Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Assistindo à batalha do esporte eletrônico

 

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Algumas coisas se atravessam no nosso caminho e para não sermos atropelados pela ignorância, nos cabe a busca do conhecimento. Foi assim que os esportes eletrônicos entraram na minha vida. Praticado pelos filhos, no início os assistia de revesgueio, pois estava na tela do computador deles, que fica sobre a mesa que compartilhamos em casa. Em breve, o tema passou a fazer parte de nossas conversas na mesa da cozinha (onde almoçamos e jantamos juntos) e dos sonhos que eles construíam: um deles disposto a seguir o jornalismo e o outro ensaiando carreira de psicólogo e analista; ambos propensos a se dedicar ao eSport.

 

A primeira coisa que eles fizeram questão de me ensinar é que esporte eletrônico não é videogame. Melhor, videogame não é sinônimo de esporte eletrônico. Pra ser mais preciso: nem todo videogame é esporte eletrônico.

 

Jogar Super Mario Bros é jogar videogame. Jogar Donkey Kong é jogar videogame. Até mesmo o NBA Live que me fez companhia nos primeiros meses em que morei em São Paulo e no qual brinquei muito de jogador de basquete é só videogame. Não é considerado esporte eletrônico, apesar de inspirado em uma modalidade esportiva.

 

O eSport se caracteriza pela formação de comunidades no entorno dele, criação  de equipes e organização de campeonatos. O jogo e seus criadores por si só não são capazes de sozinhos transformarem um videogame em esporte eletrônico.

 

Street Fighter era diversão no Fliperama, onde os fãs começaram a disputar competições por conta própria, a ponto de chamarem a atenção da Capcom, sua criadora, para o potencial que havia na organização de campeonatos.

 

Clash Royale já começou “mal intencionado” e seus desenvolvedores instigam os praticantes a participarem de disputas. Nesse fim de semana, teve campeonato transmitido ao vivo pelo canal Esporte Interativo, direto de São Paulo.

 

League of Legends (LoL) parece ter nascido disposto a ser esporte eletrônico, mas só se capacitou ao titulo de eSport mais praticado do mundo graças a comunidade que se criou em torno dele e a formação de organizações que disputam campeonatos nacionais e internacionais.

 

Foi o LoL quem me trouxe para o mundo do eSport. Os meninos aqui de casa jogavam, gostavam e me contavam detalhes das disputas. Assisti a campeonatos em São Paulo e me impressionei com a quantidade de pessoas envolvidas. Mais ainda com o nível de organização.

 

O jogo tem uma empresa, a Riot, que funciona como uma espécie de Fifa – perdão por traçar paralelo com o futebol, mas é a referência que nós brasileiros temos quando o assunto é esporte. É ela quem organiza os eventos em todo o mundo, desenvolve os mapas onde as disputas ocorrem e impõe as regras para o jogo e para as organizações que surgem a partir dele. Chega a distribuir U$ 2,5 milhões em prêmios no seu principal campeonato.

 

Os times são formados por cinco jogadores, fora os reservas, que costumam ficar confinados em game houses onde treinam sob orientação de técnico, analista, psicólogo e, em alguns casos, nutricionista e preparador físico. Têm torcidas fanáticas que vibram com seus ídolos, jovens que se dedicam 24 horas à atividade e patrocinadores que sustentam e se beneficiam desta adoração.

 

Um dos donos de equipe aqui no Brasil com quem tive oportunidade de conversar  tentou me definir a organização como sendo o “Flamengo do esporte eletrônico”. Queria me mostrar que, da mesma forma que um clube de futebol, o time dele tem sede, diretoria, jogadores e infraestrutura para capacitá-los. Sempre bom guardar as devidas proporções, é lógico.

 

Há alguns meses estive na final do Campeonato Brasileiro – CBLoL – realizada no ginásio do Ibiraquera com todos seus assentos tomados por pouco mais de 10 mil jovens entusiasmados e engajados. Assim como eles, vibrei com a vitória da INTZ, uma das principais organizações do país que, neste fim de semana, também garantiu presença do Mundial de LoL, que se realizará em outubro e novembro, nos Estados Unidos.

 

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A vitória dos brasileiros não apenas garantiu-lhes a viagem como espantou fantasmas. Já haviam disputado duas vezes a etapa classificatória para o Mundial, representando o Brasil, mas não foram adiante. Na primeira, perderam para um time turco. No sábado, não bastasse terem conquistado a vaga ainda o fizeram em cima de uma equipe da Turquia. DoubleKill – se é que você me entende.

 

A disputa final, contra os turcos da Dark Passage, foi em melhor de cinco, com vitória por 3×2, diante de torcedores que gritavam o nome do Brasil e entoavam o já tradicional “eu acredito” nos momentos mais difíceis, na Ópera de Arame, em Curitiba. A partida foi assistida por milhares de pessoas na internet ou na SporTV, que dedicou seis horas de sua programação à competição.

 

Fiquei grudado na tela. Comemorei os ataques e os objetivos alcançados pelos brasileiros e sofri toda vez que o adversário derrubava nossas torres ou abatia nossos campeões. Curti a história daqueles jovens que sob forte pressão superaram seus medos e calaram, com esforço, talento e estratégia, os críticos de sempre – aquela turma que tem como esporte preferido atacar reputações e destruir qualquer um que se sobressaia em sua área.

 

Continuo não entendendo os golpes, contra-golpes e feitiços usados pelos jogadores nas batalhas campais. Mas me sai bem melhor agora do que das primeiras oportunidades. Já fui capaz de perceber que mais importante do que abates, são a derrubada de torres e dragões e o acúmulo de riqueza. Enxerguei melhor as estratégias, seja pela transcrição dos narradores seja pelos alertas dos meus conselheiros particulares.

 

Claro que apenas me dediquei a assistir ao LoL na televisão por envolvimento familiar. Não é a minha praia, mesmo admirando a organização da modalidade. Cresci em outra geração, tendo os esportes tradicionais como atração: especialmente o futebol e o basquete. Há, porém, uma legião de jovens que têm sua cultura forjada pelo cenário digital, que talvez nunca tenham tido a oportunidade ou a vontade de assistir a uma partida de futebol, no estádio.

 

É por causa dessa nova turma que emissoras como SporTV e Esporte Interativo têm dedicado parte de sua grade de programação às disputas dos jogos eletrônicos. A ação, como já era de se esperar, sofre críticas de grupos que não entendem porque canais de esporte tratam de eSport. Usam todo tipo de alegação e comparação para provarem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Perda de tempo total.

 

Muito provavelmente o esporte tradicional e o eletrônico jamais conviverão em alguns cenários, por exemplo nos Jogos Olímpicos como chegam a imaginar os fãs do eSport – e corro sério risco de queimar a língua com esta frase. Isso também não importa. Tem espaço e público para todas as modalidades, digitais ou não.

 

Quem for mais bem organizado e competente que se estabeleça.

A Rio 2016 por americanos, ingleses e argentinos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Hora de Expediente, quadro apresentado no Jornal da CBN, dessa segunda-feira, ao avaliar as Olimpíadas do Rio, de passagem se indagou sobre a importância da opinião dos estrangeiros.

 

Do ponto de vista da cidade sede é evidente que um dos objetivos é divulgar a imagem que a torne conceituada e seu nome passe qualificação para eventos, turismo, produtos e serviços. Daí fica incontestável o valor de saber como os outros países julgaram os acontecimentos da Rio 2016.

 

Fomos então ao INDEKX, site que apresenta os principais jornais e revistas do mundo, e buscamos três países importantes e prestigiados veículos de comunicação. Encontramos as seguintes conclusões:

 

New York Times (Estados Unidos):

 

“Nas areias de Copacabana e olhando para o Atlântico, ao fim dos jogos do Rio. De um lado o futebol e o vôlei com o ouro olímpico. Perfeito final. De outro as premissas de doenças pela poluição das águas e da zika causando uma crise global de saúde. E agora, quando tudo terminou não houve mosquitos e nenhum atleta adoeceu pelas águas.”

 

The Guardian (Inglaterra):

 

“Os destaques da Rio 2016 – Bolt três ouros, Grã Bretanha medalhas como nunca, Phelps, Lochte mentiroso e polícia brasileira eficiente, Fiji primeiro ouro em sua história, assentos vazios, oiscina verde. Tivemos de tudo afinal.”

 

La Nación (Argentina):

 

“Os fatos marcantes das Olimpíadas do Rio: Usain Bolt o rei da velocidade riu de todos, Phelps e a revanche pessoal, Joseph Schooling ganhou do ídolo da foto, Rafaela Silva da favela à gloria, Simone Biles a menina plástica, Brasil e a alegria do futebol com Neymar Jr., o pulinho de Shaunae Miller para ganhar os 400m, Fiji a fantasia do rugby 7, o Dream Team, um clássico”.

 

Pela amostra acima, podemos concluir que afinal a Rio 2016 marcou positivamente.

 

O exterior também leu de forma correta o que foi oferecido nos shows de apresentação e encerramento. Pena que ainda há brasileiros como Nelson de Sá, que a respeito do encerramento, escreveu na Folha: “contraste com Tóquio foi cruel”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O (meu) sonho olímpico

 

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Tocha olímpica em foto de Rio2016/Fernando Soutello

 

Se o jornalismo sempre foi meu destino, por alguns anos tive a ilusão de ludibriá-lo como professor de educação física. Cheguei a passar na UFRGS – a federal do Rio Grande do Sul -, depois de quase tropeçar no teste físico que me obrigava a arremessar pelota. Fiz algumas cadeiras e alguns semestres antes de desistir da faculdade, especialmente devido as aulas de anatomia, que me levavam a dissecar cadáveres e explicar para que servia cada um daqueles músculos que acabara de mutilar. O cheiro de formol foi mais forte que o meu desejo de concluir o curso

 

A faculdade não terminei, mas ensinei crianças a jogar basquete, entretive alunos de escola pública e aprendi muito em um projeto com meninos e meninas especiais. O esporte sempre fez parte da minha vida, especialmente na infância e adolescência quando joguei futebol e basquete – este último por 13 anos. Portanto, no jornalismo era esse o tema que me seduzia e a primeira oportunidade de estágio que surgiu, em 1984, foi para produzir o programa “Esporte Amador na Guaíba”, único dedicado ao tema no rádio gaúcho. Um sonho.

 

Minha primeira experiência foi muito rica, a começar pelo mentor que tive: Alex Pussieldi, hoje comentarista de natação na SportTV. Graças ao programa, fiz minha primeira viagem “internacional”, quando vim a São Paulo para cobrir o I Meeting Internacional de Atletismo, em 1985, que tinha Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa como atrações. Poucos anos depois, a força do futebol me fez migrar para os gramados, quando trabalhei como repórter, até ser levado para o departamento de jornalismo, de onde nunca mais saí (minto: em 2000/2001 tive rápida experiência de narrador de futebol e tênis, na RedeTV!).

 

Independentemente do que tenha acontecido no restante da carreira, o esporte sempre me atraiu e me emocionou. A história de superação dos atletas, as vitórias alcançadas nos segundos finais e as derrotas milimétricas me sensibilizam a ponto de chorar ou vibrar e, às vezes, chorar e vibrar ao mesmo tempo.

 

Alguém haverá de dizer que atletas, equipes, modalidades e competições estão a serviço de interesses econômicos e hegemônicos. Resumir o esporte a essas questões, porém, é desmerecer o esforço de cada ser humano envolvido na prática esportiva. É não compreender o poder de transformação que o esporte pode provocar nas mais diversas comunidades.

 

Imagino que você, caro e raro leitor deste blog, é um dos muitos brasileiros incomodados com os desmandos das autoridades que organizam os Jogos Olímpicos no Rio. É provável que preferisse ver o dinheiro investido no evento voltado às áreas mais necessitadas no Brasil. E hoje faça comentários indignados ou mau humorados com cada fato negativo que aparece no noticiário.

 

Espero também nunca perder o poder de me indignar com a injustiça, mas não quero que isto seja suficiente para tirar o brilho nos olhos de todas às vezes que vejo o feito desses grandes nomes do esporte. Quero me dar o direito de torcer pelos atletas brasileiros, muitos dos quais campeões por sua coragem e persistência. Gente vencedora desde o início, pois acreditou que poderia driblar o destino que lhe haviam traçado.

 

Espero muito pelo início dos Jogos Olímpicos, ciente de que o ouro não ofuscará os erros, e certo de que cada atleta que ali chegou merece nossa torcida. A minha, com certeza, eles terão, pois levam à frente o sonho que todo atleta tem de um dia disputar uma Olimpíada.

Avalanche Tricolor: sofrer é preciso!

 

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Brasileiro – Estádio Independência BH/MG

 

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Jailson escapa da marcação, em foto do site Grêmio.net

 

Começamos a rodada em terceiro lugar e com alguma chance de ser líder. Quando iniciamos a partida ainda havia a possibilidade de ser vice-líder. Terminamos o domingo, em quarto lugar.

 

E como isso aconteceu, levando-se em consideração o adversário!?

 

Era o lanterna do campeonato – aliás, o será por um bom tempo, a persistirem os sintomas – e acabara de ser goleado na Copa do Brasil. Havia levado 14 gols nas últimas sei-lá-quantas partidas que disputou.

 

A aposta da maioria, aqui em São Paulo, era de que os três pontos já estavam nas contas do Grêmio. Imagino que em Porto Alegre, Belo Horizonte e em todas as outras capitais brasileiras, também. A vitória era o único resultado previsível diante das circunstâncias, apesar de a disputa ser fora de casa.

 

Confesso que eu teimava em não acreditar em nenhuma das previsões otimistas. Aos que contavam com os três pontos na tabela, expressava meu ceticismo: “o Grêmio gosta de se complicar contra os pequenos”. Cheguei pensar que era coisa de torcedor chato, desconfiado … A partida me deu razão, infelizmente.

 

Foi um jogo mal jogado, e os primeiros minutos já deixavam claro de que a inspiração e respiração que costumam nos diferenciar dos demais adversários foram esquecidas em um lugar qualquer do vestiário.

 

O pouco espaço deixado pela marcação fizeram o bom futebol gremista se tornar pequeno: um chutão por cima, um pelo lado e outro no poste foram os únicos momentos capazes de nos dar alguma perspectiva de vitória.

 

Verdade seja dita, também: o perigo de perdemos esteve distante na maior parte do jogo; exceção a uma ou outra bola metida na área, como aquela em que de cabeça (sempre de cabeça) o atacante deles obrigou Marcelo Grohe a excelente defesa.

 

A expulsão de Edílson, aos 29 minutos do segundo tempo, serviu apenas para deixar mais complicado um problema para o qual não havíamos encontrado até aquele momento a solução.

 

A frustração e lástima dos próprios jogadores ao fim da partida refletia bem o pensamento da maioria dos torcedores. Cético, sofri menos, pois tive a impressão de que já estava com o espírito preparado para o empate sem gol.

 

Agora, antes que você, caro e raro leitor desta Avalanche, acostumado com minha visão sempre otimista, às vezes ufanista, em relação ao Grêmio, estranhe minha postura neste domingo: saiba que meu ceticismo se encerrou junto com a partida.

 

O tempo me ensinou que não sabemos fazer as coisas pela via fácil. Sofrer é preciso!

 

Assim que olhei a tabela da classificação, independentemente das boas possibilidades que tínhamos nesta rodada, percebi que agora estamos a apenas dois pontos da liderança. Um tropeço de um aqui, uma vitória ali, três pontos conquistados no confronto direto, e o Grêmio logo poderá comemorar o primeiro lugar.

 

Temos time, temos condições e o campeonato sequer chegou a metade. Bola pra frente!

Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento

 

Grêmio 1×0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Justa comemoração, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

Foi um fim de semana intenso. De emoções variadas, sentimentos diversos e espiritualidade. Confinado por três dias em uma casa de retiro aqui próximo de São Paulo, tive acesso a pouca informação. Muito mais uma opção do que restrição tecnológica. Havia outros objetivos nesses dias todos de oração, silêncio e reflexão.

 

Das poucas notícias que surgiram, e não foram pelos meios tradicionais de comunicação, veio a apreensão em relação a saúde de um personagem que esteve nesta Avalanche algumas vezes. Refiro-me ao padre José Bertolini, conterrâneo, nascido em Bento Gonçalves, e, claro, gremista. Que por coincidência passou a rezar missa na capela perto de casa.

 

Bertolini esteve, por exemplo, na crônica do histórico 5×0 como você pode conferir neste link. Também foi visionário na estreia que tivemos na edição do ano passado no Campeonato Brasileiro quando assistimos ao empate com a Ponte Preta, mesmo adversário desse domingo.

 

No sábado, padre Bertolini sentiu uma dor no peito pouco antes de iniciar a missa das 18 horas. Apesar da recomendação para que fosse ao hospital, fez questão de cumprir compromisso assumido com os fiéis e presidiu a celebração até o fim. Muitos devem ter ficado incomodados com a insistência dele, pois, como se provou pouco depois, o padre teve um infarto no coração e está internado na UTI de um hospital paulistano.

 

Pelo que conheço dele, porém, não me surpreendo com a decisão. Padre Bertolini é daqueles que não se entrega fácil, insiste em contrariar as previsões médicas, é incapaz de admitir que uma dor, seja qual for, vá lhe tirar o direito de cumprir sua missão. Nem mesmo uma doença crônica impede que ele trabalhe com vitalidade e inteligência. Aliás, é esta mesma façanha dele que me dá esperança de que logo estará de volta à sacristia, firme e forte.

 

A outra notícia que havia sido reservada para mim, neste fim de semana, viria logo depois que deixei o retiro. Ainda na estrada, a caminho de casa, acessei a Grêmio Rádio Umbro pelo aplicativo no celular, imaginando que a partida havia se encerrado pelo adiantado da hora. Ledo engano. Naquele exato momento, aos 49 minutos do segundo tempo, Luan acertava em cheio, com o pé esquerdo (e com dores como revelou mais tarde), um chute fatal no gol adversário. Gol que foi resultado da perseverança e crença de que a vitória sempre é possível. 

 

Soube depois que havíamos desperdiçado muitos ataques, enfrentado um time retrancado que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, perdido Lincoln com um cartão vermelho no segundo e levado uma bola no poste já nos acréscimos. Ou seja, penamos e sofremos até a vitória que nos levou de volta à liderança do Campeonato e diante de um daqueles times que colocamos na categoria de “touca”, assim como Coritiba, Goiás e algum outro de Santa Catarina.

 

Ao tomar conhecimento de tudo o que nos aconteceu nesse jogo, só tenho a agradecer mais uma vez aos que me proporcionaram os três dias de retiro, silêncio e reflexão. Além de todos os benefícios que esses momentos trouxeram à alma, ao espírito e à mente, também evitaram que eu sofresse um ataque diante da televisão. Pois não creio que minha fé e meu coração sejam tão resistentes quanto o meu querido e gremista Padre Bertolini que, certamente, vai vencer mais esta batalha.

Afogado em corrupção, Pólo Aquático tenta se salvar com liga independente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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foto de Ayrton Vignola/Flickr

 

Em 2015,  a seleção brasileira de POLO AQUÁTICO ganhou a medalha de bronze da FINA Water Polo World League, e US$ 50 mil de premiação aos atletas. A CBDA Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, entidade responsável pela atividade, não entregou o dinheiro e não deu explicações aos ganhadores. Menos mal que agora terá que se entender com o Ministério Público Federal, que está cobrando esclarecimentos pelo contexto. E, também por irregularidades nos estatutos e na Assembleia Geral Ordinária realizada para aprovação dos balanços e do calendário para 2016.

 

A semelhança destes fatos com o que vem ocorrendo em outras entidades esportivas, como no caso da medalha embolsada por José Maria Marin da CBF, agora encarcerado em Nova York, não é aleatória. É sistêmica.

 

O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, está há 27 anos na presidência da entidade.

 

Não só no âmbito esportivo, mas de forma universal, cargos de poder ocupados indefinidamente geram ditaduras e corrupção, para não falar em coisas piores.

 

Em 2015, a seleção de juniores, após meses de treinamento intensivo, foi informada dias antes pela CBDA, que não participaria mais do torneio, sem maiores explicações. Os clubes se prontificaram então a arcar com os custos. O valor de mais de R$ 300 mil apontados, comprovadamente excedia em muito ao real (e honesto).

 

Os clubes se reuniram e exigiram mudanças a Coaracy e seus diretores Ricardo de Moura e Ricardo Cabral. Não houve mudanças, apenas uma gracinha pelas redes sociais de Cabral: “Fizeram uma grande lista de pedidos e ganharam apenas um pirulito”.

 

Esses fatos impulsionaram simultaneamente uma reunião na segunda-feira, em 10 dos 12 clubes que competem no PÓLO AQUÁTICO do Brasil: FLAMENGO, FLUMINENSE, HEBRAICA, JUNDIAÍ, PAINEIRAS, PAULISTANO, PINHEIROS, SANTOS, SESI, TIJUCA. O BOTAFOGO e ABDA estão com a CBDA.

 

Nestas reuniões, foi proposta a adesão à LIGA PAB – POLO AQUÁTICO BRASILEIRO.

 

Um desafio e tanto, pois a força imensa do conjunto unido pode se desmoronar se algum clube se encantar com sereias de canto conhecidamente traiçoeiros. E corruptas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A pracinha em frente de casa e o Citroën de cano reto

 

Milton Ferretti Jung

 

Recém havia sentado e preparado o meu computador a fim de escrever o texto para o blog do Mílton, que não é uma obrigação,mas,isso sim, uma satisfação para um pai aposentado cujo único compromisso,nos últimos tempos,é visitar médicos das mais variadas especialidades. Aliás, são tantos que deixo parte da organização dessa tarefa à Maria Helena,minha mulher,filha de farmacêutico, que trabalhou alguns anos na farmácia paterna e é bem mais afeita,por isso, a lidar com os que cuidam da minha saúde. Este escriba de Facebook que,talvez,alguém leia,seja por curiosidade ou amizade,sempre acha assim tempo para redigir esta coluna,nem sempre nas quintas-feiras,conforme minha combinação com o filho,este sim um escritor de verdade. Por falar nisso,recentemente,ele lançou um livro em parceria com a fonoaudióloga Lenny Kyrillos,com este título:”Comunicar para liderar”.Recomendo a sua leitura e não é por corujice paterna,mas porque já o estou lendo e é muito bom.

 

Não era bem este o meu assunto,mas os caminhões que durante um dia inteiro subiram e desceram a rua onde moro. Acontece que os tais caminhões passaram fazendo isso por pelo menos dez dias. Retiravam terra e restos de árvores de um terreno baldio,o último existente, por sinal,na Dr.Possidônio da Cunha, em Porto Alegre. Um pensamento,às vezes,corre atrás do outro ou mesmo dos outros. Este me veio à cabeça ao assistir à azáfama dos caminhões,que chegavam vazios ao terreno que limpavam e saíam carregadíssimos,fazendo um barulho ensurdecedor. Não são eles,porém,os protagonistas da historiazinha que vou contar e da qual me lembrei quando escrevi que os monstrengos ruidosos levavam o que chegou a ser um espaço arborizado e não um simples barral. Ainda,no entanto,tergiverso e,com isso,deixo entrar no que interessa ou pode interessar.

 

Na minha infância e até casar,morei com os meus pais em uma rua que,bem na frente da casa paterna,se unia a outra. A minha era a 16 de Julho,a vizinha dela,Zamenhoff. As duas,por muito tempo,possuíam,entre as suas casas,terrenos baldios. Os terrenos baldios eram os locais onde brincávamos de esconde-esconde e,principalmente,jogávamos as nossas peladas.Para desespero dos nossos pais, chegávamos em casa com os sapatos em pandarecos. Naquela época não haviam ainda inventado sequer as alpargatas e os sapatos não eram baratos. Os espaço livres foram terminando.Recebiam casas modernas e acabavam, principalmente,com o futebol que a gente jogava. A única bola que usávamos – bola de tento – como eram conhecidas,tinha um dono,o Airton Stein. No bom do jogo,a mãe do dono da bola o chamava para tomar café ou dar um pulo no armazém para comprar isso ou aquilo.

 

Escrevi que os espaço livres para se brincar foram,aos poucos,virando casas.Sobrou a “pracinha” que ficava na junção das duas ruas a que já me referi. Em roda da “pracinha”,ficavam as casas mais próximas dela.Volta e meia,a bola do Airton ia parar dentro de uma dessas casas. E a bronca do residente era imediata. Alguns faziam de conta que nos deixariam sem bola.

 

Encontrávamos,entretanto,novos “esportes”. Bola de gude,bolinhas de tênis muito usadas,etc. A “pracinha”,que a prefeitura tentava transformar em praça de verdade, nunca passou do diminutivo. As flores da prefeitura nunca chegaram a crescer e inventávamos,a casa dia ou durante algum tempo,toda a espécie de “esportes”. Jogou-se nela desde futebol,vôlei e até tênis,com rede e tudo.

 

A “pracinha” teve,inclusive,os seus personagens. Um deles,de repetente,sofria um ataque e o remédio era lhe pôr na mão a bola do Airton. O outro menino problemático não jogava. Apenas nos olhava e segurava entre dois dedos folhas de trepadeiras e as sacudia incansavelmente. Era na minha casa que a turma pedia licença para beber água da pena. No Dia de São João,os esportes davam lugar a uma imensa fogueira. Lembro-me que o meu pai enchia de água a banheira,o tanque,enfim,todos os baldes da residência,temendo que a fogueira soltasse fagulhas capazes de incendiar a nossa casa.

 

Crescemos quase todos e continuamos morando nas casas que nossos pais haviam construído. Um vizinho,que morava no fundo da minha casa,numa rua paralela chamada São Pedro,bem mais velho do que eu,tinha comprado um Citroën e colocado nele um cano de descarga reto. Esse fazia um ruído tão encorpado que parecia uma Ferrari.Fiquei doidinho por ter um carro com tal tipo de descarga e consegui convencer meu pai a me deixar imitar o cano do Citroën que ele comprara direto da fábrica, na França e era igualzinho ao do Valnei Law. O cano reto foi um presente por eu ter passado de ano,no colégio. Eu retirava uma tampa da boca do cano reto (o original era mantido e ficava depois de uma curva que deixava a descarga fluir pelo lado esquerdo do carro). O meu pai me emprestava o Citroën para ir às missas dominicais. Nunca fui. Em um desses domingos um carro de praça (assim chamavam os carros de aluguel na época), em um cruzamento perto da minha casa, bateu no paralama traseiro do Citröen. Como não tinha carteira dispensei o taxista e fiquei sem poder dirigir por um bom tempo.

 

Contei todas essas histórias,a partir do dia de hoje e daí para trás por uma razão:não suporto mais ler ou ouvir notícias de crimes,estupros e de mortos por balas perdidas,afora o inesgotável Lava-Jatos e safadeza de políticos.

Avalanche Tricolor: a homenagem do futebol a Antônio Augusto, o Plantão Esportivo

 

São José 1 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – São Leopoldo(RS)

 

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Havia oito jogos sendo disputados simultaneamente e cada resultado poderia determinar o destino de um dos times do Campeonato Gaúcho, nesta última rodada da fase de classificação. Alguns já estavam garantidos, mas poderiam ficar mais acima na tabela, o que daria vantagem no mata-mata que se inicia esta semana. Outros ainda tinham chances de estar entre os oito classificados. E uns poucos lutavam desesperadamente para escapar da segunda divisão estadual. Na tela da televisão, enquanto assistia ao Grêmio cumprir tabela, pois como estava garantido na próxima etapa entrou em campo com time misto, a vinheta eletrônica surgia a todo instante sinalizando a marcação de gol nas demais partidas. Surgiram com frequência bem maior do que nas rodadas anteriores: 23 no total, 2,8 por jogo, acima da média da competição que é de apenas dois gols por partida. Os gols se sucediam, a vinheta piscava e a todo instante, vindo de algum lugar qualquer, uma voz parecia ressoar na memória:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Era como se estivesse de volta aos meus tempos de guri, em Porto Alegre. Uma época em que o rádio reinava quase sozinho no futebol. À televisão era reservada apenas uma partida e mesmo assim tirávamos o som para acompanhar a transmissão eletrizante dos narradores do Rio Grande do Sul, uma escola que fez época na radiodifusão brasileira. Por motivos óbvios, cresci ouvindo a Rádio Guaíba, mas é importante lembrar que este hábito não era apenas meu e por familiaridade com a emissora, era de boa parte dos gaúchos. Vibrávamos com a precisão das descrições feitas de cada lance por vozes que aprendemos a admirar. Havia comentaristas capazes de analisar taticamente a disposição dos times e repórteres que não deixavam escapar qualquer cena dentro e fora de campo.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Este rápido diálogo, que se repetia todas as vezes que algum gol havia sido marcado no planeta bola era uma espécie de marca registrada daquelas transmissões. O bordão era reproduzido por mim e por muitos da minha geração nas peladas de rua ou nas acirradas disputas de jogo de botão para tripudiar sobre o time adversário. Por trás da brincadeira, havia o reconhecimento a uma das figuras mais importantes do rádio esportivo brasileiro: Antônio Augusto dos Santos, o Plantão Esportivo. Era uma figura misteriosa para a maioria dos ouvintes. Não ia aos estádios, não aparecia em público e não se sabia para quem torcia (alguns de nós sabíamos). No entanto, era capaz de nos contar cada gol feito em qualquer parte do mundo segundos após a bola estufar a rede. Tive a oportunidade de vê-lo trabalhando sentando à mesa do estúdio da Guaíba, na rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Em torno dele, uma quantidade enorme de aparelhos de rádio Transglobe, fabricados pela Philco brasileira, que permitiam a sintonia de emissoras à longa distância. Todos ficavam com o som relativamente baixo até que um grito de gol surgisse. Antônio Augusto, com a rapidez que o veículo exigia e a precisão que só os craques oferecem, logo identificava o autor do gol e seus dados:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Nos lugares em que os aparelhos de rádio não alcançavam ou as emissoras não transmitiam, até onde lembro – e quem lembrar mais, por favor, me conte – ele montava uma complexa rede de informantes ou contava com precárias linhas telefônicas. Qualquer esforço era válido para nos manter bem informados. Com esse apuro, nos apresentou jogadores desconhecidos e equipes em ascensão, em um tempo no qual o acesso a internet era inimaginável. Nos ensinou muita mais: sem as tabelas eletrônicas da atualidade à disposição, colecionava gols, placares, resultados e a participação individual dos jogadores. Com seus arquivos implacáveis construiu a estatística do futebol mundial, pois seus dados iam muito além de Grêmio e Inter, os times da redondeza. Além de contar o gol, Antônio Augusto nos contava quantos gols o artilheiro já havia marcado, em quantos jogos esteve presente, o desempenho do nosso time na competição e na temporada, e mais uma série de informações complementares e significativas. Era capaz de manipular uma quantidade incrível de fichas e dados graças a sua organização e inteligência aplicadas na função que desempenhava. Ninguém foi capaz de fazer igual.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Depois de admirá-lo no rádio e no estúdio, tive o privilégio de participar de jornadas nas quais Antônio Augusto foi plantão esportivo. Era um profissional correto e exigente. Com toda sua firmeza, porém, nunca deixou de me tratar com um carinho especial que, tenho certeza, tinha muito a ver com o respeito e companheirismo que mantinha com meu pai. Os dois sempre foram muito amigos. Foi meu pai quem me informou, por telefone, que Antônio Augusto morreu na madrugada deste domingo, aos 77 anos, vítima de um AVC. Imediatamente, liguei para um dos filhos dele, Antônio Augusto Mayer dos Santos, que conheci já advogado e especialista em direito eleitoral, em 2010. Desde aquela época, tenho o prazer de publicar alguns de seus textos neste blog. Antônio Augusto, o filho, mesmo diante do momento difícil para a família, fez questão de me contar, hoje, algo que me deixou ainda mais emocionado: disse que o pai dele era meu torcedor, pois vibrava quando me via na televisão logo que me transferi para São Paulo. Sei que ele torcia mesmo era pelo Grêmio, paixão declarada publicamente em 2007. Mas pelo que conheço da maneira sincera como ele sempre tratou os amigos do peito, guardarei esta história no coração, assim como guardo na memória aquela voz:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

À esposa e aos filhos nossa solidariedade. E o desejo de que, neste Domingo de Páscoa, os gols marcados acima da média, na rodada do Campeonato Gaúcho, e os outros tantos assinalados mundo a fora, sejam registrados nas estatísticas como uma homenagem do futebol a este grande nome do rádio esportivo brasileiro. Porque onde tem gol, sempre haverá a marca de Antônio Augusto.

Mundo Corporativo: Thiago Pessoa, da Gympass, fala de atividade física e produtividade na empresa

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Ao oferecer programa de qualidade de vida para os colaboradores, no qual eles têm a possibilidade de realizar atividades físicas, a empresa diminui a ociosidade, aumenta a assiduidade e ganha uma equipe muito mais saudável. Com isso, melhora a produtividade e reduz custos com planos de saúde, que, atualmente, são os responsáveis pelo maior gasto no Orçamento depois da folha de pagamento. De acordo com o empresário Thiago Pessoa, o trabalhador beneficiado por esse tipo de programa “consegue ser um colaborador mais feliz e tende a entregar mais resultados do que um colaborador menos feliz”. Thiago é diretor corporativo da Gympass, empresa que vende planos de atividade física que oferecem acesso a 2.600 academias credenciadas em 200 cidades brasileiras. A gestão de pessoas e a estratégia de atuação da empresa que dirige foram alguns dos assuntos da entrevista de Thiago Pessoa para o jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

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O Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, às 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN.