Conte Sua História de São Paulo: amigos há mais de sessenta anos

 


Por Ivani Dantas
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


 

 

Nasci em 1951, no bairro de Santa Terezinha, no alto de Santana. Cresci ralando os joelhos e cotovelos nas corridas de pega-pega, de estátua, lenço atrás, pulando corda, em meio a outras brincadeiras de rua e de quintal.

 

Aos amigos de infância se juntaram os amigos do colégio, depois os namorados – hoje maridos. Até o colegial, alguns de nós estudávamos no CEDOM, escola estadual, de referência na época. Um privilégio, uma grande conquista. Tínhamos o melhor ambiente que se poderia desejar, e  para nós, Colégio era sinônimo de diversão.

 

A vida foi passando e a nossa TURMA, sempre unida, se divertia indo ao cinema, teatro, a shows dos maiores nomes da MPB – que frequentávamos sob o clima tenso da ditadura militar. Nós meninas, costumávamos andar abraçadas, cantando paródias de músicas religiosas, marchinhas e outras bobagens. Trocávamos cartas que, vistas anos depois, não tinham lá muito conteúdo, mas falavam da importância que tínhamos umas para as outras – e outros também. Falávamos de nossas fossas, das vivências, do quanto estávamos tristes, felizes, frustrados, inseguros, igualmente; tentando nos conhecer e também ao mundo que se abria à nossa frente. Enfim, aprendendo a crescer.

 

Namoros, paixões, alegrias e tristezas permearam os tempos. Casamentos, filhos, apertos, apelos… e chegamos aos dias de hoje, com um número bem grande de agregados e derivados.

 

Filhos crescidos, até netos crescidos e continuamos amigos, juntos, ainda que por circunstâncias sejam menos freqüentes  os encontros, mas quando ocorrem, têm sempre a intensidade dos velhos tempos. O sabor das festinhas, das viagens que fizemos juntos, das risadas, até hoje nos trazem muitas alegrias.

 

Amigos, compadres, padrinhos de casamento, nos bons e nos outros não tão bons momentos, temos a certeza de que somos um “case”, quase inacreditável de amizade, que começou há mais de sessenta anos e seguiu vida afora, paralelamente. Não temos dúvida de que a nossa TURMA já se tornou uma “instituição”, um mito, uma lenda feita de sílabas: Má, Rô, Su, Rê, Li, Zê, Sé, Lu, Sô, Gu, Cri, e eu, a “Ivan”, Vanzinha ou Vazóca, como cada um, do seu jeito, carinhosamente me chama.

 

Nossas histórias – hilárias – formam um belo exemplar de livro da vida. Se não no papel, com certeza em nossos corações.

 

Ivani Dantas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: perdão é um ato de inteligência que vai curar a sua vida, diz Heloísa Capelas

 

 

“Todas as pessoas valem a pena, todas as pessoas tem talento e luz, só que elas não sabem. E se eles não sabem, elas não usam”. A afirmação é de Heloísa Capelas, do Centro Hoffman no Brasil, especialista em mudança de comportamento. O conselho dele se volta aos líderes e gestores de empresas que têm a responsabilidade de descobrir os talentos que existem no seu negócio. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Capelas diz “você precisa olhar para as pessoas que estão à sua volta; e olhar significa dar para elas atenção, olha no olho e presta atenção no que elas estão falando, isso é liderança”.

 

Autora do livro “Perdão, a revolução que falta – o ato de inteligência que vai curar a sua vida” (Editora Gente), Caldeiras apresenta sugestões para quem tem acumulado desavenças no local de trabalho e na família: “o perdão nos traz auto responsabilidade; a vida é minha, a vida é problema meu, não é problema de ninguém, então se eu fracasso e se eu tenho sucesso, o problema é meu”.

 

O programa Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugem e Débora Gonçalves.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: “não existe marca forte com produto ruim”

 

 

Empresas que souberam gerir suas marcas de forma organizada e levaram uma proposta de valor relevante aos seus consumidores se destacaram na oitava edição da pesquisa que mede a preferência dos cariocas. Essa é a constatação da Jaime Troiano e Cecília Russo que apresentaram no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso o resumo da pesquisa “Marcas dos Cariocas”, divulgada nessa semana, em parceria do jornal O Globo e da TroianoBranging.

 

Uma das curiosidades da lista é que marcas digitais já superam as de agências de turismo tradicionais. O fenômeno foi constatado pelo segundo ano consecutivo com a Trivago alcançando o topo da lista na categoria Empresas de Turismo. No ano passado, a Decolar havia ocupado este posto desbancando a CVC. A Uber, seguida de 99 Taxi e Metro Rio/MetroFacil, lideraram a categoria Aplicativo de Mobilidade Urbana, que foi medida pela primeira vez, neste edição.

 

Foram cinco mil entrevistas nas quais os cariocas listaram os produtos e serviços com os quais mais se identificaram, em 40 categorias. Para medir de forma mais precisa a preferência do público, foram feitas análises a partir de cinco dimensões:

 

1. Qualidade: oferece produto e serviço de qualidade
2. Preço: vale o que custa
3. Respeito: respeita o consumidor
4. Identidade: combina comigo
5. Evolução: está sempre se renovando

 

Diante do resultado alcançado, Cecília Russo é taxativa: “não existe marca forte com produto ruim”

Um livro para o pai: que baita orgulho!

 

 

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“Nunca pensei em ter um livro meu”, disse-me com a voz baixa, que revela a idade, e um leve sorriso no rosto, que transmitia uma mistura de orgulho e falta de jeito. Tudo isso veio acompanhado das sobrancelhas levantadas, uma de suas marcas mais expressivas. Estávamos no sofá da sala da casa onde o pai foi meu pai quase desde os primeiros anos de vida, na Saldanha Marinho, pertinho do antigo estádio Olímpico, no bairro do Menino Deus, em Porto Alegre, quando ele recebeu das mãos do Christian e da Jacque, meus irmãos, um exemplar do livro escrito pela jornalista Katia Hoffman: “Milton Ferretti Jung: gol, gol, gol, um grito inesquecível na voz do rádio” (editora AGE), que será lançado nesta quarta-feira, 17h30, na Feira do Livro.

  

 

O pai sempre me deu a impressão de que não tinha certeza da dimensão dele para seu público, seja os que acompanhavam estáticos diante do rádio as últimas notícias do Correspondente Renner seja os que vibravam com as emoções transmitidas por ele nas partidas de futebol. Andei muito ao lado dele, especialmente pelo interior do Rio Grande do Sul, e via como as pessoas o admiravam. Eu ficava inchado de orgulho. Ele continuava a construir sua obra. Ao contrário de muitos de seus colegas que faziam sucesso nos tempos áureos da rádio Guaíba, não se considerava artista, celebridade ou estrela. Era um operário do microfone, ao qual dedicou quase 60 anos de sua vida.

  

 

A Katia, autora do livro, assim como muitos de nossos colegas de profissão e o público dele, ainda bem, sempre souberam reconhecer o talento incrível com que o pai reproduzia os fatos da vida e da bola, com uma voz que acompanhava a importância de cada momento e com uma precisão que não nos deixava dúvida sobre o que falava e pensava. Graças a Kátia, que foi colega do pai por 26 anos, na Guaíba, parte desta história está agora contada em livro.

  

 

Li com emoção e carinho a primeira prova que me foi enviada pela autora. Pouca coisa mudou do texto original. Minha emoção e meu carinho, principalmente. Olho para a capa, folheio uma história, leio outras, relembro de alguns instantes vividos ao lado dele, e tendo a me emocionar.

  

 

Nesta quarta-feira, dia 15 de novembro, quando o livro estará em festa, na praça da Alfândega, em Porto Alegre, na mais simpática feira dedicada a literatura que tenho conhecimento, terei muito a me emocionar. Ver a Kátia, meus irmãos, os netos e os muitos amigos e fãs reunidos, ao lado do pai, no Pavilhão de Autógrafos, para homenageá-lo será a melhor resposta para aquela indagação feita por ele lá na Saldanha, semana passada, quando estivemos juntos.

  

 

Sim, pai, este é um livro só seu. Só sobre você. Você e seus admiradores.

  

 

Que baita orgulho!

  

 


O livro já está à venda, no site da editora AGE: é só clicar aqui

Mundo Corporativo: 10 princípios para o jovem que deseja sucesso nos negócios

 

 

“Independentemente de você ser executivo ou não, a veia de empreendedor deve estar presente dentro de você em tudo que você estiver fazendo dentro da sua vida”.

 

Para Ricardo Diniz, autor dessa frase, a melhor maneira de manter essa chama acessa é trabalhar ao lado dos jovens e, segundo ele, foi isso que o inspirou a escrever o livro “Como chegar ao topo nas empresas – os 10 princípios para o jovem que deseja o sucesso no mundo dos negócios”. Diniz foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, quando falou de alguns dos ensinamentos alcançados ao longo de sua vida profissional que começou como estagiário para depois trabalhar em bancos de investimento, atuar como empreendedor e sócio-fundador de uma empresa de teleinformática, ser diretor de agência de notícias até tornar-se o mais jovem presidente de uma multinacional no Brasil.

 

Aqui os 10 princípios de Ricardo Diniz publicados em livro:

 

  1. Um propósito todo seu
  2. Há sempre um lado humano
  3. A ciranda dos riscos
  4. A transparência é o seu escudo
  5. O cliente é seu melhor negócio
  6. A mente positiva gera soluções
  7. O mundo não para de girar
  8. Ultrapasse as fronteiras
  9. Seja seu próprio headhunter
  10. Trabalhe com prazer e viva em paz

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: empresas tem de ser a ponte entre o que a mulher é e o que gostaria de ser

 

 

 

 

Uma coisa é como você se vê, outra é como gostaria de ser visto. Diante dessa realidade, Jaime Troiano e Cecília Russo foram entender como as mulheres reagem frente a essas questões. Uma das curiosidades encontradas neste estudo é perceber que as mulheres se veem de forma muito tradicional: são confiáveis, protetoras e dedicadas. Porém, elas querem ser vistas também como profissionais, inteligentes e assertivas.

 

 

O desafio para as marcas ao se comunicarem com essas mulheres é perceber que não devem ser espelhos, mas pontes que criem oportunidades para que elas cheguem onde realmente gostariam de estar: “comunicação não é um retrato; as marcas precisam alimentar sonhos nas pessoas”, diz Troiano.

 

 

Quanto as empresas que estão conseguindo se identificar com as mulheres, a pesquisa revela que no setor de automóveis são a Toyota e Hyundai que estão conseguindo se transformar em inspiração. Já no segmento de higiene e beleza aparecem três empresas conectadas com as aspirações femininas: Natura, Mary Key e Boticário. “O papel das marcas é ser esta ponte entre o que as mulheres são e o que gostariam de ser”, diz Cecília.

Quantos bitcoins são necessários para você estar com o “bolso cheio” ?

 

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É curioso como temos o hábito de repetir expressões que, ao pé da letra, não fazem mais sentido. Mas as repetimos porque nossos interlocutores ainda compreendem sua lógica e as recebem no sentido figurado. “Cair a ficha” é a das mais comuns. Aparece a todo momento, especialmente quando nos deparamos com algo surpreendente, inesperado. “Confesso que ainda não me caiu a ficha o fato de você sair de casa para trabalhar” disse para meu filho mais jovem. E ele entendeu (a expressão), mesmo jamais tendo visto como funcionava um Orelhão com fichas. No caso dele, nem os de cartões ele usou.

 

Imagine aquele garoto que acabou de chegar na sua empresa. Estagiário, cheio de ideias, passa o dia tentando convencer você da mesma coisa. Cansado, você pede: “amigo, vira o disco”. Apesar dele jamais ter rodado um vinil na eletrola (ah, não sabe que som iria escutar!), entende que está na hora de trocar de assunto. Aqui apenas uma observação: cuidado quando sugerir para um garoto na sua empresa mudar de assunto, talvez você não tenha tido paciência suficiente para entender que a sugestão dele pode transformar seu negócio.

 

Há outras expressões que usamos por força do hábito, mesmo diante das enormes transformações tecnológicas vividas nos últimos tempos: “pegou o bonde andando”, “deu tilt”, “tá tudo magiclick” – ok, ok, esta última foi forçação de barra, nem você lembrava mais daquele aparelho elétrico que ajudava a gente a acender o fogo no fogão.

 

Outra que há algum tempo já deixou de ter sentido é dizer que o fulano de tal “tá com o bolso cheio”, no sentido de dizer que ele meteu a mão em uma grana preta, ou acertou no bicho, ou pegou a mega-sena, ou fechou aquele contrato dos sonhos. Vem de um tempo em que recebíamos o salário em dinheiro vivo, geralmente dentro de um envelope. Imagino que, assim como eu, muitos de vocês, caros e raros leitores deste blog, há tempos não botam a mão no salário. Não porque o dinheiro é curto, mas porque é depositado eletronicamente na sua conta do banco. De lá, você transfere para pagar a luz, a água, o gás, a escola das crianças, a prestação das compras, a fatura do cartão, o posto de gasolina …. Nem o cafezinho no bar da esquina você paga mais com dinheiro. Se tirar uma nota de R$ 50 da carteira, a moça vai olhar com cara de incomodada: “tô sem troco!”

 

Arrisco dizer que o salário vai embora sem que você veja, literalmente, a cor do dinheiro.

 

Desde o fim do século passado, o papel-moeda passou a ser substituído pelo cartão de plástico, o chipe de silicone e, mais recentemente, por bits. Sim, podemos negociar moedas digitais que já circulam no planeta, apesar da desconfiança que paira sobre a novidade. A mais famosa de todas é o Bitcoin, o qual você compra e vende em corretoras especializadas, inclusive aqui no Brasil. Há quem já aceite fechar negócios nesta moeda que não tem lastro nem lustro, pois é “invisível”.

 

Arrisca-se dizer que esta é a quarta revolução monetária que assistimos desde o surgimento do dinheiro, há cerca de 3 mil anos, criado na Lídia, que resultou no sistema de mercado abertos e livres, como descreveu em livro Jack Weatherford. Em “A História do Dinheiro”, o autor identifica a segunda revolução na Renascença italiana, período que se entende entre os séculos 14 e 16, que criou o sistema de bancos nacionais e o papel-moeda. A terceira revolução iniciou-se no fim do século passado com a circulação do dinheiro eletrônico ou virtual.

 

O dinheiro já teve diferentes formatos desde conchas, chocolates, pedras enormes até chegar a moeda e as notas como conhecemos atualmente. Fizemos dele cheque, nota promissórias e mais uma montoeira de papéis que devidamente registrados valiam ouro no mercado. Todos eram suficientes para encher o bolso de seu proprietário. Hoje, a riqueza pode estar acumulada em sinais eletrônicos ou bits no seu celular, conforme você decidir armazená-lo.

 

Quantos bits são necessários para encher o seu bolso?

 

Foi com essa pergunta que iniciei a conversa com três jovens que têm se dedicado a usar, explorar e trabalhar com a criptoeconomia, que é o resultado de combinações de criptografia, redes de computadores e teoria de jogos que fornecem sistemas seguros que exibem algum conjunto de incentivos econômicos – definição esta encontrada no wikisite do Ethereum, outra moeda virtual que circula, porém sem a mesma fama do Bitcoin.

A conversa com os três você acompanha neste vídeo:

 

Um dos participantes da conversa foi João Paulo Oliveira, co-fundador da FoxBit- Bitcoin no Brasil, corretora especializada em criptomoeda, que acaba de se transferir para a XP. Epa …. A XP do Itau tá contratando gente que entende de criptomoeda? Tem coisa boa por aí! Estava com a gente ainda o Diego Perez, sócio fundador da LatoEx, que deu boas explicações sobre como o blockchain pode ser usado em diversos segmentos, para quem ainda desconfia de seu uso no sistema monetário. E para completar a roda: Patrick Negri, criador da Iugu, uma plataforma que facilita a vida de empresas na hora de cobrar, pagar e receber de seus clientes. Verdade que ele trabalha no formato mais tradicional de negócios, mas também investe uma pequena parcela do seu dinheiro em bitcoin.

 

De minha parte, que fiz apenas o papel de mediador e como tal curioso em entender o tema, fiquei com a impressão que, apesar do entusiasmo dos convidados e diante das ressalvas que eles próprios fizeram, muitos dos que assistiram ao encontro, ao vivo, saíram com a impressão que o bitcoin pode encher o bolso de muita gente, mas o perigo de o investidor se transformar em um “pé rapado” de uma hora para outra e sem nenhuma garantia de recuperação do dinheiro é grande ainda. No entanto, a tecnologia que move este cenário será transformadora nos mais diferentes setores para os quais for aplicado. Portanto, é bom ficar muito atento a esta discussão.

 

A propósito: 1 bitcoin vale hoje R$ 25.279,00.

 

Conte Sua História de São Paulo: a contadora de filme

 

Por Susana Menda
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Fui a São Paulo pela primeira vez em julho de 1954 para as comemorações
do 4o. Centenário. Na verdade, detestei e disse que nunca moraria nessa
cidade: “isto e um formigueiro de gente, comparado com a minha outrora
calma Porto Alegre”.

 

Paguei pela boca.

 

Aí há um hiato de muitos anos. Fiquei adulta, namorei um paranaense, até que um dia ele me disse: “vou embora para São Paulo, fui transferido”. Levei um baque, gostava muito dele , mas não sou de me afogar num copo d’agua, tratei de arrumar uma transferência no meu trabalho e tocar para Sampa.

 

Comprei um apartamento numa ruazinha pequena bem próxima a Av. Paulista e … cheguei eu. Telefonei para o trabalho do namorado e escutei a seguinte frase: “foi transferido para o Paraná”. Respirei fundo. Ele se foi, mas eu fico. Fiz todos os programas de um recém-chegado: Vila Madalena, Butantã, Teatro Municipal, Rua Augusta, Pinheiros, Masp, Mooca e o escambau.

 

Nesse ínterim minha irmã, o marido e a filha vêm para São Paulo. Por quê? Minha irmã, jornalista, veio para trabalhar na rádio CBN, dai minha ligação com a rádio .

 

Dia 21 de março de 1981, fui ao Cine Copan ver o “Touro Indomável”, com Robert de Niro. Lá me seguiu um nissei (o outro namorado também era) que me fez um pedido inusitado: “conte o filme para mim, acabo de chegar”. Anos depois, ele emendou: “eu estava no cinema a horas te vi chegar e te segui”.

 

Faz 35 anos que estamos contando filmes um para o outro e os responsáveis são o ex-namorado, aquele que foi para o Paraná, o Cine Copan, e, claro, São Paulo.

 

Susana Menda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, escreva seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: empresários tem de saber usar o potencial das pessoas com deficiência, ensina Guilherme Braga

 

 

Foi olhando ao seu redor que o advogado Guilherme Braga percebeu que as pessoas com deficiência simplesmente não existiam nos ambientes profissionais, aqui no Brasil. Uma situação bastante diferente daquela que havia encontrado pouco tempo antes, nos Estados Unidos, quando convivia com cegos, surdos, pessoas com restrição intelectual ou dificuldades para se locomover. Profissionais que tinham enorme capacidade de desenvolvimento e com nível de produtividade semelhante aos dos demais trabalhadores.

 

Diante desta realidade, Braga foi estudar o cenário brasileiro e descobriu que muitos empresários, por falta de informação, não eram capazes de cumprir a lei de cotas, de 1991, que obriga empresas a partir de 100 funcionários a oferecerem de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência. Criou a Egalitê, empresa de tecnologia que conecta esses profissionais com as empresas, em 2010, no Rio Grande do Sul. Três anos depois estava em São Paulo e, atualmente, já abriu espaço no mercado de trabalho para cerca de 4 mil pessoas com deficiência em 300 empresas, em 16 estados brasileiros.

 

“O que a gente precisa é que o gestor entenda que uma pessoa com deficiência não é um problema para ele, é uma grande potencialidade que ele tem na mão e que isso pode realmente trazer grandes benefícios para a sua equipe”, disse Braga ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, o empresário brasileiro ainda não é capaz de perceber que ao fechar o mercado para esses profissionais está desperdiçando grandes oportunidades.

 

E o potencial é grande mesmo: o Brasil tem em torno de 403 mil pessoas com deficiência trabalhando formalmente, enquanto a lei de cotas, se cumprida, poderia oferecer mais de 807 mil vagas.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão pelo site e pela página da CBN no Facebook.

 

O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Débora Gonçalves, Juliana Causin e Rafael Furugen.

Conte Sua História de SP: os sons e sensações da Avenida Paulista

 

 

Por Francisco Wanderley Midei
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte-internauta Francisco Wanderley Midei, que, cego, descreve o passeio ao lado da filha, Daniela, na avenida Paulista:

 

 

 

Sou paulista, da tribo Paulistano Paulista. E urbano. E como paulista que procura o que fazer num domingo de sol antes que a chuva forte chegue, estive na mais paulistana das avenidas, a Paulista.

 

 

Todas as tribos estiveram por lá neste domingo. Movimento de público nas ruas e nos bares. E com policiamento severo. Até o prefeito João Dória Junior apareceu por lá no meio da tarde. Soube por causa da agitação por onde ele passava. Espero que ele não tenha tocado nenhum instrumento.

 

 

Ele pode não ter tocado, mas um cantor mostrou todo o seu desafino, enfrentando a multidão nas cercanias do Parque Trianon. E não se acanhou, tocando até Raul Seixas, que, com certeza, deve ter se mexido no túmulo. Tão desafinado que o cantor cantou até Desafinado.

 

 

Andei pela Avenida em meio à multidão. Estive no Degás, o restaurante do MASP, mas não almocei lá. Era muito caro e um pouco barulhento. Passamos pela FIESP e descobri que lá não tem restaurante e não havia atividades porque estão de férias.

 

 

Paramos, eu e minha filha Daniela, para muitos selfs, inclusive um que mostrava, atrás de nós as bandeiras do Brasil e de São Paulo, a bandeira de treze listas, paulista como eu.

 

 

Para finalizar, fomos ao Conjunto Nacional e tomamos um icecream, assim mesmo, em inglês, porque estávamos no centro econômico do País e não ficaria bem tomar um sorvete de milho verde.

 

 

E como bom “paulista paulistano” voltamos correndo, temendo que a chuva nos impedisse de entrar em casa.

 

 

Foi bom.

 

 

Ouvi barulhos de skates, bicicletas e de cães que latiam aos montes acompanhados de seus donos. Ainda não sei se quem leva o cão é o dono ou o dono é quem leva o cão. Também não quero saber porque não vai ajudar em nada a minha cultura, já que tenho pavor de cachorro, inclusive os humanos.

 

 

Francisco Wanderley Midei é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história: escreve um texto para milton@cbn.com.br.