Avalanche Tricolor: 1, 2, 3 …. 116 anos comemorados em um domingo azul

 

 

Grêmio 3×0 Goiás
Brasileiro — Arena Grêmio POA/RS

 

Gremio x Goias

A alegria do aniversariante em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

 

“Desejamos a você um dia azul”, disse o comissário de bordo no momento em que a aeronave aterrissava na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na viagem que marcava o fim das minhas férias —- curtas férias, registre-se; quase uma folga estendida, pois fiquei apenas uma semana fora do ar, na CBN.

 

Sei que a frase faz parte do marketing da companhia aérea em que voei, mas neste domingo me soou mais familiar. Afinal, estava chegando à cidade e em pouco tempo já estaria diante da televisão para participar da festa de aniversário do Grêmio.

 

Quis o calendário que o 15 de setembro deste ano caísse num domingo, dia clássico do futebol. E por uma conspiração da tabela do Brasileiro coube ao Grêmio jogar às quatro da tarde, —- parece-me que foi a primeira vez que isso aconteceu neste campeonato.

 

A torcida entendeu o recado e mais de 41.700 torcedores foram à Arena cantar parabéns à você ao clube que amamos e abraçar o time que nos representa em campo. Um time, aliás, que voltou a jogar o futebol que encantou a América do Sul, com altíssima intensidade, marcação forte, movimentação estonteante e dribles abusados. Um time à altura do nosso clube.

 

A confiança e simbiose com o torcedor “nesta data querida” foram tais que além de dribles também passamos a abusar dos chutes a longa distância. Haja vista o gol de Jean Pyerre que abriu o placar —- o mais bonito desde que ele passou a jogar entre os profissionais, foi o que disse o jovem meio-campista no intervalo do jogo. Já havia arriscado um pouco antes e repetiu a dose no segundo tempo, sempre ameaçando o goleiro adversário e revelando uma arma que pode ser o nosso diferencial nas pretensões que temos no Brasileiro e na Libertadores.

 

Assistir ao segundo gol de Everton me agradou muito também nessa tarde de festa. Gostei porque hoje é o jogador que mais bem nos representa, passou pela base onde foi forjado gremista — daquele que comemora o aniversário do clube de coração —- e é um talento reconhecido mundialmente que conseguimos preservar para a campanha deste ano —- quase um presente de aniversário.

 

Havia algo mais no gol de Everton a me agradar: a maneira como foi construído com participação coletiva e o fato de ter sido resultado da forma intensa que nosso ataque busca jogar. Tínhamos quatro jogadores disputando a mesma oportunidade de concluir a gol dentro da área: Jean Pyerre, Matheus Henrique e Tardelli, além de Everton.

 

No estado de graça que estava o aniversariante, o terceiro gol foi resultado de outros méritos desta equipe treinada por Renato. A começar pela precisão do passe de Jean Pyerre —- joga muito esse guri —- que encontrou Cortez correndo por trás de seus marcadores e o colocou em condições de cruzar para Alisson que, novamente, chegou forte dentro da área. A velocidade foi tanta que o auxiliar se atrapalhou e só não melou a festa porque o VAR o salvou mostrando que o lance era legal.

 

A vitalidade com que o Grêmio comemorou seus 116 anos nos permite acreditar que ainda teremos muito o que festejar em 2019 —- mas, independentemente do que o futebol nos reserve para o futuro, depois de assistir ao Grêmio nesta festa de aniversário, mais do que familiar o desejo do comissário de bordo foi mesmo premonição: o domingo foi azul.

 

Conte Sua História de São Paulo: o alvoroço com a chegada do circo do “peru que fala”

 

Por Wagner Nobrega Gimenez
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na capital de São Paulo no ano do IV Centenário, 1954 — ano em que o Corinthians ganhou o campeonato que ficou na letra do seu hino: “o campeão dos campeões”. Também nesse ano foi entregue à população o maior parque da cidade: o Ibirapuera.

 

Porém, as minhas recordações pessoais mais antigas são de quando eu tinha 6 anos. Lembro com carinho os passeios que fazia com minha irmã Cidinha na Loja Pirani, na Av. Celso Garcia, no bairro do Brás. Eu brincava no parque infantil da loja e comia salgadinhos. Era muito bom.

 

Recordo-me ainda de ir às Lojas Americanas, na rua Direita, no centro da cidade, com a minha irmã. Lá eu comia o delicioso Bauru Paulistano: pão americano, presunto, queijo e tomate, prensado e bem quente, acompanhado de suco de laranja.

 

Também no bairro do Brás, na rua Almirante Barroso, onde eu morava, aos domingos era armada a lona do circo do “Peru que Fala” — apelido do apresentador Sílvio Santos. Era um grande alvoroço quando aquela caravana, como se chamava, vinha na minha rua.

 

Por vezes, eu e a Cida pegávamos o bonde camarão que passava na Rua Bresser, perto da minha casa, e íamos até a Praça da República, o lugar que eu achava o mais lindo da cidade.

 

Tinha também a quermesse da Igreja Santa Rita do Pari, bairro próximo do meu. Era no dia 22 de Maio, dia da santa.

 

Nos cinemas Roxy e Universo, ambos na Av. Celso Garcia, eu não podia entrar. Só via de fora. Ficava imaginando como seria lá dentro…

 

São essas as minhas queridas recordações da cidade de São Paulo daquele ano de 1960.

 

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história. Envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: quanto vale o produto ou serviço que você oferece?

 

 

“Nós fazemos a atração. A empresa boa, o profissional bom, cria um campo de atração, um campo de valor. Tanto é que quem faz clientar bem feito ou apreçar não precisa vender. Porque é o cliente que compra. Ele se sente parte da família” José Carlos Teixeira Moreira, EMI

Um dos pontos de maior atrito com o cliente é o da definição do preço do produto ou do serviço prestado. E o erro nesse processo está exatamente no momento em que o vendedor ou prestador de serviço quer impor o valor do seu trabalho, sem levar em consideração fatores que são intrínsecos nessa relação. “O cliente faz o preço antes mesmo de você dizer o seu preço”, explica José Carlos Teixeira Moreira, da Escola de Marketing Industrial, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Antes de apreçar, portanto, é preciso clientar, explica Moreira que criou esses dois neologismos para mostrar como deve ser a relação construída com os clientes. Ele define clientar como a arte e a ciência de fazer clientes e apreçar como a arte e a ciência de fazer preço. E entende que o apreçar é decorrência do reconhecimento que o cliente tem do trabalho que se realiza:

“Eu acho que clientar e apreçar são inseparáveis. Na medida em que o sujeito tem a arte de fazer clientes, o preço vira aplauso, não vira cobrança.”

Para Moreira é comum as empresas e pessoas construírem uma escala de valores na relação com o cliente que se inicia pelo lucro, quando esse é apenas a consequência do processo. A hierarquia que o consultor que está há cerca de 50 anos no mercado sugere, é a seguinte:

 

  1. Credibilidade
  2. Relevância
  3. Preferência do cliente
  4. Caixa exemplar
  5. Lucro

“… porque quando predomina uma visão financeira na instituição é o começo do fim, sabe. Ter a visão financeira é fundamental. Nós todos temos que ter. Mas predominar é terrível. Porque quando predomina, eles confundem austeridade com mesquinharia, entendeu? E aí é a predação total. É tristíssimo!”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

O chofer de aplicativo que transformou passageiros em personagens

 

 

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“No Divã do Taxi Driver” foi escrito por Paulo Maia e lançado nesta terça-feira, em São Paulo. O autor eu apresento em prefácio que reproduzo a seguir. O livro está a sua espera nas lojas do ramo ou no carro que Maia usa para transportar passageiros — sorte sua se encontra-lo na “praça”:

 

Sou do tempo do chofer de praça. O nome foi importado e reescrito do francês “chauffer”, que significava por lá “operador de máquinas a vapor e, por extensão, de outras máquinas”. Apenas alguns anos depois, demos preferência a motorista, que deriva do Latim motor, “o que confere movimento”. Como a palavra motorista passou a designar todos aqueles que dirigem algum tipo de transporte terrestre, sempre achei mais bonito chamar os profissionais da praça de chofer.

 

 

A propósito, chofer de praça porque geralmente era onde ficavam a espera dos passageiros. Sim, naquele tempo, não era o motorista que vinha até nós, nós é que íamos até o motorista — coisa antiga, não é mesmo?!? Por acaso, a maior parte dos pontos que usei ficava mesmo é na esquina e não na praça. Um deles o da Saldanha Marinho, onde morei na minha infância e adolescência, em Porto Alegre.

 

 

No ponto da Saldanha tínhamos choferes de primeira. A maioria conhecia minha mãe, a Ruth, e estava acostumada a vê-la chegar com os três filhos pendurados pela mão para embarcar para a escola, para a consulta no médico ou para qualquer outro destino na cidade. Conheciam-na pelo nome, assim como nós os conhecíamos, também. Sabiam parte de nossa história e costumavam palpitar sobre nossas escolhas de roupa, de hábito e de time. O faziam de maneira respeitosa.

 

 

A confiança era tal, que para se desdobrar entre a irmã mais velha e o irmão mais novo, minha mãe me deixava com o chofer, passava o endereço e sabia que a entrega seria garantida. Fez isso comigo e com meus irmãos. Pagava a corrida no outro dia —- devidamente anotada na caderneta de fiado do motorista. Por isso não me surpreendi quando há mais ou menos uns cinco anos, um dos choferes me reconheceu no banco de trás do carro e puxou papo sobre minha mãe, falecida em 1986.

 

 

O ponto ainda está por lá —- lembro de tê-lo visto na última vez que visitei a cidade. Mas como a maioria dos outros que persistem estava vazio. Para meus filhos, não fazem o menor sentido. Se precisam sair de casa, seguir para o trabalho ou encontrar os amigos, sacam o celular e acessam o aplicativo. Em segundos, o alerta da chamada aparece, o nome do motorista fica registrado, o tempo e o custo da corrida, também. Em lugar de procurar um chofer de praça esperam o motorista de aplicativo —— confesso que ainda procuro um nome melhor para a profissão, mas seja qual for o que eu escolha imagino já ser voto vencido. Assim que o motorista chega, chama meus filhos pelo nome e se houver oportunidade e interesse dos passageiros puxa papo com eles. A viagem se encerra sem que eles precisem ter dinheiro no bolso. “Esse merece cinco estrelas’, dizem os meninos.

 

 

Mesmo que o tempo tenha passado e os costumes se transformado de forma inimaginável para os choferes de praça que me transportavam — e para mim, também —, algumas coisas ficaram e devem ser perpetuadas por aqueles que exercem a função nos dias atuais. A gentileza no atendimento. O bom dia, o boa tarde e o boa noite. O por favor e o muito obrigado. O sorriso no rosto e a conversa agradável. A direção segura e o relacionamento confiável. O bom chofer precisa também ser bom ouvinte. Entender quando o passageiro entrou no carro disposto a contar a sua própria história ou quer apenas o silêncio da viagem.

 

 

Agora, imagine o que pode acontecer quando você entra em um carro de aplicativo e o motorista que vai levá-lo ao destino final, além de ter tudo aquilo que eu admirava em um bom chofer, também adora escrever? Acredite, você corre o sério risco de se transformar em personagem de belas histórias vividas no trânsito de nossas cidades. Assim como aconteceu com Dona Cristina e Dona Maria da Glória, Seu Vinícios e Doutor Fábio ou Doutor Renato e seu cão-guia Luky, que me foram apresentados neste livro que você tem em mãos. Aliás, assim como aconteceu com todos eles e muitos outros que tiveram o privilégio de chamar o transporte pelo aplicativo e deparar com Paulo Maia na direção — um motorista com hábitos dos meus choferes preferidos.

 

 

Por curioso que seja, mesmo que a mim tenha sido dado o privilégio de escrever este prefácio, nunca tive a chance de encontrar o bom chofer Maia nas minhas viagens pela cidade. A não ser dia desses quando estava atravessando a pé a avenida e ouvi um grito que saía pela janela do carro: “fala, Miltão!”. Aquela voz eu reconheceria no trânsito congestionado de São Paulo, na pizzaria lotada de fregueses ou em meio a solidão do Estreito de Gibraltar. Era o Maia com meio corpo para fora da janela me cumprimentando da mesma maneira que costumava fazê-lo quando nos encontrávamos nas atividades sociais e de voluntariado, no Morumbi, ou quando eu frequentava uma das melhores pizzarias que já conheci na cidade, da qual ele era o proprietário.

 

 

Sim, caro leitor, cara leitora, o Paulo Maia já foi dono de pizzaria e já se aventurou por muitas outras áreas da vida. Ele também já fumou duas carteiras de cigarro por dia, teve enfarto e driblou os males que a saúde lhe pregava. Recuperou-se e se desafiou: cruzou o Canal da Mancha e o Estreito de Gibraltar a nado —- aliás, foi o segundo brasileiro com mais de 50 anos a completar essa travessia. Foi nessa última que o entrevistei durante o programa de rádio que apresento na CBN. Na verdade, entrevistei seu treinador que estava em um barco ao lado, porque ele estava dedicado a dar suas braçadas para vencer os 20 quilômetros que separam Espanha e Marrocos. Conta que ao ouvir meu nome, lembrou-se de muita gente que gosta e estava em terra torcendo por ele. Isso o fortaleceu e o fez resistir às dores e completar o percurso.

 

 

O último desafio que enfrentou foi quando teve de fechar as duas pizzarias que tinha na cidade, encontrar uma saída para as dívidas que se avolumavam e pagar a conta dos funcionários que mantinha —- alguns há cerca de 20 anos trabalhando com ele. Para essa travessia da vida também contou com o apoio de amigos que o incentivaram a recomeçar, se reinventar. Maia pegou carona na economia compartilhada que proporcionou a milhares de brasileiros a oportunidade de transformar bens particulares em negócio. Cadastrou-se em empresas de transporte por aplicativo, colocou seu carro na praça e, desde 2017, calcula ter rodado mais de 170 mil quilômetros de norte a sul, de leste a oeste, de um canto a outro da cidade de São Paulo.

 

 

Foram mais de 11 mil pessoas transportadas na capital paulista — gente que ao chamar o transporte não imaginava que estava prestes a se transformar em protagonista de uma história bem contada. Com a atenção que o trânsito exige e o atendimento que o passageiro merece, Maia ouviu lamentos e recordações, alegrou-se com as comemorações e vitórias pessoais de cada um, e foi apresentado a citações religiosas e situações constrangedoras. Memorizou boa parte desses diálogos, anotou outras e reconstruiu algumas passagens que vivenciou enquanto levava as pessoas, seus amigos e seus familiares ao destino final.

 

 

Agora, Paulo Maia, como um bom chofer ou um motorista cinco estrelas —- para ficar mais atualizado — gentilmente nos convida a fazer essa travessia ao lado dele, nos levando por uma viagem que percorre a alma humana, entra na avenida mais próxima para nos revelar o que está na mente das pessoas e, desviando dos buracos do cotidiano, nos permite ouvir como bate o coração de cada um de seus passageiros.

 

 
Boa viagem!

Avalanche Tricolor: foi esplêndido, mas trocaria tudo isso por Geromel em forma

 

 

Cruzeiro 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência BH/MG

 

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Everton em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi um espetáculo. Do goleiro ao 14º jogador a entrar em campo, todos ofereceram o que tinham de melhor ao atuar contra um adversário que buscava a redenção diante de sua torcida. E ao listar os 14 não exagero.

 

Paulo Victor foi preciso em três ou quatro defesas de extrema dificuldade, assim como os três que saíram do banco: David Braz, que manteve a segurança defensiva, Luan, que por pouco não fez um gol de placa na tentativa de encobrir o goleiro, e Pepê que usou de sua velocidade e chute forte, no pouco tempo em que esteve em campo.

 

Claro que Everton foi o mais incrível de todos.

 

Jogou como ninguém joga no futebol brasileiro. Cada bola, um perigo à vista. Deslocava-se da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda. Às vezes, fazia um estágio pelo meio. Independentemente do lado em que estivesse era capaz de dar dribles alucinantes e impor uma velocidade de deixar seus marcadores desnorteados. Descrição que pode ser ilustrada pelo primeiro gol que marcou quando entrou na área pelo lado esquerdo e cortou para chutar com o pé direito. Com o espaço fechado pelo adversário, tocou para o pé esquerdo e bateu forte, no alto e no ângulo, sem qualquer chance de o goleiro reagir.

 

Antes de marcar seus gols, já havia dado assistência a Alisson que entrou em campo endiabrado contra seu ex-clube. Em uma primeira tentativa de drible foi empurrado dentro da área. O árbitro entendeu que era disputa de bola —- como deve ter entendido que o zagueiro que interrompeu a trajetória do chute com a mão dentro da área adversária também estava apenas disputando a bola (com a mão).

 

Alisson não desistiu. Sempre que tinha a bola no pé, partia contra o marcador, encontrava seus companheiros livres para passar ou recebia faltas. No lance de seu gol, iniciou a jogada na direita, entregou para Everton e se deslocou para a esquerda, surpreendendo a defesa. Apareceu livre para receber a bola e conduzi-la até o momento fatal.

 

Uma goleada que se iniciou com o gol de letra de Diego Tardelli que também estava em uma manhã inspirada. Nosso atacante marcou, desarmou, armou e concluiu a gol de calcanhar, completando a boa jogada pela direita de Galhardo — calando a vaia provocativa do torcedor adversário e arrancando aplausos mesmo de gremistas desconfiados.

 

A nota negativa ficou por conta da lesão de Geromel. E digo com toda a sinceridade: trocaria a esplêndida apresentação deste domingo e os quatro gols marcados por um Geromel totalmente em forma e em condições de jogar a Libertadores.

Mundo Corporativo: microempreendedor precisa assumir sua identidade para crescer e investir em seu sonho

 

 

“Comece a partir do que você tem … Em vez de se focar naquilo que você deveria ter para empreender, foque naquilo que você já tem de valor para empreender, e comece a testar, porque empreender é um exercício que se aprende fazendo. Ninguém nasce totalmente empreendedor. A gente se torna empreendedor” — Lina Useche, Aliança Empreendedora

Micros e pequenos empreendedores representam 99% das empresas no Brasil e 27% do PIB. Também são responsáveis por 54% dos empregos. Apesar desses números, a maioria deles não se identifica como um empreendedor, porque no imaginário popular um empreendedor ou um empresário é aquele homem que veste terno e gravata que costuma aparecer nas reportagens e nas imagens publicadas na internet.
 

 

É preciso mudar essa visão e perceber que a senhora que faz comida para fora, a moça que é dona de um pequeno salão de beleza, o rapaz que realiza reparos em equipamentos eletrônicos ou vende pipoca são todos empreendedores ou no caso microempreendedores.
 

 

Ao não se identificar como empreendedor, muitos brasileiros desperdiçam as oportunidades que existem de programas de apoio e incentivo ao microempreendedorismo —- o diagnóstico é de Lina Useche e está baseado na experiência que desenvolve à frente da Aliança Empreendedora, que incentiva projetos voltados aos microempreendedores em comunidades de baixa renda.

“Essa falta de identidade faz com que a pessoa não se conecte com esse ecossistema do empreendedorismo. Ela tem uma primeira barreira que é se reconhecer como tal e se valorizar para acessar as oportunidades que existem”.

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Lina Useche relata que a burocracia também impede que muitos desses profissionais se desenvolvam na carreira:

“Essa é uma das questões porque esses micros não crescem: medo de se endividar, medo de contratar um funcionário e ter problemas. Então, o próprio arcabouçou legal, a legislação muito  bucrocrática faz com que esse microempreendedor se retraia. Não vou fazer o meu, vou trabalhar sozinho, vou sustentar minha família e vou no seguro porque é um mundo muito assustador”

A partir de pesquisa realizada pela Aliança Empreendedora, Useche descreveu as quatro personalidades de microempreendedores:

Profissional independente: aquele que sempre teve o sonho de empreender e só estava esperando uma chance de tirar a ideia do papel.
 

 

—- Empreendedor por consequência: aquele que a vida o obrigado a assumir essa função seja pode desemprego seja por mudança na configuração da família
 

 

—- Empreendedor de meio período: aquele que ainda tem emprego fico, mas tem seu empreendimento no restante do tempo e sonha em um dia ser apenas empreendedor
 

 

—- Jovem empreendedor: aquele pessoal que tem entre 18 e 19 anos e já encara a função de maneira diferente, desenvolve ideias diferentes, cria com base na tecnologia disponível e sonha solucionar problemas do mundo.

Outra curiosidade que a pesquisa da Aliança apresenta é que independentemente do tipo de microempreendedor que a pessoa seja existem três pontos em comum entre eles:

—- Mão na massa
—- Rede de contatos e articulação de sua família e amigos
—- Paixão pelo negócio

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo. Ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

Vaga de garagem é coisa séria: Raquel Dodge vai ter de se explicar no STF

 

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No condomínio, poucas coisas causam tanta discussão quanto uma vaga na garagem. Por mais modernos que tentam ser os administradores, usando da tecnologia para determinar qual quinhão caberá a cada um dos condôminos, sempre alguém sai insatisfeito do sorteio realizado. Ou porque o carro ficou muito ao fundo, ou porque está próximo de mais da pilastra, ou porque o espaço é estreito para manobrar o USV do malandro.

 

Em alguns condomínios a vaga é fixa. Em outros, é rotatória para ver se acalmam-se os ânimos. Em todos tem sempre alguém insatisfeito e ameaçando levar às últimas instâncias sua reivindicação por uma vaga mais confortável onde possa deixar seu carango sem risco de arranhões na porta ou contorcionismos ao volante.

 

Por uma conspiração do destino — e agradeço a Deus por essa graça alcançada —-, apenas uma vez na vida tive de encarar o desafio de dividir espaço e controvérsias com moradores de apartamentos vizinhos. Mesmo assim foi apenas de passagem e decidi que estacionaria meu Gol no lugar que os demais condôminos decidissem. O único transtorno era ter de manobrar diariamente o carro que ficava na vaga em frente a minha. Mas confesso que até me diverti com a oportunidade.

 

Verdade que quando era mais jovem, meu Chevette não tinha lugar na garagem de casa e tinha de estacionar na oficina de um vizinho que alugava o espaço. Ali o problema não era a vaga, mas o barulho. Como era adepto das noitadas e o dono da oficina já era um senhor de idade e com família comportada, toda vez que entrava com o carro, ele se revirava na cama.

 

Nas empresas brasileiras, ter vaga na garagem ou mais próxima da entrada principal é coisa para crachá de peso. Funcionário comum pára onde pode e dependendo da organização vai ter de pagar aluguel no estacionamento da região. Um comportamento que diz muito da maneira como vivemos em uma sociedade formada por castas ao contrário de países mais civilizados.

 

Você já deve ter assistido a vídeos e informações de que em alguns países desenvolvidos, quem chega antes pára mais distante da entrada, pois têm tempo de sobrar para chegar ao escritório. Assim deixam as vagas mais próximas para turma que se atrasa e precisa correr para bater o ponto. É civilização que chama, né?

 

Aqui no Brasil essa discussão é tão complexa que até a futura-ex-Procuradora Geral da República Raquel Dodge é alvo de ação no STF por negar vaga de garagem a um subprocurador. Isso mesmo: ela pode ser condenada por não ceder uma vaga na garagem no estacionamento da PGR.

 

Segundo o portal G1, o subprocurador Moacir Guimarães foi quem entrou com ação no Supremo Tribunal Federal. Ele ficou incomodado porque havia pedido para que um auxiliar pudesse estacionar na garagem para “agilidade dos trabalhos”. Raquel Doge, que responde também pela área administrativa da Procuradoria, baseou-se em portaria que prevê vagas apenas para os subprocuradores, não para seus auxiliares. É privilégio que chama, né?

 

Guimarães reclama porque, segundo ele, existem várias vagas desocupadas na garagem, “o que demonstra claramente a má vontade da Autoridade coatora em atender, no final do seu mandato, o pedido do impetrante eis que em todo o período de sua gestão os questionamentos foram feitos”.

 

Para quem achava que os maiores problemas que Raquel Doge teria de enfrentar nessa reta final de trabalho —- ela deixa o cargo no dia 17 de setembro —- fossem as indicações fora de época que fez para algumas procuradorias regionais ou o pedido de demissão dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, jamais imaginaria que ela estaria com a cabeça a prêmio e julgada pelo STF por uma acusação desse porte: não autorizar o uso da vaga da garagem para subalternos.

Conarec 2019: da expansão no engajamento empresa-cliente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O CONAREC — Congresso Nacional das Relações Empresas Clientes –, que será realizado nos próximos dias 10 e 11, no Hotel Transamérica, em São Paulo, traz expectativas de novidades, moldadas no tema “Expandindo as fronteiras do engajamento”. Serão 250 expositores e painelistas representando 100 marcas aproximadamente.

 

No intuito de obter um trailer, conversamos com uma das participantes do evento, Stella Kochen Susskind, master da pesquisa de mercado, que comanda a startup SKS CX Customer Experience, recentemente entrevistada no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Stella, fundadora, pioneira e CEO da maior empresa de cliente oculto da América Latina durante 30 anos, manteve atenção total na região de Israel onde surgiram empresas disruptivas que criaram o Waze, o Pendrive, o WeWork, o Wix e até o tomate cereja, entre outros tantos produtos que trouxeram benefícios e melhorias.

 

Estava atenta também às informações que o próprio mercado em que atuava sinalizava:

“Com tantas mudanças nas experiências dos clientes, com omnichannel — convergência de todos os canais utilizados por uma empresa — me perguntava a todo momento: como o mercado de pesquisa não se moderniza no mesmo ritmo? Como apresentar um resultado de pesquisa quase 20 dias após a experiência do cliente? Por quanto tempo os clientes compradores de pesquisa investirão muito em diversas metodologias, de empresas distintas, sem inovação e sem conseguir enxergar os resultados de maneira integrada?”

A presença com o ecosistema das startups israelenses e o desempenho da SKS, reconhecido internacionalmente, originaram um convite da Checker Software Systems, de Hadera, Israel, para trazer a nova tecnologia para o Brasil.

“Além do avanço das startups israelenses me chamando, a decisão de aceitar o desafio veio com uma frase de um cliente durante uma reunião: Stella, você é a pessoa que vai colocar fim nas apresentações de 80 slides só com números e key points sem sentido.”

Com esse estímulo, Stella assumiu a missão de absorver a nova tecnologia, depois de reuniões em Split (Croácia), Roma (Itália) e Hadera (Israel):

“O que mais parecia uma missão para a Mossad se tornou um caso de sucesso. Além de adotar uma metodologia de mensuração mais integrada — assim como a integração da jornada do cliente no universo físico e digital — e inovadora, a inovação é também na maneira de apresentar descobertas às empresas, modernizando de uma apresentação monótona e ultrapassada, que exigia a presença de um pesquisador para uma apresentação de dados. O modelo ‘pesquisa’ mudou. O empresário quer ele próprio acessar em tempo real o que o consumidor está falando de sua marca nos mais variados canais e poder agir baseado no estudo”.

Stella estará, portanto, apresentando as mudanças efetivadas nas pesquisas de satisfação dos clientes, embasada na nova tecnologia assimilada e já experimentada em seu trabalho atual. E, convida:

“Afinal, se com o Waze chegamos sem erro e pelo melhor caminho ao destino, com o que mostrarei no painel a jornada do meu cliente será assim também! Simples, potente e integrada”.

O painel de Stella Kochen Susskind em que mostrará alguns dos temas que foram antecipados para nós nesta conversa será o “Customer Experience a moda de Israel: inovadora, potente e segura”, dia 10 de setembro, às 12h50, na Conarec.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: vamos ter de ganhar a Libertadores, fazer o quê?!?

 

Athletico 2×0 Grêmio
Copa do Brasil — Arena da Baixada/PR

 

 

Gremio x Athletico-PR

Geromel em campo, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia enorme expectativa de uma disputa regional do fim da Copa do Brasil, mas logo no início da noite o Grêmio não cumpriu a sua parte. Jogou menos do que costuma, abaixo de suas qualidades e aquém do necessário. Mesmo assim, segurou o resultado negativo possível até o fim, apesar de ter perdido um de seus principais jogadores no começo do segundo tempo. E de estar diante de um adversário competente, competitivo e empurrado por seus torcedores

 

 

Teria tido a oportunidade de mudar a história da decisão se, nos primeiros minutos de partida, o árbitro não tivesse tido sua visão embasada pela prepotência. Ao não ter visto em campo o pênalti que favoreceria o Grêmio, foi forçado a olhar a tela do VAR. E mesmo que a cena se repetisse várias vezes diante dos seus olhos, com a bola sendo desviada pelo braço do marcador dentro da área, insistiu no erro. Nenhum dos comentaristas de árbitro que ouvi na TV e no rádio foi capaz de concordar com ele.

 

 

Prejuízo anotado, temos consciência de que o futebol gremista não foi aquele que nos levou a sequência de títulos nestes últimos três anos. Mesmo assim, o destino nos ofereceu a oportunidade de mudar a história dessa semifinal na cobrança de pênaltis. Em uma série na qual os cobradores demonstraram muita qualidade. Alguém haveria de errar. Erramos nós. 

 

 

É hora de deixar a ferida secar, recolher os trapos e se concentrar no próximo desafio. Eis aí  uma vantagem de ser torcedor do Grêmio: estamos sempre prestes a mais uma decisão.

 

 

Fora da Copa do Brasil, o que vamos fazer? Ganhar a Libertadores, ué! A gente pode,.

 

Bola pra frente!

 

No varejo, sucesso não tem padrão, mas precisa de visão

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Loja Pop Up da Tiffany em Los Angeles (Foto Divulgação)

 

No auditório da Casa Petra, em São Paulo, dia 20, a ALSHOP reuniu um conjunto de especialistas com o propósito de expor as tendências para o varejo, revisitando o passado e cotejando o presente.

 

A adaptação às mudanças, a obrigação de acompanhar a sua velocidade que vem aumentando gradativamente e a necessidade de ter a capacidade de visualizar o futuro, são itens necessários para participar do jogo atual dos negócios. Mas insuficientes para obter sucesso, cujo caminho não pode ser padronizado.

 

O sucesso depende de recursos criativos, emotivos, objetivos, e alguns, surpreendentes, como buscar problemas e não se afastar deles ou errar e errar de novo. Entendendo também que os clientes procuram benefícios e serviços e não produtos. Gostam de histórias e simpatizam com a customização. Clientes que esperam boas comidas com garçons que saibam servir bem e tirar boas fotos, pois tanto quanto o sabor, a imagem é prioridade. Outros, que seus cães façam as próprias compras pela internet.

 

Esta é a síntese que os expositores, com privilegiadas experiências de sucesso, apresentaram. Das quais, destacamos alguns pontos.

 

Jean Carlo Klaumann, da Linx Software de Gestão de Varejo, ressaltou a oportunidade que o omnichannel oferece, dado que apenas 5% das vendas de varejo no Brasil são realizadas online — além de estarmos atrasados também com a rapidez de entrega, pois prazos de quatro dias ou mais estão sendo efetivados nas capitais. As marcas com grande número de unidades podem usar o estoque das lojas para efetivar entregas, que daria vantagem de custo e satisfação do cliente. A presença em Marketplace é inquestionável.

 

João Apolinário, da Polishop, contou que para criar o seu negócio procurou questionar o que não existia dentro do seu segmento e visualizou uma distribuição que fosse ao consumidor em todas as situações de compra. Aproveitou para registrar o erro do e-commerce fora de Marketplace.

 

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Petz em Santos/SP (Foto: Divulgação)

 

Sergio Zimerman, da Petz, disse que o sistema de inovação que adota é a tentativa e erro. Se não der certo, persiste, com resiliência mas não com insistência, que seria repetir tudo da mesma forma. Como exemplo de criatividade, exibiu o comercial premiado sobre a tatuagem que precisa ser apagada, e sugere que a namorada Ana que traiu pode ser substituída por uma linda cachorra que se chamará Ana. Como inovação exibiu o processo de compra canina pela internet, usando a inteligência artificial.

 

Charles Darwin não foi citado, mas esteve presente no tema de Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, quando focou na necessidade de adaptação às mudanças, usando a tecnologia e se transformando digitalmente. A tecnologia é um valor operacional e estratégico. A Informação será mais e mais essencial. Serrentino evidenciou também a necessidade de ajuda externa às empresas com objetivo de adaptação e assimilação ao novo; e recomendou enfrentar os problemas ao invés de fugir deles.

 

Carlos Ferreirinha, sinônimo do mercado de LUXO, pela trajetória de sua obra iniciada com a implantação da Louis Vuitton entre nós, registrou como inspiração para o seu painel a inteligência da gestão do luxo como diferencial competitivo. Afinal é no LUXO que está um punhado de marcas de mais de 100 anos, ou de 200 anos como a Baccarat, que para permanecerem ativas inovaram constantemente. Ferreirinha ressalta que há obrigatoriamente aspectos que já devem ser assimilados, tais como:

 

— O cliente não diferencia o digital do físico;
— Convergência de canais;
– -A Farfetch do mundo virtual para o físico;
— Diversidade mais forte que nunca;
— Imagens são protagonistas;
— Instagramabilidade, quando a foto da comida é tão importante quanto;
— Whole food, onde o luxo vai para os rabanetes expostos como arte & chic;
— Loja Louis Vuitton, em New York, com gigantesco painel luminoso do novo estilista, que foi mais fotografado do que a Estátua da Liberdade;
— Experiências + experiências = transformação, não temer o erro;
— A necessidade do PROPÓSITO claro e preciso;
— Liderança “AGILE”;
— Dados são o novo “PETRÓLEO” = cliente no centro da informação;
— Entretenimento & food & leisure/Colabs, colaborativo: Airbnb experience; futuro dos Shoppings é o entretenimento; os espaços colaborativos; as “Pop Up” da Hermès vendendo lenços e gravatas além das lavanderias abertas em Paris; as novas lojas Tiffany; as novas unidades conceituais da Gucci

Como se vê, Ferreirinha é assertivo quando se inspira no LUXO para inovar e quebrar padrões.

 

Há, portanto, que entregar produtos sabendo que o objeto físico perdeu o protagonismo para o composto subjetivo que está agregado a ele. Compete ao varejo ofertar o que possa despertar desejo, em qualquer lugar, de qualquer modo, em qualquer momento e o mais rápido que puder.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.