Conte Sua História de SP: morei ao lado dos galinheiros da 25 de Março

 

Por Eduardo Britto
Ouvinte da CBN

 

 

Tenho 53 anos, nasci no Hospital do Servidor Público Estadual, mas como no dia seguinte minha mãe já estava em casa, na rua 25 de Março, considero que nasci bem no centro da cidade, entre o Parque Dom Pedro II e o Pátio do Colégio.

 

Naquele tempo, segunda metade da década de 1960, a rua 25 de Março já tinha um comércio forte. Nada parecido com o volume e a ebulição do comércio atual. Na verdade, o quarteirão em que eu morava, os primeiros 200 metros dessa rua tradicional, até hoje tem um movimento bem diferente do resto da rua. Naquela época alternava comércio de tecidos e galinheiros — isso mesmo, havia um grande comércio de galináceos naquele trecho. Bem, as aves foram embora, algumas lojas de tecidos estão lá até hoje, mas é um trecho, digamos, bem parado e decadente.

 

Tive a chance de conhecer o Parque Dom Pedro ainda com flores e jardins. Em volta do Palácio das Indústrias havia um tanque e chafariz com peixinhos vermelhos! Isso mudou quando começaram as obras do metrô nas praças Clóvis Beviláqua e Sé, e os ônibus que faziam ponto final lá mudaram para o novo terminal no Parque Dom Pedro II, que perdeu o verde, ganhou asfalto e cimento, nunca mais foi o mesmo.

 

Joguei muita bola na praça Fernando Costa, no encontro da 25 de Março com a rua General Carneiro, onde havia um grande gramado e árvores, uma praça que parecia do interior. Hoje ela está soterrada por barracas de comércio ambulante…

 

Em 1972, eu tinha nove anos, mudamos para o Bixiga. Mudamos só no meio daquele ano, e como eu tinha que começar o ano letivo já na escola nova, passei a tomar um ônibus, linha Previdência da CMTC, às 6h30 da manhã, no Parque Dom Pedro II — o ônibus que me deixava na rua da Consolação, na Escola Estadual Marina Cintra. O grande desafio era conseguir descer naquela altura da Consolação, pois o ônibus era hiper-lotado, e algumas vezes eu estava antes da catraca —-naquela época entrávamos pela porta de trás — e só conseguia descer quando o ônibus desovava a maioria dos passageiros, no Hospital das Clínicas.

 

Numa das vezes, lembro muito bem, eu desci lá nas Clínicas e, tendo perdido a hora, e querendo economizar o dinheiro da volta, desci a pé a Consolação, passei na frente da escola e continuei descendo, atravessei o Viaduto do Chá a rua Direita, a rua General Carneiro. Fui até a minha casa. Quantos quilômetros a pé e com apenas nove anos. Os pais naquela época não se preocupavam com os filhos andando na rua; e realmente não tinham razão para se preocupar.

 

Fiz o ginásio no Marina Cintra. Já o colegial me permitiu ter um dos maiores orgulhos de minha vida acadêmica: através de um “vestibulinho” consegui entrar no Colégio Caetano de Campos, coisa que a minha mãe sempre tentou no passado e não conseguiu, porque era uma escola estadual das elites. Em 1977, fiz o 1º ano do colegial naquele prédio suntuoso do Caetano de Campos, e já no ano seguinte, 1978, o prédio deixou de ser usado como escola para as obras da linha vermelha do metrô. Então, uma parte dos alunos foi para o novo e moderno prédio do Caetano, na Pires da Mota, na Aclimação, e um grupo, eu incluso, foi para a unidade do Caetano que ocupou o belo casarão da antiga escola alemã, o Colégio Porto Seguro, na praça Roosevelt.

 

Era uma época em que eu e toda minha geração tivemos a oportunidade de conhecer uma escola pública de muita qualidade, em São Paulo.

 

Eduardo Britto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: minha paixão pelo bairro de Campos Elíseos

 

 

Por Nelmar Rocha

 

 

 

 

Há sete anos moro no bairro de Campos Elíseos, centro de São Paulo, ladeado pelos bairros de Santa Cecília, Santa Ifigênia, Bom Retiro e Barra Funda. Me mudei para o centro para ficar mais próxima do trabalho e das muitas opções de lazer que São Paulo oferece. Até então, morava em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, onde nasci, estudei, cresci, mas nunca trabalhei.

 

 

Desde os meus 17 anos, ia para o trabalho em São Paulo e voltava pra casa Cansada de perder uma hora e meia, duas no congestionamento, resolvi mudar.

 

 

A escolha pelo bairro não foi, inicialmente, por gostar da região. Na verdade, foi amor à primeira vista pelo meu futuro lar: um apartamento antigo, amplo, arejado, com grandes janelões, onde é possível observar as ruas e o movimento local. Da janela da sala, sabe-se quando há espetáculo na Sala São Paulo, pois suas luzes são acesas logo no início da noite — uma paisagem que não canso de olhar.

 

 

Passei a explorar o Campos Elíseos e aí não teve jeito, me apaixonei por suas ruas largas e arborizadas, por seus casarões quatrocentões cheios de histórias e por seu comércio, onde encontro supermercados, padarias, farmácias, feiras e lojinhas — que eu, aliás, adoro entrar e bisbilhotar! Tem de tudo um pouco, desde um alfinete até a própria máquina de costura.

 

 

O bairro tem também várias opções de lazer, como a Sala Funarte, o Sesc Bom Retiro e o Teatro e o Centro Cultural Porto Seguro. Além disso, vários outros negócios estão chegando: galerias de artes, espaços culturais, restaurantes, botecos temáticos .… E para todos esses lugares, vou a pé.

 

 

Ao caminhar pelo bairro, me encanto com o boteco minúsculo — com cadeiras e mesas nas calçadas, onde as pessoas conversam enquanto saciam sua sede e fome — e com as frutas coloridas expostas nas carrocinhas de madeiras, estacionadas nas esquinas.

 

 

Os moradores de hoje são bem diferentes daqueles que outrora habitaram o lugar, e as residências são bem mais modestas que as do final do século 19 e início do século 20 — isso porque Campos Elíseos foi o primeiro bairro planejado da cidade, para onde vieram os abastados Barões do Café, que saíam do interior para fixar residência na região, devido a proximidade da Estação Sorocabana, atual Estação Júlio Prestes, e da Estação da Luz. Para receber tão ilustres fazendeiros, foram construídas mansões enormes, com pé direito altíssimo. Verdadeiros palácios.

 

 

O bairro também foi sede do Governo do Estado, o Palácio dos Campos Elíseos, na antiga Alameda dos Bambus, hoje Avenida Rio Branco. Depois de sofrer um incêndio, a sede foi transferida para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. O Palácio dos Campos Elíseos abriga hoje uma secretaria de estado. Outros antigos casarões são agora escolas e sede de empresas, o que ajuda a revitalizar o local.

 

 

No bairro, ainda tem muito a se fazer, mas a boa vontade de seus moradores e comerciantes, por meio da associação de bairro, e o desejo de se viver num local agradável fazem dos Campos Elíseos um lugar onde é possível trabalhar por um futuro melhor, sem esquecer um passado que ajudou a construir a cidade de São Paulo.

 

 

Nelmar Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: o paulistano que nasceu em Santos

 

Por Silvio Henrique Martins
Ouvinte da CBN

 

 

Eu nasci em 1962, na cidade de Santos, litoral do estado de São Paulo, distante cerca de 90 Km da capital São Paulo. Quando criança e pré-adolescente, toda vez que meu pai falava sobre “ir para São Paulo” era um forte momento de angústia, pois, tanto a Estrada Velha de Santos, quanto a Rodovia Anchieta, eram, para mim, sinônimos de perigo e muito medo. A cada curva, uma oração. Se a viagem ocorria na noite, então eram cinco orações por curva; se com neblina e chuva, as orações eram incontáveis.

 

Nesses tempos, dos anos 1970, não tinha noção da importância e imensidão de São Paulo. Apenas sabia que era a capital e que sua rodoviária era belíssima aos meus olhos. Aqueles losangos coloridos em estruturas tubulares eram para mim o máximo em arquitetura futurista, daquelas de filmes de ficção científica, minha preferência no gênero até hoje.

 

Eu me recordo de um chafariz gigante em formato semelhante ao um troféu, no interior da rodoviária. Havia flores e muitas cores. Essa visão compensava o sofrimento das curvas que separavam nossas cidades.

 

Aliás, antes de chegar na rodoviária, um percurso de glamour pelas avenidas centrais, com direito a contemplar as edificações modernas à época, como o edifício Louvre, o Itália e o Copan. Sem contar o lindo relógio no alto do edifício ao final da Consolação, na Major Quedinho, onde as minhas lembranças me levam a imagem da marca do jornal Diário Popular, um que meu pai lia, tanto quanto A Tribuna, de Santos. Eu achava o máximo saber que estava passando em frente à sede do Diário Popular. O que era aquela avenida São Luis? E as avenidas Rio Branco, Ipiranga e São João? Meus olhos sempre brilhavam desde a entrada em São Paulo até a chegada na sua rodoviária, nesses momentos o encantamento tomava o espaço da inquietude da estrada.

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Conte Sua História de São Paulo: a viagem de trem com meu pai

 

Por Dimas Ramalho 
Ouvinte da rádio CBN

 

 

 

 

Ainda criança tomei o trem com meu pai Horácio para conhecer a capital. “Vai ver o que é uma cidade grande”, disse-me. Foi onde ele passou boa parte de sua vida de estudante: internato no Arquidiocesano e, depois, Direito na São Francisco.
 

 

Na chegada, não acreditei no tamanho da Estação da Luz e, depois, na quantidade de pessoas e automóveis circulando. De mãos dadas, chegamos ao Teatro Municipal e ele me falou da Semana Modernista de 22. Fiquei curioso ao ouvir sobre Mário de Andrade e Anita Malfatti.
 

 

Em frente, vi o Mappin, enorme. Atordoado com as escadas rolantes, subi e desci até cansar. Em seguida, fomos à Rua Direita, onde só pedestres passavam. Na Praça da Sé, vi o mundo real e, na Catedral, onde entramos, em silêncio absoluto, pude observar a dimensão da fé.
 

 

Depois, na Faculdade de Direito, ele apontou as Arcadas e vi seus olhos úmidos. Somente anos mais tarde, quando também ingressei na São Francisco, entendi o que significou aquele momento. Até hoje, sinto a mesma emoção cada vez que visito a faculdade.
 

 

De táxi, fomos ao aeroporto e ele, que era piloto brevetado, falou de partidas e de sua paixão por aviões. Encostado no vidro, fiquei por muito tempo observando as aeronaves subindo e descendo, pensando em quanta gente passava por São Paulo.
 

 

No Butantã, explicou que do veneno vinha a cura. E, no zoológico, disse que um dia iríamos respeitar mais os animais e a natureza.
 

 

No Mercado Municipal, me perdi entre as bancas. Na feira livre, não vi o fim dos quarteirões e o pastel foi inevitável.
 

 

No Copan, ouvi sobre Niemayer e observamos com atenção as curvas do prédio. Já na cobertura do Edifício Itália, tive a noção de perspectiva e, no térreo, experimentei o primeiro café italiano da minha vida. Era uma máquina enorme que ocupava todo o balcão e de onde saia um café muito encorpado e quente. “Que modernidade essa máquina”, eu pensei.  Sempre que tomo um café forte, lembro daquela tarde ensolarada por São Paulo.
 

 

Na volta desses dias de passeio, sentia o coração acelerado a bordo do trem, sentado ao lado de meu pai no carro Pullman, rumo a Taquaritinga (de onde vim), passando por Araraquara, onde hoje resido. Mãos geladas. Medo. Estava apaixonado pela cidade grande.
 

 

Nas longas horas da viagem de volta percebi quanto o amava, mas não disse, nem naquele dia, nem nunca. Somente agradeci em silêncio enquanto observava seu rosto sereno cochilando. Já eu não consegui dormir. Passou muita coisa na minha cabeça de criança/pré-adolescente. Um turbilhão de emoções. Trânsito, ônibus, cinema, livro, barulho, gente, muita gente.
 

 

Quem me visse naquela noite perceberia que nos olhos daquele menino brilhava uma luz diferente, estranha, nova, desafiadora, como se fosse um rito de passagem. Minha mãe percebeu. Tem coisas que só as mães percebem. Nunca mais fui o mesmo. Não sei quanto tempo durou aquela viagem. Acho que dura até hoje. Meus sonhos ampliaram-se. Vi que nunca mais teria sossego. E foi assim.
 

 

Quando penso nas mãos do meu pai, que me levaram mundo afora e me soltaram, sinto que fiquei adulto ali naquela viagem. Desassossegado, com “bicho-carpinteiro” no corpo, como dizia minha avó materna. Devia ter contado ao meu pai tudo o que aconteceu comigo, tudo que se passava na minha cabeça. Mais uma vez não falei nada. Ele, com certeza, pensaria sorrindo: “acho que ele está aprendendo!”.

 

Dimas Ramalho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Milton Jung. Escreve sua história de São Paulo e envie para o email milton@cbn.com.br

 

Conte Sua História de SP: sem medo, partimos com uma pequena mala

 

Por Sônia Santos
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


 

 

 
Quando eu era jovem havia muita gente a minha volta, muitos com quem conversar, família, as amigas do colégio, os vizinhos da minha rua. Suzana e Margareth moravam na esquina, duas casas planas cheias de luz, cercadas por um magnífico jardim e toda a nobreza de um quintal de amoras e pitangas. Cresceram ali, na companhia de numerosos irmãos e mais uma dezena de primos, todos aos cuidados da avó, uma senhorinha amorosa e dedicada, enquanto os pais e os tios tomavam conta da fazenda da família.

 

A casa da Hercília e Tomás quase sempre, toda fechada, guardava certo mistério, os móveis escuros, austeros, as paredes forradas de sisudas fotografias, a penumbra, o silêncio… Era o cenário perfeito aos segredos da nossa efervescente juventude.

 

Contava também com a cumplicidade de vovó Vicentina, com quem passava eternas tardes ouvindo as histórias de um passado de tantos risos e lágrimas, como só as avós podem ter. E eu, com o mais insignificante presente.
 

 

Foram uns poucos anos, mas duraram toda uma vida! Nada, não havia nada que fizesse despertar em alguém qualquer curiosidade, vida leve de adolescente sem outra preocupação que a própria felicidade. Assim seguia o tempo, trocando de vez em quando alguns nomes, poucos lugares e quase sem pensar eu já estava mudando o rumo dos acontecimentos.

 

Certo dia, com o solene apoio da minha avó e o olhar espantado do meu irmão, eu e minha irmã decidimos ir morar em São Paulo. Era fim de ano e havia um justo propósito, Ano Novo, vida nova! O futuro sorria-nos maravilhoso e a cidade grande nos fascinava…

 

Poucos dias depois, com todos os nossos pertences numa pequena mala partimos sem medo, nossa vida acabara de começar!
 

 

Sônia Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: escreva para milton@cbn.com.br.

A festa em fotos do CBN SP nos 457 anos da cidade

Público do CBN SP

Casa cheia, convidados interessantes e conversa de boa qualidade fizeram a festa de aniversário da cidade de São Paulo, no Pátio do Colégio, promovida pelo CBN SP, nessa terça-feira. Com destaque para o tema “livro e literatura”, o encontro reuniu agitadores culturais; de escritores a músicos; de livreiros a poetas. E se encerrou com uma nova biblioteca para os meninos e meninas da Associação Esportiva Da Doze, do parque Dorotéia, no extremo sul da capital paulista.

O chorinho do Retratos

Retratos, grupo musical que venera o chorinho, transformou os ouvintes que estiveram no Pátio em um coral que cantou músicas identificadas com a cidade e o Brasil como em Carinhoso, de Pixinguinha.

Zé Geraldo emociona

Zé Geraldo emocionou e levou pessoas às lágrimas com músicas que marcaram sua carreira artística. Não se limitou a cantar, contou histórias, também, e lembrou de quanto esteve em São Paulo ainda jovem ajudando na construção do Minhocão e outras obras da cidade.

Godoy e Herz no CBN SP

Na sala de estar, montada para receber os convidados, todos pareciam à vontade para falar sobre a importância do livro na nossa vida. Pedro Herz, da Livraria Cultura, Sérgio Vaz, da Cooperifa, José Godoy, do Fim de Expediente, e José Luiz Goldfarb, da campanha Doe um Livro alertaram para a necessidade de se entender a leitura como prática de lazer e sabedoria.

Sérgio Vaz, o poeta

Herz logo no início convidou os pais a lerem, pois assim contaminam seus filhos. Godoy sugeriu que a ‘leitura obrigatória’ na sala de aula busque autores mais atraentes aos jovens. Vaz levou como exemplo o Sarau da Cooperifa que reúne centenas de pessoas todas as quartas à noite na periferia de São Paulo.

Luiz Goldfarb do Doe um Livro

Goldfarb, de fala entusiasmada, apresentou Felipe, menino de 6 anos, que mexeu com os colegas da escola dele em Santo André e conseguiu reunir 100 livros para a campanha que tem ajudado a construir bibliotecas pelo País.

Felipe, o menino do livro

Enquanto tudo se desenrolava diante de um número impressionante de pessoas que foram assistir ao programa, ao vivo, a turma do Museu da Pessoa gravava depoimentos de ouvintes para o Conte Sua História de São Paulo, em um espaço reservado do Pátio.

O bom papo após o CBNS

Integrantes do Adote um Vereador estavam lá, também. E saíram com o apoio de ao menos mais dois colaboradores que gostaram da ideia de passar a controlar, monitorar e fiscalizar os parlamentares de São Paulo. Um professor se comprometeu a mobilizar seus alunos no projeto. Sejam bem-vindos.

Eu, como sempre, falei demais, mas me diverti muito com as conversas durante e após o programa. Deixei o Pátio apenas uma hora e meia depois do encerramento, período em que tive o prazer de receber sugestões, agradecer a presença de todos e ganhar um espetáculo à parte com um “Mário de Andrade” que baixou em um dos convivas.

Campanha Doe um Livro

Nada me agradou mais, porém, do que a mesa do Doe um Livro lotada de material levado por gente comum, gente graúda, uma gente muito boa e pronta para colaborar e comemorar o aniversário da nossa cidade.

Todas as fotos deste post e o álbum com imagens da festa (que você vê aqui) foram feitas por Massao Uehara

CBN SP em homenagem aos 457 anos da cidade na internet

 

Ouvintes no Pátio do Colégio no CBN SP 456

O CBN São Paulo em comemoração ao aniversário da cidade será apresentado no Pateo do Colégio e terá imagens transmitidas ao vivo pela internet. Os ouvintes-internautas poderão curtir as atrações musicais e entrevistas com os convidados especiais, apenas acessando o site da CBN.
O programa terá as participações de Zé Geraldo, cantor e compositor folk, e do grupo de chorinho Retratos que se apresentarão, a partir das 9 e meia da manhã.

Na sala de estar montada para receber os convidados, o assunto principal será os livros e a literatura, e para conversar conosco estarão por lá Sérgio Vaz, da Cooperifa, Pedro Herz, da Livraria Cultura, José Godoy, do Fim de Expediente, e José Luiz Goldfarb, da campanha #doeumlivro.

Eles não fugirão de responder a pergunta-provocação que marcou a semana em homenagem a cidade: “Que São Paulo você quer ter até o fim desta década?”.

Quem for até o Pateo está convocado a levar um livro para nos ajudar a construir a biblioteca da Associação Unidos da Doze, do Parque Doroteia, na zona sul da cidade. Se não der para ajudar agora, você ao menos conhecerá o trabalho desta turma que se mobiliza para a construção de um número cada vez maior de bibliotecas.

Lá também haverá um estúdio do Museu da Pessoa que gravará, em áudio e vídeo, depoimentos para o Conte Sua História de São Paulo, programa que vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Portanto, prepare suas lembranças e registre mais um capítulo da nossa cidade.

Para chegar ao Pateo do Colégio veja as opções aqui. O CBN São Paulo espera você das 9 e meia ao meio dia.

Que São Paulo você quer no fim desta década ?

 

Paulistanos, os de nascença e os que se aprochegaram, querem deixar a cidade. Ao menos mais da metade deles disse isso em pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo (leia aqui). Opinião que não me surpreende dada a relação que temos com o ambiente urbano.

É o trânsito, é a escola, é o trabalho, é a poluição, é a violência. É um monte de coisa que nos atrapalha todo o dia. É tanta coisa que tem uma hora que a gente pensa em voz alta: “tô louco pra ir embora daqui”. O propósito não costuma vingar e a maioria prefere ficar por estas bandas seja porque é onde estão as oportunidades, a família e a nossa vida seja porque fora dela também não se tem certeza de que algo melhor haverá.

E como é aqui mesmo que viveremos, esta semana é ótima para refletirmos sobre que cidade queremos para nós. No dia 25 de janeiro, São Paulo completa 457 anos de fundação e uma série de atividades está programada para celebrar a capital paulista.

Aproveitando este clima, o CBN SP leva ao ar, a partir de hoje, uma provocação. Pelo twitter, pelo e-mail ou aqui mesmo no Blog, responda: “Que São Paulo você quer no fim desta década ?

Imagine como você gostaria que esta cidade fosse dentro de 10 anos, e não deixe de pensar o que você poderia fazer para torná-la possível. As ideias que forem enviadas ao CBN SP vão ao ar durante a semana e as mais interessantes serão apresentadas, também, no programa especial em homenagem a São Paulo que será apresentado, ao vivo, no Pátio do Colégio, dia 25, terça-feira, das 9 e meia ao meio-dia.

Programação

Na festa promovida pelo CBN SP no dia do aniversário de São Paulo duas atrações musicais estão confirmadas: Zé Geraldo e o pessoal que integra o projeto Retrato.

No centro da festa um convidado especial: o livro. Além de entrevistas sobre a importância da leitura na nossa vida, o CBN SP estará de mãos dadas com a Campanha Doe um Livro, que surgiu no Twitter e incentiva o cidadão a doar livros que são distribuídos para escolas públicas e bibliotecas.

Você que pretende assistir ao programa, antes de sair de casa procure na sua biblioteca os livros que podem ser doados e leve até o Pátio do Colégio.

Acompanhe outros programas da CBN em homenagem aos 457 anos de São Paulo:

Por dentro de São Paulo, com os pontos curiosos da capital paulista apresentados por Heródoto Barbeiro (7h15 e 14h20)

Ser Paulistano, em que personalidades falam sobre a identidade com São Paulo em reportagens apresentadas por João Vito Cinquepalmi (11h10 e 17h45)

Conte Sua História de São Paulo, com depoimentos de personagens que contarão mais um capítulo da nossa cidade em entrevistas ao vivo para mim, no CBN SP (10h02)

Alckmin diz que “briga” com Serra é pimenta da imprensa

 

À uma sequência de manchetes que contrapõe Alckmin a Serra, o governador de São Paulo respondeu: “isto é pimenta da imprensa”. Aproveitei a conversa para saber se não seria resultado da relação dele com o ex-candidato à presidência estar apimentada: “Posso falar por mim …” E a entrevista nesta manhã no CBN SP, transmitida, também, pela internet, foi em frente.

Acompanhe aqui a entrevista do Governador Geraldo Alckmin para o CBN São Paulo.

O Governador que volta ao Palácio dos Bandeirantes tem habilidade com as palavras, evita usar expressões fortes e desconfortos mesmo com opositores. Por isso, não era de se esperar que fizesse alguma declaração bombástica, principalmente em consideração a um colega de partido. Mas que o tema tem pautado conversas nos corredores do palácio e da política não tenha dúvida.

Para ser justo, Alckmin usou apenas uma palavra mais forte: “frouxa”, para definir a política cambial do Banco Central, que anunciou nesta manhã algumas medidas para conter a desvalorização maior do dólar. Porém, prefere o tom mais ameno para falar sobre suas relações com a União. Conversou, ontem, com o ministro José Eduardo Martins Cardoso, e conversaria logo após a entrevista com o vice-presidente Michel Temer, também presidente do PMDB. Conversas protocolares, disse.

Sobre planos de governo, reforçou as promessas de campanha na área de transporte, rodovias, educação e saúde. Tem os dados e nomes na ponta dos dedos. Apenas não prometeu aumento salarial para ninguém, o que certamente desagradou a série de ouvintes-internautas que enviaram perguntas sobre o tema. Eram, especialmente, professores e policiais que reclamam da falta de valorização da categoria.

Por falar em policiais, não conseguiu explicar por que o Detran não funciona nas mãos da polícia, a ponto de determinar a mudança do departamento de trânsito para secretaria distante da Segurança Pública. Se depender dele, vai para a Secretaria de Gestão. Ainda não bateu o martelo. Nem respondeu a pergunta, preferindo falar da metade cheia do copo em vez da metade vazia: “teremos mais policiais atuando na sua função, nas delegacias e investigando”.

Da Copa, Alckmin praticamente descartou plano B e depositou confiança no estádio do Corinthians para a festa de abertura: “sem dinheiro do estado”, garante. De qualquer jeito, anunciou encontro com o presidente da CBF Ricardo Teixeira, nos próximos dias.

O governador Geraldo Alckmin parecia bem mais à vontade desta vez do que na época em que esteve no estúdio como candidato ao governo. Àquela foi entrevista tensa, preocupada, apesar de liderar as pesquisas com folga. Chegou a tirar a gravata azul assim que chegou à rádio, logo após tomar café em padaria de Santa Cecilia. Vendo às câmeras, se arrependeu, pediu para um assessor trazê-la de volta, mas o programa estava no ar (e as imagens, também). Foi sem gravata mesmo.

Após uma hora de entrevista, com participação de ouvinte-internautas, por e-mail e Twitter, se despediu de todos, agradeceu a oportunidade, pegou seus assessores, um número razoável de seguranças e subiu no helicóptero rumo ao Palácio.

Próxima conversa (protocolar, lógico): Michel Temer.

De volta ao parque, agora o Trianon

 

Foto de 1930 quando havia o belvedere que deu nome ao Trianon

Antes de fechar o ano, a repórter Cátia Toffoletto volta a passear pelos parques da cidade. Nesta quinta-feira, ela estará no Trianon, na avenida Paulista, por sugestão dos ouvintes-internautas Roberto de Alcântara, Amanda Souza e Eduardo Carvalho que escreveram ao CBN São Paulo. A partir das 9 e meia da manhã, Cátia falará ao vivo e entrevistará frequentadores e administradores deste que é um dos mais antigos parques da capital paulista.

O Trianon foi criado em 3 de abril de 1892 em projeto do francês Paul Villon que foi remodelado um ano após pelo inglês Barry Paker. Já no início do século 20 ganhou um belvedere, no local onde hoje temos o MASP, quando assumiu o nome Trianon, mantido até agora apesar de oficialmente ter sido batizado Parque Tenente Siqueira Campos, em 1931.

Assim como a maioria dos parques paulistas, o Trianon também teve sua fase de decadência após ter sido doado para a prefeitura. Sua recuperação ocorreu somente em 1968 por iniciativa do prefeito Faria Lima e arte do paisagista Burle Max e do arquiteto Clóvis Olga.

Este é o oitavo parque visitado pela reportagem da rádio CBN nesta série ao vivo que se iniciou em dezembro e conta com a participação de ouvintes-internautas que além de sugerirem os cenários em que a cobertura será realizada, também enviam comentários e fotos sobre o local. Na página da CBN na internet você encontra a série completa e aqui você tem acesso ao álbum de fotografias dos parques paulistanos.