Coisas de Estocolmo*

Cobrança de taxa começou em 3 de janeiro de 2006
Foi no metrô e no ônibus que Estocolmo investiu antes de restringir a entrada de carros na cidade. Mesmo assim, não foi fácil. Oito de cada 10 moradores achavam muito ruim ter de pagar a tax congestion ou, em bom português, o pedágio. Lá, o governo sueco costuma arrecadar em tributos cerca de 50% do que produzem no país. A partir de agosto de 2006, seriam obrigados a deixar no bolso do governo mais um pouco: de 6 a 10 coroas suecas (de R$ 0,68 a R$ 2,80), dependendo a hora que decidissem entrar de carro no “centro expandido” de Estocolmo.
Um ano depois, pouco mais da metade dos cidadãos ouvidos em consulta pública disseram aceitar a idéia. É o que mostram os números oficiais, não o que se ouve nas ruas.
Larsson Jan-Eirk é motorista de táxi há 10 anos. Não sabe quanto gasta por mês com a taxa para andar na cidade. Mas sabe que não gosta: “se paga para tudo e o congestionamento é o mesmo”. Ele tem de pagar porque o carro dele é a diesel. Carros movidos, mesmo que parcialmente, a álcool, gás ou energia elétrica estão isentos.
Kajsa Norell, jornalista, entende que nos primeiros meses houve redução no número de carros circulando na cidade, mas, agora, os suecos já se acostumaram. E pagam para andar.
O diretor de tráfego Biger Höök diz que, em setembro deste ano, diminuiu em 11% o número de carros que entraram na área de restrição. No ano passado, no mesmo período e perímetro, passaram 418 mil carros. No último registro, 375 mil. Se você olhar para os números dos primeiros meses da cobrança verá que houve meses em que a redução chegou a casa dos 25%.

Cobrança eletrônica está nas pontes de acesso à cidade
Para a diretor Louis Melander o tráfego passou a fluir melhor e o tempo perdido no trânsito diminuiu de 30 a 50% , beneficiando, também, a circulação de ônibus na cidade.
Estes percentuais, no entanto, não mostram o maior efeito da cobrança de pedágio para restringir a entrada de carros na cidade: o meio ambiente. Segundo Höök, melhorou a qualidade do ar em Estocolmo com a redução na emissão de dióxido de carbono, monóxido de nitrogênio e outras partículas, principais responsáveis pelas doenças respiratórias.
Estima-se que na parte interna da cidade, caiu em 13% a quantidade partículas inaláveis, em 8,5% o monóxido de nitrogênio e 14% os compostos voláteis. O impacto no pais foi menor: de 2 a 3%.
A cobrança é simples, apesar do sistema ser engenhoso. Houve um esforço de comunicação antes da implantação do sistema, alem de um período de teste no qual não era cobrada a taxa. Em 18 pontos estratégicos para quem chega na cidade, foram instalados pedágios, diferentes destes que conhecemos, com sensores fotoelétricos que recebem sinal de um equipamento obrigatório em todos os carros e câmeras de vídeo que gravam as placas da frente e de trás.
Não é para assustar nenhum paulistano. Mas o aparelho que você tem de por no pára-brisa do carro é igual àquele que seremos obrigados a usar a partir do ano que vem para controle do fluxo de automóvel na cidade. O mesmo que alguns carros já têm para usufruir do conforto de entrar nos estacionamentos de shoppings sem precisar parar.
Como temos o “cartão magnético”, temos as pontes ideais para serem pontos de controle de acesso à cidade, e temos os congestionamentos, só falta coragem para o prefeito implantar o pedágio.
Caro Jornalista Mílton Jung,
Com o uso do chip o motorista vai ter que se tornar mais responsável. Na marra!
Através do identificador automático também poderemos saber onde foi aquele carro roubado e também onde foi se esconder o motorista que atropelou um pedestre!
Infelizmente não adiantarão campanhas para desestimular o uso do carro. O único argumento que vale no Brasil é o bolso.
Quando a gasolina for cara demais ou quando as taxas de tráfego forem proibitivamente altas, aí sim o motorista não profissional vai pensar em usar o ônibus e o metrô.
Um Abraço!
Implantar o pedágio não é questão de coragem e sim bom senso. Antes de cobrar os motoristas, a prefeitura tem que garantir transporte público de qualidade. Falta ônibus e metrô na cidade, a pé não dá!
Os ladrões já roubam carros com rastreadores via satélite e ninguém encontra! quem dirá com esse chip no para – brisa do carro….só servirá para cobrar pedágio mesmo. O governo deveria investir em soluções para retirar de circulação carros com mais de 15 anos de idade e investir em transporte público de qualidade.
abraço!!
O nosso país está cansado de tantos im-
postos e o pedágio seria mais um para sacrificar nossa população sofrida,pois se
nossos políticos no passado tivessem pensado em investir nas ferrovias e transporte público de qualidade,hoje a cidade de São Paulo seria digna para locomoção diária com tranquilidade.
Parabéns pela escolha do tema e principalmente pela maneira como está conduzindo o assunto, que sabemos de antemão ser bastante delicado.
Gostaria de externar a minha opinião totalmente favorável ao pedágio urbano, independente de já estarmos com taxa altíssima de impostos.
A questão é que o pedágio virá mais cedo ou mais tarde inevitávelmente. São Paulo cidade, tem mais de 5 milhões de carros , 2 habitantes por cada veículo, e, se todos saíssem em circulação não caberia nas ruas.
É mais racional pagar para usá-lo do que ficar sem poder usá-lo brevemente.
È uma tranquilidade ter salario de primeiro mundo, emprego garantido, transporte a vontade e pode pagar o pedagio a bordo de seu BMW ou AUDI.