Avalanche Tricolor: Renato sabe o que faz

 

 

Chapecoense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá, Chapecó-SC

 

GREMIO 3

 

Um tem 19, outro 20, outro 21 e tinha um ainda com 22 anos. Essa gurizada que entrou em campo hoje para representar o Grêmio tem a idade — ou quase — dos meus filhos. Gente muito nova, precisando ganhar cancha, como se diz na minha terra. Inexperiente ainda. E para tornar o desafio ainda maior entraram em uma equipe que não costuma jogar junto — em função da maratona de partidas que se inicia com a chegada de agosto, preferimos escalar 11 reservas.

 

Um dos meninos fez bonito logo no início: Pepê, 21 anos, trocou passe no contra-ataque com Hernane Brocador e com um tapa na bola encobriu o goleiro adversário quando tínhamos pouco mais de dois minutos de partida — é o primeiro gol dele entre os profissionais. Mais uma vez a escolha de Renato dava certo, pois todos apostavam que o titular seria Thonny Anderson e nosso técnico preferiu o outro guri. Deu certo. Dizem que é a estrela do técnico que brilha. Para mim, é a sabedoria.

 

O de 19 anos estava na lateral, era Guilherme Guedes; o de 20, Thony Anderson que entrou no segundo tempo; assim como Derlan, que aos 22 anos, substitui Bressan, lesionado.

 

Verdade que no nosso meio de campo havia um “veterano”: Douglas que está voltando ao time aos poucos, depois de um ano e meio parado devido a lesão e cirurgia. O “10”, como é chamado pelos colegas, ou o “Maestro”, como o chamam os torcedores, demonstra seu talento sempre que toca na bola. É uma enfiada entre os zagueiros, um passe de três dedos ou um toque para desmontar a marcação. Dá gosto de vê-lo em campo.

 

Entre os guris e o “velho” havia ainda muita gente tentando conquistar um espaço na equipe, mas com entrosamento insuficiente para dar ao time reserva a mesma movimentação dos titulares. Com isso, o que sempre foi nosso mérito, a posse de bola, ficou nos pés do adversário que pressionou, com o apoio de sua torcida e o desespero da ameaça de rebaixamento — e ainda contou com a falta de atenção dos árbitros que validaram gol iniciado com o atacante que estava em posição de impedimento como bem mostrou a televisão.

 

Saímos com um empate quando o que queríamos mesmo eram os três pontos — porque sempre queremos os três pontos. Diante das circunstâncias, porém, o resultado ficou de bom tamanho e encerraremos a rodada na zona da Libertadores.

 

A partir de agora é olhar para a Copa do Brasil, nesta semana que se inicia, e na Libertadores, na semana seguinte. Quanto ao Campeonato Brasileiro (bem que eu gostaria de ver os titulares atropelando o adversário e se aproximando ainda mais do líder) ….  Renato tem muito crédito com a gente. Que faça o que achar melhor para o Grêmio!

Avalanche Tricolor: salve, salve gurizada!

 

Grêmio 2×1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

everton3

 

 

Ser torcedor gremista como sou e estar radicado em São Paulo como estou —- já falei sobre isso com você caro e raro leitor deste blog — me remete a situações estranhas. Quando você mora na terra do seu time do coração, a maior preocupação é com o clássico regional. Não dá pra perder de jeito nenhum. Quando mora fora, aumentam as chances de encontrar corneteiros no caminho.

 

Aqui na capital paulista, para ter ideia, tenho torcedores de ao menos quatro grandes querendo tirar uma da minha cara na primeira tropeçada do Grêmio contra o time deles. Por isso, a cada rodada contra um representante paulista, sofro uma espécie de Gre-Nal fora de época.

 

Desde o início da semana já era fácil de perceber o sorriso maroto de alguns amigos tricolores —- tricolores paulistas, é lógico. Esfregavam as mãos, analisavam estratégias e faziam contas: uma vitória e estaremos na liderança do Campeonato. Tinham razão para o otimismo, afinal a equipe está embalada e tem muitos méritos.

 

Dentre eles, com as cautelas de ocasião, estava o meu companheiro de todas as manhãs no Jornal da CBN, Teco Medina, que, no ar, chegou a dizer que ficaria satisfeito com o empate na Arena —- quem o conhece sabe que o gosto da vitória era o seu preferido. Foi mais sincero no Instagram, quando pediu para seu guri mandar um recado a este escriba: “Salve, salve, Miltinho, o São Paulo vai vencer, por 1 a 0, e com gol de Diego Souza.

