Vínculos: o que nos forma, o que nos transforma


Por Beatriz Breves

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Um exemplo indiscutível de que é pelo vínculo que nos constituímos são as conhecidas “crianças selvagens” — aquelas que, por circunstâncias extremas, se relacionaram e, portanto, se vincularam, no início de suas vidas, predominantemente com animais e não com seres humanos. Observa-se que, nesses casos, a criança criada por um cão demonstrou comportar-se como um cão; por lobos, como um lobo; por galinhas, como uma galinha. Assim, cada criança revelou identificação e comportamento conforme o modelo oferecido pelo animal que a acolheu. Em outras palavras, cada uma espelhou sua identidade no vínculo estabelecido durante o seu processo de formação e desenvolvimento, evidenciando o poder que as relações exercem sobre a construção do Eu.

Sem dúvida, esses casos servem como constatação de que os vínculos que construímos ao longo da vida, especialmente os primeiros, são os que oferecem os elementos mais decisivos na constituição de quem somos. São eles que moldam nossas percepções, influenciam nossas escolhas e estruturam o Eu que nos tornamos — ou, mais precisamente, o Eu que sentimos ser.

Não é difícil compreender esse processo, já que é desde a fecundação — ou seja, desde o início dos vínculos — que se pode perceber a trama das relações: com a mãe, com o pai, com irmãos, amigos, colegas, professores, parceiros etc. Alguns vínculos são intensos e transformadores; outros, frágeis e superficiais. Todos, porém, participam, de algum modo, da construção e da evolução da nossa identidade, do nosso Eu.

Dessa forma, desenvolver vínculos e, sobretudo, qualificá-los é fundamental para vivermos com mais saúde, autonomia e bem-estar biopsicossocial. Relações saudáveis funcionam como alicerces que sustentam nosso crescimento, fortalecem a autoestima e ampliam nossa capacidade de enfrentar desafios. Quando cultivamos vínculos de qualidade, abrimos espaço para sentimentos genuínos de pertencimento, amparo e valor pessoal — elementos essenciais para uma vida mais equilibrada e significativa.

A qualidade das relações

Se a relação é a base do vínculo, é a qualidade dessa relação que determina se ele será construtivo ou não. Uma relação pode gerar um vínculo capaz de cuidar, amparar e construir, assim como pode gerar intoxicação, maus-tratos e destruição. Dependendo de como é vivida, a mesma interação que nutre pode ferir; a que acolhe pode sufocar.

Nesse contexto, surgem questões fundamentais: o que leva uma pessoa a desenvolver vínculos saudáveis, aqueles que promovem crescimento? E o que leva alguém a estabelecer vínculos destrutivos, que ferem, sufocam e desgastam? Como transformar padrões relacionais que se repetem ao longo da vida, mesmo quando já não fazem mais sentido?

Essas perguntas revelam a complexidade do universo relacional. Para respondê-las, é preciso reconhecer que os vínculos se formam nos encontros entre, pelo menos, duas pessoas que carregam consigo memórias, expectativas, medos, aprendizados e feridas — uma combinação de experiências alegres e dolorosas de uma história pessoal. A qualidade do vínculo dependerá, em grande medida, do que cada um traz e de como isso se manifesta na relação. Cada encontro é, portanto, um entrelaçamento de mundos internos que podem entrar em conflito ou encontrar harmonia.

Lembro de um amigo que, em uma roda de conversa, recorrendo ao humor, dizia que, para um casal dar certo, era fundamental que as “loucuras” de cada um se encaixassem. Apesar do tom leve, há nisso uma verdade consistente. Relacionamentos saudáveis não exigem perfeição, mas sintonia: a capacidade de reconhecer as singularidades do outro, acolhê-las e construir um ritmo possível entre duas subjetividades que nunca serão idênticas.

Comunicação: o que se diz sem palavras

É justamente nesses emaranhados que a comunicação ganha centralidade — não apenas a comunicação verbal, mas, sobretudo, a não verbal. Grande parte do vínculo se constrói na linguagem silenciosa dos gestos, dos olhares, das pausas. Esses elementos dizem muito no encontro com o outro. É nesse território sutil que se constroem confiança, acolhimento e presença — ou, no sentido oposto, distância, tensão e insegurança.

Quando conseguimos construir vínculos que respeitam nossa singularidade e a do outro, abrimos espaço para relações que nutrem, fortalecem e ampliam quem somos. Talvez seja aí que resida uma das maiores capacidades humanas: a de se transformar por meio do encontro com o outro, fazendo de cada relação uma oportunidade de crescimento e reinvenção.

Beatriz Breves é presidente da Soc. da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com Esp. em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia tit. Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

O perigo dos “especialistas” em longevidade

Por Diego Felix Miguel

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Nunca foi tão fácil se apresentar como especialista em longevidade; e tão difícil sustentar esse título na prática. 

Deixo um aviso direto: trabalhar com pessoas idosas ou vender produtos e serviços para esse público não torna ninguém, automaticamente, especialista.

Prezada leitora, prezado leitor, não leia este início como arrogância. Pelo contrário: trata-se de um alerta necessário diante da urgência do tema.

Nos últimos anos, ganhou força um movimento essencialmente mercadológico, formado por profissionais que se apoiam em termos de impacto para projetar autoridade. Dominam o tom de voz e as redes sociais, mas não se sustentam quando convidados a aprofundar o tema.

A Gerontologia é uma ciência. Exige uma compreensão que perpassa a dimensão biopsicossocial e um olhar apurado sobre demandas e políticas públicas — especialmente em um país marcado por desigualdades profundas. Não se trata de uma disputa de mercado ou de protagonismo profissional.

O fenômeno é perigoso: distorce a compreensão do envelhecimento, compromete a qualidade dos serviços ofertados e pode impactar diretamente decisões em saúde, cuidado e políticas públicas.

Não há compreensão real do envelhecimento sem estudo e rigor científico. Experiência prática e leitura são valiosas —, mas não substituem formação consistente quando o tema é complexo. O que está fora disso pode contribuir, mas não confere, por si só, o título de especialista.

Escrevo com a experiência de mais de 20 anos de atuação e estudo em Gerontologia.

Há casos de livros em circulação escritos por inteligência artificial, com textos bem estruturados à primeira vista, mas que, ao menor aprofundamento, revelam erros conceituais graves, referências inexistentes e até nomes de autores grafados incorretamente.

Em muitos espaços, a produção acadêmica e os títulos formais passaram a disputar atenção, em desvantagem, com o número de seguidores e a estética de vídeos bem editados. O resultado é uma informação conceitualmente fraca, generalista e, muitas vezes, sem compromisso ético.

Se você está organizando um evento ou buscando referências na área, vale adotar alguns critérios simples — e cada vez mais necessários:

Observe a aderência à realidade — verifique se há compreensão da diversidade das velhices. No Brasil, é um erro tratar pessoas idosas como um grupo homogêneo ou pressupor acesso universal a serviços privados.

Vá além do currículo visível — investigue a formação e a prática profissional. Especialização exige foco; ninguém domina todos os temas.

Considere o vínculo institucional — priorize profissionais ligados a universidades, sociedades científicas ou serviços de referência. Solicitar comprovação de formação é uma medida legítima e valoriza a qualidade da atividade.

O objetivo aqui não é desqualificar indivíduos, mas valorizar quem realmente investiu tempo, pesquisa e dedicação à ciência da longevidade. Em meio à superficialidade, o conhecimento fundamentado segue sendo o melhor filtro.

Em um país que envelhece a passos largos e de forma desigual, vamos continuar valorizando quem edita melhor vídeos ou quem se compromete com a ciência e a ética das nossas velhices?

Diego Felix Miguel é doutorando em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP, especialista em Gerontologia pela SBGG e presidente do departamento de Gerontologia da SBGG-SP.

O estigma do cuidado: o viés machista na representação da Primeira-Dama

Por Christian Müller Jung

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A estrutura política e cerimonial brasileira, embora envolta em uma aura de tradição e sofisticação, preserva em seu núcleo um dos resquícios do passado mais resistentes da nossa sociedade: a figura da primeira-dama. O que o senso comum costuma analisar como um papel pomposo, simbólico e até mesmo requintado revela-se, sob um olhar crítico, como uma engrenagem do machismo institucional que insiste em confinar a mulher ao domínio do “cuidado” e da assistência social.

A construção da imagem da primeira-dama está diretamente vinculada a uma identidade de gênero que projeta na esposa do governante a responsabilidade pelas demandas sensíveis da nação. Baseado em uma mística de valores ditos femininos — como a caridade, a sensibilidade e o amor materno —, o imaginário social criou a ideia da mulher abnegada que trabalha por amor.

Este cenário estabelece o que se pode chamar de protagonismo perverso. A participação da mulher no mundo público é permitida e até celebrada, desde que suas atividades girem em torno do zelo e do acolhimento. É a transposição do modelo doméstico para a esfera estatal: enquanto ao governante cabe o poder real, administrativo e econômico, à sua esposa reserva-se o papel de mãe social, uma função que administra conflitos e mantém a estrutura estabelecida por meio de um paternalismo que muitas vezes substitui o direito do cidadão pela caridade da senhora.

O grande contrassenso reside no fato de que o papel da primeira-dama não é um cargo eletivo. Não há voto, mandato ou exigência legal para que o cônjuge tenha uma atuação decisiva no governo. Por norma, a função deve ser voluntária e não remunerada, exercendo um papel estritamente representativo em esferas culturais ou diplomáticas.

A prova de que essa vocação social é uma imposição de gênero, e não do protocolo em si, surge quando observamos as novas configurações de poder. Em uniões de pessoas do mesmo sexo, como no caso do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a figura do primeiro-cavalheiro rompe essa lógica. Ao preservar sua carreira profissional — como a medicina — e não assumir a gestão das pautas sociais, o primeiro-cavalheiro expõe que a sociedade só espera o abandono da identidade individual em favor do assistencialismo quando o cônjuge é uma mulher. Onde o homem é livre para ser profissional, a mulher é pressionada a ser apenas “esposa”.

Entretanto, a história não é feita apenas de submissão. É indiscutível reconhecer que muitas primeiras-damas, percebendo a força do espaço que lhes foi concedido, transformaram o “primeiro-damismo” em uma tática de resistência. Elas subverteram a lógica da passividade, utilizando a visibilidade do cargo para pautar discussões que o sistema deixava de lado.

Por meio de discursos tecnicamente fundamentados e ações marcantes, diversas mulheres utilizaram essa plataforma para lutar pela igualdade no mercado de trabalho, pela presença feminina na política e pelo fortalecimento dos direitos das mulheres. O que nasceu como uma estratégia governamental para humanizar o governante foi convertido, por muitas delas, em um laboratório de liderança. Elas provaram que, mesmo dentro de uma estrutura desenhada pelo passado patriarcal, é possível exercer uma presença firme que desafia o binarismo e abre caminhos para as futuras gerações. Vale considerar que o perfil como esposa, mãe, avó e primeira-dama ainda permanece; porém, o que se vê hoje é uma capacitação profissional da mulher, bem diferente do que era no passado. O que antes era tratado apenas como um ‘bom coração’ hoje carrega diplomas e competências técnicas. Essa evolução transforma o antigo voluntariado em gestão estratégica, na qual a empatia cede lugar à eficácia, e a mulher deixa de ser apenas a face gentil do governo para se tornar uma articuladora política com voz, técnica e trajetória próprias.

O título de primeira-dama, por mais requintado que pareça, é um espelho de algo que ainda preservamos do passado: a dificuldade da sociedade em enxergar a mulher na política sem o filtro do cuidado doméstico. Reconhecer o viés machista dessa atuação não é diminuir as mulheres que o exercem, mas questionar as estruturas que ainda tentam definir o valor de uma mulher pela sua capacidade de servir, e não pela sua capacidade de liderar.

Christian Müller Jung é publicitário de formação, mestre de cerimônia por profissão e mentor na área de comunicação. Colabora com o blog do Mílton Jung (de quem é irmão).

Caminhando com beleza moral

Dra. Nina Ferreira

@ninaferreira.psiquiatra

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Júlia estava com o olhar perdido sobre a mesa de trabalho. Passou o dia todo assim. Marcelo percebeu e, ao fim do expediente, lhe trouxe uma xícara de chá: “Espero que fique tudo bem”.

Antônio foi enganado e prejudicado por uma pessoa que considerava próxima, a quem admirava, e ainda foi apontado como desonesto. Em nome do respeito a essa pessoa, optou por calar-se — para não causar sofrimento a outros, para não propagar o ciclo de dor.

Ana esteve ao lado do ex-marido no momento do adoecimento dele e fez o melhor que pôde para suavizar a angústia de quem um dia já partilhou tantos momentos bonitos com ela.

Beleza moral.

Existem atitudes humanas que causam encantamento, fascínio, espanto. Há pessoas que caminham pelo mundo com harmonia, encaixando-se onde são necessárias gentileza e atenção, demorando-se onde o cuidado pede tempo e um olhar atento aos detalhes.

Beleza moral arrepia. Ela materializa a honestidade, a coragem, a justiça, a generosidade, a magnanimidade. Conecta-se com algo que temos dentro de nós, uma essência que pulsa e se expande quando presencia atos de bondade e ética.

E por que esses atos têm nos causado espanto e encantamento?
Descrevendo assim, parecem tão simples. É que o simples já não vale tanto. A tecnologia, a vitrine nas redes sociais, a fama, o dinheiro, os bens materiais, “a diferenciação” — tudo isso abafa o simples.

A beleza moral parece não encontrar mais terreno onde crescer. Ela acontece, poucos veem. A pessoa desiste ou, quando não desiste (ainda bem!), caminha quase só, com pouca força para gerar grandes movimentos de mudança. A sociedade segue sem ver, sem valorizar.

Repare:: em um tempo em que reclamamos tanto de solidão, grosseria e egoísmo, não cairia bem uma boa dose de beleza moral?

Precisamos caminhar.
A vida se constrói no movimento. Agora, a pergunta é: como estamos caminhando? Que rastros cada um de nós deixa para trás ao passar?

E se alternássemos o grupo de corrida, o grupo de futebol ou os encontros com amigos com o Grupo de Caminhada da Beleza Moral?

— Vamos juntos?

Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: no limite!

Grêmio 1×0 Coritiba
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gabriel Mec marcou o primeiro gol como profissional Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio começou a partida neste domingo no limite daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Precisava pontuar. Mais do que isso, precisava conquistar os três pontos, diante dos maus resultados fora de casa. A vitória era uma necessidade.

A despeito de tudo que o torcedor mais exigente esteja pensando — e já li alguns usarem adjetivos como “aterrorizante”, o que considero um tanto exagerado —, terminamos a rodada no limite da zona de classificação para a Copa Sul-Americana. A conquista desta tarde de domingo deixou ao menos cinco adversários próximos da degola — além dos quatro que já estão lá embaixo. Ou seja, passamos a olhar para cima da tabela.

O placar minguado, diante de um adversário que ficou com um a menos ainda no primeiro tempo, não me pareceu justo diante da força ofensiva que apresentamos. Tivemos três gols anulados no ajuste da linha traçada pelo VAR: primeiro com Carlos Vinícius, depois com Wagner Leonardo e, no fim, com Nardoni. Uma goleada iminente, não fossem nossos jogadores estarem milímetros além do limite legal. Sei que gol anulado não conta. O fato, no entanto, de estarmos lá na frente, criando e chutando a gol, é uma demonstração de evolução. Quantos jogos sofremos pela falta de ambição no ataque?

Dizer que o time esteve desorganizado é outro sinal de má vontade de alguns críticos. O Grêmio tinha uma lógica na partida de hoje. Havia uma movimentação mais interessante. A maneira de chegar à frente fazia sentido, aproveitando um meio de campo mais técnico no passe e ponteiros agudos e dribladores. A chegada dos alas à frente também foi importante, sobretudo Pedro Gabriel, que tem ensaiado chutes perigosos de fora da área.

Gabriel Mec, na função de camisa 10, foi o principal destaque do time. Havia escrito na Avalanche anterior que a presença dele no meio de campo cobra de seus companheiros maior esforço na marcação. Ele, no entanto, compensa essa fragilidade no desarme com velocidade, dribles corajosos e passes de qualidade. Hoje, foi além: marcou o primeiro gol com a camisa profissional. Não por acaso, escorando dentro da área o cruzamento feito por Enamorado, outro dos nossos destaques em campo.

Gostei muito de Viery, que foi preciso nos desarmes todas as vezes que o adversário pressionou — isso sim é uma preocupação: o fato de termos permitido tanta pressão de um time em inferioridade numérica. Nosso jovem zagueiro tem tudo para se transformar em um grande nome do setor defensivo do Grêmio. E, se formos capazes de segurá-lo por aqui, pode entrar no rol de ídolos do Imortal.

Wagner Leonardo dá sinais de que poderá recuperar o futebol que o fez ser contratado pelo Grêmio no ano passado. Apareceu mais firme e equilibrado lá atrás, em condições de dar tranquilidade ao torcedor desconfiado após duas expulsões desnecessárias. Enquanto isso, Weverton foi seguro sempre que exigido, como tem sido partida após partida. E pensar que houve quem já o criticasse nas primeiras atuações com a camisa do Grêmio.

A vitória do Grêmio foi no limite. Mas era a vitória que precisávamos.

Agora é recuperar os pontos perdidos na Sul-Americana, na quarta-feira, e, no próximo fim de semana, vencer a primeira partida fora de casa no Brasileiro.

