Conte Sua História de São Paulo: na mesma praça, na mesma casa e o mesmo amor

 

Por Ademir Ferreira da Silva
Ouvinte da CBN

 

 

 

Minha história começa lá em meados do ano de 1996, quando estava para completar 18 anos. Queria muito servir o exército. Então, comecei o processo e para minha alegria deu certo. Iniciei minha carreira militar e dei continuidade em minha vida. Nesse período, entre idas e vindas, de casa para o quartel do quartel para a casa, conheci uma garota e logo começamos a namorar. Os pais dela eram separados e combinamos que no fim do ano de 1997, eu iria conhecer a mãe dela que morava lá em São Sebastião, litoral norte. E isso ocorreu. Só que chegando lá, para minha tristeza,  a mocinha me falou que não queria mais nada comigo. Nossa que terrível! A casa estava cheia de pessoas que eu nunca tinha visto. Enfim, acabei ficando por lá mesmo e caindo no samba com o pessoal. Foi, então, que conheci a Katia, que hoje é minha esposa. A Kátia era a prima da menina que me dispensou.

 

No começo tivemos muitas dificuldades, pois as pessoas não aceitavam nosso namoro. Os anos se passaram, namoramos e casamos. Hoje, estamos muito felizes. Todos entenderam que nos amamos e, assim, conseguimos voltar a viver unidos e amigos.

 

Em outubro do ano passado voltamos lá em São Sebastião, tiramos fotos no mesmo lugar que tínhamos feito nosso primeiro retrato juntos, em dois de janeiro de 1998. Estávamos no mesmo lugar, na mesma pracinha, em frente a casa onde tudo começou, que, por sinal, está do mesmo jeito, as mesmas cores nas paredes, as mesmas cores nas janelas. Nós pudemos voltar no tempo, nesta relação registrada em fotografias.

 

Ademir Ferreira da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para milton@cbn.com.br e depois ouça sua história aos sábados, no CBN SP.

Conte Sua História de São Paulo: meu apartamento novo na rua Aurora

 

Por Adalberto Pessoa Junior
Ouvinte da CBN

 

 

No início da década de 1970 meus únicos dois primos que conviviam comigo em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, se mudaram para São Paulo. Desde então, comecei a vir para esta cidade sempre que podia, sobretudo no período de férias ou quando estava de passagem fazendo outras viagens. Eles moravam na Alameda Barão de Limeira, próximos de uma outra tia querida que morava na Rua do Arouche.

 

Os períodos nos quais passei em São Paulo deixaram as melhores lembranças. Meus primos sempre reservavam novos passeios que sabiam que eu iria gostar. Além dos típicos passeios ao zoológico, simba-safari, museu do Ipiranga, começamos a acompanhar também a chegada dos novos shoppings. Fiquei de boca aberta ao ver pela primeira vez o Shopping Eldorado logo após ser inaugurado, em 1981. Me levavam a restaurantes típicos, como um que servia comida típica goiana… naquela época nem tinha noção da existência de tantos restaurantes típicos!
 

 

E assim foi ao longo de minha infância e adolescência. Mas, de tudo, o que eu mais gostava era passear pelo centro de São Paulo, a pé, junto com eles. Passar pela Rua Direita, nem que fosse rapidamente, era obrigatório. Na época, a região já tinha fama de apresentar um “certo perigo”, pois havia trombadinhas e prostitutas. Porém, isto nunca foi um problema, pelo contrário, tudo era novidade e me divertia.
 

 

Ao completar 18 anos fui estudar em Minas Gerais, mas as paradas em São Paulo continuavam durante os feriados e férias, pois eles moravam ao lado da antiga rodoviária, aquela com cobertura colorida no bairro da Luz, que  hoje é vizinha da Sala São Paulo e da Cracolândia. Caminhando, chegava em 10 minutos até a casa deles.
 

 

O tempo passou, me formei, fui trabalhar em diferentes cidades do interior de São Paulo, mas as paradas nesta cidade eram obrigatórias e continuaram até que ambos se casaram e foram morar longe do centro, na zona sul e estão lá até hoje. Porém, eu gostava mesmo era de permanecer no centro e foi quando passei a frequentar a casa de um tio que era ator e morava no bairro do Bixiga. A paixão pela cidade aumentou. Ia muito ao teatro, shows e frequentava regularmente os mesmos ambientes dos atores.
 

 

O tempo passou, me casei e não perdi a primeira oportunidade de mudar para São Paulo. Desde 1998, moro no Alto da Lapa. Cinco anos atrás em um dos constantes passeios pelo centro, a caminho de um delicioso restaurante peruano, não resisti e comprei um apartamento na planta, na Rua Aurora, próximo a Praça da República, no meio da muvuca. Quase ninguém da família ou dos amigos conseguiu entender essa nova aquisição… apenas o meu tio, o ator!! O espanto sempre vinha acompanhado da seguinte “pergunta-afirmação”: mas você não vai morar lá, vai?! Minha resposta sempre é a mesma: por que não?
 