 

Mal começada a partida deste início de noite, em Porto Alegre, em uma rara falha de Geromel, a visão do pequeno são-paulino se realizava, com o ex-atacante gremista marcando 1 a 0 e assustando a torcida do lado de cá. Deve ter sido bonita a comemoração do meu amigo Teco e seu pimpolho. Eu e ele sabemos como é legal comemorar um gol abraçado no filho. O que eles não contavam, porém, é que o Grêmio também tinha suas armas.

 

O Grêmio tem Everton. Tem Everton enlouquecido com a bola no pé, capaz de encontrar espaço onde este não existe. Que passa correndo por um lado enquanto a bola vem pelo outro. E o pobre coitado do seu marcador não sabe para que lado vai. Pede ajuda para um companheiro, olha desesperado para o técnico, reclama qualquer coisa do árbitro — nada mais do que manobras para ver se ninguém percebe que ele está mesmo é perdido, sem saber o que fazer diante daquele guri endiabrado.

 

Everton resolveu uma vez, nos acréscimos do primeiro tempo, colocando justiça no placar, afinal o Grêmio — exceção ao gol logo no início e um contra-ataque abortado pelo incrível Kanennman quase no fim — controlou o jogo. Chegou a ter 79% de posse de bola.

 

Na volta do segundo tempo, Everton resolveu outra vez, aos 15 minutos, em lance com as mesmas características do gol anterior. Balança para cá, balança para lá e quando parece que não há mais o que fazer, ele chuta no canto mais improvável e marca.

 

Verdade seja dita: Everton só consegue resolver dessa maneira porque, além de jogar muita bola, tem ao seu lado um time talentoso, inteligente e paciente. Capaz de trocar um número incrível de passes antes de decidir a jogada. Um tipo de jogo que irrita o adversário e o obriga a cometer uma sucessão de faltas para tentar alcançar a bola —- é isso que explica os cartões amarelos distribuídos pelo árbitro.

 

Graças a Everton e ao estilo de jogo do Grêmio a festa aqui em casa foi mais completa e eu pude por duas vezes comemorar abraçado com os meus guris. E assim como eu, Teco, você sabe como é mais legal ainda comemorar dois gols com os nossos filhos. 

 

Salve, salve!

A seleção brasileira precisa ser tratada como empresa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

aa9335bc-fa9b-47b4-b5a6-e2a9ff3de810.jpg.640x360_q75_box-0,0,768,431_crop_detail

 

Comissão técnica e jogadores que compõem a seleção brasileira de futebol são profissionais competentes, cujas carreiras de sucesso avalizaram suas funções na seleção.

 

Ao encerrar sua participação na COPA seria imperioso avaliar o empenho e o desempenho. Por que não se fez uma análise técnica do trabalho que competia a cada um, como é norma nas empresas organizadas?

 

Creio que mesmo superadas as fases do “Complexo de vira lata” e da “Pátria de chuteiras” convivemos com distorções dentro e fora de campo, que levam a erros nas avaliações. E essas passam a ser indulgentes, quando deveriam ser transcendentes.

 

A continuidade da Comissão Técnica, por exemplo, é de fato um sinal positivo de avaliação, mas deveria ser estendido sobre outros aspectos. A diferença entre a performance antes da COPA e na COPA foi grande, e isto precisaria ser analisado.

 

Aos jogadores, era essencial para a equipe e para cada um deles, uma resenha do trabalho individual e coletivo. Ao menos para purgar abordagens paternalistas e machistas circulando nos meios digitais e oficiais — que estão transformando-os em meninos ou deuses acima de qualquer crítica negativa.

 

A esse respeito, o artigo da jornalista Mariliz Pereira Jorge – “Jogadores de futebol não são meninos” -, na FOLHA de ontem, reflete bem a constrangedora realidade da cultura e do culto do mundo do futebol e de seus astros:

 

“Parece que encontraram uma forma de maximizar grandes feitos ou de minimizar grandes responsabilidades. Nas duas situações basta infantilizar o sujeito. Foi assim no caminho percorrido para a classificação para a Copa”

 

“Na derrota, o “adjetivo” deu o tom condescendente. Perderam, mas nossos meninos lutaram tanto”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Gol ouvido no rádio é bem mais rápido

 

 

Assisti ao primeiro tempo da partida do Brasil contra o México com o pessoal da redação até que percebi que os que estavam dentro do estúdio da CBN viam os lances em “primeira mão”. Os sinais de vídeo chegavam por sistemas diferentes — no digital ou no analógico — assim como por operadoras diferentes — na NET ou na Sky. Decidi mudar de lugar e comemorei o primeiro gol do Brasil antes de a turma que estava na redação pular. Se tivesse acompanhando pelo celular —- como faço quando não tem TV acessível — certamente estaria festejando bem depois deles.

