Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a brasilidade vira estratégia 

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As marcas brasileiras estão redescobrindo o valor de contar suas próprias histórias. Um tema que já foi motivo de conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e foi retomado recentemente, a partir de pesquisa que Jaime Troiano e Cecília Russo estão desenvolvendo. O resultado final ainda não está pronto, mas nossos comentaristas anteciparam algumas das ideias que apareceram até o momento.

O movimento de brasilidade não surgiu por acaso. Ele parte da percepção de que cresce o interesse por elementos culturais, artísticos e até esportivos que nascem no Brasil e ajudam a formar identidade. Ao mesmo tempo, uma análise de mercado mostra que empresas nacionais passaram a incorporar esses traços no jeito de se comunicar.

Jaime Troiano resume essa mudança ao afirmar que “é um movimento de aproveitar elementos da cultura, da vida brasileira, no branding de nossas marcas” . Branding, aqui, pode ser entendido como o conjunto de ações que constroem a imagem e a personalidade de uma marca.

Durante décadas, o caminho foi outro. O próprio Troiano lembra que o marketing brasileiro seguiu um padrão “mimético”, ou seja, baseado na cópia de referências estrangeiras, sobretudo americanas. A virada acontece quando esse padrão passa a conviver com outro movimento, mais autoral, que valoriza o que nasce no país.

Na prática, isso significa equilibrar influências externas com características locais. É o que ele descreve como uma busca por algo mais “profético”, que nasce das próprias raízes e projeta um futuro com identidade própria.

Os exemplos ajudam a entender. Marcas como Farm e Hering constroem ambientes e narrativas que remetem imediatamente ao Brasil. Não é apenas estética. É linguagem, clima, repertório cultural. Uma loja, nesse caso, funciona quase como um território simbólico.

Cecília Russo reforça que esse caminho não é isolado. “É nossa e de muitas empresas que estão trilhando esse caminho”, afirma . Ela cita a Havaianas como um caso emblemático. A marca conseguiu transformar um produto simples em um símbolo reconhecido globalmente, associado ao estilo de vida brasileiro.

Cecília amplia o olhar ao lembrar que esse processo tem raízes históricas. Movimentos como a Semana de Arte de 1922, a Tropicália e a Bossa Nova já buscavam afirmar uma identidade nacional diante de influências externas. As marcas seguem essa mesma trilha, como reflexo do comportamento da sociedade.

Outros exemplos aparecem nesse cenário: Melissa, com linguagem urbana e tropical; Dengo, que explora o cacau e a natureza; Ypê, que carrega no nome e na comunicação referências diretas ao país; e até o Itaú, cuja origem do nome em tupi-guarani reforça esse vínculo.

O resultado é uma mudança de postura. Em vez de esconder a origem, as marcas passam a evidenciá-la. Em vez de copiar, reinterpretam. Em vez de seguir padrões prontos, constroem repertórios próprios.

A marca do Sua Marca

Valorizar a própria cultura não significa rejeitar o que vem de fora, reforça Jaime Troiano. O aprendizado está no equilíbrio: usar referências globais sem abrir mão da identidade local. Marcas que conseguem fazer isso deixam de ser genéricas e passam a ser reconhecidas com mais clareza.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

O eleitor busca candidato independente mas vota na polarização, analisa Felipe Nunes, da Quaest

A pesquisa Genial/Quaest mais recente, feita em dez estados, que mediu a opinião do eleitor para as disputas estaduais trouxe um dado curioso. Mesmo com a polarização forte na disputa nacional, o eleitor demonstra cansaço desse ambiente dividido.

Segundo Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, que entrevistamos hoje pela manhã, no Jornal da CBN, há uma preferência por governadores mais independentes, menos ideológicos e focados nos problemas locais. Um desejo que nem sempre se transforma em voto.

Tenho a impressão de que essa dissociação entre o que o eleitor diz ao pesquisador e o que decide na urna tem a ver com uma frase muito usada pelo meu colega e especialista em branding Jaime Troiano: o consumidor diz o que pensa e faz o que sente.

O entrevistado garante que vai escolher um produto mais saudável ou mais sustentável. Na hora da decisão, porém, leva para casa aquilo que desperta desejo, hábito ou confiança. Diante do entrevistador, a pessoa defende o consumo de produtos que respeitam o meio ambiente; na gôndola, leva aquele que cabe no bolso, a despeito dos ingredientes usados.

