Avalanche Tricolor: orgulho, humildade e sabedoria ajudarão a encarar as prioridades

 

 

Grêmio 0x1 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Edilson em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioOficial

 

 

Estouravam foguetes e gritavam a vitória quando eu estava chegando à zona norte de São Paulo. Era lá que encontraria um dos meus filhos que, horas antes, havia conquistado bom resultado no cenário do esporte eletrônico – ainda bem, pois assim tive motivos para comemorar neste fim de semana. A distância entre minha casa e o local em que o time dele vive rendeu mais do que os 45 minutos do segundo tempo, o que me dividiu a atenção neste fim de tarde de domingo: parte do jogo na TV, outra no rádio – aliás, que saudades me deu de Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antonio Ranzolin e, claro, das narrações que ouvia do pai na Guaíba de Porto Alegre.

 

A comemoração da torcida adversária, que ecoava no início da noite, às margens da Rodovia Dutra, sinalizava a importância que esta dava ao jogo e o respeito que tem pelo Grêmio. Respeito que construímos até aqui com o futebol qualificado e intenso imposto a cada partida, mas que não apareceu com a mesma eficiência neste domingo.

 

As maiores chances de levarmos vantagem no placar surgiram no primeiro tempo, mas, curiosamente, a maior de todas veio exatamente no segundo, quando desperdiçamos pênalti. E se sequer fomos capazes de empatar com um pênalti a nosso favor, que o resultado sirva de ensinamento para as próximas partidas. Tenho certeza que será, pois temos um grupo maduro para absorver derrotas, aprender com elas e dar a volta por cima.

 

Primeiro de tudo, tirar da cabeça esta história de final atencipada. Nada se decidiu hoje à tarde, por mais que a vitória caísse muito bem para encararmos a maratona de competições que temos pela frente. Só de Brasileiro são mais 28 rodadas e 84 pontos a serem disputados. Acreditar que o campeonato lá no fim do ano será o mesmo desta primeira parte e não considerar os tropeços naturais que ocorrem no meio do caminho, é esquecer as temporadas passadas disputadas em pontos corridos.

 

Segundo, nada que ocorreu neste domingo deve ou pode impactar nossos objetivos. Nesta semana temos Copa do Brasil e logo ali vamos disputar a Libertadores, e sabemos bem que esta é a nossa prioridade. Portanto, cabeça erguida, orgulho com o que fizemos até agora, humildade para identificar as fraquezas e sabedoria para melhorarmos a cada jogo. Renato haverá de saber fazer tudo isso.

Avalanche Tricolor: o Grêmio não espera acontecer

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Rocha faz aos 10min do primeiro (reprodução SporTV)

 

 

Um aos 10 do primeiro tempo. Outro aos 40 do segundo. E entre um gol e outro aquela velha preocupação de que alguma coisa poderia dar errado. Sei lá, de repente um atacante que passou pelo nosso time sem nunca fazer nada, desencanta contra nós. Ou o outro que pouco fez quando esteve do outro lado, resolve fazer exatamente contra a gente. Quem sabe um chute sem noção desvia no nosso zagueiro, bate no travessão, volta, rebate nas costas do goleiro e entra no nosso gol. E lá se vão os três pontos que tanto queremos.

 

Estamos sempre a espera de uma desgraça, como se não confiássemos naquilo que assistimos jogo após jogo: um time respeitado Brasil à fora, enaltecido por comentaristas (claro que tem as exceções até para confirmarem a regra), que joga bonito, sabe passar e tocar a bola de pé em pé, se movimenta com velocidade, busca o gol o tempo todo e ainda é capaz de marcar com intensidade e se sustentar com uma defesa consistente, mesmo que nem todos os titulares estejam em condições de jogar.

 

Situação curiosa essa que vivemos, pois temos um time de futuro mas seguimos analisando-o com a ótica do passado. Desconfiamos do nosso próprio sucesso e, mesmo que tenhamos orgulho do que estamos vendo, ficamos com aquela estranha sensação: até quando tudo isso vai dar certo? Talvez seja resquício de um passado recente, reflexo do último título que queríamos conquistar mas desperdiçamos ainda na semifinal, logo no início desta temporada. Como se não tivéssemos vencido há alguns meses a Copa do Brasil.

