MP quer conhecer critérios de distribuição de remédios no HC

O Ministério Público de São Paulo quer saber os critérios usados pelo Hospital das Clínicas de São Paulo na distribuição de remédios da farmácia mantida pela instituição. A desconfiança é de que esteja havendo discriminação de pacientes a medida que há reclamações de pessoas que não conseguiram ser atendidas, apesar de terem o remédio receitado por médicos do próprio Hospital das Clínicas.

O caso mais recente foi o de Edmundo Raymundo, de 75 anos, que apesar da insistência não conseguia o remédio Zoladex para combater o câncer de próstata que ameaça matá-lo, conforme denuncia feita no CBN SP, na sexta-feira (30/11). Apesar de ter em mãos a receita assinada por um médico do Instituto de Radiologia do HC, funcionários da farmácia alegavam que o documento não era suficiente para entregar-lhe o remédio. Segundo o paciente, todo tipo de dificuldade foi imposto para que a solicitação fosse atendida. Sequer a informação de que a demora para se iniciar o tratamento poderia lhe ser fatal, sensibilizou os funcionários.

Ao ser consultado pela produção do CBN SP, a assessoria de comunicação alegou que o remédio estava em falta devido ao crescimento no número de pacientes recebendo este tipo de tratamento. Mas – vejam que coincidência – exatamente naquele dia – sexta-feira – um novo lote do Zoladex seria entregue à farmácia. A mesma feliz coincidência ocorreu quando o programa procurou o HC para verificar reclamação de ouvinte-internauta que também não tinha acesso a outro tipo de medicamento, há cerca de dois meses. Após algumas tentativas de resposta fomos informados que “naquele dia o remédio seria entregue na farmácia”.

Por não acreditar em coincidências, o Ministério Público de São Paulo, através da promotora Anna Trotta Yaryd, quer saber porque pacientes com receitas assinadas por médicos credenciados pelo Hospital das Clínicas ficam sem o tratamento adequado ou são recomendados a procurar o medicamento em outros lugares.

Edmundo Raymundo, com quem conversamos ao vivo na sexta-feira, já havia estado na farmácia por mais de uma oportunidade sem sucesso. E a conversa dele com o funcionário da farmácia foi testemunhada por pessoas que vêm acompanhando de perto o caso. Curioso é que o repórter Fernando Andrade da CBN apenas passou por lá, sem se identificar, e foi informado por um dos funcionários que havia disponível um ampola de Zoladex.

Com apenas esta ampola, Raymundo, assim como qualquer outro paciente da idade dele (seria este o critério no HC ?) que não tenha tido acesso ao remédio no Hospital das Clínicas, garantiria quase um mês de tratamento, pois a dose deve ser tomada a cada 28 dias.

Debater a situação do Hospital das Clínicas de São Paulo será uma das metas desta semana no CBN São Paulo. Caso você tenha sugestões deixe seu recado aí embaixo. Mais embaixo, ainda, você encontra a série de reportagens feitas na semana passada.

Deixe um comentário