Ao ouvir Felipe Nunes não resisti à comparação. Quando exposto a pergunta se prefere um candidato ao governo do seu estado mais lulista, independente ou bolsonarista, a maioria fica na coluna do meio. Foi assim em São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas, Paraná e Pará. 

A pergunta que fica é: será que é isso que ele fará?

A política tem uma particularidade que a diferencia do consumo. No supermercado, a prateleira está cheia de opções. Na eleição, o cardápio é limitado. Quem escolhe o que está disponível não é o eleitor — são os partidos, explica Nunes E, até aqui, eles seguem oferecendo opções fortemente alinhadas aos polos tradicionais.

Esse desencontro entre desejo e oferta cria um ruído interessante. O eleitor declara preferência por um caminho mais moderado, mas pode não encontrar uma alternativa viável que represente essa escolha. Diante disso, tende a voltar ao conhecido. Não necessariamente por convicção, mas por falta de opção.

Há também o fator emoção, que não pode ser subestimado. A identidade política, o sentimento de pertencimento, a rejeição ao adversário, tudo isso pesa na decisão final. Muito mais do que a resposta racional dada ao pesquisador.

Na política, a metáfora ganha outra dimensão. O eleitor pode afirmar que quer equilíbrio, mas, diante da urna, pode ser guiado por lealdades, medos ou expectativas que não aparecem com a mesma clareza na pesquisa.

No fim das contas, a frase que nasceu no marketing parece dialogar bem com o cenário eleitoral: o eleitor diz o que pensa. Resta saber o que ele vai sentir na hora de votar.

E, principalmente, se haverá, de fato, uma opção que permita transformar esse desejo em escolha real.

Avalanche Tricolor: um ponto fora de casa e algumas fatias de torta

Athletico-PR 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada, Curitiba PR

Athletico-PR x Grêmio
Gabriel Mec em jogada de ataque. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um ponto ganho ou dois perdidos? Para quem ainda busca estabilidade na temporada, ponto fora de casa deve sempre ser comemorado. Sobretudo diante de um adversário que tem sido imbatível quando está frente à sua torcida. A maioria dos que passam por lá sai de bolso vazio. Não tem o que festejar.

A lamentar, o fato de não sabermos, mais uma vez, usar a nosso favor a superioridade numérica. A expulsão de um dos jogadores adversários poderia ter sido mais bem aproveitada. Luis Castro preferiu ser conservador e manter a principal novidade na escalação: três zagueiros. Ao menos conseguiu conter a força ofensiva do time da casa. Não arrisco dizer que foi esse o motivo que nos impediu de vencer.

Em um raro momento da minha jornada de torcedor, não pude assistir à partida de hoje. Uma amiga querida estava aniversariando, e estar ao lado dela para comemorar esse momento me parecia mais apropriado. Entre conversas divertidas, companhia de amigos e comida de qualidade, fiquei de olho nas atualizações que piscavam na tela do celular. Teria sido a ansiedade que me levou a comer tantas tortas, quitutes e docinhos?

Sem assistir à partida, contentei-me com os melhores momentos quando cheguei em casa. Mas esse resumo do jogo nem sempre está à altura do desempenho de uma equipe. Tanto esconde falhas como pode omitir momentos de qualidade. Fui ler alguns comentários em redes sociais e reportagens. Pouco ajudou. A incerteza sobre a performance gremista nesta noite de sábado ficou mais confusa que o nosso meio de campo sem Arthur.

Consta que Tetê fez sua melhor apresentação desde que retornou à equipe. Por outro lado, houve quem reforçasse as críticas ao nosso atacante. De minha parte, quero crer que ele ainda desencantará e se tornará um jogador decisivo na temporada. Lembre-se: meus níveis de glicose e insulina estão altos neste momento — a torta de chocolate estava deliciosa.

Por mais que ainda estejamos perseguindo três pontos fora de casa, voltar a Porto Alegre com o empate nos mantém praticamente na mesma posição da tabela. Pode ser que seja apenas reflexo da minha felicidade por ter estado com colegas e amigos — e por não ter visto o jogo jogado por nosso time —, mas vou dormir com a sensação de que o ponto conquistado tem seu valor e merece ser comemorado. Entre a mesa cheia e o placar vazio, fico com a sensação de que o empate encontrou seu lugar.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o consumo atravessa fronteiras e amplia identidades

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As marcas deixaram de caber em um território. Basta observar um movimento que já faz parte da sua, da minha rotina: compramos de fora, estudamos fora, investimos fora — e, muitas vezes, sem sequer perceber de onde vem aquilo que consumimos. Um desafio aos gestores de marca, como alertaram Jaime Troiano e Cecília Russo na conversa que tivemos neste sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Outro dia, navegando por um site de compras, me dei conta de que aquele produto que parecia tão próximo vinha, na verdade, de outro continente. Não era exceção. É regra. Como resumiu Cecília Russo: “o consumo hoje não tem mais um endereço único”. A frase parece simples, mas carrega uma mudança profunda. O endereço deixou de ser geográfico e passou a ser simbólico.

Entramos em uma loja física no Brasil e levamos para casa algo produzido na Ásia. Abrimos um aplicativo e encontramos a etiqueta “compra internacional” com a mesma naturalidade de quem escolhe entre tamanhos e cores. A origem já não é o fator decisivo. É o desejo que fala mais alto.

Esse movimento vai além do carrinho de compras. Está nos jovens que buscam intercâmbio ainda no ensino médio. Está nas famílias que reorganizam a vida para estudar fora. Está nas plataformas que conectam estudantes a universidades estrangeiras. Nesses casos, não se compra apenas um serviço. Compra-se um projeto de vida.

Há também o dinheiro que atravessa fronteiras. Contas em dólar, investimentos fora do país, novas formas de proteger o patrimônio. Você haverá de lembrar quando uma viagem ao exterior exigia uma visita à casa de câmbio e nos obrigava a levar um maço de dinheiro estrangeiro na bolsa. Cecília sintetiza bem: essas empresas “vendem mais do que uma conta. Elas vendem tranquilidade, segurança, a ideia de expansão”. No fundo, vendem a sensação de que o mundo ficou maior.

Jaime Troiano ajuda a entender o que está por trás desse comportamento. Ele fala de algo que não aparece na etiqueta do produto. “Há um sentimento por trás de que eu não tenho limites, que o mundo é todo meu”. É quase um jogo de conquista. Quem já brincou de War entende a metáfora.

A curiosidade também entra em cena. Experimentar o novo. Sair do conhecido. Testar sabores, culturas, experiências. Nem todos se jogam com a mesma intensidade, mas a possibilidade está aberta. E isso já muda a relação com as marcas.

Há ainda um elemento silencioso: o desejo de pertencer. Consumir algo que vem de longe pode sinalizar a entrada em um grupo mais restrito. Lembro do que significava jogar basquete com um tênis All Star cano longo nos meus tempos de adolescente. Ter um daqueles pares de tênis dava a impressão de que jogávamos muito mais do que realmente éramos capazes. Para comprá-los, precisávamos da colaboração de algum conhecido que viajasse aos Estados Unidos. Eu tive de me contentar com um Charrua, comprado na fronteira do Rio Grande do Sul — mais acessível.

Como em toda escolha, existe o cálculo. Preço, oportunidade, proteção do dinheiro. “Há sempre alguma coisa ligada à ideia de fazer um bom negócio”, lembra Jaime. O racional acompanha o emocional. Caminham juntos.

No meio desse cenário amplo, uma pergunta se impõe: se tudo pode vir de qualquer lugar, o que mantém a relação entre marca e consumidor?

A marca do Sua Marca

Quando o consumo atravessa fronteiras, a confiança precisa ser o ponto de ancoragem. Produtos circulam, serviços se deslocam, experiências se multiplicam. O que permanece é a segurança de que aquela escolha vale a pena.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: uma greve no caminho do meu primeiro dia de trabalho

Fatima Novais

Ouvinte da CBN

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Em 1978, aos 16 anos, cursando o último ano do colegial, iniciei o que seria minha carreira no sistema bancário. Feliz da vida, dia 13 de setembro de 1978, recebi orientações para ir sozinha de ônibus para o centro da cidade. Primeiro dia de trabalho. Imagine a alegria.

Desci no Largo do Paissandu e entrei na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos — pedi proteção para aquele que seria o primeiro dia de muitos anos de trabalho. Caminhei até a rua Boa Vista, que era o centro financeiro e histórico de São Paulo. 

Assim que cheguei, algo totalmente inesperado aconteceu. Jovem, ingênua, pouco informada, ainda sem o hábito de ler os jornais, fui surpreendida. Era dia de greve dos bancários. Pessoas com bandeiras em mãos. Gritos de protesto. A cavalaria na rua. Policias com cacetetes em punho. Tentavam acertar quem passasse pela frente.

Chorando, em um local que ainda não conhecia. Morrendo de medo de perder meu emprego, sem ao menos ter começado. Foi quando por sorte — dessas que só São Paulo para proporcionar — encontrei um anjo. Daquelas pessoas que cruzam nossa vida quando mais precisamos — quero crer que foi obra daquela ida a Igreja. Pedi uma ajuda. Precisava de uma orientação do que fazer. Não havia celular para ligar para casa, falar com os pais. 

O anjo, que conhecia bem a região, me indicou um caminho que estava livre e permitia entrar no banco, pelos fundos, em uma portaria na 25 de Março. 

Com essa ajuda fugi dos riscos daquele confronto e me abriguei no prédio onde haveria de iniciar meu primeiro emprego, contratada para ser conferente de dados. Eu tinha de verificar as informações em listagens imensas emitidas pelos computadores.Algo impensável para os dias de hoje mas que deu início a construção de uma história de quase 48 anos no mercado de trabalho, em São Paulo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatima Novais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros cap[itulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: fonoaudióloga Juliana Algodoal alerta que a forma de falar impacta saúde e resultados

Mundo Corporativo com Juliana Algodoal
Juliana Algodoal em entrevista no estúdio da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A pessoa que fala é responsável por fazer o outro se sentir bem ou mal.”

A comunicação está no centro das relações de trabalho e influencia diretamente decisões, clima organizacional e saúde mental das equipes. Em ambientes pressionados por resultados e mudanças tecnológicas, a forma como líderes e profissionais se expressam pode fortalecer vínculos ou gerar ruídos que afetam o desempenho. Esse foi o tema da entrevista com Juliana Algodoal no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao longo da conversa, Juliana destacou que a comunicação vai além da clareza. Envolve intenção, emoção e contexto. “Se uma pessoa que está na liderança não se preocupa em ter clareza na forma de falar e garantir a intenção, na emoção da voz que ela exprime, a pessoa que escuta pode interpretar de diversas formas”, afirmou.

Comunicação, percepção e responsabilidade

A autora do livro Inteligência Humana e Comunicativa: Potencialize sua voz (ed Memorável) chama atenção para um ponto sensível: quem fala precisa assumir a responsabilidade pelo efeito da mensagem. Isso inclui ajustar tom de voz, escolha de palavras e até o ritmo da fala. “Eu é que tenho que me preocupar em ter clareza na forma de falar para você se sentir bem ou mal”, disse.

Esse cuidado se torna ainda mais relevante em posições de liderança. A ausência de alinhamento entre o que se diz e como se diz pode gerar interpretações equivocadas e conflitos internos. Segundo Juliana, muitos problemas nas empresas começam na falta de clareza e na ausência de verificação do entendimento.

Ela também aponta que ouvir faz parte do processo. “A percepção que eu tenho quando eu escuto alguma coisa, ela é a partir da minha história de vida”, explicou, ao destacar que comunicação é sempre uma via de mão dupla.

Feedback: ponto de tensão e de desenvolvimento

Entre as situações mais desafiadoras no ambiente corporativo está o feedback. “Feedback sempre, porque as pessoas têm a imagem de que feedback é ruim e isso não é verdade”, afirmou.

Juliana apresentou três caminhos práticos para tornar esse processo mais produtivo:

  • começar por um ponto positivo, abordar o que precisa melhorar e encerrar com apoio;
  • entender a expectativa de quem pede o retorno;
  • ou tratar primeiro o ponto mais crítico e finalizar com reforço positivo.

A ideia é que a forma como o feedback termina influencia a forma como ele será recebido. “Se você termina com feedback positivo, a pessoa sai assim: ‘Ah, não tá tão ruim’. Deixa eu ver o que eu tenho que fazer agora”, explicou.

Para quem recebe críticas, a recomendação é ativa: perguntar, pedir exemplos e filtrar o que faz sentido. “Eu sou favorável de que as perguntas abertas fazem uma boa conversa”, disse.

O silêncio que atrapalha e o que ajuda

O silêncio também ganhou destaque na entrevista. Quando usado como ausência de liderança, ele desorienta equipes. “O líder que faz silêncio ele não lidera, ele não inspira, ele não leva o time para frente”, afirmou.

Por outro lado, há um silêncio produtivo: aquele que permite reflexão antes da resposta. “Espera, internaliza, pensa: o que é de verdade que essa pessoa tá me perguntando?”, orientou.

Esse equilíbrio entre falar e escutar, segundo Juliana, é essencial para melhorar a qualidade das interações.

A entrevista também abordou o impacto das mudanças no mundo do trabalho. Com o avanço da tecnologia, cresce a necessidade de fortalecer habilidades humanas. “A inteligência artificial cresceu, a empresa tá percebendo que ela tem que investir mais em comunicação. Por quê? Porque o relacionamento humano tá se tornando mais importante”, afirmou.

Nesse cenário, comunicação deixa de ser um complemento e passa a ser competência central.

Juliana resume esse movimento com uma provocação simples: “Todos nós podemos melhorar, basta querer e escolher um primeiro passo”.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: quando o dia vence e a noite escapa

Palestino 0x0 Grêmio
Sul-Americana — La Cisterna, Chile

Conmebol Sul-Americana - Grêmio x Palestino-CHI - 29/04/2026
Tetê busca jogada no ataque. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA


Dia cheio e diverso. Assim foi essa quarta-feira que terminou diante da televisão assistindo ao Grêmio. Começou cedo como sempre começam os meus dias. Atualizar o ouvinte com as notícias mais relevantes foi minha primeira missão. 

Antes mesmo de encerrar essa jornada cotidiana, já estava a postos para outra tarefa: mediar discussões sobre como podemos inovar e tornarmos as cidades mais inteligentes. A noite chegou e eu estava no palco de uma festa beneficiente para ajudar a construção da matriz da igreja que frequento. O clima era de tango e comida argentina.

Agenda intensa. Nem por isso distante do jogo.

Quando consegui me conectar à partida, Carlos Vinícius já havia entrado para a história — daquelas que ninguém deseja protagonizar. Três cobranças de pênalti, três erros, hat trick. Rapidamente, surgiram comparações apressadas. Citaram Palermo, que desperdiçou três pênaltis em um jogo da Argentina contra a Colômbia, em 1999. Referência fora de lugar.

Carlos Vinícius perdeu o terceiro. Os dois primeiros foram defendidos após irregularidades que exigiram nova cobrança. O detalhe faz diferença.

Chama atenção a pressa com que parte da torcida encontrou um culpado. Nas redes sociais, não faltaram críticas a Luis Castro por manter o atacante como cobrador. Há um traço comum nesses julgamentos: ignoram o contexto. E tenho a impressão de que há um esforço em punir o técnico, sem justificativas.

O centroavante é o principal nome do ataque. Tem histórico, confiança e responsabilidade. Tirá-lo da cobrança naquele momento seria mais gesto de insegurança do que de estratégia. O jogador foi quem bancou a decisão de seguir na cobrança. E tem crédito.

O futebol, como a vida, costuma testar convicções.

Carlos Vinícius chegou a marcar um gol que poderia mudar a narrativa da noite. Recebeu fora da área, driblou o marcador e finalizou com precisão. Lance de atacante completo. O árbitro, porém, identificou irregularidade de Tetê na origem da jogada e anulou o gol. Não era a noite dele.

O Grêmio deixa o campo com um ponto. Queria três. Poderia ter três. O resultado não compromete o cenário, mas cobra atenção. A equipe segue com chances de liderança no grupo, mas precisará resolver um problema recorrente: vencer fora de casa.

O calendário ajuda. Restam dois jogos na Arena e apenas um como visitante. A conta é clara.

Antes de se deixar levar pelo ruído que domina parte do debate esportivo, vale ouvir o próprio protagonista. Carlos Vinícius resumiu bem: há dias — e noites — em que nada dá certo.

A frase serve para além do futebol.

Enquanto o resultado em campo frustrou, o dia fora dele foi produtivo. Houve troca de conhecimento, contribuição para uma causa relevante e encontros que justificam a correria.

O futebol não deixa esquecer: nem sempre o esforço entrega o placar esperado. A vida, por sua vez, lembra que o jogo não se resume ao resultado.

Vínculos: o que nos forma, o que nos transforma


Por Beatriz Breves

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Um exemplo indiscutível de que é pelo vínculo que nos constituímos são as conhecidas “crianças selvagens” — aquelas que, por circunstâncias extremas, se relacionaram e, portanto, se vincularam, no início de suas vidas, predominantemente com animais e não com seres humanos. Observa-se que, nesses casos, a criança criada por um cão demonstrou comportar-se como um cão; por lobos, como um lobo; por galinhas, como uma galinha. Assim, cada criança revelou identificação e comportamento conforme o modelo oferecido pelo animal que a acolheu. Em outras palavras, cada uma espelhou sua identidade no vínculo estabelecido durante o seu processo de formação e desenvolvimento, evidenciando o poder que as relações exercem sobre a construção do Eu.

Sem dúvida, esses casos servem como constatação de que os vínculos que construímos ao longo da vida, especialmente os primeiros, são os que oferecem os elementos mais decisivos na constituição de quem somos. São eles que moldam nossas percepções, influenciam nossas escolhas e estruturam o Eu que nos tornamos — ou, mais precisamente, o Eu que sentimos ser.

Não é difícil compreender esse processo, já que é desde a fecundação — ou seja, desde o início dos vínculos — que se pode perceber a trama das relações: com a mãe, com o pai, com irmãos, amigos, colegas, professores, parceiros etc. Alguns vínculos são intensos e transformadores; outros, frágeis e superficiais. Todos, porém, participam, de algum modo, da construção e da evolução da nossa identidade, do nosso Eu.

Dessa forma, desenvolver vínculos e, sobretudo, qualificá-los é fundamental para vivermos com mais saúde, autonomia e bem-estar biopsicossocial. Relações saudáveis funcionam como alicerces que sustentam nosso crescimento, fortalecem a autoestima e ampliam nossa capacidade de enfrentar desafios. Quando cultivamos vínculos de qualidade, abrimos espaço para sentimentos genuínos de pertencimento, amparo e valor pessoal — elementos essenciais para uma vida mais equilibrada e significativa.

A qualidade das relações

Se a relação é a base do vínculo, é a qualidade dessa relação que determina se ele será construtivo ou não. Uma relação pode gerar um vínculo capaz de cuidar, amparar e construir, assim como pode gerar intoxicação, maus-tratos e destruição. Dependendo de como é vivida, a mesma interação que nutre pode ferir; a que acolhe pode sufocar.

Nesse contexto, surgem questões fundamentais: o que leva uma pessoa a desenvolver vínculos saudáveis, aqueles que promovem crescimento? E o que leva alguém a estabelecer vínculos destrutivos, que ferem, sufocam e desgastam? Como transformar padrões relacionais que se repetem ao longo da vida, mesmo quando já não fazem mais sentido?

Essas perguntas revelam a complexidade do universo relacional. Para respondê-las, é preciso reconhecer que os vínculos se formam nos encontros entre, pelo menos, duas pessoas que carregam consigo memórias, expectativas, medos, aprendizados e feridas — uma combinação de experiências alegres e dolorosas de uma história pessoal. A qualidade do vínculo dependerá, em grande medida, do que cada um traz e de como isso se manifesta na relação. Cada encontro é, portanto, um entrelaçamento de mundos internos que podem entrar em conflito ou encontrar harmonia.

Lembro de um amigo que, em uma roda de conversa, recorrendo ao humor, dizia que, para um casal dar certo, era fundamental que as “loucuras” de cada um se encaixassem. Apesar do tom leve, há nisso uma verdade consistente. Relacionamentos saudáveis não exigem perfeição, mas sintonia: a capacidade de reconhecer as singularidades do outro, acolhê-las e construir um ritmo possível entre duas subjetividades que nunca serão idênticas.

Comunicação: o que se diz sem palavras

É justamente nesses emaranhados que a comunicação ganha centralidade — não apenas a comunicação verbal, mas, sobretudo, a não verbal. Grande parte do vínculo se constrói na linguagem silenciosa dos gestos, dos olhares, das pausas. Esses elementos dizem muito no encontro com o outro. É nesse território sutil que se constroem confiança, acolhimento e presença — ou, no sentido oposto, distância, tensão e insegurança.

Quando conseguimos construir vínculos que respeitam nossa singularidade e a do outro, abrimos espaço para relações que nutrem, fortalecem e ampliam quem somos. Talvez seja aí que resida uma das maiores capacidades humanas: a de se transformar por meio do encontro com o outro, fazendo de cada relação uma oportunidade de crescimento e reinvenção.

Beatriz Breves é presidente da Soc. da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com Esp. em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia tit. Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

O perigo dos “especialistas” em longevidade

Por Diego Felix Miguel

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Nunca foi tão fácil se apresentar como especialista em longevidade; e tão difícil sustentar esse título na prática. 

Deixo um aviso direto: trabalhar com pessoas idosas ou vender produtos e serviços para esse público não torna ninguém, automaticamente, especialista.

Prezada leitora, prezado leitor, não leia este início como arrogância. Pelo contrário: trata-se de um alerta necessário diante da urgência do tema.

Nos últimos anos, ganhou força um movimento essencialmente mercadológico, formado por profissionais que se apoiam em termos de impacto para projetar autoridade. Dominam o tom de voz e as redes sociais, mas não se sustentam quando convidados a aprofundar o tema.

A Gerontologia é uma ciência. Exige uma compreensão que perpassa a dimensão biopsicossocial e um olhar apurado sobre demandas e políticas públicas — especialmente em um país marcado por desigualdades profundas. Não se trata de uma disputa de mercado ou de protagonismo profissional.

O fenômeno é perigoso: distorce a compreensão do envelhecimento, compromete a qualidade dos serviços ofertados e pode impactar diretamente decisões em saúde, cuidado e políticas públicas.

Não há compreensão real do envelhecimento sem estudo e rigor científico. Experiência prática e leitura são valiosas —, mas não substituem formação consistente quando o tema é complexo. O que está fora disso pode contribuir, mas não confere, por si só, o título de especialista.

Escrevo com a experiência de mais de 20 anos de atuação e estudo em Gerontologia.

Há casos de livros em circulação escritos por inteligência artificial, com textos bem estruturados à primeira vista, mas que, ao menor aprofundamento, revelam erros conceituais graves, referências inexistentes e até nomes de autores grafados incorretamente.

Em muitos espaços, a produção acadêmica e os títulos formais passaram a disputar atenção, em desvantagem, com o número de seguidores e a estética de vídeos bem editados. O resultado é uma informação conceitualmente fraca, generalista e, muitas vezes, sem compromisso ético.

Se você está organizando um evento ou buscando referências na área, vale adotar alguns critérios simples — e cada vez mais necessários:

Observe a aderência à realidade — verifique se há compreensão da diversidade das velhices. No Brasil, é um erro tratar pessoas idosas como um grupo homogêneo ou pressupor acesso universal a serviços privados.

Vá além do currículo visível — investigue a formação e a prática profissional. Especialização exige foco; ninguém domina todos os temas.

Considere o vínculo institucional — priorize profissionais ligados a universidades, sociedades científicas ou serviços de referência. Solicitar comprovação de formação é uma medida legítima e valoriza a qualidade da atividade.

O objetivo aqui não é desqualificar indivíduos, mas valorizar quem realmente investiu tempo, pesquisa e dedicação à ciência da longevidade. Em meio à superficialidade, o conhecimento fundamentado segue sendo o melhor filtro.

Em um país que envelhece a passos largos e de forma desigual, vamos continuar valorizando quem edita melhor vídeos ou quem se compromete com a ciência e a ética das nossas velhices?

Diego Felix Miguel é doutorando em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP, especialista em Gerontologia pela SBGG e presidente do departamento de Gerontologia da SBGG-SP.