Comunicar para liderar foi destaque em Felicidade iLTDA

 

 

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A experiência de ser entrevistado nem sempre me deixa à vontade. Fui treinado para entrevistar pessoas. Quando se está do outro lado, sempre fica a apreensão de que seu desempenho poderia ser melhor. A resposta não foi tão clara quanto gostaria. Talvez tenha desperdiçado a oportunidade de contar algo mais produtivo para as pessoas. Dia desses tive de encarar esse desafio a convite de João Paulo Pacífico, empreendedor, inspirador e apresentador do programa Felicidade iLTDa, na Rádio Globo.

 

Verdade que a tarefa de ser entrevistado foi facilitada pela forma simpática e tranquila com que o Pacífico fez a mediação. Além de o fato de estar sentado à mesa com uma colega super competente e minha grande amiga: a Leny Kyrillos, com quem escrevi o livro “Comunicar para liderar” (Contexto). Ao lado dela, a conversa sempre se torna agradável e produtiva.

 

Falamos de comunicação e liderança, contamos curiosidades de nossas carreiras —- como o motivo que me levou a deixar o esporte pelo jornalismo — e apresentamos dicas para ajudar os profissionais a se relacionarem melhor com seus colegas, parceiros de negócios e clientes.

 

O programa —- como o próprio nome nos induz a pensar — é sobre felicidade no trabalho e se propõe a tratar de assuntos que mostrem como as empresas podem contribuir para um futuro melhor. Foi o que me fez lembrar do poder da palavra na comunicação e o cuidado que devemos ter ao nos dirigirmos às outras pessoas, especialmente quando estamos diante da necessidade de avaliar o seu comportamento ou o seu desempenho profissional:

 

“… uma palavra bem dita, muda e transforma a vida do outro; assim como a palavra mal dita, fere”.

 

Esse poder é ainda maior quando se aprende — como disse Leny Kyrillos — que a comunicação contagia e constrói imagens. A propósito, ao ser provocada a identificar os  pecados na comunicação dos líderes, Leny ressaltou que o mais grave deles é a falta de autenticidade:

 

“(a pessoa) se sente cobrada e pressionada por uma série de coisas e começa a acreditar que ela precisa desempenhar um papel que não é o dela, e muitas vezes perde sua essência”.

 

Espero ter sido autêntico na conversa com a Leny e com o João Paulo Pacífico — mesmo quando fui levado a contar uma piada em um dos quadros propostos pela produção do programa.

 

Ouça  muitas outras dicas e curiosidades no podcast de Felicitade iLTDA.

 

Avalanche Tricolor: é sempre bom voltar para casa

 

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Gaúcho — estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

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Pepê em destaque na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA 

 

Foram apenas alguns dias, mas foram dias intensos esses que fiquei em Porto Alegre. Fui para lá na sexta-feira e voltei no domingo. Se insistir de ficar mais um ou dois dias —- e esta é a vontade que não me falta —- logo estarão espalhando por aí que estou de férias. Por isso, ontem à noite já estava em casa, aqui em São Paulo.

 

É curiosa essa sensação do “estar em casa”.

 

Deixei Porto Alegre em 1991 quando vim embora para a capital paulista. Se minhas contas estiverem certas e meus planos se realizarem, desde metade do ano passado já vivi mais tempo em São Paulo do que no Rio Grande do Sul.

 

Aqui me fixei profissional e pessoalmente. E me realizei. Minha carreira de jornalista se expandiu. A mim foi oferecido espaço no rádio, na TV, na internet e em revista. Muito mais importante, porém, foi que aqui encontrei a mulher amada e com ela tive filhos amados — e com eles convivo até hoje. É na casa de São Paulo que recebo amigos e para a qual convido a família para aproveitar seus dias. É o meu lar.

 

Apesar disso, ainda teimo em dizer, sempre que tenho viagem marcada para Porto Alegre, que vou para casa. Refiro-me a casa onde morei na Saldanha Marinho, em Porto Alegre, na qual hoje vive meu irmão com a família dele — minha cunhada, meu sobrinho e minha afilhada —-, que me recebe sempre com muita generosidade

 

Foi lá que passei a maior parte dos meus dias de infância e adolescência. Onde minha mãe trocou minhas fraldas, vestiu minha primeira calça de brim coringa e nela bateu com chinelo, sempre que fiz por merecer. Corri atrás de galinha no quintal da casa da Saldanha. Brinquei de esconde-esconde na calçada, em frente. Deixei meus pais de cabelo em pé, atravessando de bicicleta a rua de paralelepípedo.

 

Quando acreditava ter idade para tal, deixava minha casa para me divertir nas discotecas da época, no encontro com os amigos na mesa de bar e na paquera na Cidade Baixa — programas que contribuíram, e muito, para o número de cigarros consumido pelo pai, que só dormia depois que eu voltava para casa.

 

Lá da casa da Saldanha, saía ao lado do pai para ver os jogos do Grêmio, no vizinho estádio Olímpico — onde também treinei futebol, joguei basquete e criei raízes. E essa sequência de experiências —- e tantas outras que deixei de registrar aqui —- impregnaram na alma a ideia de que quando chego na Saldanha, estou em casa. Estou mesmo. Uma sensação que em nada desmerece a ideia de que meu lar está em São Paulo, daqui de onde escrevo essa Avalanche.

 

Ops, perdão, somente agora lembrei que este texto ocupa o espaço dos posts que fazem referência ao Grêmio e seu desempenho em campo — e fora dele. Infelizmente, porém, a viagem de volta a São Paulo deu-se no momento em que o Grêmio começava mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho. Mal consegui assistir aos minutos iniciais na tela do celular. A comissária de bordo logo anunciou o fechamento das portas do avião. Assim que aterrissamos ainda consegui ver o apito final da partida em que empatamos jogando fora de casa — resultado que nos mantém isolado e distante na liderança da competição.

 

Semana que vem, segunda-feira, o Grêmio volta aos gramados e, dessa vez, jogando em casa. E estar em casa é sempre muito bom. Não é mesmo!?

Conte Sua História de São Paulo: o menino carioca que adorava as férias na Vila Nova Uberabinha

 

Dr Luis Fernando Correia
Do Saúde Em Foco e ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte Luis Fernando Correia — sim, ele mesmo, o nosso Dr Luis Fernando Correira, do Saúde em Foco:

 

Nos anos 1970 eu era um carioca atípico. Passava férias em São Paulo. Deixe-me explicar, antes que me achem louco. Tenho família em São Paulo e naquela época, com 15 anos, tendo vivido sempre em apartamentos no Rio de Janeiro, quando vim visitar a família, dei de cara com uma turma de mais 20 da mesma idade, brincando na rua.

 

Minha tia morava em Vila Nova Uberabinha, a região fica ao lado da Avenida Santo Amaro — é aquela área que foi englobada ao bairro de Moema, onde as ruas tem nome de pássaros.

 

No Rio, morava em lugar plano, bicicleta à vontade. Ali havia ladeiras para se andar de skate.

 

Algumas vezes jogávamos tênis no Clube Pinheiros. Para chegar lá tinha de atravessar a Santo Amaro e logo depois havia um córrego, que hoje está canalizado. Cruzávamos uma pinguela —- um pequena ponte improvisada de madeira — que nos levava à região da rua Clodomiro Amazonas. Dali se chegava ao Pinheiros.

 

Uma curiosidade da época de adolescente em São Paulo: a chegada de uma rede de lojas de sanduíches servidos em caixinhas — o Jack in the Box. A inauguração foi no shopping Ibirapuera, que também tinha muito perto a sorveteria Brunella.

 

Era uma época em que se podia ficar na rua até muito tarde, sempre que as mães deixavam — ou não. Eram os anos de 1970, em São Paulo, vistos pelos olhos de um carioca adolescente.

 

Luis Fernando Correia é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte também você mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: o emprego que você quer pode estar no exterior

 

 

“Não adianta você chegar, sair da sua cidade, ir para um país diferente, não conhecer nem a cultura nem o idioma. Você vai ter um subemprego lá. Então, nesse mundo corporativo, lá fora, você tem de estar preparado para esta carreira sem fronteira” —- Rafael Olivieri, Competency

 

O trabalho que você deseja pode estar em qualquer lugar próximo da sua casa ou do outro lado do mundo. Portanto, estar preparado para trabalhar fora de sua cidade ou em outro país é diferencial competitivo em uma seleção de emprego. Para ajudar os profissionais a estarem prontos para quando essa oportunidade surgir, o programa Mundo Corporativo, da CBN, entrevistou Rafael Olivieri, presidente da Competency, empresa especializada em cursos e congressos focados na internacionalização de carreiras.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Olivieri falou que é necessário conhecer a língua, os costumes e a cultura de cada país, mas, além disso, o profissional deve identificar o seu próprio comportamento diante de desafios como o de ser um expatriado: “a comunicação é importante; a atitude mais ainda para galgar uma carreira que para ele é um sonho”.

 

Apesar de a ideia de buscar vaga no exterior geralmente estar associada aos mais jovens, Olivieri chama atenção dos profissionais com mais experiência e que pela idade muitas vezes não encontram mais emprego no Brasil: “se você é competente não vai faltar espaço para você”.

 

Um dos benefícios de participar de eventos e cursos de internacionalização de carreira é a formação de uma rede de relacionamento com essas de diversas áreas, defende Rafael Olivieri que organiza essas atividades no Brasil e no exterior:

 

“O relacionamento é tudo, porque os melhores empregos hoje não estão mais em jornais e revistas. Se o cara não tem relacionamento, o cara está fora do mercado”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no Instagram, da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite ou a qualquer momento em podcast. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Truman Capote e o propósito do varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Cena do filme Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de luxo)

 

Em pauta, ainda com as lições emitidas na NRF Big Show 2019, um dos temas mais recorrentes foi a questão do propósito do varejo físico, embalado pela pesquisa da WD Partners, apresentada por Lee Peterson, que demonstrou que 30% dos clientes não querem mais ir a unidades físicas. E os que ainda desejam exigem algo além da compra de produtos.

 

O propósito na verdade deve ser decomposto em dois segmentos. Um, de ordem material e outro de aspecto conceitual.
A propósito, nesse contexto, é preciso lembrar de Truman Capote com seu icônico livro Breakfast at Tiffany’s*, lançado em 1958 e adaptado ao cinema em 1961. Livro e filmes tornaram-se marcos literários e cinematográficos. Dois Oscar e cinco Grammy.

 

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Blue Box Cafe, em Nova York (Imagem do site da Tiffany)

 

A Tiffany da quinta avenida, que já era reconhecida, tornou-se definitivamente um endereço emblemático de Nova York — mesmo sem aproveitar a dica para fazer um café da manhã na loja, embora o sentido fosse metafórico. A personagem visitava as vitrines toda manhã em busca da imagem de riqueza e beleza que nutria pela exposição. A verdade é que foi oportunidade perdida, tendo em vista o histórico que indica as solicitações de clientes para marcar breakfast na loja.

 

A mesma Tiffany  & CO, que não usufruiu no passado com o insight de Capote, agora surge com o BLUE BOX CAFÉ e aparece como exemplo de ação para fazer com que os consumidores procurem o seu espaço físico.
Dentro desse novo conceito, conhecido por varejo MULTIPROPÓSITO,  surge também a Starbucks com a RESERVE ROASTERY, com um cardápio variado e uma extraordinária viagem pelo mundo do café — que já conta com lojas em Nova York, Seattle, Milão e Xangai. Muito além do tradicional existente.

 

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Reserve Roastery, em Seattle (foto do site Starbucks)

 

O segundo segmento do propósito, deve-se ao sentido social e ecológico. Boa parte das apresentações do tema se referiram a missão e valores das empresas.

 

Convenhamos, que nada mal para um setor que emprega intensivamente, serve a multidões e economicamente é um dos principais setores do PIB dos países.

 

Salve o varejo multipropósito!

 

Em tempo: *Breakfast at Tiffany’s foi traduzido por Bonequinha de Luxo; e o filme está no Telecine.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

A perda, a dor e o vazio do luto no jornalismo

 

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Perda, dor, vazio. São sentimentos que surgem com o luto. Com os quais o jornalista precisa negociar diariamente. O noticiário está sempre nos provocando com os assassinatos na porta de bar, os crimes de família e as tragédias anunciadas.

 

Cheguei em São Paulo, em 1991, e minha rotina era contar a história de mortes ocorridas em desabamentos de terra, comuns nas encostas da cidade de São Paulo, nos períodos de fortes chuvas.

 

Na madrugada, era enviado ao cafundó do Judas para fazer imagens de um assassinato. Ao chegar, lá estava o cadáver estendido na calçada. Coberto por páginas de jornais ou um papel alumínio a esconder seu rosto. Imagens feitas, informação apurada, sonora gravada. Segue para a próxima pauta. Para o próximo assassinato. De madrugada nunca encontramos um batismo a registrar. Só crimes e velórios.

 

A morte não saiu das minhas pautas, mesmo quando deixei as ruas — mesmo quando troquei a reportagem pela apresentação de telejornais, em 1993. Foi-se Ayrton Senna, em 1994. E eu falei por horas da comoção do povo brasileiro, em seu velório. Foi-se Mário Covas, e tive de relatar a tristeza de São Paulo, em 2001. No mesmo ano, transmiti ao vivo o terrorismo do “11 de Setembro”, em Nova Iorque. O primeiro baque surgiu quando parei para pensar nas dezenas de passageiros que estavam dentro do avião arremessado contra o World Trade Center. Depois foi a vez de olhar aquelas pessoas jogando-se do alto dos prédios. E quando as torres vieram abaixo, segurei-me para sustentar a voz e ser fiel aos fatos.

 

No entanto, as mortes passam, os cadáveres são esquecidos, alguns sequer registrados. A perda, a dor e o vazio ficam como legado dos parentes das vítimas —- pessoas que talvez nunca mais na vida você encontrará. E a sua vida, a minha vida, segue. Amanhã tem outra pauta para cobrir, outra história para contar. O salário cai na conta, os boletos chegam, a comida tem de estar no prato. Até uma nova tragédia.

 

Em 2016, a mais difícil delas. O acidente com o avião da Chapecoense, sabendo que entre os passageiros estava um amigo querido e respeitado por todos, Deva Pascovicci. Engoli o choro, engasguei com as lágrimas, parei de falar. Tinha vontade de desistir. Mas apresentei o Jornal da CBN até o fim mesmo sabendo qual seria o fim daquela história. Somente à noite, diante da televisão e abraçado em um dos filhos consegui chorar copiosamente como o coração pedia.

 

No jornalismo, tendemos a disfarçar os sentimentos. Construímos um personagem diante do fato triste porque temos a obrigação de retratar a realidade. Sem envolvimento. Frio. Calculista. Capaz de fazer qualquer pergunta por mais óbvia que pareça. Desconfiando sempre. Questionando na primeira oportunidade. Coisa de jornalista.

 

Dan Harris, correspondente da ABC News e âncora de televisão, cobriu guerras e tragédias. Considerava-se forte o suficiente para encarar as mais tristes situações da humanidade. Preocupava-se apenas com a qualidade do material levado ao ar e com a exposição que alcançaria. Brigava pelas melhores pautas, discutia com editores em busca de mais espaço na cobertura. Era obcecado pelo trabalho. Ao fim e ao cabo, voltava para casa sem se importar com a morte dos outros, sem se preocupar com nada nessa vida — a não ser sua ascensão profissional.

 

Um dia, Harris congelou na frente das câmeras. Teve um ataque de pânico diante de milhões de telespectadores. Em rede nacional. Descobriu depois que era como se todos os fantasmas das mortes registradas por ele se realizassem dentro de sua mente ao mesmo tempo. Foi o início de uma profunda reflexão sobre a vida. E o começo de uma odisseia pelo mundo da espiritualidade.

 

Ele conta essa história no livro “10% mais feliz”, publicado pela Sextante, no Brasil, no qual relata como driblou todos os seus preconceitos e medos em relação a meditação. Daniel Goleman, jornalista científico e psicólogo, apresenta-o “como o melhor livro sobre meditação para os não iniciados, os céticos e os curiosos”. Para mim, um livro que ajuda a pensar o jornalismo. A nossa tarefa de contar ao público o que vimos. O que sabemos. A verdade. Doa a quem doer. E entender que muitas dessas verdades vão doer dentro de nós e precisamos administrar esses sentimentos.

 

Harris medita. Eu não consigo. Não tentei. Mas choro. Foi assim quando soube da barragem que soterrou centenas e centenas de pessoas, em Brumadinho. Chorei baixinho na minha casa. Foi assim quando a repórter confirmou a morte de 10 meninos no Ninho do Urubu. Chorei em silêncio diante do microfone e se revelei minha dor foi na voz embargada.

 

Hoje, não estava mais na redação quando soube da morte de Ricardo Boechat.

 

Se um dia chorei por centenas, noutro por dezenas, hoje chorei por um colega. E essa dor é mais dolorida do que todas porque é uma dor muito próxima da gente. De alguém que estava ali ao nosso lado —- um pouco além do dial onde sou sintonizado todas as manhãs, no Jornal da CBN. Alguém que com seu jeito de fazer jornalismo na Band News FM, nos obrigava a pensar que jornalismo estávamos fazendo. Que radiojornalismo estávamos realizando. Que poucas horas atrás, estava diante do microfone fazendo aquilo pelo qual somos apaixonados: jornalismo.

 

E com a morte de Boechat lá vieram novamente aquelas sensações impertinentes do luto: perda, dor, vazio. Sensações que não tenho dúvida serão muito mais fortes no coração da Veruska, sua “doce Veruska”, e dos seis filhos que perderam o pai — o cara que a gente pode contar naquela hora em que pinta um dilema na nossa vida, naquele momento de felicidade que precisa ser compartilhado ou que vai dar um abraço revelador para conter nossa tristeza. A eles toda nossa solidariedade e o pedido que Deus amenize esse sofrimento e os console.

 

Pouco antes de sentar diante deste computador para compartilhar com você esse momento de tristeza que encaro —- e imagino que seja a de milhares de admiradores e colegas — deparei com a fala de Flora Tucci, psicanalista e filósofa, sobre o luto, registrada pelo jornal O Globo:

 

“Então, o melhor é se permitir passar pelo processo de transformação gerado por esse “adeus”, que vai nos preparar para os caminhos que podem surgir no futuro. É importante viver isso para deixar o novo chegar”.

 

Seja lá o que for esse novo que nos foi reservado, que jamais deixemos que a perda, a dor e o vazio caiam no lugar-comum dos sentimentos. Eu choro. Jornalistas choram, sim. Chorar é preciso!

Avalanche Tricolor: o dia em que o futebol ficou sem graça

 

Grêmio 6×0 Avenida
Gaúcho/Recopa — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Jogadores e Renato prestam homenagem aos meninos mortos no Flamengo Foto LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Tinha taça em jogo. E taça a gente quer ganhar sempre. Em campo, estava o que havia de melhor à disposição de Renato — e ao longo da partida ainda entraram alguns jogadores que, provavelmente, deixarão o time ainda melhor. O toque de bola era o que aprendemos a gostar. A categoria do passe se fez presente desde o minuto inicial. A movimentação intensa abriu caminho para o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto gol —- e que baita gol foi esse último. Aliás, difícil escolher o mais bonito. De cabeça. De cavadinha. Com dribles. Com força. No ângulo. Gol para todos os gostos. A torcida assoviou para dar ritmo à equipe. Bateu palmas no mesmo compasso do futebol jogado. Cantou seus cantos. E relembrou o grito de “é campeão”!

 

Tinha tudo para ser um jogo perfeito. Mas foi sem graça. Uma graça que se perdeu na morte de dez garotos, vítimas da tragédia no Ninho do Urubu, na sexta de madrugada. Garotos que, como muitos daqueles que vestiram, vestem ou vestirão a camisa do Grêmio, só queriam ter o direito de jogar futebol. De sorrir pelo drible bem dado. De comemorar nos braços do torcedor o gol bem feito. De levar para a família a alegria de uma vida mais bem estruturada.

 

Um gurizada como Everton e Luan —- que começa na base a construir sua própria história e ser protagonista da história do seu time de coração. Que abre mão da infância e da adolescência —- aceita a rotina de treinos intensos, a distância da família e as condições que lhe oferecem para dormir, comer e morar — porque sabe que seu talento está prestes a abrir-lhe às portas para uma vida mais digna. Com o respeito dos outros. A admiração de muitos. O olhar orgulhoso da mãe e do pai, quando o tem. Dos parentes e amigos, também.

 

Os meninos do Flamengo são meninos como os nossos. Imaturos por adolescentes que são. Inseguros diante de uma vida que mal está começando. Ao mesmo tempo, corajosos. Capazes de superar qualquer dificuldade porque só assim terão espaço no campo do futebol. Sabem que os ídolos nos quais eles se inspiravam também tiveram de trilhar essa caminhada. Só não sabiam o que o destino havia reservado a eles. Destino? Talvez caiba melhor nessa frase a irresponsabilidade, o descaso, o desrespeito, a crença de que nada vai dar errado … essas coisas que se transformaram em lugar-comum nesse país que assiste aos seus jovens morrerem queimados em boates e alojamentos, suas famílias serem soterradas pela lama da mineração e sua gente ser levada pelas águas das enchentes. Tão comum quanto a impunidade que se segue a essas tragédias.

 

Bem que tentei sorrir a cada gol marcado pelo meu Grêmio. Mas o som dos trompetes militares entoando o toque fúnebre, na cerimônia que se realizou antes da partida, ficou em meus ouvidos e me fez lembrar a cada minuto de jogo que um daqueles dez meninos mortos poderia um dia estar ali na Arena do Grêmio fazendo aquilo que tanto desejavam em vida: dar alegria ao torcedor. 

Conte Sua História de São Paulo: o dia em que os nossos cientistas foram recebidos como heróis na cidade

 

Mayana Zata
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte Mayana Zatz:

 

Sou geneticista e dirijo o Centro de Pesquisas em Genoma Humano e células-tronco na Universidade de São Paulo. A história sobre São Paulo que vou relatar não é tão antiga mas acho que vale a pena ser contada.

 

Ela teve início há cerca de 20 anos, quando a FAPESP — Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de S. Paulo reuniu vários líderes de pesquisas para discutir um assunto muito preocupante. Enquanto os países do primeiro mundo avançavam rapidamente no domínio da tecnologia do sequenciamento do DNA — isto é, como analisar as informações contidas no DNA — no Brasil poucos laboratórios dominavam essa tecnologia. Como reverter essa situação, como capacitar mais laboratórios e cientistas na tecnologia de sequenciamento de DNA? .

 

Depois de muitas discussões, decidiu-se formar uma rede de 30 laboratórios, que iriam ser treinados nessa tecnologia de ponta. Era um projeto totalmente inovador. Nosso laboratório, no Centro de Pesquisas do Genoma Humano iria ser um dos 30. Decidiu-se sequenciar um organismo com um DNA pequeno, que não levasse anos para ser sequenciado. Lembrando que hoje você consegue sequenciar um genoma humano em algumas horas mas naquela época ainda estava em curso o projeto genoma humano que levou 13 anos para sequenciar o primeiro genoma de um ser humano — a um custo de 3 bilhões de dólare). Também teria que ser um organismo que tivesse algum interesse comercial. Depois de muitas discussões, decidiu-se pela bactéria Xylella que é um patógeno que ataca os laranjais causando grandes prejuízos à citricultura.

 

Cada laboratório recebeu da FAPESP um sequenciador — um equipamento para sequenciar — e os reagentes necessários para sequenciar um trecho do  DNA da bactéria. A ideia era que depois iriam se juntar os pedaços sequenciados por cada laboratório como se fosse um quebra-cabeças. O objetivo era terminar em dois anos. E aí começou a corrida, com trocas de informações pela internet entre os 30 laboratórios.

 

Em 2.000, conseguiu-se terminar o sequenciamento da Xyllela e foi um sucesso acima de qualquer expectativa. O que pretendia ser principalmente um treinamento de tecnologia gerou uma publicação científica que foi capa da revista Nature, uma das revistas científicas mais prestigiosas que existe. O Brasil não era mais notícia por causa do futebol e do carnaval mas também pelos seus feitos científicos. Era a primeira vez que se sequenciava no mundo o DNA de uma bactéria que era um patógeno de uma planta.

 

O governador de São Paulo na época era o Mário Covas e ele decidiu fazer uma homenagem na sala São Paulo para todos os cientistas que tinham participado do projeto. Mas foi muito mais do que uma homenagem. No caminho inteiro havia faixas dizendo: São Paulo tem orgulho dos seus cientistas. Foi uma emoção indescritível. Inesquecível. Uma homenagem aos cientistas? Isso nunca havia acontecido antes.

 

Cheguei a Sala São Paulo com os olhos marejados de lágrimas. Brinco sempre que eu me senti como um jogador de futebol voltando de uma copa internacional vitoriosa.

 

Será que teremos investimentos que permitam que a ciência brasileira volte a ter esse prestígio e reconhecimento?

 

Dra Mayana Zatz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da sua cidade, na CBN. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br Se quiser conhecer outras histórias, visite agora o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: mude você antes que a sua empresa mude, sugere Wanderlei Passarella

 

 

 

 

 

“Não espere sua empresa mudar para você mudar. É uma das coisas que eu coloco para os executivos que ajudo a repensar a carreira. Você tem de começar agora pensando que daqui cinco ou dez anos a empresa que você está hoje, tão sólida, pode estar mudando” — Wanderlei Passarella, mentor de executivo

 

 

As mudanças na forma de encarar o mundo e a nós mesmos exigem forte poder de adaptação das empresas e dos seus profissionais. Para entender como é possível enfrentar essa transformação sem estresse e de maneira planejada, o jornalista Mílton Jung, apresentador do programa Mundo Corporativo da CBN, entrevistou Wanderlei Passarella que é conselheiro de empresas, mentor de executivos e coautor do livro “A reinvenção da empresa — projeto Omega”, escrito com Paulo Monteiro e publicado pela editora Évora.

 

 

Para que essa reinvenção ocorra, Passarella recomenda que os profissionais prestem atenção em três aspectos:

 

 

1. Incorporar a tecnologia —- as novidades tecnológicas estão aí para facilitar a sua vida, use-as com equilíbrio sem se transformar em escravo delas.
2. Amplie a base de conhecimento —— saiba que para aprofundar o conhecimento em uma determinada área é preciso expandir a base de conhecimento; os especialistas hoje precisam fazer sinapses, buscar uma relação multidisciplinar.
3. Desenvolva o autoconhecimento —- você vê o mundo lá fora se transformando, mas você pode mudar também e só vai conseguir se trabalhar mais centrado e olhando para si mesmo, em como você encara as coisas e quais são os seus valores.

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial do Instagram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 22h30, em horário alternativo.

Sua Marca: o que você deve aprender com as marcas mais valiosas do mundo

 

 

 

As características que colocam grandes empresas entre as marcas mais valiosas do mundo estão ao alcance de pequenos e médios empreendedores, também.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo basearam-se nos critérios usados para a formação do ranking “Best Global Brands”, realizado pela consultoria InterBrand, para identificar as lições que todos os gestores de marca podem implantar em seus negócios.

 

Vamos começar por entender os três critérios da Interbrand para chegar ao valor das marcas:

 

1. Performance financeira;
2. O quanto é importante para a tomada de decisão do cliente;
3. Força da marca para criar fidelidade

 

Com isso, as cinco marcas mais valiosas do mundo, em 2018, foram:

 

1. Apple
2. Google
3. Amazon
4. Microsoft
5. Coca Cola

 

E o que aprender com essa empresas? Jaime Troiano e Cecília Russo destacam cinco lições:

 

1. Consistência
2. Inovação
3. Comunicação
4. Produto ou serviço de qualidade
5. Respeito ao cliente

 

Ser consiste e ao mesmo tempo ser inovador pode parecer um contra-senso, mas não são, explica Jaime Troiano:

 

“As marcas devem ter compromissos com as origens e preservar o essencial na busca do novo”

 

Quanto a comunicação, Cecília Russo lembra que marcas fores são as que trazem mensagens contínuas e usam todos os canais disponíveis para isso:

 

“Não dá para ser uma marca calada”

 

É preciso entender, ainda, que marcas fortes não resistem a produtos ou serviços medíocres nem a desrespeito ao cliente seja na entrega, na forma de se relacionar, no pós-venda e, inclusive, na solução a possíveis problemas que surjam.

 

Levados em consideração todos esses aspectos, o pequeno e médio empreendedor vai provocar nos consumidores e clientes o sentimento que move o valor de todas as grandes marcas: a confiança.