Avalanche Tricolor: com cheirinho de Libertadores

 

Atlético MG 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência, BH/MG

 

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Festa do segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em dez dias, o Grêmio decide vaga à final da Libertadores. E esse tem sido o assunto preferido de seus torcedores. Não há uma só conversa entre nós que não passe por previsões e expectativas para a partida que se realizará no Rio de Janeiro.

 

Hoje cedo, no passeio pela vizinhança, encontrei dois gremistas no caminho. O roteiro foi o mesmo. Cumprimenta um. Abraça o outro. Fala do tempo —- o calor dominical estava insuportável aqui em São Paulo. O mais gentil pergunta pela família. Mas é tudo subterfúgio. Papo periférico para chegar onde mais gostamos: “e a Libertadores, heim?!?”

 

Por curioso que seja, sequer comentamos sobre a partida que fecharia a rodada do Campeonato Brasileiro, neste domingo. O que não quer dizer que às sete da noite, eu e eles não estávamos diante da televisão para assistir ao Grêmio, em Belo Horizonte. Claro que sim. Até porque jogar bem, ganhar confiança, dar ritmo de jogo ajudam na preparação para a decisão sulamericana.

 

E Renato tem aproveitado bem esse intervalo entre os dois jogos.

 

Verdade que o time escalado hoje não contava com Kannemann, Matheus Henrique e Everton —- os três servem à seleção. Estava sem Jean Pyerre, que segue lesionado, Léo Moura que estava no banco, mas não arriscou sequer aquecer, e Tardelli que ficou de repouso. Por outro lado, se apresentava com Geromel, que dá sinais de total recuperação, Maicon, que faz uma baita diferença no nosso meio de campo, e Luan que parece ser um avião disposto a decolar novamente. Tivemos ainda a oportunidade de assistir a Paulo Victor fazendo defesas importantes, oferecendo segurança e enviando uma mensagem ao torcedor desconfiado: pode contar comigo.

 

Apesar das ausências, Renato levou a campo o esboço do que o Grêmio se propõe a ser independentemente do adversário que esteja enfrentando. Dono da bola, passes precisos, jogadores se movimentando para oferecer opção de jogada, dribles sempre que necessários e muita paciência para decidir cada lance no ataque. Na defesa, a ideia é marcar com intensidade, evitar as faltas, diminuir o espaço dos atacantes e reduzir os riscos de gol.

 

Sofremos mais do que deveríamos, mas soubemos resistir quando a pressão ocorreu —- e isso é um bom sinal. Nossa insistência no ataque foi premiada com um lance de sorte de Galhardo, pela direita, e um pênalti provocado pelo drible de Cortez, pela esquerda —- ou seja, nossos dois alas funcionando muito bem. Depois do revés no fim do primeiro tempo, a conversa de vestiário voltou a ajustar a equipe. E o Grêmio foi veloz para chegar ao terceiro gol com Pepê —- aquele mesmo guri atrevido que saiu do banco e nos colocou de volta à decisão da vaga à final da Libertadores. Deu tempo de marcar o quarto gol, desta vez pela esperteza de Alisson e Luciano, em uma cobrança de escanteio.

 

Com a segunda goleada em Belo Horizonte, neste campeonato, o Grêmio não apenas demonstrou que o time está mais ajeitado para a decisão que nos interessa, como também já está entre os seis primeiros do Brasileiro — o que nos permite sentir o cheirinho de Libertadores, mais uma vez.

 

Pelo visto, esse vai continuar sendo o nosso assunto preferido no ano que vem.

Conte Sua História de São Paulo: o sobrado em cima da Chapelaria Paulista

 

Por Thereza Harfman Müller
Ouvinte da CBN

 

 

Eu, me chamo Thereza Harfman Müller, estou atualmente com 87 anos. Como sou ouvinte da CBN, resolvi também narrar fatos marcantes da minha vida que passei no Centro da Capital.

 

Minha mãe trabalhava como diarista da casa do Dr. Angelo Del Olio, italiano, médico com consultório na rua Quintino Bocaiuva, em cima da Chapelaria Paulista — um sobrado grande daqueles bem antigos. Como uma vez quase o assaltaram durante à noite, ele ofereceu para minha mãe e para meu pai para morarmos lá.

 

Na frente, ficava a sala de espera, a sala de consulta e um banheiro. Do outro lado do corredor, nos fundos, nós tínhamos um dormitório grande, uma saleta, cozinha, área de serviço e banheiro. Da janela da sala de espera, dava para ver a Praça da Sé, através da rua Barão Paranapiacaba. Ali vi muitos desfiles das escolas nos dia sete de setembro e 15 de novembro. Vi desfiles dos carros no Carnaval, na avenida São João, e as corridas de São Silvestre que eram à noite.

 

Na rua Direita, existia uma loja dos “Dois Mil Reis”, que depois da guerra ficou como Lojas Americanas. Tinha também a Camisaria Alemã, que depois por causa da guerra passou a chamar Casa Kosmos, que na compra de uma camisa ganhava um colarinho extra. Também por causa da guerra, Dr Angelo e os outros comerciantes estrangeiros foram obrigados a encerrar os seus negócios e se mudarem do centro.

 

Nos dois anos que vivi no centro, estudava na escola Alemã, na Vila Mariana, que depois passou a chamar-se Escola Osvaldo Cruza. Tomava o bonde Santo Amaro no Largo São Francisco. Tinha passe escolar que a minha mãe comprava na Light And Power, na Praça Ramos de Azevedo.

 

Eu, minha mãe e às vezes meu pai, íamos no cinema. Na Praça da Sé, tinha o Cine Santa Helena; o Cine Recreio era na praça onde atualmente começa o Viaduto Brigadeiro Luiz Antonio — nesse cinema, lembro quando a minha mãe deu dinheiro para comprar os bilhetes de entrada e o bilheteiro falou que não tinha troco, então ela poderia voltar na semana que vem. Outra cena pitoresca foi no Cine Art Palacio, na Av. São João. Estava passando a Marca do Zorro. Eu não tinha ainda 12 anos, era muito pequenininha. Então, minha mãe dobrou um casaco sobre a poltrona para que pudesse sentar e ficar uma pouco mais alta, até enxergar a tela do cinema.

 

Só fomos embora de São Paulo quando dois anos depois o Dr Angelo fechou o consultório dele. Foi quando mudamos para São Caetano do Sul.

 

Thereza Harfman Müller é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Observatório avalia desempenho dos vereadores de São Paulo

 

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Um desafio das organizações sociais é a criação de critérios objetivos para monitorar a qualidade do trabalho legislativo, especialmente quando o foco é a cidade, ou seja, a câmara municipal e os vereadores. Em São Paulo, tenho assistido a esse esforço desde os primeiros rankings publicados pela ONG Voto Consciente —- que deixaram de ser realizados pela falta de concordância nos elementos que se deve levar em consideração no momento da avaliação.

 

Semana passada, foi a vez do Observatório Social do Brasil — São Paulo, que apresentou os primeiros dados levantados pelo projeto Monitoramento do Legislativo, criado pelos professores Humberto Dantas e Luciana Yeung. A metodologia desenvolvida pelo Observatório —- ou pelos observadores —- indica se o legislador cumpre sua função a partir de quatro eixos:

 

Promovedor, quando exerce seu papel de legislar

 

Cooperador, quando aprova temas de interesse da Prefeitura favoráveis à cidade

 

Fiscalizador, quando fiscaliza o Poder Executivo

 

Transparente, quando permite que o cidadão tenha atuação e proximidade com o parlamento.

 

O ideal é que o vereador atue bem nas quatro áreas, propondo leis, votando projetos de interesse da cidade, cobrando informações da prefeitura e oferecendo suas informações ao cidadão.

 

De forma geral, a Câmara de São Paulo, nos dois primeiros anos desta legislatura, teve melhor desempenho nas funções fiscalizadora e de transparência—- mesmo que não tendo atingido a área de excelência na pesquisa. O pior resultado ficou na execução de seu papel de promovedor, curiosamente a função talvez que o cidadão mais reconheça no vereador.

 

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Em 2018, 47% das propostas se enquadraram como sendo de baixo impacto, que são projetos que se referem a datas comemorativas, homenagens e nomes de rua. Um padrão nos legislativos municipais em todo o Brasil.

 

Poucas propostas tiveram como objetivo a transparência e o combate à corrupção, foi o que constatou o levantamento. Poucas mesmo: apenas 17 no caso de transparência, apenas 26, no combate à corrupção.

 

No somatório de projetos apresentados, independentemente da complexidade, houve uma queda pela metade no número de projetos apresentados entre o primeiro (1.638 projetos) e o segundo ano (885 projetos) do mandato. Uma explicação possível: no primeiro ano de legislatura, os vereadores, especialmente os novatos, apresentam uma quantidade enorme de projetos de lei que serão discutidos e votados (ou não) ao longo dos quatro anos —- o que levaria a redução no ritmo de proposições no restante do mandato.

 

A apresentação de dados na semana passada foi marcada por discussão com especialistas e interessados no tema, além de ter contado com a presença de apenas dois dos 55 vereadores de São Paulo: José Police Neto e Soninha Francine. E eis aqui mais uma coisa que não me surpreende em todo este tempo que acompanho a política municipal. Geralmente são sempre os mesmos parlamentares que aceitam participar dessas discussões sobre a qualificação do legislativo. É uma pena, pois a colaboração dos demais vereadores ajudaria e muito a melhorar o desempenho da Casa e, especialmente, a inspirar o cidadão no acompanhamento do trabalho legislativo — o que me parece não é do interesse da maioria deles.

 

Diante das discussões realizadas, o Observatório anuncia, em seu site, que decidiu complementar a apresentação com elementos de análise dos números levantados pela equipe mas que apresentará o estudo completo ainda neste mês e outubro.

 

Vale muito olhar com cuidado esse trabalho. Ano que vem, tem eleição municipal. E esses vereadores que aí estão vão correr atrás do seu voto. Será que eles merecem? Você decide.

Avalanche Tricolor: o gol do guri da Vila Maria

 

Grêmio 2×1 Ceará
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Ceara

Geromel comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sou suspeito para escrever. Sei que sou. Minha Avalanche do último fim-de-semana escancara ainda mais essa suspeição, especialmente diante do tema que pretendo dedicar esse post. O que importa, também, se sou ou não isento no que escrevo? Jamais neguei que essa coluna, mantida desde muito tempo, foi ocupada por um torcedor apaixonado em vez de um jornalista em busca do equilíbrio. Portanto, azar do que pensem.

 

Por torcedor apaixonado e gremista que sou, assim como todos os demais que compartilham comigo esse sentimento, como não se emocionar ao assistir ao primeiro gol desta noite em Caxias do Sul. Nem tanto pelo caminho que usamos para chegar ao gol —- apesar de torcer muito para que cobranças de escanteio, assim como as de falta, se transformem em nosso diferencial competitivo, principalmente nos jogos mais intricados desta e das demais competições da temporada.

 

Emocionei-me pelo protagonista do gol.

 

Geromel estava voltando à equipe. Vamos lembrar que ele ficou de fora da primeira decisão da Libertadores por uma lesão isolada em partida do Campeonato Brasileiro. Já estávamos ganhando o jogo com larga vantagem quando ele despachou a bola para frente e o músculo acusou o golpe. Uma dor que foi sentida na alma de cada gremista. E como nos fez falta.

 

Todos sabem que Geromel impõe respeito ao adversário, oferece segurança aos colegas de equipe e é a esperança do torcedor de que se tudo der errado, ele vai fazer o certo. É um dos jogadores mais simbólicos deste Grêmio que Renato construiu nos últimos três anos. É unanimidade nas arquibancadas da Arena. E hoje ainda entrou com a braçadeira de capitão — que lhe caiu muito bem.

 

Diante de tudo isso, vê-lo saltar mais alto que seus marcadores e desviar de cabeça para as redes me fez ainda mais feliz nesta noite. Porque não era apenas um gol de escanteio ou um gol para abrir o caminho da vitória. Era um gol do filho de Seu Valmir e da Dona Eliane. Do irmão do Ricardo. Do guri da Vila Maria. Um gol de Geromel. De GeroMito. 

O poder feminino nos negócios

 

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Nos dias 1º e 2 de outubro, no Teatro Santander em São Paulo, tivemos o 10º Fórum de Franquias e Negócios do Grupo Bittencourt & GS. Evento que se alinha a uma série recente de formatos corporativos com o propósito de difundir conhecimento em tempo real.

 

Uma linha comum em todos estes eventos é a exposição da absorção em grande escala da tecnologia voltada para o atendimento na relação empresa—cliente. Ao mesmo tempo, surgiu um novo foco no cliente como centro do sistema, e atenção especial às pessoas que o atendem.

 

Destacamos “O Poder Feminino nos Negócios” que teve apresentações de Renata Moraes da Kopenhagen, com “Rótulos nunca me serviram”, e Chieko Aoki, com “Qualidade, elegância e amor para servir”.

 

Renata, herdeira e Vice-Presidente do Grupo CRM, que possui as marcas Kopenhagen, Brasil Cacau, Lindt, Kop Koffee e SoulBox, subiu ao palco para afirmar que a diversidade de gênero no mercado de trabalho não pode ser ignorada. Dados recentes da ONU indicam que o Brasil levará 108 anos para diminuir a diversidade de gênero e 202 anos para chegar na paridade entre homens e mulheres. O único caminho para melhorar essa posição é esquecer os rótulos.

 

Enfatiza que devemos começar estimulando as meninas à liderança, evitando chamá-las de “queridas, lindas, doces” enquanto chamamos os meninos de “campeões”. Quando elas não conseguem atingir resultado são estimuladas a descansar, mas os meninos, a continuar. Não podemos permanecer assim. As meninas são capazes.

 

Renata está segura que a lucratividade que o Grupo CRM tem obtido é devida a desconsideração de rótulos, pois “rótulos não definem quem você é ou quem você pode ser”.

 

No Grupo CRM, 60% das posições são ocupadas por mulheres. “E 65% no C–Level. São gerentes, coordenadoras e diretoras engajadas como eu”, arremata Renata.

 

A abertura da academia SoulBox para incentivar a luta esportiva entre as mulheres transmite a busca do rejuvenescimento e permanência, propósito do Grupo CRM, e segundo Renata “Nasce muito protagonista da própria história”.

 

Chieko Aoki, fundadora da Rede Blue Tree Hotels, subiu ao palco com o peculiar carisma. Expôs que ao vender a Rede Caesar Park Hotels decidiu criar uma rede hoteleira que reunisse a excelência americana, a qualidade europeia, a espiritualidade japonesa e a hospitalidade brasileira.

 

Estabeleceu a alma Blue Tree com o Bem-Receber, Bem-Servir, Bem-Cuidar, definindo como reegra de ouro: encantar a todos, meta é meta, prazo é prazo, não justificar, gestão de resultados — com um toque de Vicente Falconi.

 

Ressaltou que o negócio de hospedagem vai além de hotelaria, não é somente cuidar de prédio ou de lençol, pois é principalmente cuidar de pessoas para as pessoas. Sistematizando este conceito com três premissas:

     

  • Os colaboradores precisam ser cuidados para cuidarem bem dos clientes
  • Cuidar não se ensina, precisamos ser bem cuidados para entender o Bem Cuidar
  • Precisamos tocar seus corações para que façam com o coração

 

Esse circuito emocional, Aoki designa como alma da Blue Tree.

 

Cita dois casos:

 

O dos pesados edredons que estavam impedindo a mão de obra feminina de realizar a contento o trabalho. Manteve as mulheres e dispensou os edredons. Fato inclusive copiado por todos.

 

Louvou também o funcionário que teve a percepção do estado de saúde do hóspede que veio pedir medicamento. Ao invés de dar o remédio solicitado, o levou ao hospital. Felizmente. Porque foi operado no mesmo dia.

 

A Rede Blue Tree cresceu mais de 50% no último ano. A receita de Chieko Aoki é o Bem Cuidar, porque segundo ela, o Bem Cuidar Faz Bem: para os colaboradores, para os clientes, para a sociedade e para a nossa alma.

 

Que assim seja!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.Milto

É proibido calar: mudanças tecnológicas exigem diálogo e aprendizado com nossos filhos

 

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A imagem de uma batalha de League of Legends costuma abrir uma das minhas palestras sobre ética e cidadania —- temas do meu último livro “É proibido calar!”. É a maneira que encontro de demonstrar a necessidade de os pais se interessarem pela realidade vivenciada por seus filhos, conhecerem o mundo que eles experimentam e reduzir o distanciamento que permeia muitas das relações familiares. Aposto na ideia de que ao fazermos esse movimento, encontraremos pontos em comum e aumentamos as possibilidades de desenvolvermos uma convivência saudável e pautada na compreensão.

 

Há cerca de uma semana, estive no Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, onde conversei com pais, professores e alguns estudantes. Aproveitei uma das imagens captadas durante o encontro, na qual a tela de fundo é a cena de uma das competições internacionais de LoL realizadas no Brasil, para provocar a turma que me acompanha no Twitter e no Instagram:

 

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Algumas boas reflexões chegaram nesses três dias.

 

A Evelyn Batista (@evelym_watson_batista), no Instagram, escreveu que “acredita que a tecnologia hoje tem muito mais espaço na rotina de nossos filhos, inclusive para as escolhas profissionais deles. Com isto nossas relações estão cada vez mais distantes”.

 

Penso que é inevitável que eles acompanhem de forma intensa a transformação digital —- nós mesmos fazemos isso, haja vista a maneira como acessamos nossos celulares. O esforço tem de ser o de potencializar as relações afetivas que se constroem no cotidiano para que a distância que a Evelyn identifica não se intensifique. Precisamos valorizar a conversa do dia-a-dia, os momentos de proximidade — como o almoço ou o jantar — e, se necessário, provocar encontros mais frequentes nos quais a conversa não seja interrompida por um alerta na tela do celular.

 

Delci Lima (@delcilima12) conta que tem uma menina de 13 anos que vive em mundo virtual como todas as outras crianças da idade dela e nós, pais, em um mundo real: “É um bom paralelo para uma discussão sobre Educação”

 

Em um dos trechos de “É proibido calar!” chamo atenção que é preciso cuidado quando dividimos o mundo em virtual e real:

“Mesmo que a fonte seja virtual, nada mais real do que o sentimento que toca o coração desses jovens”.

Quero dizer que talvez nós é que tenhamos ainda um modelo mental no qual real e virtual estão separados e, pior, em contraposição, quando de verdade se fundem em um só; e nossas vidas e relações tenham de saber conviver nesses “mundos paralelos”.

 

No Twitter, o Evandro Junior (@jemj10) publicou que “esses princípios devem permear qualquer atividade. Sem a observância da #educação #ética e #cidadania o profissional não se completa, poderá ter sucesso, mas nunca será admirado”.

 

Essa ideia, com a qual concordo, me remete a algumas das entrevistas que tenho realizado no programa Mundo Corporativo, em que temos insistido que o novo líder não pode ser medido apenas pelas metas que alcança ou resultados financeiros da empresa —- seu comportamento diante de colaboradores, parceiros de negócio e clientes é o diferencial competitivo a ser valorizado.

 

Ao menos dois dos participantes dessa saudável discussão lembraram de que um dos meus filhos está envolvido no mercado de esportes eletrônicos e esse seria o motivo de o Lol estar no roteiro de minha palestra.

 

O Antonio Santos Jr (@ajunioranalista) escreveu no Twitter que “…você como pai o incentiva, se o incentiva é porque é algo bom para ele. Partindo dessa premissa há várias narrativas que podem ser tomadas em educação, ética e cidadania”.

 

Já o Samuel(@sbtorre) comentou:

“Seria por que um de seus filhos é gamer profissional e lidar com a educação dos filhos em um ambiente de mudança tecnológica e cultural tão significativa exige uma posição de diálogo e aprendizado, um dos motes do seu livro?”

Samuel está certíssimo — exceção ao fato dele ter identificado meu filho como um gamer, quando na realidade é gestor de uma das organizações de e-Sports no Brasil, depois de ter iniciado carreira como técnico e estrategista de Lol.

 

Independentemente da função que exerça, o ambiente para o qual ele se dedica —- e meu filho mais velho tem desenvolvido alguns trabalhos também nesse segmento —- , exigiu de minha parte e de minha mulher um entendimento maior sobre o assunto para que a falta de informação (ou seja, nossa ignorância) não se transformasse em barreira para o desenvolvimento dele. Para que o preconceito, fruto do desconhecimento, não prejudicasse nossa relação com os filhos. Graças ao diálogo que construímos, aprendemos e crescemos juntos.

 

Dito isso, além de agradecer a todos os que participaram desta conversa virtual, parabenizo o Samuel que vai receber em casa um exemplar do livro “É proibido calar!”. Espero que goste!

Avalanche Tricolor: uma ótima leitura e as boas notícias de sábado

 

Grêmio 0x0 Corinthians
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre, RS

 

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Que o cara entendia do riscado, eu já havia ouvido falar —- dele próprio quando o entrevistei em um dos programas que apresento na CBN, o Mundo Corporativo. Que era o verdadeiro craque da família mas que não seguiu carreira, soube nesse sábado enquanto aguardava na fila para pedir-lhe um autógrafo. Era o que um dos mais próximos de mim contava entusiasmado: o Geromel bom de bola era ele —- só não lembro bem se jogava na mesma posição ou de lateral. Mas jogava muito, falava com entonação capaz de me fazer acreditar no que dizia.

 

Estávamos falando de Ricardo Geromel, 32 anos, empreendedor e escritor, que pelo sobrenome tem parentesco que carece de apresentações, especialmente a você caro e raro leitor desta Avalanche. Ele era o destino da fila que se estendia do salão da Livraria da Vila até o corredor do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Estava lançando o livro “O poder da China” (Editora Gente).

 

Com escritório sediado em Xangai, Ricardo é um entusiasmado com os avanços que a China implementou nos últimos anos, transformando-se de “fábrica” do mundo em fabricante de bilionários, além de uma das maiores criadoras de startup do oriente ao ocidente.

 

Para ter ideia, havia 64 bilionários chineses em 2010. Oito anos depois, já eram 372. A cada 3,8 dias nasce um novo unicórnio no país —- são aquelas empresas de capital fechado com valor de mercado de US$ 1 bilhão ou mais. E tudo isso impactando a vida das pessoas em seu cotidiano, pois, em cerca de 30 anos, a China tirou 850 milhões de pessoas da situação de pobreza. Tem porque se entusiasmar, não é mesmo?

 

Se quiser outros motivos, leia o livro —- ou ouça a entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo. Eu já avancei alguns capítulos apenas neste fim de semana e recomendo (se é que vale alguma coisa a minha recomendação).

 

Mas vamos voltar a esta Avalanche.

 

Sou resistente a essas histórias que já foram contadas nas mais variadas famílias do futebol brasileiro. Sempre haverá alguém para garantir que Dondinho, pai de Pelé, é quem jogava muito. Teria feito cinco gols de cabeça em uma só partida de futebol. Sem contar os que descrevem as habilidade de Zoca, irmão do Rei, que aliás jogou ao lado dele no Santos.

 

Edu, por sua vez, tinha futebol refinado, dribles curtos e desconcertantes, passes e lançamentos precisos —- o que parece ser verdade, mas não o suficiente para torná-lo maior do que Zico, o irmão mais moço. A não ser nas palavras da turma que sempre gosta de uma boa história para puxar papo.

 

Diante de tudo isso, ouvi os elogios ao futebol que Ricardo Geromel jogou no passado e coloquei na conta dos contadores de história. Prefiro admirá-lo por aquilo que ele é do que por aquilo que poderia ter sido. Até porque duvido muito que alguém pudesse ser maior do que Geromel, o Pedro —- zagueiro que trouxe uma nova maneira de jogar dentro da área, tem uma ótima leitura de jogo e forma, ao lado de Kannemann, uma das maiores duplas de zaga que já passaram pela história do Grêmio.

 

Abracei Geromel, o Ricardo, o cumprimentei pelo livro que lançava, recebi orgulhoso o autógrafo dele, e voltei para casa para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Do sofá, vi o meu time tentar o gol de várias maneiras sem sucesso e terminar mais uma partida contra o Corinthians no zero a zero.

 

Jogo que não foi de todo perdido, pois tivemos ao menos duas boas notícias para quem entra em campo no Brasileiro mas tem a cabeça na semifinal da Libertadores: Léo Moura está de volta e Maicon desfila talento com a bola no pé — leio nas estatísticas de que de 111 passes que deu, errou apenas três.

 

A terceira boa notícia, tive lá na livraria mesmo: Geromel, o Pedro, não jogaria logo mais à noite, mas está prestes a voltar ao time titular depois da lesão que o tirou da primeira semifinal da Libertadores. Que o Ricardo faria diferença se tivesse seguido em sua carreira como jogador, deixo por conta dos amigos de infância que o viram jogar. Mas que o Pedro faz uma baita falta para a gente, ah, isso eu garanto!

Mundo Corporativo: empresas têm de criar espaço para a colaboração de seus profissionais, diz Alexandre Marins

 

“Eu quero uma carreira onde eu tenha um espaço onde eu possa exercer aquilo que eu acredito em conjunto com outras pessoas. Então as empresas tem de ter uma clareza de seu propósito para que as pessoas consigam ter um grau de identificação e engajamento” – Alexandre Marins, LHH

A chegada de novas tecnologias e de uma geração mais questionadora tem transformado o ambiente de trabalho e obrigado as empresas e seus líderes a mudarem comportamentos. Os profissionais querem ter voz, dar ideais e serem mais colaborativos, de acordo com Alexandre Marins, diretor de desenvolvimento de talentos da consultoria LHH.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, o consultor alertou para o fato de que as empresas falam muito em inovação mas ainda mantém algumas práticas que provocam sérios problemas na qualidade de vida de seus colaboradores:

“Essa questão do homem não poder falar da sua vulnerabilidade, traz uma angústia interna muito grande, uma solidão. Então, a gente vê que os cargos de alta liderança seguem sendo solitários e as pessoas não conseguem falar sobre isso, e pessoas se deprimindo porque elas olham para aquilo e não vêem uma saída, sabem a sensação de que amanhã vou ter de dar conta de novo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter pelo perfil @CBNoficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Correia, Isabela Ares e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

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Libertadores — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Flamengo

Pepê comemora gol que nos mantém na luta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O caro e raro leitor desta Avalanche talvez não perceba, mas o título que se destaca no alto deste post é o mesmo da Avalanche escrita em 21 de agosto, quando iniciávamos a disputa por um vaga à semi
final da Libertadores.

 

Você haverá de lembrar que, assim como hoje, fizemos o primeiro jogo em casa, diante de nossa torcida e contra o time considerado sensação do Brasil naquele momento. Um time com grandes nomes e um técnico de primeira, que conhecia como poucos a história do Grêmio.

 

E não sei como anda sua memória, mas registro que naquela oportunidade deixamos o gramado com o placar adverso. Não bastasse ter tomado um gol em casa —- o tal gol qualificado que prevalece na Libertadores —-, ainda tivemos a infelicidade, mesmo sendo superior no segundo tempo, de não marcar nenhum.

 

Apesar de todas as desvantagens, o que aconteceu na partida de volta você ainda lembra: o Grêmio foi a São Paulo, encarou um estádio lotado e fervilhante, venceu e se qualificou para a semi-final da Libertadores, driblando as expectativas de comentaristas, adversários e até de alguns dos nossos torcedores.

 

Se reproduzo hoje o mesmo título daquela Avalanche, garanto-lhe que não é por falta de criatividade. Essa até nos faltou no primeiro tempo da partida desta noite quando fomos dominados pelo adversário e nos safamos de algo pior graças a tecnologia que está aí para isso mesmo: impedir irregularidades em campo.

 

Recorro ao “NADA ESTÁ DECIDIDO” porque esta é a mais pura verdade nesta semifinal, especialmente após o Grêmio ter voltado a ser o Grêmio no segundo tempo da partida —- obra de total responsabilidade de Renato que no vestiário soube colocar o time no seu devido patamar, ajeitou as peças, redistribuiu funções e impôs marcação mais forte com a participação de todos os jogadores, inclusive os do ataque que tinham passado a maior parte do primeiro tempo isolados na frente.

 

Não bastasse a conversa de vestiário, ele ainda soube recorrer às melhores peças que tinha no banco para se recuperar da desvantagem no placar. Foi Maicon, que entrou no lugar de Michel, quem teve visão para virar a jogada iniciada pela esquerda com Luan. E foi Pepê, que havia substituído Alisson, quem empurrou a bola para dentro de gol após o cruzamento de Everton. Renato voltou a ser genial.

 

Seja por Renato, seja pela capacidade de recuperação deste time, finalizo esta Avalanche com as mesmas palavras que encerrei aquela de agosto quando estávamos apenas iniciando a caminha para a semifinal da Libertadores:

 

“Nada está decidido. E se alguém acreditar que está, cuidado. Melhor não subestimar nossa imortalidade”.

O maior dos cuidados

O autor do texto a seguir já esteve com a gente em outras leituras. É estudante do Colégio Notre Dame, em Campinas, e também editor do jornal da escola. Nessa semana, publicou na seção Carta ao Leitor artigo no qual fala da relação de avós e netos, em virtude do Dia do Idoso. Tomo a liberdade de reproduzir o texto no blog:

Por Matheus Mascarenhas
Estudante e escritor

 

Ah! Mas como descrever férias. Linda palavra, linda mesmo. Alguns diriam que tal paroxítona se parece mais com um período de descanso do nosso regime semi-aberto diário. Não há como esconder minha felicidade pelas férias. Ela vem chorando por atenção, e no final, agradece por irmos embora. São magníficas as transformações que ela faz. São magníficas as experiências. E também são magníficos os dias contados, esperando pelo reinício das aulas. E, às vezes, esse periodozinho te marca, molda uma memória memorável. E isso aconteceu comigo, desta vez.

 

Há algo mais clichê do que passar um tempo das férias na casa dos avós? Não, eu acredito que não. Todo mundo dá sempre uma passadinha lá. Uns ficam semanas, outros ficam poucas horas. Não sei para vocês, mas a alegria de encontrar meus avós é imensurável. É amor, comida, diversão. Uma combinação adorável. Quem não tem na cabeça uma piada engraçada da sua avó, ou uma história de infância do seu avô. Para mim é ritual, é costume. Esse momento sempre existe. E por que estou gastando seu tempo, ao ler essas coisas tão lindas e bonitinhas? Não se acanhe, continue por aqui. Deve ser difícil ter que ler todo esse jornalzão, mas juro que cada texto vale a pena (​Merchan grátis). Enfim, leitor, voltando ao assunto. A minha intenção aqui é contar um pouco sobre alguns momentos de minhas férias, um tanto peculiares para mim.

 

Como já havia dito, fui passar os tais dias na casa de meus avós. Já velhinhos, fazia mais de 6 meses que eu não me dispunha a dormir por lá. A primeira tarde foi revigorante! Um bolo mais um sorvete. Depois um bom papo com meu avô e uma conversa um tanto divertida com minha avó. Parecia um hotel. Eu sob os cuidados de meus avós. Logo entardecia. Pedimos a tradicional pizza. E, tempos depois, nos preparamos para dormir. Me arranjei numa daquelas posições pensativas que você fica por minutos na cama. Já estava na Hipnagogia (o limite entre estar acordado e dormindo). De repente, eu ouço soluços altos seguidos por uma tosse eufórica. Vish! O que seria? (Nota: leitor, relaxe, não haverá sequer uma morte nesse texto). Fui direto ao quarto dos meus avós. Quando cheguei, vi uma situação desconfortável. Meu avô se debruçava, engasgado. Nada de mau aconteceu, busquei água e tudo se resolveu. Ufa! A partir daí, já não me sentia confortável em estar desatento no período da noite. A verdade era que eu estava com medo de alguma coisa séria acontecer. Nunca tinha passado por isso antes. Na manhã seguinte, levantei tranquilo, com a mente apagada, meio surda. Tomamos café e o dia se seguiu. No jantar, infelizmente, meu avô engasgou — de novo. Tivemos que repetir o protocolo. Nada de ruim aconteceu, felizmente. No dia seguinte fomos embora.

 

Passaram-se alguns dias e voltamos para lá. De forma impremeditada, meu avô machucou sua perna, arrancou a pele do local. Minha avó nada podia fazer, já que abaixar-se para tal tarefa seria uma atividade um tanto inadequada. Logo, tal tarefa foi imcumbida a mim. Fiz o curativo certinho. Passei o soro, a pomada, a gaze e a fita. Tudo ​ok!​ E esse ciclo se repetiu, e repetiu. Mais alguns problemas gritaram por ajuda. Às vezes a locomoção deles era debilitada, havia de se ajudar. Às vezes precisava-se pegar remédios em locais não apropriados. E tudo isso se consumava em um ciclo.

 

Notei que eu tinha me tornado um cuidador de meus avós, igual a como eles haviam feito, no meu nascimento e infância. Houve uma inversão de postos. Eu passava a cuidar deles. E isso me soava estranho. Mas, leitor, não se engane. Eu não passei perto, nem de longe, do que eles fizeram por mim, e do que ainda fazem. Parece estranho comparar algo físico com algo subjetivo. Eu considero que meus esforços físicos, ajudando eles no que quer que fosse a tarefa, perdiam o mérito, ao serem comparados com os cuidados e esforços subjetivos, afetivos, que meus avós me transmitiram. Através das longas conversas, a troca de experiências, os sorrisos, e abraços, os beijos, as piadas, o amor, nada disso se compara, e eu afirmo, NADA disso é comparável a outro tipo de cuidado.

 

Meus amigos, parece difícil e até mesmo chato, mas aproveitar seus avós ou quem quer que seja que você considera muito importante, é imprescindível. É necessário, é bom! É saudável. Você nunca terá tão bons cuidados. Nunca. O que não se pode ver é a real cura: o amor. O lindo amor. Então da próxima vez que você encontrar com esse tipo de pessoa que te faz feliz, abrace muito, muito mesmo! Beije-o! Pode ser que algum dia, você não possa mais fazer isso de novo.

 

Um abraço a todos vocês! Boa leitura!