Quando ouvi na CBN, que seria feita mais uma homenagem a esta nossa maravilhosa cidade, decidi contar esta história. Aqui vou falar de natureza, vou falar de preservação e vou de falar um campo.
A natureza é esportiva. A preservação é de um local de muitas histórias vividas pelos paulistanos. E o campo? Bem, este é o gramado do estádio do Pacaembu.
Há algul tempo, durante a pandemia da Covid, constatei que meu pai estava chateado e para mudar essa situação lembrei que poderia provocá-lo a contar uma história que sempre o deixava feliz. A história de um dia que, segundo ele, foi “um dia ser lembrado para sempre”.
Foi um dia que mudou a vida de muita gente na cidade de São Paulo. No Estado, no Brasil e no Mundo — sem exagero: Quatro de Julho de 2012.
Quando se comemoravam os 263 anso de independência dos Estados Unidos, um time de futebol brasileiro e paulista, conquistava a América. O time de mais de 33 milhões de torcedores.
Era uma quarta-feira, bem no meio da semana, e em um lugar que costumávamos chamar de “A casa dos corintianos”: o saudoso estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.
Naquela noite, meu pai estava ansioso. Mas assim com a maioria, para não dizer a totalidade, daqueles milhões de torcedores, sabia que o time estava em uma excelente fase. Um elenco que exalava confiança. E transmitia essa sensação a todos os torcedores.
Este sentimento foi fundamental para a conquista que viria a ser alcançada: naquela noite, o Sport Clube Corinthians Paulista venceria por dois a zero o poderoso Boca Juniors, time argentino que já havia vencido diversas Libertadores da América. Foi uma vitória incontestável e invicta.
Ao fim daquele jogo, todo corintiano podia gritar em alto e bom som para quem quisesse ouvir: “depois de campeões do mundo, em 2000; também somos campeões da américa, em 2012”.
Estávamos livres de ouvir dos tradicionais adversários a frase: “nunca serão …”. Sim, naquele 4 de julho de 2012, “nóis” corintianos éramos campeões da América.
Para mim, então com 11 anos, ficpu a lembrança do dia mais feliz na vida de meu pai. E com certeza de milhões de corintianos.
Viva a natureza esportiva. Viva o Pacaembo e o seu gramado mágico, palco de tantas emoções para esta nossa maracilhosa cidade de São Paulo.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Isabella Alves Brito Donadel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Luana Ozemela, do iFood, é entrevistada no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“A gente precisa cultivar essa mentalidade de sermos arquitetos de impacto social. Que que significa isso? Todos os dias estamos pensando como que a minha empresa, além do impacto econômico que eu gero, como que eu posso gerar mais impacto social?”
Mais de 60 milhões de consumidores, 600 mil entregadores ativos e cerca de 550 mil estabelecimentos comerciais formam um dos maiores ecossistemas digitais do país. O desafio é transformar essa escala em oportunidades de trabalho, acesso à educação, proteção social e crescimento econômico para diferentes públicos. E foi razão da entrevista com Luana Ozemela, vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.
Ao falar sobre o papel da tecnologia nesse ambiente, Luana definiu a empresa como um espaço de observação permanente das relações sociais que acontecem dentro da plataforma. “O iFood de hoje é o que eu chamo um verdadeiro laboratório social”, afirmou.
Segundo ela, a tecnologia não deve servir apenas para conectar oferta e demanda. Também precisa identificar vulnerabilidades, prevenir conflitos e ampliar o acesso a direitos e oportunidades. “A tecnologia hoje, ela vem para não só aproximar a demanda da oferta, criar essas oportunidades de trabalho para toda essa população, mas também para intervir onde precisa intervir para dissipar conflitos.”
A executiva destacou ainda iniciativas voltadas aos entregadores, como acesso à educação, pontos de apoio e mecanismos de proteção contra violência e discriminação. “A tecnologia precisa estar monitorando todas essas vulnerabilidades o tempo todo e resolvendo os conflitos e levando essa educação.”
O debate global sobre o trabalho em plataformas
O crescimento das plataformas digitais trouxe para governos, empresas e trabalhadores um desafio que ainda está em construção: encontrar modelos de regulação capazes de equilibrar inovação e proteção social.
Para Luana, a economia de plataformas é um fenômeno recente e exige soluções que respeitem as particularidades de cada país. Ela lembrou que o iFood participa das discussões internacionais sobre o tema desde 2021 e integrou iniciativas promovidas pelo Fórum Econômico Mundial.
“Os últimos três anos de fórum culminaram na estrutura no lançamento da Aliança Global pelo Trabalho Digno de Plataformas”, disse.
A executiva também comentou a aprovação de uma convenção internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) voltada aos direitos dos trabalhadores. Na avaliação dela, o acordo representa um avanço porque estabelece princípios globais sem impor uma única fórmula regulatória.
“Em cada país o vínculo é definido conforme a legislação local. Em cada país o ganho mínimo é definido conforme a legislação local.”
Para Luana, esse modelo permite ampliar a proteção aos trabalhadores sem comprometer a continuidade das oportunidades geradas pelas plataformas digitais.
Digitalização e acesso ao crédito para pequenos negócios
Além dos entregadores, outro grupo fundamental para o funcionamento da plataforma é formado pelos pequenos empreendedores.
Segundo Luana, uma das principais contribuições do iFood está na aceleração da transformação digital desses negócios. Ela observa que muitos estabelecimentos chegaram ao ambiente digital com atraso e agora precisam lidar com ferramentas cada vez mais sofisticadas.
“A gente já está falando de levar agentes de inteligência artificial para que esses pequenos negócios consigam organizar suas contas, o seu estoque, fazer uma melhor precificação.”
A executiva destacou ainda a oferta de produtos financeiros adaptados à realidade dos restaurantes e pequenos comerciantes. Como a plataforma possui informações detalhadas sobre o desempenho dos estabelecimentos, consegue avaliar riscos de forma diferente da utilizada por instituições financeiras tradicionais.
“Pelo fato da gente conhecer esse restaurante, conhecer como que os clientes gostam do restaurante, como que eles voltam para esse restaurante, a gente consegue dar produtos financeiros muito melhores.”
Entre os serviços oferecidos estão crédito, microcrédito, cartão de crédito e antecipação de recebíveis, instrumentos que ajudam empresas de menor porte a expandir operações e enfrentar períodos de instabilidade.
Inovação social para enfrentar problemas complexos
A área de impacto e sustentabilidade do iFood trabalha com o conceito de inovação social, que, segundo Luana, consiste em encontrar novas formas de resolver desafios coletivos.
Um dos exemplos apresentados na entrevista foi a segurança no trânsito. Em vez de concentrar esforços apenas em mecanismos de punição, a empresa passou a estudar fatores comportamentais capazes de estimular mudanças mais duradouras.
“Inovação social para a gente nada mais é do que pensar de múltiplas formas, como resolver problemas sociais complexos.”
A partir desse princípio, foi desenvolvido um sistema baseado em ciência comportamental para incentivar práticas mais seguras na condução de veículos. O programa utiliza dados e mecanismos de incentivo para estimular mudanças de comportamento entre os entregadores.
“A gente conseguiu reduzir drasticamente o número de entregadores que dirigiam consistentemente acima da velocidade do viário urbano.”
Segundo Luana, os resultados foram alcançados sem reduzir a eficiência operacional da plataforma. “A gente fez isso sem tornar a nossa operação mais lenta.”
Para ela, a inovação social se torna relevante justamente quando consegue enfrentar um problema coletivo e, ao mesmo tempo, manter a viabilidade do negócio.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.
A chatice é um daqueles fenômenos humanos que todos reconhecem imediatamente, mas poucos conseguem definir com precisão. Dependendo da situação, ela pode manifestar-se tanto como uma característica percebida em alguém quanto como uma experiência vivida por nós mesmos. Talvez seja justamente essa dupla natureza que a torne tão interessante.
Uma das formas mais comuns de experimentá-la ocorre quando a chatice se instala na própria vida. A rotina, a repetição e a sensação de que nada muda podem produzir uma experiência emocional marcada pela monotonia, pelo cansaço e pela estagnação.
Nessas circunstâncias, a chatice configura-se como um fenômeno complexo. Não se trata de um sentimento único, mas de uma experiência constituída por diferentes sentimentos, entre eles o tédio, o desânimo, a falta de interesse e a perda de vitalidade. É como se a vida perdesse movimento e ficássemos aprisionados em um ciclo que não se transforma.
