Eu já sei!

Dra. Nina Ferreira

@ninaferreira.psiquiatra

Imagem de @anapaula_feriani por Pixabay

Nossa mente é uma estrutura interessante. Gosta muito de pensar, falar, falar, falar … Volta para o passado, vai para o futuro, pula para fora da gente, vem para dentro e fica ruminando, elocubrando, criando hipóteses e ideias.

Ela também parece muito dona de si:  “Fulano não gosta de mim”; “Que absurdo o que aquela pessoa fez”; “Tenho certeza de que não vou conseguir”; “Não tenho sorte na vida”; “A humanidade está perdida”. Veja só como acredita que já sabe muitas coisas, várias “verdades”.

Então, nós pegamos nossa mente “muito sábia” e saímos por aí. Já adivinhamos o que as pessoas pensam sobre nós e quais são as intenções escondidas delas. Também prevemos nosso futuro e concluímos que há coisas que nem vale a pena tentar, porque não darão certo mesmo. E conhecemos várias regras sobre a vida, a sociedade, a política, a economia, o comportamento humano…

Não temos mais o que aprender. Não precisamos observar o que está acontecendo para entender, de fato, quais informações devemos considerar ao formar nossas ideias e opiniões. Bloqueamos conceitos novos acontecimentos diferentes do que esperávamos, simplesmente porque nossa mente já sabe tudo. Afinal, por que gastar tempo e energia com isso?

É uma questão de economia. É isso que o cérebro faz. Ele quer trabalhar o mínimo possível, então deixa nossa mente bem rígida e fechada: “Não precisamos de mais nada. Já sabemos.” Percebeu a armadilha?

Caímos nesse buraco do isolamento, da ignorância, da pequenez. Embora possamos  expandir conhecimentos, estratégias, planos e possibilidade, não o fazemos. Preferimos  “sentar na nossa verdade” e permanecer ali, restritos.

E se trocássemos o “Eu já sei!” pelo “Me fale mais…”? E se trocássemos o buraco pela abertura, pela curiosidade e pela expansão?

Pense comigo: para que ficar preso se é possível voar?

Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Dez Por Cento Mais: Daniela Dib mostra como transformar o banho em um ritual de autocuidado

“Esteja aberta para você mesma. Você pode se surpreender.”

Um gesto que costuma durar poucos minutos e ser tratado apenas como parte da rotina pode se transformar em um momento de pausa, presença e cuidado consigo. Essa é a proposta da empreendedora Daniela Dib, que criou uma linha de produtos inspirada em experiências vividas em viagens e em uma necessidade pessoal de hidratação da pele. 

Em entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, Daniella contou que a ideia nasceu de uma dificuldade que a acompanhava desde a adolescência. Com a pele muito ressecada, ela buscava alternativas que oferecessem mais do que hidratação. A inspiração surgiu de forma inesperada. “O projeto se formou todo nessa primeira fungada, literalmente, de um produto presente”, contou, ao lembrar o momento em que experimentou um óleo recebido de presente da irmã.

Do comércio às experiências sensoriais

Formada em Comunicação Social, Daniela construiu a carreira na empresa da família, tradicional comerciante da Rua 25 de Março, em São Paulo. Participou da implantação do comércio eletrônico ainda no início dos anos 2000 e afirma que o contato diário com consumidores foi uma escola para compreender as pessoas.

Segundo ela, o novo negócio não surgiu para substituir sua trajetória anterior, mas para ampliá-la. A marca nasceu da combinação entre uma necessidade pessoal, lembranças de viagens ao Oriente Médio e o desejo de oferecer uma experiência de autocuidado dentro de casa.

“O banho virou uma rotina corrida, obrigatória, de higiene. Acho que a gente pode fazer muito mais pelo nosso prazer, pela nossa pele”, afirmou.

A proposta é transformar um hábito cotidiano em um momento de desaceleração. “Essa pausa que já acontece na rotina diária pode ser melhor aproveitada para si mesmo, para o seu corpo, para sua alma”, disse.

Um projeto construído a partir da própria necessidade

Daniela explica que o desenvolvimento dos produtos levou quase três anos. O maior desafio foi criar uma fragrância capaz de despertar memórias e transportar a pessoa para outras experiências.

“Eu não queria só um cheiro bom. Queria um cheiro que te transportasse, que te viajasse no tempo, no espaço, em si mesma”, relatou.

A linha foi desenvolvida com fórmulas de alta concentração de ingredientes de origem natural, tendo como base óleos vegetais como palmiste, argão, abacate e semente de romã. A escolha, segundo ela, buscou unir hidratação intensa, perfumação duradoura e menor impacto ambiental.

Reinvenção depois dos 50

O projeto começou quando Daniela já tinha mais de 50 anos, continuava trabalhando na empresa da família e conciliava a rotina profissional com a maternidade.

Ela afirma que não precisou abandonar a carreira construída ao longo de décadas para iniciar um novo empreendimento. Ao contrário, procurou somar experiências.

“Ter me permitido realizar um sonho meu foi um prazer enorme. Foi puxado, mas foi uma delícia”, resumiu.

Ao refletir sobre esse período da vida, ela reconhece que passou muitos anos deixando suas próprias necessidades em segundo plano.

“Já me vejo melhor posicionada na minha própria agenda. Não estou mais no fim da minha lista”, afirmou.

No encerramento da entrevista, Daniela deixou uma mensagem para quem pensa em começar um novo projeto ou experimentar novos caminhos.

“Eu nunca planejei nada do que aconteceu. Não feche nenhuma porta para você mesma. Você pode se surpreender.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

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Cidadania mutilada: o desencontro entre o corpo envelhecido e a cidade contemporânea

Por Ciro Férrer Herbster Albuquerque

Foto: Georgy Druzhinin

A experiência cotidiana da pessoa idosa na cidade revela que o exercício da cidadania ultrapassa a garantia formal de direitos e depende, sobretudo, das condições concretas de apropriação do espaço urbano. 

Nessa perspectiva, a noção de cidadania mutilada, desenvolvida por Milton Santos, evidencia que parcela significativa da população não vivencia plenamente os direitos assegurados pela legislação, em razão das desigualdades produzidas pela organização do território. 

A cidade, longe de constituir um espaço neutro, expressa relações de poder que distribuem oportunidades, recursos e barreiras de maneira desigual, condicionando as possibilidades de inserção social de seus habitantes.

No envelhecimento, essas limitações tornam-se ainda mais evidentes.As transformações fisiológicas, sensoriais e cognitivas próprias dessa etapa da vida ampliam a dependência em relação às características do ambiente construído. 

A população idosa, que em 2025 representava 16,6% do total de brasileiros, estabelece uma relação distinta com a cidade, exigindo maior previsibilidade espacial, segurança, acessibilidade e conforto para realizar as atividades do dia a dia com autonomia. Quando esses requisitos não são atendidos, o ambiente urbano deixa de promover inclusão e passa a atuar como um agente de exclusão.

Essa realidade manifesta-se em ações aparentemente simples, como caminhar até uma padaria, uma farmácia ou uma praça. Calçadas irregulares, percursos interrompidos, obstáculos físicos, travessias inseguras, iluminação insuficiente, mobiliário inadequado e a ausência de locais para descanso transformam deslocamentos curtos em experiências marcadas pelo esforço físico, pela insegurança e pelo medo de quedas.

O espaço que deveria favorecer o encontro, a convivência e a vida cotidiana, converte-se em um ambiente de constante negociação entre as capacidades individuais e as barreiras impostas pela cidade.

O transporte coletivo amplia essa condição de vulnerabilidade. Longas distâncias até os pontos de embarque, veículos superlotados, intervalos prolongados, dificuldade para subir e descer nos ônibus, falta de assentos disponíveis e viagens desconfortáveis comprometem não apenas a mobilidade, mas também a saúde física e emocional da população idosa. O tempo excessivo dedicado aos deslocamentos reduz as oportunidades de participação social, limita o acesso à cultura e ao lazer e dificulta a manutenção de vínculos comunitários.  Nesse contexto, o direito à cidade deixa de ser apenas uma questão de circulação e passa a significar a possibilidade concreta de permanecer, usufruir e participar da vida coletiva.

Sob essa perspectiva, a cidadania mutilada não decorre exclusivamente da ausência de direitos formais, mas da incapacidade da cidade de proporcionar condições efetivas para seu exercício. O ambiente urbano atua como mediador entre o indivíduo e suas possibilidades de participação social, podendo ampliar ou restringir autonomia, capacidades e bem-estar. A distribuição desigual da infraestrutura, dos serviços públicos e das oportunidades produz diferentes experiências de envelhecimento, determinadas não apenas pelas características biológicas de cada pessoa, mas também pelas relações de poder materializadas no território.

No caso da pessoa idosa, a experiência corporal evidencia essas assimetrias de forma particularmente intensa. O corpo envelhecido torna perceptíveis obstáculos frequentemente invisíveis para outros grupos populacionais, revelando que acessibilidade, segurança, proximidade dos serviços, qualidade dos espaços públicos e mobilidade representam condições indispensáveis para o exercício da cidadania. 

