O sentir e o sentido

Por Beatriz Breves

Foto de Khoa Võ no Pexels

De onde viemos? Para onde vamos? Existe vida além da morte? A morte é o fim? O universo possui um propósito? Existe um sentido para a existência?

Essas perguntas acompanham a humanidade desde seus primórdios. Filósofos, cientistas, religiosos, poetas e pessoas comuns, em diferentes épocas e culturas, buscaram respostas para os grandes mistérios da vida. Talvez porque, em algum momento, todos nós nos deparamos com a mesma inquietação: qual é o sentido de existir?

A busca por respostas costuma acontecer por meio do pensamento. Refletimos, formulamos teorias, construímos explicações e criamos narrativas capazes de dar significado à experiência humana. Entretanto, por mais importantes que sejam, as respostas intelectuais parecem nunca encerrar completamente a questão.

Talvez isso aconteça porque o sentido da vida não seja somente algo a ser pensado, mas, quem sabe, também algo a ser vivido.

Existe uma dimensão da existência que antecede as palavras, os conceitos e as explicações. É a dimensão do sentir.

O sentir atravessa os tempos, as culturas, as crenças e as diferenças entre os povos. Sabemos reconhecer o amor, a tristeza, a alegria, o medo, a esperança ou a saudade em relatos escritos há séculos, mesmo quando pertencem a sociedades muito diferentes da nossa. Os conceitos mudam. As teorias mudam. As formas de interpretar o mundo mudam. Mas o sentir permanece como uma das experiências mais universais da condição humana.

Se nos sentimos em paz, o mundo parece mais acolhedor. Se estamos tomados pela angústia, tudo ao redor pode parecer ameaçador. Quando amamos, a vida ganha cores diferentes. Quando sofremos uma perda, o próprio tempo parece modificar seu ritmo.

Isso acontece porque não vivemos somente em um mundo de fatos. Vivemos em um mundo de experiências.

É o amor que sentimos por alguém, a ternura por um animal, a amizade compartilhada, a alegria de um encontro, a dor de uma despedida ou a esperança diante do futuro que vão tecendo o sentido singular de cada existência.

Por isso, talvez não exista um único sentido da vida válido para todos. Existem sentidos que emergem da forma como cada pessoa vive, sente e se relaciona com o mundo.

Sob a perspectiva da Ciência do Sentir, o sentido não é algo que encontramos pronto, escondido em algum lugar do universo. Ele nasce da própria experiência de existir, da condição de estar vivo. Surge dos vínculos que construímos, das escolhas que fazemos, dos desafios que enfrentamos e da maneira como somos afetados pela vida.

Os sentimentos funcionam como uma espécie de bússola existencial. Eles não apenas revelam o que é importante para nós; também orientam nossa relação com o mundo, com os outros e conosco mesmos.

Talvez o sentido da vida não seja uma resposta definitiva para uma pergunta eterna, mas o próprio movimento de sentir, viver, transformar-se — enfim, de estar vivo.

E talvez seja justamente por meio do sentir que cada um de nós possa experimentar algo maior: a percepção de que não estamos separados da vida, mas somos uma de suas expressões singulares, uma forma única pela qual o universo se torna experiência de si mesmo.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

50 debates para o Brasil: legalização de bingos e cassinos divide opiniões sobre controle e danos sociais

A legalização de bingos e cassinos coloca frente a frente duas promessas difíceis de conciliar: ampliar o controle do Estado sobre uma atividade que já existe na clandestinidade e evitar que uma oferta maior de jogos aumente os problemas provocados pela dependência. Esse foi o tema do “50 Debates para o Brasil”, série do Jornal da CBN que reuniu Wesley Cardia, advogado e ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, e Hermano Tavares, professor associado do Departamento de Psiquiatria da USP e coordenador do Programa Ambulatorial do Jogo.

Cardia defendeu a legalização como instrumento de controle. Segundo ele, a proibição não impede a existência de cassinos e bingos clandestinos, que funcionam sem fiscalização, restrições de acesso ou pagamento de impostos. Para o advogado, regulamentar permitiria estabelecer regras para identificar jogadores, impedir o acesso de menores e ampliar a supervisão do poder público.

“A regulamentação faz com que haja um ordenamento que, no final das contas, impede todos os malefícios”, afirmou. Cardia usou como referência a experiência recente das apostas esportivas pela internet e argumentou que regras excessivamente restritivas também podem produzir efeito contrário ao pretendido, empurrando jogadores para plataformas ilegais.

Hermano Tavares contestou a ideia de que legalizar seja suficiente para reduzir os danos. Para o psiquiatra, quanto maior a oferta e a exposição ao jogo, maior o risco para pessoas vulneráveis à compulsão. Ele também criticou modelos nos quais as próprias empresas ficam responsáveis por identificar e limitar clientes com comportamento problemático.

“Isso aí é convidar a raposa para tomar conta do galinheiro”, disse. Na avaliação de Tavares, cabe ao Estado estabelecer mecanismos obrigatórios de proteção, incluindo limites para apostas, encerramento de contas de jogadores com sinais de compulsão e restrições à publicidade.

A propaganda, aliás, apareceu como um dos pontos centrais da divergência. Tavares chamou a atenção para a presença constante de anúncios de apostas em transmissões esportivas e para o uso de influenciadores na divulgação das plataformas. Segundo ele, a associação entre remuneração de divulgadores e perdas dos apostadores cria conflito de interesse e exige regras mais rigorosas.

Cardia sustentou que o mercado ilegal continuará existindo independentemente da proibição e que a política pública deve tornar o ambiente regulamentado suficientemente seguro e competitivo para reduzir a procura pela clandestinidade. Para ele, o desafio está em encontrar um ponto de equilíbrio: fiscalizar sem criar restrições que acabem fortalecendo operadores ilegais.

Tavares colocou outro elemento nessa conta. Segundo sua experiência no tratamento de pessoas com transtorno do jogo, o aumento da oferta legalizada amplia a procura por atendimento. “Aumenta o jogo legalizado, aumenta em quatro vezes a demanda de tratamento”, afirmou. Por isso, defendeu uma regulamentação que obrigue as plataformas a informar periodicamente quanto o jogador ganhou e perdeu e estabeleça pausas compulsórias.

O debate deixa uma questão que vai além de ser a favor ou contra cassinos e bingos. Se o jogo já faz parte da realidade brasileira, a discussão passa também por definir quanto o país está disposto a permitir, quem fiscalizará a atividade e quem pagará a conta dos danos que ela eventualmente produzir.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

“Sinto Muito!”: puxe a cadeira e sente-se com Nina Ferreira

Sinto Muito, livro de Nina Ferreira

Nina Ferreira se expõe nas páginas deste blog. Mensalmente passa por aqui, planta uma semente, oferece uma dose de conhecimento e nos ajuda a nos reconhecermos. Em seus textos, ela nos convida a pensar a vida. Não a dos outros. A nossa. Essa que temos de encarar assim que levantamos da cama — ou, para falar a verdade, quando ainda estamos nela e, às vezes, de onde não queremos jamais sair. A vida que acontece na realidade, como ela escreveu em um dos artigos publicados aqui desde junho de 2023. 

Leia os textos da Dra. Nina Ferreira publicados no Blog do Mílton Jung

Feitos seus ensaios, Dra. Nina entendeu que precisava ir além. E lançou ‘Sinto Muito’ (Ed Labrador), livro no qual conta a história de nove sentimentos: tristeza, medo, raiva, vergonha, mágoa, culpa, vaidade, inveja e preconceito. Para isso, arrisca-se no terreno da ficção. Transforma-os em personagens. Os batiza com nomes próprios e cria narrativas que os tornam gente como a gente. Assim como nós, enfrentam dilemas no trabalho, na família e no casamento. Têm de encarar suas dúvidas e encontrar coragem para seguir em frente. 

À medida que avançamos pelos capítulos, deparamo-nos com um espelho no qual surge nossa imagem e semelhança. Nina também está naqueles personagens e sofrimentos. Ao narrar o que o outro sente, a médica revela algo de si mesma. E permanece ao nosso lado durante a leitura, oferecendo caminhos, nos orientando, a partir do conhecimento acumulado em mais de 16 anos dedicados à saúde mental e da experiência construída na medicina e na psicoterapia.

