Conte Sua História de São Paulo: quando escutei a primeira música dos Beatles

 

Por Reinaldo Carmo Milito

 

 

Quando nasci em maio de 1952, minha família morava no Bom Retiro, na rua José Paulino, 752. É de lá que tenho as minhas lembranças mais remotas –- uma espingardinha de rolha, presente de Natal; minha bisavó Angela; e os meus primeiros heróis, Maurício e o irmão dele de quem eu não lembro o nome — dois garotos judeus que eram nossos vizinhos.

 

Lá por 1955, mudamos para a Casa Verde, numa casa próxima à ponte sobre o Rio Tietê. Ainda não existia a Avenida Braz Leme e no local ficava o nosso campo de futebol e uma enorme área que era nosso cenário imaginário para as inúmeras batalhas com espadas de madeira, inspirados por Ivanhoé, ou de tiroteios com falsos rifles e revólveres a la Bat Masterson, Daniel Boone, ou pelo falso Zorro, que na verdade era o Cavaleiro Solitário e seu amigo Tonto!

 

Em 1962, fomos morar no centro – esquina da Avenida Rio Branco com Ipiranga. Morávamos no 12º andar do Edifício Agulhas Negras e a vista me fascinava porque até então eu só tinha visto a cidade no plano do chão!

 

Levei comigo as empolgações das brincadeiras de rua; e a lateral da banca do Adão, um ex-boxeador, era o nosso gol. É lógico que o jogo sempre terminava no 1 X 0. A primeira bolada na banca, o Adão, um negro sarado com mais de 1,80 de altura e um físico avantajado, botava medo em qualquer um, imediatamente apitava o final do jogo!

 

Meu parceiro de artes era o Edson, filho do Sr Francisco que era o zelador do prédio. Curtíamos também subir no terraço que ficava no 22º andar e de lá soltar aviõezinhos de papel para disputar qual o que chegava mais longe!

 

Fazia parte do meu mundo maravilhoso, a garagem de onde saíam as lotações para Santos – Expresso Zefir – que ficava na Avenida Ipiranga. Eu era maluco pelo Simca Chambord e era ali que eu me realizava, pois a frota era formada por Simcas e Aero Willys.

 

Um pouco mais adiante, quase na famosa esquina cantada pelo Caetano em Sampa, tinha uma loja de disco e foi onde escutei a primeira música dos Beatles. Posso dizer sem sombra de dúvidas que a minha vida mudou depois daquele dia! Todo dia eu passava lá e pedia para o rapaz: — “por favor, coloque aquela música”. A música era “I Wanna Hold Your Hand”!

 

As matinês de domingo do Cine Metro, com Festival de Tom e Jerry, o cachorro quente da Salada Record, o pudim de leite do Bar Cinelândia na esquina da São João com a Dom José de Barros, o mate gelado, o pão francês da Padaria Irradiação, os doces da Dulca e os pastéis com caldo de cana das pastelarias que ficavam em frente ao prédio onde eu morava são inesquecíveis. Sem falar da pizza brotinho da Casa Italiana, na Rua Antonio de Godoy, em frente ao Cine Boulevard.

 

Ainda não existia a Galeria do Rock porque ele, o rock, estava gatinhando! Ela era a Grande Galeria, ao lado do Cine Art Palácio. Conheci cada pedaço do centro de São Paulo e meu local preferido era a Galeria Prestes Maia por causa das escadas rolantes! O Anhangabaú era o palco para os desfiles de fanfarras e militares, nas datas comemorativas à Independência, Proclamação da República, e outros eventos cívicos. Era ali que se viam os “papa filas” e onde ficava o famoso “buraco do Ademar”.

 

Tudo me fascinava no centro. O som da sirene da Gazeta, que informava o meio-dia, o presépio do Largo Paiçandu, nos dezembros, as lojas Mesbla e Mappin e a quantidade de cinemas que existiam num raio de 200 metros da minha casa. Conheci quase todos os porteiros dos cinemas porque eu os perturbava para me deixarem entrar sem pagar o ingresso!

