Grêmio 0x0 Palmeiras
Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre
Na última rodada, invocamos duas lendas para tentar salvar o Grêmio. Felipão e Renato Gaúcho estavam lado a lado, à beira do campo, carregando nas costas 22 títulos conquistados com a camisa tricolor. Nem assim escapamos da derrota.
Talvez duas lendas não sejam suficientes.
Diante de nossas carências e da situação calamitosa dos clubes gaúchos no Campeonato Brasileiro, será preciso reunir todos os espíritos que ajudaram a construir nossa história. Nesta manhã de 20 de setembro, começamos por Eurico Lara.
No Dia do Gaúcho, o goleiro imortal encorpou Weverton.
Foi ele quem segurou o adversário e impediu que o início da nova temporada de Renato Gaúcho se transformasse em mais desalento. Garantiu um ponto que parece pouco diante da nossa história, mas pode valer uma vida quando chegarmos à última rodada.
O Palmeiras chutou. Weverton defendeu.
O Palmeiras pressionou. Weverton resistiu.
Se faltou futebol ao Grêmio, não faltou goleiro.
O empate por 0 a 0 está longe do resultado que desejávamos diante da nossa torcida. Também não esconde os problemas da equipe. O Grêmio ainda encontra enorme dificuldade para transformar disposição em domínio de jogo. Renato terá muito trabalho. E pouco tempo.
Faltam dez rodadas. Dez jogos para impedir que o Imortal Tricolor seja novamente derrubado à segunda divisão. Dez oportunidades para recuperar pontos, confiança e, se possível, algum futebol. Nessa realidade, cada ponto conta. Até aquele conquistado com as unhas do goleiro.
A última defesa resumiu a partida. Ao descrever o lance, Weverton disse que era uma daquelas bolas em que o goleiro se joga sabendo do risco de quebrar um braço. Nessas horas, explicou, tudo se faz em nome de uma glória maior.
Como não pensar em Eurico Lara?
Lara deu a vida pelo Grêmio. Weverton não precisou chegar a tanto — ainda bem. Esteve disposto, porém, a colocar o próprio corpo em risco para impedir que a bola atravessasse a linha. Entre o braço que poderia quebrar e a rede que precisava permanecer intacta, escolheu o Grêmio.
A arquibancada entendeu o recado.
O torcedor compareceu à Arena disposto a empurrar o time para longe da zona-que-você-sabe-qual-é. Cantou, incentivou e acreditou. Percebeu que não estamos apenas disputando pontos. Estamos lutando pela sobrevivência.
O Dia do Gaúcho carrega símbolos de resistência, identidade e pertencimento. Neste 20 de setembro, a data encontrou o Grêmio necessitado de todas essas virtudes. Não havia lança, cavalo nem lenço ao pescoço. Havia um goleiro de luvas diante de uma bola que procurava o caminho da nossa rede. E ele não deixou passar.
Eurico Lara tornou-se verso no hino e memória permanente no coração tricolor. Neste domingo, por alguns instantes, pareceu estar novamente diante da goleira gremista.
Tinha outro rosto. Outro corpo. Outro nome.
Chamava-se Weverton.
Um empate não salva uma temporada. Apenas nos oferece mais um pouco de chão para caminharmos à beira do precipício. Hoje, esse chão foi sustentado pelos braços do goleiro.
Se duas lendas não foram suficientes na rodada passada, começamos a convocar as demais. Eurico Lara foi o primeiro a atender.
Que venham todas.
Vamos precisar.





