Dez Por Cento Mais: não guarde dor e sofrimento, recomenda a psicanalista Jak Rocha

“Mostrar a fragilidade não é fraqueza. Mostrar a fragilidade é um sinal de força.”

O Brasil registrou milhares de afastamentos por burnout nos últimos anos, enquanto profissionais seguem tentando sustentar rotinas exaustivas como se o corpo fosse uma máquina programada apenas para entregar resultados. Em muitos casos, os sinais aparecem antes do colapso: insônia, irritação, taquicardia, crises de ansiedade e um cansaço que não desaparece com descanso. O tema foi discutido no programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, em entrevista com a psicanalista e mentora de carreiras Jak Rocha.

Ex-diretora de operações dos canais Globo, Jak contou que os primeiros sintomas começaram em 2017, quando ainda ocupava uma posição executiva de alta responsabilidade. A rotina intensa, marcada por agendas lotadas, viagens e pressão constante, parecia fazer parte natural da carreira. Até que o corpo decidiu interromper o processo.

Durante uma reunião fora do Brasil, ela sofreu um apagão. “Eu olhei para aquele data show e eu não sabia do que se tratava. Ali eu entrei em pânico, porque esvaziou meu cérebro”, relatou. No hospital, médicos levantaram inicialmente a hipótese de um tumor cerebral. Depois de exames, veio o diagnóstico: burnout.

Mesmo alertada pelos médicos, Jak seguiu trabalhando. “Eu cheguei no Brasil e mantive a minha agenda e a minha vida continuou frenética”, contou. Vieram novos apagões, crises físicas e emocionais, até que uma equipe multidisciplinar determinou a necessidade de interromper completamente a rotina profissional.

Quando o corpo fala antes da mente admitir

Ao longo da conversa, Jak descreveu como o burnout se manifesta de forma gradual e, ao mesmo tempo, devastadora. Segundo ela, o processo começou com transpiração excessiva, taquicardia, náuseas e ansiedade constante. Depois vieram a irritação, a intolerância e o isolamento.

“Tudo me irritava. A pessoa falava ‘bom dia’ comigo e eu já não queria nem ouvir aquele bom dia”, afirmou.

Ela reconhece que havia uma dificuldade pessoal em estabelecer limites. “Eu amava tanto o que eu fazia”, explicou. A dedicação extrema ao trabalho ocupava praticamente todos os espaços da vida. “Eu trabalhava 14 horas por dia, 15. Meu celular não parava.”

Mesmo diante do adoecimento, Jak não demonstra arrependimento pela trajetória profissional. O que mudou foi sua compreensão sobre equilíbrio e cuidado emocional. Hoje, nas mentorias que conduz, tenta transmitir outra lógica de liderança: menos centrada apenas em métricas e mais conectada às pessoas.

Ela relatou que desenvolveu um modelo de gestão baseado na individualidade dos colaboradores. Em vez de focar exclusivamente em resultados, buscava entender os interesses, dificuldades e habilidades pessoais de cada integrante da equipe.

“Eu só entendo que a gente move pessoas em direção ao resultado positivo se elas estiverem felizes”, disse.

A doença rara que mudou novamente sua vida

Depois do burnout, vieram outras experiências traumáticas: a morte da mãe, um sequestro e, mais recentemente, o diagnóstico da Síndrome de Dercum, uma doença rara caracterizada pela formação de tumores adiposos extremamente dolorosos.

Jak contou que passou quase dois anos procurando respostas até chegar ao diagnóstico correto. “A dor era alucinante”, afirmou.

Desde então, já passou por diversas cirurgias. Os tumores, embora benignos, causam dores permanentes e comprometem sua mobilidade. “Você tira um tumor, aparecem quatro. Você tira quatro, aparecem oito”, descreveu.

Durante a entrevista, ela relacionou o enfrentamento da doença à espiritualidade e ao desejo de ajudar outras pessoas que enfrentam condições semelhantes. Também falou abertamente sobre momentos em que pensou em desistir.

“Eu amo viver”, afirmou, ao explicar por que decidiu seguir enfrentando o tratamento e as limitações impostas pela doença.

Escuta, acolhimento e saúde emocional

A experiência profissional e pessoal levou Jak à psicanálise. Hoje, ela atende principalmente jovens, incluindo pacientes no espectro autista, e defende uma escuta mais humana dentro das organizações e das relações pessoais.

Na avaliação dela, muitas pessoas carregam dores em silêncio até o momento do colapso. Por isso, deixou uma reflexão direta ao final da entrevista:

“Não guarde dor e sofrimento para si. Escolha a pessoa que mais se afine contigo e compartilhe com ela tudo. Porque a partir do momento que a gente compartilha, a gente tira um peso da gente.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que aprender da estratégia para a escolha do nome “Nubank Parque”

NuBank Parque
Foto: Divulgação NuBank

Você, não sei. Mas a torcida do Palmeiras, com certeza, participou da escolha do novo nome da arena do clube. A estratégia foi usada pelo banco digital NuBank que está assumindo o “naming rights” do complexo esportivo e cultural, em São Paulo. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, transformar as pessoas em participante de uma decisão pode ser mais eficiente do que investir apenas em propaganda. 

O Nubank colocou três opções em votação pública: “Nubank Parque”, “Nubank Arena” e “Parque Nubank”. Durante 20 dias, torcedores e consumidores puderam votar. O nome escolhido foi “Nubank Parque”, com 47% dos votos. A decisão trouxe um efeito importante para a marca: o público passou a discutir, compartilhar e defender a escolha.

Cecília Russo observou que o processo gera sensação de pertencimento. “Quando você convida, as pessoas se sentem ativas nessa mudança e você vai ter menos ruído em relação a isso”, afirmou.

A lógica por trás desse movimento é relativamente simples. Em vez de comunicar uma decisão pronta, a empresa cria uma experiência de participação. O consumidor deixa de ocupar apenas o papel de espectador e passa a atuar como alguém que ajudou a construir a história da marca.

Esse tipo de estratégia também produz outro efeito valioso: amplia espontaneamente a circulação da mensagem. Pessoas comentam nas redes sociais, discutem em grupos de conversa e levam o tema para ambientes fora do universo publicitário. O assunto ganha vida própria.

No comentário, Cecília lembrou que a discussão ultrapassa o ambiente digital e chega ao cotidiano das pessoas. “Na nossa empresa mesmo, a gente começou: ‘Que nome que você escolhe?’”, contou.

Jaime Troiano ponderou que esse movimento ainda não representa uma transferência das decisões estratégicas para o consumidor. Para ele, as empresas continuam definindo os caminhos principais, embora estejam aprendendo novas maneiras de gerar envolvimento. “As marcas estão aprendendo de alguma forma a navegar no mundo dessa hiper-informação”, disse Jaime.

Ele citou como exemplo a campanha “Compartilhe uma Coca-Cola”, que estampava nomes próprios nas embalagens. Embora não houvesse votação pública, a ação estimulava as pessoas a procurar seus nomes, fotografar as latinhas e compartilhar o conteúdo espontaneamente. “Quanto mais as pessoas se sentem envolvidas, mais elas ficam abertas a falar sobre isso, quase como se fossem embaixadoras da marca”, explicou Jaime.

Existe aí uma mudança importante na forma de comunicação das empresas. Durante muito tempo, marcas falavam e consumidores apenas ouviam. Hoje, muitas companhias perceberam que participação gera memória, conversa e engajamento. É como transformar o consumidor em coproprietário simbólico daquela narrativa. Mesmo que a decisão final continue nas mãos da empresa, o público sente que deixou sua impressão digital no processo.

A marca do Sua Marca

Marcas ganham força quando conseguem envolver as pessoas na construção da própria narrativa. Participação cria vínculo emocional, reduz resistência a mudanças e amplia espontaneamente o alcance da comunicação.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: eu acredito no Grêmio de Luís Castro

Grêmio 3×2 Santos
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Brasileirão - Grêmio x Santos - 23/05/2026
Luís Castro comanda a equipe na vitória de hoje. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio tinha uma missão neste mês que antecede a Copa do Mundo: vencer os quatro jogos que restavam na Sul-Americana e no Brasileiro. Depois da conquista no meio da semana, cumpriu mais uma etapa dessa jornada na noite de sábado. Mesmo com as dificuldades que têm marcado este período de reconstrução, conseguiu se recuperar duas vezes da desvantagem no placar e virar o jogo — feito raro em 2026. A última vez que isso havia acontecido foi em fevereiro.

Independentemente da performance do time, dos tropeços e das pisadas na bola, lutamos pelos três pontos. E como temos lutado! Para mim, essa foi a maior mudança que Luís Castro conseguiu provocar no elenco: mais do que as variações na escalação e na formação tática, percebe-se uma equipe disposta a vencer de qualquer jeito. Há entrega total de cada jogador, apesar das limitações técnicas.

Se a redenção de Pavón marcou a vitória na Sul-Americana, hoje foi a vez de Tetê, que entrou no segundo tempo. Nosso atacante pela direita aproveitou bem o passe recebido na entrada da área, driblou e chutou com precisão para fazer o gol da vitória. A comemoração com os companheiros expressou essa união entre os jogadores que faz diferença dentro de campo.

Pavón, aliás, fez mais uma excelente partida. E não apenas pelas assistências. Foi dele o passe para dois dos três gols do Grêmio. Participativo, intenso e disposto a buscar o jogo o tempo todo, vive talvez seu melhor momento desde que chegou ao clube.

Assistimos ainda a Carlos Vinícius voltar a marcar. E duas vezes. Na primeira, de cabeça, aproveitando cruzamento de Amuzu. Na segunda, fugindo da marcação para receber a bola, dominar com o pé esquerdo e concluir nas redes. O “pastor” é um centroavante muito especial porque não se limita a fazer gols — o que, convenhamos, já seria suficiente. Incomoda os defensores o tempo todo, passa o jogo na resenha, tira os zagueiros do sério e exerce uma liderança importante para o time.

Uma menção especial ao retorno de Arthur, que estava lesionado havia algumas semanas. Saiu do banco e entrou no intervalo. O Grêmio é outra equipe quando a bola passa pelos pés dele. Não importa a pressão que sofra, é capaz de controlar o jogo e encontrar companheiros mais bem posicionados, fugindo do passe “lugar-comum”, aquele que pouco acrescenta à dinâmica da partida. Todas as vezes que sofre uma falta, fico arrepiado ao pensar que possa ter sofrido uma lesão capaz de tirá-lo da próxima partida.

(Será que a FIFA não pode criar uma norma proibindo que os adversários façam falta em Arthur?)

Devaneio à parte, a vitória descomprime a pressão sobre o técnico e sua difícil tarefa de reconstrução do time. As vitórias até a parada para a Copa oferecerão a tranquilidade que Luís Castro precisa para recompor a equipe.

Hoje, por exemplo, ele já pôde trazer Villasanti para o banco de reservas. Em breve, nosso volante paraguaio estará em campo, e poderemos ver como será sua atuação ao lado de Arthur. Na retomada da temporada, Marlon deve voltar para a lateral esquerda. Na zaga, a esperança é que os titulares estejam recuperados fisicamente e que o sistema defensivo ganhe mais consistência, especialmente porque os jovens que vêm ocupando essas posições ainda precisam amadurecer.

Posso parecer otimista demais diante do conjunto da obra até aqui. Talvez seja. Mas é esse sentimento que precisamos recuperar para a retomada da temporada assim que a Copa do Mundo terminar. As vitórias de agora — e só faltam duas — podem ser decisivas para o restante da temporada gremista.

Diga o que disserem, eu acredito no Grêmio – e no trabalho de Luís Castro.

Conte Sua História de São Paulo: as conversas alheias nas linhas do metrô

Cristina Schachtitz
Ouvinte da CBN

Foto de Andre Moura no Pexels.com

O ano era 2007. Eu trabalhava na Vila Olímpia e morava em Santo Amaro. O trajeto de carro para o trabalho não demorava mais que 12 minutos. Até que uma obra, que não leva nada a lugar nenhum, começou a ser construída ao lado do Parque do Povo, em contrapartida a uma construção monumental na região.

Passei a levar 40 minutos para chegar ao trabalho e mais de uma hora para voltar para casa. A obra travou o bairro. Num desses momentos de desespero, tédio e raiva, parada no meio de um mar de carros, olho para o lado e vejo um trem: por que não?

No dia seguinte, estava eu na Linha Esmeralda, ainda da CPTM, saindo da Granja Julieta em direção à estação Vila Olímpia e chegando ao escritório em 8 minutos — e o mesmo na volta. Era eu e eu no trem. A cada partida, um trecho de uma música clássica. No futuro, com a ligação com a Linha Lilás, o trem lotou, o serviço piorou; com a concessão, piorou ainda mais — e a música parou. Liguei e me explicaram que tiraram porque os usuários não gostavam. Eu gostava, mas não fui ouvida.

Foi nessa época que comecei a prestar atenção nas conversas no trem. Confesso que sempre fiz isso em filas de mercado, em restaurantes, mas no trem era diferente. Muitas vezes, eu só ouvia uma parte das histórias.

Ainda sem as facilidades dos smartphones e sem os aplicativos de mensagens, as pessoas falavam ao telefone. Eu ouvia uma parte e imaginava as respostas.

Muita gente falando mal da chefia, reclamando da patroa, fofocando sobre colegas de trabalho. E eu só criando os diálogos na minha cabeça. Gente que dizia que estava numa estação, chegando já, já, mas que ainda estava umas três antes… E eu até torcia para a voz no alto-falante não anunciar a estação e dedurar a pessoa… Também prestava atenção aos diálogos e a outras histórias compartilhadas.

As pessoas esquecem que estão tornando sua vida pública — afinal, estamos num trem! Então veio a ideia de escrever microcontos, tentando reproduzir o que ouvia e inventando a outra parte ou, simplesmente, escrevendo o que vi e ouvi.

Vamos a algumas dessas histórias:

E no trem, ao celular, a amiga aconselha: “Presta atenção, porque daqui a pouco você estará vivendo um triângulo amoroso e vai ser a última a saber. O seu problema é a comodidade”. E assim começa a semana.

A moça lê no trem Orações e Bênçãos. Uma formiga atravessa as páginas. A moça esmaga a formiga. Que Deus a tenha. A formiga.

A moça segue em direção ao Grajaú. Vai a um velório. Morreu a mãe de uma amiga. O pai também já morreu. Sei porque ela contou para um outro passageiro. Ela liga para três pessoas para “convidar” para o tal velório. Sua mãe, inclusive. Ouve três nãos. Pouco prestígio. Dela e da falecida.

Hoje acompanhei a história de uma babá criticando muito, muito a sua patroa para uma amiga, ao celular. Hilário. Sei o nome da patroa, de uma das crianças, do motorista, da cozinheira demitida e da faxineira da casa da praia… E sei também o preço da diária da folguista.

O rapaz liga para a chefe e avisa que está atrasado. Confessa que perdeu a hora, vai chegar logo. Incrível a mágica que transforma 40 minutos em 40 minutinhos.

E sigo a vida, de estação em estação!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Cristina Schachtitz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Rodrigo Rubido, do Elos, defende uma liderança distribuída nas empresas

Rodrigo Rubido, do Instituto Elos
Rubido em entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente deveria começar a trabalhar para que a gente tenha uma vida de interdependência.”

A discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho ganhou força nos últimos anos, mas convive com um fenômeno menos visível e cada vez mais presente: a solidão. Empresas investem em programas de bem-estar, falam sobre pertencimento e estimulam integração entre equipes, enquanto profissionais relatam isolamento, dificuldade de convivência e perda de vínculos humanos. O tema foi discutido por Rodrigo Rubido, arquiteto, cofundador e diretor do Instituto Elos, em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN.

Rubido relacionou esse processo à cultura de individualismo construída ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a sociedade passou de uma lógica comunitária para uma dinâmica centrada na autonomia individual. Essa transformação trouxe avanços importantes, mas também enfraqueceu relações de convivência e colaboração. “O ser humano não estaria aqui se não fosse sua capacidade de viver em comunidade”, afirmou.

Para o diretor do Instituto Elos, as empresas acabam reproduzindo esse comportamento ao transformar competitividade em modelo dominante de gestão. Ele observa que muitos ambientes corporativos ainda estimulam disputas internas e dificultam relações de confiança e cuidado mútuo. Na visão dele, organizações ainda desconhecem o potencial que existe quando equipes passam a atuar verdadeiramente como comunidade.

A reflexão ganhou contornos mais concretos quando Rubido relembrou uma viagem que fez à Suécia, em 2007. Encantado inicialmente com o padrão de desenvolvimento social do país, acabou impactado ao descobrir um problema crescente de solidão entre idosos. Segundo contou, bombeiros instalavam sensores em residências para identificar se pessoas que moravam sozinhas continuavam vivas. O episódio serviu como contraste em relação às comunidades periféricas brasileiras com as quais o Instituto Elos trabalhava naquele período. Enquanto em países desenvolvidos a autonomia individual chegava ao extremo do isolamento, nas periferias brasileiras ainda existiam vínculos de vizinhança, troca e interdependência.

O valor da comunidade dentro e fora das empresas

O Instituto Elos nasceu nos anos 1990, quando um grupo de estudantes de arquitetura decidiu se aproximar das periferias urbanas para compreender melhor os desafios sociais das cidades. Rubido contou que havia uma inquietação em relação ao ensino tradicional da arquitetura, muito concentrado nas estruturas físicas e pouco atento à dimensão humana dos territórios.

A aproximação com comunidades periféricas acabou mudando o rumo do trabalho desenvolvido pelo grupo. Em vez de olhar apenas para carências e problemas, eles passaram a identificar potencialidades locais, formas de colaboração e capacidades coletivas já existentes. Essa percepção se transformou na base metodológica do Instituto Elos.

“A gente se dedicou a pesquisar o que tinha de melhor nesses lugares”, disse.

A metodologia desenvolvida pela organização parte justamente desse princípio: reconhecer potencialidades antes de tentar corrigir deficiências. O trabalho envolve fortalecimento de vínculos, construção de pertencimento e mobilização comunitária em torno de objetivos comuns. Segundo Rubido, o protagonismo coletivo surge quando pessoas passam a compartilhar sonhos, valores e responsabilidades.

Essa lógica também passou a ser aplicada dentro das empresas. Inicialmente, o Instituto Elos era procurado por organizações interessadas em apoiar projetos sociais. Com o tempo, as companhias começaram a solicitar treinamentos de liderança e apoio em conflitos com comunidades vizinhas às suas operações.

Rubido afirmou que muitas empresas ainda chegam aos territórios como estruturas isoladas, sem compreender que fazem parte de uma rede social mais ampla. Para ele, a ideia não deve ser apenas obter autorização para operar, mas construir relações permanentes de convivência e colaboração com as comunidades locais.

“A empresa precisa conhecer seus vizinhos, precisa entender os interesses, as necessidades, os desafios daquele bairro onde ela tá inserida”, afirmou.

Segundo ele, boa parte dos conflitos corporativos com comunidades surge justamente pela ausência de escuta e diálogo desde o início da operação. O resultado, muitas vezes, aparece em prejuízos financeiros, desgaste institucional e deterioração das relações locais.

Liderança, escuta e colaboração

Outro eixo central da entrevista foi a formação de lideranças. Rodrigo Rubido criticou modelos excessivamente hierarquizados, nos quais decisões estratégicas são tomadas por pessoas distantes da operação cotidiana das empresas. Ele defende uma lógica de “liderança distribuída”, em que a condução dos projetos circula de acordo com a experiência e a capacidade de realização de cada integrante da equipe.

Na prática, isso exige líderes menos concentrados em controle e mais preparados para escutar, dialogar e construir soluções compartilhadas. Rubido argumenta que fomos educados para identificar falhas e problemas, mas pouco treinados para reconhecer potencialidades humanas.

“A gente foi muito bem educado para identificar problemas”, observou.

Na metodologia aplicada pelo Instituto Elos, antes de qualquer ação prática existe um processo de fortalecimento de vínculos afetivos, identificação de valores comuns e definição coletiva de objetivos. Só depois dessas etapas acontece a execução do projeto.

Segundo Rubido, muitas organizações operam abaixo de seu potencial porque trabalham com pessoas desconectadas entre si, executando projetos nos quais não se reconhecem. Para ele, ambientes mais colaborativos produzem não apenas melhores relações humanas, mas também resultados concretos para os negócios.

Ao fim da entrevista, deixou uma provocação às lideranças empresariais: “O convite é que a gente aposte em melhorar as pessoas, ao invés de controlar as pessoas.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Karen Lemos, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: Pavón é um exemplo a ser seguido

Grêmio 2×0 Palestino
Sul-Americana — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Conmebol Sul-Americana - Grêmio x Palestino-CHI - 20/05/2026
Pavón foi o destaque do jogo. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Até a Copa, havia quatro jogos a vencer. O primeiro foi superado nesta noite. Com os três pontos conquistados, decidiremos em casa, na semana que vem, o primeiro lugar do Grupo F da Sul-Americana. Se persistirem os sintomas, o Grêmio está prestes a cumprir mais uma meta da temporada. A primeira, vale lembrar, foi a reconquista do Campeonato Gaúcho.

Para um time ainda em construção, apesar das dificuldades enfrentadas e das fragilidades já expostas, alcançar objetivos iniciais traz algum respiro ao treinador e à comissão técnica. E o que Luis Castro mais precisa neste momento é tranquilidade para ajustar a equipe. A parada para a Copa será ideal para esse trabalho.

O Grêmio desta noite mostrou alguns dos méritos que podem levá-lo a uma performance melhor no pós-Copa. Jogadores jovens, como Viery, Luis Eduardo e Pedro Gabriel; talentos como Gabriel Mec e Amuzu; atacantes com fome de gol, como Braithwaite e Carlos Vinícius; além de um goleiro gigante: Weverton.

Nada, porém, foi mais importante nesta partida do que a atuação de Pavón. Com todas as restrições que o torcedor já teve em relação a ele, jamais se poderia criticá-lo por falta de entrega. Poucos jogadores se dedicam tanto quanto o argentino. Aceitou recuar para a lateral e, diante da falta de alternativas, acabou se firmando na posição. As dificuldades técnicas de posicionamento foram compensadas pela disposição na marcação.

Hoje, Pavón foi decisivo na vitória. No primeiro tempo, partiu dele o chute que provocou o rebote do goleiro e permitiu a conclusão de Braithwaite para as redes. O segundo gol foi praticamente todo obra do argentino. Um chutaço de fora da área, com uma precisão que há muito tempo ele não alcançava. Foi seu primeiro gol desde 11 de fevereiro de 2025 — comemorado com todo merecimento.

Ver jogadores como Pavón terem o esforço recompensado sempre me provoca uma alegria particular. Serve também como exemplo aos colegas. Mostra que o torcedor sabe respeitar quem demonstra vontade de melhorar, mesmo quando o melhor ainda não aparece por completo.

Para nos deixar ainda mais satisfeitos, tivemos o privilégio de assistir a um lance que relembrou os velhos e inesquecíveis tempos de Kannemann. Nosso zagueiro, já em fase de despedida, salvou um gol em cima da linha e repetiu uma cena que o consagrou ao lado de Geromel — resultado do esforço típico de quem jamais desiste.

E, no fim das contas, é isso que o torcedor quer enxergar no seu time. Ver, em cada jogada, nas bolas divididas, na marcação, na arrancada para o ataque, na tentativa de drible ou no chute a gol, jogadores comprometidos em fazer o melhor possível com as condições que têm — enquanto trabalham para alcançar condições ainda melhores.

6 ou 9, uma questão de perspectiva

Por Beatriz Breves

Foto de Erik Mclean no Pexels.com

Muitas vezes, a polarização entre duas ou mais pessoas se torna inegável. É comum que cada lado tente convencer o outro de que detém a verdadeira versão dos fatos. Nesse movimento, amizades antigas se rompem, famílias se desentendem, casais se afastam; enfim, pessoas queridas se perdem ao longo da busca pela suposta “verdade”.

A divergência de ideias, quando acompanhada de emoções intensas, cria ruídos que se acumulam até provocar um verdadeiro curto-circuito nas relações.

Costumo dizer que, quando estamos falando de pessoas de boa índole, a opinião em si importa muito menos do que parece. Na maioria das vezes, tratando-se do mesmo assunto, o que muda não é a essência da ideia, mas o ângulo a partir do qual cada um enxerga a situação.

É nesse ponto que a metáfora do número 6 ganha força. Duas pessoas, se estiverem frente a frente, cada uma com o número voltado para si, verão coisas diferentes: para uma, trata-se de um 6; para a outra, de um 9. Embora estejam diante do mesmo símbolo, encontram-se, ao mesmo tempo, diante de dois números distintos. Ambas acreditam estar certas e, sob a perspectiva em que se posicionam, realmente estão. Assim, duas pessoas podem contemplar o mesmo ideal e, ainda assim, interpretá-lo de maneiras completamente diferentes.

A polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que, ao escutar o outro, se perca o rumo dos próprios ideais e, portanto, de si mesmo. Soma-se a isso a dificuldade de lidar com sentimentos intensos, tornando o caminho para o diálogo mais árduo. Assim, em vez de se aproximar, a pessoa se afasta; em vez de escutar, ataca; em vez de perguntar, julga.

Há, porém, algo ainda mais curioso nessa metáfora e que muito pode nos ensinar. Quando aproximamos a visão do 6 da visão do 9, contemplamos o número 69. Nesse encontro, não há mais disputa sobre quem está certo, porque aquilo que antes era oposição se transforma em complementaridade, simbolizando integração, reciprocidade e a possibilidade de duas perspectivas coexistirem. Não se trata de transformar o 6 em 9 ou o 9 em 6. Cada um permanece o que é. Trata-se de reconhecer que ambos podem compor algo maior quando colocados, lado a lado, de forma harmoniosa.

Talvez seja justamente essa a habilidade que falte a algumas pessoas: a capacidade de transformar o embate em encontro; lembrar que discordar não significa desarmonia; aceitar que ninguém enxerga tudo sozinho; trocar certezas rígidas por curiosidade genuína. Quando percebemos que o ideal é comum, mesmo que as ideias sejam divergentes, abrimos espaço para o diálogo, para a convivência e para a construção conjunta.

No fim das contas, entre os números 6 e 9 existe apenas um giro de perspectiva. E, quando esse giro acontece, o que antes separava passa a unir. É nesse movimento que nasce o número 69 — não como consenso, mas como convivência possível e amadurecida.

Entretanto, é preciso lembrar que somos seres humanos, dotados de grande complexidade, com um mundo interno repleto de sentimentos que, se não forem bem administrados, podem gerar disputas, segregação e desavenças. Por isso, não será surpresa se, mesmo quando os que veem 6 e os que veem 9 se integrarem, surgir alguém que diga que, na verdade, o número é 96. E isso não seria necessariamente destrutivo ou ruim. Pelo contrário: é justamente entre a integração e a divergência que emergem novos caminhos, ampliando horizontes e dando origem a novas ideias.

O importante é reconhecer que, assim como os números 6, 9, 69 ou 96, as ideias também podem assumir formas distintas, desde que o ideal permaneça ético, digno e coerente. É essa ética compartilhada que fortalece o ideal comum e as relações.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Do chinelo ao detergente, o vazio das guerras virais

Por Christian Müller Jung

Foto de Nothing Ahead no Pexels.com

A indignação pública passou a seguir a lógica dos algoritmos. O debate político foi substituído pelo entretenimento de guerrilha. Discussões que ocupavam palanques, tribunas e até panfletos espalhados pela cidade ou colados em postes, hoje se reproduzem em vídeos curtos, memes e disputas superficiais. Se manifestam a partir de objetos triviais: do chinelo ao detergente. O que deveria provocar reflexão coletiva, sinal de alerta e, em alguns casos, até motivo de crise institucional, transforma-se em combustível para engajamento.

A política ao mesmo tempo que ganha alcance se esvazia na dinâmica das redes sociais. Entre “jogar o chinelo para cima” ou “desperdiçar detergente pelo ralo” — imagens que resumem as polêmicas que dominam o feed — a polarização produz desgaste constante e deixa um rastro de mortos, feridos e cancelados.

Nesse ambiente, o objetivo não é o progresso social, soluções para problemas reais. O foco está na desmoralização de instituições e pessoas. O debate de ideias deu lugar a uma briga ferrenha entre torcidas organizadas que, cegas pela paixão ideológica, perdem a capacidade crítica.

Enquanto a população tira pouco proveito desse confronto, alguns grupos faturam alto com o caos. São plataformas digitais e influenciadores que lucram com o volume de acesso gerado pelo ódio e pela controvérsia.

A propaganda política se camuflou em temas virais que, embora barulhentos, são ocos — duram poucas horas e geram milhões de interações. Não se propõe soluções; apenas se alimenta o ciclo de curtidas, compartilhamentos e ataques.

Um dos pontos mais sensíveis desse processo é a disposição que alguns têm para defender figuras públicas como se fossem relações pessoais. Já tratei disso em outro artigo ao falar sobre “lutar por quem não conhecemos”. São apoiadores que lutam por pessoas que, sem pedir licença, mudam de lado conforme a conveniência política e abandonam seus defensores falando sozinho no campo de batalha. Ainda me surpreendo com esse comportamento embora trabalhe há anos próximo da política.

A lealdade a indivíduos, acima de projetos de país, explica parte da instabilidade do cenário político. Ao fim de cada ciclo eleitoral, o eleitor se vê diante de campanhas que dizem o óbvio e não oferecem uma direção clara para o futuro.

A política baseada em memes e virais é uma estrada que não nos leva a lugar nenhum. Enquanto nos distraímos com o próximo assunto do momento — seja um chinelo ou um detergente — os temas estruturais são esquecidos. Algumas vezes até negociados em acomodações partidárias.

Existem agentes políticos comprometidos em transformar a vida das pessoas. Há gente que vibra e cresce a cada vitória social. O problema é que esse esforço se perde na velocidade de quem desliza o dedo na tela do celular vasculhando o feed alheio.

O debate público precisa impulsionar ideias que aproximem as pessoas de soluções comuns, em busca de um amanhã melhor, e não estimular confrontos permanentes.

Para parcela da população que muitas vezes não tem o que calçar ou água para lavar o sabão das mãos, essas disputas virtuais nos levam ao nada. Apenas aumentam a distância de soluções necessárias para reduzir nossas desigualdades sociais.

Christian Müller Jung é publicitário de formação, mestre de cerimônia por profissão e mentor na área de comunicação. Colabora com o blog do Mílton Jung (de quem é irmão).

Avalanche Tricolor: o risco de se acostumar

Bahia 1×1 Grêmio

Brasileiro – Arena Fonte Nova, Salvador BA

Gremio x Bahia
Viery abriu o placar com gol de cabeça. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Ao ver o protesto dos torcedores adversários antes de a partida se iniciar, nas arquibancadas da Arena Fonte Nova, fui conferir a classificação do campeonato. Pensei que a revolta se devesse ao fato de o time da casa estar em uma posição de risco, daquelas em que a zona-você-sabe-qual já aparece no horizonte. Foi o meu Grêmio que encontrei por lá. O adversário, sob protestos, estava em oitavo lugar.

Há muito tempo o Grêmio não ocupa uma posição de destaque na tabela de classificação. Em 2025, terminamos em nono lugar, após uma recuperação na reta final; na temporada anterior, em décimo quarto. Neste ano, lembro de termos ficado entre os dez primeiros talvez uma ou duas rodadas, se muito.

Em abril, logo depois do clássico regional — o pior de todos os tempos —, escrevi nesta Avalanche que o maior risco não estava em empatar um Gre-Nal ruim; estava em se acostumar com ele.

Sou defensor da ideia de que estamos em um processo de reconstrução. Dezenas de jogadores foram embora e outra dezena de jovens passou a formar o elenco. Muita gente chegou neste ano ou ainda está se recuperando fisicamente. Há também os que estão muito aquém da expectativa que criamos. Ao técnico Luis Castro cabe administrar as carências do elenco e se virar com o que tem à disposição.

A despeito de tudo isso, o que estamos assistindo é um Grêmio pouco audacioso para o tamanho da sua história. Se jogamos contra os líderes do campeonato, nos satisfazemos com uma equipe que resiste até onde é possível. Se jogamos fora de casa, o empate vira motivo de comemoração. Quando ganhamos na nossa Arena, tudo bem que tenha sido por pouco. O que vale são os três pontos, nos consolamos.

Na partida desta tarde de domingo, concluímos apenas três vezes a gol. É muito pouco para quem tem a pretensão de subir na tabela de classificação. Por essas coisas que só o futebol é capaz de proporcionar, apesar disso ainda saímos na frente no placar, após a cobrança de escanteio de Pedro Gabriel e o cabeceio de Viery. Obra do acaso.

Antes e depois do nosso gol, fomos pressionados. Sofremos com bolas no travessão e no poste. Assistimos aos atacantes cruzarem na nossa área e aos meio-campistas entrarem tabelando. Contamos, mais uma vez, com o gigantismo de Weverton — quero muito que ele seja premiado com a convocação para a Copa do Mundo.

O fato é que, diante da nossa incapacidade de reter a bola, controlar o jogo e reduzir a pressão, inevitavelmente acabamos levando um gol. E não levamos dois porque contamos com a imprecisão e o azar dos atacantes adversários. Saímos de campo agradecendo o ponto conquistado e, ao menos, o fato de irmos dormir fora daquela zona-você-sabe-qual.

Há algo muito errado quando um clube do tamanho do Grêmio sai de campo satisfeito apenas por não terminar a rodada entre os últimos. Não podemos nos conformar com essa situação.

Conte Sua História de São Paulo: joguei futebol no córrego da Traição

João Pedro Marchina
Ouvinte da CBN

Futebol arte
Imagem: Léo Pires/Flickr CBN SP

Estou com 70 anos e, há quase cinco anos, moro numa Kombi Home, viajando pelo Brasil, mas não é isso que importa agora. Quero mesmo é falar de São Paulo.

Nasci no bairro do Aeroporto, num sobrado novinho, onde, muitos anos depois, em 2007, cairia um avião da TAM em frente. Eu já não vivia mais lá. Em 1958, nos mudamos para o Planalto Paulista, para uma casa térrea recém-construída e bela. Ali foram 50 anos de história.

Mas sabe o que realmente quero contar? É sobre o Córrego da Traição, onde hoje está a Avenida dos Bandeirantes.

Por incrível que até mesmo a mim pareça, quando tinha por volta de 10 a 15 anos, o córrego era meu destino com os amigos. Pegávamos peixinhos lebistes para manter no aquário que tínhamos em casa. Caçávamos passarinhos usando visgo, o que hoje é uma maldade e proibido.

No cimo da atual avenida, onde há um atacado de plantas — um garden, como chamam por aí —, no meu tempo havia dois campos de futebol do time Flor do Guarani. Era o espaço onde fazíamos as aulas de ginástica às sete horas da manhã, sob intensa garoa e neblina. Sim, havia garoa e neblina lá pelos anos de 1965.

Os cabides para pendurar as roupas, enquanto nos exercitávamos, eram os pés de mamona plantados ao lado do campo. Mamona que também servia de munição para as batalhas de estilingue.

Recordações quase impossíveis de acreditar para quem só conheceu a região depois que a Bandeirantes foi inaugurada, em 1970.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

João Pedro Marchina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.