O que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade – Parte I

 

Por André Leandro Barbi de Souza

 

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Nas eleições de outubro, elegeremos o prefeito, o vice-prefeito e os vereadores do município. O papel do vereador ainda não está bem compreendido pela sociedade, pelos partidos políticos, pelos candidatos e até mesmo pelo eleitor. Não é raro candidatos prometerem ações que não são admitidas, pela Constituição Federal, ao vereador e não é incomum o eleitor cobrar de candidatos ações que não são próprias do exercício da vereança.

 

Para melhor compreender o que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade, o primeiro passo é desconstituir algumas noções equivocadas que se firmaram como verdade, seja por desinformação do eleitor, seja por práticas demagógicas de candidatos ou seja por falta de orientação dos próprios partidos políticos.

 

A primeira noção a ser desconstituída é a de que o vereador é um “assistente social”. Essa ideia tem raiz nos anos de 1980, quando os parlamentos, especialmente os municipais, não tinham qualquer poder e exerciam uma função meramente formal. Daí que, naquela época, as pessoas buscavam, no vereador, um meio de obter favores assistenciais, que eram viabilizados por cotizações encabeçadas pelo então parlamentar, tendo em conta suas relações pessoais e a sua condição de obter favores institucionais. Assim, eram distribuídos remédios, cadeiras de rodas, óculos, muletas, alimentos, eram viabilizados tratamentos médicos, atendimentos odontológicos, passagens interurbanas…. É importante lembrar que, naquela época, também não havia legislação para a prestação de assistência social por órgãos públicos, o que permitia, inclusive, que a Câmara, por seus recursos orçamentários, realizasse, também, a pedido de vereador, ação assistencialista.

 

Com a Constituição Federal de 1988 esse cenário mudou radicalmente, pois a assistência social foi posicionada, junto com a saúde e com a previdência social, como ação da seguridade social, deslocando, para os órgãos do poder executivo, o dever exclusivo de realizar políticas públicas para retirar as famílias de situação de vulnerabilidade social, sob a ótica da construção de dignidade humana. Nesse contexto, em 1993, foi editada a Lei Federal nº 8.742, conhecida como Lei Orgânica da Assistência Social, estabelecendo os princípios e as diretrizes a serem observadas para a assistência social, de forma sistêmica, organizada e em rede, aos brasileiros que dela necessitarem com o objetivo de, dela – assistência social -, não mais necessitarem.

 

Portanto, qualquer promessa de candidato de vereador que sugira a prática de ações na área da assistência social é demagógica e inconstitucional, pois por ele, se eleito, não passará essa atribuição. Por outro lado, cabe ao eleitor assimilar essa nova orientação dos programas sociais, junto ao poder executivo, não esperando e não cobrando do vereador práticas como doação de cadeira de roda, medicamentos, muletas, concessão de cestas básicas ou viabilização de tratamentos de saúde.

 

Na área da assistência social, a responsabilidade do vereador é, primeiro, examinar com atenção os projetos de lei que tramitam na Câmara sobre os orçamentos públicos, a fim de confirmar o aporte de recursos para os programas sociais; e segundo, fiscalizar a execução desses programas sociais, não só do ponto de vista da sua correta aplicação, mas quanto aos resultados produzidos, a fim de apurar se, por eles, os indicadores desenvolvimento humano do município evoluem e se as famílias em situação de vulnerabilidade social estão sendo atendidas e conduzidas a um espaço de maior conforto social e melhor qualidade de vida.

 

Em termos de assistência social, não cabe mais ao vereador atuar “para” o cidadão, mas é sua tarefa constitucional atuar “pelo” cidadão. Portanto, cabe ao candidato, preparar-se para essa missão e cabe ao eleitor identificar se o candidato que ele está escolhendo tem a noção dessa atribuição parlamentar e se poderá cumpri-la com responsabilidade.

 

André Leandro Barbi de Souza, advogado com especialização em direito político, diretor do IGAM e autor do livro A Lei, seu Processo de Elaboração e a Democracia.