Médica psiquiatra, Nina trabalhou em diferentes ambientes da saúde mental, de plantões de emergência e internações psiquiátricas ao atendimento em CAPS e consultório. Sua formação ajuda a explicar uma característica que aparece no livro.  Ela própria reconhece que carrega, de um lado, a estruturação lógica e pragmática vinda da formação médica, e, de outro, uma atuação terapêutica centrada na emoção e nos sentimentos. “Sinto Muito!” surge desse encontro. Há método na organização dos capítulos e sensibilidade na maneira de contar histórias. E há uma preocupação de teronar o conhecimento acessível.

Li “Sinto muito!” antes de o livro estar impresso. Nina me deu a oportunidade de escrever o prefácio. Uma tarefa arriscada, que requer sensibilidade. Prefaciar um livro é se intrometer na relação entre o autor e seus leitores. Dá medo, vergonha, um pouco de culpa pelo estrago que podemos cometer involuntariamente. É preciso cuidar para que a vaidade e a inveja não se expressem na tentativa de ser mais importante que o autor e sua obra. Para evitar que esses sentimentos intereferissem na minha tarefa, aceitei o convite e ocupei a cadeira vazia que aguarda cada leitor na mesa em que os personagens do livro se encontram no capítulo final.

Aproveite esta oportunidade que a Dra Nina nos oferece. Puxe a cadeira, sente-se com a gente e leia “Sinto Muito!” (Editora Labrador) que está em pré-venda na Amazon.

50 debates para o Brasil: especialistas discutem se a repressão às drogas deve mirar o crime organizado ou dar lugar a outra política

A política de combate às drogas no Brasil consome recursos públicos, amplia a população carcerária e, ainda assim, enfrenta organizações criminosas cada vez mais estruturadas. Na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, o especialista em segurança pública Ricardo Gennari e Marina Dias, diretora-executiva do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), discutiram se o país precisa reforçar a repressão ou mudar a estratégia adotada nas últimas décadas.

A legislação brasileira de 2006 buscou separar o tratamento dado ao usuário daquele destinado ao traficante. Na prática, porém, a ausência de critérios objetivos para fazer essa distinção transferiu parte dessa decisão para policiais e juízes, com reflexos sobre o encarceramento.

Gennari defendeu que o Estado precisa ser mais eficiente no enfrentamento às organizações criminosas. Para ele, o problema não se resolve apenas com policiamento nas ruas. A estratégia deveria combinar inteligência, investigação da lavagem de dinheiro, gestão prisional e prevenção.

“Se a gente não tiver realmente um combate efetivo ao crime organizado, a gente já está perdendo”, afirmou.

O especialista chamou atenção também para a população carcerária brasileira, superior a 800 mil pessoas, e questionou se todos deveriam estar presos. Na avaliação dele, enfrentar o tráfico exige ação coordenada dos governos federal, estaduais e municipais e maior capacidade para seguir o dinheiro movimentado pelas facções.

Marina Dias partiu de outro diagnóstico. Para ela, a política adotada pelo país fracassou porque concentrou esforços na repressão sem conseguir reduzir a oferta e o consumo de drogas. O resultado foi o aumento do encarceramento, da violência nas periferias e dos gastos públicos.

“Não é uma guerra contra as drogas, é uma guerra contra pessoas”, afirmou.

Marina citou levantamento do Ipea com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas segundo o qual, entre os presos mencionados na pesquisa, 68% são negros, 72% jovens e 67% não concluíram o ensino básico. Ela argumentou que a prisão de pequenos traficantes e usuários não desestrutura as organizações criminosas, porque essas pessoas são rapidamente substituídas.

Apesar das diferenças, os debatedores convergiram em um ponto: a questão das drogas não pode ser tratada apenas como problema policial.

Gennari defendeu políticas de saúde, educação, prevenção e ressocialização, ao mesmo tempo em que considera necessário manter o combate ao tráfico e às organizações criminosas. “A polícia está no último nível dessa questão”, disse.

Marina propôs separar política de drogas de política de segurança pública. Para usuários, defendeu acesso à saúde, moradia, educação e programas voltados principalmente aos jovens. Para enfrentar o crime organizado, apontou como prioridades a inteligência policial, a integração das forças de segurança, a investigação financeira, o combate à lavagem de dinheiro e o rastreamento de patrimônio.

O debate expõe uma questão que vai além da escolha entre reprimir ou descriminalizar: onde o Estado deve concentrar dinheiro, policiais e políticas públicas para reduzir o poder do tráfico e, ao mesmo tempo, tratar os danos provocados pelo consumo de drogas?

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: os heróis improváveis e o sentimento de ser gremista

Grêmio 2×1 São Paulo
Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Sao Paulo

Wallace comemora seu primeiro gol no Grêmio Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Os heróis improváveis levaram o Grêmio a uma virada fundamental para o nosso destino na temporada. Wallace, o jovem zagueiro recém-chegado de Alagoas, e Pavón, o argentino tantas vezes criticado pelas arquibancadas, fizeram os gols que nos tiraram daquela-zona-que-você-sabe-qual-é.

Pode parecer exagero de torcedor, considerando a montanha que ainda temos de subir na competição. O fato é que o time de Luis Castro, com todos os limites técnicos e táticos que ainda apresenta, precisava recuperar a confiança perdida em algum ponto da nossa jornada.

Os reveses mais recentes incomodavam especialmente pela forma resignada com que a equipe se comportava. Derrotas nas diferentes competições e a eliminação na Sul-Americana eram recebidas quase como uma fatalidade, como se o elenco estivesse convencido da própria incompetência. Ao torcedor, restava uma mensagem de desalento.

A postura que levou à classificação para as quartas de final da Copa do Brasil já havia sido completamente diferente. Mesmo com todos os defeitos, os jogadores se impuseram diante do adversário e lutaram de forma incessante. Mesmo pressionado mais do que gostaríamos, mostrou que sabir ser resiliente. O que vimos hoje, pelo Campeonato Brasileiro, foi a repetição daquela atitude, especialmente depois de o Grêmio sair atrás no marcador.

Ainda não temos a marcação intensa que rouba a bola no campo do adversário, a organização tática que reduz os riscos dentro da nossa área ou uma circulação de bola mais articulada no meio de campo. O torcedor, porém, consegue perceber jogadores atuando com muito mais intensidade nos três setores do time.

Lá atrás, Wallace é o principal destaque. E, se não se assustar com o próprio sucesso, pode ser importante não apenas para dar mais segurança à defesa, mas também para avançar com a bola e romper a primeira linha de marcação do adversário. A lateral direita, com Diego Caito, está mais bem guarnecida. O entendimento dele com Pavón, à frente, fez diferença nos dois últimos jogos. É por aquele lado que o Grêmio ataca melhor e oferece mais perigo.

O atacante argentino é um personagem à parte neste momento. Parece ter redescoberto o drible depois de passar seis meses jogando mais recuado e improvisado na lateral direita. Não bastasse a chegada forte à linha de fundo, foi responsável pelos gols das duas vitórias recentes. E ambos de falta.

Na cobrança de hoje, a considerar pelo que disse ao fim da partida, Pavón teve plena consciência do movimento que fazia. Percebeu a falta de proteção extra atrás da barreira e chutou forte por baixo para colocar a bola na rede. No jogo anterior, também havia demonstrado inteligência ao identificar o desajuste da barreira adversária.

O Grêmio ainda está distante de apresentar um futebol vistoso. As duas vitórias seguidas, porém, devolvem ao time algo que parecia ter desaparecido: a convicção de que lutar pode valer a pena. E, quando essa disposição aparece em campo, a torcida responde.

Hoje, eram 35 mil gremistas na Arena empurrando o time até a virada. Wallace e Pavón foram os heróis improváveis da noite. A arquibancada tratou de lembrar o que os move — e o que nos move — ao cantar em coro:

“O Grêmio é puro sentimento.”

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as frases que ajudam a construir marcas fortes

Grandes ideias nem sempre precisam de longas explicações para permanecerem vivas. Jaime Troiano que o diga. E o diz com frases poderosas. Nosso comentaristra do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso está lançando o livro 33 frases que me inspiram, que reúne reflexões acumuladas por Troiano ao longo de décadas dedicadas à gestão de marcas — a maioria delas você já ouviu no comentário que vai ao ar todos os sábados, na parceria do Jaime com a Cecília Russo, na CBN.

O livro nasceu de uma resistência do próprio autor. Jaime Troiano contou que inicialmente considerava sem sentido publicar apenas uma coletânea de frases. A mudança de ideia veio após insistência de pessoas próximas — e o autor deste texto se atreve a dizer que fez parte desta campanha — e da constatação de que aquelas expressões, repetidas ao longo dos anos em projetos e palestras, continuavam úteis para orientar decisões estratégicas. “Todo dia, nos projetos que nós tocamos na empresa, alguma dessas frases se encaixa muito bem”, afirmou.

Entre as ideias destacadas está um alerta para empresas que mudam constantemente de direção. Ao lembrar a frase “Não jogue fora o bebê junto com a água do banho”, Troiano explicou que mudanças sucessivas podem impedir que uma marca construa identidade e seja reconhecida pelo público.

Outra reflexão trata da importância do posicionamento. Segundo ele, “se sua marca não se posicionar, será posicionada pelas outras na multidão”. A observação dialoga com uma conhecida frase atribuída ao psicólogo Carl Gustav Jung: “O mundo lhe perguntará quem você é. Se você não souber, o mundo lhe dirá”. A mensagem é simples: quando uma empresa não define claramente sua identidade, o mercado e os consumidores acabam fazendo isso por ela.

A simplicidade também aparece como um dos maiores desafios da comunicação. Ao citar Van Gogh e, antes dele, Leonardo da Vinci, Troiano reforçou que comunicar de forma clara exige esforço e disciplina. Em um ambiente saturado de informações, dizer menos, com mais precisão, costuma ser mais eficaz do que multiplicar mensagens.

Cecília Russo ampliou a discussão ao destacar frases que ajudam a compreender como as pessoas criam vínculos com as marcas. Uma de suas preferidas é “Noiva não se escolhe no altar”, metáfora que lembra que a decisão de compra começa muito antes do momento da aquisição. A comunicação, nesse processo, constrói confiança e aproximação ao longo do tempo.

Ela também retomou uma frase de Jeff Bezos frequentemente citada nos comentários: “Marca é o que falam de você quando você sai da sala”. Para Cecília, reputação não depende apenas do que a empresa comunica, mas da lembrança e da percepção que permanecem na mente das pessoas depois da experiência com a marca.

Outra ideia destacada por ela resume uma característica das marcas que conseguem mobilizar consumidores. “Comunicação de marca não pode ser um retrato”, afirmou. Em vez de apenas refletir a realidade do público, a comunicação precisa apresentar uma perspectiva de futuro, inspirar mudanças e mostrar um caminho para onde as pessoas desejam chegar.

Para baixar o livro, de graça, acesse este link

A marca do Sua Marca

Marcas fortes são construídas por princípios que permanecem atuais, mesmo quando os mercados mudam. As frases reunidas por Jaime Troiano mostram que identidade, posicionamento, simplicidade, reputação e inspiração continuam sendo fundamentos essenciais para empresas que desejam ocupar um espaço consistente na memória e na preferência dos consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

50 Debates para o Brasil: especialistas discutem como regular a IA sem frear a inovação

A inteligência artificial já influencia decisões em saúde, educação, finanças, segurança e comunicação, e o debate sobre quais regras devem guiar seu desenvolvimento e uso é inevitável. Por isso levamos o tema para a série “50 Debates para o Brasil” que apresentamos no Jornal da CBN. 

Patrícia Peck, CEO e Fundadora do Peck Advogados, Presidente do Instituto Peck de Cidadania Digital e Membro Titular do Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber), e Ronaldo Lemos, fundador e Cientista-Chefe do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) discutiram, no programa, se o país deve adotar uma regulação mais preventiva ou focar em um ambiente favorável à inovação.

Patrícia Peck defendeu que a inteligência artificial precisa seguir normas capazes de reduzir riscos sem impedir o avanço tecnológico. Ela alertou que a tecnologia geralmente evolui antes da legislação, mas a velocidade das transformações exige mecanismos que protejam os cidadãos. A especialista afirmou que garantir a transparência da relação entre pessoas e sistemas automatizados é um grande desafio.

“Uma IA bem treinada pode apoiar os seres humanos, mas uma IA mal treinada é pior do que uma criança mal educada”, disse Peck Para ela, o problema não é apenas a tecnologia, mas também a qualidade dos dados e as regras que governam a forma como a IA funciona.

A advogada também argumentou que a legislação brasileira deve deixar claro que os sistemas de inteligência artificial precisam cumprir as leis em vigor ao operar no país ou afetar cidadãos brasileiros. Para ela, não basta inventar novas tecnologias nacionais; é necessário que as ferramentas atualmente em uso respeitem os princípios legais e éticos existentes.

Outro ponto levantado por Patrícia Peck foi que o nível de risco deve ser determinado de acordo com a aplicação. Uma inteligência artificial usada em serviços médicos, jurídicos ou públicos, por exemplo, exigiria padrões de controle diferentes daqueles usados em aplicações de menor impacto.

Ronaldo Lemos focou seus argumentos em outro aspecto do debate: a capacidade do Brasil de desenvolver suas próprias tecnologias. O maior risco, disse ele, era a dependência de sistemas desenvolvidos em outros países e sujeitos a interesses econômicos e geopolíticos externos.

“Meu maior medo com a inteligência artificial é que o Brasil se torne dependente de inteligência artificial externa.”, comentou. Para Ronaldo, a legislação precisa ir além da supervisão e criar condições para fortalecer a produção nacional de inteligência artificial, infraestrutura tecnológica e desenvolvimento profissional.

Lemos também observou o impacto da IA no mercado de trabalho. Como ele explicou, as empresas já estão começando a substituir funções de nível inicial por sistemas de automação, portanto, políticas públicas como qualificação da força de trabalho e adaptação dos profissionais ao mundo em mudança serão necessárias.

Apesar das diferenças de foco, Patrícia Peck e Ronaldo Lemos convergiram em alguns pontos. Ambos defenderam o investimento no desenvolvimento tecnológico no Brasil e reconheceram que a inteligência artificial já está produzindo impacto suficiente no contexto da regulação.

Outra questão também foi discutida na última parte da conversa: eleições. Patrícia Peck alertou que as plataformas de IA precisam ser treinadas para respeitar as normas eleitorais brasileiras. Ronaldo Lemos reiterou isso com um estudo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) dizendo que alguns sistemas ainda recomendam candidatos aos usuários, o que é contra as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O debate mostrou que a discussão sobre inteligência artificial não é apenas sobre regulação de um lado ou inovação do outro. A questão principal é encontrar mecanismos que minimizem riscos, protejam direitos e fortaleçam a capacidade tecnológica do Brasil.

“50 Debates para o Brasil”, realizado pela CBN, é produzido por Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas serão transmitidas de segunda a sexta-feira, logo após as 8h30 no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: o arquivo morto dos bilhetes aéreos da VASP

Monica Stocco

Ouvinte da CBN

1982. Havia completado 18 anos, finalmente! Já podia trabalhar e dirigir! Ganhei um fusca dos meus pais e consegui um emprego na VASP — sim, uma das maiores empresas aéreas do Brasil. No mesmo ano, ingressei em Administração de Empresas, na PUC de São Paulo. Não me continha de alegria. 

Chegava na VASP às 8 da manhã. Morava lá perto. Batia meu cartão — sim, aquele que a gente enfiava na máquina e registrava o horário de chegada e saída. 

Fui trabalhar no departamento que conferia as passagens vendidas — sim, aqueles bilhetes com várias folhas. Uma ficava com o passageiro para entregar no embarque. As outras vinham para nós. Tínhamos de conferir se o valor cobrado estava correto.

Loucura total! A gente analisava um monte de passagens, praticamente todas cobradas como deveriam ser. A gente colocava os bilhetes numa caixa de papelão e todas seguiam para o Arquivo Morto. Depois de seis meses, aquilo começou a me dar um desespero. Todo meu trabalho estava indo para o Arquivo Morto. 

Conversei com meuj chefe. Ele disse que não poderia fazer nada. Então, criei coragem. Subi no quarto andar, onde ficavam as salas da diretoria. Falei com secretária do diretor de marketing e pedi uma reunião com ele. Depois dela contar o diretor, fui convidada a entrar.

Apresentei-me — prazer, sou a Mônica —, disse a ele o que estava acontecendo. Do meu incomodo em ver meu trabalho ter como destino um arquivo morto. Ele alegou que não tinha vaga para mim no Marketing mas prometeu uma solução. Uns dias depois, fui chamada para trabalhar na área financeira. Aceitei na hora. 

Foram anos muito empolgantes. 

Hoje, infelizmente aquele prédio da VASP, ali ao lado do aeroprto de Congonhras, está em ruínas, vítima de um processo trabalhista sem fim. Virou o próprio Arquivo Morto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Monica Stocco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você, também, o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

50 debates para o Brasil: juízes discutem qual a relação ideal de trabalho para motoristas e entregadores de APP

A expansão das plataformas digitais mudou a forma de trabalhar e abriu uma discussão que ainda está longe de um consenso: motoristas e entregadores de aplicativos devem ser considerados empregados ou trabalhadores autônomos? O tema foi debatido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, que reuniu a juíza federal do trabalho Tacela Cordeiro Sileno e o juiz do trabalho Murilo Carvalho Sampaio Oliveira para discutir os limites entre autonomia, proteção social e legislação trabalhista.

O debate partiu de uma constatação: a tecnologia criou um novo modelo de organização do trabalho que desafia as regras construídas ao longo do século passado. Embora ambos os convidados defendam a necessidade de ampliar a proteção aos trabalhadores de plataformas, eles divergem sobre o caminho para alcançar esse objetivo.

Tacela Cordeiro Sileno entende que a legislação atual não responde às características desse modelo de prestação de serviços. Para ela, enquadrar esses profissionais apenas como empregados ou autônomos reduz uma realidade mais complexa. A magistrada defende uma regulamentação específica, capaz de preservar a flexibilidade do trabalho sem abrir mão da proteção social. “Eu acredito que uma regulamentação específica seria um modelo ideal para proteção social desses trabalhadores”, afirmou.

Na avaliação da juíza, essa regulamentação deveria tratar de temas como cobertura previdenciária, remuneração mínima, transparência nos algoritmos utilizados pelas plataformas e regras próprias para esse tipo de atividade. Ela lembrou que o ordenamento jurídico brasileiro já prevê legislações específicas para outras categorias profissionais e considera que o mesmo poderia ocorrer com os trabalhadores de aplicativos.

Murilo Carvalho Sampaio Oliveira segue outra linha de raciocínio. Para ele, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já oferece instrumentos suficientes para reconhecer o vínculo empregatício quando houver controle da atividade pelas plataformas. Segundo o magistrado, elementos como definição de preços, avaliação permanente do motorista, escolha das corridas e monitoramento em tempo real caracterizam uma relação de subordinação.

“Se a plataforma exerce controle, ela é empregadora. Essa que é a grande questão”, resumiu.

Murilo argumentou ainda que a própria CLT passou por mudanças para acomodar formas mais flexíveis de trabalho, como ocorre com motoristas profissionais e contratos intermitentes. Na sua avaliação, retirar esses trabalhadores da proteção trabalhista pode abrir caminho para um modelo em que empresas mantenham forte controle sobre a atividade sem assumir as responsabilidades decorrentes da relação de emprego. “Se esse modelo vingar, a gente terá o fim do direito do trabalho e o fim da proteção social”, afirmou.

Ao longo da conversa, também foi discutido o desafio de equilibrar interesses distintos: garantir renda e proteção aos trabalhadores, manter a sustentabilidade econômica das plataformas e preservar preços acessíveis para os usuários. A divergência entre os debatedores não esteve no diagnóstico de que o trabalho por aplicativos exige proteção, mas na forma jurídica mais adequada para oferecê-la. De um lado, a criação de um novo marco regulatório. De outro, a aplicação das regras já previstas na legislação trabalhista quando houver os elementos que caracterizam uma relação de emprego.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Mariana Achutti, da Newnew, diz que as empresas precisam transformar o aprendizado em estratégia. 

Mariana Achutti, CEO da NewNew

Mariana Achutti em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Débora Gonçalves/CBN

“Se quisermos estar no mercado com uma vantagem competitiva, desenvolvendo essa inovação e revolução que estamos vendo dentro das empresas, teremos que assumir a responsabilidade pela nossa história de educação”. 

As habilidades exigidas no mercado estão evoluindo tão rapidamente que a educação corporativa não consegue acompanhá-las. Não é apenas um excesso de informações que dilui a capacidade de concentração, é a necessidade constante de se manter atualizado especialmente agora com profissionais e empresas enfrentando mudanças regulares devido à inteligência artificial. Para Mariana Achutti, CEO da Newnew, entrevistada pelo Mundo Corporativo na CBN, esta é uma realidade que exige uma transformação radical na forma como organizações e trabalhadores estão aprendendo. 

Em sua visão, a educação corporativa deixou de ser uma atividade complementar e agora faz parte da estratégia de negócios. O modelo de treinamento padronizado não atende mais às equipes. Assim, programas que conectam o aprendizado com os problemas reais que os profissionais enfrentam e são propícios a uma maior participação dos funcionários estão começando a ganhar força. 

“A evolução da educação nas empresas também tem essa camada, que não pode mais ser aquele cara de terno ensinando Excel.” 

O aprendizado deixa de ser uma etapa e se torna um processo. 

Se a educação era vista como uma fase da vida, agora é a carreira inteira. Mariana revisita algo sobre o qual fomos alertados há anos: muitas das habilidades valorizadas atualmente perderão importância nos próximos anos, exigindo atualização constante. Ela argumenta que as empresas devem substituir o treinamento isolado por uma cultura de aprendizado permanente. Mas isso não é exclusivamente uma questão das organizações. 

“Se a gente quiser estar no mercado com diferencial competitivo, desenvolvendo essa inovação e essa revolução que a gente está vendo dentro das empresas, a gente vai ter que protagonizar a nossa história de educação.” 

O profissional deixa de ser um participante passivo no treinamento e inicia o processo de aprender o assunto por conta própria. 

A cultura começa pela liderança

Criar essa nova cultura depende diretamente do comportamento dos líderes. Um erro comum de muitas empresas é investir em educação corporativa sem engajar o gestor e tratar o assunto como uma questão de Recursos Humanos e não das pessoas em si. 

“Os melhores resultados vêm quando o líder está disposto a aprender junto com a equipe e apoiá-los, incentivar o crescimento humano e apoiá-los a se tornarem líderes”, disse Mariana. 

O gestor moderno deve parar de se concentrar em respostas e ser um mentor para a equipe, ajudando os profissionais a desenvolverem senso de autonomia. 

E nem sempre é necessário gastar muito. A mudança cultural também pode começar em empresas de menor porte. Mariana sugere aproveitar o conhecimento existente dentro da própria organização, identificando profissionais capazes de compartilhar experiências com os colegas e fortalecendo programas de mentoria.

Na Newnew, essa lógica vai além da sala de aula. Quando um projeto está sendo realizado, o aprendizado pode acontecer como resultado da arte ou do esporte ou da colaboração. O conteúdo deve estar próximo da realidade vivenciada pelos participantes. 

A inteligência artificial torna as habilidades humanas mais valiosas

Embora a inteligência artificial tenha influência na velocidade dos processos nas empresas, Mariana argumenta que algumas competências humanas estão se tornando mais importantes. Ela menciona o pensamento crítico. 

Segundo pesquisa realizada pela Newnew com cerca de 500 lideranças brasileiras, cresce a preocupação com profissionais que começam a delegar à tecnologia tarefas que exigem análise e reflexão.

Na visão da executiva, a capacidade de pensar será uma das principais questões para as organizações nos próximos anos. Ela acredita que, após a saúde mental, as empresas falarão mais sobre a saúde cognitiva de seus funcionários. 

Curiosidade é uma vantagem competitiva. 

Mariana disse que o desenvolvimento profissional depende menos da quantidade de informações disponíveis e mais da disposição de buscá-las conscientemente. 

“Sejam eternos aprendizes.” 

Ela também sugere uma maneira de pensar sobre o consumo de conteúdo na era dos algoritmos e que devemos decidir se devemos aprender o que aprendemos ou apenas consumir o que está disponível no espaço digital. 

Assista ao Mundo Corporativo. 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.