 

Minha família mantinha uma pequena indústria na Casa Verde e o colégio que eu estudava também ficava lá. Todo dia eu ia e voltava de bonde. Ficava eufórico quando eu vinha no bonde do “bailarino”, apelido do motorneiro mais simpático e conhecido de São Paulo. Eu vinha ao lado dele prestando atenção em tudo e perturbando-o para me deixar pisar no pino localizado no assoalho que era a buzina do bonde – “délém, délém, délém…”

 

Durante os dois anos que morei no centro tive a oportunidade de ver de perto o desfile do time campeão da Copa de 62, a passagem do presidente francês Charles De Gaulle e o movimento que levou à Revolução de 1964, dentre tantos outros eventos. Vi a São Silvestre com partida e chegada na Cásper Líbero, na virada do ano, e a construção do Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Izabel, desde o seu início até a inauguração.

 

Uma experiência ímpar vivida, dando uma ideia de certa inocência popular naquela época, eu vivi na Praça da Sé. A praça toda tomada de gente, assistindo ao jogo da seleção brasileira contra a Tchecoslováquia, pela Copa de 62, num telão enorme que simulava um campo de futebol. Ouvia-se a narração pelos alto falantes espalhados nos postes da praça e o telão mostrava a suposta localização da bola através de uma luz acesa. Aquilo era o máximo. Nunca vou esquecer o momento do gol do Brasil!

 

Enfim, eu trago vivas essas lembranças com uma felicidade imensa e ao mesmo tempo muita tristeza por ver no que se transformou o centro de São Paulo, a cidade que eu amo de paixão!

 

Apesar de ter morado só os primeiros três anos no Bom Retiro, foi lá que eu passei os melhores momentos da minha adolescência e foi durante um fórum entre amigos, ex-alunos do Colégio Alarico Silveira, que, embalado pelas lembranças que cada um trouxe, me inspirei a escrever esse poema:

AS NOSSAS “PENNY LANES”

As ruas do Bom Retiro são as nossas “Penny Lanes”,
Cada uma com seu cheiro cada uma com seu jeito
Infelizmente nada mais está como antes,
Lá nas bandas da Bandeirantes.

 

Por onde ando e para onde olho não canso de ver desgraça
Até o Luso Brasileiro foi demolido na Rua da Graça.
Muita saudade do Jardim da Luz, do bonde e da Salada Record.

 

Hoje vejo o olhar sofrido estampado em rosto latino
Dos muitos que trabalham na José Paulino.
Judeu virou coreano, grego virou chinês,
italiano virou boliviano só o pãozinho ainda é francês
apesar do português ter virado nordestino,
pois agora é do Evanilson a padaria que era do Jacinto, lá na Rua Silva Pinto.

 

Já não tem mais Cine Paris, nem a fábrica de canetas Sheaffer
Muito menos a da Ford e tampouco o Radar Tantã.
Nem a Casa Walter funciona mais ali, na Barra do Tibagi.

 

O Marechal ainda resiste ao tempo, assim como a Igreja Santo Eduardo.
A barbearia do Oswaldo ainda existe só que agora é o Belizário que faz barbas e cabelos de velhos e novos freqüentadores do bairro, ao lado do bar do “Pinga”.

 

A padaria ainda está lá na esquina só que a turma não vai mais lá
Ah, ainda é a mesma, a feira da Rua Jaraguá.
Ainda tem “Antonio Coruja”, “Javaés” e “Newton Prado”,
“Guarani”, “3 Rios” e “Mamoré”,
“General Flores”, “Anhaia e “Solon”
E também “Ribeiro de Lima”, “Prates” e “Julio Conceição”,

 

Mas se um dia a Rua dos Italianos virar Rua dos Coreanos
Juro que morro do coração!

Reinaldo Milito é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: como ser mais envolvente

 

 

“Não basta ser conhecido, busque ser envolvente” — Cecília Russo

Entender quais são as marcas mais envolventes do Brasil é um desafio que vai além da descoberta daquelas que estão na mente do consumidor. Essas que estão na memória do consumidor, muitas vezes consideradas Top of Mind, necessariamente não estão por motivos positivos. Já as envolventes são as que criam engajamento, o que pode, na maioria dos casos, reverter em vendas.

 

Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, estão à frente do estudo que identificou quais são as marcas mais envolventes em 32 categorias. O trabalho foi encomendado e publicado em caderno especial do jornal O Estado de São Paulo e foi tema do comentários deles, nesta semana, no Jornal da CBN.

