Sua Marca: três sugestões para construir relação com o cliente mesmo à distância

 

“Profilaxia e exames regulares garantem sobrevida e vigor para as marcas”— Cecília Russo

 

 

Dos muitos desafios impostos pela pandemia um deles foi o distanciamento das marcas com seus consumidores, que deixaram de frequentar os pontos de venda, obrigando-as a mudar de estratégia e o modo de agir. Saíram-se melhores aquelas marcas que, antes das restrições impostas pela Covid-19, já tinham a preocupação de criar vínculos consistentes com os clientes.

“Não se cria preferência por marcas da noite para o dia … estamos sempre diante de um processo que é longo, cansativo e exige consistência de uma marca” — Jaime Troiano.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime e Cecília relembraram a analogia que fazem com os contos do livro “Mil e uma noites”, no qual a personagem Sherazade constrói histórias sobre diversos temas que encantam o Sultão e, assim, evita que ela seja morta.

“Marcas precisam ser alimentadas por histórias, por comunicação, por trazer uma nova embalagem e encantar o seu consumidor todos os dias em todas as possibilidades que tiver” — Cecília Russo

Três sugestões de como as marcas devem se comportar estando à distância do consumidor, neste momento, e construir uma ponte para o futuro:

 

  1. Consulte seu cliente: às vezes ouvimos o que não gostamos, mas é fundamental para o saber o que ele está falando de você, e mudar o rumo se for necessário;
  2.  

  3. O público interno tem papel fundamental na construção da marca: são os colaboradores que ajudam a criar sólida consistência na relação com o consumidor, com aquilo que ele fala da porta para fora. Lembre-se que marca não é tapume;
  4.  

  5. Seja simples na hora de falar da sua marca, não complique nem prometa o que você não vai cumprir

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

Medo da Covid-19 e comunicação malfeita agravam transtornos na pandemia

 

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Foto Pixabay

 

Era cedo ainda. Estava escuro lá fora. A segunda nem havia começado direito e duas reportagens publicadas, em O Globo, já se destacavam na tela do meu celular. Dizem que somos mais suscetíveis aos temas que tocam nosso coração (neste caso, nossa mente). E talvez isso justifique meu olhar ainda marcado pelo sono e pela noite nem sempre bem dormida. Falavam de saúde mental e como estamos impactados nesta pandemia.

 

Os links para as duas reportagens estão na sequência deste post. Como o acesso é para assinantes, dada a importância do assunto, tomo a liberdade de reproduzir alguns trechos do trabalho das repórteres Evelin Azevedo e Gabriela Oliva.

 

Uma das reportagens dava nome e sobrenome para um transtorno que se agravou com o risco de contágio pelo coronavírus: ‘Fear of Going Out’ (‘Fogo’), associado a eventos estressantes fora de casa.

 

Entenda o que é Fogo, a síndrome do medo de sair às ruas, agora agravada pela pandemia.

 

Diz Daniel Mograbi, pós-doutor em psicologia e neurociências pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London:

“O medo de sair de casa é uma sequela da ansiedade, que está agravada durante a pandemia. Esse medo ocorre quando a pessoa tem algum evento estressante na rua, como um ataque de pânico. Agora, com a pandemia, a rua se tornou um espaço potencialmente perigoso. Ou seja, foi acrescentado aos medos existentes o novo medo, que é a infecção pela Covid-19”.

E qual caminho seguir? Mograbi responde:

“De uma forma geral, a pandemia fez explodirem os casos de ansiedade pelo medo de contágio e também pelas limitações relacionadas ao lazer. Por isso, se a pessoa está com um pânico, a recomendação é começar devagar. Em um quadro mais leve, exercícios de respiração e práticas contemplativas ajudam. Já em cenário mais grave, recorrente na rotina, aconselho acompanhamento médico — diz o psicólogo”.

A outra reportagem, que também está na versão impressa de O Globo, mostra como a falta de uma comunicação assertiva por parte das autoridades tem impacto na saúde mental das pessoas.

 

Incerteza sobre isolamento social traz impactos para a saúde mental

 

Leia o que diz Ronaldo Pilati, professor de Psicologia Social da UnB:

“Informações conflitantes podem gerar um estado de desamparo nas pessoas, fazendo com que não confiem mais nas notícias oficiais. Isso é algo que prejudica muito a orientação da população. Se existisse um processo mais ordenado de comunicação do governo, provavelmente as pessoas teriam mais segurança ao buscar informações para orientar seus próprios comportamentos e suas medidas de proteção. Essa descoordenação pode ter impacto no aumento eventual de ansiedade, principalmente por conta da incerteza em relação ao enfrentamento da doença no retorno às atividades normais”

E como amenizar essa dor? Quem responde é Deborah Suchecki, professora do departamento de Psicobiologia da Unifesp:

“Quando recebemos um abraço, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que atua reduzindo a atividade de uma estrutura no cérebro que é reativa a emoções negativas, chamada de amígdala cerebelosa. A ocitocina é liberada com o toque, então, a automassagem pode ajudar muito no controle da ansiedade”

Dito isso, eu sigo por aqui, sem sair de casa.

 

Boa segunda-feira! E aquele abraço!

Conte Sua História de São Paulo: meu dia de artista na TV

 

Por Eduardo Ráscio
Ouvinte da CBN

 

 

Em nove de fevereiro de 1969, portanto já se passaram mais de  50 anos, minha mãe nos levou a participar do programa infantil mais popular da época: o “Pullman Jr”, da TV Record de São Paulo.

 

Fomos de táxi —- eu, meus irmãos, Raymundo e Ronald, e meus primos-irmãos, Renzo e Telma. Logo que chegamos, ainda na portaria da emissora, nos chamou atenção a presença de Jô Soares —- passou correndo pela gente, atravessou a rua e entrou em uma padaria, sumindo das nossas vistas.

 

O programa era apresentado de um estúdio no antigo bairro Aeroporto, hoje Moema. As crianças ficavam sentadas em várias mesas redondas. E eram entrevistadas pelo ator Durval de Souza. Para umas, pedia apenas o nome e a idade. Para outras, fazia várias perguntas. Serviam guaraná e bolo da marca Pulmann, o patrocinador do programa. As conversar ocorriam entre desenhos animados e brincadeiras comandadas pelo apresentador.

 

Durante o programa, chamou atenção de Durval de Souza o porte físico do meu irmão Raymundo, que não quis sentar-se a mesa e ficou em pé, recostado em uma das paredes do estúdio. Durval aproximou-se dele e perguntou: “você é o Apollo?” — comparando a altura dele ao foguete Apollo que levou o homem à Lua. Constrangido, meu irmão respondeu apenas com uma risadinha.

 

No fim do programa, outra surpresa: foi sorteada uma corbelha de flores que por obra do acaso, ou de Deus, quem ganhou foi meu primo Renzo — por coincidência era o dia em que a mãe dele, a Dadá, minha tia e madrinha de batismo, completava 39 anos de vida. Na entrega do prêmio, instruído pela minha mãe, Durval de Souza, mencionou a data de aniversário da Tia Dadá,

 

No dia seguinte, na portaria da escola, outro motivo de orgulho para mim: fui abordado por um colega de classe, o Wilson Carbone, que disse ter me visto no programa “Pullman Jr”.

 

O tempo passou e para mim esse episódio —- o meu dia de artista — permanece claro, como água cristalina, em minha lembrança.

 

A saudade sepulta o coração em vida!

 

Eduardo Ráscio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Pressão da pandemia acelera inovação nos setores de Vestuário, Varejo e Home Office

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Vestuário

 

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Foto: Pixabay

 

A notícia divulgada pela rádio CBN sobre a fabricação de roupas anticovid-19, com certeza, foi surpreendente para o mercado. Entretanto, não deve ter surpreendido o ramo têxtil, que há anos tem se voltado para a busca da funcionalidade de materiais. A novidade foi a rapidez na criação e na aceitação pelas confecções, além da divulgação. Fatores que deverão causar benefícios de forma geral.

 

 

No Brasil, o tecido foi criado pela Nanox Tecnologia S.A. — empresa especializada em nanotecnologia — e com um corpo técnico originário da Universidade Federal de São Carlos, com sede na cidade de São Carlos/SP e filial em Massachussets, USA. A inovação teve atuação de pesquisadores da UFSCar e da USP.

 

A expectativa do uso desse tecido é enorme: o preço do produto acabado não deve superar os dois dígitos, o que dará um custo baixo para um alto benefício.

 

A Malwee, de Santa Catarina, que tem se destacado pela atenção em sustentabilidade, foi pioneira nesta utilização, hoje produzindo máscaras e camisetas que protegem do coronavírus. A Malwee importou o composto químico para fabricação do tecido da Suíça e está se programando para ampliar as linhas de produto que serão confeccionadas com o tecido protetor do coronavírus.

 

Estamos diante, portanto, de uma novidade, cujo impacto poderá impulsionar uma nova tendência, que será a criação de tecidos e afins, com benesses específicas relativas à saúde. Ao mesmo tempo, poderá motivar a divulgação do que já existe nesta área.

 

Varejo

 

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Foto: Youcom/divulgação

 

Para o varejo de moda, a previsão de vendas é fundamental. O sortimento correto no abastecimento evita sobras e aumenta a disponibilidade de capital. Uma nova técnica, através da inteligência artificial, está surgindo e sendo aperfeiçoada para alocar os produtos adequados para cada loja.

 

Quanto maior a sintonia entre a busca do consumidor e o produto disponível em estoque, teremos a plenitude da função do varejo, que se pode denominar do modelo Butique. Essa estratégia, baseada na inteligência artificial, pode ser aplicada também em grandes organizações. É o caso da Renner com 380 lojas âncoras e que começa a executar o sistema.

 

Além disso, o modelo Ship From Store, em que se usa o estoque da loja mais próxima do cliente omnichannel está em implantação, e se tornando uma das modalidades significativas de redução de estoque e eficiência operacional.

 

A inteligência artificial começa também a ser usada na Youcom para enviar à casa das clientes conjuntos de produtos de moda para a apreciação e eventual compra. Esse, também, um processo inegavelmente de Butique. E a Youcom tem 100 lojas de médio porte.

 

Home Office

 

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Foto: Pixabay

 

O setor digital, um dos raros segmentos da economia atingido positivamente, também acelerou novidades que viriam mas em ritmo antigo.

 

Hoje, é possível em 15 dias implantar uma estrutura de SAC na casa dos operadores. Além disso, há sistema de segurança que permite operar com cartões de crédito.

 

Segundo Elda Di Donato, a CDO Chief Digital Officer da Sercom, ao se colocar o operador em casa é necessário se aproximar das exigências das certificações PCI Payment Card Industry especialmente para ecossistemas das empresas que processam cartões de débito e crédito.

“A tokenização em segurança está permitindo que o cliente acesse um ambiente seguro, criptografado, e digite ali os seus dados para serem validados, sem que o operador tenha acesso às informações. Ou seja, os dados não passam mais na mão de pessoas, e sim de um agente virtual. Esse modelo de contratação está sendo muito bem aceito pelo pioneirismo e pelo aumento da segurança dos consumidores”

Elda lembra das pesquisas que informam que o trabalhador em casa rende 20% mais, e o absenteísmo e o turnover são reduzidos.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O improviso quando o locutor esquece os óculos e o editor, as notícias

 

 

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Foto de Milton Ferretti Jung


 

 

Gosto de rádio ao vivo. Gravar entrevistas, me incomoda. Tira o foco. Provavelmente é a resposta do corpo e da mente a uma dose menor de cortisol, que é um dos hormônios do estresse. Quando acende a luz da placa “No Ar”, coloco-me em posição de alerta. O texto improvisado flui melhor, a pergunta é mais direta e o ponto de corte na resposta do entrevistado tende a ser mais preciso. O erro faz parte do jogo que é jogado ao vivo. Conserta-se a frase. Refaz-se a pergunta. Pede-se desculpa quando a palavra não era a mais apropriada e quando se troca o nome ou cargo do entrevistado —- hoje mesmo isso aconteceu comigo.
 

 

O certo é que ao vivo tudo pode acontecer. E acontece com os melhores, tenha certeza.
 

 

Semana passada, enquanto escrevia sobre uma das gafes que cometi, lá no início da carreira, descobri nos meus arquivos textos escritos por meu pai. É bem provável que estejam publicados no livro em que a jornalista Katia Hoffman conta a história dos 60 anos que ele dedicou ao rádio: “Milton Ferretti Jung; gol, gol, gol, um grito inesquecível na voz do rádio”. Mesmo assim, compartilho duas delas com você — caro e raro leitor deste blog. Ambas ocorridas durante a apresentação do Correspondente Renner, na época a mais importante síntese noticiosa do rádio gaúcho.
 

 

As esquecidas “Últimas Notícias”

O Correspondente, que apresento, na Guaíba, há 39 anos, ao contrário do que os ouvintes imaginam, só me é entregue em cima da hora de ir para o ar e, às vezes ,ainda sem as “últimas notícias”. Alguns erros cometidos pelos redatores e que escapam da revisão, ainda consigo corrigir no ar. Já enfrentei, porém, problema mais sério. Não foi uma nem duas vezes que, depois de ler a ficha anunciando a parte mais importante da síntese, descobri que o editor havia esquecido de encaixar as “últimas notícias”. Sempre que isso ocorreu, não me restou outra alternativa: fiz de conta que a rádio tinha saído do ar e, quando o editor, apavorado, apareceu com as notícias, depois de desculpar-me dizendo que a transmissão fora interrompida por “problema técnico”, dei  seqüência à leitura.

Óculos Errados



Quando usamos óculos apenas para enxergar de perto, é comum esquecermos deles. Sempre que isso ocorria comigo, algum companheiro, cujas lentes tinham grau semelhante às usadas por mim, me socorria, possibilitando-me apresentar o Correspondente Renner. Certa vez ,no entanto, pedi emprestado os óculos do Idalino, um dos editores do noticiário. Testei-os lendo o texto de abertura do Renner ,redigido em negrito e com tipos maiores dos que eram utilizados na confecção das notícias. Só no momento em que entrei no ar, me dei conta de que os óculos não serviam para que eu enxergasse com a necessária clareza. Li a primeira notícia aos trancos e barrancos, tentei fazer o mesmo com a seguinte, mas fui obrigado a parar e gesticular para que o locutor de plantão me substituísse. Muitos ouvintes, percebendo a troca súbita de apresentador, telefonaram para a Guaíba a fim de saber o que havia acontecido. Houve até quem pensasse que eu tivesse sofrido um mal súbito.

Nosso limite na capacidade de absorver notícias ajuda na disseminação de informações falsas

 

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Foto: Pixabay

 

Uma das formas tradicionais de ataques a páginas, sites ou servidores de internet é a transmissão em massa de mensagens e dados congestionando seus canais e derrubando o sistema —- o que em tecnologia de informação chamam de “ataque de negação de serviço” ou DDoS, um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service.

 

O cérebro humano corre o risco de estar sendo vítima de algo semelhante —- e este foi tema de artigo publicado pelo escritor Eric Ravenscraft, especialista em tecnologia, mídia e cultura nerd.

 

Para Eric, diante do que assistimos nesta pandemia, mas não apenas por isso, o volume de informação e notícia que circula pelos diversos meios prejudica a nossa saúde mental, permite que mensagens falsas se disseminem e torna ainda mais complexo o trabalho dos desenvolvedores de conteúdo:

“o resultado parece um ataque DDoS mental” — Eric Ravenscraft

Da análise, das entrevistas, dos dados e das pesquisas publicados no artigo “Our Ability to Process Information Is Reaching a Critical Limit”, escrito por Eric no canal OneZero, no Medium, chamo atenção para um efeito em especial.

 

Com o bombardeio de informações, o tempo dedicado a cada uma delas diminui; e quanto menos tempo se tem para uma informação, maior é probabilidade de acreditarmos nela —- mesmo que seja falsa, revelou pesquisa publicada no Journal of Experimental Psychology.

 

Um estudo de pesquisadores da Universidade Macquarie e do MIT vai além. Diz que é mais provável que a falta de tempo para que a pessoa se dedique a notícia seja o motivo dela acreditar em informações falsas do que o próprio viés político.

“De tempo suficiente para processar o que está lendo é é mais provável que acredite na verdade, mesmo que isso vá contra suas crenças políticas. Mas o tempo é uma mercadoria cada vez mais rara e afeta mais do que apenas os consumidores de notícias” — Eric Ravenscraft

O artigo completo, em inglês, traz outras abordagens e pode lhe ajudar muito a refletir sobre como estamos produzindo e consumindo informações. E não vai tomar mais do que 5 minutos do seu tempo.

Podcast: comunicação como fator de liderança

 

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No BaruCast, podcast da especialista em comunicação corporativa Erika Barusco, tive oportunidade de falar sobre a importância da comunicação como fator de liderança, baseado no que escrevi no livro “Comunicar para liderar”, ao lado da amiga e fonoaudióloga Leny Kyrillos:

 

…..

 

Mílton, para ir direto ao assunto, comunicar é um fator decisivo para liderar?

 

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação? Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

 

E o que envolve exatamente as competências de uma comunicação de liderança?

 

Consciência do desafio que enfrenta; conhecimento sobre o tema que vai tratar; compreensão sobre seus próprios limites — humildade para saber que eles existem; é preciso ainda exercitar a escuta, abrindo não apenas seu ouvido mas a sua mente para absorver o pensamento do outro e identificar suas necessidades ou restrições; somente assim será possível encontrar pontos em comuns que façam da comunicação uma ponte de aproximação de interesses e desejos. O líder comunicador sabe criar vínculos para fortalecer uma relação.

 

….

 

O bate-papo completo você ouve, no Barucast, clicando aqui

 

 

Sua Marca: o legado americano na gestão de marcas

 

 

 

“Não é exagero dizer que sem eles talvez não estivéssemos fazendo o que estamos fazemos hoje. Nós aprendemos muito com eles.” — Jaime Troiano

O que se aprendeu sobre gestão de marcas ao longo dos tempos deve-se muito a pensadores e especialistas americanos, seja pelos ensinamentos e técnicas que desenvolveram seja pela forma como aplicaram nas mais diversas áreas. Aproveitando que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi ao ar no dia 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram as muitas contribuições de profissionais como Philip Kotler, David Aaker e Donald Schultz. 

 ‘Eles entenderam que branding é uma coisa que tem que se profissionalizar’ — Cecília Russo

Um dos métodos lembrados por Jaime é o do uso de imagens para entender o que o consumidor pensa sobre a marca em lugar de apenas perguntar para ele a sua opinião —- hoje disseminado pelo mundo, que surgiu nos Estados Unidos. Já Cecília destaca a maneira como essa visão do branding se expressa na organização de eventos artísticos e esportivos:

“Esses eventos vão além do seu caráter esportivo, por exemplo, são grandes espaços para as marcas se posicionarem, lançarem campanhas e envolverem os torcedores”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

“A tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa”

 

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Foto: Pixabay

 

Chegou em minhas mãos, nesse fim de semana, presente de uma amiga querida, o livro “Dentro de mim — reflexões sobre autoconhecimento, amorosidade e transformação interior” (Intervidas). Foi escrito por José Carlos de Lucca, juiz de direito, dedicado a prática do espiritismo e um dos fundadores do Grupo Espírita Esperança.

 

Com texto claro, escrito de forma direta e iluminado, não precisei de muitas horas para avançar de um capítulo ao outro. Ainda não cheguei ao fim. O farei, com certeza, nos próximos dias. Faço, agora, um intervalo na leitura, porém, para dividir com você o que encontrei logo no início de “Dentro de mim”. De Lucca escreve texto com o título “Vai Passar’. É de 2019 e traz ensinamentos para todos nós que atravessamos com tristeza este 2020.

 

No artigo, há a reprodução do trecho de um texto de outro autor, Caio Fernando Abreu—- este bem mais próximo de mim, por jornalista e conterrâneo que é, e por ter marcado toda nossa geração com seus artigos que tratavam de temas até então não-convencionais, tais como sexo, medo e solitude. Caio morreu jovem, com 47 anos, em 1996.

 

Atrevo-me a publicar a seguir parte do primeiro capítulo de “Dentro de mim”, sem pedir licença ao autor, mas por desconfiar de que se pedisse a licença seria concedida, por útil que sua mensagem pode ser a todos que estão compartilhando das mesmas dores:

 

….

 

Tudo passa!

 

Não há mal que perdure para sempre. Não há dor que se eternize. Não há treva que resista à luz. Todo mal é passageiro, toda dor é temporária. Por essa razão, o suicídio é uma “solução” definitiva para um problema temporário: uma dose excessiva e inócua para uma dor que, com o passar do tempo, encontraria naturalmente o seu fim. O suicídio, porém, não soluciona a dificuldade que nos sufoca: ao contrário, agrava-a.

 

Melhor pensar que o problema de hoje está de passagem. Mais dia, menos dia, ele será apenas uma lembrança na história de sua vida, assim como hoje você se recorda de outras tantas adversidades já superadas.

 

Quantas vezes você imaginou que não teria forças para seguir adiante, e as forças brotaram das suas entranhas mais secretas e o conduziram à vitória? Quantas vezes você pensou que era chegado o fim, mas tudo não passou de um recomeço que o levou a situações melhores? Quantas vezes você acreditou que seu problema não tinha mais solução, e, inesperadamente, a solução surgiu de onde menos se esperava?

 

Maria de Nazaré, a Mãe Espiritual de todos nós, afirma que todo mal é passageiro, e somente o Reino de Deus tem força suficiente para nunca passar. Então, no momento da aflição, não devemos olhar para o abismo nos chamando para a derrota. É hora de olharmos para o céu, de onde viemos, e abrirmos a nossa mente e o coração para a poderosa força da vida que Deus soprou em cada um de nós no momento que nos criou!

 

À medida que nos entregamos à experiência de sentir a força da vida em nós, somos preenchidos de paz, serenidade e confiança em nossas possibilidades de superarmos as adversidades. A força divina dentro da gente começa a mudar o cenário da vida lá fora! O poeta Caio Fernando Abreu chamou essa força divina de “impulso vital”e mostrou, com rara sensibilidade, como ela pode fazer nossa vida seguir adiante, apesar das nuvens sombrias que pairam sobre nós.

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim — nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”

Todo mal um dia passará, indiscutivelmente. Deixemos que esse impulso vital nos leve adiante e nos tire do abismo da derrota, das águas fundas da nossa tristeza, da janela de um edifício…

 

Aguente firme, a tempestade passa, pode nos encharcar, mas passa. Depois, o sol seca a nossa alma enregelada. O Reino de Deus, de onde brota o impulso vital, está pronto para crescer em cada um de nós, e o Reino não está longe nem fora, está dentro de mim, está dentro de você! Pacientemente, permita-me esse movimento de Deus em sua vida, a partir do seu coração.

 

Vai passar!

 

Compre aqui o livro “Dentro de Mim”, de José Carlos de Lucca