Por Maria Lucia Solla
Olá
Hoje, depois de um mês de férias, um amigo sugeriu que eu falasse sobre minha volta a São Paulo, a cidade onde nasci, cresci e para onde voltei, depois de algum tempo longe, para criar meus filhos. Achei que a tarefa seria fácil, sentei na frente do computador, rascunhei um punhado de pensamentos, e não consegui juntar lé com cré. Então fui reler um texto meu, publicado em 2004, no livro São Paulo 450 anos Sua História e seus Monumentos Destaques e Personalidades.
Meu amor por São Paulo
Admiração e repúdio. Prazer e desprazer.
Amor passional é o que se tem por São Paulo. Nada aqui é cinzento, a não ser o seu céu esporadicamente e não diariamente como dizem, em momentos de repúdio ou de dor de cotovelo , assim como não somos cinzentos os seus moradores.
Somos valentes e ela é valente. Somos violentos e ela é violenta. Somos artísticos e ela é artística. Somos caóticos e ela é caótica. São Paulo é, sempre foi e sempre será, o resultado da soma de todos os que aqui trabalham, amam, geram, destroem, educam, choram e riem. São Paulo é o grito coletivo do êxtase da vida que criamos a cada amanhecer. São Paulo será melhor, mais amável, mais cordial, mais alegre, menos violenta e mais limpa, quando formos melhores, mais amáveis, mais cordiais, mais alegres, menos violentos e mais limpos.
Voltei, há apenas três dias, sentindo algo diferente. Um tipo de força que já esteve em mim antes, mas que fazia tempo não se manifestava. Talvez tenha sido a mudança de posição, que muitas vezes ajuda. Há um colorido diferente no meu modo de olhar as pessoas, suas atitudes, e os acontecimentos do dia-a-dia. É uma força que está louca para sair e se expressar. Quer vir à luz, nascer, crescer, se exercitar, ter seu próprio ciclo de vida.
Jamais tive intenção de colocar o que sinto numa caixa, colar-lhe um belo rótulo e desenhar um mapa indicativo de como atingir o que considero bom. Longe de mim. Só o que sei, quando sei, é que quando se está presente no presente, no momento real, tudo fica mais claro, e é onde estou agora. Se depender de mim, e esta força for bem cultivada, a cidade será cada dia melhor. Quando cheguei, não vi o caos, vi a cidade onde nasci. Vi a cidade onde moram muitos dos meus amigos mais queridos, vi uma cidade que se enche de mistério ao cair da noite, onde a solidão busca seu antídoto, a riqueza se esbalda ao seu modo e a pobreza ao seu. Vi uma cidade onde proliferam movimentos de esperança, de construção, de solidariedade, e me senti muito bem.
E você, como se sente na sua cidade?
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Oi Luzinha, que tal escreveres também sobre POA ,
acho que seria bem interessante ,acidade na tua
ótica, sempre sensível. Bjs, Maryur
Verdade seja dita, São Paulo é nosso espelho.
Passemos a acordar com mais alegria e compaixão, e ela assim acordará para nós mesmos. Lindo texto Maria Lucia, parabéns e forte abraço!