Avalanche Tricolor: “esse amor descontrolado, nunca vou deixar de lado”

Grêmio 3×2 Juventude

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Comemoração gremista em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Sentei à mesa com a família. Aquela pizza da casa, antecedida por um pãozinho quente com salsicha me esperava neste jantar de domingo. Tudo isso, regado a vinho — muito vinho. Não tenho pressa em beber, em comer e em dormir. Amanhã é segunda, mas estou de férias. Acordo quando der —- verdade que o corpo costuma pedir para sair da cama ainda de madrugada, impulsionado pelo hábito. Acordo se quiser. Tenho tempo para saborear as horas, o dia, e os prazeres que este me oferece.

Neste domingo, o prazer que senti foi o de uma vitória —- raro nos últimos tempos. Recheada de emoção, provocada por uma torcida que se fez presente em peso —- ou com o peso que lhe foi permitido, já que ainda estamos sobre restrições sanitárias. A cantoria das arquibancadas me encheu de esperança e, parece, contaminou o ânimo dos jogadores em campo, como se não bastasse estarem sob novo comando. 

Emocionei-me ao ouvir a cantoria que marcou nossa história. Que de tão intensa e genuína levou Guilherme Vilani, narrador da SportTV, a retransmiti-la como se fizesse coro com o nosso torcedor. 

“Esse amor descontrolado

Nunca vou deixar de lado

Sempre junto ao Tricolor

Eu te sigo aonde for

Com meu trapo e a bandeira

Venho pela camiseta

Hoje de qualquer maneira

Nós temos que ganhar”

Já não lembro se cantamos ‘Amor descontrolado’ tantas foram as letras entoadas pelo torcedor. Se não o fizemos, poderíamos ter feito, porque só ganhar nos interessava neste fim de tarde domingueiro. 

Uma vitória que passou pelos pés do sempre renegado Alisson, que já havia tentado um gol de calcanhar pouco antes de fazer a bola explodir no travessão e voltar para a cabeça de Douglas Costa. O mesmo Alisson que balançou na frente da área, deslocou os zagueiros e chutou forte, provocando o rebote do goleiro, aproveitado, com precisão, por Diego Souza.  

O baixinho e cabeçudo atacante gremista talvez seja a imagem do Grêmio atual. Nunca será reconhecido por seu talento, mas jamais poderá ser acusado de ter desistido. No último ponto que havíamos conquistado, foram deles os gols que nos levaram ao empate. Hoje, foram deles as assistências que nos deram a vitória. É, como dizem os entendidos do futebol, o principal ‘garçom’ do time gremista. Serve a seus colegas no ataque, serve ao time na defesa e serve a mim pela determinação que nunca nos negou —- mesmo diante de todas as críticas.

Sei que nada está resolvido, muito antes pelo contrário. A ‘Batalha dos Aflitos’ que enfrentamos nesta Série A teve apenas mais um capítulo. Insuficiente pra nos tirar do sufoco da zona-você-sabe-qual, mas necessária para quem acreditará até o fim, mesmo depois que decretarem a nossa morte — porque somos Imortal.

O jantar de domingo, o pão com salsicha, os pedaços de pizza e a garrafa de vinho — ao lado da família —-,  tiveram sabor especial nesta noite. O sabor da esperança “de que este amor descontrolado (que) nunca vou deixar de lado” haverá de me devolver a alegria de ser torcedor do Grêmio.

Sua Marca: riscos e oportunidades no uso de marcas concorrentes na publicidade

‘preferimos duas portas amplas e sólidas a quatro portinholas’

“Use com moderação e sabedoria”

Cecília Russo

A recomendação na abertura deste texto serve para tudo (ou quase) na vida. Serve para tudo no branding, que afinal é o tema central da conversa de todo sábado com Jaime Troiano e Cecília Russo. E aqui está em destaque como alerta para prática que começa a aparecer ainda de forma tímida no mercado publicitário brasileiro: as campanhas comparativas, assunto do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Lá fora, em especial nos Estados Unidos, usa-se desta estratégia sem muita cerimônia. É comum as marcas apresentarem seus dotes comparando-os com os dos concorrentes: expõem dados, tabelas e palavras; e chamam o adversário pelo nome,  para revelar sua superioridade. O fato de empresas serem mais comedidas por aqui pode ter explicação na formação cultural brasileira:

“A comparação sempre fica meio velada, escondida, quase envergonhada.  E isso é algo da nossa cultura brasileira, cristã. Parece feio mostrar ser melhor. Acontece quase o efeito oposto: as pessoas tendem a se identificar com o mais fraco, quase como tendo dó e se revoltando contra o que ataca”

Cecília Russo

Há razões legais, também. A medida que o Conar, conselho autorregulador do mercado publicitário, impõe regras para quem pretende investir nessa prática. A propaganda comparativa é considerada legal desde que:

  • seja realizada de forma objetiva com o intuito de esclarecimento ao consumidor; 
  • a comparação alegada ou realizada entre os produtos/serviços seja passível de comprovação objetiva; 
  • não se estabeleça confusão entre produtos e marcas concorrentes; 
  • não deprecie a imagem do produto ou a marca da empresa concorrente.

Se é verdade que a maioria das marcas teme entrar nesse ‘campo minado’ aqui no Brasil, é visível um movimento de ‘guerrilha’ que começa a aparecer em alguns setores bastante competitivos: o bancário e o de automóveis, por exemplo. A Hyundai faz isso de forma explícita em publicações de jornal em que compara seus resultados com os concorrentes —- e cita o nome deles. Ano passado, virou notícia o embate entre Itau e XP. 

Registre-se: a propaganda comparativa não é coisa recente, mesmo aqui no Brasil. Nos anos de 1960, a Volkswagen apresentava o Fusca “batendo de frente” com a concorrente Gordini, fabricante francesa que surgiu em 1946. Na campanha, os alemães comparavam as duas portas do seu modelo clássico com as quatro ‘portinholas’ do carro francês, sucesso de vendas na época no Brasil. 

Falar mal do concorrente é raro. E falar bem? Também. Mas acontece. E pode trazer excelentes resultados.

Jaime aproveita da experiência que vivenciou, há dois meses, em viagem à Suíça, para ilustrar o tema. Em Kilchberg, Zurique, ele e Cecília estiveram na Lindt Home of Chocolate, construída pela fabricante de chocolate fundada  em 1899. No complexo de seis mil metros quadrados, inaugurado em setembro do ano passado, a Lindt conta a história da fabricação do produto no mundo e expõe marcas concorrentes. Fala da Suchard, fundada por Philippe Suchard, em 1826; do papel fundamental da Nestlé que criou o leite condensado na época em que ainda era a Anglo Swiss Condensed, dos irmãos Page, em 1867; mesmo ano em que Jean Tobler abriu a ‘Confeitaria Especial”, em bairro popular de Berna, e lançou o Toblerone. 

“É uma aula sobre chocolate e uma lição de humildade. A marca, ao render essa  homenagem, se fortalece ainda mais. Mostra que, acima de tudo, as marcas de chocolate da Suíça, juntas, compõem essa imagem fantástica do país ser o de mais prestígio neste mercado. Aqui, não é se comparar e sim mostrar a força da concorrência para a criação de algo maior e que beneficiará a todos”.

Jaime Troiano

Falamos em chocolate e logo surge um desejo incontrolável de atacarmos a primeira barra que encontrarmos no armário, não é mesmo? Antes de ceder a esse impulso, lembre-se da nossa marca de hoje, que serve para a vida, para o branding e para chocolate, também:

“Use com moderação e sabedoria”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, inova dos pés à cabeça

Foto: Alexandre Loureiro / COB / Divulgação

“Historicamente, eu me moldei a crise. Ela gera um primeiro impacto que deixa a gente muito ansioso, mas acho que na crise existe muita oportunidade. Basta a gente olhar com outros olhos que as coisas podem ser mais promissoras do que se imagina”

Gustavo Dal Pizzol, Top Shoes

A pandemia é um desafio coletivo. Uma crise sem dimensão. Há outros desafios que são individuais. E para esses, cada um faz uma conta. Gustavo dal Pizzol pôs na ponta do lápis: R$ 500 mil —- meio milhão de reais foi o valor da dívida que herdou da fábrica de calçados que o pai havia colocado no nome dele, lá no Rio Grande do Sul.  Na época, com apenas 19 anos e esse legado, trocou Novo Hamburgo por Campo Bom, cidades próximas e de perfil industrial semelhantes. Levou R$ 7 mil na bolsa, vendeu uma moto, fez parceria com um estilista, e morou de favor por algum tempo. 

Daquela dívida de meio milhão de reais, parcelada a perder de vista, restaram o aprendizado e a certeza de sua capacidade em superar dificuldades. Para Gustavo Dal Pizzol, 37 anos, CEO da Top Shoes Brasil Group, entrevistado do Mundo Corporativo, aquela experiência o ajudou muito a encarar a crise atual, que se iniciou com a pandemia, em março de 2020. Sem saber por quanto tempo os negócios seriam paralisados, Gustavo foi em busca de uma alternativa para a linha de produto que já desenvolvia. Precisava criar algo que atendesse a demanda do momento.

E a solução estava na cara (com o perdão do trocadilho)!

Ao entender que o uso de máscaras seria necessário, ele e sua equipe decidiram pesquisar opções para os produtos que estava no mercado. Experimentou as máscaras disponíveis, testou e descobriu que costumam ser pouco confortáveis para a atividade física. 

“Fizemos um briefing de todos os atributos que me incomodavam muito nas máscaras. Por exemplo: a máscara tradicional machuca a orelha; principalmente para práticas de esportes. Quando comecei a ir para academia correr, eu não conseguia respirar direito. Então, pensei: preciso resolver esses e vários dramas que a máscara tem”

Problemas constatados, soluções discutidas e desenho realizado: foram 15 dias para dar início ao projeto com a equipe de marketing e produção. Máscaras com a marca da inovação que conquistaram os atletas olímpicos e parte dos times do futebol brasileiro. Foi o irmão, Tiago, diretor comercial, quem levou a ideia até o COB em contato feito pelo LinkedIn. O que têm de diferente: são atadas à parte de trás da cabeça, têm regulagem, permitindo melhor vedação, e exige que a passagem de ar seja feita pelo filtro. Foi desenvolvido, ainda, um suporte, impresso em 3D, para evitar que a respiração atrapalhe durante a atividade física. De acordo com Gustavo, já foram vendidas cerca de 3,5 milhões de máscaras:

“… e o momento que vocês lança uma nova ideia, já pensa no 360. Não investe somente numa área: desenvolvimento.  Tem  de investir em desenvolvimento, comercial e marketing. Ou seja, todos os pilares precisam andar de maneira conjunta, né? Porque senão ela fica desparelha E o negócio não prospera”.

Outro exemplo de como funciona a cabeça de empreendedor. Para não prejudicar suas linhas de produção, Gustavo voltou a aplicar o método de entender o problema e oferecer a solução. Com carência de mão de obra especializada, decidiu-se por investir em tecnologia e ter máquinas que permitissem a produção das mercadorias com maior velocidade e precisão. Hoje, mantém um parque industrial com 36 máquinas de impressão 3D, que produzem uma série de produtos “rodando 24 horas, sábado e domingo”. 

“Eu tenho uma equipe muito maior na parte comercial, de serviço ao cliente e de desenvolvimento de produtos. Esses são os grandes mercados do futuro, porque a máquina não substitui o criativo. Nunca! Antigamente, nós tínhamos um excesso de pessoas na linha de produção e poucas pessoas pensando o produto. Hoje, nós temos uma grande  quantidade de pessoas pensando o produto. Esse é o desenho futuro,  não só da nossa, mas de qualquer outra indústria do futuro”. 

Ouça a entrevista completa com Gustavo dal Pizzol, da Top Shoes, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Conte Sua História de São Paulo: o dia que o carro oficial parou na porta do meu barraco

Por Sueli de Souza

Ouvinte da CBN

Mudei para a Capital, em dezembro de 1974, quando me casei. Tinha 24 anos. Fui morar na Rua Nestor Pestana, no centro, e consegui um emprego como secretária na rua da Consolação, era só atravessar a rua.

No segundo semestre de 1975, nossa situação econômica se deteriorou bastante. Não conseguimos renovar o contrato de aluguel do apartamento e fomos viver na periferia, na zona oeste, divisa com Osasco, num barraco cedido por um amigo.

Eu havia prestado um concurso público para a Câmara Municipal de São Paulo e esperava que me chamassem logo, pois fora bem classificada. Havia, inclusive, me demitido do emprego. A convocação demorou e o dinheiro foi ficando escasso. Meu marido também mudará de emprego e começara a trabalhar como vendedor, profissão para a qual não tinha a mínima vocação. 

Quando recebi a convocação para fazer os exames médicos e tomar posse, em janeiro de 1976, não tinha um tostão para fazer as cópias dos documentos, o exame de sangue e pagar a passagem de ônibus até o centro. Assim, não pude atender imediatamente ao chamado.

Um dia, qual não foi a minha surpresa, vi estacionar na porta do barraco um carro oficial. O motorista trazia o recado do diretor do Departamento de Pessoal da Câmara Municipal, querendo saber o motivo de eu ainda não ter comparecido.

Consegui emprestado o dinheiro da passagem de ida e volta e fui explicar ao diretor o porquê de minha demora. Quando lhe disse que o motivo era falta de dinheiro, ele imediatamente emprestou-me a quantia necessária. E disse para eu devolver quando recebesse o primeiro salário.Aceitei porque senti honestidade em sua oferta.

Tomei posse e comecei a trabalhar em seguida. Quando o primeiro salário caiu na minha conta, fui pagar o empréstimo. 

Trabalhei na Câmara durante dois anos; depois, mais 36 anos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde também ingressei por concurso público. Estou aposentada há quatro anos.

Tenho, até hoje, uma profunda gratidão por aquele senhor, que acreditou em minhas razões e me estendeu a mão num momento extremamente difícil de minha vida. Essa solidariedade que experimentei nos meus primeiros tempos em São Paulo e em muitas outras ocasiões,  foi o que mais me cativou e me fez concluir que São Paulo é a minha cidade.

Sueli de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você a sua experiência aqui na cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br Para  ouvir outros capítulos, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca: ética e bom senso devem ser a marca da publicidade para as crianças

Reprodução da primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo

“Nós não paramos de brincar porque envelhecemos, mas envelhecemos porque paramos de brincar”

Da frase que abre esta conversa temos uma certeza: preservar características da infância pode nos ajudar muito no crescimento e desenvolvimento como ser humano. Falo dessa certeza, porque do seu autor, não sei bem. Na internet —- ah, essa internet —-, aparece entre aspas para Bernard Shaw, Oliver Holmes e Benjamin Franklin. Como geralmente se descobre quando se vai a fundo na pesquisa, é provável que nenhum deles tenha dito a coisa propriamente dita. Vamos valorizá-la então pelo que tem a nos ensinar, mesmo porque o tema principal desse nosso bate-papo não é o “saber brincar”, mas o saber se comunicar no Dia das Crianças.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo aproveitaram a proximidade da data para relembrar regras que precisam ser respeitadas, por lei ou por bom senso, quando se pretende vender produtos para crianças. É preciso considerar que elas são vulneráveis e compreendem o mundo de forma diferente dos adultos.

No Brasil, a publicidade voltada às crianças é controlada por normas que buscam limitar ou direcionar o conteúdo para um tom mais educativo do que comercial. A Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens publica uma cartilha, disponível na internet —- ah, a internet —-, em que se destacam três regras:

  1. Não use termos imperativos que induzam ao consumo. Expressões como compre, peça e colecione não podem sair da boca de crianças. Ao contrário, a comunicação deve favorecer a moderação, a aceitação espontânea, a reflexão;
  2. A publicidade não pode representar atitudes que proporcionem superioridade pelo uso do item anunciado, ou inferioridade por aqueles que não o usam. 
  3. A criança jamais deve ser a portadora da mensagem de consumo. Essa mensagem deve ser sempre dirigida aos pais, nunca às crianças, de forma direta ou indireta.

Saiba mais acessando a cartilha “O caminho para a publicidade responsável de produtos destinados às crianças”, da Abral

“Se a ética já é relevante para adultos, para crianças deve ser sempre o primeiro critério” 

Cecília Russo

Jaime Troiano, que não envelheceu porque ainda sabe brincar, especialmente com as palavras, aproveitou que estávamos falando de crianças na publicidade para chamar atenção para algo que o incomoda bastante: o uso das crianças para vender produto aos adultos. É comum assistirmos a comerciais na televisão —- ah, essa televisão —- em que o filho ou a filha revela desejo de que o pai compre um modelo de automóvel ou a mãe tenha um determinado plano de saúde, apenas para ficar em alguns exemplos.  

“Fala-se muito pouco disso. O que se busca nesses casos é sensibilizar os pais e adultos através do olhar ingênuo e fofinho das crianças. Ou seja, também é uma forma de manipulação que envolve crianças. Mesmo que não sejam elas o público-alvo dessa comunicação, elas também são impactadas”.

Jaime Troiano

Dito isso, voltemos as boas práticas do mercado.

Jaime e Cecília destacaram algumas marcas e produtos que souberam, ao longo do tempo, falar com as crianças de forma inteligente, prudente e ética. Na lista, aparecem a Disney e a Turma da Mônica que “sempre foram bastante responsáveis e ativas na busca de propostas que ajudassem pais a educarem seus filhos”. Tem, também, Lego e Playmobil, que na essência de suas propostas promovem práticas educativas, incentivando o crescimento, o raciocínio e a motricidade. E, ainda, o Castelo Rá-Tim-Bum e o Sítio do Picapau Amarelo, que marcaram suas trajetórias pelo desenvolvimento de produtos editoriais que sempre se preocuparam com a qualidade do conteúdo e incentivo as boas práticas.

“A primeira (lição) é termos bom senso quando estivermos lidando com marcas que se relacionam com crianças: todo cuidado é pouco. A segunda é de que o melhor ainda é aproveitar esse dia de feriado para estar junto das crianças”. 

Cecília Russo

Independentemente da idade, aproveite o Dia das Crianças para exercitar a sua capacidade de brincar, afinal como aprendemos “nós não paramos de brincar porque envelhecemos, mas envelhecemos porque paramos de brincar”, disse Jaime Troiano (ou teria sido Shaw, ou Holmes, ou Franklin).

Sei lá, só brinque!

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: chora, Brenno!

Santos 1×0 Grêmio

Brasileiro – Vila Belmiro, Santos/SP

Imagem reproduzida da SportTV

“Choro quando estou triste,

Lágrimas que queimam, mas que aliviam”

Brenno foi gigante enquanto pode. Defendeu as bolas quase impossíveis.  Uma a meia distância, com força e velocidade —- daquelas que o atacante comemora antes de ver a rede estufar. Outra no ângulo, em cobrança de falta perfeita que se fez imperfeita diante da perfeição de sua defesa. Despachou o perigo toda vez que este rondou nossa goleira. Sofreu no corpo o tranco adversário. Despencou das alturas e sentiu nos braços o choque violento com o gramado. 

Houve ao menos dois momentos em que parecia batido: foi quando sua áurea se estendeu além do corpo para impedir que a bola entrasse na cidadela — a fez desviar no poste ou impulsou seu zagueiro a tirar de cabeça. De tanto se fazer grande, Brenno transferiu aos atacantes o peso da responsabilidade de terem de ser maiores do que eles próprios eram capazes. Os fez pensar duas, três vezes antes de arriscarem o chute.

Apesar de fazer de tudo, Brenno não pode tudo. Por isso foi às lágrimas ao fim de tudo. Lágrimas de tristeza. De frustração. De indignação. Da injustiça de se ver batido na imprevisibilidade de uma bola desviada do seu rumo. 

Foi ao assistir às lágrimas de nosso jovem goleiro, que me veio a mente trecho de poesia que havia lido, nesta semana, quase por acaso, como foi o gol adversário. Por contraditório que seja, estava em busca de autores que definissem o poder das lágrimas provocadas por uma alegria. Encontrei Regiane Folter, outra jovem talentosa em sua arte da escrita, autora paulistana temporariamente erradicada no Uruguai —- ali onde se chega cruzando pelo Rio Grande do Sul. Na poesia de Regiane, agora, encontrei consolo para quem como Brenno — e eu — choramos diante da frustração:

“Choro quando estou frustrada,

Quando as coisas não saem e tudo parece perdido.

Cada gota que escapa leva um pouco de estresse acumulado,

E deixa espaço pro descanso tão necessário antes de recomeçar.”

Chora, Brenno! Amanhã tudo recomeça e vamos precisar de você gigante mais uma vez.

Leia a poesia “Choro para ser” de Regiane Folter

Conte Sua História de São Paulo: o tricô e o rádio na vida da Dona Nilzinha

Por Eliana Lima, filha de Dona Nilza

Ouvinte da CBN

Nilzinha tem 92 anos. Santista de nascimento, chegou em São Paulo ainda menina.  Trouxe duas paixões na bagagem: os livros e o rádio. 

Aos 73 anos, perdeu 98% da visão e o rádio passou a ser o principal companheiro. 

Ouvinte desde os tempos da antiga Excelsior, adorava as seleções musicais. Com a chegada da CBN, Nilzinha sentiu-se saciada sua necessidade  pelas notícias do cotidiano. 

Uma de suas paixões é o Jornal da CBN. Acorda às seis da manhã, com o Mílton e a Cássia, que teve o prazer de conhecer pessoalmente. 

No rádio, segue até o Noite Total e só dorme depois de ouvir a Tânia Morales, por quem também tem carinho especial. Fernando Andrade, Tatiana Vasconcelos, Pétria Chaves …  são outros companheiros sobre os quais ela fala com admiração.

O rádio passeia por todos os cantos da casa. Onde ela vai, ele está. 

A atenção só fica dividida enquanto conta os pontinhos do tricô, um hábito que mantém desde os 20 e poucos anos. E do qual tricota roupas infantis maravilhosas. As roupinhas de bebê são puro encanto. 

Hoje, por conta da baixa visão, tricotar se transformou em mais um desafio, vencido dia após dia. Da vida,  dona Nilzinha nada tem a pedir. É só gratidão.

Nilza Barbosa Lima e a filha Eliana Lima são personagens do Conte Sua Historia de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog agora: miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Francisco Sosa diz como teve tanta sorte na vida

Foto de Ruslan Burlaka no Pexels

“A sorte é o encontro da preparação com a oportunidade. Não adianta surgir a oportunidade se você não está preparado. Não adianta você estar no lugar certo, se você não for a pessoa certa para aproveitar, para agarrar as oportunidades”

Francisco Sosa, empreendedor

Antes de começar a descrever o que foi a entrevista com o Francisco Sosa, quero dizer ao caro e raro leitor deste blog que a sorte —- tema da nossa conversa —- foi protagonista da minha carreira. Portanto, não espere isenção de minha parte ao falar do assunto. Mais: depois que gravamos para o rádio  (e ao vivo para a internet) o Mundo Corporativo, assumi em definitivo a palavra sorte na minha saudação de despedida que, até então, se restringia a “sucesso e saúde”.

Francisco é de Uruguaiana, fronteira com a Argentina e pertinho do Uruguai. Começou a trabalhar aos 11 anos, distribuindo panfleto na cidade. Aos 16, atuava com telemarketing. Aos 20, era sócio de empresa de treinamento e consultoria. Aos 35, é visto como um cara de muita sorte – é reconhecido pelo sucesso, também. Por isso, escreveu o livro “A arte de manipular a sorte — construa a sua própria história e prospere em todas as áreas da sua vida”, publicado pela Citadel.

Manipular? Aqui no Brasil, a palavra carrega conotação negativa e leva muitos de nós a torná-la substantivo de enganar, ludibriar, falsificar e adulterar. Francisco Sosa prefere destacar seus significados positivos. Para ele, manipular é moldar. Ou adaptar. Exercício que precisamos fazer diante das diversas situações que enfrentamos no nosso cotidiano até torná-las benéficas para nossa vida:

“As pessoas têm uma mania de achar ruim os desafios. Eu já acho bom. Eu acho legal ter desafios na vida, porque eu costumo dizer que o desafio é uma oportunidade que você tem de provar que você merece que algo bom aconteça para você no futuro”.

Foi ao aceitar o desafio que se apresentara que Francisco atingiu, em dois anos, o marco de R$ 1 milhão em comissionamento, através do marketing de relacionamento, mesmo sem nunca ter trabalhado neste ramo anteriormente. 

Que sorte tem o Francisco! (atenção: esta frase contém ironia)

“Você acha que é só pra você que tem problema? Todo mundo tem desafio. Não é o que acontece com você e sim como você age em relação ao que acontece. E quando você aproveita esse desafio, às vezes, desenvolve uma característica que você não tinha, uma habilidade que você não tinha’

Mudar nosso comportamento diante dos desafios, acreditar em nossas escolhas frente a diversidade de opções que surgem em nosso caminho e dar toda a oportunidade possível para que a sorte se expresse em atos e resultados. Esses são alguns dos objetivos que Francisco Sosa traçou para sua jornada profissional. 

“O mundo hoje está cheio de profissionais. A questão é quem realmente está com sede; quem tá com fome de crescer. Se você demonstrar isso , pode ter certeza: vai ter alguém que vai olhar para você e vai perceber isso. Daquela povo, vou ajudar esse cara. Vou ajudar essa menina aqui porque ela tá afim.”

Para entender como o Francisco Sosa manipulou a sorte em favor dele, assista à entrevista completa ao Mundo Corporativo, na CBN. Reflita sobre o tema, dê like e coloque o nosso programa entre os seus favoritos.

No mais, fica aqui a promessa de que um dia conto para você quanta sorte tive na vida e o meu desejo de que vocês tenha sucesso, sorte e saúde!

O que é realmente importante para mim?

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de David Bartus no Pexels

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,

o que fazemos para mudar o que somos”

Eduardo Galeano

O que você acha que seria a chave de mudança para você ter uma vida feliz?

Dinheiro? Carros? Reconhecimento? Filhos?

Para os gregos antigos, a sensação de felicidade e realização com a vida seria alcançada ao se viver de acordo com valores, também chamados de virtudes por Aristóteles. Esses valores seriam qualidades de caráter, tais como paciência, coragem, autenticidade, que não seriam naturais ou inatas – sobre as quais não se teria nenhuma interferência. Derivariam da prática, de ações propriamente ditas, tornando-se um hábito.

Desse modo, Aristóteles conceitualiza a virtude como algo que deva ser treinado, através de ações deliberadas, de atitudes que possam nos transformar na pessoa que desejamos ser.

A excelência nesse processo consiste em buscar um equilíbrio apropriado de cada qualidade, através da razão, numa escolha de ações e emoções que conduzam a um meio-termo, para nós e para os outros, evitando faltas e excessos. Por exemplo, a falta de coragem pode ser compreendida como covardia, enquanto seu excesso, pode significar destemor ou audácia.

Por vezes, temos uma tendência a agir pelos extremos, tornando esse caminho do meio-termo a ser percorrido um trajeto difícil.

Somos seres acostumados aos hábitos. Nos sentimos seguros em situações mais familiares. Seguir por caminhos já conhecidos, manter comportamentos que estamos acostumados a ter, por vezes é mais confortável. Não à toa, chamam a isso de zona de conforto.

Desbravar um novo trajeto, traçar um objetivo de quem desejamos nos tornar, de quais qualidades queremos ter, pode ser muito desafiador.

Caminhos antigos são largos, o solo está mais batido. Trilhas pouco exploradas exigem um caminhar mais atento, são pouco sinalizadas, estreitas… causam medo.

Se queremos levar uma vida que vale a pena ser vivida, precisaremos de coragem para desbravar novos caminhos e percorrê-los. Mais do que isso. Precisaremos escolher as sementes que queremos plantar, cultivá-las dia a dia, para que possam florescer.

A propósito, “florescimento” era o termo escolhido pelos gregos para essa mudança, para se viver de acordo com os valores, alcançando a felicidade.

Viver uma vida satisfatória não pressupõe que todas as coisas serão boas ou que nossos sonhos se realizarão. Significa viver aquilo que realmente importa para nós.

Talvez a gente se preocupe em mudar para agradar aos outros, para viver como imaginamos o que os outros esperam de nós. Talvez a gente se preocupe em mudar para sermos mais parecidos com aquilo que vemos nas redes sociais, numa exposição fantasiosa de vida perfeita ou feliz – talvez isso explique mais sobre frustração do que felicidade.

A chave da mudança está dentro de nós. Pode ser mais paciência. Pode ser mais fé. Pode ser menos raiva. Mas somente promoveremos mudanças que nos trarão felicidade, quando perguntarmos para nós mesmos: o que realmente é importante para mim? O que eu desejo fazer para ter uma vida que vale a pena ser vivida?

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento assistindo ao canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: vamos reviver a Batalha dos Aflitos

Grêmio 2×2 Cuiabá

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Alisson revive Aílton em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A Avalanche criada para ser o espaço em que expressava minha paixão tricolor enquanto o coração ainda pulsava intensamente pelas conquistas e sofrimentos alcançados nos gramados transforma-se em campo de previsões e expectativas — ao menos nesses tempos em que jogos sofridos e sofríveis se encerram tarde da noite, e a mim cabe madrugar para trabalhar.

Sem negar a origem desta coluna digital, que mantenho desde a primeira década deste século, olho adiante ainda impactado pelas cenas assistidas na noite de quarta-feira. Dos gols que tomamos em lances fortuitos aos que marcamos em meio a indignação pelo que estamos enfrentando, forjei uma esperança e desenhei uma jornada que talvez nada tenha de épica, mas que me mantém na crença de que seremos capazes de superar nossos limites, nossa mediocridades e nossas fraquezas.

Ao ver os acontecimentos da partida contra o estreante da série A que jamais venceu da gente, em lugar do desespero que encontrei atrás da máscara — daqueles que a mantiveram — de torcedores que foram à Arena, vislumbrei um horizonte azul, preto e branco, daqueles típicos dos nossos feitos.

Há quatro jogos, ouço comentaristas e amigos alardeando que se vencermos estaremos fora daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Apesar das expectativas, é lá que nos mantemos na 24a rodada de um campeonato que tem 38 para serem disputadas. A despeito de tudo isso, consegui enxergar em cada um dos gols marcados pelo pequeno gigante Alisson e sua comemoração irada —- que me lembrou Ailton na final do Brasileiro de 1996 — sinais de que algo surpreendente está para acontecer a partir de agora. 

A cada jogo jogado, derrota somada, empate sofrido e vitória escasseada aumenta o contigente de avalistas da desgraça alheia. Uma turma que —- com a razão da performance e dos pontos desperdiçados —- vê aumentada sua descrença de que seremos capazes de sair da situação que estamos e sua expectativa de que aquela divisão-que-você-sabe-qual-é será nosso destino. 

A forma como o time se pronunciou no segundo tempo da partida de quarta, o sofrimento no rosto de cada um daqueles que estavam em campo vestindo nossa camisa tricolor e, claro, os gols e a determinação de Alisson me encheram de inexplicável esperança. Me fizeram entender de que estamos prestes a assistir à mais uma Batalha dos Aflitos. Uma batalha estendida  que não se resumirá a um jogo; a um pênalti salvo pelo goleiro ou desperdiçado pelo atacante; a sequência de expulsões que nos agigantou; ou a um gol improvável. 

Estamos diante de uma aflita batalha que será disputada até o apito final no minuto final, do jogo final deste campeonato. Que nos dará o prazer efêmero de nos mantermos na primeira divisão e a oportunidade de recomeçar uma nova e vitoriosa jornada em 2022.