A chatice também pode surgir na relação com o outro — aquela pessoa cuja presença desperta, quase instantaneamente, um suspiro interno. Afinal, o que torna alguém chato?
Não existe uma fórmula exata. Ainda assim, dois aspectos costumam estar presentes: a dificuldade de perceber o impacto que se causa nos outros e de estabelecer uma verdadeira conexão afetiva.
A pessoa considerada chata costuma não perceber os sinais da relação. Conta piadas sem notar se alguém riu, repete histórias já conhecidas, insiste nos mesmos assuntos, corrige excessivamente, critica, vigia ou fala longamente sem considerar o interesse de quem a escuta. De certo modo, sua atenção permanece concentrada em si mesma, enquanto o outro vai desaparecendo da cena relacional.
Curiosamente, muitos desses “chatos profissionais” são pessoas gentis, educadas e até afetuosas. Talvez por isso seja tão difícil lidar com eles. Frequentemente sentimos desconforto sem conseguir explicar exatamente a origem desse incômodo.
Entretanto, há ainda uma terceira forma de experimentar esse fenômeno: quando nós mesmos nos tornamos chatos.
Sim, isso acontece com todos nós.
Há momentos em que estamos mais irritados, repetitivos, impacientes ou excessivamente centrados em nossas próprias preocupações. Isso não nos transforma automaticamente em pessoas chatas. O problema surge quando esse modo de funcionamento se torna predominante e persistente, fazendo com que nossa presença seja frequentemente vivida pelos outros como cansativa ou desgastante. Mas como perceber isso?
O primeiro passo é preservar o senso crítico. A simples capacidade de perguntar “Será que estou sendo chato?” já demonstra uma abertura importante para o outro. Observar as reações das pessoas também ajuda. Desinteresse, desconexão, respostas breves ou impaciência podem sinalizar que estamos insistindo em algo que perdeu significado na relação.
Sem dúvida, o antídoto para essa condição é a conexão afetiva. Quando existe troca genuína, curiosidade pelo outro e envolvimento emocional, a conversa ganha vida. O que torna uma interação interessante não é necessariamente o tema abordado, mas a qualidade da presença compartilhada.
Sob essa perspectiva, a chatice talvez possa ser compreendida como uma perda de movimento do sentir. Quando a experiência deixa de circular, quando a curiosidade desaparece e a relação se torna excessivamente repetitiva, surge a sensação de enfado que reconhecemos como chatice.
Entretanto, por mais incômoda que seja, ela possui uma função importante: funciona como um sinal de alerta. Quando a vida perde o brilho, quando nos tornamos excessivamente repetitivos ou quando as relações parecem esvaziadas de vitalidade, algo está nos dizendo que chegou o momento de renovar, transformar ou criar novas possibilidades.
Nesse sentido, a chatice não é apenas um problema. É também um convite ao movimento.
Pode ser a vida que pede renovação. Pode ser uma relação que precisa de novos caminhos. Pode ser a necessidade de voltar a sentir aquilo que se tornou automático.
Quando escutada, a chatice deixa de ser apenas um incômodo e passa a indicar onde a vida está pedindo transformação.
Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad
Era cedinho e a turma da padaria já palpitava no microfone da CBN. Na voz do povo, os gols da vitória sairiam dos pés de Vini Jr., Neymar e Endrick. O primeiro é compreensível: virou o craque desta seleção. Já os outros dois dependeriam das substituições de Ancelotti — se é que entrariam em campo. Mas ninguém estava preocupado com esses detalhes. A voz do povo não perde tempo com pormenores. Se o repórter perguntasse por Casemiro, seria vaiado. Se sugerisse Martinelli, ouviria um sonoro: “Quem?”
Torcer é retorcer a lógica do futebol. É acreditar que o salvador da pátria está sempre no banco de reservas. É procurar um culpado antes mesmo do apito final. É ter certeza de que o técnico errou — sobretudo quando ele acerta.
Na arquibancada ou diante da televisão, excomungamos o atacante que perdeu um gol, aposentamos o zagueiro que falhou e condenamos o goleiro que levou um chute indefensável. Ora, se está no gol, que defenda.
Também nos sentimos no direito de julgar todas as decisões do treinador. Se repete a escalação, faltou coragem. Se muda o time, faltou convicção. Se mexe bem durante a partida, a conclusão é inevitável: escalou mal.
O primeiro tempo da seleção parecia confirmar cada uma dessas teorias. O Brasil sofria com a marcação japonesa, circulava pouco a bola e dava espaços na defesa.
Fora Ancelotti! Tira esse Casemiro. O homem se arrasta em campo, erra passes, chega atrasado, leva cartão amarelo e nem faz a falta para impedir o chute que termina em gol. E essa saída de bola do Danilo? Não é ele o homem de confiança do técnico? Vai confiando…
Chega o intervalo e descobrimos que Endrick só entrará porque Paquetá está machucado. Casemiro continuará em campo, mesmo amarelado. E o Neymar? Vai passar a Copa inteira como peça de decoração no banco? Para que levou esse cara?
Eu já começava a aceitar que tinha sido condenado a torcer por times ruins em 2026.
Mentira.
Bastava a bola chegar aos pés de Vinicius Júnior para a esperança reaparecer. Eu voltava a acreditar no futebol arte, no Brasil das grandes Copas, no Hexa. Torcer nos concede esse privilégio: acreditar e desacreditar em questão de segundos; idolatrar e condenar o mesmo jogador no intervalo de uma jogada; cometer injustiças e revogá-las antes mesmo do replay.
Quando muitos de nós já imaginávamos como seria triste assistir ao restante da Copa sem o Brasil — enquanto o sempre simpático Everaldo Marques resgatava estatísticas da última eliminação brasileira antes das oitavas de final — o roteiro resolveu nos desmoralizar.
Gabriel Magalhães levantou a bola na área. Casemiro, justamente Casemiro, apareceu para cabecear e empatar o jogo.
O vilão virou herói.
Calem-se! Deixem o homem trabalhar. Ancelotti sabe exatamente o que faz.
Só havia uma dúvida.
Por que Martinelli? Por que não Neymar? Será que o treinador não ouviu os gritos da torcida? A gente tem de virar esse jogo, mister!
Pois foi Martinelli quem recebeu o passe de Bruno Guimarães dentro da área e marcou o gol da classificação.
Nunca critiquei.
Ou melhor: critiquei, sim. E voltaria a criticar amanhã, se fosse preciso. Porque torcedor não muda de opinião. Apenas troca de certeza.
Hoje, por exemplo, tenho absoluta convicção de que o Brasil vai rumo ao Hexa.
Quanto mais estímulos disputam a nossa atenção, maior é o risco de deixarmos de perceber aquilo que torna uma marca diferente. Esse foi o tema do comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.
A dificuldade não está apenas no aumento da concorrência. Ela também está no limite da capacidade humana de processar tantas informações ao mesmo tempo. Jaime Troiano lembrou que estudos realizados ainda na década de 1970 já mostravam que o excesso de estímulos embaralha nossa percepção e reduz a capacidade de diferenciar uma opção da outra.
Para explicar esse fenômeno, ele recorreu a uma imagem criada há cerca de 400 anos por Isaac Newton: o disco formado pelas sete cores do arco-íris. Parado ou girando lentamente, é possível distinguir cada cor. Quando gira muito rápido, porém, todas desaparecem em uma única impressão visual. “Você vê tudo branco e não distingue as cores.”
Segundo Jaime, o mesmo ocorre com o mercado. A quantidade de mensagens, produtos, campanhas e ofertas cresce continuamente. Como resultado, as diferenças entre as marcas tendem a ficar menos evidentes para o consumidor. “É tanta comunicação, são tantas alternativas no mercado, é tudo tão rápido”, resumiu.
Cecília Russo mostrou como esse efeito aparece na prática ao recordar uma visita à Feira da APAS, um dos maiores eventos do varejo brasileiro. Centenas de expositores disputavam a atenção dos visitantes com painéis, lançamentos, cores, sons e experiências. Sem um objetivo definido, explicou, a tendência é sair do evento cansado e com dificuldade para lembrar do que realmente chamou atenção.
“A cabeça gira com tantas informações, alternativas, produtos, empresas, marcas”, observou. Para ela, essa sensação também ajuda a entender o desafio enfrentado pelas empresas em praticamente todos os setores.
Esse cenário exige um esforço ainda maior para construir uma identidade clara. Em vez de ampliar a quantidade de mensagens, torna-se mais importante reforçar uma promessa consistente e facilmente reconhecida pelo público.
Cecília apresentou um dado de uma pesquisa realizada pela Troiano que ilustra essa dificuldade. Ao medir a associação entre celebridades e as marcas que elas representam, o estudo mostrou que os consumidores acertaram a resposta em apenas 15% dos casos. Nos outros 85%, as pessoas confundiam os porta-vozes e as empresas, sinal de que o excesso de estímulos acaba embaralhando até campanhas de grande visibilidade.
A conclusão dos comentaristas é que, em um ambiente de comunicação cada vez mais acelerado, vencer a disputa pela atenção depende menos de fazer mais barulho e mais de construir uma identidade coerente ao longo do tempo.
No encerramento, Jaime Troiano sintetizou essa orientação: “Pense religiosamente naquilo que a sua marca tem de único, de especial e não abandone esse caminho.” Para ele, é justamente essa característica singular que permitirá à marca ser percebida em meio a tantas alternativas.
A marca do Sua Marca
A principal lição do comentário é que o excesso de informação tornou a diferenciação mais difícil. Por isso, marcas fortes não são necessariamente as que mais aparecem, mas as que conseguem comunicar, de forma consistente, aquilo que têm de único e relevante para o consumidor.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Meu pai, alfaiate, Luiz Marquesi. Minha mãe, excelente dona de casa, Albonea Marquesi. Família que na época eu já considerava grande: quatro homens, com nomes iniciando pela letra L, e três mulheres, toda com nomes começando com N. Eu, por ser o caçula, escapei de me chamar Lauro. Meu pai, ouvindo a rádio Nacional do Rio, descobriu o “Laudizio, mago das joias”. E o acréscimo veio do dia de nascimento, inspirando no dia do santo, São Jorge.
De Garça, interior de São Paulo, para o bairro da Casa Verde, na São Paulo de 1955, foi um pulo. Minha irmã Neide veio na frente, em 1954, e foi ser telefonista no Hotel Jaraguá, na rua Major Quedinho, edifício do Estadão. Ano da comemoração do IV Centenário da cidade. Era uma São Paulo festiva e brilhante. Recebeu artistas do cinema americano. Na époica já havia transmissões de TV para os privilegiados. O rádio segui imbatível.
Como disse, cheguei uma ano depois, mas me permita dar um salto no tempo: 1958. Que ano maravilhoso! Brasil, campeão do Mundo na Suécia. Foi quando Pelé nasceu para o futebol. As transmissões de rádio eram em ondas curtas e retransmitidas pelas grandes emissoras da época, casa uma em um estado diderente.
Ao microfone da Bandeirantes, Edson Leite e Pedro Luiz. E apesar do chiado a festa era enorme a cada gol do Brasil. Lembro da final da Copa, em 28 de junho. Dia de São Paulo. 5 a 2 para o Brasil. Terminada a partida, nos céus, milhares de balões com as cores do Brasil e um foguetório enormo. Que emoção. Que alegria. Imagine o que era ouvir, pela primeira vez, o Brasil ser campeão do Mundo.
Ouça o Conte Sua História de São Paulo
Laudizio Jorge Marquesi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Valdenice em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“A liderança sem essa escuta ativa, é liderança estéril. Ela não promove a construção de novas lideranças, que é o que a gente precisa.”
Uma escola com 115 anos de história decidiu substituir a figura do diretor único por uma gestão compartilhada formada por três diretoras. A mudança reflete uma busca por decisões mais colaborativas, diversidade de perspectivas e maior conexão com os desafios contemporâneos da educação.
Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, Valdenice Minatel Melo de Cerqueira, diretora institucional e de tecnologia do Colégio Dante Alighieri, disse que a transformação começou a ser desenhada em 2019. Naquele ano, ela assumiu uma posição de liderança mais ampla na instituição. Após um período de estudo e observação da estrutura da escola, surgiu a proposta de criar um colegiado responsável pelas decisões estratégicas.
Segundo a diretora, a experiência acumulada na área de tecnologia ajudou a consolidar a convicção de que uma gestão eficiente não pode depender apenas de uma pessoa. “Não é possível fazer uma boa gestão de forma isolada e de maneira unilateral”, afirmou.
A estrutura atual reúne, além de Valdenice, Angela Martins, diretora pedagógica, e Helenice Ziziotti, diretora de admissões e cursos extracurriculares.
O valor das decisões compartilhadas
Um dos questionamentos mais comuns sobre modelos colaborativos é a possibilidade de tornar os processos mais lentos. Para Valdenice, o risco existe, mas pode ser administrado por meio de critérios claros de urgência e responsabilidade.
Ela reconhece que a mudança exigiu adaptação de todos os envolvidos. “Obviamente que toda mudança que é proposta traz um desconforto. Inclusive para nós, que estávamos habituados a ter uma gestão mais centralizadora.”
Ao mesmo tempo, acredita que o desconforto faz parte da construção de novos caminhos. “Mas é a partir desse desconforto que a gente vai encontrar um conforto para seguir, considerando que a escola é um lugar do coletivo. Ninguém faz nada sozinho.”
A diretora relatou um episódio que ilustra os benefícios da gestão compartilhada. Diante de um aluno que acumulava problemas disciplinares, a equipe optou por oferecer uma nova oportunidade em vez de adotar medidas mais severas. A decisão foi tomada coletivamente.
Anos depois, o estudante se destacou na carreira acadêmica. Para Valdenice, o resultado reforçou a importância de diferentes perspectivas participarem do mesmo processo decisório.
Governança feminina e diversidade
O modelo implantado no Dante Alighieri também tem uma característica particular: é conduzido por três mulheres.
Segundo Valdenice, a composição do grupo não foi resultado de uma escolha planejada, mas da trajetória profissional das líderes que já atuavam na escola. Ainda assim, ela considera que a presença feminina amplia a qualidade das decisões.
A executiva também defende a ampliação da participação das mulheres em conselhos e espaços de governança.
“Eu defendo que essa diversidade é necessária sobre todos os aspectos, porque nós vamos entender o mundo de uma maneira mais plural.”
Para ela, a diversidade não se limita à questão de gênero. Envolve diferentes experiências, trajetórias, origens e formas de interpretar a realidade. Esse conjunto de perspectivas contribui para análises mais completas e decisões mais equilibradas.
Escuta ativa como prática de liderança
Entre os conceitos destacados ao longo da entrevista, a escuta ativa apareceu como um dos pilares da gestão.
Valdenice fez questão de diferenciar ouvir de escutar.
“Nós fazemos muito a escuta ativa. Não é simplesmente estar na sua frente e ouvir o que você vai falar, é genuinamente se interessar pelo que você está trazendo.”
A prática se estende aos alunos, às famílias e aos profissionais da escola. Na avaliação da diretora, organizações que desejam formar novas lideranças precisam criar ambientes em que as pessoas se sintam ouvidas e respeitadas.
Formação humana além dos vestibulares
Com cerca de 4.200 alunos e atividades que se estendem das sete da manhã às nove da noite, o Dante Alighieri, em São Paulo, enfrenta o desafio de equilibrar desempenho acadêmico e formação humana.
Valdenice reconhece que os vestibulares continuam exercendo forte influência sobre o trabalho das escolas. Ao mesmo tempo, considera insuficiente limitar a educação à preparação para exames.
“Não dá para pensar numa escola que só se preocupe com o vestibular. Acho que é muito reducionismo.”
Ela resume a proposta educacional da instituição na expressão “high tech, high touch”: combinar excelência acadêmica, tecnologia, criatividade, empreendedorismo e desenvolvimento socioemocional.
Segundo a diretora, o mercado de trabalho exige cada vez mais competências relacionadas à tomada de decisão, capacidade de colaboração, criatividade e liderança, habilidades que precisam ser desenvolvidas ainda durante a vida escolar.
Inteligência artificial e o papel da escola
Outro tema central da entrevista foi a inteligência artificial.
Valdenice classificou a chegada da IA generativa como um dos momentos mais disruptivos da história recente da educação, comparável ao impacto provocado pela popularização da internet nos anos 1990.
Desde 2023, o Dante Alighieri vem desenvolvendo iniciativas para integrar a tecnologia às atividades pedagógicas. A estratégia inclui formação de professores, orientação às famílias e definição de critérios para o uso das ferramentas pelos alunos.
