Sua Marca: o lado inovador da nostalgia

 

“Existe um lado da nostalgia que é inovador e por isso algumas coisas tem valor sempre. A gente tem de tirar essa ideia de que a nostalgia é uma coisa velha, mas, sim, de que é algo atemporal” —- Cecília Russo

O mundo contemporâneo sempre tem algo novo para nos mostrar e as marcas mais inteligentes estão em sintonia com esses movimentos, por outro lado também é verdade que impulsos nostálgicos alimentam a relação delas com os seus consumidores. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quando que vai ao ar, aos sábados, 7h55 da manhã no Jornal da CBN.

 

Em conversa com Mílton Jung, os especialistas em branding Jaime Troiano e Cecília Russo dizem que as marcas que entendem a alma de seus clientes e consumidores sabem que para ir à frente é preciso recuperar memórias saudosas mais afetivas: fazer um passeio pelo passado que ainda faz parte de nossas lembranças.

 

Algumas referências da área cultural mostram que a estratégia tende a dar certo quando realizada de forma competente e cuidadosa, caso do espetáculo das Frenéticas, que recentemente voltou aos palcos, ou a peça “O Amor e o Tempo”, que conta a história de Nelson Gonçalves, em cartaz em São Paulo, ou o filme Rocketman, com a biografia de Elton John.

 

No mundo das marcas um bom exemplo é a Granado Pharmácias, empresa brasileira de cosméticos, medicamentos e perfumarias, fundada em 1870. De acordo com Troiano, as lojas da Granado recriam um ambiente que remetem você ao livro “A Moreninha”, que se passa na Ilha de Paquetá, escrito por Joaquim Manuel de Macedo.

 

Nostalgia, tratada com inteligência, sem uma pegada careta, vende muito e presta uma homenagem a momentos inesquecíveis da vida. O importante, alertam Troiano e Cecília, é não confundir nostalgia com coisa velha e ultrapassada: tem de renovar sempre, não pode deixar a marca empoeirar.

Conte Sua História de São Paulo: cheguei cego e menino na cidade que me acolheu

 

Por Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho
Ouvinte da CBN

 

 

O dia 2 de março de 1965, uma terça-feira, constituiu-se num marco definitivo em minha vida, pois naquela manhã um tanto assustadora desembarquei juntamente com meu saudoso pai, na antiga rodoviária de São Paulo, no bairro da Luz, procedente de minha cidade de origem no Estado do Paraná, a cidade de Maringá, visando iniciar meu ciclo de formação escolar fundamental no instituto de cegos Padre Chico, no bairro do Ipiranga.

 

Inicialmente, para mim que contava então com a idade de seis anos, considerando ainda que jamais deixara minha cidade a não ser para tratamento médico, abria-se um mundo sombrio e totalmente desconhecido onde a profusão de sons que se misturavam em uma sinfonia severa, num primeiro momento muito mais assustavam e constrangiam do que arrebatavam.

 

Logo ao desembarcar, o ruído quase uníssono e o odor que entorpecia de dezenas de veículos da marca DKW Vemago, que naquela época eram utilizados como táxis, iam aos poucos absorvendo minha percepção, demonstrando de forma avassaladora a austeridade e o domínio implacável da cidade-gigante que me recebia.

 

E foi assim sob este misto de temor e expectativa que chegamos ao instituto Padre Chico, a escola que eu tanto aguardava, porém nos moldes da rotina de minha irmã mais velha, na escola que ela já frequentava há algum tempo lá em minha longínqua cidadezinha e que me despertara para aquela ansiosa expectativa da escola; porém, quando meu pai me deixou no internato em um ambiente inovador mas totalmente estranho, ao cair na realidade da distância e da falta da família, sobretudo de minha mãe, passei por um período de difícil adaptação, mas gradativamente fui desvendando, através da dinâmica eloquente das atividades desenvolvidas no Instituto, os enigmas e a magia da cidade que me acolhera, convertendo mais e mais todo aquele temor inicial em conquistas que iam sedimentando meu apreço e admiração por seus valores, sons que me conquistavam, sua história e sua potencialidade predominante de proporcionar inovações, mutações e conquistas diante de desafios inimagináveis para uma criança cega como o meu caso e também para minha família.

 

Embora as atividades da dinâmica escolar absorvessem parte substanciosa de minha vida como aluno interno do Instituto, paralelamente fui sendo cada vez mais inserido no âmbito das novidades peculiares à cidade de São Paulo, ensejando assim cada vez maior enquadramento e uma crescente afeição aos seus valores, que me envolviam em uma verdadeira magia de sons que, se inicialmente assustavam e até constrangiam, iam consubstanciando em meus sentimentos um apreço cada vez mais vinculante e também fascinante em face a esta cidade que me acolhera, e ia definindo um futuro moldado por aspirações e expectativas.

 

Um dos primeiros sons que me encantou por sua característica estridente e o tilintar do seu sinalizador sonoro de alarme foi o inesquecível bonde, que ligava o Ipiranga à praça João Mendes; muitas vezes aos finais de semana, aos sábados eu era retirado do Instituto para passar o domingo com uma família de amigos de meu pai que residira em Maringá no passado, quando então tomávamos o bonde cujo ponto inicial era em frente à portaria do Instituto, descíamos na praça João Mendes, seguíamos pela rua Direita, atravessávamos o viaduto do Chá e seguíamos para a praça Ramos de Azevedo, lá tomávamos o ônibus para a vila Leopoldina onde residiam. A vila Leopoldina era provinciana, parecia mesmo uma cidadezinha do interior; ali me encantava com o ruído emitido pelos subúrbios da antiga Sorocabana, a sineta de sinalização da cancela da estaçãozinha por onde transitavam os trens.

 

O Museu do Ipiranga também tornou-se reduto de visitas frequentes dos alunos internos do Instituto, percorríamos aos domingos, seus extensos jardins adornados por vastos gramados, ouvindo os sons inconfundíveis dos realejos e a nostalgia de suas melodias, sempre repetitivas e no mesmo ritmo como a acalentar nossas imaginações sonhadoras de criança.

 

Ainda envolto pelas recordações singelas daquele período inicial, o parque Xangai, na baixada do Glicério, com seus brinquedos exóticos e muitas vezes temerosos para mim em razão da confusão dos sons estridentes que emitiam, tornou-se um dos nossos ambientes preferidos de diversão, conquanto me intimidassem até que superasse a barreira severa da primeira experiência.
No rádio da época a Jovem Guarda ousava confrontar a explosão dos Beatles, da onda avassaladora das canções italianas e norte-americanas, proporcionando neste devaneio sonoro a nova característica da música jovem brasileira.

 

O rádio fazia fluir por pontos diversos da cidade os toques soturnos e melancólicos do carrilhão do mosteiro de São Bento, irradiados hora a hora pela extinta rádio Piratininga, uma espécie de clamor do coração paulistano que até hoje e creio que para sempre, persistirá latente em minhas recordações mais sutis desta cidade-gigante que jamais perderá sua magia de encantar.

 

Todos os anos no mês de outubro, na semana da criança, visitávamos o inesquecível salão da criança que era instalado no Ibirapuera, que nos acolhia em um recanto de singelas imaginações e sonhos acalentadores e sublimes.

 

A biblioteca infantil Monteiro Lobato na vila Buarque era frequentada pelos alunos do Instituto todas as quintas-feiras. Naquele ambiente saudoso e inesquecível, tínhamos acesso a um acervo de livros em Braille, discoteca com um diversificado repertório de canções e histórias infantis, sala de jogos e brinquedos pedagógicos, teatrinho de fantoches e até academia infanto-juvenil de letras fazendo-me já naqueles tempos imemoriais, usufruir das nuances culturais de São Paulo, cujos preceitos e riquezas prevalecentes prosseguem emoldurando minha vida com intensidade e nobreza.

 

E foi assim, envolto por esta trajetória evolutiva da cidade que me acolheu, me encaminhou e me formou que fui transpondo todas essas etapas precedentes, deixei o Instituto após ter concluído o primeiro grau, prossegui meus estudos no ensino médio ainda no bairro do Ipiranga, ingressando por fim no curso de direito da PUC-SP, onde me formei em 1984.

 

Como se pode depreender desta singela síntese histórica, não mais me afastei desta cidade, que um dia foi até designada por alguém que não me lembro quem como (selva de pedra) mas que para mim foi e sempre será o símbolo da nobreza, da cultura, da conquista da inclusão e do sucesso decorrente da valorização profissional.

 

São Paulo em minha opinião é mais mãe do que pai, pois tal qual um coração de dimensões imensuráveis, sabe acolher, confortar e amar, sem abdicar da prerrogativa de exigir e valorizar seus filhos, sejam naturais ou adotivos, todos na mesma amplitude de amor maternal, por isso São Paulo, quero exprimir meu amor filial delineado neste abraço supremo e eterno.

 

Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie a sua história, também: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Ricardo Geromel fala dos novos negócios da China

 

 

“Não só ver a China como um mercado para importar produtos baratos e geralmente de baixa qualidade — como era no passado. Mas ver a China como pera aí, o que é que está acontecendo no futuro que ainda não chegou aqui? … e a gente fazer um colar e copiar, tropicalizando ou se inspirando em algumas ideais. E os grandes empresários brasileiros e do mundo inteiro estão fazendo isso” – Ricardo Geromel, empreendedor

A China tem 202 startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares — são empresas de capital fechado conhecidas pelo nome de unicórnio. Aqui no Brasil, o número de unicórnios não chega a dez.

 

As empresas chinesas levaram, em média, quatro anos para alcançar a essa marca, sendo que 42% delas ganharam o status em menos de dois anos —- um processo que leva, em média, sete anos, nos Estados Unidos.

 

Esses são alguns números que mostram a velocidade com que o ecossistema de startups se desenvolve na China, segundo Ricardo Geromel, CEO da StartSe, empresa criada em Minas Gerais e com escritório em Xangai, articulista da revista Forbes, nos Estados Unidos, e autor do livro “Bi.lio.ná.ri.os”.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, ao programa Mundo Corporativo, Geromel disse que a boa notícia é que as bilionárias empresas chinesas estão em um processo de internacionalização e interessadas em novos negócios no mundo, o que abre perspectiva de parcerias com empreendedores brasileiros. Ao mesmo tempo, ele chama atenção para a necessidade de se aprender com as estratégias usadas pelos chineses:

“O que eu diria que é o essencial: o chinês tem o tal do yin e yang, ele consegue funcionar a longo prazo executando no curto prazo; então, comece a criar relações com os chineses, eles nunca gostam de fechar negócios na primeira reunião, a primeira reunião é para a gente se conhecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter (@CBNoficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

Sua Marca: a responsabilidade social das marcas ao criar tendências de comportamento

 

 

São as marcas que impõem comportamentos à sociedade ou o comportamento surge na sociedade e influencia as marcas? Para Cecília Russo e Jaime Troiano, comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, existe um efeito de retroalimentação quase que reproduzindo o dilema que ficou famoso na publicidade: Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

 

Apesar disso, também é inegável que, por exemplo, os padrões estéticos com os quais as marcas trabalham costumam surgir nas classes mais altas da sociedade e são impostos as demais camadas da pirâmide social — um movimento que se identifica quando se estuda a influência que as marcas têm no comportamento das pessoas, diz Jaime Troiano.

 

Diante dessa realidade, alerta Cecília Russo, as marcas precisam desenvolver uma responsabilidade social respeitando as características e desejos dos diversos públicos, sem perder o seu caráter aspiracional. No passado, tinha-se o sabonete Lux que usava como bordão “o sabonete das estrelas”, com a intenção de tornar acessível a todas as mulheres a sensação de beleza e luxo das artistas de televisão e cinema.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a apresentação de Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: a milagre de Fátima na Vila Jaguara

 

Por Osnir G. Santa Rosa
Ouvinte da CBN

 

 

 
Em 1952, minha família estava morando numa casa alugada, enfiada no seio da Mata Atlântica, no bucólico bairro do Tremembé. Para as crianças, como eu, ali era o paraíso uma vez que tinha muitos pés de jaboticaba e outras frutas como pinhão, goiaba .. Achamos, certa vez, um enorme pé de pera willians que alguém havia plantado uns 40 anos atrás. Vivíamos, também, junto a passarinhos, galinhas, patos, cachorros e porcos. Assim, mesmo pobres, não faltava o que fazer para se divertir.

 

Meu pai era chofer de praça. Uma noite ao chegar em casa ele contou para minha mãe que havia servido o grande ídolo do Palmeiras, Caieiras. E que ele estava sofrendo muito com seu filho acometido de forte mal que hoje sabemos ser alergia, mas, naquele tempo, não se ouvia essa palavra. Minha mãe era muito religiosa, um tanto mística, devota fervorosa de Nossa Senhora Aparecida. Imediatamente, disse para meu pai: — Por você não disse pra ele pedir um milagre para Nossa Senhora Aparecida? Meu pai: — Puxa, é mesmo. Ele mora no caminho que eu faço todos os dias. Vou tentar dizer isso pra ele.

 

Alguns dias depois, ao chegar em casa, meu pai deu a notícia para minha mãe de que havia sugerido para o Caieiras aquela ideia de ele fazer uma promessa; e que ele gostou tanto que decidiu contratar os serviços de táxi para levar sua mulher e o garoto para Aparecida. Mamãe, sempre esperta, falou, então: — Olha, Lindo, como vai sobrar uma vaga no carro será que ele me deixaria ir também. Gostaria tanto de ver de perto Nossa Senhora Aparecida.

 

Claro que Caieiras não se opôs e foram todos visitar a Padroeira do Brasil. Chegando lá, conta minha mãe, que ao ver tanta gente pedindo milagres que decidiu, ela também, pedir o seu. E qual era o seu? Ter uma casa própria.

 

Passadas duas semanas, apareceu uma pessoa de origem nordestina no ponto de táxi do meu pai oferecendo um terreno com uma casinha em Vila Jaguara, extremo oeste da capital. Era tão longe que nem os motoristas de táxi sabiam dessa vila. Contando para minha mãe esse fato ela imediatamente viu ali a mão da Virgem. E disse, vamos lá conhecer. Se tiver luz, água e escola para os meninos vamos fazer o máximo de esforços pra comprar. E assim, em 1953, deixamos o Tremembé, depois de darem uma ajeitada na casinha em que chovia mais dentro do que fora. E é de onde escrevo este texto. Onde sofremos muito, e muito rimos e brincamos. Alto de Vila Jaguara, junto ao quilômetro 12 da rodovia que mal acabara de ser inaugurada, a Anhanguera.

 

Em tempo: meu pai chegou ver o filho de Caieiras já moço, mas não ficou sabendo se houve ou não o milagre.
 

 

Osnir Geraldo Santa Rosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: relacionamento profissional é determinante para quem busca emprego, diz Guilherme Fernandes

 

 

“Vá atrás de promover o seu conhecimento, adquirir maiores conhecimentos através de networking, as pessoas são imprescindíveis para isso, não existe inteligência artificial que substitua” —- Guilherme Fernandes, Alexander Hughes

Setenta por cento das contratações de altos executivos são resultado da rede de relacionamento profissional que deve ser construída ao longo da carreira e não apenas no momento em que se busca a transição para outro cargo. A informação é de Guilherme Fernandes, sócio e CEO da Alexander Hughes, especializada em recrutamento de executivos, que foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN.

“Essas vagas tem de ser prospectadas pelos executivos, e isso é através de networking, conversas, apresentações, simpósios, feiras, e todo o tipo de evento onde a pessoa possa se mostrar, perder a vergonha, partir para o ataque e mostrar quem ele é e onde ele pode ajudar as empresas”

Fernandes conta a experiência de um profissional que usava o saguão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para se relacionar com outras pessoas e investia em uma estratégia muito mais simples e barata do que se poderia imaginar: puxava conversa com todos aqueles que sentavam ao lado dele, sempre atento as oportunidades que aquele novo contato poderia gerar.

 

Com esse exemplo, o CEO da Alexander Hughes ressalta que os profissionais que estão em transição de carreira têm de ter planejamento, proatividade e dedicar muitas horas do seu dia na busca de um novo posto, cumprindo horário e tarefas como fazia na época em que ocupava um cargo de liderança na empresa.

 

Uma palavra de ânimo aos executivos que perderam o emprego após os 50 anos: é preciso entender que o momento é diferente assim como a realidade salarial, mas que as empresas têm interesse na sua experiência.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast e no canal da CBN no You Tube. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: morei ao lado dos galinheiros da 25 de Março

 

Por Eduardo Britto
Ouvinte da CBN

 

 

Tenho 53 anos, nasci no Hospital do Servidor Público Estadual, mas como no dia seguinte minha mãe já estava em casa, na rua 25 de Março, considero que nasci bem no centro da cidade, entre o Parque Dom Pedro II e o Pátio do Colégio.

 

Naquele tempo, segunda metade da década de 1960, a rua 25 de Março já tinha um comércio forte. Nada parecido com o volume e a ebulição do comércio atual. Na verdade, o quarteirão em que eu morava, os primeiros 200 metros dessa rua tradicional, até hoje tem um movimento bem diferente do resto da rua. Naquela época alternava comércio de tecidos e galinheiros — isso mesmo, havia um grande comércio de galináceos naquele trecho. Bem, as aves foram embora, algumas lojas de tecidos estão lá até hoje, mas é um trecho, digamos, bem parado e decadente.

 

Tive a chance de conhecer o Parque Dom Pedro ainda com flores e jardins. Em volta do Palácio das Indústrias havia um tanque e chafariz com peixinhos vermelhos! Isso mudou quando começaram as obras do metrô nas praças Clóvis Beviláqua e Sé, e os ônibus que faziam ponto final lá mudaram para o novo terminal no Parque Dom Pedro II, que perdeu o verde, ganhou asfalto e cimento, nunca mais foi o mesmo.

 

Joguei muita bola na praça Fernando Costa, no encontro da 25 de Março com a rua General Carneiro, onde havia um grande gramado e árvores, uma praça que parecia do interior. Hoje ela está soterrada por barracas de comércio ambulante…

 

Em 1972, eu tinha nove anos, mudamos para o Bixiga. Mudamos só no meio daquele ano, e como eu tinha que começar o ano letivo já na escola nova, passei a tomar um ônibus, linha Previdência da CMTC, às 6h30 da manhã, no Parque Dom Pedro II — o ônibus que me deixava na rua da Consolação, na Escola Estadual Marina Cintra. O grande desafio era conseguir descer naquela altura da Consolação, pois o ônibus era hiper-lotado, e algumas vezes eu estava antes da catraca —-naquela época entrávamos pela porta de trás — e só conseguia descer quando o ônibus desovava a maioria dos passageiros, no Hospital das Clínicas.

 

Numa das vezes, lembro muito bem, eu desci lá nas Clínicas e, tendo perdido a hora, e querendo economizar o dinheiro da volta, desci a pé a Consolação, passei na frente da escola e continuei descendo, atravessei o Viaduto do Chá a rua Direita, a rua General Carneiro. Fui até a minha casa. Quantos quilômetros a pé e com apenas nove anos. Os pais naquela época não se preocupavam com os filhos andando na rua; e realmente não tinham razão para se preocupar.

 

Fiz o ginásio no Marina Cintra. Já o colegial me permitiu ter um dos maiores orgulhos de minha vida acadêmica: através de um “vestibulinho” consegui entrar no Colégio Caetano de Campos, coisa que a minha mãe sempre tentou no passado e não conseguiu, porque era uma escola estadual das elites. Em 1977, fiz o 1º ano do colegial naquele prédio suntuoso do Caetano de Campos, e já no ano seguinte, 1978, o prédio deixou de ser usado como escola para as obras da linha vermelha do metrô. Então, uma parte dos alunos foi para o novo e moderno prédio do Caetano, na Pires da Mota, na Aclimação, e um grupo, eu incluso, foi para a unidade do Caetano que ocupou o belo casarão da antiga escola alemã, o Colégio Porto Seguro, na praça Roosevelt.

 

Era uma época em que eu e toda minha geração tivemos a oportunidade de conhecer uma escola pública de muita qualidade, em São Paulo.

 

Eduardo Britto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: saiba equilibrar repetição com inovação

 

“São as duas grandes vertentes do bom branding, combinar o quanto eu me inspiro com o que dá certo, já conhecido, e o quanto eu preciso arriscar com as coisas que não existem” – Jaime Troiano

A distância que separa a repetição da inovação costuma ser mais sutil do que pensamos. As marcas que mostraram novos caminhos não saíram do zero, estavam inspiradas em ações já realizadas mas não temerem se arriscar na busca do novo. O equilíbrio entre inovação e repetição foi o tema da conversa do jornalista Mílton Jung com Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.

 

O gestor de marcas tem de fazer um cuidadoso mapeamento do que o mercado, as pessoas, os consumidores dizem, pensam e, principalmente, sentem. Pois ao conquistar esse conhecimento abre novas fronteiras e dá um impulso para além dos limites conhecidos e mais ocupados por outras marcas.

 

Uma das lições que aprendeu ao longo da carreira, segundo Troiano, foi que se você der ao consumidor apenas aquilo que ele pede, cuidado porque alguém pode oferecer algo que ele nunca tinha visto antes e pelo qual vai se apaixonar.

 

Já Cecília Russo lembra de uma marca com a qual trabalhou há 25 anos, dedicada ao mercado de congelados, que teve enorme dificuldade para se firmar, pois o consumidor ainda não estava preparado para aquela novidade:

“A inovação tem um timing para acontecer”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: invista tempo e energia naquilo que você é bom, sugere Eduardo Ferraz

 

 

“Nenhum de nós tem mais de cinco tarefas importantes no trabalho, no emprego ou em uma carreira; quem tem cinco atividades e não gosta de três, vai ter uma carreira medíocre”— Eduardo Ferraz, consultor.

A personalidade do ser humano é como um prédio, tem características estruturais que não mudamos, por isso temos de nos esforçar para mexer no acabamento. Para isso, é necessário identificar os pontos fracos e fortes e investir tempo e energia para melhorar aqueles aspectos em que já somos bons. É o que defende o consultor Eduardo Ferraz, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Como essa discurso, Ferraz busca desmentir o mito de que as pessoas podem fazer qualquer coisa desde que queiram fazê-las:

“A gente consegue mudar o acabamento —- a pintura, a decoração, os eletrodomésticos — mas não muda o prédio de lugar”.

Autor do livro “Seja a pessoa certa no lugar certo”, Eduardo Ferraz fala de estratégias que devem ser adotadas pelos profissionais para progredir na carreira, como aprimorar o autoconhecimento no que identifica como as cinco grandes dimensões que compõe a personalidade:

1. Conheça seu perfil comportamental
2. Descubra o que o motiva
3. Identifique seus principais talentos
4. Aprimore suas atitudes
5. Corrija seus pontos limitantes

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter (@CBNOficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN; domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast. Você pode acompanhar o Mundo Corporativo também no canal da CBN no You Tube e no Spotify. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: és imensidão espraiando diante dos meus olhos!

 

Por Vera Carreiro
Ouvinte da CBN

 

 

São Paulo, cidade gigante em todos os sentidos: no tamanho, nas oportunidades, na emoção, no coração! São Paulo, a cidade que palpita, estertora, estrebucha, não para, não dorme!

 

São Paulo da miscelânea cultural, dos imigrantes, dos migrantes, dos poetas, dos cantores, dos artistas.

 

São Paulo dos contrastes, dos mendigos, vagabundos, trabalhadores, adultos, crianças, jovens e anciãos, ricos, pobres, arrogantes, humildes, mansa, embrutecida, alegre, triste, evoluída, estagnada, muito bela, muito feia!

 

São Paulo de todos os matizes, de todas as misturas, de todos os superlativos, de todos os diminutivos, de todos os problemas e todas as soluções. Se fosse escrever sobre todos os teus atributos, precisaria de um livro imenso, do teu tamanho, por isso, simplesmente me aterei à impressão, causada em mim, ante teus pés: Nossa! Como és Grande! És o mundo dentro de uma cidade!

 

És imensidão espraiando diante dos meus olhos! Sinto que minha visão é pobre e diminuta perto do teu tamanho. Cidade a perder de vista, com teus arranha-céus, praças onde cantam bem-te-vis e sabiás, ruas estreitas, avenidas largas e modernas, a maior frota de carros e veículos já vista, pessoas de todos os tipos e lugares se misturando, um formigueiro sem tamanho! O bonito e o feio se confundem em ti.

 

És hospitaleira, recebendo a todos com enormes braços abertos, oferecendo teu abrigo, teu sustento, tuas facilidades, teus horizontes, tuas oportunidades infinitas e, ainda, teus viadutos e marquises aos desabrigados.

 

E, por seres assim, tão mãezona, é que abrigas também o lado menos bonito da cidade. É porque teus tutelados menos nobres não te honram com trabalho, disciplina, boas ações, bons sentimentos e versam para o crime, a desordem, a ociosidade, a delinquência, o estelionato, etc.

 

És concomitantemente rica e pobre. Proporcionas, a cada um, o que procura ou faz por merecer: ao rico de ideais, de vontade e trabalho, a riqueza; ao pobre de ideais e de vontade, a pobreza.

 

Ofereces a oportunidade reivindicada a qualquer pessoa, sem distinção, nem discriminação, como um imenso coração de “mãe”!

 

Vera Carreiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para participar desta série, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br