Mundo Corporativo: Rodrigo de Aquino fala de bem-estar e felicidade na estratégia ESG

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“Grande desafio é a gente conseguir fazer com que os líderes eles abracem esse novo pensamento e levem em cascata para os seus departamentos, para a diretorias pra gerências para a gente conseguir construir novas gerações capazes de terem esse comportamento mais humano e feliz”  

Rodrigo de Aquino, comunicólogo

Transformar o ‘ganhar, ganhar e ganhar’ em “ganha-ganha-ganha” é bem mais do que um jogo de palavras, é uma transformação cultural que a empresa precisa encarar para se tornar sustentável, oferecendo a oportunidade para que as relações de negócios sejam baseadas em valores humanos. E se é de humanidade que estamos falando, é preciso trazer para a discussão interna nas empresas os temas da felicidade e do bem-estar que são tão necessários quanto complexos; tão complexos quanto subjetivos.

No Mundo Corporativo ESG, Rodrigo de Aquino, comunicólogo, consultor e fundador do Instituto DignaMente, destacou que um dos pilares da felicidade é o estudo das virtudes, onde encontramos o caminho do meio com mais Justiça, Sabedoria e Temperança: 

“E aí, onde é que moram as virtudes na filosofia? Elas têm morada na Ética. Então, quando eu tenho uma conduta ética, quando eu tenho uma conduta mais digna, eu acabo gerando relações mais positivas e eu tenho um impacto diretamente na governança e, obviamente, eu também tenho um impacto no meio ambiente. Então, esse é o primeiro ponto que a gente pode trazer para falar sobre essa relação entre felicidade e o ESG”.

Assim que o Rodrigo trouxe esse olhar para a nossa conversa, a primeira coisa que me veio à mente foram as reclamações frequentes de colaboradores e funcionários das mais diversas empresas com a maneira com que os relacionamentos se dão no ambiente profissional — ou isso não acontece aí na sua empresa?  Você é uma pessoa de sorte! De maneira geral, há muitas queixas aos processos e formas impostos na realização do trabalho, mesmo naquelas organizações que dizem estar comprometidas com a governança ambiental, social e corporativa. Para quem se apresenta ao mercado como uma empresa dedicada às práticas ESG, não pautar o tema da felicidade e o bem-estar é abdicar de parcela da responsabilidade que assumiu. 

“A gente vive nesse mundo tão polarizado, entre o bem e o mal, o positivo e o negativo que, às vezes, não tem esse momento de respirar olhar e falar assim: ‘deixa eu entender qual é o caminho do meio‘. A gente começa a pensar em em uma palavra que está muito em voga que é a empatia. Como que eu consigo parar e olhar a realidade do outro, calçar o sapato do outro, antes de eu sair metralhando verdades, antes de eu sair cuspindo impropérios”. 

No esforço de olhar a vida pela ótica do outro, descobre-se que muitos dos nossos comportamentos — às vezes, bem intencionados — são prejudiciais ao crescimento dos nossos parceiros de negócio e colaboradores. Ao trazer esse ponto para a nossa conversa, Rodrigo lembra frase clássica de Peter Druker, papa da administração e gestão moderna: “a cultura come a estratégia no café da manhã“. Ou seja, as práticas criadas para tornar a empresa mais humanas são inúteis diante dos padrões culturais enraizados na organização, diante do comportamento dos líderes, dos valores éticos e morais que pautam as decisões e dos métodos de trabalho impostos aos funcionários.

Um exemplo são as empresas que para combater o excesso de trabalho criam mecanismos que desconectam da rede corporativa o computador do colaborador  nos horários fora de expediente ou desligam as luzes da sede ao fim deste expediente. Se os processos internos não mudarem e a pressão excessiva por entregas e resultados for mantida, em breve, os funcionários estarão encontrando formas de burlar essas barreiras, porque sabem que o estresse pela cobrança será maior.

Das formas para substituir o círculo vicioso em círculo virtuoso nas relações de trabalho e de negócios, Rodrigo sugere que se comece por entender a jornada do empregado dentro da empresa e se identifique os pontos de tensão e atrito, atuando diretamente neles com pequenas mudanças que —- assim como uma pedra jogada dentro de um lago — podem ganhar uma enorme dimensão. 

Investir na comunicação é fundamental, também. A começar por criar canais de escuta e incentivar os funcionários a falarem o que sentem e precisam, sem barreiras hierárquicas; oferecendo segurança para que hajam assim, sem medo de represálias. A informação sobre as práticas implantadas também têm de circular e ser absorvida por todos, sob o risco  de haver constrangimentos que prejudiquem qualquer política de bem-estar. Um exemplo usado por Rodrigo é o das empresas que decidem criar ações afirmativas para incentivar a diversidade, mas se esquecem de investir no letramento de seus colaboradores para colocar todos na mesma sintonia. 

Sobre medida que precisam ser trabalhadas internamente nas corporações, Rodrigo de Aquino faz um alerta:

“Cada organização tem um conjunto de pessoas diferentes que precisam então de soluções diferentes. A gente tem que tomar muito cuidado com coisas de prateleira: ‘vamos tentar reproduzir em série essas ações’. Porque cada pessoa é uma pessoa. Quando a gente fala de felicidade e bem-estar é um conceito subjetivo e isso, quando eu coloco para uma organização, também preciso pensar na subjetividade desses conceitos”.

Assista à entrevista completa com Rodrigo de Aquino ao Mundo Corporativo ESG.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no YouTube e no site da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às dez da noite, e fica disponível em podcast.

Mundo Corporativo: Marcella Ungaretti, da XP, diz que a agenda ESG reflete no valor da empresa

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“…talvez a primeira coisa que nos vêm em mente seja um pouco dos desafios que as companhias eventualmente possam ter nessa agenda, mas a grande verdade é que também tem muita oportunidade a ser capturada por essas companhias que estão bem posicionadas”. 

