Conexão Rio-SP: Jovens de classe média no crime

Um dos casos mais retumbantes das últimas semanas, em São Paulo, foi o roubou dos quadros do Masp. E a suspeita do envolvimento de um jovem de classe média é forte como tem mostrado a polícia. Na tela do cinema, aqui em São Paulo, aí no Rio, no Brasil todo, temos “Meu Nome Não É Johny”, filme dirigido por Mauro Lima. O personagem de Selton Melo, João Estrela, era de classe média, de usuário passou a vender droga, isso lá por 1980. A presença de jovens em diferentes tipos de crime é freqüente e muitas vezes difícil de explicar quando se verifica a formação escolar, a existência de uma família constituída, a ausência dos fatores que o senso comum compreende como sendo aqueles que levam a uma vida violenta. E isso leva a uma distorção na própria cobertura jornalística sobre os casos.

Um estudo recentemente apresentado pela professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco Maria de Fátima Sousa Santos mostra que nas reportagens avaliadas por ela em que aparecia jovem de classe baixa envolvido em crime, a abordagem era objetiva, muitas vezes sequer o nome dele era citado. Pior, é que mesmo quando este rapaz aparecesse como vítima também havia um peso de culpa por este estar envolvido em um caso de violência. Por outro lado, quando o violento é de classe média, mostrou este trabalho da professora, o tratamento era mais humanizado. Não apenas o crime aparecia no noticiário, mas também a reação de transtorno e revolta da família e a intervenção de uma autoridade local no caso.

Ou seja, ainda temos muito a aprender para que estas situações não se repitam com esta freqüência constrangedora.

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