 

A edição de hoje da Folha de São Paulo fez o teste usando diferentes meios para assistir ao jogo entre França e Dinamarca. O resultado:

 

“A TV aberta é a que traz a transmissão mais rápida. Entre quatro e cinco segundos depois, chegam as mesmas imagens na TV paga. E, pela internet, o tablet e o computador se alternavam, entre 15 e 20 segundos atrás da TV aberta”.

 

Imbatível, porém, é o rádio — que não foi medido pela Folha –, como você percebe na imagem que ilustra este post, registrada durante transmissão do jogo do Brasil. O torcedor em destaque, que ouve rádio, comemora o gol antes do restante que está apenas atento a imagem do telão.

 

Já havia escrito neste blog sobre a ilusão que os torcedores temos da capacidade de desviar a bola, seja quando somos atacados seja quando atacamos — queremos despachá-la para longe no primeiro caso e empurrá-la para dentro no segundo. A tecnologia disponível nos tirou esse poder, pois, se as coisas que vemos na televisão já aconteceram quando estão sendo vistas, torna-se impossível reverter o acontecido com o clamor a Deus, que incrédulos e crentes escancaram aos berros diante do risco.

 

Lá mesmo na redação da rádio proibiram a gente de gritar gol antes de a bola estufar a rede —- reação mais comum de todo e qualquer torcedor de futebol. Dizem que dá azar. Não dá não, porque o que estamos vendo já aconteceu.

 

Se quisermos manter esse poder de impedir um gol ou ajudar nosso atacante a convertê-lo, só tem um jeito: ouvir as partidas da Copa pelo rádio. É em tempo real — ou quase.

O Panamá, na Copa do Mundo, é uma metáfora da sua vida

 

alnojh9umyfqp1oxwjms

Gol de Baloy, do Panamá, em foto do site oficial da FIFA

 

A Copa já está em sua segunda metade, seleções já se despediram e outras estão com as malas prontas para voltar para casa. Teve gente perdendo pênalti, levando frango e dando de bico ou de três dedos para marcar gols. Teve gente que perdeu as estribeiras e outros a oportunidade de calar a boca. Teve gente que brilhou e me emocionou — eu choro muito fácil e o esporte tem esse predomínio no meu coração.

 

À medida que os dias se passavam e os jogos aconteciam, arriscava escrever algumas linhas porque gosto de futebol e adoro assistir à Copa. Procrastinar, porém, foi o exercício que mais pratiquei nessas duas semanas. Posso elencar alguns motivos para isso: estou em fase de finalização de um novo projeto que me impôs muita pressão e emoção — sim, não é só o esporte que me emociona —- assim como tive de dedicar algumas horas do dia para recuperar-me fisicamente de uma lesão que não estava no meu roteiro.

 

Nenhuma desculpa, porém, se sobrepõe ao fato de que bastava colocar a cabeça no lugar, ensaiar alguns pensamentos e soltar a palavra revelando meu sentimento por essa competição singular que é o mundial de futebol. Não sei se você — caro e raro leitor deste blog —- concorda comigo, mas a Copa não se compara a nenhuma outra disputa — desculpe-me se entre os poucos e bons que me leem existem aqueles que preferem a NBA, se entusiasmam com a velocidade da Fórmula 1 ou têm predileção pelos Jogos Olímpicos. Gosto de todos eles, mas a Copa é do Mundo.

 

Onde mais presenciaríamos a alegria contagiante de torcedores do Panamá? Uma alegria que se expressou no primeiro gol marcado pela sua seleção em um Mundial, mesmo diante da estrondosa goleada que levava da Inglaterra, na manhã de domingo. Comemoraram como se fosse o gol da vitória. Verdade seja dita, era o gol da vitória. Era a vitória de uma nação que já havia assistido ao grande feito de conquistar o direito de estar entre as maiores do mundo. A vitória de quem se dá o direito de ser feliz.

