Conte Sua História de São Paulo: da rua da Mooca sai para conhecer minha cidade

 

Por Paula Bueno
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Nasci no bairro da Mooca, na década de 70 e ainda muito menina nos mudamos para a zona norte da cidade, num condomínio de casas chamado Parque Residencial Santa Teresinha, com muita área verde e até um clube. O condomínio era totalmente murado com guaritas. Hoje, penso que a proposta era até muito moderna para a época. No fundo do condomínio tinha um córrego não canalizado. O engraçado é que para nós, crianças, aquilo era como se fosse o fim do mundo mesmo, o limite do planeta. Depois do muro tem o córrego e mais nada, acabou… Todo nosso universo se restringia aquelas ruas e a passar horas e horas brincando de esconde-esconde, pega-pega, barra manteiga, amarelinha e a andar de bicicleta.
 

 

Meus avós tinham ficado lá na Mooca e nós os visitávamos com muita frequência. Eu particularmente adorava quando ficávamos para o jantar, pois assim só voltaríamos para casa à noite o que significava que eu ia poder ver as luzes da cidade! Eu amava ficar olhando pela janela do carro de papai as luzes dos postes e a iluminação dos prédios, pontes, construções e outdoors. Meu momento favorito era passar na Av. Tiradentes e avistar o imenso lustre da Pinacoteca aceso (hoje infelizmente ele não fica mais).
 

 

Então fui estudar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e uma das disciplinas era História da Arquitetura. Tornei-me uma aluna assídua, daquelas que não cede a carteira na primeira fila nem para a melhor amiga! O professor trazia muitas fotos e a descrição detalhada de pontos inimagináveis da cidade com uma riqueza arquitetônica incrível e que infelizmente na maioria das vezes nem nos damos conta, passando por esses pontos sem saber de sua história e sem ao menos enxerga-los, como o Castelinho da Brigadeiro, o Solar da Marquesa de Santos ou o Edifício Martinelli.
 

 

Uma ocasião, eu já era moça, tive a oportunidade de fazer uma viagem para Buenos Aires. Passamos cinco dias conhecendo a capital, percorrendo suas ruas, observando a arquitetura, a cultura, a gastronomia, os museus, lojas e pontos turísticos. De volta a São Paulo me perguntei: “por que pagamos para conhecermos a cidade dos outros e não conhecemos a nossa?” Naquele momento me dei conta que gastamos fortunas para conhecermos os principais pontos turísticos de Buenos Aires, Montevideo, Nova York ou Paris sem antes termos dado uma única volta no Parque do Ibirapuera ou ter entrado no MASP.
 

 

Então comecei a fazer listas de locais em São Paulo com o status: Para conhecer! E todos os anos passei a reservar alguns dias das minhas férias para esses passeios.
 

 

Alguns foram muito marcantes. O pavilhão japonês no parque do Ibirapuera, por exemplo, foi uma grata surpresa. Estávamos andando a esmo pelo parque quando avistamos a construção, entramos e uau! Que lindo! O Museu do Imigrante que me emocionou profundamente quando vi pela primeira vez uma réplica do quadro de Bertha Worms – Saudades de Nápoles. A festa de Nossa Senhora Achiropita, onde além das barraquinhas havia na garagem de uma casa, logo no início da rua, o melhor macarrão com porpeta que já comi na minha vida (com perdão da minha avó). A escultura de Willian Zadig – O Beijo Eterno, localizada no largo São Francisco e que já ficou guardada nos depósitos da prefeitura por mais de dez anos por ser considerada imoral. Subir a 23 de Maio a pé, isso mesmo, a pé, no aniversário de 450 anos da cidade. Foi Incrível! Ou passar um réveillon na Paulista com um mar de gente pra todo lado onde mal se consegue respirar, mas mesmo assim você não quer ir embora!
 

 

Quando adulta fui trabalhar com hotelaria, o que me permitiu viajar bastante e conhecer lugares incríveis, mas o sentimento de casa, de estar em casa, aquele suspiro que se dá ao sentir um calor gostoso como se fosse um abraço apertado não sai do meu coração quando ponho os pés na área de desembarque do aeroporto da minha amada São Paulo.
 

