Conte Sua História de São Paulo 466: os apitos das fábricas agora são raros

 

Dalva Rodrigues
Ouvinte da CBN

 

 

Minha infância foi na Vila Liviero, divisa com São Bernardo. Nossa casa humilde, o quintal, a rua, seus moradores, comércio, quermesse, o circo e o parquinho de diversão. Da janela da frente de minha casa avistava o terreno que diziam ser da Ford. Mas acho que só uma parte era da montadora, onde havia o pátio de automóveis. O restante era uma enorme área verde. Era o que chamávamos de “Pastão da Ford” — um paraíso para brincar, empinar pipa … onde cavalos e bois pastavam, havia um ou outro casebre, algumas hortas, árvores, cercas de madeira e arame farpado querendo impor limite aos invasores.

 

Acordava cedinho com o apito das dezenas de fábricas nos arredores. Abria a janela e olhava a névoa que cobria o Pastão se dissipando aos poucos com a chegada da luz matutina, parecia cenário de filme. Quando o capim gordura estava alto, a tela que via da janela era outra: quase tudo se tingia de rosa avermelhado. Quando o capim estava baixo, virava parque de diversão.

 

Lembro quando com alguns amigos atravessamos a pinguela do córrego, estreita e perigosa. Mais de um quilômetro de caminhada. Fomos fazer um piquenique por lá. Toalha estendida embaixo da árvore mais frondosa, comida, brincadeiras, risadas. A infância se derramava alegremente. Depois o descanso. Deitada no chão observava a vida agitada dos insetos que zanzavam ao redor. Ao longe avistava minha rua, a janela pequenininha de onde olhava o pasto logo cedo. Foi quando o tempo fechou, as nuvens escureceram e raios e trovões anunciaram a tempestade de verão. Sem consciência do perigo ficamos embaixo da árvore gigante até a chuva passar. Fomos protegidos pela nossa inocência. Sorte de criança.

 

Os apitos das fábricas agora são raros. O nosso Pastão foi tomado por hipermercado, condomínios, muros altos que separam as casas do córrego mal cheiroso. Mesmo assim ainda hoje olho o Pastão de minha janelinha, a partir das memórias que não se apagaram totalmente.

 


O capim gordura no “meu pastão” é lindo de olhar.

 


Dalva Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo 466: no meio do caminho tinha pastel com caldo de cana

 

Dalvanira Pais de Lima
Ouvinte da CBN

 

 

Lazer na minha infância significava visitar os parentes. A extensão desta cidade e seus arredores garantia que cada tio conseguisse comprar um terreninho e construísse sua casa a quilômetros de distância uma das outras. 

 

Para se chegar a casa de um parente, tomavam-se, no mínimo, dois ônibus e um trem. Isso não era problema, ao contrário. Fazia parte dos atrativos do passeio. Na janelinha do ônibus, me encantei ao descobrir que era capaz de ler os letreiros das lojas — e fazia isso em voz alta.

 

Na caminhada entre o ponto de uma linha de ônibus e outra, passávamos na pastelaria chinesa para comer pastel com caldo de cana. Às vezes, o estômago não aceitava bem essa combinação e eu tinha de descer do ônibus agarrada na mão dos meus pais, deixando para trás muito trabalho para o pessoal da limpeza.

 

No trem, outro ponto alto do passeio era comer biscoito de polvilho. O menino passava chacoalhando a matraca e gritando com uma entonação peculiar: “Biscoito, salgado e doce”.  

 

Depois de um dia inteiro de visita familiar, que podia ser divertida quando tinham primos e primas com quem brincar, era hora de voltar. A maratona de ônibus e trem tinha que ser enfrentada novamente, com a diferença de que eu e meus irmãos, agora, estávamos cansados. Lembro-me que o sono dormido no ônibus ou no trem era tão gostoso que eu torcia para não chegar. No destino, era sacudida e descia feito um zumbi arrastada pelos meus pais.  

 

No Largo do Paissandu, ficava o ponto do último ônibus que precisávamos pegar para chegar em casa. Era nesse momento que encontrava descanso e conforto sentando-me em cima dos pés de meu pai. Seu sapato preto Vulcabrás servia de assento, e suas pernas faziam às vezes de encosto. Imagino quanto não fiz doerem os calos de papai, mas não podia haver assento mais confortável que aquele. 

 

Dalvanira Pais de Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva as suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 466: de pé descalço e a caminho da padaria, em Moema

 

Sérgio Slak
Ouvinte da CBN

 

 

Moro em Moema, na zona Oeste. Nasci em São Paulo. Estou com 61 anos. Tenho muito orgulho em dizer que sou paulistano. Com sete anos, vivia no bairro de Vila Ema, na zona Leste. Com a morte de meu pai nos mudamos para a casa de meus avóes paternos.

 

Era uma casa térrea em um terreno de 400 metros quadrados. Não era de luxo. Era ampla, com quartos grandes, cozinha espaçosa, e uma sala deliciosa de se ficar. O quintal era um sonho. Tinha jabuticabeira e dois pés de figo. Tinha também uma parreira de uva. Todo ano se colhia as frutas nas próprias árvores.

 

Meu avô era aposentado e havia vários canteiros no qual ele plantava verduras, e regava todos os dias com a água que retirava do poço. Moema era muito diferente naquela época. Ruas com pouco movimento. Todas eram de mão dupla. Alguns terrenos eram baldios. Então, a gente jogava bola por ali mesmo. Costumava andar descalços e seguia a pé sozinho até a escola.

 

Em 1974, meu avô vendeu a casa para uma construtora e com a parte da herança da minha mãe mudamos para um sobradinho de vila, no próprio bairro. Logo muitos prédios começaram a ser construídos. Foi inaugurado o Shopping Ibirapuera. E de repente Moema se transformou.

 

As ruas deixaram de ser tranquilas. O trânsito aumentou. A maioria virou mão única. Hoje, tempos prédios de alto padrão e das poucas casas que restaram a maioria é usada para fins comerciais. Algumas resistiram. Como é o caso da minha.

 

Apesar das mudanças, sigo muito feliz em morar aqui. Ao passear pelas calçadas, fecho os olhos e revivo minha infância. Me sinto de pés descalços a caminho da padaria onde comprava pão e leite. No trajeto da escola, que ficava a mais de um quilômetro dali. E brincando no quintal da casa do meu avô.

 

Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 466: o restaurante do futuro que me leva ao passado

 

Por Breno Lerner
Ouvinte da CBN

 

 

Fui uma única vez ao Giratório. Tinha uns 11 anos e meu avô Maurício que conhecia tudo da cidade lá me levou. Analisando hoje era um cenário que poderia tranquilamente estar no filme Tempos Modernos, de Chaplin.

 

Entrava-se por uma porta tipo saloon, fazia-se e pagava-se o pedido por número:

 

1 — arroz/feijão/bife/salada

 

2 — arroz/feijão/carne assada/fritas

 

Acho que eram 20 números no total. Tinha uma deliciosa lasanha, carne assada à brasileira e as duas salvações dos office-boys: a macarronada e o arroz com dois ovos, por preço baixo. O pedido era por interfone à cozinha —- o primeiro de São Paulo, trazido da Itália pelo dono da casa. Lavávamos as mãos e para tirar a água usávamos o primeiro secador a ar da cidade.

 

Sentava-se em uma cadeira, frente a um balcão que por sua vez ficava diante de uma envidraça cozinha oval. O balcão e a cadeira giravam ao redor da cozinha. Na primeira janela, você recebia sua comida e bebida. Tínhamos uns 20 ou 30 minutos para comer. Chegava-se então à janela das sobremesas e, em seguida, em outra janela na qual devolvia-se pratos, copos e talheres. Giro completo, alimentação feita, voltava-se a porta de saloon para ir embora.

 

Uma queixa recorrente era que quem pedia a carne assada à brasileira não comia em tempo de completar o giro e precisava de um extra, para prejuízo da fila.

 

A iniciativa foi da família Barioni, uma família de artistas e inventores. Mário bolou o restaurante; Ézio não só dirigia a casa como construiu máquinas de lavar prato, descascadores de batata e aquela secadora de mãos. O terceiro irmão, Baby Barioni, também ajudava. Ele foi o criador dos Jogos Abertos do Interior.

 

O restaurante Giratório funcionou na rua Amador Bueno, hoje rua do Boticário, de 1958 a 1968 quando fechou sufocado pelos custos da renovação do aluguel e operacionais.

 

Não vou jamais conseguir descrever a vocês meu fascínio quanto entrei e vi aquilo tudo funcionando. Era como ser transportado ao futuro.

 

Hoje, vivo no futuro e tenho uma saudade danada do passado.

 

Breno Lerner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias de São Paulo visite o meu blog miltonjung.com.br

Conte Sua História de São Paulo 466: um beijo em plena avenida Paulista

 

Por Antonio Jose
Ouvinte da CBN

 

 

Sou Antonio José da Silva Filho, mais conhecido como Tony. Em minhas memórias, me lembro como se fosse hoje. Todas as vezes que passo pela Avenida Paulista, que seja a trabalho, passeando ou pedalando, vem à lembrança:

 

Nos anos 1970 e até meados dos anos 1980, eu morava na Vila Mariana, na rua Itaoca, onde foram travados grandes embates futebolísticos entre os times da Rua Jaci e da Ouvidor Peleja, da Guiratinga e da Santo Irineu, e uma série de outras equipes representando as ruas do bairro.

 

Estudei no Colégio Brasília Machado. E foi lá que conheci uma grande amiga que morava no bairro de Americanópolis, também na zona Sul. Até hoje não sei o por quê, mas meu coração foi com o tempo se derretendo por ela. Um dia, a levei a primeira loja do Macdonald’s aberta na cidade, na Avenida Paulista. A loja ficava na esquina com a Brigadeiro Luís Antônio. Foi no início dos anos de 1980.

 

O encontro foi maravilhoso. Ela, menina meiga, bonita, charmosa, cativante —- uma lista de elogios sem fim. Nunca havia entrado em uma loja assim de fast food. E foi ali mesmo que tudo aconteceu. Nosso primeiro beijo sob olhares espantados da freguesia. Hoje a cena seria bem normal, mas naquele tempo ….

 

Daquele beijo em diante seguiu-se um namoro que se transformou em casamento. Foi em 1987. E até hoje como prometemos a Deus, perante algumas testemunhas, estamos casados e felizes. Como aprendi, o amor é o que o amor faz. Temos dois filhos, Vinícius, de 26 anos, que mora na Malásia e de quem morremos de saudades. E Ana Carolina, nossa princesa, que está com 23.

 

Foi na Avenida Paulista. Ali começou tudo e com certeza será a maior recordação de nossas vidas.

 


Antonio José, o Tony, foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto também para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua Historia de São Paulo 466: meu pai Chicó, tios e primos moraram aí

 

Por Paulo Furtado
Ouvinte da CBN

 

 

Minha história de São Paulo começa com o fato de que não sou daí e nunca estive aí. Continua com uma coincidência: nasci em Cuité, na Paraíba, que faz aniversário de emancipação política em 25 de Janeiro, data da fundação de São Paulo. Em Cuité nasceram também meu pai Francisco, Seu Chicó, e meus tios: Benedito, Pedro e Nilo, que assim como alguns primos e milhares de nordestinos migraram para a Terra da Garoa em busca de melhores ventos profissionais.

 

Tio Benedito teve um bar na Rua Vilela, no Tatuapé. Infelizmente não o conheci. Ele casou-se com uma sergipana e teve filhos. Tio Nilo casou com uma boliviana — pessoa da melhor qualidade —-, teve filhos que hoje são empreendedores em Sampa. Tio Pedro casou mas não teve filhos. Voltou a Cuité onde viveu seus últimos dias.

 

Meu pai Chicó também casou. Minha mãe era natural do Rio Grande do Norte, costureira. Ele trabalhou no Ponto Chic — acho que funciona até hoje (vocês que moram por aí podem confirmar). Meu irmão mais velho nasceu em São Paulo. Meus pais voltaram a Cuité, onde abriram uma mercearia e com muito trabalho criaram a nós todos — os seis filhos.

 

Toda essa história tem início nos anos de 1950 e ainda não terminou. Segue hoje graças aos laços de amizade entre os primos, frutos dessas relações que vivem na megacidade que é São Paulo — onde nunca estive e não sei se visitarei algum dia, o que nunca me impedirá de ter com ela uma relação tão íntima.

 


Paulo de Chicó é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Claudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Alessandra Andrade, da FAAP, diz como transformar a sua ideia em um bom negócio

 

 

“Quando a gente é louco o suficiente para achar que a gente pode mudar o mundo, a gente realmente pode mudar então se algo não dá para fazer agora, talvez daqui um ano dê porque as tecnologias vão mudando, as fórmulas vão mudando acredite no seu sonho e vai em frente” — Alessandra Andrade, FAAP

É crescente o desejo de jovens em lançar o seu próprio negócio em vez de buscar um emprego no mercado de trabalho —- fenômeno que também se vê em outras faixas etárias. Isso gera necessidades que vão além do conhecimento técnico que se costuma desenvolver dentro das universidades. Para atender a essa demanda, instituições de ensino superior têm criado espaços para a inovação e o empreendedorismo, como é o caso da Fundação Armando Alvares Penteado, uma das mais tradicionais faculdades de São Paulo. O jornalista Mílton Jung entrevistou no programa Mundo Corporativo, Alessandra Andrade, gerente do FAAP Business Hub, um espaço que ela define como sendo “a startup da FAAP”, onde novas ideias são testadas e em que errar faz parte da busca do conhecimento:

“Hoje, mesmo antes de você ter o seu CNPJ, de você abrir a empresa ou não, você vai falar com o cliente, o foco é no cliente. E esse é o mindset, hoje, do mundo corporativo, do mundos dos negócios, do mundo das startups, onde você testa. Hoje, você não precisa mais de escritório, você não precisa mais do cartão de visitas; você precisa é ter uma boa solução”

Na entrevista, Alessandra Andrade identificou três setores que têm criado ótimas oportunidades para startups: o agronegócio, pela capacidade agrícola do Brasil; o financeiro, através do fenômeno das Fintecs que têm ocupado espaço que era de bancos tradicionais; e o varejo, no qual, depois da explosão do comércio eletrônico, as lojas físicas têm ganhado nova relevância como ambiente de relacionamento com os clientes e pontos de coleta de informação e dados.
 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN no Facebook ou no Twitter (@CBNoficial). O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: meu casamento com o ousado do Sérgio

 

Por Giselle Scalabrin
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo as lembranças de Josefina Canali Scalabrin escritas pela filha Giselle:

 

Era final de 1963, acho que em setembro, trabalhava na Barão de Itapetininga, numa imobiliária. Era secretária, elegante, cabelo a la Audrey Hepburn, sempre séria e de bico, hoje só sobrou o bico e os cabelos brancos para guardar todas as lembranças dessa época maravilhosa dos meus 20 e poucos anos.

 

Já nos conhecíamos de vista apenas, porque minha irmã tinha uma floricultura no Pari, e o marido dela, moravam em frente a casa dele no mesmo bairro, na época um reduto de descendentes italianos e portugueses.

 

Mas não tinha prestado muita atenção no bonitão que tinha o biotipo de sucesso para época, cabelo e charme do Elvis, porem um pouco ogro para a beleza exuberante.

 

Sem perceber começamos nos encontrar no terminal de ônibus embaixo do Viaduto Santa Efigenia, próximo a escada caracol, onde tudo começou. Ficava me olhando todos os dias e um belo dia veio falar comigo: — Boa noite, tudo bem, nós já nos conhecemos do Pari, não?! Sempre vejo você indo na floricultura”.

 

E ai começamos a sair, só de mãos dadas; depois de três meses, o primeiro beijo; mas ele era ousado porque queria que eu pegasse no seu braço para atravessar a rua, quando só noivos podiam ter esse contato mais próximo.

 

Um dia estava eu em casa, o ousado chegou na janela de terno novo e perfumado e me chamou para ir no cinema, fomos ver o filme “Angélica”, com Brigitte Bardot. Linda! Mulheres lindas, femininas, o feminino tinha outro significado que o de hoje. Mas na volta levei aquela bronca de papai, porque não pedi permissão para sair.

 

Da outra vez precisei levar a vela da minha irmã mais velha. Marcamos no cinema Hollywood, em Santana. Era um dia frio de inverno e chuva, ele para se proteger ficou atrás da porta e eu não consegui encontrá-lo. Pensou que eu não tinha ido.

 

Na 2ª. Feira, logo após o desencontro, nos vimos no centro da cidade no terminal de ônibus como era de costume e ele cheio de tristeza e raiva, nem deixou eu me explicar. Eu, muito orgulhosa, passei a evitá-lo o máximo possível. Essa briguinha durou uns dois anos.

 

Um belo dia estava eu com minha amiga Maria, na Praça do Correio, na rua Capitão Salomão. Ela disse que um moço estava vindo em minha direção: “vai falar com você!”. Pedi para descrevê-lo. E não tive dúvidas que era o ousado mal-resolvido de dois anos atrás. O problema é que já havia marcado outro encontro com o Alberto, no mesmo local e horário. Mas o ousado chegou antes e assim que Alberto nos viu, foi embora.

 

Após esse reencontro, começamos a namorar, com muitos passeios e broncas de papai porque exigia que eu pedisse a permissão dele para sair todas as vezes. Muitos presentes, muitos passeios no centro de São Paulo, que era nosso shopping, nossa Paulista, nosso centro comercial, nosso centro cultural. Era onde São Paulo fervia, tudo acontecia: revoluções, protestos, estreias, desfiles de moda, restaurantes maravilhosos e muitas histórias de amor.

 

Depois de dois anos, Sérgio, o ousado, e eu, nos casamos. Tivemos quatro meninas e quatro netos Em abril de 2018 fizemos bodas de ouro comemoradas com a música de Elvis Presley.

 


Josefina Canali Scalabrin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela filha, Giselle. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn,com.br

Cinco tendências da NRF 2020

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto: Pixabay

 

O NRF Retail’s Big Show é o maior evento de varejo do mundo. Esta semana um número significativo de players brasileiros estará se dirigindo para Nova York a fim de se inteirar do que ocorre de mais importante no setor. Ao mesmo tempo deverão identificar os temas que deverão se concretizar no futuro próximo.

 

Há tempos que as delegações brasileiras são destaque pelo número de empreendedores e executivos da área que comparecem ao evento. Em presença, só temos ficado atrás dos americanos.

 

Então, quem é do ramo e não irá, e não quiser ficar para trás, é melhor se informar de tudo que se passou no evento.

 

O Boletim MERCADO & CONSUMO do Grupo Gouvea de Souza já deu a partida com o artigo do seu titular, Marcos Gouvea: “Cinco tendências que a NRF vai apresentar” – onde aposta nos tópicos Connected Commerce, Customer Centricity, Novos Modelos de Negócio, Pessoas e Propósito.

CONNECTED COMMERCE: O conceito de OMNICHANNEL abriga também os meios de pagamento, e a personalização do relacionamento com os clientes, que ficarão online de forma permanente.

 

CUSTOMER CENTRICITY: A centralidade no cliente deverá se ampliar, tanto para lojas como para shoppings, onde o redesenho do produto atenderá as demandas especificas deste cliente.

 

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO: Alguns novos modelos que já surgiram deverão se acentuar, como o Showfields, espaço coletivo abrigando marcas diferentes. O Recommerce, venda de produtos usados, e a locação de roupas.

 

PESSOAS: No momento em que a tecnologia aumenta seu uso as PESSOAS tendem a protagonizar cada vez mais as operações físicas. O empoderamento das equipes de loja será um novo desafio.

 

PROPÓSITO: O papel tradicional do varejo em intermediar a venda de produtos e serviços começa a ter novas demandas. Tais como posicionamentos bem definidos, propósitos altruístas, autenticidade, transparência e responsabilidade socioambientais.

Entre as cinco mudanças destacadas por Gouvea, gostaria de acentuar o PROPÓSITO, principalmente no que se refere a questão socioambiental. O Brasil pela extensão territorial e pelos recursos naturais de flora e fauna onde se encontram biomas extraordinários, oferece excelente oportunidade no que tange a sua preservação e aproveitamento. Por exemplo, a indústria da moda além de desperdiçar roupas sem reciclar, poderia contribuir tanto na redução das perdas quanto no aproveitamento de novas fontes de abastecimento de matérias primas — como a escama do pirarucu já explorada por fashionistas como a Osklen na fabricação de bolsas.

 

Marcos Gouvea diz que muitas empresas já estão engajadas, embora sem o espírito holístico recomendável. Do nosso ponto de vista as lojas e os shoppings têm rara oportunidade de entrar agora neste processo assumindo o Pacto Global da ONU, que é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

 

Para se integrar no Pacto Global um dos caminhos é pelo CRA SP, endereçando carta assinada pelo CEO aos cuidados do Prof. Dal Colleto, e a adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

A Consultoria especializada, como a MANANCIAL Sustentabilidade Ambiental, da bióloga Angela Garcia, é uma alternativa direta para a obtenção do direito de usar etiquetas e demais indicadores de integração ao Pacto Global, e atender perante o novo mercado o PROPÓSITO ora demandado.

 

Se você não vai a Nova York que tal contatar já o CRA SP e contratar uma consultoria?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: o que faz uma marca ser a preferida do consumidor

 

“A qualidade de uma marca é aquilo que sempre puxa a avaliação” —- Cecília Russo

A pesquisa Marcas dos Cariocas chegou a sua décima edição, tempo suficiente para que se tenha uma visão muito clara sobre os aspectos mais relevantes para que empresas, produtos e serviços se destaquem no trabalho encomendado pelo jornal O Globo e realizado pela TroianoBranding. No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo explicaram que a pesquisa é realizada em duas etapas, ouve cerca de 3 mil pessoas e identifica as marcas preferidas em 40 categorias. O desempenho das marcas é avaliado em cinco itens: evolução, identidade com o consumidor, custo-benefício, respeito ao consumidor e qualidade.

“Não existe marca forte que resista a produtos ou serviço ruins. Elas precisam ter qualidade, consistência e continuidade” — Jaime Troiano

Se qualidade ainda aparece em primeiro lugar no momento do consumidor decidir-se por uma marca, o item preço (custo-benefício) é o ponto de desempate na escolha do produto ou serviço. As últimas edições da pesquisa mostrou que tem aumentado de maneira significativa o peso do tema identidade com o consumidor (combina comigo?).

 

Acesse aqui para conhecer o resultado completo da pesquisa Marcas dos Cariocas.