Por Maria Lucia Solla
Olá,
O feriadão fez jus ao nome; foi imenso, generoso, de-li-ci-o-so. Começou na quinta passada, exibindo comenda de feriado nacional, e termina hoje, terça da semana seguinte, com menor abrangência; em alguns estados da Federação. Dá o que pensar. Aliás, dá para passar uma vida pensando. Durante esse tempo todo, do feriadão, não da vida, trabalhei muito pouco e descansei e pensei muito, já que o cérebro não desiste e quer assumir o controle de tudo. Se deixar, vamos acabar virando um enorme cabeção, sem tronco nem membros.
Não dá para resistir à comparação entre corpo e sociedade, dá? E é começando pelo menor que se chega perto de entender o maior; sempre. Pode parecer conversa babaca de rebelde sobrevivente do movimento Hippie-Paz-e-Amor, ou de militante Muita-Luz-Irmão, da Nova Era. É que tem gente que só entende se rotular; parece que tem a cabeça virada ao contrário, só olhando para trás, e com maus olhos, de preferência. Tenha o nome que for, receba honras ou pedras, a verdade é que a nossa porção divina se manifesta cada vez com maior freqüência, queiramos ou não, e a gente passa a pensar também com o coração. Só então começa a entender o que está vivendo e o que se passa em volta. E é esse novo pensar que nos dá a rota para a melhor solução dos impasses, e de forma que todos possam ganhar, sempre. Meu pai dizia que um negócio é bom quando é bom para as duas partes. No tempo dele era assim, negócios eram fechados entre duas pessoas que representavam, na maioria das vezes, as suas famílias. Hoje percebo que os negócios são fechados entre muita gente, dos dois lados, e muitas vezes entre gente que nem existe.
Mas voltando ao cérebro, o perigo está na concentração de poder num único organismo ou sistema. Se um deles assume o controle, vai natural e gradativamente neutralizar os outros que, por falta de atividade acabam atrofiando, e eventualmente morrendo. Quando morrem os sistemas que o alimentavam, o usurpador do poder morre também porque não há mais nada que o alimente.
Quando medito, aquieto a mente e abro alas para que outros órgãos e sistemas se manifestem; se expressem em mim, para reorganizarem e harmonizarem os meus corpos. Manifestação e expressão são vitais, no micro e no macrocosmo, no corpo e na sociedade.
Eu pretendia falar de feriados; até pesquisei, mas já que falamos do corpo, ou melhor, dos corpos, sugiro que você, depois de torcer o nariz para mim, se sente confortavelmente, costas eretas, corpo relaxado, mantendo a dignidade da presença, e aquiete sua mente, por alguns minutos. Os pensamentos vão tentar você a entrar num diálogo animado com eles, mas o segredo é ouvir o que têm a dizer e não responder, não entrar no pensamento-diálogo. Assim, sua mente se aquieta e você tem uma pequena amostra do que é bem-estar, permitindo que seu corpo/sua vida/sua sociedade também fique melhor.
Se for verdade que o externo é projeção do interno, você não acha que vale a pena começar melhorando lá dentro, que é mais fácil e está ao alcance e ao preço de minutos de silêncio?
Pense nisso, e até a semana que vem
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.