 

Paula Bueno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung. Envie seu texto sobre a cidade para milton@cbn.com.br

Desvendando fantasmas

 

 

Por Christian Müller Jung

  

 

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Quando tinha cinco de anos de vida, minha cama ficava voltada para porta do quarto. De lá podia ver a mureta que separava a escada que dava acesso ao corredor. Muitas das vezes em que de sobressalto acordava com um barulho ou tão somente para virar de lado, olhava rapidamente para aquela direção e via um vulto que descia.

  

 

Em algumas datas o formato era evidente: no Natal o Papai Noel e na Páscoa, logicamente, algo parecido com o coelho que viria depositar a tão esperada cesta com os ovos. Evidentemente que no despertar noturno, até a pupila fazer a movimentação necessária para suprir a falta de luz, aqueles fantasmas tinham o formato da minha imaginação. Assustadora na maioria das vezes, como são esses medos de dormir com a luz apagada. Poderia ser o tal “velho do saco” ou sei lá o que mais que passa por essas nossas cabeças infantis e muito criativa na época. Nem bicho papão e ninguém embaixo da cama: simplesmente um assustador vulto na escada.

  

 

Hoje, com 50 anos e ainda morando na mesma casa, agora ocupando o quarto do casal e, ao mesmo tempo, me vendo ali onde meus pais dormiam, os tais fantasmas já não me assombram quando abro os olhos durante a madrugada. Eles me aparecem quando fecho os olhos. Justo agora quando eu é quem os assustaria porque sei, conheço cada gemido do material que sustenta das paredes ao teto da casa.

  

 

É engraçado como o nosso cérebro funciona dando luz à imaginação, indiferentemente da idade. Somos tão absorvidos pelo susto que mesmo quando já temos consciência de que os vultos que eu via na infância não me levariam para um lugar desconhecido, ainda assim me surgem fantasmas.

  

 

A diferença é que agora eles se parecem muito mais reais e pertinentes com as minhas perspectivas diante da idade que tenho. São em forma de sucesso profissional que não vem na proporção como imaginei, de salário muito distante do que preciso, de relação mais racional sobre o tempo que me resta e do tanto que ainda tenho para absorver.

  

 

Pode ser do filho que se distancia porque vai seguindo o seu próprio caminho, pode ser pela minha filha que cresce e convive com uma paralisia e nunca se distanciará. Pode ser somente pelo tempo. A angustiante tarefa de ser adulto, como também é a de ser adolescente e de ser criança.

  

 

Fantasmas que hoje tem o formato desse paradigma que é a existência. Da forma como a gente imaginou que um dia seria o nosso “futuro”. Desse mesmo vulto inexistente que eu enxergava da cama do quarto e ainda teme em tentar me frear ou me direcionar ao desconhecido.

  

 

A verdade é que todos os dias quando abrimos os olhos temos tão somente duas opções a tomar: ou deixamos que eles nos levem para o buraco infinito da falta de explicação; ou criamos nós mesmos o formato que queremos que eles se transformem.

  

 

Não! Eu conheço bem a minha casa.
Aviso aos fantasmas.
Eu ainda tenho muito para lhes assustar!

  

 

Christian Müller Jung é cerimonialista, palestrante e meu irmão (não necessariamente nesta ordem)

Dez dicas para o sucesso da sua franquia (e mais uma)

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Buscando extrair da vivência de longos anos no setor de franquias como operador, franqueador e consultor, um apanhado dos aspectos mais relevantes e menos evidentes do sistema, chegamos a uma expressiva matriz. Explicitada em 10 dicas que ninguém dá de graça (e mais uma que não tem preço):

 

1.Reflexão – Se você já teve negócio próprio e quebrou, ou já ocupou alguma posição de Direção e tem bom nível de cumprimento de regras, tem as condições ideais.

 

2.Casamento de perfis – Você não tem que fazer o que gosta, mas tem que gostar do que faz.

 

3. Capacidade financeira – É preciso verificar o valor do investimento, o fluxo de caixa, o retorno, a sua necessidade mensal, para saber se possui o capital próprio. Não financie.

 

4. O Ponto Comercial – Depois da franquia em si, é o item mais importante do seu negócio. Atente para a localização e a contratação.

 

5. Concorrência – Analise os concorrentes mas considere que quanto à localização a existência de cluster pode ser positiva. Até mesmo multimarca não é ameaça, mas divulgação da marca, que você como franqueado sempre terá mais opções.

 

6. Franqueador – Procure saber os números financeiros, mercadológicos e operacionais, mas use o expediente do cliente misterioso.

 

7. Franqueados – Para conhecer é preciso desconsiderar os franqueados extremos. Os apaixonados e os indignados. Faça o cliente misterioso nas lojas.

 

8. Circular de Oferta e Contrato – Esqueça parentes, amigos e conhecidos, contrate um advogado especialista.

 

9. Decisão – A decisão tem que ser racional. Nunca por impulso.

 

10. Responsabilidade – Foque na sua responsabilidade. Não descumpra e nem extrapole. Ideias novas devem ser levadas ao franqueador. Steve Jobs seria um péssimo franqueado.

 

10+1 Perda do Ponto Comercial – Uma das causas é a não manifestação no prazo legal estabelecido no Contrato de Locação e/ou não renovação do seguro. Atente para este detalhe simples, mas causador de dissabores fatais.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: dá muito prazer assistir ao Grêmio em campo

 

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Brasileiro – Barradão-Vitória/BA

 

 

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Fernandinho, o 21 ou o 12º, fez o primeiro gol

 

 

Frio, muito frio aqui em São Paulo. Mesmo para quem tem o Rio Grande como referência. Às quatro da manhã, acordei com oito graus e lá fora o vento fazia com que a sensação térmica tornasse a coisa ainda pior. Vontade de ficar na cama.

 

Sei que você, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem nada a ver com isso, mas o dia de trabalho também não foi fácil. A linha telefônica caiu durante a entrevista mais importante, o crédito do entrevistado estava errado e o repórter que entraria ao vivo teve problemas técnicos.  

 

A colega mais próxima nos projetos que realizo na área de comunicação baixou hospital, o que por si só seria motivos de muita preocupação. O projeto agendado para amanhã, inadiável, no qual dividiríamos o palco, se transformou em duplo desafio com a ausência dela. Responsabilidade redobrada.

 

As tarefas do dia não se encaixam na agenda. É mais trabalho do que horas, mais demanda do que paciência. Parece que a gente não vai dar conta do recado. E sei que você também deve encarar coisas deste tipo.

 

Aí vem o Grêmio jogar. Descobre-se que Geromel está fora do time porque não passou bem, antes da partida. E ao ouvir o nome de Geromel me dou conta que não atualizei a escalação do meu time no CartolaFC. E, claro, ele estava escalado (Geromel sempre está escalado no Reina del Sur) assim como outros tantos que devem se ausentar na rodada deste meio de semana.  

 

A impressão é que o melhor a fazer nesta quarta-feira é dormir cedo para ver se passa logo. Só que a bola começa a rolar no Barradão e o Grêmio está em campo. Toca bola pra cá, passa um jogador pra lá, surge uma chance de gol e o dia que parecia perdido começa a ganhar cor. Tricolor.

 

Em apenas oito minutos, Fernandinho, que não é titular mas joga como tal, sai em velocidade, recebe falta, cobra falta e ….. que golaço deste jogador que carrega a camisa 21 nas costas. Se tem alguém que merece o título de décimo-segundo titular este alguém é Fernandinho. 

 

Aliás, foi o próprio Fernandinho quem participou de mais uma daquelas jogadas encantadoras proporcionadas pelo time de Renato. Se no jogo passado, o terceiro gol marcado por Everton chamou atenção dos cronistas esportivos pelo Brasil, pode colocar o segundo da partida de hoje na mesma lista.

 

Eram 43 minutos do segundo tempo quando Maicon fez passe genial e preciso para Pedro Rocha, que  recebeu a bola dentro da área, no que no passado chamávamos de ponto futuro. Rocha virou e encontrou Fernandinho que se aproximava. E ele teve tranqüilidade para dar um presente a Arthur, que marcou seu segundo gol com a camisa do Grêmio.

 

No segundo tempo até houve pressão. E era natural que isso acontecesse. Tomamos um gol, sem perder a tranquilidade. Sinal de maturidade. E foi com essa personalidade que chegamos ao ataque adversário  e sacramentamos o placar com um chute forte e colocado de Ramiro.

 

Só mesmo o Grêmio pra me deixar tranquilo nesta quarta-feira de tantos percalços. Obrigado, Renato!.

 

 

“Minha meta sempre foi vencer Wimbledon”, diz Marcelo Melo, ao Jornal da CBN

 

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Nos Estados Unidos, Marcelo Melo treina em quadra pública. Dependesse delas aqui no Brasil, não teria chegado ao título de campeão de duplas em Wimbledon. Há poucas disponíveis no país nem sempre com a estrutura necessária e muitas surgiram apenas nos últimos tempos. Verdade que se hoje ele for bater bola em uma delas, em Belo Horizonte, onde nasceu, não vai conseguir: Melo é o novo ídolo do tênis brasileiro e, provavelmente, será parado por seus fãs em busca de autógrafo, selfies e um bom papo sobre a carreira dele.

 

Hoje, no Jornal da CBN, conversei com Melo sobre esta situação do tênis brasileiro. Falamos, também, do início da carreira incentivado pela família, a relação com seu irmão Daniel, que é o treinador dele desde 2007, e o título de Wimbledon, conquistado ao lado do polonês Lukasz Kubot. A conquista de um título e de um sonho, como ele próprio descreveu a vitória, na Inglaterra.

 

Muito bom reencontrar vocês!

 

Aqui no Blog, estive ativo. Ou quase. Escrevi a Avalanche Tricolor ao fim de cada rodada em que o meu Grêmio esteve em campo. Além disso, aproveitei para publicar textos do Conte Sua História de São Paulo que, por descuido meu, ficaram em alguma gaveta digital qualquer do próprio Blog. Tinha coisa muito boa publicada na rádio, mas que não havia sido compartilhadas com você, caro e raro leitor deste espaço.

 

O Carlos Magno também me ajudou, como faz desde sempre e com muito talento, mantendo seus textos semanais, especialmente às quartas-feiras. E aproveito para agradecê-lo mais uma vez.

 

Na rádio, porém, foram duas semanas longe dos ouvintes. E, por isso, reencontrá-los foi um grande prazer nesta terça-feira fria em São Paulo e boa parte do Brasil. Para agradecer o carinho reproduzo a seguir o Moments que publique no meu perfil do Twitter:

 

Avalanche Tricolor: o susto que sempre me lembra a história de um campeão

 

Grêmio 3×1 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton faz o terceiro do Grêmio, em imagem reproduzida do canal Premier

 

 

Teimo em lembrar da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981, sempre que deparo com o adversário da tarde desse domingo. Era guri ainda, iniciando a vida universitária, e fui um dos 98.421 torcedores que contaram a história da maior lotação jamais assistida no estádio Olímpico. Fui ao jogo com meu pai e com ele tomamos um tremendo susto ao nos vermos diante daquele time do interior paulista, ainda pouco conhecido da gente, atrevido o suficiente para encarar nossa história e torcida.

 

Depois de termos vencido por 3×2 fora de casa, na primeira partida da semifinal, imaginávamos que a decisão do título estaria logo ali. Ledo engano: teríamos muito a sofrer, pois mesmo com estádio superlotado não foi nada fácil sustentar a derrota de 1×0 desde os 20 minutos do primeiro tempo.

 

Tenho nítida e em preto e branco a imagem da minha caminhada ao lado do pai, descendo as escadarias do Olímpico, ao fim do jogo. Eu parecia mais abatido do que deveria, pois estávamos na final, mas me incomodava ter chegado lá com uma derrota em casa e ainda para enfrentar o mais temido dos adversário daquele campeonato. Meu pai tentava me mostrar que o tropeço havia sido calculado e a estratégia para conquistar o título nacional inédito já estava traçada pelo parceiro de uísque dele e meu padrinho por adoção, Ênio Andrade, nosso técnico naquela campanha.

 

O pai tinha razão, como você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve muito bem lembrar: o Grêmio foi campeão.

 

Neste domingo, repassei todas aquelas cenas em conversa com a turma aqui de casa, a qual revi depois de duas semanas de férias. O papo foi antes de a partida se iniciar e cheguei a comentar que desde aquele jogo sempre vejo a Ponte Preta como um convidado inconveniente, disposto a estragar a festa. Nem sei se é o que a estatística nos prova, mas é a sensação que tenho – legado do susto que tomei em 1981.

 

Curiosamente, hoje muita gente fala que o Grêmio tem capacidade de ser campeão brasileiro novamente, mesmo que a Libertadores e a Copa do Brasil sejam prioridades na temporada, e se tenha permitido que o líder da competição abrisse distância de até 10 pontos ganhos. Essa condição impõe respeito e medo nos adversários e a maioria deles já entendeu que dentro da Arena o melhor a fazer é travar o jogo e reforçar a defesa – tipo de esquema difícil de encarar dadas as características gremistas. Não é por acaso que vamos ao Maracanã ou à Ilha do Urubu e saímos de lá com uma vitória, e ao retornarmos para casa suamos na busca do resultado.

 

A defesa bem montada, jogadores abnegados na marcação, um time disposto a parar a partida o máximo possível e um atacante perigoso fez do jogo deste domingo um desafio muito maior do que poderíamos esperar – e muito mais chato. Faltavam espaço para tocar a bola e velocidade para fugir dos marcadores. Não bastasse isso fomos traídos em uma escapada de contra-ataque e um gol contra, que serviu para reforçar o susto do passado, ainda no primeiro tempo.

 

O intervalo foi providencial e muito bem aproveitado por Renato que fez o time entender que se tentasse jogar o seu jogo, acreditasse no seu talento e tocasse a bola mais à frente do que ao lado teria chances de mudar o cenário da partida. E foi o que assistimos já nos primeiros movimentos do segundo tempo. Aos 11 minutos, Barrios fez um; aos 23, fez dois; e aos 42, Everton confirmou a vitória – no mais bonito de todos eles. Gols que dizem muito sobre o Grêmio de 2017, que aposta em talentos individuais para construir uma obra coletiva.

 

Que o susto que a Ponte nos pregou no primeiro tempo de hoje nos leve ao mesmo destino daquele de 1981.

Conte Sua História de São Paulo: do rolimã à motocicleta, conheci a cidade

 

Por Heltinho Cerqueira
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu sou capixaba. De Vitória, Espírito Santo. Cheguei em São Paulo em 1982 com apenas um ano de idade. Minha família se instalou na casa de uma tia irmã da minha mãe, no Jardim Paineiras, Zona Norte, onde segundo os antigos havia uma gigantesca paineira que morreu, mas antes deu origem ao nome do bairro.

 

Cresci por ali, era um bairro em desenvolvimento, um pouco afastado do centro. Ainda havia uma fazenda ou o resquício do que tinha sido: gado, cavalos e um casarão. De manhãzinha, o orvalho estava em todas as plantas e árvores que minha tia cultivava em uma horta onde tinha taiobas, couves, milho, abacate, …podíamos ouvir o canto de pássaros, até das incômodas arapongas. Nem se fala do rugido dos bugios. Estávamos bem ao pé da maior floresta urbana do mundo: a Serra da Cantareira. As ruas, em sua maioria de barro. Só as principais vias tinham asfalto, como a Avenida Francisco Machado da Silva, onde por volta dos meus 5 anos andei pela primeira vez em um carrinho de rolimã. De vez em quando a garotada resolvia fazer um carretão, emendando um carrinho no outro. Eu por ser muito novo tinha que ficar de fora, pois na maioria das vezes ao fim da viagem acabavam cada um pra um lado e com arranhões por parte do corpo pra contar estória.

 

O tempo passou e do rolimã fui para a bicicleta. Andava o bairro todo. Reuníamos a galera pra andar no Horto Florestal, tínhamos muita energia. Andávamos o dia todo. Foi uma juventude incrível. Aos 15 anos encontrei no mesmo bairro aquela que seria o amor da minha vida. Eu estudava na escola Estadual Elza Saraiva Monteiro e trabalhava como office boy em uma editora que ficava na Pamplona, travessa da Paulista. Anos depois fui ser motoboy. A partir deste trabalho comecei a conhecer outros lugares desta grande e fantástica cidade que havia acolhido a mim e a toda a minha família anos atrás.

 

Hoje, depois de 34 anos da minha chegada, encontro-me casado com Aline e temos um filho, lindo e paulistano, o Vinícius. Moramos agora na Freguesia do ó. Não ando mais de moto, mas ainda percorro toda a cidade, tocando minha bateria nos bares e festas. Quem sabe a gente não se encontra por aí.

Avalanche Tricolor: saúde, Grêmio!

 

 

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Brasileiro – Ilha do Urubu-RJ/RJ

 

 

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Foi no Grêmio.net que li sobre o jogo

 

 

Estratégias precisam ser bem desenhadas e o esboço se inicia com análise dos recursos que se tem em mãos, as condições que serão encontradas no seu caminho e, claro, levando em consideração o adversário. Renato fez isso com maestria, nesta noite de quinta-feira, pelo que pude entender não apenas no resultado final da partida, mas nos lances disponíveis na internet e nos textos escritos pós-jogo – especialmente o publicado no Grêmio.net.

 

 

Sim, pelo que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter percebido, não assisti ao jogo disputado no Rio de Janeiro, infelizmente. Durante todas estas férias que passo fora do Brasil, encontrei formas de aproveitar ao máximo os dias de descanso com a família, sem me desconectar do Grêmio. Assisti a jogos pelo celular, pelo computador, em aplicativos oficiais e canais nem tão oficiais assim. Agenda estrategicamente desenhada para estar com o Grêmio onde o Grêmio estivesse.

 

 

Desta vez, porém, meu plano de jogo falhou. Na véspera da primeira etapa da minha viagem de volta ao Brasil, marquei um jantar com pessoas muito queridas e acolhedoras. O único problema é que o horário do encontro coincidia com a partida do Grêmio, no Rio – fui traído pelo fuso horário. Seria deselegante desmarcar, sem contar o constrangimento que causaria. Já que minha agenda estratégica havia falhado, restava-me depositar toda a confiança na de Renato e na força do nosso time – e convenhamos, estávamos em ótimas mãos e pés.

 

 

Como bem mostrou o Grêmio, a gente precisa se adaptar as condições da partida. Não dá pra atacar? Vamos defender bem. Não dá pra dar show? Chutemos a bola pra longe. Foi o que fiz.  E da mesma maneira que  Luan foi  capaz de escapar com a bola entre as pernas de um de seus marcadores, sair da pressão de dois adversários e, mesmo espremido na área, encontrar o raro caminho do gol, também dei meus dribles nos convivas e encontrei espaço durante o jantar para conferir a tela do celular a espera dos alertas do jogo. 

 

 

começa o jogo

 

 

O primeiro deles apenas anunciou o início da partida, sem mais nada a acrescentar; o segundo, demorou para aparecer e meu consolo era que se nada surgia ao menos estávamos empatando. Foi, então, que, aos 25 minutos do primeiro tempo, quase gritei gol diante do garçom que me servia mais uma taça de vinho:

 

 

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Dali pra frente, tudo que queria, além de seguir o bom papo que levava com os companheiros de mesa é que nada mais surgisse na minha tela, pois sinalizaria que teríamos garantido os três pontos. Da taça de vinho ao prato principal, passando pela entrada e salada, nada acontecia no meu celular.

 

Quando a sobremesa estava sendo servida, chegou o aviso final e a certeza que o Grêmio seguia firme e forte no Campeonato Brasileiro, apesar dos tropeços nas três últimas rodadas.

 

 

Final

 

 

Aliás, eis aqui algo a se pensar: mesmo sem pontuar três partidas seguidas, privilegiando a Libertadores e a Copa do Brasil, jogando fora de casa e contra um dos mais fortes times do campeonato ainda assim estamos vivos na competição, e somos o vice-líder do Brasileiro.

 

 

Haja estratégia, Renato!

 

 

Pedi para servirem mais uma rodada de vinho e convidei a todos para o brinde final: agradeci a recepção que tive, a forma carinhosa como minha família foi tratada e, no silêncio do meu pensamento, a vitória do Grêmio, também.

 

 

Cheers!