Mundo Corporativo: Ricardo Neves diz que líderes tem de usar a comunicação para dar sentido aos negócios e exemplo às pessoas

Angela Merket foto: arquivo

“O líder é aquele que sabe conversar, o líder é aquele que sabe influenciar socialmente. A arte da liderança é a comunicação”

Ricardo Oliveira Neves, consultor

De Wilson Churchill a Angela Merkel. De Steve Jobs a Laurence Fink. Todos são líderes, cada um a seu jeito e ao seu tempo, que ajudam a entender o conceito que sustenta a nova ordem dentro das empresas: a da liderança por propósito ou a da criação de sentido e significado que possam ser valiosos para o indivíduo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Ricardo Oliveira Neves, consultor de estratégias, comunicação e marketing, falou de modelos de liderança essenciais para as empresas se adaptarem às transformações do século 21, em que vivemos uma complexidade exponencial. 

Autor do livro “Sensemaking: liderança por propósito”, Ricardo lembra que essa complexidade que gera incerteza e abala estruturas, não se resume a pandemia —- começa bem antes. Passa por uma série de outras mudanças que ocorrem há algum tempo como a do clima, as que têm colocado em xeque instituições democráticas e as que expressam ainda mais a  desigualdade social.

Ricardo diz que hoje existe uma caixa de ferramentas de comunicação que precisa ser aberta pelos líderes para que se afaste de vez o modelo de comando e controle, baseado na ‘Arte da Guerra’, que pautou as corporações por muitos anos:

“É preciso se libertar de uma mentalidade que é a do comando-controle, que ainda predomina nas grandes organizações, aquela do eu mando e você obedece. A diferença é que o líder agora passa a ser um facilitador de entendimento do que está acontecendo … tem de ajudar as pessoas a sair dessa zona de terror.”

Para ele a comunicação tem de ser baseada em quatro Cs: calma, coragem, conversa e colaboração. São elementos, por exemplo, que aparecem em Churchill que liderou os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Que são encontrados no primeiro discurso dele à nação quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, notabilizado pela frase: “eu só tenho a oferecer sangue, suor e lágrima”.  

De Merkel, primeira-ministra da Alemanha, onde Ricardo vive atualmente, o consultor destaca a condução que ela está tendo na crise provocada pelo coronavírus e lembra o discurso que fez às vésperas do Natal alertando às famílias para o risco de insistirem em se reunirem em confraternizações: teve coragem e clareza. A premier alemã também usa muito bem o que Ricardo chama de autocomunicação:

“Merkel é mestra disso. Lembra as pessoas de uma maneira sutil a usar máscara. Ela tem um ritual com a máscara, em público, que está sempre lembrando a todos desta necessidade”.

A autocomunicação também era praticada por Steve Jobs, de acordo com o consultor, o que explica o fato de a empresa ter, em lugar de clientes, fãs, porque se identificavam com o líder da Apple e seus produtos. Outro exemplo de comunicação eficiente e capaz de enfrentar a complexidade exponencial, segundo Ricardo, é a estratégia de Larry Flink, CEO da BlackRock, líder mundial em gestão de investimentos. Ele publica, todo ano, uma carta aberta aos clientes em que apresenta sua visão dos negócios de forma transparente. Flink é uma das principais vozes no mercado de capitais a defender o capitalismo consciente, mais preocupado com as questões sociais, ambientais e de governança.

“Propósito é uma coisa, sim, tangível que a liderança tem que aprender a falar, para quando ela vai conversar com seus pares e com a sociedade como um todo. Não existe mais a empresa que só por ter lucro tem licença para sobreviver”

Para Ricardo, o recado que todos precisam entender é que há necessidade de se encontrar propósitos individuais, e conscientes dessa mentalidade buscar nas empresas uma sintonia desses objetivos. O colaborador que acredita que ter segurança no emprego é vender a alma para o diabo vai se surpreender, porque em algum momento o diabo vai cobrar o preço que pediu na assinatura do contrato.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. Colaboram com o programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubioti.

Sintonizado no Clubhouse, um novo modelo de rádio

Imagine uma mídia na qual você tem uma série de opções de programas em áudio à disposição. De graça. Em um canal, tem esporte. Em outro, tem música. Rock e sertanejo, cada um na sua. Tem lugar em que se fala de comportamento. Outro, de arte. De mídia digital. De comunicação. Tem até quem toque e comente notícia —- de política à economia, de meio ambiente à educação. O ouvinte sintoniza o canal que entender mais apropriado aos seus interesses, pode participar com perguntas.

Estamos falando do rádio? Até pode ser. Criado no fim do século 18, início de 19, o veículo é um pouco de tudo isso. Basta trocar de estações no aparelho que está em seu painel do carro ou no balcão próximo do fogão, na cozinha, e você terá oportunidade de vivenciar todas essas experiências. Nosso ‘dial’ nos põe em contato com uma programação diversa e interativa. Você escolhe se quer ser ativo ou passivo. Só ouvir ou participar. 

Pode ser do rádio, mas não é.

Estou falando do ClubHouse, rede social que ganha dimensão entre nós, com a abertura de um número inimaginável de salas para falar dos mais diversos temas. Casa sala é uma estação. Cada moderador, um âncora. Cada ouvinte, que unido a outros, se transforma em audiência.  O ClubHouse é uma espécie de rádio que pode ser produzido por qualquer um, desde que tenha um iPhone e um perfil aberto nesta rede. Em breve, também no seu “rádio” Android.

No sábado, tive minha primeira experiência neste espaço, convidado pela Ana Sacavém, coach da Academia de Liderança e Comunicação, em Portugal, que realiza um trabalho incrível ao lado do marido Antonio Sacavém. Estavam com a gente, minha parceira de trabalhos, livros e palestras Leny Kyrillos e Thomas Brieu, um especialista em escutatória. 

Ficamos por duas horas batendo papo sobre como desenvolver nossa capacidade de se comunicar, uma habilidade essencial para quem pretende crescer na carreira profissional. Falamos entre nós e respondemos boas perguntas dos ouvintes. Ouvimos, também. Ouvimos algumas pessoas que surgiram  em meio a conversa e agregaram muito conteúdo. 

O ClubHouse reforça a ideia de que se o conteúdo é o rei —- como Bill Gates  nos ensinou no início dos anos de 1990 —- o áudio é a rainha. Prestigiado nessa nova rede. Essencial para o sucesso dos podcasts —- que nunca foram tão ouvidos como agora. Motivo de concorrência entre as maiores marcas de tecnologia do mundo, como é o caso da Apple e Amazon, que investem seus conhecimento no desenvolvimento de caixas de som inteligentes. E “cidadão de primeira classe”, como disse Zack Reneau Wedeen , executivo do Google podcast, em 2018.

O áudio foi a base do trabalho que realizamos no rádio desde sempre, portanto participar desta nova rede não me surpreende. Me fascina. Especialmente com a qualidade do debate que conseguimos promover no sábado em uma sala que pretende se tornar permanente: Mentoria da Comunicação.

Por exercício da Ana e colaboração de todo grupo, apresento a seguir alguma das muitas mensagens que conseguimos levar ao ar —- ou, levar à web:

Pequena correção, sem pretensão

Outras …

Dia desses ouvi o repórter do rádio dizer que somente algumas doenças eram aceitas por um órgão público para justificar a ausência na prova: “Covid-19, influenza, meningite e outras”. Como “outras” não é uma doença, soou-me estranha a presença dela na frase. Parecia ser apenas a reprodução de um texto burocrático escrito pela assessoria do órgão público —- se não o for, me desculpe a assessoria. Vamos concordar que o “outras” está sobrando na frase, fica feio e não informa. Uma pequena correção de rumo resolveria: “somente algumas doenças são aceitas para justificar a ausência, como Covid-19, influenza e meningite. A lista completa de doenças, você encontra no site ….”

Veio a óbito

A senhora, que não tem nome, porque nem sempre nos importamos com isso (ou o nome não é divulgado), não apenas foi vítima da Covid-19 como deu o azar de ser contaminada pela nova variante do novo coronavírus — e já que insistimos com essa denominação, apesar de a pandemia ter completado um ano, talvez fosse o caso de chamá-la de novíssimo coronavírus. Infelizmente, a senhora morreu. E ao ter a morte noticiada, foi vítima de outro mal que contamina as redações: a língua complicada. O repórter, não contente com toda tragédia, substituiu o simples e significativo “morreu” por um pernóstico “veio a óbito”. Se ainda fosse “foi a óbito”, vá la. Mas “veio a óbito”, sai pra lá, urubu!

Ninguém mais compra

Nessa crise econômica que enfrentamos ninguém mais compra nada, só adquiri. É o que se ouve nas notícias de rádio e TV. É o que se lê nos jornais e na internet. Quanto maior a importância da compra, mais o verbo adquirir é conjugado no noticiário. Governos, que usam nosso dinheiro, nunca compram nada, só adquirem: de latas de leite condensado a vacinas (estas bem menos do que aquelas). Hoje, até as famílias — sempre que citadas como instituição — são contempladas com o verbo adquirir, como se isso valorizasse o ato de comprar ou o texto jornalístico. Nem uma coisa nem outra.

Pra não cair nessas esparrelas, na hora de noticiar basta pensar o seguinte, como eu falaria para minha vovozinha.

Se você me permitir, aqui vão três sugestões para quem pretende escrever bem, simplificar a mensagem e evitar erros:

Mundo Corporativo: Andreia Roma, da Leader, explica como o RH se transformou de uma sala escura a setor estratégico

“Os RHs tiveram de transformar o seu 2020 olhando para eles, olhando para dentro de si e se transformando em profissionais mais humanos dentro do contexto RH”

Andreia Roma, CEO da Editora Leader

O setor de recursos humanos por muito tempo era a sala escura que ninguém queria entrar. Essa imagem mudou ao longo dos últimos 20 anos e, hoje, o RH é estratégico dentro das empresas. Uma transformação protagonizada por mulheres que encontraram nessa área o espaço para influenciar nos rumos das organizações. É assim que Andreia Roma, CEO da Editora Leader, enxerga a influência feminina no segmento que sempre foi o responsável por cuidar das pessoas. Andreia é coordenadora, ao lado de Tania Moura, do livro “Mulheres do RH — o poder feminino na gestão de pessoas”.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Andreia explica que o livro reúne a história de 31 mulheres que atuam com recursos humanos e a linha mestra que uniu esses textos foi a ideia de que por mais simples que possam parecer suas histórias, o fato de relatarem a experiência desenvolvida vai inspirar as mais jovens a seguir carreira neste setor.

“Elas conseguem conectar aprendizados, erros e acertos, ou seja, o que precisa ser mudado, o que precisa ser ajustado, tanto no quesito pessoal, como no profissional”

Essas mulheres do RH também têm papel significativo no combate à discriminação de gênero, destaca Andreia:

 Eu acho que não é parar e olhar para discriminação; é realmente ressignificar e falar o que é que eu vou fazer com este aprendizado; o que é que eu vou ensinar para jovens que vão vir através deste aprendizado; então a gente precisa começar a ensinar e aprender até mesmo com este momento difícil que existe dentro das organizações, relacionados à discriminação.

De acordo com a editora, um dos desafios enfrentados pelas empresas e as profissionais de RH, durante a pandemia, foi o distanciamento das equipes de trabalho e a realidade de cada uma dessas profissionais que tiveram de cuidar de gente das suas empresas sem se descuidar de suas famílias. A ideia de deixar a empresa fora do trabalho perde o sentido no instante em que muitos de nós tivemos de levar o trabalho para dentro da família, diante das restrições sanitárias que impactaram o mundo inteiro:

“A pandemia tem nos ensinado a pegar todos nossos certificados e colocá-los  no bolso. O RH começou a olhar para outros setores, entender que uma empresa é a união de muitas pessoas.”

Para Andreia Roma a crise provocada pelo coronavírus tornou as realizações ainda mais incertas, mas serviu para influenciar o comportamento dos profissionais desta área nas empresas:

“Esse futuro incerto pode trazer o olhar de muitas mulheres, trazendo este lado humanizado de profissionais que entenderam que ser o RH estratégico, hoje, nas organizações, passou a ser humano.”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site, no perfil do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar no Jornal da CBN, às 8h10 da manhã ou ais domingos. às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram como programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves

Conte Sua História de SP: fui a louca dos cursos

Jovanka de Genova

Ouvinte da CBN

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Resolvi fazer parte da população que aceita a ciência e aderi a quarentena. Foi fácil? Claro que não. Não tem romance nesse processo. Dias intermináveis, de luto — luto de uma vida que parece que nunca mais será igual. O jeito foi pensar em caminhos possíveis dentro de casa… construí minha carreira a partir de uma premissa: estudar é sempre a melhor opção e, nesse norte, fiz um direcionamento bem óbvio no meu caso: estudar seria minha boia salvadora nessa pandemia. E foi.

Sou profissional da área de comunicação empresarial e educação, meu mestrado, que encerrei em janeiro de 2020, tem como tema central: Afetividade na Educação a Distância. Muita gente duvida que isso seja possível. Criar relações? Construir vínculos? No digital? Eu também tinha dúvidas e preconceitos. 

Antes de seguir minha história: não vou dizer que foi um processos fácil e para todos, não. Infelizmente, foi para a minoria. A educação na pandemia ficou muito a desejar para a maior parte dos brasileiros.

No meu caso, foi a oportunidade de alinhar meu objeto de estudo com a prática, e entender como as emoções fazem diferença na educação, principalmente em 2020. Eu não escondo que fiquei mais carente; sozinha fisicamente; e abri meu coração para todo e qualquer tipo de apoio, mesmo digital.

Fui a louca dos cursos. Conclui ao menos cinco. O mais importa foi o da diversidade nas organizações — tema que junto à pandemia esteve no noticiário com casos de racismo, assédio sexual, moral e discriminação de gênero. Meu curso foi todo digital. Mais de 100 participantes. E criamos uma rede de apoio pelo WhatsApp que acolheu pessoas de todos o país que se sentem seguras para dividir angústias, desafios, tristezas, alegrias … todos os tipos de sentimentos e emoções. Nunca nos vimos, fomos unidos por uma causa, por uma postura responsável e o compromisso em tornar o ambiente corporativo em lugares melhores para receber diferentes raças, gêneros, orientação sexual e pessoas com deficiência. Praticamos a escuta e a troca, sem julgamentos e expectativas. Colocamos na prática a afetividade no mundo digital, com a criação de vínculos e o exercício do relacionamento saudável e construtivo.  

Também organizei o iEduque, um coletivo afetivo para a discussão, formação e acolhimento de profissionais de educação.Nasceu na pandemia com o propósito de colaborar com professores nesse período de exceção. Somos três profissionais que idealizamos um projeto todo através do digital. Experiência possíveis em uma cidade como São Paulo. Sei que falar de cidade, de um lugar físico, fica até meio sem sentido, mas, mesmo no digital, São Paulo une as pessoas e possibilita encontros incríveis e potentes.

E eu descobri que, sim, existe amor no mundo digital.

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Jovanka Mariana de Genova é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para  contesuahitoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: “o ciclo de olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo”, diz Gustavo Leme, especialista em RH

Gustavo Leme e Mílton Jung em entrevista no Mundo Corporativo

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O ambiente organizacional carece de uma cultura onde as pessoas tenham opinião, onde a construção seja feita com as pessoas e não para as pessoas; esse ambiente onde as pessoas podem contribuir, na medida que entendem a direção da empresa, as educa a terem opinião”

— Gustavo Leme, direto de RH

Fomos educados para não perguntar e não expressar nossas dúvidas, e isso nos coloca na contramão  das necessidades corporativas. É preciso criar espaços na empresa nos quais a aprendizagem seja incentivada, em que se desenvolva um repertório mais rico e não-linear. É o que pensa Gustavo Mançanares Leme, diretor de Gente, Gestão e Cultura do Grupo Pasquini, que atua no setor de moda. Ele é  autor do livro “O acaso não existe – ou você constrói a carreira dos seus sonhos ou alguém vai te contratar para construir a dele”.  

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Gustavo explica que os profissionais têm de se dedicar a construir uma plataforma de carreira em lugar de um plano de carreira, que costuma ser mais comum. O plano, segundo ele, remete a um caminho mais linear, com variáveis mais conhecidas. A plataforma é onde o ecossistema se conecta com diferentes fontes, é o caminho de vida e de profissão em diferentes variáveis. 

“O que a gente mais precisa é gente que lê cenário e propõe soluções, muitas vezes não convencionais, que sejam artistas. É isso que eu sinto: faltam dentro do mercado corporativo pessoas que tragam soluções e para as pessoas trazerem solução têm de ter um conhecimento muito mais generalista, na minha visão, do que um conhecimento especialista”

A arte, para Gilberto, está conectada com a realização, por isso ele sugere que os profissionais se conectem con a arte deles, podendo escolher onde vão trabalhar, o que ocorre em 70% a 80% dos casos.  O executivo se diz surpreendido com as novas gerações porque muitos ainda entram no mercado de trabalho com o conceito de terceirizar à empresa a decisão da sua vida, talvez porque tenhamos sido educado por pais que viveram essa realidade. Gilberto explica que se o tempo comum de longevidade de uma empresa era de 40, 50 anos, atualmente está reduzido a 18 anos.

“Se a média é essa, a gente não consegue ficar na mesma empresa …. isso vai fazer que a gente mude de emprego ou porque o mercado quer ou porque essa geração está querendo fazer o que faz sentido para ela: então, temos menos tempo de empresa, dinamismo de mercado e busca de propósito.”

Perguntado por um dos ouvintes do Mundo Corporativo sobre quando se deve começar a pensar no plano de carreira (ou na plataforma de carreira) e o período em que este projeto deva ser reavaliado, Gilberto respondeu:

“Esse ciclo de você olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo, e esses começos não podem esperar, esse ciclo de “ah virou o ano eu vou emagrecer, vou voltar a fazer exercício” não cabe com carreira: ela é dinâmica. Nós somos donos da própria carreira. E eu acredito mesmo que o acaso não existe”

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O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, aos domingos, 10 da noite em horário alternativo e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. O programa é gravado às quartas-feira, 11 da manhã, com participação dos ouvintes pelo e-mail milton@cbn.com.br. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonlçaves e Rafael Furugen.

Festa de Lira é uma metáfora do Brasil

Reprodução Twitter

Covidão Parlamentar, Covidfesta ou o Regabofe dos Desmascarados. Deem o nome que quiserem para o evento que comemorou, na madrugada de terça, em Brasília, a vitória de Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados —- deputado-réu por peculato e lavagem de dinheiro e investigado por sonegação fiscal —-, promovida na casa do empresário Marcelo Perboni, acusado de fraude tributária por ter se apropriado indevidamente de R$ 3,8 milhões. Com mais de 300 convidados, amigos e inimigos políticos rebolando no mesmo palco, ao som de forró (a música não tem culpa de nada), e desfilando sorrisos sem máscara, todos foram protagonista de uma festa que se transformou em metáfora do Brasil. Para onde você olhar, vamos enxergar um pouquinho do que é o país em que vivemos.

Com quase 227 mil mortos por Covid-19, parcela dessas pessoas vítima, direta ou indireta, do descaso com a doença; do desrespeito a regras sanitárias; de gente que nega a pandemia. Uma gente que não usa máscara e está pouco se lixando para as aglomerações —- lá estavam os 300, representando os brasileiros que assim agem.

Eram 300, coincidência, os picaretas que Lula, em 1993, acusou existirem no Congresso Nacional. O mesmo Lula que agora é defendido com unhas e dentes pelo líder do Governo Bolsonaro, Ricardo Barros —- como ouvimos, ontem, no Jornal da CBN. Sim, o líder de Bolsonaro fala como advogado de defesa de Lula. Vá entender !?! Eu entendo. Acho que você, também. Estão todos na mesma festa.

A festa ainda nos remete a ideia de que caiu a máscara do Governo Bolsonaro e seus defensores, que chafurdaram no lodo político — e comemoraram  — ao negociar emendas parlamentares, abertamente, para comprar aquilo que o ex-governador Antonio Britto chamou de “seguro-mandato” — em entrevista também no Jornal da CBN. Diga-se: negociação que não é privilégio deste governo; é da “velha política” que pauta este governo.

A inexistência de máscaras também é simbólica quando se percebe que a turma Anti-Lavajista circula no parlamento e no noticiário falando descaradamente contra o combate à corrupção. Um pessoal que diante dos descalabros e falcatruas, cochicha nos gabinetes e planeja conchavos para se proteger. E fala grosso contra quem investiga —- ouça a entrevista de ontem. Registre-se, motivos não faltam para reclamações de abusos e erros cometidos durante os processos, mas nada que esteja a altura do roubo coletivo que o Brasil foi vítima nos últimos anos. 

(Não acredita no que eu disse no parágrafo acima? Leia o livro A Organização, de Malu Gaspar. É muito rico).

No balanço das cadeiras, com rebolados sem jeito nem constrangimento, a festa de Lira, por fim, teve cenas de hipocrisia explícita. O celebrado havia encerrado, horas antes, seu discurso da vitória no parlamento, de máscara — porque em público — e chamando a atenção do Brasil para o momento mais devastador da nossa história provocado pelo vírus da Covid-19 e alertando: “temos que vacinar, vacinar, vacinar o nosso povo”.

O momento é realmente devastador — na política, inclusive.

Conte Sua História de SP: fiz amigos e poesia no Sarau da Val

Por Eder Rodrigues da Silva

Ouvinte da CBN

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Os amigos são tesouros que colhemos ao longo dos anos e os que estão conosco devemos cultivá-los como o bem mais precioso. Assim é que contarei agora, como se deu o fortalecimento de uma amizade durante a pandemia. 

Trabalhei em uma empresa petroquímica por 18 anos. Conheci por lá Valdyce Ribeiro, uma  colega da área do faturamento. Há muitas razões para admirá-la: uma delas é o domínio de duas áreas aparentemente diversas: ciências contábeis e poesia. Enquanto trabalhava comigo, cursou a faculdade, se formou e foi ser professora da FMU. Isso foi lá pelos fins dos anos de 1980, início de 1990. 

A poesia foi um dos elos fortalecedores da nossa amizade. Valdyce publicou ao menos dez livros e estive em quase todos os lançamentos ao lado de ex-colegas da petroquímica. Sempre gostei de escrever, e foi graças a ela que meu lado poeta despertou. Lá na Zona Sul, ela  passou a reunir artistas, poetas e escritores ao criar o Sarau da Val. Morando distante, na zona noroeste de São Paulo e sem carro, não podia participar dos eventos à noite.

Em 2020, surgiu a pandemia e o distanciamento se impôs —- os encontros presenciais foram suspensos por algumas semana até a Val encontrar a melhor saída. Levou o evento para o Facebook. Se antes a distância geográfica me impedia de estar presente, agora a digital me colocava ao lado de todos. 

Do despertar poético que experimentei só tive benefícios. O sarau é diversificado, rico culturalmente. Declamam poemas, cantam, contam histórias, dançam, apresentam fotos, pinturas e trabalhos artísticos.  Tem adulto e tem criança —- um banquete cultural para todas as idades.   Amizades se fortalecem e se ampliam. Além da Val, que já conhecia, a cada poema que publico ganho um novo amigo.

E aqui deixo uma das poesias criadas nestes dias de reclusão:

ISOLAMENTO QUE NOS UNE 

Sentimento não se vê, 

Ele se manifesta em nossas ações. 

Amor, ódio, tristeza, alegria, 

Os bons nós pratiquemos, e os maus evitemos. 

Vírus não se vê também a olho nu, 

Ele se aloja nas pessoas. 

É preciso ter as precauções, 

Porque ele é mau e mortal. 

O que o vírus fez com nossos sentimentos, 

Os bons e esquecidos de alguns. 

Não podendo ver algumas pessoas, ausência = saudade, 

A dor da sua não presença. 

Vírus que não se vê, parece insignificante. 

Bons sentimentos que também não se viam. 

Pareciam enterrados, como uma erupção lenta, 

Ou como um míssil atômico que nos atingiu. 

Isolamento que nos une. 

Para uns nos une ainda mais. 

Para outros uma tentativa de fazer contato, 

De quem não sabíamos queridos, tão queridos. 

Não espere a tragédia para demonstrar que se importa com as pessoas. 

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Eder Rodrigues da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie também o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade aqui no meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: André Machado, da AsQ, explica como deixar líderes longe da empresa ajuda na criatividade

“… ele tem de ter uma gestão muito mais participativa, trazer os objetivos, discutir com a equipe, usar a tecnologia que está super a favor da gente para coletar as ideias” —- André Machado, AsQ

Profissionais com facilidade de adaptação, resilientes diante dos desafios que tendem a surgir com maior frequência e que saibam proteger sua vida pessoal para que não seja impactada pela profissional —- a medida que ambas passam a dividir o mesmo espaço com o sistema de home office. Essas são algumas das características de colaboradores que têm se destacado ao longo desta pandemia, na opinião de  André Machado, CEO da AsQ, em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Especializada em gestão de saúde privada, a AsQ foi lançada em agosto do ano passado, no auge da pandemia, após gestores e executivos perceberem a oportunidade de negócio que havia naquele momento crucial para operadoras de planos de saúde, empresas e seus beneficiários. Além de desenhar seus escritórios para a nova realidade e manter muitos funcionários trabalhando à distância, André conta que a partir da troca de experiências da equipe, criou-se um sistema que passou a ser chamado de “ócio criativo”:

“A gente criou uma tarde, uma manhã,  um turno do dia da semana, em que o gerente não está disponível para o trabalho, mas terá de fazer algo que estimule a oxigenação, a criatividade … ele não está disponível para a gente, para as pessoas da empresa”

Segundo André, a estratégia atende a dois aspectos: a formação de novos líderes, pois o gerente é obrigado a delegar autoridade a pessoas de sua equipe; e a busca de soluções que surgem a partir do instante em que o gestor é estimulado a desestressar.

Além de equipes bem preparadas, o CEO da AsQ cita o fato de que a empresa está baseada na tecnologia, com pessoal dedicado a inovação e aberto a troca de informação com os parceiros de negócio. Uma das novidades que estão sendo trabalhadas, a partir do compartilhamento de conhecimento, é a de tecnologia vestível que propiciará uma experiência melhor para as pessoas, diz André.

“Tem pouquíssimas pessoas que querem voltar para o escritório e como eu presto serviço de saúde, tenho de trabalhar muito para dentro de casa, então eu mantenho o apoio ao colaborador para que ele tenha uma sustentação psicológica e de saúde para se manter nesta lógica do trabalho”.

Quanto ao papel dos líderes, André Machado identifica a necessidade deles encontrarem novas formas de administrar suas equipes:

“… o gestor tem de estar muito envolvido nisso, em querer servir; e esse trabalho à distancia, eu acho, deixou isso muito mais forte; ele tem de estar muito mais disposto a isso”

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo ou pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo 467: depois de sofrer com a Covid-19, a alegria com as “Amigas da Consolação”

Rita Amaral

Ouvinte da CBN

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Meninas da Aclimação é como nos identificamos até hoje. Atualmente somos seis amigas. Há muito tempo, fomos meninas. Hoje, somos as Senhoras da Aclimação. Perdemos uma das meninas no ano passado.  Sou da Aclimação desde os anos de 1950 quando mudei com a família para a Rua Baturité.  O jardim que leva o nome do bairro já foi chamada de Jardin d Aclimatacion, um belo espaço de Paris que inspirou o dono dessas terras, Carlos Botelho, a criar um zoológico e um local para aclimatação de espécies exóticas. Fica no centro de São Paulo. 

O Jardim estava a uma quadra de distância da nossa rua. Era seguro ir até lá com as meninas. No parque, minha mãe me levava para tomar sol e encontrar outras crianças. Na calçada da rua, brincávamos de amarelinha; pulávamos corda e nossas bonecas nos divertiam. Às seis horas, com o fim da tarde, a mãe de uma de nossas amigas nos chamava para entrar e ouvir no rádio “A benção do Padre Donizete.” Ao lado do rádio, nos esperava um copo de água benzida.

Na adolescência, nos encontrávamos nos bailes de garagem. O som de Ray Conniff, Nat King Cole e Elvis Presley na vitrola foi testemunha dos primeiro namoros — que eram motivos de trocas de informações constantes entre as meninas. Delas fui a última a me casar. 

As meninas da Aclimação tiveram filhos e isso mudou o tema das nossas conversas. Não havia mais bailinhos para os encontros, então nos reuníamos nas festas infantis. Algumas fizeram suas primeiras viagens para o exterior. 

Nossos filhos casaram. Somente duas de nós continuamos morando na Aclimação. Mesmo assim nos encontrávamos em algum restaurante da cidade, sempre próximo do fim do ano. Havia trocas de presentes, de histórias e memórias.

Em 2020, fiquei quatro meses internada em estado muito grave devido a Covid-19. Ao me recuperar, procurei as meninas para encontros virtuais no Zoom, no Google Meet, em alguma dessas plataformas. Ninguém tinha e-mail. Ainda bem que descobrimos as chamadas de vídeo no WhatsApp. E desde lá, há cinco meses, toda terça-feira, às cinco da tarde —- antes da Benção do Padre Donizete —- nos reunimos. Até mesmo uma das meninas que hoje mora no Chile, mas adaptou sua agenda para estar com a gente.

Conversamos sobre nossas famílias, netos, receitas. e cuidados Compartilhamos nossas aflições e nossas conquistas. Em 2020, duas de nós ficaram viúvas. A despeito da pandemia, estamos mais próximas. Nosso encontro de fim de ano agora é toda semana graças as chamadas de vídeo. 

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Rita Amaral é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br ou assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.