As criações que colocaram o mundo dentro do seu bolso

 

Por Calos Magno Gibrail

 

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No dia 27 fevereiro, o inventor da primeira calculadora eletrônica faleceu aos 86 anos, em Dallas. O fato que chama a atenção é que não houve repercussão — nem nos Estados Unidos.

 

Jerry Merryman, pesquisador da Texas Instruments, recebeu, em 1965, a tarefa de diminuir o peso da menor calculadora existente que era de 20,4 kg. Em 18 meses, Merryman apresentou um artefato que cabia no bolso e pesava 1,3 kg — mantendo a tradição da Texas que tinha lançado, em 1954, o rádio transistorizado com a função de portabilidade. Já era um ensaio para o bolso com o seu Regency TR – 1. Embora a Sony afirmasse, em 1957, que o Sony TR -63 era o rádio que “vai caber no bolso de sua camisa” — acontece que o bolso da camisa da Sony era enorme.
A segunda metade do século passado dá uma ideia da velocidade da evolução da tecnologia que se iniciava. O rádio, descoberto pelo gaúcho Roberto Landell de Moura, que comprovou quando apresentou uma transmissão na Avenida Paulista, em 1893, foi vendido comercialmente por Guglielmo Marconi, em 1912. E sua evolução veio em 1954.

 

 

Felizmente para o rádio, como mídia, a portabilidade chegou num momento excepcionalmente estratégico, pois a televisão se firmava. Para os negócios, a calculadora de bolso era uma feliz alternativa aos equipamentos existentes, desde que a régua de cálculo há muito já tinha sido aposentada.

 

A realidade é que a ideia de possuir produtos que pudessem ser carregados permanentemente dava uma sensação de eficiência e conforto inigualáveis.
De outro lado, os produtos recebiam inovações em ritmo cada vez mais acentuado. E vieram os novos, já aperfeiçoados, que convergiram nos iPhones.

 

Assim, rádio, calculadora, telefone, relógio, câmera, televisão, bússola, termômetro, cabem no iPhone —  o computador de bolso.

 

Portanto, o bolso que já era tido como o órgão mais sensível do corpo humano ganhou um componente essencial e vital. E graças aos pesquisadores da Texas Instruments ao portabilizar o rádio e com o mérito de Jerry Merryman ao desenvolver a calculadora de bolso.

 

Ao lado do tributo a Merryman, fica aqui os cumprimentos ao Rádio, como equipamento e instrumento, que desponta agora como a fonte de maior credibilidade, diante de tantas FAKE NEWS.

 

Leia “Adivinha em que os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Adivinha em quem os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade?

 

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Em conversa com executivos de empresa de tecnologia, no início desta semana, fui provocado a apresentar uma solução para a enxurrada de falsas informações que circulam pelas redes sociais, assim como para o diálogo tóxico que assistimos nas diferentes plataformas. Os questionamentos também não deixaram de fora o trabalho dos veículos de comunicação tradicionais —- nesse caso, eles queriam saber qual seria o futuro das redações jornalísticas. Como todo tema complexo, não existe resposta simples nem solução fácil. Mas tendo a acreditar na ideia de que vivemos um processo de amadurecimento nessas relações. 

 

Os meios de comunicação que conhecíamos perderam o monopólio da informação —- ainda bem. Hoje, cada cidadão tem a capacidade de produzir e divulgar conteúdo. O alcance dessa mensagem dependerá da estratégia usada, mas os recursos estão em suas mãos. O cidadão conquistou esse direito e tem usufruído dele dizendo o que quer, agindo da maneira que lhe convier e transmitindo mensagens doa a quem doer —- com forte poder de construir ou prejudicar a reputação de pessoas e instituições. Por outro lado, não percebeu, ao menos não a maioria de nós, que também passa a responder pelo poder que exerce. Ao emitir opinião, é responsável pelo que essa possa causar. Ao compartilhar informação, é autor ou coautor dos seus efeitos. 

 

À preocupação dos executivos, reforcei meu discurso de que a  sociedade contemporânea está em estágio de aprendizado, diante das transformações digitais que impactam nossos comportamentos. O tempo nos ensinará a usar de maneira mais responsável os meios modernos de comunicação. E o jornalismo profissional tenderá a prevalecer como principal antídoto aos que publicam falcatruas sob o apelido de “fake news”. 

 

Ao falar do tema ainda não tinha em mãos o resultado de pesquisa sobre a confiança dos brasileiros,  encomendada pela XP Investimentos ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A consulta tinha como uma das intenções saber o que os brasileiros pensam neste momento do presidente Jair Bolsonaro, mas vou me ater ao tema central desta nossa conversa: os meios de comunicação — os tradicionais e os digitais. 

 

Atente-se para o que responderam os mil brasileiros ouvidos pelo Ipespe quando os pesquisadores fizeram a seguinte pergunta:

“Na sua opinião, as informações e notícias veiculadas nesses meios que vou ler são, na sua maioria, verdadeiras ou são falsas?”

As piores avaliações foram do Facebook, com apenas 11%, e do WhatsApp, com apenas 12%, respondendo que as notícias veiculadas são verdadeiras. Twitter e Instagram também ficaram na parte de baixo deste ranking. A percepção sobre veracidade de informações para blogs e sites de notícia, assim como jornais de notícias na internet, foi de 28% e 32%, respectivamente.

 

A mídia tradicional, tão bombardeada em redes sociais e com comentários frequentes que colocam em xeque a credibilidade do conteúdo produzido, aparece mais bem posicionada e com índices de confiança bem superiores às novas mídias. Por exemplo, as  notícias publicadas em jornais e televisão são verdadeiras para 61% dos entrevistados.

No topo desta tabela —- e aí você logo vai pensar, eu sabia que o Mílton queria chegar a algum lugar — aparece o rádio:  64% dos brasileiros pesquisados responderam que acreditam no que ouvem no noticiário.

E com isso, esse veículo que me tira da cama todos os dias, às 4 da matina, e me impõe uma série de desafios  no cotidiano —- tais como a apuração dos fatos, a busca constante da verdade, o respeito ao contraditório e o reconhecimento de nossos erros sempre que estes são identificados —- , a partir da opinião dos nossos ouvintes, me dá a certeza de que o esforço diário dos jornalistas de rádio está sendo recompensado.

 

 

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Conte Sua História de São Paulo: minhas aventuras com a turma da praça da alegria

 

Por José Maria Pires

 

 

Nasci no ano de 1956, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo, e foi onde passei os momentos mais incríveis de minha existência. Entretanto, devido a uma ótima oferta de emprego a meu pai, mudamos para o bairro de São Judas Tadeu, em 1963, e ficamos lá até 1971.

 

Em São Judas, comecei a estudar na Escola Estadual Almirante Barroso, que fica bem próximo à Igreja. O curso primário foi muito tranquilo, tirei de letra. Lembro-me que naquela época para ingressar no ginásio, tínhamos que fazer uma espécie de estágio, era o 5º ano — qual fiz ali perto numa escolinha na Rua Nereu Ramos, bem em frente à casa onde morava o Sr. Manoel da Nóbrega, que era o protagonista principal do programa de humor “A Praça Da Alegria”, transmitido pela TV nos anos de 1960 / 1970.

 

Nas tardes, quando o Sr. Manoel não estava gravando, ele se aconchegava numa cadeira de balanço na varanda de sua casa e ficava brincando com seus cães, que eram parecidos com a cadela Lassie — um seriado que passava na TV. Nesse instante, nossa professora, Dna. Maria Barbosa,  nos chamava até a janela — pois a sala de aula ficava no andar superior da escola. Nós acenávamos para o Sr. Manoel, que com um grande sorriso e simpatia nos retribuía. Era como se estivéssemos na “Praça” com ele.

 

Lembro-me também que havia uma garota, acho que era neta do Sr. Manoel, muito bonita, e quando ela estava na casa dele, e nós a víamos, na saída da escolinha, ficávamos mexendo com ela. Numa dessas, o Carlos Alberto de Nóbrega, filho do Sr. Manoel, saiu correndo atrás de nós. Consegui me esconder no interior de um empório, mas ele me achou e queria de todo jeito saber onde eu morava pra ir falar com meu pai. Eu em prantos dizia que nunca havia mexido com a garota, e ela vendo meu desespero, acho que sentiu pena de mim, disse ao tio, que eu não estava com os meninos. Só então o Carlos Alberto me deixou ir.
Dessa eu me safei.

 

Bem, ali em São Judas, como em todos os lugares até hoje, existem aquelas turmas formadas pelos garotos da rua de cima, outros da rua de baixo e assim vai. Eu era da turma da Ceci, — a Avenida Ceci, onde morei —, outros eram da Nereu — a Nereu Ramos —, outros da turma da igreja e por aí afora. As brincadeiras nessa época eram: futebol de rua, bater figurinhas, rodar pião …

 

Na Alameda dos Ubiatans, próximo a caixa d’água da Av. Ceci, era onde disputávamos o futebol de rua, e numa dessas disputas, de repente, apareceu um fusca de cor verde. Parou atrás de um dos gols e dele desceu Ronald Golias, daquele jeito brincalhão, pega a bola vai de um lado para outro driblando todo mundo, e em seguida, coloca a bola no centro do campo, entra no fusca e vai embora. Foi muito engraçado. Até então não tínhamos presenciado tanto movimento de pessoas naquela rua, que era sempre muito tranquila.

 

Bem, ao ser aprovado no curso primário, começo então o ginasial, indo estudar na Escola Estadual Cidade Vargas, hoje Cacilda Becker, em frente a estação final do metrô Jabaquara. Lá, fiz muitas amizades, e entre elas, com um garoto bom de bola, o Garrinchinha, um outro que atendia pelo apelido de Cebion, que participava de um comercial de TV, nos anos de 1970, por isso o apelido,  e também uma garota com traços orientais, de nome Jandira Tamiko, que tinha um jeito engraçado de se expressar — no primeiro momento, nos tornamos muito amigos. Mas, por faltar muito às aulas e ser muito bagunceiro, no ano de 1969 a escola enviou um bilhete a meu pai, pedindo seu comparecimento na secretaria, para tratar de minha transferência para outra escola, em Vila Fachini na Rua Godofredo Braga.

 

Lá cheguei com fama de encrenqueiro e brigão, mas estava só, a turma da Cidade Vargas já não mais existia. Foram tantas às vezes que corri, pra não levar uma coça dos garotos da nova escola. E, foi numa dessas escapadas que conheci Verinha e suas irmãs, Ana e Sonia, que moravam no final da Rua Fachini, e tornaram-se minhas cúmplices e amigas, nos momentos que me sentia desprotegido.

 

José Maria Pires é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série e envie seu texto  para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Joana Cortez diz como a neurociência ajuda na formação dos novos líderes

 

 

“O que é esperado do líder é que ele consiga desenvolver as pessoas; e para você desenvolver as pessoas, entender como funciona o cérebro é fundamental” — Joana Cortez, consultora da Fellipelli

As novas exigências do mercado de trabalho têm desafiado líderes e colaboradores. Para tornar essa relação mais saudável e produtiva, o uso da neurociência é um dos caminhos que empresas e gestores têm percorrido. Por isso, o Mundo Corporativo foi entrevistar Joana Cortez, consultora em desenvolvimento humano da Fellipelli, que trabalha com avaliação e desenvolvimento de pessoas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Cortez listou alguns dos benefícios que as ferramentas de neurociência podem trazer aos profissionais das mais diversas áreas:

“A segurança emocional é tão importante para o profissional assim como entender o papel dele na empresa”

Para os novos líderes, a consultora identifica três habilidades essenciais:

  1. Autoconhecimento —- todos sabem onde estão seus pontos mais fortes e mais fracos, mas é preciso olhar para sim mesmo, entender seu comportamento e se comprometer com a transformação.

  2. Escuta ativa —- tem de saber escutar o outro, ouvir suas ideias, frustrações e sugestões.

  3. Saber desenvolver a ideia —- não importa de onde vem a ideia, é preciso se dedicar a desenvolvê-la e, para isso, não ter medo de contratar gente melhor do que ele.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nas páginas do Facebook e do Instagram (@CBNOficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22h30. E fica à disposição na lista de podcast.

Conte Sua História de São Paulo: uma chance a mais para Antônio, preso e drogado

 

Por Roberto Livianu
Ouvinte da CBN

 

 

 

Crônica originalmente escrita para o livro “50 tons de vida”:

 

 

Antônio era o filho mais novo de oito irmãos. Nascido em Nova Lima, região metropolitana de BH, teve infância humilde mas nunca faltou afeto nem alimento na mesa.

 
 

 

Sua mãe, Maria Antonieta era costureira e dava um duro danado para nada faltar aos filhos, para que todos estudassem, para que se sentissem amados, protegidos e amparados.

 
 

 

Flávio, o pai, morreu prematuramente em acidente do trabalho, na obra em que trabalhava como peão, na construção civil. Um andaime tragicamente desabou sobre ele.

 
 

 

Aos dezoito anos, Antônio resolveu tentar a vida em São Paulo, onde vivia Pedrinho, um primo seu, que trabalhava como garçom. Mas logo percebeu que não seria nada fácil vencer ali sem dinheiro, sem amigos poderosos, sem caminhos. Especialmente após ter feito amizade com Carlinhos, moleque do bairro que não trabalhava, usava crack e levaria Antônio para este labirinto.

 
 

 

Sem emprego e já viciado, saiu desesperado em busca de dinheiro para comprar a pedra. No seu trajeto, um salão de beleza. Entrou, colocou a mão sob a camisa e exigiu cinquenta reais. Estava cometendo seu primeiro assalto. Não foi convincente, não obteve o dinheiro e na saída foi preso em flagrante pela PM.

 
 

 

Dois meses depois foi solto num habeas corpus pedido pela Defensoria Pública, conseguindo responder ao processo em liberdade.

 
 

 

Passados dois anos, era um homem diferente. Trabalhava como servente de pedreiro e estava muito arrependido. Tornou–se evangélico e conseguiu libertar-se do crack. Chega o dia da audiência no fórum e a vítima pede para depor sem ele presente.

 
 

 

Surpreendentemente, o promotor vai até ele na sala em que estava e pergunta se estaria disposto a se explicar para a vítima e de pedir perdão a ela. A felicidade toma conta apesar de tudo e ele responde que é o que mais gostaria que acontecesse.

 
 

 

O promotor convence a vítima a rever sua posição e ela aceita estar presente e se encontrar com Antônio, para ouvi-lo. O mineirinho emociona-se, explica o que se passou em sua vida, pede perdão à vítima e as lágrimas correm em seu rosto copiosamente.

 
 

 

Suas palavras são sinceras. Ele e a vítima, Dona Letícia, abraçam-se e a cena emociona a todos na sala. A juíza, o promotor, a defensora, escrevente, estagiários.

 
 

 

O trauma sofrido pela vítima em virtude do assalto parece ter-se restaurado em grande medida. A prática se inspira na justiça restaurativa, que é instituto ainda embrionário no Brasil, mas muito utilizado na Nova Zelândia, no Canadá, África do Sul e em muitos outros países, onde se busca a aproximação de agressor e agredido por facilitadores da sociedade nos círculos restaurativos, funcionando o juiz como homologador.

 
 

 

A pena foi aplicada e o processo foi julgado, tendo ele recebido o benefício do regime prisional aberto e a sensação do promotor naquele dia foi muito especial, de dever cumprido. Sentiu-se leve, feliz e em paz. Sentiu ter feito justiça.

 

 

Roberto Livianu, promotor de Justiça, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também sua história da cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: como organizar sua vida digital no local de trabalho

 

 

“Eu acredito que a tecnologia vem para ajudar justamente na produtividade para que a gente consiga ter mais acesso e consiga fazer um trabalho melhor, mas, naturalmente, dentro do dia a dia do trabalho, a gente tem várias gerações interagindo que pensam diferente, que têm experiencias diferentes, e equalizar isso para transformar em um novo caminho para uma empresa é realmente um desafio muito grande” — Hélio Sá Moreira, Inpartec

 

Hoje, no ambiente de trabalho existem várias ferramentas digitais à disposição. Isso não significa que as empresas estejam ficando mais produtivas ou que a vida ficou mais fácil para você no escritório. Sem planejamento e uso racional da tecnologia, a tendência é que você perca ainda mais tempo para entregar um produto ou um serviço. Preocupado com esse cenário, o Mundo Corporativo entrevista com Hélio Sá Moreira, CEO de uma consultoria especializada em “digital workplace”, ou seja, em ajudar os profissionais a usarem da melhor maneira possível os recursos tecnológicos.

 

Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, Moreira dá algumas dicas de como o colaborador pode organizar sua vida digital no local de trabalho e não desperdiçar seu tempo com a perda de foco muito comum diante da quantidade de informação disponível. Uma melhora que vai influenciar a produtividade e os resultados na empresa. Segundo ele, a partir de pesquisa realizada com 25 clientes, o retorno sobre o investimento em tecnologia que antes da implantação da estratégias de “digital workplace” era, em média de 25% passou a variar entre 75% e 95%.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial no Instagram. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Isabela Ares e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: os engravatados que serviam lanche na Casa Califórnia

 

Patricia Rivarola
Ouvinte da CBN

 

 

Uso óculos desde muito pequena, o meu problema com o estrabismo e miopia foi detectado logo na pré-escola. O primeiro médico que me atendeu foi na Escola Municipal de 1º Grau Dr. Antonio Carlos de Abreu Sodré, na zona sul de São Paulo – Vila Sabará, na época em que algumas escolas públicas prestavam serviços médicos aos alunos, como dentista e oculista. E os meus primeiros óculos também foram fornecidos pela escola, gratuitamente, uma enorme de uma armação preta!
Minha mãe foi empregada doméstica por muitos anos e quando tinha folga me levava aos médicos, inclusive ao oculista — era uma grande aventura. Eu morava na zona sul e com minha mãe pegava o ônibus até o centro da cidade, cruzava a Praça do Patriarca, chegava na Liberdade e tinha a minha consulta.

 

Agora, o mais divertido e gostoso era depois da consulta: a hora do lanche.
Sabe onde? Na Casa Califórnia. Da Liberdade voltávamos ao centro: Rua Direita, 15 de Novembro até chegar a São Bento. Era um pequeno espaço com aquele piso preto e branco. Havia alguns bancos altos, uns três ou quatro; e era um milagre conseguir sentar em um deles. Logo na entrada tinha a máquina onde ficava rolando a linguiça. Do outro lado, havia um balcão onde as pessoas compravam para levar para casa a famosa “linguiça calabresa de Bragança”. No fundo da loja, um imenso balcão.

 

O atendimento era uma história à parte. Era feito por dois senhores engravatados! Eu achava aquela cena o máximo. Naquela correria da lanchonete, onde não havia nenhum conforto nem uma mesinha com cadeiras, as pessoas comiam em pé. O atendimento era rápido porque havia muitos fregueses. Esses dois senhores, vestidos em camisa de mangas compridas, calça social, sapato lustrado, bigode bem aparado, cabelos no gel e gravata. Eles ficavam no caixa, aquela máquina registradora verde, gigante. Minha mãe fazia o nosso pedido: um sanduíche para cada uma e um suco de limão. Recebíamos uma ficha de metal verde e outra preta para cada item.

 

Depois de receber as fichas, ao lado do caixa, já entregava uma delas para um senhor meio marrento, mas ligeiro, que preparava o suco em uma máquina de metal. Depois, o sanduíche. Vinha um rapaz que tinha uma fisionomia de ser do nordeste. Para mim, só ele saberia preparar meu sanduíche: espetava a linguiça com a faca, colocava no pão e incrementava com o vinagrete. Que delícia!

 

Quando adulta, voltei à Casa Califórnia, já havia mudado de lugar antes de retornar ao ponto de origem. Mas nunca mais foi a mesma Califórnia da minha época.

 

Patrícia Rivarola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: o local de trabalho inspira e retém talentos

 

 

 

 

“Hoje para reter talento, muito mais importante do que salário, plano de carreira, etecetera e tal, é o valor agregado que as empresas estão entregando na vida desses funcionários, ou seja, com jornada flexível, seja com outros tipos de ambientes de trabalho, e, por incrível que pareça, o espaço agrega bastante” Tiago Alves, IWG no Brasil.

 

 

O lugar onde você trabalha, o tipo de escritório que você usa … tudo isso pode ser transformador no seu negócio. Vai depender da escolha que você fizer —- e, claro, que esta escolha deve levar em consideração as características e a cultura da sua empresa. Coworking, escritórios compartilhados ou sede própria são algumas das opções no mercado. Para entender a diferença desses ambientes, o Mundo Corporativo entrevista Tiago Alves, presidente do IWG no Brasil, grupo que reúne marcas como a Regus e a Spaces.

 

 

Alves defende que o uso dos espaços compartilhados pode ajudar no desenvolvimento de novos produtos e serviços:

 

 

“… como as empresas hoje tem uma necessidade de se conectar com inovação, uma das formas mais rápidas delas mostrarem inovação par aos seus funcionários e estarem conectadas com o que está acontecendo de novo é migrar o seu espaço para um ambiente colaborativo”

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br, na página da CBN no Facebook e no perfil do Instagram @CBNoficial. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

De política, de costumes e de tragédias: marchinhas finalistas falam do Brasil

 

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Tanto faz como tanto fez. Seja lá quem estiver no poder, será alvo das marchinhas e músicas do Carnaval brasileiro. Foi assim na Ditadura de Getúlio e foi na Ditadura Militar. Foi com Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Não seria diferente com Bolsonoro. E, claro, seu governo e seus ministros, assim como suas frases e expressões, mexeram com a criatividade de compositores como se percebeu na série de sugestões enviadas pelos ouvintes para o 6º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval do Jornal da CBN. Outros temas nacionais também mobilizaram a produção musical, como a tragédia provocada pela Vale.

 

Com uma centena de músicas inscritas, muita letra debochada e ritmos misturados, chegamos às cinco indicadas para o voto popular. Curta a letra, aumente o som e vote no site www.cbn.com.br até quinta-feira às 11h59 da noite. A campeoníssima será conhecida na sexta-feira, durante o Jornal da CBN:

 

________________________

 

OS PASSA-PANO
Dudu Pinheiro

 

 

Eu tô passado, indignado, horrorizado, assustado, tô bolado não é
possível tá demais!

 

Com tanta treta não escuto uma panela ser batida na janela do
vizinho aqui de trás

 

É que tem gente que anda tão acomodada
Fingindo que não tem nada acontecendo de anormal

 

É um tal de passar pano na cabeça, no laranja, na ministra da goiaba nesse bando sem noção

 

Essa galera do passado vive passando vergonha já passaram do
limite dando só passo pra trás

 

Mas não vai passar batido, não!
Eu não passo pano!

 

Se liga no recado:
Não passarão!

 

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AI, MOURÃO!
Os Marcheiros

 

 

Ai Mourão aí Mourão
Não faz assim
Que eu te dou meu coração

 

Aí aí aí aí aí
É uma tortura essa paixão
Mas tem gente com ciúme
Esse amor
ainda vai dar confusão

 

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TALQUEY, TALQUEY (A CULPA É DO PT)
Marília Passos e Isis Passos

 

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de artistas
Essa mamata ai acabar
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

A culpa é do Petêêêê
E dessa corja vagabunda de esquerdistas
“Vamo acabá com isso daííí”
O Bozo é o mito
Fora fora comunistas

 

Nossa bandeira jamais será vermelha
Quem garantiu foi Jesus na goiabeira
Chegou a hora da nossa oração
Partiu igreja com a arma na mão

 

Bandido bom é bandido morto
Sou cidadão de bem porque eu sou cristão
Melhor JAIR procurando o que fazer
Vou acabar com a Lei Rouanet

 

Traz a Damares
Traz o Mourão
Que traz seu filho pra mamar no tetão
Prepara o suco de laranja pro Queiróz

 

Que traz um dinheirinho para todos nós

 

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ASSIM NÃO VALE
Rodrigo Soares

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
e ainda fazer com que ela espalhe

 

Fiz minha casa no alto de uma montanha
Imaginado ar puro, sombra e água fresca
Mas um dia me chegou um testa de ferro
E minha vida virou de ponta cabeça

 

É ferro, é ferro, é ferro
É ferro, é ferro que interessa
Dinheiro, riqueza
Emprego e desenvolvimento à beça

 

E todo dia da minha janela eu via
Muito buraco e a poeira que subia
Muito barulho e a montanha que encolhia
Água sujando e minha casa que tremia

 

Mas temos celular
Temos um carro e internet para acessar
E ainda vamos ter dinheiro para gastar
E avião para podermos viajar

 

Então aconteceu naquele dia
Rompeu aquilo que não se rompia
E a cidade viveu muita agonia
Muita tristeza, muita dor

 

É lama, é lama, é lama
É lama em todo o lado,
Embaixo e em cima
E o emprego e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

E o emprego, e o conforto,
E o dinheiro era um negócio da China

 

Assim não vale
Assim não vale
Transformar a vida em lama
E ainda fazer com que ela espalhe

 

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TODA COR, TODO AMOR
Tereza Miguel

 

 

Eu visto toda cor, toda cor que eu quiser
E não faz diferença se eu sou homem ou mulher
Eu sou uma pessoa total e poderosa
Por isso eu visto azul, por isso eu visto rosa

 

O amor não tem só duas cores
Mas todas as cores do olhar
O medo de amar cega os olhos
De quem não quer enxergar

 

Vote agora no site www.cbn.com.br

Paciente com ELA transforma código morse em comunicação inclusiva

 

 

 

“Não existe qualidade de vida sem uma boa comunicação”. Assim que deparei com essa frase, logo percebi que a partir dela encontraria mais uma daquelas experiências geniais proporcionadas pelo ser humano.

 

Expectativa devidamente atendida.

 

A frase foi ponto de partida da iniciativa adotada por Paulo Santarém, de 60 anos, dentista por profissão e diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica — aquela doença do físico Stephen Hawking que causa a “morte”dos neurônios que mandam informações aos músculos

 

Foi há 11 anos que Santarém descobriu que perderia todos os movimentos do corpo, exceto na região dos olhos. Em lugar de apenas esperar o avanço da doença, desafiou a família — a mulher, Maysa, e as duas filhas — a aprender o código morse, conhecimento que ele havia obtido na época em que foi telegrafista — dizem que era dos bons. Adaptou a comunicação que surgiu no ano de 1835 e transformou a sequência de pontos e traços em piscadas de olhos.

 

Piscada fraca significa ponto; piscada forte, traço (veja no vídeo).

 

Fácil não foi. Mas Santarém não parece ser um daqueles caras que se entrega com facilidade. Haja vista a forma como encarou a doença. Mulher e filhas aprenderam a lição e hoje ajudam enfermeiras e cuidadores a também se comunicarem com Paulo. Elas divulgam a solução para outras pessoas que enfrentam essa dificuldade e na maior parte das vezes não têm como adquirir aparelhos caros que captam o movimento ocular e sintetizam a voz.

 

Quem me apresentou essa história foi a Daniela Santarém, uma das filhas do Paulo, que é bióloga e se dedica a explicar a importância deste modelo de comunicação inclusiva para os pacientes que são diagnosticados com ELA. Daniela e Paulo gravaram um vídeo, publicado no You Tube, que nos ajuda a entender como funciona esse método. Foi ela quem me contou, também, que o pai se atualiza sobre as notícias pelo rádio que está no quarto da casa dele, em Tietê (SP): “a CBN é sua rádio favorita”, escreveu.

 

Aproveitando a lição da Daniela e do Paulo, se para ter qualidade de vida é preciso uma boa comunicação, para se comunicar melhor é preciso boa informação, também.

 

Que a gente continue atendendo a expectativa da família Santarém —- e das demais famílias de ouvintes da CBN.