 

O esbravejar de Renato ao lado do campo talvez dê razão a esses torcedores. Ele próprio não permite que o time acredite na sua superioridade. Quer ver o Grêmio jogando boa parte da partida como se estivesse precisando do resultado, sem tirar o pé, sem reduzir o ritmo, em alta velocidade e em alta intensidade. Melhor que seja assim, dessa forma não baixamos a guarda nunca, pois a maratona é longa e não dá para relaxar.

 

 

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Fernandinho faz o segundo aos 40 da etapa final (reprodução SporTV)

 

 

Os resultados do Brasileiro – na Libertadores e na Copa do Brasil também tem sido assim –  demonstram, porém, que estamos mais preocupados do que deveríamos. Enquanto esperava o segundo gol, capaz de espantar qualquer risco de desperdiçarmos os três pontos em casa, na noite desta quinta-feira, consultei os arquivos da competição e confirmei o que tenho pensado há algum tempo:

 

Em oito de nove rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio marcou gols no primeiro tempo. Em cinco partidas, bastaram 20 minutos para estarmos na frente. Em quatro delas, antes dos 10 minutos já tínhamos a vantagem.  Apenas em uma, quando escalamos o terceiro time, fazer o gol cedo e antes do nosso adversário não foi suficiente para sairmos vitoriosos. 

 

Ou seja,  o Grêmio não espera acontecer.

O seu técnico já leu “Moneyball”?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Campeonato Brasileiro mal começou e é visível a importância do acerto nas contratações de jogadores. Nem sempre o maior investimento é o melhor resultado. E, hoje, vemos que os times na ponta da tabela são os que menos gastaram em aquisições. Ao mesmo tempo também é de fácil observação nestes casos o excesso de prática sem análise, ou seja, confiar apenas na experiência de especialistas.

 

Há cinco anos, Daniel Kahneman, Nobel de Economia, ensinava que a decisão correta deve ser tomada rápida e devagar, isto é, com prática e teoria.*

 

(leia, também, meu artigo: O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas)

 

A partir dessa premissa, Michael Lewis, economista e historiador, através do best-seller “Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo” revolucionou o beisebol, aplicando a estatística para a contratação de jogadores. Num dos relatos, Lewis aponta a análise incorreta na avaliação de um jogador, quando a velocidade embora excepcional tivesse que estar conjugada a outros golpes.

 

 

Esta semana, Michael Lewis está nas páginas amarelas de Veja, onde fala sobre os limites da mente, ao comentar seu recente lançamento “O Projeto Desfazer”, do qual espera que as pessoas possam entender as diferenças entre o julgamento de um analista de dados e o julgamento intuitivo.

 

Mas o que me levou a trazer Michael Lewis para a pauta de hoje foi a seguinte fala:

 

“O médico lista os sintomas e o algoritmo diz qual deve ser a doença. Eu não sei se as análises de Moneyball afetaram o futebol brasileiro, mas imagino que hoje seja muito menos provável que a avaliação dos jogadores e das estratégias seja feita por uma única pessoa que se autodenomina especialista do que por meio de análise criteriosa de estatísticas sobre o desempenho dos atletas”.

 

Que todos perguntem aos técnicos dos seus times se já leram Moneyball, e se concordam com Lewis. Ao Rogério Ceni, além dessas questões indagaria se o algoritmo de Lucão é favorável.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

Avalanche Tricolor: sem jamais perder a magia

 

Cruzeiro 3×3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão/Belo Horizonte-MG

 

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Ramiro marcou o 3º do Grêmio (reprodução SporTV)

 

Haverá gremista se lamentando porque cedemos o empate e desperdiçamos a oportunidade de terminar a oitava rodada como líder do Campeonato Brasileiro.

 

Eu não!

 

Ouvi Ramiro,no fim da partida, choramingando ao repórter que tinha lhe feito uma pergunta qualquer. Queria ter terminado o jogo com a vitória. E entendo a insatisfação de um jogador que lutou mais de 90 minutos em busca do gol: fez o dele, permitiu que os outros fizessem os seus e esteve presente em boa parte das jogada de ataque. Suou e jogou muito para merecer a vitória.

 

Assim como Ramiro, jogaram demais: Michel, Arthur, Everton, Pedro Rocha e Luan – apenas para citar aqueles que estão na nossa linha de frente. A turma lá de atrás também redobrou-se para sustentar o resultado, diante de uma equipe necessitada de pontos e empurrada pela sua torcida. Foi esse somatório que nos fez jogar sempre na frente do placar, mesmo fora de casa. Infelizmente não foi suficiente, cedemos o empate, e nossos jogadores devem estar incomodados com isso.

 

Insisto: eu não!

 

Independentemente do que chegamos a ter em mãos por alguns momentos desta segunda-feira – a vitória e a liderança do Campeonato -, fizemos hoje no Mineirão um baita jogo de futebol. Uma partida de orgulhar o torcedor pela maneira como o time se comportou em campo, pelo talento com que alguns dos nossos jogadores demonstraram, pelo toque de bola preciso e com categoria apresentado especialmente no nosso meio de campo.

 

O prazer de ver o Grêmio jogar a bola que está jogando sob o comando de Renato não me dá o direito de reclamar do resultado. Estaria, sim, desconfortável se saíssemos com um daqueles empates alcançados com futebol retranqueiro e sofrido. Ao contrário, quem assistiu ao Grêmio nesta noite, teve a convicção de que somos um time para disputar o título. E o título está em disputa, mesmo porque ainda é cedo para qualquer definição.

 

O Grêmio poderia terminar a rodada líder, é verdade; não o fez, mas a encerrou na disputa da liderança. Tem muitos jogos pela frente e adversários diretos já nas próximas partidas. Está maduro, bem formado, com jogadores importantes voltando aos poucos e encantando por onde passa. Temos de ter consciência que para alcançarmos a conquista maior é preciso capacidade de superar reveses e entender placares adversos, sem jamais perder a magia.

 

 

 

Avalanche Tricolor: o time de “4 volantes” que dribla a lógica do futebol

 

Fluminense 0x2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

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Edílson fez o primeiro de falta (reprodução Premier)

 

O  Grêmio dribla a lógica do futebol e dá um nó na cabeça dos cronistas esportivos. Há dois jogos é acusado de jogar com quatro volantes, solução encontrada por Renato para suprir a ausência de Barrios no comando do ataque. E com quatro volantes, para a maioria dos críticos coisa de gente que prefere a retranca e não gosta de criatividade, somou seis pontos no Campeonato Brasileiro, três deles nesta noite de quinta-feira quando jogava fora de casa. Ok, você me dirá que o Rio é a casa do Renato e o Maracanã, palco preferido do Grêmio, e eu vou concordar*. Mas, tecnicamente falando, jogar lá e jogar fora de casa.

 

O que me espanta é alguém ainda entender que Ramiro, por exemplo, é volante. Ele até é volante quando a gente precisa, mas sabe jogar muito bem quando se posiciona mais próximo da área do adversário ou ao cair pelo lado direito revezando com o lateral – no caso de hoje com Edílson.

 

Arthur também entra na conta dos nossos volantes, porque deve ter sido assim inscrito nas planilhas oficiais em algum momento. Hoje, esteve por duas vezes diante do gol, prestes a marcar, e manteve a bola nos pés, articulando no meio de campo, por quase toda a partida. Sim, quando o Grêmio é atacado, ele volta para marcar, fecha na frente da área, rouba a bola e retoma sua função de articulador. Porque assim é o time do Grêmio: solidário, compacto e guerreiro para impedir ameaças do adversário; trocador de passe, ágil no toque de bola, rápido se necessário e matador quando ameaça o adversário.

 

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Luan fez o segundo de falta (reprodução Premier)

 

Pra complicar ainda mais as ideias: venceu na noite de hoje, como disse um jogador do outro time ao fim da partida, com duas bolas paradas. Tem razão no que diz; perde a razão na maneira como diz. Dá a entender que isso é demérito ou lance de sorte. Ledo engano. As faltas foram resultado da troca de passes veloz e da busca do drible. E as cobranças, resultado de muito treino e categoria. Na força, Edílson fez a bola dançar entre a barreira e o goleiro, no primeiro gol. Na sutileza, Luan acariciou a bola com o peito do pé e  a fez deslizar pela rede sem qualquer chance para o goleiro.