Marcella Ungaretti, XP Investimento

Impactada com a tragédia causada pelo rompimento de uma barragem da empresa Samarco, em Mariana MG, em 2015, a então estudante Marcella Ungaretti foi a campo para entender o preço que empresas envolvidas em crises ambientais pagam —- especialmente, ter resposta para a pergunta que veio à sua mente: quanto tempo essas empresas levam para se recuperar? 

“Noventa dias para mais”, foi o que descobriu ao pesquisar uma série de casos ocorridos nas mais diversas partes do mundo. Há situações ainda mais drásticas em que essa recuperação tende a não acontecer, como nos contou no Mundo Corporativo ESG. Formada em Administração de Empresas pela FEA-USP e vencedora do prêmio Ruy Leme de Excelência Acadêmica da USP, Marcella atualmente é sócia da XP Investimentos e ocupa o cargo de ‘head de research ESG” — ou seja, é responsável por analisar o compromisso das empresas com a pauta da sustentabilidade:

“Esse estudo conclui que a agenda ambiental, social e de governança não anda em separado da agenda financeira da companhia. Muitas pessoas tendem a ver a temática ESG como uma coisa, a temática de investimento como outra. Não! Na nossa percepção, aqui, na XP é que a companhia é uma só e, consequentemente, as ações que tiver no que tange o meio ambiente, a sociedade e a governança vão refletir diretamente nos resultados e no valor de mercado dela, no quanto que ela vale”.

Em entrevista à CBN, Marcella destacou que as empresas estão conscientes da relevância do tema ESG, mesmo que muitas ainda não tenham encontrado o melhor caminho da sustentabilidade. Para ela, essa é uma agenda que já passou do ponto de “não retorno”. As empresas que não olharem para essa questão provavelmente ficarão para trás, perderão mercado e serão desvalorizadas. 

“O mercado de capitais no Brasil tem evoluído de forma significativa, de forma que a gente tem mais players atuando no mesmo mercado, e isso significa para o consumidor uma opção de escolha, e nessa nessa decisão de escolha, a geração mais recente traz cada vez mais os critérios socioambientais como parte desse processo”

Marcella identificou três razões que tornam a agenda ESG fundamental para as empresas: há um interesse maior de investidores e de cidadãos de uma maneira geral; há uma regulação que vai exigir cada vez mais que essas regras sejam cumpridas; e, finalmente, o retorno que se tem no mercado tem sido alto. A partir disso, se impõe um desafio às empresas:

“Parece simples pelo fato de serem três letras, mas a grande verdade é que é tanto no E, na questão ambiental, isso se desdobra em uma série de fatores; no S a gente sempre diz que tem uma agenda interna, mas também uma agenda externa; e há a  frente de governança que é de extrema importância … A abrangência dessa temática se coloca como um desafio”.

Um segundo desafio às empresas, identificado pela executiva da XP Investimento, é a divulgação das companhias das ações adotadas e resultados obtidos nos relatórios enviados aos investidores. Apenas 24% das bolas de valores no mundo impõem a divulgação de relatórios de sustentabilidade — na B3, em São Paulo, por exemplo, a publicação desses dados não é obrigatória.

“… consequentemente parte das empresas brasileiras ainda não tem esse documento público; ao mesmo tempo que, por parte do investidor, a demanda por esse documento é bastante clara. A gente fica menos tangível para o investidor poder ter qualquer compreensão de como essa companhia está evoluindo nessa agenda”. 

Assista ao vídeo completo da entrevista do Mundo Corporativo ESG com Marcella Ungaretti, da XP Investimentos:

O Mundo Corporativo tem a colaboração do Renato Barcellos, do Bruno Teixeira, da Débora Gonçalves e do Rafael Furugen. O programa é gravado às quartas-feiras, às 11 horas, e pode ser assistido pelo canal da CBN no Youtube.

Mundo Corporativo: Edison Carlos, do Instituto Aegea, defende que empresas de saneamento têm de ir além de seu serviço para atender à demanda ESG

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“Nós não queremos só cumprir com os nossos contratos, mas, de forma, também, ambientalmente correta e, também, com critérios de governança muito fortes” 

Edison Carlos, Instituto Aegea

Sem saneamento básico, as cidades não se desenvolvem, a saúde das pessoas é precária e a qualidade de vida é fortemente impactada. Investir no tratamento da água e do esgoto tem sido fundamental para que o ambiente urbano se torne um espaço mais generoso com o cidadão. Diante desse cenário, empresas que atuam no setor já estariam, por sua própria finalidade, colaborando para um crescimento mais sustentável. Porém, apenas isso não é suficiente para que atendam as demandas da pauta de governança ambiental, social e corporativa.

Edison Carlos, do Instituto Aegea, em entrevista ao Mundo Corporativo ESG, demonstrou ter clareza desse desafio, a ponto de, ao assumir o cargo de presidente da instituição, ter decidido ampliar o campo de atuação da organização que comanda. Se no início, o instituto tinha como foco as ações de responsabilidade social, a partir da sua chegada passou a cuidar de toda a área de sustentabilidade:

“A gente não quer só entregar água em esgotamento sanitário no menor prazo possível, na melhor tarifa que a população possa pagar. A gente quer ir além. A gente quer desenvolver projetos sociais de melhoria da renda, melhoria da educação, melhoria da saúde, que são os pilares do IDH da cidade. A gente quer desenvolver projetos ambientais que melhorem o dia a dia daquela cidade”.

A Aegea é líder no setor privado de saneamento básico no Brasil, está em 154 cidades, e oferece água potável, coleta e tratamento de esgoto há mais de 21 milhões de pessoas. Para uma empresa que tem como missão melhorar a vida de cerca de 10% da população brasileira, chama atenção que recorra a imagem de um minúsculo cavalo-marinho para explicar os resultados que tem alcançado. Ilustração que se justifica nas palavras de Edison Carlos:

“Quando a gente chegou na Lagoa de Arauama, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, há alguns anos, as condições eram péssimas por conta do lançamento de esgoto. Hoje, ao ver cavalos-marinhos retornando naquela área, um animal muito sensível às condições do oceano, isso mostra como é como é bom, como é saudável, como a gente fica feliz de ver o resultado na prática”.

Ver esse mesmo resultado na Baía de Guanabara é um dos desafios que a empresa enfrenta nesse momento, segundo o presidente do instituto. Para recuperar as áreas em que a Aegea atua serão investidos, nos próximos cinco anos, cerca de R$ 3 bilhões na construção de coletores para bloquear o esgoto.

De acordo com Edison Carlos, a governança social se destaca com ações de impacto interno e externo da empresa. Do lado de fora, são mais de 100 mil famílias ou 400 mil pessoas beneficiadas com a tarifa social — número que excede em muito o que está previsto nos contratos assinados pela empresa para explorar o serviço de saneamento nas cidades.

“A gente verifica que  se tem essa possibilidade de encaixar faixas de renda menores na tarifa social, melhor, porque essas pessoas vão ser ‘ fiscais da companhia’. Elas vão olhar se está tendo vazamento de água naquela comunidade, se estourou uma determinado cano …eles informam muito mais a gente. Quanto mais a sociedade está bem atendida, mas eles funcionam a favor do serviço”. 

Internamente, o Instituto Aegea promove programas de diversidade que incentivam a equidade racial e de gênero nos cargos de liderança. Edison Carlos ressalta que para essas ações terem êxito, é importante o comprometimento do comando da empresa, essencial para que os demais colaboradores se engajem nas iniciativas. 

“Não tem um Planeta B. Ou seja, não temos um Plano B de Planeta. O que a gente, então, tem de fazer é entregar o melhor para as próximas gerações, não só como executivos, profissionais, mas como cidadãos, também, esses pilares têm de estar incorporados no nosso dia  a dia”

Na entrevista ao Mundo Corporativo ESG, Edison Carlos também chamou atenção para os cuidados que as empresas devem ter para que as iniciativas de gestão ambiental, social e corporativa passem a fazer parte da cultura da organização. E explicou como funciona essa estratégia de comunicação na Aegea.

Assista à entrevista completa de Edison Carlos, do Instituto Aegea, ao programa Mundo Corporativo ESG:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: João Paulo Figueira, da Special Dog, ensina como fazer uma transformação cultural em empresas que não têm o ESG no DNA

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“Inovação é premissa para sustentabilidade” 

João Paulo Figueira, Special Dog Company

A sustentabilidade está no DNA da empresa. Quantas vezes, você já ouviu essa frase? Dezenas? Talvez, centenas de vezes! A ideia é convencer as pessoas de que a empresa nasceu predestinada a atuar dentro das normas que pautam a governança ambiental, social e corporativa — mesmo que nem sempre a afirmativa expresse a verdade. De tão comum na fala de presidentes, CEOs e gestores, quando algum líder começa a entrevista dizendo o inverso disso, ficamos surpresos. Foi o que aconteceu na conversa com João Paulo Figueira, gerente de desenvolvimento sustentável na Special Dog Company, no quinto episódio do Mundo Corporativo ESG:

“A Special Dog Company vem de uma trajetória de 21 anos e se eu falasse aqui que a sustentabilidade está no DNA da Special Dog, eu estaria mentindo”.

João Paulo disse que a ideia de sustentabilidade foi sendo construída ao longo do tempo. Em 2014, por exemplo, a empresa entendeu que a gestão voltada para o lucro e rentabilidade faria sentido se esta fosse um meio para se conquistar algo maior, se estivesse pautada na responsabilidade socioambiental, na mitigação do impacto ambiental e no aprofundamento de uma relação mais harmoniosa com as pessoas e o planeta. Um ano depois, foi criado o departamento de desenvolvimento sustentável, liderado por ele com a proposta de impulsionar uma transformação cultural no grupo, que nasceu há duas décadas na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo:

“Inicialmente (transformação cultural) do nosso público interno, dos nossos colaboradores, mas com o passar dos anos isso foi extrapolando os muros da empresa e chegando até a nossa cadeia de valor, fornecedores, clientes, a nossa comunidade”. 

Foi em 2017, que o ESG passou a fazer parte da estratégia de negócio da Special Dog, com as intenções e ações ocorrendo de forma transversal, ou seja, com cada gestor e líder assumindo a responsabilidade de incluir atitudes sustentáveis em suas áreas e ‘cascateando’ isso para todos os públicos que estão ao seu alcance.

Zootecnista por formação, tendo migrado para a área de sustentabilidade após nove anos atuando dentro de sua especialidade na Special Dog, João Paulo identifica dois movimentos que exemplificam o compromisso assumido pela empresa na agenda ESG. 

Um deles é a redução do uso da água nos seus processos e a consequente resiliência hídrica, causada por essa mudança. Até 2020, a gestão hídrica era vista de forma parcial, com o consumo de água atrelado ao volume de produção; agora, a empresa passou a olhar o consumo de água de forma absoluta, o que permite que se identifique o impacto real provocado na bacia hídrica e se tenha metas mais apropriadas para se alcançar redução no consumo de água. 

“Nós queremos aumentar em 60% o uso de fontes alternativas de água até 2025 e reduzir em 50% o uso de água potável, até 2030”.

O outro projeto destacado por João Paulo, batizado de “igual para igual”,  tem como foco a diversidade e a inclusão:

“Estamos no estágio inicial para a equidade de gênero. Assumimos um  compromisso público com a Rede Brasil do Pacto Global de avançar com o número de mulheres em cargos de alta liderança até 30%, em 2025. Nós estávamos, em 2019, com 18%, ja chegamos a 23,3%, e esperamos atingir 25% ainda este ano”.

Uma indústria voltada para a fabricação de alimentos PETs não poderia deixar de atuar em frentes que beneficiam os animais de estimação. Um dos programas desenvolvidos dentro da agenda ESG é o ‘Doe Amor’, em que a Special Dog incentiva, através de serviços de comunicação, cerca de 3 mil médicos veterinários e púbico em geral a levarem seus cães e gatos a doarem sangue, beneficiando cerca de 60 instituições, tais como hemocentros e bancos de sangue.

Já falei parágrafos acima que João Paulo é zootecnista por ‘nascença’ e gestor de sustentabilidade por ‘vivença’. A trajetória profissional dele, é motivo de inspiração para outros profissionais que estejam, neste momento, prospectando o mercado de trabalho e identificando oportunidades de emprego que o tema ESG, cada vez mais presente nas empresas, possa gerar:

“O guarda-chuva de sustentabilidade ou ESG, ele é muito amplo, então é um conhecimento genérico que é importante de entender todas as interfaces, de conhecimento, mas sem dúvida nenhuma é necessário trazer foco e priorização ao trabalho. Ter um conhecimento amplo, mas focar naquilo que tem mais sinergia com o negócio da empresa”.

Assista à entrevista de João Paulo Figueira, gerente de desenvolvimento sustentável na Special Dog Company e tutor de dois cães, a Belinha e a Pandora — das quais mantém ‘guarda compartilhada’ com a esposa e as filhas.

O Mundo Corporativo tem a colaboração do Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo; e a qualquer momento em podcast.

Mundo Corporativo: “empresas sustentáveis, são mais rentáveis:”, diz Fabio Alperowitch, da Fama, pioneiro na agenda ESG

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“Muitas empresas acham que mudar o logotipo no mês de junho para um arco-íris ou se posicionar em relação a um ou outro tema, já seja o suficiente. Quando na verdade, a gente está longe disso. Então, vejo muito bons exemplos, sim; mas ainda muito circunscritos a determinadas empresas”.

Fabio Alperowitch, Fama Investimentos

O que sua empresa estava fazendo em 1993? Sustentabilidade já era assunto na roda de conversa da diretoria? As ações, produtos e serviços consideravam o impacto que causavam no meio-ambiente? Ok, ok! Você pode dizer que naquela época — se é que a sua empresa já existia —- ainda era “tudo mato” no que se refere ao tema da preservação, escassez de recursos e responsabilidade ambiental, social e corporativa. Não dá pra negar, porém, que muita gente já estava preocupada com o futuro do planeta.,

Para refrescar a sua memória, o país acabara de sair da Eco 92, a primeira  Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, que reuniu 178 chefes de governo, uma quantidade incrível de estudiosos e curiosos, divulgou pesquisas e metodologias de preservação e teve uma cobertura jornalística internacional —- ou seja, todos nós havíamos sido alertados de forma contundente sobre o que se avizinhava, os perigos que estávamos causando ao planeta, a necessidade de revisão no modo de produção e os impactos na qualidade de vida (na nossa qualidade de vida). Quem teve ouvido e coração, entendeu o recado.

Fabio Alperowitch e mais 19 amigos, parece, foram sensibilizados por esse debate. Em 1993, com cada um colocando sobre a mesa US$ 500, formaram um fundo de investimento para ser gerenciado por ele e Mauricio Levi, que tinham acabado de fundar a Fama Investimentos. Quando os dois criaram a empresa, assinaram um compromisso com 10 mandamentos, dentre os quais, o de não investir em empresas que ferissem seus princípios.

“Eu acho que a gente precisa desconstruir a imagem de que o ESG seja algo novo. Os fundamentos e pilares do ESG já existem há muito tempo. A primeira vez que foi utilizada a palavra sustentabilidade, e de uma maneira formal, foi no século XVIII, mas o mundo corporativo e o mercado financeiros tiveram muito distantes dessa pauta até muito pouco tempo”.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo ESG, Fabio Alperowitch revelou uma certa ambiguidade de sentimentos diante do assunto da governança ambiental, social e corporativa. Assim como revela entusiasmo pela trabalho que desenvolve — até hoje, se mantém à frente da Fama, fiel a seus princípios e promotor da causa —, também se faz reticente quanto ao envolvimento das empresas no assunto:

“No Brasil, ainda predomina uma dicotomia falaciosa de que empresas e investidores entendem que existem dois caminhos antagônicos, no sentido de, ou você é responsável ou você é rentável — o que não é verdadeiro. É exatamente o contrário: as empresas mais rentáveis, também são as mais responsáveis. Então, o caminho da responsabilidade traz também rentabilidade”.

Não dá para negar que o envolvimento das empresas na agenda ESG —- pelo amor ou pela dor — aumentou. Os números da Fama mostram isso: hoje R$ 2,8 bilhões estão sob gestão num fundo de ações, em que apenas empresas que passam pela rigidez dos critérios de governança são aceitas. Ainda é pouco e a maioria do aporte financeiro que está no fundo vem do exterior, de investidores que confiam na seleção de ativos feita pelos gestores. A despeito desse interesse, nem sempre genuíno, Alperowitch lamenta a pouca evolução alcançada:

“Os grandes indicadores ambientais e sociais, apesar de tudo que a gente tem ouvido sobre ESG, não estão melhorando … e os poucos que melhoram são a passos bastante tímidos. O mundo não está emitindo menos gases de efeito estufa; a diversidade está melhorando de forma muito periférica; a gente não está reduzindo a desigualdade social;  não está melhorando o nível de acidentes do trabalho”

Aos que ainda não perceberam que o mundo mudou e as exigências e necessidades são outras —- sendo a gestão sustentável em todas as suas dimensões o único caminho viável —-, Alperowitch alerta para a transformação que está por vir com a chegada da Geração Z no mercado de consumo. Há tendência de uma redução e uma revisão na maneira de consumir, com compras sendo feitas baseadas nos valores que pautam esses jovens:

“Ela (Geração Z) não vai comprar produtos de empresas que estejam na cadeia do desmatamento ou que, na sua cadeia de suprimentos, tenham empresas que violam direitos humanos, como trabalho análogo à escravidão ou trabalho infantil; ou que façam testes em animais e, assim, excessivamente; ou que sejam de combustíveis fósseis”. 

Ao não olhar de maneira estratégica e de longo prazo, as empresas também perderão em engajamento e produtividade, diz Alperowitch. Colaboradores de talento serão desperdiçados, porque não estão interessados apenas no salário que cai na conta. Querem saber se a empresa é antirracista, se combate a homofobia, se investe na diversidade e se está lutando contra os efeitos da mudança climática. Para ilustrar essa verdade, recomenda-se que se olhe com carinho para estudo desenvolvido por  Robert Eccler, ex-professor da Universidade de Harvard, que aos 70 anos é uma referência mundial no tema. Ao analisar por 18 anos, 180 empresas de 90 subsetores da economia, nos Estados Unidos, a conclusão foi de que as empresas sustentáveis tiveram performance muito melhor do que as outras:

“Esse estudo foi feito entre 1993 e 2009 quando não se falava em ESG, não se precificava as externalidades, por exemplo as empresas não tinham que pagar a taxa de carbono, a Geração Z ainda não existia e etc. Então, eventualmente se a gente repetir esse mesmo estudo daqui pra frente, eu imagino que o resultado seja ainda mais favorável para as empresas responsáveis”.

Antes de você assistir ao vídeo com a entrevista completa do Fabio Alperowitch, no Mundo Corporativo ESG: você lembra onde estava sua empresa em 1993? Eu, já estava por aqui, em São Paulo; trabalhava na TV Cultura e, por curiosidade, a pauta da sustentabilidade era frequente em especial pelo trabalho do conceito de jornalismo público que desenvolvíamos na redação. E, sim, naquela época não falávamos de ESG ainda.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas, 11 horas da manhã, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da CBN. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Vinícius Passarelli.

Mundo Corporativo: Danilo Talanskas, ex-Ge HealthCare, defende que a ética é a base do ESG

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‘Uma empresa que sempre teve um comportamento ético não depende do selo ESG. Vai simplesmente confirmar alguma coisa que já vinha sendo feita”

Danilo Talanskas, consultor de empresas

“Qual o valor da nota que o senhor quer?”. A pergunta que demonstra o interesse do vendedor em atender as necessidades de seu cliente, também revela conduta ética que se normaliza nas relações de trabalho. Na hora de abastecer o carro, pagar a refeição ou comprar um produto para a empresa, o colaborador acrescenta 10, 20, 50 reais a mais. O fornecedor não vê mal nenhum em aceitar o pedido, até porque sabe que assim vai garantir a fidelidade do cliente. O que não se considera é que tanto um como o outro demonstram uma flexibilidade ética preocupante, especialmente em um momento em que assistimos às empresas querendo se posicionar na agenda ESG — sigla que traduzida para o português significa ambiental, social e governança.

A relação da ética com a governança ambiental, social e corporativa foi o tema da entrevista do consultor Danilo Talanskas, no terceiro episódio do Mundo Corporativo ESG. Danilo comandou a Otis South America, Rockwell Automation do Brasil e GE Healthcare; hoje é consultor de empresas e lançou, recentemente, o livro “Lições de guerra, vencendo as batalhas de sua carreira”(Afigitis).

“A ética é a escolha que você vai fazer diante dos diversos desafios e dilemas que temos dentro da área corporativa. Sem dúvida. eles são muitos e você os tem desde o início da carreira”.

Consciente de que dúvidas sobre que comportamento adotar podem surgir nos diversos estágios da vida profissional, Danilo se lembra de uma lição aprendida em treinamentos sobre conformidade dos quais participou na época em que comandava a Ge Healthcare: 

“Se você tiver uma dúvida, se você não souber bem o passo que você vai dar, se não houve uma instrução específica, pense: como você se sentiria se essa sua decisão fosse publicada na primeira página do jornal de amanhã”.

Para que essa conduta faça parte da cultura da empresa —- e somente assim será possível cumprir a agenda ESG —-, Danilo lembra da necessidade de as lideranças estarem comprometidas com o tema, que precisam dar o exemplo diante dos dilemas éticos que surjam.

“A minha experiência é de que a total transparência é sempre o melhor caminho, mas ela começa quando a a empresa, o negócio, é transparente nos seus objetivos … Isso ajuda nos bons momentos e ajuda nos maus momentos a compreensão do negócio e o engajamento em busca das soluções”.

Dentre as batalhas corporativa que Danilo Talanskas descreve está a resistência que os profissionais devem ter diante de vantagens que possam ser oferecidas de maneira ilegal. Ele explica que talvez se deixe de fechar alguns contratos por não se aceitar negociações ilícitas, mas que, a longo prazo, os resultados aparecerão:

“O mais importante é saber que a gente não pratica atos éticos pelos resultados e sim pelos princípios. Então, sendo fiel aos seus princípios, você sempre terá portas abertas”.

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo ESG com o consultor de empresas Danilo Talanskas:

Mundo Corporativo: é preciso simplificar a comunicação na estratégia ESG, diz Alex Carreteiro, da PepsiCO Brasil

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“Eu acho que a gestão tem que ser humanista, tem que ser feita com amor e com respeito ao próximo, e ao fazer isso a gente põe o limite muito alto; não, tem não tem limites de fato” 

Alex Carreteiro, CEO PepsiCo Brasil

Com agrônomos acompanhando o cultivo da batata, certificando e orientando os agricultores para melhorias contínuas no campo, e uma logística que permite que o produto saia da plantação para o pacote em dois dias a PepsiCo Brasil tem conseguido avançar no tema da sustentabilidade. Em 2019, foi apontada como referência na Agricultura de Nova Geração com 100% das batatas produzidas de forma sustentável. Isso foi possível,  a partir de trabalho desenvolvido em parceria com 120 agricultores que assumiram o compromisso de cumprir 175 requisitos para viabilizar o programa de agricultura sustentável. 

O caso dos snacks de batatas Lay’s é contado por Alex Carreteiro, CEO da PepsiCo Brasil, uma das maiores indústrias de alimentos e bebidas do mundo, no segundo episódio do programa Mundo Corporativo ESG. Na entrevista, o executivo falou da transformação estratégica batizada de PepsiCo Positive, lançada em 2021, que se baseia em três pilares: agricultura positiva, cadeia de valor positiva e escolhas positivas:

“O consumidor está cada vez mais consciente e exigente nesses temas. Então, esse avanço tem sido muito impulsionado pelas empresas, mas também pelos consumidores. A diferença está na forma de comunicar ou na forma de agir”.

Dentro desta visão de que havia necessidade de a empresa se comunicar de maneira mais simples e melhor com os consumidores para que identifiquem as ações que, em alguns casos, já faziam parte do processo de produção, a PepsiCO passou a colocar no mercado embalagens de seus produtos com a foto dos agricultores que são os responsáveis pelo plantio e cultivo dos grãos, que são ingredientes dos produtos vendidos pela empresa. 

“A maneira de comunicar tem sido também muito importante. Porque muitas vezes, a gente já fazia; agora estamos acelerando da agricultura sustentável para a regenerativa; e a a gente quer trazer isso para o consumidor”.

Em outro dos pilares que fazem parte da transformação estratégica da empresa, a cadeia de valor positiva, há preocupação em relação ao consumo de água, ao transporte das mercadores e as embalagens usadas nos produtos fabricados pela PepsiCo, segundo Alex. No caso da água, um exemplo é a fábrica de Itu em que todo o volume de água necessário para o seu funcionamento é reutilizado, zerando o desperdício, em uma técnica que será, em breve, estendida à fábrica de Curitiba. Há investimento, ainda, em material reciclado a partir das embalagens:

“Cada vez mais, eu diria, a cadeia de valor é relevante para criar uma economia circular e poder reutilizar essas embalagens de volta; e ter um mínimo de desperdício para ter uma emissão de carbono zero, que é a nossa ambição até 2040”. 

Na área social, uma dos programas destacados por Alex é o de equidade racial que surgiu a partir de um dos grupos de afinidade que atuam na empresa com o objetivo de promover a diversidade. Esse programa inspirou a criação do MOVER — Movimento de Equidade Racial — que reúne 47 empresas, muitas delas concorrentes, que juntas têm cerca de um milhão de colaboradores:

“O que queremos é impactar três milhões de negros até 2030 e dez mil líderes negros”. 

Para conhecer como funcionam os programas de governança ambiental, social e corporativa, da PepsiCO Brasil, assista ao vídeo completo da entrevista com Alex Carreteiro:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: em estratégia ESG, Heineken proporciona conta de luz mais barata ao consumidor, explica Mauro Homem

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“Sustentabilidade não é sobre o seu tamanho ou sobre sua capacidade de investimento; é muito mais sobre a sua intenção e o quanto o genuíno você está indo nessa direção”

Mauro Homem, Heineken

As empresas têm percebido que não alcançarão o sucesso que esperam sem terem relevância significativa nas áreas ambiental, social e de governança. A despeito de seu tamanho ou finalidade, cada uma cria sua própria estratégia para expressar esse compromisso, adaptando-a a seus processos de produção e ao segmento que representa. A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, por exemplo, definiu três  blocos de atuação e, um deles, está diretamente ligado ao impacto que os produtos que leva ao mercado tem na saúde do consumidor. Assim, está entre suas prioridades desenvolver campanhas pelo consumo equilibrado e responsável de álcool. 

Na estreia da série Mundo Corporativo ESG —- em que destacaremos nos próximos meses ações em favor da governança ambiental, social e corporativa —, Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken, explicou como o tema evoluiu ao longo dos anos dentro da empresa, deixando de focar apenas nas questões ambientais:

“A gente sabe que uma empresa que produz cerveja naturalmente tem que lidar com questões relacionadas ao consumo de álcool. Isso é uma grande preocupação; e a Heineken é vanguardista nessas discussões de consumo equilibrado. Ainda mais agora, desde o advento da Heineken 0.0 e do portfólio  de menor teor alcoólico, também”.

Na área social, o foco está na diversidade e inclusão com incentivo para a maior participação de mulheres e negros, em especial em postos de liderança. Além das quatro paredes, a Heineken também age no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade, através do Instituto Heineken Brasil. São três os públicos atendidos: os ambulantes. os catadores de material reciclável e os jovens.

“No caso dos jovens em posição de vulnerabilidade, temos dois grandes olhares: o primeiro, é a relação saudável e equilibrada com o álcool, para que esse jovem não vá para o consumo nocivo; e o segundo é a geração de empregos”.

Do ponto de vista ambiental, que faz parte do tripé estratégico da cervejaria, o impacto começa dentro da própria empresa, com implantação de sistemas mais eficientes de gestão hídrica, por exemplo. Em outro programa que se iniciou com bares e restaurantes e agora se estende ao cliente final, a Heineken criou uma plataforma que conecta geradores de energia limpa e os consumidores, oferecendo energia mais barata. Isso mesmo que você leu: ao se cadastrar no programa, além de consumir energia renovável, o custo da sua conta de luz vai diminuir. 

Mauro explica que a geração distribuída é mais eficiente por ter menos perda técnica, e uma incidência de impostos diferenciada, podendo gerar redução de 15 a 20% no valor da  conta de luz para os consumidores. O cadastro, de graça, deve ser feito no site Heineken Energia Verde. Infelizmente, nem todas as concessionárias de energia elétrica permitem essa substituição por fontes renováveis. Mas, já podem se beneficiar do programa, os moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, algumas cidades do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo —- neste caso apenas nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.

“O potencial é enorme. Nossa ambição e chegar em pelo menos 50% de todos os nossos bares e restaurantes, quase um milhão de pontos de venda no Brasil. E é um volume muito grande de clientes, também. Mas poderíamos chegar a pelo menos 50% até 2030”

A transformação que as empresas tiveram de encarar diante do conceito ESG — sigla de Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — provocou mudanças na forma de os profissionais atuarem, gerou novos desafios e abriu oportunidades. O próprio Mauro viu sua carreira ser influenciada por essa nova visão, quando a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental. Ele fez gestão ambiental na USP, em Piracicaba, interior de São Paulo  —- em lugar de seguir a trilha mais consolidada da engenharia ou direito, como imaginavam pessoas próximas. Buscou outras formações na área de administração e iniciou-se na carreira profissional, na Danone. Lá atuou pela primeira vez na área ambiental e, depois, foi cuidar de relações governamentais.

A sustentabilidade —- já com essa visão mais ampla em que o social e a governança se alinhavam às preocupações ambientais —- voltou à carreira de Mauro na Heineken, para onde se transferiu há quatro anos. Antes da vice-presidência que ocupa, atuou com a comunicação corporativa:

“Eu acho que os profissionais precisam buscar cada vez mais essa conexão com os problemas do mundo exterior e traduzir isso em oportunidades também por um ambiente corporativo. Então, acho que é nesse sentido que os profissionais têm tido cada vez mais oportunidades. É nisso que eu vejo as carreiras mais próximas na área de sustentabilidade, também”.

Assista ao primeiro episódio da série Mundo Corporativo ESG com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da Heineken:

O Mundo Corporativo ESG tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Beatriz Sairafi, da Accenture, mostra as vantagens que a chegada da geração 50+ traz às empresas e aos jovens

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“A liderança é a primeira que precisa abrir as portas. Não adianta a gente fazer isso num cantinho da organização. Tem que ter de fato apoio e,  muitas vezes, você começa com um grupo de pessoas apoiando e depois os outros se contagiam e a agenda avança” 

Beatriz Sairafi, Accenture

Um administrador, com 63 anos, que fez toda sua carreira na área ambiental e, desde 2017, estava fora do mercado de trabalho. Uma advogada que, aos 54, já havia dedicado parte de sua vida profissional a uma multinacional e estava desempregada há dois anos. Dois exemplos de pessoas que, mesmo estando desempregadas e tendo passado dos 50 anos, tiveram talento e conhecimento reconhecidos pelo programa de diversidade geracional implantado pela Accenture, no Brasil. Os dois, assim como cerca de 130 colaboradores com mais de 50 anos, foram contratados durante a pandemia. Ao apostar na maturidade profissional, a empresa de consultoria e tecnologia, de atuação global, deu segmento às políticas afirmativas que começaram há 15 anos, e já abriram as portas para mulheres, deficientes, negros e pessoas LGBTQIA+. 

Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, explicou que a decisão de investir na diversidade surgiu quando se percebeu que eram diversos, também, os públicos com os quais a empresa trabalhava:

“Nós atendemos e trabalhamos com vários segmentos de clientes, no setor financeiro, de consumo, de varejo, de saúde, de  recursos naturais. Imagina a diversidade de clientes que o nosso negócio atende. E para isso eu preciso ter de fato pessoas diversas. Se eu não tiver pessoas que realmente tem uma especialidade diferente da outra, a gente não vai conseguir fazer o melhor pelos nossos clientes”. 

A despeito de Beatriz ser do setor de Recursos Humanos, ela explica que a agenda de transformação das empresas não depende do RH, tem de ser uma agenda dos líderes porque, além de fazer parte de um planejamento de longo prazo, é necessário uma mudança ampla na cultura corporativa e isso só acontecerá diante de gestores humanizados e engajados nas mudanças. Esse movimento não se resume a abrir vagas, exige ambientes apropriados, profissionais abertos ao novo e diverso e uma comunicação efetiva entre os setores: 

“Somos uma organização em que 60% são milênios, 20% são ‘centênios’. E a gente falou: ‘puxa vida, será que o grupo mais jovem vai apoiar’.  Nossa. super apoiou e teve muito orgulho de fazer parte de uma jornada de transformação para o mercado e não só para nós”.

E, convenhamos, não haveria porque não apoiar. Profissionais conscientes tendem a perceber rapidamente as vantagens que a convivência geracional proporciona para toda a equipe de trabalho:

“Muitas vezes falta uma experiência técnica, mas a maturidade emocional e as competências pessoais; já terem vivido e passando por tanta coisa, faz com que em uma situação que parece urgente, a pessoa fala: ‘não, calma!’. Isso traz maturidade emocional e uma perspectiva de vida, uma experiência complementar aos jovens. É uma troca muito rica, onde todos têm aprendido um com o outro. E a gente ainda tem muito a explorar essa relação”.

O programa de incentivo aos profissionais 50+ seguiu modelo semelhante aos implantados em anos anteriores para outros segmentos: começa pelo recrutamento; identificação de líderes influenciadores, que são chamados de sponsors (ou patrocinadores);  formação de comitês com pessoas que se voluntariam a trabalhar com o tema; diálogo permanente para ouvir as necessidades; capacitação dos profissionais contratados; e, finalmente, aplicação de métricas para identificar de forma precisa os resultados alcançados. 

Para Beatriz, entender as demandas dos públicos que se pretende alcançar é fundamental para que se tenha o engajamento dos colaboradores:

“Então, a gente percebe que o índice de engajamento cresce muito quando as pessoas simplesmente podem ser quem elas são, porque não dá para você contribuir com o seu melhor e dar o seu melhor também para a empresa, com as suas ideias, com o seu talento, com toda a sua bagagem, se você tiver que entrar no script. Se você tiver que não falar algumas coisas porque pode ser mal interpretado”. 

Engajamento que fica evidente na fala de nossa entrevistada quando provocada a tratar da atuação dela dentro da empresa, onde consegue, a partir de seu trabalho, alcançar seus propósitos. Dentre eles, o interesse em fazer a diferença e construir um mundo melhor:

“A gente tem uma responsabilidade muito grande de mudar o nosso entorno. Acho que esse essa é uma missão minha mas de RH como um todo”.

Para entender como é possível levar essa discussão e implantar programas em favor da diversidade dentro da empresa em que você atua, vale a pena assistir à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Beatriz Sairafi, da Accenture:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: “Posicionem-se”, é o que Renata Spallicci, da Apsen, pede às mulheres

Foto: divulgação

“A gente passou a viver o que eu gosto de chamar de flow corporativo, que é quando a coisa de fato entra nas veias dos colaboradores, quando realmente as pessoas passam a acreditar  no planejamento, a visão de futuro”

Renata Spallicci, Apsen

De estagiária a vice-presidente. A frase que acompanha parte do material de divulgação do livro mais recente de Renata Spallicci, mesmo que precisa, diz pouco sobre a história desta executiva. Esconde que a trajetória dela foi na empresa da família — o que poderia diminuir os méritos de sua carreira profissional — tão pouco deixa explícito que o estágio final dessa jornada, até aqui, somente se deu porque ela liderou o “sonho grande” de, em cinco anos, dobrar de tamanho a Apsen Farmacêutica. Sonho sonhado e alcançado, em 2020, quando o laboratório passou a faturar R$ 1 bilhão.

A Apsen foi criada pelos avós, Mario e Irene Spallicci, em um laboratório no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em 1969. Atualmente está sob o comando do pai, Renato, que foi quem a convidou para ser estagiária na empresa. Na entrevista ao Mundo Corporativo, Renata conta que ao se apresentar para o trabalho — “fui ali toda bem vestida” – em lugar da sonhada mesa de escritório com seu nome em um placa, recebeu crachá de funcionária do almoxarifado, onde começou carregando caixas, recebendo e distribuindo produtos. 

Levantar peso não chegava a ser um desafio impossível para a moça que tem no fisiculturismo uma de suas paixões. Ela, porém tinha clareza de que seu desenvolvimento profissional dependeria muito mais dos estudos e da busca do conhecimento do que propriamente dos laços de família. Passou por processos de coaching, mentoria e mastermind; e é formada em engenharia química, pós-graduada em administração e com MBA para CEOs pela FGV.  Hoje, Renata Spallici é vice-presidente executiva da Apsen.

A meta  de elevar o faturamento da empresa passou pela construção de um planejamento que, segundo Renata, tem como etapas iniciais “a visão clara de futuro” e a necessidade de se levar essa visão de forma organizada e com objetivos estratégicos para cada uma das áreas envolvidas, até alcançar os objetivos individuais. A autora do livro “Sucesso é o resultado de times apaixonados” ressalta a importância de contar com o engajamento dos colaboradores nesse processo de desenvolvimento. 

“O primeiro passo foi conquistar as pessoas e plugar o sonho individual do colaborador no sonho corporativo … Falando assim parece simples, mas é um trabalho árduo, é um trabalho de muita consistência, porque você tem que conversar e repactuar as conversas ao longo de muito tempo, exige  uma mudança de cultura”.

Em um dos vários trabalhos que realiza fora da empresa, Renata se dedica a mentoria de mulheres, no programa Winning Woman EY, no qual prepara lideranças femininas, muitas das quais atuando em empresas familiares como ela. Chama atenção para a importância dessas mulheres se fortalecerem tendo voz ativa e perdendo o medo de errar:

“Muitas delas são fundadoras, têm um talento específico, desenvolveram algum produto incrível .. mas eu percebo que têm dificuldade de sentar na cadeira delas e assumir o papel e as responsabilidades. Então, uma das coisas que eu trabalho muito com a com as minhas mentorandas é justamente isso: posicionem-se!”.

Para que o crescimento profissional se realize, Renata recomenda que sejamos capazes de atuar dentro da empresa com o “senso de dono”,  o que pode ser lido como mais um jargão corporativo, desses que repetimos sem entender seu sentido. Não para esta executiva, escritora, fisiculturista e rainha de bateria —- sim, Renata também desfila no carnaval paulistano.  Para ela, é fundamental que se entenda que “se a gente quer crescer, tem que ser empreendedor dentro do negócio do qual a gente participa”.

Assista agora à entrevista completa com Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, ao Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.