Promover cidades mais inclusivas significa, portanto, superar a cidadania mutilada por meio de uma organização territorial que reconheça a diversidade das capacidades humanas e assegure que o direito à cidade possa ser efetivamente vivenciado ao longo de todo o curso da vida.

Ciro Férrer Herbster Albuquerque é mestre em Arquitetura, Urbanismo e Design pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e coordenador da Comissão de Normatização, Fiscalização e Cadastro no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa em Fortaleza, Ceará. Escreve a convite do Blogo do Mílton Jung.

Avalanche na Copa: o torcedor do TikTok descobriu onde o futebol é decidido

Brasil 1×2 Noruega

Copa do Mundo – Nova York/Nova Jersey  EUA

Gol de Haaland
A foto que não estava na minha rede social

A semana inteira minhas redes sociais insistiam em reproduzir um clipe com cenas de Gabriel Magalhães e Haaland se digladiando nos campos do futebol inglês. O zagueiro brasileiro se agarrava no grandalhão norueguês. Os dois caíam no chão, trocavam sopapos e se empurravam mutuamente. Eram imagens extraídas dos diversos confrontos entre eles na Inglaterra. Na batalha travada no TikTok, o Brasil parecia vencer, a despeito da fama do atacante viking.

As redes sociais oferecem boas edições e, com elas, a ilusão da perfeição. A moça tem o corpo ideal. O abdômen marcado do rapaz é fruto apenas de disciplina. As viagens nunca têm perrengues. Os pratos servidos à mesa são sempre irresistíveis.

O futebol pautado pelo algoritmo segue a mesma lógica. Também é uma ilusão. Assim como a nossa vida, o jogo é às veras. Não cabe em um clipe de poucos segundos. O resultado se constrói com organização, eficiência, talento colocado a serviço da equipe e bola rede de nylon, não na digital.

Na partida de hoje, Haaland subiu sozinho dentro da área brasileira para marcar de cabeça o primeiro gol. Ninguém estava agarrado no norueguês para, ao menos, dificultar sua subida, como eu havia visto tantas vezes na tela do celular. Em seguida, recebeu um passe na entrada da área e chutou fora do alcance do nosso goleiro. E a imagem da televisão revelava a distância fatal entre ele e seus marcadores — uma distância que não existia no meu Instagram.

Os dribles de Vini Jr, as escapadas de Endrick, as tentativas de Rayan e as firulas de Neymar talvez fizessem sucesso diante de milhões de seguidores. Nas redes, não é preciso mostrar a conclusão da jogada. Basta o risco na grama desenhado pelo pé do craque, o movimento em direção ao gol ou um passe de três dedos. Na vida real, a bola saiu pela linha de fundo, o chute desviou para fora e o drible se acabou nele mesmo. 

O pênalti cobrado com perfeição por Neymar provavelmente fará partedo vídeo de despedida do atacante — que espero seja em breve. Ele corre, ginga, deixa o goleiro sem ação. Uma imagem bonita embora fugaz. Nas redes basta o instante. O restante desaparece.

Alguém mais antenado lembrará que aquele gol foi apenas o último suspiro de uma seleção que vive do passado, sustentada por uma fama que já não intimida os adversários.  A Noruega nos eliminou das oitavas-de-final com a tranquilidade de quem acreditava na própria força e conhecia as fragilidades brasileiras. Quem disse isso talvez seja chamado de pessimista ou antipatriótico. Sim, porque até a camisa canarinho que simbolizava aquele futebol campeão foi politicamente desvirtuada.

O Brasil cai pela sexta vez Copa do Mundo consecutiva antes da final. É a pior campanha desde 1990 quando fomos elimiandos pela Argentina na mesma fase da competição. Antes do apito final, as redes sociais eram tomadas por pedidos de demissão, caça aos culpados e diagnósticos definitivos.

O problema é que nenhuma dessas manifestações mudará os rumos da CBF nem devolverá identidade ao futebol brasileiro.

Passamos a semana olhando para uma rede que nos fazia acreditar na vitória. Bastaram 90 minutos para outra rede — a de naylon — nos lembrar onde o futebol continua sendo decidido. O algoritmo pode fabricar favoritos, heróis e lances inesquecíveis. As partidas, porme, continuam sendo vencidas por quem marca melhor, ocupa os espaços, joga coletivamente e transforma talento em resultado.

A rede social distribui ilusões. A rede do gol distribui vitórias e derrotas.

Daqui para frente, menos algoritmo, mais futebol, Brasil!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que cliques não bastam para construir uma marca forte

redes sociais
Foto de Tracy Le Blanc on Pexels.com

Estar entre os primeiros resultados de uma busca ou reunir milhares de curtidas pode gerar vendas, mas não garante que uma marca tenha conquistado um lugar na preferência do consumidor. O alerta em relação a obsessão pelaperformance nas plataformas digitais foi tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O ponto de partida da conversa foi uma pergunta típica dos tempos atuais: o que acontece quando empresas passam a perseguir apenas indicadores de desempenho e deixam em segundo plano a construção de valor da marca? 

Para Jaime Troiano, esse comportamento revela uma distorção provocada pela busca incessante por resultados imediatos. “Vivemos a tirania da performance”, afirmou. Segundo ele, muitas organizações concentram seus investimentos em campanhas que geram vendas rápidas, mas deixam de fortalecer a imagem que sustentará o negócio no futuro.

Jaime observa que esse foco excessivo nos números faz com que profissionais percam a visão do conjunto. A comparação usada por ele ajuda a entender o problema: é como enxergar apenas a árvore e deixar de perceber a floresta. Nesse contexto, o marketing passa a perseguir métricas diárias, enquanto a marca deixa de construir vínculos duradouros com o público.

Para ilustrar essa ideia, ele citou o caso do Airbnb. A empresa reduziu investimentos em anúncios voltados exclusivamente para performance e voltou a apostar em campanhas de marca, baseadas em histórias e experiências. O resultado foi o aumento do tráfego direto e o fortalecimento da marca. 

Na avaliação de Jaime, depender apenas de plataformas de busca significa pagar continuamente pela atenção do público. “Se você só aparece quando paga para o Google ou hoje em dia também para IA generativa, você não tem uma marca propriamente, você tem um custo de aluguel de audiência.”

Outro ponto destacado foi a diferença entre comportamento e percepção. Os dados mostram o que as pessoas fizeram, mas não revelam, necessariamente, o que elas sentiram. Essa dimensão emocional explica por que curtidas e cliques não asseguram fidelidade. Um consumidor atraído apenas por uma promoção pode mudar de escolha assim que encontrar um desconto maior.

Cecília Russo ressaltou que isso não significa abandonar a tecnologia nem desprezar as informações produzidas pelos dados. Para ela, o desafio está em compreender o papel de cada elemento na estratégia. “O dado vai dar esse mapa, mas talvez a gente possa traduzir que a marca, numa linguagem metafórica, é a bússola.”

Essa distinção ajuda a entender um conceito importante do branding: o brand equity, expressão utilizada para definir o valor que uma marca ocupa na mente do consumidor. Em outras palavras, é a reputação construída ao longo do tempo, capaz de influenciar escolhas mesmo quando não há propaganda ou promoção diante do cliente.

Cecília lembrou que marcas como Natura, Granado e Boticário não dependem apenas dos algoritmos para vender. Elas acumulam uma reserva de reputação construída de forma consistente. O consumidor procura essas marcas porque já estabeleceu uma relação de confiança com elas.

Ela também chamou atenção para a diferença entre despertar um clique e despertar desejo. Quando uma empresa depende exclusivamente de impulsionamento para ser lembrada, torna-se refém desse investimento permanente. Em contrapartida, quando o consumidor digita espontaneamente o nome da marca na barra de busca, e não apenas o nome de um produto, existe um patrimônio construído que vai além da publicidade.

O resumo da conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso veio na frase da Cecília: “os dados mostram o caminho, mas a gente tem que ir atrás do coração, da emoção”. Afinal, são as conexões emocionais que transformam uma compra ocasional em uma escolha recorrente.

A marca do Sua Marca

Os dados orientam decisões importantes, mas não substituem a construção de confiança, reputação e identificação com o consumidor. Performance gera resultados imediatos. Marca forte cria preferência duradoura e continua sendo escolhida mesmo quando o algoritmo aponta outras opções.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: o dia que o Corinthians mudou a vida de muita gente

Por Isabella Alves Brito Donadel

Ouvinte da CBN

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Quando ouvi na CBN, que seria feita mais uma homenagem a esta nossa maravilhosa cidade, decidi contar esta história. Aqui vou falar de natureza, vou falar de preservação e vou de falar um campo.

A natureza é esportiva. A preservação é de um local de muitas histórias vividas pelos paulistanos. E o campo? Bem, este é o gramado do estádio do Pacaembu.

Há algul tempo, durante a pandemia da Covid, constatei que meu pai estava chateado e para mudar essa situação lembrei que poderia provocá-lo a contar uma história que sempre o deixava feliz. A história de um dia que, segundo ele, foi “um dia ser lembrado para sempre”. 

Foi um dia que mudou a vida de muita gente na cidade de São Paulo. No Estado, no Brasil e no Mundo — sem exagero: Quatro de Julho de 2012.

Quando se comemoravam os 263 anso de independência dos Estados Unidos, um time de futebol brasileiro e paulista, conquistava a América. O time de mais de 33 milhões de torcedores.

Era uma quarta-feira, bem no meio da semana, e em um lugar que costumávamos chamar de “A casa dos corintianos”: o saudoso estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

Naquela noite, meu pai estava ansioso. Mas assim com a maioria, para não dizer a totalidade, daqueles milhões de torcedores, sabia que o time estava em uma excelente fase. Um elenco que exalava confiança. E transmitia essa sensação a todos os torcedores.

Este sentimento foi fundamental para a conquista que viria a ser alcançada: naquela noite, o Sport Clube Corinthians Paulista venceria por dois a zero o poderoso Boca Juniors, time argentino que já havia vencido diversas Libertadores da América. Foi uma vitória incontestável e invicta.

Ao fim daquele jogo, todo corintiano podia gritar em alto e bom som para quem quisesse ouvir: “depois de campeões do mundo, em 2000; também somos campeões da américa, em 2012”. 

Estávamos livres de ouvir dos tradicionais adversários a frase: “nunca serão …”. Sim, naquele 4 de julho de 2012, “nóis” corintianos éramos campeões da América.

Para mim, então com 11 anos, ficpu a lembrança do dia mais feliz na vida de meu pai. E com certeza de milhões de corintianos.

Viva a natureza esportiva. Viva o Pacaembo e o seu gramado mágico, palco de tantas emoções para esta nossa maracilhosa cidade de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Isabella Alves Brito Donadel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Luana Ozemela, do iFood, destaca o uso da tecnologia para ampliar inclusão e oportunidades

Luana Ozemela, CSO e Vice-Presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood
Luana Ozemela, do iFood, é entrevistada no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN


“A gente precisa cultivar essa mentalidade de sermos arquitetos de impacto social. Que que significa isso? Todos os dias estamos pensando como que a minha empresa, além do impacto econômico que eu gero, como que eu posso gerar mais impacto social?”

Mais de 60 milhões de consumidores, 600 mil entregadores ativos e cerca de 550 mil estabelecimentos comerciais formam um dos maiores ecossistemas digitais do país. O desafio é transformar essa escala em oportunidades de trabalho, acesso à educação, proteção social e crescimento econômico para diferentes públicos. E foi razão da entrevista com Luana Ozemela, vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao falar sobre o papel da tecnologia nesse ambiente, Luana definiu a empresa como um espaço de observação permanente das relações sociais que acontecem dentro da plataforma. “O iFood de hoje é o que eu chamo um verdadeiro laboratório social”, afirmou.

Segundo ela, a tecnologia não deve servir apenas para conectar oferta e demanda. Também precisa identificar vulnerabilidades, prevenir conflitos e ampliar o acesso a direitos e oportunidades. “A tecnologia hoje, ela vem para não só aproximar a demanda da oferta, criar essas oportunidades de trabalho para toda essa população, mas também para intervir onde precisa intervir para dissipar conflitos.”

A executiva destacou ainda iniciativas voltadas aos entregadores, como acesso à educação, pontos de apoio e mecanismos de proteção contra violência e discriminação. “A tecnologia precisa estar monitorando todas essas vulnerabilidades o tempo todo e resolvendo os conflitos e levando essa educação.”

O debate global sobre o trabalho em plataformas

O crescimento das plataformas digitais trouxe para governos, empresas e trabalhadores um desafio que ainda está em construção: encontrar modelos de regulação capazes de equilibrar inovação e proteção social.

Para Luana, a economia de plataformas é um fenômeno recente e exige soluções que respeitem as particularidades de cada país. Ela lembrou que o iFood participa das discussões internacionais sobre o tema desde 2021 e integrou iniciativas promovidas pelo Fórum Econômico Mundial.

“Os últimos três anos de fórum culminaram na estrutura no lançamento da Aliança Global pelo Trabalho Digno de Plataformas”, disse.

A executiva também comentou a aprovação de uma convenção internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) voltada aos direitos dos trabalhadores. Na avaliação dela, o acordo representa um avanço porque estabelece princípios globais sem impor uma única fórmula regulatória.

“Em cada país o vínculo é definido conforme a legislação local. Em cada país o ganho mínimo é definido conforme a legislação local.”

Para Luana, esse modelo permite ampliar a proteção aos trabalhadores sem comprometer a continuidade das oportunidades geradas pelas plataformas digitais.

Digitalização e acesso ao crédito para pequenos negócios

Além dos entregadores, outro grupo fundamental para o funcionamento da plataforma é formado pelos pequenos empreendedores.

Segundo Luana, uma das principais contribuições do iFood está na aceleração da transformação digital desses negócios. Ela observa que muitos estabelecimentos chegaram ao ambiente digital com atraso e agora precisam lidar com ferramentas cada vez mais sofisticadas.

“A gente já está falando de levar agentes de inteligência artificial para que esses pequenos negócios consigam organizar suas contas, o seu estoque, fazer uma melhor precificação.”

A executiva destacou ainda a oferta de produtos financeiros adaptados à realidade dos restaurantes e pequenos comerciantes. Como a plataforma possui informações detalhadas sobre o desempenho dos estabelecimentos, consegue avaliar riscos de forma diferente da utilizada por instituições financeiras tradicionais.

“Pelo fato da gente conhecer esse restaurante, conhecer como que os clientes gostam do restaurante, como que eles voltam para esse restaurante, a gente consegue dar produtos financeiros muito melhores.”

Entre os serviços oferecidos estão crédito, microcrédito, cartão de crédito e antecipação de recebíveis, instrumentos que ajudam empresas de menor porte a expandir operações e enfrentar períodos de instabilidade.

Inovação social para enfrentar problemas complexos

A área de impacto e sustentabilidade do iFood trabalha com o conceito de inovação social, que, segundo Luana, consiste em encontrar novas formas de resolver desafios coletivos.

Um dos exemplos apresentados na entrevista foi a segurança no trânsito. Em vez de concentrar esforços apenas em mecanismos de punição, a empresa passou a estudar fatores comportamentais capazes de estimular mudanças mais duradouras.

“Inovação social para a gente nada mais é do que pensar de múltiplas formas, como resolver problemas sociais complexos.”

A partir desse princípio, foi desenvolvido um sistema baseado em ciência comportamental para incentivar práticas mais seguras na condução de veículos. O programa utiliza dados e mecanismos de incentivo para estimular mudanças de comportamento entre os entregadores.

“A gente conseguiu reduzir drasticamente o número de entregadores que dirigiam consistentemente acima da velocidade do viário urbano.”

Segundo Luana, os resultados foram alcançados sem reduzir a eficiência operacional da plataforma. “A gente fez isso sem tornar a nossa operação mais lenta.”

Para ela, a inovação social se torna relevante justamente quando consegue enfrentar um problema coletivo e, ao mesmo tempo, manter a viabilidade do negócio.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Chatice, um fenômeno humano

Por Beatriz Breves

Foto: Pexels

A chatice é um daqueles fenômenos humanos que todos reconhecem imediatamente, mas poucos conseguem definir com precisão. Dependendo da situação, ela pode manifestar-se tanto como uma característica percebida em alguém quanto como uma experiência vivida por nós mesmos. Talvez seja justamente essa dupla natureza que a torne tão interessante.

Uma das formas mais comuns de experimentá-la ocorre quando a chatice se instala na própria vida. A rotina, a repetição e a sensação de que nada muda podem produzir uma experiência emocional marcada pela monotonia, pelo cansaço e pela estagnação.

Nessas circunstâncias, a chatice configura-se como um fenômeno complexo. Não se trata de um sentimento único, mas de uma experiência constituída por diferentes sentimentos, entre eles o tédio, o desânimo, a falta de interesse e a perda de vitalidade. É como se a vida perdesse movimento e ficássemos aprisionados em um ciclo que não se transforma.

A chatice também pode surgir na relação com o outro — aquela pessoa cuja presença desperta, quase instantaneamente, um suspiro interno. Afinal, o que torna alguém chato?

Não existe uma fórmula exata. Ainda assim, dois aspectos costumam estar presentes: a dificuldade de perceber o impacto que se causa nos outros e de estabelecer uma verdadeira conexão afetiva.

A pessoa considerada chata costuma não perceber os sinais da relação. Conta piadas sem notar se alguém riu, repete histórias já conhecidas, insiste nos mesmos assuntos, corrige excessivamente, critica, vigia ou fala longamente sem considerar o interesse de quem a escuta. De certo modo, sua atenção permanece concentrada em si mesma, enquanto o outro vai desaparecendo da cena relacional.

Curiosamente, muitos desses “chatos profissionais” são pessoas gentis, educadas e até afetuosas. Talvez por isso seja tão difícil lidar com eles. Frequentemente sentimos desconforto sem conseguir explicar exatamente a origem desse incômodo.

Entretanto, há ainda uma terceira forma de experimentar esse fenômeno: quando nós mesmos nos tornamos chatos.

Sim, isso acontece com todos nós.

Há momentos em que estamos mais irritados, repetitivos, impacientes ou excessivamente centrados em nossas próprias preocupações. Isso não nos transforma automaticamente em pessoas chatas. O problema surge quando esse modo de funcionamento se torna predominante e persistente, fazendo com que nossa presença seja frequentemente vivida pelos outros como cansativa ou desgastante. Mas como perceber isso?

O primeiro passo é preservar o senso crítico. A simples capacidade de perguntar “Será que estou sendo chato?” já demonstra uma abertura importante para o outro. Observar as reações das pessoas também ajuda. Desinteresse, desconexão, respostas breves ou impaciência podem sinalizar que estamos insistindo em algo que perdeu significado na relação.

Sem dúvida, o antídoto para essa condição é a conexão afetiva. Quando existe troca genuína, curiosidade pelo outro e envolvimento emocional, a conversa ganha vida. O que torna uma interação interessante não é necessariamente o tema abordado, mas a qualidade da presença compartilhada.

Sob essa perspectiva, a chatice talvez possa ser compreendida como uma perda de movimento do sentir. Quando a experiência deixa de circular, quando a curiosidade desaparece e a relação se torna excessivamente repetitiva, surge a sensação de enfado que reconhecemos como chatice.

Entretanto, por mais incômoda que seja, ela possui uma função importante: funciona como um sinal de alerta. Quando a vida perde o brilho, quando nos tornamos excessivamente repetitivos ou quando as relações parecem esvaziadas de vitalidade, algo está nos dizendo que chegou o momento de renovar, transformar ou criar novas possibilidades.

Nesse sentido, a chatice não é apenas um problema. É também um convite ao movimento.

Pode ser a vida que pede renovação. Pode ser uma relação que precisa de novos caminhos. Pode ser a necessidade de voltar a sentir aquilo que se tornou automático.

Quando escutada, a chatice deixa de ser apenas um incômodo e passa a indicar onde a vida está pedindo transformação.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel. licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad

Avalanche na Copa: Sempre acreditei. Como todo torcedor.

Brasil 2×1 Japão
Copa do Mundo – Houston, EUA

Allez Brasil!
Foto: Breno Beck no Flickr

Era cedinho e a turma da padaria já palpitava no microfone da CBN. Na voz do povo, os gols da vitória sairiam dos pés de Vini Jr., Neymar e Endrick. O primeiro é compreensível: virou o craque desta seleção. Já os outros dois dependeriam das substituições de Ancelotti — se é que entrariam em campo. Mas ninguém estava preocupado com esses detalhes. A voz do povo não perde tempo com pormenores. Se o repórter perguntasse por Casemiro, seria vaiado. Se sugerisse Martinelli, ouviria um sonoro: “Quem?”

Torcer é retorcer a lógica do futebol. É acreditar que o salvador da pátria está sempre no banco de reservas. É procurar um culpado antes mesmo do apito final. É ter certeza de que o técnico errou — sobretudo quando ele acerta.

Na arquibancada ou diante da televisão, excomungamos o atacante que perdeu um gol, aposentamos o zagueiro que falhou e condenamos o goleiro que levou um chute indefensável. Ora, se está no gol, que defenda.

Também nos sentimos no direito de julgar todas as decisões do treinador. Se repete a escalação, faltou coragem. Se muda o time, faltou convicção. Se mexe bem durante a partida, a conclusão é inevitável: escalou mal.

O primeiro tempo da seleção parecia confirmar cada uma dessas teorias. O Brasil sofria com a marcação japonesa, circulava pouco a bola e dava espaços na defesa.

Fora Ancelotti! Tira esse Casemiro. O homem se arrasta em campo, erra passes, chega atrasado, leva cartão amarelo e nem faz a falta para impedir o chute que termina em gol. E essa saída de bola do Danilo? Não é ele o homem de confiança do técnico? Vai confiando…

Chega o intervalo e descobrimos que Endrick só entrará porque Paquetá está machucado. Casemiro continuará em campo, mesmo amarelado. E o Neymar? Vai passar a Copa inteira como peça de decoração no banco? Para que levou esse cara?

Eu já começava a aceitar que tinha sido condenado a torcer por times ruins em 2026.

Mentira.

Bastava a bola chegar aos pés de Vinicius Júnior para a esperança reaparecer. Eu voltava a acreditar no futebol arte, no Brasil das grandes Copas, no Hexa. Torcer nos concede esse privilégio: acreditar e desacreditar em questão de segundos; idolatrar e condenar o mesmo jogador no intervalo de uma jogada; cometer injustiças e revogá-las antes mesmo do replay.

Quando muitos de nós já imaginávamos como seria triste assistir ao restante da Copa sem o Brasil — enquanto o sempre simpático Everaldo Marques resgatava estatísticas da última eliminação brasileira antes das oitavas de final — o roteiro resolveu nos desmoralizar.

Gabriel Magalhães levantou a bola na área. Casemiro, justamente Casemiro, apareceu para cabecear e empatar o jogo.

O vilão virou herói.

Calem-se! Deixem o homem trabalhar. Ancelotti sabe exatamente o que faz.

Só havia uma dúvida.

Por que Martinelli? Por que não Neymar? Será que o treinador não ouviu os gritos da torcida? A gente tem de virar esse jogo, mister!

Pois foi Martinelli quem recebeu o passe de Bruno Guimarães dentro da área e marcou o gol da classificação.

Nunca critiquei.

Ou melhor: critiquei, sim. E voltaria a criticar amanhã, se fosse preciso. Porque torcedor não muda de opinião. Apenas troca de certeza.

Hoje, por exemplo, tenho absoluta convicção de que o Brasil vai rumo ao Hexa.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que o excesso de informação faz as marcas parecerem iguais

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Quanto mais estímulos disputam a nossa atenção, maior é o risco de deixarmos de perceber aquilo que torna uma marca diferente. Esse foi o tema do comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

A dificuldade não está apenas no aumento da concorrência. Ela também está no limite da capacidade humana de processar tantas informações ao mesmo tempo. Jaime Troiano lembrou que estudos realizados ainda na década de 1970 já mostravam que o excesso de estímulos embaralha nossa percepção e reduz a capacidade de diferenciar uma opção da outra.

Para explicar esse fenômeno, ele recorreu a uma imagem criada há cerca de 400 anos por Isaac Newton: o disco formado pelas sete cores do arco-íris. Parado ou girando lentamente, é possível distinguir cada cor. Quando gira muito rápido, porém, todas desaparecem em uma única impressão visual. “Você vê tudo branco e não distingue as cores.”

Segundo Jaime, o mesmo ocorre com o mercado. A quantidade de mensagens, produtos, campanhas e ofertas cresce continuamente. Como resultado, as diferenças entre as marcas tendem a ficar menos evidentes para o consumidor. “É tanta comunicação, são tantas alternativas no mercado, é tudo tão rápido”, resumiu.

Cecília Russo mostrou como esse efeito aparece na prática ao recordar uma visita à Feira da APAS, um dos maiores eventos do varejo brasileiro. Centenas de expositores disputavam a atenção dos visitantes com painéis, lançamentos, cores, sons e experiências. Sem um objetivo definido, explicou, a tendência é sair do evento cansado e com dificuldade para lembrar do que realmente chamou atenção.

“A cabeça gira com tantas informações, alternativas, produtos, empresas, marcas”, observou. Para ela, essa sensação também ajuda a entender o desafio enfrentado pelas empresas em praticamente todos os setores.

Esse cenário exige um esforço ainda maior para construir uma identidade clara. Em vez de ampliar a quantidade de mensagens, torna-se mais importante reforçar uma promessa consistente e facilmente reconhecida pelo público.

Cecília apresentou um dado de uma pesquisa realizada pela Troiano que ilustra essa dificuldade. Ao medir a associação entre celebridades e as marcas que elas representam, o estudo mostrou que os consumidores acertaram a resposta em apenas 15% dos casos. Nos outros 85%, as pessoas confundiam os porta-vozes e as empresas, sinal de que o excesso de estímulos acaba embaralhando até campanhas de grande visibilidade.

A conclusão dos comentaristas é que, em um ambiente de comunicação cada vez mais acelerado, vencer a disputa pela atenção depende menos de fazer mais barulho e mais de construir uma identidade coerente ao longo do tempo.

No encerramento, Jaime Troiano sintetizou essa orientação: “Pense religiosamente naquilo que a sua marca tem de único, de especial e não abandone esse caminho.” Para ele, é justamente essa característica singular que permitirá à marca ser percebida em meio a tantas alternativas.

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário é que o excesso de informação tornou a diferenciação mais difícil. Por isso, marcas fortes não são necessariamente as que mais aparecem, mas as que conseguem comunicar, de forma consistente, aquilo que têm de único e relevante para o consumidor.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.