“É proibido calar” volta aos palcos em São Paulo e, em seguida, bota o pé na estrada

 

 

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A série de entrevistas com os candidatos à presidência, promovida pela CBN e pelo G1, está no ar desde a semana passada; e pela importância do momento tenho me dedicado à preparação das sabatinas. Nem por isso, deixei de lado os eventos relacionados ao lançamento de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Best Seller).

 

 

Nessa terça-feira, dia 11 de setembro, fui privilegiado com o convite do consultor e palestrante César Souza que lançará o livro dele “Seja o líder que o momento exige”   (Best Business), em evento-show ao lado do mágico Clóvis Tavares.

 

 

Farei a abertura do encontro, no Maksoud Plaza, na qual falarei sobre comunicação, liderança, ética e cidadania. César e Clóvis são os responsáveis pelo show: eles falam sobre as turbulências e desafios da liderança usando a metáfora de um piloto de avião. Logo depois, receberei, ao lado do César, os leitores em sessão de autógrafos.  Para participar do evento basta fazer a inscrição, de graça, no site.

 

 

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No domingo, dia 16 de setembro, o palco ficará por minha conta e risco: a convite da BYU Managemente Society e a J. Reuben Clark Law Society vou conversar com o público sobre  “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”  O encontro será na se da Igreja de Jesus Cristo dos Santos Últimos Dias, na avenida Professor Francisco Morato, 2430, em São Paulo, às 19 horas, com entrada franca.

 

 

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As viagens para lançamento do livro serão retomadas no fim da próxima semana — assim que se encerrarem as entrevistas com os presidenciáveis. No dia 22 de setembro, estarei em Vitória ES, a convite da CBN Vitória e Rede Gazeta, quando participarei de talk show comandado pelos jornalistas Fernanda Queiroz e Fabio Botacin, às 10 da manhã, no Cinemark — Shopping Vitória.  Garanta já a sua presença fazendo a inscrição de graça através deste link. Já estão confirmados os lançamentos em Belo Horizonte, dia 25 de setembro, terça-feira, e Campinas, no dia 27 de setembro, quinta-feira.

Conte Sua História de São Paulo: viaja dentro da cidade de olho no guia de ruas

 

Por Fabiana Luzio
Ouvinte da CBN

 

 

Eu nasci no bairro da Vila Guilherme e passei praticamente toda a minha infância e juventude estudando e trabalhando na zona Norte. Durante esse período, sair da região era um evento. Fazer compras no entorno da 25 de março ou do Brás, ir ao Museu, ao parque ou a algum shopping eram verdadeiras aventuras para mim.

 

Quando me formei em fisioterapia, distribui meu currículo pela cidade e fui contratada para trabalhar no bairro do Itaim Bibi. Fiquei tão empolgada com a novidade que nem me incomodei com a distância ou o tempo que perdia para chegar ao trabalho — quase duas horas de ônibus para ir e mais duas para voltar. Não me importei porque esse não era um tempo perdido, eu estava finalmente conhecendo a grandeza da minha cidade. O trajeto saindo da Avenida Voluntários da Pátria, passando pelo centro na Avenida Tiradentes, seguindo pela Avenida 9 de Julho e chegando a Avenida Faria Lima me deixava encantada, observando cada detalhe mínimo dessa cidade imensa.

 

Dois anos depois, passei a atender no serviço de homecare, dirigindo pelas ruas de São Paulo em uma época que ainda não contava com a facilidade do sistema de GPS. Tinha de olhar no guia de ruas e seguir as instruções para chegar até os pacientes. Não foi fácil, mas foi uma experiência gratificante.

 

Circular pela cidade, contornar a beleza do parque do Ibirapuera, pegar a Avenida Paulista de ponta a ponta,  admirar a imponência do Museu do Ipiranga e do Palácio do Governo, seguir pelas curvas da Vila Madalena com seus bares vibrantes, entender o vai e vem incessante das Marginais… enfim, eu pertencia à cidade.

 

É claro que também sofro com os problemas urbanos  como poluição,  trânsito,  insegurança,  falta de estrutura, mas eu prefiro ver a nossa São Paulo com um olhar de encantamento, de um lugar em constante movimento, onde os outdoors foram retirados, as ciclofaixas foram pintadas e os jardins verticais hoje emolduram grandes avenidas — esse lugar que é uma “metamorfose ambulante”, promovendo sempre surpresas aos seus moradores e visitantes. 

