50 debates para o Brasil: a “taxa das blusinhas” protege empregos ou pesa no bolso do consumidor?

A cobrança de imposto sobre pequenas compras feitas em sites internacionais coloca em confronto a proteção aos empregos no Brasil e o preço pago pelo consumidor. A “taxa das blusinhas” foi discutida na série 50 Debates Para o Brasil, do Jornal da CBN, por Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, e Henrique Lian, CEO da Proteste Euroconsumers Brasil.

O debate ocorre enquanto o Congresso analisa a medida provisória que suspendeu a cobrança do Imposto de Importação sobre compras de pequeno valor feitas em plataformas internacionais. A questão vai além de decidir se uma blusa, um tênis ou um acessório comprado no exterior deve ficar mais caro. A discussão é sobre quem deve arcar com o custo de proteger a produção e o comércio brasileiros.

Jorge Gonçalves Filho defendeu a tributação como forma de reduzir a diferença entre as condições enfrentadas pelas empresas brasileiras e pelos produtos vendidos por plataformas estrangeiras. Segundo ele, a retirada do imposto já teria reflexos sobre o emprego.

Estamos exportando empregos, estamos exportando divisas”, afirmou. Ele citou dados segundo os quais o varejo teria perdido cerca de 63,4 mil postos de trabalho, sendo aproximadamente 30 mil no setor de vestuário. Também argumentou que produtos brasileiros estão submetidos a impostos, testes e certificações que nem sempre alcançam mercadorias importadas vendidas diretamente ao consumidor.

Para Jorge, portanto, não cobrar o imposto cria uma concorrência desigual. Ele afirmou que estudo realizado com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a partir de mais de 150 mil notas fiscais, encontrou uma carga tributária acumulada de 92% na cadeia do vestuário.

Henrique Lian contestou a ideia de que a tributação produza igualdade. Seu argumento é que o Imposto de Importação não é pago pela plataforma estrangeira, mas pelo brasileiro que faz a compra.

Essa proteção não pode nunca, em hipótese alguma, recair sobre os ombros do consumidor”, afirmou. Para Henrique, empresas e consumidores são agentes diferentes e não deveriam receber o mesmo tratamento tributário. Se indústria e comércio nacionais enfrentam custos excessivos, disse, o governo deveria buscar outras formas de reduzir essa desvantagem.

Henrique também questionou se a cobrança anterior trouxe os resultados prometidos. Segundo os dados apresentados por ele, durante um ano e nove meses de vigência da tributação, os preços do varejo brasileiro não caíram: roupas subiram 7%, calçados, 9%, e cosméticos, 17%. O crescimento do emprego nesses setores também teria ficado abaixo da média nacional.

A divergência, portanto, não está apenas em cobrar ou não cobrar imposto. Está em como equilibrar três interesses: oferecer preços acessíveis ao consumidor, preservar empregos e permitir que empresas brasileiras concorram com produtos vendidos por plataformas internacionais.

De um lado, a tese de que não tributar significa importar produtos e exportar empregos. Do outro, o argumento de que proteger empresas colocando a conta no colo do consumidor aumenta a desigualdade tributária.

É essa escolha que está agora nas mãos do Congresso.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Sabatina Augusto Cury: o candidato de canela de fora

Augusto Cury
Cury na sabatina O Globo/Valor/CBN Reprodução do YouTube

Encontrei Escritor Augusto Cury — este é o nome próprio usado pelo candidato — já sentado na poltrona onde seria entrevistado pelos próximos 90 minutos, no estúdio da redação de O Globo. Estava de canela de fora.

Perdão se foi essa a primeira impressão que tive diante de tantas outras curiosidades que envolvem o homem que se apresenta como “o psiquiatra mais lido do mundo”. Fui induzido por uma história ouvida nos bastidores da sabatina de Renan Santos, no dia anterior.

Renan, que chegou de franja penteada, meia erguida e calça bem esticada, compartilhou conosco uma implicância do pessoal do Missão: homem que senta e deixa a canela à mostra não é de confiança.

Segundo essa particularíssima teoria política, políticos pouco confiáveis costumam usar calça curta e mocassim sem meia (ou algo assim). A ciência, até onde se sabe, ainda não se debruçou sobre a relação entre canelas, mocassins e caráter. Augusto Cury talvez possa fazê-lo. Entende da mente humana.

Psiquiatra, escritor, empresário e agora candidato à Presidência, ele passou boa parte da nossa conversa propondo diagnósticos para a política brasileira.

A política está doente. A polarização é esquizofrênica. Há egos demais, muros demais e pontes de menos. Cury se oferece como construtor de pontes.

Enquanto não chega à Presidência, faz o que aparentemente mais gosta: escreve. Escreveu um plano de governo com cerca de 200 páginas e está escrevendo cartas para Lula e Flávio Bolsonaro. Vai pedir aos dois que ajudem a pôr fim à polarização.

Se eleito, fará a segunda coisa de que mais parece gostar: conversar.

Pensa em anistiar condenados pelos atos de 8 de Janeiro, mas antes chamará juristas para analisar os processos. Quer mudar o sistema de governo, mas conversará com constitucionalistas. Quer cortar gastos, mas ainda precisará discutir onde e quanto com economistas.

Se Bolsonaro tinha um Posto Ipiranga, Cury aposta numa rede de postos.

Essa disposição para ouvir especialistas apareceu também quando Malu Gaspar perguntou como funcionaria, na Brasília real, o grande pacto político que ele propõe.

Cury apresentou suas credenciais:

— Eu sou um construtor de pontes. Já tratei psicopatas, sociopatas, pessoas agressivas, egocêntricas, tóxicas.

Foi irresistível imaginar o consultório em Brasília. Ele percebeu a armadilha:

— Não me coloquem nessa fogueira.

Não colocamos. Cury é que decidiu entrar nela.

E descobriu na sabatina que quem disputa a Presidência precisa fazer mais do que construir pontes. Precisa escolher para qual margem pretende atravessar.

Perguntado se houve tentativa de golpe, preferiu aguardar a opinião dos juristas. Questionado sobre quem apoiaria num segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, recusou-se a escolher.

— O senhor não quer escolher nada.

Cury não gostou. Afinal, ele escreveu 200 páginas de programa de governo. O problema aparece quando as 200 páginas precisam ser traduzidas em decisões.

Perguntamos quanto custariam suas propostas e onde cortaria despesas. Falou em reduzir talvez 30% dos cargos comissionados. Depois ponderou: podem ser 25%, 35% ou nenhum desses números.

Cury tem respostas abundantes para os males do país e ainda procura algumas respostas sobre como curá-los.

Talvez seja natural para quem estreia numa eleição. Até pouco tempo atrás, sua experiência com política era a de quem conversava e tratava políticos. Agora está do outro lado da mesa.

Neste sábado, estará diante dos entrevistadores do Jornal Nacional.

Quanto mais falar, mais será ouvido. E quanto mais for ouvido, mais terá de mostrar. Talvez, afinal, a canela de fora que me chamou a atenção antes da sabatina não tenha relação alguma com a teoria do pessoal do Missão. Provavvelmente seja apenas uma antecipação do que acontecerá daqui para frente.

Augusto Cury entrou de vez na campanha presidencial. Agora estará cada vez mais exposto. Com suas franquezas à mostra. E suas fragilidades também.

Conte Sua História de São Paulo: amor à primeira viagem

Roseanne Decanini

Ouvinte da CBN

Foto de Sergio Souza on Pexels.com

Meu amor por São Paulo começou cedo, quando eu tinha apenas seis anos de idade. Foi naquela primeira viagem, ao lado da minha mãe, que a cidade me conquistou para sempre. Viajávamos de trem, em vagão-leito, privilégio de filha de ferroviário. Foram doze horas de expectativa até chegar à Estação da Luz — um cenário que até hoje mora na minha memória.

Ficamos hospedadas no apartamento dos meus tios, em Pinheiros. Enquanto minha mãe ia ao hospital visitar meu irmão, que estava internado devido a um tumor na cabeça, eu permanecia no apartamento, encantada, observando a cidade pela janela do quarto. 

Via a movimentação da rua, os troleibus passando, as pessoas indo e vindo, a garoa fina caindo… Tudo aquilo era moderno, vibrante, fascinante para uma criança do interior. Naquele momento, pensei: “Gostaria de morar aqui.”

Achava lindas as mulheres sempre bem arrumadas, os homens elegantes, as pizzas deliciosas que comíamos. Mas, como tudo na vida, aquela temporada chegou ao fim e voltamos para Assis, minha cidade natal.

Anos depois, quando minha irmã se formou em Enfermagem, ela me convidou para ir com ela para São Paulo, onde haveria mais oportunidades. Não pensei duas vezes. Embarquei novamente rumo à cidade que já morava no meu coração.

E São Paulo me abraçou. Foi ali que cresci de verdade como pessoa. De uma caipira do interior, tornei-me uma paulistana antenada. Tive boas oportunidades de trabalho, estudei, me formei, amadureci. Trabalhei no centro de São Paulo, em banco, e morava próxima à Marechal Deodoro, perto do Minhocão e da antiga sede da Rede Globo.

Vivi intensamente a cidade: ia ao Mappin admirar vitrines e promoções, conheci o Museu do Ipiranga, caminhei pelo Largo São Bento, frequentei o Shopping Ibirapuera, fui ao cinema — ah, que delícia ir ao cinema! — ao teatro, às pizzarias, andei pela Avenida Paulista, onde também trabalhei, e aproveitei o Parque do Ibirapuera.

São Paulo é isso: cultura, movimento, oportunidades, acolhimento. É uma metrópole linda, pulsante, que transforma e impulsiona quem nela vive. São Paulo é, sem dúvida, a cidade do meu coração. E a quem fala mal dela, só lamento. Gostaria que nossos políticos tivessem o mesmo olhar carinhoso que nós, paulistanos de alma, temos por ela, e a tratassem tão bem quanto ela nos trata e acolhe.

Uma cidade que não apenas se visita — se vive, se ama e se leva para sempre na alma.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo


Roseanne Decanini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na briga

Internacional 0x0 Grêmio
Copa do Brasil — Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Grenal 453
Carlos Vinicius travou boas batalhas Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Na tela da TV, o Gre-Nal. Na do celular, a entrevista de Lula, na Globo. Na do computador, o planejamento para a última sabatina com os candidatos à Presidência, que farei amanhã, aqui no Rio.

O momento é de decisão.

No campo, a dupla gaúcha disputava quem permaneceria vivo por pelo menos mais uma etapa da Copa do Brasil. Na política, o calendário avisa que faltam pouco mais de 30 dias para o eleitor fazer sua escolha.

Era preciso estar atento a tudo. Não vacilar. Foco total. No caso, multifoco.

Foi em meio a essa tensão que assisti ao clássico.

No primeiro tempo, fui surpreendido pelo Grêmio. Krovinovic deu qualidade ao passe. O time teve mais organização, ocupou mais os espaços e jogou melhor do que vinha jogando até aqui. Não que precisasse fazer muito para superar as últimas atuações.

Apesar da superioridade, chutou pouco a gol. E quem não faz só não leva se tiver força suficiente para se defender. Foi aí que o Grêmio mostrou algo de que o torcedor não pode reclamar nesta quarta-feira: entrega.

Deu pouco espaço ao adversário. Não havia bola perdida. Cada disputa parecia valer um pouco mais. E, quando a técnica se calou, a alma falou mais alto.

No segundo tempo, o Grêmio caiu de rendimento. Foi pressionado e teve dificuldades para sair jogando. Ainda assim, soube sofrer. E soube se defender. Isso também é mérito. Depois do que temos visto, é até motivo para comemorar.

Chegar vivo à Arena era o principal objetivo. Objetivo alcançado. Agora teremos uma semana para descobrir algo que continua desaparecido: o caminho do gol.

O jogo terminou empatado.

A entrevista, também.

Sabatina com Renan Santos: divida o candidato por três

Renan Santos, Missão
Renan Santos na sabatina Imagem: reprodução YouTube

Renan Santos entrou no estúdio da redação de O Globo com o cabelo penteado. Franja no lugar. Meia erguida. Calça bem esticada.

Uma assessora — sim, uma mulher —-, pente na mão, acompanhava os últimos ajustes. Cabelo, roupa, cada coisa no seu devido lugar.

Cenário pronto para o candidato reclamar:

— Me deixem ser quem eu sou.

A frase ficou comigo.

Quem é Renan Santos?

O candidato que apareceu para a Sabatina Globo, Valor e CBN não parecia o mesmo dos podcasts e do debate na Band. Ou talvez fosse. Apenas estava penteado de outro jeito.

Durante os 90 minutos de conversa com Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes, Lauro Jardim e comigo, Renan foi simpático desde a chegada. E continuou assim na despedida. Fez questão de dizer que estava diante de jornalistas que admirava.

Em algum momento, lembrou que é vocalista de uma banda de rock e brincou:

— Até pareço de esquerda. 

Definitivamente, não é.

Era outro Renan surgindo.

A equipe que o acompanhava era pequena. Fora do ar, falava-se das limitações financeiras da campanha. Nada de avião particular para atravessar o país. Nada de grande comitiva.

Dois dias antes, porém, o candidato havia passado horas fechado numa sala com sete correligionários preparando-se para a entrevista que daria ao Jornal Nacional. Estudaram os temas que poderiam aparecer. Só não imaginaram que a conversa começaria com bomba atômica.

Renan sobreviveu à explosão.

O treinamento e a entrevista da véspera certamente ajudaram a deixá-lo mais à vontade na nossa sabatina.

À vontade não significa passivo.

Quando discorda, sobe o tom. Quando se incomoda, o rosto denuncia. Faz ar de enfado. Argumenta. Interrompe. Pede para não ser interrompido. Depois volta a sorrir.

Renan parece saber qual personagem precisa ocupar em cada momento.

No debate, era o provocador. Na sabatina, surgiu o formulador. Citou Max Weber, falou de história, economia, direito, relações de trabalho, inteligência artificial e segurança pública.

No fim, perguntei sobre essa diferença.

Ele disse que não repetiria num próximo debate a postura do anterior. E explicou que continua sendo a mesma pessoa, embora momentos diferentes exijam comportamentos diferentes.

Talvez esteja aí uma chave para entender sua candidatura.

Renan se apresenta como candidato da ruptura. O slogan é radical. O vocabulário também. Fala em guerra contra o crime organizado, estado de defesa, fim da Justiça do Trabalho e enfrentamento do sistema político.

À medida que as ideias são escrutinadas, aparecem as gradações.

O homem que combate o Centrão admite que terá de negociar com ele. Ou com os “300 bandidos” que o eleitor “vai meter” no Congresso.

Recorre a Max Weber para explicar que sabe distinguir a ética da convicção da ética da responsabilidade. Como militante e candidato, sustenta suas convicções. Como presidente, reconhece que precisará negociar.

Renan garante que sabe fazer política. Até com aqueles que costuma chamar de picaretas.

O candidato que admite não cumprir uma decisão judicial também diz que não pretende brigar com o Supremo. Define-se como um futuro presidente pacificador. Se uma decisão determinasse a interrupção de uma operação contra o crime organizado que considerasse legal e necessária, porém, recorreria, mas não retiraria imediatamente as forças de segurança.

— Não vou mandar um tanque e atropelar o Xandão.

O radicalismo encontra o rito processual.

A metamorfose aparece também quando o assunto são mulheres.

Declarações antigas dele e de companheiros políticos são apresentadas como brincadeiras de rapazes que cresceram — apesar de seguirem repetindo o discurso nas festinhas com os amigos e algumas aparições públicas. Renan diz que gosta de mulheres e oferece uma regra curiosa para interpretar certas conversas masculinas:

— Se um homem diz alguma coisa, divida por três, porque homens exageram.

A frase provocou risos.

E talvez explique mais sobre a candidatura do que Renan pretendia.

Divida por três.

Há o militante que aprendeu a chamar atenção nas redes e nas ruas. O candidato que precisa conquistar votos. E o político que pretende convencer o eleitor de que sabe governar.

Um provoca. Outro formula. O terceiro negocia.

Qual deles é o verdadeiro?

Talvez os três.

O rapaz que provoca para conseguir atenção, o candidato que penteia o discurso para ampliar o eleitorado e o político que já calcula as concessões necessárias para governar podem habitar a mesma pessoa.

Ao fim de uma hora e meia, a franja já não estava tão no lugar quanto na chegada.

Ou talvez estivesse exatamente onde Renan Santos queria que ela estivesse.

Na dúvida, divida por três.

50 debates para o Brasil: proibir redes sociais para menores protege crianças e adolescentes?

Crianças e adolescentes estão expostos a plataformas digitais projetadas para disputar sua atenção, estimular permanência e influenciar comportamentos. A discussão sobre proibir o acesso dos mais jovens às redes sociais foi tema da série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com a educadora e terapeuta Amanda Zanetti e Rafael Zanatta, diretor da Data Privacy Brasil.

Rafael argumentou que o Brasil já dispõe de um caminho diferente com o ECA Digital, legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Entre os pontos destacados por ele estão o combate ao design abusivo — recursos construídos para induzir comportamentos ou prolongar o uso das plataformas —, a verificação de idade, a supervisão dos pais e limites à exploração comercial dos mais jovens.

Para ele, a proibição pode produzir uma sensação de segurança sem resolver o problema. Jovens poderiam contornar as barreiras usando VPNs, que permitem mascarar a localização do usuário, ou documentos de parentes. “O banimento parece uma resposta boa, mas é uma resposta muito simples, muito pobre”, afirmou.

Amanda defendeu que é preciso diferenciar inclusão digital de acesso às redes sociais. Restringir determinadas plataformas, argumentou, não significa afastar crianças e adolescentes do mundo digital. Para ela, não se pode transferir apenas às famílias e aos jovens a responsabilidade de enfrentar ambientes desenvolvidos para capturar atenção e explorar a busca por aprovação social.

“Uma restrição mais forte, uma política que vem regulamentando isso é necessário para que a gente não deixe isso só na mão ali dos adolescentes e das famílias”, disse. Amanda lembrou que crianças e adolescentes ainda estão desenvolvendo a capacidade de autorregulação, o que aumenta a responsabilidade da sociedade e das empresas sobre os ambientes oferecidos a esse público.

O debate também avançou para uma questão anterior à proibição: o problema está no acesso ou na maneira como as plataformas funcionam?

Rafael sustentou que a prioridade deve estar no desenho das redes. Algoritmos de recomendação, feeds contínuos e outros mecanismos podem ser construídos para aumentar o tempo de permanência e estimular consumo. Para ele, responsabilizar as empresas por escolhas abusivas ataca diretamente esse modelo.

Amanda acrescentou outro elemento: educação digital. Para ela, famílias e escolas precisam preparar crianças desde cedo para compreender segurança, consentimento, proteção e os riscos do ambiente digital. Restringir o acesso, portanto, não elimina a necessidade de ensinar o jovem a lidar com essas plataformas quando tiver idade para utilizá-las.

As posições revelaram também uma área de convergência. Embora discordem sobre a necessidade de proibição, os dois debatedores defenderam maior responsabilidade das plataformas, proteção dos menores e educação para o uso do ambiente digital. A divergência principal está em até onde deve chegar a restrição e se o banimento é uma ferramenta necessária ou uma solução excessivamente simples para um problema mais complexo.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Erika Magalhães, da Camil Alimentos, explica como integrar culturas após aquisições

Érika Magalhães, Camil Alimentos
Erika Magalhães em entrevisa online no Mundo Corporativo Foto: Débora Gonçalves CBN

“A gente não pode ter soberba de achar que somente quem tá comprando é o dono da razão.”

A Camil Alimentos realizou cinco aquisições no Brasil em cerca de quatro anos, ampliando sua atuação para categorias que vão de arroz e açúcar a pescados, massas, café e biscoitos. A expansão trouxe um desafio que não aparece necessariamente nas planilhas de uma operação desse tipo: como integrar pessoas, práticas e culturas diferentes sem destruir conhecimentos construídos pelas empresas adquiridas. A experiência da companhia na condução desses processos foi tema da entrevista de Erika Magalhães, diretora executiva de Gente e Gestão da Camil Alimentos, ao Mundo Corporativo, da CBN.

A executiva afirma que o trabalho de recursos humanos começa antes de a aquisição estar concluída. Assim que a operação permite o envolvimento das demais diretorias, o RH participa do planejamento, analisa políticas e procedimentos da empresa que será incorporada e procura entender como eles se relacionam com os processos da Camil.

Depois da assinatura, começa uma etapa que Erika define como os “primeiros 100 dias”. São estabelecidas atribuições e reuniões semanais para acompanhar a integração. O RH também se aproxima das lideranças e das equipes da empresa adquirida.

Essa presença tem uma razão prática: uma aquisição costuma ser acompanhada de dúvidas sobre empregos, funções, processos e mudanças na rotina.

“Eu vou pessoalmente naquela empresa adquirida, conversar com todas as lideranças e deixá-los à vontade também para se colocarem e colocarem suas questões do ponto de vista daquele momento, que é um momento que traz muita insegurança para quem tá sendo adquirido”, afirma.

Quem compra também precisa mudar

Um dos aprendizados relatados por Erika é que a integração não pode ser entendida como uma adaptação unilateral. Não basta ensinar aos profissionais que chegam como funciona a empresa compradora. A organização que recebe essas pessoas também precisa se preparar.

Ela usa a imagem de uma casa que receberá uma visita por bastante tempo. Os visitantes precisam compreender as regras daquele lugar, mas quem já mora ali terá de adaptar sua rotina à presença dos novos integrantes.

“Então, nunca num processo de aquisição é somente quem tá vindo que tem que se adequar. Quem tá aqui também precisa se adequar”, diz.

A lógica aparece também na capacitação profissional. A Camil criou mecanismos para preparar tanto os funcionários incorporados quanto aqueles que já estavam na companhia. Erika cita o exemplo de vendedores que passaram a trabalhar com categorias diferentes depois das aquisições.

“Não é só capacitar quem tá vindo para essa cultura Camil. É capacitar quem tá aqui dentro para absorver esse time e essa categoria ou essa nova empresa”, afirma.

Preservar o que funciona

A integração também exige decidir o que deve mudar e o que merece ser preservado. Um dos exemplos apresentados na entrevista surgiu com a aquisição da Mabel. A empresa tinha um programa de capacitação denominado Escola do Biscoito. Em vez de eliminá-lo para impor exclusivamente seus próprios processos, a Camil incorporou a iniciativa à Camil Academia.

Para Erika, o episódio traduz um princípio que deve orientar aquisições.

“A gente não pode ter soberba de achar que somente quem tá comprando é o dono da razão.”

Segundo ela, uma empresa adquirida pode ter processos próprios que carregam conhecimento e valor para o negócio.

“É uma fusão, é uma aquisição de conhecimento, de capital intelectual. Você não pode jogar tudo isso fora”, afirma.

A decisão sobre o que incorporar, segundo Erika, passa pelos valores e pelo propósito da companhia. Práticas compatíveis podem ser aproveitadas. As que entram em conflito com os valores da organização não são integradas.

Cultura colaborativa para aproximar empresas diferentes

A sequência de aquisições levou a Camil a reforçar internamente a discussão sobre cultura. A empresa desenvolveu uma jornada de cultura colaborativa, com pesquisas, grupos de discussão, revisão de competências, metas compartilhadas e treinamento de lideranças.

A proposta é estimular áreas e profissionais de origens diferentes a trabalhar em torno de objetivos comuns. O trabalho chegou também às equipes das fábricas, com jogos educativos presenciais e palestras online.

Os resultados da integração são acompanhados por diferentes indicadores. A companhia utiliza pesquisas de clima e engajamento, NPS, índices de rotatividade, avaliações por competências e planos de sucessão. Também observa a trajetória de profissionais provenientes das empresas adquiridas que passaram a ocupar outras funções e posições de liderança dentro da Camil.

Rotatividade zero não é necessariamente uma boa meta

Erika também contesta a ideia de que uma empresa deveria perseguir a ausência completa de rotatividade de funcionários. Para ela, mudanças fazem parte da vida profissional e podem ocorrer porque um ciclo terminou, o trabalhador deseja conhecer outro setor ou decidiu empreender.

“Você dizer que você não vai ter turnover, eu acho que é quase que romântico. Eu acho que nenhuma empresa não tem rotatividade de pessoas”, afirma.

O ponto central, segundo ela, é a maneira como as saídas são conduzidas. Isso vale também para aquisições, nas quais podem surgir sobreposições de funções e necessidade de reorganização das equipes.

“Acho que o mais importante para as áreas de recursos humanos, para as pessoas que trabalham com gente, é entender como este turnover que existe pode ser conduzido da forma mais respeitosa e correta possível.”

Quando o problema está na liderança

Um lugar-comum nas discussões sobre os motivos que levam os colaboradores a trocarem de emprego: as pessoas não deixam empresas, deixam seus chefes. Para reduzir esse risco, a Camil procura identificar problemas de liderança por meio de avaliações 360 graus, nas quais gestores são avaliados por subordinados, pares, superiores e por eles próprios.

Erika explica que algumas situações exigem intervenções específicas. A empresa utiliza programas de mentoria para gestores que precisam rever comportamentos e práticas de liderança.

“Existem gestores que precisam ser mentorados de forma metodológica, eles precisam passar por um mentor, seja externo, seja interno, para ele corrigir determinadas atitudes”, diz.

Para a executiva, tecnologia e inteligência artificial ampliam os recursos disponíveis às organizações, mas não eliminam a dimensão humana da gestão. Ela considera mais simples desenvolver conhecimentos técnicos do que modificar comportamentos.

“Eu acho que desenvolver o técnico é mais fácil. Você treina, você desenvolve uma habilidade técnica, mas as habilidades comportamentais são as mais difíceis. Esse é um papel que é indelegável, tanto do RH quanto da liderança.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sabatina com Ronaldo Caiado: uma corrida contra o tempo

Ronaldo Caiado
Caiado na sabatina Foto: reprodução do vídeo no YouTube

Caiado chegou reclamando do tempo e foi embora clamando por mais tempo.

Antes de a nossa sabatina começar, contou que os 40 minutos destinados a ele na noite anterior, na TV Globo, eram poucos para detalhar seu plano de governo. Por isso, precisou ser mais genérico. Na abertura da conversa, voltou ao assunto: “a eleição é muito curta”.

Pensei que a hora e meia das nossas sabatinas saciasse a fome de falar do candidato.

Ledo engano.

Ao encerrarmos, Caiado ainda sugeriu que poderia ficar com o tempo destinado a Lula e Flávio Bolsonaro, que não aceitaram nosso convite. “Você poderia ter me dado as três horas que eles teriam direito para eu poder continuar aqui o debate”, disse.

O tempo é realmente um problema para o ex-governador de Goiás.

Não apenas porque ele gosta de falar. E fala muito. Caiado parece apreciar o exercício da oratória. A pergunta oferece o ponto de partida; ele escolhe o percurso. Há respostas que começam em Brasília, fazem escala em Goiás e precisam ser conduzidas de volta ao assunto original.

O problema maior é que o relógio eleitoral não tem a mesma paciência.

Faltam 39 dias para o primeiro turno. Caiado precisa convencer o eleitor de que é uma alternativa a Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, de que seria capaz de derrotar Lula no segundo turno.

Na sabatina promovida por Globo, Valor e CBN, ao lado de Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim, ficou claro que ele decidiu não economizar palavras nem adversários.

Bateu forte em Lula. Criticou Flávio Bolsonaro e sua família. Atacou decisões e comportamentos de ministros do Supremo. E, quando dados negativos de Goiás eram apresentados, frequentemente contestava os dados, a interpretação ou a fonte.

Foi assim na discussão sobre o crescimento dos feminicídios no estado. Caiado relativizou a estatística, recorreu à conhecida imagem da pessoa com a cabeça no forno e os pés no freezer (mesmo que a analogia estivesse fora do tempo) e, em seguida, enumerou as políticas que adotou para proteger mulheres.

Também reagiu quando uma pesquisa acadêmica colocou sob escrutínio mortes em intervenções policiais em Goiás. Em vez de se limitar aos números, questionou o trabalho e sugeriu que seu autor pudesse ter vínculos com grupos ligados à defesa de integrantes de facções.

Caiado não gosta de perder o controle da narrativa sobre Goiás.

E compreende-se por quê. Seu estado é o principal argumento de sua campanha.

Na economia, lembra as dificuldades fiscais que encontrou. Na educação, fala das escolas, dos computadores, da alimentação e até da grama esmeralda — para falar dela encontrou tempo, repetiu o feito umas três vezes. Na segurança, cita a redução dos homicídios. Sempre que perguntamos sobre o Brasil que pretende governar, Goiás aparece como prova de que ele sabe fazer.

A questão é saber como transformar Goiás em Brasil.

Esse desafio apareceu quando cobramos detalhes do programa econômico. Caiado promete estabilizar a dívida pública, preservar ganhos do salário mínimo, aposentadorias e pisos de saúde e educação, além de manter políticas sociais. Para fechar a conta, fala em combater excessos, rever incentivos fiscais e reorganizar gastos.

Quando pedimos definições mais concretas, porém, algumas ficaram para depois.

Na discussão sobre a escala 6×1, por exemplo, declarou-se favorável à redução da jornada, mas disse que ainda seria preciso encontrar uma solução para pequenas e microempresas. Instado a apresentar essa solução, não a apresentou. Pouco depois, resumiu sua personalidade política numa frase: “Eu sou sim ou não? Quente ou frio? Morno eu vomito.”

Talvez tenha sido o melhor retrato daqueles 90 minutos.

Caiado gosta das temperaturas altas do discurso. Fala com convicção, repete palavras, interpela os entrevistadores, conta histórias, usa exemplos médicos e imagens religiosas. Às vezes responde à pergunta com outra pergunta. Outras vezes contesta a premissa.

Não é um candidato de voz baixa.

Nem de respostas pequenas.

Quando perguntamos como pretende conquistar os eleitores que hoje estão com Flávio Bolsonaro, ele praticamente apresentou sua estratégia: gostaria de ter oportunidades frequentes para falar por uma hora e meia.

Voltamos, portanto, ao tempo.

Talvez Caiado acredite que seu principal problema eleitoral seja de exposição: se tiver minutos suficientes, conseguirá explicar quem é; se explicar quem é, convencerá o eleitor; se convencer o eleitor, romperá a polarização.

Há uma crueldade no calendário eleitoral.

Pode-se pedir mais cinco minutos ao entrevistador. Pode-se lamentar os 40 minutos da televisão. Pode-se reivindicar as horas deixadas na mesa pelos candidatos ausentes.

Não se pode pedir mais 39 dias ao calendário.

Para Ronaldo Caiado, a questão talvez não seja conseguir mais tempo para falar.

É descobrir, antes que o tempo acabe, o que precisa dizer.

Assista à sabatina Globo, Valor e CBN com Ronaldo Caiado

50 debates para o Brasil: casamento homoafetivo opõe igualdade de direitos e concepções sobre a família

Há 15 anos, casais do mesmo sexo podem formar uma família reconhecida juridicamente no Brasil, mas esse direito ainda não está expresso em uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com Maria Berenice Dias, vice-presidente nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), e Dienny Riker, doutora em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

O ponto central do debate foi se o Congresso deve incluir expressamente na legislação o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o tema deve permanecer submetido às regras atuais e à interpretação consolidada pela Justiça?

Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça determinou que os cartórios não podem se recusar a celebrar casamentos civis homoafetivos ou converter uniões estáveis em casamento.

Contrária à mudança na legislação, Dienny Riker argumentou que a divergência não está no valor afetivo das relações homoafetivas, mas no próprio conceito de casamento. Para ela, historicamente o Estado regulamenta o casamento por sua relação com a formação da família, a geração de filhos e a responsabilidade dos pais.

“O Estado não tem interesse em regular a nossa afetividade”, afirmou. Segundo Riker, redefinir o casamento apenas a partir do vínculo afetivo enfraquece a relação histórica entre casamento, sexualidade e parentalidade.

Ela também argumentou que a preservação do casamento como união entre homem e mulher está relacionada à liberdade religiosa e de consciência. Na sua avaliação, pessoas que adotam essa concepção por razões religiosas ou filosóficas devem ter o direito de manifestá-la sem serem tratadas como homofóbicas.

Maria Berenice Dias contestou a ideia de que a finalidade principal do casamento seja a procriação. Para ela, essa interpretação não corresponde à realidade das famílias brasileiras.

“O casamento não tem a finalidade de procriação”, afirmou. Ela lembrou que casais heterossexuais podem se casar mesmo quando não desejam ou não podem ter filhos. Também destacou que casais homoafetivos podem exercer a parentalidade por adoção ou reprodução assistida.

Na sua interpretação, o Estado deve reconhecer relações que criam direitos, deveres e consequências patrimoniais, independentemente da orientação sexual dos integrantes do casal. “Essa é a finalidade do Estado”, disse.

Outro ponto de divergência foi o papel do Legislativo. Riker sustentou que a ausência de uma lei aprovada pelo Congresso indica que não houve consenso social suficiente para alterar o conceito tradicional de casamento. Ela questionou o fato de uma mudança dessa dimensão ter ocorrido pela via judicial e não por votação dos representantes eleitos.

Maria Berenice rejeitou a interpretação. Segundo ela, a resistência parlamentar pode refletir o receio dos congressistas de contrariar parcelas conservadoras do eleitorado, e não necessariamente a posição da maioria da população. Para a jurista, deixar essas relações sem reconhecimento expresso na legislação contribui para manter famílias juridicamente vulneráveis.

O debate coloca frente a frente diferentes concepções sobre família, igualdade perante a lei, liberdade religiosa e o papel do Congresso e do Judiciário na definição de direitos civis.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

A CBN lidera entre as rádios de notícias preferidas pelos principais executivos do país

Radio CBN

Pesquisa sobre os hábitos de informação de presidentes, vice-presidentes e diretores de empresas mostra que 54% dos entrevistados citam a CBN entre suas rádios de notícias favoritas.

O percentual era de 52% em 2021.

A CBN aparece bem à frente das demais emissoras citadas: a Rádio Bandeirantes tem 25% das menções e a Jovem Pan, 23%.

O levantamento foi feito pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, o IBPAD.

Foram entrevistados 107 executivos de 13 setores da economia, entre abril e julho deste ano. Nove em cada dez trabalham em empresas de grande porte.

A pesquisa revela também uma mudança interessante no consumo de informação: jornais e podcasts ganharam espaço nos últimos cinco anos.

Os sites e portais de notícias continuam sendo a principal fonte de informação geral, citados por 64% dos executivos.

Os jornais impressos aparecem com 22%, um crescimento de 12 pontos percentuais desde 2021.

O maior avanço foi dos podcasts. Eles passaram de apenas 3% para 17% das preferências — aumento de 14 pontos percentuais.

E a CBN também aparece nesse formato.

Entre 93 podcasts diferentes mencionados pelos executivos, os podcasts da CBN ficaram com 7% das citações, empatados com os da Market Makers. À frente aparecem O Assunto, do g1, e Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, ambos com 10%.

A pesquisa mostra ainda que 84% dos executivos têm um jornal impresso favorito. Em 2021, eram 47%.

O Valor Econômico lidera, citado por 63% dos entrevistados que apontaram jornais favoritos. Em 2021, eram 32%.

Na televisão, a GloboNews lidera entre os canais e telejornais mencionados, com 45% das citações.

E há presença da CBN também entre os jornalistas considerados mais influentes.

Lauro Jardim, de O Globo e comentarista da CBN, lidera a lista, com 15% das citações. Malu Gaspar, de O Globo, CBN e GloboNews, aparece logo depois, com 14%. Míriam Leitão, que também participa da programação da CBN, tem 12%.

O levantamento indica que, mesmo com o crescimento das redes sociais e da inteligência artificial, executivos continuam recorrendo a veículos jornalísticos para confirmar informações e tomar decisões.

Em média, os entrevistados passam duas horas por dia consumindo informação. Desse total, 73 minutos são dedicados ao noticiário geral.