Conte Sua História de SP: uma carta escrita pelo livreiro da cidade

 

Por José Xavier Cortez
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Esta é uma carta de alguém que se tornou editor e livreiro nessa cidade.
Cidade que acolhe pessoas que aqui aportam, vindas desse mundão de meu Deus, e o fazem sem indagar, sem exigir, sem distinguir se sua busca quer o bem ou não. Aqui nos fixamos.

 

Chegamos às vezes trazendo apenas uma única indicação, ou simples carta de apresentação para nos mostrarmos aos residentes daqui. Indicação ou apresentação obtidas por vezes junto a alguém conhecido na nossa origem, parente ou não.

 

As incertezas, o pavor, o medo, nos acompanham. De repente você se vê tão pequeno, diminuído, com pouco ou nenhum saber no meio dessa multidão, que está a disputar e a conviver com todas as bondades, riquezas e mazelas da grande cidade.

 

Minhas lembranças voltam no tempo. Só hoje, não sei porque não pensei nisso antes. Resolvi agradecer de coração por tudo o que de bom o povo dessa cidade de São Paulo me proporcionou e ainda me proporciona.

 

Quando aqui cheguei, no dia 05 de janeiro de 1965 não imaginava que quarenta anos depois, em 2005, receberia o tão honroso título de cidadão paulistano concedido a mim pela Câmara Municipal de São Paulo.

 

E não imaginava também que essa honra, 51 anos após minha chegada, se ampliaria a ponto de ver uma escola pública estadual da cidade de São Paulo ser denominada Escola Estadual José Xavier Cortez, homenagem sancionada pelo Governador de São Paulo, Gerald Alckimin, em 2016, ambas as indicações formuladas pelo vereador e posteriormente deputado estadual Carlos Giannazi.

 

Por que a mudança para São Paulo?

 

A punição que me impôs o regime militar em 1964 me fez mudar do Rio de Janeiro para cá. Não tinha profissão, mas tinha vontade ferrenha e muita disposição para ir à luta, para crescer, para me desenvolver como pessoa e como cidadão.

 

O que eu não queria mesmo era voltar para o local de onde saíra dez anos antes, o sertão do Rio Grande do Norte, sem conhecimentos, a não ser aqueles que você adquire observando o cotidiano das grandes cidades e que se traduzem no corre corre das pessoas, nas enchentes, nas favelas, na miséria, na riqueza não distribuída, nos crimes, etc.

 

Foi dentro desse contexto que consegui meu primeiro emprego sem carteira assinada, como lavador de carro num estacionamento que ainda existe hoje, na Rua Asdrubal do Nascimento, no centro de São Paulo.

 

Tenho apreço e orgulho de viver e trabalhar com minha família nessa cidade.
Foi ela que me ofereceu toda infraestrutura para minha aprendizagem e meu crescimento, tendo contribuído decisivamente para que eu construísse e consolidasse aquilo que sou e que faço hoje: ser um editor e livreiro em permanente comunhão com a metrópole.

 

José Xavier Cortez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Fábio Astrauskas diz como evitar os erros mais comuns que levam sua empresa para o buraco

 

 

“A crise chega aos poucos na empresa, ela dá sinais que vão evoluindo ao longo do tempo”. E esses sinais, citados por Fábio Astrauskas, professor do Insper e CEO da Siegen, especializada em reestruturação de empresas, aparecem em três grupos: gerenciais, operacionais e financeiros. Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Astrauskas sugere que os administradores das empresas construam estruturas de prevenção à crise.

 

O Mundo Corporativo é transmitido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN ou no domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: o Rei de Copas vence mais uma vez

 

Grêmio 1×0 Cruzeiro
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Barrios comemora o gol da vitória (reprodução SporTV)

 

 

(não me pergunte o motivo, mas este texto escrito logo após a partida de ontem à noite, não foi publicado; percebi a falha apenas agora e alertado por @seualgoz que toda semana me dá uma baita colher de chá postando meus textos no blog Imortal Tricolor; mesmo fora de hora, faço a publicação agora; perdão, caro e raro leitor desta Avalanche)

 

Um jogo de 180 minutos dizem quase todos ao se referir às decisões da Copa do Brasil. Ouvi da boca de um técnico e de outro, antes do jogo. Na dos comentaristas, também. No bate-papo de boteco, não poderia ser diferente. Têm razão todos eles se levarmos em consideração que só estaremos na final da Copa se obtivermos vantagem sobre o adversário no placar agregado, da primeira e da segunda partida.

 

O que poucos dizem é que para o Grêmio os jogos da Copa do Brasil não têm apenas 180 minutos; têm uma história a ser contada que se iniciou na primeira edição da competição e já nos fez campeão cinco vezes até agora. Cada vez que entramos em campo, somos o dono do cinturão, o lutador que é desafiado por todos seus adversários, o Rei de Copas a ser abatido. E por sabermos disso, nossa partida começa muito antes do apito inicial do árbitro. No caso de hoje, começou no fim de semana quando aceitamos levar a campo o time reserva para disputar o Campeonato Brasileiro mesmo jogando em casa e com chances de nos aproximarmos do líder.

 

Aqueles jogadores que encararam a falta de entrosamento e a desconfiança de parte dos torcedores foram fundamentais para permitir que os titulares focassem suas atenções à defesa do título, na noite desta quarta-feira. E se a maior parte de nós não percebeu isto, o goleador Barrios fez questão de demonstrar ao comemorar nosso único gol da partida abraçando um a um dos jogadores que estavam no banco. Um gol com a marca do Grêmio de Renato, que surgiu na roubada de bola, na transição veloz para o ataque, nos passes rápidos e precisos do meio de campo ao ataque e no oportunismo de nosso centroavante.

 

Saímos da primeira partida da semifinal com um gol de vantagem e sem levarmos nenhum, o que diante do regulamento da Copa do Brasil faz uma baita diferença, especialmente se levarmos em conta a forma como o Grêmio tem se comportado nas decisões fora de casa. Nada está resolvido, é verdade. Até porque teremos do outro lado um técnico que respeitamos, um time que também tem história e um estádio lotado de torcedores dispostos a chegar à final tanto quanto nós. Certamente a batalha será dura e o desafio enorme, mas nada que assuste um time consagrado com o título de Rei de Copas

 

Barriga no balcão e inovação

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Tivemos uma terça-feira em que o mundo corporativo não passou despercebido na mídia. Pela manhã, aqui no Blog, Mílton Jung apresentou uma chamada para dicas empreendedoras que facilitam o conhecimento das marcas e de seus consumidores. Logo depois à noite, William Bonner no Jornal Nacional mostrou reportagem sobre novidades em produtos e aplicativos que ajudarão o consumidor, tornando a sua compra ou o seu uso mais eficaz.

 

Como barriga no balcão e inovação sempre merecem comentários aqui vão alguns.

 

Na ascensão das primeiras marcas nacionais de moda, seus donos – Renato Kherlakian da Zoomp, Tufik Duek da Forum, André Brett da Vila Romana, etc. – circulavam variavelmente nos Shoppings durante a semana, e certamente aos sábados. Sós, ou com suas equipes.

 

É verdade que com o passar do tempo, esse hábito foi desaparecendo. Uma pena, pois certamente contribuíram no desempenho e desenvolvimentos de marcas e produtos. São poucos os remanescentes, assim como poucas as marcas que continuaram fortes.

 

Outra forma simples e eficiente de obter importantes informações é a Lista da Vez. Ou seja, um controle em que a equipe de vendas anota todos os clientes que entram na loja. Indicando o que foi comprado e o que não foi comprado. Quanto e Por quê. Simples e eficiente, gerando daí os principais parâmetros do varejo. Taxa de conversão, Número de peças por atendimento, Ticket Médio e Preço Médio de Venda.

 

Quanto à inovação, o engenheiro Fabio Piva apresentou no Jornal Nacional um aplicativo que poderá eliminar as filas nos caixas. Pelo celular o consumidor fará o seu pagamento. Entretanto, até que o novo aplicativo seja ajustado é bom lembrar que a utilização da equipe de vendas para efetuar a função de caixa também acaba com as filas. A simplicidade neste caso é tão evidente quanto é surpreendente que as lojas de forma geral ainda mantenham os caixas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: morre em Israel, o homem mais velho do mundo, “irmão-gêmeo do Grêmio”

 

Botafogo 1×0 Grêmio
Brasileiro – Nilton Santos/RJ

 

Diante da decisão gremista de não levar o Brasileiro como prioridade, preservando-se para a Copa do Brasil e a Libertadores, peço licença a você, caro e raro leitor, para abrir mão também de escrever a Avalanche deste domingo. Nesse caso, porém, você perceberá que o titular será substituído por um craque das letras (além de gremista, é lógico). Refiro-me a Airton Gontow que privilegiou este espaço – e desde já o agradeço por este carinho – com o texto que conta a incrível história de um judeu, sobrevivente dos campos de concentração, morto na sexta-feira, que descobriu, quase ao fim da vida, ser gremista ou um “irmão-gêmeo do Grêmio”, como o próprio Airton o identificou.

Por Airton Gontow

 

Yisrael

Yisrael Kristal e a camisa do Imortal em sua homenagem (foto: Bernardo Kopstein Schanz)

 

Faleceu sexta-feira, 12 de agosto, em Israel, o “Homem Mais Velho do Mundo”. Sobrevivente do Holocausto, Yisrael Kristal completaria 114 anos dentro de um mês. Kristal ganhou o certificado da organização Guinness World Records após a morte do japonês Yasutaro Koide, aos 112 anos e 312 dias. “Todos têm o seu próprio destino, não há segredos”, disse ao receber o título.

 

De família judia ortodoxa, Kristal nasceu no vilarejo de Zarnow, na Polônia, em 15 de setembro de 1903. Aos 17 anos, mudou-se para Lodz, também na Polônia, onde sua família abriu uma fábrica de doces. Em 1940, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde perdeu a mulher e os dois filhos. Após ser resgatado com 37 quilos, mudou-se em 1950 para Israel. Casou-se novamente e passou a viver em Haifa, cidade ao Norte de Israel (a terceira maior do País), onde abriu uma confeitaria.

 

Não gostava muito, como acontece com muitos dos sobreviventes do Holocausto, de falar sobre o período passado nos campos. Mas declarou ao israelense Haretz: “Dois livros poderiam ser escritos sobre um só dia ali”. Sobre como prosseguiu após a grande tragédia, afirmou: “tudo o que nos resta é continuar trabalhando o mais duro que pudermos e reconstruir o que está perdido”.

 

No ano passado, Kristal comemorou, com 100 anos (um século!) de atraso, o seu Bar-Mitzvá, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto para a vida adulta, aos 13 anos. Não tinha vivenciado o importante rito de passagem devido à Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).

 

Apesar de atento ao mundo atual e de toda a tragédia vivida no passado, Yisrael era crítico do mundo moderno, especialmente da falta de atitude dos jovens. “O mundo piorou. Não gosto da permissividade. Tudo é permitido. Os jovens de antes não eram tão atrevidos como agora. Tinham que pensar sobre uma profissão e sobre como ganhar a vida. Viravam carpinteiros, alfaiates e agora tudo é feito com alta tecnologia. As coisas são fáceis, não exigem esforço e não há o trabalho manual que existia no passado”, disse ao jornal israelense.

 

Um fato curioso. Yisrael Kristal era “irmão-gêmeo” do Grêmio. A descoberta da coincidência das datas foi do jornalista gaúcho Léo Gerchmann. Ao ler as notícias sobre a “longevidade campeã” do senhor Yisrael, depois da morte de Yasutaro Koide, Gerchmann (autor de livros como “Somos Azuis, Pretos e Brancos”, ‘COLIGAY – Tricolor e de todas as cores” e “Viagem à Alma Tricolor em 7 Epopéias”) entrou em contato com Beto Carvalho, diretor de Marketing do Grêmio.

 

A equipe agiu rapidamente. Uma camiseta foi confeccionada e enviada para Israel, onde foi recebida pelo gaúcho Nelson Burd, que vive próximo a Haifa e foi de trem até a casa de Yisrael Kristal. Na época, escreveu Burd: “Foi emocionante. Ele ficou muito feliz. A filha dele, Shula, estava lá também. O Bernardo Kopstein Schanz fez as fotos. Yisrael Kristal não sabia que nós íamos até lá. A filha dele preferiu não contar, pois ele ficaria ansioso, na espera. Ele usa aparelho auditivo, precisou colocá-lo para falar com a gente…Ele ficou muito feliz, surpreso. Contamos sobre o Grêmio, a coincidência, tudo. Ele ficou radiante. A imortal coincidência o comoveu. Na verdade, a todos nós. Ele ria e chorava ao mesmo tempo. Dizia: ‘é o meu aniversário; é a minha data na camisa’”.

 

Assim como o Tricolor Gaúcho, Yisrael agora é Imortal. Kristal que não se quebra! Imortal para seus dois filhos, seus netos e bisnetos. E para todos que viram seu exemplo de vida e de superação.
O Guinness World Record ainda não informou quem será agora declarado “o homem mais velho do mundo”.

 

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade.

Conte Sua História de SP: na loucura da cidade, um tempo para cuidar de pessoas

 

Por Maria José Fernandes Amaral dos Santos
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Me conhecem por Zezé Amaral. Hoje sou psicóloga. Cheguei em São Paulo com 5 anos, sou da Bahia, fui criada aqui: estudei, trabalhei, namorei, casei, tive um filho e montei um trabalho maravilhoso.

 

Há 13 anos, um amigo me chamou para atendermos dependentes químicos e seus familiares. Esse trabalho existe, totalmente de graça, até hoje. Todas às sextas-feiras das oito às dez da noite, eu e mais uma equipe de seis voluntários nos reunimos e oferecemos esse atendimento, individualmente e em grupo. Desde então, já fizemos mais de 8.000 atendimentos, todos registrados, com lista de presença e ficha de cada pessoa que passou por lá.

 

Com toda essa loucura que é a cidade, conseguimos separar um pouco do nosso tempo para dedicarmos a essas pessoas. Pessoas carentes e sem perspectivas de vida. Conseguimos muitas vitórias, claro, muitos fracassos, também, pois parar de usar drogas não é fácil, é um trabalho contínuo, para o resto da vida, exige sacrifício do dependente e auxílio da família.

 

Damos assistência por telefone, internamos quando é necessário, temos alguns contatos para internação gratuita e outros quando podem e estão desesperados procuram internação paga. Ocupamos o espaço do Centro Espírita Meimei, não falamos de religião, não é este o objetivo, trabalhamos à prevenção de recaída das drogas dos dependentes e da emocional da família.

 

Porque não falamos de religião, porque atendemos qualquer uma, muitas vezes alguns evangélicos nos procuram escondidos de seus pastores, mas o que importa para nós é que não voltem a usar drogas.

 

E acredite: isso acontece na cidade de São Paulo. Nessa cidade maravilhosa que acolhe todos que chegam. Essa é a minha história, de fazer a diferença em São Paulo.

 

Zezé Amaral é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar a sua histórias, também: envie o texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: saiba como transformar sua ideia em um negócio, com Tallis Gomes, da Singu e ex-Easy Taxi

 

 

“Ninguém está nem aí para ideia. Meu avô costumava dizer que ideia vale 10 centavos a bacia. É uma grande verdade. O difícil é a gente executar alguma coisa, ter um produto “entregável” que as pessoas pagariam por ele”

 

Se você concorda ou não com essa afirmação cabe a você decidir. Mas leve em consideração que o autor dessa frase é empreendedor desde os 14 anos e já conseguiu levar uma das suas empresas a dezenas de países em pouco tempo. É Tallis Gomes criador do Easy Taxi, um dos primeiros aplicativos no mundo a conectar taxistas e passageiros. Hoje, ele está à frente de outro negócio, lançou o Singu, uma espécie de marketplace de serviços de beleza.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Tallis me contou histórias da sua trajetória como empreendedor, de erros e acertos cometidos, da forma como lançou no mercado o Easy Táxi, e falou do momento certo de passar o negócio à frente. Ele está lançando o livro “Nada Easy – o passo a passo de como combinei gestao, inovacao e criatividade para levar minha empresa a 35 paises em quatro anos”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site da rádio CBN e pela página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN ou aos domingos, 11 horas da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Charge do Jornal da CBN: propina em forma de lasanha

 

 

O depoimento do engenheiro Adir Assad sobre como operava o esquema de corrupção e o pagamento de propina em grandes empreiteiras é estarrecedor. Ele está preso na Lava Jato e contou detalhes do esquema bilionário ao juiz da 7a Vara Criminal Federal no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas.

 

Calcula que tenha gerado R$ 1,7 bilhão em propina: “eu sozinho”. Dentre os esquemas usados, confessa que fechava contrato com as empreiteiras, que mantinham obras públicas, colocava um ou dois caminhões no canteiro de obra, levantava placa com o nome da empresa, registrava algumas imagens do seu pessoal trabalhando e depois levava tudo embora. Antes deixava uma nota fria que seria paga pelos empreiteiros: uma parte do dinheiro ficava com ele e a outra era devolvida às empresas.

 

A parte mais curiosa do depoimento é quando, Assad explica como o dinheiro era distribuído: em maletas que tinham uma camada de dinheiro, e uma de roupa, outras camada de dinheiro, e, às vezes, papel ou plástico, para separar as notas. Em cada mala cabiam cerca de R$ 150 mil em um formato que ele define como sendo de lasanha.

 

A propina em formato de lasanha inspirou a turma do Jornal da CBN a criar a charge eletrônica que encerrou o programa nesta quinta-feira.

Avalanche Tricolor: os caça-fantasmas cumpriram sua missão

 

Grêmio 2×1 Godoy Cruz
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Pedro Rocha espanta assombração (foto reprodução SporTV)

 

Quiseram nos espantar com um tal fantasma das oitavas-de-final, que supostamente teria nos impedido de seguir à frente em Libertadores passadas. Soube dele em reportagem de jornal, rádio e TV, pois foi citado com frequência, mesmo diante da ressalva que o Grêmio levava vantagem pela vitória fora de casa. Nas redes sociais alguns dos nossos também se referiam ao dito-cujo quase como um antídoto ao favoritismo. E imagino que ao verem aquela bola mágica entrar pelo alto no nosso gol, ainda aos 14 minutos do primeiro tempo, mesmo os descrentes com as coisas do além lembraram do dito popular em castelhano “no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

 

Um clube com 17 Libertadores nas costas, dois campeonatos conquistados, um elenco de causar inveja e ao lado de uma torcida entusiasmada, convenhamos, caro e raro leitor desta Avalanche, não seria um fantasminha qualquer que tiraria nossa tranqüilidade. Mesmo ele tendo arrumado um golzinho tão cedo. Quando digo “nossa tranquilidade” refiro-me a do nosso time, que em nenhum momento se precipitou e teve paciência para retomar a partida. Com a troca de passes precisa e veloz que nos caracteriza, o Grêmio colocou a bola no chão e foi abrindo os espaços para chegar ao gol do empate.

 

Luan desfilou pelo gramado com a bola nos pés, sem dar muitas chance de os marcadores chegarem perto, e quando chegavam tinham pouco sucesso em suas investidas. Nosso camisa 7 jogou como se fosse sua última vez. Protagonizou belas jogadas individuais e proporcionou a seus companheiros passes que abriam a defesa e criavam oportunidades de gol. Depois de já ter colocado uma bola no poste, forçando cobrança de escanteio, pelo lado esquerdo, foi para o direito, roubou a bola e mesmo sem ângulo chutou a gol, provocando a falha do goleiro.

 

Começava ali a operação caça-fantasma.

 

Se foi Luan quem iniciou a jogada do gol foi o endiabrado Pedro Rocha que a concluiu assim que recebeu o cruzamento de Barrios, dentro da área. O camisa 9 já havia escapado uma vez pela esquerda após passe de letra que o mesmo Barrios lhe havia feito bem no início da partida. Antes, também, meteu uma caneta no seu marcador na entrada da área, daquelas de deixar o fantasma envergonhado. Foi então com o pé esquerdo e em um só toque que Rocha marcou o gol de empate ainda no primeiro tempo. E repetiu a façanha no segundo, aliás em mais uma jogada com participação de Luan e Barrios.

 

Os gols da virada e a segurança com que a defesa atuou, espantando todo e qualquer perigo que aparecesse no meio do caminho, não deixavam dúvidas: a missão estava cumprida!

 

O Grêmio e nossos caça-fantasmas já estão nas quartas-de-final da Libertadores.