Conte Sua História de São Paulo: há cultos sinceros, mas há os vilões, também

Flavio Cruz

Ouvinte da CBN

 

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Tenho saudades da minha cidade. Sei que dizem que ela é violenta, perigosa. Falam tanto dela. Falam que todo mundo é apressado, que as pessoas não têm tempo para nada. Mentira!  À noite as pessoas se reúnem, cantam e contam histórias. Quem quer, sempre tem um amigo; quem não quer, pode ficar sozinho. Não há prazo de adaptação, não há carência. Assim que você chega, você pertence. Todo mundo pertence. E há de tudo!

Há pecados e lugares para se pecar. Há perdão para poder se pecar. É boa de se cantar, é boa para se poetar. Caetano falou que é o avesso do avesso do avesso… e daí eu paro no avesso que quiser, no avesso que melhor me servir.  O Tom Zé canta que nos amamos com todo ódio e que nos odiamos com todo amor. 

E Billy Blanco diz que as portas de aço levantam, todos parecem correr, não correm de, correm para… Para onde, não sei? Sei sim, quero correr para lá. Ela tem de tudo, de todas as formas, todo o tempo. Ela é adulta, ela é criança. É adolescente, também. Às vezes, ela adoece, mas está sempre a se curar. 

Há Consolação, há Socorro, há Liberdade e até uma Casa Verde para não se perder a esperança. À noite, então, nem posso falar. Há gente nos teatros encenando cenas que saciam os cultos e há cinemas ocultos que saciam a vontade de sexo dos incultos. Há cultos sinceros, mas há os vilões do templo também. Há cultos e pastores da noite de quem não quero falar. Há tantas coisas na cidade, em cada canto, em cada esquina. Há dor, muita dor, mas tanta alegria vem junto que às vezes nem sei qual é qual. 

E os sonhos, então?

Tantos sonhos… Tantos segredos, tantas histórias que todos sabem e ninguém quer contar. Há também contos de fada, milagres que acontecem, outros que se compram, alguns que se vendem. 

Há gente de todo lugar, há lugar para todos e em algum lugar sempre algo está para acontecer. Há segredos que não se podem contar. E há contos que não são mais segredos. E há lendas, lendas e mitos. Quase todos são verdade, mas ninguém precisa saber. 

Falam tantas coisas de você… Eu escuto todas e só presto atenção nas que quero. Sinto muito sua falta. Não há cidade igual.  Tenho muitas saudades de você, São Paulo, meu amor…

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Flávio Cruz, um paulistano que vive nos Estados Unidos, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistória@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Felipe Mansano diz o que é preciso para sua startup ser descoberta por investidores

“Normalmente, os investimentos em startup têm esta característica: quem investe está procurando empresas que podem escalar, e, geralmente, a maneira mais eficaz é uma solução que é ancorada em um aspecto relevante de tecnologia”  — Felipe Mansano, Equitas VC

Mudar a maneira como profissionais de tecnologia são recrutados, migrar uma escola de programação para o cenário online e desenvolver conteúdo para provas de residência médica. Essas são algumas das ideias surgidas em startups que tiveram seus negócios alavancados com a participação de fundos de venture capital ou de investimento de risco. Todos esses projetos foram desenvolvidos no Brasil, país que tem assistido ao longo da última década um crescimento acentuado no número de empreendedores que se pautam em negócios digitais. Para Felipe Mansano, da Equitas VC, é importante ter esse ecossistema, do qual fazem parte  fundos, empresas e pessoas dispostas a investir em startups.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Felipe falou de oportunidades que existem atualmente no Brasil para quem cria e para quem investe:

“Na hora de fazer negócio é muito importante que as duas partes, tanto a gente como o empreendedor, além do dinheiro, avalie como esse investidor vai me ajudar a fazer para que o meu negócio alcance seu potencial. Nós acreditamos que é neste aspecto que mora a oportunidade, porque no Brasil tem mais escassez de conhecimento e de execução do que de capital — especialmente no cenário agora de juros muito baixo”

Os fundos de venture capital buscam empresas com foco na tecnologia porque são negócios que podem crescer em escala, o que atrai investidores dispostos a colocar o seu dinheiro em empreendimentos que estão em estágio inicial e a aguardar de sete a dez anos para terem o retorno financeiro: 

“É um jogo de longo prazo, mas para a empresa que dá certo, o retorno é 50 a 70 vezes o investido”.

Algumas dicas de Felipe Mansano que facilitam a atração de investidores para o seu negócio:

Como a maioria dos negócios está se iniciando, boa parte da aposta do investidor é na qualidade do time que está envolvido no projeto, portanto atenção na equipe de trabalho.

Identifique o diferencial competitivo deste time em relação ao desafio que a empresa está disposta a resolver,

Não adianta ser o maior peixe em um aquário pequeno, ou seja, é importante que você tenha solução para um problema grande; lembre-se, o investidor quer empresas com potencial de crescimento em escala.

—  Tenha clareza da concorrência; se houver muitas empresas oferecendo solução para aquele problema que você se propõe a resolver a chance de se destacar é menor

—  Mostre como a receita da empresa vem crescendo mês a mês; essa informação permite que o investidor avalie a adesão do mercado ao seu negócio, o quanto o mercado está vendo de valor na sua ideia.

Erros que podem atrapalhar o seu negócio:

Os fundadores da empresa terem apenas uma parcela do negócio: quanto menor a participação, menor é a disposição para enfrentar os desafios 

Não ter clareza do tamanho do seu mercado: o investidor precisa desta informação.

Ter empresas que não têm potencial de crescer em escala, geralmente não estão inseridas em tecnologia, uma característica que permite que o negócio se desenvolva de maneira rápida.

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e pode ser ouvido em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Galeano, Piazzola, Blazquez e o grito sonoro do gol para homenagear Maradona

 

Eduardo Galeano, que me inspirou em post anterior, foi resgatado em crônica “O parto”, na qual conta o nascimento de Diego Maradona, no encerramento da edição do Jornal da CBN. Por criação de Paschoal Júnior, ouvimos o segundo e impressionante gol do “Diez” contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986, em três vozes: Roberto Hernandes Júnior, do México, Samuel Souza Santos , da Guaíba, e Osmar Santos, na Globo. Tudo sonorizado por Adios Nonino , de Astor Piazzolla Y Eladia Blazquez, com interpretação de Mariana Avena.

Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: inspirar mulheres empreendedoras é a missão de Isabela Ventura, CEO da Squid

 

“Pensar a diversidade dentro da empresa não é só pensar assim: ‘como eu vou trazer mais pretos e pretas ou mulheres em cargos de liderança’. É entender e preparar o ambiente para receber isso” — Isabela Ventura, Squid

A presença de uma mulher no comando da empresa pode ser muita mais transformadora do que se imagina. A influência não se dá apenas pelo exemplo que oferece a outras organizações. Inspira mulheres dentro do próprio ambiente de trabalho, proporciona igualdade salarial e amplia a participação feminina nas decisões. Essa foi a experiência proporcionada pela engenheira Isabela Ventura à empresa de marketing de influência que a convidou para ser CEO, em 2018, quando ela havia se afastado do mercado de trabalho, depois de 15 anos de carreira, em busca de um período sabático:

“Comecei a entender que nunca tinha sido liderada por uma mulher e nunca havia me dado conta disso. Nunca havia tido essa referência e oportunidade de entender por outras perspectivas o que é liderar …. ao ser convidada para ser CEO, entendi que o papel da Isa Ventura, como mulher, empreendedora e líder tinha de ser colocado em prática e deixar de lado o sabático”.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Isabela Ventura contou que ao chegar na empresa teve a preocupação de analisar a folha de pagamento dos colaboradores e garantir que houvesse igualdade salarial independentemente do gênero. Sua presença na liderança da empresa, onde havia atuado como conselheira, ampliou de 40% para 50% a participação de mulheres. Ao mesmo tempo implantou o programa “Power to the people” para mostrar a importância das pessoas no negócio: dessa forma, todos são ouvidos em suas ideias, sugestões e projetos, explicou.

A diversidade na startup não se resume a questão de gênero. É preciso que esteja voltada para todos aqueles  grupos de pessoas que costumam ser excluídos, conscientemente ou não:

“Trazer a liderança para perto e entender que essa é uma pauta importante para a empresa, e que a gente precisa fazer este reparo histórico no nosso pais é fazer nosso papel de transformação, que a gente acredita para o mundo”

Pouco antes de assumir o comando da Squid, Isabela havia montado, com outras mulheres, a Tear, uma organização que trabalha para capacitar empreendedoras e lideranças femininas.

“A gente precisa entender que termos mulheres liderando empreendimentos significa aquecer de alguma forma a economia, para que seja mais próspera, que gere de fato mais engajamento do time e reverberar esse centro de criatividade e comunidade criativa — é o que eu acredito”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, toda a quarta-feira, às 11 da manhã, no site, no Facebook e no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com o programa: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Sua Marca: riscos e vantagens de associar seu produto ao nome de celebridades

“Fique sempre muito atento ao vincular um nome, seja o seu ou de uma celebridade, à sua marca. As vantagens são grandes, mas qualquer deslize na vida do CPF pode “respingar” na história do CNPJ” — Cecília Russo. 

No mercado existe uma série de experiências de marcas que associaram seu nome aos de celebridades, assim como celebridades transformaram seu nome em uma marca. Artistas como Drew Barrymore, Rihanna, Lady Gaga e Kim Kardashiam já lançaram suas linhas de maquiagem e roupas. Aqui no Brasil, Ana Hickmann, com sua linha de esmalte, a atriz Giovanni Antonelli, que assina joias da Rommanel, e o narrador Galvão Bueno que tem seu nome no rótulo de vinho, são outras boas referências.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung, sobre essa estratégia que pode ser adotada, mas merece cuidado especial.

“O que essas celebridades fazem é o que conhecemos por extensão de marca; é levar o ativo que elas tem, o nome que é forte no mercado artístico para outros cenários”, explica Cecília.

Construir uma marca custa caro e essas figuras públicas que souberam administrar bem suas carreiras têm um nome artístico com forte apelo de mercado. Por isso, faz sentido levarem a credibilidade que construíram no cenário cultural para produtos e serviços.

Jaime, no entanto, faz algumas alertas para quem estuda investir nesta estratégia de branding. A escolha do nome que será associado à marca deve ser muito bem balanceada e levar em consideração a história pregressa da celebridade

“Por se tratar de pessoas públicas, qualquer escorregão pode afetar diretamente a percepção que as pessoas têm sobre a marca —- há formas de se contornar algumas crises, mas a tendência é que uma coisa contamine a outra”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: a gargalhada da velha na porta do Parque Shangai

Por Ulysses Cruz

Ouvinte da CBN

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Ali nos baixios do Glicério, mais pro lado do complexo de viadutos que leva à Radial Leste e à Celso Garcia, onde hoje tem uma igreja evangélica, ficava o Parque Shangai. Era enorme. Eu o via sempre da janela da lotação na volta da loja de departamentos Clipper —- a preferida de minha mãe. Dela pelas roupas e minha também porque tinha a escada rolante.

A lotação fazia uma curva e meu coração saltava com aquela imagem vista rapidamente da janela do enorme carro. Eu enxergava um pedaço da Montanha Russa de madeira, altíssima;  quase toda a Roda Gigante — que era de verdade gigante. E ao torcer o pescoço para trás ainda conseguia olhas  o Trem Fantasma. E só.

Minha mãe era uma morena bonita, peitos fartos, que gostava de se vestir bem — na Clipper, claro. Só agora me dou conta que minha paixão pelo amarelo vem de um vestido dela, usado em ocasiões especiais, como ir à cidade fazer compras, ela adorava, sempre de lotação e comigo ao lado. Naquela época, mulher casada não andava sozinha na lotação.

Não lembro quem me levou ao Parque Shangai pela primeira vez. Papai era sério, policial, não era dado a essas coisas. Minha mãe, talvez. Meu tio Eloi? Era o boêmio da família. Pode bem ter sido ele. Não lembro. 

O que lembro, passados mais de 60 anos, é da risada da boneca gigante que nos recebia na entrada do parque. Era uma velha com uma bolsa na mão. Ela ria e chacoalhava o corpo para cima e para baixo, sacudindo a bolsa como se fosse uma arma. Tudo era movimento na boneca. Sua roupa, seus cabelos debaixo do chapéu … Ela ficava com em um relicário profano cheio de luzes e cores, lá no alto. Atração até mesmo para quem não tinha dinheiro para entrar no parque. Ela contagiava. Você poderia ficar meia hora ali em frente que não enjoava de rir. Se não ria dela, ria das pessoas que se dobravam de tanto gargalhar.

O curioso é que mesmo com todas as atrações que havia dentro do parque, em minha memória a imagem que ficou foi a da velha com a bolsa. A ponto de eu pensar hoje que minha cidade tem esse som: o da risada da velha da bolsa. Às vezes maligna, às vezes cruel. Na maioria das vezes, uma risada divertida, alta e barulhenta. 

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Ulysses Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: a tinturaria da minha avó na rua Augusta

Por Rosângelo Callejo

Ouvinte da CBN

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Nasci no bairro da Vila Maria onde moro até hoje. Da minha infância, recordo com alegria dos passeios de fim de semana onde saíamos eu, meus irmãos e meus pais para visitar a rua Augusta. Era onde minha avó paterna morava. Ela mantinha uma tinturaria, a Gato Branco, onde meu pai também trabalhava .

Nossa aventura começava logo cedo pois tínhamos um longo trajeto pela frente. Pegávamos ônibus na avenida Guilherme Cotching até o Vale do Anhangabaú, gostávamos de dar uma passada pela galeria Prestes Maia. Era fantástico. Depois seguíamos de ônibus elétrico até a Augusta.

Nossa chegada era uma festa. Ficávamos encantados com tudo na tinturaria: os enormes tanques de lavagem de roupas; as mesas de passar com aqueles ferros pesados; tudo era novidade para mim e meus irmãos. 

Na sala da casa da minha avó, havia um telefone e nós adorávamos mexer naquele aparelho. Na cozinha, tinha um rádio enorme no qual ela ouvia suas novelas preferidas…. 

Da sacada da casa, ficávamos assistindo ao movimento da rua, os ônibus elétricos, os carros passando e as pessoas caminhando pela calçada.

A tarde, saíamos nós para passear pelas galerias —- que eram os shoppings daquela época —- com suas lojas elegantes. Lembro que havia escada rolante: era o máximo; subíamos e descíamos correndo. Nosso passeio se encerrava nos divertindo no Parque Trianon. 

No fim do dia fazíamos o caminho de volta para a Vila Maria. Exaustos e felizes, já ansiosos no aguardo do próximo fim de semana.

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Arquivo Guaíba faz homenagem a Milton Ferretti Jung, que completaria 85 anos

De uma crônica que jamais havia ouvido, de gritos de gols inesquecíveis, de narrações que contam a história da humanidade e de histórias que foram contadas na minha intimidade —- o programa Arquivo Guaíba, que foi ao no sábado, dia 31 de outubro, me fez reviver as mais diversas passagens do pai pelo rádio brasileiro —- foram 60 anos dedicados e respeitando o microfone, dos quais quatro na rádio Canoas e os demais 56 na Guaíba.

A homenagem se deu pela passagem do aniversário de Milton Ferretti Jung que completaria 85 anos, no dia 29 de outubro. Como você sabe, caro e raro leitor deste blog, o pai morreu no ano passado, no dia 28 de julho. Assim, aproveito a generosidade de Luis Magno e da equipe de profissionais da rádio Guaíba que relembraram alguns dos momentos da carreira dele para reproduzir o programa aqui entre nós,, nesta segunda-feira, dia 2 de novembro, dia que dedicamos aos mortos que permanecem na nossa memória.

Antes de clicar no arquivo para ouvir o programa, me permita dizer muito obrigado aos profissionais que se dedicaram a fazer esta homenagem e aos ouvintes que sempre se referem ao pai com muito respeito e carinho:

O programa apresentado pelo jornalista Luis Magno foi criado em maio deste ano e explora o rico arquivo de áudio que a rádio Guaíba ainda preserva no prédio da rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Vai ao ar aos sábados à noite, tem produção de Pedro Alt, edição de Davis Rodrigues, com José Moacir Bittencourt responsável pelos arquivos.

Conte Sua História de São Paulo: da locomotiva à Academia, minhas lembranças da cidade

Por José Antonio Braz Sola 

Ouvinte da CBN

 

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Caminho diariamente aqui no Parque do Ibirapuera desde que me aposentei. Estou agora tomando água de coco em frente ao Pavilhão da Bienal. Isso me faz lembrar  de que foi aqui que começou a minha relação com o parque-símbolo de São Paulo. Isso foi em outubro de 1961, quando eu tinha seis anos de idade e minha irmã Lu, três. Fomos conhecer a sensação da época, que causava ansiedade e frisson na criançada  paulistana:  o 1º Salão da Criança!

Tomado pela emoção e recuando no tempo, começo a recordar coisas que vivi na minha querida e amada São Paulo. Meus pais, embora fossem pessoas simples — papai era comerciário e a mamãe, dona de casa —- esforçavam-se para nos mostrar os pontos turísticos e históricos da  nossa cidade .

Foi assim que nos levaram à Estação da Luz, com sua linda arquitetura, onde ficamos extasiados com as  locomotivas, por suas dimensões enormes e ruídos ensurdecedores provocados pelas máquinas em funcionamento.

Também fomos apresentados, um pouco depois, à Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé; ao Mosteiro de São Bento; e à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde, nunca eu poderia imaginar, me formaria advogado anos depois.

Quando já era recém-alfabetizado, tinha sete anos, lembro-me com satisfação de conseguir ler, sem errar e em voz alta para meus pais, as últimas notícias que apareciam rapidamente  no letreiro luminoso instalado na fachada da  sede do jornal “O Estado de São Paulo”, ali na Rua Major Quedinho, no Centro.

Conheci o estádio  da cidade nos anos de 1960, o maravilhoso e ainda hoje charmoso  Pacaembu. De tanto pedir, papai me levou para assistir ao time que eu já amava e pelo qual chorava nas derrotas, o Palmeiras. Ganhamos de 3 a 0 do Noroeste e nos sagramos “Campeão Paulista de 1963”, com um time que tinha Ademir da Guia, Dudu, Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho Botelho e Servílio,

Paulistano autêntico que era, tive que conhecer também a Rua Augusta, famosa pelos seus bares, lanchonetes e lojas da moda —- embora eu e a minha irmã Lu a tenhamos percorrido de ônibus elétrico e a pé, pelas mãos de nossos pais, e não a 120  Km por hora, como dizia a música de sucesso da época que tocava nas rádios sem parar.

Não dá para esquecer, claro, das férias de julho na casa de meus primos Tica, Tico e Danilo, no Jardim São Paulo, onde hoje funciona a Estação Ayrton Senna do Metrô. Naqueles tempos, havia muitos terrenos baldios e parecia que estávamos numa pacata cidade do interior, o que nos possibilitava brincar de tudo quanto era jeito e sem sermos importunados por carros e ônibus —- bem diferente do que eu estava acostumado no bairro de Pinheiros, onde morávamos.

De volta ao presente …. lá se foi a última gota da minha água de coco. Retomo a caminhada matinal interrompida por minhas memórias a tempo de lembrar do poema Tristura de Mário de Andrade que começa com um “São Paulo, minha noiva” …. e eu me atrevo a completar: “Minha noiva, minha vida”.

José Antonio Braz Sola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Escreva também as suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo