De Roma
Leitor assíduo de seu blog, me interessei em especial pela sua nota a propósito da Bocca de La Verittà. Estou habitando em um pequeno e charmoso apartamento na Via Merulana, portanto a E 1,00 e alguns minutos da igreja de Santa Maria in Cosmedin, se pegar o ônibus certo.
Não resisti a tentação e segui para as margens do rio Tevere em busca da verdade. nesta manhã. A igreja do século IV é singela se comparada com outras dezenas que visitamos por aqui como a Basílica de S. Maria Maggiore. Bastante humilde, principalmente para quem ainda tem em mente a riqueza esbajada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Levando-se em consideração estarmos em período de férias escolares e o bom tempo que se registra na Itália, a fila que se estendia desde a calçada até o interior da igreja não era das mais desafiadoras nesta época, para entrar na Capela Sistina ou no Coliseu é preciso rogar aos Deuses da Paciência.
Isto, aliás, facilitou uma das tarefas das quais havia me imbuído, verificar se havia a presença de algum brasileiro ilustre e letrado em busca da verdade. Além de um vendedor de pequenas lembranças, logo após o portão de entrada, que ensaiava alguns assovios com o apito que forjava no local, constatei a existência de enorme quantidade de turistas japoneses e, com menos expressão, de outras nacionalidades, também. Brasileiro, era o único representante no momento.
Aproveitei para perguntar ao ambulante, que vendia produtos com autorização da igreja, se havia notado um aumento na freqüência de brasileiros nestes últimos dias. Com certeza, respondeu. Alguém que o senhor tenha visto lhe chamou atenção ? Quase todos com camisa da seleção. Algum de terno e gravata ? E carro oficial ? Nenhum, repetiu várias vezes, sacudindo a cabeça.
Cerca de 15 a 20 minutos depois de chegar, consegui me aproximar da lenda. Como qualquer turista, até para não chamar atenção, coloquei a mão dentro da boca e posei para fotografia. Enquanto o resto do pessoal preparava seus flashes, aproveitei para realizar minha segunda e mais importante tarefa: convidar a Bocca de La Verittà para viajar a Brasília e se instalar na porta de acesso do Congresso Nacional.
Confesso que não tive muito tempo para convencê-la. Os japoneses que vinham logo atrás estavam impacientes. Sugeri que aparecesse na capital federal após o recesso parlamentar, já que entendia o abalo que haveria nas finanças de Santa Maria in Cosmendin se resolvesse deixar o local nestas férias. Tentei-a com a possibilidade de conhecer o nosso Cristo Maravilha, no Rio de Janeiro. Disse ter medo (deve ser da concorrência). Insinuei com uma camisa autografada pelos jogadores da seleção de Dunga (sem Ronaldinho e Kaká, ela sequer abriu a boca).
Impassível mas compreensiva, a Bocca me disse que de todos os brasileiros que por lá passaram nessas últimas semanas nenhum teria motivo para perder o dedo que fosse, e sugeriu que voltasse ao portão de entrada, comprasse do vendedor uma miniatura por apenas 6 euros e a levasse para Brasília com um recado: Provate, Renan !

Fila da verdade: sem brasileiros
Leia a nota “Boca da Verdade” escrita por Walter Maierovitch no link abaixo:
http://www.waltermaierovitch.globolog.com.br/archive_2007_06_30_0.html