De volta aos shoppings antes que morram

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Há uma semana, Mílton Jung comentava a pesquisa do Serasa sobre o crescimento das vendas on line. Simultaneamente a revista Exame explicava como a morte dos shoppings vai mudar o visual dos Estados Unidos, em reportagem de João Pedro Caleiro.

 

O estudo do Credit Suisse, que embasou a matéria de Exame, prevê um fechamento de 20 a 25% dos shoppings existentes, o que significa que dos 1.200 poderão restar apenas 900. A paisagem urbana americana mudará. As operações de sucesso de hoje deverão permanecer, enquanto as demais desaparecerão ou se transformarão em centros comerciais, privilegiando o varejo local, sem marcas nacionais.

 

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Da mesma forma que o Credit Suisse, o Goldman Sachs aponta o comércio eletrônico e a mudança nos modelos de consumo como os responsáveis pelas transformações.
Entretanto, se considerarmos que apenas 9% do varejo global de US$ 23 trilhões, é eletrônico, e as vendas nas lojas físicas crescem no máximo a 2% ao ano contra 15% no e-commerce, estas previsões podem ser modestas. E aqui, sem nenhuma modéstia, aparece o celular, o grande destaque com 30% de aumento anual.

 

Provavelmente a solução para os Shoppings será focar nas operações de cinemas, restaurantes e entretenimento de forma geral, além de lojas com experiências de compras.

 

Curiosamente, as grandes marcas on line começam a abrir lojas físicas.

 

Todo este processo comercial, que ocorre globalmente, inclusive aqui, onde temos 559 shoppings, tem a lógica das mudanças. Hábitos e avanços tecnológicos, ou vice-versa.

 

O que não tem explicação é o fato de aqui e lá os shoppings não estarem on line. Pessoalmente tenho tido a oportunidade de oferecer meios técnicos e operacionais para tal, mas sem sucesso. Há os que se interessam, mas não aprovam. Outros, nem querem ouvir falar de replicar no on line a operação física.

 

É intrigante, mas é global.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: orgulho, humildade e sabedoria ajudarão a encarar as prioridades

 

 

Grêmio 0x1 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Edilson em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioOficial

 

 

Estouravam foguetes e gritavam a vitória quando eu estava chegando à zona norte de São Paulo. Era lá que encontraria um dos meus filhos que, horas antes, havia conquistado bom resultado no cenário do esporte eletrônico – ainda bem, pois assim tive motivos para comemorar neste fim de semana. A distância entre minha casa e o local em que o time dele vive rendeu mais do que os 45 minutos do segundo tempo, o que me dividiu a atenção neste fim de tarde de domingo: parte do jogo na TV, outra no rádio – aliás, que saudades me deu de Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antonio Ranzolin e, claro, das narrações que ouvia do pai na Guaíba de Porto Alegre.

 

A comemoração da torcida adversária, que ecoava no início da noite, às margens da Rodovia Dutra, sinalizava a importância que esta dava ao jogo e o respeito que tem pelo Grêmio. Respeito que construímos até aqui com o futebol qualificado e intenso imposto a cada partida, mas que não apareceu com a mesma eficiência neste domingo.

 

As maiores chances de levarmos vantagem no placar surgiram no primeiro tempo, mas, curiosamente, a maior de todas veio exatamente no segundo, quando desperdiçamos pênalti. E se sequer fomos capazes de empatar com um pênalti a nosso favor, que o resultado sirva de ensinamento para as próximas partidas. Tenho certeza que será, pois temos um grupo maduro para absorver derrotas, aprender com elas e dar a volta por cima.

 

Primeiro de tudo, tirar da cabeça esta história de final atencipada. Nada se decidiu hoje à tarde, por mais que a vitória caísse muito bem para encararmos a maratona de competições que temos pela frente. Só de Brasileiro são mais 28 rodadas e 84 pontos a serem disputados. Acreditar que o campeonato lá no fim do ano será o mesmo desta primeira parte e não considerar os tropeços naturais que ocorrem no meio do caminho, é esquecer as temporadas passadas disputadas em pontos corridos.

 

Segundo, nada que ocorreu neste domingo deve ou pode impactar nossos objetivos. Nesta semana temos Copa do Brasil e logo ali vamos disputar a Libertadores, e sabemos bem que esta é a nossa prioridade. Portanto, cabeça erguida, orgulho com o que fizemos até agora, humildade para identificar as fraquezas e sabedoria para melhorarmos a cada jogo. Renato haverá de saber fazer tudo isso.

Conte Sua História de SP: os ambulantes da minha travessa

 

Por Walter W. Harris
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

O fim da Avenida Paulista, antes da descida para o Pacaembu, é completamente diferente da aparência que tinha no começo dos anos 50. Não havia viadutos e várias ruas que afluíam para a avenida, já não existem mais. Lembro-me perfeitamente bem do ponto de táxi na esquina da Rua Minas Gerais com a Paulista. Quando ia passear com meu pai, gostava de parar lá para admirar aqueles automóveis Ford, Buick, Chevrolet … que eram tão usados como carros de praça.

 

Bem naquela região e conservada até hoje, porém com outro nome, está a rua sem saída — chamada de travessa — onde morávamos na época. Era uma vila bastante reservada, no sentido de que poucas pessoas costumavam entrar ali. Não obstante, foi lá que travei conhecimento com os primeiros ambulantes de minha vida.

 

Todas as manhãs eu era acordado pelo som de cascos nos paralelepípedos e descia correndo as escadas para, junto com minha mãe, comprar pão (e principalmente pão doce) do padeiro, que trazia seus produtos numa carrocinha fechada. O engraçado é que eu não dava a mínima atenção para seu cavalo, um interesse infantil comum; tudo que queria mesmo era que o padeiro abrisse a porta na parte de trás da carrocinha, para que pudesse inalar o delicioso aroma de pão fresco. O pão doce era comido ali mesmo.

 

Frequentemente, minhas atividades infantis eram interrompidas por um sujeito que andava por toda a travessa, entoando caracteristicamente: “Roupa velha! Roupa velha!”. Passavam-se menos de 30 segundos e ouvia-se novamente o mesmo adágio: “Roupa velha! Roupa velha!”. Sua aparição foi uma constante nos anos em que vivemos naquela rua e, em nenhuma ocasião vi alguém vendendo-lhe qualquer peça de vestuário. Era um judeu baixinho, de nariz adunco, que estava sempre de terno e chapéu, meio puídos, e ainda carregando outro paletó dobrado no braço esquerdo.

 

Outro personagem que invade minhas recordações daqueles tempos também me distraía de meus afazeres. Este, no entanto, parecia fazer negócios melhores com os moradores da vila do que o comprador de roupa velha. Ele entrava na travessa, fazendo sua presença sentida ao cantar: “Jornal, revista, garrafeiro! Jornal, revista, garrafeiro!”. Puxava um carrinho que, normalmente, encontrava-se apinhado com suas aquisições. Este ambulante vinha regularmente, e minha mãe sempre tinha alguma coisa para lhe vender. Foi a primeira vez que vi um dinamômetro, que o cidadão utilizava para pesar os jornais. Pagava uma ninharia por eles, porém era um trabalho digno e honesto.

 

Esses três ambulantes ficaram marcados em minha memória, talvez porque fossem habitués de nossa travessa onde, como crianças, passávamos grande parte do dia brincando em relativa segurança, pelo isolamento daquela ruela sem saída.

 

Todavia, seria injusto deixar de pelo menos mencionar aqui, outros ambulantes que presenciei naquela época, alguns dos quais existem até hoje: o realejo, com seu periquito e os bilhetes da sorte; o fotógrafo da Praça da República, mais conhecido como “lambe-lambe”; e o doceiro na porta da escola, com seu famoso “quebra-queixo”, e a “raspadinha”.

 

Walter W. Harris é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha contar mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo – Nova Geração: “crie intimidade com o seu futuro”, diz Beia Carvalho

 

 

“Se todo dia você esta pensando só no seu dia, todo dia você é atropelada pelo seu futuro”, diz Beia Carvalho em alerta aos profissionais e empresas que esquecem de planejar seus próximos anos de vida. Ela apresenta-se como “futurista”, criou empresa com o simbólico nome Five Years From Now e defende a ideia que devemos criar intimidade com aquilo que pode surgir na nossa carreira.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, em edição especial do programa Mundo Corporativo dedicado às novas gerações, na rádio CBN, Carvalho fala de tendências no mercado de trabalho e convida as empresas a mudarem sua forma de pensar em relação aos jovens: “você não tem de fazer as coisas para a nova geração, você tem de fazer com a nova geração: quando você faz ‘junto com’ você traz todos os insights de quem nasceu em uma nova era com toda a experiência da velha era”.

 

O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site e pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, 11 horas, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: o Grêmio não espera acontecer

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Rocha faz aos 10min do primeiro (reprodução SporTV)

 

 

Um aos 10 do primeiro tempo. Outro aos 40 do segundo. E entre um gol e outro aquela velha preocupação de que alguma coisa poderia dar errado. Sei lá, de repente um atacante que passou pelo nosso time sem nunca fazer nada, desencanta contra nós. Ou o outro que pouco fez quando esteve do outro lado, resolve fazer exatamente contra a gente. Quem sabe um chute sem noção desvia no nosso zagueiro, bate no travessão, volta, rebate nas costas do goleiro e entra no nosso gol. E lá se vão os três pontos que tanto queremos.

 

Estamos sempre a espera de uma desgraça, como se não confiássemos naquilo que assistimos jogo após jogo: um time respeitado Brasil à fora, enaltecido por comentaristas (claro que tem as exceções até para confirmarem a regra), que joga bonito, sabe passar e tocar a bola de pé em pé, se movimenta com velocidade, busca o gol o tempo todo e ainda é capaz de marcar com intensidade e se sustentar com uma defesa consistente, mesmo que nem todos os titulares estejam em condições de jogar.

 

Situação curiosa essa que vivemos, pois temos um time de futuro mas seguimos analisando-o com a ótica do passado. Desconfiamos do nosso próprio sucesso e, mesmo que tenhamos orgulho do que estamos vendo, ficamos com aquela estranha sensação: até quando tudo isso vai dar certo? Talvez seja resquício de um passado recente, reflexo do último título que queríamos conquistar mas desperdiçamos ainda na semifinal, logo no início desta temporada. Como se não tivéssemos vencido há alguns meses a Copa do Brasil.

 

O esbravejar de Renato ao lado do campo talvez dê razão a esses torcedores. Ele próprio não permite que o time acredite na sua superioridade. Quer ver o Grêmio jogando boa parte da partida como se estivesse precisando do resultado, sem tirar o pé, sem reduzir o ritmo, em alta velocidade e em alta intensidade. Melhor que seja assim, dessa forma não baixamos a guarda nunca, pois a maratona é longa e não dá para relaxar.

 

 

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Fernandinho faz o segundo aos 40 da etapa final (reprodução SporTV)

 

 

Os resultados do Brasileiro – na Libertadores e na Copa do Brasil também tem sido assim –  demonstram, porém, que estamos mais preocupados do que deveríamos. Enquanto esperava o segundo gol, capaz de espantar qualquer risco de desperdiçarmos os três pontos em casa, na noite desta quinta-feira, consultei os arquivos da competição e confirmei o que tenho pensado há algum tempo:

 

Em oito de nove rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio marcou gols no primeiro tempo. Em cinco partidas, bastaram 20 minutos para estarmos na frente. Em quatro delas, antes dos 10 minutos já tínhamos a vantagem.  Apenas em uma, quando escalamos o terceiro time, fazer o gol cedo e antes do nosso adversário não foi suficiente para sairmos vitoriosos. 

 

Ou seja,  o Grêmio não espera acontecer.

O comportamento do consumidor on-line

 

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O SPC-Brasil foi às ruas (virtuais) para identificar mudança de comportamento no consumo do brasileiro pela internet. Os números divulgados nesta terça-feira, em primeira mão pelo Jornal da CBN, mostram que o medo das compras on-line tem diminuído de forma considerável. Dos internautas consultados, 89% disseram que fizeram ao menos um compra on-line no último ano. A maior parte deles, 43%, aumentou a quantidade de produtos adquiridos.

 

Na entrevista com superintendente financeiro do SPC Flávio Borges destacamos que essa migração ocorreu em pleno período de crise econômica. Chego a desconfiar, porém, que se deu exatamente pela crise econômica. Mas a melhor resposta, certamente, está nas mãos dos especialistas. Ou nos dados a seguir:

 

O que tem levado essas pessoas a trocar a loja real pela virtual?

 

Curiosamente, 58% dos internautas têm a percepção de que os produtos vendidos pela internet são mais baratos do que nas lojas físicas. Até é verdade, principalmente se colocarmos na conta custos de deslocamento, tempo desperdiçado e o fato de a facilidade de comparação de preços ser muito maior e mais rápida na internet. Aliás, todos esses itens aparecem na lista de benefícios citados pelos consumidores:

 

VANTAGENS

 

E o que você compra pela internet?

 

Aqui, encontrei a resposta mais reveladora da pesquisa: vestiário, calçados e acessórios, como cintos e bolsas, aparecem no topo da lista com 35%, sendo que se pegarmos apenas a resposta de mulheres, o percentual quase bate a casa dos 38%. Digo reveladora porque por muito tempo ouvi especialistas falando que o consumidor não compraria roupas pela internet pois tem a necessidade de experimentá-la antes. Justiça seja feita, pelo menos um deles sempre apostou no sentido inverso: meu colega de blog Carlos Magno Gibrail – mas sobre isso deixo para ele se aprofundar em futuro artigo.

 

Dos ouvintes que consultei durante o programa, recebi, pelo Twitter, algumas respostas que vão ao encontro do resultado da pesquisa do SPC:

 

 

 

Dentre os que não compram pela internet, 49%,2% dizem que não o fazem devido ao pagamento de frete. Aparece ainda com relevância: não poder experimentar, não levar o produto na hora da compra e não poder ver o produto. O temor de não receber o produto ou de ser vítima de algum golpe, aparece em menor percentual, mas ainda existe, como se percebe em uma das mensagens que recebi pelo Twitter:

 

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Como a pesquisa foi realizada pelo SPC-Brasil, um tema de interesse foi o nível de endividamento desses consumidores que preferem usar cartão de crédito e parcelar em até três vezes. O maior perigo, que se vê na pesquisa, porém, é que assim como as compras que fazemos em shopping ou no varejo físico, também a maioria das pessoas não faz qualquer tipo de planejamento – o que me levou ao seguinte alerta:

 

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A entrevista completa, você ouve aqui no site do Jornal da CBN, ou no arquivo a seguir:

 

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O seu técnico já leu “Moneyball”?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Campeonato Brasileiro mal começou e é visível a importância do acerto nas contratações de jogadores. Nem sempre o maior investimento é o melhor resultado. E, hoje, vemos que os times na ponta da tabela são os que menos gastaram em aquisições. Ao mesmo tempo também é de fácil observação nestes casos o excesso de prática sem análise, ou seja, confiar apenas na experiência de especialistas.

 

Há cinco anos, Daniel Kahneman, Nobel de Economia, ensinava que a decisão correta deve ser tomada rápida e devagar, isto é, com prática e teoria.*

 

(leia, também, meu artigo: O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas)

 

A partir dessa premissa, Michael Lewis, economista e historiador, através do best-seller “Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo” revolucionou o beisebol, aplicando a estatística para a contratação de jogadores. Num dos relatos, Lewis aponta a análise incorreta na avaliação de um jogador, quando a velocidade embora excepcional tivesse que estar conjugada a outros golpes.

 

 

Esta semana, Michael Lewis está nas páginas amarelas de Veja, onde fala sobre os limites da mente, ao comentar seu recente lançamento “O Projeto Desfazer”, do qual espera que as pessoas possam entender as diferenças entre o julgamento de um analista de dados e o julgamento intuitivo.

 

Mas o que me levou a trazer Michael Lewis para a pauta de hoje foi a seguinte fala:

 

“O médico lista os sintomas e o algoritmo diz qual deve ser a doença. Eu não sei se as análises de Moneyball afetaram o futebol brasileiro, mas imagino que hoje seja muito menos provável que a avaliação dos jogadores e das estratégias seja feita por uma única pessoa que se autodenomina especialista do que por meio de análise criteriosa de estatísticas sobre o desempenho dos atletas”.

 

Que todos perguntem aos técnicos dos seus times se já leram Moneyball, e se concordam com Lewis. Ao Rogério Ceni, além dessas questões indagaria se o algoritmo de Lucão é favorável.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

CBN Professional: é possível uma empresa sem chefe e decisões só por consenso?

 

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Mário Kaphan em entrevista foi CBN Professional

 

A busca pelo consenso, inalcançável para a maioria de nós, seja na vida privada seja na profissional, é a razão de ser da Vagas.com desde sua fundação em 1999. Chega a ser difícil entender como isso funciona, especialmente em mercado competitivo no qual reina a meritocracia ou qualquer outra coisa que se pareça com isso. E não pense que ao conversar com um dos fundadores da empresa, Mario Kaphan, ficará mais fácil saber como o consenso pode dar certo: “não temos nenhuma decisão muito relevante que não esteja dentro do consenso, mas já sabemos que o consenso não funciona”.

 

Entrevistei Kaphan por mais de uma hora para o CBN Professional – série de podcast produzida pela rádio CBN em parceria com a HSM Educação Executiva – que já está no ar. Já havia falado com ele um ano antes para outro quadro do Jornal da CBN quando fui apresentado ao sistema horizontal de gestão que impera na vagas.com. Lá não tem chefe, sub-chefe, supervisor de chefe. Todos tem o mesmo poder. Todos, não. Os que conseguem convencer mais, acabam tendo mais poder do que os outros. Porque se as decisões são na base do consenso, quem tiver melhor argumento, leva vantagem. Não é?

 

Antes de começar a ouvir a entrevista com Mário Kaphan, tento explicar como o consenso funciona: eu e você entendemos que é preciso mais um funcionário no nosso departamento; anunciamos a decisão na intranet da empresa; se alguém tiver dúvida sobre esta necessidade, abre uma controvérsia; eu, você e o controverso discutimos o tema; se ninguém sair convencido, ampliamos o grupo de debate; se não houver consenso nada acontece; se nossos argumentos forem fortes o suficientes, o novo colega é contratado.

 

Deu pra entender?

 

Sim ou não, vale a pena ouvir a entrevista completa com o Kaphan, refletir sobre os conceitos e conhecimentos construídos ao longo desses 17 anos e pensar se alguns deles podemos incluir no nosso negócio; na nossa vida. Se ainda está em dúvida, saiba que os resultados da Vagas.com até agora têm sido muito bons, mesmo diante da crise econômica que passa o Brasil, este país no qual a busca pelo consenso está impossível.