 

Nessa quinta edição da pesquisa realizada pela TroianoBranding foram entrevistados 12.113 pessoas, em todo o Brasil: “quanto maior for o envolvimento com uma determinada marca, maior será a propensão dos consumidores a serem leais a elas”, destaca Troiano.

 

Algumas das marcas que lideram suas categorias permanecem no topo da lista há alguns anos e, segundo, Troiano, esta liderança é resultado do que identifica como sendo a “fábula aquática” em branfing:

“O olhar fixo na queda da água (de uma cachoeira) nos dá a nítida impressão de algo que não se move. Quando o que acontece é exatamente o oposto”.

O que Troiano quer dizer ao fazer essa analogia é que as marcas mais envolventes são aquelas que, ao longo do tempo, estão sempre em movimento, ou seja, investindo e apresentando novidades ao consumidor, que mantém funcionários convictos do que fazem e realizam análise permanente de qualidade do que é oferecido, entre outros aspectos.

 

A pesquisa completa das Marcas Mais Envolventes pode ser acessado aqui.

 

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Mílton Jung e com participação de Jaime Troiano e Cecília Russo, vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: sem confiança não tem venda, diz Ciro Bottini

 

 

“Sem confiança não tem nada. Você pode ser muito bom, um conhecedor técnico do produto, maravilhoso, se não transmitir confiança não vende, não fecha negócio. E a confiança a gente transmiti no olhar, nas palavras, no gestual, tem de transmitir confiança” —- Ciro Bottini, apresentador

Confiança nunca faltou ao comunicador Ciro Bottini. Ao menos é a ideia que se tem depois de mais de meia hora conversando com ele sobre a carreira e técnicas de vendas. Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Bottini contou curiosidades vivenciadas ao longo de 24 anos como apresentador do canal de vendas Shoptime. Atualmente, ele também realiza palestras para equipes de vendedores e outros profissionais, mesmo porque entende que todos, em algum momento, temos de saber vender alguma coisa:

“Todo mundo vende; tudo na vida é venda; e todo mundo é vendedor. Somos todos vendedores. Essa é a minha frase, lema: somos todos vendedores. Não é só o vendedor que vende, não. O engenheiro vende, o arquiteto vende, o médico vende, o contador vende. O diretor da empresa vende”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNOficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Debora Gonçalves e Izabela Ares.

O varejo brasileiro evolui e se atualiza sorrindo e vendendo

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Brasil é o quarto país do mundo em que o varejo mais sorri no atendimento e o segundo em vendas adicionais. O resultado surpreendente aparece em pesquisa realizada em 57 países com 338.871 avaliações. Em quatro anos, passamos por  uma evolução: saímos do 25º lugar para o quarto lugar no sorriso, e do 49º para o segundo na venda adicional.

 

A avaliação é feita através do “Smiling Report”, pesquisa que aplica a metodologia do cliente oculto, cujo ranking é produzido pela empresa sueca Better Business World Wide, que avalia o sorriso da equipe de vendas ao receber o cliente, o cumprimento na chegada a loja e a sugestão de venda adicional — aquela que não estava programada.

 

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No Brasil, a pesquisa foi entregue a SKS CX Consultancy, cuja CEO, Stella Kochen Suskind, personagem de nosso artigo anterior, registra que os bons resultados obtidos em sorriso e venda adicional têm a ver com o dinâmico ano de 2018 que vivenciamos. Um período de eleições presidenciais, movimentos de rua e evolução de outros canais de venda, que deram um maior empoderamento aos consumidores e fizeram os lojistas entregar mais que um bom produto com preço adequado.

 

O sorriso, interpreta Stella, veio com mais naturalidade dada a nossa cultura; e a venda adicional certamente evoluiu em função de melhor técnica de vendas, obtida através de treinamento da equipe.

 

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O cumprimento, o outro item pesquisado, também evoluiu de 44º lugar para 17º lugar, mas não acompanhou a melhora acentuada dos outros dois fatores — ocasionado pela desatenção na entrada do cliente na loja, onde a equipe de vendas permanece atenta a celulares e conversas paralelas.

 

 

Stella ressalta que ainda há lojas cujo atendimento pergunta “ Posso ajudar? ”, e como se sabe a resposta é sempre “ Não, obrigado, estou só olhando”. A nosso ver, essa pergunta é o pecado mortal do atendimento. Se ouvir algo semelhante o consumidor pode estar certo que diante dele está alguém que nunca teve treinamento de vendas.

 

Em contrapartida, a venda adicional apresentou a maior evolução e é o fator que afeta diretamente o resultado da operação, pois é onde a ação profissional da venda pode chegar à excelência na satisfação do cliente e no resultado da loja.

 

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Diante deste cenário perguntei à Stella qual a tendência que vê para o sucesso futuro do varejo:

“Tendência é o atendimento simpático sem ser forçado! Nada de ‘oi bom dia, meu nome é Ana e o seu? O dia lá fora está bonito?’. Isso já era!”

Ou seja, precisamos aprender a técnica para usá-la sem denunciá-la.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: um Dia dos Namorados muito especial para mim

 

Botafogo 0x1 Grêmio
Brasileiro — Estádio Nilton Santos/RJ

 

Gremio x Botafogo

Jean Pyerre comemora em cena flagrada por LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O 12 de junho é dos namorados. Data criada pelo comércio, em 1949, que contaminou os corações e mexeu com as emoções. São tantos os estímulos — dos anúncios, dos colegas, dos amigos e dos amantes —- que nenhum casal se atreve a passar o dia em branco. Eu, por exemplo, passei em azul, preto e branco.

 

Um post no Instagram, um WhatsApp logo cedo, uma lembrança comprada na loja da esquina, um beijo intenso antes de levantar da cama ou uma música oferecida no rádio —- e meus ouvintes se esbaldaram em sugestões durante todo o programa que apresentei na CBN. Vale todo o artifício para revelar o seu amor. Há os que preparam surpresas, enchem a casa de rosas, escrevem cartas melosas ou servem um jantar inesquecível.

 

O dilema é que tudo isso tinha de ser feito em uma noite na qual os clubes brasileiros se despendiam por um tempo de seus torcedores. A bola só voltará a rolar no Campeonato Brasileiro na metade do mês de julho, devido a parada para a Copa América. Imagine a saudade que vão nos deixar, especialmente quando assistimos ao nosso time iniciando a prometida decolagem como é o caso do Grêmio.

 

Sei que muita gente torce o nariz para essa prioridade que os apaixonados dedicam ao futebol. Deve ter quem nos condene por gostarmos tanto de um time, por sofrermos diante das derrotas, por nos descabelarmos com o chute mal dado ou por chorarmos na inacreditável conquista. Coisa ridícula! — é o que ouço da consciência enrustida dessa turma.

 

Pensem o que quiserem. O que importa é que nossas amantes — e os amantes, também — entendem esse sentimento. Sabem que não desdenhamos da companhia, do carinho e da troca de carícia deles e delas. Nosso coração tem espaço para as diversas paixões que nos movem, desde o time de futebol que aprendemos a amar quando ainda éramos pequenos até a pessoa que escolhemos para dividir angústias, sonhos e amenidades em algum momento qualquer da vida.

 

É nesse entender que uma relação se constrói. Por isso, a noite desta quarta-feira deixou de ser um dilema para se transformar em mais uma prova de amor nesse relacionamento que já preservamos por 27 anos. Adaptamos nosso dia, curtimos nosso almoço, trocamos juras de amor durante a tarde, jantamos no intervalo do jogo e compartilhamos o presente mais incrível que eu poderia ter ganhado em um Dia dos Namorados: a camisa autografada por Geromel.

 

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A camisa de Geromel entregue pelo mano Ricardo

 

Sou fã de carteirinha do nosso zagueiro. Não bastasse o que ele representa para o Grêmio, ainda demonstra a todo momento o quão gente boa consegue ser na vida. Conheci a mãe dele na felicidade de um gol, na semifinal do Mundial de Clubes em Abu Dabhi, há dois anos — história que acredito já ter contado para você nesta Avalanche.

 

Hoje, recebi o irmão de Geromel, Ricardo, para entrevista em programa sobre negócios, carreiras e empreendedorismo que apresento na CBN. Assim que chegou, replicando o sorriso do mano, me entregou a nova camisa tricolor com a mensagem grafada em tinta: “Ao Amigo Milton Jung, Geromel”.

 

Sim, isso mesmo. O melhor presente que poderia ganhar neste Dia dos Namorados tem a marca de uma das minhas mais fortes paixões: o Grêmio. E chegou até mim pelas mãos de um cara que recém conheci, mas que há muito sabe dos meus amores.

 

O mais legal é que ela — o amor com quem compartilho, sem vergonha, minhas paixões —- sabe muito bem o quanto isso é importante para mim. E não me julga por isso. Me adora assim mesmo. É capaz de me endereçar um sorriso ao me ver vibrar sozinho na sala diante da televisão pelo golaço que Jean Pyerre, esse gênio com futebol e sobrenome de craque (leia a Avalanche anterior se ficou curioso), marcou na vitória desta noite — outro  presente a todos aqueles que adoram torcer pelo Grêmio, como eu.

 

Por seu gol, obrigado Jean Pyerre!

 

Por sua dedicatória, obrigado Geromel! 

 

Por sua compreensão, obrigado Abigail!

 

Vocês fizeram este Dia dos Namorados ainda mais especial para mim.

Adote um Vereador: na mesa do bar, um pouco de nossa história e lembranças

 

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Neste sábado, Adote de encontrou no Pateo

 

O sábado era de encontro do Adote um Vereador, em São Paulo. Desta vez, compromissos familiares me impediram de estar com a turma que se prontificou a aparecer no Pateo do Collegio, centro de São Paulo, mesmo com o frio de uma tarde de outono —- que costuma ser mais intenso lá no alto onde os jesuítas ergueram a primeira construção da cidade para abrigar os missionários. Foram para lá sabendo que havia muita conversa para colocar em dia. Claro que me refiro aos voluntários do Adote e não aos jesuítas — esses tinham outra missão quando chegaram por essas bandas, em 1554.

 

Apesar de não faltar assunto,  pouco soube do que foi discutido entre eles. Só recebi uma foto em que mostrava parte da turma brindando com copos servidos pela cerveja artesanal criada pela Bier & Wein, que homenageia a cidade e sua história. No rótulo da Paulistânia, nem poderia ser diferente, o Pateo do Collegio era o destaque. Da mesma marca, encontram-se lembranças do Ipiranga, Marco zero, Trem das Onze, Viaduto do Chá, Largo Do Café, entre outras. Longe de mim reservar esse espaço para falar de cerveja, mas foi o que eu vi na mesa, além das já tradicionais xícaras de cafés que nos acompanham todo segundo sábado do mês.

 

Aliás, se tem coisa que é tradicional são esses encontros. Creio que já contei a você, caro e raro leitor deste Blog, que eles começaram no primeiro ano do Adote, em 2008. Se você já sabia disso, perdão por repetir a história. Se a repito é porque acredito ser pertinente para a sequência do texto.

 

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Em 2010, no Centro Cultura, fomos visitados pelo agora deputado Marcelo Ramos (de camisa listrada)

 

Antes de escolhermos o Pateo, costumávamos nos ver no bar do Centro Cultural São Paulo, na avenida Vergueiro. Local sempre cheio, com centenas de pessoas que se encontravam para as mais diversas atividades. Era tanta gente que para o pessoal saber onde estava o Adote, havia quem levasse uma placa indicativa. Isso não impediu que recebêssemos todo tipo de visita, mesmo porque naquela época ainda havia muita curiosidade sobre o trabalho que realizávamos.

 

Acho que sequer nós tínhamos ideia sobre o que seríamos a partir daquele momento. Por isso, nos surpreendíamos com a presença de alguns visitantes. Uns chegavam até lá para ver se emplacavam suas ideias. Outros queriam ajudar. Muitos ficaram pelo caminho. Poucos resistiram até agora.

 

Por curiosidade e lembrança de Alecir Macedo, soldado desde nossas primeiras batalhas, vale registrar a presença de uma figura que atualmente é personagem de importante debate nacional. Em 20 de novembro de 2010, fomos encontrados em meio as mesas lotadas do Centro Cultural por um vereador de Manaus, que estava de passagem pela cidade. Ele queria entender o que pensávamos e qual a ideia que tínhamos do trabalho de um vereador.

 

Hoje não sou capaz de lembrar quais dicas que passamos e quais mensagens que ele nos deixou, mas a foto não deixa dúvidas: o papo foi bom. Quem estava conosco era o atual presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado federal Marcelo Ramos, do PR. Na época era vereador e acabara de ser eleito deputado estadual e estava de transição do PCdoB para o PSB. Ramos hoje tem em mãos a difícil tarefa de coordenar as discussões na comissão que receberá, nesta semana, o relatório da reforma que é considerada essencial para o futuro do Brasil.

