja o confronto da próxima quarta-feira ou por mais que empate com gols seja favorável ao adversário, o Grêmio está firme e forte a caminho de deixar mais uma marca na Taça Libertadores.

 

 

A simbiose burocrática de Galbraith e a corrupção solta no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Quando os holofotes persistem em mostrar as relações espúrias entre as grandes corporações públicas e privadas é impossível não se lembrar da obra de John Kenneth Galbraith. O economista que na década de 1960 alertou para o perigo da tecnoestrutura, na qual personagens tecnocráticas e políticas dos setores governamentais e privados agiriam pelos interesses próprios. A tecnoburocracia seria um sistema promíscuo e corrupto, designado como “simbiose burocrática”.

 

O acerto dessa previsão basta para recomendar a obra deste professor de Harvard e economista do presidente John F. Kennedy, com um invejável acervo de notáveis, tanto seguidores como críticos.

 

Milton Friedman, assim como Paulo Krugman, que o designava como um “economista da mídia”, eram adversários intelectuais.

 

O economista Paul Samuelsen rebateu-os:

 

“Galbraith será lembrado e lido quando a maioria de nós, laureados com o Prêmio Nobel, estiver enterrada em notas de rodapés nas estantes empoeiradas das bibliotecas”.

 

Samuelsen estava certo quanto a utilidade da obra de Galbraith, onde se destacam “A sociedade afluente” (1958), “O novo estado industrial“ (1967) e “A economia e o objetivo público” (1973).

 

Nos Estados Unidos, durante o governo Bush, a “simbiose burocrática” atingiu níveis históricos. Na administração Clinton a subordinação estatal às prioridades dos grandes grupos econômicos foi um fato.

 

O Brasil, então agora tido como campeão mundial da “simbiose”, dispensa apresentações. Apenas a ressaltar a atuação de Eduardo Suplicy, como intelectual e acadêmico da obra de Galbraith.

 

Articulista da Revista de Economia Política da FGV, como professor e Ph.D. em Economia pela Michigan State University, Suplicy citou inúmeras vezes a contribuição de Galbraith. Em dezembro de 2006, publicou um artigo em que relata:

 

No Brasil, a “simbiose burocrática” está presente em muitas áreas. Forma-se um quadro de crescente interação entre grupos privados e funcionários governamentais que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares. Isso é um fato, um fenômeno da vida tanto das sociedades desenvolvidas como de países em desenvolvimento, como o nosso. Os quadros técnicos se movimentam das grandes empresas para o governo e vice-versa, configurando uma situação de captura das alavancas decisórias governamentais.

 

Pena que o ex-senador Suplicy, que já tinha assinado em 2005, aos prantos, pela CPI da corrupção do governo de seu partido, o PT, e, em 2009, deu cartão vermelho da tribuna do Senado a José Sarney, não tivesse levado o artigo acadêmico à ação e impedido a explosão de corrupção que assolava a nação.

 

Será um desmentido à epigrama de Bernard Shaw?

 

“Quem sabe faz, quem não sabe ensina?”

 

Ou afirmação à fala de Carlos Lacerda?

 

“Somos um povo honrado, governado por ladrões”

 

Honradez essa considerada discutível por Carlos Heitor Cony em seu artigo de domingo, na Folha de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.