Mundo Corporativo: a arte da comunicação é falar as várias línguas, diz Daniel Bruin, da Abracom

“Você tem que investir em reputação para estar vivo no mercado”  

Daniel Bruin, Abracom
Foto de Mikael Blomkvist no Pexels

Empresas podem ter fábricas, ter equipamentos e ter licença para executar serviços, mas nada disso terá mais valor do que sua reputação. Essa verdade está expressa em números: 50% do patrimônio das dez maiores empresas em valor de mercado, nas bolsas americanas, se referem a reputação; a líder no ranking é a Apple e esse percentual chega a 56%. Se reunir todas as empresas com ações, no ano passado, 35% do valor total dessas estavam depositados neste ativo.

A reputação é essencial para a sobrevivência dos negócios e demanda investimentos em comunicação, diz o presidente da Abracom, Daniel Bruin, em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. A associação reúne as agências de comunicação corporativa, no Brasil, e identificou que o faturamento global do setor, que tinha sido de pouco mais de R$ 3 bilhões, em 2019, se repetiu em 2020, e deve fechar 10% maior, em 2021.

“As empresas não fizeram cortes (em comunicação corporativa) porque têm um ativo que é a reputação. Quantas – e não vou citar nenhuma específica – tiveram algum problema operacional ou com seus funcionários ou no tratamento do público: e quanto elas perderam? Tiveram o seu valor na bolsa afetado, passaram a vender menos e fizeram menos negócios”.

De acordo com levantamento recente são 895 agências ativas no Brasil, que trabalham com cerca de 3.500 empresas e contratam em torno de 17 mil profissionais, segundo a Abracom. Danilo lembra que se no início o setor empregava apenas jornalistas, muitos saídos de redações, hoje, as agências contratam também relações públicas, especialistas em marketing e em tecnologia, entre outras funções, oferecimento mais completo às empresas:

“A gente entende que comunicação é a arte de falar várias línguas com vários públicos … Um desafio para a gente nesse mercado é adotar o nosso vocabulário, tanto para  a plataforma que vai usar como para o público com quem quer conversar”.

Por falar em desafio, a desinformação é dos maiores riscos enfrentados atualmente pelas empresas, agências e seus profissionais. Daniel chega a dizer que é a preocupação número um do setor. E confessa que ainda há muitas incertezas em relação a forma de tratar fenômenos como o da “cultura do cancelamento”. Para monitorar a superabundância de informações – precisas ou não – que circulam sobre uma empresa ou um negócio, são necessários “1.000 olhos e 1.000 ouvidos”:

“Uma verdade por levar dias para ser dita e acreditada, mas uma mentira se constrói em segundos”. 

Quer saber mais sobre comunicação corporativa, assista ao vídeo da entrevista completa com Daniel Bruin, presidente da Abracom, ao Mundo Corporativo.

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: aquele não foi um verão qualquer

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

Foto do ouvinte Luis Fernando Gallo

Foi numa tarde, lembro muito bem, quase final de Verão quando a vi pela primeira vez, meus olhos brilharam e o meu coração acelerou, linda a segui com olhos atentos descendo a Rua Cristiano Viana, no Bairro de Pinheiros, e quando por mim passou desafiou o vigor dos meus 21 anos. Encantando fiquei com a beleza da moça e a segui sem pudor, entortei o pescoço, entornei as ideias, admirei o seu jeitinho, acompanhei seus passos, fiz dos meus desejos um alvoroço. Não, não podia perdê-la de vista, minha cabeça era só emoção, um quê de cobiça, acabara a razão. Até pensei, aí meu Deus, é coisa para tratar-se com o analista.

Que sorte a minha, entrou no edifício, na mesma empresa na qual eu trabalhava, a extinta Fudap, não perdi tempo, fui constatar o que tão bela menina faria naquele local. Bisbilhotei mesmo e sem nenhum remorso acreditei que não faria mal, com a idade que tinha sentia-me o tal. Nesta primeira abordagem nada apurei, mas pressentia que um desafio estava por vir.  Acreditei na minha sorte mais uma vez quando soube que seria mais uma colega de trabalho, bom começo, pensei, já é um bom atalho. Não poderia perder a concentração. Marquei território, mas com discrição desta vez não agiria só pelo coração. A conquista merecia uma estratégia e um elaborado plano de ação. 

Não seria fácil, entendi que outros fariam marcação cerrada na belezura, então tinha que provar que seria capaz de conquistar tão meiga criatura, demonstrei simpatia, cortejei, me dediquei sem hesitar, suei, transpirei, me inspirei.  Mas a moça o que tinha de formosura tinha também de linha dura. Não, não a perderia sem insistir com afinco, faria o impossível e até me entortaria todo assim como faz o contorcionista, confesso acreditei que tudo aquilo era amor à primeira vista.

 Os dias passando numa rapidez desenfreada desde aquele início de fevereiro, eu ainda prudente, pouco avançara. Outras estações passaram, mais um Verão por vir. Sentia-me tal quais as folhas no Outono soltas, a vagar pelas ruas. Faltou-me o aconchego e o calor no Inverno, agora a Primavera anunciando renovação e eu só na intenção. O natal chegando, um presente o meu coração pedia. Na certa sabia que nutria por ela uma paixão secreta. Secreta então foi a chave da questão. Verdade que alguém a tirara no sorteio do amigo oculto, assim como oculto eu me manteria. Eu seria o falso amigo secreto na brincadeira de então.  Rotineiramente depositava os meus bilhetinhos na caixinha e bem sei que todos ela recebia, pois respostas vinham em profusão, um tanto de ingenuidade nas mensagens, outro tanto de emoção. Simples papeizinhos com recadinhos singelos proporcionaram por algum tempo um envolvente elo.

Na noite da entrega dos embrulhos secretos, na festa de confraternização, os presentes foram trocados e os amigos revelados. Ela não me tirara, eu tampouco ela. Pensei então em enfrentar o perigo, criei coragem e revelei que fora eu o falso amigo. Com um lindo e envolvente sorriso ela confessou, bem que desconfiava, tinha plena certeza de quem fora o autor de tal proeza.       Uma fresta se abrira, ajudara a aproximação, oportunidade escancarada chance conquistada. Daí para um convite para sairmos foi muito suave. Cinema amanhã, um lanche quem sabe ou um simples passeio pela cidade.

O dia seguinte para passar foi uma eternidade. As tarefas rotineiras não me rendiam e eu precavido para ninguém desconfiar de tamanha euforia. A jornada se finda, muito a fazer na noite que prometia. O pensamento um turbilhão, tantas coisas a pensar, incertezas em demasia, só não antecipara que a minha vida mudaria.                                 

Era 21 de dezembro (de 1977) início da estação, primeira noite daquele Verão, não de um Verão qualquer como o tempo provaria. Uma chuvinha teimosa a cair sobre as ruas paulistana, e só ela precavida portava a sombrinha agora comigo dividida. Uma vez mais sorte minha. Oportunidade para caminharmos juntinhos na calçada, segurando o braço dela, driblando as poças d’água e protegidos por uma umbrela. Um sanduiche partilhado, um suco, um copo e dois canudos, um beijo ainda tímido e moderado foi o começo de tudo. Um filminho para descontrair sem ousadia para evitar um bofete, em cartaz no Cine Gazeta, da Avenida Paulista, uma película emblemática, “Aeroporto 77”.

 Não recordo o que assisti se é que vi. Também nada sei do avião, se caiu ou em qual destino aportou, a única certeza é que o meu coração desde então decolou, continua a viajar, já são quarenta e dois Verões e até hoje não pousou.

SAMUEL DE LEONARDO é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma edição especial do Conte Sua História de São Paulo

Avalanche Tricolor: Imortalidade posta à prova

Grêmio 3×0 São Paulo

Brasileiro – Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

Thiago marca seu gol, em foto de Lucas UebelGrêmio FBPA

O gol desperdiçado por Thiago Santos, com a goleira escancarada, no momento em que o Grêmio dominava o adversário, oferecia aos descrentes a prova provada de que nosso destino já estava traçado, neste 2021. Apenas mais um dos muitos indícios de uma jornada fadada à desgraça. Antes disso, bem antes disso, a performance no campeonato e os jogos perdidos, mesmo quando o time dava alguns sinais de reação, somavam-se a pênaltis não sinalizados, ao VAR enviesado, às derrotas improváveis e aos jogadores desorientados. A mensagem era clara: entregue os pontos, beije a lona e aceite a derrota. 

Thiago não aceitou. Lamentou, esbravejou e voltou à luta. Resignou-se a marcar pressão, forçar a roubada de bola e reiniciar a retomada para o ataque. Com ele, havia ao menos mais dez em campo e um tanto mais no banco. Uma gente disposta a mostrar para si mesmo que se havia uma só chance por esta chance batalhariam em cada pedaço do gramado. Independentemente do que viesse acontecer, desistir não era verbo a ser conjugado.

Coube ao próprio Thiago provar de sua força. Apareceu mais uma vez na cara do gol, onde se reencontrou com a bola, lançada por Diogo Barbosa, e de cabeça começou a reescrever a história. Colocou o Grêmio à frente no placar e conduziu o time à vitória necessária, diante de sua torcida. Verdade que a bola seguiu tentando nos pregar surpresas. Nos levar à descrença. Desviou em um poste. Chocou-se com o outro. Foi para fora, mesmo após ter sido tratada com o talento e a generosidade de Ferreira.

Foi, então, que o improvável voltou a se impor. Diogo, criticado pela torcida, escanteado do time, que deu assistência para Thiago no primeiro gol, assistiu a si mesmo, no segundo. Driblou com o pé esquerdo e serviu ao direito, que fez a bola tomar uma trajetória circular e se aconchegar no ângulo. Nem mesmo a dupla vantagem parecia tranquilizar os incrédulos que tinham na memória os empates cedidos e as derrotas entregues, em resultados que nos levaram a atual condição. Foi, então, que a perspicácia e precisão de Jonathan Robert enterrou a desesperança em um golaço marcado do meio de campo e por cobertura. 

O que assistimos na noite desta quinta-feira, que se desenhava trágica, pode não ser suficiente para nos manter vivos na primeira divisão. Temos de vencer as duas últimas partidas e esperar que a combinação dos resultados nos tire deste martírio. Uma tarefa mais complicada do que a outra, considerado a condição de nossos próximos adversários e a inconstância de nossa sorte (e futebo. Mas, com certeza, mostramos a incrédulos e crentes de que estamos dispostos, mais uma vez, a colocar a Imortalidade à prova.

A lei permite pré-campanha eleitoral?

reprodução: site CNBB

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Difundir uma pré-candidatura, seja majoritária ou proporcional, não caracteriza propaganda eleitoral antecipada. Afirmar-se como pré-candidato, inclusive perante os meios de comunicação, é um ato absolutamente lícito. Atualmente vigora uma proteção legal revestindo o status jurídico desse espaço de exposição. Com isso, os pretendes a cargos eletivos podem deflagrar as suas manifestações e articulações com mais segurança sem o risco de incorrer em ofensa à lei.

Oficializada como etapa integrante do cenário político em ano de disputas, a pré-campanha acha-se estabelecida como um instrumento adicional de expressão e informação disponibilizado à sociedade, aos meios de comunicação e políticos em geral. 

Neste sentido, a Lei Eleitoral passou a contar com diversas hipóteses de exposição lícita para aqueles que pretendem concorrer a cargo eletivo. Uma simples leitura desse dispositivo revelará que as inovações nele contidas autorizam que se dê conhecimento ao público de uma candidatura futura.

A perenidade democrática e a constância dos assuntos relacionados à política fizeram com que o ordenamento eleitoral abandonasse conceitos e dogmas superados e se ajustasse à edição de permissivos inovadores. Afinal, não há como não se levar em conta que, cada vez mais, a execução da democracia requisita normas atualizadas e objetivas. 

A transformação ocorrida no texto legal ao longo das reformas foi profunda ao banir a repressão que vigorava em torno de situações relacionadas à própria democracia. Em termos práticos, o tema foi objeto de três parágrafos e seis incisos pelo legislador. Aludidas possibilidades, reconheça-se, introduziram profundas alterações no regime jurídico da propaganda política, formando uma categoria específica de direitos de exposição em vista do cronograma contido no calendário eleitoral.

Outro olhar a ser levado em conta é que não havia sentido, de um lado, a Lei Fundamental da República garantir a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV), a vedação do anonimato (art. 5º IV), o direito de resposta (art. 5º, V), as liberdades de consciência, crença (art. 5º, VI) e de informação jornalística (art. 220, §1º) e, de outro, uma lei ordinária, aprovada por acorde de líderes, asfixiar ou instabilizar o fluxo desses direitos constitucionalmente escudados.

Se examinada no conjunto das suas cláusulas essenciais, a Constituição de 1988, como nenhuma outra que lhe precedeu, contemplou a informação e a liberdade de expressão como valores imprescindíveis à vida social e política. Basta dizer que tais garantias, tratadas com visível esmero pelo constituinte, estão situadas junto aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. 

Visto assim, na medida em que “Todos são iguais perante a lei”, é razoável admitir que a democracia depende essencialmente de informações e manifestações para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento. Sem liberdade de informação e direito de expressão, a democracia sempre será um exercício de construção sobre areias movediças, situação que não condiz ao terceiro milênio e suas novas realidades de comunicação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (Verbo Jurídico).

Avalanche Tricolor: carta ao Geromel

Bahia 3×1 Grêmio

Brasileiro – Arena Fonte Nova, Salvador BA

Geromel em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Amigo Geromel:

Acordei há pouco, depois de uma noite mal dormida. Preferi o conselho do travesseiro – um erro que não recomendo a ninguém – a começar esta carta ainda sob a emoção provocada pelo resultado da sexta-feira. Precisava escrevê-la com um mínimo de razão, se é que tenho capacidade de acioná-la quando escrevo sobre coisas pelas quais sou apaixonado. 

Os torcedores somos passionais. Você sabe disso. O que certamente não sabe, porque não haveria motivos para saber, é que cultivei um tal relacionamento com o Grêmio que, ao contrário de muitos dos nossos, sou incapaz de maldizer meu time, meus ídolos e todos aqueles que vestem a camisa do Imortal. Talvez alguma ironia, uma palavra de lamento, quem sabe um pouco de sarcasmo para salgar a carne. Jamais apontar o dedo, julgar e – Deus me livre – ofender. Se vestiu esta camisa tricolor, tem meu respeito. Aliás, essa costuma ser minha conduta com todo e qualquer ser humano. São valores que precisamos preservar.

Na noite de ontem, a imagem de seu corpo estendido dentro da área pequena e seu rosto escondido na grama da Fonte Nova, logo depois de uma tentativa desesperada e frustrada de impedir o terceiro gol, representava a nossa entrega tanto quanto a nossa dor. Você permaneceu ali por alguns segundos, que me pareciam a eternidade. Porque me remeteram ao passado que vivenciei dentro do estádio Olímpico, onde tive minha personalidade forjada em meio a amigos, ídolos e mentores. Seu Ênio – Ênio Andrade – que o diga. Que mestre me foi. Como me ensinou para a vida. Ajudou-me até a entender melhor o meu pai. Acredite!

Em uma situação parecida com a de ontem – que ainda não é definitiva porque não está morto quem peleia -, atuava como gandula, ao lado do gramado, função que acumulava a de ‘pombo-correio’, uma espécie de garoto de recado do técnico, o seu Ênio. Naqueles tempos, o treinador não saía de dentro da casamata. Ao fim da partida, houve protesto da torcida, rojões explodiram na pista olímpica e as ofensas dirigidas ao time espocavam no meu peito. Corri para o vestiário junto com os jogadores e lá dentro recebi o abraço de um dos meus ídolos: Iura – você já ouviu falar dele, né? Os dois choramos copiosamente. Éramos dois guris gremistas sofrendo com o que havíamos assistido dentro e fora de campo e com o destino que nos era oferecido naquele instante.

Foi essa mesma sensação que tive ontem – só não fui explícito porque meu filho estava ao meu lado observando em silêncio o desespero do pai. E a maturidade, infelizmente, me trouxe a vergonha de chorar por um time de futebol (ah, este Milton mais velho não tem ideia de como era genuíno e muito mais aprazível ser aquele guri do Olímpico). Queria ter corrido para dentro do gramado, e compartilhado com você aquele instante pelo qual, suponho, tenha vindo à mente a sensação de impotência. De que nada mais poderá dar certo na nossa vida. De que uma história se encerrava.

Sabemos que aquele não é o ponto final muito menos aquela é a imagem de uma história que você construiu no Grêmio. Para nós, a maneira como você defende essa camisa, o futebol qualificado que você pratica, a maneira sóbria com que encara todas as dificuldades e os atacantes que se atrevem a entrar em nossa área, se sobrepõem a qualquer revés que possamos sofrer neste e em outros tempos.  O sorriso na vitória, a alegria do troféu erguido e a honestidade com que você atua em campo são muito maiores e mais marcantes do que a dor que você sentiu naquele instante no gramado. 

Queria ter estado lá, ao seu lado, abraçado e solidário, porque –  independentemente da importância que cada um dos que estiveram no nosso time nos recentes tempos de glória –  você, mais do que ninguém, mereceria uma roteiro diferente do que este que estamos protagonizando. 

Na impossibilidade de consolá-lo em campo, arrisco essa carta que, espero, chegue até suas mãos um dia. Uma carta que aqui está escrita talvez muito mais para apaziguar o meu coração entristecido. Afinal, você, por tudo que aprendemos assistindo à sua conduta, conhecendo sua família, comemorando com seus pais a classificação à final do Mundial, e compartilhando conhecimento com seu irmão, Ricardo, é uma fortaleza. Da qual não podemos prescindir. 

Força! E avante!

Do seu fã e amigo à distância, Mílton

Em tempo: Geromel, meu gato, está mandando aquele abraço pra você.

Mundo Corporativo: Carlos Busch convida você a entender o protagonismo do consumidor para ir além das expectativas

“… a gente precisa ser cada dia melhor que a gente mesmo e não melhor que um terceiro”

Carlos Busch

Vivemos épocas em que a única forma de interagir com uma marca era pela caixa postal; a inovação tecnológica deu liberdade às pessoas se comunicarem pelos canais que considerarem mais apropriados. Essas transformações também deram aos indivíduos o poder de escolha e a capacidade de comandar a evolução dos negócios, exigindo respostas do mercado. Uma pressão a mais sobre gestores e executivos que se veem ameaçados neste cenário e precisam reagir sendo protagonistas de suas carreiras e buscando ir além das expectativas.

A ideia que abre este texto é defendida por Carlos Busch, executivo, referência em evolução mercadológica, que atua há mais de vinte anos em multinacionais e ocupa, atualmente, vice-presidente na Sales Force Latin America. No programa Mundo Corporativo, o autor do livro “Muito além das expectativas” (editora Gente) chamou atenção para a necessidade de as empresas entenderem que o consumidor hoje tem muito mais informação e isso lhe confere poder:

“As empresas que entenderem que gerar informação gera relevância, gera empatia junto ao consumidor, são as empresas que vão estar mais próximas a criar um engajamento e, obviamente conseguir, ter as melhores transações comerciais com ele”.

Muitas empresas ainda mantém como parâmetro o mercado que atuam e seus concorrentes —  é o conceito do benchmark que sempre imperou na mente dos executivos. Para Carlos, esse viés do passado que ainda pauta a forma de agir de empresários e executivos, impede que se enxergue o poder do indivíduo:

“Quem conseguir converter a sua visão muito mais para o cliente tem chance de protagonizar muito mais e não vender 1.8 carros para cada dez pessoas que entrarem na loja, mas vender três, quatro, cinco …”

A referência de Carlos é de uma das histórias que conta no livro, na qual o vendedor de carros comemora o fato de alcançar um índice de conversão de vendas maior do que os concorrentes, quando seu objetivo deveria ser ampliar os resultados comparando com o seu próprio desempenho:

“… de nada adianta eu ser o melhor baseado que eu não sou o ótimo Muitos dizem que a minha oportunidade e a tua margem ou a tua margem é minha oportunidade. Nesse mercado de competição quem entender como entregar a melhor experiência para o cliente, dado que ele é o  protagonista , poderá chegar ao cenário de dez pessoas entrarem numa loja e comprarem dez carros. Por que não, né?”

Um dos caminhos para que essa mudança de comportamento ocorra é o método dos 5 Ps, que representam os cinco principais pilares responsáveis pelo protagonismo em sua jornada, segundo Carlos:

  • Propósito – descubra o seu e guie suas ações;
  • Pioneirismo – tenha uma mente inquieta e aja sem se preocupar em alinhar a sua conduta com a da maioria;
  • Pense e faça – tenha a liberdade de buscar algo diferente, ainda que não esteja pronto
  • Performance – desafie-se a todo momento a ser melhor e diferenciado
  • Pessoas – cerque-se de pessoas capazes de enriquecer suas ações e de o ajudar a forjar melhores caminhos.

Assista ao vídeo completo da entrevista de Carlos Buscah, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Bruno Teixeira, Renato Barcelos e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: no caminho do saber

Sonária Souza

Ouvinte da CBN

Foto de Pixabay no Pexels

Sou professora de Atendimento Educacional Especializado, trabalho na EMEF Benedito Calixto, unidade escolar na zona leste de São Paulo. A pandemia de Covid – 19 trouxe muitos desafios, e grandes oportunidades de aprendizagens.

No ensino da prefeitura, faz parte do currículo do 9º ano, apresentar no fim do ano o TCA — Trabalho de Conclusão Autoral. Mas com a pandemia como fazer?

Após um reunião online com a delegacia regional de ensino, nossa gestora, Cíntia, ficou entusiasmada com a ideia de realizar o TCA remoto: fazer um Diário de Bordo. Os professores abraçaram a proposta mesmo com dúvidas se daria certo fazer o trabalho de conclusão pelo Meet no Google Classroom. Começamos a planejar, compartilhar ideias e o trabalho foi ganhando forma, emoção, participação, inspiração…

Nos reuníamos com os alunos pelo Meet todas as quartas feiras das 10 ao meio-dia, abordávamos temas que traria repertório para a produção dos Diários de Bordo. Cada aluno trazia suas reflexões, havia momentos de escuta e escolhiam uma palavra-chave para representar aquele dia, e todos falávamos bem alto juntos. 

Organizamos as audições para apresentação previa dos trabalhos. Os alunos se mobilizaram para ter acesso a internet, contavam com doações de celulares, iam atrás de informações, contavam com parcerias dos colegas para elaboração e apresentação, tudo de forma remota.

As audições online foram espetaculares, cada aluno apresentava de acordo com suas habilidades e especificidades. Houve respeito, comprometimento, empatia, harmonia entre a equipe de docentes e alunos. Os professores faziam observações para contribuir com os trabalhos apresentados. 

Nos dias primeiro, dois e três de dezembro tivemos as apresentações do TCA definitivas, e cada trabalho foi simplesmente maravilhoso! Aprendi muito, conheci os alunos de modo amplo e particular. Nós professores tínhamos uma sintonia mágica, compartilhamos ideias, dávamos suporte um para o outro.

Gratidão por ter participado deste trabalho, com professores incríveis como: Alberto, Filomena, Igor, Jaqueline, Márcia, Maria Sandra, MarInez, Paulo, Rúbia, Tatiane. 

2020 ficará marcado para sempre na vida dos alunos e professores. Parabéns EMEF Benedito Calixto, Escola das oportunidades!

Descobri qualidades nos meus colegas antes não percebidas, pois no cotidiano escolar não tínhamos oportunidades de nos reunirmos com frequência para dialogar, e a tecnologia nos permitiu conhecer melhor os alunos, suas famílias, o grupo de professores e funcionários.

Gratidão a todos por estarmos juntos na caminhada do saber.

Sonária Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: forjados pelas batalhas e aflições, não desistiremos jamais

Grêmio 2×2 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Ferreirinha em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Se é de batalhas e aflições que queremos escrever essa jornada de 2021, o capítulo desta noite foi escrito a contento. Diante do mais caro time do futebol brasileiro, de uma crise técnica poucas vezes vista e de um silêncio retumbante na nossa Arena – pela punição imposta à torcida que assistiu a alguns alucinados invadirem o campo rodadas atrás -, sofremos dois gols já no segundo tempo e vimos o rigor do árbitro punir com expulsão um dos nossos atacantes. A derrota seria inevitável e desistir de lutar a única opção, não estivéssemos falando de um clube que já nos propiciou alguns dos mais impossíveis resultados da história do futebol.

Como se algo estranho ao campo da bola transcendesse a razão, o passe que foi inseguro durante quase todo jogo chegou preciso ao pé de Ferreirinha – que já havia recebido todo tipo de bola, mas sem conseguir finalizar de forma correta. Nosso ponteiro esquerdo, que em toda a partida arriscava dribles sem sucesso, livrou-se de três marcadores e deu o presente que Borja, recém-entrado no time, mais esperava. Nosso centroavante com um carrinho empurrou a linha do VAR para longe e a bola para as redes. 

As possibilidades de levar ao menos um ponto deste jogo ainda eram pouco consideradas pelos críticos quando mais uma vez o sobrenatural protagonizou. Ferreirinha, incansável. Ferreirinha, insistente. Ferreirinha, que há algumas partidas vem tentando sem sucesso marcar gols após desconsertar seus adversários, desta vez cortou uma, duas vezes e colocou a bola fora do alcance do goleiro, estufando as redes e empatando a partida.

Os matemáticos e pragmáticos seguem céticos às nossas chances de escaparmos da Inominável a quatro rodadas do fim do campeonato. Passarão os dias falando de percentuais, projeções e possibilidade de queda. Da impossível tarefa de construir no fechamento da temporada o que não fomos competentes de fazer ao longo de todo ano. Tomados pela lógica, se esquecerão que fomos forjados nas batalhas e nas aflições. E delas nos alimentaremos para persistirmos até o fim lutando pela presença na elite do futebol brasileiro. 

Sua Marca: os vencedores do Marcas Mais

Nubank foi uma das marcas que se destacaram nesta ediçao do Marcas Mais

“Marcas não resistem a produto ruim”

Cecília Russo

Lembrar uma marca nem sempre significa confiar nesta marca. Por isso, se você quer saber realmente o impacto que uma marca tem na vida das pessoas é preciso medir o envolvimento delas com os produtos, serviços e empresas. E um dos termômetros capazes de aferir a temperatura com precisão é o método desenvolvido pela TroianoBranding, há 26 anos, que serve de base para o estudo Marcas Mais. Na sétima edição, realizada com o jornal O Estado de São Paulo, chegou-se ao resultado após análise de cerca de 13 mil entrevistas, cobrindo 31 categorias de negócio, em todo o Brasil. 

Jaime Troiano, nosso parceiro do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, explica que o Marcas Mais é uma metodologia mais abrangente do que os estudos habituais de “top of mind”, que medem essencialmente a notoriedade das marcas ou sua presença mental nos consumidores. E são muito mais influenciados e dependentes dos esforços de comunicação. Ainda que considere também medidas de notoriedade, o estudo da TroianoBranding vai muito além delas e fornece uma avaliação mais abrangente sobre o envolvimento das marcas com o seu mercado. 

Com base nas respostas obtidas, os entrevistados são distribuídos em cinco patamares de uma pirâmide que tem na sua base, aqueles que “desconhecem a marca”, seguido dos que “conhecem e rejeitam”. Na sequência, estão as pessoas que conhecem, não rejeitam mas que veem nela apenas mais uma marca no mercado. No patamar acima estão os consumidores que identificam a marca como sendo uma das que prefere, mas não a única. No topo dessa pirâmide, encontram-se os clientes que dizem ser aquela a marca com a qual se relacionam e querem se manter envolvidos durante muito tempo.

Leia, também, o artigo “Olimpíada das Marcas”, de Jaime Troiano

Com base nas marcas que aparecem em destaque no estudo, Cecília Russo diz que é possível identificar uma consistência bastante grande nos resultados na comparação com as demais edições. Por exemplo, Porto Seguro (cia de seguros), Vivo (telecomunicação), Honda (automóvel) e Magazine Luiza (varejo) se mantém no topo de suas categorias ao longo de todo o estudo. 

“O que mantém essas marcas nesse posto de liderança é um conjunto de atividades que elas fazem. Parte delas relacionadas a marca e branding. Mas é importante a gente saber que não é só marca e branding que levam essas empresas ao topo. Éa entrega que essas marcas fazem com seus respectivos produtos e serviços”.

Cecília Russo

Algumas mudanças em relação aos estudos anteriores que foram registrados no Marcas Mais deste ano se deram na categoria companhia aérea com a Gol retomando a liderança; e o Nubank que, após dois anos ameaçando o líder, superou o banco Itau. 

“No Marcas Mais não existe azarão. Não existem surpresas. E pra nós isso faz muito sentido. As marcas que estão nas três primeiras posições são aquelas que, visivelmente, fazem um bom trabalho em branding. Tem que ralam mesmo. Tem que comunicar. Tem que ter consistência e mostra a que veio”.

Cecília Russo

Para medir a influência da pandemia, o estudo foi entender quais as marcas que trouxeram iniciativas e produtos que facilitaram a vida das pessoas, neste um ano de restrições e mudanças de comportamento: Nubank, iFood, Nestlé, Magazine Luiza e Natura, foram as cinco que se destacaram. Algumas são digitais, e isso explica muito do seu crescimento. Mas existem marcas – a despeito de todas terem operações no comércio eletrônico  – que são essencialmente ‘high touch’. 

“É a coisa do envolvimento do toque, da presença, do acolhimento. Elas representam afeto ou cuidado, cada uma seu modo, que são dois ingredientes, se eu posso dizer assim, muitíssimos valiosos durante esse período tão difícil que nós estamos vivendo”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser um Sucesso e entenda o que tem sido essencial para as marcas garantirem o envolvimento dos consumidores:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: um passinho de cada vez!

Chapecoense 1×3 Grêmio

Brasileiro – Arena Condá, Chapecó/SC

Lucas Silva e Thiago Santos em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Tinha no teatro compromisso inadiável e um espetáculo imperdível e emocionante, nesse sábado à noite. No palco do Sérgio Cardoso, aqui em São Paulo, dois casais de bailarinos propiciavam o encontro do passinho e da surdez; e não queria que nada me tirasse atenção daquele momento mágico em que um casal de bailarinos que ouve se unia a um que não ouve, em uma comunicação ritmada pela música — que pela genialidade dos seus criadores era transmitida a todos nós que estávamos na plateia. Eles conseguiram fazer o público ter a sensação do som da surdez em uma apresentação musical. Para nós que ouvimos, o silêncio é um luxo; aos que não ouvem, é o desafio do cotidiano. 

O passinho é dança nascida nas favelas cariocas que mistura breaking, frevo, samba e capoeira. Um desafio corporal que deixa a gente, os leigos, embasbacados: como alguém consegue movimentar os pés e o corpo com tanta agilidade e de forma sincronizada com a música? Imagine, então, fazê-lo sem ouvir, apenas sentindo a vibração do palco e o toque no corpo. Incrível!

Para os desentendidos, o passinho é aquela dança que jogadores de futebol desajeitados esboçam no anúncio do Campeonato Brasileiro, na tela do SporTV. Todos, mesmo os que ensaiam algum gingado, estão muito aquém da arte dos dançarinos. Convenhamos, o negócio deles não é dançar, é nos fazer feliz com outra arte proporcionada pelos pés: o futebol.

Abri mão de assistir ao jogo do Grêmio em troca do prazer único que o teatro, o primeiro desde o início da pandemia, me proporcionaria. Não pense que era desdém ou desconfiança com o nosso desempenho. O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe que minha crença é ilimitada. Foi uma escolha apenas. Mesmo porque, pelo Grêmio nada mais eu poderia fazer. Em campo, cabe apenas aos nossos jogadores dar solução para os problemas que criaram ao longo da temporada. É o que têm tentado nesses últimos jogos, mesmo aqueles em que não conseguiram vencer (exceção ao contra o América de Minas). Ontem engatamos duas vitórias seguidas, algo inédito nas nossas bandas, em 2021, e com destaque para nossos volantes que abriram o caminho para a vitória: Lucas Silva com chutes que começam a encontrar as redes; e Thiago Santos em uma sequência inesperada de dribles dentro da área e em direção ao gol.

A situação que nos encontramos não dá tempo de comemoração, e o próximo desafio se torna ainda mais difícil porque é contra um dos líderes do campeonato. Depois ainda teremos confronto direto com times que tentam escapar desesperadamente do risco do rebaixamento, e o virtual campeão do Brasileiro. São cinco jogos para fazer o que não realizamos em 33 rodadas. Temos condições de fazer; estamos demonstrando capacidade de reação; e alguns dos nossos jogadores se redescobrindo em campo. Seguimos acreditando. Seguimos em frente. Um passinho de cada vez!