 

Com “quatro volantes” e “dois gols de bola parada”, Renato faz no comando da equipe o mesmo que fazia quando comandava nosso ataque: deixa o adversário desnorteado, e os críticos, também.

 

Em tempo: o Grêmio Show encantou em campo e foi acompanhado por nossa torcida que cantou mais alto, no Maracanã.

Avalanche Tricolor: uma questão de amor!

 

 

Grêmio 1×0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Geromel e Kannemann comemorar vitória (reprodução da SporTV)

 

Uma segunda-feira destinada aos namorados, àqueles casais que se aceitam como são e por isso se amam como se amam. Sabem que a perfeição não existe, porque essa somente surge quando a vida acaba. E queremos vida longa para viver ao lado de quem amamos. Um amor que explica sacrifício e compressão.

 

Sinto-me privilegiado. Há 26 anos, comemoro o Dia dos Namorados ao lado da mesma pessoa, que soube me entender, compartilhar dor e angústia, alegria e prazer por todo esse tempo. Soubemos e sabemos ceder, e isso é fundamental para que se viva em harmonia. Nos olhamos e percebemos o que desejamos. Às vezes me engano, ela poucas vezes.

 

Desde o fim de semana, dá sinais que preferia ficar em casa, nesta segunda-feira à noite: está frio lá fora, amanhã você acorda cedo, restaurantes cheios, só ficaremos nós dois, eu faço o jantar gostoso, você serve o vinho … uma desculpa atrás da outra para justificar nossa permanência.

 

Desculpas, não. Compreensão.

 

Ela sabia que o Grêmio jogaria nesta noite do Dia dos Namorados. Aliás, mais uma vez. Há três ou quatro anos, jogamos também em uma noite de 12 de junho: era um sábado, frio pelo inverno que se avizinhava e em São Paulo. Foi comigo ao Morumbi e respeitou meu sentimento porque sabia da minha alegria (naquele jogo, o resultado não foi nada bom – ainda bem que ela estava ao meu lado). Hoje, fez o mesmo, sem precisar sair de casa. Apenas preparou o ambiente para que, no calor do aquecimento elétrico, eu pudesse estar à frente da televisão no momento em que o Grêmio entrasse em campo.

 

Ficou ali bebericando o vinho comigo, enquanto o time tentava furar o bloqueio defensivo do adversário. Ao ver que o gol não saía e a ansiedade aumentava, levantou-se sem se fazer perceber. Não queria me ter sofrendo pelo resultado que não alcançávamos. Não queria me constranger. Mais uma vez respeitou meu sentimento sabendo que nada daquilo desrespeitaria a paixão que compartilhamos um pelo outro. Quando a gente se ama, compreende.

 

Eu também compreendia o Grêmio e a dificuldade para chegar ao gol. Tínhamos pela frente um adversário disposto a fechar todos os espaços possíveis e encarávamos este time encardido sem nossa formação ideal no ataque. A lesão de Barrios e o deslocamento de Luan para o comando do ataque exigiram adaptação e paciência.

 

Muita paciência.

 

Tivemos de usar todas nossas formas de atacar. No toque de bola não encontrávamos espaço, no drible não avançávamos, então era hora de usar arsenal treinado por Renato. Sim, porque o gol aos 40 minutos do segundo tempo não foi obra do acaso. Já marcamos ao menos mais dois da mesma maneira, apenas com protagonistas diferentes, neste campeonato. Cobrança de escanteio no primeiro pau, o zagueiro desvia de cabeça e a bola encontra alguém fechando em direção ao gol do outro lado. Se antes foram Kannemann e Barrios, hoje foram Geromel e Cortez.

 

A paciência, a compreensão e a  perseverança nos levaram a mais uma vitória  e nos deixaram na vice-liderança isolada do Campeonato Brasileiro. E, por isso, agradeço ao Grêmio.

 

A paciência, a compreensão e a perseverança nos levaram a construir uma família e convivermos lado a lado ao longo de todos este tempo. E, por isso, agradeço a você meu amor!

 

 

Avalanche Tricolor: o Sincero, o Precoce, o Craque e o show do Grêmio!

 

Chapecoense 3×6 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá – Chapecó/SC

 

 

– Você viu o goleiro adiantado pra fazer esse golaço?
– Não, tentei lançar e a bola entrou!
– E já tinha feito dois gols em uma só partida?
– Já!

 

Michel, preciso na marcação e bom na saída de bola. O volante que teve a responsabilidade de substituir o capitão da equipe e um dos principais jogadores da conquista da Copa do Brasil, em 2016, revelou na noite de hoje outra nuance de sua personalidade.

 

Esforçado sabíamos que era, pela forma como luta para impedir que a bola chegue a nossa área. Aparece de um lado ou de outro da defesa, conforme o caminho que o adversário usar para tentar se aproximar do nosso gol. Trabalha em silêncio, sem chamar a atenção do torcedor. Não tem o apelo de Arthur, que nasceu com jeito de craque. Nem a dominância de Ramiro, que sabe jogar na frente, atrás ou na lateral, conforme as necessidades do time. É humilde!

 

Hoje, em entrevista, mostrou, também, que é sincero.

 

Everton, por sua vez, tem cara de moleque. Parece sempre disposto a aprontar alguma. Nunca conseguiu se firmar no time, como fez Michel. Mas seguidamente aparece em momentos decisivos. De tão veloz, é capaz de atrapalhar os já atrapalhados comentaristas da televisão – como na transmissão que acabo de assistir. Mas a velocidade dele, conhecemos há algum tempo. Nesta noite, em Chapecó, fez história, não apenas por marcar três gols em um só jogo, mas por fazer dois deles estando a apenas dois minutos em campo e com apenas dois toques na bola.

 

Além de veloz, Everton provou que pode ser, também, precoce.

 

Em um jogo incrível, no qual sequer o protagonismo do árbitro foi capaz de estragar, Luan que serviu seus colegas boa parte da partida acabou sendo servido no final. Marcou mais um, consagrando-se como dos maiores goleadores da história recente do Grêmio. Já é o que mais gols marcou na Arena, com 29 no total; nesta temporada fez 12; e, desde que assumiu como titular, em 2014, assinalou 51.

 

Se Michel se revelou sincero, e Everton, precoce; Luan apenas confirmou o que sabemos dele há algum tempo: é show! Assim como o Grêmio!

 

Grêmio Show!

Depois dos times da Europa, o e-Sport é o novo desafio para o futebol brasileiro

 

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Hoje, Juca Kfouri chamou atenção para o comportamento abusivo de torcedores que insistem em levar sinalizadores para os estádios e a forma como a CBF trata o tema incentivando esta atitude. Ontem, alertou para a dificuldade de o Brasil organizar melhor a principal competição do seu calendário, o Campeonato Brasileiro, especialmente quando a realidade da Champions League nos é esfregada na cara, como aconteceu no belo jogo e espetáculo de sábado, em País de Gales, no qual o Real Madrid confirmou sua superioridade diante da Juventus.

 

A audiência da TV brasileira esteve a altura do show proporcionado pelos europeus e mobilizou milhares de torcedores que se reuniram em suas casas, bares e outros locais para assistir ao jogo. Diante disto, não surpreende que nossas crianças nas escolas e nos campos de futebol  têm vestido camisas de times da Espanha, França, Itália e Inglaterra.

 

Nossos times mal sabem como enfrentar a concorrência europeia e, desde já, deparam com outra disputa: a dos esportes eletrônicos.

Sim, lá vou eu falar de e-Sport para desespero de torcedores conservadores que ainda perdem tempo nas redes sociais negando que CG:GO, Lol e outros jogos eletrônicos possam ser colocados na categoria de esporte. Enquanto negam, vemos sites e canais de TV paga dedicando cada vez mais espaço para o e-Sport. E os estudos sustentam essa decisão, como veremos mais à frente.

 

Hoje, volto ao assunto, após ler “L.E.K. Sports Survey — Digital Engagement Part One: Sports and the “Millennial Problem”, escrito Alex Evans and Gil Moran, executivos da L.E.K. consulting. Nos dados apresentados temos a ratificação do que havia sido publicado, semana passada, no maior e mais profundo estudo sobre tendências da internet, produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, sobre o qual escrevi também neste blog  

 

Conforme Evans & Moran, embora os Milleniuns representem um segmento enorme e cada vez mais integrado da base de fãs de esportes nos Estados Unidos, ao contrário das gerações anteriores (Baby Boomer e GX), eles seguem uma gama muito mais ampla de esportes, incluindo os tradicionais e os eletrônicos. E, mesmo com menos tempo à disposição, têm muito mais alternativas para assistir aos eventos.

 

Essa geração já ignora parte dos canais por assinatura de televisão, até então uma das principais fontes de engajamento dos jovens ao esporte, especialmente nos Estados Unidos. Dados recentes da ESPN-EUA, mostram que o número de assinaturas diminuiu em 10%, em apenas três anos, estando agora com 90 milhões de telespectadores. Seu público mais jovem busca os eventos esportivos nas plataformas de mídia digital.

 

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Se o público com mais de 65 anos de idade mantém sua performance diante da televisão, assistindo a cerca de 450 minutos por dia, em média, de acordo com pesquisa Nielsen; o tempo diante da TV tem diminuído, anualmente, desde 2010, em alta velocidade para os Milleniuns: 4,7% entre os jovens de 18 a 24 anos – hoje, dedicando menos de 300 minutos por dia) e 2,8% para os de 25 a 34 anos, que dedicam menos de 250 minutos.

 

Outra comparação capaz de revelar esta mudança de tendência: 20% do consumo total de mídias pelos Millenius são dedicados a videos online gratuitos ou serviços pagos OTT – over-the-top, que são os serviços de áudio e video pela internet, dos quais os mais conhecidos no Brasil são Netflix e iTunes; apenas 13% é dedicado a TV Tradicional.

 

Ao avaliar a mudança de atitude da geração Millenium, os consultores alertam para o risco de os esportes tradicionais perderem espaço no coração e memória dos fãs.

 

A maioria das pessoas entrevistadas disse ter passado a admirar determinada atividade esportiva devido as transmissões na televisão, tanto quanto por praticar essas modalidades quando jovens.Concluem assim os consultores que, diante do fato que a TV tem sido o canal histórico para apreciação do esporte, o declínio na audiência aponta para uma queda simultânea de ‘fandom’ esportivo no futuro.

 

A desafiar ainda mais os gestores dos esportes tradicionais, está a crescente popularidade dos e-Sports já competindo diretamente na preferência do público como mostra o gráfico abaixo. Preste atenção na coluna dedica a todos os Milleniuns, tema de artigo anterior escrito neste blog:

 

FIGURE 2

 

O relatório identifica que cerca de 61% dos seguidores de esportes eletrônicos ficaram menos tempo diante da TV, nos últimos 12 meses, 45% reduziram a visualização de esportes tradicionais e 35 compareceram menos a eventos esportivos devido ao maior engajamento com o e-Sports.

 

Um fenômeno que tem impactado negócios e um dos exemplos citados no relatório dos consultores foi o acordo de US$ 300 milhões pagos pela empresa de serviços de transmissão de vídeo e tecnologia BAMTech, criada para Major League Baseball, que lhe dá o direito de transmissão das competições de League of Legends.

 

Essa transformação já percebida e estudada em outros cenários parece ainda não ser levada em consideração pelos gestores do futebol brasileiro que, se antes tinham de se preocupar com a concorrência dos times europeus, que passaram a desfilar com muito mais freqüência na nossa tela, agora também correm o risco de serem atropelados pelas modalidades eletrônicas.

 

Mesmo que o futebol ainda tenha maior dimensão, maior base de fãs e muito mais dinheiro circulando em território nacional – situação que ainda vai demorar para ser superada -, é preciso lembrar que mercados tradicionais têm sido rapidamente abalados pelo surgimento de novas tecnologias. Por que o futebol estaria imune a essas transformações? Se ficarem esperando para ver o que vai acontecer, os clubes brasileiros e as instituições que os representam correm o risco de assistirem ao surgimento de uma geração de não-torcedores – uma legião que, por sinal, já aparece em pesquisas de opinião no Brasil.

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

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Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

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Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Millenium já gosta tanto de e-Sport quanto de esportes tradicionais, diz relatório de tendência na internet

 

 

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O futebol ainda tem muito mais a minha atenção do que qualquer esporte eletrônico, apesar da convivência  íntima que tenho mantido com as modalidades virtuais, nesses últimos tempos. Por outro lado, já frequentei bem mais vezes arenas de e-Sport do que de futebol, ao longo do último ano: estive no Recife, no Rio, em ginásios e estúdios de competição eletrônica para ver partidas de League of Legends.

 

 

Minha presença nesses ambientes de competição do e-Sport está relacionada ao envolvimento profissional de um dos meus filhos, e a paixão exercitada pelo outro. Ambos, desde pequenos, se esforçaram para me apresentar esse mundo e, apesar de não me arriscar a jogar, hoje me considero minimamente informado e transformado pelo que acontece no cenário nacional e internacional.

 

 

Minha proximidade com o e-Sport, motivada por questões familiares, portanto, não pode ser vista como uma referência. Ou seja, não significa que pessoas da minha geração, acima de 50 anos, estejam admirando mais essas modalidades do que os esportes tradicionais. Sou um ponto fora da curva. Mas se me permite sugerir: preste atenção no que está acontecendo neste mundo. É surpreendente.

 

 

 

 

Um dos mais importantes relatórios de tendências da internet (que você tem acesso nos slides acima), produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, divulgado há dois dias, dedica parte de seu estudo ao fenômeno dos esportes eletrônicos e dos games. Ela argumenta que os games são muito mais importantes do que se imagina, tantas foram as tendências que surgiram neles para depois tomar conta da internet. Um exemplo são os emojis que podem ser vistos como consequência de emblemas, originalmente introduzidos pela Activision, no início da década de 1980.

 

 

Os números levantados no trabalho e o engajamento alcançado são de causar espanto. Segundo o relatório, existem 2,6 bilhões de jogadores online no mundo, em comparação aos 100 milhões em 1995. A receita global de jogos é estimada em cerca de US$ 100 bilhões, em 2016. A idade média dos jogadores, nos Estados Unidos, também surpreende: 35 anos – consumidor na veia.

 

 

A audiência do e-Sport está subindo rapidamente. De 2013 para 2014, o aumento foi de 22%; de 2014 para 2015, de 28%; e no último levantamento, de 2015 para 2016, o número de pessoas que assistem ao e-Sport explodiu: 40% mais, chegando a 161 milhões de pessoas. Ou você acha que SporTV, Fox e ESPN abrem espaço para uma variado leque de esportes eletrônicos, aqui no Brasil, porque acham que este negócio é uma brincadeirinha de criança.

 

 

VIEWERS

 

 

A maior parte do público que assiste aos jogos é da geração Millennium, tem entre 21 e 35 anos. Eles representam 53% da audiência. E chama atenção o fato de os esportes eletrônicos e os tradicionais já dividirem sua preferência – algo inédito. Os pesquisadores pediram para eles responderem se “preferem significativamente” seu e-Sports ou o esporte tradicional. Dentro da mesma perspectiva, poderiam responder que “preferem um pouco” ou não tinham preferência.

  

 

Millennials

 

 

Resultado: 27% têm significativa preferência por e-Sports e 27% pelos esportes tradicionais.

 

 

Quando a pergunta foi feita aos que nasceram antes desta geração, 45% disseram ainda ter significativa preferência por esportes tradicionais e 13% por e-Sports.

 

 

Como eu não sou Millenium, sim, ainda prefiro os jogos de futebol do Grêmio aos de Lol. Mas se quiser saber, já deixei de ver uma partida do meu time do coração por completo para torcer por um time no CBLol. E justifico: era o time no qual um dos meus filhos é técnico.