 

O gol marcado pelo zagueiro Felipe Baloy, 37 anos — de passagem claudicante pelo meu Grêmio de Porto Alegre, no início desse século –, foi a melhor metáfora que poderíamos ter assistido sobre a vida que vivenciamos. Somos useiro e vezeiro em reclamar das coisas que acontecem em nosso entorno: é o vizinho barulhento, é o ônibus que atrasou, é o chefe que reclamou, é a equipe que não produziu, é o cliente que não comprou e é o parceiro que partiu. É um 7 a 1 todo o dia.

 

Dedicamos tanto tempo em praguejar aqui e lamentar ali que nos esquecemos de comemorar nossas conquistas. Sim, elas acontecem a todo instante, mas somos incapazes de enxergá-las seja porque supervalorizamos os males seja porque almejamos o sucesso alheio. Queremos uma casa do tamanho da do primo rico da família; um carro mais novo do que o do amigo no clube; um crachá mais poderoso do que o colega da firma; um salário maior do que o “daquele incompetente que não faz nada na vida”.

 

Queremos o que é dos outros e desdenhamos nossas conquistas pessoais. Deixamos de saborear o prazer de acordar ao lado da mulher amada, de beijar os filhos que ainda dormem quando estamos saindo de casa, de cumprimentar o motorista do ônibus com um sorriso no rosto e de perguntar ao porteiro da empresa como andam as coisas. No trabalho, menosprezamos o poder do “bom dia”, do “por favor” e do “obrigado”. Não conjugamos os verbos agradecer e elogiar. Desperdiçamos a chance de comemorar o gol nosso de cada dia, porque estamos mais preocupados com o placar do adversário.

 

Se essa Copa nos deu alguma lição até aqui foi que, na vida, nem sempre podemos ser a Inglaterra; na maior parte das vezes nos é reservado o papel de Panamá — coadjuvante no cenário, mas protagonista de sua própria história.

Avalanche Tricolor: a Copa vai começar, ainda bem!

 

Sport 0x0 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

40806598015_0e1cfbffff_z.jpg

Geromel, o Mito, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Trabalhei com esporte em alguns momentos da minha carreira profissional, especialmente no início, na primeira parte dos anos de 1980 quando fui repórter de campo —- como chamamos essa turma que fica atrás do gol e correndo atrás de jogador ao fim da partida. Na época estava na rádio Guaíba, em Porto Alegre.

 

Já em 1990, fui produtor de programa de esportes da rádio Gaúcha, durante a Copa da Itália. De Porto Alegre, marcava e gravava entrevistas, redigia textos e preparava o roteiro que o âncora apresentava aos ouvintes. Fiquei apenas no mês do Mundial e cheguei a fazer alguns jogos do Campeonato Gaúcho até receber convite para trabalhar com uma produtora de vídeo que me fez viajar por boa parte das cidades do Rio Grande do Sul — e aí o assunto não era mais futebol.

 

Em São Paulo, no início dos anos 2000, graças a Juca Kfouri e a RedeTV! tive a oportunidade de narrar jogos de futebol — da Champions League, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil — além de algumas partidas de tênis. Foi uma experiência e tanto: imagine que transmiti a final da Copa do Brasil de 2001, entre Corinthians e Grêmio, na qual fomos campeões, sob o comando de Tite.

 

Quando pensei que a cobertura esportiva se resumiria a bate-papos nos programas de rádio e TV que apresentei em diferentes emissoras aqui na capital paulista, o Portal Terra me ofereceu uma chance única: cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Diretamente da Cidade do Cabo apresentei programa que movimentava repórteres pelo país e trocava opinião com comentaristas e internautas. Foi emocionante.

 

O clima que envolve uma Copa do Mundo é contagiante. Turistas de todas as partes se encontram, se fantasiam e se divertem. Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter vivenciado parte dessa sensação durante o Mundial aqui no Brasil — mesmo que a maioria de nós prefira deixar para lá o que aconteceu naquela competição e continue a pagar a conta dos gastos mal feitos.

 

A Copa vai começar novamente, nessa quinta-feira, e independentemente do mau humor de alguns brasileiros — há quem diga que não são apenas alguns —, estou bastante entusiasmado com o que veremos nos gramados. A história dessa competição nos dá certeza de que atos heróicos estão para acontecer a qualquer momento. São jogadores, muitos dos quais jamais ouvimos falar, que superam dores e decepções, que se tornam heróis e algozes, que alegram e frustram, que estão a beira de cair no ostracismo da mesma maneira que podem se transformar em ícones de uma nação.

 

Cada Mundial é um capítulo à parte do futebol. Cada seleção tem seu próprio desafio. Cada jogador, uma expectativa diferente. Para uns estar em campo é a vitória; para outros só a vitória interessa. Há os que se satisfarão se tiverem a chance de perfilar ao lado de seus colegas na foto antes do jogo. Há os que só terão a alegria confirmada quando registrarem um selfie agarrado na taça de campeão.

 

Gosto de Copa e desta vez no papel de admirador do futebol me programarei para assistir aos principais jogos na TV. Vou parar para ver o Brasil de Tite. E, evidentemente, vou dedicar uma torcida especial para Geromel, que sonho ver saindo do banco de reservas para decidir um jogo complicado da nossa seleção. Sim, porque mesmo que eu goste de Copa e torça para o Brasil, a camisa que visto continuará sendo a mesma: a do Grêmio.

 

Aliás, o Grêmio é um dos motivos pelos quais não via hora desta Copa na Rússia começar. Estávamos precisando urgentemente de uma longa parada para colocar as coisas no lugar, respirar fundo, recuperar condicionamento físico, curar lesões e dores e voltar a jogar o futebol mais bonito do Brasil que, sem dúvida, não foi esse que mostramos na noite desta quarta-feira.

 

A Copa vai começar, ainda bem.

Avalanche Tricolor: um futebol que vai deixar saudades

 

Grêmio 1×0 América-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

&nbsp

 

 

Eram 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. Havia uma lateral a nosso favor — daqueles lances que na maior parte das vezes é marcado pela burocracia de um arremesso com a mão para alguém que esteja mais próximo e sem marcação. Cortez arremessou a bola para Thaciano, que havia escapado por trás dos zagueiros ao lado da grande área. Nosso atacante dominou e devolveu a bola para Cortez, que passou para Cícero, que recuou para Luan, que viu Cortez correndo entre os zagueiros em direção ao gol. Nosso lateral voltou a receber a bola pelo alto e de cabeça procurou Jael. O marcador foi mais rápido e fez o corte, mas Arthur recuperou em seguida, passou para Everton e nosso atacante chutou para a defesa parcial do goleiro adversário (veja o lance acima).

 

Como disse, tudo aconteceu aos 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. O lance talvez apareça no resumo do jogo que as emissoras de televisão costumam mostrar nos programas esportivos — caso contrário corre o risco de ficar esquecido diante do gol que marcamos aos 32 do primeiro tempo, que por sinal foi uma pintura: Cícero, que estava no campo de defesa, foi capaz de ver a disparada de Everton e com um lançamento preciso o colocou dentro da área em condições de empurrar a bola para dentro do gol.

 

O gol foi realmente belíssimo, mas preferi destacar o lance descrito no primeiro parágrafo desta Avalanche — e destacado no vídeo que ilustra este post — porque vejo nele muito do que é o Grêmio dos tempos atuais — do que é o Grêmio de Renato: jogadores que impõem uma dinâmica muito veloz de troca de posições, que passam a bola com confiança e têm coragem de arriscar jogadas de efeito, sem medo de errar.

 

Nem sempre tudo isso se realiza em gol, mas confesso minha felicidade em ver meu time jogando dessa maneira, valorizando a posse de bola e a tratando com o talento que somente os grandes times do futebol mundial são capazes de fazer. Houve outros tantos momentos interessantes na partida, como o drible de Everton na lateral de campo, aos 33 do segundo tempo, quando girou no ar, trocou a bola de um pé para o outro e deixou seu marcador caído no gramado.

 

Mais importante ainda é saber que esses não são lances raros de serem vistos nas partidas jogadas pelo Grêmio, mesmo quando o resultado não é o que desejamos. Digo tudo isso para registrar aqui, caro e raro leitor desta Avalanche, que independentemente da posição que estejamos até a parada do Campeonato Brasileiro — que acontecerá no meio dessa semana que se inicia —, terei de encontrar algo para conter minha ansiedade em ver novamente o Grêmio em campo. A competição nem parou para a Copa do Mundo e eu, confesso, já estou com saudades.

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

Grêmio 0x2 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

42631910761_aa2d3cb906_z

Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Avalanche Tricolor: o futebol tem dessas coisas

 

Bahia 0x2 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova/Salvador-BA

 

41820104234_c258d7c2b6_z

Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O futebol tem dessas coisas.

 

Fizemos jogos incríveis nesta temporada e saímos lamentando a falta de gol, o empate injusto, o erro do árbitro ou o campo maltratado. Desperdiçamos pontos e perdemos a oportunidade de estar no topo da tabela.

 

Na tarde em que tivemos o pior desempenho do ano, esquecemos de trocar passe no ataque, perdemos o controle do jogo — chegamos a tropeçar na bola, coisa rara neste time — e efetuamos chutes distorcidos, saímos do gramado com uma vitória de 2 a 0 e na vice-liderança da competição.

 

Verdade que os dois gols que fizemos foram resultado daquilo que temos de melhor: a velocidade com que se trabalha a bola e com que se escapa da marcação.

 

No primeiro, Everton foi talentoso para driblar e preciso ao encontrar Ramiro no meio da área, onde sofreu o pênalti. Por curioso, só fizemos o gol depois de Maicon errar a cobrança — outra raridade nestes últimos tempos.

 

No segundo, Everton, o “imparável” voltou a funcionar com uma escapada que deixou marcadores estatelados no chão. Depois foi uma corrida para ver quem conseguia empurrar a bola para dentro. Entre Pepê e Thaciano, ficou com esse último a tarefa de decidir o jogo.

 

Fora esses lances, pouca coisa se tirou da partida. Para não ser injusto, destacou-se a defesa que pressionada em boa parte do jogo soube afastar os perigos que se avizinhavam.

 

Torcedores devem estar a se perguntar: é melhor jogar bem e empatar ou jogar mal e ganhar os três pontos? A quem ainda tem essa dúvida, minha resposta: jogar o melhor futebol do Brasil como vínhamos fazendo até aqui e ganhar. Essa é a nossa missão e voltaremos a cumpri-la assim que as principais peças estiverem em forma novamente. Porque jogar bem e não conseguir o resultado até acontece — o futebol tem dessas coisas. Agora, jogar mal e vencer, é muito mais difícil — apesar de que o futebol, como vimos hoje, também apronta dessas. Ainda bem que dessa vez foi a nosso favor.

Avalanche Tricolor: crise? que crise?

 

Grêmio 0x0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

41562493195_68332bb0d0_z

Everton contra três marcadores em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sem crise. Sem gols, também. Mas sem crise. E se alguém pensa na possibilidade de que uma possa se instalar, está muito enganado. O Grêmio é campeão Gaúcho e da Recopa Sul-Americana. Está classificado às quartas-de-final da Copa do Brasil, segue firme e forte na Libertadores e se mantém na luta pelo Brasileiro

 

Mas está em oitavo? Sim, está mesmo. E pode ficar em nono, dependendo a combinação de resultados. Para quem só enxerga futebol pelo buraco da fechadura pode parecer um problema. Mas é preciso olhar de maneira mais ampla.

 

Começa que a distância para o topo da tabela é pequena — e pode mudar em duas ou três rodadas no máximo. Ao contrário de anos anteriores, ninguém disparou na liderança, apesar de haver times com campanhas consistentes — alguns inclusive com campanha dedicada ao Brasileiro, diferentemente do Grêmio.

 

O mais importante é que a falta de gols nas últimas partidas, que tanto incomoda o time e os torcedores, não ocorre pela falta de futebol —- a bola segue rolando de pé em pé a maior parte do jogo e com passes precisos acima da média dos adversários. A quantidade de finalizações também é significativa, mesmo estando abaixo do esperado pelo tempo que mantemos o controle da partida.

 

As lesões, principalmente no ataque, tiraram opções de Renato que, neste momento, está com jogadores de características semelhantes para colocar dentro da área. Sem essa variação, o adversário se fecha, e os caminhos para chegar ao gol ficam limitados. À medida que os machucados retornarem, os gols voltarão, também.

 

O curioso nesse empate de quarta-feira foi perceber que se antes a retranca era o antídoto usado por times que ocupavam a zona de rebaixamento, agora passou a sê-lo daqueles que estão no topo da tabela. Ou seja, a fórmula encontrada para parar o futebol bem jogado do Grêmio é impedir que se jogue futebol.

 

Se você estiver apostando em crise, não perca seu tempo. O futebol de qualidade haverá de perseverar.