Segundo ela, o princípio que orienta todas as decisões é simples: a tecnologia deve servir às pessoas.
“A prioridade é o humano. São as relações humanas e a tecnologia vem para melhorar, para potencializar.”
A escola adotou plataformas que permitem aos professores selecionar e organizar os conteúdos utilizados pela inteligência artificial, preservando a autoria e a participação ativa dos educadores no processo de aprendizagem.
Aprender continuamente
Uma lição que considera essencial para qualquer profissional, independentemente da área de atuação, foi destacada por Valdenice ao fim da entrevista: a aprendizagem contínua.
“Eu não vou me cansar. É o lifelong learner. A gente continua aprendendo o tempo todo.”
Para ela, escolas, empresas e profissionais precisam manter uma postura permanente de atualização, buscando novas práticas e novos conhecimentos sem perder de vista a importância das relações humanas.
“A escola é um espaço do coletivo, assim como é qualquer instituição e todos aprendem.”
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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.
No Brasil, a disputa pelo título de maior São João do mundo mobiliza duas cidades: Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco. As duas estendem a festa para além do calendário, multiplicam atrações e competem pelo carinho dos brasileiros. Nesta noite de 24 de junho, porém, imagino que paraibanos e pernambucanos concordariam em pelo menos uma eleição. O melhor jogador do Brasil hoje atende pelo nome de Vinícius Júnior.
Enquanto quadrilhas ocupavam arraiais e fogueiras iluminavam o país, Vinícius iluminava Miami. Desde a estreia, havia sido o principal protagonista da seleção brasileira. Participou das melhores jogadas, marcou um gol em cada uma das duas primerias partidas da fase de grupos e, diante da Escócia, foi além: balançou as redes duas vezes. Só não saiu com um hat-trick porque o árbitro anulou equivocadamente um terceiro gol. Quase todo lance de perigo passou por seus pés.
Era exatamente isso que se esperava do atacante do Real Madrid antes da Copa do Mundo. Assim como Messi liderou a Argentina, Mbappé conduz a França e Cristiano Ronaldo continua sendo a principal referência de Portugal, Vinícius assumiu o papel de protagonista da seleção brasileira. Dos grandes jogadores se espera liderança. E foi isso que ele entregou. Com sua atuação — e não apenas por causa dela — o Brasil encerra a fase de grupos na primeira colocação e transmite ao torcedor uma confiança que ainda parecia distante há poucas semanas.
Matheus Cunha também deixou sua marca. Fez o terceiro gol brasileiro e chegou ao terceiro na competição. Depois de começar a Copa fora da equipe titular, conquistou espaço e se firmou como centroavante em um setor onde a concorrência é intensa.
A vantagem construída com relativa tranquilidade permitiu que Carlo Ancelotti promovesse mudanças no segundo tempo e atendesse a dois desejos da torcida: rever Neymar em campo e acompanhar mais alguns minutos de Endrick.
O camisa 10 do Santos, recuperado de mais um período afastado por lesão, atuou cerca de quinze minutos. Movimentou-se bem, distribuiu passes, cobrou escanteios e finalizou uma vez. Para quem até poucos dias era dúvida para a Copa, sua participação oferece mais uma alternativa ao treinador. Resta saber se Ancelotti pretende utilizá-lo por períodos maiores quando os desafios forem mais exigentes.
Antes mesmo de conhecer o adversário da próxima fase, o técnico italiano terá trabalho. A defesa brasileira voltou a apresentar momentos de desorganização que passaram sem maiores consequências diante da Escócia. Em confrontos eliminatórios, erros desse tipo costumam cobrar um preço mais alto.
Daqui para frente, a Copa não admite tropeços. Cada partida será definitiva. Ainda assim, o torcedor brasileiro tem motivos para aproveitar o São João com mais tranquilidade. Seja em Campina Grande, em Caruaru ou na quermesse da escola do bairro, a fogueira pode continuar acesa. Pelo menos por enquanto, o futebol da seleção também.
O vitimismo funciona como um abrigo cujas portas e janelas não se abrem para fora, onde a pessoa se esconde de si mesma.
Nesse abrigo, os mantos são vestes pesadas e densas, cujas estampas carregam as cores da injustiça, como se cada tonalidade fosse sobreposta para ocultar as falhas que não se ousa encarar.
Senso de responsabilidade de quem se sente vítima? Esse escorre por entre os dedos. Sem falar que os próprios erros também permanecem em gavetas trancadas a sete chaves.
Na parede, há um quadro em aquarela cuja pintura insiste em mostrar uma dor e um sofrimento sempre mais profundos do que os dos outros.
Em seu idioma particular, sustenta a narrativa de sempre diminuir o outro. Não por maldade declarada, mas por uma necessidade silenciosa de parecer maior do que acredita poder ser.
Hábil em construir histórias tão bem contadas e tão bem sentidas, por vezes enganam até a própria autora, que, com uma convicção quase teatral, atrai afagos na tentativa de alimentar um vazio que nunca se sacia.
É um sentimento que nasce da insegurança, mas cresce regado por pequenas doses de arrogância. Por vezes, no calor do sofrimento, refresca-se à sombra da inveja; por outras, no frio da solidão, aquece-se no fogo da raiva.
De fato, o vitimismo impõe um grande sofrimento. Uma dor que só pode ser transformada quando, cansada de repetir o mesmo enredo, a pessoa encontra coragem para se olhar sem autopiedade.
E seria nesse instante — frágil, raro e luminoso — que o vitimismo começa a perder força, oferecendo, enfim, uma possibilidade de mudança, para que a pessoa encontre espaço para se assumir e, assim, ser com as qualidades e os defeitos próprios de um ser humano.
Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad
A Parábola dos Talentos sofreu, na modernidade, um sequestro utilitarista. Sob a ótica de uma sociedade obcecada por métricas de produtividade, a palavra “talento” foi esvaziada de sua profundidade e reduzida a sinônimo de competência profissional, eficiência ou sucesso financeiro.
Contudo, há um mal-entendido abissal nessa interpretação. As escrituras não operam na lógica do fazer, mas na dimensão da ontologia: o texto bíblico é sobre o ser. Quando o texto ilustra o chamado dos primeiros discípulos, homens que exerciam a ocupação de pescadores, a promessa subsequente não visa o aprimoramento técnico de seu ofício, mas uma transfiguração de suas identidades. O fazer é circunstancial e utilitário; o ser é intrínseco e perene. Multiplicar o talento, portanto, não significa acumular conquistas externas, mas expandir a própria capacidade de manifestar a essência da vida.
Na antiguidade, a distância entre o ser e o instrumento era quase inexistente, pois o artífice imprimia sua própria alma diretamente na matéria que moldava. Hoje, vivemos uma assincronia profunda.
As possibilidades contemporâneas de amplificar o dom são virtualmente infindáveis. Se a essência de um indivíduo reside na capacidade de estruturar o caos, de projetar conexões ou de arquitetar conceitos complexos, a tecnologia moderna oferece ferramentas exponenciais que funcionam como megafones para o ser. Os instrumentos atuais expandiram as fronteiras da multiplicação, permitindo que o dom ecoe com um alcance outrora inimaginável.
Todavia, essa abundância instrumental esconde uma armadilha sutil e perigosa: a ferramenta pode se transformar na prisão do dom. Diante de sistemas altamente complexos, algoritmos rígidos ou estruturas corporativas sedutoras, corre-se o risco de inverter a hierarquia natural, fazendo com que a essência sirva ao instrumento. É o fenômeno em que a visão criativa original acaba sendo deformada para se adequar às limitações de um software, ou quando o indivíduo confunde sua identidade real com o cargo técnico que ocupa.
Quando o instrumento limita o dom, a humanidade retrocede ao erro de confundir o que faz com o que é. Enterrar o talento, sob essa perspectiva contemporânea, não significa necessariamente a inércia, mas a covardia de se deixar anestesiar pela técnica, permitindo que a ferramenta domestique a alma. A verdadeira fidelidade ao talento exige a lucidez de dominar o instrumento sem nunca ser dominado por ele, garantindo que as infinitas possibilidades do presente permaneçam como vias de libertação e expressão do ser, e não como engrenagens de nossa própria limitação existencial.
Caio Luizetto é teólogo e cientista da religião, pós-graduado em Missão Integral em contexto urbano. Sua produção aborda as relações entre fé, dor, sentido e maturidade espiritual na vida contemporânea. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.