Conte Sua História de São Paulo: refaço meus caminhos na cidade

Por Emília Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João […]

 

Foi com o poema do Caetano na cabeça que eu comecei a conhecer a minha São Paulo querida. Eu morava em Guarulhos e fazia estágio no Hospital das Clínicas, na década de 1980. E foi amor à primeira vista. Não só por seus arranha-céus, as grandes avenidas, o ir e vir das pessoas apressadas para o trabalho ou estudo. São Paulo sempre teve algo especial que contradiz a crença de que as pessoas são frias e só se importam com o trabalho.

 

Existe o trabalho que move a cidade, existe a correria, e existe a gentileza de quem desacelera o passo para lhe dar uma informação com um sorriso no rosto. Existe um músico na esquina, uma avó com sua neta, um beijo roubado e uma estudante, como eu, a espreitar a vida pulsante dessa linda cidade. São Paulo é o encontro do antigo, do moderno, do contemporâneo e, quiçá, do pós-contemporâneo. São Paulo é uma cidadã do mundo, uma cosmopolita que abraça todos, que acolhe…

 

Como toda grande cidade em que se espera tudo dela, São Paulo também tem suas mazelas que nos chocam e nos confundem, e também a solidariedade de quem oferece um pão, um abrigo, uma palavra.

 

Eu hoje vivo na Bahia, mas nunca perdi esse amor.

 

Agora vou a São Paulo todo ano e refaço meus caminhos. Faço novos trajetos, descubro a nova cidade. Vivo o presente que a cidade é, ponho o pé no passado e a cabeça no futuro.

 

” […] Aprende depressa a chamar-te de realidade/ Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso […]”.

 

A Profª Maria Emília dos S. Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

A necessidade de se analisar a Covid-19 através de número relativos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Quarta-feira, 20 de maio de 2020  —  as mídias tradicionais e sociais informaram que o Brasil atingiu mais de 1.000 mortes em 24 horas pela primeira vez, perfazendo um total de 18.859 óbitos, dos quais  5.147 em São Paulo, o epicentro da Covid-19

 

Esses números absolutos não expressam a relatividade necessária para situar a posição do Brasil no Mundo; e a de São Paulo na correlação com os demais estados brasileiros.

 

Minimamente a correlação serve para posicionar no contexto geral o que se está analisando, e também para a tomada de decisões.

 

Pelo Google, encontramos a fonte da Wikipédia que contém a tabela com os dados a que nos referimos, onde no contexto mundial podemos observar que o número absoluto de “casos confirmados” nos dá apenas o ranking de países sem a comparação entre eles de forma qualitativa.

 

A correlação dos “casos confirmados” com os “casos confirmados a cada 1 milhão de pessoas” faz sentido muito maior ao introduzir a correlação com a população. Verifica-se que no ranking dos números absolutos o Brasil é o terceiro, enquanto na correlação com um milhão de pessoas a posição é bem diferente.

 

Fonte Wikipedia (20/05)

 

No universo Brasil, vemos que o Estado de São Paulo tem o maior número de “confirmados”, mas quando olhamos para os “confirmados” correlacionados com a população, a posição fica bem distante do primeiro lugar, ocupado pelo Amapá.

 

Observamos também que as “mortes”, como não estão correlacionadas com a população, perdem o efeito comparativo e qualificativo.

 


Fonte Wikipedia (20/05)

 

Hoje (21/05), coincidentemente no Portal G1 da GLOBO foi publicada uma reportagem em que este índice de mortalidade foi correlacionado com 100 mil habitantes, comparação que tirou São Paulo do grupo de 20 cidades mais afetadas. Bem diferente da posição no ranking de números absolutos. 

Esperamos que a informação do G1 expondo correlações seja um cuidado a ser continuado, pois como vimos há muitas interações que podem mudar o entendimento. 

 

Por exemplo, a Europa está de olho na Suécia, que optou por deixar a cargo da responsabilidade da população o controle da Covid-19, e estão acompanhando utilizando vários fatores como expostos no gráfico abaixo, reproduzido do jornal Folha de São Paulo, edição de 20/05:

 

 

Podemos notar que todos os itens apresentados, e que podem ajudar na análise estão expressos em porcentagens e taxas.

 

Bem, o resultado final para a Suécia virá apenas depois que a Covid-19 for controlada. Por ora, a Itália chama a atenção pela gastronomia. São os menos obesos e há concentração de idosos.

 

Gostaríamos que até a saída do vírus os economistas e demógrafos entrassem em campo para ajudar os editores. 

 

Enquanto isso, de acordo com o UOL, poderemos ter novidades vindas do Rio Grande do Sul, através da cientista política Leany Lemos, Secretária de Planejamento, que tem feito análises de cenários para a Covid-19 focando diferentes regiões gaúchas.  Conhecimento, experiência, dados e planejamento: ela acredita que poderá em breve apresentar resultados.

 

Até lá, para manter-se atualizado sobre a Covid-19 vale acessar o site Our World in Data:

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Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conheça três projetos que ajudam profissionais de saúde, empreendedores e pequenos negócios

 

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Imaginar o que haverá pós-pandemia é difícil. Há quem veja um mundo mais solidário. E os que enxergam as fronteiras mais fechadas. Há os que pensam em uma vida mais simples. E os que creem no aumento das desigualdades. Talvez saíamos todos iguais ao que éramos assim que a crise amenizar, a vacina aparecer e o novo coronavírus se transformar em velho conhecido. O que enfrentamos vira memória — história para ser contada. E bola frente. Quem jogava bonito, segue fazendo belezuras. Quem jogava feio, feiúras. Os adeptos do jogo sujo, sujeiras.

 

Melhor, então, olhar para o que acontece agora e identificar quem sabe se comportar diante da regra do jogo e usa de sua criatividade para melhorar o mínimo que seja a vida do outro. Nestes dias, encontrei algumas iniciativas que me chamaram atenção; gente disposta a ajudar gente, a apoiar empresas, manter empregos, acolher quem precisa.

 

 

Começo pelo Projeto Isolar que olha para os profissionais de saúde, muitos dos quais com dificuldade para encontrar um lugar onde possam ficar isolados. É o pessoal que atende nos postos e hospitais, recebe pacientes, trata, cuida, dá carinho, salva. E tem medo de voltar para a própria casa pelo risco de contaminar seus familiares. O Isolar é uma plataforma na qual o médico, o enfermeiro, a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, ou seja, qualquer um desses profissionais que estão no “campo de batalha” se candidatam a um imóvel, próximo ao local do trabalho, que será financiado pelo próprio projeto que se sustenta a partir de doações.

 

A Camila Putignani, uma das idealizadoras do Isolar, conta que ao menos 250 pessoas estão cadastradas e foi possível, até este momento, acomodar 17 profissionais que podem ficar em um apartamento ou em um quarto de hotel, de hostel ou de pousada. O prazo inicial é de 14 dias podendo ser renovado conforme a necessidade do profissional. Além da moradia, as doações servem para comprar produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentação.

 

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O outro projeto que também depende da doação é o “Adote um Pequeno Negócio”, criado pelo Claudio Tieghi e o Fabio Fiorini. Na plataforma, o doador escolhe a quem se destina o dinheiro. Os empreendedores escolhidos receberão consultoria para organizar a empresa e terão acesso a uma plataforma que permite controlar as tarefas diárias do seu negócio.

“Para adotar uma empresa, sendo pessoa física, é necessário inicialmente investir R$9,90 ou mais. Em seguida, o investidor recebe um livro (“Manual do micro e pequeno negócio em tempos de pandemia”) para presentear um outro empreendedor, além de ter acesso à plataforma para acompanhar o dia a dia da empresa que adotou. O nome da cada pessoa que fizer a adoção irá aparecer na página dos doadores, além de receber um certificado” Fabio Fiorini.

O terceiro projeto que destaco reúne gente graúda e está sob o comando do César Souza, do Grupo Empreenda, e do Alexandro Barsi, da Verity Group. Com o Movimento #VamosVirarOJogo, eles estão reunindo empresários e gestores dispostos a compartilhar práticas e ideias capazes de ajudar as empresas a superarem os obstáculos impostos pela crise atual. Mais de 300 empresas já assumiram o compromisso de atuar no movimento:

“A frase “Há vida após o Covid-19” nos inspirou a estruturar o movimento. As lideranças empresariais devem compreender que virar o jogo passa, necessariamente, por assumir um verdadeiro compromisso, com muita inovação e criatividade para a reinvenção dos negócios, considerando oportunidades ainda não percebidas. Levando em conta o ecossistema de toda a cadeia de valor das empresas, é necessário que todos deem o melhor de si, com foco em soluções para o futuro e superando medos e angústias naturais em meio às turbulências que vivenciamos. Reinventar á a palavra de ordem”. César Souza.

Todas essas iniciativas nos revelam que existe gente interessada em espalhar o bem. Talvez sejam as mesmas pessoas que sempre atuaram assim, antes da pandemia se apresentar. E sejam as mesmas que continuarão acreditando nestas práticas após a crise passar.

 

A esperança que sempre deposito é que essas ações ao estenderem a ajuda a outras tantas pessoas façam dessas outras pessoas e de todos os que foram impactados, direta ou indiretamente, embaixadores do bem, criando um ciclo virtuoso. É a minha esperança; se esta vai se tornar realidade somente saberemos ao longo do tempo. Prefiro acreditar que sim. Fica mais fácil atravessar o drama que estamos assistindo neste momento.

#Barucast: a comunicação como fator de liderança

 

BARUCAST

De todas as competências necessárias para liderar uma empresa, um grupo de trabalho ou a sua própria carreira, considero a comunicação a mais importante, porque sem esta corre-se o risco de as demais não se expressarem em todo o seu potencial. Sabe-se que ter equilíbrio e flexibilidade, por exemplo, são fundamentais para quem assume posto de comando — especialmente diante do cenário crítico que estamos vivendo hoje. Agilidade e empatia colaboram, sem dúvida. No entanto, estarão restritas em suas dimensões se o líder não souber como se expressar. Apenas para ilustrar o que digo: como querer que a minha equipe atue com a velocidade de adaptação que o momento atual nos exige, se eu não estiver capacitando a transmitir ao meu time nossas possibilidades, de maneira simples, direta e objetiva — o que defendo há bastante tempo ser o mantra da boa comunicação. Ser simples, direto e objetivo me ajudará a guiar a equipe ou a demonstrar para o meu time até onde podemos chegar.

Assim comecei a conversa com Erika Baruco, colega jornalista, especializada em comunicação empresarial, que comanda a agência de RP Baruco Comunicação Estratégica. Ela produz o BARUCAST, um podcast destinado a falar do poder da comunicação, e me deu a oportunidade de expressar mais uma vez a paixão que tenho pelo tema.

 

A base de nosso bate-papo foi o livro “Comunicar para liderar”, escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, e publicado pela Editora Contexto, em 2015.

 

No podcast fui provocado a tratar sobre liderança feminina, reputação e a presença dos gestores de empresas nas redes sociais.

 

Ouça aqui o podcast BARUCAST: COMUNICAÇÃO COMO FATOR DE LIDERANÇA

Mundo Corporativo: como pequenos e micro empresários podem sobreviver à crise do coronavírus

 

“Esse micro e pequeno empresário faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia, é muito difícil viver sem ele. O comércio eletrônico vai ajudar e vai substituir muito, mas essa relação pessoal de compra e venda, este é um ato do ser humano. Diria ao micro e pequeno empresário que ele é o mais importante tecido de sustentação deste país”.

A dificuldade de acesso a crédito e qualquer outro tipo de ajuda financeira nesta crise provocada pelo coronavírus tem se transformado em um dos maiores desafios de micro, pequenos e médios empresários. O adiamento para o recolhimento de impostos — tais como Simples, ICMS e ISS — e as regras que permitem renegociação salarial e outras alternativas para evitar a demissão de empregados são insuficientes para muitos desses empreendedores.

 

Por outro lado, especialmente no setor de varejo, alguns foram ágeis para se adaptar às restrições e levar seus produtos para o comércio eletrônico ou desenvolver sistemas de entrega domiciliar. Algumas das maiores plataformas de vendas pela internet também criaram ambientes mais acessíveis e estratégias para transformar o pequeno comerciante em representante de produtos e serviços oferecidos nesses marketplaces —- como é o caso a Magalu.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, avaliou o cenário atual de micro, pequenas e médias empresas, após dois meses desde que a pandemia do coronavírus atingiu os negócios no Brasil. Com base em pesquisas realizadas pela instituição a cada 15 dias, a previsão é que ao menos 25% dessas empresas tenham de fechar por falta de condições financeiras.

 

“Os bancos estão terríveis”, disse o dirigente ao comentar a resistência das instituições bancárias em emprestar dinheiro para os pequenos empreendedores. Ele lembra, porém, que o Sebrae fez parceria com a Caixa — e outros bancos — para permitir o acesso facilitado ao crédito e tem fundos próprios para viabilizar essas operações:

“O Fampe é o Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas. Quando um empreendimento não tem todas as garantis necessárias, o Fampe, de forma complementar, garante até 80% de uma operação de crédito, dependendo do porte empresarial de quem solicita e da modalidade de financiamento”.

A migração para o ambiente digital foi o aspecto mais positivo que se pode perceber ao longo dessa crise, segundo o presidente do Sebrae:

“Nesses 60 dias de crise, o aumento ao nosso atendimento de digitalização, do atendimento não presencial e das soluções dadas foi uma coisa surpreendente. Algumas empresas — muito pouco percentual — chegaram a crescer o faturamento; outras acharam o caminho através do e-commerce e do digital de poder, na verdade, se sustentar”.

Para saber quais são as regras tributárias em vigor, assim como as possibilidades de linhas de crédito ou de renegociação trabalhista com seus funcionários, Carlos Melles sugere que os empreendedores visitem o site do Sebraeonde encontrarão uma série de informações e manuais que podem ser úteis neste momento em que o objetivo é persistir a espera do fim da pandemia e da reabertura dos negócios.

 

O programa Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazaro e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: a minha cidade maravilhosa

 

Sonia Couri
Ouvinte da CBN

 

 

Ao chegar em São Paulo, em 1969, aos 20 anos de idade, até então vividos com todo o glamour que o Rio de Janeiro me proporcionou, ainda com a visão magnífica da praia de Copacabana, do baile de debutantes no Copacabana Palace e das janelas do Colégio São Paulo, admirando diariamente as águas do Arpoador, o susto foi enorme.

 

Mesmo sendo casada recentemente com um industrial paulista, e com uma condição privilegiada de vida, aquela mudança radical de hábitos e costumes, me fez pensar em largar tudo e voltar correndo para minha terra.

 

Os anos se passaram, meus três filhos nasceram, cresceram, estudaram, se formaram, se casaram.

 

Fiquei viúva após trágico incidente que me fez sair da “boca do luxo” para um ramo, na época ,fechado às mulheres. Eu, que nunca havia trabalhado fora do meu ninho familiar, cuidando da casa e dos filhos, me atirei com unhas e garras no mercado de automóveis, deixado por meu marido. Com a ajuda de meu filho mais velho, na época com 17 anos, começamos com a cara e a coragem a virar noites para aprendermos o caminho da sobrevivência.

 

E é aí que entra a minha gratidão eterna por esta cidade de São Paulo, onde resolvi ficar, desprezando a chance de voltar ao Rio, e onde depositei minha crença de que aqui seria a salvação para a criação de meus filhos. Acertei em cheio, fiz os 13 pontos da loteria da vida. Formei todos os filhos, assisti à chegada de sete netos e, hoje, após 50 anos, agradeço a Deus por ter ficado nesta terra que não mais é da garoa e, sim, de um céu de brigadeiro, apaixonada por cada canto deste país que São Paulo se tornou. Uma terra que abriu suas portas para árabes e judeus, japoneses e chineses, espanhóis, portugueses e italianos, para toda gama de imigrantes, vindo de todos os cantos da terra, que ajudaram a construir a cidade, para mim a verdadeira cidade maravilhosa, que dá a quem procura, a dignidade de morar  e trabalhar, para sustento dos seus. Graças a Deus, estou paulista!

 

Sonia Couri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar também: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

É hora do setor imobiliário apresentar o seu Propósito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Parque da Luz em foto de Renata Carvalho

 

De acordo com alguns professores da FAU-USP, a cidade de São Paulo está prestes a mais uma vez ser vítima dos interesses do setor imobiliário, em função de propostas apresentadas na Câmara Municipal.

 

Através do site LabCidade da FAU-USP, as professoras Raquel Rolnik, Paula Freire e o aluno Pedro Mendonça analisaram o PL 225/2020 do vereador Eduardo Tuma-PSDB, e o PL 217/2020 do vereador Police Neto-PSD, que propuseram “Ações Emergenciais” e “Plano Emergencial de Ativação Econômica” no intuito de enfrentar as consequências do Covid-19.

 

O texto do LabCidade sinaliza que tanto o Plano Diretor Estratégico de 2014 quanto a Lei de Zoneamento de 2016 poderão sofrer alterações, nos mesmos moldes do pretendido em 2018, além de uma tentativa de redução de 50% de desconto na Outorga Onerosa. Arquitetos e moradores impediram naquela ocasião o que seria uma verdadeira “Black Friday” para o mercado imobiliário. E um desastre pois o Plano e o Zoneamento são o mínimo a ser cumprido, pois não são um modelo exemplar de preservação de qualidade de vida.

 

A matéria ressalta a oportunidade perdida do momento de Convid-19, propício para se apresentar medidas que facilitem o acesso da população à moradia, e não se amplie a concentração construtiva nem as áreas das habitações, favorecendo classes menos abastadas.

 

Como agravante, uma das origens dos recursos para o atendimento das emergências decorrentes do vírus, tem vindo do Fundurb-Fundo de Desenvolvimento Urbano, que recebe os rendimentos da Outorga Onerosa do Direito de Construir, onde se propõe agora a redução de 50% e a suspensão do pagamento antecipado.

 

Há também na matéria, minuciosa especificação de alterações inseridas nas propostas para beneficiar o setor construtivo.

O vereador Police Neto reagiu e nominou a crítica da FAU como meia verdade, citando entre outras a questão do Fundurb, em que os recursos absorvidos pelo Convid-19 não serão reduzidos como relatado, tendo em vista que a utilização se deu do volume já arrecadado. Ao mesmo tempo argumentou que os benefícios pleiteados como isenções, reduções e postergações sobre os impostos tem como objetivo acelerar a retomada da indústria da construção civil, que afinal de contas é a maior empregadora de mão de obra.Neto discute também a questão das mudanças no Plano Diretor e no Zoneamento, que segundo ele se trata de ações provisórias e não leva em conta a dinâmica inexorável da cidade.

Enfim, este conflito de posições a respeito da urbanização de São Paulo, é um excelente pretexto para introduzirmos um importante aspecto do mundo corporativo, que é a busca do Propósito dos negócios, das marcas e dos setores de atividade.

 

Nos tempos atuais, e já há tempos, o Propósito tem sido tema dos mais evidenciados e enunciados. Neste contexto o consumidor é colocado na centralidade de tudo, para que se defina a razão de ser de atividades, empresas, marcas, produtos e serviços.

 

No foco das previsões do futuro pós Covid-19 há convergência no aspecto de que as mudanças que ocorreriam em anos estarão acontecendo dentro em pouco.

 

Neste sentido parece que é hora de definir o Propósito da indústria de construção civil. Afinal de contas, diferentemente de outros setores da economia, não se tem conhecimento que o setor esteja tão preocupado com os preceitos de centralidade no consumidor, incluindo aí a sustentabilidade, visto em boa parte das empresas modernas.

 

Aproveitamos então para sugerir que a centralidade esteja no consumidor e na cidade que habitam.

 

E plagiando os vereadores: que façamos “Ações Emergenciais” através de um “Plano Emergencial de Ativação Econômica Sustentável”

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: como o coronavírus mudou o cotidiano de uma fábrica de carros e vai impactar o comportamento do consumidor

 

 

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fábrica da FCA em Betim (foto: divulgação)

“Na volta ao trabalho, funcionários devem encontrar um ambiente que os proteja”

Engenheiros de automóveis estudam manuais de respiradores e ventiladores respiratórios; projetistas e desenhistas de carros adaptam impressoras 3D para produzirem plástico shield usados em máscaras faciais. Essas são algumas mudanças que ocorreram na rotina de funcionários da Fiat Chrysler, aqui no Brasil, desde a paralisação das fábricas devido a pandemia do coronavírus.
 

 

De acordo com Antonio Filosa, presidente da FCA na América Latina, graças a disposição desses profissionais já foi possível entregar mais de 1.000 plásticos shield —- mais 1.000 estão para serem entregues nas próximas semanas. E foram recuperados cerca de 100 ventiladores e respiradores de um total de 256 que apresentavam defeitos e não podiam ser usados pelas equipes médicas. Duas salas especialmente preparadas para esses trabalhos foram montadas logo que os novos projetos foram apresentados pelos funcionários.
 

 

Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, o executivo disse que a crise sanitária e econômica provocada pela pandemia levou a FCA a definir seu planejamento estratégico a partir de três pilares:

  • Solidariedade —- com a empresa expressando sua razão social através de projetos e ações, especialmente com as comunidades no entorno dos locais onde mantém suas fábricas;

  

 

  • Proteção das pessoas —- com investimento para implementar os dispositivos e processos de segurança sanitária nas fábricas, escritórios e ambientes da FCA;

  

 

 

  • Retomada inteligente — com estudo social e antropológico para entender o comportamento das pessoas, dos funcionários, dos parceiros de negócios e do consumidor nos pós-pandemia.

 

 

 

 

A paralisação das fábricas e a queda acentuada das vendas de automóveis fizeram a Fiat Chrysler rever os resultados previstos para suas operações no Brasil, em 2020. Se a expectativa nos dois primeiros meses do ano era de um crescimento de 8% até dezembro, agora o presidente da FCA calcula perdas de até 40%. Segundo ele, em março, a demanda foi 90% menor, e em abril, 80%, índice que deve se repetir quando as contas de maio fecharem. Soma-se a esse prejuízo, o impacto financeiro das mudanças que o fabricante está promovendo para retomar a produção em condições de segurança sanitária.
 

 

No calendário da FCA as fábricas começam a operar parcialmente no fim da segunda quinzena de maio, mas a estratégia de retomada ainda depende do ambiente externo nas áreas em que atua — ou seja, de identificar como está o controle da pandemia em cidades como Betim (MG) e Goiana (PE), onde têm duas de suas fábricas na América Latina. Internamente, todas as medidas teriam sido implementadas, segundo o executivo informou a partir de uma simulação de retorno realizada na semana passada.

“O retorno vai depender da conjunção desses fatores (internos e externos)”

Para aumentar a segurança, a FCA terá termômetros que medem e escaneiam a temperatura de todos os funcionários. Desenvolveu um aplicativo, instalado nos celulares dos colaboradores, para informação rápida e autoavaliação do estado de saúde. E duplicou a frota do transporte coletivo para permitir distanciamento entre os passageiros nos ônibus que levam os trabalhadores às fábricas.
 

 

Quanto ao estudo que analisa o comportamento pós-pandemia, Filosa diz que algumas mensagens são bem claras. Uma delas que parece óbvia é o fato de que a digitalização e a experiência digital serão cada vez mais presentes na vida das pessoas:

“Não apenas nos hábitos de pesquisa ou de consumo futuro, mas também dos nossos hábitos diários: os escritórios parecem agora uma entidade longe do nosso hábito, quando até 45 dias atrás fazia parte do nosso cotidiano”

Outra mensagem aparente é que o período forçado de isolamento mudou a forma de as pessoas se relacionarem com a própria casa que antes era o local de descanso, agora também é o de trabalho e de maior comunhão com a família. Percebe-se também a tendência de algumas pessoas trocarem o transporte público pelo individual, como forma de segurança. E de outras quererem se reconectar com alguns prazeres próprios — no que o automóvel pode ser um agente importante, segundo o executivo.
 

 

Com base na experiência de fábricas da FCA que retomaram a produção, como as da China, Antonio Filosa diz que a expectativa é que, depois desse prendo dramático, a volta ao trabalho deve ocorrer associada a sentimentos mais positivos, com valores mais puros, de solidariedade e união entre os colaboradores:

“Claramente não gostaríamos de ter passado por tudo isso; mas quando voltarmos, vamos voltar melhor e mais forte: com esses valores faremos a diferença”

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Natasha Mazaro, Patrícia Gubioti e Adriano Bernardino.

Sua Marca: como as marcas se adaptaram a este Dia das Mães atípico

 

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“As marcas continuam sendo as mesmas, mas com estratégias adaptadas a esse momento” —- Jaime Troiano

O Dia das Mães comemorado em uma situação totalmente nova para a sociedade impactou diretamente as estratégias das marcas. Com a pandemia do novo coronavírus, as operações comerciais foram majoritariamente digitais, boa parte das famílias não pode se reunir e as promoções comuns nesta que é a segunda mais importante data comercial do país tiveram de mudar de forma e conteúdo.

 

 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano identificaram algumas das ações positivas desenvolvidas por gestores de marcas:

Havaianas — a campanha para o Dia da Mães foi produzida a partir de material de vídeo gravado por mulheres de sua própria equipe no qual elas mostram como as profissionais estão se adaptando à nova rotina, tendo como aspecto mais positivo a maior proximidade com os filhos

Alme, da Arezzo —- com a campanha “Presenteie sua mãe, conforte duas”, para cada par de sapato comprado no e-commerce da marca ou pelo atendimento via WhatsApp o fabricante vai doar um par para mães que recebem o acolhimento de uma ONG

Renner —- de acordo com Maria Cristina Marçon, diretora da Renner, a empresa costuma programar suas promoções com muita antecedência, mas com a pandemia houve a necessidade de refazer a estratégia. o foco foi a ideia de que estão perto ou longe, o amor está presente na relação entre mães e filhos. O filme da ação foi produzido a partir de imagens enviadas por mães e filhos convidados pela marca.



 

As marcas que acertaram em suas ações para esta data têm em comum o fato de terem sido sensíveis ao preservar a essência do que significam os vínculos mães-filhos; respeitaram o seu posicionamento ou seja mantiveram seus valores; e a maioria delas trouxe um sentido de solidariedade e empatia, seja entendendo o que as pessoas estão vivendo no isolamento, seja abraçando outras mães que estão em situação de maior vulnerabilidade.

“É preciso situar essa comemoração atual dentro dos limites que o isolamento permite” —- Cecília Russo.

O Sua Marca vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung, com comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: o sabor do cachorro quente e outros prazeres do estádio de beisebol da cidade

 

Por Jun Yano
Ouvinte da CBN

 

 

Passei grande parte dos meus domingos no estádio de beisebol Mie Nishi , no Bom Retiro. Foi inaugurado em comemoração ao cinquentenário da imigração japonesa, em 1958, com a presença da família imperial do Japão.

 

Comecei a praticar beisebol nesse estádio quando tinha sete anos. Pegava ônibus na Vila Mariana até a praça João Mendes, fazíamos baldeação e íamos para o bairro do Bom Retiro. Meus irmãos me levavam e eu como era pequeno passava por debaixo da catraca para sobrar dinheiro para o sorvete.

 

Gostava de assistir às partidas dos campeonatos de dentro do campo, como gandula e sonhava um dia jogar no estádio principal —- sonho alcançado anos depois. Os jogadores pareciam enormes e fortes como super-heróis. Imitávamos suas chuteiras de travas de metal amassando com nossos kichutes as latinhas de cerveja.

 

Nossos treinadores eram voluntários que amavam o beisebol Sou muito grato a paciência que tinham. Além de treinar, brincávamos nos intervalos jogando futebol, pula sela, polícia e ladrão,… Enfrentávamos o trote dos veteranos e até hoje perduram alguns apelidos de personagens cômicos com os quais fomos batizados.

 

Tinha também o cachorro quente da dona Maria: pão, salsicha, molho e purê de batata. O sanduíche mais gostoso que comi. E o sorveteiro que chamávamos de Sorvelino. Ele conhecia todos pelo nome.

 

O estádio foi palco do Panamericano de 1963; lá jogaram equipes de faculdades japonesas, times semi-profissionais do Japão e a seleção campeã olímpica de Cuba. Hoje, é o ponto de encontro de meus amigos em campeonatos de veteranos, momento em que lembramos com saudade as histórias que passamos juntos, no estádio municipal de beisebol Mie Nishi.

 

Jun Yano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças da nossa cidade e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br