De Viena

A irregularidade no desenho de Friedensreich Hundertwasser é proposital e oferece um visual equilibrado com a natureza. Na contradição, está a idéia da sustentabilidade discutida por todos nós, assustados com o aquecimento global, que já se praticava no trabalho deste artista vienense que morreu, em 2000, aos 71 anos.
Na natureza não há maldade, somente há maldade no homem, dizia Hundertwasser.
Na casa (foto acima), o visionário provou que é possível o cidadão viver com a natureza sem que nenhuma das partes tenha de abrir mão de seus direitos.
Desde 1986, quando foi concluída, Hundertwasser House, na capital austríaca, foi visitada por milhares de pessoas de todo o mundo. Um passeio na calçada em frente a casa colorida e arborizada e você encontra estudantes e professores de arquitetura e urbanismo debatendo, em inglês, alemão e espanhol (foi o que consegui identificar) , cada detalhe ao nosso alcance.
Os neófitos (dentre os quais este vos bloga), de boca aberta, tem a impressão de que o artista brincava de desenhar, e transformava o brinquedo dele em realidade. É verdade. Basta verificar outros trabalhos que podem ser acessados na internet, em qualquer site de busca.
Enquanto alunos e profissionais, grupos de turistas e curiosos ficam admirados diante do trabalho de Hundertwasser, lá dentro famílias tocam suas vidas. E saber disso, torna tudo ainda mais incrivel.
Olhar o predio residencial de Hundertwasser, no terceiro distrito da capital vienense, me fez lembrar por – e pelas – linhas tortas de Estevão da Paraisópolis, favela da zona sul de São Paulo. Artista, também, sem a fama do personagem desta história, transformou o ritual de uma casa em arte (foto abaixo), apesar de jamais ter passado por escola especializada (coisa, aliás, que Hundertwasser o fez não por mais de três meses).
