A lição do Seu Paulo a oportunistas de plantão

 

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A imagem do apoio do pai de uma refém à mãe do sequestrador é de  Pedro Teixeira/Agência O Globo

 

Foram cerca de quatro horas de transmissão, ao vivo, descrevendo as cenas de um homem que mantinha reféns o motorista de um ônibus e 38 passageiros. No seu entorno, forte aparato policial, agentes especializados em negociação de risco, atiradores de elite e uma quantidade enorme de gente que teve seu caminho para o trabalho bloqueado. A história que monopolizou os programas matutinos —- incluindo o Jornal da CBN —, nessa terça-feira, e tinha a ponte Rio-Niterói como cenário nos trouxe de volta à memória o sequestro do ônibus 147, que resultou na morte do sequestrador e de uma refém, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, em 2000.

 

 

Cada momento da negociação, a liberação dos primeiros reféns, o atendimento médico, a movimentação estratégica dos policias, a angústia do trabalhador que estava preso no congestionamento ou do motoboy que teve entrega interrompida foi contada minuto a minuto. A participação de repórteres que levantavam as informações possíveis no local ou à distância, assim como a palavra de porta-vozes oficiais e especialistas em segurança pública e gerenciamento de crise colaboravam na construção daquela crônica de uma cidade tensionada pelo medo e a violência.

 

Os tiros que deram fim a atuação do sequestrador —- que se soube depois ser um rapaz de apenas 20 anos —- não puderam ser registrados pelas câmeras, mas foram ouvidos e relatados pelos jornalistas que estavam próximos. Tiros seguidos de gestos de comemoração expressados por pessoas transformadas em plateia viva daquele drama, em uma reação expontânea de um público acuado e já incomodado com a demora para o desfecho do caso. Nada que estivesse a altura do espetáculo grotesco proporcionado na sequência pelo governador do Rio, Wilson Witzel, que desceu saltitante do helicóptero, com um sorriso no rosto, braços erguidos e punhos cerrados como se comemorasse a vitória da barbárie. Tudo devidamente registrado pelo celular de um aspone que buscava o melhor ângulo para as redes sociais —- não se tem notícia onde foram parar aquelas imagens, após a repercussão negativa do comportamento do governador. 

 

Nas declarações que se seguiram, Witzel tentou recuar e disse que estava comemorando a vida salva dos 39 reféns, jamais festejando a morte do sequestrador. Agora já fala em ajudar a família do rapaz, oferecendo apoio psicológico. Difícil acreditar nessa retratação, especialmente se levarmos em consideração o histórico do governador —— “a polícia vai mirar na cabecinha”, declarou logo após eleito ao definir a política de segurança pública que colocaria em vigor no Estado. De lá até agora, o que assistimos foram muitos jovens inocentes sendo mortos com esses tiros a esmo disparados em confrontos entre policiais e bandidos nas comunidades mais pobres do Rio.

 

Após os diversos relatos ouvidos ao longo do dia, nos deparamos com o gesto do pai de uma das reféns em solidariedade a mãe do sequestrador morto. Paulo César Leal, de 54 anos, ainda tinha o coração dolorido pelo drama que enfrentou durante as quase quatro horas em que temeu pela vida da filha, Raiane, de 24. Todos os dias ele a deixava no ponto de ônibus para embarcar na linha Alcântara x Estácio e não demorou muito para saber que a jovem estava entre os 39 reféns. Nada disso foi tão forte que o impedisse de dar um abraço na mulher que havia acabado de ver seu filho ser morto por ter protagonizado aquelas cenas de ameaça e violência.

 

“Como ser humano, fui ajudar, porque naquele momento a dor é dos dois lados. Eu não tenho poder de julgar nem falar qualquer coisa que seja boa. Só falei para ela ter calma e confiar. O que eu vou dizer para ela, de conforto? Não tem o que dizer”, declarou aos jornalistas que se aproximaram dele. 

 

Obrigado, Seu Paulo. Seu gesto não apenas apaziguou o coração daquela mãe como nos serviu de lição de que ainda é possível acreditar na generosidade do ser humano. Que nossas autoridades, perturbadas pelo populismo, um dia aprendam com o senhor.

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

 

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Libertadores — Arena Grêmio

 

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Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi uma noite dedicada a prêmios, da qual participou a elite do empresariado brasileiro e algumas das duas maiores autoridades política e econômica do país. Coube a mim ser o Mestre de Cerimônia da entrega do Valor 1.000, premiação criada há 19 anos pelo Valor Econômico. Encontrar no palco gente que faz o Brasil andar, com seu trabalho na iniciativa privada, é sempre interessante. Saber que boa parte desta gente está na sua audiência, é gratificante.

 

Um aperto de mão aqui, um abraço acolá. Trocas de palavras amigáveis. Uma brincadeira com coisas do programa de rádio. Outra com o time de futebol. E a noite foi se estendendo. As autoridades, você sabe como são, gostam de vender o seu peixe. E se esforçaram para isso. Às vezes, indo além do tempo previsto —- o que, no fim das contas, já era previsto.

 

A acompanhar-me no púlpito de apresentação a tela do telefone celular que às vezes piscava para me chamar atenção para alguma informação de última hora—- aquelas notícias da política, da economia, do meio ambiente e do esporte, que costumam dominar sites e jornais, programas de TV e de rádio.

 

Foram por esses alertas que me foi contada a história do jogo desta noite pela Libertadores. Sem muitos detalhes, apenas com frases curtas que resumiam nossa situação. Perdemos logo cedo um dos nossos laterais. E isso deixa o lado esquerdo capenga como sabemos bem. De repente, sou informado do prejuízo maior: um gol adversário ainda no primeiro tempo.

 

Do início do segundo tempo para o fim, meu celular não parava de acender. Everton tentou. Everton driblou. Everton se esforçou. Jean Pierre, chutou. Foi falta mas o árbitro não marcou. Foi falta e expulsou. Infelizmente, só não recebi o aviso que mais esperava nesta noite. O Grêmio não marcou.

 

Imagino que muitos dos meus que assistiram ao jogo na Arena ou na televisão saíram incomodados com o resultado e alguns cabisbaixos. Sabem que o desafio na semana que vem será barra pesada, diante da torcida adversária e contra um técnico forjado na nossa casa, que merece todo nosso respeito.

 

Curiosamente, minha sensação é bem diferente — seja porque o jogo me foi contado a conta gotas seja porque a história do Grêmio já me foi ensinada há muito tempo. Cheguei agora há pouco em casa e ainda tirei tempo para escrever essa Avalanche, apesar do adiantado da hora, com a tranquilidade de quem conhece nossas façanhas. E sabe que estamos capacitados a buscar o melhor resultado contra tudo e contra todos.

 

Nada está decidido. E se alguém acreditar que está, cuidado. Melhor não subestimar nossa imortalidade.  

Modos e modas para o varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Modos e modas” é o blog da jornalista Deise Sabbag, um dos ícones da mídia de moda nos anos 1980. Escreveu o primeiro livro de moda — A Moda dos anos 80 –, idealizou e criou o Todamoda — o pioneiro caderno exclusivo de moda no Shopping News, jornal de grande circulação aos domingos em SP –, editou o Todamoda Profissional, de circulação nacional, dirigido aos profissionais da área, e lançou edições diárias nos eventos de moda. Deise me procurou para uma entrevista a ser publicada no Modos e Modas na próxima semana. Atendi prazerosamente. E o resultado publico abaixo:

 

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Análise da situação atual do varejo

 

DS Internet ajuda ou prejudica?

 

CM — A internet é necessária, e hoje esta condição é facilmente demonstrável pelas marcas de varejo de sucesso que estão no mercado. Ou começaram com loja física e adotaram também a internet. Ou iniciaram na internet e posteriormente foram para o mundo físico. O OMNICHANEL que é a denominação do sistema que envolve todos os canais possíveis de aglutinação para uma marca de varejo, é condição obrigatória para atender as demandas dos consumidores atuais. Nos mercados contemporâneos de países desenvolvidos como o norte-americano e o asiático, não há mais a preocupação em identificar de onde vem o consumidor, pois o foco está em atendê-lo na forma e na condição em que ele o desejar. É oportuno registrar que esta nova exigência ao lojista facilitou muito ao consumidor e dificultou extraordinariamente a operação e o entendimento para o varejo físico, pois a internet ilude quanto a custos e expertise, afinal os custos são iguais e a expertise é diferente.

 

DS Desemprego – falta recursos e vontade para comprar?

 

CM — Recursos e vontade para comprar são efeitos e não causas. Afinal a lição de casa não está sendo feita. Ou seja, há erros primários gritantes nas operações, que se corrigidos poderiam gerar recursos e há também falta de percepção do comportamento atual dos consumidores, que, se identificados, motivariam a compra. Por exemplo, o atendimento ainda é um aspecto essencial no contexto do varejo e que carece em muitas lojas físicas. Outro exemplo é a miopia quanto ao propósito que o consumidor atual imprime à compra, elevando o rol de expectativas ao produto e serviço que deseja adquirir. É imprescindível obter medidas como o grau de satisfação dos clientes que a marca atende. Antigamente se difundia que um consumidor bem atendido propagava para uma ou duas pessoas o bom atendimento, mas o mal atendido difundia para 10 pessoas. Hoje, a difusão do mal atendimento vai além de 220 pessoas, graças a mídia social. Outro fator é o alto custo de obtenção de um novo cliente em relação ao custo de manutenção do cliente. Enfim, depois de medir a eficiência e eficácia operacional interna, fica mais fácil saber o quanto o mercado estagnado está refletindo no negócio e então cogitar de novas medidas estratégicas e operacionais.

 

DS Inverno curto e ameno precipitou liquidações de inverno?

 

CM — O inverno para o nosso país tropical é a estação que o setor de moda, por exemplo, precisa tratar com mais cautela. Pode ser o regulador do resultado anual ao contaminar o lucro do verão.Há aqui um grave efeito provocado pela predatória antecipação das coleções, a despeito de infrutíferas tentativas de padronizar o calendário. Hipótese efetivada apenas nos anos 60 através da Promostyl, quando coordenou cores, formas e calendário. Hoje a exigência é para abastecimentos semanais, coleções “cápsulas” eventuais, atentas às previsões climáticas. Por sinal, mais confiáveis a cada ano. O alongamento da venda de inverno decorrente da antecipação do lançamento diminui o resultado e aumenta o preço, por isso as quatro estações do ano precisam ser consideradas, mas não podem ser rigidamente determinantes. Agilidade e atualidade serão a competência a ser buscada.

 

DS Política de preços em desacordo com o poder aquisitivo brasileiro. Caminhos para contornar essa fase?

 

CM — A política de preços está refletindo as falhas estratégicas e operacionais das empresas que estão oferecendo produtos e serviços incompatíveis com o poder aquisitivo do seu público-alvo. É preciso considerar que o sistema foi alterado, concorrentes novos vieram de outros segmentos, concorrentes tradicionais de grande porte se fortaleceram, os custos subiram, os consumidores demandam novas exigências e diferentes desejos. A marca que quiser permanecer precisa se adequar e acompanhar tanta mudança. De forma específica, por exemplo, diferenciar dos grandes players, redesenhar o calendário, abastecer semanalmente, não aprofundar as grades, pesquisar constantemente a satisfação dos clientes, treinar a equipe, renegociar contratos de locação, eliminar lojas que estão abaixo do padrão. E, de forma geral seguir pelo menos alguns princípios de Vicente Falconi, guru de Abílio Diniz e Jorge Paulo Lemon:

 

– Liderar é bater metas
– Sem medição não há gestão
– Problema é a diferença entre a situação atual e a meta
– 3 a 5 metas para cada chefia
– Alta rotatividade é inaceitável
– Desculpas são patéticas

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Maratona Piauí CBN de podcast: um novo modelo de negócio

 

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Adriana Salles Gomes, Ana Paula Wehba e Fernanda de Paula e eu em FOTO DE MARCELO SARAIVA

 

A reportagem a seguir foi publicada originalmente no site da Revista Piauí, onde você encontra a cobertura completa da Maratona Piauí CBN de podcast, que se realizou nesse sábado, dia 17 de agosto, em São Paulo:
 

Por que apostar em um podcast e como conseguir financiamento? Ao mesmo tempo, como democratizar o acesso aos podcasts? Foram essas algumas das questões discutidas na abertura da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, que acontece neste sábado em São Paulo, no campus da ESPM na Vila Mariana. Adriana Salles Gomes, editora-chefe da Revista HSM Management e apresentadora do podcast CBN Professional, Ana Paula Wehba, diretora de eventos, projetos e negócios da revista Trip, e Fernanda de Paula, gerente de marketing de produtos do laboratório Boehringer Ingelheim, conversaram sobre estratégias de negócios para criar podcasts. A mediação foi do jornalista Milton Jung, da CBN. Na plateia e pelas redes, o público participou enviando perguntas para os participantes de mesa. A maratona tem apoio do Google News Iniciative.

 

A menstruação e suas dores motivaram a criação do podcast Seu Forte é Ser Mulher, parceria entre a Trip e o laboratório Boehringer Ingelheim, que fabrica os medicamentos Buscopan e Buscofem, usados contra cólicas menstruais. O podcast é uma ação típica de branded content, conteúdo de marca, quando a empresa financia o projeto.

 

“Toda mulher menstrua, e ainda assim o tema é um tabu. Resolvemos falar disso de forma muito autêntica. É um tema que conversa com a marca, nem preciso colocar o nome do produto”, afirmou Fernanda de Paula.

 

A partir de uma pergunta da plateia, as participantes discutiram o risco de o conteúdo patrocinado prejudicar a isenção jornalística e, por consequência, a qualidade do produto.

 

“Há um risco, claro, e não se pode transformar o programa em uma propaganda”, respondeu Wehba. “A gente queria trazer as dores reais das mulheres. Se a gente interferisse, ia prejudicar a naturalidade da vida real.”

 

Apresentadora do podcast CBN Professional, Salles Gomes disse que a HSM Management, uma plataforma de educação corporativa, viu nos podcasts uma chance de ampliar seu público e tornar a marca mais conhecida. O modelo de negócio é o patrocínio tradicional.

 

“O podcast permite manter a profundidade para abordar os assuntos, num tom mais leve e com participação do público”, afirmou Salles Gomes. Ela destacou, porém, a necessidade de uma boa interação entre os parceiros responsáveis pelo projeto. “A gente tem de abrir mão de uma coisa para ter outra coisa. Negociar, enfim.”

 

As três participantes defenderam a necessidade de democratizar o acesso aos podcasts. “Acho que a gente deve olhar para o podcast como uma ferramenta de democratização da informação”, afirmou Wehba. Ela criticou as dificuldades para localizar os podcasts nos tocadores. “Ainda precisamos de uma plataforma de distribuição na qual você consiga ver tudo que está sendo produzido de podcasts.”

 

“Não se pode tratar o áudio como se fosse um cidadão de segunda classe”, cobrou Jung. Para quem quer começar um podcast, as dicas da mesa foram: ouvir podcasts do Brasil e do exterior, escolher um tema “verdadeiro, legítimo”, ou seja, pelo qual a pessoa tenha interesse genuíno, e, por fim, ter o que dizer. A dica de Jung também foi precisa: falar com cada ouvinte individualmente, para que ele se sinta próximo. “É preciso chamar o ouvinte de você”, concluiu.

Avalanche Tricolor: David Braz é o tipo do cara que gosta de jogar bola sábado à noite

 

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Brasileiro — Arena Grêmio

Gremio x Palmeiras

David Braz comemora em foto de Lucas Uebel/GREMIOFBPA

 

 

Lá no Nonoai, bem em frente ao prédio onde o pai morou nos seus últimos dias, tem um mini-campo de futebol com grama rala, goleiras posicionadas e muito bem cercado — foi a forma que os donos do campinho encontraram para impedir que chutes desajeitados façam a bola se perder no riacho que passa atrás de um dos gols, no pátio da paróquia  que fica do lado contrário ou na rua Santa Flora, que corre por uma das laterais, onde os carros costumam andar em velocidade acima da necessária.

 

Nas últimas visitas que fiz ao local, ao estacionar o meu carro em frente ao campinho, chamava-me atenção o fato de todo dia ter gente para jogar. Alguns times mais organizados. Com uniforme e tudo mais. Com direito a resenha na porta do vestiário e ritual ecumênico antes da partida — aquela corrente pra frente que às vezes assistimos nos gramados oficiais. Parece que cada jogo ali jogado era uma decisão.

 

O que mais me intrigava era a turma dos sábados à noite. Isso é hora de jogar bola? Essa gente não tem família para visitar, amigos para badalar ou namorada para … namorar? Sei que essa cena, em Porto Alegre, não deveria me causar estranheza, especialmente depois de já ter assistido muitos times se engalfinhando  nas madrugadas do Rio de Janeiro, lá no Aterro do Flamengo. Afinal, futebol  é para ser jogado quando e onde quisermos. Basta a bola, um adversário que seja e nosso desejo está atendido. Diversão em campo. 

 

Meu incômodo talvez esteja ligado ao meu passado. Quando comecei a frequentar estádios de futebol, jogo de verdade se assistia aos domingos à tarde. Quarta-feira à noite também era aceitável — especialmente depois que meu time passou a visitar as competições sul-americanas, e as copas nacionais ganharam espaço no calendário do futebol brasileiro. 

 

Hoje em dia (e à noite), tem futebol a toda hora. Sábado de tarde, sábado no fim da tarde, sábado no fim da noite. Domingo de manhã, de tarde e de noite. Às segundas, também. Terça, quarta, quinta, não pode faltar. Seja para atender as múltiplas competições que alguns dos nossos times disputam seja para vender todos os jogos à televisão, a bola rola a todo momento aqui no Brasil.

 

Neste sábado à noite — NOVE HORAS DA NOITE — foi a vez do Grêmio e sua torcida comparecem no bairro do Humaitá para mais uma partida pelo Campeonato Brasileiro. Aquele que eu já havia decidido em minha intimidade que só voltaria a tratar aqui nesta Avalanche quando o Grêmio resolvesse disputar de verdade, com time titular, resenha motivacional no vestiário, ritual ecumênico antes da partida  e o desejo da conquista maior a qualquer custo.

 

Quem joga bola sábado à noite? Foi a pergunta que me fiz antes de me ajeitar no sofá e ligar a televisão para ver o Grêmio — sim, caro e raro leitor desta Avalanche, eu tenho família, filhos para cuidar e namorada para namorar, mas neste sábado os compromissos profissionais e pessoais começaram muito cedo e tinham se estendido por todo o dia, então resolvemos descansar em casa em lugar de sair com os amigos. E descansei no sofá assistindo ao Grêmio.

 

Quase me arrependi do programa reservado para esse sábado à noite . Fui salvo pelo bom vinho que saboreei enquanto a bola rolava na Arena e por aquele chute do David Braz, aos 44 minutos do segundo tempo. Assim que bateu na bola, lembrei-me do chutão que costumava partir dos pés daquela turma do campinho do Nonoai que só não alcançava a torre da Igreja ou a profundeza do riacho por causa da cerca. A diferença é que o chute do nosso zagueiro em lugar de ser desajeitado tinha um destino bem melhor: o ângulo do goleiro adversário.

 

Foi, então, que me dei conta: se tem alguém que gosta de jogar sábado à noite, este alguém é o David Braz, especialmente quando o pai dele, Seu David, faz aniversário.

 

Valeu, seu David. O senhor salvou o meu sábado!

 

Conte Sua História de São Paulo: a vila cresceu

 

Por José Maria Pires
Ouvinte da CBN

 

 

Lá se vão tantos janeiros
Era uma pequena vila nos primeiros

 

 A vila cresceu
E, então uma grande cidade, nasceu.

 

 Com trabalho trouxe a riqueza
Tornando-se uma enorme fortaleza

 

 SÃO PAULO é assim
Tem cheiro de jasmim

 

Com tons de cinza na aquarela
De fato é uma cidade muito Bela.

 

 Terra da garoa
Terra de Gente Boa

 

Terra que não descansa
Terra de esperança

 

Terra de gente de Fé
Terra também do café

 

Terra da Independência
Terra com Jurisprudência
 

 

Terra de nações e suas crenças
Terra em paz com suas diferenças

 

 Terra das artes e das Ilusões
Terra de oportunidades mediante as ações
 

 

Terra que riqueza produz
Terra que a pureza conduz
 

 

Terra de muitos amores
Terra que espanta temores

 

Terra de vitórias mil
Um pedaço desse imenso país de nome BRASIL.

 

José Maria Pires é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

                                                                                                                                                                                                                                                     

Sua Marca: propósito é saber por que eu existo

 

 

 

“O propósito tem de ser autêntico e verdadeiro, tem de expressar exatamente o que aquela empresa é. Não é “eu quero ser desse jeito”, mas é o que eu sou, e como esse propósito atende a necessidade da sociedade para que ele tenha relevância” —- Cecília Russo

Falar de propósito é uma linguagem muito comum em vários ambientes de negócios, mas ao mesmo tempo se percebe que muitas vezes confunde-se essa ideia com conceitos tais como missão, valores e causas. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado pelo jornalista Mílton Jung, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

 

Missão é o que eu sei fazer bem. Visão é onde eu quero chegar. Causas são compromissos temporários que assumimos. Já o propósito está relacionado a história da empresa desde o seu início, tem a ver com o sonho que moveu a organização: é saber por que eu existo. Para se chegar ao propósito, Cecília Russo comenta que não basta uma sessão de brainstorm é necessário que se faça uma escavação que leve a origem da empresa.

 

“Propósito não é um perfume que eu aplico em uma flor, é a fragrância da própria flor”, diz Jaime Troiano.

Mundo Corporativo: o impacto do voluntariado corporativo nas empresas e nas carreiras

 

 

“O programa de voluntariado corporativo pode ser visto como mais uma das opções de desenvolvimento das pessoas que está dentro do portfólio de treinamento e desenvolvimento que as organizações oferecem para seus colaboradores” — Marcelo Nonoay, MGN Consultoria

O voluntariado corporativo surge nas empresas ou por provocação dos próprios colaboradores que já realizam trabalhos neste sentido ou por iniciativa da empresa disposta a desenvolver uma visão de investimento social. O consultor Marcelo Nonoay, da MGN Consultoria, fala de estratégias para a implantação de projetos de voluntariado nas empresas e dos impactos gerados naqueles que participaram das atividades, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da CBN.

“Fazer o trabalho voluntário é uma forma de desenvolver competências. Existem muitas pesquisas que comprovam isso. E quem já fez trabalho voluntário sabe que é. A pessoa não volta igual. Existe esta visão de investimento nos colaboradores. Então a empresa não faria um investimento como esse apenas por benevolência. Ela faz porquevê que isso traz retorno para ela. Inclusive no desenvolvimento das pessoas”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter da CBN (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast e no canal da CBN no You Tube. O programa tem a participação de Guilherme Dogo, Rafael Furugen,
Celso Santos, Adriano Bernardino e Bianca Vendramini.

Magalu é negócio da China

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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(foto divulgação)

 

Hoje, quem desejar ter uma visão do varejo do futuro é fácil. Não precisa mais ir até a China, basta verificar os índices e resultados alcançados pelo Magazine Luiza publicados recentemente sobre o último trimestre.

 

Com 22,3 milhões de clientes na base, recebe visita mensal de 12 milhões pelo aplicativo e oferece 8.100 “vendedores associados” com 7,5 milhões de itens em 36 categorias de produtos em seu Marketplace.

 

Esse fantástico unicórnio do Marketplace, precisou de apenas seis meses para atingir o 1 bilhão de reais, enquanto o Magazine Luiza físico precisou de 42 anos para chegar a unicórnio, e o e-commerce, 10 anos.

 

O crescimento exponencial da operação digital, iniciada em fins de 2016 e entregue a Felipe Trajano, o filho da Luiza Trajano, teve criatividade e agilidade. Empresas de aplicativos e logística foram incorporadas pela compra, assim como recentemente a NETSHOES e a ZATTINI.

 

É interessante ressaltar que mesmo diante de fortes investimentos o setor digital apresentou lucro.

 

Ao mesmo tempo, o mundo físico do Magazine Luiza não perdeu o pique. Desde a operação “Copa do Mundo” com a campanha Sai Zica, que resultou na venda de um milhão de aparelhos de TV, até a recente campanha Smartphoniza Brasil, estimulando a troca de celular, levando a financeira do grupo Luizacred a atingir no fim de junho o montante de 9,5 bilhões de reais.

 

Aqui o OMNICHANEL é uma realidade, e as lojas se transformam em pontos de distribuição. O Retira Loja, que permite a entrega na loja das compras digitais utiliza mil lojas em 16 estados e corresponde a 35% das entregas.

 

A entrega expressa realizada em até 48 horas atinge 40% dos pedidos em 290 cidades.

 

Na grande São Paulo, em Campinas e em Belo Horizonte as entregas são feitas no mesmo dia.

 

A venda comparativa de abril, maio e junho teve um aumento de 24,4% em relação ao ano anterior, que já tinha sido bom, em decorrência do Sai Zica.

 

As lojas físicas cresceram 9%, e a base do Cartão Luiza evoluiu 24% com 4,6 milhões de cartões.

 

É preciso observar que a Netshoes só contribuiu com 15 dias de participação nestes dados.

 

O Ebtida apresentou 304 milhões de reais de lucro com margem de 7,2%.

 

Para quem gosta de afirmar que na prática a teoria é outra, a Magalu é um desafio, pois a agilidade e competência em aplicar os conceitos, que muitos práticos duvidavam, trouxeram ao sucesso de agora.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.