 

Recentemente o prédio ficou pronto e o apartamento está em fase final de conclusão. Meu filho e eu ainda estamos decidindo quem vai morar lá, pois ele também quer! Cada vez que vou ao apartamento acompanhar a obra de conclusão, fico com mais vontade de viver ali, pois é onde encontro o mundo todo vivendo na vizinhança, e posso ir caminhando a teatros, cinemas, exposições, shows e excelentes restaurantes.

 

Como sempre dizíamos 45 anos atrás: o centro é passado, presente e futuro.
 

 

Adalberto Pessoa Junior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe e envie seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: a camisa de futebol que me salvou a viagem

 

Por Neide Brum Duarte
Ouvinte da CBN

 

 

Eu moro em Bom Jesus dos Perdões, São Paulo, uma cidade pequena e distante da capital mais ou menos 70km. Eu vou à capital com certa frequência. E há mais de 10 anos, em uma dessas idas, eu levava um amigo para uma audiência no Fórum da Barra Funda, na zona Oeste. Íamos, esse meu amigo, duas filhas dele, eu e meu filho mais novo que morava na capital para estudar. Meu filho Guilherme é corintiano fanático — a segunda pele dele é (agora é um pouquinho menos) a camisa do Corinthians.

 

Bem, fomos com tempo para chegarmos ao fórum antes da audiência. Mas logo na chegada a São Paulo, meu carro que era novo teve uma pane na rodovia Fernão Dias. Fiquei apavorada, liguei o pisca alerta e desci do carro para colocar o triângulo. Meu filho desceu e meu amigo também para pedir que os carros desviassem. Foi horrível. O que fazer??? Telefonei para a seguradora que se prontificou a mandar um guincho e um táxi, ficamos à espera e as coisas nesse caso demoram um século.

 

De repente, eu vejo uns homens vindo em nossa direção. Fiquei com medo pois aquele lugar é bem feio. Os homens se aproximaram, uns fizeram uma espécie de muro na rodovia parando o trânsito e outros tiraram o carro, no braço, e o puseram no acostamento. Acredita????

 

Depois de feito isso, eu comecei a chorar de emocionada e fui humildemente agradecer a um deles que me pareceu o líder: — Muito obrigada, nem sei como lhe agradecer. Ele me respondeu: — Senhora, não me agradeça; nós não viemos por sua causa, nem a vimos, nós viemos por aquela camisa!!!Acredita???

 

A camisa do Corinthians salvou o meu dia em São Paulo.

 

Neide Brum Duarte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br

Sua Marca: a fórmula do sucesso de marcas centenária

 

 

Têm marcas que passaram de pai para filho com a mesma competência com que se mantiveram no cenário de uma geração para outra de consumidores. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre as marcas centenárias e a fórmula do sucesso:

 

“Relevância é fruto da consistência combinada com a renovação” — Cecília Russo

 

Mate Leão, Coca Cola, Salton e Droga Raia são algumas das marcas lembradas no programa que conseguiram se manter presentes no mercado mesmo diante da sua longevidade —- ou graças a sua longevidade.

 

“São um sucesso, primeiro porque fazem um trabalho consistente; e segundo porque o mundo precisa desses pilares de permanência, dessas referencias históricas” — Jaime Troiano.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Soluções exponenciais para crescimentos exponenciais

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Tivemos terça e quarta-feiras no complexo do JK Iguatemi, em São Paulo, o 9º FORUM Internacional de Gestão de Redes de FRANQUIAS E NEGÓCIOS. Coube a Lyana Bittencourt, diretora da Bittencourt G&S, demonstrar que o franchising além de criar plataformas exponenciais, um dos temas centrais do evento, deve ser uma plataforma em si. Caminho que várias franqueadoras já estão usando.

 

O conceito da criação de plataformas exponenciais, de acordo com Salim Ismail, da Singularity University, criador da expressão “Organizações Exponenciais” e autor do livro sobre o tema, é a mudança do pensamento linear para o exponencial, e a assimilação das inovações tecnológicas digitais. Ao usar a inteligência artificial, a biotecnologia, a neurociência, as novas matrizes energéticas etc — e ser ágil e adaptativo –, obteremos mais acessibilidade e custos menores. O crescimento será exponencial. Mas não será fácil, pois as estruturas terão que estar prontas. Deverão trilhar o percurso que Salim adaptou do 6 D’s de Steven Kotler, focando em 4 D’s.

 

Digitalização – tudo no sistema binário
Disrupção – aniquilamento do modelo existente, como o Uber fez com os táxis
Desmonetização – redução de preços em virtude da disrupção
Democratização – acesso a todos devido a queda geral de preços

 

Lucas Mendes, da WeWork, expondo a prática da plataforma exponencial que utiliza, chamou a atenção pela importância da estrutura organizacional com apenas um nível hierárquico para dar agilidade e criatividade a operação.

 

Jean Klauman da Linx anotou o crescimento do e-commerce de 12% no último ano, menor que o 22% do anterior, mas bem maior do que o do mundo físico. O destoante é que ao lado da evolução digital surgiu um gargalo no prazo de entrega que subiu de 3 para 4 dias, enquanto na China estão entregando na mesma cidade em 20 minutos.

 

A Arezzo&Co que agrega hoje a Anacapri, Shutz, Alexandre Birman, Fiever e Owme, na palavra de Silvia Machado, ressaltou o progresso alcançado pelo grupo, criando marcas bem segmentadas que, sem canibalismo, potencializa a operação. E inova com a prateleira infinita. É a conexão entre o estoque da loja física com as demais lojas e canais e com o CD. Para produtos que possuem cores e tamanhos, a previsão de vendas que é crucial para o varejo, se torna ainda mais difícil e a propensão a sobra é grande. Essa interligação de estoques diminui o risco. De quebra possibilita teste drive num raio de 1 km.

 

Algumas verdades conhecidas no passado, mas ainda não assimiladas, começam a ser absorvidas.

 

Por exemplo, a vantagem de estar em marketplaces, a eliminação do caixa passando a função aos vendedores e a omnicanalidade entre todos os canais de atendimento com participação de todos na venda com percentuais pré-definidos. Nesse caso, o entusiasmo de Sacha Juanuk da Mormaii é contagiante.

 

Dorival Oliveira do McDonald’s apresentou a atenção especial que a empresa tem dispensado ao lado externo do balcão e a descoberta que a rapidez exagerada na operação incomoda o cliente, que prefere mais atenção do que pressa. Ao mesmo tempo que destaca a introdução da flexibilidade nos produtos possibilitando escolhas customizadas no momento da compra, que está sendo bem recebida.

 

As entregas das compras pela internet têm encontrado dificuldades com os consumidores que trabalham fora. Para resolver esta questão, João Cristofolini criou a Pegaki — local para retirada de produtos. Bom negócio para os clientes e também para lojistas que podem disponibilizar pequenos espaços para locar para a Pegaki.

 

Carlos Fernandes da RiHappy mostra a vantagem da operação grandiosa. Com áreas que permitem locais de entretenimento e parcerias como a da Disney, que diferentemente de outros países localizam suas lojas nos territórios da loja RiHappy.

 

O digital, impregnado em todos os casos apresentados, vieram sempre acompanhados da ética e do social. Entretanto cabe aqui destaque para Hugo Bethlem, Rony Meisler e Mauricio de Souza.

 

Bethlem, Diretor Geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, cita Adam Smith em “Riqueza das Nações”, ao estabelecer que territórios, jazidas, mananciais naturais, etc, não garantem a riqueza de um país, mas sim o trabalho qualificado e ético. E defende o capitalismo como a única maneira eficiente de formar nações prósperas.

 

Rony Meisler, presidente do Instituto e CEO da Reserva, técnico de formação, é um humanista aplicado, levando a Reserva a relações sociais como prioridade — retiro maternidade de 45 dias para os pais, admissão de idosos para a frente de loja, atenção especial aos especiais.

 

Maurício, filho de Mauricio de Souza, fez o grande final do evento, demonstrando que com ética e competência se pode chegar a números grandiosos.

 

Enfim, o FORUM foi uma extraordinária e chocante experiência. Os casos apresentados mostrando a multiplicação do sucesso alcançado, escancaram a disparidade entre o momento político em que o Brasil vive e o mundo dos negócios.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Marcelo Coutinho fala do passo a passo do processo de venda

 

 

“Toda venda tem começo, meio e fim. Ela tem um processo; e como se desenvolve esse processo? Ao longo deste processo, eu tenho de ter a atenção do cliente, estruturar um discurso racional, inteligível e, terceiro, torná-lo emocionante” — Marcelo Gonçalves Coutinho CEO da Intermind Desenvolvimento Empresarial

 

Fazer a pergunta certa no momento certo é uma das estratégias para melhorar os resultados das vendas sugeridas por Marcelo Gonçalves, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo. Autor do livro “A venda nossa de cada dia — a nova bíblia de vendas”, Gonçalves identifica as cinco etapas do processo de venda: a preparação, a exploratória, a discursiva, as objeções, os sinais de compra e o fechamento. Um dos conceitos defendidos em seu trabalho é o de vendas neurais:

 

“Vendas neurais tem como base a neurociência e focar no cliente e não mais no produto, entender como está funcionando o cliente”

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nos perfis da rádio no Facebook e no Instagram. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. O Mundo Corporativo tem a participação de Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: como os profissionais liberais podem usar o branding a seu favor

 

 

Profissional liberal não é marca nem produto mas é julgado a partir de sua prática assim como de sua imagem, portanto cuide dela — a orientação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Em conversa com Mílton Jung, eles lembram que tudo pode ser “branded”: uma pessoa, um produto ou um serviço que oferece algo para o mercado está sujeito às leis do branding.

 

Russo comenta, ainda, que apesar de uma coisa ser falar de produto e outra ser falar de pessoas, em comum existe um conjunto de associações, positivas ou não, que envolvem a ideia desse profissional — que pode ser um advogado, um arquiteto, um médico, por exemplo. Ela chama atenção para o fato de que a marca dos profissionais liberais é o nome e o sobrenome.

 

Pensem em um psicólogo famoso: sua imagem, se for boa, é revestida de atributos que vão sendo construídos pouco a pouco. Demora para criar uma reputação profissional mas descrevemos tal profissional por meio de qualidades: sério, calmo, competente, sabe o que fala, etc. Diferentemente das marcas, são associações que emanam de sua prática, do dia a dia. Mas isso não quer dizer que não se possa dar alguns passos para lapidar a sua imagem de profissional liberal.

 

O cuidado com a marca passa pelos valores internos, mas também os externos, como o ambiente de trabalho onde atende as pessoas e as roupas que veste.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: o desconhecimento jurídico trava o desenvolvimento de startups no Brasil, diz Eduardo Matias

 

 

 

Para 67% dos empreendedores a maior causa de fracasso das startups é o desentendimento entre sócios a respeito de questões que não estavam previstas no acordo prévio — a falta desses cuidados legais também faz com que boa parte dos investidores tenha receio de colocar dinheiro em um novo negócio.

 

Ao não considerar os tributos na hora de fazer o planejamento, 46% dos empreendedores dizem ter sofrido no bolso; enquanto 34,43% disseram ter dificuldade na contratação de funcionários em razão de não conhecer as possíveis modalidades jurídicas de formalização do vínculo empregatício e 39,34% encontraram problemas por já existir registro de um domínio eletrônico igual ao que pretendiam utilizar.

 

Esses foram alguns dos resultados encontrados pelo Panorama Legal das Startups, pesquisa realizada pelo escritório NELM, que entrevistou 108 companhias brasileiras. O advogado Eduardo Felipe Matias, entrevistado por Mílton Jung no programa Mundo Corporativo, foi um dos coordenadores do estudo. Ele falou, também, sobre a importância de o Estado criar condições para o desenvolvimento de startups:

 

“A gente está vivendo uma verdadeira revolução: uma revolução tecnológica —
uma quarta revolução industrial. O Brasil vai ficar para trás nesta onda ou ele vai conseguir acompanhar? E para isso o papel do Estado é fundamental. Então, como ele pode ajudar? Ele pode ajudar tornando o ambiente do negócio melhor ou pode ajudar tornando as pessoas mais preparadas para o ambiente inovador, para inovarem, para empreenderem”

Conte Sua História de São Paulo: os passeios com meu avô na praça do Municipal

 

Por Raul Magliari

 

 

Tenho 65 anos e sou paulistano com muito orgulho. Nasci na Rua Tamandaré próximo a Rua do Glicérico, Rua da Glória e a Lava-Pés — local onde existia uma escola de samba que saía ali da rua Sinimbu. A sede da escola ficava do lado de uma carvoaria — sim, vendiam carvão de carroça, nunca vou esquecer! Tinham também os campos da várzea do Glicérico ao lado da Igreja da Paz, onde fiz a primeira comunhão.

 

Estudei “Bacurau” — o espirita — no Grupo Escolar Cruzeiro do Sul, que ainda funciona com as mesmas características, que ficava ao lado do Morro do Piolho onde eu empinava pipa e jogava bola após as aulas —- que saudades. Lembro ainda que no fim da rua espírita — era uma rua sem saída — tinha uma fábrica de chapéus que se não me falha a memória era chamada Ramenzoni.

 

Freqüentei muito, levado por meu avô, a praça em frente ao Teatro Municipal onde tem a fonte com cavalos — acho que é a praça Ramos de Azevedo — e lembro das palmeiras que eram imensas. Tinha o bonde que ia até a Praça Clóvis Bevilaqua — andei nos dois tipos: abertos e fechados. Era sensacional! Depois fui estudar no Colégio Paulistano que era o reduto da classe média da Aclimação — o colégio ficava na rua Taguá, depois virou FMU e hoje deve ser Unip.

 

Como disse, tenho orgulho de ser paulistano da gema, de um local que malhou muitos judas como era tradição até pouco tempo atrás. Hoje, infelizmente, temos que malhar outros judas que anda por ai, que não são bonecos — bem você sabe quem são.

 


Raul Magliari é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br