Avalanche Tricolor: com algum atraso, mas em condições de se recuperar

 

Grêmio 1×1 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Miller, Luan e Walace comemoram gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Havia tempo que não ouvia uma partida inteira pelo rádio. Os compromissos dominicais, porém, me tiraram da frente da televisão e o APP da CBN_BH salvou-me aqui em São Paulo. Claro que dizer que ouvi pelo rádio é apenas força do hábito, pois, a bem da verdade, ouvi pelo celular. O problema, nesse caso, é que as “ondas” digitais, captadas pelo meu aparelho – e pelo seu, também -, têm tempo de resposta um pouco menor do que as ondas de rádio. Ou seja, fico sabendo dos acontecimento segundos depois. E isso pode fazer uma baita diferença.

 

O gol do Grêmio, para ser justo com você, eu sabia que sairia muito antes dele acontecer. A forma como construímos o jogo, mantivemos a bola no pé, demos velocidade nas jogadas e pressionamos o adversário abria o caminho para o gol que sairia a qualquer momento. Até demorou demais, pois no primeiro tempo já tínhamos somado chances consideráveis de ataque. Foi o promissor goleiro do adversário quem impediu nosso sucesso.

 

Assim que o time voltou para o segundo tempo, via-se que o ritmo do primeiro seria mantido, ao menos até abrir o placar aos sete minutos, após a bola chutada por Luan desviar na defesa e encobrir o goleiro. Ouvi críticos dizendo que se não fosse o desvio a bola não entraria. Prefiro dizer que a bola entrou porque o Grêmio insistiu em jogar para frente e chutar sempre que surgisse espaço. Em uma delas, quem mais atacou foi premiado.

 

Por curiosidade, a mensagem eletrônica confirmando o gol de Luan e enviada por outro APP no meu celular, o do GremistaZH, caiu na minha tela antes de o locutor do rádio gritar. São aqueles segundos de atraso na transmissão de áudio por via digital que expliquei lá no primeiro parágrafo. O atraso também ocorre na comparação com o envio na transmissão de texto. Coisas da tecnologia.

 

Por isso, foi no alerta enviado por texto, também, que fiquei sabendo do empate cedido aos 41 minutos do segundo tempo, curiosamente no segundo chute desferido pelo adversário em toda a partida. Foi o tempo de pensar em voz alta “eu não acredito” e o grito de gol do locutor de rádio soou alto nos meus ouvidos confirmando a crueldade e a injustiça por tudo que havíamos feito até então.

 

O que nem o alerta de texto nem mesmo o locutor do rádio tinham me contado – e só fui descobrir ao assistir aos lances na internet – é que assim como as informações por meio digital atrasam alguns segundos para serem recebidas, nossa marcação também havia atrasado. Deixou livre o lado esquerdo para a descida do atacante adversário, deu espaço suficiente para o cruzamento e ficou assistindo à entrada do artilheiro sozinho no meio da área. O gol não foi uma injustiça, foi uma condenação.

 

Os dois pontos a menos na tabela atrasam nossa recuperação no campeonato e nos deixam mais uma rodada fora do G4. Tem-se de levar em consideração, porém, que temos uma partida a menos do que os adversários diretos, portanto ainda estamos na batalha. Mas não dá mais para marcar passo.

Quintanares: O velho do espelho

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em Apontamentos de história sobrenatural
Interpretação Milton Ferretti Jung

 

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…
Meu Deus, Meu Deus…Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga…Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho

Conte Sua História de SP: uma cidade que vai além da rua principal

 

Por Nair Kuniy

 

 

São nove horas da noite de 28 de fevereiro de 1960. O trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro chega pontualmente na Estação da Luz e dele eu desembarco junto com meus pais e mais três irmãos. Meu irmão mais velho, de dezoito anos, veio antes a fim de procurar uma casa para alugar. Estamos nos mudando para São Paulo. Eu vou completar quatorze anos daqui a três semanas e estou curiosíssima para conhecer a cidade da qual tanto ouço falar. Um primo que já mora aqui há alguns anos providenciou para os nossos primeiros dias, até a chegada do caminhão com os móveis, nossa acomodação junto à família de seu sócio. Eles têm uma pequena loja de produtos alimentícios, à Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade, e a casa fica nos fundos da loja.

 

No caminho da estação de trem até a casa, olho pasma, pela janela do táxi, para os edifícios e as luzes da cidade. Eu venho de Vera Cruz, interior do estado. A cidade é tão pequena, que a igreja, um solitário semáforo e um edifício de três andares são as referências mais importantes. Para mim, o início e o fim de Vera Cruz estão delimitados pela extensão da rua principal. Meu primeiro pensamento ao ver tantos edifícios e luzes intermináveis é saber onde começa e onde termina a cidade de São Paulo.

 

Com o passar dos primeiros dias, as surpresas ainda se sucedem à medida que eu vou conhecendo mais um pouco o novo lugar. Bonde, escada rolante, elevador, feira livre, locais maravilhosos como o Aeroporto de Congonhas, o zoológico, o Anhangabaú, o Parque do Ibirapuera e, também, muita gente, de todas as idades e cores, em qualquer lugar que se vá, além do frio intenso e da garoa à medida que o inverno se aproxima.

 

Outro pormenor que não pode deixar de ser citado é o aviso de que devemos tomar muito cuidado com os batedores de carteiras. Eu os imagino uma espécie de prestidigitadores, pois a fama é de que suas vítimas não percebem quando são surrupiadas.

 

Outra grande surpresa é a casa em que vamos morar: na Vila Clementino, perto do Hospital São Paulo. Imensa a meu ver. Um sobrado, com um pequeno jardim na frente e um quintal todo cimentado nos fundos. Três dormitórios, duas salas, cozinha, despensa e dois banheiros. Nossa última residência, em Vera Cruz, não tinha sequer banheiro privativo. Usávamos uma fossa, compartilhada com mais duas famílias.

 

Uma das salas já está reservada para minha mãe abrir um salão de cabeleireira e por isso ela logo procura uma escola para a sua formação. Meu pai consegue um emprego de alfaiate com um patrício que tem uma bela alfaiataria na Domingos de Moraes. Meus dois irmãos mais velhos também começam a trabalhar e eu cuido da casa e da comida, com a ajuda da outra irmã menor. Até minha mãe começar a trabalhar, o que leva seis meses, o dinheiro mal dá para sobreviver e pagar o aluguel. No ano seguinte, a renda do salão já cresce o suficiente para vivermos com mais conforto e, assim, podemos retornar aos estudos e continuar até terminar a faculdade. A cultura japonesa sempre valorizou muito uma boa formação educacional e, felizmente, o Brasil é um país que permite a ascensão social daqueles que estudam e não perdem a chance de crescer profissionalmente.

 

Nair Kuniy é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo – Nova Geração: Rafael Ribeiro, da ABS, mostra como transformar sua startup em um bom negócio

 

 

“Não basta ter só uma ideia, se você não tem um time para executar aquela ideia”. O alerta é de Rafael Ribeiro, gerente executivo da Associação Brasileira de Startups, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Para ele, muitos jovens desperdiçam boas oportunidades no mercado por não se planejarem nem desenvolverem as estratégias necessárias para se aproximar de parceiros e investidores.

 

Na entrevista, Ribeiro também convida os novos empreendedores a ouvirem mais os profissionais que já estão no mercado: “você não vai chegar a lugar nenhum sozinho, muitas das vezes você não conhece muito daquele mercado tão a fundo quanto você acha, e ignorar a experiência de executivos e de pessoas mais experientes é um grande erro”.

 

A Associação Brasileira de Startups está promovendo a Case – Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo, nos dias 7 e 8 de novembro, no centro de exposições do Anhembi, em São Paulo. Para outras informações, acesse o site http://www.abstartups.com.br

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e pela página no Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Todo último sábado do mês, você ouve a versão do Mundo Corporativo – Nova Geração, dedicado a orientar e inspirar jovens que estejam dispostos a entrar no mercado de trabalho como empresários, empreendedores ou profissionais nas mais diversas áreas de atuação.

Marketing para o Capital Humano

 

Por Julio Tannus

 

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Marketing, em sentido estrito, é o conjunto de técnicas e métodos destinados ao desenvolvimento das vendas, mediante quatro possibilidades: preço, distribuição, comunicação e produto (ou, os quatro p´s: preço, praça, promoção e produto). Em sentido amplo, é a concepção da política empresarial, na qual o desenvolvimento das vendas desempenha um papel predominante.

 

O marketing estuda as causas e os mecanismos que regem as relações de troca (bens, serviços ou ideias) e pretende que o resultado de uma relação seja uma transação satisfatória para todas as partes que participam no processo.

 

Marketing significa mais que vender, porque a venda é um processo de sentido único. O marketing é um processo com dois sentidos. A venda se apoia em ações de curto prazo. O marketing é uma atividade a médio e longo prazo. O objetivo final é assegurar a obtenção do maior benefício possível. No marketing são aplicados conhecimentos avançados a respeito da prospecção de mercados e a sondagem de opiniões.

 

O marketing é uma filosofia: uma postura mental, uma atitude, uma forma de conceber as relações de troca. É também uma técnica: um modo específico de executar uma relação de troca (ou seja, identificar, criar, desenvolver e servir a procura). O marketing pretende maximizar o consumo, a satisfação do consumidor, a escolha e a qualidade de vida.

 

O marketing tem uma área de atuação muito ampla, com conceitos específicos direcionados para cada atividade relacionada, por exemplo, o marketing cultural, o marketing político, o marketing de relacionamento, o marketing social, entre outros. O profissional de marketing é um investigador do mercado, um psicólogo, um sociólogo, um economista, um comunicador, um advogado, reunidos em uma só pessoa.

 

Em Administração de Empresas, Marketing é um conjunto de atividades que envolvem o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor, e de estratégias de comunicação e vendas que superem a concorrência.

 

Segundo Philip Kotler, marketing é também um processo social, no qual indivíduos ou grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos e serviços de valor com os outros.

 

Em marketing, o conceito de valor pode ser definido como todos os benefícios gerados para o cliente em razão do sacrifício feito por este na aquisição de um produto ou serviço. Oferecer ou agregar valor é um conceito diretamente relacionado com a satisfação do cliente, um dos principais objetivos do marketing. O conceito de marketing afirma que a tarefa mais importante da empresa é determinar quais são as necessidades e desejos dos consumidores e procurar adaptar a empresa para proporcionar a satisfação desses desejos.

 

Com o alcance proporcionado pela internet e a explosão de redes sociais, surgiu o conceito de Marketing 3.0, em que as empresas buscam uma aproximação com os consumidores e potenciais clientes, monitorando suas opiniões sobre os serviços ou produtos oferecidos pela empresa.

 

O marketing digital consiste em uma abordagem que utiliza a internet e outros meios digitais como instrumento para atingir os seus objetivos.

 

Desta forma, os consumidores têm papel fundamental na criação de novos produtos e serviços, adequados às reais necessidades do mercado.

 

O conceito de Marketing para o Capital Humano é uma associação de habilidades, métodos, políticas, técnicas e práticas definidas, com o objetivo de administrar os comportamentos internos e externos para potencializar o capital humano no interior das organizações e junto ao mercado.

 

Muitas vezes, é confundida com o setor de Recursos Humanos, porém RH é a técnica e os mecanismos que o profissional utiliza, e o marketing para o capital humano tem como objetivo a capacitação e consequente competência dos profissionais envolvidos no processo.

 

Com o conceito de Marketing para o Capital Humano, a missão do marketing passa a ser dos 4 P`S para os 5 P`S:

 

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Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora) a ser lançado na 24ª. Bienal Internacional do Livro no Pavilhão Anhembi/SP em 28/8/2016 das 17:00 hs. às 20:00 hs.

Avalanche Tricolor: começamos muito bem a Copa do Brasil

 

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Copa do Brasil – Arena da Baixada/Curitiba

 

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Grêmio comemora gol da vitória em foto do site Grêmio.net

 

Começamos bem. O jogo e a Copa do Brasil.

 

A Copa começamos bem porque marcamos gol fora de casa, o que sempre faz diferença, e vencendo, o que faz uma baita diferença.

 

O jogo começamos bem porque o time se movimentou com uma desenvoltura incrível, no primeiro tempo.

 

Molharam o piso para atrapalhar o domínio de bola, mas sequer essa estratégia foi suficiente para nos fazer parar. Nossos jogadores deslizavam pelo gramado artificial com uma facilidade de impressionar.

 

Supostamente havia três volantes na equipe: Wallace, Jaílson e Ramiro. E provavelmente houve quem torcesse o nariz imaginando que jogaríamos fechado atrás.

 

Assim que pegávamos a bola, e a mantivemos sob domínio quase todo o primeiro tempo, os homens de trás disparavam pelos lados, e os da frente encostavam para tabelar O time dos três volantes ganhava ao menos quatro atacantes. Coisas típicas do Roger, este técnico que nos ensinou a jogar diferente.

 

Ninguém guardava posição do meio para a frente. Ninguém ficava fixo a espera da bola. Todos se deslocavam de uma lado para o outro, deixando a defesa adversária atordoada. E foi dessa maneira que chegamos ao gol.

 

Walace conduziu a bola pela intermediária, Douglas apareceu centralizado para receber e com um passe daqueles que só se dá na pelada do fim de semana colocou Miller na cara do gol. Era só matar. E ele matou. E eram apenas seis minutos de partida.

 

Só percebemos que havia adversário no segundo tempo quando até tivemos boas chances de ampliar o placar, mas perdemos o domínio da bola e nos deixamos pressionar. Foi então que entraram em cena o protagonismo de Marcelo Grohe e Geromel, tendo Kannemann como coadjuvante em sua estreia.

 

Começamos muito bem a Copa do Brasil!

A Rio 2016 por americanos, ingleses e argentinos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Hora de Expediente, quadro apresentado no Jornal da CBN, dessa segunda-feira, ao avaliar as Olimpíadas do Rio, de passagem se indagou sobre a importância da opinião dos estrangeiros.

 

Do ponto de vista da cidade sede é evidente que um dos objetivos é divulgar a imagem que a torne conceituada e seu nome passe qualificação para eventos, turismo, produtos e serviços. Daí fica incontestável o valor de saber como os outros países julgaram os acontecimentos da Rio 2016.

 

Fomos então ao INDEKX, site que apresenta os principais jornais e revistas do mundo, e buscamos três países importantes e prestigiados veículos de comunicação. Encontramos as seguintes conclusões:

 

New York Times (Estados Unidos):

 

“Nas areias de Copacabana e olhando para o Atlântico, ao fim dos jogos do Rio. De um lado o futebol e o vôlei com o ouro olímpico. Perfeito final. De outro as premissas de doenças pela poluição das águas e da zika causando uma crise global de saúde. E agora, quando tudo terminou não houve mosquitos e nenhum atleta adoeceu pelas águas.”

 

The Guardian (Inglaterra):

 

“Os destaques da Rio 2016 – Bolt três ouros, Grã Bretanha medalhas como nunca, Phelps, Lochte mentiroso e polícia brasileira eficiente, Fiji primeiro ouro em sua história, assentos vazios, oiscina verde. Tivemos de tudo afinal.”

 

La Nación (Argentina):

 

“Os fatos marcantes das Olimpíadas do Rio: Usain Bolt o rei da velocidade riu de todos, Phelps e a revanche pessoal, Joseph Schooling ganhou do ídolo da foto, Rafaela Silva da favela à gloria, Simone Biles a menina plástica, Brasil e a alegria do futebol com Neymar Jr., o pulinho de Shaunae Miller para ganhar os 400m, Fiji a fantasia do rugby 7, o Dream Team, um clássico”.

 

Pela amostra acima, podemos concluir que afinal a Rio 2016 marcou positivamente.

 

O exterior também leu de forma correta o que foi oferecido nos shows de apresentação e encerramento. Pena que ainda há brasileiros como Nelson de Sá, que a respeito do encerramento, escreveu na Folha: “contraste com Tóquio foi cruel”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Rio 2016: conquistamos o direito de ser feliz

 

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Lá se foram os Jogos Olímpicos. E com eles, meus sonhos de atleta. Vão deixar saudades. Nestas duas últimas semanas, meus desejos e emoções foram transferidos para cada um daqueles que estavam ali disputando uma medalha ou simplesmente em busca de um lugar na foto olímpica.

 

Imaginei-me enfrentando os americanos no basquete, levantando para Wallace cortar na rede, arremessando um martelo que sequer teria força para carregar e correndo atrás de Bolt. Nem mesmo o trauma de infância provocado por um professor de judô ansioso, me tirou o desejo de estar no tatame derrubando nossos adversários.

 

Fisicamente, o mais próximo que cheguei dos Jogos foi em Itaquera, zona leste de São Paulo, para assistir à vitoria da Alemanha sobre a Nigeria, na semifinal do futebol masculino. Espiritualmente, vivi todos os instantes possíveis das Olimpíadas.

 

Atirei, lancei, arremessei, chutei, rebati … no rádio, na televisão ou no aplicativo. Em um dos jogos de basquete do Brasil, parei o carro ao lado da avenida para ver as imagens do quarto final na tela do celular. Ouvir apenas não saciaria minha tensão e seguir dirigindo seria um risco.

 

Devo ter revelado algum traço de vergonha diante de meus filhos ao não ser capaz de conter as lágrimas frente a vitória incrível ou ao depoimento emocionado de quem, apenas por ter o direito de estar ali, já ganhou na vida sua medalha. Como chorei nesses Jogos. Vai ver é o ideal. Ou a idade.

 

Hoje, um dia depois de assistirmos à cerimônia de encerramento, feita com o mesmo bom gosto e sensibilidade da festa de abertura, ouvi especialistas no esporte e na vida, no Jornal da CBN. E o entusiasmo com que cada um descreveu suas percepções com os Jogos deram a dimensão do fenômeno provocado pelo esporte olímpico.

 

Adriana Behar, responsável pela gestão do Time Brasil, mesmo sem a meta alcançada, deu medalha de ouro para a forma como as disputas olímpicas inspiraram jovens e novos atletas. Para ela, a Rio 2016 é só o início de uma era voltada ao esporte:

 

 

Zuenir Ventura, mineiro de nascença e carioca por adoção, chegou a me dizer que os Jogos foram talvez a emoção coletiva mais intensa que viveu em seus 85 anos. E lembrou que, além do transporte e de construções esportivas que poderão ser usadas a partir de agora, o maior legado foi o resgate da autoestima do carioca e do brasileiro:

 

 

Apesar dos pulos de excitação, ninguém está aqui disposto a esconder os tropeços na organização tanto quanto os erros de execução. Provavelmente gastou-se mais dinheiro do que devíamos. A fila ficou emperrada na porta do estádio, a comida sumiu, houve roubos e uma morte trágica na favela – um soldado da Força Nacional que errou o caminho e foi baleado quando estava fora de serviço.

 

Sabemos que após a festa, a semana recomeça, a conta tem de ser paga e muito atleta será esquecido. O Rio, mesmo lindo, segue violento. O Brasil ainda precisa crescer muito para ser uma potência esportiva, tem de investir mais ainda no esporte de base para formar novos cidadãos e mudar a gestão nas confederações e federações, a maioria quebrada por incompetência ou mal-feitos.

 

Que ninguém se iluda! Mas que todos tenhamos tido o direito à felicidade!

Avalanche Tricolor: nossos meninos de ouro

 

Flamengo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Mané Garrincha/Brasília

 

futebol

 

O estádio Mané Garrincha mantinha resquícios dos Jogos Olímpicos que passaram por lá. No alto do túnel por onde as duas equipes entrariam no gramado, a marca Rio2016 aparecia em destaque. Assim que a vi, lembrei de Luan e Walace e a conquista de ambos no dia anterior. Os dois meninos gremistas que saíram do banco e ajudaram a por ordem na equipe brasileira. Uma garotada que amadureceu durante a competição, colocou a bola no chão, teve talento para passá-la e se movimentou em campo com maestria.

 

Walace, mais atrás do que Luan, deu segurança à defesa e jogou como volante moderno, que desarma, eleva a cabeça e não se limita a tocar a bola para o companheiro mais próximo. Tenta sempre o mais bem colocado, aquele que pode dar sequência na jogada. Ainda tem a aprender, é lógico. Às vezes, ele esquece que na posição em que está faz parte do roteiro o chutão de bico para frente.

 

Luan, mais à frente do que Walace, manteve na seleção o toque refinado na bola que estamos acostumados a ver. Movimentou-se com desenvoltura como se veterano fosse. Rodava no meio de campo em busca da melhor jogada. Tocava para seus companheiros, deslocava-se para facilitar o passe dos companheiros e apareceu dentro da área para marcar quando foi exigido – como se estivesse no Grêmio. A cobrança de pênalti que encaminhou o ouro brasileiro foi a síntese do futebol elegante que imprime em campo.

 

Eles não eram os titulares quando a Olimpíada começou, mas os percalços nas primeiras partidas os levaram para o time. E ao entrarem, os dois provaram que de lá não deveriam sair. Tiveram talento e personalidade para assumirem o posto que lhes dariam o mérito de fazer parte da primeira equipe de ouro olímpico do futebol brasileiro.

 

Hoje, nossa bandeira tem uma estrela dourada para celebrar Everaldo que foi tricampeão mundial, em 1970. Já podemos pensar em ter mais duas para representar o ouro olímpico que ajudamos a garimpar.

 

Sobre a partida da manhã desse domingo, assim que os dois times deixaram aquele túnel com a marca da Rio2016 em destaque, percebi que Luan e Walace não estavam ali e fariam falta. E fizeram mesmo!