Lázaro reclama da falta de diversidade na beleza do Pan

Lázaro Ramos está longe de ser apenas um rostinho lindo na televisão. Daqueles que reúne talento e inteligência na cachola, usou da sensibilidade para enviar e-mail a amigos para reclamar da visão européia que ainda impera em boa parte da sociedade “mestiça” brasileira.

Não estou na lista dos amigos de Lázaro – não que não quisesse -, mas como estou na dos leitores de Ancelmo Gois encontrei o texto no que ele chama blog da turma da coluna http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/ e reproduzo para vocês pensarem e comentarem:

Amigos.

Recebi hoje um e-mail do amigo Jorge Portugal, e resolvi compartilhar o nosso sentimento com vocês.

Num Pan como o que acabou de acontecer, onde vários talentos brilharam, enchendo de emoção os espectadores, permitam-me falar de uma emoção que não tenho como esconder do meu coração e dos meus olhos.

Sei, inclusive, que este meu comentário vai gerar uma série de interpretações, mas acredito que vale a pena pensarmos sobre isso.

Num Pan, onde a variedade foi a tônica dominante, cores diversas, homens e mulheres de varias regiões do país, vários estilos, vários olhares e sorrisos, enfim… DIVERSIDADE! Que é, a meu ver, a grande característica, e um dos grandes patrimônios do nosso país. Num Pan que ocorre numa época em que se discute tanto sobre a não existência de raças – uma das frases que mais ouvimos ultimamente é “somos todos uma mistura” (inclusive, para mim, uma coisa mais que óbvia há muito tempo, e que não é uma pesquisa científica que me dirá “sim, somos todos iguais”. Já sei disso há muito tempo. Apesar de, em várias ocasiões, esse direito à igualdade não ser aceito, mesmo que uma “não aceitação” inconsciente). Uma época onde já se fala, ou onde se retorna ao discurso do “somos todos mestiços!” com batidas no peito de orgulho e exigências ou corte de direitos, usando esta mesma frase como argumento.

Uma simples e rápida observação num site me fez refletir.

Por que, ainda hoje, apesar de (bato no peito) “sermos todos mestiços!”…

Por que não valorizamos (valorização real e prática) a diversidade e a mistura como um valor fundamental da nossa nação? Na nossa casa, nos meios de comunicação, no nosso inconsciente e, às vezes, até mesmo nas nossas relações.

O que falarei a seguir talvez não lhes tenha chamado atenção, mas a mim toca profundamente.

Esse é um exemplo (banal, talvez), mas um exemplo de como, dia após dia, nós negamos quem somos.

Vejo hoje num site a escolha dos 10 atletas mais gatos do Pan.

Todos (e falo isso sem preconceito, mas como um estímulo à reflexão)… todos têm traços europeus.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que continuamos “arianistas” no nosso inconsciente e no nosso subconsciente. E até gritantemente no nosso consciente.

Podem dizer “Lázaro tem uma idéia fixa, as coisas estão mudando”, claro que sim, e aceito o comentário se ele vier junto com uma reflexão profunda sobre o que queremos para o futuro do nosso país, da nossa cultura e da nossa auto-estima. E o que podemos fazer para que as nossas consciências se tornem mais acolhedoras às diferenças.

Vamos lá, gente, vamos potencializar os nossos talentos e as nossas belezas diversas.

Reflitam!

Aproveito para, neste e-mail carinhoso, reforçar o que por várias e várias vezes nos é negado.

Esse, para mim, é o mais gato do Pan (clique aqui para ver).

Minha esposa manda dizer que acha o mesmo.

Se quiserem, adicionem os seus gatos e gatas e repassem o e-mail.

Carinhosamente,

Lázaro Ramos

4 comentários sobre “Lázaro reclama da falta de diversidade na beleza do Pan

  1. Os negros e negras têm um corpo tão bom quanto dos brancos, amarelos, índios…
    Não haveria diferença genética notável entre todos os seres humanos!

    No entanto, há discriminação contra cores, defeitos físicos, opções sexuais, até de orientação política e religiosa!

    Já se matou muito por essas coisinhas; então não é bobagem! Para sermos realmente dignos da HUMANIDADE é preciso aprender a conviver, misturar cada vez mais, aceitar o diferente como parte de nós mesmos!

  2. Se somos arianistas? Nossa estética está ainda totalmente imersa nos valores externos, bonito é botar nome em inglês (imagina, tem uma construtora que se chama Company – e os americanos ficaram espantados), bonito é loiro (veja todas as esposas de atletas…), bonito é o outro, aquele que está longe do nosso dia-a-dia triste e desesperançado. Bonito é a ilusão de ser hollywoodiano, onde o táxi encosta assim se sinaliza, onde o avião sai na hora, onde todas são Barbie (mesmo à custa da saúde) ou Vin Diesel (à custa de muita ‘bomba’). Bonito
    e querer não ser você mesmo. Triste, não?
    Celina

  3. Parabéns, Miltinho! Temos que repassar e reproduzir opiniões como a de Lázaro. Às vezes algumas coisas lidas na grande mídia incomodam, porém pelo ritmo frenético da vida de cada um só lemos e não disponibilizamos alguns minutos para reflexão e quem sabe a elaboração de um texto como o do consagrado ator. Este país é feito pelas diversas etnias e não há quem possa negar. Infelizmente, os meios de comunicação não têm como primeira opção destruir a imagem “esbranquiçada” que se fez dele e aumentar a auto-estima de seus habitantes.
    Quem sabe daqui uns anos…

  4. Concordo plenamente com o comentário e ainda completo que os demais (raças puras ou misturadas) só conseguiram chegar onde chegaram com apoio de parentes, amigos e pessoas de bom coração, com a Graças a Deus é a maioria dos brasileiros, tirando os políticos, com exceção do Jânio Quadros que já deu provas a minha família de sua simplicidade e honestidade.
    Grata
    Riso

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