Porque, se o time aprendeu a jogar no limite, chegou a hora de mostrar até onde esse limite pode nos levar.

Conte Sua História de São Paulo: adolescente, carreguei malotes com cheques, contratos e documentos de bancos

Sérgio Slak
Ouvinte da CBN

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Estou com 68 anos e moro no bairro de Moema, na zona sul. Aos 14 anos, fiz o curso de datilografia. Naquela época, era essencial para se conseguir emprego. No começo de 1973, fui contratado pelo Banco da Bahia com o cargo de contínuo, outro nome para a função de office boy.

Trabalhava meio expediente na agência da Domingos de Moraes, nº 193, na Vila Mariana, das sete da manhã até a uma da tarde. Havia um detalhe: eu precisava pegar o malote antes na Sucursal, que ficava na Rua São Bento, nº 480, no Centro. Chegava lá por volta das 6h15 da manhã e passava por três andares para recolher os malotes: havia cheques, contratos e documentos de lançamentos em conta corrente. Coleta feita, atravessava o Vale do Anhangabaú para embarcar no ônibus 570 – Planalto Paulista, da Viação São Benedito.

Quando lembro dessa situação, fico admirado. Caminhar bem cedo pelo Centro de São Paulo, carregando malotes e sem ser importunado. Nos dias atuais, isso seria impossível.

Chegava antes das sete na agência da Vila Mariana e começava o meu trabalho interno: separar as correspondências, envelopar e deixá-las à disposição dos clientes. Os clientes gostavam de passar na agência para pegar as correspondências.

Lembro que a maioria dos processos era manual. Alguns poucos eram mecanizados, de forma bem simples. Usavam-se máquinas que lançavam as fichas de conta corrente. Havia o som das máquinas de datilografia e das de somar também — as operações aritméticas eram feitas puxando a alavanca. Outra máquina, acionada manualmente, gravava o nome e o número da conta corrente do cliente no verso da folha de cheque.

Por volta das dez da manhã, eu tinha que retornar à Sucursal, levando muitos documentos e trazendo outros tantos.

Ainda em 1973, o Bradesco comprou o Banco da Bahia, e passei a trabalhar oito horas por dia. Visitava muitas agências de outras instituições para pagar títulos e duplicatas. A maioria ficava nas ruas Boa Vista e 15 de Novembro. Eram grandes, com muitos caixas, filas e pessoas.

Aos poucos, começou a modernização. Os cheques passaram a ser magnetizados com a identificação do cliente, e o processo de informatização se iniciava. Ainda assim, existia muito papel: talões de cheques, títulos, duplicatas, contratos, extratos.

Com o tempo, vieram os caixas eletrônicos. Muitas agências foram fechadas, e as que restaram diminuíram bastante de tamanho.

É maravilhoso recordar um tempo em que, ainda adolescente, eu andava rapidamente pelas ruas de São Paulo carregando toda aquela papelada. Hoje, ao fazer todas as operações bancárias pelo celular, custo a acreditar como as coisas eram tão diferentes em um passado não muito distante. Melhor assim, pois sobra tempo para curtir esta cidade que eu amo tanto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe desta série especial em homenagem aos $72 anos da nossa cidade. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: IA no WhatsApp permite atendimento 24 horas, afirma Guilherme Horn

Guilherme Horn, WhatsApp
Guilherme Horn no estúdio do Mundo Corportivo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Precisamos todos experimentar essa tecnologia.”

Uma mãe no interior da Índia, sem acesso à educação formal, passou a ajudar os filhos nas tarefas escolares com o apoio da inteligência artificial disponível no WhatsApp. Fotografava as lições de casa e pedia para a IA explicar o conteúdo. O recurso funcionou como um professor particular, gratuito e acessível a qualquer hora. Entusiasmada, ensinou outras mães a usar essa tecnologia. Meses depois, o professor da escola em que as crianças estudam disse que jamais havia visto um avanço tão significativo no desempenho dos alunos. 

A história que abre o livro “O Midset da IA — Ela pensa, você decide” (Gente), foi, também, a que escolhi para iniciar a entrevista com o autor do livro Guilherme Horn, head do WhatsApp para Mercados Estratégicos. O exemplo revela de forma concreta, como a IA já altera rotinas e amplia possibilidades, tema da nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Redesenhar processos é onde está o valor

Nas empresas, a inteligência artificial ainda está em diferentes estágios de adoção, segundo Horn que é responsável no WhatsApp pelos mercados do Brasil, Índia e Indonésia. Parte das organizações começa pela automação de tarefas já existentes. É um primeiro movimento, mas não resolve o principal. “O valor tá quando você começa a redesenhar os seus processos”, disse Horn. 

Na prática, isso significa mudar a forma de trabalhar. Um exemplo citado por ele ajuda a visualizar esse cenário: empresas já criam agentes digitais que representam executivos e funcionários. Esses agentes analisam informações, trocam dados entre si e tomam decisões preliminares. Reuniões podem deixar de existir porque o debate acontece antes, de forma digital e assíncrona.

Esse modelo altera custos, tempo e dinâmica de trabalho. Ao mesmo tempo, exige um limite claro. “A execução pode ser transferida para IA, mas o julgamento ainda deve ser do ser humano.”

Medo, substituição e novas funções

O receio de perda de emprego aparece com frequência quando o tema é inteligência artificial. Horn reconhece esse temor: “A substituição, ela vai acontecer, é inevitável.” Ele observa, no entanto, que novas funções já surgem. Profissionais que treinam sistemas, definem contexto e orientam o uso da IA passam a ser necessários. O movimento segue uma lógica conhecida: algumas atividades desaparecem, outras são criadas. 

A mudança também atinge quem já está no mercado. “Vai ter que sair da sua zona de conforto, vai ter que aprender um pouco sobre a tecnologia.” Hoje não se imagina um profissional sem domínio básico de ferramentas digitais, por exemplo uma planilha eletrônica. Em pouco tempo, o mesmo deve ocorrer com a inteligência artificial.

O risco de produtividade ilusória

O aumento de produtividade, frequentemente associado à IA, ainda não é uniforme. Em muitos casos, há uma expectativa maior do que o resultado. “Às vezes é uma ilusão esse aumento de produtividade.”

O motivo é simples. Parte do tempo ainda é gasto ensinando a ferramenta a executar tarefas. Em algumas situações, fazer manualmente pode ser mais rápido. Esse cenário tende a mudar com o amadurecimento do uso e das ferramentas.

Pequenos negócios e operação 24 horas

No caso de pequenas empresas, o uso da inteligência artificial já traz efeitos diretos. O WhatsApp, por exemplo, permite a criação de agentes treinados com informações do próprio negócio. O empreendedor pode alimentar o sistema com catálogo de produtos, histórico de conversas e regras de atendimento. Com isso, passa a oferecer respostas automáticas e personalizadas.

Horn destaca um ponto prático: “Transformar o seu negócio em 24/7”. O atendimento deixa de depender do horário comercial. O cliente envia uma mensagem e recebe resposta imediata, mesmo fora do expediente. Essa disponibilidade amplia a chance de fechar negócios.

A relação com o consumidor também muda. Sistemas tradicionais, baseados em menus e opções limitadas, tendem a perder espaço. “O consumidor quer conversar com uma pessoa.”

A inteligência artificial permite respostas mais próximas da linguagem humana. Em vez de escolher entre alternativas, o cliente descreve o problema e recebe uma solução específica. Essa diferença reduz frustração e melhora a experiência.

Experimentar é a principal recomendação

Para quem ainda observa a tecnologia com distância, a orientação é direta: testar. “A palavra-chave nesse momento é experimentação.” O acesso a ferramentas gratuitas facilita esse processo. Criar um agente simples, testar aplicações e entender limites são passos necessários para acompanhar a transformação.

A mudança não depende apenas de tecnologia. Lideranças precisam criar ambiente que aceite erro como parte do aprendizado. Horn lembra que inovação envolve tentativa e falha — e que esse ciclo precisa ser incorporado à cultura das empresas.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Wender Starlles, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Você está se desconectando de si mesmo?

Por Beatriz Breves

Foto deVera Emilie A Bomstad on Pexels.com

Vivemos em uma época em que sentir parece ter se tornado secundário. Muitas pessoas cresceram sem aprender a reconhecer seu mundo interno e, por isso, enfrentam ansiedades difíceis de nomear e desejos que nunca chegam a se concretizar. Ao mesmo tempo, o mundo externo oferece estímulos infinitos, enquanto nossas possibilidades reais de realização, limitadas pela própria condição humana, são bem menores. Esse descompasso fragiliza o sentimento de identidade, enfraquecendo o senso de eu.

O avanço acelerado da internet e da inteligência artificial intensificou esse cenário. A hiperconectividade tornou-se parte do cotidiano: trabalhamos, estudamos, nos informamos e nos entretemos por meio de telas. Embora isso amplie o acesso ao conhecimento e facilite a comunicação, também traz desafios profundos.

Fato é que, se, por um lado, estar sempre conectado democratiza informações e estimula novas formas de criatividade, por outro, pode nos afastar de nós mesmos. A mesma tecnologia que potencializa experiências e resolve problemas também favorece a dependência digital, reduz o tempo dedicado à vida off-line, prejudica a concentração e enfraquece as relações presenciais.

É nesse ponto que surge a necessidade urgente de resgatar o sentir: aquilo que vivenciamos internamente diante de cada experiência. Em uma sociedade que valoriza excessivamente a razão e o intelecto, o sentir é frequentemente negligenciado, como se o cérebro fosse a única fonte das experiências humanas. Talvez a vida seja mais ampla do que isso.

O resgate do sentir

A ciência do Sentir propõe que o sentir é a experiência vivenciada da vibração que somos e com a qual interagimos. A partir dessa compreensão, ela nos convida a uma mudança de perspectiva: deixar de enxergar o ser humano somente por uma ótica estritamente materialista, abrindo espaço para uma visão vibracional, que integra sensibilidade, subjetividade e presença. Essa mudança amplia a nossa compreensão da realidade ao reconhecer que o mundo interno é tão importante quanto o mundo externo. Afinal, quando priorizamos somente o que acontece fora de nós e ignoramos o que se passa dentro — ou seja, o que estamos sentindo —, desconectamo-nos da própria subjetividade; e isso pode gerar vazio, desorientação e perda de sentido.

Perda de sentido que se torna cada vez mais comum quando se observa, especialmente neste início de terceiro milênio, pessoas negligenciando suas necessidades afetivas, entregando-se ao consumismo e permitindo que um ideal robótico se sobreponha ao humano. Em outras palavras, vemos indivíduos se abandonando, o que, inevitavelmente, se transforma em sofrimento.

Nesse contexto, a Psicomplexidade, como proposta pela ciência do Sentir, ganha relevância ao nos convidar a integrar pensamento e sensibilidade, a desenvolver empatia por nós mesmos. É curioso: fala-se muito em empatia pelo outro, mas raramente se discute a empatia por si mesmo, ou seja, a capacidade de ocupar o próprio lugar interno, acolher os sentimentos que estão sendo vivenciados, reconhecer as necessidades do momento e estabelecer uma conexão profunda consigo mesmo.

Em tempos de hiperconectividade, esse movimento é essencial. Precisamos estar atentos para não nos abandonarmos, não ignorarmos nossas necessidades afetivas, não nos deixarmos levar pelo consumismo nem permitir que o ideal robótico se sobreponha ao humano, pois, quando isso acontece, o sofrimento se torna inevitável.

O protagonismo diante da tecnologia

Fato é que precisamos nos escutar e nos respeitar enquanto humanos, renunciando ao ideal do “ser robótico” que o mundo contemporâneo tenta nos impor. Isso não significa rejeitar a tecnologia, que é bem-vinda e responsável por avanços importantes, mas assumir o protagonismo diante dela, em vez de permitir que determine o modo como vivemos.

Enfim, escutar-se e respeitar-se significa não permitir que o que sentimos seja abafado, que as máquinas nos sirvam de espelho para definir como vivemos, sentimos ou nos relacionamos. Significa, sobretudo, não rejeitar a nossa própria humanidade, não nos desconectarmos de nós mesmos.

Beatriz Breves é presidente da Soc. da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com Esp. em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia tit. Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Avalanche Tricolor: em busca de confiança

Grêmio 2×0 Confiança-SE
Copa do Brasil – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Copa do Brasil - Grêmio x Confiança-SE - 21/04/2026
Carlos Vinícius, Braithwaite e Amuzu comemoram vitória Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vencer era obrigação. Levar uma vantagem maior para o segundo jogo seria o ideal. O placar desta noite ficou no meio do caminho. Dentro do tolerável para um time que busca ajustes e precisava aliviar a tensão provocada pelo desempenho irregular no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana.

A presença de Gabriel Mec como meia mais avançado e livre para criar era um pedido do torcedor desde o bom desempenho dele no clássico Gre-Nal. Luis Castro tem preferido atuar com meias que voltam mais na marcação, mas percebeu que, na partida de hoje, não haveria essa necessidade. O jovem de apenas 18 anos arriscou jogadas de categoria, tentou o drible e acabou provocando a expulsão do adversário ainda no primeiro tempo.

Enamorado e Amuzu seguem sendo as melhores opções pelos lados do campo. Ambos têm o cacoete do drible, o que sempre pode ser uma alternativa, sobretudo diante de um time que joga muito fechado, como o adversário desta noite.

Dos dois, o belga, pela ponta esquerda, costuma ser o mais ofensivo quando acerta o corte para dentro, se aproxima da área e arrisca o chute. Foi assim que chegou a mais um gol e se mantém isolado como vice-artilheiro do Grêmio na temporada.

A vitória começou pelos pés de Carlos Vinícius, que precisou apenas escorar a bola chutada por Braithwaite. O goleador gremista está sempre bem posicionado e prestes a marcar. Nas partidas anteriores, não encontrou companheiros que lhe servissem em condição de gol. Hoje, porém, contou com a parceria do dinamarquês, que vem retornando aos poucos ao time, depois de seis meses lesionado.

A presença de Braithwaite jogando sem precisar ficar fixo dentro da área — função de Carlos Vinícius — foi opção de Luis Castro para o segundo tempo. E funcionou. Deu mais agilidade às jogadas de frente. Talvez valha pensar na possibilidade de usar essa formação ofensiva, nem que seja apenas em parte do jogo. Para isso, é preciso reorganizar o meio de campo, que tem Arthur como titular absoluto e ainda busca os companheiros ideais. Noriega e Nardoni não têm conseguido aparecer com o destaque desejado.

Era desejável um placar mais elástico, principalmente em função da expulsão do adversário. Ao Grêmio, porém, não cabe, neste momento, querer mais do que vitórias. É preciso ganhar jogo após jogo, retomar esse caminho enquanto Luis Castro busca o time ideal para dar consistência aos desempenhos que ainda oscilam.

Hoje, o Grêmio ganhou do Confiança. Agora precisa reconquistar a confiança.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os riscos da uniformização das marcas com o uso da inteligência artificial

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O avanço da inteligência artificial já impacta a forma como empresas produzem conteúdo, constroem campanhas e definem estratégias de comunicação. O ganho de velocidade é evidente. O risco, menos visível, aparece na perda de identidade. Como trabalhar diante do aumento de eficiência que a IA proporciona e o risco de perda de originalidade foi o tema da conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Cecília chama atenção para um movimento que contraria avanços recentes na representação de pessoas na publicidade. “Eu vejo que um dos riscos que a IA traz para a comunicação é a de estarmos dando um passo atrás em algo que já achávamos que estava resolvido.” Ela se refere ao esforço das marcas, nos últimos anos, para mostrar pessoas mais reais e diversas.

Segundo Cecília, a tecnologia pode recriar um padrão artificial ainda mais distante do cotidiano. Imagens com traços irreais, imperfeições exageradas e ausência de expressão humana voltam a ocupar espaço. O efeito prático é um recuo em uma agenda que buscava aproximar marcas e consumidores por meio da autenticidade.

Esse ponto exige equilíbrio. A comunicação também trabalha com aspiração — aquilo que desejamos ser. O desafio está em não perder o vínculo com a realidade ao tentar projetar esse ideal.

Jaime aborda outro risco: a dependência intelectual. Para ele, o uso excessivo da IA pode limitar a capacidade criativa. “Estamos cada vez mais reféns da IA”, diz. A consequência aparece no resultado final das marcas: soluções parecidas, previsíveis e pouco distintas.

Ele recorre a uma referência cultural para ilustrar o problema. “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade.” A frase, associada a Raul Seixas, reforça a ideia de que inovar exige romper padrões. Quando todos recorrem às mesmas ferramentas e bases de dados, a tendência é a padronização.

Na prática, isso significa campanhas que se parecem, discursos que se repetem e marcas que perdem aquilo que as torna reconhecíveis. A identidade — construída ao longo do tempo — passa a ser diluída por respostas automatizadas.

O alerta não é contra o uso da tecnologia. Pelo contrário. Ambos destacam que a IA traz benefícios importantes e deve ser incorporada ao trabalho. A questão central está no modo de uso. A ferramenta não pode substituir o pensamento crítico, a intuição e a criatividade humana.

A discussão reforça um princípio básico do branding: valor de marca está ligado à diferença. Quando todas falam do mesmo jeito, deixam de ser lembradas.

A marca do Sua Marca

A tecnologia deve servir como apoio, não como substituição da inteligência humana. Marcas relevantes combinam eficiência com criatividade própria e mantêm sua identidade mesmo diante de novas ferramentas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.