Parada Gay se transforma em “Micareta”


Foi de um travesti uma das mais sensatas afirmações feitas durante a Parada Gay, no domingo. Não guardei o nome, mas ele apareceu na reportagem da Neide Duarte, da TV Globo, em meio ao colorido das roupas que se confundia com o da maquiagem, e criticou: “A Parada está mais parecida com uma micareta, mesmo assim não deixarei de lutar pelo fim do preconceito”.
A afirmação chama atenção para o risco que a Parada corre se continuar crescendo desta forma. Ninguém se acerta em relação ao número de participantes. Os mais entusiasmados calculam 4 milhões de pessoas, os mais preconceituosos dizem que não chegou a 3 milhões. Discutir estes números é deixar de lado o mais importante deste movimento: aceitar a diversidade.

Na avenida Paulista, havia famílias com crianças pequenas no colo e sob os ombros, e nenhuma delas imaginando que participar do desfile dos gays iria “colocar em risco” a educação de meninos e meninas. Nem deveriam, mesmo. Esta geração que surge, acostumada a aceitar diferentes opções e relações , tende a ser mais civilizada.

De volta a “micareta”: a festa que reuniu um mundaréu de gente nas redondezas da Paulista não pode perder sua bandeira, sempre colorida e consciente. O presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, Nelson Matias Pereira, falou ao Portal G1 da sua preocupação: ”O evento começa a atrair gente estranha à Parada e tem vindo muita gente que não tem afinidade com a comunidade”. Um dos pontos a ser repensado são os trios elétricos, que chegaram a 23 este ano. “Talvez coloquemos só os trios da militância (excluindo, por exemplo, trios de boates GLS)”.
Levando em consideração a afirmação do nosso personagem lá de cima, a causa gay não deve ser atropelada pela enorme quantidade de trios elétricos.

3 comentários sobre “Parada Gay se transforma em “Micareta”

  1. Caro Milton, tenho vc como um profissional de inteligência respeitável, porém, fico com a impressão que vc só tem olhos para o negativo, sempre salienta o que diminui, não que devamos fazer vistas grossas, mas uma balanceada entre os extremos …… pouco mais de elogios seria BENVINDO!

  2. Olá Milton,
    gostaria de concordar com a idéia da “Micareta” na parada g**. Passando pela Paulista, me surpreendi com a sujeira nas ruas, com a quantidade de heterosexuais e garrafas de vinho! Acredito que esse crescimento, tão elogiado muitas vezes, gera o problema das festas abertas de SP, isto é, violência de diferentes tipos, sujeira etc.
    A apropriação da festa por heterosexuais, como a apropriação do carnaval pelos famosos, por exemplo, incha e acaba com as festas populares. A parada g** foi hetero!
    Bjs, Gustavo.

  3. Sobre os números, de fato, são exagerados: se dividirmos a área total da Paulista pela área ocupada por um cidadão, chegaremos à lotação máxima de 500 mil pessoas. Mas concordo que isso importa menos que a mensagem de tolerância que o evento divulga.

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