 

Tenho dúvidas se nosso trabalho atualmente teria o reconhecimento de outras figuras políticas. Talvez seja um tema para discutirmos nos próximos encontros que espero ter condições de participar. Nem que seja para brindar com uma cerveja que presta homenagem à nossa cidade.

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre tem futebol e sobrenome de craque

 

Grêmio 1×0 Fortaleza
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Fortaleza

O talento de Jean Pyerre em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Recorri ao VAR aqui de casa para entender a dimensão da jogada de Jean Pyerre que nos levou a marcar o único e decisivo gol da partida desse sábado à noite. Como já tínhamos 44 do segundo tempo e apenas mais alguns minutos de acréscimo, no momento em que Pepê desviava a bola para rede eu já não conseguia prestar atenção em mais nada do que acontecia no gramado do Centenário —- sim, tivemos de jogar lá em Caxias do Sul, onde o frio é mais frio e a chuva, mais gelada, porque a Arena está reservada à Copa América.

 

Naquele momento, só me passava pela cabeça o risco de ficarmos mais um jogo sem vitória, mesmo tento atacado muito e mantido a bola sob nosso domínio por muito mais tempo do que o adversário; imaginava o constrangimento de mais uma segunda-feira de trabalho dando explicações dos motivos que nos faziam ocupar o Z4; e, pior ainda, saber que estaríamos alimentando por mais tempo os teóricos da conspiração durante toda a parada para a Copa América.

 

Foi, então, que de repetente vi Jean Pyerre metendo a bola pelo meio da área para encontrar lá do outro lado Pepê, que com um chute cruzado fez o gol da vitória. Demorei para comemorar. Queria ter certeza de que a bola seguiria o seu destino. E a impressão que tive é que ela demorou para se decidir, também: entro ou não entro? Entrou.

 

Na comemoração já tinha ideia da beleza do lance, mas, como disse, a visão estava embasada pela tensão do empate que se realizava em mais uma partida em casa, ou melhor, em que tínhamos o mando de campo. Por isso, antes de começar a escrever esta Avalanche fiz questão de ver e rever o lance na tela do computador. Vi em velocidade normal, revi em câmera lenta, congelei a cena e repeti tudo de novo por mais algumas vezes.

 

Meu VAR ajudou-me a entender como tudo se iniciou e como o futebol nos reserva surpresas. Sabe-se que Jean Pyerre tem talento superior a média, mas muitos o consideram lento de mais nas jogadas. Há os que reclamam da dificuldade dele em desarmar o adversário. E os que entendem que lhe falta fôlego para aguentar o tranco dos jogos mais duros, por isso acaba sendo substituído ao longo do segundo tempo.

 

Eis que já tínhamos um jogo inteiro em disputa, com desgaste de lado a lado, e foi exatamente Jean Pyerre quem apareceu para desarmar a tentativa de ataque do adversário. Interceptou a jogada no meio de campo e olhou para frente em busca de um companheiro. Percebendo o espaço que a marcação lhe oferecia, deu velocidade ao ataque com quatro passadas longas e domínio preciso da bola. Qualquer jogador comum não teria encontrado outra solução senão arriscar o chute.

 

Jean Pyerre está distante de ser um jogador comum. Tem talento, tem elegância e não tem medo de criar. Não bastasse ter sobrenome de craque: é Casagrande. 

 

Com a confiança que lhe é peculiar, o nosso meio-campista enfiou a bola rasteira entre quatro jogadores adversários. Fez a bola cruzar em diagonal e fora do alcance deles. Colocou-a no que no passado chamávamos de “ponto futuro”, onde haveria de aparecer Pepê, que fez a leitura certa da jogada de seu companheiro, correu por trás dos zagueiros, se antecipou a marcação e encontrou força suficiente para marcar o gol.

 

Um golaço que revela quantos talentos — como Jean Pyerre e Pepê — ainda temos sendo forjados para as novas conquistas e para substituir aqueles que por obra do destino se vão embora. E que nos garantiu três pontos importantes para nos dar ânimo para o período de preparação que teremos pela frente, assim que cumprirmos o compromisso desse meio de semana pelo Brasileiro.

Conte Sua História de São Paulo: o colono que superou um encontro vocálico

 

Por Vera Lucia Crepaldi Selma
Ouvinte da CBN

 

 

Bisneto de imigrantes italianos, Luiz nasceu na cidade de Ibitinga., interior de São Paulo. Filho mais velho de Guerino Crepaldi e Domingas Buchi, tinha um irmão, José. A família trabalhava como colonos numa fazenda na região de Marília — colonos era a denominação que se dava ao trabalhador que cuidava da lavoura para o dono da fazenda, morando ali mesmo, numa casa oferecida pelo proprietário.

 

“Não tinha dinheiro, mas comida nunca faltava” — era o que Luiz sempre falava. Verduras, frutas, legumes e aquela carne de porco que ficava envolta na banha, uma vez que não havia refrigeração. Era uma fartura. Ele e o irmão tocavam e cantavam. Luiz tocava gaita e cavaquinho. José tocava violão. Juntos tocavam e divertiam os amigos em Ibitinga.

 

Mas, aos 16 anos, uma grave doença acometeu o pai Guerino e a família veio para São Paulo na busca de uma cura. Apesar da via sacra para tentar salvar o pai, os esforços foram em vão e, em pouco tempo, o Seu Guerino morreu.

 

Sem estudo — Luiz nunca havia frequentado uma sala de aula —, sem trabalho e morando num cortiço na Vila Maria, com a mãe e o irmão, a vida se apresentou bastante dura para esse jovem recém-chegado. Até o banheiro era compartilhado com várias famílias. Apesar de nunca ter frequentado uma escola, ele sabia ler, sim. Aprendeu na fazenda mesmo.

 

Luiz foi corajoso e audacioso e se matriculou num curso técnico em Contabilidade. Arrumou um emprego de auxiliar em uma loja e à noite passou a frequentar as aulas Muitas vezes sem comer, enfrentava todas as dificuldades de quem nunca tinha entrado numa sala de aula. A vontade de desistir o acometeu, principalmente quando era a bola da vez na “chamada oral”.

 

Inesquecível a sua narrativa sobre o dia em que o professor de português pediu para que ele se levantasse e respondesse:

 

— Luiz, o que é um encontro vocálico ? Ele nunca tinha ouvido falar.
— Bem, professor, um encontro vocálico é um encontro vocálico.

 

Diante das risadas dos colegas e da expressão atônita do professor, que ainda emendou um “estão vendo? Nunca se esqueçam dessa brilhante definição!”, aquele foi mais um dia em que Luiz pegou suas coisas, saiu da sala e jurou que nunca mais voltaria. Entretanto, foi convencido por outro professor que o interpelou por perceber a sua fisionomia transtornada.

 

Luiz resolveu tentar mais uma vez depois da promessa do professor, que se tornou inesquecível para ele, de que conversaria com alguns colegas para que o auxiliassem com as dificuldades que ele tivesse na escola. E assim foi… aos trancos e barrancos, Luiz conseguiu o seu diploma de Técnico em Contabilidade, que garantiu a sua sobrevivência e de toda a família.

 

Luiz casou, reformou a casa da sua sogra para que pudesse nela morar junto com sua esposa e ainda construiu uma casa para sua mãe e outras duas que lhe garantiram uma renda extra pelo resto de sua vida. Teve três filhos.

 

Apesar de nunca ter estudado o primeiro grau, formou os três filhos. Meu irmão engenheiro, formado pela USP de São Carlos, hoje trabalhando e vivendo nos Estados Unidos. Eu, arquiteta, formada pela FAU/USP, hoje aposentada e trabalhando na empresa de meu marido. Minha irmã caçula cirurgiã dentista, formada pela Camilo/Castelo Branco

 

Essa é a minha história de São Paulo. A história do meu pai, que morreu em 2004, aos 79 anos; que veio de Ibitinga e foi acolhido pela cidade; que mudou a sua vida, uma vida que lhe deu todos esses presentes, como ele mesmo dizia.

 

Vera Lucia Crepaldi Selma é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Luciano Salamacha diz que as pessoas subestimam o que podem fazer

 

 

“Muitas vezes as pessoas passam a acreditar menos em si mesma diante de uma situação que elas mesmas criam e que quando acordam, quando ressignificam, quando dão um outro significado para aquela mesma situação percebem que estavam se boicotando, que estavam muitas vezes subestimando o que podem fazer” —- Luciano Salamacha, consultor de empresa

As pessoas são seduzidas por problemas a todo instante no ambiente de trabalho, mas a intensidade desses problemas pode ser reduzida consideravelmente desde que o profissional atue de forma planejada e mantenha um nível mental otimista. A constatação é do consultor de empresas Luciano Salamacha, professor da FGV e fundador da Escola do Pensar na ESIC, instituição focada em comportamento humano e gestão.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Salamacha falou fez recomendação às pessoas dispostas a empreender:

“O empreendedor sempre terá o direito e até mesmo o dever de ir contra a regra vigente. Um plano de negócio é uma tentativa de diminuir a margem de erro ou potencializar a margem de acerto, mas vai ter sempre aquela expressão lá do intimo da pessoa em dizer eu vou encarar, porque risco é subjetivo”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Débora Gonçalves e Izabela Ares.

Butique brasileira para o bom atendimento é destaque na Europa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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A SKS CX Customer Experience Consultancy, empresa que foi pioneira como fornecedora de Cliente Oculto no Brasil e resolveu recentemente reformular o seu modelo, tornando-o sob medida, comoditizado, a partir de agora é “Elite Member MSPA” — prêmio concedido pela MSPA Europe/África.

 

A MSPA — Mystery Shopping Providers Association é uma entidade global que representa 450 empresas associadas de Cliente Oculto, cujo objetivo é apoiar e influenciar toda a experiência do cliente por meio de educação, pesquisa, rede e métricas.

 

Vários atributos foram destacados pela MSPA Europe/África para conceder o prêmio a SKS, entre eles o “alto índice de satisfação dos serviços prestados de Fornecedor de Cliente Oculto”.

 

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Mediante este sucesso, fomos à fundadora e CEO da SKS, Stella Kochen Suskind, e perguntamos como assimilar e usufruir esse prêmio diante do desafio da incompatibilidade entre o reconhecimento qualitativo recebido e o pequeno tamanho do mercado nacional para o Cliente Oculto.

 

Stella confirma o “gap” entre a liderança qualitativa da sua empresa e a defasagem quantitativa da demanda nacional, mas aposta na criatividade e inovação para se impor à cultura existente, que não enxerga o mau atendimento vigente.

 

Ao detectar a descontinuidade a que as empresas submetem o trabalho do Cliente Oculto e o modo desconectado que usam na contratação das demais pesquisas correlatas, Suskind está apostando em um novo produto que poderá revolucionar todo o sistema de comunicação e avaliação do comportamento do cliente e da empresa.

 

Nessa visão, à pesquisa do Cliente Oculto poderão ser agregadas e inter-relacionadas as seguintes linhas:

NPS Net Promoter Score — que mede a satisfação do cliente a partir da pergunta “de uma escala de 0 a 10 quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a outra pessoa?”. De 0 a 6 ficam os Detratores, de 7 a 8 os Neutros e de 9 a 10 os Promotores. O escore é estabelecido diante do cálculo do percentual de Promotores e Detratores da sua marca que é aplicado na fórmula P – D/Número de respondentes

 

UX User Experience, satisfação de uso

 

CX Customer o Experience, satisfação de clientes

 

VOE Voice of Employes, voz dos empregados

 

VOC Voice of Customer, voz do consumidor — com o resultado de todos os canais

 

Brand Tracking, que é o seguimento da marca para identificar a visibilidade e o prestígio.

A constatação do mau atendimento não é difícil. Com um pouco de sorte ou azar, conforme o caso, basta visitar os canais de venda existentes por este Brasil afora. A emoção virá. Talvez não tanto quanto aquelas vivenciadas pela Stella Suskind.

 

Após receber com a devida emoção seu Prêmio, na Croácia, fez escala no aeroporto de Frankfurt. Na revista eletrônica ao soar o apito, teve que mostrar o troféu de Elite Member. Os cinco fiscais atentos indagaram do que se tratava. Ao saberem que Stella Suskind havia ganhado um prêmio de qualidade, não tiveram dúvida: APLAUDIRAM!

 

Eis aí um bom atendimento.

 

EMOCIONANTE!

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung