Sua Marca: o que você faria se tivesse o poder da invisibilidade?

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“Há marcas e empresas que imaginam ter um Anel de Giges. Que supõem que aquilo que se pratica do lado de dentro, ninguém vê do lado de fora Cada vez mais, é uma doce ilusão” — Jaime Troiano

Giges era um camponês que roubou o anel de um cadáver e descobriu que ao girá-lo no dedo tornava-se invisível. A partir de então passou a ter o poder de fazer tudo aquilo que bem entendia. A história que se passa no século VII a.c, contada por Heródoto, e aparece também em A República de Platão, nos impõe dilemas éticos profundos e já foi analisada por diversas dimensões. Aqui no Brasil, recentemente, o economista e professor Eduardo Giannetti lançou o livro “O anel de Giges: uma fantasia ética”, no qual diz:

“O anel da invisibilidade atiçou a fera da ambição desmedida e tornou visível o sonho de glória, proeminência e poder adormecido na alma do humilde pastor” 

Inspirados pelo texto, Jaime Troiano e Cecília Russo traçaram um paralelo entre a história de Giges e as marcas. A começar pela ideia de que a invisibilidade é cada vez mais impossível, especialmente diante das conexões digitais que vivemos. Há também uma pressão maior da opinião pública pela transparência dos atos de uma empresa e isso significa agir internamente da mesma forma com que se apresenta externamente:

“A maioria das marcas está consciente de que a invisibilidade não existe mais … mas talvez esses desejos escondidos, recônditos, de cometer um pequeno deslize no mercado, ainda que seja pequeno, e possa gerar bons resultados, devem estar nos sonhos de alguns gestores”, alerta Jaime.

Cecília cita uma das frases clássicas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para explicar o risco de se cair na tentação de Giges: marca não é tapume. E aproveita para deixar três sugestões aos gestores de marcas:

  1. Faça com que os quadrinhos pendurados nas paredes sobre princípios e valores da marca sejam mais do que palavras nas paredes; sejam praticados;
  2. Tenha certeza de que as mensagens que a empresa comunica da porta da rua para fora sejam conhecidas e internalizadas da porta da rua para dentro;
  3. Marcas não escondem aquilo de errado que acontece dentro da empresa, não escondem nada nem deixam ninguém invisível.

A discussão vale para você que lê este texto: o que você faria se tivesse por um instante o poder da invisibilidade?

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e pode ser ouvido em podcast.

Sua Marca: como o consumidor vai se comportar no Natal

“Não acreditamos que marcas devem se vestir de maneira muito diferente do que costumam nem mudar de personalidade, mas precisam se adaptar e respeitar este momento que vivemos e não pensar apenas em ter lucro no fim do dia” —- Jaime Troiano

Com a proximidade do Natal, descobrir como será o comportamento do consumidor diante de tudo que enfrentou em 2020 tem sido um dos desafios de pesquisadores, empresas e empreendedores. Da mesma forma, as marcas pensam em quais estratégias devem adotar levando em consideração as dificuldades financeiras de muitos, e as restrições e medos impostos pela pandemia. Nesse episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram algumas ideias do que vai acontecer a partir desta semana —- quando muitos começam a pensar nas compras de fim de ano —, com base na experiência que eles têm em gestão de marcas e estudos de institutos de pesquisa e consultorias.

Vamos começar pelo consumidor.

A Nielsen, uma das gigantes nesta área de pesquisa, dados e consultoria, identificou cinco tipos de consumidores neste ano:

  1. Constrangido e restrito —— tiveram restrição no orçamento, e menos liberdade para comprar fisicamente: para eles o online será a saída e mesmo assim, só preços baixos
  2. Constrangido, mas livre —- teve redução financeira, também, mas se sente com mais liberdade para circular pela cidade: quer maneira de fazer o dinheiro render com possibilidade de passat mais tempo com grupos de familiares e amigos. 
  3. Meio cauteloso —- não foi impactado financeiramente nem impedido de ir e vir, em função da região em que mora, mas está com receio do futuro: mesmo que possa comprar agora vai segurar o dinheiro e não pretende gastar muito, prefere priorizar as pessoas bem próximas.
  4. Isolado, mas restrito —  financeiramente não teve perdas nesta ano, mas como está em cidades e regiões com maior restrição por causa da pandemia terá suas festividades afetadas por restrições físicas locais
  1. Isolado e livre —- não foi afetado financeiramente pela Covid-19, é provável que gaste mais livremente e exiba um comportamento de férias pré-coronavírus. Muitos desse grupo vão compensar luxos perdidos no início do ano.

Vamos as recomendações para as marcas no Natal da pandemia:

  1. Foco nos sentimentos eternos e universais: nessa época de instabilidade, de imprevisibilidade, de não sabermos o que teremos no ano que vem, as marcas precisam voltar-se para aquilo que é permanente. E o que é permanente no Natal? As relações entre as pessoas, a convivência familiar, esse sentimento de união. Marcas podem ser aliadas desse momento. 
  2. Abertura para escapes da realidade: nossas vidas ficaram limitadas, fechadas, bem menos amplas e livres como estávamos acostumados. Marcas podem proporcionar momentos de fuga de nosso isolamento, oferecendo “viagens” através de sabores exóticos ou pode ser uma loja de artigos para casa que promova um sentido de renovação e reciclagem do espaço doméstico. 
  3. Força no digital e nas compras à distância: é necessário ter à disposição ferramentas e tecnologias para compras à distância, serviço de drive thru e entrega; toda a proteção que reduza ao máximo a exposição do consumidor ao vírus é relevante.

Dito isso, qual é a marca do nosso episódio de hoje?

“Você, sua família e todas as famílias vão celebrar de um jeito diferente neste Natal, e as marcas não ficam fora disso, nosso ano e nossas vidas pedem essa adaptação e esse respeito” —- Cecília Russo

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. 

Sua Marca: o William, a tecnologia e a experiência do consumidor

“Não vamos gerenciar marcas sem tecnologia mas também não vamos gerenciar marcas apenas com ela”, Cecília Russo 

O William atende clientes em uma loja especializada em produtos para animais de estimação, em São Paulo. Em lugar de fechar vendas, cria relacionamentos. Faz abordagem cuidadosa, é gentil na conversa e evita ser intruso na jornada de compra do consumidor.  Ele aparece nesta história por dois motivos: o primeiro é que Willian ilustra bem o tema que tratamos no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso na conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo. Falamos de o risco de as marcas ficaram muito parecida a medida que todas passam a ter à disposição as mesmas ferramentas e soluções tecnológicas. 

“Há empresas que acreditam que o digital e a tecnologia são capazes de resolver tudo. Doce ilusão. Por mais apaixonados que sejamos por tecnologia, seres humanos querem o cheiro, o toque, o olhar”, Jaime Troiano

A Apple é uma empresa de tecnologia mas o que conquista seus clientes, que agem como fãs da marca, é a experiência que oferece. O desenvolvimento tecnológico de seus produtos é para onde o sentimento de paixão se volta, mas o que a Apple entrega é o design, as cores, o ambiente da loja e um sentimento de pertencimento.

No Brasil, um bom exemplo é o caso Magazine Luiza que se transformou na maior plataforma nacional de comércio eletrônico sem abrir mão de sua personalidade, muito marcada pela essência de sua dona, Luiza Trajano —- a alma que a marca emana está inspirada na figura dela. 

“A tecnologia é, como se diria em matemática, condição necessária mas não suficiente. Ou seja, não podemos abrir mão dela, mas apenas a tecnologia sozinha não criará marcas fortes e diferenciadas”, Cecília Russo

Sem contar que o mal uso da tecnologia pode trazer uma série de transtornos na relação do cliente e da marca. Quem nunca teve um experiência negativa porque o ‘sistema’ estava fora do ar? Para piorar: na maior parte das vezes em que isso acontece, as pessoas estão tão reféns da tecnologia, que perdem o rumo de como deve agir com o seu consumidor. 

A propósito: disse que o William, nosso personagem aparecia nesta história por dois motivos. O primeiro porque, mesmo tendo todo aparato tecnológico à disposição, é a forma como atende o cliente que o diferencia. O segundo é que o William é ouvinte da CBN.

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Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

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Avalanche Tricolor: Diego Souza, o goleador

Grêmio 2×0 Cuiabá

Copa do Brasil —- Arena Grêmio

Diego Souza a caminho do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio engatou oito vitórias seguidas, dez jogos invictos, subiu na tabela do Campeonato Brasileiro e hoje se credenciou a disputar a semifinal da Copa do Brasil, mais uma vez. O melhor momento da equipe nesta temporada — na qual já foi Campeão Gaúcho e conquistou vaga às oitavas-de-final da Libertadores mesmo com um futebol irregular — passa por uma série de personagens, a começar por Renato (sim, aquele que você, torcedor ingrato, pediu a demissão), que soube como poucos ter tranquilidade para administrar toda e qualquer crise que entrou no vestiário. Jean Pyerre, renascido e talentoso, e Pepê, enlouquecido e enlouquecendo, são outros dois nomes que se destacam.

Quero, porém, hoje, dedicar esta Avalanche a um cara que muitos davam como abatido e ultrapassado: Diego Souza, o goleador. Com 35 anos, houve que não acreditasse quando o nome dele foi anunciado como novo reforço para 2020. Aproveitou bem o Campeonato Gaúcho para provar que tê-lo de volta ao time valeria a pena. Foi o artilheiro da competição com nove gols —- tendo feito o gol do título e, antes, o da vitória no clássico Gre-nal, no primeiro turno. Na Libertadores fez um e facilitou a vida de seus colegas nos demais. No Brasileiro está com cinco gols. 

Desde a retomada dos jogos, com a liberação do futebol sem torcida, Diego parecia isolado dentro da área, onde a bola raramente chegava. Esboçava alguns movimentos, mas o resultado não aparecia. Amargou uma série de partidas sem marcar, apesar de ter servido de garçom especialmente para Pepê. Os ombros caídos e os braços jogados ao longo do corpo sinalizavam o desconforto dele com sua produtividade e também com a maneira do time jogar.

Com a chegada de Churín, o Diego Gringo, houve quem apostasse que Diego, o Souza, perderia a posição de titular. Não demorou muito para ele voltar a marcar e em partidas decisivas —- como nos dois jogos destas quartas-de-final em que fez três dos quatro gols do Grêmio. Dois deles hoje: de cabeça, logo no início, e, em seguida, com os pés e com a tranquilidade do matador diante do goleiro. Diego está agora com 18 gols neste ano. 

Acreditar que foi o surgimento de um concorrente para a posição que o fez mudar de postura dentro de campo é precipitado e injusto com o time e com Diego Souza. Ele voltou a marcar não porque Churín está no banco, mas porque o time todo evoluiu após sequência de partidas com vitórias e empates sem convicção. Renato foi capaz de dar segurança a seus jogadores, teve paciência para remodelar uma equipe que sofreu perdas na temporada, seja devido a venda, a lesões ou a Covid19. O time voltou a confiar na troca de passe, com a aproximação dos jogadores, movimentação intensa, dribles e velocidade. E assim a bola voltou aos pés — e à cabeça — de Diego. E quando chega nele encontra experiência, talento e precisão; a possibilidade de parar no fundo do poço é enorme.

Sua Marca: riscos e vantagens de associar seu produto ao nome de celebridades

“Fique sempre muito atento ao vincular um nome, seja o seu ou de uma celebridade, à sua marca. As vantagens são grandes, mas qualquer deslize na vida do CPF pode “respingar” na história do CNPJ” — Cecília Russo. 

No mercado existe uma série de experiências de marcas que associaram seu nome aos de celebridades, assim como celebridades transformaram seu nome em uma marca. Artistas como Drew Barrymore, Rihanna, Lady Gaga e Kim Kardashiam já lançaram suas linhas de maquiagem e roupas. Aqui no Brasil, Ana Hickmann, com sua linha de esmalte, a atriz Giovanni Antonelli, que assina joias da Rommanel, e o narrador Galvão Bueno que tem seu nome no rótulo de vinho, são outras boas referências.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung, sobre essa estratégia que pode ser adotada, mas merece cuidado especial.

“O que essas celebridades fazem é o que conhecemos por extensão de marca; é levar o ativo que elas tem, o nome que é forte no mercado artístico para outros cenários”, explica Cecília.

Construir uma marca custa caro e essas figuras públicas que souberam administrar bem suas carreiras têm um nome artístico com forte apelo de mercado. Por isso, faz sentido levarem a credibilidade que construíram no cenário cultural para produtos e serviços.

Jaime, no entanto, faz algumas alertas para quem estuda investir nesta estratégia de branding. A escolha do nome que será associado à marca deve ser muito bem balanceada e levar em consideração a história pregressa da celebridade

“Por se tratar de pessoas públicas, qualquer escorregão pode afetar diretamente a percepção que as pessoas têm sobre a marca —- há formas de se contornar algumas crises, mas a tendência é que uma coisa contamine a outra”

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Sua Marca: classes C e D têm de ser tratadas com dignidade e respeito

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“Empresas e marcas que olham para as classes C e D com a dignidade e o respeito que merecem conseguem grandes resultados” — Jaime Troiano

As marcas têm o compromisso autêntico de inclusão social, e devem estar cientes desse papel, sob o risco de excluírem parcela da população agindo de forma inadequada na comunicação e no desenvolvimento de produtos. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Um dos erros mais comuns apontados pelos comentaristas é o empobrecimento da marca para torná-la viável:

“Imagine um gerente de marca que trabalha para as classes A e B, desenvolvendo uma forma de seus produtos chegarem às classes C e D: ele pega a planilha de custo e começa a cortar tudo que pode até encontrar uma formulação mais barata que vai levar a uma identidade visual mais simples a ponto de o consumidor se sentir mais pobre do que ele realmente é” — Jaime Troiano.

Cecília Russo chama atenção também de que ao se falar de classes C e D, estamos falando de um mercado consumidor enorme que não pode ser desdenhado pelas empresas:

“São pessoas, e pessoas que representam 2/3 da população, que têm preferências, têm gostos e são muitas e merecem ser tratadas com respeito —- elas são o Brasil de verdade” — Cecília Russo

Enquanto há marcas que apesar de enxergarem a capacidade de compra das classes C e D atuam com timidez e até expressam vergonha, outras se orgulham de serem acessíveis a essa população: dois exemplos positivos citados no programa são a Caedu, no setor de varejo de roupas, e a Kallan, no segmento de calçados:

“Eles sabem muito bem como receber e tratar seus clientes, independente mente da classe social a que pertencem. Mesmo porque alguns dos funcionários dessas empresas, que trabalham nas lojas, pertencem a essas classes. E sabem com o tratamento com dignidade é fundamental”— Cecília Russo

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O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: cuidado porque o consumidor não é Peteleco, é Emília

“Se você quer que a sua marca seja um sucesso não economize tempo, não economize dinheiro para saber o que é que estão falando de você, se é o que você de fato fala da sua marca” —- Jaime Troiano.

Os “reviews” ou as avaliações de consumidores são a principal fonte de promoção e divulgação de empresas, produtos e serviços. Mesmo que a comunicação oficial, a publicidade e seus influenciadores tenham importância na estratégia da marca, a opinião pública fala mais alto, especialmente com a força que sua expressão ganhou nas plataformas digitais. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertam gestores para a necessidade de estarem de ouvidos bem abertos para o que andam dizendo da sua marca.

“O consumidor não é um ventrículo como o Peteleco, que falava o que o humorista Oscarino Faria queria; é muito mais Emília, de Monteiro Lobato, que diz tudo que vem da sua cabeça” —- Jaime Troiano.

A força de um elogio ou uma indicação por um usuário independente vale muito mais do que comunicação oficial da marca. Da mesma forma, uma crítica pode ser destrutiva para a reputação do negócio. Cecília Russo diz que em uma das metodologias que usam para auditar a marca existem cinco estágios na relação do consumidor: idealização, preferência, familiaridade,  rejeição e desconhecimento.

“Quando a marca chega ao estágio da rejeição é terrível, porque é difícil de fazer a conversão para voltar aos patamais mais altos e se tornar uma marca preferida e idealizada”

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Sua Marca: “…longe delas há um sentimento de desterro”

 

“As marcas que entram nas nossa vidas falam para nós mesmos quem nós somos, longe delas há um certo sentimento de desterro” — Jaime Troiano

Lilian Calabria, ouvinte da CBN, relatou sua experiência no exterior em busca de marcas e produtos que tinham significado para ela no Brasil e inspirou nossa conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Jaime Troiano e Cecília Russo também viveram algum tempo nos Estados Unidos e compartilhavam do mesmo sentimento de vazio quando deparavam com a ausência de produtos —- especialmente alimentos —- que consumiam no Brasil.

“Era um sentimento de vazio. É a questão de olhar para uma gôndola de supermercado e se sentir um estrangeiro: eu não sou daqui”, disse Jaime.

Além disso, há uma “pitada de nostalgia” que as marcas podem proporcionar nos consumidores. Cecília Russo lembra da falta que fizeram jabuticaba e manga, comuns no mercado brasileiro; ou produtos que vêm agregados à marca como Requeijão Poços de Caldas, Biscoito Globo e  chocolates Sonho de Valsa, apenas para citar alguns que fazem parte da memória do brasileiro.

“Mostra um sentimento de nostalgia, mas é uma memória. E marcas que são relevantes para nós geram essa memória”, diz Cecília Russo 

Se geram saudade, nostalgia ou aguçam a memória é sinal de que se tornam em oportunidade de negócio, por isso, empreendedores que moram no exterior podem investir em lojas de varejo importando produtos brasileiros —- algo que já é possível de encontrar em várias cidades de outros países, especialmente onde há maior presença de brasileiros ou hispânicos.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. O programa pode ser ouvido também em podcast.

Sua Marca: seis dicas de embalagens para atender o cliente, na pandemia

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“Embalagens são um veículo importante — não o único, claro — para apoiar o consumidor nesse momento difícil”, Cecília Russo

A preocupação com os riscos de contaminação devido a Covid-19 levou o consumidor a ficar mais atento às embalagens usadas nos produtos que compram, especialmente no comércio eletrônico. Para entender esse novo comportamento, a Narita Strategic Design, tradicional empresa do mercado brasileiro, que tem seu foco na identificação visual das marcas e embalagens, desenvolveu estudo exploratório que envolveu entrevistas em profundidade com consumidores.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo chamou atenção para a relevância deste trabalho diante do protagonismo das embalagens na relação da marca com seu cliente: 

“As  embalagens são pontos importantes de contato das marcas com seus consumidores. E estamos em um momento em que muitas pessoas querem evitar contato com o outro”.

Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram seis pontos do levantamento feito pela Narita, alguns que já vinham se expressando mesmo antes da pandemia e outros que surgem agora para se tornarem permanentes:

  1. Cores e logo sempre foram importantes indicadores de reconhecimento das marcas mas nas compras online eles se tornam ainda mais relevantes. A Narita sugere cuidado com o branco, que pode ser bom para o ponto de venda físico mas “morre” no digital, confundindo-se com o fundo da tela;
  2. Imagens que demonstram como é o produto dentro da embalagem são bem-vindas. Consumidores querem “transparência” de diversas formas e essas imagens ajudam a trazer esse sentido. Nessa mesma linha, menos informações e menos texto — mais leitura e mais agilidade para entender o produto.  Uma referência é a estratégia da marca Mãe Terra que ilustra suas embalagens, por exemplo, com metade da imagem de um batata doce in natura e a outra metade como são os chips que a pessoa vai encontrar na embalagem.
  3. O uso do selo que garante 99,99% de eficácia no combate as bactérias não surte mais o efeito esperado, pois caiu no lugar-comum. Transmitem a imagem de algo promocional e sem confiança. O consumidor prefere selem que mostrem que produto e embalagem seguem normas de higiene, segurança e etc …
  4. A preferência deve ser por embalagens que facilitem o segurar, que tenha a anatomia da “pegada” e a simplicidade para abrir. Quanto menos contato com a embalagem, no sentido de precisar usar as duas mãos, apertar ou rodar, melhor.
  5. O consumidor sente-se mais seguro manipulando vidro e alumínio pois entende que é mais fácil a limpeza e evita a contaminação. O papel não permite essa mesma desinfecção, amolece quando úmido. 
  6. A segurança no fechamento das embalagens é essencial, especialmente em alimentos, pois transmite a mensagem de que não houve contaminação. Usar “zip lock” e selos de segurança, são recomendáveis. 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, e pode ser ouvido também em podcast.