Conte Sua História de São Paulo: com uma mala de sonhos, cheguei à cidade

 


Por Italo Cassoli
Ouvinte da CBN

 

 

Imagine nos anos de 1970, eu, egresso de Pirassununga, com seus pouco mais de 20 mil moradores, aportava em São Paulo. Até então vivendo em uma cidade onde a paquera se dava ao redor do nosso jardim, com as moças caminhando em um sentido e os rapazes em outro, em torno de um jardim retangular. Para rever aquele broto que me interessava, demorava um bom tempo. Não bastava trocar um olhar na primeira vez, precisava torcer para que ela não fosse embora para sua casa, sempre ao lado de uma fiel escudeira ou de seu “temido” irmão, meu pretenso cunhado.

 

Eu, filho de alfaiate e costureira, sempre estava muito bem trajado… pois como dizia meu pai: ”um homem bem trajado tem meio caminho andado”.  Ele infelizmente nos deixou cedo e muita coisa mudou. Surgiu uma guerreira, visionária, minha mãe: uma mulher que ainda hoje com seus 98 anos nos mostra o caminho a ser seguido — e ainda tem forças para estrelar um comercial dos 100 anos do azeite Gallo.

 

Como visionária que sempre foi, queria apenas duas coisas na vida: comprar nossa casa própria e nos ver formados — eu e minha irmã.  Minha intenção, a única, era cursar uma faculdade pública, em São Paulo: educação física na USP. Sonhava todas as noites com isso. Em 1970, parti em busca de meu sonho. Faria o CESCEM — Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas e Biológicas, afinal Educação Física era e ainda é considerada carreira médica — existem controvérsias, infelizmente.

 

Desembarcar na antiga rodoviária, na Capital, foi um susto — um misto de medo e desafio.

 

Agora, encontrar a pensão na Rua Tutóia. Que ônibus tomar? Eu com essa mega mala em mãos, que tinha muito mais sonhos do que roupas —- apenas duas calças e algumas camisas.

 

Caetano já disse que “quando eu cheguei por aqui eu nada entendi”. Que eu nada entendia é verdade — mas essa até então desconhecida e temida cidade, me mostrou tudo. Como acolher um jovem sonhador, a xepa da feira; o comercial do Bar Praça XI, do Sr. Manoel, que como eu aportou nessa cidade —- ele vindo de Portugal deve ter sido mais difícil se adaptar.

 

Os anos se passaram, muitos aprendizados, vitórias, empates, algumas derrotas que só me fortaleceram. E ainda hoje com meus 70 anos, mesmo às vezes não entendendo minha ex-Terra da Garoa, respeito-a e muito, afinal, São Paulo tem mais pessoas a recepcionar, compartilhar seus conhecimentos, abraçar e mostrar que a diversidade deve ser propagada em prosa e verso.

 

Italo Cassoli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br 

A “linha certa” para o setor do vestuário pós-Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

coil-193781_960_720

Imagem Pixabay

Ao lado de inúmeras projeções e sugestões para enfrentar os desafios pós-Covid-19, destacamos a preocupação em criar empregos.

 

A empregabilidade nacional que já vinha com taxas desconcertantes teve acentuada queda; e a priorização na criação de empregos é absolutamente essencial para a volta à normalidade econômica e social do país.

 

Nesse contexto, há uma combinação de fatores que levam necessariamente ao setor de vestuário como um dos segmentos mais estratégicos para o processo de melhoria da taxa de emprego.

 

Primeiramente, é obrigatório registrar que a indústria do vestuário é intensiva de mão de obra. Depois da indústria da construção civil é a que mais absorve trabalhadores. E, mais importante, é a primeira no capital investido para cada posto de trabalho. Ou seja, o capital empregado para criar um emprego no vestuário é o menor entre todos os outros.

 

A indústria brasileira de confecção de roupas perdeu competitividade para a Ásia. Sofremos eliminações em todos os parques industriais de produção de roupas. Das costureiras externas individuais, das costureiras externas de grupos, dos grandes confeccionistas até as grandes corporações industriais.

 

O cenário negativo para a indústria nacional ainda se acentuou pela moda ter enveredado para o fast fashion, tão propício ao produto descartável — com prejuízo da qualidade de mão de obra e com o estrago feito no meio ambiente, pelas características da execução e do uso.

 

Entretanto, no cenário de hoje, o fast fashion perdeu o protagonismo, assim como a Ásia começou a gerar incerteza para o negócio da moda brasileira, pela convulsão política, sanitária e econômica — afinal, o dólar com instabilidade de picos de até 50% é inadministrável.

 

Coincidentemente, a Manancial Sustentabilidade Ambiental, que tinha nos procurado em dezembro para apresentar trabalhos na área de habilitação de empresas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social da ONU, através da CEO, bióloga Angela Garcia, veio agora demonstrar um Projeto denominado de “Projeto Linha Certa”.

 

O “Linha Certa” objetiva criar soluções de mão de obra feminina para a indústria de confecção nos presídios femininos, cumprindo vários dos Princípios e Objetivos da ONU.

 

A meta da Manancial é entregar para as confecções uma alternativa para exercer uma relação de ganha-ganha com todos os envolvidos no processo.

 

Resolverá a produção das peças, dará uma profissão e uma remuneração para as presidiárias, além da redução das penas.

 

No rol das especulações sobre as resultantes do vírus, há uma tendência a esperar o aumento da humanização nas relações sociais, e talvez uma empatia mais presente.

 

Esse é um Projeto que acolhe perfeitamente esta melhora nas relações humanas.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Podcast: “Leituras de cabeceira” tem as dicas de livro que estou lendo, já li, vou ler e recomendo a leitura

 

 

 
Screen Shot 2020-05-28 at 12.55.58

 

“Leituras de Cabeceira” é o podcast produzido pela Gabi Iannaccone que nos convida a falar de livros que estamos lendo, queremos ler e recomendamos ler. Convidado, fui lá e dei meus palpites:

O que estou lendo (estava até gravar):

 

“Ciência no Cotidiano — Viva a Razão, Abaixo a Ignorância!” de Natalia Pasternak e Carlos Orsi (Contexto)

 

O que li:

 

“Escravidão” de Laurentino Gomes (Globo Livros)

 

“Azul, pretos e brancos”, Léo Gerchmann, (L&PM)

 

O que vou (re)ler:

 

“Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (Companhia das Letras)

 

O que recomendo ler:

 

“A Regra do jogo”, do jornalista Cláudio Abramo (Companhia das Letras)

 

“A imprensa e o caos na ortografia”, Marcos de Castro (Record)

 

“Caderno H”, Mário Quintana (Objetiva)

Pra saber os motivos de um e outro, ouça o “Leituras de Cabeceira”:

 

Aqui tem o meu episódio.

 

Se não quiser perder tempo comigo, entre por aqui e ouça quanta gente boa fez sugestões no podcast da Gabi.

À desesperança dos jovens, temos nossa capacidade de sonhar

 

Por Simone Domingues
(@simonedominguespsicologa)

 

portrait-3096017_960_720

Imagem: PIXABAY

 

“Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã…
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar…”
Gonzaguinha

 

Outro dia numa conversa com minhas filhas adolescentes, lancei a seguinte pergunta: “vocês acham que os adolescentes estão mais desesperançosos com o futuro?”. Acreditando que falariam sobre como se sentem ou percebem seus amigos diante desta quarentena, confesso que a resposta me causou certa surpresa:

 

“A nossa geração é marcada pela desesperança. Desde que somos crianças, ouvimos que quando formos adultas, não haverá comida para todos os habitantes da terra, que faltará água potável para bebermos, que o homem está destruindo o planeta e não há outro para vivermos… como ter esperanças em meio a tanta tragédia anunciada?”

 

Fiquei pensando na responsabilidade que temos com as gerações mais novas. Logo os jovens, que representam em si a capacidade poética da esperança, sendo endurecidos com as nossas previsões apocalípticas.

 

Então não devemos comunicar às crianças e adolescentes sobre o que acontece no mundo?

 

Comunicar é muito diferente de catastrofizar. Comunicar é a troca de informações. E troca pressupõe que falo e permito que o outro também se manifeste, com suas dúvidas, seu ponto de vista, suas possibilidades para solucionar problemas.

 

Como adultos, podemos auxiliar os adolescentes com um ambiente seguro, conversas sinceras e um incentivo enorme à sua capacidade de sonhar. E não seria isso a esperança? Acreditar naquilo que se deseja alcançar?

 

Santo Agostinho nos ensinou:

 

“A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: cinco necessidades para a vida entre quatro paredes

 


 

“As marcas estão tendo uma oportunidade de prestar um serviço importante para a sociedade” —- Cecília Russo

Com as pessoas obrigadas a permanecerem em casa para reduzir o risco de contaminação do novo coronavírus, novas necessidades surgiram e algumas marcas souberam atuar de maneira eficiente. Um relatório criado pela Ikea, marca sueca de produtos para casa, identificou cinco necessidades para a vida “Entre 4 paredes”:

 

  • Segurança
  • Pertencimento
  • Conforto
  • Privacidade
  • Propriedade

 

Com base nessa lista, Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, identificaram algumas ações de empresas e serviços que entenderam esse momento e estão atuando de forma empática. É o caso de uma academia que decidiu alugar seus equipamentos para os clientes, a medida que suas unidades estão fechadas. Ou de um aplicativo que se atualizou para permitir a compra à distância de remédios controlados que exigem receita médica. Ou do jovem, estudante de medicina, que viu os pais terem de fechar a loja de flores, criou uma conta no WhatsApp e tornou os produtos acessíveis aos clientes deles.

 

Existem, ainda, as grandes marcas do cenário digital como Rappi, iFood e Uber Eats que facilitaram a entrega de alimentos, mantendo a relação entre os restaurantes e seus clientes, oferecendo as sensações de pertencimento, conforto e segurança —- três das necessidades identificadas no trabalho da Ikea.

 

A tecnologia de informação através de marcas como Zoom, Weber, Microsoft Teams e Google Meet, trouxe o escritório para dentro de casa, oferecendo conforto e segurança.

“O momento é de ajudar as pessoas a ficar em casa e as marcas têm uma chance única de estar ao lado da sociedade neste momento” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: César Souza fala da transformação do papel do CEO na empresa diante da pandemia

 

 

·

“O momento é de colaboração, o momento é de solidariedade, o momento é de construir o futuro; a gente viu que empresa vazia não funciona, mais do que nunca está claro que são as pessoas o patrimônio maior das empresas”— César Souza, Grupo Empreenda

A busca de soluções inovadoras para enfrentar a crise provocada pela pandemia do coronavírus motivou um grupo de empresários a criar o #MovimentoVamosViraroJogo, lançado há duas semanas e que já conta com a adesão de 389 empresas dos mais diversos portes. O compromisso que assumem é o de compartilhar soluções que tenham sido encontradas em cinco áreas de atuação: modelos de negócio, soluções financeiras, relacionamento com os clientes, impacto na sociedade e gestão das pessoas.

 

Para um dos criadores do movimento, César Souza, do Grupo Empreenda, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, a intenção é que ao menos cinco boas práticas de cada setor sejam selecionadas e sirvam de referência para que outras empresas também possam se reerguer dessa crise:

“A história contemporânea será divida entre o ACV e o ADV, antes do Covid e depois do Covid; esses três meses foram muito intensos, muitas empresas estão sofrendo, mas algumas olham para o futuro …. a gente não pode dirigir uma empresa olhando para o retrovisor”.

 

Para César Souza, os CEOs estão enfrentando uma enorme e rápida transformação no seu papel diante das empresas e equipes que comandam. De Chief Executive Officer —- ou seja, de executor das estratégias da empresa —- viraram Chief Emergency Officer, a medida que precisaram atuar em situação de emergência. Passadas as primeiras semanas, eles assumiram a função de Chief Equilibrist Officer, para contornar problemas com fornecedores, legais, tributários e financeiros:

“Agora, até a sigla muda, porque os CEOs terão de ser os CROs, Chief Reivent Officer, eles terão de reinventar a empresa, esse é o trabalho mais importante e a missão mais nobre deles”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, na rádio CBN. O programa é apresentado por Mílton Jung e tem a participação de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Alan Martins e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: refaço meus caminhos na cidade

Por Emília Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João […]

 

Foi com o poema do Caetano na cabeça que eu comecei a conhecer a minha São Paulo querida. Eu morava em Guarulhos e fazia estágio no Hospital das Clínicas, na década de 1980. E foi amor à primeira vista. Não só por seus arranha-céus, as grandes avenidas, o ir e vir das pessoas apressadas para o trabalho ou estudo. São Paulo sempre teve algo especial que contradiz a crença de que as pessoas são frias e só se importam com o trabalho.

 

Existe o trabalho que move a cidade, existe a correria, e existe a gentileza de quem desacelera o passo para lhe dar uma informação com um sorriso no rosto. Existe um músico na esquina, uma avó com sua neta, um beijo roubado e uma estudante, como eu, a espreitar a vida pulsante dessa linda cidade. São Paulo é o encontro do antigo, do moderno, do contemporâneo e, quiçá, do pós-contemporâneo. São Paulo é uma cidadã do mundo, uma cosmopolita que abraça todos, que acolhe…

 

Como toda grande cidade em que se espera tudo dela, São Paulo também tem suas mazelas que nos chocam e nos confundem, e também a solidariedade de quem oferece um pão, um abrigo, uma palavra.

 

Eu hoje vivo na Bahia, mas nunca perdi esse amor.

 

Agora vou a São Paulo todo ano e refaço meus caminhos. Faço novos trajetos, descubro a nova cidade. Vivo o presente que a cidade é, ponho o pé no passado e a cabeça no futuro.

 

” […] Aprende depressa a chamar-te de realidade/ Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso […]”.

 

A Profª Maria Emília dos S. Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

A necessidade de se analisar a Covid-19 através de número relativos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Quarta-feira, 20 de maio de 2020  —  as mídias tradicionais e sociais informaram que o Brasil atingiu mais de 1.000 mortes em 24 horas pela primeira vez, perfazendo um total de 18.859 óbitos, dos quais  5.147 em São Paulo, o epicentro da Covid-19

 

Esses números absolutos não expressam a relatividade necessária para situar a posição do Brasil no Mundo; e a de São Paulo na correlação com os demais estados brasileiros.

 

Minimamente a correlação serve para posicionar no contexto geral o que se está analisando, e também para a tomada de decisões.

 

Pelo Google, encontramos a fonte da Wikipédia que contém a tabela com os dados a que nos referimos, onde no contexto mundial podemos observar que o número absoluto de “casos confirmados” nos dá apenas o ranking de países sem a comparação entre eles de forma qualitativa.

 

A correlação dos “casos confirmados” com os “casos confirmados a cada 1 milhão de pessoas” faz sentido muito maior ao introduzir a correlação com a população. Verifica-se que no ranking dos números absolutos o Brasil é o terceiro, enquanto na correlação com um milhão de pessoas a posição é bem diferente.

 

Fonte Wikipedia (20/05)

 

No universo Brasil, vemos que o Estado de São Paulo tem o maior número de “confirmados”, mas quando olhamos para os “confirmados” correlacionados com a população, a posição fica bem distante do primeiro lugar, ocupado pelo Amapá.

 

Observamos também que as “mortes”, como não estão correlacionadas com a população, perdem o efeito comparativo e qualificativo.

 


Fonte Wikipedia (20/05)

 

Hoje (21/05), coincidentemente no Portal G1 da GLOBO foi publicada uma reportagem em que este índice de mortalidade foi correlacionado com 100 mil habitantes, comparação que tirou São Paulo do grupo de 20 cidades mais afetadas. Bem diferente da posição no ranking de números absolutos. 

Esperamos que a informação do G1 expondo correlações seja um cuidado a ser continuado, pois como vimos há muitas interações que podem mudar o entendimento. 

 

Por exemplo, a Europa está de olho na Suécia, que optou por deixar a cargo da responsabilidade da população o controle da Covid-19, e estão acompanhando utilizando vários fatores como expostos no gráfico abaixo, reproduzido do jornal Folha de São Paulo, edição de 20/05:

 

 

Podemos notar que todos os itens apresentados, e que podem ajudar na análise estão expressos em porcentagens e taxas.

 

Bem, o resultado final para a Suécia virá apenas depois que a Covid-19 for controlada. Por ora, a Itália chama a atenção pela gastronomia. São os menos obesos e há concentração de idosos.

 

Gostaríamos que até a saída do vírus os economistas e demógrafos entrassem em campo para ajudar os editores. 

 

Enquanto isso, de acordo com o UOL, poderemos ter novidades vindas do Rio Grande do Sul, através da cientista política Leany Lemos, Secretária de Planejamento, que tem feito análises de cenários para a Covid-19 focando diferentes regiões gaúchas.  Conhecimento, experiência, dados e planejamento: ela acredita que poderá em breve apresentar resultados.

 

Até lá, para manter-se atualizado sobre a Covid-19 vale acessar o site Our World in Data:

daily-covid-deaths-per-million-7-day-average

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conheça três projetos que ajudam profissionais de saúde, empreendedores e pequenos negócios

 

coronavirus-5028573_960_720

 

Imaginar o que haverá pós-pandemia é difícil. Há quem veja um mundo mais solidário. E os que enxergam as fronteiras mais fechadas. Há os que pensam em uma vida mais simples. E os que creem no aumento das desigualdades. Talvez saíamos todos iguais ao que éramos assim que a crise amenizar, a vacina aparecer e o novo coronavírus se transformar em velho conhecido. O que enfrentamos vira memória — história para ser contada. E bola frente. Quem jogava bonito, segue fazendo belezuras. Quem jogava feio, feiúras. Os adeptos do jogo sujo, sujeiras.

 

Melhor, então, olhar para o que acontece agora e identificar quem sabe se comportar diante da regra do jogo e usa de sua criatividade para melhorar o mínimo que seja a vida do outro. Nestes dias, encontrei algumas iniciativas que me chamaram atenção; gente disposta a ajudar gente, a apoiar empresas, manter empregos, acolher quem precisa.

 

 

Começo pelo Projeto Isolar que olha para os profissionais de saúde, muitos dos quais com dificuldade para encontrar um lugar onde possam ficar isolados. É o pessoal que atende nos postos e hospitais, recebe pacientes, trata, cuida, dá carinho, salva. E tem medo de voltar para a própria casa pelo risco de contaminar seus familiares. O Isolar é uma plataforma na qual o médico, o enfermeiro, a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, ou seja, qualquer um desses profissionais que estão no “campo de batalha” se candidatam a um imóvel, próximo ao local do trabalho, que será financiado pelo próprio projeto que se sustenta a partir de doações.

 

A Camila Putignani, uma das idealizadoras do Isolar, conta que ao menos 250 pessoas estão cadastradas e foi possível, até este momento, acomodar 17 profissionais que podem ficar em um apartamento ou em um quarto de hotel, de hostel ou de pousada. O prazo inicial é de 14 dias podendo ser renovado conforme a necessidade do profissional. Além da moradia, as doações servem para comprar produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentação.

 

capa-site-3-1536x480

 

O outro projeto que também depende da doação é o “Adote um Pequeno Negócio”, criado pelo Claudio Tieghi e o Fabio Fiorini. Na plataforma, o doador escolhe a quem se destina o dinheiro. Os empreendedores escolhidos receberão consultoria para organizar a empresa e terão acesso a uma plataforma que permite controlar as tarefas diárias do seu negócio.

“Para adotar uma empresa, sendo pessoa física, é necessário inicialmente investir R$9,90 ou mais. Em seguida, o investidor recebe um livro (“Manual do micro e pequeno negócio em tempos de pandemia”) para presentear um outro empreendedor, além de ter acesso à plataforma para acompanhar o dia a dia da empresa que adotou. O nome da cada pessoa que fizer a adoção irá aparecer na página dos doadores, além de receber um certificado” Fabio Fiorini.

O terceiro projeto que destaco reúne gente graúda e está sob o comando do César Souza, do Grupo Empreenda, e do Alexandro Barsi, da Verity Group. Com o Movimento #VamosVirarOJogo, eles estão reunindo empresários e gestores dispostos a compartilhar práticas e ideias capazes de ajudar as empresas a superarem os obstáculos impostos pela crise atual. Mais de 300 empresas já assumiram o compromisso de atuar no movimento:

“A frase “Há vida após o Covid-19” nos inspirou a estruturar o movimento. As lideranças empresariais devem compreender que virar o jogo passa, necessariamente, por assumir um verdadeiro compromisso, com muita inovação e criatividade para a reinvenção dos negócios, considerando oportunidades ainda não percebidas. Levando em conta o ecossistema de toda a cadeia de valor das empresas, é necessário que todos deem o melhor de si, com foco em soluções para o futuro e superando medos e angústias naturais em meio às turbulências que vivenciamos. Reinventar á a palavra de ordem”. César Souza.

Todas essas iniciativas nos revelam que existe gente interessada em espalhar o bem. Talvez sejam as mesmas pessoas que sempre atuaram assim, antes da pandemia se apresentar. E sejam as mesmas que continuarão acreditando nestas práticas após a crise passar.

 

A esperança que sempre deposito é que essas ações ao estenderem a ajuda a outras tantas pessoas façam dessas outras pessoas e de todos os que foram impactados, direta ou indiretamente, embaixadores do bem, criando um ciclo virtuoso. É a minha esperança; se esta vai se tornar realidade somente saberemos ao longo do tempo. Prefiro acreditar que sim. Fica mais fácil atravessar o drama que estamos assistindo neste momento.

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA