Atlético MG 3×0 Grêmio
Brasileiro – Arena MRV, Belo Horizonte MG
Domingo é dia de missa. Na minha paróquia, começa às seis da tarde. Costumo ir pela manhã a outra igreja próxima de casa quando as agendas cristã e futebolística se confundem. Nas rodadas dominicais em que o Grêmio entra em campo às quatro da tarde, assisto aos minutos derradeiros na tela do celular, na porta da igreja. Só desconecto no apito final do árbitro ou no sinal da cruz do padre — o que vier primeiro.
Hoje, confesso que cometi um sacrilégio. Não com Deus. Com o meu time. Nem nos piores momentos do Grêmio aceitei a ideia de abandonar a arquibancada antes do encerramento. Hoje, quando percebi que a partida ainda se estenderia até perto das seis da tarde (ou da noite), apaguei a TV e fui rezar. Não para o meu time. A Deus.
A minha desistência antecipada deste domingo é o sinal claro da desilusão que o Grêmio insiste em impor ao seu torcedor. Após a classificação à semifinal da Copa do Brasil e a vitória de virada na última rodada do Brasileiro, cheguei a me entusiasmar — e deixe isso registrado nesta Avalanche. A chegada de dois reforços menos badalados, mas que rapidamente entregaram bom desempenho também trouxe otimismo. Refiro-me a Wallace e Caito. A ressureição de Pavón, com dois gols de falta em duas partidas seguidas, era de fazer qualquer descrente se converter. A contratação do croata Filip Krovinović, em condições de estrear hoje, alimentava a esperança de que finalmente teríamos um camisa 10 capaz de dar qualidade ao meio de campo.
Já começamos a partida cientes da ausência de Villasanti, o volante mais qualificado do time. Assim como da de Marlon, único lateral esquerdo em quem podemos confiar. Controle de carga foi a justificativa que nos deram. Sei que é preciso preservar os jogadores fisicamente, mas não me parece que o Grêmio esteja em condições de pensar no que será o amanhã. Precisa de resultado — principalmente fora de casa — aqui e agora.
A escolha de Dodi em lugar de Villasanti — com todo o respeito que este abnegado meio-campista merece — era a indicação de que Luis Castro, antes de pensar na vitória, queria evitar uma derrota. Time com três volantes e nenhum deles com qualidade para sair jogando não poderia oferecer muito mais do que nos ofereceu no primeiro tempo. Pobre dos nossos atacantes, que passaram 45 minutos à espera de um milagre. Que, como se sabe, não aconteceu. A bola mal chegava aos pés deles para que desse sequência às jogadas em direção ao gol.
No segundo tempo, Krovinović veio para o jogo. Teríamos, enfim, um meio de campo mais criativo. Kanneman substituiu Gustavo Martins, provavelmente por questões físicas. E Tetê entrou no lugar de Pavón. Não me pergunte a razão. Talvez a crença do técnico que dali viria a redenção.
E realmente o Grêmio melhorou em relação ao primeiro tempo — não que precisase fazer muito para isso. Chegou mais próximo da área. Pressionou mais. E, aos 14 minutos, quase empatou o jogo após a única ótima jogada do time. Caito desceu com velocidade até a linha de fundo e cruzou para Amuzu completar de primeira. Esperança à vista, pensou este sempre crente torcedor.
Ledo engano.
Em seguida, a realidade ficou escancarada. Com um volante a menos e atacantes que não sabem voltar para ajudar na marcação, tomamos dois gols de contra-ataque em três minutos.
Houve uma época em que, mesmo sem qualquer lógica, éramos capazes de superar todos os reveses. Ao menos acreditávamos que seríamos capazes. Quem sabe uma reação que nos permitisse continuar sonhando? Um gol que nos levasse a ficar grudado na televisão, cruzando os dedos, clamando aos deuses mundanos do futebol? Um empate heroico na casa do adversário?
Desculpe, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, não encontrei em campo nenhum sinal de que algo parecido pudesse acontecer. Desliguei a TV, abandonei meu time antes de a partida terminar e fui à Igreja. O desalento é tamanho que sequer tive coragem de pedir dias melhores para o meu time. Penso que Deus tem coisa mais importante a fazer. O Grêmio que trabalhe e jogue um futebol capaz de nos fazer voltar a acreditar em milagres.








