Zidane passou por aqui


O francês arma o drible, no Paineiras

O Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 entrou no roteiro das empresas que exploram o futebol e usam o nome de craques e ex-craques para chamar atenção do público-consumidor. O inglês Beckham esteve em Natal, recentemente. Neste fim de semana, foi a vez do francês Zidane, em São Paulo.

Inaugurou quadra de futsal reformada, na favela de Heliópolis, cobrou pênalti com jaqueta verde e amarela (para garantir o gol colocaram o senador Eduardo Suplicy de goleiro), foi para o chiquérrimo Paineiras, deu entrevista coletiva, almoçou e bateu bola, novamente – desta vez com ginásio lotado.

Na conversa com os jornalistas cumpriu bem seu papel: se disse emocionado por visitar Heliópolis, lugar que o lembrou do bairro pobre que viveu em Marseille; falou que não falaria da cabeçada na final da Copa de 2006 por ser assunto pessoal (?); e elogiou o futebol brasileiro, espetando os britânicos de tabela: “Se a Inglaterra inventou o futebol, o Brasil o aperfeiçoou”.

Por trás da visita de Zidane a São Paulo, estava a ação da Adidas, empresa de artigos esportivos que o patrocina e para mostrar como é boazinha desenvolve programa de recuperação de quadras de futsal, na América Latina. Até 2014, além da quadra de Heliópolis, pretende entregar mais cinco aqui no Brasil – uma por ano. Um investimento bastante acanhado para uma gigante do mercado esportivo que tem a intenção de “inspirar jovens carentes no mundo inteiro a se envolverem com o futebol”.

Um comentário sobre “Zidane passou por aqui

  1. Pois é, incentivar a leitura, o estudo, o trabalho e a dignidade humana é algo que não passa pela cabeça da Adidas, mais interessada em criar novos e eternos consumidores de seus produtos do que desenvolver seres humanos livres. Não deixa de ser uma ironia: prisioneiros na favela, os meninos vão ser prisioneiros de uma logomarca e de um esporte! Triste, triste…

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