Mundo Corporativo: para ser um líder inovador é preciso desapegar das velhas soluções, diz Eliana Dutra

 

“Você como líder, como investidor, como CEO, você tem que conhecer os seus vieses, os seus preconceitos para você não se deixar limitar, porque a inovação ela é sempre disruptiva, ela sempre vai lhe causar um desconforto”

As empresas estão constantemente em busca de inovação e têm sido impactadas pelas transformações que ocorrem nos diversos setores da economia. Para liderar essas empresas, há necessidade de uma forte capacidade de adaptação para a qual nem sempre os profissionais estão preparados. Eliana Dutra, CEO da Profit Coach, tem se dedicado a treinar esses líderes desde 1999 e foi com ela que nós conversamos no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Dutra sugere que o líder inovador seja desapegado de suas funções e de seus sucessos, porque só inovamos quando nos desapegamos das velhas soluções:

“… a inovação é sempre disruptiva, sempre vai causar um desconforto, então você tem de olhar este desconforto e perceber se ele é um desconforto só porque é inovação ou porque está anexado a algum preconceito”.

Eliana ressalta que o perfil do líder deixou de ser o do profissional autoritário, que manda o outro fazer as tarefas, para ser o líder com visão estratégica capaz de engajar os colaboradores da sua equipe:

“Eu costumo dizer que um líder sem seguidores é só um sujeito dando um passeio”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, pelo Twitter (@CBNoficial) e pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e domingo às 10 da noite em horário alternativo. Você pode ouvir o programa também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves

Conte Sua História de São Paulo 466: os passeios de bar em bar na noite paulistana

 

Carlos Ferreira Lima
Ouvinte da CBN

 

 

São Paulo nunca foi uma cidade, digamos, muito tranquila. Sempre teve seus bandidos, alguns até famosos. Mas entre os anos de 1970 e 1980 dava para atravessar, por exemplo, sem medo, de madrugada, a Praça da Sé — ao menos era o que eu fazia, sem susto, sem sobressaltos.

 

Na Praça da Sé mesmo, do lado esquerdo de quem entra no imponente prédio de fachada de estilo jônico e granito negro da Caixa Econômica Federal, havia um bar minúsculo, desses que não suportariam três fregueses em pé, chamado Toca da Onça, que ficava aberto 24 horas. As sugestões de ‘comes e bebes’ eram poucas, e honestas: servia um sanduíche de linguiça do tipo Bragança, saboroso, feito na chapa. Podia-se até encomendar a compra da linguiça, a granel, por quilo. Depois que o bar fechou, o lugar virou loja de cartuchos, cujo letreiro até outro dia ainda estava estampado no toldo. Voltou a fechar.

 

Eu trabalhava no BCN — Banco de Crédito Nacional, que também não existe mais, na Rua Boa Vista. Algumas vezes, às sextas-feiras, após o expediente e quando não tinha aula, caminhava até o Bexiga que na época bombava como hoje ferve a Vila Madalena. Havia bares como o Café do Bexiga, o Persona e o Boca da Noite. Daqueles tempos, resistem o Café Piu Piu e o Café Aurora.

 

O Persona era de um artista plástico, todo decorado com espelho e velas. Nele jogava-se o Persona com um espelho, um par de velas e um disco do tamanho de um long play. Um casal, frente a frente, intercambiava imagens e brincava com isso por um bom tempo. Jazz e rock ao vivo eram as trilhas sonoras. O baixista Pete Woolley estava sempre tocando por lá.

 

Na volta do Bexiga, a pé, de madrugada, pela Santo Amaro, Maria Paula, Viaduto Dona Paulina, chegava a Praça da Sé. Uma parada para comer um sanduíche, beber, provavelmente, uma saideira, descer a General Carneiro e chegar Praça Ragueb Chohfi, no Parque Dom Pedro II. De lá seguia para casa, com um ônibus que circulava 24 horas — coisa rara naquele tempo. Esta linha que seguia para Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana, cortava a zona Leste — passava pelo Tatuapé, Carrão, Vila Formosa, Itaquera. Não existe mais, assim como muitos dos bares que frequentei. Assim como a tranqüilidade que me permitia caminhar de madrugada. O que persiste é São Paulo. A nossa São Paulo.

 

Carlos Ferreira Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também as suas lembranças da cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 466: o primeiro emprego no estúdio dos jingles

 

Cláudio Moreira
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na Maternidade São Paulo. Hoje, tenho 73 anos. E me veio a mente as lembranças do meu primeiro emprego, em 1961. Fui trabalhar no centro da cidade que para mim era uma consagração, pois fui para a rua mais badalada de São Paulo daquela época, a Barão de Itapetininga. Número 255, Galeria Califórnia. Ali havia a Magson que depois virou Studio G. Martins, onde eram gravados os melhores jingles do rádio e da TV brasileiros.

 

Eu era office-boy e tinha contato direto com os grandes criadores: Gilberto Martins, Heitor Carillo, Carlos Henrique e o o maestro Hector, um argentino. Lá foram criados os jingles da ‘Grapette, quem toma repete’, ‘Tody dá mais energia’ e, entre outros tantos, o do Creme Rugol ….

 

Não segui esse caminho da criatividade. Fui para o mundo financeiro, que não deixa de ser criativo, vai? Agora, aposentado, ouço a CBN boa parte do dia e curto minha neta Duda, de cinco anos. Aprendi muito com aquele pessoal do primeiro emprego. Considero-me um cara alegre e criativo —- ao menos é o que Duda costuma dizer quando fala do vovô.

 

Claudio Moreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva as suas lembranças da cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: usar influenciadores digitais exige autenticidade

 

 

“Antes tínhamos os garotos ou garotas-propaganda os influencers são a versão modernas deles” — Cecília Russo.

O uso de influenciadores digitais para construção de uma marca tem se tornado bastante comum e com resultados impactantes como mostram pesquisas recentes. De acordo com estudo realizado no Reino Unido, 61% dos consumidores entre 18 e 34 anos mudaram suas escolhas de compra a partir da opinião de um influencer. A ampla maioria das pessoas, porém, diz que somente segue o influenciador quando enxerga nele autenticidade.
 

 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram uma lista de como o gestor da marca de uma empresa, negócio ou serviço deve agir diante dessa realidade:
 

 

  1. Escolha um influencer conectado com sua marca, ou seja, que tenha afinidade com o tema, autenticidade;
  2. Quanto mais espontânea for a mensagem melhor, discursos pré-formatados e engessados perdem valor;
  3. Não se concentre em um só influenciador para não ficar com cara de garoto-propaganda nem refém daquela imagem;
  4. Concentre-se menos em pautas sobre sua marca e mais sobre o setor e os atributos valorizados neste segmento. A marca não deve ser protagonista e sim a solução natural para a causa defendida pelo influencer.

 

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: o papel pedagógico das marcas

 

“As marcas têm um papel de formação da cidadania no Brasil, também” —- Jaime Troiano

Com uma quantidade enorme de pessoas ainda fora do mercado de consumo e outra parcela começando somente agora a experimentar algumas novas características de serviços, é preciso que as marcas tenham muita responsabilidade no relacionamento com esse público, desempenhando um papel pedagógico. O recado é de Jaime Troiano e Cecília Russo, em conversa com Mílton Jung no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

 

Um exemplo é o trabalho que algumas fintechs —- startups que otimizam serviços financeiros —- estão desenvolvendo ao atraírem clientes que até pouco tempo não tinham acesso ao sistema bancário. Segundo dados do Instituto Locomotiva, cerca de 45 milhões de brasileiros não têm conta bancária e, assim, encontro dificuldades de acesso a serviços essenciais para seu desenvolvimento como a obtenção de crédito para abertura de negócios.

 

A tentação em conquistar esses clientes não pode jamais se sobrepor a importância de se desenvolver uma comunicação que eduque o consumidor. “Quando a gente fala das marcas serem simples, acessíveis e inclusivas, estamos pedindo uma linguagem para que as pessoas entendam e melhorem sua capacidade de entrar no mercado de consumo, sem serem enganadas e fazendo escolhas mais conscientes”, diz Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo 466: meu amor preso na jaula do Parque Shangai

 

Cesar Campos
Ouvinte da CBN

 

 

Hoje estou com 65 anos. Quando criança vi coisas incríveis em São Paulo.

 

Meus pais eram separados e eu vivia com minha mãe e irmãos. Esperava com ardor o dia de sábado, quando ele me levava a passear no Parque Dom Pedro II. Cheio de árvores, caminhos ladeados de flores e plantas tropicais. Tinha lagos, uma ilha artificial. Pequeninas pontes. Que o coronel Américo Fontenelli transformou em estacionamento de ônibus.

 

Ao lado do parque D Pedro, meu pai me levava ao Shangai, uma jóia então perene para os olhos de uma criança de seis ou sete anos. Foi lá que tive minha primeira paixão de que me recordo. Uma bela moça, que deveria ter 18 ou 19 anos, que se transfigurava, por um acidente genético ou maldição tribal, em um enorme gorila. Era a Monga, a Mulher-Macaco. Uma morena de maiô, lindas pernas, cabelos ondulados e longos, lábios carnudos. Quando, ao apagar das luzes, ela se transformava e ameaçava sair da jaula, as pessoas corriam e gritavam. Eu ficava firme, como um herói, esperando que ela voltasse a sua beleza natural na próxima sessão. Ou no sábado seguinte.

 

Com minha mãe, eu andava de bonde. Com seu cobrador heróico, que circulava pendurado na boleia com os dedos cheios de notas de dinheiro fazendo troco. Curtia a chuva de dentro do “bonde camarão”, aquele fechado, onde eu via a publicidade do Rum Creosotado.

 

Pegava o bonde na Avenida Celso Garcia, no Brás, onde morávamos, até a Praça Clóvis Bevilacqua; e na Praça da Sé embarcávamos em um segundo bonde que subia a Vergueiro até a Praça Santo Agostinho, onde morava minha madrinha Josefina, amiga de mamãe dos tempos de juventude em Ribeirão Preto. Eu ficava horas na varanda, olhando aquela pracinha com ares europeus, árvores miúdas e banquinhos, ladeada por muros de tijolinhos à vista da Igreja e vivendo, quem sabe, um “dèja-vu” de outras vidas no velho continente.

 

Hoje, invejo as antigas cidades europeias que mantém suas paisagens centenárias e permitem aos velhos caminharem sobre as mesmas calçadas e tocarem os muros que guardam memórias.

 

César Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também suas lembranças e envie e para contesuahistoria@cbn.com.br.

NRF 2020: o que se confirmou no maior evento de varejo do mundo

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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A visão geral da NRF 2020, recém realizada em New York, onde estiveram 40 mil agentes de 100 países representando 16 mil varejistas, indica que as expectativas foram correspondidas.

 

 

Vejamos, portanto, alguns destaques do que ocorreu em cada uma das grandes tendências previstas — as quais já havíamos identificado em artigo anterior.

 

 

CONNECTED COMMERCE

A omnicanalidade tem na Nordstrom bom exemplo da dinâmica entre os canais de vendas e a flexibilidade que apresentam. Erik Nordstrom, co-presidente, em sua fala disse que não concorda quando é perguntado sobre as vendas online e físicas. Metade das vendas tem um componente online e sobre um terço das vendas online estão envolvidas experiências na loja física.

 

 

Embora ainda haja consumidores que pensem em canais, Erik sabe que não existe mais separação. A diferença ainda fica com a experiência que se pode oferecer na loja física, como experimentar sapatos tomando drinks no bar que está na flagship de New York. É lá que também se vende mais online — assim como nas lojas novas, a internet também corresponde ao sucesso da loja física.

 

 

A Nordstrom segundo Erik, continua, na conceituação e ação como uma loja de descobertas, quer na física quer no online.

CUSTOMER CENTRICITY

 

 

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Mike Hanrahan, CEO do Walmart’s Intelligent Retail Lab. disse que enquanto a maioria da indústria está começando a desenvolver tecnologias como a Inteligencia Artificial e as correspondentes aplicações para o varejo, a Walmart está delineando a frente ao colocar nas lojas um laboratório inteligente para rapidamente aprender a desenvolver produtos, ferrramentas e serviços pertinentes a operação de varejo. É uma fábrica de inteligência artificial que estudará e aprenderá a fazer coisas, e então entregará para toda a cadeia melhorias na vida dos consumidores, dos associados e na administração do negócio Walmart.

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO

A reutililação e reciclagem de produtos incluindo o setor do vestuário, adequando o tradicional setor de aluguel de roupas para festas e expandindo-o, agregando roupas para todas as ocasiões e criando sistemas de mensalidades para fornecimento contínuo, são tendências fortes.

 

 

Jennifer Hyman, CEO da Rent the Runway, inovou diante de problemas de entrega ao usar total transparência com os consumidores e adotando a “logística reversa”.

 

 

Tom Szaky, CEO da TerraCycle disse que: “tudo pode ser reciclado, é apenas uma questão de saber se é lucrativo fazê-lo. Um item infinitamente durável é infinitamente lucrativo”.

 

 

Phil Graves, Head de Desenvolvimento da Patagonia, disse que “desde 2017 mantivemos mais de 130 mil itens usados sendo aproveitados e demos a eles uma segunda vida. Como marca, gostamos de controlar toda a experiência do cliente e garantir que ela seja de primeira qualidade”.

PESSOAS

 

 

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‘O futuro do varejo e como a tecnologia pode ajudar a transformação da indústria”, foi o tema da abertura do evento, no domingo 12 de janeiro, protagonizada pelo CEO da MICROSOFT, Satya Nadella.

 

 

Diante dos massivos investimentos tecnológicos que foram feitos na indústria do varejo, que é grande geradora de dados, ou seja, 49 terabytes por hora, o que fazer com tanta informação? Perguntou Nadella.

 

 

“Como uma indústria, o varejo deve usar, para conhecer os consumidores e empoderar os empregados, uma cadeia inteligente de informações e reinventar modelos de negócios”. Respondeu Nadella.

 

 

E continua: “a chave crucial para o sucesso na nova década será dar informações aos funcionários para que possam atingir melhores ROI ao incrementar as taxas de conversão em 15% e aumentar as taxas de satisfação em 10%” … O varejista tem o maior ativo que é a informação do comportamento do consumidor em termos de intenção comercial”

PROPÓSITO

Na programação de domingo, um dos destaques foi o painel com Heather Deeth Manager of Ethical Buying da Lush Cosmetics e Jennifer Gootman VP de Corporate Social Responsibility da West Elm — duas marcas que abraçaram o conceito de responsabilidade social e ambiental, buscando mão de obra artesanal e produtos dirigidos a estilos de vida.

 

 

Lush, com 900 lojas e uma significativa presença digital, é totalmente verticalizada no Canadá com fazendas no Arizona, na Guatemala, no Peru e em Uganda. Deeth afirmou categoricamente que estão criando uma revolução nos cosméticos para salvar o planeta, e todos deverão participar.

 

 

Em termos de sustentabilidade como parte do negócio, ela acredita que a Lush é afortunada pois com seis princípios imbatíveis vencerão. — a saber: contra os testes em animais, cosméticos frescos com datas especificadas, compras éticas, 100% de materiais naturais na composição dos produtos, foco no feito a mão, e embalagens naturais.

 

 

Gootman valoriza o investimento da West Elm em artesãos e no uso de algodão e madeiras certificadas, assim como o Fair Trade Certified, recebido em 2014 pioneiramente como varejista.

Em suma, acredito que podemos resumir do todo exposto, que o varejo ao reafirmar a posição de extrema importância econômica está alerta a necessária absorção da tecnologia, e ciente que ela tem que servir as PESSOAS. Para isso, a cartilha da ONU em seu Pacto Global é essencial. É hora de sintonizar as áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio-Ambiente e Anticorrupção.

 

 

Cabe registrar que as informações acima foram extraídas de um grande volume de material expresso em transcrições em texto das palestras, e de vídeos disponibilizados através de newsletters oficiais da NRF.

 

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo 466: as cadeiras na calçada do Bexiga

 

Armando Fragnan
Ouvinte da CBN

 

 

Antigo reduto da colônia italiana desde o início do século passado, hoje transformado em bairro boêmio, acompanhei a todas as modificações ocorridas no Bexiga. Assisti à desapropriação na década de 60 que desfigurou grande parte da região.

 

Nascido e criado na rua João Passalacqua, quase nada lembra o antigo bairro. Os italianos, alfaiates, sapateiros, barbeiros e marceneiros desapareceram do bairro, com exceção dos padeiros que conseguiram resistir ao tempo. Naquela época lembro-me que segunda-feira era feriado para tais profissionais.

 

Ao domingos era infalível a missa na capela do Colégio Passalacqua. A seguir, os alunos rumavam para a segunda missa, na igreja Nossa Senhora de Achiropita. Nos fins de semana, a moda era frequentar o cine Rex, que exibia dois filmes aos moradores do bairro. Na rua Rui Barbosa, os vizinhos retiravam as cadeiras de suas casas, levando-as às calçadas onde sentavam enfileirados lembrando os costumes calabreses, sicilianos e napolitanos.

 

Havia as partidas de futebol de salão que se realizavam na quadra do Boca Junio’r da Bela Vista, na rua Santo Antonio.

 

Nas enfermidade da família era obrigatória a visita domiciliar do doutor Mazza que, religiosamente, acompanhava a evolução do paciente em casa, constituindo o médico da família, figura quase extinta nos dias atuais.

 

Pelas ruas do bairro, por falta de lugar apropriado, aconteciam os ensaios da Escola de Samba Vai-Vai, na época Cordão Vai-Vai.

 

Os primeiros namoros e, posteriormente, os bailinhos da rua Major Diogo, na época da Jovem Guarda, existem hoje apenas em nossas lembranças.

 

Do antigo Bexiga, que originou a este novo Bexiga, resta apenas a saudade de quem teve o privilégio de vivê-lo.

 

Armando Fragnan é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças da cidade e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos de São Paulo, visite o meu blog miltonjung@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo 466: as tribos e índios que cercaram minha infância, no Planalto Paulista

 

Maria Ângela Silveira de Souza
Ouvinte da CBN

 

 

Tribos, índios e objetos indígenas cercaram minha infância. Não, não sou filhos de índios, mas o bairro onde morei dos três aos 11 anos, o Planalto Paulista, emprestou dos povos nativos diversos nomes para batizar suas ruas. Aratãs, Guainumbis, Itacira, Piassanguaba e Quinimuras são alguns dos que povoaram meu mundo. Meus vizinhos eram o Ibirapuera e Moema.

 

Minha taba … minha casa era cercada por ladeiras, que me viram passar e crescer entre os anos de 1950 e 1960. Quando mudei para lá, minha rua e outras como a Av Indianópolis eram de terra, e ela foi a matéria-prima para as minhas brincadeiras. Do barro, fazia as comidinhas para as bonecas. Na terra mais seca, caprichava nos buraquinhos feitos com tampinha de garrafa para jogar bolinha de gude. Empinar papagaio era minha alegria. Eu mesma construía meu pássaro com papel de seda, varetas, cola de farinha e linha de costura. Tudo comprado no armazém do bairro, que vendia também balas, maria-mole, arroz, óleo, caderno e um mundinho de coisas práticas.

 

Vi as ruas serem asfaltadas e logo ganhei minha primeira bicicleta. Uma Monark vermelha com cano para meninas. A sensação era de que havia ganhado o mundo. Pedalava ladeira abaixo, sozinha, feliz pela liberdade inocente e gostosa. às vezes exagerava. E o farmacêutico do bairro é que cuidava dos curativos.

 

Com o aeroporto de Congonhas, meu pai me levava para ver as aeronaves de perto e tomar um lanche. Me encantavam os passageiros muito bem vestidos e chiques. Em 1963, um avião caiu perto de casa. Dos 50 a bordo, 13 sobreviveram. Nunca mais esqueci o nome de um deles: Renato Consorte, conhecido comediante da época — que, hoje, é até nome de rua.

 

A avenida Paulista faz parte da minha vida —- quase uma extensão de casa. Vi o antigo Cine Astor, no Conjunto Nacional, se transformar na Livraria Cultura. Presenciei o incêndio no Center 3, em 1987. Em meados de 1990, mãe, frequentei o Parque Trianon com minha filha, e gostávamos de ver um bicho-preguiça que ficava na árvore. Nunca mais apareceu.

 

As mudanças na cidade eram visíveis e dava para acompanhar o que nascia e o que morria. Agora, a velocidade com que tudo acontece não dá tempo para expectativas e a mais paulista das avenidas mostra uma nova cara a cada dia. Deixou de lado a sisudez de terno, gravata e tailleurs e abriu os braços para todas as tribos
 

 


Maria Ângela Silveira de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: aproveite a experiência do seu cliente para ganhar exposição nas redes sociais

 

 

“O valor está na capacidade de compartilhar uma experiência” — Cecília Russo

Um restaurante de bairro em São Paulo publicou vídeo com uma receita especial da casa e alcançou mais de 1 milhão de visualizações no You Tube. Esse exemplo inspirou o Sua Marca Vai Ser um Sucesso a falar sobre a importância de se usar bem as redes sociais.
 

 

Para Cecília Russo e Jaime Troiano essa é uma tremenda oportunidade para fortalecer a marca de um negócio ou serviço, porém é preciso cuidado no momento de se expor para não cair no lugar comum e saber aproveitar todo o potencial das redes.
 

 

Alguns restaurantes tem feito muito bem esse trabalho aproveitando a publicidade expontânea gerada pelos usuários com vídeos e fotos publicadas especialmente no Instagram. Cecília disse que algumas casas já estão incluindo a marca do restaurante no prato ou no jogo americano para que está exposição seja maior.
 

 

“A opinião ou testemunho de um cliente é muito mais crível do que a voz do fabricante e do dono da marca”, lembra Jaime Troiano.