 

Hoje, moro no bairro da Aclimação, mas me sinto em casa em todos os lugares que frequento. Admito: amo essa cidade e não tem nenhum outro lugar que gostaria de chamar de lar.

 


Fabiana Luzio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração é de Mílton Jung. Conte você a sua história de São Paulo, escreva para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: a turma de amigos que se conheceu há 60 anos na cidade

 

Por Antonio Carlos Nogueira
Ouvinte da CBN

 

 

Sou paulista do interior, fiz o ginásio em Avaré e mudei para São Paulo, em julho de 1963, para trabalhar e estudar. Era um sonho morar na capital, essa cidade que sempre admirei. Adorava sair à noite nos fins de semana para apreciar os luminosos na Av. São João, Ipiranga e adjacências.

 

Éramos um grupo de 15 jovens todos de Avaré e mudamos quase ao mesmo tempo para São Paulo. Cada um foi morar em apartamentos e pensões separados mas todos no centro da cidade. Nos fins de semana nos encontrávamos na esquina da Ipiranga com a São João para bater papo e apreciar as garotas que circulavam por ali.

 

Sempre visitávamos os restaurantes Gato que Ri, do Papai, o Ponto Chic, o Bar Brahma, o Moraes, o Salada Paulista e o Café Vienense. Também adorávamos encontrar um bailinho de domingos à tarde e pegar um cineminha à noite.

 

Estudamos, concluímos a faculdade e fomos ganhar a vida. Todos constituíram família, cada um saiu um caminho, mas, acredite, essa amizade que dura pra lá de 60 anos está mais viva do que nunca. Estamos sempre em contato, agora pelo WhatsApp, e, em novembro de 2016, promovemos um encontro de dois dias em São Paulo já que apenas cinco de nós seguem por aqui, o restante mora fora — Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Bauru e Avaré.

 

Somos muito gratos e apaixonados por São Paulo que amamos de coração. Neste ano teremos o nosso segundo encontro em setembro, na cidade de Avaré, onde tudo começou. Estão todos confirmados e ao lado de suas esposas. Será o que já estamos chamando de um festa de arromba.

 

Em tempo, somos todos viciados em rádio e sempre que a data de aniversário de São Paulo se aproxima adoramos ouvir a comemoração desta data pela CBN.

 

Antonio Carlos Nogueira, o Toninho, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: salve, salve gurizada!

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Ser torcedor gremista como sou e estar radicado em São Paulo como estou —- já falei sobre isso com você caro e raro leitor deste blog — me remete a situações estranhas. Quando você mora na terra do seu time do coração, a maior preocupação é com o clássico regional. Não dá pra perder de jeito nenhum. Quando mora fora, aumentam as chances de encontrar corneteiros no caminho.

 

Aqui na capital paulista, para ter ideia, tenho torcedores de ao menos quatro grandes querendo tirar uma da minha cara na primeira tropeçada do Grêmio contra o time deles. Por isso, a cada rodada contra um representante paulista, sofro uma espécie de Gre-Nal fora de época.

 

Desde o início da semana já era fácil de perceber o sorriso maroto de alguns amigos tricolores —- tricolores paulistas, é lógico. Esfregavam as mãos, analisavam estratégias e faziam contas: uma vitória e estaremos na liderança do Campeonato. Tinham razão para o otimismo, afinal a equipe está embalada e tem muitos méritos.

 

Dentre eles, com as cautelas de ocasião, estava o meu companheiro de todas as manhãs no Jornal da CBN, Teco Medina, que, no ar, chegou a dizer que ficaria satisfeito com o empate na Arena —- quem o conhece sabe que o gosto da vitória era o seu preferido. Foi mais sincero no Instagram, quando pediu para seu guri mandar um recado a este escriba: “Salve, salve, Miltinho, o São Paulo vai vencer, por 1 a 0, e com gol de Diego Souza.

 

Mal começada a partida deste início de noite, em Porto Alegre, em uma rara falha de Geromel, a visão do pequeno são-paulino se realizava, com o ex-atacante gremista marcando 1 a 0 e assustando a torcida do lado de cá. Deve ter sido bonita a comemoração do meu amigo Teco e seu pimpolho. Eu e ele sabemos como é legal comemorar um gol abraçado no filho. O que eles não contavam, porém, é que o Grêmio também tinha suas armas.

 

O Grêmio tem Everton. Tem Everton enlouquecido com a bola no pé, capaz de encontrar espaço onde este não existe. Que passa correndo por um lado enquanto a bola vem pelo outro. E o pobre coitado do seu marcador não sabe para que lado vai. Pede ajuda para um companheiro, olha desesperado para o técnico, reclama qualquer coisa do árbitro — nada mais do que manobras para ver se ninguém percebe que ele está mesmo é perdido, sem saber o que fazer diante daquele guri endiabrado.

 

Everton resolveu uma vez, nos acréscimos do primeiro tempo, colocando justiça no placar, afinal o Grêmio — exceção ao gol logo no início e um contra-ataque abortado pelo incrível Kanennman quase no fim — controlou o jogo. Chegou a ter 79% de posse de bola.

 

Na volta do segundo tempo, Everton resolveu outra vez, aos 15 minutos, em lance com as mesmas características do gol anterior. Balança para cá, balança para lá e quando parece que não há mais o que fazer, ele chuta no canto mais improvável e marca.

 

Verdade seja dita: Everton só consegue resolver dessa maneira porque, além de jogar muita bola, tem ao seu lado um time talentoso, inteligente e paciente. Capaz de trocar um número incrível de passes antes de decidir a jogada. Um tipo de jogo que irrita o adversário e o obriga a cometer uma sucessão de faltas para tentar alcançar a bola —- é isso que explica os cartões amarelos distribuídos pelo árbitro.

 

Graças a Everton e ao estilo de jogo do Grêmio a festa aqui em casa foi mais completa e eu pude por duas vezes comemorar abraçado com os meus guris. E assim como eu, Teco, você sabe como é mais legal ainda comemorar dois gols com os nossos filhos. 

 

Salve, salve!

Deixem-me em paz, pombas!

 

O artigo a seguir foi escrito em 2012, ano em que tive o privilégio de ocupar a coluna da última página da revista Época São Paulo — hoje extinta. Lembrei dele quando li, semana passada, que a cidade aprovou lei que proíbe as pessoas de alimentarem e confinarem pombos e obriga os moradores a usarem redes de proteção e outros obstáculos em suas casas para impedirem que as aves se alojem no local. A boa notícia é que os pombos sumiram lá de casa depois deste artigo — será que eles leram?

 

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Escrevo este texto com um olho na tela e outro no telhado, de onde partem ameaças à minha integridade física e moral. Os ataques não são recentes, ocorrem desde que cheguei a São Paulo, em 1991, e fui trabalhar na antiga sede da TV Globo, na Praça Marechal Deodoro, de frente para o Minhocão. No alto daqueles prédios antigos viviam centenas de pombos, que pareciam ter me escolhido como alvo preferencial para suas necessidades. Não foram poucas as vezes em que tiveram sucesso, manchando meu terno e me impedindo de trabalhar. Cheguei a fazer uma “pindura” na lavanderia mais próxima – que, desconfio, era financiada pelo estrago que os pombos causavam aos indefesos pedestres.

 

Ao trocar de emprego, imaginei que estaria livre das famigeradas aves, mas logo percebi que minha vida não seria fácil na cidade. Os pombos me seguiram até em casa e lá se estabeleceram. Vizinhos afirmam que eles chegaram antes de mim, atraídos por um morador antigo, que, acredite, alimentava os bichinhos e cuidava deles como se fossem de estimação. Atitudes desse tipo só contribuem para infestar São Paulo e emporcalhar fachadas e calçadas.

 

Os estudiosos culpam os navegantes europeus, que trouxeram a espécie ao Brasil no século XVI, para servi-la no almoço. O prato não deve ter agradado os nativos, o que ajudou as aves a se multiplicar com extrema rapidez. O imaginário popular também não colaborou em nada a conter sua proliferação: tem gente que insiste em enxergar o símbolo da paz onde deveria ver um rato com asas. O que sei é que os pombos me deixaram paranóico – e nada me tira da cabeça que sua presença está ligada a uma conspiração dos columbiformes para me atazanar.

 

Assim que aterrissaram em casa, os pombos ocuparam o parapeito das janelas e começaram a confabular num idioma que eu desconheço. Às vezes se atreviam a olhar para dentro do quarto, com aquele jeito de gente intrometida, como se estivessem em busca de um lugar mais confortável para morar. Descobri uma cola que causaria desconforto ao bando e o expulsaria sem provocar males aos pombos. Esse ponto é importante, e faço questão de divulgá-lo, porque a espécie é protegida pelo Ibama. Sim, meu senhor: embora eu não POSSA prejudicar a saúde deles, os pombos são livres para me transmitir piolhos e até 70 tipos de doenças, como a complexa criptococose, que atinge o sistema nervoso. Isso mesmo, minha senhora: esses animais com cara de santo (ao menos do Espírito Santo) são um risco à saúde pública. E praticamente imbatíveis, conforme minha experiência.

 

A tal cola só foi capaz de transferir os pombos por poucos metros, da janela para o telhado. Lá no alto, construíram casa, constituíram família, invadiram o forro e passaram a fazer um barulho insuportável farfalhando suas asas para lá e para cá. Não respeitam sequer a hora da novela. O pátio, de tão sujo, precisa ser limpado diariamente. Apelei para outros expedientes. Recomendaram-me um apito que os espantaria, uma pílula anticoncepcional capaz de impedir sua reprodução, um revólver de pressão para abater os mais inconvenientes, e até a estátua de uma coruja, considerada seu predador natural. Fiasco atrás de fiasco. Logo a estátua da coruja se transformou num heliponto de pombos. Na última investida, cerquei a casa com uma rede de proteção. Desconfio que, mais uma vez, não vá dar em nada. É o que parece me dizer o olhar tranquilo e vitorioso do pombo que, pousado no telhado, me observa neste instante, enquanto termino de escrever.

Conte Sua História de São Paulo: a volta do Pitu depois de nadar no rio Tietê

 

Por Osnir Geraldo Santa Rosa
Ouvinte da rádio CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Osnir Geraldo Santa Rosa:

 

 

 

Da Vila Romana minha família foi para o Tremembé. Isto mais ou menos no ano em que nasci: 1943 — entrada de 44. Na chácara, ficamos até 1953 — este foi o ano em que meus pais, a duras penas e com auxílio de Nossa Senhora Aparecida, segundo minha mãe, compraram um imóvel em Vila Jaguara. Era o fim da linha. Nem os motoristas de táxi do centro de São Paulo conheciam.

 

Eu tive um cachorro, o Pitu — era uma mistura de vira-lata com bassê, mais conhecido por salsicha. Vira-lata que era ficou pouco mais alto do que os salsichas e mais curto, também. Tinha a mesma com dois tons marrons mais fortes no entorno dos olhos. Era doido para pegar ratos, preás e outros animais comuns de se encontrar nas capoeiras.

 

Naquele tempo, não havia a Eng. Caetano Álvares nem a marginal do tio Tietê. Cortava-se pela Cachoeirinha, Largo do Japonês e Moinho Velho para chegar em Vila Jaguara. A primeira aventura do Pitu foi quando a caminho de lá ele caiu ou pulou do caminhão de mudança e eu, que o adorava, pulei atrás. Sem saber disso meu pai, muito lépido, já tinha pulado e retornado ao caminhão. Fiquei eu perdido — até que minha mãe ,sempre atenta percebeu, e o motorista retornou para me apanhar.

 

Era comum na época a molecada pescar e nadar nas perigosas lagoas de onde hoje está o CEAGESP. Atravessávamos o rio Tietê por uma ponte feita com tambores. Era muito mais limpo que hoje, mas, judiado sobretudo com resíduos orgânicos lançados pelo enorme frigorífico Armour. Assim, seguia o nosso Anhembi para o sertão.

 

Pitu sempre ia com a gente. Enquanto nós pescávamos e nadávamos, ele corria atrás de preás, fanaticamente!

 

Uma vez, começou escurecer e nós decidimos voltar para casa. E Pitu não apareceu. Chamamos à exaustão e nada. Chorosos, tivemos que deixa-lo por lá. Os dias seguintes foram tristes. Meus pais e minha avó, Lúcia Freddi Santa Rosa, não nos perdoavam. Pitu era por demais querido de toda a família e dos vizinhos, também.

 

Pois bem, inacreditavelmente, três dias depois do desaparecimento, Pitu retornou. Estava todo ensebado e mal cheiroso — horrível! O fato é que ele atravessou o rio a nado — o cheiro e a gordura impregnados nele eram prova cabal disso — e nos reencontrou-o em casa.
 

 

Osnir Geraldo Santa Rosa e seu cachorrinho Pitu são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: dos tempos da Semana Gre-Nal

 

Grêmio 1×0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Maicon faz de pênalti único gol da partida

 

 

Começo essa Avalanche revelando a idade: 54 anos. E com todo orgulho. A passagem do tempo é da natureza do homem, portanto não há motivos para fugir dela. Só não passa o tempo quem já morreu. E quero viver por muitos anos ainda. Basta que tenhamos capacidade de nos adaptarmos às transformações. E esse tem sido meu esforço.

 

As confidências do primeiro parágrafo, posso garantir, não foram influenciadas pela presença, na noite de ontem, na Arena, do técnico Ernesto Guedes que, aos 68 anos e 57 clubes depois, ainda tem disposição de ficar em pé ao lado do gramado, gritando com seus jogadores na esperança de posicioná-los melhor em campo, mesmo ciente da baixa qualidade técnica do time que tem para comandar.

 

Guedes já era experiente nos tempos em que fui repórter esportivo, nas rádios Guaíba e Gaúcha, de Porto Alegre, na metade dos anos de 1980. Sempre foi dado a frases de efeito e comportamento provocativo com o objetivo de motivar seu time e seus torcedores. É daqueles entrevistados bons de conversar porque dele sempre se tira aspas de destaque  que podem render uma boa manchete (aspas é como chamamos as declarações que são transcritas palavra por palavra no jornal).

 

Não falo de minha idade por causa de Guedes, mas tenho certeza que se fossem outros os tempos e no comando de um dos times da dupla Gre-Nal, ele estaria abrilhantando o noticiário com suas afirmações, às vésperas do primeiro clássico da temporada.

 

Lembro dos meus 54 anos porque, assim como Guedes, eu também sou dos tempos em que a imprensa gaúcha dedicava enormes espaços para falar da “Semana Gre-Nal”.

 

Sim, naqueles tempos, respeitava-se uma semana inteira sem jogos para que os grandes do Rio Grande do Sul se preparassem para o clássico, os lesionados se recuperassem e – em alguns casos – os suspensos tivessem a chance de serem perdoados nos tribunais.

 

Era a oportunidade de se contar as histórias dos principais personagens de um lado e de outro: muitos dos nossos heróis tiveram sua imagem construídas dessa maneira. Alguns, inclusive, eram bem maiores na página do jornal do que dentro de campo.

 

Em reportagens que sempre traziam o selo “Semana Gre-Nal”, havia comparação do desempenho de jogadores, análise com lupa das estratégias dos técnicos e a lembrança de duelos épicos.

 

Antigamente, se andava pelo centro de Porto Alegre e se percebia um clima diferente. Um excitação que levava todos a falarem mais alto na Rua da Praia por onde ecoava uma provocação que incomodava tanto quanto era respeitada. 

 

Aqueles, porém, era outros tempos. 

 

Atualmente, joga-se sábado ou domingo, depois volta-se a jogar na segunda, na quarta ou na quinta e a rotina segue no fim de semana. Falta tempo para digerir o resultado do jogo que mal acabou e já é preciso promover a próxima partida.

 

Ontem à noite, o Grêmio ainda não havia deixado o gramado, depois de mais uma vitória no Campeonato Gaúcho, contra o time treinado por Ernesto Guedes, e o repórter já perguntava sobre o clássico. Não havia tempo a perder porque o Gre-Nal é logo ali e outros tantos podem se seguir dependendo da combinação de resultados.

 

Menos mal que deu tempo para ver Arthur voltar ao gramado, dominar a bola com a elegância que marca seu futebol, de cabeça erguida, com o corpo sempre voltado em direção ao gol e o olhar em busca de um companheiro mais bem colocado. Ter nosso volante à disposição renderia uma ótima reportagem nos tempos da Semana Gre-Nal.

 

Em forma, ele poderá ajudar e muito o Grêmio a vencer o clássico no domingo. Até porque se tem alguma coisa que não mudou com o passar do tempo foi o nosso desejo de vencer sempre o Gre-Nal.

Conte Sua História de São Paulo: o professor do cronista da cidade

 

Por Eloi Jun Yano
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Eloi Jun Yano:

 

 

Estudei no Colégio Estadual de São Paulo, no bairro do Brás. Por que minha mãe me colocou lá se eu morava na Vila Mariana? Se no começo parecia longe ir de ônibus, imagine meus amigos que vinham de Itaquera, Cidade Patriarca, Artur Alvim…

 

Uma mistura de todas as nacionalidades. Além dos japoneses, como eu , tinham os coreanos, chineses, italianos, até amigos gregos…

 

Na nossa escola, tínhamos laboratório de química, física, ciências. … bom, na minha época já um pouco deteriorado …. Além do teatro e do nosso orgulho maior: a imensa quadra coberta, toda de assoalho de madeira. Uma beleza!

 

Às vezes, cabulávamos aulas e íamos jogar futebol debaixo dos viadutos na baixada do Glicério. Nos recreios qualquer coisa virava bola. Desde uma pinha até um simples pedaço de madeira. E lá estávamos nós tirando Jankenpon para escolher os timinhos e chutar a bola improvisada.

 

E a disciplina e respeito com professores?

 

Quando eles entravam, todos de pé a recebê-los. Lembro muito bem do professor Bretas. Naquela época já velhinho mas com muita sabedoria.

 

Toda segunda-feira, tínhamos que levar um recorte de jornal e ler para os colegas. Uma vez, fui o escolhido e li crônica de Lourenço Diaferia. Quando acabei o texto, o professor me olhava com ternura. Fui bem na lição, pensei. E ele emocionado disse que Lourenço tinha sido seu aluno.

 

Outra vez, na aula de redação, um colega leu um poema de sua própria autoria. O professor sabiamente não lhe deu nota. Disse que não daria uma nota a alguém que poderia um dia ser famoso: – “já pensou se ele dissesse que eu dei zero para um poema dele?”

 

Foi então que pensei comigo mesmo e lembrei de Lourenço Diaferia, ex-aluno do professor Bretas: será que um dia ele deu zero para o nosso cronista da cidade?

 

Eloi Jun Yano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Debora Gonçalves. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade e envie seu texto para milton@cbn.com.br

Zoneamento: prefeitura propõe desconto de 30% ao mercado imobiliário

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Prefeitura está retomando a Lei de Zoneamento que é balizada pelo Plano Diretor com o intuito “oficial” de adequá-la ao momento atual.

 

Ontem foi realizada a primeira das cinco audiências públicas previstas para discutir a proposta da Prefeitura. E, no “Mais São Paulo” da CBN, Américo Sampaio, numa conta simples, exemplificou que se aprovada a proposição da Prefeitura a cidade vai perder R$ 150 milhões anuais, o que em 15 anos dará dois bilhões de reais, suficientes para construir 10 hospitais.

 

Equívocos e contradições afloram nessa posição da Prefeitura de São Paulo. A prematura ação de ajuste em uma lei aprovada há apenas dois anos, a redução da outorga onerosa em 30%, diminuindo a receita em momento de aperto financeiro, a inversão do princípio da transferência de recursos às regiões carentes, não sustentam a convocação da Prefeitura balizada pela atualização à cidade de hoje.

 

A reação de urbanistas e ambientalistas, foi imediata, após a apresentação do vereador Gilberto Natalini na Câmara, no dia sete.

 

O urbanista Ivan Maglio ressaltou que as modificações sugeridas entram nos bairros com permissão de densidades construtivas que os descaracterizarão. E desconstruirão as bases do Plano Diretor.

 

A advogada Renata Esteves ressalta que as ZERs com pressupostos unifamiliares serão desconsideradas.

 

O Professor Cândido Malta ressalta que ao invés de restringir o adensamento aos eixos, a atual proposta amplia ao interior das áreas. Ela irá comer as ZERs pelas bordas.

 

Sergio Reze, Conselheiro Municipal de Politica Urbana, nos relatou a grande preocupação e estranhamento que essa medida tem gerado em todos os especialistas. Pois, diferentemente do que se apresentam, as propostas atingem não só a Lei de Zoneamento como também os pilares do Plano Diretor, com o específico objetivo de beneficiar e intensificar as operações imobiliárias. Como se a arrecadação pudesse entrar num processo de liquidação de produtos.

 

Depois de quatro anos de exaustivos debates na revisão do Plano Diretor, caberia uma análise, por exemplo, da capacidade de suporte do sistema viário e das condições ambientais aprovadas, ao invés de modificar as proposições chamando-as de ajustes.

 

Esse cenário típico do mercado é salutar desde que os agentes cumpram seu papéis. Cabe ao Estado preservar o interesse maior que neste caso não pode pender para o interesse privado como apontam os especialistas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.